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1 KARINE MARIA LOPES DE FREITAS 2025 SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO SUPERIOR EM PEDAGOGIA - LICENCIATURA PORTFOLIO INDIVIDUAL - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 2025 2 KARINE MARIA LOPES DE FREITAS PORTFOLIO INDIVIDUAL - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Prática Pedagogica para o Curso superior em PEDAGOGIA - LICENCIATURA à Universidade UNOPAR, como requisito parcial para a obtenção de média na disciplina norteadora do semestre Professor (a): Patricia Aparecida Mendes Machado Attisano SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3 2 DESENVOLVIMENTO ......................................................................................... 6 2.1 ATIVIDADE 1 – Roteiro Reflexivo e Interativo: Cuidar, Ouvir e Responder6 2.2 ATIVIDADE 2 – Explorando o Brincar: Sentidos, Faz-de-Conta e Ambientes Lúdicos ................................................................................................. 12 2.4 ATIVIDADE 3 – Explorar, Tocar, Descobrir: O Mundo nas Mãos da Criança ....................................................................................................................... 17 2.5 ATIVIDADE 4 – Aprender sendo, brincando e explorando: o cotidiano na Educação Infantil ..................................................................................................... 22 3 CONCLUSÃO .................................................................................................... 24 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 26 3 3 INTRODUÇÃO Ao ingressar na disciplina Práticas Pedagógicas na Educação Infantil, passei a refletir de maneira ainda mais consistente sobre a centralidade do brincar como eixo estruturante da aprendizagem e do desenvolvimento integral das crianças. A experiência proporcionada pela aula 2, que aborda os aspectos lúdicos e as múltiplas experiências relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, intelectual, emocional, social e motor, ampliou minha percepção acerca do papel essencial do educador nesse processo. Entendo, hoje, que o brincar não pode ser reduzido a uma atividade acessória ou meramente recreativa dentro do cotidiano escolar. Pelo contrário, ele deve ser compreendido como uma prática pedagógica intencional, capaz de mobilizar saberes, promover interações e possibilitar à criança o exercício de sua criatividade, autonomia e senso crítico. Ao brincar, a criança experimenta, constrói hipóteses, expressa sentimentos, organiza pensamentos e desenvolve habilidades que a acompanham por toda a vida. Nesse contexto, a atuação do educador ganha uma dimensão especial: o cuidado, a escuta ativa e a atitude responsiva não se limitam a gestos afetivos ou manifestações de empatia, mas constituem-se em verdadeiras ferramentas pedagógicas. Esses elementos, quando praticados com intencionalidade e sensibilidade, permitem que o professor fortaleça vínculos, crie um ambiente de confiança e potencialize o desenvolvimento integral das crianças. A escuta atenta e o olhar sensível são indispensáveis para que o professor perceba o que está por trás das ações, gestos e narrativas das crianças durante as brincadeiras. Cada gesto, cada palavra e cada silêncio carregam significados que, quando valorizados, favorecem a construção de um espaço educativo acolhedor, no qual a criança se sente respeitada em sua singularidade. A atitude responsiva, nesse sentido, transcende a simples reação a uma necessidade imediata: ela implica reconhecer a criança como sujeito de direitos, competente e capaz de participar ativamente de seu processo de aprendizagem. Como futura professora, compreendo que estar presente de forma consciente e acolhedora durante as interações e momentos lúdicos é essencial para criar um ambiente educativo que seja simultaneamente seguro, estimulante e humanizador. É nesse espaço que a criança encontra a liberdade de se expressar, de experimentar o novo e de se encorajar a superar desafios. Cabe ao educador assegurar que cada experiência vivida 4 seja significativa, conectada com o universo infantil e respeitosa em relação aos tempos e ritmos de desenvolvimento de cada criança. A vivência prática, proporcionada pelas reflexões teóricas e pelas observações realizadas na disciplina, tem me permitido exercitar uma postura profissional mais