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TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 3 Ementa 4 Objetivo geral 4 Objetivos específicos 5 Habilidades e competências a serem alcançadas 5 Organização do Caderno de Estudos 5 1. PRINCÍPIOS SOBRE TREINAMENTO FÍSICO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 8 Nível de condicionamento físico e sedentarismo em crianças e adolescentes 8 Conceitos básicos sobre exercícios de força, aeróbio e treinamento físico 11 Impactos do treinamento aeróbio e treinamento de força sobre composição corporal e aspectos cardiometabólicos 14 2. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DA APTIDÃO AERÓBIA E FORÇA MUSCULAR 19 Técnicas e métodos de determinação da aptidão cardiorrespiratória 20 Técnicas e métodos de determinação da força muscular 22 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 33 3 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Caro aluno, Nesse módulo destinado a crianças e adolescentes abordaremos a temática do treinamento para a população infanto-juvenil visando melhorias da aptidão cardiorrespiratória, composição corporal, saúde metabólica e aptidões física, como por exemplo, sobre a força e resistência. Precisamos “conhecer para intervir” e, desta forma, iniciaremos os nossos estudos destinando a primeira unidade do módulo para “conhecer” os problemas inerentes a não realização de exercício físico. Sendo assim, nas primeiras páginas iremos analisar qual é o cenário da prática de exercício físico no Brasil e, posteriormente, discutiremos conceitos básicos sobre treinamento físico e os impactos positivos do exercício físico aeróbio e de força. Para “intervir” de maneira eficiente, necessitamos avaliar e diagnosticar o estado de saúde das nossas crianças e adolescentes e por isso destinaremos a segunda unidade deste módulo para falarmos sobre técnicas e métodos de avaliação da aptidão cardiorrespiratória e da força muscular. Neste contexto, utilizaremos de estudos clássicos e referencias da literatura científica para escolhermos os melhores testes de avaliação de acordo com a faixa etária e objetivo final. E por fim falaremos de sobre modelos de treinamento físico como estratégia para “intervir” ressaltando os pontos positivos e negativos de cada protocolo e/ou programa de intervenção. A temática discutida neste modulo se faz extremamente relevante tendo em vista que grandes pesquisas têm demonstrado que hábitos adquiridos nas primeiras décadas de vida, bem como as adaptações positivas inerentes ao treinamento físico realizado, tendem a manter-se na fase adulta. Ou seja, 4 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES crianças e adolescentes ativos e saudáveis tendem a serem adultos ativos e saudáveis e, para isso, precisam realizar um programa de treinamento físico adequado, sistematizado e acompanhando por profissionais capacitados. Por isso enquanto profissionais, temos que estar preparados com o conhecimento teórico/prático de como funciona as especificações do treinamento cardiorrespiratório e do treinamento de força para a população infanto-juvenil. Espero que consigam absorver o tema abordado, se inteirando das questões que envolvem a temática proposta e, para que possam atuar com efetividade e segurança, além de agregar conhecimentos através desse módulo. Sabemos que sempre podemos potencializar nossos estudos com a busca continuada em livros, artigos e vídeo aulas que encontramos na rede virtual. Os mesmos nos assessoram e fundamentam o que estudamos. Desejamos a você, bons estudos e sucesso na carreira! Ementa Epidemiologia da atividade física e treinamento físico. Conceitos e princípios básicos sobre exercício aeróbio, exercício de força e treinamento. Benefícios do treinamento físico e impactos sobre a saúde. Técnicas e métodos de determinação da aptidão cardiorrespiratória e força muscular. Prescrição e periodização de treinamento aeróbio e de força. Objetivo geral Orientar a prescrição do treinamento físico destinado às melhorias da aptidão cardiorrespiratória bem como da força muscular destinado a crianças e adolescentes. 5 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Objetivos específicos • Compreender como o treinamento físico aeróbio é capaz de impactar sobre melhorias da aptidão cardiorrespiratória; • Compreender como o treinamento de força é capaz gerar benefícios sobre a força e resistência muscular, bem como, sobre o desenvolvimento do tecido ósseo; • Conhecer as principais técnicas de avaliação utilizadas para a determinação da aptidão cardiorrespiratória bem como da força muscular de acordo com a faixa etária; • Elaborar programas de treinamento físico específico de acordo com o objetivo desejado respeitando a faixa etária. Habilidades e competências a serem alcançadas • Desenvolver a autonomia na tomada de decisão para a escolha das atividades da prática profissional; • Aplicar os conceitos fisiológicos da teoria na prática; • Estimular o raciocínio e a associação do conteúdo teórico com situações práticas de maneira critica e fundamentada. Organização do Caderno de Estudos Para facilitar o seu estudo, o material foi organizado em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática e objetiva. Além disso, este conteúdo foi baseado levando em consideração a aula presencial. A temática foi abordada por meio de textos básicos, com a inserção de ícones para estimular a reflexão, organizar as ideias e tornar a sua leitura mais agradável. 