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Psicologia cognitiva e cognição social
Você vai entender a psicologia cognitiva e seus conceitos fundamentais: definições de crenças, atitudes e
valores, estereótipos e percepção social, representações sociais (funções, valores e abordagem
estrutural).
Profa. Valeria Guimarães Leal e profa. Angie Piqué
1. Itens iniciais
Propósito
A psicologia cognitiva é responsável pelo estudo da percepção, do aprendizado, da lembrança e do
pensamento do indivíduo, e suas raízes, na filosofia e na fisiologia, se unem para formar o núcleo da
psicologia. A análise das teorias geradas pelo ser humano comum sobre tais temas contribui para a
compreensão de seu comportamento no meio social e dos fenômenos variados, como saúde, doença mental,
violência, justiça, desemprego e amizade.
Objetivos
Descrever os fenômenos sociocognitivos.
 
Identificar a influência de crenças, atitudes e valores no comportamento humano.
 
Aplicar a teoria das representações sociais.
 
Reconhecer a formação dos estereótipos e seu papel na percepção social.
Introdução
A cognição social é o estudo do modo pelo qual o indivíduo forma inferências com base nas informações
sociais que capta do ambiente. Isso pode ser explicado pelo fato de que, quando entramos em contato com o
ambiente social que nos cerca, percebemos outros indivíduos, conhecemos membros de grupos diferentes, e
interagimos com tais pessoas e grupos. 
O estudo da cognição é responsável por reunir uma série de microteorias que, no decorrer do tempo,
desenvolveram-se no cenário da psicologia social, para esclarecer o modo por meio do qual as pessoas
pensam sobre si mesmas e sobre outros fatos, geram impressões sobre outros indivíduos ou grupos sociais, e
explicam comportamentos e eventos.
A cognição social se apoia no modelo de processamento de informação que considera atenção e percepção,
memória e julgamento como etapas do processo cognitivo. Esse campo dedica-se a estudar o conteúdo das
representações mentais e os mecanismos subjacentes ao processamento da informação social. Seu foco
reside nos modelos pelos quais impressões, crenças e cognições sobre estímulos sociais se originam e afetam
o comportamento.
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• 
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1. Psicologia cognitiva e cognição social 
Fundamentos da psicologia cognitiva
Conheça, neste vídeo, a origem do cognitivismo e as diversas correntes de pensamento que influenciaram o
surgimento da psicologia cognitiva, com destaque para o seu impacto na psicologia social e na psicologia
como um todo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Origens e correntes de pensamento
A psicologia cognitiva é o estudo da forma pela qual as pessoas percebem, aprendem, lembram-se de algo e
pensam sobre as informações. 
Outras áreas de estudo para os psicólogos cognitivos são as bases biológicas da cognição, assim como a
atenção, a consciência, a percepção, a memória, o imaginário, a linguagem, a solução de problemas, a
criatividade, a tomada de decisões, o raciocínio, as mudanças na cognição em termos de desenvolvimento
que ocorrem durante a vida, a inteligência humana e diversos outros aspectos do pensamento humano.
A origem da psicologia cognitiva já mostrava suas ideias iniciais durante a primeira metade do século XX,
quando ainda prevaleciam duas correntes de pensamentos na psicologia. Confira a seguir quais são elas:
Behaviorismo
Centrados no comportamento, os psicólogos behavioristas elaboravam as teorias de aprendizagem e
condicionamento, concebidas a partir de experiências, especialmente aquelas nas quais se observava
o comportamento de animais em situações cuidadosamente planejadas.
Psicanálise
Voltada para o estudo do inconsciente e do desenvolvimento, e a estrutura e a dinâmica do
psiquismo, destacando o impacto das experiências vivenciadas na primeira infância.
Na abordagem behaviorista, o estudo do psicólogo norte-americano Frederic Skinner (1904-1990) era voltado
a descrever — e não em explicar — o comportamento. Por não se preocupar com o que ocorria dentro do
organismo, a abordagem de Skinner foi denominada abordagem do “organismo vazio”. Nessa visão, o homem
seria controlado e operado por forças ambientais, pelo mundo exterior, e não pelas forças internas.
Posteriormente, psicólogos como o
canadense Albert Bandura (1925-2021) e
o norte-americano Julian Rotter
(1916-2014) — que, em princípio, eram
behavioristas, mas de um modo bem
diferente de Skinner — começaram a
questionar a total negação dos processos
mentais ou cognitivos.
 Esses estudiosos
preconizavam uma
aprendizagem social ou uma
abordagem
sociobehaviorista, apoiando-
se em um pensamento mais
amplo em direção a um
movimento cognitivo
(Schultz; Schultz, 2012).
A psicologia cognitiva diferencia-se do behaviorismo em numerosos aspectos. Primeiro, os psicólogos
cognitivos estudam não somente a mera resposta aos estímulos, mas também o processo de aquisição do
conhecimento.
Na psicologia cognitiva, o que se destaca são os processos mentais diante de eventos, e não as conexões
estímulo-resposta. Desse modo, o foco é a mente e não o comportamento. Contudo, isso não significa que o
psicólogo cognitivo descarte o comportamento. 
O fato é que as reações comportamentais não são a única fonte de pesquisa e análise. É por meio da
observação das respostas comportamentais que podemos avaliar e chegar a conclusões sobre os processos
mentais associados a essas reações.
O psicólogo norte-americano
Edward Tolman (1886-1959)
é visto por alguns autores
como um pioneiro da
psicologia cognitiva moderna.
Ele pensava que, para
compreender o
comportamento, era preciso
levar em consideração seu
propósito e seu plano. Em
outras palavras, todo o
comportamento era dirigido a
algum objetivo.
 Já o psicólogo estadunidense George
Miller (1920-2012) e o psicólogo alemão
Ulric Neisser (1928-2012) tiveram um
papel de destaque no surgimento da
psicologia cognitiva, mas não foram
fundadores da psicologia cognitiva no
sentido formal da palavra. A colaboração
deles está na forma de um centro de
pesquisa e de livros, considerado o
marco no desenvolvimento da psicologia
cognitiva — um trabalho inovador e
influente (Schultz; Schultz, 2012).
Edward Tolman.
Para ilustrar as diferenças entre behaviorismo e psicologia cognitiva, observe a tabela comparativa, a seguir,
que destaca os principais aspectos de cada abordagem.
Aspecto Behaviorismo Psicologia cognitiva
Foco principal Resposta a estímulos externos.
Processos mentais internos como
percepção, memória e tomada de
decisão.
Objeto de análise Comportamentos observáveis.
Processos de aquisição do
conhecimento e operações mentais.
Método de
estudo
Observação direta de
comportamentos e
experimentação com estímulos-
resposta.
Observação de comportamentos
para inferir processos mentais
subjacentes.
Visão do
comportamento
Resultado de condicionamentos
e reforços externos.
Manifestação externa de processos
cognitivos complexos.
Exemplo de
aplicação
Treinamento de animais e
terapia comportamental
baseada em reforço.
Desenvolvimento de técnicas
educacionais e terapêuticas que
melhoram o raciocínio e a
aprendizagem.
Aspecto Behaviorismo Psicologia cognitiva
Filosofia
subjacente
Determinismo ambiental: o
ambiente molda o
comportamento.
Interacionismo: a mente ativamente
processa e responde ao ambiente.
Tabela: Diferenças entre behaviorismo e psicologia cognitiva.
Angie Piqué.
Vamos ver agora algumas aplicações da psicologia cognitiva:
Educação
Técnicas baseadas em como o cérebro aprende estão reformulando métodos educacionais, tornando
o aprendizado mais eficaz e engajante.
Terapia cognitiva-comportamental
Esse tipo de terapia ajuda as pessoas a reconhecerem e reformularem pensamentos negativos,
demonstrando como a compreensão dos processos cognitivos pode ser aplicada para melhorar a
saúde mental.
Design de interfaces
Os princípios da psicologia cognitiva estão por trás do design de aplicativos e dispositivos que são
mais intuitivos e fáceis de usar, mostrando como nosso entendimento da cognição pode melhorarao vídeo e compreenda o que são os estereótipos, os diversos tipos, as diversas concepções, os
mecanismos de distorção perceptual e suas funções na interação com os outros.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O estudo dos estereótipos se apresenta de forma destacada na Psicologia Social pela sua importância na
compreensão das relações de dominação, exploração e segregação. Os estereótipos são bons preditores do
comportamento social, permitindo inferir a probabilidade de ocorrência de diversos comportamentos em
grupos sociais. 
O estereótipo é a base do preconceito e ele consiste na atribuição de crenças feitas sobre grupos ou
pessoas. Dessa forma, podemos compreender que os estereótipos consistem em esquemas ou
representações mentais sobre grupos sociais.
Nesse sentido, eles interferem ativamente no processo de formação de impressões e percepção de pessoas,
sendo responsáveis pela integração de informações e avaliação de outros indivíduos, ou seja, pelas formas
com que o percebedor interpreta os indivíduos que o rodeiam (Ferreira, 2010).
Mas qual é a diferença entre estereótipo, preconceito e discriminação?
Muitas vezes, usamos essas palavras de forma indiscriminada. Na prática, elas se encontram fortemente
entrelaçadas, mas, em termos acadêmicos, e inclusive em termos jurídicos, existem diferenças importantes. A
seguir, vamos entender melhor essa distinção.
Estereótipo
Normalmente, em função de como organizamos todas essas informações relativas, existe um primeiro
momento em que fazemos o agrupamento ou a categorização das pessoas que consideramos que se
assemelham em algum aspecto. Esse primeiro passo representa a delimitação de um estereótipo
específico.
Exemplo: Todos os cientistas são muito racionais e analistas.
Preconceito
Após delimitar o estereótipo, passamos a fazer um julgamento de determinado grupo, o que nos
conduz a alguma atitude. Quando essa atitude é negativa, estamos, então, frente ao preconceito.
Exemplo: Podemos encontrar uma atitude negativa sobre os cientistas que afirma que eles não
apresentam emoções, que são insensíveis.
Discriminação
Baseado no preconceito, podemos observar a discriminação.
Exemplo: Não quero namorar um cientista, porque ele é uma pessoa não emotiva.
Quando formamos crenças de que indivíduos de um grupo social apresentam, em maior ou menor grau, um
mesmo padrão de características específicas, chamamos essas crenças de estereótipos. 
Para alguns estudiosos do assunto, durante a infância, adquirimos a habilidade de formar muitos estereótipos.
Muitas vezes, eles se constituem do mesmo modo como se desenvolvem as configurações mentais: ao
vermos um caso específico ou um conjunto de casos com o mesmo padrão, fazemos uma supergeneralização
a partir dessas observações limitadas e criamos um estereótipo (Sternberg, 2008).
Curiosidade
Foi no trabalho intitulado Opinião pública, de Valter Lippmann, publicado em 1922, que o termo
“estereótipo” surgiu. 
Os estereótipos são conceituados pela sociedade como um modo de defesa pessoal, e são estabelecidos
conforme a cultura e a tradição familiar às quais pertencemos. 
Inicialmente, os estudos sobre estereótipos estavam voltados para conteúdos éticos e raciais em nível grupal,
e pouca importância foi dada a pesquisas em nível individual.
O conceito tem sido alterado com o tempo, sob um ponto de vista negativo, a respeito de um conjunto de
pessoas para uma generalização das características conferidas a objetos e pessoas que possuem entre si
alguma semelhança, sendo ela pronunciada ou não. 
O mais frequente dos diversos tipos de estereótipos é o de gênero, que é uma atribuição feita pelo grupo de
traços e comportamentos específicos a homens e mulheres. Por exemplo, existe o estereótipo de que as
mulheres falam muito.
Porém, na vida social, existem outros estereótipos que também se destacam, como:
Classe social
 
Estado civil
 
Ocupações
Ainda hoje, não há um conceito único de estereótipo. Ao longo das últimas décadas de pesquisas, surgiram
diferentes vertentes e interesses individuais sobre o assunto. 
Apesar das diferenças importantes na maneira como a temática “estereótipos” é definida, basicamente, alguns
pontos são de comum acordo entre os psicólogos sociais sobre a definição de estereótipos. Veja a seguir
quais são: 
Um estereótipo é fundamentalmente cognitivo — convicção, julgamento, percepção, atribuição, visão,
características, expectativa, suposição, e assim por diante.
 