atenta, crítica e humanizada. Essa postura demanda reconhecer que a infância é um período único, marcado por descobertas e aprendizagens que não podem ser apressadas nem padronizadas. Cada criança traz consigo uma história, um modo próprio de agir e sentir, e uma maneira singular de se relacionar com o mundo. Dessa forma, a prática docente na Educação Infantil exige do professor não apenas conhecimento técnico e domínio pedagógico, mas também sensibilidade, empatia e abertura ao diálogo com as crianças. Quando o professor valoriza o brincar como espaço de aprendizagem, ele não apenas observa, mas participa ativamente, mediando experiências, propondo desafios adequados e incentivando a expressão criativa. Assim, o brincar deixa de ser visto como passatempo e se afirma como instrumento fundamental para a construção do conhecimento. Outro aspecto que tenho compreendido é que o brincar favorece a formação integral da criança porque envolve dimensões múltiplas do desenvolvimento. No plano cognitivo e intelectual, promove a exploração de conceitos, a resolução de problemas e a elaboração de raciocínios. No âmbito emocional, permite que a criança expresse sentimentos, elabore frustrações e desenvolva segurança afetiva. No campo social, fortalece vínculos, ensina regras de convivência e possibilita a construção da cooperação e da solidariedade. Já no aspecto motor, garante oportunidades de movimento, coordenação e experimentação corporal, fundamentais para a saúde e bem-estar. É nesse entrelaçamento de dimensões que se revela a riqueza do brincar e a importância de sua valorização na prática pedagógica. O professor, ao compreender isso, torna-se um agente de transformação, capaz de criar situações intencionais que ampliem os horizontes da criança e possibilitem aprendizagens significativas. Aprendi, portanto, que o brincar é também uma forma de linguagem, através da qual a criança revela o que sente, o que pensa e o que deseja. Cada construção simbólica, cada história criada e cada jogo inventado constituem uma expressão legítima de seu universo interior. O professor que se dispõe a ouvir, observar e interagir com sensibilidade participa ativamente desse processo, tornando-se um facilitador de aprendizagens e um parceiro de descobertas. Concluo que minha formação como futura professora de Educação Infantil passa, 5 necessariamente, pelo reconhecimento do brincar como eixo estruturante da prática pedagógica. A disciplina tem me mostrado que ser educador exige muito mais do que transmitir conteúdos: requer compreender, respeitar e valorizar a infância em sua complexidade. Requer, sobretudo, assumir uma postura ética, humana e comprometida com o desenvolvimento integral das crianças. Assim, reafirmo que o brincar é um direito, uma necessidade e um caminho privilegiado para o aprendizado. O papel do educador, nesse processo, é o de mediador sensível e consciente, capaz de transformar cada brincadeira em uma oportunidade de crescimento, cada interação em uma experiência significativa e cada gesto em um ato pedagógico carregado de sentido. 6 4 DESENVOLVIMENTO ATIVIDADE 1 – ROTEIRO REFLEXIVO E INTERATIVO: CUIDAR, OUVIR ERESPONDER OBJETIVO DA ATIVIDADE Promover a reflexão crítica acerca das práticas docentes na Educação Infantil, destacando o cuidado, a escuta ativa e a atitude responsiva como dimensões centrais e indissociáveis do desenvolvimento integral da criança. Busca-se, ainda, fomentar a compreensão do professor como sujeito ético e mediador pedagógico, responsável por criar condições favoráveis ao aprendizado, respeitando a singularidade, o tempo e as experiências das crianças. LEITURA E RODA DE CONVERSA INICIAL Dinâmica Duração total: 60 minutos Formato: Presencial ou virtual (em modalidade síncrona) Material de apoio: Texto-base indicado pelo professor sobre o cuidado como dimensão pedagógica na primeira infância. Etapas da Atividade a) Leitura coletiva ou individual (20 minutos) O encontro inicia-se com a leitura do texto-base selecionado, que pode ser realizada de forma silenciosa (para momentos de concentração e reflexão individual) ou compartilhada (para estimular a oralidade, a escuta e a troca imediata de percepções). A escolha dependerá do tempo disponível e da dinâmica previamente acordada com o grupo. Durante a leitura, é recomendável que os participantes façam anotações pessoais sobre trechos que despertaram maior