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INSTITUTO BÍBLICO PENTECOSTAL
SEMINÁRIO TEOLÓGICO – CURSO BÁSICO
TADEU AUGUSTO DE AZEVEDO VASCONCELOS SILVA
COMENTÁRIO SOBRE O SALMO 117
Trabalho apresentado como requisito parcial de aprovação na disciplina Hermenêutica, ministrada pelo professor Pr. Bruno Gomes.
Rio de Janeiro,
Julho de 2025
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho se proporá a estabelecer uma breve análise sobre o Salmo 117 da Bíblia Sagrada procurando trazer à luz o contexto, a exegese e algumas aplicações práticas desse texto para a vida cristã. Para cumprir tal intuito, servirão como apoio balizadores algumas obras que traçam comentários em referência ao salmo em questão.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
Durante as aulas de Livros Poéticos, foi estudado que os Salmos (Tehillim), de maneira geral, são cantos acompanhados de instrumentos de corda ou harpa e cânticos de louvor do povo de Israel. Eles foram compostos por diversos autores - dentro os mais notáveis são Asafe, Davi e os descendentes de Corá – e em momentos diversos da história do povo hebreu. 
No que concerne ao Salmo 117, segundo a divisão da Bíblia Hebraica, ele está contido dentro do 5º e último livro. Segundo Gomes (2025), esse salmo também faz parte dos Cânticos de Romagem – pois eram cantados durante as ocasiões em que os homens judeus subiam à Jerusalém para a celebração das 3 grandes festas do povo hebreu – e dentro dessa categoria, se insere no grupo dos Salmos Hallel que vai do 113 ao 118. Santos (2014) acrescenta que o referido salmo era entoado no Templo durante a ocasião da Páscoa judaica (Pessach). O autor também comenta que dentre os salmos Hallel, o 117 era o primeiro entoado no final da refeição, desfechando a ceia pascal e sendo seguido do último cálice de vinho.
Pearlman (2006), classifica os salmos em 6 categorias principais[footnoteRef:1], e o Salmo 117, embora não citado pelo autor como exemplo, mas considerando os critérios adotados para cada categoria, nos parece seguro inseri-lo dentro dos salmos de Louvor e Adoração, pois, segundo o autor, tais salmos tratam, dentre outras coisas, do “reconhecimento da bondade (...) de Deus”. Gomes (2025), por sua vez, sugere a inserção desse salmo dentre a categoria dos salmos Messiânicos pelo fato de incluir os povos gentios e não somente o povo hebreu. [1: Salmos de instrução, salmos de louvor e adoração, salmos de ações de graça, salmos devocionais, salmos messiânicos e salmos históricos.
] 
3. ANÁLISE DO SALMO 117
O texto do Salmo 117 diz
Deus é louvado por amor da sua bondade e veracidade
¹ Louvai ao Senhor, todas as nações; louvai-o, todos os povos.
² Porque a sua benignidade é grande para conosco, e a verdade do Senhor é para sempre. Louvai ao Senhor!
 O salmo em questão, cuja autoria não é identificada, é um hino de louvor a Deus. Se caracteriza por ser o menor capítulo da Bíblia Sagrada, contendo apenas 2 versículos e é também o capítulo do meio de todo o livro sagrado cristão (Bíblia de Estudo de Aplicação Pessoal, 2004). Algumas versões, como a publicada pela Bíblia da Escola Bíblica (2022), acrescentam um Aleluia ao fim do texto.
 Conforme é lido na Escritura, as pessoas de todas as nações são convocadas a louvarem ao Senhor, e a razão para fazer tal coisa é ligada a dois fatos principais: à benignidade/misericórdia e à verdade eterna do Senhor. 
	A palavra louvai, modo imperativo do verbo louvar, no original em hebraico (הַלְלוּ) é transliterada para o português como Hallel, daí temos a categorização desse salmo como um salmo Hallel, a raiz dessa palavra também origina a expressão aleluia. De acordo com o Dicionário Unesp do Português Contemporâneo (2011) algumas das concepções aceitas para o verbo louvar é adorar, glorificar e bendizer. Ações que geralmente são direcionadas justamente às divindades.