Um estereótipo é um conjunto de crenças relacionadas.
 
Os atributos, as personalidades ou o caráter de grupos são descritos pelos estereótipos.
 
Esses atributos permitem diferenciar os indivíduos como homens e mulheres.
É preciso levar em conta o consenso para caracterizar os estereótipos. 
Os estereótipos se originam da passagem do tempo com as repetidas experiências entre componentes de
grupos diversos, afetando as respostas que serão apresentadas em encontros futuros com os componentes
do grupo alvo dos estereótipos. 
Podemos conceber os estereótipos de duas as maneiras:
Como estruturas que podem ser representadas dentro das mentes individuais.
 
Como elementos específicos da própria sociedade, compartilhados em grande escala pelas pessoas
que convivem no interior de uma mesma cultura.
Sem dúvida, essas considerações estão associadas aos estereótipos, como a percepção social, visto que é
aceitável dizer que as informações percebidas devem ser interpretadas, codificadas, armazenadas e retiradas
da memória. Em todas as fases desse processo, podem ocorrer mecanismos da distorção perceptual.
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Desse modo, os estereótipos são elaborados como informações públicas compartilhadas por uma vasta
maioria de indivíduos da sociedade a respeito de alguns grupos sociais. 
Seria correto descrever os estereótipos como uma parte do conhecimento coletivo de uma sociedade, uma
vez que as crenças compartilhadas geram efeitos de magnitude considerável na forma como se apresentam
os comportamentos sociais. 
Mas não podemos esquecer que os estereótipos também cumprem
uma função em nossa percepção, pois eles reduzem a necessidade de
atenção e processamento de informação frente aos fatos. Assim,
podemos economizar tempo e energia quando estamos interagindo
com os outros. 
O problema é quando os estereótipos nos conduzem ao processo de discriminação, que implica sua relação
com algum julgamento (afeto) negativo, ou seja, quando derivam em preconceito. 
Atividade 1
Imagine que você é o gestor de recursos humanos de uma empresa multinacional. Durante uma reunião para
revisão de políticas de recrutamento, você observa que os gestores frequentemente escolhem candidatos que
compartilham sua própria nacionalidade, mesmo quando outros candidatos apresentam qualificações
superiores. Suspeita-se que estereótipos e preconceitos inconscientes estejam influenciando essas decisões.
 
Como gerente de RH, qual das seguintes ações você deve tomar para abordar a influência de estereótipos e
preconceitos nas decisões de contratação e promover um processo de seleção mais justo e inclusivo?
A Eliminar todas as informações pessoais, como nome e nacionalidade, dos currículos antes de serem
avaliados pelos gestores. 
B Implementar uma política de recrutamento baseada exclusivamente em entrevistas presenciais
conduzidas pelos gestores, sem utilizar ferramentas de avaliação padronizadas. 
C Permitir que os gestores continuem a tomar decisões de contratação sem fornecer treinamento sobre
vieses inconscientes e diversidade. 
D Deixar de revisar regularmente os critérios de seleção para garantir que estejam alinhados com os
princípios de inclusão e equidade.
E Ignorar os dados de diversidade nas contratações e não monitorar os padrões de contratação para
identificar possíveis discriminações.
A alternativa A está correta.
A remoção de informações pessoais, como nacionalidade, ajuda a evitar juízos baseados em estereótipos,
promovendo uma avaliação objetiva das qualificaçõesdo candidato, centrada em suas habilidades e
experiências profissionais. As demais alternativas não abordam com a mesma eficácia o viés inconsciente
na análise inicial de currículos.
Percepção social
Neste vídeo, vamos discutir como a percepção social está relacionada às teorias implícitas de personalidade,
que influenciam nossas interpretações e julgamentos sobre os outros. Assista!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Interação social
Até agora, vimos a fundamental importância da interação social para os estudiosos da cognição social. A
observação meticulosa e a análise dessas interações revelam muito mais do que aparentam à primeira vista.
Mas como exatamente esses processos se desenrolam e por que eles são essenciais para entendermos a
nossa própria humanidade?
 
Primeiramente, é fundamental que nos reconheçamos uns aos outros como seres pensantes, capazes de
percepção mútua. Este é o cerne da interação humana: sem a percepção do outro, a interação simplesmente
não ocorre.
Reflexão
Durante uma conversa, cada gesto e palavra não é apenas uma expressão casual; é a materialização de
um complexo jogo psicossocial. Formamos, quase instantaneamente, uma imagem do nosso interlocutor,
que nos guiará ao longo de toda a interação. Mas o que realmente fundamenta essa percepção? 
Os pesquisadores Taylor, Peplau e Sears (2006 apud Rodrigues; Assmar; Jablonski, 2012) destacam quatro
princípios gerais que governam nossa percepção dos outros. Eles são verdadeiros pilares na construção das
nossas relações sociais. Vamos conhecê-los!
Generalizações rápidas
Baseamos nossas impressões em poucas informações. Imagine conhecer um novo gestor apenas por
uma fotografia e já presumir sua competência ou a falta dela baseado em sua aparência jovial.
Foco em aspectos salientes
Tendemos a valorizar certas características em detrimento do conjunto completo. Por exemplo, você
pode fixar-se na altura de uma pessoa e ignorar suas demais qualidades e defeitos.
Catalogação instantânea
Ao percebermos características, rapidamente as associamos a um grupo conhecido. Por exemplo, ao
ver alguém com sapatilhas de ponta, automaticamente pensamos que pertence ao mundo do balé.
Influência das necessidades pessoais
Nossos objetivos e necessidades moldam a forma como percebemos os outros. Isso significa que
damos mais atenção a pessoas com as quais interagiremos frequentemente, como um novo colega de
trabalho, em comparação a um encontro fortuito com um estranho.
Como formamos a impressão sobre os outros?
Você já parou para pensar em como, em um instante, formamos uma imagem de alguém que acabamos de
conhecer? Esse processo, tão automático quanto intrigante, é a espinha dorsal das nossas relações sociais.
 
Vamos mergulhar nas nuances de como nossas mentes tecem as primeiras impressões, e como isso molda
nossas interações e, por fim, nossas relações.
1
A força da aparência física
A primeira coisa que frequentemente notamos em alguém é sua aparência física, que pode incluir
desde o estilo de vestir até características físicas marcantes. Imagine que você está em um evento e
vê uma pessoa usando um terno extremamente bem cortado; imediatamente, você pode assumir
que ela é sofisticada e profissional.
2
O poder do comportamento não verbal
Gestos, expressões faciais e postura revelam volumes sobre o estado emocional e a receptividade
de uma pessoa. Se alguém cruza os braços enquanto fala, por exemplo, pode parecer que está se
defendendo ou fechado para novas ideias.
3
O impacto da categorização
Rotulamos rapidamente as pessoas em categorias baseadas em características observáveis, como
idade, profissão ou mesmo sotaques. Esse atalho mental nos ajuda a navegar no mundo social, mas
também pode levar a julgamentos precipitados. Pense em como você pode perceber alguém com um
forte sotaque regional: você pode inconscientemente atribuir a essa pessoa traços culturais
associados a essa região.
4O legado das primeiras impressões
Estudos sugerem que nossas primeiras impressões são formadas nos segundos iniciais de um
encontro. Essas primeiras impressões são duradouras e podem ser difíceis de mudar. Se alguém
sorri sinceramente ao cumprimentá-lo, é provável que você o perceba como amigável e acessível.
5
A influência dos traços centrais
Alguns atributos de uma pessoa, como a honestidade, podem colorir nossa percepção de seus
outros traços. Por exemplo, se considerarmos alguém honesto, podemos também pensar que essa
pessoa é confiável e generosa.
Reflexão provocativa: Ao considerar esses aspectos, pergunte-se: até que ponto nossas impressões são
baseadas em observações objetivas e quanto delas são o resultado de preconceitos inconscientes? Será que
estamos negligenciando a verdadeira essência das pessoas ao confiar demais nessas impressões rápidas?
A teoria implícita de personalidade 
Você já parou para pensar em como criamos e sustentamos nossas impressões sobre as pessoas que
conhecemos? Essa capacidade, ao mesmo tempo fascinante e desafiadora, é moldada por algo conhecido
como teoria implícita de personalidade.
 
Segundo pesquisadores como Bruner e Tagiuri, formulamos essas teorias intuitivamente, associando traços de
personalidade e construindo um esquema complexo que influencia como vemos cada indivíduo.
 
Os esquemas são, essencialmente, molduras cognitivas que organizam as informações recebidas ao redor de
temas ou tópicos. Essas estruturas nos ajudam a processar rapidamente as informações sociais, mas também
nos predispor a vieses. 
Exemplo
Tendemos a atribuir características positivas a pessoas de quem gostamos e negativas àquelas de quem
não gostamos. 
Como funciona na prática
Suponha que você conheça um
novo colega de trabalho que é de
uma cidade ou país que você
admira. Instantaneamente, sua
mente pode associá-lo a todas as
qualidades positivas que você
presume sobre pessoas daquela
região. Inversamente, se alguém
menciona um grupo que você não
vê com bons olhos, você pode
inconscientemente focar as
características negativas.
 A teoria implícita de personalidade
também se manifesta na maneira
como absorvemos e rejeitamos
informações. Ao encontrar alguém
pela primeira vez, nossos esquemas
relacionados a profissão, gênero ou
etnia da pessoa entram em ação e
formamos uma impressão inicial que
nos guia a assimilar rapidamente
características que parecem
coerentes com ela e a descartar as
que não são.
O perigo das primeiras impressões
Nossa dificuldade em mudar as primeiras impressões é um reflexo direto dessa teoria. Uma vez que uma
impressão é formada, torna-se desafiador alterá-la, mesmo quando confrontados com evidências contrárias.
Isso pode levar a mal-entendidos e julgamentos errôneos que são difíceis de dissolver.
Como então podemos melhorar nossa percepção e evitar esses vieses? 
A chave está na consciência e no questionamento constante de nossas próprias percepções. Ao conhecer
alguém, podemos fazer um esforço consciente para ir além das primeiras impressões e explorar mais
profundamente as nuances de sua personalidade.
 
Ao desafiar nossos esquemas e estereótipos, não só melhoramos nossa habilidade de interação social, mas
também enriquecemos a compreensão sobre a diversidade humana. A próxima vez que você formar uma
impressão sobre alguém, pergunte-se: estou vendo esta pessoa como realmente é, ou estou sendo guiado por
minhas teorias implícitas?
Ao fazer isso, você abre caminho para relações mais autênticas e participa ativamente da construção de um
mundo mais compreensivo e menos julgador. 
Atividade 2
Durante um evento de networking, Ana, uma profissional de marketing, encontra-se pela primeira vez com
Tomás, um consultor de tecnologia da informação recém-chegado de outra cidade. Tomás veste um terno
impecavelmente ajustado e fala com um leve sotaque, destacando sua recente mudança. 
 