interesse, dúvidas ou inquietações, para que possam contribuir de forma mais ativa no momento seguinte. b) Roda de Conversa Orientada (40 minutos) Após a leitura, será proposta uma roda de conversa com base em questões norteadoras, a fim de estimular o debate crítico, a troca de experiências e a construção coletiva de 7 conhecimentos. A roda de conversa deve ser conduzida em ambiente acolhedor, no qual cada participante sinta-se seguro e respeitado para se expressar livremente. O papel do mediador (professor) é incentivar a participação de todos, organizar os turnos de fala e propor provocações que ampliem o olhar sobre a prática pedagógica. QUESTÕES PARA REFLEXÃO E DEBATE O que significa cuidar pedagogicamente de uma criança? Expectativa: Que os participantes compreendam o cuidado como parte essencial do processo educativo, indo além do atendimento às necessidades físicas (alimentação, higiene e segurança). O cuidado pedagógico abrange também aspectos afetivos, emocionais, sociais e culturais. Orientações para o debate: o Refletir sobre o vínculo como elemento indispensável para o aprendizado. o Valorizar o acolhimento como prática cotidiana que garante segurança e pertencimento. o Reconhecer as experiências infantis como constituintes do currículo, e não como momentos paralelos ao “conteúdo escolar”. Exemplo prático: Um professor que, ao realizar o momento da refeição, transforma a situação em oportunidade pedagógica ao estimular a autonomia, o diálogo e a socialização, cuidando e educando simultaneamente. De que forma a escuta ativa transforma a prática docente? Expectativa: Que os participantes compreendam a escuta ativa como gesto de respeito, empatia e valorização das vozes infantis. Orientações para o debate: o Ressaltar que escutar a criança é legitimar sua voz e sua experiência de mundo. o Destacar que a escuta ativa possibilita ao professor conhecer os interesses, medos, curiosidades e ritmos da criança. o Evidenciar que, a partir dessa escuta, o professor pode planejar e adaptar suas práticas pedagógicas de forma mais significativa e contextualizada. Exemplo prático: Durante uma roda de histórias, o professor percebe que as crianças demonstram grande curiosidade por animais marinhos. A partir disso, reorganiza o planejamento da semana, trazendo atividades investigativas, lúdicas e criativas sobre o tema. 8 Como a atitude responsiva se revela na rotina escolar? Expectativa: Que os alunos compreendam a responsividade como uma postura pedagógica marcada pela intencionalidade, prontidão e respeito diante das manifestações infantis. Orientações para o debate: o Apontar situações do cotidiano (acolhida, conflitos, momentos de troca, brincadeiras) nas quais a resposta sensível do professor faz diferença na vivência da criança. o Reforçar que ser responsivo não é apenas reagir mecanicamente, mas sim agir com consciência pedagógica, reconhecendo as necessidades e potencialidades das crianças. Exemplo prático: Quando uma criança se mostra frustrada em uma brincadeira por não conseguir realizar determinada tarefa, o professor acolhe suas emoções, ajuda-a a pensar em alternativas e oferece suporte, sem retirar dela a possibilidade de tentar e aprender com a experiência. AMPLIAÇÃO DA ATIVIDADE (PARA ALÉM DOS 60 MINUTOS) Embora a atividade proposta tenha duração prevista de 60 minutos, recomenda-se que ela seja expandida em outros momentos formativos, tais como: 1. Registro reflexivo individual: Cada participante escreve um breve relato sobre as aprendizagens adquiridas na roda de conversa, destacando aspectos que podem ser aplicados em sua futura prática docente. 2. Produção coletiva: Em pequenos grupos, os participantes podem elaborar cartazes ou apresentações digitais com frases-síntese sobre o significado do cuidado, da escuta ativa e da responsividade, que serão socializadas ao final. 3. Integração com observações práticas: Após a discussão teórica, sugere-se que os participantes realizem observações em contextos reais (ou simulados) de Educação Infantil, registrando como esses elementos se manifestam na rotina escolar. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DE APOIO Kishimoto (1994) destaca que o brincar é elemento estruturante da infância e que, mediado pelo professor, transforma-se em prática educativa significativa. Vygotsky (1991) ressalta que as interações sociais e culturais são fundamentais para o desenvolvimento, sendo a escuta e a responsividade instrumentos de mediação do aprendizado. Wallon (1975) aponta que o cuidado afetivo e emocional é indissociável do desenvolvimento cognitivo, pois a criança aprende em sua totalidade e não em partes isoladas. Brasil (2010, DCNEI) estabelece que cuidar e educar são práticas indissociáveis 9 na Educação Infantil, devendo o professor atuar de forma integrada, respeitando a singularidade da criança. SÍNTESE FINAL DA ATIVIDADE A Atividade 1 propõe que os futuros educadores reflitam criticamente sobre três dimensões fundamentais da prática pedagógica: o cuidado, a escuta ativa e a atitude responsiva. Mais do que conceitos abstratos, esses elementos se materializam no cotidiano escolar e são responsáveis por tornar a educação infantil um espaço humanizador, de respeito às singularidades e de promoção do desenvolvimento integral. Ao compreender que cuidar é educar, que escutar é valorizar e que responder com intencionalidade é mediar aprendizagens, o professor assume seu papel ético e transformador, capaz de transformar cada momento da rotina escolar em uma experiência rica de sentido e de crescimento para a criança. A Educação Infantil representa a primeira etapa da Educação Básica, sendo um espaço essencial para o desenvolvimento integral das crianças. Mais do que ensinar conteúdos, o educador da infância precisa compreender a importância do cuidado, da escuta ativa e da resposta sensível às necessidades infantis. Conforme os estudos apresentados na unidade "O que uma criança aprende quando brinca?", é possível compreender que o brincar é a forma mais autêutentica de expressão da infância, sendo também um recurso pedagógico poderoso. Neste contexto, o educador precisa cultivar uma atitude responsiva, ou seja, estar atento às manifestações das crianças, reconhecer suas emoções, acolher seus sentimentos e promover experiências que favoreçam o desenvolvimento integral. Essa postura exige escuta atenta, sensibilidade e compreensão do universo infantil, bem como a capacidade de construir vínculos seguros e afetivos. 2. Descrição Detalhada dos Três Momentos Simulados Momento 1: Entrada das Crianças A chegadadas crianças à escola é um dos momentos mais importantes do dia, pois marca o início da vivência coletiva no espaço educativo. Simulei esse momento colocando-me no lugar da educadora, com postura acolhedora, chamando as crianças pelo nome e oferecendo um cumprimento afetuoso. Observei o comportamento das crianças, respeitando diferentes modos de chegada: algumas mais entusiasmadas, outras demonstrando medo ou saudade. Cuidado físico e emocional: Ajudei com os pertences, incentivei a organização pessoal e ofereci palavras de conforto. Para uma criança que 10 demonstrou tristeza por se separar da mãe, ajoelhei-me, mantive contato visual e a acolhi verbalmente. Escuta ativa: Validar os sentimentos da criança foi fundamental. Não minimizei sua dor, mas mostrei empatia e ofereci apoio. Vínculo: Com essas atitudes, estabeleci um ambiente de confiança, que favorece a permanência e a participação ativa da criança no cotidiano escolar. Momento 2: Hora da Alimentação A hora da refeição foi tratada como um momento de convivência e partilha. Organizei as crianças em roda, incentivei a autonomia e respeitei o ritmo individual de cada uma. Cuidado: Observei se todas estavam confortáveis, auxiliei com os utensílios quando necessário e cuidei da higiene. Escuta: Quando uma criança disse que não gostava da comida, propus uma conversa leve e respeitosa, sem forçar, mas estimulando a experimentação. Resposta: Adaptei a minha abordagem à necessidade emocional da criança. Evitei imposições e criei um ambiente de confiança. Momento 3: Atividade Livre de Acolhimento Neste momento, disponibilizei diferentes materiais lúdicos como blocos, livros, brinquedos simbólicos e fantoches. Observei a interação espontânea das crianças e me mantive presente, mas não intrusiva. Cuidado: Garante-se a segurança física e emocional do grupo, observando eventuais conflitos ou riscos. Escuta: Demonstrei interesse verdadeiro pelas brincadeiras. Ao ser convidada por uma criança para ver sua "casa de blocos", ouvi atentamente o que ela tinha a dizer. Vínculo: O elogio sincero, o interesse pelas produções e a participação nas brincadeiras contribuíram para fortalecer laços. 