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Conteudista: Prof. Dr. Emílio Telles de Sá Moreira INTRODUÇÃO GERAL: ASPECTOS ÉTICOS E CONCEITOS BÁSICOS COLETA E PROCESSAMENTO DE AMOSTRAS SANGUÍNEAS – FLEBOTOMIA E COLETA CAPILAR COLETA E PROCESSAMENTO DE AMOSTRAS DE URINA URINÁLISE 📄 Introdução ao Tema 📄 A�vidade Prá�ca 📄 Material Complementar 📄 Introdução ao Tema 📄 A�vidade Prá�ca 📄 Material Complementar Prática de Coleta e Processamento de Amostras Biológicas 📄 Introdução ao Tema 📄 A�vidade Prá�ca 📄 Material Complementar 📄 Referências Ao longo da história, pode-se observar documentalmente a busca por registrar diferentes fenomenologias associadas ao aparecimento/caracterização de enfermidades, desde aquelas que ofereceriam poucos riscos à integridade/integralidade da pessoa humana, até às patologias que ofereceram (e podem oferecer até hoje) maior gravidade e risco à vida. Ao passo em que se caminhava, lentamente, a documentação de diferentes etiologias e fisiopatologias, também se buscava uma forma de padronizar e encontrar um denominador comum, que pudesse definir o(s) conceito(s) de saúde. Conceitos que são recuperados, revisitados, questionados, confrontados, aprofundados e, por fim, redefinidos quando necessário. Desta forma, as possíveis definições de saúde refletem diferentes conjunturas culturais – valores éticos e morais, organização social, economia, interações com outros povos, desenvolvimento de atividade filosófica, atividade política e, tão importante quanto, o desenvolvimento científico – de seu tempo e, graças aos esforços individuais de diversos filósofos e cientistas das mais diversas áreas, é possível mapear documentos, artigos e livros, contextualizá-los perante a respectiva realidade passada e, finalmente, identificar pilares que auxiliarão na construção/atualização das definições mais recentes. É importante evidenciar que erros são possíveis e, aos leitores desta unidade, Quia parvus error in principio magnus est in fine – um pequeno erro no princípio é um grande, ao final (De Ente et Essentia – Tomás de Aquino) . A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como “um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença” (OMS, 1947) . Esta Página 1 de 10 📄 Introdução ao Tema definição permanece a melhor aceita perante a comunidade acadêmico-científica, embora este conceito proposto já esteja sendo revisitado. Compreende-se de maneira mais adequada a saúde como um equilíbrio dinâmico – semelhante às proposições conceituais da homeostasia –, contemplando o pleno funcionamento orgânico- fisiológico e a unidade da pessoa humana, a psique em nível individual, e a relação do indivíduo e a sua circunstância/ambiente. Desta forma, destacam-se quatro dimensões da saúde que se entrelaçam, permeando-se desde seu significado ontológico até sua materialidade corporal, são elas: a dimensão orgânica, a psíquica/mental, a ecológica-social e a dimensão ética (Sgreccia, 2014). Entre os princípios fundamentais da ética médica – que também se aplica à prática laboratorial diagnóstica –, compreende-se que a materialidade da corporeidade humana é um todo unitário resultante da estruturação complementar e indissolúvel de “partes” distintas, constituindo uma unidade orgânica e hierárquica. Na prática laboratorial diagnóstica, fundamentalmente, esse princípio regula a licitude da cessão de amostras biológicas por parte dos pacientes, para fins diagnósticos e, invariavelmente, aquela amostra biológica torna-se a representação do paciente que almeja acompanhar seu estado de saúde e/ou recuperá-la [saúde], quando em caso de patologias estabelecidas (Sgreccia, 2014). A saúde é um pilar fundamental no imaginário comum, desde indivíduos que simplesmente almejam uma vida mais saudável e a ausência de doenças, até o planejamento estratégico e financeiro de instituições governamentais e órgãos supranacionais, que atuam na coleta de dados, produção documental, conscientização populacional, promoção da saúde e na disponibilização terapêutica, com o objetivo de recuperar os pacientes de determinadas doenças prevalentes. Instituída pela Lei nº 5.532/1967 , ao quinto dia do mês de agosto, celebra-se o Dia Nacional da Saúde, com o objetivo de promover a consciência do valor da saúde e em conformidade às Leis 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde); a Lei 14.758/2023; e a Lei 14.977 ; O Sistema Único de Saúde (SUS) tem como objetivo promover e proteger a saúde de brasileiros natos e naturalizados, e dispor-se dos meios necessários para estabelecer o funcionamento dos serviços de atendimento à população. Hospitais, laboratórios, centros e postos de saúde são exemplos de estabelecimentos para prestação de serviços e realização de ações de saúde. Além disso, o complexo da indústria farmacêutica, a cooperação entre instituições públicas e privadas, e as instituições públicas, como o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde (estaduais e municipais) também atuam em níveis distintos, desde a pesquisa básica e aplicada, a produção de fármacos e vacinas, o desenvolvimento de reagentes, kits diagnósticos, equipamentos e softwares, até o planejamento estratégico de ações de curto, médio e longo prazo, que visem a contemplação da missão/objetivos/deveres do SUS, de forma confiável, rastreável, reprodutível e escalável. Quanto aos princípios e diretrizes do SUS para serviços de apoio diagnóstico, deve-se garantir o acesso, a equidade, a integralidade e a universalidade dos serviços prestados, através de diretrizes políticas claras e objetivas, que promovam a saúde da população. Quanto a organização e operacionalização dos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT), as diretrizes incluem a descentralização e regionalização, reconhecendo o caráter de apoio das atividades diagnósticas associadas à Estratégia de Saúde da Família (ESF), nos postos de saúde, policlínicas, ambulatórios e hospitais (Organização da Rede de Laboratórios Clínicos, 2001). O Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública tem sua estruturação baseando-se no grau de complexidade e hierarquizados por agravos e programas associados à Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária e Saúde do Trabalhador (Pilavdjian, Mendes, 2023) . Entre os principais recursos utilizados na prática clínica, os exames laboratoriais auxiliam ao identificar marcadores presentes em amostras biológicas, como o sangue, que indicam a presença de inflamação, acometimento de órgãos e a presença de agentes infecciosos. Desta forma, dando suporte importante no cuidado ao paciente. Boas Práticas de Laboratório (BPL), Biossegurança e Fases do Exame Laboratorial Levando-se em consideração que a prática da Patologia Clínica (Análises Clínicas) se baseia no princípio lógico da metodologia científica, o processo requer um itinerário bastante preciso de eventos: a observação de fenômenos; a proposição de hipótese(s) interpretativa(s); a coleta, acondicionamento e de amostra(s) biológica(s); a verificação experimental, a interpretação dos resultados e, finalmente, o “confronto” entre os resultados e a hipótese proposta, podendo esta ser confirmada, requerer aprofundamento metodológico e outras técnicas para confirmação ou refutada, exigindo um novo olhar e reinício desse itinerário metodológico. Assim, a acreditação e a confiabilidade de um diagnóstico clínico dependem de uma extensa lista de variáveis, como por exemplo: A condição fisiopatológica do paciente no momento da coleta da amostra biológica a ser testada; O pedido médico, a preparação adequada do paciente para a realização do exame e o possível uso contínuo/terapêutico de fármacos; A preparação do profissional que realizará a coleta; O tipo de amostra