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Livro 1
Pesquisa clínica e boas práticas em genética e genômica
/bporgbr
bp.org.br
2
Projeto 
Mapa Genoma Brasil
BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo 
Gerente Executivo PROADI SUS: 
Juliana Opípari
 
Coordenadora Projeto Mapa Genoma Brasil 
Mariana Beraldo da Costa Saad 
 
Coordenador Projeto Qualificação e Treinamento 
José Pereira de Souza 
 
Assessoria Técnica 
Erika Maria Monteiro Santos 
 
Autores 
Natalia Campacci 
Silvana Soares dos Santos 
 
Equipe Qualificação e Treinamento 
Amanda Aparecida Franca De Nobrega 
Fernando Alves Alencar de Moura 
Lucas Campacci
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença 
Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – 
Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. 
É permitida a reprodução parcial ou total 
desta obra, desde que citada a fonte.
GRATUIT
A
D
IS
TR
IBUIÇÃO
Triênio 2024-2026
3
Apresentação
Olá, prezado(a) colega.
No Livro 1, abordaremos temas que permitem entender 
os trajetos percorridos pelos processos de pesquisa, 
com ênfase no histórico das questões éticas e legais 
envolvidas. Ao longo desse percurso, os caminhos 
adotados, nem sempre, foram os mais adequados, o 
que colocou os participantes em risco e evidenciou 
a necessidade de proteção dos sujeitos de pesquisa. 
Por isso, realizar uma pesquisa de forma ética exige 
a compreensão dos contextos históricos, políticos 
e sociais, para fundamentar um raciocínio crítico 
consistente. Após diversos episódios problemáticos, 
a comunidade científica estabeleceu critérios legais 
claros, que orientam a condução de pesquisas de 
maneira estruturada, com base em normativas que 
auxiliam no planejamento e no desenvolvimento das 
etapas de um protocolo de estudo.
Ao final deste livro, temos a expectativa de que você 
inicie o processo de pensar de modo crítico e reflexivo 
sobre a construção de um projeto de pesquisa, 
considerando todas as questões éticas, legais e 
metodológicas.
Bons estudos!
Equipe Mapa Genoma Brasil
Índice
4
Dicas 
• O índice é 
interativo, 
permitindo 
que você seja 
direcionado 
para o tópico 
desejado com 
um clique.
• Além disso, 
ao clicar no 
logo do Mapa 
Genoma Brasil 
no topo da 
página, você 
retornará ao 
índice.
1. Pesquisas envolvendo 
Seres Humanos 05
2. Boas Práticas em 
Pesquisa Clínica 11
3.Normativas Éticas: Código de 
Nuremberg, Declaração 
de Helsinque 14
4. Normativas Éticas Nacionais: 
Resolução nº196/96, nº 466/2012, 
nº 510/2016, PL 6007/2023 18
5. Epidemiologia: Tipos de Estudos e 
Níveis de Evidência 32
6. Estudo Clínico e suas Fases 58
7. Análise Crítica, Vieses, Equipe 
de Pesquisa 64
8. ESG e prática clínica 68
Referências 71
5
1. Pesquisas 
envolvendo Seres 
Humanos
A pesquisa constitui uma forma de 
investigação que consiste em um conjunto 
de atividades cuja finalidade é descobrir 
novos conhecimentos em diversos 
domínios, sejam científicos, artísticos 
ou sejam literários. (Clark; Castro, 2003). 
O pensar na realização de pesquisas 
científicas encontra-se, intrinsecamente, 
atrelado à área da saúde, uma vez que 
a constante evolução tecnológica vem 
trazendo novas formas de pensar para 
realizar a assistência e os tratamentos 
promissores.
As pesquisas na área da saúde são, em 
grande maioria, aquelas que envolvem os 
seres humanos, uma vez que exploram 
novos saberes para aplicar em grupo 
de pessoas ou, até mesmo, em grandes 
populações. Por exemplo, a descoberta 
do uso do tabaco como fator causal para 
doenças pulmonares e cardiológicas. O 
primeiro estudo com seres humanos que 
estabeleceu uma ligação clara entre o 
uso do tabaco e as doenças pulmonares e 
cardíacas foi conduzido por Richard Doll e 
Austin Bradford Hill, dois médicos britânicos 
que, no ano de 1950, publicaram um 
estudo comparando pacientes com câncer 
de pulmão a pessoas sem a doença. Esse 
estudo inicial revelou uma forte correlação 
entre o tabagismo e o câncer de pulmão 
(Doll; Hill, 1950).
Esse racional científico começou a trazer 
novas indagações, fazendo com que 
os dois pesquisadores continuassem a 
aprofundar suas descobertas, realizando 
estudos maiores que, além do câncer de 
pulmão, relacionaram o uso do tabaco 
às doenças cardíacas (Doll & Hill, 1956). 
Eles trouxeram uma mudança racional de 
prevenção para essas doenças, causando 
impacto na saúde pública desde aquela 
época até a atualidade (Flor et al 2021), 
auxiliando o estabelecimento da relação 
entre as pesquisas e as ações diretas na 
prática clínica.
O caso, citado anteriormente, ilustra 
como a estrutura para pensar em um 
projeto de pesquisa se baseia em 
pensamentos tradicionais, que incluem 
a indagação do indivíduo, a observação 
e as experimentações para que, ao final, 
se alcancem respostas objetivas. Esse 
racional possui as raízes nos pensadores 
do século XVI, como Galileu Galilei, Francis 
Bacon e René Descartes, uma vez que 
todos introduzem pontos utilizados até 
hoje para realizar pesquisas. As bases 
de Galileu Galilei trazem a importância 
da experimentação como procedimento 
para novas descobertas, enquanto 
Francis Bacon ressalta que a descoberta 
verdadeira depende da observação e da 
experimentação, guiada-+s pelo raciocínio 
indutivo, tornando possível chegar à 
verdade. Já René Descartes traz a ideia da 
fuga do subjetivo e integra a dúvida como 
meio de raciocínio, uma vez que ela deveria 
ser sanada para que os resultados fossem 
exatos (Clark; Castro, 2003).
6
A busca por respostas e por resultados 
exatos encontra-se, desde longa data, 
presente na humanidade, tanto em 
discussões filosóficas sobre o existir 
humano, como em questões da física que 
embasaram os princípios sobre a teoria 
da gravidade de Isaac Newton, advinda da 
observação de uma maçã caindo da árvore 
(Newton, 1833). O envolvimento de seres 
humanos nesses processos de observação 
também não se mostra novo, uma vez que 
os primeiros relatos podem ser rastreados 
até a antiguidade, mas os exemplos mais 
documentados e significativos surgiram a 
partir do Renascimento e da Idade Moderna, 
quando as metodologias científicas 
começaram a consolidar-se. 
No Egito antigo, existem algumas 
evidências de que médicos egípcios 
realizavam experimentos rudimentares 
em humanos para entender melhor o 
funcionamento do corpo e para desenvolver 
tratamentos médicos. Os papiros de Ebers 
e de Edwin Smith contêm descrições 
detalhadas de procedimentos médicos e 
cirúrgicos (Badaró, 2018). Além disso, na 
Grécia antiga, Hipócrates (460-370 a.C.) 
realizou observações sistemáticas em seus 
pacientes e escreveu, extensivamente, 
sobre suas descobertas. Ele enfatizou a 
importância da observação clínica e da 
ética médica (Bezerra; Vianna; Bacelar, 
2012; Brener; Lichtenstein, 2022).
Apesar de a ética encontrar-se presente em 
relatos da antiguidade histórica, percebe-se 
que seus princípios não foram considerados 
em muitas situações. Um marco importante 
que abriu debates fundamentais para a 
ética, sobretudo na pesquisa, foi decorrente 
de atrocidades que aconteceram na 
Segunda Guerra, momento em que 
os prisioneiros sofreram situações de 
crueldade. Muitos foram os experimentos 
médicos nazistas que, até hoje, se discutem 
e merecem ser lembrados para que não se 
repitam.
Esse comportamento ético equilibrado e 
racional forma-se para conduzir ações em 
coletivo, englobando as questões sociais de 
moral, de direito e de justiça. Isso também 
reverbera na atualidade, no contexto de 
realizar pesquisas com seres humanos. A 
palavra ética, de origem grega, tem duas 
traduções: tanto o costume quanto o caráter 
ou a moral. O autor Angelo Vitório Cenci 
traz, em seu livro “O que é ética? Elementos 
em torno de uma ética geral”, que a ética 
constitui o equilíbrio das ações e a busca 
por ações humanas boas para todos 
(Cenci, 2002), corroborando o pensamento 
aristotélico de moral em situações coletivas.
O agir de forma ética corresponde, 
portanto, ao agir coletivo,A 
bioestatística mostra-se fundamental para 
a pesquisa clínica e epidemiológica, pois 
permite a análise de dados complexos e a 
extração de conclusões significativas sobre 
a ocorrência, as causas e os tratamentos de 
doenças. Seu uso serve para garantir que se 
conduzam os estudos de maneira rigorosa, 
com resultados válidos e aplicáveis.
História Natural da Doença: O curso que 
uma doença segue desde a exposição 
inicial a um agente causador, passando 
pelo desenvolvimento dos sintomas, 
até a resolução, seja por cura, por 
controle ou por óbito, na ausência de 
qualquer intervenção médica. Esse 
conceito mostra-se fundamental para a 
epidemiologia e a saúde pública, pois 
permite compreender o desenvolvimento 
e a progressão das doenças, facilitando a 
implementação de medidas de prevenção 
e de tratamento. A história natural da 
doença pode ser dividida em várias fases:
• Período de Pré-Patogênese: Fase que 
precede o início da doença. Nessa 
fase, há interação entre o agente 
causador da doença, o hospedeiro (ser 
humano) e o ambiente. Nela, ocorre 
exposição a fatores de risco ou a 
agentes infecciosos, mas ainda não há 
a doença propriamente dita. Fatores 
de risco, como genética, estilo de vida 
e condições ambientais desempenham 
papel crucial. Exemplo: A exposição 
a fatores de risco, como tabagismo e 
poluição, antes do desenvolvimento 
do câncer de pulmão.
• Período de Patogênese Inicial: 
Fase em que a doença se começa 
a desenvolver, mas ainda não há 
sintomas visíveis. Nela, ocorre a 
penetração do agente causador ou 
o início das mudanças patológicas 
no organismo. Nesta fase, 
exames de rastreamento podem 
detectar alterações subclínicas. 
Exemplo: Crescimento de células 
anormais nos pulmões antes 
que o câncer de pulmão seja 
diagnosticável por sintomas. 
36
Figura 4 - História natural da doença
Fonte: Elaboração própria.
Indivíduo 
sadio
Alterações 
subclínicas
Doença 
clínica
Doença 
clínica
Cura Morte
Alterações 
subclínicas
Indivíduo 
sadio
• Período de Patogênese Clínica: 
A doença manifesta-se com sinais 
e sintomas clínicos evidentes. 
O indivíduo começa a sentir os 
sintomas e, geralmente, busca 
atendimento médico. A intervenção 
médica é mais comum nesta fase, 
seja para tratamento, seja para 
controle dos sintomas. Exemplo: 
Tosse persistente, dor no peito 
e falta de ar em um paciente 
com câncer de pulmão.
• Resultado ou Desfecho: Fase 
final da doença, que pode resultar 
em cura, cronificação ou morte. 
A doença pode ser tratada e 
curada, se for detectada e tratada 
a tempo. Pode evoluir para uma 
condição crônica, onde o controle 
dos sintomas é o foco. Em casos 
mais graves ou sem tratamento, 
pode levar ao óbito. Exemplo: 
Remissão completa do câncer 
após tratamento, controle da doença 
com medicação ou falecimento 
devido à progressão do câncer.
37
Figura 5 - População x Amostra
População Amostra
Fonte: Elaboração própria.
Importância do Conhecimento da História Natural da Doença: A compreensão da história 
natural da doença mostra-se essencial para elaborar estratégias de prevenção e de 
controle, o que pode melhorar os resultados de saúde e reduzir a carga das doenças 
na população.
• Prevenção Primária: Identificação e controle de fatores de risco na fase de pré-
patogênese, antes que a doença se desenvolva.
• Diagnóstico Precoce e Tratamento: Intervenções na fase de patogênese inicial podem 
impedir a progressão da doença (prevenção secundária).
• Planejamento de Saúde Pública: Permite a elaboração de estratégias para a 
prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento efetivo.
População: é o conjunto total de indivíduos, de eventos ou de elementos, que têm, em 
comum, certas características definidas e são o foco de um estudo científico. Em estudos 
de saúde, a população pode ser composta por pacientes, profissionais de saúde, ou 
residentes de uma determinada área geográfica. Definir, claramente, a população faz-se 
essencial para determinar o escopo do estudo e para garantir que os resultados sejam 
aplicáveis e relevantes para o grupo em questão.
Amostra: É um subconjunto de indivíduos, selecionados de uma população maior, para 
participar de um estudo. É escolhida de forma que possa representar a população em 
termos de características importantes, como idade, gênero, status de saúde etc. A amostra 
permite a condução de estudos de maneira mais viável, econômica e rápida do que incluir 
toda a população. Além disso, se a amostra for representativa, os resultados do estudo 
podem ser generalizados para a população total.
38
Há que definir o critério para a seleção 
da amostra, por exemplo: para sua 
pergunta de interesse, é importante que 
haja proporcionalidade entre mulheres e 
homens, ou entre casados e solteiros, ou 
ainda entre mulheres casadas/solteiras 
e homens casados/solteiros. Neste 
quesito, a estatística pode ajudar no 
cálculo amostral, no início da pesquisa, 
o que, em muitos casos, é altamente, 
recomendado para que se tenha uma 
amostra suficiente aos testes estatísticos.
Variável: É qualquer característica, 
número ou quantidade que pode ser 
medida ou categorizada. As variáveis 
podem assumir diferentes valores e são 
elementos fundamentais na coleta e na 
análise de dados. As variáveis permitem a 
quantificação e a análise de fenômenos de 
interesse. Em epidemiologia, por exemplo, 
as variáveis podem incluir fatores de risco 
(variáveis independentes) e desfechos 
de saúde (variáveis dependentes).
Variáveis Dependentes: São aquelas 
que representam o resultado ou o 
efeito que se quer estudar. Exemplo: A 
quantidade de horas de estudo (variável 
independente) afeta a nota de um aluno 
em um exame (variável dependente).
Variáveis Independentes: São aquelas que 
influenciam ou determinam o resultado 
da variável dependente. Exemplo: A 
pressão arterial (variável dependente) 
é afetada pela quantidade de sal 
consumida (variável independente).
Variáveis Quantitativas: 
• Contínuas: Podem assumir 
qualquer valor dentro de um 
intervalo. Exemplo: Altura de 
uma pessoa (1,75 m, 1,81 m), 
temperatura (22,5°C, 36,8°C). 
• Discretas: Assumem valores 
inteiros, geralmente contagens. 
Exemplo: Número de filhos 
(0, 1, 2), número de carros 
em uma garagem (1, 2, 3). 
Variáveis Qualitativas: 
• Nominais: Não possuem uma 
ordem específica. Exemplo: 
Cores favoritas (vermelho, 
azul, verde), estado civil 
(solteiro, casado, divorciado). 
• Ordinais: Possuem uma ordem, 
mas a diferença entre os valores 
não é numérica. Exemplo: Nível 
de satisfação (insatisfeito, neutro, 
satisfeito), grau de escolaridade 
(fundamental, médio, superior). 
Variáveis de Controle: Variáveis que se 
devem manter constantes para que os 
resultados de um experimento não se 
influenciem por outros fatores. Exemplo: Em 
um experimento para testar o efeito de um 
medicamento, o tempo de administração 
e a dosagem devem ser constantes.
Variáveis Intervalares: Variáveis que 
têm intervalos iguais entre valores, 
mas não possuem um ponto zero 
verdadeiro. Exemplo: Temperatura 
em graus Celsius, onde 0°C não 
significa ausência de temperatura.
Variáveis de Razão: Variáveis que 
possuem todas as propriedades das 
variáveis intervalares, mas com um 
ponto zero verdadeiro. Exemplo: Peso 
(0 kg significa ausência de peso), idade 
(0 anos significa ausência de idade).
39
Banco de Dados: Coleção organizada de 
informações estruturadas, geralmente 
armazenadas em um sistema de 
computador, que facilita o acesso, o 
gerenciamento e a atualização dos dados. 
Em pesquisa clínica e epidemiológica, 
os bancos de dados permitem o 
armazenamento seguro de grandes 
quantidades de informações de modo 
estruturado, facilitando a análise estatística, 
a visualização de dados e a tomada de 
decisões baseada em evidências.
Incidência: Refere-se ao número de 
casos novos de uma doença, ou de 
uma condição de saúde, que ocorrem 
em uma população específica durante 
período definido.A taxa de incidência 
ajuda a entender o risco de desenvolver 
uma doença em uma população e é 
fundamental para identificar surtos e para 
planejar intervenções de saúde pública.
Prevalência: É o número total de casos 
(novos e preexistentes) de uma doença 
ou condição em uma população em 
determinado momento. A prevalência 
fornece informações sobre o quão 
disseminada se encontra uma doença em 
uma população e é útil para alocar recursos 
de saúde e para planejar serviços de saúde.
Figura 6 - Modelo ilustrativo da prevalência
Fonte: Elaboração própria.