3. Análise Crítica: Cuidado, Escuta e Atitude Responsiva Compreendi que o cuidado na Educação Infantil ultrapassa a atenção física. Cuidar é acolher, respeitar o tempo e os sentimentos da criança. A escuta ativa, por sua vez, é escutar com o coração, é perceber o que não é dito verbalmente. A resposta responsiva é agir com base nessa escuta, criando um ambiente de confiança e segurança. Esses três pilares se entrelaçam. Um cuidado sem escuta é superficial. Uma escuta sem resposta é silenciosa. Uma resposta sem empatia é vazia. Na prática, educar é construir relações significativas com as crianças. 11 4. Sugestões Práticas para o Cotidiano Escolar Na entrada: Saudar com sorriso, olhar nos olhos, perguntar como está, acolher com escuta verdadeira. Nas refeições: Respeitar preferências, estimular a partilha, incentivar a autonomia. Em atividades livres: Estar presente, observar, participar sem dominar, intervir com sensibilidade. Diante de conflitos: Escutar todas as partes, mediar com empatia, promover o diálogo. No choro ou frustração: Validar a emoção, nomear sentimentos, acolher com palavras e gestos. 5. Recurso Criativo: Cena Dramatizada Cenário: Entrada da sala de aula. Criança: Maria, 4 anos, chega cabisbaixa. Educadora: (ajoelha-se, suaviza a voz) "Bom dia, Maria! Vi que você está tristinha hoje. Quer me contar?" Maria abaixa a cabeça. Educadora: "Tudo bem se você quiser ficar quietinha. Estou aqui do seu lado, viu? Que tal ver os desenhos novos que preparei para vocês?" Maria acena com a cabeça. Educadora oferece a mão. Essa cena mostra como a escuta e a atitude responsiva podem acolher a criança desde o início do dia, construindo um ambiente emocionalmente seguro e confiável. 6. Considerações Finais A simulação dos momentos da rotina da Educação Infantil me permitiu aprofundar a compreensão sobre a importância do cuidado, da escuta e da atitude responsiva. Esses elementos não são complementares, mas fundantes da prática docente com a infância. Ser educador de crianças pequenas exige presença afetiva, respeito à singularidade e compromisso com uma educação humanizada e sensível. Por isso, o olhar atento, a escuta empática e a ação responsiva precisam ser cultivados cotidianamente. Ao educar, também somos educados pelas crianças. Cada gesto, cada palavra e cada silêncio infantil é um convite para construirmos uma escola mais acolhedora, justa e significativa. 12 4.1 ATIVIDADE 2 – EXPLORANDO O BRINCAR: SENTIDOS, FAZ-DE-CONTA E AMBIENTES LÚDICOS 1. Leitura e Debate Introdutório Após a leitura coletiva do texto sobre as formas de brincar na infância, participei de uma roda de conversa com meus colegas, mediada pela tutora. A discussão foi muito rica e me ajudou a compreender melhor os diferentes sentidos do brincar e como cada situação vivenciada pela criança pode assumir uma função distinta — seja de treino, trabalho ou brincadeira. Reflexões: O que caracteriza uma situação de treino, trabalho ou brincadeira? Percebi que o treino envolve atividades repetitivas, focadas no aperfeiçoamento de uma habilidade específica (como traçar letras ou amarrar o cadarço). Já o trabalho se refere a tarefas pedagógicas com metas e orientações mais rígidas (como montar um quebra-cabeça com tempo definido). Por fim, a brincadeira é marcada pela liberdade, criatividade e prazer — a criança brinca porque quer, e não porque precisa cumprir uma meta. Por que o faz-de-conta é importante no desenvolvimento infantil? O faz-de-conta permite à criança experimentar papéis sociais, elaborar emoções, desenvolver a linguagem, resolver conflitos e exercitar a imaginação. É uma forma de aprender sobre o mundo brincando, num espaço seguro e simbólico. Como os materiais e espaços influenciam o brincar? Ambientes acolhedores, organizados e com variedade de materiais acessíveis despertam o interesse e a autonomia das crianças. Quando o espaço é convidativo, ele se transforma em cenário de múltiplas aprendizagens. 2. Observação e Registro dos Momentos do Brincar A seguir, registrei três situações distintas, com base em vídeos de práticas pedagógicas observadas na disciplina: Momento 1: Treino Descrição da atividade: Crianças traçavam letras do alfabeto em folhas pautadas, com orientação direta da professora. 