6 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Ao final, serão indicadas, também, as referências bibliográficas utilizadas neste material. Fique à vontade para utilizá-las como fonte de consulta para aprofundar seus estudos. A seguir, apresentamos a breve descrição dos ícones utilizados na organização deste Caderno de Estudos. Atenção Chamadas inseridas no texto para direcionar o seu pensamento a pontos importantes. Provocação Questões que buscam instigar o estudante a refletir (a ter a sua opinião) sobre determinado assunto. Saiba Mais Links ou informações complementares para complementar ou elucidar o assunto abordado. Leitura Complementar Sugestões de leituras adicionais (artigos científicos), vídeos e sites confiáveis para aprofundamento do estudo. Sintetizando Texto que resume o conteúdo, facilitando a compreensão pelo aluno sobre trechos mais complexos. 8 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1. PRINCÍPIOS SOBRE TREINAMENTO FÍSICO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Nível de condicionamento físico e sedentarismo em crianças e adolescentes Essa primeira unidade de nosso material didático será destinado à compreensão da necessidade da prática regular de exercício físico, estruturado em um modelo de treinamento físico, a fim de melhorar aspectos fisiológicos relacionados com a aptidão cardiorrespiratória e força muscular. Mas, antes de falarmos sobre os benefícios e malefícios dos exercícios físicos para crianças e adolescentes precisamos saber como está o nosso contexto atual para conseguirmos intervir de maneira eficiente. Antigamente, quando a tecnologia não era tão presente em nosso dia-a-dia e a urbanização era um pouco mais lenta, era comum encontrar crianças e adolescentes brincando na rua, praticando atividades ao ar livre que diretamente ou indiretamente contribuíam no processo de desenvolvimento e maturação dos envolvidos, bem como na melhora de aspectos globais da saúde. E hoje? Como é o nosso cenário? Estudos epidemiológicos que avaliam grandes proporções de pessoas em diferentes países têm relatado este triste cenário no mundo e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil observa-se que um 9 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇASE ADOLESCENTES em cada quatro adultos não realiza atividade física em quantidade suficiente para obter benefícios para a saúde e na população infanto- juvenil o cenário parece ser um pouco pior, tendo em vista que: Há muitos outros estudos que demonstram a gravidade da realidade atual que atinge a nossa população infanto-juvenil e, neste contexto, já há relatos de que 85,3% das crianças e adolescentes não atingem as recomendações de prática de atividade física semanal (BRASIL, 2017; IBGE, 2016). Infelizmente os bons hábitos cotidianos de prática de atividade física e treinamento têm sido substituídos pelo comportamento sedentário vinculado a maior utilização de recursos eletrônicos e tecnologias. No Brasil 60% dos escolares possuem o hábito de assistir televisão por mais de duas horas por dia e 56,1% de utilizarem computadores, tablets, celulares, videogames e demais atividades que permaneçam na posição “sentada” por mais de três horas por dia (KNUTH et al, 2011). Saiba mais: Essa e mais informações sobre prevalência de inatividade física, sedentarismo e atividade física você encontrará no site da OMS no endereço http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs385/en 10 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Infelizmente o comportamento de não realizar atividade física e exercício físico é apontado como um hábito de risco para a saúde global, pois doenças que eram quase que exclusivas de adultos e idosos passaram a ser observados mais frequentemente entre crianças e adolescentes em decorrência da prática insuficiente de atividades físicas. Dentre essas doenças de elevada prevalência de desenvolvimento podemos citar a obesidade, pressão arterial elevada, dislipidemia e entre outras. Todas essas informações contadas até agora se tornam ainda mais alarmante e preocupante em longo prazo tendo em vista que crianças e adolescentes tendem a manter os hábitos adquiridos na infância e adolescência na fase adulta (LAZZOLI et al., 1998), ou seja, criança sedentária tende a ser um adulto sedentário ao passo que uma criança ativa tende a ser um adulto ativo. Desta forma, faz-se extremamente necessário uma intervenção ativa neste período de desenvolvimento e formação de modo que possamos implementar boas práticas que perdurarão por toda a vida e que possibilitarão a constituição de um adulto saudável. Para isso, a OMS publicou em 2010 um interessante documento que serve como um guia de recomendações para a prática de atividade física de acordo com a faixa etária. Esse documento recebeu o nome de “Recomendações globais de atividade física para a saúde”, tendo como foco a prevenção das principais doenças crônicas não transmissíveis e tem um tópico especial destinado para crianças e adolescentes com faixa etária entre 5 e 17 anos. 11 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Conceitos básicos sobre exercícios de força, aeróbio e treinamento físico Para que possamos intervir de maneira eficiente precisamos conhecer alguns conceitos básicos que compõe um programa de intervenção independente do público-alvo. É importante lembrar que em nossas aulas falamos de exercício físico e não de atividade física a final de contas há muitas diferenças entre esses dois conceitos e você deve se lembrar sempre que: exercício físico é toda atividade organizada e sistematizada em função do tempo, duração, intensidade e entre outros parâmetros de periodização, que além de elevar o gasto energético proporciona melhora da aptidão cardiorrespiratória e composição corporal. Quando falamos de exercício físico são múltiplos os modelos existentes de acordo com os benefícios proporcionados à saúde, entretanto, os tipos de exercício físico mais estudados e aplicados são os exercícios aeróbios e os exercícios de força. De acordo com estudos clássicos, o termo “exercício aeróbio” se refere aos tipos de exercícios que requerem elevada captação, transporte e utilização de oxigênio, sendo este tipo exercício intimamente relacionado com adaptações sobre o sistema cardiovascular, pois se observa um aumento na atividade do coração, artérias e veias para que haja maior bombeamento e transporte de sangue (carreador de oxigênio) para os músculos em atividade contrátil. Por essa razão os exercícios aeróbios são indicados para a melhora da aptidão cardiorrespiratória. A relação entre aptidão cardiorrespiratória e consumo de oxigênio durante o exercício físico se torna ainda mais clara quando descobrimos qual é uma das principais medidas que determina a melhora da aptidão cardiorrespiratória, que é o consumo máximo de oxigênio Atenção: Para a saúde, crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos devem acumular pelo menos 60 minutos de atividade com intensidade moderada ou vigorosa por dia, por pelo menos 3 vezes na semana. O acúmulo de mais que 60 minutos promove benefícios adicionais à saúde. 12 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES (VO2max), que indica o quanto de oxigênio um sujeito utiliza para realizar determinado esforço físico. Neste contexto: quanto maior a aptidão cardiorrespiratória maior será o consumo de oxigênio. Por outro lado, o termo “exercício de força” se refere aos tipos de exercícios que ajudam os diferentes músculos do corpo para se tornar mais forte e aumentar a massa muscular, fenômeno chamado de hipertrofia. Uma pessoa que possui uma forte massa muscular terá força adicional e resistência para as diversas atividades cotidianas que requer força. É importante lembrar que existem três tipos de força que podem ser treinadas, ou seja, existe a força máxima, a força de resistência e a força rápida e; por outro lado, existem três tipos de resistência que podem ser treinadas, ou seja, existe a resistência de curta, média e longa duração. Neste cenário é importante recordar que, por mais que as pessoas utilizem esses termos como algo similar, força e resistência não são sinônimas. Como apresentado em nossos slides introdutórios da aula presencial, o treinamento resistido é o principal modelo de periodização responsável por aumentar a massa muscular, ganho de força e potência muscular através de exercícios que podem ser executados com pesos livres, máquinas, peso corporal e outros tipos de equipamentos, sendo estes exercícios organizados de acordo com o objetivo do treinamento que, consequentemente, apresentará diferentes números de séries, repetições, frequência, intervalo entre as séries e sessões e velocidade de execução. Provocação: Talvez você se questione sobre terminologias, ou seja, é correto dizer “treinamento de força ou treinamento resistido”? Essa pergunta é extremamente pertinente e temos que nos recordar sobre habilidades e capacidades físicas. Força é uma capacidade física dado que é um atributo treinável em um organismo humano, ou seja, é uma qualidade física passível de treinamento e adaptação. Já o treinamento resistido é o protocolo de treinamento responsável por modular a Força e a Resistência muscular. 