biológica e a metodologia de coleta (segundo o respectivo procedimento operacional padrão – POP); A identificação adequada do paciente nos insumos utilizados; O acondicionamento adequado da amostra, previamente ao início das análises laboratoriais; Asensibilidade e a calibração dos equipamentos e/ou kits que serão utilizados na metodologia; A descrição qualitativa e quantitativa dos resultados, segundo os valores de referência; A emissão do laudo. Naturalmente, todos as etapas citadas previamente estão suscetíveis a erros de processo e, então, podem alterar os resultados diagnósticos. Assim, é essencial a estruturação de protocolos de análise e gestão de riscos, de forma que possam ser identificados, compreendidos e sanados, para restabelecimento das operações de rotina laboratorial e, sempre que necessário, atualizado no Procedimento Operacional Padrão (P.O.P). Os fatores/erros são convencionalmente estruturados em três categorias: Tabela 1 – Fatores capazes de alterar resultados de exames diagnósticos Pré- analíticos Erros que ocorrem previamente a análise da amostra biológica. Pode ocorrer dentro ou fora do ambiente laboratorial Fatores Técnicos: Identificação do paciente; preparação adequada do paciente; coleta, acondicionamento e transporte adequado da amostra biológica Fatores Biológicos: Idade; etnia; sexo; peso; altura; estresse; hábitos pessoais; uso de medicamentos; (...) Analíticos Erros que ocorrem durante as análises previstas para experimentação com a amostra biológica Faixa analítica Precisão Reprodutibilidade (desvio padrão) Especificidade e interferência Pós analíticos Erros que podem ocorrer após as Exemplo: realização de cálculos para a conclusão análises laboratoriais do resultado; transferência de dados de forma manual; emissão do laudo; arquivos salvos em formatos inadequados (corrompidos); etc. Fonte: Adaptado de Marshall, W. J. et al (2016) De acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC/ML) , a fase pré- analítica detém, aproximadamente, 70% do total de erros ocorridos nos Laboratórios Clínicos, embora a comprovação desta afirmação tenha exequibilidade inviável, a emergência de novas tecnologias, equipamentos e automatizações de procedimentos na fase analítica é patente e convoca-nos à profunda reflexão. Considerando-se a probabilidade de erros que possam ocorrer em diferentes etapas do processo analítico, os laboratórios estão submetidos a diferentes normativas e legislações, nacionais e internacionais, que prezam pelo controle de qualidade, pela biossegurança e pela responsabilidade em todos as etapas do processo. Tabela 2 – Normativas e regulamentações importantes ao funcionamento do laboratório de análises clínicas Ato normativo/ Legislação/ Resolução Ementa Órgão Emissor NBR 14785 Laboratório clínico – Requisitos de segurança Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) RDC 302/2005 Dispõe sobre Regulamento Técnico para funcionamento de Laboratórios Clínicos Ministério da Saúde (MS) / Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) RDC 11/2012 Dispõe sobre o funcionamento de laboratórios analíticos que realizam análises em produtos sujeitos à Vigilância Sanitária e dá outras providências. MS / Anvisa RDC 390/2020 Estabelece critérios, requisitos e procedimentos para o funcionamento, a MS / Anvisa habilitação na Reblas e o credenciamento de laboratórios analíticos que realizam análises em produtos sujeitos ao regime de vigilância sanitária e dá outras providências. RDC 512/2021 Dispõe sobre as Boas Práticas para Laboratórios de Controle de Qualidade. MS / Anvisa ISO 15190:2020 Laboratórios Médicos – Requisitos para segurança International Standard Organization (ISO) ISO/IEC 17025 Laboratórios de testagem e calibração International Standard Organization (ISO) Lei Nº 7.135/1983 Altera a redação da Lei nº 6.686, de 11 de setembro de 1979, que Congresso Nacional – dispõe sobre o exercício da análise clínico- laboratorial, e determina outras providências; Poder Legislativo DECRETO Nº 88.439/1983 Dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de biomédico de acordo com a Lei nº 6.684, de 03 de setembro de 1979 e de conformidade com a alteração estabelecida pela Lei nº 7.017, de 30 de agosto de 1982 Poder Executivo RESOLUÇÃO Nº 347/2022 Dispõe sobre solicitação de exames laboratoriais em áreas específicas da biomedicina Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) Entre as medidas tomadas por laboratórios, as Boas Práticas de Laboratório e a Biossegurança estabelecem que o laboratório analítico deve: Produzir dados analíticos de alta qualidade, por meio de metodologias analíticas precisas, exatas, reprodutíveis e adequadas para o devido analito; Possuir programas de manutenção da infraestrutura, registro dos profissionais, do nível de biossegurança, equipamentos e patrimônios, controle de reagentes e insumos, limpeza periódica e adequada gestão de resíduos; Prover as condições necessárias para prevenir, controlar, reduzir e/ou eliminar os fatores de risco inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e vegetal, o meio ambiente e a qualidade do trabalho realizado – gestão de resíduos; Criar programas de treinamento e conscientização, com a finalidade de evitar acidentes de trabalho no laboratório e, no caso de ocorrências, como proceder com a vítima do acidente; Identificar e classificar as áreas experimentais e os riscos inerentes àquela área do laboratório; Implementar, normatizar e padronizar procedimentos em Biossegurança; Fornecer os Equipamentos de Proteção para realização da atividade laboratorial – individual (EPI) e coletiva (EPC). Para melhor compreensão, seguem algumas definições básicas, necessárias à compreensão das legislações, decretos, atos normativos e manuais de atividade em laboratórios de patologia clínica: Laboratório: local de execução de análises de natureza química e/ou biológica; Amostra biológica: material coletado ou produto apresentado ao laboratório para análise. São consideradas amostras biológicas de material humano: sangue, urina, fezes, suor, lágrima, líquido de origem linfática, escarro, sêmen, secreção vaginal, raspado epitelial de mucosa ou lesão, secreção de mucosa nasal, mamilar e uretral, swab nasal e anal, coleta por escarificação de lesão seca/swab em lesão úmida e de pelos e de qualquer outro material humano necessário para exame diagnóstico; Materiais e reagentes: materiais adequados para utilização em coletas, reações, medições ou exame de propriedades qualitativas; Análise ou ensaio: experimento a ser realizado que evidenciará um resultado objetivamente qualitativo e/ou quantitativo; Procedimentos Técnicos Especiais: exequibilidade de procedimentos de coleta que exijam etapas prévias a coleta da amostra, como administração de substâncias ou medicamentos, necessitando de supervisão no local por profissionais da área da saúde legalmente competentes ao exercício profissional; Para realização de protocolos de coleta de amostras biológicas que não necessitem de procedimento cirúrgico, a RDC 50/2002 (MS/Anvisa) determina que os estabelecimentos possuam box de coleta com dimensão mínima de 1,5 m²/ box de coleta; piso liso, sem frestas e de fácil higienização-descontaminação; ter pia para lavagem de mãos; possuir local de apoio (mesa, bancada etc.) aos materiais de coleta e amostra biológica coletada; local para posicionar adequadamente o paciente sentado e/ou deitado; e possuir superfícies suscetíveis a protocolos de lavagem e descontaminação; os estabelecimentos devem contar com área para registro de pacientes; sanitários; número de braçadeiras para realização de coletas; e insumos para coleta disponíveis de forma organizada e em quantidade suficiente. Atividade Prática 1: Protocolo de Lavagem