13 Classificação: Treino Justificativa: A atividade era repetitiva, focada no aperfeiçoamento da coordenação motora e na fixação da escrita. Aprendizagens em jogo: Coordenação motora fina, controle do traço, atenção e concentração. Materiais e ambiente: Ambiente bem iluminado, mas pouco interativo. Os materiais eram restritos (folhas e lápis), o que limitava a imaginação. Momento 2: Trabalho Descrição da atividade: As crianças deveriam completar uma sequência lógica com blocos coloridos, seguindo um modelo pré-definido. Classificação: Trabalho Justificativa: A tarefa exigia o cumprimento de um objetivo com regras claras e resultado esperado. Aprendizagens em jogo: Raciocínio lógico, noções de padrão e cores, resolução de problemas. Materiais e ambiente: Os blocos eram atrativos e permitiam manipulação, mas o foco na “resposta certa” limitava a experimentação livre. Momento 3: Brincadeira simbólica Descrição da atividade: Crianças brincavam espontaneamente de “salão de beleza”, usando escovas, espelhos, tecidos e bonecas. Classificação: Brincadeira simbólica Justificativa: As crianças assumiam papéis, criavam diálogos e narrativas livremente, sem interferência direta do adulto. Aprendizagens em jogo: Imaginação, linguagem oral, habilidades sociais, empatia,coordenação motora. Materiais e ambiente: O espaço estava bem organizado, com diversos objetos de uso simbólico, o que incentivava a criatividade e o faz-de-conta. 3. Criação de um Miniambiente de Brincar Simbólico Proposta Lúdica Central: 14 "Consultório Veterinário da Amizade" Objetivos de Aprendizagem: Desenvolver a linguagem oral e simbólica; Estimular a empatia e o cuidado com o outro (no caso, os “animais”); Favorecer o jogo de papéis e a expressão de sentimentos; Ampliar o vocabulário e o pensamento narrativo; Estimular a autonomia nas interações. Lista de Materiais Acessíveis e Seguros: Pelúcias de animais (cachorros, gatos, coelhos etc.) Jalecos infantis Estetoscópio de brinquedo Prontuários e fichas de “consulta” (em branco) Termômetro de brinquedo Caixas organizadoras como “macas” ou “camas” Blocos e livros ilustrativos sobre animais Etiquetas adesivas para nomear os animais Cartaz com "horário de atendimento" Estratégias Pedagógicas: Organizar o espaço em setores (sala de espera, atendimento, sala de exames); Incentivar que as crianças se revezem nos papéis (veterinário, recepcionista, tutor do animal); Propor momentos de roda para que as crianças contem sobre os “casos” atendidos; Estimular a produção de narrativas (“Esse cachorro caiu no parquinho e machucou a pata! ”); Propor que as crianças criem regras para o funcionamento do consultório (horários, senhas, nome da clínica etc.) Papel do Professor nesse Espaço: Ser observador e mediador; Fornecer vocabulário novo quando necessário; Registrar falas, interações e narrativas para devolutivas futuras; 15 Estimular a ampliação das ideias das crianças com perguntas (“E o que o veterinário fez depois? ”); Garantir que todos participem com equidade; Ajudar a organizar e cuidar do espaço e dos materiais. 4. Recurso Criativo: Slide com Falas e Gestos de Cuidado Slide Título: “Brincando de Cuidar: O Consultório Veterinário” Imagem central: Foto ilustrativa ou montagem do espaço organizado com pelúcias e Crianças em ação. Falas das crianças (balões de diálogo): “Doutora, ele tá com febre!” “Vamos dar um remédio e colocar uma pomada!” 16 “Traz a caixinha de curativo, rápido!” “Agora ele precisa descansar um pouquinho.” Gestos observados: Acolhimento do “paciente”, escuta entre colegas, colaboração na simulação, uso adequado dos materiais. Mensagem final do slide: Brincar é cuidar. Brincar é aprender. Quando o ambiente é preparado com afeto e intenção, a aprendizagem acontece de forma viva e significativa. 17 4.3 ATIVIDADE 3 – EXPLORAR, TOCAR, DESCOBRIR: O MUNDO NAS MÃOS DA CRIANÇA 1. Mergulho Teórico – Resumo Reflexivo Após a leitura dos textos propostos, compreendi que explorar o meio e os materiais é uma forma de construção ativa do conhecimento pelas crianças. Elas aprendem quando tocam, manipulam, investigam e experimentam com liberdade e curiosidade. A qualidade, a diversidade e a acessibilidade dos materiais são fatores que influenciam diretamente no tipo de exploração e nas possibilidades de aprendizagem. Também percebi que há uma progressão entre a exploração livre (sem intencionalidade direta) e a investigação ativa, quando a criança começa a estabelecer relações, levantar hipóteses, testar possibilidades e criar novas formas de usar os materiais. Conceitos-chave que destaquei: A criança é protagonista de seu aprendizado; Os materiais não estruturados favorecem a imaginação e a criatividade; O papel do educador é organizar o ambiente e estar atento às descobertas da criança; A exploração é corpo, é movimento, é experiência sensorial e cognitiva. 