Ao conversarem, Ana percebe rapidamente a postura confiante e o sorriso cativante de Tomás, formando a
impressão de que ele é um profissional competente e agradável.No entanto, Ana começa a questionar sua
própria percepção ao notar que se sente mais inclinada a avaliar positivamente Tomás por sua aparência e
carisma, sem realmente conhecer sua competência técnica ou ética de trabalho.
 
Com base nesse cenário, qual alternativa melhor descreve o impacto da teoria implícita de personalidade
sobre a formação de impressões de Ana sobre Tomás?
AAna ignora completamente as primeiras impressões e decide basear sua avaliação de Tomás
exclusivamente em futuras interações de trabalho, demonstrando uma abordagem objetiva e imparcial.
B
A rápida categorização de Tomás como competente e agradável por Ana exemplifica como a aparência
física e o comportamento não verbal podem distorcer as percepções, reforçando estereótipos e
preconceitos.
CAs primeiras impressões de Ana são corretas e não precisam de revisão, já que a aparência e o
comportamento de Tomás são indicadores confiáveis de sua competência profissional e caráter pessoal.
D
Apesar das primeiras impressões positivas, Ana conscientemente se esforça para suspender o julgamento
e busca mais informações sobre as habilidades e a ética de trabalho de Tomás, refletindo a influência
limitada das teorias implícitas.
E
Ana percebe que sua avaliação de Tomás é excessivamente baseada em estereótipos sobre consultores
de TI e decide ignorar tanto as características positivas quanto as negativas observadas durante o
evento.
A alternativa D está correta.
Ana, embora inicialmente influenciada por suas impressões iniciais positivas, reconhece o possível viés e
faz um esforço consciente para buscar mais informações antes de formar uma avaliação completa. Isso
demonstra uma compreensão da teoria implícita de personalidade e a intenção de mitigar seus efeitos,
reconhecendo que as primeiras impressões podem ser enganosas e que é necessário um entendimento
mais aprofundado para uma avaliação adequada. 
5. Conclusão
Considerações finais
A cognição social é o estudo da forma pela qual processamos a informação. Nela, está incluída a forma como
codificamos, armazenamos e recuperamos informação de situações sociais. 
Por isso, é uma ferramenta importante para entendermos as relações, as emoções, os pensamentos, as
intenções e as condutas sociais dos outros indivíduos ou grupos. Ela gerencia em nossa mente a grande
quantidade de informações oriundas de nosso meio, como as heurísticas, os esquemas, as crenças e as
representações sociais. 
É crucial compreender esse processamento, a fim de construir uma base sólida de conhecimento científico a
respeito do assunto. 
Podcast
Ouça agora uma reflexão sobre os conceitos de crenças, atitudes, valores, estereótipos e preconceitos e
o uso da cognição social para o estudo do comportamento social, ilustrando a teorias das
representações sociais e a percepção social.
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Para conhecer melhor a percepção social e os estereótipos, busque e assista à palestra TED com a psicóloga
social Leah Georges: Como os estereótipos geracionais nos inibem de progredir no trabalho.
 
Para compreender melhor a relação entre valores, atitudes e comportamento, pesquise e leia o artigo de
Jorge Artur Peçanha Coelho, Valdiney Veloso Gouveia e Taciano Lemos Milfont, publicado em 2006, na revista
Psicologia em Estudo: Valores humanos como explicadores de atitudes ambientais e intenção de
comportamento pró-ambiental. 
Referências
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258-290, 1946.
 
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FERREIRA, M. C. A psicologia social contemporânea: principais tendências e perspectivas nacionais e
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KRÜGER, H. Ideologias, sistemas de crenças e atitudes. In: CAMINO, L. et al. Psicologia social: temas e teorias.
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KRÜGER, H. Psicologia social das crenças. Curitiba: CRV, 2018.
 
MOSCOVICI, S. Psychanalyse, son image et son public. Paris: Presses Universitaires de France, 1961.
 
PEREIRA, D. B.; MONTEIRO, L. A. Cognição social: crenças e sistemas de crenças. Campinas: D7, 2020.
 
RODRIGUES, A. Psicologia social. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1976.
 
RODRIGUES, A.; ASSMAR, E.; JABLONSKI, B. Psicologia social. 29. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.
 
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
 
STERNBERG, R. J. Psicologia cognitiva. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
	Psicologia cognitiva e cognição social
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Psicologia cognitiva e cognição social
	Fundamentos da psicologia cognitiva
	Conteúdo interativo
	Origens e correntes de pensamento
	Behaviorismo
	Psicanálise
	Educação
	Terapia cognitiva-comportamental
	Design de interfaces
	Relação entre cognitivismo e a psicologia social
	Atividade 1
	Princípios da cognição social
	Delimitação do campo de estudo
	Esquemas sociais e sua influência
	Autoconceito
	Tímido
	Calmo
	Extrovertido
	Gênero
	Ocupações
	Médico
	Psicólogo
	Político
	Engenheiro
	Grupos étnicos ou culturais
	Negro, asiático, mulçumano
	Comportamento em ambientes específicos
	Salas de aula
	Festas
	Cerimônias religiosas
	Profecias autorrealizadoras
	Exemplo
	Priming e primazia: ativação de esquemas
	Exemplo
	Heurísticas e construção de categorias
	Exemplo
	Exemplo
	Fontes internas
	Fontes externas
	As heurísticas e a construção de categorias
	Conteúdo interativo
	Atividade 2
	2. Crenças, atitudes e valores
	O estudo das crenças
	Conteúdo interativo
	Conceito de crenças
	Entendendo os tipos de crenças
	Tipo A – Crenças primitivas (consenso 100%)
	Tipo B – Crenças primitivas (consenso 0)
	Tipo C – Crenças de autoridade
	Tipo D – Crenças derivadas
	Tipo E – Crenças inconsequentes
	Exemplo
	Atividade 1
	O estudo das atitudes
	Conteúdo interativo
	Definição de atitudes
	Louis Thurstone
	Harry Triandis
	Gordon Allport
	Fabrigar e Wegener
	Allport
	Componentes atitudinais
	Componente cognitivo
	Componente afetivo
	Componente comportamental
	Exemplo
	Atividade 2
	O estudo dos valores
	Conteúdo interativo
	Concepção e classificação de valores
	Exemplo
	Atividade social
	Estética
	Praticidade
	Teoria
	Poder
	Religião
	Explorando a teoria de valores e tipos motivacionais de Schwartz
	Abertura à mudança X Conservação
	Abertura à mudança
	Conservação
	Autotranscendência X Autopromoção
	Autotranscendência
	Autopromoção
	Interseção interessante: o hedonismo
	Implicações práticas
	Exemplo
	Atividade 3
	3. Teoria das representações sociais
	Princípios teóricos
	Conteúdo interativo
	Origens da teoria das representações sociais
	Processo de ancoragem
	Exemplo
	Processo de objetivação
	Exemplo
	Seleção e descontextualização
	Formação do núcleo figurativo
	Naturalização dos elementos
	Atividade 1
	Funções e abordagens
	Conteúdo interativo
	Universos reificados e consensuais
	Universo reificado: a fundamentação das representações sociais
	Exemplo
	Universo consensual: o contexto dinâmico das representações sociais
	Exemplo
	Exemplo
	Exemplo
	A importância das representações sociais
	Função de conhecimento
	Função identitária
	Função de orientação
	Função justificadora
	O núcleo central: a escola de pensamento conservadora
	Atividade 2
	4. Estereótipos e percepção social
	Estereótipos
	Conteúdo interativo
	EstereótipoPreconceito
	Discriminação
	Curiosidade
	Atividade 1
	Percepção social
	Conteúdo interativo
	Interação social
	Reflexão
	Generalizações rápidas
	Foco em aspectos salientes
	Catalogação instantânea
	Influência das necessidades pessoais
	Como formamos a impressão sobre os outros?
	A força da aparência física
	O poder do comportamento não verbal
	O impacto da categorização
	O legado das primeiras impressões
	A influência dos traços centrais
	A teoria implícita de personalidade
	Exemplo
	Como funciona na prática
	O perigo das primeiras impressões
	Atividade 2
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasa
interação humano-computador.
A psicologia cognitiva não apenas nos ensina sobre a estrutura e o funcionamento da mente humana, mas
também como podemos aplicar esse conhecimento para melhorar nossa vida diária, nossas interações sociais
e nossas capacidades tecnológicas. É uma área que continua a inspirar e a promover uma compreensão mais
profunda do ser humano mais complexo de todos: nós mesmos. 
Relação entre cognitivismo e a psicologia social
Nos anos 1980, o foco da psicologia social começou a se deslocar para os processos cognitivos que ocorrem
dentro de nós quando estamos em grupos ou mesmo pensando em outros. Esse ramo da psicologia,
conhecido como psicologia social cognitiva, explora como nossos pensamentos, sentimentos e
comportamentos são influenciados pela presença real ou imaginada de outras pessoas.
 
Assim, o cognitivismo se estabeleceu de vez como abordagem preponderante no cenário norte-americano e
na psicologia social psicológica, que concebia o indivíduo como parte de um sistema.
 
No início, a psicologia social se dedicava a estudar os processos socioculturais do homem. Posteriormente,
passou a colocar luz sobre os processos intraindividuais e se tornou mais subjetiva, denominando-se
psicologia social psicológica.
Essa visão explica os sentimentos,
pensamentos e comportamentos do
indivíduo na presença real ou
imaginada de outras pessoas. Em
outras palavras, foca os estudos de
como o indivíduo responde aos
estímulos do grupo.
 Assim, as pesquisas na área da
cognição social passaram a ser
alvo de grande interesse. Seu
propósito fundamental é
compreender os processos
cognitivos que se encontram
subjacentes aos pensamentos
sociais.
Atividade 1
Uma professora universitária observa que muitos de seus alunos têm dificuldade em se concentrar durante as
aulas e frequentemente parecem distraídos ou ansiosos. Ela decide consultar um psicólogo para desenvolver
estratégias que ajudem a melhorar a concentração e o desempenho acadêmico dos alunos.
 
