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Modelos de Currículo: os currículos 
internacionais
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Objetivos de Aprendizagem
• Conhecer o legado dos currículos internacionais.
• Entender em que consiste a internacionalização dos currículos.
Modelos de Currículo: os currículos internacionais
Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro 
Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly 
do Carmo Dahle de Almeida.
https://player.vimeo.com/video/734146167
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Introdução 
Hoje, muito se fala em globalização, e nos efeitos dela no mundo, em todos os 
âmbitos, social, político, econômico, cultural e tecnológico, determinando um novo 
modo de vida em sociedade. As informações são transmitidas instantaneamente e 
é possível comercializar com qualquer país do mundo em apenas alguns minutos. 
No que se refere à educação, não tem sido diferente. As práticas pedagógicas, os 
processos de avaliação, as formulações dos currículos, e até mesmo a gestão escolar 
têm sido influenciados pelas mudanças globais, visto que a escola é uma instituição 
reconhecida como sendo a propagadora de uma cultura mundial.
Dentro desse contexto, é importante ressaltar que um dos legados que as políticas 
internacionais deixaram para a educação é o modelo para elaboração de competências, 
de conhecimentos, de atitudes, de habilidades, de emoções e de valores. Assim, o 
currículo é visto como um reforço de normas e convenções educativas de caráter 
internacional. (Almeida, 2019)
Vamos juntos conhecer um pouco mais sobre as influências dos currículos internacionais 
na educação.
O legado dos currículos internacionais
Um exemplo de interferência externa nas políticas educacionais brasileiras foi a do 
Banco Mundial (BM), em 1970. O Ministério da Educação e o Banco Internacional para 
Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) deram início a alguns estudos em conjunto 
na década de 1970, embora os financiamentos do banco para o ensino primário 
(entendido como as quatro primeiras séries do fundamental) só tenham iniciado em 
1980.
Até esse momento, os financiamentos seguiam a linha de desenvolvimento mais 
tradicional. O primeiro empréstimo foi realizado no final de 1960, tendo como 
foco o ensino vocacional, que era entendido como fator direto para influenciar o 
crescimento industrial de forma intensa. O projeto se deu entre 1971 e 1978 para 
garantir a melhoria e a ampliação do ensino técnico do 2º grau, industrial e agrícola.
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Constatamos que o Banco Mundial influenciou de forma significativa as políticas de 
educação brasileiras, e portanto, a elaboração dos currículos que foram adotados nas 
escolas do país. Nas décadas seguintes, esse modelo sofreu várias críticas.
Vale ressaltar que o Banco Mundial não age sozinho, mas conta com o suporte dos 
Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, com o Fundo Monetário Internacional 
(FMI), com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e ainda com a Organização 
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) 
também é um órgão internacional que determina regras e políticas internacionais para 
o processo educativo. Em 2016, ela lançou o ‘Glossário de terminologia curricular’
em língua portuguesa, que é uma obra que apresenta uma lista de termos técnicos
voltada para a área da educação básica e da educação superior, trazendo significados
e conceitos, bem como uma tabela de correspondência dos vocábulos em português
e inglês. (Almeida, 2019)
Mas e no currículo? No currículo uma das grandes influências teve a ver com as 
avaliações, que chegaram às escolas do Brasil sem nenhum tipo de adequação, visto 
que foram pensadas e elaboradas para o ensino nos países de primeiro mundo. 
Isto posto, é claro que a avaliação não tratava de questões que diziam respeito à 
realidade de cada escola, à comunidade na qual estava inserida e nem nos sujeitos 
que a frequentam, pelo menos não na maior parte dos casos. Essas avaliações não 
levavam em conta a infraestrutura das escolas brasileiras, a capacitação dos docentes 
ou os investimentos realizados, ou seja, não refletiam a realidade das escolas. Portanto, 
apenas por essas avaliações em larga escala não era possível ter resultados satisfatórios 
e conclusivos.
No Brasil contemporâneo, as avaliações curriculares são realizadas pelo Sistema 
Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que foi reestruturado em 2005 e 
passou a ser composto por 3 avaliações externas de larga escala.
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Figura 1 - Estrutura do Saeb
Fonte: Paraná, 2008, p. 1, como citado em Almeida, 2019, p. 66
O Saeb é formado por um conjunto de avaliações externas em larga escala, feito 
pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de 
forma a obter um diagnóstico sobre a educação básica brasileira e identificar aqueles 
fatores que possam vir a interferir no desempenho dos alunos.