	Em relação às palavras benignidade e misericórdia que aparecem ora uma ora outra a depender da versão utilizada em língua portuguesa, pode-se dizer que ambas estão ligadas à palavra hebraica (חַסְדּוֹ), transliterada como Chasdo que, além desses dois significados, também se refere à graça divina. O dicionário citado anteriormente complementa que o termo misericórdia pode ser interpretado como sinônimo de graça ou perdão, já benignidade, por sua vez, é visto como sinônimo de bondade. Nessa perspectiva, qualquer que seja a opção todas elas traduzem características diretamente ligadas ao Eterno Deus, visto que Ele é bondoso e gracioso para com a humanidade.
É válido também destacar que, conforme aponta a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (2004), o apóstolo Paulo cita esse Salmo no verso 11 do capítulo 15 de sua carta endereçada à igreja de Roma para enfatizar que o chamado divino não se restringe apenas ao povo judeu, mas se estende também aos povos estrangeiros. A Bíblia de Estudo Pentecostal (1996) acrescenta que a intenção de Paulo ao citar esse texto foi de comprovar que o Antigo Testamento preanunciava a salvação para todos os seres humanos, ainda antes do sacrifício de Cristo. 
Não se pode deixar despercebido o comentário elucidado pela Bíblia da Escola Bíblica (2022) que afirma que o referido salmo é um verdadeiro “hino de dimensões universais”. Segundo a obra, “a misericórdia do Senhor para com Israel deve provocar admiração e louvor em todos os povos.” Tal comentário nos permite conjecturar que os outros povos poderiam admirar e louvar a Deus, uma vez que observassem Suas misericórdias em prol do Seu povo escolhido, ainda que ele em muitas vezes não fosse genuinamente fiel ao seu Deus.
4. APLICAÇÃO NA VIDA CRISTÃ
Louvar a Deus é algo que o cristão deve buscar fazer em qualquer circunstância e isso vai muito além de apenas entoar cânticos. O louvor a Deus se mostra em toda e qualquer atitude de obediência nossa aos Seus mandamentos. O cuidado de Deus com a Sua criação expressa sua bondade, misericórdia e benignidade para com toda a humanidade, não restringindo os seus atributos apenas ao povo escolhido no passado, uma vez que, ainda na antiga aliança, Ele permitiu se fazer conhecer para alguns estrangeiros. Tamar, Raabe, Rute, Urias, Nabucodonosor, Naamã são exemplos de homens e mulheres gentios que usufruíram da misericórdia, bondade e benignidade divina para com suas vidas.
O cristão também deve procurar louvar a Deus pelo fato da Sua verdade jamais findar. Ainda que alguns tentem descredibilizar a Palavra de Deus, ela atravessa as eras desde o princípio e permanece a mesma para sempre. Por saber, portanto, que a Palavra é infalível e eterna o cristão louva a Deus como forma de confiança e gratidão em tudo aquilo que Ele faz.
REFERÊNCIAS
DICIONÁRIO Unesp do português contemporâneo. Verbete: Louvar. São Paulo: Editora Piá, 2011.
GOMES, Bruno. Aula expositiva sobre livros poéticos. Seminário IBP, 2025. Aula ministrada por professor.
INSTITUTO CRISTÃO DE PESQUISAS. Bíblia apologética com apócrifos. Salmos 117. São Paulo: ICP, 2018.
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia: livro por livro. 2. ed. rev. e atual. Tradução de N. Laurence Olson. São Paulo: Vida, 2006.
SANTOS, Marcos Eduardo Melo dos. Exegese do Salmo 117: caracteres e motivações do louvor a Deus na poética bíblica. Revista Eletrônica Espaço Teológico, São Paulo, v. 8, n. 14, p. 128–147, jul./dez. 2014. Disponível em Acesso em 13 jul. 2025
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de estudo aplicação pessoal. Salmos 117. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de estudo pentecostal. Salmos 117. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

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