Curas
Óbitos
Casos novos = incidência
Prevalência
Risco Relativo (RR): A razão entre a 
incidência de uma doença no grupo 
exposto a um fator de risco e a 
incidência no grupo não exposto. O risco 
relativo constitui medida importante 
em estudos epidemiológicos para 
determinar se existe a associação 
entre um fator de risco específico e o 
desenvolvimento de uma doença.
 
RR= Incidência no Grupo Exposto 
 Incidência no Grupo Não Exposto 
 
• Se o RR = 1, significa que não há 
diferença no risco entre os grupos;
• Se o RR > 1, o grupo exposto tem um 
risco maior de desenvolver o desfecho;
• Se o RR 1, a exposição está associada 
a um aumento na odds do desfecho;
• Se o ORde 
detecção, faz-se fundamental garantir 
que os desfechos se meçam de maneira 
consistente entre todos os participantes.
• Registro de Estudos Clínicos: Antes 
de serem conduzidos, os estudos 
clínicos devem-se registrar em bancos 
de dados públicos, o que ajuda a 
reduzir o viés de publicação.
go.nature.com/4ifqQQg
Recomendamos a leitura do 
texto apresentado neste link: 
https://bit.ly/4gZCaz0
http://go.nature.com/4ifqQQg
43
Confundimento (Confounding): Ocorre 
quando se distorce a associação entre uma 
exposição e um desfecho por um terceiro 
fator, associado tanto com a exposição 
quanto com o desfecho. Identificar e 
controlar fatores de confusão faz-se 
essencial para interpretar, corretamente, os 
resultados de um estudo epidemiológico.
Validade Interna e Externa: Ambos são 
fundamentais para avaliar a qualidade 
e a aplicabilidade de um estudo.
Validade Interna: Refere-se ao grau em 
que os resultados de um estudo refletem 
a verdadeira associação entre a exposição 
e o desfecho na população estudada.
• Em um ensaio clínico que testa um 
novo medicamento, se o estudo é bem 
desenhado, com aleatorização, grupos 
de controle e cegamento, e se todos 
os fatores que podem interferir no 
desfecho são controlados, podemos ter 
confiança de que qualquer diferença 
observada entre os grupos (tratamento 
versus placebo) se deve à intervenção, 
e não a outros fatores. Nesse caso, a 
validade interna do estudo é alta.
Validade Externa: Refere-se à capacidade 
de generalizar os resultados do estudo 
para outras populações ou contextos.
• Se um estudo sobre um medicamento 
se realizou apenas com homens 
jovens saudáveis, pode ser difícil 
generalizar os resultados para mulheres, 
idosos ou pessoas com condições 
de saúde preexistentes. Assim, a 
validade externa desse estudo seria 
limitada. Para aumentar a validade 
externa, o estudo precisaria incluir 
uma amostra mais diversificada ou 
replicar-se em diferentes populações.
Sensibilidade e Especificidade: 
Essenciais para avaliar a precisão de 
testes diagnósticos e de estratégias 
de triagem em saúde pública.
Sensibilidade: A capacidade de um 
teste ou uma medida identificar, 
corretamente, aqueles que têm a 
doença (verdadeiros positivos).
 
 
• Verdadeiros Positivos (VP): Pessoas 
que têm a doença e cujo teste é 
positivo;
• Falsos negativos (FN): Pessoas que têm 
a doença, mas cujo teste é negativo.
Exemplo: Se um teste para uma doença tem 
uma sensibilidade de 90%, isso significa 
que 90% das pessoas que, realmente, têm 
a doença serão identificadas pelo teste. 
Os 10% restantes (falsos negativos) têm 
a doença, mas o teste não a identificou.
Sensibilidade= Verdadeiros Positivos
Verdadeiros Positivos + Falsos Negativos
44
Especificidade: A capacidade de um teste ou medida 
identificar, corretamente, aqueles que não têm a doença 
(verdadeiros negativos).
 
• Verdadeiros Negativos (VN): Pessoas que não 
têm a doença e cujo teste é negativo;
• Falsos positivos (FP): Pessoas que não têm 
a doença, mas cujo teste é positivo.
Exemplo: Se um teste para uma doença tem uma 
especificidade de 95%, isso significa que 95% das 
pessoas que não têm a doença serão corretamente 
identificadas como negativas. Os 5% restantes 
(falsos positivos) são pessoas que não têm a 
doença, mas o teste indicou que elas têm.
Surto, Endemia, Epidemia e Pandemia: Esses conceitos 
ajudam a descrever a extensão e o impacto das doenças 
na saúde pública.
Surto: Ocorre um aumento do número de casos de uma 
doença ou condição em uma região específica, em um 
dado momento (um bairro, por exemplo).
Endemia: Uma doença ou condição presente de forma 
contínua em uma determinada população ou região.
Epidemia: Um aumento súbito e significativo no número 
de casos de uma doença acima do esperado em uma 
população ou área específica.
Pandemia: Uma epidemia que se espalha por uma área 
geográfica ampla, geralmente afetando múltiplos países 
ou continentes.
Especificidade= Verdadeiros Negativos
Verdadeiros Negativos + Falsos Positivos
45
Tabela 4 - Diferenças entre surto, endemia, epidemia e pandemia
Fonte: Elaboração própria.
Sarampo
Creche Arco-Íris
Malária
Amazônia Legal
Dengue
Brasil em 2022
COVID 19
Mundo 2020-2022
SURTO ENDEMIA EPIDEMIA PANDEMIA
Razão de Taxas de Mortalidade 
(Mortality Rate Ratio): Comparação das 
taxas de mortalidade entre diferentes 
populações ou grupos expostos e não 
expostos. Ajuda a entender o impacto 
de fatores de risco ou de intervenções 
na mortalidade de uma população.
Transmissibilidade e Número Básico de 
Reprodução (R0): O número básico de 
reprodução (R0) é o número médio de 
novos casos que surgem de um único 
caso em uma população totalmente 
suscetível. R0 é uma métrica crítica para 
entender a potencial disseminação de 
doenças infecciosas e para planejar 
estratégias de controle e de prevenção.
Tipos de Estudos Epidemiológicos
Estudos Observacionais:
Os estudos observacionais constituem 
um tipo de estudo em que o pesquisador 
observa e analisa a relação entre variáveis 
sem interferir diretamente ou aplicar uma 
intervenção. Eles se utilizam, amplamente, 
na pesquisa em saúde e em epidemiologia 
para investigar associações e padrões de 
doenças e fatores de risco em populações. 
Ao contrário dos estudos experimentais, 
os observacionais não estabelecem 
causalidade com o mesmo rigor, mas se 
mostram fundamentais para levantar 
hipóteses e para explorar associações. 
Geralmente mais econômicos e rápidos, em 
comparação com estudos experimentais, 
e, especialmente, úteis para estudar 
doenças raras ou com períodos de latência 
longos. Permitem identificar associações 
entre fatores de risco e desfechos de 
saúde. Do ponto de vista negativo, 
podem ser influenciados por vieses de 
seleção, de memória ou variáveis de 
confusão; não permitem estabelecer 
relações de causa e efeito com a mesma 
robustez que estudos experimentais.
46
a. Estudos Transversais: Têm, por objetivo, 
identificar a prevalência de doenças e 
de fatores associados numa população 
em um único ponto no tempo. 
Exemplo: Pesquisa de prevalência de 
diabetes em uma cidade. Os dados são 
coletados em único ponto no tempo, 
sem acompanhamento posterior. Pode 
explorar a associação entre variáveis, 
mas não pode estabelecer causalidade. 
Pode incluir toda a população ou uma 
amostra representativa. Utilizado para 
planejar serviços de saúde, identificar 
grupos de risco e formular hipóteses 
para estudos futuros. Têm, por 
vantagem, ser rápidos e relativamente 
baratos; entretanto não fornecem 
informações sobre a causalidade.
bit.ly/4kfPRwt
Estudo transversal sobre 
trabalho e comportamentos
bit.ly/41DBXMn
Fatores associados à infeção 
pelo vírus da dengue
https://bit.ly/4kfPRwt
https://bit.ly/41DBXMn
47
b. Estudos de Coorte: Seu objetivo é acompanhar um grupo de indivíduos (coorte) ao 
longo do tempo para avaliar a incidência de doenças e sua associação com exposições. 
A principal característica desse tipo de estudo encontra-se na capacidade de observar 
a sequência temporal dos eventos, permitindo inferências sobre possíveis relações 
causais. Exemplo: Seguimento de trabalhadores expostos a substâncias tóxicas para 
observar a incidência de câncer. Tem, por vantagem, estabelecer relações temporais e 
causais; porém requer tempo e pode ser caro. 
São estudos longitudinais, pois acompanham os participantes ao longo do tempo, 
podendo ser prospectivo (iniciado antes do desfecho) ou retrospectivo (usando dados 
históricos). Estima a incidência de doenças ou condições em uma população exposta e 
não exposta. Compara grupos expostos e não expostos a um fator de risco, observando a 
diferença na incidência de um desfecho específico. Embora não estabeleça causalidade 
como um ensaio clínico, permite inferências sobre a relação temporal entre exposição e 
desfecho.
Figura 8 - Modelo de observação de desfecho de interesse
Figura 9 - Outro modelo de estudo de coorte
ESTUDO PROSPECTIVO
PRESENTE Desfechono futuro
Momento do desfecho ou algum 
tempo depois no presente
ESTUDO RETROSPECTIVO
PASSADO
Fonte: Elaboração própria. *Modelo demonstra a observação do desfecho de interesse (câncer de 
pulmão) entre funcionários expostos (fumantes) e não expostos (não fumantes) aos fatores de risco.
Fonte: Elaboração própria. 
Trabalhadores de 
uma fábrica de 
móveis
Carpinteiros, 
expostos à fuligem 
de madeira
Com câncer
de pulmão
Sem câncer
de pulmão
Funcionários do 
setor administrativo, 
não expostos à 
madeira
Com câncer
de pulmão
Sem câncer
de pulmão
48
bit.ly/3QALNZZ
Complicações da terapia anticoagulante com 
warfarina em pacientes 
bit.ly/41eEDQh
Avaliação do acesso vascular para hemodiálise 
em crianças e adolescentes
c. Estudos de Caso-Controle: Têm, por 
objetivo, comparar indivíduos com 
uma condição (casos) com aqueles 
sem a condição (controles) para 
identificar fatores de risco. Compara-
se o histórico de exposição entre os 
casos e os controles para determinar 
a associação entre os fatores de risco 
e o desfecho. Os casos são indivíduos 
que apresentam o desfecho de 
interesse, enquanto os controles não 
apresentam o desfecho, mas são 
semelhantes em outras características 
(idade, sexo etc.). Exemplo: Estudo 
sobre fatores de risco para câncer 
de pulmão comparando pacientes 
com câncer e controles saudáveis. 
É eficiente para doenças raras ou com 
longo período de latência, pois requer 
um número menor de participantes; 
porém pode apresentar risco de viés de 
seleção e viés de memória. Geralmente 
mais rápidos e menos dispendiosos 
do que os estudos de coorte, pois não 
exigem seguimento ao longo do tempo. 
O principal resultado é o cálculo do 
Odds Ratio (OR), que estima a força da 
associação entre exposição e desfecho.
https://bit.ly/3QALNZZ
https://bit.ly/41eEDQh
49
Figura 10 - Modelo de estudo caso-controle
Fonte: Elaboração própria. *Modelo demonstra a observação do desfecho de interesse (Câncer de Pulmão) e 
sua associação com o fator de risco, entre expostos (fumantes) e não expostos (não fumantes). Os casos são 
pacientes com câncer de pulmão; os controles, indivíduos sadios para o desfecho.
Ambulatório do Tórax
Pacientes com câncer 
de pulmão
Fumantes Não fumantes
Acompanhantes 
sadios sem câncer de 
pulmão
Fumantes Não fumantes
bit.ly/3EUzqp3
Fatores associados à institucionalização de 
idosos: estudo caso-controle
bit.ly/3QATWO2
Amputações de extremidades inferiores por 
diabetes mellitus: estudo caso-controle
https://bit.ly/3EUzqp3
https://bit.ly/3QATWO2
50
Estudos Experimentais: Consideram-se 
os estudos experimentais o padrão-ouro 
para estabelecer relações de causalidade 
entre uma intervenção e um desfecho. 
Nesses estudos, os pesquisadores aplicam 
uma intervenção específica a um grupo e 
comparam os resultados com um grupo de 
controle, que não recebe a intervenção, 
ou recebe um placebo. A aleatorização 
e o controle rigoroso de variáveis são 
características-chave desse tipo de estudo.
 
Características principais:
1. Intervenção Deliberada: Os 
pesquisadores introduzem uma 
intervenção específica, como 
um novo medicamento, uma 
terapia ou um procedimento.
2. Grupo de Controle: Serve como 
base de comparação para avaliar 
os efeitos da intervenção.
3. Randomização: Os participantes 
são distribuídos aleatoriamente 
entre os grupos de intervenção e 
de controle, minimizando o viés.
4. Controle de Variáveis: Controlam-
se os fatores externos para isolar 
o efeito da intervenção.
5. Causalidade: Capacidade de 
estabelecer relações causais diretas 
entre a intervenção e o desfecho.
a. Ensaios Clínicos Randomizados (ECR):
Os ensaios clínicos randomizados (ECR) 
constituem estudos experimentais 
considerados o padrão-ouro na 
pesquisa clínica para avaliar a eficácia 
e a segurança de intervenções, como 
novos medicamentos, procedimentos 
cirúrgicos ou estratégias de prevenção. 
O principal objetivo de um ECR consiste 
em determinar se a intervenção 
experimental é superior, inferior ou 
equivalente a um tratamento padrão ou 
a um placebo. Exemplo: Avaliação de um 
novo medicamento para hipertensão.
• Randomização: Os participantes são 
alocados, de maneira aleatória, em 
grupos de intervenção ou de controle, 
o que minimiza o viés e garante a 
comparabilidade entre os grupos. A 
randomização ajuda a distribuir, de 
maneira equilibrada, características 
conhecidas e desconhecidas que 
possam influenciar os resultados. 
• Grupo de Controle: O grupo de 
controle pode receber um placebo, 
um tratamento padrão ou nenhuma 
intervenção. A comparação entre o 
grupo experimental e o de controle 
permite avaliar o efeito da intervenção.
• Cegamento (Blinding): Pode 
ser Simples, Duplo ou Triplo.
• Cegamento Simples: O participante 
desconhece o tratamento recebido.
• Cegamento Duplo: Tanto 
o participante quanto o 
pesquisador desconhecem o 
tratamento administrado.
• Cegamento Triplo: Além do 
participante e do pesquisador, 
o analista de dados também 
desconhece o tratamento.
51
• Desfechos: Desfechos primários e 
secundários definem-se previamente 
para avaliar os efeitos da intervenção. 
Podem incluir medidas de eficácia, de 
segurança e de qualidade de vida.
• Análise Estatística: Usam-se métodos 
estatísticos específicos para comparar 
os grupos e para determinar a 
significância dos resultados. Utiliza-
se, comumente, a análise por 
intenção de tratar (ITT) a fim de incluir 
todos os participantes conforme a 
alocação inicial, independentemente 
de aderirem ao protocolo.
Tem, como vantagens, a redução dos vieses 
(a randomização e o cegamento reduzem o 
risco de vieses de seleção e de medição), 
a causalidade (permite estabelecer 
relações causais diretas entre a intervenção 
e o desfecho) e o controle rigoroso 
(de variáveis externas que poderiam 
influenciar o resultado). Entretanto podem 
ter, como desvantagens: custos (podem 
ser caros e demorados); complexidade 
ética (na aplicação controversa de certas 
intervenções em certos grupos (exemplo: 
crianças ou população carcerária); 
generalização (os resultados podem 
não ser generalizáveis para a população 
se a amostra for muito específica).
bit.ly/3XlzQvj
Tratamento da vaginose bacteriana 
com gel vaginal de Aroeira 
bit.ly/41eTWIJ
Ensaio clínico randomizado triplo-
cego comparando eficácia e sensibilidade 
dentária de técnicas de clareamento em 
consultório e em casa
https://bit.ly/3XlzQvj
https://bit.ly/41eTWIJ
52
b. Ensaios Clínicos Não Randomizados:
Os ensaios clínicos não randomizados constituem 
estudos experimentais em que os participantes não 
são distribuídos aleatoriamente entre os grupos de 
intervenção e de controle. Ao contrário dos ensaios 
clínicos randomizados (ECR), em que a alocação 
dos participantes se faz de forma aleatória para 
minimizar o viés, nos ensaios não randomizados, 
os grupos se formam de maneira predefinida, ou 
com base em características dos participantes, 
ou pela escolha dos próprios pesquisadores.
• Ausência de Randomização: A principal 
característica é o fato de os participantes não serem 
distribuídos aleatoriamente entre os grupos de 
tratamento e de controle. Em vez disso, a alocação 
pode ser feita por conveniência, por escolha do 
paciente, ou por critérios pré-estabelecidos.
• Menor Controle sobre Viés: A falta de randomização 
pode levar à maior probabilidade de viés de seleção 
e de confusão. Os participantes podem diferir, 
sistematicamente, entre os grupos em fatores 
que influenciam os desfechos, o que dificulta a 
determinação de uma relação causal verdadeira 
entre a intervenção e os resultados observados.