Qual abordagem teórica o psicólogo deveria recomendar para atingir esse objetivo de forma eficaz,
considerando as características da psicologia cognitiva?
A
Implementar um programa de reforço comportamental, no qual os alunos recebem pontos por
participação ativa e atenção durante as aulas, baseado em princípios do behaviorismo, sem abordar as
causas subjacentes da distração.
B
Introduzir sessões de terapia psicanalítica em grupo, focando a exploração de conflitos internos e
experiências passadas que podem estar afetando a capacidade dos alunos de se concentrar,
identificando traumas ou conflitos reprimidos.
C
Desenvolver um workshop sobre técnicas de gerenciamento cognitivo, ensinando os estudantes a
identificarem e reformularem pensamentos distrativos e ansiosos que interferem na aprendizagem,
baseado nos princípios da terapia cognitivo-comportamental.
D
Organizar sessões de treinamento para melhorar habilidades mnemônicas e técnicas de estudo, focando
exclusivamente o aspecto cognitivo de armazenar e recuperar informações, sem abordar as emoções ou
comportamentos durante as aulas.
E
Propor um programa de meditação e mindfulness antes das aulas para reduzir a ansiedade e melhorar a
concentração, baseando-se em técnicas de atenção plena para acalmar a mente, mas sem intervenção
cognitiva direta nos hábitos de estudo ou na dinâmica da sala de aula.
A alternativa C está correta.
Incorporar diretamente os princípios da psicologia cognitiva focados na reformulação de pensamentos
negativos e distrativos, comumente associados a problemas de concentração e ansiedade, é uma boa
abordagem. 
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é eficaz para ensinar estratégias práticas que os estudantes
podem usar para controlar seus pensamentos e melhorar o foco durante o aprendizado. Esse método trata
os sintomas (como distração e ansiedade) e aborda as causas cognitivas subjacentes, oferecendo
ferramentas duradouras que os alunos podem aplicar em várias situações acadêmicas e pessoais. 
Princípios da cognição social
Delimitação do campo de estudo
A cognição social pode ser vista como uma subárea da psicologia, já que abarca uma série de microteorias,
que foram surgindo no contexto da psicologia social em uma tentativa de entender como os indivíduos
formam pensamentos a respeito deles mesmos, de outras pessoas, dos fatos e grupos sociais, e como
explicam comportamentos e eventos.
A cognição social é, sobretudo, o estudo de
como as pessoas fazem inferências sobre
informações obtidas no meio social, como elas
se percebem, interpretam, representam e se
lembram de informações sobre elas mesmas e
os demais, como tais inferências são formadas
e afetam o comportamento. 
 Além disso, está
fundamentada no
processamento da
informação e nos
processos cognitivos
como atenção,
percepção, memória e
o julgamento.
No que diz respeito a esses processos cognitivos, eles são influenciados por tendenciosidades, esquemas
sociais, heurísticas (atalhos para o conhecimento da realidade social) e automatismos (comportamento
exibido inconscientemente). Comumente, tendemos a descobrir as causas dos comportamentos, tanto nossos
quanto de outras pessoas (Ferreira, 2010).
Esquemas sociais e sua influência 
Esquemas sociais são estruturas cognitivas que organizam e interpretam informações em nossa memória. Eles
se formam a partir de experiências anteriores e influenciam como interpretamos e reagimos a novas
informações e situações sociais.
 
Além disso, podem ser relacionados a conceitos sobre nós mesmos, gênero, ocupações, grupos étnicos ou
comportamentos esperados em determinados ambientes sociais. Dessa forma, possuímos os esquemas (e
alguns exemplos) que listamos a seguir.
Autoconceito
De nós mesmos: esses esquemas incluem autopercepções que influenciam como nos vemos e como
acreditamos que os outros nos veem:
Tímido
Pode implicar uma tendência a evitar situações
sociais ou sentir desconforto em grupos
grandes.
Calmo
Indica uma pessoa que geralmente mantém a
serenidade, mesmo em situações estressantes.
Extrovertido
Refere-se a indivíduos socialmente expansivos,
energizados pela interação com outras pessoas
e que frequentemente buscam companhia. 
Gênero
Masculino e feminino: esses esquemas refletem as expectativas culturais e sociais associadas aos gêneros.
Eles podem influenciar desde a percepção de papéis sociais até comportamentos considerados apropriados
para cada gênero, e incluem características atribuídas tradicionalmente a cada um, como assertividade ou
empatia.
Ocupações
De pessoas: esquemas ocupacionais ou profissionais, que incluem suposições sobre as características e
comportamentos típicos de certas profissões:
Médico
Frequentemente associado a traços como
competência, cuidado e inteligência.
Psicólogo
Visto como observador, empático e
comunicativo.
Político
Muitas vezes ligado à persuasão, carisma e, por
vezes, desconfiança.
Engenheiro
Percebido como prático, analítico e detalhista.
Grupos étnicos ou culturais
De determinados grupos: esses esquemas podem incluir percepções estereotipadas de grupos étnicos ou
culturais, que, embora muitas vezes sejam imprecisas ou prejudiciais, moldam a interação entre diferentes
comunidades:
Negro, asiático, mulçumano 
Cada um desses grupos pode ser associado a
uma variedade de características culturais,
religiosas ou comportamentais que influenciam
como os membros desses grupos são
percebidos e tratados socialmente.
Comportamento em ambientes específicos
Em certos ambientes: esses esquemas ajudam a prever e interpretar comportamentos em contextos
específicos, facilitando a adaptação às normas sociais desses ambientes:
Salas de aula 
Geralmente associadas ao aprendizado,
atenção e respeito pela autoridade do
educador.
Festas
Vistas como locais de socialização desinibida,
diversão e interação livre.
Cerimônias religiosas 
Espera-se comportamento reverente,
participação nos rituais e respeito pelas
tradições.
Esses esquemas, além de guiarem nossas expectativas e interações, tambémsão reforçados por nossas
experiências cotidianas, consolidando-se como verdadeiros atalhos mentais que nos permitem navegar pelo
complexo mundo social.
Ao entender e reconhecer esses esquemas, podemos trabalhar para superar preconceitos e melhorar nossa
capacidade de interagir com uma ampla gama de indivíduos e situações de maneira mais eficaz e empática. 
Profecias autorrealizadoras
Um modo como os esquemas sociais afetam nosso comportamento pode ser visto por meio das profecias
autorrealizadoras, que, também, são uma forma pela qual os esquemas são mantidos.
Mas o que significa uma profecia autorrealizadora?
Trata-se de mostrar um padrão de comportamento que, orientado por esquemas sociais, faz com que o
indivíduo, para o qual esse comportamento se destina, seja influenciado por ele e responda de forma a
atender ao que estaria sendo esperado.
 
Em outras palavras, é quando agimos de acordo com nossos esquemas sociais, e tal maneira de agir, muitas
vezes, induz a resultados compatíveis com estas expectativas, reforçando-as em vez de contestá-las.
Exemplo
Imagine um treinador de basquete que diz que seu jogador na posição de armador não consegue fazer cestas
de 3 pontos por ser o mais baixo. Dessa forma, quando há oportunidade, pede para ele passar a bola.
 
O jogador acaba se convencendo de que não é capaz e acaba não dando mais atenção a treinar arremessos
desse tipo. Por consequência, passa a errar as cestas de 3 pontos, confirmando a profecia do treinador de
que ele não seria capaz.
Priming e primazia: ativação de esquemas
Os esquemas sociais podem ser ativados por processos como priming e primazia. Priming refere-se a como
um estímulo inicial pode preparar uma pessoa para responder de maneira específica a estímulos
subsequentes, muitas vezes de maneira inconsciente. Por outro lado, a primazia se relaciona com a influência
das primeiras informações recebidas sobre a percepção de informações posteriores, reforçando a importância
das primeiras impressões. 
A primazia diz respeito a informações recentes que são capazes de ativar um esquema. Assim, o conhecido
efeito primazia refere-se ao fenômeno em que prestamos mais atenção às informações que nos são
apresentadas em primeiro lugar. Esse fenômeno pode ser associado ao impacto que sofremos com as
primeiras impressões.
Exemplo
Seguranças de aeroporto que lidam quotidianamente com infratores e traficantes tornam-se propensos a
perceber o comportamento das pessoas em termos de criminalidade, especialmente quando algum
comportamento considerado suspeito é observado. Frente a esse comportamento, o segurança pode ignorar
qualquer outra informação e deter o sujeito que se torna, para ele, perigoso.
A ativação do esquema devido ao efeito priming ocorre de forma inconsciente. Dependendo da importância
do evento social, os esquemas sociais são ativados de imediato sem a necessidade de muito esforço.
Heurísticas e construção de categorias
Outros elementos importantes para o paradigma do processamento de informações são as heurísticas e a
construção de categorias. 
A heurística ou atalhos mentais é um método rápido de chegar a conclusões ao tentarmos conhecer
o ambiente social, mas nem sempre nos leva a conclusões corretas.
Diariamente, somos submetidos a uma série de informações, mas temos uma capacidade limitada para
processar todas essas informações sociais, e, por isso, lançamos mão de heurísticas para enfrentar o grande
volume e complexidade das informações sociais. Portanto, erros e distorções em nossos julgamentos e
tomadas de decisão são cometidos (Ferreira, 2010).
Exemplo
Ao recebermos a informação de que, nos cursos de odontologia, há mais mulheres que homens, utilizamos
esse conhecimento para afirmar que há mais mulheres atuando clinicamente como dentistas que homens, o
que pode não ser verdade.
Na literatura, podemos encontrar diferentes tipos de heurísticas. Rodrigues, Assmar e Jablonski (2012) nos
dão exemplos de heurísticas de representatividade, que consistem em levar em conta a semelhança entre
dois objetos para deduzir que um possui características daquele com o qual se aparece. 
 
Um exemplo disso é quando consideramos que os produtos mais caros são de melhor qualidade.
Podemos dizer que é usar um atalho para
chegar a uma conclusão, utilizando a
semelhança da situação observada com
um esquema cognitivo previamente
adquirido. Desse modo, ao concluir que a
nova situação é representativa do
esquema anterior, é possível chegar
rapidamente a um julgamento.
 Outra heurística muito
comum é o uso de um ponto
de referência para a
construção de julgamentos.
Geralmente, o ponto de
referência utilizado para se
fazer esse julgamento é a
pessoa que o emite.
Exemplo
Uma pessoa mais extrovertida tende a julgar uma pessoa menos extrovertida como tímida ou pouco sociável;
uma pessoa que mora em um país de clima frio tem a tendência a considerar temperaturas acima dos 35
graus insuportáveis.
Com isso, podemos observar que o falso consenso consiste em acreditar que certo posicionamento sobre
uma situação específica é compartilhado pelas demais pessoas. O risco é levar a aceitar nossa visão de
mundo correta, sem antes fazer nenhuma crítica.
As diferentes heurísticas apresentadas aqui são usadas quando o assunto em questão não tem muita
importância, quando nos encontramos exaustos cognitivamente, ou quando temos urgência em emitir
julgamentos e não temos muita informação sobre o assunto. 
Pesquisas demonstraram que grande parte do nosso comportamento social é orientado por pensamentos
automáticos, independentemente de nossa consciência dele. 
 
A seguir, veremos que o comportamento é uma função de:
Fontes internas
São oriundas de pensamentos conscientes com
base no comportamento.
Fontes externas
São apenas percepções do comportamento dos
outros.
O ambiente externo pode influenciar o comportamento de uma pessoa, de modo que ela mesmo não perceba
conscientemente. Nosso comportamento também pode ser manifestado de forma automática, sem
participação consciente. 
Entretanto, fenômenos mais complexos podem exigir um maior grau de processamento, mais controlado e
consciente, o que dependerá de habilidades cognitivas do percebedor em relação ao meio social.
As heurísticas e a construção de categorias
Neste vídeo, vamos refletir sobre os diversos tipos de heurísticas e a sua importância no estudo e na
compreensão do comportamento social. Assista!
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Atividade 2
Considere a teoria de cognição social e seu estudo sobre como as pessoas interpretam, percebem e
memorizam informações em um contexto social. Em uma empresa, um gerente observa que alguns membros
de sua equipe, provenientes de diferentes origens culturais, têm dificuldades em colaborar efetivamente.
 
