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Universidade de Caxias do Sul Centro de Ciências da Saúde Curso de Licenciatura em Educação Física Aprendizagem Motora Prof. Dr. Gerard Maurício Martins Fonseca SEQUÊNCIA PEDAGÓGICA DO TOQUE NO VOLEIBOL: INICIAÇÃO NAS ESCOLAS. Eduarda Salles de Bispo Frederico Brites Introdução: O Americano William George Morgan foi o iventor do voleibol, diretor de educação física da Associação Cristã da Mocidade (ACM), em 1895 nos Estados Unidos, na cidade de Holyoke, em Massachusets. O voleibol era conhecido na época como mintonette, foi criado com o objetivo de ser um esporte que não houvesse contato físico, e os jogos eram realizados com câmeras das bolas de basquete. Desde então esse esporte se difundiu através do mundo e sofreu muitas adaptações desde a sua criação até os dias atuais. (BIZZOCCHI, 2013). Atualmente o voleibol é um dos conteúdos mais trabalhados pela disciplina de educação física nas escolas brasileiras. Segundo Suvorov e Grishin (1998, p.13), “as aulas de voleibol para as crianças e adolescentes possuem objetivos que vão além do simples exercício de gestos desportivos e/ou movimentos táticos”. Os fundamentos do voleibol como a manchete, toque, saque por baixo, saque por cima e cortada, são ensinados os princípios de formação inicial, movimentos de acordo com as situações de jogo, cooperação com o colega, observação do oponente e posicionamento na quadra, bem como contínuo desenvolvimento de preparação física básica, através de movimentos rápidos na direção da bola, saltos e deslocamentos de diferentes formas. (SANTOS, 1999). O voleibol na escola, quando bem trabalhada nas crianças dos seis aos onze anos coloca a sua inteligência ao serviço da ampliação da sua consciência é neste período, a inteligência vai-se aproximando da sua plenitude e pode ser definida como a faculdade com que elaboramos os novos conhecimentos adquiridos, assimilando do que nosso corpo é capaz de fazer, recebendo estímulos e incentivos para realizar toda e qualquer atividade proposta pelos professores. Para desenvolver as habilidades solicitadas no vôlei o professor deve lembrar que os alunos possuem uma boa capacidade de recepção e são capazes de simular os movimentos e maneiras dos outros, assim como copiar tudo aquilo que gostam, então o professor deve passar exercícios técnicos e táticos, demonstrando a sua realização com objetivo de aperfeiçoar as qualidades de cada aluno realizadas em grupo ou individualmente. Todo o exercício para desenvolver as habilidades motoras tem uma relação mútua e encontra-se em uma determinada seqüencia pedagógica e prioridade no processo educativo e no treinamento desportivo. Neste sentido, para a elaboração de métodos de ensino, os profissionais da Educação Física precisarão começar sempre do mais simples para o mais difícil, ensinando, primeiramente, os principais fundamentos que compõem essa modalidade esportiva, para depois iniciar os jogos, aprendendo os gestos técnicos (manchete, toque, saque por baixo, saque por cima e a cortada) com exercícios analíticos em contextos fechados, para após desempenhar os fundamentos em um ambiente mais aberto, isto é, em jogos formalizados ou em formas jogadas. Desenvolvimento: No voleibol o toque é o fundamento mais característico do jogo, dependendo da forma de execução, e objetivo do toque, pode ser em forma de levantamento ou na recepção de saque. Desta forma descrevemos alguns exercícios de iniciação na modalidade do toque, que será aplicado em uma sequencia pedagógica, ou seja, do mais fácil para o mais difícil, acompanhando o ritmo de aprendizagem dos praticantes, para não sobrecarregar os mesmos. O primeiro exercício proposto será com os alunos dispersos na quadra de voleibol, cada um com um balão cheio, deverão executar o movimento de toque sem deixar que o mesmo caia no chão, assim poderão desenvolver a noção de espaço e tempo, entre um toque e outro, Neste exercício esta presente a antecipação motora espacial aonde envolve a mudança de trajetória do balão já que os alunos terão que prever em qual direção ira o balão, conforme Schmidt e Wrisberg (2001), prever o que ocorrera no espaço da atividade permitira ao aluno organizar seus movimentos antecipadamente, facilitando a execução. Durante a execução do mesmo exercício o professor aumentara a complexidade onde os alunos passarão a saltar executando o toque provocando uma variação em relação a primeira atividade. O movimento executado neste exercício pode ser caracterizado como habilidade motora ampla, por envolver a grande musculatura do corpo. Dentro deste exercício é possível observar que a habilidade motora é seriada, onde o aluno teve que controlar mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou seja, o aluno teve que saltar controlar o balão. O segundo exercício é de entrada sobre a bola, em duplas, com os joelhos e cotovelos devem estar semi-flexionados, os membros inferiores com um afastamento suficiente para proporcionar equilíbrio ao corpo, a bola deve estar exatamente acima da cabeça no momento do contato. Um pé deverá estar ligeiramente à frente do outro, as mãos devem estar com os dedos estendidos, com um formato arredondado para melhor acomodar a curvatura da bola. O contato com a bola deve ser feito com a parte interna dos dedos, com uma pequena flexão do punho. Os dedos devem encaixar perfeitamente na bola, como se fossem segurá-la. Neste segundo exercício observa–se que a habilidade é ampla, por trabalhar a grande musculatura corporal, nela também observamos a presença de uma habilidade motora aberta, em relação a estabilidade do ambiente, ou seja, tudo dependera de como o aluno realizara o toque ao seu colega, e quanto ha organização do exercício consideramos uma habilidade motora discreta pois apresenta pontos bem definidos do inicio ao fim da tarefa. No terceiro exercício, os alunos formarão duplas executando o primeiro toque de frente e o segundo de toque de costas, é o toque mais difícil de ser executado (toque de costas), pela dificuldade de visualização atrás do corpo. O contato com a bola procede-se da mesma forma do toque de frente. Porém no início da extensão dos membros do corpo para empurrar a bola para cima, as palmas das mãos e os dedos devem voltar-se para cima e para trás, e assim facilitar o caminho da bola. No final da extensão dos membros do corpo, o quadril está ligeiramente à frente, tendo o corpo a possível forma de um arco e os braços acompanham o movimento, terminando-se a extensão acima da cabeça que sempre deverá acompanhar a trajetória da bola. Podemos observar que este exercício exige atenção e bom domínio motor para uma boa execução da tarefa, esta habilidade é ampla pela coordenação dos gestos e envolve a grande musculatura corporal, e por apresentar características e presença de pontos de início e fim bem definidos durante a realização, é uma habilidade motora discreta. Dentro do ambiente (quadra) por não sofrer alterações, podemos defini-la como uma habilidade motora fechada onde o ambiente é estável. Considerações finais: Observamos com essa sequencia pedagógica que para ser um bom educador é necessário conhecer as necessidades dos seus educandos, assim cada professor deve procurar situações de ensino que busquem o interesse do aluno em aprender, despertar a curiosidade dos alunos nem sempre é uma tarefa fácil, mas com dedicação e persistência isso não será impossível, é de extrema importância da parte do professor entender e buscar no aluno as suas principais habilidades, criando perturbações na sequencia pedagógica para um maior objetivo a ser alcançado da melhor maneira possível. Torna-se fundamental, que o professor de Educação física, observe os avanços que o aluno vem tendo ao realizar as atividades físicas e faça intervenções quando necessário. Entretanto de acordo com Maciel (2012, p. 29) a aprendizagem pode ser tudo aquilo que a criança sabe, ou seja, tudo que ela traz de suas experiências vivenciadas e mobilizaelaborar novos conceitos. É importante que se proponham atividades referentes ao nível de desenvolvimento dos alunos, caso isso não aconteça, as crianças ficaram frustradas e não alcançaram os objetivos propostos pelo professor. Quando ocorre algum tipo de frustração, principalmente com alunos desta idade, é muito difícil fazer com que as mesmas voltem a ter vontade de praticar e participar das aulas, pois terão medo de errar novamente. Portanto destaca-se a importância na escolha das atividades, no planejamento da sequencia da aula, o incentivo do professor, como fator motivacional. REFERÊNCIAS: BIZZOCCCHI, Caca; O Voleibol de alto nível: Da iniciação à competição. São Paulo: Manole, 2013. EBERT, Marcio; Fases do desenvolvimento psicomotor. SUVOROV, Y. P.; GRISHIN, O. N. Voleibol Iniciação. 3. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 1998. 262 p. SANTOS, M. A. G. N; dos. Mini-voleibol: um caminho para a iniciação. Sprint Magazine, mar/abr, p. 8-13, 1999. MACIEL, Rochele Rita Andreazza. Linguagem poética e corporal. Caxias do Sul, RS: EDUCS, 2012. SCHMIDT, Richard A.; WRISBERG, Craig A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2001. 331p. http://educador.brasilescola.com/orientacoes/relacao-professoraluno.htm acessado em 29/05/2015 as 12:33 http://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil.htm acessado em 30/05/15 as 08:52 http://www.fsma.edu.br/visoes/ed02/Ed02_2Artigo1_IR_Regina.pdf acessado em 30/05/2015 as 10:22