• Aplicações: Usam-se ensaios clínicos não 
randomizados em situações onde a randomização 
pode ser impraticável, antiética, ou quando os 
pesquisadores desejam observar intervenções 
em condições do mundo real. Eles são comuns 
em áreas como estudos observacionais, onde a 
intervenção não pode ser controlada diretamente 
(ex. políticasde saúde pública), ou em pesquisas de 
doenças raras, onde a amostra pode ser limitada.
53
Figura 11 - Vantagens e desvantagens dos ensaios clínicos não-randomizados
Fonte: Elaboração própria.
ENSAIOS CLÍNICOS 
NÃO-RANDOMIZADOS
VANTAGENS
ENSAIOS CLÍNICOS 
NÃO-RANDOMIZADOS
DESVANTAGENS
Fácil de Implementar: Sem a 
necessidade de randomização, esses 
estudos são mais simples e rápidos 
de implementar, especialmente 
em situações de emergência, como 
durante pandemias, ou em áreas 
onde a infraestrutura para ensaios 
randomizados é limitada.
Estudo de Populações Específicas: 
Pode ser utilizado quando há 
necessidade de estudar populações 
específicas, como idosos, ou pacientes 
com comorbidades, que poderiam 
ser excluídos de um ensaio clínico 
randomizado.
Viabilidade Ética: Em algumas 
circunstâncias, pode ser considerado 
antiético randomizar participantes 
para um grupo controle quando já se 
suspeita que um tratamento é superior, 
ou quando a randomização poderia 
prejudicar o acesso a uma intervenção 
potencialmente eficaz.
Viés de Seleção: Como os 
grupos podem diferir entre si em 
características que não são controladas, 
pode haver viés de seleção, onde as 
diferenças nos desfechos podem ser 
atribuídas às diferenças pré-existentes 
entre os grupos, e não à intervenção.
Confundimento: Sem randomização, 
as diferenças nos desfechos entre 
os grupos podem ser influenciadas 
por variáveis de confusão, o que 
compromete a capacidade de 
estabelecer relações causais claras.
Menor Validade Interna: Devido à 
ausência de randomização, a validade 
interna desses ensaios tende a ser mais 
baixa em comparação com os ensaios 
clínicos randomizados. Pode ser mais 
difícil determinar, com certeza, que 
os resultados observados se devem à 
intervenção, e não a outros fatores.
bit.ly/3F7LLX0
Efeito do exercício físico na percepção de 
satisfação de vida e função imunológica em 
pacientes infectados pelo HIV
bit.ly/3XjOwea
Protocolo de Reiki para ansiedade, depressão 
e bem-estar pré-operatórios: ensaio clínico 
controlado não randomizado
https://bit.ly/3F7LLX0
https://bit.ly/3XjOwea
54
Estudos de Revisão: São investigações que 
sintetizam informações de várias pesquisas 
anteriores sobre um tema específico, com 
o objetivo de proporcionar uma visão 
abrangente e crítica do que já foi publicado. 
Existem diferentes tipos de estudos de 
revisão, cada um com finalidades e métodos 
específicos:
Revisão Narrativa (ou tradicional): 
Apresenta uma visão geral qualitativa 
sobre determinado assunto, baseada na 
análise subjetiva dos autores. Não segue 
protocolo rigoroso, o que pode limitar a 
reprodutibilidade. Frequentemente usada 
para descrever o estado da arte em áreas 
emergentes ou complexas, onde ainda não 
se encontra uma quantidade substancial de 
evidências sistemáticas.
Etapas:
1. Definição do tema ou do problema.
2. Busca de literatura, geralmente em 
bases como PubMed, Scopus, Google 
Scholar.
3. Seleção de estudos com base em 
relevância percebida.
4. Análise descritiva e síntese dos 
principais achados.
Limitações:
• Alto grau de subjetividade, com risco de 
viés na seleção e na análise dos artigos.
• Dificuldade de replicação, devido à falta 
de metodologia padronizada.
Revisão Sistemática: Utiliza metodologia 
rigorosa e replicável para buscar, selecionar 
e analisar estudos relevantes sobre 
uma questão de pesquisa específica.
Normalmente, envolve critérios claros 
de inclusão e de exclusão, além de 
uma avaliação crítica da qualidade dos 
estudos incluídos. Considera-se a revisão 
sistemática o padrão-ouro das revisões, 
devido à sua metodologia rigorosa. 
Etapas:
1. Definição de uma questão de pesquisa 
clara e estruturada (geralmente 
utilizando o formato PICO – Paciente, 
Intervenção, Comparação e Outcome/
Desfecho).
2. Registro do protocolo em plataformas 
como o PROSPERO (registro 
internacional de revisões sistemáticas).
3. Busca exaustiva da literatura em 
múltiplas bases de dados (MEDLINE, 
Cochrane etc.).
4. Aplicação dos critérios de inclusão e de 
exclusão para selecionar estudos.
5. Avaliação crítica da qualidade dos 
estudos (usando ferramentas como a 
escala de Jadad, para ensaios clínicos).
6. Extração de dados relevantes e síntese 
dos resultados.
Limitações:
• Extremamente demorada, envolvendo 
várias etapas que podem levar meses, 
ou até anos, para serem concluídas.
• Nem sempre há estudos suficientes, ou 
de boa qualidade, para suportar uma 
conclusão robusta.
55
bit.ly/4bj8nzY
bit.ly/4ig98w3
Revisão sistemática sobre o impacto das ações 
de enfermagem em pacientes com câncer 
de mama
Eficácia da intervenção de enfermagem para 
aumento da esperança em pacientes com câncer: 
uma meta-análise
Meta-análise: Tipo de revisão sistemática 
que utiliza métodos estatísticos para 
combinar os resultados de vários estudos 
quantitativos, proporcionando a estimativa 
geral dos efeitos ou das associações. É 
uma forma de aumentar o poder estatístico 
ao integrar dados de estudos individuais. 
Utiliza medidas estatísticas, como 
tamanho do efeito (effect size), intervalo 
de confiança e heterogeneidade entre os 
estudos (medida pelo índice I²).
Etapas:
1. Revisão sistemática preliminar 
para identificar estudos com dados 
quantitativos comparáveis.
2. Extração de dados, como médias, 
desvios-padrão e tamanhos de amostra.
3. Aplicação de métodos estatísticos, como 
modelo de efeitos fixos ou aleatórios, 
para combinar os dados.
4. Análise de heterogeneidade e de 
possíveis vieses de publicação.
Limitações:
• Exige que os estudos sejam, 
suficientemente, homogêneos em 
termos de design e de população.
• Possibilidade de viés de publicação 
(quando apenas estudos com resultados 
positivos são publicados).
https://bit.ly/4bj8nzY
https://bit.ly/4ig98w3
56
Revisão Integrativa: Visa a integrar 
os resultados de diferentes tipos de 
estudos (quantitativos, qualitativos, 
teóricos) sobre um mesmo tema, 
buscando fornecer uma síntese mais 
ampla. Isso se mostra, especialmente, 
útil em áreas interdisciplinares ou em 
tópicos com evidências heterogêneas.
Etapas:
1. Definição da questão de pesquisa.
2. Busca e seleção de estudos com 
diferentes abordagens metodológicas.
3. Extração e categorização dos 
dados de acordo com suas 
metodologias e seus resultados.
4. Síntese e integração dos achados para 
gerar uma compreensão mais ampla.
Limitações:
• A integração de diferentes tipos de 
estudos pode ser complexa, devido 
à variabilidade metodológica.
• Menor rigor em termos de critérios 
de inclusão/exclusão em comparação 
com revisões sistemáticas.
Revisão Rápida: Uma forma acelerada 
de revisão sistemática, que usa métodos 
simplificados para coletar e para sintetizar 
evidências rapidamente, útil em contextos 
onde decisões urgentes precisam ser 
tomadas. Seu objetivo é fornecer evidências 
em um curto período, frequentemente, para 
apoiar a tomada de decisões em políticas 
de saúde ou em intervenções emergenciais.
Etapas:
1. Definição de uma questão de pesquisa.
2. Busca simplificada de literatura (ex. 
em uma ou duas bases de dados).
3. Seleção rápida de estudos relevantes.
4. Extração de dados essenciais 
e síntese dos resultados.
Limitações:
• Redução do rigor metodológico em 
comparação com a revisão sistemática.
• Possível omissão de estudos 
relevantes devido ao processo 
de busca simplificado.
57
Níveis de Evidência
Os níveis de evidência dos estudos clínicos constituem forma de classificar a força 
das evidências com base no tipo de estudo e de sua qualidade metodológica. Esses 
níveis ajudam a determinar o quão confiável e aplicável uma determinada pesquisa 
pode ser em contextos clínicos. Normalmente, representamos esses níveis através 
de uma pirâmide, em que, quanto mais alto o tipo de estudo, maior sua evidência 
e sua confiabilidade para solidificar, ou para modificar, condutas clínicas.
Figura 12 - Evidência mais robusta x evidência mais fraca
Fonte: Adaptado de PEREIRA, C., VEIGA, N. (2014).Educação Para a Saúde Baseada 
em Evidências. Rev Millenium. 46. 107-36. 
Revisão 
sistemática; 
metanálise
Ensaios clínicos 
randomizados
e controlados
Estudos de coorte
Estudos de caso-controle
Estudos transversais
Ensaios in vitro (laboratoriais) 
experimentos em animais; série de 
casos
Opinião de especialistas; relatos de 
caso; cartas ao editor
Evidência 
mais fraca
Evidência 
mais robusta
Os níveis de evidência mostram-se fundamentais para embasar decisões clínicas, 
ajudando médicos e outros profissionais de saúde a adotar tratamentos com maior 
respaldo científico. Evidências de níveis mais altos (como revisões sistemáticas e ensaios 
clínicos randomizados) fornecem maior confiança na eficácia e na segurança de uma 
intervenção, enquanto evidências de níveis mais baixos, menos confiáveis, podem 
requerer mais estudos antes de se aplicarem em larga escala. A hierarquia dos níveis de 
evidência reflete a probabilidade de que um determinado resultado se influencie por 
vieses, com estudos mais rigorosos, ocupando níveis superiores.
58
6. Estudo Clínico e suas Fases
Estudos clínicos são pesquisas realizadas em seres humanos para avaliar a segurança, 
a eficácia e os efeitos de novos tratamentos, de medicamentos, de procedimentos, de 
dispositivos médicos ou de abordagens preventivas. Esses estudos são fundamentais para 
desenvolver novos tratamentos e para garantir que sejam seguros e eficazes, antes de 
serem aprovados para o uso generalizado. Os estudos clínicos são, geralmente, divididos, 
em quatro fases principais, cada uma com objetivos específicos.
Inicialmente, dividimos em Fase Pré-Clínica e Fase Clínica.
A Fase Pré-Clínica corresponde àquela onde ocorrerá a investigação de moléculas 
potenciais ou testes in vitro, que tentam responder às perguntas de interesse; caso esses 
estudos se mostrem promissores, ela será finalizada com testes em modelos animais. 
Apenas quando se concluem esses estudos (após a aprovação ética e os controles 
rigorosos), os estudos que compõem a Fase Clínica poderão acontecer.
Figura 13 - Fase pré-clínica e fase clínica
Caracterização 
química
Estudos 
bioquímicos
Estudos em 
modelos animais
Estudos em seres 
humanos
Fonte: Adaptado de Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos do Rio Grande do Sul. 
Disponível em: https://www.sindifar.org.br/geral/situacao-do-brasil-para-os-estudos-clinicos-de-medicamentos/
59
Fase 1: Estudos de Segurança e Dosagem Inicial
Objetivo: Avaliar a segurança de um novo tratamento, determinar a dosagem segura e 
identificar efeitos colaterais.
Participantes: Geralmente, envolvem pequeno número de participantes (20 a 100), 
muitas vezes, voluntários saudáveis, mas também podem incluir pacientes com a 
condição específica.
Procedimentos: Os participantes recebem o tratamento em doses, progressivamente 
maiores para identificar a dose máxima tolerada e para avaliar os efeitos adversos. 
Os pesquisadores monitoram, de perto, os efeitos colaterais e a forma como o corpo 
metaboliza e excreta o medicamento.
Duração: Varia de alguns meses a um ano.
Taxa de Sucesso: Aproximadamente, 70% dos tratamentos avançam para a Fase 2.
Exemplo: Estudo de um Novo Medicamento contra o Câncer (Inibidor de 
Tirosina Quinase)
Descrição: Um estudo de Fase 1 foi conduzido para avaliar a segurança 
e a dosagem ideal de um novo inibidor de tirosina quinase, um tipo de 
medicamento direcionado a tratar cânceres específicos, como o câncer de 
pulmão, não pequenas células.
Participantes: Envolveu cerca de 50 pacientes com câncer avançado que não 
responderam a tratamentos padrões anteriores.
Procedimentos: O estudo começou com uma dose baixa, aumentada 
gradualmente em diferentes grupos de pacientes para determinar a dose 
máxima tolerada. A segurança foi monitorada de perto, com coleta de amostras 
de sangue para medir os níveis do medicamento e para avaliar a função 
hepática e renal.
Resultado: Estabeleceu-se a dose máxima tolerada e identificaram-se os 
efeitos colaterais comuns, como náuseas e fadiga, que ajudaram a determinar 
as diretrizes de dosagem para estudos futuros.
60
Fase 2: Estudos de Eficácia e Dose Otimizada
Objetivo: Avaliar a eficácia do tratamento para uma condição específica e continuar a 
monitorar sua segurança.
Participantes: Envolve um número maior de participantes (100 a 300) que têm a doença, 
ou a condição, em estudo.
Procedimentos: Os participantes são, frequentemente, divididos em grupos, com um 
recebendo o tratamento experimental e outros recebendo um placebo, ou o tratamento 
padrão. Mede-se a eficácia pela melhoria nos sintomas, ou pela redução da progressão da 
doença.
Duração: Normalmente, de vários meses a dois anos.
Taxa de Sucesso: Aproximadamente, 33% dos tratamentos avançam para a Fase 3.
Exemplo: Estudo de Vacina para o Vírus da Dengue
Descrição: Um estudo de Fase 2 avaliou a eficácia de uma nova vacina contra o 
vírus da dengue, problema significativo de saúde pública em regiões tropicais.
Participantes: Cerca de 200 adultos saudáveis que viviam em áreas endêmicas 
da doença.
Procedimentos: participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu 
a vacina experimental e o outro, um placebo. O estudo acompanhou os 
participantes por 12 meses para avaliar a incidência de infecções pelo vírus da 
dengue e a resposta imunológica gerada pela vacina.
Resultado: A vacina demonstrou resposta imunológica robusta e reduziu 
a incidência de infecções em comparação com o placebo. Esses resultados 
justificaram o avanço para um estudo de Fase 3 maior e mais abrangente.
Figura 14 - Fases de uma pesquisa clínica
Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Profissionais de Pesquisa Clínica.
Tolerabilidade
Voluntários 
sadios-estáveis
População alvo Estudos randomizados, 
multicêntricos
Novas indicações 
Farmacovigilância 
Estudos de vida real
Segurança
Farmacocinética
Eficácia
Fase I
Fase III
Fase II
Fase IV
61
Fase 3: Estudos de Confirmação de Eficácia e Monitoramento de Reações Adversas
Objetivo: Confirmar a eficácia, monitorar os efeitos colaterais, comparar o tratamento 
experimental com os existentes e coletar informações para garantir o uso seguro.
Participantes: Envolve um número maior de participantes (300 a 3.000 ou mais) com a 
doença ou em condição específica.
Procedimentos: Esta fase, geralmente, consiste em estudo randomizado e controlado, 
onde se designam, aleatoriamente, os participantes para receber o tratamento 
experimental ou um controle (placebo ou tratamento padrão). Avaliam-se a eficácia e a 
segurança em uma população diversificada, o que ajuda a entender como o tratamento 
funcionará em uma ampla gama de pacientes.
Duração: Pode durar de um a quatro anos.
Taxa de Sucesso: Aproximadamente 25% a 30% dos tratamentos avançam para a Fase 4.
Exemplo: Estudo de Medicamento para Diabetes Tipo 2 (Inibidor de SGLT2)
Descrição: Um estudo de Fase 3 avaliou a eficácia e a segurança de um novo 
inibidor de SGLT2, uma classe de medicamentos usados para tratar diabetes 
tipo 2, em comparação com um tratamento padrão existente.
Participantes: Mais de 4.000 pacientes com diabetes tipo 2 de diferentes 
países.
Procedimentos: Os pacientes foram randomizados para receber o novo 
medicamento, ou um medicamento padrão, por dois anos. O estudo monitorou 
a glicemia, a hemoglobina glicada (HbA1c), o peso corporal e os eventos 
cardiovasculares adversos.
Resultado: O novo medicamento demonstrou reduzir, significativamente, 
os níveis de glicose no sangue, diminuir o peso corporal e ter um perfil de 
segurança aceitável em comparação com o tratamento padrão. Os resultados 
levaram à aprovação do medicamento por agências reguladoras, como a FDA 
(Food and Drug Administration).
62
Fase 4: Estudos Pós-Comercialização (Farmacovigilância)
Objetivo: Monitorar a segurança e a eficácia do tratamento no longo prazo após sua 
aprovação e sua comercialização.
Participantes: Envolve milhares de participantes usando o tratamento aprovado na 
práticaclínica.