e Descontaminação das Mãos para Execução de Procedimentos de Coleta As mãos dos profissionais da área da saúde podem ser higienizadas com água e sabonete; soluções alcoólicas, sob forma de gel ou líquido; e agentes antissépticos degermantes. Segue abaixo um protocolo adequado para higienização dasmãos: 1. Abrir a torneira e molhar as mãos, evitando contato com a pia de lavagem; 2. Aplique o sabonete líquido sobre a palma da mão; 3. Friccione as palmas das mãos; 4. Friccione a palma da mão direita sobre o dorso da mão esquerda, entrelaçando os dedos, e vice-versa; 5. Esfregue o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta; 6. Esfregue os polegares; 7. Friccione as polpas digitais e as unhas da mão direita contra a palma da mão esquerda, e vice-versa; 8. Esfregue o punho; 9. Enxague as mãos, removendo o sabonete, evitando contato direto das mõs ensaboadas com a torneira; 10. Seque as mãos com papel toalha descartável; Página 2 de 10 📄 Atividade Prática 11. Aplique solução alcoólica (ou gel alcoólico) 70% suficiente para cobrir a superfície das mãos; 12. Repita os passos 3 até o 8; 13. Não utilize papel toalha e aguarde a evaporação/secagem natural da solução de álcool 70%; 14. Lembre-se, para a realização de coletas, sempre utilize os EPIs adequados: jaleco, luvas, máscara, pró-pés e touca. Figura 1 Fonte: Adaptada Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem contém oito ilustrações circulares, dispostas em duas linhas de quatro, mostrando o processo de higienização das mãos. Cada ilustração tem um fundo azul-claro e apresenta mãos realizando diferentes etapas da lavagem com sabão. Primeira imagem (superior esquerda): Uma mão aperta o dosador de um frasco de sabonete líquido, derramando uma quantidade sobre a palma da outra mão. Segunda imagem: As duas mãos se juntam, esfregando as palmas uma contra a outra para espalhar o sabão. Terceira imagem: As palmas continuam a ser esfregadas, agora com os dedos entrelaçados, garantindo que o sabão alcance os espaços entre eles. Quarta imagem: Uma das mãos está fechada ao redor da outra, esfregando os dedos e a parte de trás da mão. Quinta imagem (inferior esquerda): As mãos continuam o processo, agora focando na limpeza do polegar, girando-o dentro da palma da outra mão. Sexta imagem: As pontas dos dedos de uma mão esfregam a palma da outra, garantindo limpeza embaixo das unhas. Sétima imagem: As mãos estão ainda ensaboadas, realizando movimentos circulares para reforçar a higienização. Oitava imagem (inferior direita): Uma das mãos segura o pulso da outra, esfregando-o com sabão para completar a higienização. Essa ilustração representa um guia visual passo a passo para a lavagem correta das mãos, um procedimento essencial para a higiene e prevenção de doenças. Fim da Descrição. Atividade Prática 2: Avaliação da Eficácia dos Protocolos de lavagem e descontaminação das mãos Materiais necessários: Placa de petri contendo meio PCA; Cotonetes; Estufa bacteriológica, à 37ºC; Fluxo laminar ou bico de Bunsen. Protocolo de usabilidade do fluxo laminar: Descontamine o fluxo laminar borrifando álcool 70% (líquido) e secando-o com papel; ligue a exaustão; Descontamine os insumos que serão alocados no interior do fluxo laminar, borrifando-os com álcool 70% (líquido) e alocando-os no interior do fluxo laminar ligado; Ligue a luz ultravioleta (UV) ligada por 15 minutos; Após 15 minutos, desligue a luz UV, ligue a luz branca e prossiga aos procedimentos abaixo: Protocolo teste 01 – Mãos sujas: Solicite a um participante que não lave as mãos; Passe o cotonete sobre toda a superfície das mãos do participante; Aplique a amostra na placa de perti contendo meio PCA, realizando a técnica de semeadura; Feche a placa e identifique-a; Coloque a placa fechada na estufa bacteriológica. Figura 2 Fonte: Adaptada Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem mostra uma mão enluvada de azul segurando uma placa de Petri transparente contendo um meio de cultura amarelo. Sobre a superfície do meio de cultura, há várias estrias formadas por colônias de bactérias, que aparecem como linhas amareladas mais densas em algumas áreas e mais espaçadas em outras. Essas estrias seguem um padrão típico de inoculação microbiológica, onde um instrumento estéril, como uma alça de inoculação, é usado para espalhar microrganismos na placa a fim de permitir o crescimento de colônias isoladas. O fundo da imagem é branco, proporcionando um contraste claro entre a placa de Petri e a mão enluvada, o que sugere um ambiente laboratorial limpo e controlado. A imagem simboliza estudos microbiológicos, pesquisas científicas e testes laboratoriais relacionados a bactérias e outros microrganismos. Fim da Descrição. Protocolo teste 02 – Mãos devidamente higienizadas: 1. Solicite ao mesmo participante que lave e descontamine as mãos seguindo o protocolo descrito na Atividade Prática 01: Protocolo de lavagem e descontaminação das mãos para execução de procedimentos de coleta; 2. Com um novo cotonete, passe-o sobre toda a superfície das mãos do participante; 3. Aplique a amostra na placa de petri contendo meio PCA, realizando a técnica de semeadura; 4. Feche a placa e identifique-a; 5. Coloque a placa fechada na estufa bacteriológica. Deixar as placas na estufa (de 1 a 7 dias); Após, retirá-las da estufa e anotar o resultado comparando a placa do Protocolo teste 01 e o Protocolo Teste 02. Resultado esperado: A placa de petri do protocolo teste 01 terá maior crescimento fúngico e bacteriológico, quando comparado ao protocolo teste 02, onde as mãos do participante passaram por um protocolo de lavagem e descontaminação. É importante ressaltar que pode haver crescimento fúngico e bacteriológico na placa do protocolo teste 02, pois, pode haver contaminação decorrente de fungos e bactérias presentes no ar, no próprio cotonete, ou que sobreviveram após o protocolo de lavagem e descontaminação das mãos. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leituras Laboratório Clínico – Requisitos de Segurança Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Resolução Nº 302, de 13 de outubro de 2005 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Página 3 de 10 📄 Material Complementar https://w2.fop.unicamp.br/cibio/downloads/nbr_14785.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2005/res0302_13_10_2005.html Resolução – RDC N° 11, de 16 de fevereiro de 2012 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Resolução de Diretoria Colegiada – RDC Nº 390, de 26 de maio de 2020 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Resulução RDC Nº 512, de 27 de maio de 2021 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Medical Laboratories – Requirements for Safety Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Testing and Calibration Laboratories https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/res0011_16_02_2012.html https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-de-diretoria-colegiada-rdc-n-390-de-26-de-maio-de-2020-258911913 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-512-de-27-de-maio-de-2021-322975673 https://www.iso.org/standard/72191.html Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Lei Nº 7.135, de 26 de outubro de 1983 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Decreto Nº 88.439, de 28 de junho de 1983 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Resolução Nº 347, de 7 de abril de 2022 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://www.iso.org/ISO-IEC-17025-testing-and-calibration-laboratories.html https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1980-1987/lei-7135-26-outubro-1983-367936-publicacaooriginal-1-pl.html https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1980-1987/decreto-88439-28-junho-1983-438429-norma-pe.html https://cfbm.