Para melhorar a comunicação e a colaboração entre eles, que abordagem baseada nos princípios da cognição
social poderia ser mais eficiente?
A
Implementar treinamentos focados exclusivamente em habilidades técnicas, supondo que a eficiência no
trabalho é primariamente uma questão de competência técnica, sem abordar as diferenças culturais ou
sociais.
B
Conduzir sessões de desenvolvimento que incluam exercícios de simulação e discutir situações de
trabalho, em que os participantes podem ativar e refletir sobre seus próprios esquemas sociais e os dos
outros, melhorando a compreensão mútua.
C
Organizar retiros fora do ambiente profissional que se concentrem em atividades de lazer e socialização,
evitando qualquer discussão direta sobre trabalho ou diferenças culturais, na esperança de que o convívio
social melhore a colaboração no ambiente.
D
Aplicar um método de avaliação que pontue os funcionários com base em sua capacidade de aderir a um
conjunto padronizado de comportamentos, com a expectativa de que uma abordagem uniforme eliminará
mal-entendidos culturais.
E
Introduzir um sistema de mentoria em que funcionários de diferentes culturas são pareados
aleatoriamente, focando o intercâmbio de experiênciaspessoais e profissionais sem um framework
estruturado para abordar esquemas sociais ou diferenças culturais.
A alternativa B está correta.
As sessões de desenvolvimento que utilizam simulações são particularmente valiosas em contextos
multiculturais porque permitem que os participantes explorem e entendam os esquemas sociais — tanto os
próprios quanto os dos colegas. Essa metodologia promove a reflexão sobre como diferentes antecedentes
culturais influenciam a percepção e a interação no ambiente de trabalho. Ao reconhecer e discutir essas
diferenças em um cenário controlado, os membros da equipe podem desenvolver melhores estratégias
para comunicação e colaboração, superando barreiras culturais e fortalecendo o respeito mútuo. 
2. Crenças, atitudes e valores 
O estudo das crenças
Assista ao vídeo e entenda o conceito, os tipos e as funções das crenças por meio de exemplos e um estudo
de caso.
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Conceito de crenças
Na cognição social, o conceito de crenças é muito estudado e pesquisado. Portanto, podemos dizer que tem
um lugar de destaque. 
Krüger (2011) destaca que uma afirmação qualquer feita por um indivíduo, tendo como origem a própria
experiência e sendo esta afirmação aceita por pelo menos um indivíduo, ela passa a ser uma crença. E as
crenças originam-se sempre individualmente, sendo que o grau de sua aceitação subjetiva varia bastante.
As crenças se apresentam por meio da linguagem oral ou escrita e, sendo assim, podem ser avaliadas. São
representações mentais, uma vez que seu conteúdo é simbólico. Estão conectados a essas crenças os
processos cognitivos, afetivos e motivacionais. 
Quando as crenças são originárias de algo com o qual nos identificamos ou que tem valor, são mais intensas
do que as formadas por meio de uma mera percepção sem muita importância (Krüger, 2018).
O indivíduo resiste mais fortemente a mudar crenças que são, para ele,
mais relevantes do que crenças superficiais, como, por exemplo,
opiniões. As opiniões são crenças superficiais construídas a partir da
interação social. Quanto menos temos convicção a respeito de algo,
mais frágil é a crença.
Bem (1973) afirma que a compreensão de um homem sobre si mesmo e do seu meio é formada a partir de
crenças, e que elas são produtos da experiência direta do homem com o meio.
Entendendo os tipos de crenças
Em 1981, o pesquisador Rockeach (apud Pereira; Monteiro, 2020) disse que as crenças nos homens estão
organizadas em um sistema arquitetônico e que, para o homem, não é possível conceber que as crenças
existam fora dessa organização.
Segundo esse autor, as crenças estão organizas em seu sistema de forma concêntrica, com crenças centrais
e periféricas. Confira quais são elas:
1Tipo A – Crenças primitivas (consenso 100%)
São as crenças mais centrais e incontestáveis. São tidas como verdades absolutas de um indivíduo
sobre a realidade física, social e a natureza do eu. São formadas a partir do contato direto com o
objeto da crença e reforçadas por um consenso social. As crenças primitivas possuem a capacidade
de reunir outras crenças. 
Exemplos:
- “Eu acredito que isto é uma mesa.” 
- "Eu acredito que esta é minha mãe.” 
- “Eu acredito que meu nome é Maria.” 
 
2
Tipo B – Crenças primitivas (consenso 0)
São crenças centrais e incontestáveis, mas diferem do tipo A, uma vez que não necessitam do
consenso social para reforçá-las. As afirmativas dessa classificação abarcam as crenças em algumas
coisas que nenhuma outra pessoa poderia ter conhecimento e, como consequência, não importa se
os outros acreditam. 
Exemplo: existe a crença de que alguém pode ter de justificar o porquê de certos hábitos ou práticas
pessoais.
- “Eu sempre tiro os aparelhos eletrônicos da tomada, porque, assim, tenho certeza de que, mesmo
desligados, não gastam energia.” 
 
3
Tipo C – Crenças de autoridade
Não são crenças centrais. Têm origem na infância e são, de início, compartilhadas com outras
pessoas que exercem influência sobre desenvolvimento da criança, porém, com o passar do tempo,
a criança percebe que não são válidas. 
Exemplos:
- Papai Noel
- Cuca
- Fada dos dentes
 
4Tipo D – Crenças derivadas
Formam-se mais por meio do processo de identificação do que pelo contato direto com o objeto da
crença. É uma forma de crença de autoridade, a qual é oriunda da influência dos meios de
comunicação, de pessoas, de objetos ou de instituições. 
Exemplos:
- “Eu acredito que o Brasil é um continente, pois eu ouvi isso naquela emissora de TV famosa.” 
- “Eu acredito que o céu é aqui, pois o líder da minha religião afirmou isso.” 
 
5
Tipo E – Crenças inconsequentes
Não têm uma justificativa plausível para sua ocorrência, baseiam-se em situações de preferência.
São associadas a questões de gosto e consideradas inconsequentes por apresentarem pouca ou
nenhuma ligação com outras crenças. Não necessitam de reforço do consenso social.
 
Exemplo: 
- “Eu acredito que beleza é questão de gosto. Para mim, você é bonito.” 
 
Nem todas as crenças possuem a mesma importância para o indivíduo, podendo elas serem centrais ou
periféricas. Quanto mais central for uma crença, maior será a resistência à mudança. E, por conseguinte,
quanto mais central for a crença modificada, maior será a repercussão no sistema de crenças. 
As crenças e atitudes humanas têm como alicerce quatro processos do ser humano. Confira!
Cognitivos (pensar)
 
Emocionais (sentir)
 
Comportamentais
 
Sociais
Os dois últimos implicam interagir com os outras pessoas.
• 
• 
• 
• 
Segundo Bem (1973), dentre as crenças primitivas, a fé na validade da experiência sensorial é a mais
importante. O autor justifica essa afirmação exemplificando que acreditamos que um objeto continua com o
mesmo tamanho e forma quando dele nos afastamos, embora sua imagem visual mude: ele continua no
mesmo lugar quando não o estamos olhando. 
É possível analisar cada crença até que se chegue à crença básica ou crença primitiva, da qual esta se
originou. 
Exemplo
Se uma pessoa profundamente religiosa começa a questionar sua fé — uma crença central — isso pode
repercutir em várias outras áreas de sua vida, afetando desde suas interações sociais até suas emoções
e comportamentos. Em contraste, mudar uma crença periférica, como preferir uma marca de pasta de
dentes em vez de outra, é geralmente simples e de pouca consequência. 
A análise de crenças revela que cada uma pode ser traçada até uma crença mais básica ou primitiva, de onde
se originou. Compreender esse processo pode nos levar a descobertas sobre como construímos nosso
entendimento do mundo e de nós mesmos. Esse tipo de introspecção enriquece nosso autoconhecimento e
pode orientar como vivemos e interagimos com o mundo ao nosso redor. 
Atividade 1
Considere o conceito de crenças centrais e periféricas dentro do estudo da cognição social. Um gerente de
recursos humanos está projetando um programa de treinamento para promover a inclusão e a diversidade no
local de trabalho. O objetivo é mudar as atitudes e crenças dos funcionários em relação às diferenças culturais
e de gênero.
 