Procedimentos: Esta fase foca a identificação de efeitos adversos raros, ou de longo 
prazo, para avaliar o tratamento em subgrupos específicos de pacientes e para monitorar 
o impacto na qualidade de vida. Estudos de Fase 4 podem levar a restrições de uso, a 
alterações na dosagem ou, em casos raros, à retirada do tratamento do mercado.
Duração: Indefinida; continua enquanto o tratamento estiver em uso clínico.
Exemplo: Estudo de Segurança, no Longo Prazo, de um Anticoagulante Oral 
(Rivaroxabana)
Descrição: Após a aprovação de um novo anticoagulante oral, a rivaroxabana, 
para a prevenção de tromboembolismo venoso em pacientes com fibrilação 
atrial, conduziu-se um estudo de Fase 4 para monitorar sua segurança e 
eficácia de longo prazo na prática clínica.
Participantes: Mais de 20.000 pacientes em uso do medicamento em prática 
clínica de rotina.
Procedimentos: O estudo acompanhou os pacientes por cinco anos, coletando 
dados sobre eventos hemorrágicos, eficácia na prevenção de acidentes 
vasculares cerebrais (AVC) e outras complicações cardiovasculares.
Resultado: O estudo identificou um risco, ligeiramente, aumentado de 
sangramento em alguns subgrupos de pacientes, levando a ajustes na 
orientação de dosagem e no uso do medicamento em determinadas 
populações de risco.
63
Figura 15 - Fases de estudos clínicos
FASE I: garante que o tratamento é 
seguro para uso inicial em humano.
FASE III: fornece evidências robustas de 
eficácia e segurança, essenciais para a 
aprovação regulatória.
FASE II: começa a explorar a eficácia 
enquanto continua a avaliar a 
segurança.
FASE IV: assegura a monitorização 
contínua da segurança e da eficácia 
após o tratamento estar disponível ao 
público.
Fonte: Elaboração própria.
As diferentes fases de estudos clínicos mostram-se cruciais para desenvolver e aprovar 
novos tratamentos seguros e eficazes. Cada fase contribui para aumentar a noção sobre 
o tratamento e para garantir que ele atenda aos padrões de segurança e de eficácia antes 
de amplamente utilizado.
64
7. Análise Crítica, 
Vieses, Equipe de 
Pesquisa
A análise crítica de estudos clínicos 
constitui processo essencial para avaliar 
a validade, a relevância e a aplicabilidade 
de resultados de pesquisa clínica. Essa 
análise ajuda a determinar se um estudo é 
confiável e se seus achados são robustos o 
suficiente para influenciar a prática clínica, 
a tomada de decisões e o desenvolvimento 
de políticas de saúde. Abaixo, encontram-se 
os principais componentes e as etapas da 
análise crítica de estudos clínicos:
Clareza da Pergunta de Pesquisa: A 
pergunta de pesquisa deve ser clara, 
específica e relevante. Deve seguir o 
formato PICO (População, Intervenção, 
Comparação e Outcome) para facilitar a 
compreensão.
Objetivos do Estudo: Os objetivos precisam 
ser bem definidos e devem indicar o que o 
estudo pretende alcançar.
Tipo de Estudo: Identifique se o estudo 
é experimental (como um ensaio clínico 
randomizado) ou observacional (como 
coorte, caso-controle ou transversal). 
O tipo de estudo deve ser adequado para 
responder à pergunta de pesquisa.
Randomização e Controle: Em estudos 
randomizados, avalia-se se a randomização 
foi conduzida de forma adequada e se há 
um grupo de controle apropriado. Além 
disso, é importante verificar a alocação 
oculta para garantir que os participantes 
não saibam a que grupo pertencem.
Cegamento (Mascaramento): Verifique 
se o estudo foi duplo-cego, simples-cego 
ou não-cego e avalie como isso pode ter 
impactado os resultados.
Critérios de Inclusão e de Exclusão: 
Examine se os critérios de inclusão e 
de exclusão dos participantes foram, 
claramente, definidos e se são apropriados 
para a pergunta da pesquisa.
Representatividade da Amostra: 
Verifique se a amostra é representativa da 
população-alvo e se o tamanho da amostra 
é adequado para detectar uma diferença 
significativa (poder estatístico).
Descrição Detalhada: Avalie se as 
intervenções (tratamentos, medicamentos 
etc.) e as comparações são descritas de 
maneira clara e detalhada.
Padrões de Tratamento: Verifique se a 
intervenção e as comparações refletem as 
práticas clínicas reais.
Definição e Medição dos Outcomes: Avalie 
se os desfechos primários e secundários 
são claramente definidos, clinicamente 
relevantes e mensurados de forma válida e 
confiável.
Análise de Subgrupos: Verifique se há 
análises de subgrupos e se são justificadas 
e, adequadamente, conduzidas.
Métodos Estatísticos: Revise se os 
métodos estatísticos utilizados se mostram 
apropriados para o tipo de dados e para a 
pergunta de pesquisa. Verifique a correção 
para múltiplas comparações, se necessário.
Intervalos de Confiança e Significância: 
Avalie se os resultados incluem intervalos 
de confiança e se a significância estatística 
(p-valor) é interpretada corretamente.
65
Exemplos de Ferramentas para 
Análise Crítica
• CASP (Critical Appraisal Skills 
Programme): Proporciona listas de 
verificação específicas para diferentes 
tipos de estudos (ensaios clínicos 
randomizados, estudos de coorte etc.).
• GRADE (Grading of Recommendations 
Assessment, Development and 
Evaluation): Um sistema que avalia a 
qualidade da evidência e a força das 
recomendações.
• CONSORT (Consolidated Standards of 
Reporting Trials): Diretrizes para relatar 
ensaios clínicos randomizados de forma 
transparente e completa.
Validade Interna: Considere o risco de 
vieses (de seleção, de informação, de 
confusão) e a qualidade do controle de 
variáveis externas.
Validade Externa: Avalie se os resultados 
podem ser generalizados para outras 
populações, outras configurações ou outros 
períodos de tempo.
Interpretação dos Resultados: Verifique 
se a discussão interpreta os resultados de 
forma justa, levando, em consideração, as 
limitações do estudo.
Limitações: Avalie se os autores discutem 
as limitações do estudo, como tamanho da 
amostra, possíveis vieses e validade das 
conclusões.
Conclusões Apropriadas: As conclusões 
devem basear-se nos dados apresentados e 
não devem extrapolar para além do que os 
dados suportam.
Conflito de Interesses: Verifique se os 
conflitos de interesse dos autores são 
declarados e se poderiam influenciar os 
resultados ou a interpretação.
Fonte de Financiamento: Considere se 
a fonte de financiamento poderia ter 
introduzido viés nos resultados.
Aplicabilidade à Prática Clínica: Determine 
se os resultados são aplicáveis à prática 
clínica diária, levando, em conta, o contexto 
e a população dos pacientes tratados.
Impacto Potencial: Avalie o impacto 
potencial dos resultados na prática clínica, 
na política de saúde ou em pesquisas 
futuras.
66
Equipe de Pesquisa
A equipe de pesquisa desempenha papel 
fundamental na condução de estudos 
clínicos e científicos, assegurando que 
as investigações se realizem de forma 
ética, eficiente e rigorosa. Uma equipe 
de pesquisa bem-estruturada compõe-
se de profissionais com diferentes 
habilidades e responsabilidades, 
cada um desempenhando funções 
específicas para assegurar a 
integridade e o sucesso do estudo.
1. Investigador Principal (IP): É o 
responsável geral pelo estudo. O 
Investigador Principal (IP), geralmente, 
é um médico ou cientista sênior com 
experiência em pesquisa clínica. 
Ele define o desenho do estudo, 
supervisiona sua execução, garante 
o cumprimento das regulamentações 
éticas e científicas e lidera a análise 
e a publicação dos resultados.
2. Coinvestigadores: São pesquisadores 
que trabalham, em conjunto, 
com o Investigador Principal para 
realizar o estudo. Podem incluir 
médicos, cientistas, enfermeiros 
e outros profissionais de saúde. 
Os coinvestigadores têm funções 
específicas, como recrutamento de 
pacientes, coleta de dados, condução de 
intervenções e análise de resultados.
3. Coordenador de Pesquisa Clínica: 
Gerencia as operações diárias do 
estudo, incluindo a coordenação de 
visitasde pacientes, a coleta de dados, 
o monitoramento da conformidade 
com o protocolo e as regulamentações, 
a comunicação com o comitê de 
ética e as agências reguladoras e 
a manutenção da documentação 
necessária. O coordenador atua como 
o principal ponto de contato entre o 
Investigador Principal (IP), a equipe de 
pesquisa e os participantes do estudo.
4. Enfermeiro de Pesquisa Clínica: 
Responsável pelo cuidado dos 
participantes do estudo. Ele pode 
realizar triagens de elegibilidade, 
coordenar a administração de 
intervenções, coletar amostras 
biológicas, monitorar sinais 
vitais e auxiliar na educação dos 
participantes sobre o estudo e seus 
procedimentos. Os enfermeiros de 
pesquisa desempenham papel vital na 
garantia do bem-estar dos pacientes 
e na coleta de dados precisos.
5. Especialista em Dados (Data Manager): 
Gerencia a coleta, o armazenamento, 
o processamento e a análise dos 
dados gerados pelo estudo. Ele 
garante que os dados sejam coletados 
de maneira precisa, completa e 
conforme os padrões de qualidade 
estabelecidos. A responsabilidade 
do especialista em dados inclui 
desenvolver bancos de dados, realizar 
verificações de qualidade e preparar 
dados para a análise estatística.
6. Estatístico: Fornece suporte na fase 
de planejamento do estudo, ajudando 
a determinar o tamanho da amostra 
e a escolher métodos de análise 
estatística apropriados. Durante e após 
o estudo, o estatístico realiza análises 
estatísticas dos dados coletados e ajuda 
a interpretar os resultados, contribuindo 
para as conclusões e as publicações.
67
7. Monitor de Pesquisa Clínica (Monitor 
ou CRA - Clinical Research Associate): 
Trabalha para garantir que o estudo 
se conduza conforme o protocolo 
aprovado, as regulamentações 
éticas e as boas práticas clínicas 
(GCP - Good Clinical Practice). Eles 
monitoram a coleta e a documentação 
de dados, realizam auditorias de 
qualidade e garantem a conformidade 
com os requisitos regulatórios.
8. Farmacêutico de Pesquisa: Gerencia 
os aspectos relacionados aos 
medicamentos do estudo, incluindo 
a preparação, o armazenamento, 
a distribuição e o controle dos 
medicamentos ou dos dispositivos 
utilizados. O farmacêutico garante que 
as substâncias se manipulem de maneira 
segura e adequada e que os pacientes 
sejam informados sobre o uso correto.
9. Especialista em Ética e 
Regulamentação: Responsável 
por garantir que o estudo esteja 
em conformidade com todas as 
regulamentações locais e internacionais, 
como as diretrizes de Boas Práticas 
Clínicas (GCP) e as regulamentações 
de proteção aos direitos humanos 
e à segurança dos participantes. 
Este especialista prepara e submete 
documentos ao Comitê de Ética 
e às agências reguladoras.
10. Assistente de Pesquisa (Research 
Assistant): Ajuda em tarefas 
administrativas e logísticas, como o 
agendamento de visitas, a manutenção 
de registros, o suporte na coleta de 
dados e a assistência em atividades 
laboratoriais e administrativas.
Uma equipe de pesquisa diversificada 
e multidisciplinar faz-se essencial para 
abordar os diferentes aspectos de um 
estudo clínico, desde o planejamento 
até a execução e a análise. Cada membro 
traz uma perspectiva única e habilidades 
específicas que ajudam a garantir que 
a pesquisa se conduza de forma eficaz, 
ética e em conformidade com os padrões 
científicos. A colaboração entre os membros 
da equipe permite uma abordagem mais 
holística da pesquisa, aumentando a 
qualidade dos dados, o bem-estar dos 
participantes, a eficácia operacional e 
a validade dos resultados. Enquanto 
membro de equipe de pesquisa, poderá 
ser solicitado que o indivíduo tenha 
certificado válido (renovável a cada 24 
meses) em GCP “Good Clinical Practice”. 
Existem várias opções disponíveis em 
inglês e em português, gratuitamente.
68
8. ESG e prática 
clínica
ESG (Environmental, Social, and 
Governance) consiste em um conjunto 
de critérios que avaliam o impacto 
ambiental, social e de governança de uma 
organização. Embora o conceito de ESG 
seja, frequentemente, associado ao setor 
financeiro e empresarial, ele também tem 
implicações importantes na prática clínica e 
na pesquisa:
• Critérios Ambientais: Na prática 
clínica e na pesquisa, o aspecto 
ambiental envolve a adoção de práticas 
sustentáveis que minimizam o impacto 
ambiental. Isso pode incluir a gestão 
responsável de resíduos hospitalares, 
o uso eficiente de energia e água, 
a redução de emissões de carbono 
e a escolha de fornecedores que 
compartilhem esses compromissos. No 
contexto da pesquisa, pode-se envolver 
o uso de materiais e de métodos 
que reduzam a pegada ambiental, 
como minimizar o uso de recursos 
não renováveis ou optar por técnicas 
laboratoriais menos poluentes;
• Critérios Sociais: Os critérios sociais de 
ESG na prática clínica relacionam-se ao 
cuidado ético e ao respeito aos direitos 
humanos, à diversidade e à inclusão. 
Isso envolve promover a equidade 
no atendimento aos participantes da 
pesquisa, assegurar o acesso a cuidados 
de qualidade para todas as populações, 
especialmente as vulneráveis, e 
considerar o impacto social das práticas 
clínicas e dos protocolos de pesquisa. 
Na pesquisa, isso implica garantir a ética 
no recrutamento e no consentimento 
de participantes, assegurando que os 
estudos se conduzam de forma justa e 
transparente;
• Critérios de Governança: A governança 
refere-se à liderança, à estrutura de 
gestão e à transparência em instituições 
de saúde e de pesquisa. Envolve 
práticas como a adesão a regulamentos, 
o combate à corrupção, a transparência 
em relatórios e a responsabilização 
em todos os níveis da organização. Em 
termos de pesquisa clínica, isso se pode 
traduzir em práticas que garantem a 
integridade científica, o cumprimento 
dos padrões éticos e a proteção dos 
direitos dos participantes da pesquisa.
69
Impacto de ESG na Pesquisa Clínica
• Transparência e Confiabilidade: 
A implementação de boas práticas de 
governança fortalece a credibilidade dos 
estudos clínicos e garante resultados 
robustos e replicáveis.
• Sustentabilidade e Eficiência: A adoção 
de práticas ambientais sustentáveis 
na pesquisa clínica pode não apenas 
reduzir custos, mas também melhorar 
a aceitação pública dos estudos, 
especialmente daqueles financiados por 
recursos públicos ou por doações.
• Inclusão e Diversidade: Incorporar 
critérios sociais pode melhorar a 
representatividade dos estudos 
clínicos, garantindo resultados mais 
generalizáveis e úteis para diversas 
populações.
• Integrar os princípios de ESG na prática 
clínica e na pesquisa pode contribuir 
para um sistema de saúde mais 
sustentável, ético e inclusivo, alinhando 
as operações com as expectativas da 
sociedade e dos stakeholders.
A incorporação de princípios de ESG 
(Environmental, Social and Governance) 
na prática clínica de pesquisa envolve o 
alinhamento das atividades de pesquisa 
com objetivos de sustentabilidade 
ambiental, de impacto social positivo e 
de governança ética e transparente. Isso 
se mostra, particularmente, relevante 
no contexto da pesquisa clínica, onde 
há crescente expectativa de que os 
estudos não apenas atendam aos padrões 
científicos, mas também se alinhem aos 
valores e às expectativas sociais 
mais amplos.
Exemplos de ESG na Pesquisa Clínica
a. Uso Sustentável de Recursos na 
Pesquisa Clínica: Muitos estudos 
clínicos exigem o uso de laboratórios, 
equipamentos, reagentes e outros 
materiais que podem ter um impacto 
significativo no meio ambiente. A 
adoção de práticas de pesquisa 
sustentáveis pode incluir o uso de 
tecnologias verdes (como equipamentos 
com eficiência energética), a 
reciclagem de materiais sempre que 
possível e a escolha de métodos que 
minimizem a pegada de carbono. 
Pesquisadores, também, podem 
considerar o impacto ambiental de 
todas as fases do estudo, desde o 
planejamento até a disseminação 
dos resultados, otimizando o uso de 
recursos e promovendo a reciclageme a 
reutilização.
b. Diversidade e Inclusão em Estudos 
Clínicos: Um dos principais desafios 
na pesquisa clínica encontra-se em 
garantir a representatividade adequada 
de diversas populações. Incorporar um 
foco ESG envolve garantir que estudos 
clínicos recrutem participantes de todas 
as origens raciais, étnicas, de gênero 
e socioeconômicas. Isso se mostra 
essencial para que os resultados dos 
estudos sejam generalizáveis e reflitam 
a eficácia e a segurança dos tratamentos 
para todos os grupos populacionais. 
Além disso, incluir diversas populações 
nos ensaios clínicos pode ajudar a 
identificar variações na resposta ao 
tratamento, que podem ser críticas 
para o desenvolvimento de terapias 
personalizadas.