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/RESOLUCAO-CFBM-No-347-DE-7-DE-ABRIL-DE-2022.pdf Coleta e Processamento de Amostras Sanguíneas – Flebotomia e Coleta Capilar O sangue é um tecido fluido que circula em um sistema fechado, o aparelho cardiovascular, que o mantém em movimento rítmico e unidirecional, deslocando-se por toda vasculatura, permeando todos os órgãos e tecidos do corpo. Em um indivíduo normal, aproximadamente 7% do peso corporal corresponde ao volume total de sangue. Por ser um tecido, o sangue possui estruturascelulares (eritrócitos e leucócitos) e uma matriz fluida, ao qual recebe o nome de plasma, formada por conteúdos acelulares, como proteínas, sais inorgânicos, água e outras substâncias, como produtos de metabolismo etc. Desta forma, o sangue é capaz de disponibilizar diferentes componentes que podem ser analisados em laboratório, e que podem ser associados a diferentes estados de saúde do paciente. Desta forma, a coleta de amostra sanguínea – mais especificamente, sangue venoso – é amplamente praticada na rotina laboratorial e, entre os exames de rotina mais utilizados, o Hemograma Completo é um dos requisitados para acompanhamento do estado de saúde. O hemograma completo compreende a contagem celular (eritrócitos, reticulócitos, leucócitos e plaquetas); a contagem diferencial de leucócitos (neutrófilos bastonetes ou segmentados; eosinófilos; basófilos; monócitos; e linfócitos); a observação de alterações morfológicas e a presença de desvios; a concentração de hemoglobina (Hb), do hematócrito (Ht) e dos índices hematimétricos: Volume Corpuscular Médio (VCM), Hemoglobina Corpuscular Média (HCM), Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) e Red Cell Distribution Width (RDW). Para melhor exemplificar, observe abaixo as diferentes morfologias das células sanguíneas: Página 4 de 10 📄 Introdução ao Tema Tabela 3 – Tipos de células presentes em um esfregaço sanguíneo #ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma tabela com células sanguíneas, organizada em diferentes categorias. Cada categoria contém imagens microscópicas de diferentes tipos de células do sangue, que estão identificadas por nomes nos cabeçalhos das colunas. Estrutura da tabela: 1. Eritrócitos (Glóbulos Vermelhos): Pequenas células de formato arredondado e bicôncavo, coradas em tom avermelhado. 2. Linfócitos: Células arredondadas com um núcleo grande e escuro que ocupa a maior parte do citoplasma. 3. Neutrófilos: Divididos em duas subcategorias: Bastonetes: Núcleo alongado, sem segmentação aparente; e Segmentados: Núcleo dividido em vários lóbulos. 4. Eosinófilos: Células com núcleo segmentado e citoplasma cheio de grânulos corados em tons de roxo e rosa. 5. Basófilos: Células com núcleo irregular e citoplasma cheio de grânulos roxos escuros. 6. Monócitos: Células grandes com núcleo em forma de rim. A tabela apresenta uma organização clara dos diferentes tipos de células sanguíneas, sendo útil para estudo e análise de exames hematológicos. Fim da Descrição. Figura 2 Fonte: Adaptada Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma série de tubos de coleta sanguínea organizados em estante, cada um com uma tampa de cor distinta, o que indica a utilização de diferentes tipos de anticoagulantes ou aditivos específicos para exames laboratoriais. As tampas possuem as seguintes cores e funções típicas: 1. Roxo (ou Lavanda) – Tubos com EDTA, utilizado para hemogramas, contagem de células sanguíneas e outros exames hematológicos. 2. Azul Claro – Tubos com citrato, usados para testes de coagulação, como o tempo de protrombina (TP) ou tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA). 3. Amarelo – Tubos com gel separador ou com ativador de coágulo, usados para coleta de soro em exames clínicos e análise de substâncias químicas no sangue. 4. Verde – Tubos com heparina, um anticoagulante usado para testes que requerem plasma, como dosagens hormonais ou de gases sanguíneos. 5. Vermelho – Tubos sem aditivos (ou com gel separador), usados para coleta de soro em testes bioquímicos ou exames serológicos. Fim da Descrição. Além dos componentes celulares, também se utiliza os componentes presentes no plasma (amostra sem coagulação) e no soro (amostra coletada após a coagulação), para testes laboratoriais. Para a realização de uma coleta adequada à requisição do exame, também se faz necessário conhecer os diferentes tubos de coleta mais utilizados na rotina laboratorial e sua ordem de coleta. Figura 4 Fonte: Adaptada Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma série de tubos de coleta sanguínea organizados em estante, cada um com uma tampa de cor distinta, o que indica a utilização de diferentes tipos de anticoagulantes ou aditivos específicos para exames laboratoriais. As tampas possuem as seguintes cores e funções típicas: 1. Roxo (ou Lavanda) – Tubos com EDTA, utilizado para hemogramas, contagem de células sanguíneas e outros exames hematológicos. 2. Azul Claro – Tubos com citrato, usados para testes de coagulação, como o tempo de protrombina (TP) ou tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA). 3. Amarelo – Tubos com gel separador ou com ativador de coágulo, usados para coleta de soro em exames clínicos e análise de substâncias químicas no sangue. 4. Verde – Tubos com heparina, um anticoagulante usado para testes que requerem plasma, como dosagens hormonais ou de gases sanguíneos. 5. Vermelho – Tubos sem aditivos (ou com gel separador), usados para coleta de soro em testes bioquímicos ou exames serológicos. Fim da descrição. Esses tubos são fundamentais em exames laboratoriais, e a combinação das cores ajuda a identificar rapidamente o tipo de teste que será realizado. O ambiente é provavelmente um laboratório clínico ou de análises, onde a organização e precisão no uso de cada tipo de tubo são essenciais para a qualidade dos resultados. Tabela 4 – Ordem dos tubos para realização de punção venosa, métodos de homogeneização da amostra e destinação para análise laboratorial, ao respectivo setor. Cor do Tubo Aditivo Químico Quantidade de Inversões Aplicação no Laboratório de Patologia Clínica Azul Claro Citrato 3-4 inversões Testes de coagulação, como tempo de protrombina (TP), TTPA, estudo de fibrinogênio. Vermelho Nenhum (sem aditivo) 5 inversões Coleta de soro para exames bioquímicos, imunológicos, serológicos, e toxicológicos. Amarelo Gel separador ou ativador de coágulo 5-8 inversões Coleta de soro para exames clínicos gerais, testes de sangue e análise de proteínas. Verde Heparina (sódica ou lítio) 8-10 inversões Testes que requerem plasma, como gasometria sanguínea, dosagem de hormônios, etc. Roxo (Lavanda) EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) 8-10 inversões Hemograma, contagem de células sanguíneas, exames hematológicos gerais. Cinza Fluorato de sódio 8-10 inversões Testes de glicose, para evitar glicólise (quebra do açúcar), e lactato. Laranja Gel separador + ativador de coágulo 5 inversões Coleta de soro com ação rápida para testes de bioquímica e análise de substâncias. Rosa EDTA 8-10 inversões Tipagem sanguínea, testes crossmatch, e outros exames de banco de sangue. Preto Citrato (em baixa concentração) 3 inversões Testes de sedimentação de eritrócitos (VE) e outros exames hematológicos. Lilás EDTA 8-10 inversões Testes de contagem de plaquetas, hemoglobina e outros exames hematológicos. Marrom Heparina (ou gel separador) 5 inversões Testes clínicos gerais com plasma, com foco em exames de metabolismo e enzimas. Fonte: SPLABOR, 2023. Antes de adentrar às atividades práticas, observe abaixo os insumos necessários para a realização da flebotomia: Gaze ou algodão hidrófilo; Antisséptico: álcool etílico 70%; Etiquetas com a correta identificação do paciente; Caneta; Tubos de coleta; Caixa de descarte para material perfurocortante; Garrote; EPIs (jaleco, luvas, máscara e pró-pés); Curativos (blood stop); Agulhas e/ou escalpes; Em caso de sistema à vácuo: adaptador de agulha (conhecido popularmente como canhão); Em caso de sistema aberto: seringas descartáveis. Atividade Prática 01: Flebotomia Utilizando Sistema Fechado (vácuo) Preparar o documento de solicitação de coleta contendo nome completo do participante, documento de identificação (RG ou CPF), data e hora da coleta; Apresentar-se devidamente e confirmar os dados do participante da atividade prática; Higienizar e descontaminar as mãos; Verificar o respeito às condições necessárias para arealização da coleta (exemplo: jejum de x horas, restrições alimentares, suspensão de medicações, reações de hipersensibilidade ao látex ou ao álcool 70%); Separar os tubos que serão utilizados na coleta. Neste caso, utilizaremos tubos contendo anticoagulante EDTA (tampa roxa) e o tubo contendo gel separador de coágulo (tampa amarela) para obtenção de amostra de soro; Ordem de coleta: Tampa amarela → Tampa roxa. Posicionar o participante, aplicar o garrote (ou torniquete), solicitar-lhe o fechamento da mão e identificar o local de coleta: Página 5 de 10 📄 Atividade Prática Figura 6 Fonte: Adaptada Getty Images #ParaTodosVerem: fossa antecubital, com vasos mais superficiais e calibre adequado para punção venosa. A fossa antecubital é a região do corpo localizada na parte frontal do cotovelo, sendo uma área comum para a realização de punções venosas. Descrever a área de forma detalhada pode ser importante para orientar a realização de coletas de sangue ou a inserção de um acesso intravenoso. Descrição da Fossa Antecubital do Braço Esquerdo para Punção Venosa: Localização: A fossa antecubital fica na região do cotovelo, na parte interna do braço, onde a pele é fina e a área é relativamente plana, o que facilita o acesso venoso. Vasos: A fossa antecubital contém alguns dos vasos sanguíneos mais acessíveis para punção venosa, como a veia mediana cubital, que é a mais comum de ser usada para coletas de sangue ou acesso intravenoso. Outros vasos visíveis e palpáveis na região podem incluir as veias basílica e cefalica, que também são usadas dependendo da situação clínica. Características dos Vasos: 1. Veia Mediana Cubital: É a principal veia utilizada na punção venosa devido ao seu calibre adequado e posição superficial, o que facilita a visualização e a palpação. Ela geralmente corre de maneira transversal na fossa antecubital, formando uma linha entre a veia basílica e a veia cefálica. Essa veia é a mais facilmente palpável e visível, sendo a preferida na maioria das coletas de sangue e infusões. 2. Veia Basílica e Cefálica: São veias de maior calibre, porém localizadas em posições mais profundas, exigindo mais habilidade para serem acessadas. Elas também são utilizadas quando a veia mediana cubital não é adequada ou está difícil de localizar; Aspecto da Região: A pele na fossa antecubital tende a ser mais fina e sem muita musculatura, permitindo uma boa visibilidade dos vasos sanguíneos. Quando a pessoa está relaxada e com o braço ligeiramente estendido, as veias podem ficar mais proeminentes e fáceis de localizar. Calibre Adequado para Punção: O calibre adequado das veias na fossa antecubital, especialmente a mediana cubital, é ideal para a punção venosa, pois ela oferece resistência suficiente sem ser excessivamente profunda ou fina. Isso torna a punção mais fácil e menos dolorosa. Fim da Descrição. Após a identificação do local de coleta, remova o garrote do participante e peça que ele aguarde até o procedimento de coleta; Deixe o participante sem o garrote por aproximadamente 10 minutos. Organize todos os insumos necessários em sua mesa de apoio: Agulha ou escalpe; adaptador de agulha; tubos de coleta; gaze ou algodão; curativo; e antisséptico (álcool 70%); É importante que a organização dos insumos torne a coleta de maneira fluida, passando segurança ao participante e evitando erros e possíveis contaminações. Aplique o garrote, confirme o local identificado para coleta; Coloque as luvas; Aplique o antisséptico no local do acesso e deixe secar (aproximadamente 30 a 40 segundos); Atarraxe a agulha ou escalpe no adaptador do sistema à vácuo; Informe ao participante que a punção será iniciada, atentando-se para qualquer indício de movimentos involuntários ou perda de consciência do participante; Insira a agulha colocando-a gentilmente com o bisel voltado para cima, formando um ângulo de 30º a 45º entre a agulha e o antebraço do participante; Figura 7 Fonte: Adaptada de Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem descreve uma mão realizando uma flebotomia em um paciente, utilizando um sistema a vácuo, na região da Fossa Antecubial. Fim da descrição. Coloque o tubo contendo gel separador de coágulo (tampa amarela) furando a tampa do tubo com a agulha do adaptador do sistema vácuo, provocando a entrada automática do sangue ao interior do tubo e aguarde o preenchimento do tubo de forma adequada; Retire o tubo com tampa amarela preenchida e conecte o tubo contendo EDTA (tampa roxa) e aguarde o preenchimento com o volume adequado de sangue; Retire o tubo com a tampa roxa homogeneizando-o (invertendo-o gentilmente 5 a 10 vezes) suavemente, a fim de não provocar hemólise na amostra; Remova o garrote; Posicione a gaze ou algodão sobre o local de inserção da agulha; Remova a agulha e descarte-a na caixa de material perfurocortante; Pressione o local do acesso venoso com a gaze ou algodão e aplique o curativo adesivo. Diferentes Agulhas e Escalpes para Coleta e Respectivos Calibres Tabela 5 – Diferentes calibres de agulha e suas respectivas cores. Dimensão Cor 21G x 3/4”x 12”; 0,8 x 19 x 300 mm Verde 21G x 3/4”x 7” ; 0,8 x 19 x 190 mm Verde 22G x 3/4”x 12”; 0,7 x 19 x Preta 300 mm 22G x 3/4”x 7”; 0,7 x 19 x 190 mm Preta 23G x 3/4”x 12”; 0,6 x 19 x 300 mm Azul 23G x 3/4”x 7”; 0,6 x 19 x 190 mm Azul Atividade Prática 02: Coleta Capilar Higienizar e descontaminar as mãos; Calçar as luvas; Selecionar o local de punção capilar: A coleta de sangue capilar mais comum é feita na ponta dos dedos das mãos, sendo o dedo anelar ou médio os mais utilizados. A coleta capilar também pode ser realizada no lóbulo da orelha, especialmente quando é necessário minimizar o desconforto para o paciente. Em bebês e crianças pequenas, a coleta capilar é frequentemente feita na ponta do pé ou na região do calcanhar, especialmente em recém-nascidos e lactentes; Aplicar o antisséptico (álcool 70%) no local e deixar secar (30 a 40 segundos); Abrir uma lanceta estéril à vista do paciente verificando possíveis defeitos na lanceta. Em caso de qualquer suspeita, descarte-a na caixa de materiais perfurocortantes e abra uma nova lanceta; Realize o aquecimento do local de punção; Avise ao participante que a punção será iniciada, puncione a pele do dedo médio ou do dedo anelar com a lanceta; Descartar a lanceta utilizada na caixa para materiais perfurocortantes; Limpar a gota de sangue com gaze ou algodão; Pressionar o local da coleta até o cessar do sangramento no local. Leitura Guia de coleta, armazenamento e transporte de amostras biológicas – Unidade de Apoio ao Diagnóstico do Rio de Janeiro (UNADIG-RJ), Priscila Azevedo Sant’Ana de Oliveira & Fabiane Pereira Custódio Matos, 2023. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/63137?show=full Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Urinálise e Fluidos Corporais STRASINGER S. K., MARJORIE S. L. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Capítulo 15, páginas 271 – 284. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Leitura Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): coleta e preparo da amostra biológica. Barueri: Manole/Minha Editora, Página 6 de 10 📄 Material Complementar 2014. Cap.6.19 – Coleta em parasitologia e Capítulo 6.20 – Pesquisa de sangue oculto nas fezes Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://bit.ly/3xpUT5L Coleta e Processamento de Amostras de Urina Urinálise O néfron é a unidade funcional dos rins e são as estruturas responsáveis por realizar a remoção de bioprodutos/resíduos do metabolismo, pela recaptação de nutrientes que devem retornar ao sistema fisiológico e pela produção e concentração da urina. Os néfrons são capazes de captar, seletivamente, resíduos do sangue, enquanto mantêm o equilíbrio hidroeletrolítico. As funçõesdos néfrons são reguladas pelo fluxo sanguíneo renal; pela taxa de filtração glomerular; pela capacidade de reabsorção tubular; e, por fim, pela secreção tubular. Cada rim contém 1 a 1,5 milhões de néfrons e, desta forma, são os órgãos responsáveis pela filtração do sangue e produção da urina. Levando-se em consideração um indivíduo normal, com estatura e peso corporal pertencente à média da população, o fluxo sanguíneo renal total é de 1.200 mL/minuto e o fluxo plasmático renal total varia de 600 a 700 mL/minuto, aproximadamente. Deste volume temos a filtração de aproximadamente 10% do volume total (120 mL), reabsorção de 99% de água, íons e outros componentes bioquímicos e, ao final do processo, a formação de 1 a 2 mL de urina por minuto. Entre os compostos reabsorvidos, podemos citar a glicose, aminoácidos, íons cloreto, sódio, ureia e água. A concentração final do conteúdo filtrado depende do gradiente osmótico e da atividade do hormônio vasopressina – também conhecido por hormônio antidiurético (ADH) -, que podem estar alterados mediante a taxa de hidratação do indivíduo e a ingestão de líquidos ou medicamentos que alterem a atividade hormonal da vasopressina. O volume de urina normal produzido diariamente é de 1.200 a 1.500 mL, mas, para fins diagnósticos laboratoriais, utiliza-se o intervalo de 600 a 2.000 mL. Volumes abaixo do valor mínimo de referência são denominados oligúria – em casos de ausência de Página 7 de 10 📄 Introdução ao Tema produção de urina, denomina-se anúria –, geralmente vista em pacientes em quadros de desidratação e, contrariamente, volumes acima do valor máximo de referência são denominados poliúria, observada em pacientes com diabetes mellitus e diabetes insipidus, e associada ao tratamento com diuréticos, consumo de cafeína e álcool. Além disso, o aumento da produção de urina no turno da noite denomina-se nictúria. Muitas substâncias, como bioprodutos do metabolismo de medicamentos e substâncias estranhas, não são capazes de serem captadas na filtração glomerular, principalmente por estarem ligadas a proteínas plasmáticas. Entretanto, ao adentrar nos capilares tubulares, essas substâncias desenvolvem forte afinidade às células tubulares, dissociam-se das proteínas carreadoras plasmáticas e, durante o processo de secreção tubular, são transportados ao filtrado, pelas células tubulares. O pH sanguíneo de um indivíduo normal encontra-se na faixa de pH neutro, com valor de 7,4. Naturalmente, o próprio metabolismo e o contato com alimentos, líquidos, medicamentos e outras substâncias tendem a alterar o pH do sangue, que precisa ser tamponado e eliminar o excesso de ácido. O tamponamento sanguíneo é dependente de íons bicarbonato (〖HCO〗_3^-), que são filtrados pelo glomérulo dos néfrons e que retornam rapidamente ao sangue. Além disso, a secreção de íons hidrogênio (H+) pelas células tubulares ao filtrado impedem que íons bicarbonato sejam excretados e retornem ao plasma. Como resultado, a excreção de íons H+ na urina torna-a mais ácida, com pH normal entre 5 e 6. Quando a urina possui pH abaixo de 5, pode indicar a presença de acidose metabólica, presente em diferentes condições patológicas, como diabetes. Contrariamente, quando o pH da urina encontra-se acima de 7,5 – 8, pode- se estar diante de um quadro de alcalose metabólica, presente em infecções do trato urinário (ITU) bacterianas, entre outras condições patológicas. A urina é considerada uma amostra contaminante e, relembrando o tema Boas Práticas de Laboratório e Biossegurança, o profissional biomédico deve estar paramentado com os equipamentos de proteção individuais (EPIs) adequados à prática de coleta. Como pode-se observar, a urina é uma amostra biológica rica e muito importante para a prática laboratorial diagnóstica. A análise da urina, especialmente a urina de tipo 1 (EAS tipo 1), é um dos procedimentos mais solicitados da rotina laboratorial, sendo uma triagem de ampla aplicabilidade. Entre algumas das análises mais realizadas, pode-se citar a avaliação da cor da urina, turbidez, odor da urina, a análise química da urina por fita reagente e a análise microscópica-sedimentação da urina. Figura 7 Fonte: Adaptada de Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem descreve dois potes de coleta de urina, com a seguinte diferença: à esquerda, Pote com Urina Coletada: Este pote contém urina coletada de um paciente. Pode ser visível uma coloração que varia de amarelo claro a âmbar, dependendo da hidratação do paciente. A tampa do pote está fechada de forma segura para evitar vazamentos e contaminações. A amostra coletada pode ser usada para análise laboratorial, como exames de urina de rotina, culturas ou testes de substâncias específicas, como proteínas ou glicose. O pote tem uma etiqueta identificando o paciente, a data e o horário da coleta, o que é essencial para garantir a rastreabilidade da amostra. À direita, temos um Pote Estéril sem Amostra Biológica: Este pote está estéril, ou seja, não contém nenhuma amostra biológica. Está sendo mostrado vazio, que será utilizado para uma coleta futura de urina. O pote estéril é projetado para garantir que a amostra coletada dentro dele não seja contaminada por microrganismos ou substâncias externas. Fim da descrição. Tabela 6 – Análise de coloração da urina e seus possíveis significados clínicos. Cor da amostra de urina Significado clínico Azul– esverdeada Corante (azul de mmetileno); infecção por Pseudomonas; Riboflavina Rosa – laranja - vermelho Hemoglobina; Mioglobina; Fenolftaleína; Porfirinas; Rifampicina Vermelho– marrom – preto Hemoglobina; Mioglobina; Hemácias; Ácido Levodopa; Melanina; Metildopa Aprofundando-se em sua composição, a urina é constituída por ureia e diversos produtos bioquímicos dissolvidos na água. Geralmente, 95% de água e 5% de solutos. Entre os compostos mais comuns, analise a Tabela 7. Tabela 7 – Composição da urina normal (coleta 24 horas) Componente Quantidade (g) Observações Orgânicos Uréia 25 - 35 60 a 90% de material nitrogenado Creatinina 1,5 Derivado do metabolismo da creatina Ácido Úrico 0,4 – 1,0 Derivado do metabolismo de ácidos nucleicos Ácido Hipúrico 0,7 Derivado do metabolismo do ácido benzóico Outras Substâncias 2,9 Carboidratos, pigmentos, ácidos graxos, proteínas, hormônios, etc. Inorgânicos Cloreto de sódio (NaCl) 15 Potássio (K+) 3,3 Sulfato (SO4 +) 2,5 Derivado do metabolismo de aminoácidos Fosfato (PO4 3-) 2,5 Amônio (NH4 +) 0,7 Derivado do metabolismo proteico e da glutamina; produto da hidrogenação da amônia Magnésio (Mg2+) 0,1 Cálcio (Ca2+) 0,3 Fonte: Adaptado de Tortora G. J.; Anagnostakos N. P., 1990; Strassinger S. K., Di Lorenzo M. S., 2009, p. 34 Apesar de ser uma amostra biológica de simples coleta (exceto em coleta de urina de paciente com catéter urinário), a sua obtenção deve respeitar, principalmente: Paramentação adequada do profissional de coleta: jaleco, luvas, máscara e sapatilhas (pró-pés); Critérios de limpeza da região genital