13 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES De acordo com tudo o que falamos até aqui sobre conceitos básicos, vamos dar exemplos práticos que resumiram esses princípios e te auxiliaram a fixar essas informações de maneira aplicada. Vamos lá: Sintetizando: Atividade Física Exercício Físico Definição Qualquer movimento feito pelos músculos do corpo que tenha como resultado o gasto de energia em valores superiores ao gasto em repouso. Atividade sistematizada em função do tempo, duração, intensidade e entre outrosparâmetros de periodização, que além de elevar o gasto energético proporciona melhora da aptidão cardiorrespiratória e composição corporal. Exemplos de Exercícios • Caminhar • Subir e descer escadas • Carregar objetos • Andar de bicicleta • Lavar roupa • Musculação • Natação • Corrida de 6km • Futebol • Handebol Benefícios • Redução dos sintomas depressivos • Melhora da socialização • Melhora da autoestima e autoconceito • Melhora no rendimento escolar • Melhora da aptidão física (tanto cardiorrespiratória, muscular e força muscular) • Redução da gordura corporal • Aumento da massa muscular • Melhora no perfil lipídico • Melhora na densidade mineral óssea 14 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Impactos do treinamento aeróbio e treinamento de força sobre composição corporal e aspectos cardiometabólicos Entre todos os impactos benéficos associados a prática sistematizada de exercício físico, seja ele aeróbio ou de força, podemos enfatizar o aumento do gasto energético diário que irá colaborar de maneira positiva sobre a composição corporal total, uma vez que dependendo do consumo e do dispêndio energético, o produto final desta razão poderá ser o acúmulo ou diminuição da gordura corporal e da massa muscular. Porém, quando consideramos a especificidade de cada tipo de exercício físico, podemos identificar impactos específicos atrelados ao treinamento aeróbio e ao treinamento de força. Os exercícios físicos que são predominantemente aeróbios (corrida, natação, ciclismo, etc) são considerados eficientes para a redução do peso corporal por utilizar, predominantemente, os lipídios como fonte de energia durante a realização do exercício físico. Entretanto, a intensidade de esforço deste modelo é um fator determinante para a mobilização de substratos energéticos, tendo em vista que em intensidades baixas e moderadas utiliza-se mais lipídios e em intensidade elevadas os carboidratos. Segundo Cooper (1972) os principais benefícios adquiridos por meio do treinamento aeróbio são: aumento da aptidão cardiorrespiratória, aumento quantitativo e qualitativo dos vasos sanguíneos, melhora do tônus muscular, aumento da capacidade oxidativa de carboidratos e ácidos graxos e modulação do perfil lipídico por meio do aumento de lipoproteínas de alta densidade (HDL-c) e diminuição de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-c). Por outro lado, o exercício resistido também apresenta melhorias relacionadas à composição corporal e a promoção de saúde proporcionando significantes benefícios sobre a força e massa muscular independentemente da faixa etária. Durante a realização dos exercícios que compõem um treinamento de força utiliza-se predominantemente os carboidratos como substrato energético e um dos principais resultados é o aumento da massa muscular que, metabolicamente, é considerada a maior consumidora de energia no organismo contribuindo positivamente para o aumento do gasto energético diário, 15 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES seja em repouso, durante e/ou após a prática de exercício físico. Segundo Pollock e colaboradores (1986) o aumento da massa muscular, força, resistência, secreção de hormônios anabólicos, densidade mineral óssea e gasto calórico são os principais benefícios do treinamento de força, além de melhorar o metabolismo de glicose, sensibilidade a ação da insulina, aumentar as concentrações de HDL-c e diminuir de LDL-c. Com certeza você já deve ter ouvido a seguinte frase “Crianças e adolescentes em fase de crescimento não devem fazer musculação porque retardará o processo de crescimento” ... verdade ou mentira? Pois bem, esse tema é muito polêmico e vamos discuti-lo com bases teóricas. Nos slides da nossa aula presencial há um compilado de estudos científicos que explicam os reais impactos do treinamento de força sobre o desenvolvimento ósseo e, consequentemente o crescimento corporal, e com base em importantes posicionamentos e diretrizes à saúde podemos afirmar que os receios de que o treinamento de força poderia lesionar as estruturas corporais atreladas ao desenvolvimento estrutural em jovens não são suportadas pelas evidencias cientificas. Pelo contrário, o estresse mecânico causado nas placas de crescimento durante o exercício de resistência e/ou força pode ser benéfico para a formação e crescimento ósseo, tendo em vista que estudos conduzidos com escolares evidenciaram que o exercício de resistência é capaz de melhorar o desenvolvimento ósseo bem como aumentar a densidade mineral óssea do esqueleto, principalmente no fêmur e na região lombar. Falando especificamente do crescimento e desenvolvimento ósseo, o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACMS) publicou em 2004 diretrizes para orientar a prática de exercícios físicos sobre essa temática e, segundo a entidade, para que os exercícios realizados proporcionem efeitos positivos sobre a saúde óssea durante a infância e adolescência deve ser respeitada as seguintes recomendações: 16 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Recomendação da ACMS para saúde óssea Tipo de exercício Exercícios de impacto, como pliometria e salto, treinamento resistido (intensidade moderada) e realização de modalidades de esportes coletivos que envolvam movimentos de salto, corrida e alteração rápida de direção (ginástica, futebol, basquete, tênis, etc). Intensidade do esforço A intensidade pode ser alta em atividades que envolvam impacto mecânico, de maneira geral. Entretanto, para treinamento de força/resistido, a intensidade deve ser de aproximadamente 60% de uma repetição máxima (teste que será discutido na próxima unidade). Frequência de realização 3 vezes na semana ou mais. Duração De 10 a 20 minutos, sendo que a realização de duas vezes ou mais no mesmo dia será capaz de potencializar os efeitos. Atenção: Deve-se considerar quatro importantes estruturas do treinamento físico para melhoria da saúde óssea e, consequentemente, desenvolvimento ósseo sendo eles: tipo de exercício, intensidade do esforço, frequência de realização dos exercícios físicos e duração. Veja com detalhes a tabela abaixo. 17 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Em linhas gerais, ambos os modelos de treinamento (aeróbio e força) são capazes de proporcionar benefícios à saúde e são eficientes ferramentas para a prevenção e o tratamento de doenças e alterações metabólicas, entretanto, para processos de perda de peso ponderal, a somatória dos modelos de treinamento mencionados neste capítulo parece ter efetividade por agregar os benefícios e minimizar as deficiências de cada treinamento. Desta forma, modelos de treinamento que combinem ambos os protocolos, sejam eles o treinamento concorrente ou o treinamento combinado, composto por 50% do tempo de treino aeróbio e 50% do tempo de treino resistido, é reconhecido como uma boa metodologia de treinamento por propiciar concomitantemente os benefícios dos exercícios aeróbios e de força. Sendo assim, seja de maneira isolada ou combinada, os exercícios aeróbios e de força conjugados em um programa de treinamento físico serão eficientes para a promoção da saúde em crianças e adolescentes independentemente da faixa etária. Provocação: Você pode estar se perguntando se as recomendações são aplicáveis a todos os públicos e a resposta é NÃO! É importante lembrar que as orientações para a melhoria do conteúdo mineral ósseo, e consequentemente, da saúde óssea em crianças e adolescentes apresentam características distintas deadultos e por isso é extremamente importante respeitar as recomendações de acordo com a idade. Para crianças e adolescentes visamos por meio do treinamento resistido o desenvolvimento ósseo e para os adultos e idosos aplicamos o treinamento visando à manutenção da saúde óssea. 19 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 2. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DA APTIDÃO AERÓBIA E FORÇA MUSCULAR Antes de falarmos sobre técnicas especificas para a determinação da aptidão cardiorrespiratória e força muscular em crianças e adolescentes é extremamente importante fazermos alguns comentários sobre o estado de saúde clínico da nossa população. Sendo assim, é indicado que todo e qualquer sujeito que iniciará um programa de treinamento físico realizasse exames clínicos na presença de especialistas para a determinação da saúde osteoarticular bem como cardiorrespiratório. Entretanto, a realização de exames laboratoriais como os supracitados impactam diretamente no tempo de execução e custo e, desta forma, há estratégias alternativas validadas para a detecção de pessoas que não estão prontamente indicadas a praticar exercícios físicos, como por exemplo, o Physical Activity Readiness Questionnaire (PAR-Q) (Tradução livre: Questinário de Prontidão para a Atividade Física), 20 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES que é um questionário auto- referido. Técnicas e métodos de determinação da aptidão cardiorrespiratória Podemos dizer que há vasta gama de técnicas e métodos para determinar a aptidão cardiorrespiratória em crianças e adolescentes, entretanto temos que considerar o ambiente onde os testes serão realizados bem como o acesso a maquinas e aparatos para a determinação direta da aptidão cardiorrespiratória. Por exemplo, há uma série de protocolos máximos e submáximos que são aplicados em esteira rolante e que são baseados na utilização de análises diretas das trocas gasosas respiratórias; entretanto, para tais protocolos se faz necessário uma esteira rolante de qualidade e uma máquina, denominada de analisador de gases, que é responsável por fazer a detecção do oxigênio e gás carbônico durante o teste de esforço. Neste modelo de teste laboratorial recomenda-se que o protocolo se inicie em baixa velocidade, onde o sujeito possa manter uma cadência de caminhada, e gradativamente aumentar a velocidade até o padrão de corrida. Por exemplo, podemos começar o protocolo a 3 km/h e a cada 1 minuto aumentar 0,5 km/h mantendo-se a inclinação a 1% da esteira respeitando o tempo máximo de 12 minutos de teste. Esse tipo de teste é padrão ouro (ou seja, a melhor técnica) para a determinação da aptidão cardiorrespiratória, tendo em vista que conseguimos quantificar o consumo máximo de oxigênio que comentamos no Capítulo 2 da Unidade I, porém é uma técnica Saiba mais: Acesse o questionário para preenchimento on-line no endereço http://www.saudeemmovimento.com.br/saude/par-q.htm Para download acesse o endereço