Com base nos princípios da cognição social, qual das seguintes abordagens é mais provável que efetivamente
mude as crenças periféricas e possivelmente influencie as crenças centrais dos funcionários?
A Organizar uma série de palestras informativas ministradas por especialistas em diversidade, que
apresentam estatísticas e estudos de caso para reforçar a importância da inclusão.
B Introduzir um programa de mentoria em que funcionários de diferentes departamentos e antecedentes
culturais são pareados para trocar experiências pessoais e profissionais.
C Implementar uma política estrita que penaliza comportamentos discriminatórios, acompanhada de
cartazes e e-mails regulares sobre as regras.
DCriar um grupo de discussão on-line no qual os funcionários podem compartilhar artigos e vídeos
relacionados a diversidade e inclusão, mas sem a mediação ou intervenção de facilitadores treinados.E Desenvolver um workshop interativo que envolve simulações, permitindo que os funcionários
experimentem a perspectiva de colegas de diferentes culturas e gêneros.
A alternativa E está correta.
O aprendizado experiencial e o engajamento emocional são fundamentais para desafiar e alterar crenças
profundamente arraigadas. Workshops interativos com simulações permitem que os funcionários vivenciem
as perspectivas de outros, promovendo empatia e compreensão. Isso altera percepções superficiais e tem
o potencial de impactar crenças centrais ao evidenciar a importância de atitudes inclusivas. 
O estudo das atitudes 
Neste vídeo, você vai compreender o conceito de atitudes, seus componentes e a influência que exercem no
comportamento. Assista!
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Definição de atitudes
No contexto sociopsicológico, a atitude é um constructo dos mais antigos. Por parte dos psicólogos sociais,
em todas as épocas, o estudo das atitudes tem sido de grande consideração. 
No que diz respeito a esses estudos, a década de 1930 foi marcada pelo desenvolvimento das escalas de
medida de atitude. Porém, na segunda metade dessa década, os psicólogos sociais se preocuparam em
procurar os determinantes das atitudes. Na década de 1940, os resultados dessas investigações foram
publicados. 
Conhecer as atitudes de uma pessoa em relação a determinados objetos permite que se façam suposições a
respeito de seu comportamento. Para cada um de nós, as atitudes exercem funções específicas, ajudando-
nos a formar uma ideia mais estável da realidade em que vivemos. 
Apresentamos, a seguir, definições de atitude de alguns importantes estudiosos da psicologia social. 
Louis Thurstone
Em 1928, segundo Rodrigues (1976), o psicólogo norte-americano Louis Thurstone (1887-1955)
definiu a atitude como a intensidade de afeto a favor ou contra um objeto psicológico.
Harry Triandis
Em 1971, foi descrita pelo psicólogo grego Harry Triandis (1926-2019) como uma ideia carregada de
emoção que predispõe um conjunto de ações a um conjunto específico de situações sociais
(RODRIGUES, 1976).
Gordon Allport
Em 1935, o psicólogo estadunidense Gordon Allport (1897-1967) definiu atitude como “um estado
mental e neurológico de prontidão, organizado através da experiência, e capaz de exercer uma
influência diretiva ou dinâmica sobre a resposta do indivíduo a todos os objetos e situações a que
está relacionada” (RODRIGUES, 1976, p. 395-396).
Fabrigar e Wegener
Fabrigar e Wegener (2010 apud FERREIRA, 2010) estabeleceram que as atitudes podem ser definidas
como avaliações gerais e duradouras que oscilam de um extremo positivo a um negativo dos objetos
presentes no mundo social, o que compreende pessoas, grupos, comportamentos etc. Segundo esse
conceito, fazem parte delas as cognições e os afetos sobre tais objetos.
Allport
Na década de 1930, Allport compilou por volta de cem definições, e mesmo que nem todas fossem
amplamente aceitas, alguns temas eram recorrentes nas várias definições oferecidas pelos autores.
Um exemplo disso está no fato de estas definições se encontrarem relacionadas a diversas
manifestações, incluindo as crenças, os valores e as opiniões, e de elas abarcarem avaliações de
objetos sociais.
Componentes atitudinais
As atitudes são como a arquitetura invisível da mente, estruturadas em torno de três componentes essenciais:
cognitivo, afetivo e comportamental. Cada um desses componentes tem um papel fundamental na formação
das nossas reações e interações com o mundo ao nosso redor. Os três pilares são:
1
Componente cognitivo
O aspecto pensante das atitudes, em que julgamentos e crenças residem. É formado por crenças e
conhecimentos que temos sobre um objeto. Antes de formar uma atitude em relação a algo,
precisamos de uma representação mental desse objeto. Por exemplo, uma pessoa pode considerar a
arte contemporânea intrigante ou incompreensível, dependendo de suas crenças prévias. Essa visão,
quer baseada em informações precisas ou estereótipos, molda a atitude delas em relação a esse
estilo artístico. Quando essa representação é vaga ou incorreta, pode levar a uma resposta emocional
menos intensa, mesmo que a percepção não corresponda à realidade.
2Componente afetivo
Aqui estão os sentimentos associados a um objeto, como o carinho que sentimos por uma cidade
natal ou a aversão por um comportamento social particular. Esse componente é exclusivo das
atitudes, diferente das crenças e opiniões que são essencialmente neutras. Tomemos, por exemplo, a
crença de que os seres humanos podem ter origens extraterrestres. Alguém pode manter essa
crença sem nenhum sentimento associado. No entanto, se essa crença for carregada de emoção,
pode evoluir para uma atitude, especialmente se a pessoa se encontrar defendendo
apaixonadamente essa visão em um debate.
3
Componente comportamental
Este componente traduz atitudes em ação, como o apoio visível a uma causa ambiental ou a escolha
de comprar produtos de empresas socialmente responsáveis. O componente comportamental das
atitudes se refere a como estamos predispostos a agir com base em nossas crenças e sentimentos.
Em 1965, os pesquisadores concluíram que as atitudes sociais criam uma predisposição para a ação
que pode manifestar-se em comportamentos específicos. Por exemplo, um torcedor de futebol,
movido por afetos e cognições fortes sobre seu time, demonstrará seu apoio durante os jogos,
evidenciando como as atitudes podem determinar o comportamento.
Esses componentes interagem para formar uma base sobre a qual agimos e reagimos no mundo social. Além
de nos ajudar a entender e prever comportamentos, as atitudes têm uma função adaptativa significativa,
auxiliando-nos a navegar por um ambiente social complexo. 
Exemplo
Uma pessoa pode ter uma forte atitude negativa em relação à membros de outra religião. No entanto, se
essa pessoa estiver em um evento social com membros dessa religião, as normas sociais e a expectativa
de comportamento educado podem prevalecer, levando-a a agir de forma respeitosa, apesar de seus
sentimentos pessoais. 
Portanto, ao refletir sobre esses componentes, entendemos melhor não apenas o que pensamos e sentimos,
mas também como essas atitudes se traduzem em ações concretas. 
Como nossas atitudes moldam nossa percepção do mundo e influenciam nossos comportamentos?
E como podemos cultivar atitudes que promovam mais empatia e entendimento em nossas
interações?
Aprofundar esses questionamentos pode enriquecer nossa compreensão de nós mesmos e dos outros,
conduzindo a uma convivência mais harmoniosa e respeitosa em sociedade. 
Atividade 2
Imagine que você é um educador desenvolvendo um módulo de treinamento para uma equipe multicultural em
uma organização global. O objetivo é melhorar a compreensão e aceitação entre os membros da equipe de
diferentes backgrounds culturais.
Com base no conceito de atitudes, como definido pela psicologia social, qual abordagem é mais eficiente para
influenciar positivamente as atitudes dos membros da equipe em relação uns aos outros?
A
Organizar workshops que permitam aos membros da equipe expressar seus sentimentos e experiências
pessoais, incentivando a empatia através do compartilhamento de histórias pessoais que ilustram o
componente afetivo das atitudes.
B
Oferecer apresentações informativas detalhando as normas culturais de cada país representado na
equipe, supondo que o aumento do conhecimento sobre diferentes culturas automaticamente resultará
em atitudes mais positivas.
C Implementar um código de conduta rígido que exija respeito mútuo, com a esperança de que a mudança
comportamental externa leve a uma mudança de atitude interna.
DEstabelecer um sistema de recompensas para aqueles que demonstram comportamentos inclusivos,
visando alterar o componente comportamental das atitudes através de incentivos externos.
E
Criar um fórum on-line para discussões sobre diversidade, em que os membros da equipe podem postar
anonimamente suas opiniões e experiências,visando à alteração das crenças e percepções sem
confronto direto.
A alternativa A está correta.
Workshops que incentivam o compartilhamento de experiências pessoais se alinham com os três
componentes das atitudes: cognitivo, afetivo e comportamental. Eles aumentam o conhecimento sobre
diversas culturas (componente cognitivo), fomentam empatia e entendimento emocional (componente
afetivo) e podem levar a mudanças significativas no comportamento diário (componente comportamental). 
Essa abordagem facilita a conexão emocional e a compreensão mútua, ajudando os membros da equipe a
desenvolver atitudes mais positivas uns em relação aos outros, promovendo um ambiente de trabalho mais
inclusivo e respeitoso. 
O estudo dos valores
Neste vídeo, vamos explicar os conceitos de crença, atitudes e valores e refletir, ilustrando com exemplos, as
relações e as implicações desses conceitos no comportamento social.
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Concepção e classificação de valores
Valores são conceitos fundamentais que orientam nossas escolhas e comportamentos, atuando como
bússolas internas que nos guiam através das complexidades da vida. Segundo Rodrigues (1976), os valores
são categorias gerais que amalgamam componentes cognitivos, afetivos e predisponentes de
comportamento. Eles diferem das atitudes principalmente por sua abrangência e generalidade, servindo como
pilares para uma infinidade de atitudes específicas.
Exemplo
Tomemos o valor da religião, que não se limita apenas a crenças espirituais; ele abarca uma série de
atitudes relativas a práticas diárias, à ética pessoal e à forma como interagimos com instituições
religiosas e comunitárias. A religião pode influenciar desde a maneira como uma pessoa se veste até
suas interações sociais, revelando a profundidade e a amplitude que um único valor pode ter em nossa
vida. 
Em 1951, a escala de valores desenvolvida por Allport, Vernon e Lindzey veio a estabelecer um sistema de
classificação que permite entender melhor a prioridade que cada indivíduo atribui a diferentes valores. Essa
escala inclui:
Atividade social
Envolve altruísmo e filantropia, refletindo o desejo de contribuir para o bem-estar da comunidade,
através de ações como trabalho voluntário, doações para caridade ou participação em organizações
não governamentais.
Estética
Relaciona-se à apreciação pela harmonia, beleza e simetria, influenciando nossas preferências e
percepções artísticas, como a música, a pintura e a poesia, e no cuidado com o ambiente, escolhendo
decorações que criem uma sensação de harmonia e beleza no espaço pessoal.
Praticidade
Destaca a utilidade, o pragmatismo e uma forte inclinação para abordagens de natureza econômica,
como na escolha de carreiras que prometem retorno financeiro estável.
Teoria
Inclui o apreço por aspectos racionais, críticos e empíricos, além da incansável busca pela verdade,
como a leitura de literatura científica, a participação em debates e a pesquisa em busca de novos
conhecimentos e verdades.
Poder
Enfatiza a influência, a dominância e a capacidade de exercer controle em diversas esferas da vida,
como cargos de liderança, influência nas decisões políticas ou controle sobre recursos e pessoas em
uma organização.
Religião
Abrange os aspectos transcendentes e místicos, refletindo a procura por um sentido mais profundo
para a existência, como meditação, oração, estudo de textos sagrados e participação em rituais
comunitários, refletindo a busca por um sentido transcendente e uma conexão com o divino.
A compreensão dos valores não apenas nos permite entender melhor a nós mesmos e aos outros, mas
também oferece uma lente através da qual podemos visualizar as motivações subjacentes que moldam as
sociedades. Ao refletir sobre nossos próprios valores, podemos começar a perceber como eles moldam cada
decisão que tomamos e como influenciam nossas relações com o mundo ao nosso redor. 
Explorando a teoria de valores e tipos motivacionais de Schwartz
Em sua pesquisa pioneira, Schwartz (1992; 1994 apud Rodrigues; Assmar; Jablonski, 2012) desenvolveu uma
teoria abrangente sobre valores, fundamentada em estudos transculturais extensos. Essa teoria é agora um
marco essencial em qualquer discussão sobre valores, entendendo-os como metas ou objetivos que
transcendem situações específicas, influenciando profundamente o comportamento humano.
 
Os valores, segundo Schwartz, funcionam como bússolas morais que direcionam nossas vidas, estabelecendo
prioridades que refletem o que consideramos mais importante. Ele identifica dez tipos motivacionais de
valores, cada um possuindo uma função e impacto distintos na dimensão prática, psicológica e social de
nossas vidas. Vamos conhecer cada um deles.
Benevolência: foco na promoção do bem-estar dos outros, evidenciando empatia e altruísmo.
 
Tradição: valorização dos costumes e crenças transmitidos cultural e religiosamente.
 
Conformidade: regulação das ações para evitar comportamentos socialmente reprováveis.
 
Segurança: preservação da estabilidade social e pessoal, procurando evitar conflitos e perturbações.
 
Poder: desejo de controle sobre pessoas e recursos, buscando status e reconhecimento.
 
Realização: esforço para alcançar sucesso pessoal, demonstrando competência de acordo com
padrões sociais.
 
Hedonismo: busca por prazer e gratificação sensorial.
 
Estimulação: desejo de vivenciar novidades, desafios e aventuras.
 
Autodireção: aspiração por independência e liberdade de pensamento e ação.
 
Universalismo: comprometimento com a compreensão, a tolerância e a proteção para todos os seres.
Schwartz também delineou duas dimensões de ordem superior que surgem dos conflitos entre tipos
motivacionais de valores, refletindo dilemas universais na natureza humana. Vamos entendê-las!
Abertura à mudança X Conservação
Esta dimensão captura o conflito entre a busca por autonomia e novas experiências frente ao desejo de
segurança e aderência às tradições estabelecidas. Os polos desta dimensão são:
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
1Abertura à mudança 
Engloba valores de autodireção e estimulação, que enfatizam a independência, a liberdade de
escolha e a abertura para novas experiências e desafios. Pense em um jovem adulto que escolhe
uma carreira inovadora em tecnologia emergente ao invés de seguir o negócio familiar. Esse valor
encoraja a exploração de novos territórios e a ruptura com o convencional.
2
Conservação 
Compreende valores de segurança, conformidade e tradição, que priorizam a ordem, a harmonia
social e a manutenção de práticas estabelecidas e costumes culturais. Imagine uma comunidade que
valoriza rituais e cerimônias que reforçam a coesão social e a continuidade cultural, como a
celebração de festivais tradicionais.
Autotranscendência X Autopromoção
Este eixo reflete um conflito entre altruísmo e egocentrismo, entre a preocupação com o bem-estar dos outros
e a busca pelo sucesso pessoal e controle sobre os outros. Os polos são:
1
Autotranscendência
Combina os valores de benevolência e universalismo, promovendo empatia, compreensão e proteção
em relação a todos os seres, valorizando a igualdade e o bem-estar coletivo. Por exemplo, um
médico que trabalha em zonas de conflito para proporcionar cuidados a quem mais precisa mostra
uma clara orientação para a autotranscendência.
2
Autopromoção
Reúne os valores de poder e realização, focando no sucesso pessoal, na influência e no
reconhecimento social. Um empresário que busca incessantemente expandir sua influência e seu
status social exemplifica esse polo.
Interseção interessante: o hedonismo
O valor do hedonismo é único por sua capacidade de cruzar ambas as dimensões, integrando elementos de 
abertura à mudança, com sua busca por prazer e novidades, e de autopromoção, refletindo o desejo de
gratificação pessoal.
Implicações práticas
Compreender essas dimensões nos permite visualizar como valores aparentemente divergentes podem
influenciar ações similares.
Exemplo
A decisãode dar um sanduíche e um café a uma pessoa necessitada pode ser impulsionada tanto pelo
valor da benevolência (um desejo genuíno de ajudar) quanto pelo valor do poder (um desejo de
demonstrar superioridade ou generosidade). 
Esse entendimento destaca a complexidade dos motivos humanos e a rica variedade de valores que guiam
nosso comportamento no cotidiano.
A teoria de Schwartz nos força a questionar: estamos agindo de acordo com um desejo profundo de
ajudar os outros, ou nossas ações são motivadas por uma necessidade de autoafirmação ou
reconhecimento?
Quando participamos de um projeto voluntário, é importante refletir se nossa motivação é genuinamente
ajudar quem precisa ou se estamos buscando um destaque pessoal ou profissional.
 