do paciente; Frasco(s) coletor(es): normalmente um becker de plástico transparente ou translúcido, limpo, seco e esterilizado; e tubos ou potes transparentes, para distribuição da amostra de urina coletada no becker, respeitando as mesmas características anteriores e vedação à prova de vazamento. Os tubos ou potes devem permitir a análise dos aspectos de cor e turbidez da amostra de urina; Tipo de amostra (aleatória; primeira urina da manhã; duas horas após a refeição; jato médio; urina de 24 horas; urina coletada em sistema estéril – catéter; e punção supra púbica); Acondicionamento da amostra coletada (ao abrigo da luz); O encaminhamento do frasco ao laboratório (normalmente com prazo máximo de 2 horas entre o momento da coleta e as análises). Identificação correta do paciente, com localização da etiqueta no corpo do recipiente. Atividade Prática 01 – Coleta de Urina tipo I e Análises de Cor, Odor, Turbidez da Amostrae Análise Química da Urina Idealmente e na prática clínica diagnóstica, a amostra coletada é o jato médio, na primeira urina da manhã (imediatamente após o paciente acordar), pois esta amostra apresenta a maior concentração de componentes e metabólitos, coloração e acidez ideais para a atividade diagnóstica. Entretanto, não sendo possível esta coleta, a primeira amostra após um intervalo de 2 horas sem urinar também é recomendada. Para fins da exequibilidade do experimento e conhecimento do protocolo, realizaremos a coleta de uma amostra de urina aleatória, de um participante voluntário presente na atividade prática. Materiais e insumos necessários: EPIs – jaleco, luvas, sapatilhas e máscara; Potes de coleta universal, limpos, transparentes e esterilizados; Becker de 250 ou 500 mL de plástico ou vidro; Gaze estéril; Tubos falcon de 15 mL e/ou tubo de ensaio com tampa de vedação; Folha pautada; Página 8 de 10 📄 Atividade Prática Tiras reagentes para exame químico da urina; pHmetro exclusivo para amostras de urina ou tiras reagentes para análise de pH. Protocolo 01 (para participantes do sexo feminino) – protocolo deve ser realizado pela participante em local reservado (banheiro), individualmente em sua cabine. Higienização da região de coleta: Higienizar e descontaminar as mãos; Higienizar a região genital com água e sabão, no sentido de frente para trás – importante que quaisquer resíduos eventualmente utilizados sejam totalmente removidos no processo de higienização local; Enxugar toda a região com gaze limpa e estéril, no sentido frente para traz; Separar os grandes lábios, limpar o meato urinário e a região ao redor da uretra; Com uma das mãos, manter os grandes lábios separados; Com a outra, segurar o becker, posicionando-o adequadamente para coleta da urina; Iniciar a micção e coletar todo o volume de urina excretado; Transferir a urina do becker para o frasco estéril e fechá-lo adequadamente, evitando vazamentos ou contato com contaminantes externos; Desprezar o volume de urina excedente no vaso sanitário; Retornar com o pote de amostra de urina para a área de experimentação; Protocolo 01 (para participantes do sexo masculino) – protocolo deve ser realizado pelo participante em local reservado (banheiro), individualmente em sua cabine. Se possível, não faça a coleta na região do mictório, pois é uma região de grande probabilidade de contaminação da amostra de urina. Higienização da região de coleta: Higienizar e descontaminar as mãos; Retrair o prepúcio e expor a glande; Lavar a região da glande com água e sabão; Enxugar utilizando gaze estéril, a partir do meato uretral; Com uma das mãos, manter o prepúcio limpo exposto; Com a outra, segure o becker adequadamente para coleta da amostra de urina; Iniciar o processo de micção, coletando todo o volume de urina; Transferir a urina do becker para o frasco estéril e fechá-lo adequadamente, evitando vazamentos ou contato com contaminantes externos; Desprezar o volume de urina excedente no vaso sanitário; Retornar com o pote de amostra de urina para a área de experimentação; Protocolo 02 – Análise de odor da urina: Coloque o frasco de urina sobre a bancada protegida com papel de bancada; Com o frasco sobre a bancada, homogenize a amostra de urina realizando movimentos circulares leves, sem retirar o frasco da superfície, por 10 a 20 segundos; Abra o frasco removendo sua tampa; Aproxime a amostra de sua (experimentador) região nasal e sinta o odor da urina do participante; Anote os resultados segundo o seguinte padrão, a seguir: Odor Possíveis significados Normal, amoníaco ou amoníaco diluído Odor de urina normal (fisiológico); ou alta ingestão de água (indivíduo bem hidratado), respectivamente. Forte, amoníaco Desidratação; alta concentração de urina; Infecção do trato urinário (ITU). Doce, frutado Aumento na concentração de glicose, na amostra de urina. Odor de peixe (pútrido) Infecção bacteriana. Forte odor de vegetais Consumo aspargos. Forte, odor de leite azedo Fenilcetonúria (PKU). Odor de sangue, metálico Presença de sangue na urina (hematúria); Patologias renais; ou infecções. Protocolo 03 – Análise de cor e turbidez da amostra: 1. Com o frasco de urina coletado sobre a bancada, homogenize a amostra de urina realizando movimentos circulares leves, sem retirar o frasco da superfície, por 10 a 20 segundos; 2. Com uma pipeta sorológica, colete 10 mL de urina e transfira a um tubo de ensaio de vidro limpo e tampe-o; 3. Verta o tubo suavemente 2 a 3 vezes e, após, observe a cor da amostra de urina; 4. Anote o resultado seguindo a tabela 6 desta apostila; 5. Após a análise da cor, coloque uma folha pautada atrás do tubo contendo a amostra biológica e analise se a linha da folha permaneceu visível ou turva, e anote o resultado ao final da análise; 6. Analise se há a presença de espuma na amostra de urina e anote o resultado ao final da análise. Protocolo 04 – Análise do pH e da composição química da amostra de urina: 1. Separar 2 fitas medidoras de pH; 2. Mergulhe a fita até os quadrados sejam submersos na urina; 3. Mantenha os quadrados submersos na urina por 10 – 20 segundos; 4. Remova a fita da urina e aguarde até que a cor dos quadrados estabilize (como exemplificado na imagem abaixo): Figura 9 Fonte: Adaptada Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem mostra um profissional de laboratório, vestindo um jaleco branco e luvas descartáveis de látex, manipulando uma amostra de urina. A pessoa segura um tubo de ensaio contendo um líquido amarelo claro (urina), enquanto usa a outra mão para mergulhar uma tira de teste na substância. A tira medidora de pH possui pequenas áreas coloridas, indicando que se trata de um teste químico para analisar a composição da amostra. Fim da descrição. Compare o resultado das cores com o padrão do fabricante e anote o resultado (como exemplificado na imagem a seguir): Figura 9 Fonte: Adaptada de Getty Images #ParaTodosVerem: a cena é capturada de perto, focando as mãos do profissional. A imagem mostra um profissional de laboratório usando luvas descartáveis de látex segurando uma tabela de cores utilizada para análise de testes de urina. A tabela contém várias colunas e linhas de pequenos quadrados coloridos, variando de tons de amarelo a laranja e roxo. Ela serve como uma referência para comparar os resultados obtidos em uma tira de teste de urina. A tabela de cores contém texto impresso, com padrões colorimétricos associados à faixa de pH da amostra, auxiliando na interpretação do exame. Fim da descrição. Observação importante: em caso de dúvidas quanto ao resultado, reproduza o protocolo experimental novamente. Análise química da urina com fita reagente: 1. Separar uma fita reagente para análise química da urina, como exemplificado a seguir: Figura 12 Fonte: Adaptda Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem contém O fundo branco, que realça os objetos, dando destaque às cores das tiras e do líquido dentro do frasco (urina). A cena sugere um ambiente clínico ou laboratorial, evidenciando a prática de exames para análise de componentes químicos na urina. A imagem apresenta um conjunto de itens utilizados em exames de urina, dispostos sobre uma superfície branca. No centro, há um pequeno frasco transparente contendo um líquido amarelo (urina), com a tampa branca removida e colocada ao lado. À frente do frasco, duas tiras de teste químico de urina estão posicionadas, cada uma com pequenas áreas coloridas em diferentes tonalidades, incluindo amarelo, azul, verde e rosa. Ao fundo, um recipiente cilíndrico preto com um rótulo ilustrado por uma tabela de cores está inclinado. A tabela apresenta diversas fileiras de pequenos quadrados coloridos, servindo como referência para comparar os resultados das tiras de teste. Fim da descrição. 