http://www.cepe.usp.br/wp-content/uploads/PARQ-site- CEPE.pdf 21 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES custosa e pouco acessível tornando tal método ligeiramente inviável. Porém há outros testes outdoor, ou seja, testes de campo que podemos conduzir com menor quantidade de recursos e que apresentam alta sensibilidade e aplicabilidade prática, como por exemplo, o teste de 20 metros de Léger e o teste de corrida e caminhada de 6 minutos. • Teste de 20 metros de Léger: O teste deve iniciar com os sujeitos correndo lentamente e encerrará em uma velocidade de corrida rápida, sendo executado em um sistema de “vai e vem” em uma distância de 20 metros, de acordo com o ritmo determinado pelo protocolo. Este teste é do tipo escalonado, com estágios de aproximadamente 1 minuto de duração e são marcados por um sinal sonoro (beep), que determina a cadência de corrida. O estágio que o avaliado parar ou não conseguir mais manter o ritmo ditado pelo protocolo, indicará o nível de aptidão cardiorrespiratória representada pelo consumo máximo de oxigênio (VO2max). O teste inicia com uma velocidade de 8,5 km/h e incrementa 0,5 km/h a cada estágio (aproximadamente 1 minuto), ou seja, o intervalo entre os beeps em cada velocidade diminuirá com o avançar do teste. Fonte:http://bbheart.com.br/MANUAL%20DE%20APLICA%C3%87%C3%83O%20PROESP.pdf - Acessado em 21/02/2020 • Teste de corrida e caminhada de 6 minutos: O teste deve ser executado em local com marcação de metragem (campo ou pista de atletismo) informando o sujeito de que ele deve correr o http://bbheart.com.br/MANUAL%20DE%20APLICA%C3%87%C3%83O%20PROESP.pdf 22 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES maior tempo possível e mantendo sempre a mesma cadência de ritmo, ou seja, deve-se evitar “piques” de corrida intercalados com caminhada. Esse protocolo de corrida será executado por 6 minutos contínuos e, ao final do tempo, o sujeito deve-se manter parado no perímetro onde estiver ao ouvir o som sonoro (apito ou beep), sendo liberado após o registro da metragem percorrida pelo avaliador. Técnicas e métodos de determinação da força muscular Falando especificamente da força muscular, temos que saber que durante a infância e o principio da adolescência não observa-se diferenças significativas entre os sexos. Entretanto, a partir da adolescência percebe-se que os meninos se tornam progressivamente mais fortes quando comparado com as meninas e tais alterações podem ser explicadas pela produção e secreção de hormônios. Em especial, as concentrações de testosterona e de hormônio do crescimento (GH) são fatores determinantes em prol dos meninos (MONTEIRO, 1997; RHEA 2009). Quando falamos de técnicas e métodos para a determinação de força muscular em crianças e adolescentes, podemos listar alguns eficientes métodos que podem ser realizados em laboratórios e/ou academias (indoor) ou em campo e Leitura complementar: Para a descrição completa dos testes, formas de interpretação e classificação de acordo com o sexo e faixa etária leia o documento nacional: https://www.ufrgs.br/proesp/arquivos/manual-proesp- br-2016.pdf Atenção: Para reavaliação e ajuste de cargas recomenda-se a reaplicação dos testes aproximadamente 4 semanas após o início do treinamento nas condições ambientais anteriormente definidas. 23 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES espaços abertos com uma menor quantidade de recursos (outdoor). Independentemente do tipo de teste aplicado se faz extremamente importante que haja um período de adaptação neuromuscular e familiarização com a prática do exercício e do movimento que será executado em teste, pois desta forma minimizamos possíveis falhas de aplicação, execução e interpretação dos resultados. Nos testes indoor que podem ser realizados em acadêmicas ou laboratórios buscamos determinar a força máxima do sujeito por meio de testes de determinação de 1 repetição máxima (1RM), ou seja, o avaliado será submetido a um exercício especifico (membros superiores e membros inferiores) para identificar a sua força máxima com base em apenas uma repetição completa e correta do movimento. Como apresentamos em aula aos discutirmos sobre testes e avaliações, embora testes de 1RM sejam amplamente utilizados para a avaliação da força muscular em população infanto-juvenil e adulta, a falta de familiarização prévia aos procedimentos de teste pode gerar interpretações equivocadas bem como ocasionar lesões devido a técnicas mal executadas como falamos em nossa aula presencial. Uma adaptaçãodo teste de 1 RM é o teste de predição de uma repetição máxima por meio do teste de 10 repetições máximas (10RM), proposto por Baechle (1992). Neste modelo de teste há a determinação de uma carga máxima individual para que o sujeito consiga realizar 10 repetições completas em cada exercício. Sendo assim, se o sujeito consegue realizar 11 ou mais repetições a carga esta subestimada, ao posso que, se o sujeito consegue realizar 9 ou menos repetições a carga estará superestimada. Geralmente este teste é composto por 3-4 exercícios distintos a fim de avaliar grandes grupos musculares e assim conseguir