Essas avaliações são aplicadas tanto nas escolas públicas quanto nas privadas, através 
de questionários que analisam o nível de aprendizado dos alunos. Seus resultados 
servem como norteadores da qualidade do ensino que vem sendo oferecido e do 
monitoramento e aprimoramento das políticas educacionais realizadas. (Sae Digital, 
2022)
É aplicado desde 1990 e vem passando por diversas alterações, embora os objetivos 
no novo Saeb permaneçam os mesmos, quais sejam:
Construir uma cultura avaliativa, ao oferecer à sociedade, de forma transparente, 
informações sobre o processo de ensino-aprendizagem em cada escola, 
comparáveis em nível nacional, anualmente e com resultados em tempo hábil, 
para permitir intervenções pedagógicas de professores e demais integrantes 
da comunidade escolar. (Brasil, 2021, art. 3.º, I)
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Saiba Mais
Ficou interessado em conhecer um pouco mais sobre o SAEB? Acesse o 
seguinte endereço eletrônico: 
Ministério da Educação: Sistema de Avaliação da Educação Básica - Saeb. 
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-
educacionais/saeb
https://sae.digital/novo-saeb/ Acessado em 06 de outubro de 2023. 
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb
https://sae.digital/novo-saeb/
https://player.vimeo.com/video/734146463
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A internacionalização dos Currículos
Em 2001, foi criada a International Association for the Advancement of Currículum 
Studies (IAACS), que pode ser traduzida como Associação Internacional para o 
Avanço de Estudos Curriculares, que visava desenvolver um campo global de estudos 
sobre currículo para conseguir o diálogo acadêmico, dentro de fora das fronteiras 
dos países, para debater sobre conteúdo, contexto e processo na educação.
Desde a criação, já foram realizadas reuniões trienais na China, na Finlândia, na África 
do Sul e no Brasil (neste, em 2012), da qual participaram pesquisadores de várias 
nacionalidades para discutir a internacionalização dos estudos dos currículos.
Também ocorreu a criação de Colóquios Luso-Brasileiros de Questões Curriculares 
no intuito de difundir a ideia da internacionalização dos currículos e alguns estudiosos 
brasileiros vêm fazendo esse estudo.
Saiba Mais
Quer saber mais sobre a internacionalização do campo do currículo? 
Então leia os seguintes textos ou acesse os links.
Moreira, Antonio Flávio Barbosa (2012). A internacionalização do campo do 
currículo. https://www.bit.ly/1666 Acessado em 06 de outubro de
2023.
https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/1666Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 8/14
Moreira (2012 como citado em Almeida, 2019) explica que a internacionalização:
1. aplica-se a práticas sociais que não procuram a homogeneização;
2. não está limitada ao simples movimento de levar teorias e práticas de um país
para outro país;
3. desenvolve-se a longo prazo e exige uma disposição para ensinar e aprender
com outros países;
4. causa mudanças na forma de pensar e nas atitudes das pessoas de forma a
encontrar um ponto comum;
5. apresenta aspectos sociais, culturais, morais, éticos e políticos que perpassam o
aspecto econômico;
6. ao se pensar as questões curriculares, as relações de poder estarão necessariamente 
envolvidas e deverão ser avaliadas;
7. tanto podem ser feitas tentativas de fomentá-la nas instituições ou com os
indivíduos, como de analisar os seus resultados nas teorias, nas práticas e nas
políticas educacionais.
Portanto, entendemos que a internacionalização do currículo vai além de simplesmente 
juntar várias culturas, envolve pensar sobre a sua prática de forma conjunta, assim 
como considerar as trocas sobre como ensinar e aprender e favorecer uma mudança 
nos pensamentos e nas relações de poder.
Em Resumo
Vimos, ao longo desta aula, que muitos foram os legados passados pelos 
organismos internacionais e aprendemos também que a internacionalização dos 
currículos vai além de apenas juntar as várias culturas. É uma tentativa de pensar de 
forma conjunta, para possibilitar uma mudança de pensamento, postura e relações 
de poder. Cabe a nós agora refletirmos sobre os impactos dessas influências para 
a construção de nossa identidade curricular, e para tanto, continuaremos 
aprendendo. Espero por você no próximo Tema.
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Na ponta da língua
https://player.vimeo.com/video/734146668
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Referências Bibliográficas
Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e 
tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes.
Brasil. (2021). Portaria Inep nº10 de 08 de janeiro de 2021. Publicado no 
https://bit.ly/8sh7. Acessado em 06 Diário Oficial da União. 
de outubro de 2023.
Sae Digital. (2022). Novo Saeb - Ingresso para a Educação Superior. https://sae.digital/
novo-saeb/ Acessado em 06 de outubro de 2023. 
https://sae.digital/novo-saeb/
https://sae.digital/novo-saeb/
https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/3434/portaria-inep-n-10#:~:text=Estabelece%20par%C3%A2metros%20e%20 fixa%20diretrizes,Revoga%3A%20N%C3%A3o%20revoga%20nenhuma%20 Legisla%C3%A7%C3%A3o
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LIVRO DE REFERÊNCIA:
Convergências entre Currículo e Tecnologias
Siderly do Carmo Dahle de Almeida.
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