2. Experiência de Observação e Análise Para esta etapa, escolhi imaginar a interação de crianças pequenas com dois materiais distintos: Material 1: Argila (material natural e não estruturado) Como a criança exploraria: A criança, provavelmente, começaria amassando, batendo, moldando e até cheirando a argila. Ela usaria mãos, dedos e talvez até os pés para experimentar a textura. Sentidos e movimentos ativados: Tato, visão, olfato, motricidade fina e ampla. Há envolvimento corporal completo, com foco na sensação e na transformação da matéria. 18 Tipo de investigação: A criança poderia perceber que a argila muda de forma, que seca, que pode grudar ou se soltar. Poderia compará-la com areia ou massinha. Isso estimula a experimentação e a construção de hipóteses. Convida à experimentação? Sim. É um material que não tem forma definida, permitindo múltiplas possibilidades de criação, sem “certo” ou “errado”. Material 2: Blocos de montar (material industrializado e estruturado) Como a criança exploraria: A criança provavelmente começaria encaixando blocos, tentando formar torres, casas ou qualquer estrutura que sua imaginação permitisse. Sentidos e movimentos ativados: Tato, visão, coordenação motora fina, percepção espacial e equilíbrio. Tipo de investigação: A criança pode testar equilíbrio, empilhamento, tamanhos e encaixes. Pode perceber que alguns blocos não se conectam e ajustar suas estratégias. Convida à experimentação?: Sim, embora de forma mais direcionada. Os blocos têm limites de encaixe, mas ainda assim permitem construções criativas. 3. Criação de uma Caixa de Exploração Investigativa Nome da Caixa: Caixa Investigativa: “Mãos que Sentem, Olhos que Descobrem” Faixa etária: Crianças de 1 a 3 anos Materiais Selecionados (5 itens): Material Justificativa Pedagógica Objetivos de Aprendizagem (BNCC) Argila Estimula a criatividade, a percepção sensorial e a coordenação motora EI03CG05 – Explorar diferentes formas, texturas e materiais; EI03ET02 – Demonstrar interesse e curiosidade por fenômenos naturais Tecidos com diferentes texturas (algodão, veludo, tule, lixa) Estimulam o tato, o vocabulário sensorial e a curiosidade EI01CG03 – Explorar sensações, cores, formas e movimentos 19 5 Quadro de Materiais Pedagógicos e Correspondência com a BNCC Material Objetivo Educacional Código BNCC Espelhos pequenos (acrílicos) Promovem o reconhecimento de si e dos outros; incentivam o jogo simbólico EI01EO01 – Reconhecer a própria imagem; EI02CG01 – Expressar emoções e sentimentos Tampas plásticas de diferentes tamanhos e cores Incentivam a classificação, comparação, empilhamento e o som (quando batidas) EI02ET01 – Observar relações espaciais e temporais Folhas secas e galhos finos Estimulam o contato com elementos naturais, favorecendo investigações sensoriais e imaginação EI02ET03 – Explorar objetos naturais com curiosidade Orientações para o Uso da Caixa A caixa pode ser oferecida como proposta de exploração livre em pequenos grupos; O professor deve observar as reações, intervenções e hipóteses das crianças, registrando seus movimentos e falas; Os materiais podem ser combinados entre si pelas crianças, sem necessidade de instruções rígidas; Pode-se criar cantinhos rotativos, apresentando a caixa de maneira alternada com outras propostas do dia. Cuidados Necessários Higiene: limpar e higienizar todos os materiais antes e após o uso; Segurança: verificar se não há peças pequenas ou pontiagudas que possam ser engolidas ou machucar; Organização: manter os materiais bem armazenados e acessíveis às crianças; Supervisão constante durante o uso. Forma de Apresentação da Caixa 20 Nosso grupo optou por montar a apresentação da caixa em formato de slides ilustrados, com fotos simuladas dos materiais, sugestões de uso e um quadro com os objetivos de aprendizagem relacionados à BNCC. 21 22 5.1 ATIVIDADE 4 – APRENDER SENDO, BRINCANDO E EXPLORANDO: O COTIDIANO NA EDUCAÇÃO INFANTIL PainelPedagógico: Aprender Sendo, brincando e Explorando Eixo 1: Constituição do Sujeito Reflexão: Ao observar as crianças em momentos de brincadeira livre ou exploração, percebo como cada uma constrói