estimar os resultados globais, como por exemplo, utiliza- se de exercícios de Leg Press 45º, Supino reto, Remada baixa e Rosca direta. Como visto em aula, este é um protocolo de teste bem tolerado pelos sujeitos, não apresenta riscos eminentes e é apropriado para a determinação da força muscular na população infanto-juvenil independentemente do sexo. No protocolo proposto Baechle (1992) utiliza-se um fator de repetição para encontrar o valor de 1 RM a partir das execuções realizadas com sucesso como apresentado abaixo: 24 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Repetições completas Fator de repetição 1 1.00 2 1.07 3 1.10 4 1.13 5 1.16 6 1.20 7 1.23 8 1.27 9 1.32 10 1.36 Fonte: Baechle (1992) Além dos protocolos de testes indoor, há também os testes outdoor que podem ser executados em campo, porém geralmente são aplicados para determinações de força especifica, ou seja, há protocolos para determinar a força explosiva de membros inferiores ou superiores, por exemplo. Neste contexto é necessário saber qual tipo de força se deseja avaliar e, desta forma, eleger o melhor protocolo a ser aplicado. Podemos citar alguns testes que são realizados em campo e que determinam a força muscular e resistência: • Resistência muscular localizada (principalmente de tronco): Teste com número de abdominais realizadas em 1 minuto contínuo; Fonte: https://www.ufrgs.br/proesp/bat- teste-resistencia-abdominal.php - Acessado em 21/02/2020 • Força explosiva de membros superiores: Arremesso de bolas de peso do tipo medicineball; https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-resistencia-abdominal.php https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-resistencia-abdominal.php 25 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Fonte:https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-forca- explosiva-de-membros-superiores.php - Acessado em 21/02/2020 • Força explosiva de membros inferiores: Salto horizontal em distância, podendo este mesmo teste ser feito sobre uma plataforma de força para determinação direta; Fonte: https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-forca-explosiva-de-membros-inferiores.php - Acessado em 21/02/2020 • Teste de puxada em suspensão em barra Fonte: http://www.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgram/bateria.htm - Acessado em 21/02/2020 https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-forca-explosiva-de-membros-superiores.php https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-forca-explosiva-de-membros-superiores.php https://www.ufrgs.br/proesp/bat-teste-forca-explosiva-de-membros-inferiores.php http://www.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgram/bateria.htm 26 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES • Teste de flexão dos braços. Fonte: https://www.dicasdetreino.com.br/guia-de-treino-flexao-de-braco/ - Acessado em 21/02/2020 Leitura complementar: Para a descrição completa dos testes, formas de interpretação e classificação de acordo com o sexo e faixa etária leia os documentos adicionais em português: https://www.ufrgs.br/proesp/arquivos/manual-proesp- br-2016.pdf http://www.scielo.br/pdf/fm/v25n1/a21v25n1.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbme/v11n6/a03v11n6.pdf https://www.dicasdetreino.com.br/guia-de-treino-flexao-de-braco/ 28 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES UNIDADE I PRESCRIÇÃO DE TREINAMENTO AERÓBIO E DE FORÇA DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA Por se tratar da população infanto-juvenil, é importante considerar que estamos falando de sujeitos em desenvolvimento global, ou seja, estamos falando de seres que estão em processo de formação corporal, intelectual e psicossocial. Desta forma, a primeira e mais importante recomendação para essa população especial é de manter-se ativo por maiores tempos ao longo do dia, afinal são esses hábitos cotidianos iniciais que determinarão o padrão de aptidão física destes sujeitos quando adultos bem como o interesse por um estilo de vida mais saudável. Em linhas gerais o ideal é que crianças e adolescentes estejam envolvidos em ≥60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa diariamente. No caso de crianças em idade pré- escolar (3 a 5 anos) sugere-se que devam permanecer ativas e envolvidas com brincadeiras e jogos que tenham movimentação ao longo do dia para aumentar o crescimento e o desenvolvimento global. Neste caso, os responsáveis e/ou cuidadores das crianças em idade pré-escolar devem incentivar brincadeiras ativas com variedade de tipos de atividade. No caso de crianças e adolescentes com idade entre 6 e 17 anos sugere-se que os sujeitos estejam engajados em 60 minutos ou mais de exercício físico de intensidade moderada a vigorosa (12-16 da escala de Borg) diariamente, podendo ser realizado em formato de: • Exercício Aeróbio: a maioria dos 60 minutos ou mais por dia deve ser de exercício físico aeróbio de intensidade moderada ou vigorosa (entre 50% a 80% da frequência cardiaca maxima) e deve incluir exercício físico de intensidade vigorosa pelo menos 3 dias por semana. o Fortalecimento muscular: como parte de