Ao entender essas nuances, podemos começar a alinhar mais conscientemente nossas ações com os valores
que desejamos verdadeiramente cultivar, buscando uma harmonia maior entre o que valorizamos e como
vivemos.
 
Tal compreensão pode nos levar a um maior senso de propósito e satisfação na vida, pois não só
reconhecemos nossas verdadeiras motivações, mas também aprendemos a equilibrar diferentes valores de
maneira que reflitam nossas verdadeiras aspirações.
Atividade 3
Imagine que você é um líder de equipe em uma empresa que está tentando melhorar a comunicação e a
colaboração intercultural entre seus funcionários.
 
Considerando a teoria de valores de Schwartz, que enfatiza a importância de alinhar as ações com os valores
pessoais para melhorar o engajamento e a satisfação, qual estratégia seria a mais eficiente para promover um
ambiente de trabalho mais inclusivo e produtivo?
A
Implementar uma série de workshops de treinamento obrigatórios sobre diversidade cultural que focam
principalmente ensinar sobre diferentes costumes e práticas culturais, assumindo que o conhecimento
levará ao respeito e à inclusão.
BOrganizar encontros mensais em que os funcionários são incentivados a compartilhar suas experiências
pessoais e culturais, visando aumentar a empatia e o entendimento mútuo entre as equipes.
C
Desenvolver um programa de rotação que permita que os funcionários trabalhem em diferentes
departamentos ou regiões geográficas para experienciar diretamente a diversidade de ambientes e
perspectivas.
D
Introduzir um sistema de reconhecimento que premia os funcionários que demonstram comportamentos
que promovem valores de benevolência e universalismo, como ajudar colegas ou contribuir para projetos
comunitários.
E Criar uma política estrita que define e pune comportamentos considerados discriminatórios ou
exclusivos, com o objetivo de forçar uma mudança comportamental nos funcionários.
A alternativa D está correta.
Essa abordagem se alinha com os valores de benevolência e universalismo da teoria de Schwartz,
incentivando empatia, cooperação e respeito pela diversidade. Ao reconhecer e recompensar esses
comportamentos, a empresa fomenta uma cultura positiva e motiva outros funcionários a adotarem atitudes
semelhantes, promovendo um ambiente de trabalho mais inclusivo e produtivo. 
3. Teoria das representações sociais
Princípios teóricos
Neste vídeo, vamos explicar em que consiste a teoria das representações sociais e ilustrar os conceitos de
ancoragem e objetivação, destacando a importância dos mesmos. Assista!
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Origens da teoria das representações sociais
As origens da teoria das representações sociais estão presentes tanto na sociologia e antropologia, com os
estudos de Émile Durkheim (1858-1917) e Lucien Lévy-Bruhl (1857-1939), quanto na psicologia construtivista,
sócio-histórica e cultural, com os estudos de Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934),
resultando em um vínculo entre o social e o individual (Bertoni; Galikin, 2017).
Essa teoria foi inicialmente proposta pelo psicólogo social Serge Moscovici (1925-2014), com a publicação do
livro La psychanalyse, son image et son public (1961). É uma abordagem psicossociológica do processo de
construção do pensamento social. 
O estudo das representações sociais pode ser compreendido como o ato de identificar a “visão de
mundo” que grupos ou indivíduos possuem ou empregam na sua forma de agir e posicionar. 
Assim, a teoria pode ser vista como um pensamento social que resulta das experiências, crenças e trocas de
informações contidas na vida rotineira, propagadas ou recebidas pela comunicação e tradições. 
As representações sociais constituem um conjunto de conceitos, imagens e explicações que se originam no
senso comum, em se tratando das interações e comunicações interpessoais. Sobre tais circunstâncias, elas
vão se modificando à medida que novos significados vão sendo agregados à realidade. 
Um exemplo de representação social muito comum nos anos 1980 foi a boneca Barbie. Nela, havia embutidos
conceitos de beleza e feminilidade do senso comum. Muitas meninas queriam ser a Barbie.
As representações sociais têm como função dar sentido ao desconhecido, convertendo o não familiar em algo
familiar. Para que isso ocorra, os processos de ancoragem e objetivação são usados como apoio.
Processo de ancoragem
Como afirma Moscovici:
[...] quando estudamos representações sociais, nós estudamos o ser humano, enquanto ele faz
perguntas e procura respostas ou pensa, e não enquanto ele processa informação ou se comporta. Mais
precisamente enquanto seu objetivo não é comportar-se, mas compreender.
Moscovici, 2003, p. 43 apud Camino et al., 2013, p. 423
As representações sociais possuem a capacidade de criar relações entre as abstrações do saber e das
crenças e a concretude da vida do sujeito em seus processos de interação social, porque: 
As representações sociais são construídas na fronteira entre o psicológico e o social.
A ancoragem tem como função inserir o fenômeno não familiar em um conjunto de categorias e imagens
familiares, de forma que ele possa ser interpretado (Ferreira, 2010).
As pessoas, de um modo geral, quando não conseguem descrever algo e comunicá-lo para outros indivíduos,
criam uma resistência e experimentam um negacionismo. Esse acontecimento ou objeto que foi incapaz de ser
descrito por elas deve ser incluído nos sistemas de crenças delas. 
Portanto, ancorar é atribuir nomes e categorias à realidade, colocando-as em um contexto comum e familiar.
Quando damos um nome ou uma classificação a algo que não era familiar, ele passa a ser familiar, e podemos
imaginá-lo, representá-lo. Assim, asseguramos sua incorporação social.
Durante o processo de ancoragem, o novo objeto é reajustado, para que possa se inserir em uma categoria
conhecida, passando a possuir características dessa categoria, tornando-se algo familiar e com sentido. 
Exemplo
Para lidar com as incertezas e todas as mudanças advindas do coronavírus durante a pandemia, muitas
pessoas passaram a usar a expressão “o novo normal”, buscando ancorar todas as alterações em nossa rotina
e em nosso comportamento como uma nova condição do que seria normalidade nesse momento, procurando
diminuir o desconforto gerado.
Processo de objetivação
Paralelamente, o processo de objetivação transforma abstrações em realidades tangíveis. Esse processo
envolve a criação de modelos figurativos e imagens estruturadas que tornam visíveis conceitos anteriormente
intangíveis.
Exemplo
A rápida aceitação global das máscaras faciais durante a pandemia. Inicialmente resistidas, as máscaras
se tornaram um símbolo visível da luta contra o vírus, um objeto concreto que personifica a necessidade
de proteção e cuidado mútuo. 
Moscovici nos lembra que os indivíduos não são meros receptores passivos de informações, mas sim
pensadores ativos que criam e comunicam suas próprias representações e soluções para enfrentar os
desafios cotidianos. Essa abordagem ressalta que o impacto do social sobre o indivíduo não deve ser visto
como um simplório estímulo externo, mas como um contexto dinâmico de relações no qual o pensamento é
moldado e desenvolvido.
 
Ao explorar o conceitode objetivação, entendemos que esse processo é fundamental para transformar ideias
abstratas em elementos concretos e tangíveis, facilitando a compreensão e a integração social dessas. 
 
Serge Moscovici descreve três movimentos simultâneos dentro deste processo: seleção e
descontextualização, formação do núcleo figurativo e naturalização dos elementos. Vamos conhecê-los!
1
Seleção e descontextualização
Neste primeiro estágio, indivíduos selecionam informações específicas de um conjunto mais amplo,
ignorando o contexto original para focar aspectos que são considerados essenciais. Por exemplo, no
início da pandemia de covid-19, a comunicação sobre o vírus frequentemente isolava informações
sobre suas taxas de transmissão e mortalidade, omitindo outros dados contextuais. Isso ajudava a
construir uma imagem mais direta e impactante do vírus, focalizando a atenção pública nas suas
características mais alarmantes.
2
Formação do núcleo figurativo
Aqui, as informações selecionadas são transformadas em imagens ou modelos que representam
visualmente o conceito. Durante a crise do coronavírus, as representações gráficas do vírus com
suas distintas coroas de espículas tornaram-se um ícone global. Essas imagens ajudaram as pessoas
a visualizarem e compreender emum agente patogênico que é, de outra forma, invisível,
consolidando sua percepção sobre a ameaça que o vírus representa.
3Naturalização dos elementos
O último movimento implica a incorporação desses modelos e imagens ao cotidiano, tornando-os
parte da realidade percebida como natural. No exemplo das máscaras faciais durante a pandemia, o
que começou como uma recomendação de saúde pública rapidamente se transformou em um novo
padrão de comportamento social. As máscaras, inicialmente estranhas e desconfortáveis para
muitos, foram gradualmente aceitas e incorporadas ao dia a dia das pessoas, simbolizando um ato de
responsabilidade cívica e cuidado mútuo.
Cada um desses movimentos contribui para a maneira como os fenômenos sociais são entendidos e aceitos
pela sociedade. A objetivação, além de ajudar a compreender conceitos novos e complexos, também atua na
forma como esses conceitos são integrados nas práticas diárias e no imaginário coletivo.
Ao transformar o abstrato em concreto, a objetivação permite que as pessoas ajustem suas ações e
expectativas a novas realidades, facilitando a adaptação social em momentos de mudança e incerteza.
Portanto, explorar o processo de ancoragem e objetivação enriquece a compreensão sobre como
interpretamos o mundo e destaca nossa capacidade de adaptar e integrar novas realidades à vida social e
pessoal, assegurando que continuemos a evoluir em um mundo em constante transformação.
 
Atividade 1
Em uma campanha de preocupação com a conservação do meio ambiente, uma comunidade tradicional utiliza
o termo “mãe natureza” para se referir ao meio ambiente e à natureza ao seu redor, tratando-a como uma
entidade viva que nutre e sustenta a vida.
 