70
Exemplos de Artigos sobre ESG na 
Pesquisa Clínica
1. Artigo 1: “Integrating ESG Criteria 
in Clinical Research: A Framework for 
Sustainable and Ethical Practices”
Este artigo, publicado no Journal of Clinical 
Research & Bioethics (2023), discute como 
os princípios de ESG se podem integrar 
ao desenho e à condução de estudos 
clínicos. Ele propõe um framework que 
inclui a seleção de métodos de pesquisa 
com baixa pegada ambiental, políticas de 
recrutamento inclusivas e diversificadas e 
mecanismos de governança que asseguram 
a transparência e a responsabilidade na 
publicação de resultados. O artigo enfatiza 
que a adoção de ESG pode melhorar a 
confiança pública na pesquisa clínica, 
ao mesmo tempo em que aumenta a 
relevância e a aplicabilidade dos estudos.
2. Artigo 2: “The Role of Environmental, 
Social, and Governance Factors in Clinical 
Trial Design and Execution”
Publicado na The Lancet (2022), este 
artigo explora como os fatores ESG podem 
influenciar o desenho e a execução de 
ensaios clínicos, especialmente em áreas 
com recursos limitados. O artigo apresenta 
casos de estudos que demonstraram 
impactos positivos ao incorporar ESG, como 
a redução de custos através da eficiência 
de recursos e o maior engajamento de 
comunidades locais devido a práticas 
inclusivas e transparentes. Ele também 
aborda os desafios e as oportunidades de 
implementar práticas ESG no ambiente 
regulatório atual.
71
Referências 
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aprofundar!
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Analysis. Editora: Chapman & Hall/CRC. ISBN: 978-
1498796612. Terceira edição, 2013.
ENCICLOPÉDIA DO HOLOCAUSTO. As Experiências Médi-
cas Nazistas – Fotografia. Disponível em: https://encyclo-
pedia.ushmm.org/content/pt-br/gallery/nazi-medical-ex-
periments-photographs. Acesso em: 08 set. 2024.
Livro 1
Pesquisa clínica e boas práticas em genética e genômica
/bporgbr
bp.org.brque permeia os 
princípios da moral e do direito. A ética 
traz os princípios que orientam as ações 
humanas e a capacidade de avaliar as ações 
morais, uma vez que a moral corresponde 
ao conjunto de valores individuais e 
coletivos que orientam a conduta dos 
homens. A moral encontra-se no campo 
das ações voluntárias do indivíduo e, como 
fator também estudado do ponto de vista 
subjetivo, o direito traz, para o contexto, 
as questões mais objetivas e práticas, 
determinando ações obrigatórias perante 
a lei. 
7
Na Tabela 1, apresentam-se diferenças entre Ética, Moral e Direito:
Tabela 1 - Explicação comparativa entre os conceitos de Ética, Moral e Direito
Fonte: DURANT G. A Bioética: natureza, princípios, objetivos. 
Disponível em: https://www.ufrgs.br/bioetica/. Acesso em: 12 jan. 2024.
CONCEITO DEFINIÇÃO ORIGEM APLICAÇÃO OBJETIVO EXEMPLO
Ética
Vertente 
filosófica que 
busca entender 
os princípios 
que orientam o 
comportamento 
humano em 
termos de bem 
e mal.
Filosofia e 
pensamento 
crítico.
Normas que 
guiam a conduta 
de indivíduos 
e profissionais, 
de forma geral, 
em diversas 
situações.
Estabelecer 
princípios que 
promovam o 
bem-estar e 
a justiça na 
sociedade.
Ética médica: 
decisões sobre 
tratamentos 
que priorizam 
o bem-estar do 
paciente.
Moral
Conjunto de 
normas, valores 
e crenças de 
uma sociedade 
ou um indivíduo, 
que orientam o 
comportamento 
segundo o que 
é considerado 
certo ou errado.
Cultura, religião 
e tradição.
Normas internas 
que guiam o 
comportamento 
individual 
conforme os 
valores do grupo 
ou da sociedade.
Promover a 
harmonia social 
e o convívio 
baseado 
em valores 
compartilhados.
Decisão 
pessoal de 
ajudar alguém 
necessitado com 
base em valores 
de compaixão.
Direito
Normas e regras 
instituídas por 
uma autoridade 
competente 
(Estado) para 
regular as 
relações sociais.
Autoridade 
legislativa 
(Estado).
Normas externas 
e obrigatórias, 
aplicadas através 
de leis e de 
regulamentos.
Regular as 
relações sociais 
e garantir a 
ordem e a justiça 
social.
Leis que 
punem crimes 
assegurando 
direitos de 
propriedade.
O Museu Memorial do Holocausto, nos 
Estados Unidos, mostra, em sua versão 
online, diversos relatos fotográficos 
sobre os experimentos realizados, como 
a aplicação de injeções infectadas com 
bactérias para o estudo do curso de 
doenças, ou como outras experiências 
com a intenção de compreender a 
capacidade de soldados de guerra, 
como simulações com os prisioneiros de 
exposição a temperaturas congelantes, 
de modo a verificar a capacidade 
do corpo humano nessas situações 
(Santos; Nascimento, 2018). 
Não somente no contexto de guerra, 
situações incoerentes também aconteciam, 
como o conhecido “Caso de Tuskegee”. 
Esse caso foi um estudo que ocorreu entre 
os anos de 1932 e 1970 nos Estados 
Unidos com a intenção de acompanhar 
a evolução natural da sífilis. O estudo 
aconteceu com a seleção de 600 pessoas 
negras norte-americanas, sendo que uma 
parcela delas tinha o diagnóstico da doença 
e outra não. Por anos, essas pessoas foram 
seguidas e documentou-se todo o curso 
da doença, mas, durante a condução do 
estudo, a comunidade médica iniciou o 
uso de penicilina para o tratamento de 
sífilis, porém eles foram privados desse 
tratamento. No final do estudo, além da 
privação de tratamento, esposas foram 
infectadas e crianças nasceram com sífilis 
congênita (Edgar H, 1992; Goldim, 1999).
8
Entre essas e tantas outras experiências conduzidas de formas absurdas, muitas pessoas 
sofreram e chegaram à morte para que os pesquisadores encontrassem as respostas que 
procuravam, alegando que seria para um bem maior no campo da medicina. Mas muitos 
questionamentos acerca dessas situações começaram a ser discutidos, considerando 
questões éticas, legais e de moral para que pesquisas pudessem ser realizadas desde 
que cumprissem requisitos de extrema importância para a proteção dos participantes de 
pesquisa.
Na Figura 1, apresenta-se imagem do período do Experimento Tukesgee, realidade que se 
transformou no filme “Cobaias”, no inglês, “Miss Ever´s Boys”, de 1997.
Figura 1 - “Experimento Tukesgee”
Fonte: Disponível em https://observatorio3setor.org.br/cobaias-humanas-400-negros-sofre-
ram-ate-a-morte-para-estudo-de-sifilis/ Acesso em: 12 jan. 2025. 
Com isso, surgiram o Código de Nuremberg (1947) e, alguns anos após, a Declaração 
de Helsinque (1964) e o Relatório de Belmont (1978) para discutir a importância 
da autonomia dos participantes de pesquisa e da não maleficência dessa pesquisa 
para o participante (serão discutidos com maior profundidade no próximo tópico 
desta apostila). Esses conceitos foram bases para estruturar normas e leis que 
regulamentam a produção e a execução de projetos de pesquisa, a fim de deixá-las 
seguras, para que não transgridam os direitos humanos, nascendo, assim, os preceitos 
de bioética: autonomia, não-maleficência, beneficência, justiça e equidade.
9
Após a Declaração de Helsinque, Joseph 
Fletcher (1966), professor de ética social, 
determinou a “Teoria da Ética Situacional”, 
a qual propõe que se deve avaliar a 
moralidade de uma ação com base no 
contexto específico em que ela ocorre, 
em vez de seguir regras morais absolutas 
ou universais. Nos anos seguintes, outros 
estudiosos descreveram diversas questões 
pautadas nos princípios éticos e, em 
1969, Daniel Callahan ofereceu, com os 
pensamentos da “Ética em Sociedade”, 
uma perspectiva que equilibra os direitos 
individuais com as responsabilidades 
coletivas, propondo que a saúde deve ser 
entendida como um bem comum. Essas 
ideias ainda são influentes em debates 
de saúde coletiva e de bioética, uma vez 
que destacam a importância de considerar 
o bem-estar da sociedade como um todo 
na formulação de políticas de saúde.
Eu proponho o termo Bioética 
como forma de enfatizar os dois 
componentes mais importantes para 
se atingir uma nova sabedoria, que 
é tão desesperadamente necessária: 
conhecimento biológico e valores 
humanos (POTTER, V. R., 1971).
Em 1970, Van Rensselaer Potter dedicou-
se a construir literatura com a finalidade 
de unir as questões da medicina e a 
ética de forma multidisciplinar. Em seu 
livro Bioethics: Bridge to the Future, ele 
usa o termo “bioética” para discutir o 
enfrentamento de problemas que envolvem 
questões de saúde, sustentabilidade 
e sobrevivência da humanidade, tanto 
que o termo “ponte para o futuro” é uma 
metáfora que simboliza a necessidade da 
relação entre o conhecimento científico e a 
sabedoria ética para garantir, à humanidade, 
um futuro sustentável e saudável. Sem 
essa ponte, a humanidade corre o risco 
de autodestruição, devido à exploração 
irresponsável dos recursos naturais e dos 
avanços tecnológicos não regulados.
Por mais que o foco de Potter se 
aproximasse mais das questões ambientais, 
não podemos deixar de enfatizar o 
valor de contribuição para a pesquisa 
com seres humanos, uma vez que seus 
pensamentos se relacionam com os 
princípios de justiça, de equidade e da 
relação de riscos e de benefícios. 
10
A bioética constitui, portanto, uma área 
multidisciplinar que auxilia as discussões 
das pesquisas na prática médica, seja 
com seres humanos ou não. No caso da 
pesquisa com seres humanos, sua evolução 
e sua organização para as tomadas de 
decisões, conectadas com a necessidade 
de proteger os indivíduos envolvidos em 
uma pesquisa. A seguir, descrevem-se os 
princípios que fundamentam a bioética:
• Autonomia: Respeito pela 
capacidade dos indivíduos de 
tomar decisões informadas sobre 
sua própria vida e saúde.
• Beneficência: A obrigação de 
agir no melhor interesse dos 
outros, maximizando benefícios 
e minimizando danos.
• Não-maleficência: A obrigação 
de não causar dano.
• Justiça: A distribuição justa 
dos benefícios e dos riscos da 
pesquisa e da prática médica.
Fica evidente que, além das questões 
metodológicas e científicas para construir 
uma pesquisa,faz-se fundamental que 
se paute nas questões da bioética, 
envolvendo, também, normas, diretrizes 
e leis presentes no contexto em 
que a pesquisa se desenvolverá. 
As discussões decorrentes de fatos 
históricos com o pensar da bioética foram 
importantes para que uma melhor forma 
de conduzir pesquisas se estruturasse, 
considerando a proteção do participante 
da pesquisa. A seguir, vamos relatar como 
essa construção se estabeleceu a partir dos 
contextos históricos que fundamentaram 
as normativas utilizadas até o momento.
11
2. Boas Práticas em 
Pesquisa Clínica
No tópico anterior, iniciamos uma discussão 
sobre as questões éticas e a importância 
da bioética para construir pesquisas com 
seres humanos. Citaram-se, como marco 
importante, as questões criminosas que 
aconteceram durante a Segunda Guerra 
Mundial com os prisioneiros de guerra, 
que permitiram que discussões fossem 
levantadas e regras, estabelecidas.
Em 1947, criou-se o Código de Nuremberg 
em resposta aos experimentos médicos 
antiéticos realizados durante a Segunda 
Guerra Mundial, especialmente pelos 
nazistas. O objetivo principal do 
código é proteger os indivíduos que se 
submeteram a experimentos médicos 
sem o seu consentimento e garantir que 
qualquer pesquisa se conduza de maneira 
ética. Dessa forma, iniciou-se o uso do 
“consentimento informado”, estabelecendo-
se, como obrigatório, o consentimento 
voluntário do participante da pesquisa, 
que deve ser plenamente informado sobre 
a natureza, a duração e o propósito da 
pesquisa em questão, bem como sobre os 
métodos e os riscos envolvidos. 
Com relação aos riscos, o Código de 
Nuremberg enfatiza que a pesquisa 
se deve realizar de modo a evitar todo 
sofrimento físico e mental desnecessário 
e os benefícios esperados devem justificar 
os riscos envolvidos, fazendo com que 
os experimentos existentes no estudo 
devam ser conduzidos apenas por 
pessoas qualificadas e cientificamente 
competentes. Além disso, os participantes 
devem ter a liberdade de retirar-se do 
estudo a qualquer momento, enquanto 
os pesquisadores devem interromper o 
experimento se houver a probabilidade de 
causar dano ao participante.
Por mais que as intenções do 
Dr. Krugman e de sua equipe tenham 
sido pautadas por valores como o 
avanço da ciência, a busca da cura 
de uma doença grave, isso, por si 
só, não foi suficiente para justificar 
suas ações: viciar a expressão da 
autonomia da vontade dos pais das 
crianças na assinatura dos termos de 
consentimento informado, através 
das imposições e dos condicionantes, 
significa atentar contra o mais 
basilar de todos os direitos humanos 
que é o direito à vida, ao submeter 
crianças ao contágio com o vírus 
da hepatite, sem lhes dar qualquer 
chance de defesa ou de proteção de 
sua dignidade de pessoa humana 
(HOGEMANN, E. R., 2015).
12
Mesmo com toda a comoção e a 
importância do acontecimento do Código 
de Nuremberg em 1947, algumas pesquisas 
que envolviam seres humanos ainda 
aconteciam de forma controversa. Um caso 
importante para elucidar esse fato é o 
“Estudo de Willowbrook”, conduzido pelo 
médico Saul Krugman e iniciado na década 
de 1950 nos Estados Unidos. Esse caso 
envolveu crianças com deficiência mental 
que foram, propositalmente, infectadas 
com o vírus da hepatite para que fosse 
possível estudar a progressão da doença 
e os efeitos de possíveis tratamentos. Os 
pais dessas crianças foram persuadidos 
a dar consentimento sob a promessa de 
que seus filhos receberiam cuidados em 
uma instituição que já estava superlotada. 
Mesmo com as questões já discutidas de 
termo de consentimento, e prezar pelo 
bem-estar do participante, esse estudo não 
ofereceu um consentimento informado 
genuíno e realizou a exploração de uma 
população vulnerável para a pesquisa 
científica. Em resposta à crescente 
preocupação com a ética na pesquisa 
médica, especialmente no que diz respeito 
ao uso de seres humanos em experimentos, 
surge a “Declaração de Helsinque” no ano 
de 1964. Esse documento foi elaborado 
pela Associação Médica Mundial, no inglês, 
World Medical Association (WMA) durante 
sua 18ª Assembleia Geral em Helsinque, 
Finlândia (1964).
A Declaração de Helsinque forneceu um 
conjunto abrangente de princípios éticos 
para a condução de pesquisas médicas 
envolvendo seres humanos, incluindo 
a pesquisa sobre o material humano e 
os dados identificáveis. Revisa-se essa 
declaração periodicamente para refletir os 
avanços na pesquisa médica e nas normas 
éticas, de acordo com os desenvolvimentos 
tecnológicos e as necessidades coletivas.
Os principais pontos abordados nessa 
declaração pautam-se no estabelecimento 
de princípios éticos básicos para a 
pesquisa médica, enfatizando o respeito 
pela dignidade humana, os direitos dos 
participantes e a obrigação dos médicos de 
colocar a saúde, o bem-estar e os direitos 
dos participantes em primeiro lugar. 
Além disso, reforça a importância de dois 
aspectos já discutidos na década de 1940 
em Nuremberg: o consentimento informado 
e as questões de risco e de benefício. Esses 
dois pontos garantem que os participantes 
recebam todas as informações relevantes 
e que seu consentimento seja dado de 
forma voluntária. Também assegura que 
a pesquisa seja conduzida apenas se os 
benefícios esperados superarem os riscos 
e que os métodos utilizados minimizem 
qualquer dano potencial aos participantes.
Outras discussões bem importantes 
a evidenciar dizem respeito às 
regulamentações para definir o protocolo 
de pesquisa como o documento que 
assegura que toda a pesquisa se baseie 
em um protocolo de estudo claro e 
detalhado, revisado por um comitê de 
ética independente antes de iniciar. 
Isso favoreceu a avaliação de questões 
de confidencialidade dos dados dos 
participantes e da equidade, na intenção 
de promover a justiça na seleção de 
participantes, garantindo que todos 
os grupos tenham a oportunidade de 
participar e de se beneficiar da pesquisa 
médica quando for o caso.
13
Vale ressaltar que alguns anos após 
(1966), uma importante publicação foi 
realizada no The New England Journal 
of Medicine, com a autoria de Henry 
K. Beecher, destacando 22 estudos 
médicos que violavam princípios éticos 
fundamentais, especialmente no que diz 
respeito ao consentimento informado dos 
participantes. Ele argumentou que muitos 
estudos vinham sendo conduzidos sem 
a devida consideração pelo bem-estar 
e pelos direitos dos participantes. Isso 
elevou, ainda mais, as discussões sobre a 
importância de monitorar os estudos em 
condução e o quanto as questões éticas 
precisam ser revisitadas de tempos em 
tempos. Devido à exposição dos estudos 
com má condução do ponto de vista ético, 
principalmente após o famoso caso de 
Tuskegee (exemplificado no primeiro tópico 
deste módulo), o “Relatório de Belmont” 
(1978) trouxe diretrizes mais claras e 
abrangentes para regular as pesquisas 
com seres humanos, enfatizando a não 
exploração de populações vulneráveis.
