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ROTEIRO PARA APRESENTAÇÃO DO CASO Identificação e contexto M.A.S., 62 anos, mulher cisgênero, parda, heterossexual, ensino fundamental incompleto, aposentada por idade, com renda de um salário mínimo. Reside em bairro periférico de Cáceres–MT, em casa própria com saneamento parcial. É viúva há quatro anos após morte súbita do marido por infarto agudo do miocárdio e atualmente é responsável legal pelo neto de 12 anos. Após a viuvez, houve redução das atividades sociais e piora do autocuidado. Condições de saúde e multimorbidade É portadora de: · Diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos · Hipertensão arterial sistêmica há 12 anos · Dislipidemia · Doença renal crônico estágio IIIa (TFG reduzida) Apresenta quadro de multimorbidade, com impacto clínico, emocional e funcional. Refere uso irregular das medicações, alimentação rica em carboidratos simples por limitação financeira, sedentarismo, cansaço aos pequenos esforços, parestesias plantares e edema em membros inferiores. Manejo realizado na APS · Ajuste medicamentoso com início de insulinoterapia · Reavaliação das medicações conforme função renal · Intensificação do acompanhamento pela enfermagem · Orientações sobre aplicação de insulina, monitorização glicêmica e cuidados com os pés · Pactuação de metas possíveis dentro da realidade social · Encaminhamento à nefrologia e oftalmologia · Coordenação do cuidado pela Estratégia Saúde da Família Experiência do adoecimento A paciente demonstra preocupação com a possibilidade de perder a autonomia e não conseguir continuar cuidando do neto. O luto ainda repercute no autocuidado e na adesão ao tratamento. Vive o adoecimento com preocupação, mas também com certa resignação. Reflexão profissional O caso evidencia que a multimorbidade não é apenas a soma de doenças, mas envolve fatores emocionais, sociais e funcionais. Exige cuidado centrado na pessoa, escuta qualificada e construção compartilhada do plano terapêutico. EXPLICAÇÃO DOS TERMOS MAIS COMPLEXOS · Cisgênero: Pessoa cuja identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído ao nascer. · Multimorbidade: Presença de duas ou mais doenças crônicas na mesma pessoa, com impacto integrado na saúde. · Dislipidemia: Alteração nos níveis de colesterol e/ou triglicerídeos no sangue. · Doença Renal Crônica (DRC): Perda progressiva da função dos rins por período prolongado. · TFG (Taxa de Filtração Glomerular): Medida que avalia o funcionamento dos rins. · Estágio IIIa: Classificação da DRC que indica redução moderada da função renal. · Insulinoterapia: Uso de insulina como tratamento para controle da glicose. · Pactuação de metas: Definição conjunta entre profissional e paciente de objetivos possíveis no tratamento. · Coordenação do cuidado: Organização e acompanhamento do tratamento pela APS, mesmo quando há encaminhamento para especialistas. O que é o Genograma? O genograma é uma ferramenta gráfica usada para representar a estrutura familiar e os vínculos entre os membros de uma família ao longo de pelo menos três gerações. Ele permite identificar composição familiar, perdas, separações, conflitos, doenças crônicas, padrões de relacionamento e rede de apoio. Na Atenção Primária, ajuda a compreender o contexto do paciente, as relações que influenciam o adoecimento e o suporte disponível para o cuidado. Genograma – Caso M.A.S. Geração 1: Marido (falecido há 4 anos – IAM) ── M.A.S., 62 anos Geração 2: Filha adulta (reside em outro estado) Geração 3: Neto, 12 anos (reside com a paciente, sob sua responsabilidade legal) Interpretação do genograma no caso · Viúvez como evento marcante no processo de adoecimento · Filha distante geograficamente, com apoio apenas emocional · Neto dependente da paciente, gerando sobrecarga · Rede familiar restrita e fragilidade no suporte domiciliar