Esse conceito, compartilhado na cultura dessa comunidade, é um exemplo de qual processo descrito pela
teoria das representações sociais, especificamente relacionado à objetivação?
A Reificação do conceito de natureza como um recurso econômico.
B Substituição do conceito de natureza por elementos científicos como ecossistema.
C Externalização do conceito de meio ambiente como um fenômeno físico independente.
D Concretização simbólica de um conceito abstrato, no qual a natureza é representada como uma figura
materna.
E Fragmentação do conceito de ecologia em partes isoladas sem ligação emocional.
A alternativa D está correta.
Na teoria das representações sociais, o processo de objetivação refere-se à transformação de conceitos
abstratos em imagens ou figuras concretas que são mais facilmente compreendidas e compartilhadas
socialmente. No exemplo dado, a comunidade transforma a ideia abstrata de natureza em algo concreto e
simbólico — mãe natureza —, atribuindo a ela características humanas e emocionais, como a de uma mãe
que nutre e protege. Essa personificação facilita a compreensão e a transmissão do conceito dentro da
comunidade, exemplificando o processo de objetivação. 
As outras alternativas não refletem o processo de objetivação conforme descrito na teoria, uma vez que ou
se afastam da concretização simbólica ou envolvem outros tipos de processos cognitivos e sociais. 
Funções e abordagens 
Entenda, neste vídeo, como funcionam os universos retificados e consensuais, as diversas funções das
representações sociais nas interações humanas e outras abordagens relativas.
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Universos reificados e consensuais
Como você definiria a realidade em que vive? Essa questão nos leva a explorar dois tipos distintos de
universos de pensamento, cada um com sua forma única de moldar nossa compreensão do mundo: o universo
reificado e o universo consensual.
 
A interconexão entre os universos reificado e consensual e as representações sociais oferecem uma visão
esclarecedora sobre como nós, como indivíduos e sociedades, percebemos e moldamos a realidade em que
vivemos. 
 
Vamos estudar mais profundamente como esses dois universos se entrelaçam com as funções das
representações sociais para influenciar nossa experiência cotidiana.
Universo reificado: a fundamentação das representações sociais 
Imagine um mundo onde tudo é medido, classificado e definido com precisão. No universo reificado, o
pensamento é guiado por uma busca incansável pela verdade objetiva e precisão científica, fornece a base
factual sobre a qual muitas representações sociais são construídas.
 
Aqui, o certo e o errado, o verdadeiro e o falso são estabelecidos através de critérios científicos rigorosos,
mas também influenciam a função de conhecimento das representações sociais, ajudando as pessoas a
categorizar e entender o mundo ao redor.
 
Esse universo é composto por papéis e categorias meticulosamente delineados de acordo com contextos
específicos, em que apenas aqueles com a qualificação necessária têm voz na produção de conhecimento.
Exemplo
A medicina, área em que o diagnóstico e o tratamento de doenças seguem protocolos baseados em
evidências científicas comprovadas e políticas de saúde pública, que são então adaptadas e
incorporadas nas normas sociais e expectativas cotidianas. 
Universo consensual: o contexto dinâmico das representações
sociais
Por outro lado, temos o universo consensual, que é o palco das interações humanas diárias. Esse é um
domínio de constante evolução, alimentado pelas representações sociais.
 
Reflete a natureza fluida e evolutiva das interações humanas, em que as representações sociais são
constantemente reformuladas e adaptadas. Nesse universo, nossas realidades são formadas a partir da
interação entre conhecimentos científicos e saberes cotidianos. Abraça a diversidade de experiências e
percepções, tendo papel importante nas funções identitária e justificadora das representações sociais.
Exemplo
As crenças sobre saúde e doença podem ser influenciadas tanto por informações médicas quanto por
remédios caseiros passados de geração em geração em uma comunidade. 
A escola, a mídia e até conversas casuais são espaços nos quais essas representações são criadas e
recriadas, refletindo como entendemos e reagimos ao mundo ao nosso redor.
 
A interação entre os universos reificado e consensual é indispensável para a função de orientação das
representações sociais, que guia como as pessoas agem dentro de seus contextos sociais e culturais. 
Exemplo
A ciência pode nos dizer que o uso de máscaras reduz a transmissão de vírus, uma verdade do universo
reificado. No entanto, como essa informação é adotada e se transforma em norma social depende do
universo consensual, no qual as crenças e práticas podem variar amplamente. 
Além disso, a função justificadora das representações sociais muitas vezes busca equilíbrio entre os insights
científicos e as normas culturais. 
Exemplo
Enquanto a ciênciapode oferecer explicações sobre as causas do aquecimento global, as respostas
políticas e individuais a essa crise podem ser fortemente influenciadas por representações sociais que
justificam diferentes níveis de ação ou inação. 
A importância das representações sociais
Entender o papel das representações sociais é fundamental para decifrar a complexa dinâmica das interações
humanas. Segundo Camino et al. (2013), essas representações cumprem quatro funções essenciais: de
conhecimento, identitária, de orientação e justificadora são conceitos-chave para entender como essas
representações impactam nossa maneira de interagir com o mundo e com os outros.
A seguir, vamos detalhar cada uma delas com exemplos práticos.
1
Função de conhecimento
Permite às pessoas compreenderem e darem sentido ao seu ambiente social. As representações
sociais atuam como uma ferramenta cognitiva para categorizar e interpretar informações novas ou
complexas de forma acessível. Por exemplo, a representação social dos vírus ajudou o público a
assimilar informações rápidas e complexas sobre a covid-19, explicando sua transmissão, efeitos e
prevenção em termos que relacionam com conhecimentos prévios, como a gripe comum.
2
Função identitária
Por meio dessa função, as representações sociais contribuem para a construção e reforço da
identidade individual e coletiva. Elas ajudam grupos e indivíduos a definir quem são e a que grupo
pertencem. Por exemplo, a maneira como diferentes comunidades religiosas interpretam rituais e
crenças fortalece a identidade de seus membros e diferencia-os de outros grupos.
3
Função de orientação
Guia comportamentos e decisões ao proporcionar um quadro normativo de referência. As
representações sociais informam as pessoas sobre como agir em diversas situações. Por exemplo, a
noção social sobre a importância do diploma universitário orienta muitos jovens a buscar ensino
superior como um caminho natural e essencial para sucesso profissional e pessoal.
4
Função justificadora
As representações sociais também podem ser usadas para justificar ações ou manter o status quo.
Elas fornecem uma base para explicar e legitimar comportamentos sociais ou políticas. Um exemplo
claro é a representação de gênero, que pode justificar desigualdades no local de trabalho ou na
divisão de tarefas domésticas, sugerindo que certos papéis são mais “naturais” ou adequados para
um sexo do que para o outro.
Essas funções mostram como as representações sociais são fundamentais na maneira como interpretamos o
mundo, definimos nossa identidade, dirigimos nossas ações e justificamos nossas escolhas e as estruturas
sociais existentes. Ao reconhecê-las, começamos a ver como indivíduos e grupos moldam suas práticas e
perspectivas através de um constante diálogo entre o reificado e o consensual.
Este é um convite para refletir: em que universo você passa mais tempo? E como isso influencia sua
percepção da realidade? 
Ao questionar e explorar esses universos, podemos começar a compreender melhor não apenas a nós
mesmos, mas também as complexas sociedades em que vivemos.
 
Você já parou para pensar sobre como as crenças e conhecimentos que compartilhamos são estruturados em
nossa mente e na sociedade? A teoria do núcleo central, proposta pelo pesquisador Abric e seus
colaboradores, e baseada nos trabalhos pioneiros de Moscovici em 1961, oferece uma fascinante perspectiva
sobre este fenômeno. Essa teoria sugere que as representações sociais estão organizadas em torno de dois
componentes distintos: um núcleo central e elementos periféricos.
O núcleo central: a escola de pensamento conservadora
O pesquisador Abric e seus colaboradores propuseram a teoria do núcleo central — uma extensão do trabalho
de Moscovici (1961). Essa teoria defende que toda representação social se dispõe em torno de um núcleo
central e de elementos periféricos (Bertoni; Galinkin, 2017).
O núcleo central fundamenta-se no elemento principal da representação, com o objetivo de organizar e dar
sentido a ela. O núcleo tem como apoio a memória coletiva do grupo, em suas condições históricas e sociais.
Além disso, é mais rígido e resistente às mudanças e influências das circunstâncias de uma situação imediata.
Entretanto, os componentes periféricos são mais flexíveis e móveis, o que possibilita a junção de histórias e
experiências distintas. Eles aceitam as contradições, assim como a diversidade grupal. Desse modo, são
sensíveis às circunstâncias de uma situação imediata e têm uma característica evolutiva, que possibilita se
ajustar à realidade concreta e à diferença de conteúdo. 
Confira a seguir a função dos componentes periféricos:
Possibilitar o ajuste de grupos e indivíduos a certas situações.
 
Proteger a estabilidade do núcleo central.
Dessa forma, o núcleo central é regulamentário, e os elementos periféricos, por sua vez, são funcionais, pois
possibilitam a ancoragem da representação na realidade do momento. 
Após a introdução da sociopsicologia na literatura, a teoria das representações sociais foi disseminada,
especialmente entre os psicólogos europeus e latino-americanos, procurando aplicar seus princípios teóricos
a inúmeros eventos, aos quais podem ser atribuídos significados que surgem do senso comum.
• 
• 
Atividade 2
No contexto de uma campanha de saúde pública para combater a obesidade, o Ministério da Saúde de Eldoria
decidiu adotar uma nova estratégia para mudar a percepção pública sobre alimentação saudável e exercícios.
A campanha inclui a distribuição de materiais educativos, propaganda em mídia de massa e parcerias com
influenciadores locais para promover estilos de vida mais saudáveis. A equipe do ministério está preocupada
em garantir que as mensagens da campanha sejam aceitas e incorporadas pela população, levando em conta
as diferenças culturais e socioeconômicas.
 
Considerando a teoria das representações sociais, qual estratégia adicional a equipe do ministério deveria
considerar para obter uma maior eficácia da campanha de combate à obesidade em Eldoria?
A Implementar regulamentações mais rigorosas sobre a publicidade de alimentos não saudáveis, limitando
sua exposição durante programas infantis.
B Desenvolver workshops e programas interativos nas escolas, incentivando as crianças a participarem
ativamente do processo de aprendizagem sobre nutrição e exercícios.
C Aumentar os impostos sobre alimentos com alto teor de gordura e açúcar para desencorajar o consumo
em massa desses produtos.
D Criar uma série de documentários mostrando os impactos da obesidade na saúde e as histórias de
pessoas que sofreram fortes impactos negativos.
E Conduzir pesquisas frequentes para monitorar as mudanças nas atitudes e comportamentos da
população em relação à obesidade e alimentação saudável.
A alternativa B está correta.
A teoria das representações sociais enfatiza a importância das interações sociais e do aprendizado coletivo
na formação de novas representações sociais. Desenvolver workshops e programas interativos nas escolas
tanto dissemina o conhecimento de forma prática e envolvente, quanto cria e reformula representações
sociais em um ambiente colaborativo e influente como o escolar. 
Essa estratégia facilita a incorporação de novos comportamentos e crenças de forma mais natural e
sustentável dentro da comunidade, pois envolve diretamente as crianças, que são agentes de mudança
dentro de suas próprias famílias e círculos sociais. 
As outras alternativas, embora possam ser eficazes em algum nível, não focam tanto a interação direta e a
mudança participativa das representações sociais. A implementação de regulamentações e aumento de
impostos são ações top-down que não garantem mudança na percepção e comportamento público. A
criação de documentários pode ajudar na conscientização, mas não necessariamente na interação e
engajamento ativo. Por fim, a condução de pesquisas é útil para monitoramento, mas não para ação direta
na mudança de representações sociais.
4. Estereótipos e percepção social
Estereótipos
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