sua identidade. Elas expressam preferências, se posicionam nos jogos de faz-de-conta e tomam decisões importantes, mesmo nas situações mais simples. "A criança é sujeito de direitos e de cultura, que constrói significados sobre o mundo desde o nascimento." – BRASIL, 2017 (BNCC) (Imagem simbólica: criança olhando no espelho ou brincando sozinha com objetos variados) Eixo 2: Brincar Reflexão: O brincar é o centro da aprendizagem. Quando a criança brinca, ela experimenta papéis sociais, testa hipóteses, lida com emoções e constrói significados. A brincadeira é um espaço onde ela é livre para ser quem é e explorar quem deseja ser. "O brincar é a atividade central da infância e, ao mesmo tempo, expressão e condição da infância." – Kishimoto (2011) (Imagem simbólica: roda de crianças em faz-de-conta ou com fantasias) Eixo 3: Exploração Reflexão: Materiais como água, areia, tecidos e blocos soltos possibilitam descobertas riquíssimas. A criança explora com o corpo todo, com todos os sentidos. Ela testa texturas, pesos, sons e relações entre os objetos e entre eles e o ambiente. 23 "Explorar é uma forma de a criança pensar com as mãos, com o corpo e com os sentidos." – Barbosa & Horn (2008) (Imagem simbólica: criança brincando com areia, folhas, pedras ou água) Eixo 4: Expressão Reflexão: Ao desenhar, cantar, gesticular ou falar, a criança comunica aquilo que sente, pensa e deseja. O professor precisa estar atento para ouvir essas expressões com sensibilidade e acolhimento, valorizando cada manifestação. "A linguagem da criança pequena é múltipla: ela fala com o corpo, com os olhos, com o movimento e com o silêncio." – Oliveira (2012) (Imagem simbólica: criança desenhando, dançando ou se comunicando com gestos) 24 6 CONCLUSÃO A realização das atividades propostas ao longo desta unidade permitiu uma imersão significativa nos aspectos fundamentais da Educação Infantil, especialmente no que se refere à constituição subjetiva da criança e ao papel intencional do educador. Foi possível compreender, por meio da observação, reflexão e elaboração prática, como o brincar, a exploração e a escuta ativa constituem pilares essenciais no desenvolvimento integral das crianças pequenas. A construção da Caixa Investigativa, do painel pedagógico e do miniambiente de brincar evidenciou que oferecer espaços e materiais adequados, bem como manter uma postura responsiva e acolhedora, é essencial para garantir experiências de aprendizagem significativas. Essa vivência contribuiu não apenas para ampliar minha percepção sobre a prática docente na Educação Infantil, mas também reforçou meu compromisso ético e afetivo com uma pedagogia que reconhece a criança como sujeito de direitos, ativa e protagonista do seu próprio aprender. A realização das atividades propostas ao longo desta unidade permitiu uma imersão significativa nos aspectos fundamentais da Educação Infantil, especialmente no que se refere à constituição subjetiva da criança e ao papel intencional do educador. Foi possível compreender, por meio da observação, reflexão e elaboração prática, como o brincar, a exploração e a escuta ativa constituem pilares essenciais no desenvolvimento integral das crianças pequenas. A construção da Caixa Investigativa, do painel pedagógico e do miniambiente de brincar evidenciou que oferecer espaços e materiais adequados, bem como manter uma postura responsiva e acolhedora, é essencial para garantir experiências de aprendizagem significativas. Essa vivência contribuiu não apenas para ampliar minha percepção sobre a prática docente na Educação Infantil, mas também reforçou meu compromisso ético e afetivo com uma pedagogia que reconhece a criança como sujeito de direitos, ativa e protagonista do seu próprio aprender. 25 26 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 07 ago. 2025. OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos de. Educação infantil: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2012. KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Brinquedos e brincadeiras na educação infantil. 6. ed. São Paulo: Pioneira, 2011. ROSEMBERG, Fúlvia. A criança na creche: a construção da subjetividade e da cidadania. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 94, p. 21-30, jul. 1995. CAMPOS, Maria Malta et al. Qualidade na educação infantil: um olhar sobre os direitos das crianças. 3. ed. São Paulo: MEC/Fundação Orsa, 2011.