1. Semelhante à medição da fita de pH, mergulhe a fita até os quadrados sejam submersos na urina; Em caso de pouca amostra de urina, utilize uma pipeta pasteur paracoletar a urina do recipiente e aplique sobre a fita de forma que todos os quadrados tenham contato satisfatório com a amostra de urina; 2. Aguarde aproximadamente 30 segundos (importante verificar o tempo cronometrado segundo o protocolo do fabricante) e compare com o padrão do fabricante; 3. Anote o resultado. Coleta e Processamento de Amostras de Fezes As fezes são o produto do processo de digestão de alimentos, mas que também são compostos por diferentes produtos bioquímicos que são excretados pelo paciente, como restos eritrocíticos provenientes da hemocatarese, pigmentos biliares, células de epitélio intestinal; bactérias; e água. Na rotina laboratorial, a amostra fecal é utilizada para análises macroscópicas, principalmente a escala de Bristol; microscópicas, principalmente na busca por ovos e espécimes de parasitos; bioquímicas, especialmente na busca pela presença de sangramentos intestinais (teste de sangue oculto nas fezes); e microbiológicas, utilizado para testes de cultura para identificação, isolamento e susceptibilidade de terapias para bactérias e fungos patogênicos. Para análise macroscópica, a escala de Bristol é um recurso utilizado para caracterização do aspecto físico da amostra fecal, que também tem significados clínicos que enriquecem o diagnóstico laboratorial. Esta escala é composta por 7 (sete) parâmetros que podem ser observadas a seguir (tabela 8): Tabela 8 – Escala de Bristol, definições associadas aos parâmetros e possíveis significados clínicos Fonte: Wikipedia Para fins terminológicos, a diarreia é caracterizada pelo aumento da frequência da defecação, aumento do volume e água na amostra fecal (maior volume de água) e aumento do peso diário das fezes acima de 200 g, embora a pesagem fecal não seja praticada frequentemente. Além disso, pode-se classificar a diarreia em 2 (duas) subcategorias diferentes: 1. Diarreia secretora: que ocorre pelo aumento da secreção de água e eletrólitos, acima da capacidade de absorção pelo epitélio intestinal, no intestino grosso. Entre alguns microrganismos, pode-se citar a Escherichia coli; Clostridium spp.; Vibrio cholerae; Staphylococcus spp.; protozoários; e parasitos intestinais; 2. Diarreia Osmótica: degradação ou reabsorção incompleta dos alimentos, sendo resultado de má-digestão, levando ao excesso de fezes aquosas. Entre os testes utilizados na rotina laboratorial de amostras fecais diarreicas, pode-se citar a cultura de amostra fecal para análise microbiológica; exame microscópico na busca por ovos/espécimes de parasitos do trato digestório; imunoensaio para identificação de diarreias de natureza viral (rotavírus); análise da presença de gordura fecal; entre outros. A coleta de amostra fecal é uma tarefa desconfortável ao paciente, envolvendo (dependendo da pessoa) certa dose de constrangimento individual. Entretanto, tal “barreira” deve ser tratada com respeito e profissionalismo, assegurando que o ato da coleta fecal é uma tarefa necessária e que a amostra é importante para a atividade laboratorial diagnóstica. Objetivamente, não existem restrições quanto à preparação do(a) paciente, não havendo necessidade de jejum. A principal orientação que deve ser comunicada é: as fezes devem ser coletadas de um recipiente limpo e transferidas a um recipiente coletor fornecido pelo laboratório. Em caso de Coprocultura, a amostra fecal também deve ser coletada em um recipiente limpo, mas o recipiente de armazenamento pode conter conservantes e requerer mais do que uma amostra no mesmo recipiente, exemplo: 3 coletas de 3 amostras de fezes diferentes daquele paciente. Normalmente, o acondicionamento de amostras fecais é realizado em local refrigerado (4 a 8ºC - geladeira) podendo ser encaminhado ao laboratório analítico em até 24 horas após a coleta, não devendo passar desse período. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Coleta e Processamento de Amostras de Sêmen Coleta e processamento de amostras de sêmen: STRASINGER Susan King, MARJORIE Schaub Di Lorenzo. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Capítulo 11, páginas 217 – 231. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Coleta e Processamento de Amostras de Líquido Amniótico Coleta e processamento de amostras de líquido amniótico: STRASINGER Susan King, MARJORIE Schaub Di Lorenzo. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Capítulo 14, páginas 259 – 270. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Página 9 de 10 📄 Material Complementar Coleta e Processamento de Amostras de Líquido Sinovial (Articulações Sinoviais) Coleta e processamento de amostras de líquido sinovial (articulações sinoviais): STRASINGER Susan King, MARJORIE Schaub Di Lorenzo. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Capítulo 12, páginas 231 – 242. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Coleta e Processamento de Amostras de Líquido Cefalorraquidiano (LCR) Coleta e processamento de amostras de Líquido Cefalorraquidiano (LCR): STRASINGER Susan King, MARJORIE Schaub Di Lorenzo. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Capítulo 10, páginas 193 – 216. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Coleta e Processamento de Amostras de Fluidos Serosos Coleta e processamento de amostras de fluidos serosos: STRASINGER Susan King, MARJORIE Schaub Di Lorenzo. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Capítulo 13, páginas 243 – 258. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Coleta e Processamento de Amostras de Lavado Broncoalveolar (BAL) Coleta e processamento de amostras de lavado broncoalveolar (BAL): STRASINGER Susan King, MARJORIE Schaub Di Lorenzo. Urinálise e fluidos corporais, 5ª edição; Apêndice B, páginas 291 a 293. São Paulo: Livraria Médica Paulista Editora, 2009. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização das Mãos, Brasília: Anvisa, 2009. FLEURY M. K. Manual de Coleta em Laboratório Clínico. Rio de Janeiro: PNCQ, 2019. Ministério da Saúde. Manual de Apoio aos Gestores do SUS: Organização da Rede de Laboratórios Clínicos. Brasília/MS, 2001. MARSHALL, W. J. et al. Bioquímica clínica: aspectos clínicos e metabólicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. SGRECCIA, E. Manual de Bioética: Fundamentos e Ética Biomédica. São Paulo: Edições Loyola, 2014. SPLABOR. Como escolher tubos para coleta de sangue à vácuo corretamente. 22/04/2023. Disponível em: . STRASSINGER S. K., Di LORENZO M. S. Unirálise e Fluidos Corporais. 5 ed. São Paulo: Livraria Médica Paulista, 2009. TORTORA G. J.; ANAGNOSTAKOS N. P. Principles of Anatomy and Phisiology. 6. ed. New York: Harper&Row; 1990.