seus 60 minutos ou mais de atividade física diária, crianças e adolescentes devem incluir atividade física de fortalecimento muscular (exercícios resistidos principalmente com uso 29 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES de pesos livres e exercícios calistenicos) em pelo menos 3 dias por semana. o Fortalecimento ósseo: como parte de seus 60 minutos ou mais de atividade física diária, crianças e adolescentes devem incluir exercício físico de fortalecimento ósseo (ex: treinamento resistido com ou sem aparelhos e treinamento pliométrico) pelo menos 3 dias por semana. Saiba mais: • Acesse um guia completo intitulado “Diretrizes para a prática de atividade física” (Tradução livre), destinado a orientar sobre a prática de atividade física e exercícios de acordo com a faixa etária no endereço: https://health.gov/sites/default/fil es/2019- 09/Physical_Activity_Guidelines_2 nd_edition.pdf De acordo com a literatura científica, Fleck e Kramer (2006) sugerem uma estruturação de treinamento físico voltando para a melhoria da força muscular de acordo com a faixa etária, considerando que de acordo com a fase de desenvolvimento físico há competências e habilidades a serem exploradas e melhor desenvolvidas no campo da força e/ou resistência muscular. Desta forma, uma maneira de prescrever e monitorar os exercícios físicos de força muscular dentro de um programa de treinamento, de acordo com os grupos de idade, pode ser da seguinte forma: 5 a 7 anos • Exercício com pouco ou nenhum peso; • Exercícios com o peso do próprio corpo; • Exercícios em duplas; • Carga leve mantendo a baixa intensidade e volume. 8 a 10 anos • Número maior de tipos de exercícios; • Aumento gradual e leve da carga e volume; • Exercícios simples e de fácil execução; • Monitoração da tolerância ao estresse mediado pelo exercício. 11 a 13 anos • Inserção de ensinamento de técnicas especifica de movimento; 30 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES • Aumentogradual da carga de trabalho; • Inserção de exercícios mais avançados, porém com pouca ou nenhuma carga. 14 a 15 anos • Implementação de exercícios de força mais avançados; • Aprimoramento das técnicas com ênfase nos movimentos de execução; • Aumento do volume de trabalho. >16 anos • Nível inicial de periodização de programas para adultos Especificamente sobre treinamento voltado à força, quando o público são crianças e adolescentes envolvidos em um programa de treinamento não há necessidade que as sessões tenham mais de 20 minutos e, neste contexto, o treinamento físico pode ter de 20 a 60 minutos de atividade dependendo da faixa etária. Para crianças e adolescentes o treinamento resistido deve iniciar com exercícios de baixa intensidade até que a técnica de execução do movimento seja totalmente aprendida. É extremamente importante que o profissional de Educação Física responsável pelo treinamento do sujeito se atente a amplitude total do movimento e recomenda-se a prescrição de exercícios que utilizem todos os grupos musculares em uma mesma sessão de treinamento. Há também outras recomendações importantes relativas ao treinamento de força que devem ser consideradas durante a elaboração de um programa para a população infanto-juvenil: 1. Garantir e fornecer instruções qualificadas ao sujeito e ao responsável da criança e /ou adolescente 2. Fornecer supervisão regular e sistêmica de modo a garantir a qualidade do treinamento físico bem como a obtenção dos objetivos propostos. 3. Certificar-se previamente que o local do treinamento é seguro e adequado para a população a ser atendida. 4. Iniciar cada sessão de treinamento físico com um aquecimento dinâmico e multiarticular com duração entre 5 e 10 minutos. 31 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 5. Realizar de 1 a 3 séries de 6 a 15 repetições com uma variedade de exercícios para membros superiores e inferiores que exercitem a maior quantidade possível de agrupamentos musculares. 6. Aumentar a resistência gradualmente (5-10%) assim que houver aumento na força. 7. Realizar volta à calma com exercícios de baixa intensidade e com alongamentos estáticos após a realização de cada sessão de esforço. 8. Para crianças e adolescentes é importante manter um programa de exercícios que seja desafiador, estimulante e atualizado. 9. Para a melhora do desempenho e dos ganhos advindos do treinamento é importante estimular os sujeitos a aderir um estilo de vida mais saudável por meio de uma dieta balanceada, ingestão regular de água e ter horas de sono adequado. 33 TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Baechle, T. R.; Groves, B.R. Weight Training. Champaign. Leisure Press. 1992. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Vigitel Brasil 2016: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2016 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 160p.: il. CONDE WL, BORGES C. O risco de incidência e persistência da obesidade entre adultos brasileiros segundo seu estado nutricional ao final da adolescência. Rev. Bras. Epidemiol, 14 (1): 71-79. 2011 COOPER KH. Capacidade aeróbia. 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