SINOPSE DO FILME 
“MISS EVER´S BOYS”
“Miss Ever´s Boys" é um drama 
histórico, de 1997, dirigido por Joseph 
Sargent e baseado em eventos reais. 
O filme narra a história do infame 
estudo de sífilis de Tuskegee, conduzido 
pelo Serviço de Saúde Pública dos 
Estados Unidos entre 1932 e 1972. 
A trama segue a enfermeira Eunice 
Ever (interpretada por Alfre Woodard), 
recrutada para trabalhar no estudo, 
inicialmente sob a promessa de que 
os participantes, todos homens afro-
americanos, receberiam tratamento 
gratuito para a sífilis. No entanto ela 
logo descobre que os homens não 
receberão o tratamento necessário, 
mas, sim, serão observados para 
estudar os efeitos não tratados da 
doença ao longo do tempo. Apesar 
de suas dúvidas éticas e da crescente 
conscientização sobre a gravidade do 
estudo, Miss Ever continua a trabalhar 
no projeto, tentando justificar sua 
participação ao cuidar dos homens e 
acreditar que, de alguma forma, os estáajudando. O filme explora as questões 
de moralidade, de racismo e a confiança 
nas instituições de saúde pública. 
"Miss Ever Boys" é uma poderosa 
crítica à exploração e à negligência dos 
direitos dos participantes vulneráveis 
em pesquisas médicas, refletindo o 
impacto devastador que o estudo teve 
nas vidas dos homens envolvidos e na 
comunidade afro-americana em geral.
14
3. Normativas Éticas: Código de 
Nuremberg, Declaração de Helsinque
Apesar de muitos documentos auxiliares serem fontes de preceitos éticos de pesquisa, 
houve a necessidade de uma melhor organização de diretrizes mais específicas, uma vez 
que se foram tornando mais complexas e internacionalizadas. Nesse contexto, em 1990, 
o International Council for Harmonisation of Technical Requirements for Pharmaceuticals 
for Human Use (ICH) foi estabelecido como um esforço colaborativo entre as autoridades 
reguladoras e a indústria farmacêutica dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. 
A tabela 2 resume os três principais documentos, marcos para construir as normas éticas e 
legais a fim de realizar pesquisas com seres humanos.
Tabela 2 - Histórico dos principais documentos de regulação de pesquisa com seres humanos
Fonte: Elaboração própria.
Código de Nuremberg (1947) Declaração de Helsinque (1964) Relatório de Belmont (1978)
Contexto 
Histórico
O Código de Nuremberg 
foi estabelecido após a 
Segunda Guerra Mundial, 
como uma resposta direta 
aos abusos cometidos 
durante o Holocausto. 
Durante o período nazista, 
realizaram-se experimentos 
médicos em prisioneiros 
sem o consentimento 
deles, resultando em 
inúmeros abusos e mortes. 
O julgamento de Nuremberg 
expôs esses abusos e levou à 
formulação de diretrizes para 
proteger os participantes de 
pesquisas médicas.
A Declaração de Helsinque 
foi formulada pela Associação 
Médica Mundial (AMM), como uma 
resposta às limitações do Código 
de Nuremberg e às necessidades 
emergentes da pesquisa médica. 
O Relatório de Belmont foi 
publicado em 1978 pela 
Comissão Nacional para a 
Proteção de Sujeitos Humanos 
de Pesquisa Biomédica e 
Comportamental, nos Estados 
Unidos. Ele surgiu em resposta 
a questões éticas relacionadas 
à pesquisa envolvendo seres 
humanos, principalmente após 
escândalos, como o estudo de 
sífilis de Tuskegee, que envolveu 
práticas antiéticas
Importância
Foi um marco crucial na 
ética da pesquisa com seres 
humanos. Ele estabeleceu 
princípios fundamentais, 
incluindo:
Consentimento Informado: 
Os participantes devem dar 
seu consentimento voluntário, 
sem coerção.
Benefício para os 
Participantes: A pesquisa 
deve trazer benefícios para 
os participantes e não causar 
danos desnecessários.
Qualidade Metodológica: 
A pesquisa deve ser baseada 
em um conhecimento prévio e 
conduzida de forma científica 
e ética.
Expandiu e detalhou os princípios 
estabelecidos pelo Código de 
Nuremberg, oferecendo diretrizes 
mais específicas para a pesquisa 
médica. Seus principais impactos 
incluem:
Ética da Pesquisa Clínica: Define, 
claramente, os requisitos para 
pesquisas clínicas, incluindo a 
necessidade de aprovação por 
comitês de ética e o consentimento 
informado dos participantes.
Proteção dos Participantes: 
Enfatiza a proteção dos 
participantes, especialmente em 
pesquisas envolvendo vulneráveis.
Revisão e Monitoramento: 
Introduziu a necessidade de revisão 
ética contínua e a supervisão dos 
estudos clínicos, promovendo uma 
abordagem mais rigorosa para a 
proteção dos participantes.
Estabeleceu os princípios e 
as diretrizes que formam a 
base da ética em pesquisa nos 
EUA e influenciam práticas 
internacionais. Os três princípios 
principais são:
Respeito pela Pessoa: Inclui o 
consentimento informado e o 
respeito pela autonomia dos 
participantes.
Beneficência: Obriga os 
pesquisadores a maximizarem os 
benefícios e a minimizar os riscos 
para os participantes.
Justiça: Assegura que os 
benefícios e os riscos da 
pesquisa sejam orientados 
de forma justa entre todos os 
grupos envolvidos.
15
A formação do ICH teve, como objetivo, 
harmonizar as normas técnicas e científicas 
para desenvolver novos medicamentos, a 
fim de evitar duplicações desnecessárias de 
testes em humanos e de reduzir os custos. 
Alguns anos após, em 1996, o ICH publicou 
a primeira versão da guideline E6 sobre 
Boas Práticas Clínicas (BPC), estabelecendo 
um padrão global para o planejamento, a 
condução, o monitoramento, a auditoria, 
o registro, a análise e o relato de estudos 
clínicos. O documento visava a garantir 
que os dados dos ensaios clínicos fossem 
válidos e que os direitos e a segurança 
dos participantes fossem protegidos.
A seguir, destacamos os principais 
pontos da BPC a cumprir:
a. Princípios Éticos
• Os ensaios clínicos devem ser 
conduzidos de acordo com princípios 
éticos que têm sua origem na 
Declaração de Helsinque e devem 
respeitar os direitos, a segurança e 
o bem-estar dos participantes. Vale 
lembrar que as nomas e as regulações, 
vigentes em cada país onde se realiza 
o estudo, devem ser seguidas.
b. Protocolo do Estudo
• O protocolo deve ser, claramente, 
definido, descrevendo o objetivo, 
a metodologia, o desenho, as 
considerações éticas e o processo 
para o consentimento informado.
• No protocolo, todas as etapas do estudo 
devem ser descritas de forma clara.
c. Revisão Ética
• O protocolo do ensaio clínico deve ser 
revisado e aprovado por um Comitê 
de Ética em Pesquisa (CEP) ou pela 
Comissão de Revisão Institucional (IRB), 
que garante a proteção dos direitos 
e o bem-estar dos participantes.
d. Proteção da Comunidade e 
Responsabilidade Social
• Benefícios para a Comunidade: 
Garantir que a pesquisa tenha 
relevância e contribua para o 
avanço do conhecimento e a 
melhoria da saúde pública.
• Responsabilidade Social: Considerar 
as implicações sociais e éticas da 
pesquisa e agir de forma a promover 
o bem-estar social e comunitário.
e. Consentimento Informado
• Os participantes devem ser, plenamente, 
informados sobre o estudo, incluindo 
seus riscos e os benefícios potenciais 
e devem fornecer consentimento livre 
e esclarecido antes de participar.
f. Responsabilidades dos Pesquisadores
• Os investigadores devem ter as 
qualificações e a experiência 
adequadas para conduzir o ensaio 
e são responsáveis pela condução 
ética e científica do estudo.
16
g. Responsabilidades dos Patrocinadores
• O patrocinador do estudo é 
responsável pelo desenho do 
estudo, pela qualidade dos dados 
coletados e pela conformidade com as 
regulamentações locais e internacionais.
h. Capacitação e Competência da Equipe
• Treinamento: Assegurar que toda 
a equipe envolvida na pesquisa 
receba treinamento adequado e 
tenha as qualificações necessárias.
• Responsabilidade: Garantir que os 
pesquisadores e outros membros 
da equipe se responsabilizem 
por suas ações e cumpram os 
padrões éticos e científicos.
i. Seleção e Proteção dos Participantes
• Deve-se garantir que se selecionem, 
adequadamente, os participantes 
com base em critérios científicos 
e éticos e que se monitore sua 
segurança ao longo do estudo.
j. Confidencialidade dos Dados
• As informações pessoais dos 
participantes devem-se tratar 
com confidencialidade, enquanto 
os dados do estudo se devem 
armazenar de forma segura.
k. Documentação e Relatórios
• Todo estudo clínico deve-se documentar 
de forma detalhada, incluindo o 
desenvolvimento do protocolo, 
o processo de consentimento, a 
coleta e a análise de dados, além 
da comunicação dos resultados.
l. Monitoramento, Auditoria e Inspeção
• Os ensaios clínicos devem ser 
monitorados e auditados para garantir 
que se conduzam de acordo com o 
protocolo aprovado, as boas práticas 
clínicas e as regulamentações aplicáveis.
m. Manuseio de Medicamentos 
Investigacionais
• Medicamentos investigacionais 
devem ser gerenciados com 
rigor, garantindo que eles sejam 
armazenados, distribuídos e 
administrados de acordo com as 
diretrizes estabelecidas no protocolo.
n. Gerenciamento de Dados
• Devem-segerir os dados do ensaio 
de forma a garantir sua precisão, 
sua integridade e sua conformidade 
com os requisitos regulatórios.
• Os dados devem estar seguros, 
preservando a confidencialidade.
17
o. Relatórios de Segurança
• Faz-se obrigatório relatar eventos 
adversos e incidentes críticos 
que ocorrem durante o estudo, 
garantindo, como prioridade, a 
segurança dos participantes.
p. Conclusão e Relatório do Estudo
• Após a conclusão do estudo, um 
relatório final deve ser compilado, 
detalhando os resultados e as 
conclusões que devem ser divulga 
dos de forma transparente.
q. Transparência e Divulgação
• Relatórios de Resultados: Publicar 
os resultados da pesquisa, tanto 
positivos quanto negativos, 
para garantir a transparência e a 
disseminação do conhecimento.
• Conflitos de Interesse: Declarar 
qualquer potencial conflito de interesse 
que possa influenciar a condução 
ou os resultados do estudo.
Com a definição da BPC, estabeleceram-
se uma padronização internacional e uma 
base comum para conduzir as pesquisas 
clínicas internacionalmente, facilitando 
o reconhecimento mútuo de ensaios 
clínicos entre diferentes países e regiões. 
Além disso, visa-se a garantir a proteção 
dos participantes ao exigir a adesão a 
princípios éticos rigorosos, ajudando 
a prevenir a repetição de abusos e a 
garantir que se respeitem os direitos e a 
segurança dos participantes de pesquisas. 
Além do documento mundialmente 
conhecido, cada país possui suas normas 
e legislações vigentes para salvaguardar 
as questões éticas e legais de pesquisa, 
garantindo o respeito à sua realidade 
econômica, social e populacional. 
No Brasil, existem diversas normativas 
éticas que regulamentam a prática da 
pesquisa. Veremos a seguir as principais 
delas. Recomendamos a leitura do manual 
como complemento dos seus estudos!
bit.ly/4hOQdIM
Boas Práticas Clínicas 
ICH6
Guia
https://bit.ly/4hOQdIM
18
4. Normativas 
Éticas Nacionais: 
Resolução nº 196/96, 
nº 466/2012, nº 
510/2016, 
PL 6007/2023
As normativas éticas nacionais constituem 
diretrizes e regulamentações criadas 
para assegurar que a pesquisa com seres 
humanos no Brasil se conduza de maneira 
ética e responsável. Essas normas protegem 
os direitos, a segurança e o bem-estar dos 
participantes da pesquisa, além de garantir 
a integridade científica dos estudos. Abaixo, 
descrevem-se algumas das principais 
normativas éticas nacionais brasileiras e 
seus propósitos:
a. Resolução nº 196/96
A Resolução 196/96, publicada no ano de 
1996 pelo Conselho Nacional de Saúde 
(CNS), constituiu um marco importante na 
regulação ética de pesquisas com seres 
humanos no Brasil. Ela foi a primeira diretriz 
abrangente que estabeleceu diretrizes 
e normas para garantir a proteção dos 
direitos, a segurança e o bem-estar dos 
participantes de pesquisas científicas. 
Nessa resolução, definem-se os princípios 
éticos fundamentais, como o respeito 
pela dignidade humana, a beneficência, a 
não-maleficência, a justiça e a autonomia. 
Como se vê, enfatizam-se os conceitos já 
discutidos pela bioética e que se fazem 
de extrema importância no contexto 
de pesquisa. Além disso, descrevia-se a 
necessidade de criar Comitês de Ética em 
Pesquisa para revisar e aprovar todos os 
projetos de pesquisa envolvendo seres 
humanos.
Assim como os outros documentos já 
elaborados em outros países, a Resolução 
196/66 enfatiza a necessidade de obter o 
consentimento informado dos participantes, 
assegurando que eles estejam, plenamente, 
cientes dos objetivos, dos procedimentos, 
dos riscos e dos benefícios da pesquisa e 
que reconhecem a existência de grupos 
vulneráveis. Devido às necessidades de 
atualizações advindas de novas demandas 
científicas e sociais, a Resolução 196/96 
não é mais vigente e foi substituída pela 
Resolução 466/12 que veremos a seguir.
Atenção!
Vulnerabilidade - estado de pessoas 
ou grupos que, por quaisquer 
razões ou motivos, tenham a sua 
capacidade de autodeterminação 
reduzida ou impedida, ou 
de qualquer forma estejam 
impedidos de opor resistência, 
sobretudo no que se refere ao 
consentimento livre e esclarecido.
Apesar de não estar mais vigente, essa 
resolução ganha destaque como um 
marco importante para a regulamentação 
de estudos brasileiros, assegurando 
as questões essenciais de bioética e 
protegendo-se os participantes de pesquisa.
19
b. Resolução nº 466/2012
A Resolução nº 466/2012 atualiza 
e substitui a Resolução nº 196/96, 
trazendo algumas diferenças. O Conselho 
Nacional de Saúde (CNS) traz a seguinte 
nota no dia de sua publicação:
A resolução nº 466/2012 que trata 
de pesquisas e testes em seres 
humanos foi publicada ontem, dia 
13 de junho, no Diário Oficial da 
União. A resolução foi aprovada 
pelo Plenário do Conselho Nacional 
de Saúde (CNS) na 240ª Reunião 
Ordinária, em dezembro de 2012.
Diretrizes e normas 
regulamentadoras estabelecidas na 
resolução devem ser cumpridas nos 
projetos de pesquisa envolvendo 
seres humanos que devem, ainda, 
atender aos fundamentos éticos e 
científicos também elencados na 
resolução nº 466/ 2012 do CNS. 
Dentre as exigências da resolução, 
está a obrigatoriedade de que os 
participantes, ou representantes 
deles, sejam esclarecidos sobre 
os procedimentos adotados 
durante toda a pesquisa e sobre 
os possíveis riscos e benefícios.
A resolução traz termos e condições 
a serem seguidos e trata do Sistema 
CEP/CONEP, integrado pela Comissão 
Nacional de Ética em Pesquisa 
(CONEP/CNS/MS do CN) e pelos 
Comitês de Ética em Pesquisa 
(CEP) compondo um sistema que 
utiliza mecanismos, ferramentas 
e instrumentos próprios de inter-
relação que visa à proteção dos 
participantes de pesquisa.
A resolução incorpora, sob a ótica 
do indivíduo e das coletividades, 
referenciais da bioética, tais como 
autonomia, não maleficência, 
beneficência, justiça e equidade, 
dentre outros, e visa a assegurar 
os direitos e os deveres dos 
participantes da pesquisa (Conselho 
Nacional de Saúde, 2012).
De forma geral, essa resolução reforça e 
detalha os princípios éticos da pesquisa 
com seres humanos, incluindo o respeito 
pela autonomia, a beneficência, a não-
maleficência, a justiça e a equidade, 
detalhando, de forma mais específica, 
as exigências para o processo de 
consentimento informado, enfatizando a 
clareza e a acessibilidade da informação 
fornecida aos participantes.
20
A resolução 466/12 traz, no seu item de 
processo de consentimento do sujeito da 
pesquisa, a necessidade de um convite 
para que se possa manifestar de forma 
autônoma, consciente, livre e esclarecida 
com o tempo adequado e necessário para 
que decida se quer, ou não, participar. 
O Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido (TCLE) constitui documento 
que deve ser elaborado em duas vias 
iguais, uma para o participante e outra 
para o pesquisador, após a assinatura 
de ambos. Quanto ao conteúdo do 
TCLE é obrigatório que contenha: 
a. justificativa, os objetivos e os 
procedimentos que serão utilizados 
na pesquisa, com o detalhamento 
dos métodos a serem utilizados, 
informando a possibilidade de 
inclusão em grupo controle ou 
experimental, quando aplicável; 
b. explicitação dos possíveis 
desconfortos e riscos decorrentes 
da participação na pesquisa, além 
dos benefícios esperados dessa 
participação e apresentação das 
providências e cautelas a serem 
empregadas para evitar e/ou reduzir 
efeitos e condições adversas que 
possam causar dano, considerando 
características e contexto do 
participante da pesquisa; 
c. esclarecimento sobre a forma de 
acompanhamento e assistência a 
que terão direito os participantes 
da pesquisa, inclusive considerando 
benefícios e acompanhamentos 
posteriores ao encerramento e/ 
ou a interrupção da pesquisa; 
d. garantia de plena liberdade ao 
participante da pesquisa, de 
recusar-se a participar ou retirar seu 
consentimento, em qualquer fase dapesquisa, sem penalização alguma; 
e. garantia de manutenção do 
sigilo e da privacidade dos 
participantes da pesquisa durante 
todas as fases da pesquisa;
f. garantia de que o participante 
da pesquisa receberá uma via 
do Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido;
g. explicitação da garantia de 
ressarcimento e como serão 
cobertas as despesas tidas 
pelos participantes da pesquisa 
e dela decorrentes; e 
h. explicitação da garantia de 
indenização diante de eventuais 
danos decorrentes da pesquisa 
(Resolução 466, 2012, p.5).
21
Termo de Assentimento
O termo de assentimento, segundo a 
Resolução 466/2012 do Conselho Nacional 
de Saúde, consiste em documento utilizado 
em pesquisas que envolvem participantes 
menores de idade (ou incapazes de dar 
consentimento de maneira plena, como 
em casos de pessoas com deficiência 
mental ou em situação de vulnerabilidade). 
Esse termo é complementar ao Termo 
de Consentimento Livre e Esclarecido 
(TCLE), que deve ser assinado pelo 
responsável legal do participante. O termo 
de assentimento, por sua vez, destina-se, 
diretamente, ao participante, devendo ser 
escrito em linguagem acessível e adequada 
à sua capacidade de compreensão, para 
que ele possa entender a natureza da 
pesquisa, seus objetivos, os procedimentos, 
os riscos, os benefícios e o direito de 
recusar a participação ou de retirar seu 
assentimento a qualquer momento.
A Resolução 466/2012 enfatiza que o 
assentimento (TA) deve ser voluntário e 
informado, ou seja, o participante menor 
de idade, ou incapaz, deve concordar 
com a sua participação após ter sido 
esclarecido sobre todos os aspectos da 
pesquisa, respeitando sua autonomia, 
sua dignidade e seus direitos. Portanto a 
obtenção do assentimento consiste em 
processo ético essencial, que visa a garantir 
que o participante tenha compreendido as 
informações e que sua participação seja, 
verdadeiramente, voluntária. A depender do 
público de interesse e dos procedimentos 
de pesquisa, é preciso ter diversos modelos 
de TA: para menores de 7 anos, crianças 
de 7 a 12 anos e crianças de 12 a 17 anos 
(considerando as linguagens aplicadas para 
comunicação). O TA só pode ser aplicado 
após o consentimento e a assinatura de 
TCLE pelos pais ou responsáveis pela 
criança. Caso, por exemplo, o estudo 
preveja apenas coleta de informações de 
prontuário, não se faz necessário assentir 
a criança menor de 7 anos; entretanto, na 
previsão de procedimentos invasivos ou 
da necessidade de exames/avaliações, 
o TA é necessário em todas as idades.
22
Olá!
Meu nome é Silvana Soares dos Santos, eu sou enfermeira pesquisadora. Estou fazendo uma 
pesquisa para aprender mais sobre câncer nas crianças. Para você entender, o câncer é uma 
doença que acontece por um defeito, um probleminha nas células do corpo. Sabe o que é 
célula? Pois bem: imagina que nosso corpo é como uma casa, como a sua casa. Sua casa é feita 
de paredes e estas paredes são feitas de tijolos. Então, nossas células são os tijolinhos do 
nosso corpo! E esses tijolinhos se juntam para formar nossos órgãos: o olhinho, o coração, a 
perna. Quando temos um probleminha no tijolinho do nosso corpo, o câncer aparece.
Pode ser que a gente precise coletar 
um pouco de sangue e, para isso, vai ser 
preciso dar uma picadinha no seu braço. 
Eu sei, isso dói um pouquinho, mas só 
vamos fazer se for preciso. 
Caso o médico e a enfermeira que estejam 
cuidando de você precisem te dar algum 
remedinho ou colher sangue, vamos 
aproveitar este momento para que não 
doa tanto, está bem? Mas, se doer, você 
pode chorar, ou podemos tentar um outro 
dia, ou você pode não querer, está bem? 
 
Importante!
Você não precisa participar se não quiser. 
Pode parar a qualquer momento, 
sem problema nenhum. 
Se você não entender alguma 
coisa, pode perguntar para mim ou 
para o seu papai ou mamãe.
Gostaria de convidar você para participar desta pesquisa. Isso significa que eu vou fazer 
algumas perguntas e, talvez, brincar ou jogar alguns jogos simples com você. 
Você não precisa fazer nada que não queira. Se em algum momento, você não quiser continuar, 
é só dizer “não quero mais” e você pode parar.
Se você quiser, faça um círculo na 
carinha feliz; se você não quiser, 
faça um círculo na carinha brava:
Muito obrigada por escutar! 
Eu vou assinar aqui e você pode fazer assinar seu nome embaixo ou fazer um 
desenho que queira!
Eu já falei com o seu papai ou mamãe sobre isso e eles disseram que tudo 
bem você participar, mas agora estou te perguntando: você quer participar? 
Ninguém vai ficar chateado contigo se você não quiser, certo?
TERMO DE ASSENTIMENTO PARA CRIANÇAS MENORES DE 7 ANOS
Pesquisador ou Responsável 
pelo consentimento
SSilvanaS
Meu Amigo
Data: 04/04/2024
Observação: Embora esse termo seja voltado para a criança, o responsável legal deve assinar o Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e, também, ser informado sobre todos os detalhes do estudo.
23
Assistência Integral
A assistência integral refere-se ao direito 
dos participantes de pesquisa de receberem 
todo o suporte médico e psicológico 
necessário durante e após a participação 
no estudo. Isso inclui tratamento para 
qualquer efeito adverso ou complicação 
que surja em decorrência da pesquisa. 
Este direito garante que os participantes 
não sejam abandonados ou deixados sem 
suporte, caso ocorram eventos adversos 
durante o estudo. A assistência integral 
constitui uma forma de proteger a saúde 
e o bem-estar dos participantes.
Indenização e Ressarcimento
Referem-se ao direito dos participantes 
de receberem compensação em caso 
de danos, ou de lesões causadas pela 
pesquisa. Isso pode incluir compensação 
financeira, ou outras formas de reparação. 
Esse direito assegura que os participantes 
sejam justiçados, caso sofram prejuízos 
em razão da pesquisa. O princípio da 
justiça mostra-se fundamental aqui, 
garantindo que ninguém seja prejudicado 
sem a devida compensação.
 
Sugestão de texto para TCLE
“Ao assinar este Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido 
você não está abrindo mão de 
qualquer um dos seus direitos legais, 
incluindo o direito à indenização 
em caso de danos decorrentes da 
sua participação nesse estudo. Você 
tem assegurado o direito de receber 
assistência integral e imediata, de 
forma gratuita, pelo tempo que 
for necessário em caso de danos 
decorrentes de sua participação 
nesta pesquisa. Embora não estejam 
previstas visitas na instituição para 
fins de pesquisa, caso isso ocorra, 
o pesquisador se compromete a 
fornecer ressarcimento de todos os 
gastos (por exemplo, alimentação 
e transporte) para você e seu 
acompanhante, quando aplicável.”
24
Baseado na Resolução nº 466, de 12 de 
dezembro de 2012, itens II. 3.2 E II. 7.
Um ponto importante que, apesar de citado 
na resolução antecessora, tem melhor 
evidência na estrutura de funcionamento 
do Comitê de Ética em Pesquisas e da 
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa 
(CONEP), garantindo maior rigor na 
revisão ética dos projetos. A intenção é 
explicar como a estrutura CEP e CONEP 
se articulam a fim de avaliar os projetos 
para que a proteção dos participantes 
de pesquisa se encontre garantida.
Nos próximos módulos, teremos as 
descrições mais detalhadas sobre cada 
ponto abordado na resolução 466/12, 
uma vez que ela funciona como uma das 
norteadoras da realização de pesquisas 
no Brasil. Neste momento, estamos 
ressaltando a importância de sua existência, 
os principais pontos para abordar na 
pesquisa com seres humanos. Esse é 
um preparatório para discussões mais 
aprofundadas nos módulos subsequentes, 
por isso a leitura da resolução na íntegra 
se mostra fundamental nesse momento. 
Recomendamos a leitura da Norma, 
para desenvolvimento de outros 
temas ao longo do curso.
bit.ly/3F6UZTm
RESOLUÇÃO Nº 466
Resolução nº 510/2016
A Resolução nº 510/2016 detalha 
diretrizes para pesquisas em ciências 
sociais e humanas, reconhecendo 
a necessidadede uma abordagem 
diferenciada para essas áreas de estudo, 
trazendo as particularidades que a 
diferem das pesquisas biomédicas. 
As diretrizes dispostas para métodos 
qualitativos de estudo demonstram 
um avanço para os saberes diversos, 
uma vez que respeitam a natureza 
interativa e contextual desses estudos.
Lordelo; Silva (2017) descrevem um 
panorama geral dessa resolução e relatam 
que existem potenciais importantes para 
essa área de estudos. No artigo, relata-se 
a consideração de formas diversificadas 
para a comunicação do Consentimento 
Livre e Esclarecido, podendo ser por 
gestos, por escrita, por expressão 
oral, considerando as características 
individuais, tanto do participante 
quanto da abordagem metodológica. 
Pesquisa em ciências humanas e 
sociais: aquelas que se voltam para 
o conhecimento, compreensão das 
condições, existência, vivência e 
saberes das pessoas e dos grupos, em 
suas relações sociais, institucionais, 
seus valores culturais, suas 
ordenações históricas e políticas 
e suas formas de subjetividade e 
comunicação, de forma direta ou 
indireta, incluindo as modalidades de 
pesquisa que envolvam intervenção.
https://bit.ly/3F6UZTm
25
A elaboração dessa resolução constitui 
exemplo da dinamicidade das avaliações 
éticas em pesquisa, que precisam estar, 
sempre, no processo de atualização e de 
reavaliação, uma vez que as pesquisas com 
seres humanos se envolvem em contextos 
que diferem no tempo, como questões 
políticas, sociais, culturais e tecnológicas.
Principais pontos:
• Enfoque nas Ciências Humanas e 
Sociais: 
A Resolução 510/2016 aplica-se a 
pesquisas que utilizam metodologias 
e abordagens típicas das Ciências 
Humanas e Sociais, como entrevistas, 
observação participante, aplicação de 
questionários, uso de dados disponíveis 
em arquivos públicos, entre outros. 
Seu objetivo é adequar os princípios 
éticos ao contexto dessas pesquisas, 
que, geralmente, apresentam menor 
risco físico aos participantes, mas 
podem envolver questões como 
privacidade e confidencialidade.
• Dispensa de Avaliação pelo CEP: 
Algumas pesquisas podem ser 
dispensadas da avaliação pelos 
Comitês de Ética em Pesquisa (CEP), 
especialmente quando envolvem 
dados públicos, disponíveis de 
forma irrestrita e não-identificados, 
ou atividades exclusivamente de 
ensino, sem a finalidade de gerar 
conhecimento generalizável.
• Consentimento Livre e Esclarecido: 
A resolução reforça a necessidade do 
Consentimento Livre e Esclarecido 
dos participantes, adaptando sua 
forma ao contexto e aos métodos da 
pesquisa. Em certas circunstâncias, 
como em pesquisas etnográficas 
ou com populações vulneráveis, o 
consentimento pode ser obtido de 
forma oral ou adaptada ao contexto 
cultural do grupo estudado.
• Proteção à Privacidade e 
Confidencialidade: Estabelece normas 
claras sobre a proteção da privacidade 
e a confidencialidade das informações 
coletadas durante a pesquisa. Isso 
inclui o uso de pseudônimos ou 
codificação de dados para proteger 
a identidade dos participantes.
• Participação de Grupos Vulneráveis: 
Define normas específicas para a 
pesquisa com populações vulneráveis, 
como indígenas, crianças, adolescentes, 
pessoas com deficiências, entre 
outras, ressaltando a necessidade 
de respeitar os contextos culturais 
e sociais dos participantes.
• Valorização da Autonomia: A resolução 
enfatiza a autonomia dos participantes 
da pesquisa, o que significa que 
a decisão de participar deve ser 
voluntária, informada e sem qualquer 
forma de coerção ou indução.
• Descentralização da Análise Ética: 
A resolução também propõe uma 
descentralização da análise ética, 
incentivando que as análises se 
realizem por CEPs, com expertise 
nas áreas específicas das ciências 
humanas e sociais, a fim de 
garantir uma compreensão mais 
adequada das metodologias e 
dos contextos das pesquisas.
26
bit.ly/4gZCaz0
RESOLUÇÃO Nº 510
A Resolução 510/2016 mostra-se 
fundamental para garantir que as 
pesquisas em Ciências Humanas e Sociais 
no Brasil se conduzam de maneira ética, 
respeitando os direitos dos participantes 
e adaptando os princípios de ética 
em pesquisa ao contexto específico 
dessas disciplinas. Ela promove maior 
flexibilidade nas diretrizes, considerando 
a diversidade de metodologias e de 
abordagens utilizadas nessas áreas.
Recomendamos a leitura da Norma 
para aprofundarmos o conteúdo.
Figura 2 - Mapa mental da Resolução 466/12
Resolução 466/12
Privacidade
Equidade
Não maleficência
Justiça
Autonomia
Visa a proteção dos 
participantesDos aspectos éticos
Sistema CEP e CONEP
Riscos e Benefícios Protocolo de pesquisa
Processo de 
Consentimento
Avaliar protocolo de pesquisa
Papel consultivo e educativo
Estimula participação popular
Examina aspectos éticos 
de pesquisa
Termo de 
consentimento 
livre e esclarecido
Termo de 
assentimento 
livre e esclarecido
O protocolo a ser submetido à 
revisão ética somente será 
apreciao se for apresentada toda 
documentação solicitada pelo 
Sistema CEP/CONEP, considerada 
a natureza e as especificidades 
de cada pesquisa.
Benefícios maiores
que os riscos.
Assistência integral e 
imediata se necessário.
Dano associado e 
indenização.
Fonte: Elaboração própria.
https://bit.ly/4gZCaz0
27
Projeto de Lei (PL) 6007/2023
O Projeto de Lei 6007/ 2023 visa a 
atualizar e a consolidar as diretrizes éticas 
para a pesquisa com seres humanos 
no Brasil, trazendo algumas mudanças, 
especialmente, nessa área. No documento, 
como um todo, mantiveram-se as questões 
relacionadas aos aspectos éticos e ao 
processo de consentimento de um modo 
geral, como preconizado nas resoluções 
anteriores. As mudanças voltam-se às 
questões de regulação de sistema CEP-
CONEP e nos procedimentos relacionados 
à garantia de acompanhamento e 
de tratamento dos participantes da 
pesquisa após o término do estudo.
Muitos pesquisadores dividem-se quanto 
às mudanças: enquanto alguns acreditam 
que elas são promissoras para o avanço 
da realização de estudos no Brasil, 
outros se preocupam com as questões 
éticas e de proteção aos participantes. 
Aqui, vamos discutir sobre as mudanças 
trazendo esses pontos de modificação 
para que possamos entender, de forma 
crítica, as mudanças e suas ambivalências. 
Anteriormente, a regulamentação focava-
se, principalmente, em pesquisas na 
área da saúde. Com a nova lei, qualquer 
área do conhecimento pode ser objeto 
de pesquisa clínica. Por exemplo, agora, 
faz-se possível conduzir ensaios clínicos 
que explorem intervenções em áreas 
como educação ou psicologia, utilizando 
metodologias robustas, antes restritas à 
saúde (Agência Senado Federal, 2024).
Outro ponto que se tem enfatizado 
da PL 6007/2023 diz respeito ao 
estabelecimento de um prazo de 90 dias 
para a Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (ANVISA) analisar pedidos de 
ensaios clínicos. Antes, não se havia 
estabelecido, muito bem, qual o prazo 
estipulado. A ideia dessa mudança veio 
com a intenção de viabilizar, de forma 
mais rápida e padronizada, a avaliação 
de ensaios clínicos e a liberação de 
novos medicamentos para testes em 
humanos em um período mais curto, 
podendo facilitar o acesso a tratamentos 
experimentais (Agência Senado Federal).
Houve, também, uma alteração nas 
questões voltadas para o sistema de 
funcionamento entre CEP-CONEP, um 
dos pontos mais polêmicos. Antes da 
proposta da PL 2007/2023, em pesquisas 
multicêntricas, por exemplo, cada centro de 
pesquisa participante precisava submeter 
o protocolo ao seu próprio Comitê de Ética 
em Pesquisa (CEP) para revisão e aprovação. 
Isso significava que o protocolo da pesquisa 
precisava ser analisado individualmente 
por cada CEP das instituições envolvidas. 
A PL 6007/2023 traz a descentralização e 
uma suposta simplificação do processo de 
aprovação de pesquisas multicêntricas. Veja 
o 5º parágrafo da sessão III dessa PL sobre 
o processo de análise ética de pesquisa:
§ 5º A análiseética da pesquisa 
que envolva mais de um centro de 
pesquisa no País será realizada por 
um único CEP, preferencialmente 
aquele vinculado ao centro 
coordenador da pesquisa, que 
emitirá o parecer e notificará os CEPs 
dos demais centros participantes 
da sua decisão, que deverá ser 
observada por todos e garantirá o 
apoio necessário aos participantes 
da pesquisa (PL600, 2023, p. 20).
28
Esse parágrafo traz uma mudança 
importante, uma vez que a análise 
ética centraliza-se em um único CEP, 
preferencialmente o vinculado ao centro 
coordenador da pesquisa. Esse CEP 
emitiria, portanto, um parecer válido 
para todos os centros participantes. Os 
CEPs dos outros centros seriam apenas 
notificados dessa decisão e não precisariam 
fazer uma nova análise. A intenção 
foi simplificar o processo, reduzindo 
o tempo de aprovação e garantindo a 
uniformidade nas decisões éticas. 
Apesar da tentativa de agilidade em 
processos, muitos pesquisadores vêm 
considerando algumas preocupações, como 
a redução da diversidade de perspectivas 
éticas, uma vez que cada CEP tem um 
conhecimento contextual específico de sua 
instituição e da comunidade local, o que 
pode enriquecer a avaliação ética e garantir 
que a pesquisa se conduza de forma 
adequada para diferentes populações e 
realidades locais, podendo resultar em 
riscos aos participantes dos estudos.
Além das questões processuais dos 
CEPs, há, também, uma discussão sobre 
fornecer tratamento após a finalização das 
pesquisas, especialmente o acesso contínuo 
a tratamentos eficazes identificados durante 
o estudo. O que a legislação brasileira trazia 
era a exigência, aos patrocinadores das 
pesquisas, de fornecerem o tratamento aos 
participantes por um período indefinido, 
enquanto for benéfico. Agora, a nova PL 
propõe que esse fornecimento possa ser 
limitado a um período de cinco anos.
Essa proposta trouxe grandes 
preocupações, uma vez que muitos 
argumentam que cinco anos podem 
ser insuficientes para garantir a saúde 
e o bem-estar dos participantes que se 
beneficiaram do tratamento experimental. 
Além disso, alguns pesquisadores apontam 
que essa mudança poderia afetar, de 
maneira negativa, a confiança do público 
nas pesquisas clínicas realizadas no 
Brasil, já que os participantes poderiam 
ser deixados sem tratamento após esse 
período, mesmo que ele tenha sido 
essencial para a sua condição de saúde.
Com outra visão da PL, pesquisadores 
argumentam que essa medida busca 
equilibrar a responsabilidade dos 
patrocinadores pela sustentabilidade 
econômica dos estudos clínicos, evitando 
que o alto custo de tratamentos contínuos 
desestimule investimentos em pesquisa 
no país. Em março de 2024, a coordenação 
do CONEP emitiu uma carta discutindo as 
questões controversas da PL 6007/2023 
e enfatizando a importância de que 
diferentes órgãos reguladores conversem 
e discutam sobre as questões que possam 
dar brechas às situações que interferem nas 
questões éticas, burocráticas e econômicas. 
29
Veja um trecho, a seguir, desse documento: 
(...) Representantes do Conselho Nacional de 
Saúde (CNS), Ministério da Saúde (MS) e da Conep 
estão em diálogo e negociação com os Senadores, 
para que estimulem o debate sobre o texto 
do PL6007, visando a identificar alternativas 
para que seja contemplada a demanda 
quanto à segurança jurídica na realização de 
pesquisas, sem, no entanto, colocar em risco 
os direitos e a segurança dos participantes de 
pesquisas, salvaguardando os recursos do SUS. 
Dessa forma, contamos com os integrantes 
do Sistema CEP/Conep e os que defendem o 
desenvolvimento científico sustentado pela 
bioética, para que, juntos, possamos debater 
publicamente sobre o PL 6007/2023, em 
todos os espaços de formação e informação, 
e fazer conhecer aos Senadores e Senadoras 
de cada Estado, a importância do trabalho 
realizado pelo Sistema CEP/Conep e os riscos 
que estão envolvidos na eventual aprovação 
do PL 6007/2023. A Conep se disponibiliza 
para participar de eventos e de audiências 
públicas visando a ampliar a comunicação 
e o conhecimento sobre o PL 6007/2023 
(Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, SEI/
MS - 0039318502 – Comunicado, p. 3).
O Projeto de Lei 6007/2023 foi aprovado pelo 
Senado Federal em 23 de abril de 2024, e está, 
atualmente, aguardando a sanção presidencial (até 
o presente momento de confecção deste material). 
Discussões ainda vêm acontecendo, demonstrando 
que o fazer de pesquisa é dinâmico e as questões 
éticas caminham nessa dinamicidade, influenciadas 
pelas questões das vertentes da moral, do direito 
e das realidades econômicas e sociais.
30
• Simplificação e Agilidade no 
Processo de Aprovação: Uma das 
principais mudanças trazidas pelo 
projeto diz respeito à simplificação 
e à desburocratização do processo 
de aprovação de pesquisas clínicas 
no Brasil. Ele propõe prazos 
máximos para a análise e a emissão 
de pareceres por parte dos CEPs 
e da CONEP, com o objetivo de 
tornar o Brasil mais competitivo 
internacionalmente em termos de 
pesquisa e de desenvolvimento de 
novos medicamentos, novas vacinas 
e novas tecnologias de saúde.
• Harmonização com Normas 
Internacionais: O projeto busca 
harmonizar a regulamentação 
brasileira de pesquisa clínica com 
as normas internacionais, como as 
diretrizes da Declaração de Helsinki 
e as boas práticas clínicas (Good 
Clinical Practice - GCP), reconhecidas 
mundialmente. Essa harmonização visa 
a facilitar a cooperação internacional, 
a aumentar a confiança nos dados de 
pesquisa gerados no Brasil e a atrair 
investimentos globais para o setor.
• Transparência e Acesso aos 
Resultados: Promove maior 
transparência nos resultados das 
pesquisas clínicas, estabelecendo 
a obrigatoriedade de registro dos 
estudos em uma base pública nacional 
e internacionalmente reconhecida, 
além de assegurar o acesso público 
aos resultados, independentemente 
de serem positivos ou negativos.
Principais pontos de atenção do Projeto de 
Lei 6007/2023:
• Objetivo e Abrangência: O projeto tem, 
como objetivo principal, regulamentar 
todas as atividades relacionadas à 
pesquisa clínica em seres humanos 
no Brasil, promovendo a proteção 
dos direitos dos participantes, 
garantindo a qualidade científica 
dos estudos e estimulando a 
inovação e o desenvolvimento de 
novas tecnologias de saúde.
• Direitos dos Participantes: Reforça a 
importância da proteção dos direitos 
dos participantes de pesquisa, 
estabelecendo requisitos claros para 
o Consentimento Livre e Esclarecido. 
Deve-se redigir o termo de forma 
acessível, explicando, claramente, os 
riscos, os benefícios, os procedimentos 
e o direito de desistência sem prejuízo. 
O projeto, também, estabelece 
medidas específicas para a proteção 
de grupos vulneráveis, como crianças, 
idosos e pessoas com deficiência.
• Papel dos Comitês de Ética em 
Pesquisa (CEPs) e da CONEP: O projeto 
define novas diretrizes para a atuação 
dos Comitês de Ética em Pesquisa 
(CEPs) e da Comissão Nacional de 
Ética em Pesquisa (CONEP). Visa a 
descentralizar e a agilizar os processos 
de aprovação ética, mantendo um alto 
padrão de avaliação para proteger os 
participantes e para garantir a qualidade 
ética e científica das pesquisas.
31
• Incentivo à Inovação e à Pesquisa: 
O projeto, também, contém disposições 
que incentivam a inovação, criando 
mecanismos para promover parcerias 
público-privadas e para facilitar a 
condução de estudos clínicos no Brasil, 
atraindo mais investimentos no setor. 
• Sanções e Penalidades: Estabelece um 
conjunto de sanções e de penalidades 
para infrações relacionadas às pesquisas 
clínicas, com o intuito de assegurar a 
conformidade às normas estabelecidas. 
Essas penalidades podem variar desde 
advertências até multas significativas, 
dependendo da gravidade da infração.
Impactos do Projeto de Lei 6007/2023
• Para os Pesquisadores e as Instituições 
de Pesquisa: A nova legislação promete 
agilizar o processo de aprovação de 
estudos, reduzira burocracia e aumentar 
a previsibilidade e a segurança jurídica, 
favorecendo um ambiente mais propício 
para realizar pesquisas clínicas.
• Para os Participantes: Fortalece os 
direitos e as garantias dos participantes, 
aumentando a transparência e 
assegurando a condução das pesquisas 
de maneira ética e responsável.
• Para o Setor de Saúde e a Indústria 
Farmacêutica: Com regras mais claras 
e um processo de aprovação mais 
ágil, o Brasil torna-se ambiente mais 
competitivo para realizar pesquisas 
clínicas, atraindo mais investimentos 
e estimulando a inovação no setor.
O Projeto de Lei 6007/2023, ao entrar 
em vigor, marca passo importante para 
fortalecer a pesquisa clínica no Brasil, 
alinhando o país às melhores práticas 
internacionais e buscando o equilíbrio 
entre a proteção dos participantes e a 
promoção da ciência e da inovação em 
saúde. Entretanto, ainda, não temos a 
regulamentação e as respostas de como 
algumas ações se irão desenrolar, tampouco 
como e quando o sistema Plataforma 
Brasil, usado para a submissão ética dos 
projetos, irá ajustar-se para contemplar 
todas as mudanças. Cenas para próximos 
capítulos! Acompanhe as discussões!
32
5. Epidemiologia: Tipos 
de Estudos e Níveis de 
Evidência
A palavra “epidemiologia” deriva-se dos termos 
gregos: epi “sobre”, demos “povo” e logos “estudo”. 
Constitui a ciência que estuda a distribuição e os 
determinantes de condições de saúde e de doenças 
em populações específicas e a aplicação desse 
estudo para controlar problemas de saúde. Ela 
investiga como fatores ambientais, biológicos, sociais, 
comportamentais e genéticos influenciam a saúde e a 
doença. A epidemiologia mostra-se fundamental para 
a saúde pública, pois fornece informações essenciais 
para a prevenção de doenças, o controle de surtos, 
a formulação de políticas de saúde e a melhoria dos 
sistemas de saúde. De acordo com Bonita; Beaglehole; 
Kjellström, 2006, p. 1.
A epidemiologia originou-se das observações 
de Hipócrates feitas há mais de 2000 anos de 
que fatores ambientais influenciam a ocorrência 
de doenças. Entretanto foi somente no século 
XIX que a distribuição das doenças em grupos 
humanos específicos passou a ser medida em 
larga escala. Isso determinou não somente o 
início formal da epidemiologia como também as 
suas mais espetaculares descobertas. Os achados 
de John Snow de que o risco de contrair cólera em 
Londres estava relacionado ao consumo de água 
proveniente de uma determinada companhia, 
(...) foram apenas um dos aspectos de uma 
série abrangente de investigações que incluiu o 
exame de processos físicos, químicos, biológicos, 
sociológicos e políticos.
33
Primeiras observações epidemiológicas
“John Snow identificou o local de moradia de cada pessoa que morreu por cólera 
em Londres entre 1848-49 e 1853-54 e notou uma evidente associação entre a 
origem da água utilizada para beber e as mortes ocorridas. A partir disso, Snow 
comparou o número de óbitos por cólera em áreas abastecidas por diferentes 
companhias e verificou que a taxa de mortes foi mais alta entre as pessoas 
que consumiam água fornecida pela companhia Southwark. Baseado nessa sua 
investigação, Snow construiu a teoria sobre a transmissão das doenças infecciosas 
em geral e sugeriu que a cólera era disseminada através da água contaminada. 
Dessa forma, foi capaz de propor melhorias no suprimento de água, mesmo 
antes da descoberta do micro-organismo causador da cólera; além disso, sua 
pesquisa teve impacto direto sobre as políticas públicas de saúde. O trabalho 
de Snow relembra que medidas de saúde pública, tais como melhorias no 
abastecimento de água e saneamento, têm trazido enormes contribuições para 
a saúde das populações. Ficou, ainda, demonstrado que, desde 1850, estudos 
epidemiológicos têm identificado medidas apropriadas a serem adotadas em saúde 
pública. Entretanto epidemias de cólera são ainda frequentes nas populações 
pobres, especialmente em países em desenvolvimento. Em 2006, houve, em 
Angola, 40 mil casos de cólera com 1.600 óbitos, enquanto no Sudão foram 
13.852 casos e 516 mortes, somente nos primeiros meses do mesmo ano”.
Trecho retirado do livro mencionado anteriormente.
Figura 3 - Óbitos por cólera na área central de Londres, setembro de 1854
Fonte: mapa extraído de Bonita; Beaglehole; Kjellström, 2006. Disponível em https://iris.who.int/bitstream/hand-
le/10665/43541/9788572888394_por.pdf?sequence=5&isAllowed=y. Acesso em: 12 jan. 2025.
34
Principais Áreas da Epidemiologia
• Epidemiologia Descritiva: Foca 
em descrever a ocorrência de 
doenças e as condições de saúde 
em termos de tempo, de lugar e de 
pessoa. Isso inclui a identificação de 
padrões de saúde e de doença em 
diferentes grupos populacionais e a 
análise de tendências temporais.
• Epidemiologia Analítica: Busca 
entender os fatores ou os determinantes 
que influenciam a ocorrência de 
doenças. Utiliza estudos observacionais 
(coorte, caso-controle, seccionais) 
e estudos experimentais (ensaios 
clínicos) para testar hipóteses e para 
identificar associações causais.
• Epidemiologia Experimental: 
Envolve a manipulação direta de 
variáveis para estudar os efeitos de 
uma intervenção na saúde de uma 
população. Um exemplo comum é o 
ensaio clínico randomizado, usado 
para testar a eficácia de tratamentos 
ou de intervenções preventivas.
• Epidemiologia de Serviços de 
Saúde: Avalia a efetividade, a 
eficiência e a equidade dos serviços 
de saúde, buscando compreender 
como as intervenções em saúde 
afetam as populações e como 
podem ser melhoradas
• Epidemiologia Social: Estuda 
como fatores sociais, como 
classe social, racismo, gênero e 
condições econômicas, influenciam 
a distribuição de doenças e os 
determinantes de saúde.
A epidemiologia é crucial para:
• Identificação de fatores de 
risco: Ajudar a entender quais 
fatores (como comportamentos, 
exposição a agentes infecciosos ou 
características genéticas) se associam 
ao aumento no risco de doenças.
• Desenvolvimento de políticas de 
saúde pública: Informar a criação de 
estratégias eficazes de prevenção 
e de controle de doenças, como 
campanhas de vacinação ou programas 
de cessação do tabagismo.
• Gestão de surtos: Identificar, 
rapidamente, a fonte e o modo de 
transmissão de surtos e de epidemias 
(como no caso da COVID-19) e ajudar 
na implementação de medidas 
para proteger a saúde pública.
• Monitoramento e avaliação: Monitorar 
as tendências de saúde ao longo 
do tempo e avaliar a eficácia das 
intervenções de saúde pública.
Conceitos Fundamentais da Epidemiologia
A epidemiologia constitui o estudo 
da distribuição e dos determinantes 
dos eventos relacionados à saúde em 
populações específicas e a aplicação desse 
estudo para controlar problemas de saúde. 
Aqui se encontram alguns dos conceitos 
mais importantes em epidemiologia:
Estatística: A ciência que se ocupa 
da coleta, da análise, da interpretação, 
da apresentação e da organização de 
dados. Ela é usada para descrever e 
inferir características de uma população 
com base em dados de amostras.
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Estatística Descritiva: Utilizada para 
resumir ou descrever características 
de um conjunto de dados, por 
meio de médias, medianas, desvios 
padrão, tabelas e gráficos.
Estatística Inferencial: Utilizada para tirar 
conclusões sobre uma população com 
base em uma amostra, utilizando testes 
de hipóteses, intervalos de confiança, 
análise de regressão, entre outros.
A estatística fornece ferramentas 
essenciais para interpretar dados de 
maneira objetiva e rigorosa, permitindo 
conclusões válidas e aplicáveis em 
contextos científicos e de saúde pública.
Bioestatística: É um ramo da estatística 
focado na aplicação de métodos 
estatísticos a problemas biológicos, 
médicos e de saúde pública. Ela abrange 
a concepção de estudos experimentais 
e observacionais, a análise de dados de 
saúde e a interpretação dos resultados 
no contexto da biologia e da medicina.

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