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SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO Prof. Me. Tereza Manpetit
CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO
O que são sensação e percepção? O que queremos dizer com processamento
bottom-up (de baixo para cima) e processamento top-down (de cima para baixo)?
Em nossas experiências cotidianas, sensação e percepção se fundem em um processo
contínuo.
•Nosso processamento bottom-up começa nos receptores sensoriais e evolui para
níveis mais elevados de processamento.
•Nosso processamento top-down constrói percepções a partir do estímulo sensorial
aproveitando nossa experiência e nossas expectativas.
CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO
Quando nosso cérebro decifra a
informação presente na figura ao lado, o
processamento bottom-up habilita nossos
sistemas sensoriais a detectar as linhas, os
ângulos e as cores que formam os
cavalos, o viajante e os arredores.
Usando o processamento top-down
interpretamos o que nossos sentidos
detectam
CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO
Mas como fazemos isso? Como criamos
significado a partir da inundação de
estímulos sensoriais que bombardeiam
nosso corpo 24 horas por dia?
Em busca de respostas, vamos examinar
alguns processos que utilizam todos os
nossos sistemas sensoriais.
QUAIS SÃO AS TRÊS ETAPAS BÁSICAS PARA
TODOS OS NOSSOS SISTEMAS SENSORIAIS?
A cada segundo de cada dia, nossos sistemas sensoriais realizam um feito
incrível: Eles convertem uma forma de energia em outra. A visão processa a
energia luminosa. A audição processa as ondas sonoras. Todos os nossos
sentidos:
• recebem estímulos sensoriais, frequentemente utilizando células receptoras
especializadas.
• transformam esses estímulos em impulsos neurais.
• entregam a informação neural para o nosso cérebro.
CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO
O processo de converter uma forma de energia em outra, que o
nosso cérebro consiga utilizar, se chama transdução → Na
sensação, a transformação de energias de estímulo, como visões,
sons e cheiros, em impulsos neurais que nosso cérebro consegue
interpretar.
Em cada caso, um dos nossos sistemas sensoriais recebe,
transforma e entrega a informação para o nosso cérebro.
QUAL A DISTINÇÃO GROSSEIRA ENTRE SENSAÇÃO 
E PERCEPÇÃO?
Sensação é o processo bottom-up
pelo qual nossos receptores
sensoriais e nosso sistema nervoso
recebem e representam estímulos.
Percepção é o processo top-down
no qual nosso cérebro cria
significado organizando e
interpretando o que nossos sentidos
detectam.
LIMIARES ABSOLUTOS
Somos extremamente sensíveis a certos tipos de estímulos
De pé em uma montanha em uma noite de céu claro e
absolutamente escura, a maioria de nós seria capaz de ver a
chama de uma vela no cume de outra montanha a cerca de 50
quilômetros de distância. Somos capazes de sentir a asa de uma
abelha caindo sobre nossa bochecha. Podemos sentir o odor de
uma gotinha de perfume em um apartamento de três cômodos
(Galanter, 1962)
LIMIARES ABSOLUTOS
O cientista e filósofo alemão, Gustav Fechner (1801-1887),
estudou nossa consciência desses tênues estímulos e os batizou
como nossos limiares absolutos:
A estimulação mínima necessária para detectarmos uma luz, um
som, uma pressão, um sabor ou um odor específicos em 50 % das
vezes.
LIMIARES ABSOLUTOS
LIMIARES ABSOLUTOS
Ao testar seu limiar absoluto para sons, um especialista em audição
exporia cada um de seus ouvidos a níveis de som variáveis.
Para cada tom, o teste definiria onde em metade das vezes você
detectaria corretamente o som e em metade das vezes não o
conseguiria.
Para cada sentido, esse ponto de reconhecimento de 50 %-50 % define
seu limiar absoluto.
LIMIARES ABSOLUTOS
A teoria da detecção de sinais prevê quando iremos detectar sinais
fracos (medidos como nossa proporção de “acertos” para “alarmes
falsos”).
As pessoas solitárias, ansiosas, em eventos de encontros rápidos (speed-
dating) tendem a responder com um limiar baixo e, assim, podem ser
pouco seletivas para escolher possíveis parceiros (McClure et al., 2010).
Os teóricos da detecção de sinais buscam entender por que as pessoas
reagem de forma diferente aos mesmos estímulos e por que as reações
do mesmo indivíduo variam com a mudança das circunstâncias.
LIMIARES ABSOLUTOS
Os estímulos que você não
consegue detectar 50 % do
tempo são subliminares –
abaixo de seu limiar absoluto.
Sob certas condições, você pode
ser afetado por estímulos tão
fracos que você não os nota
conscientemente.
LIMIARES DIFERENCIAIS
Para funcionar de maneira efetiva,
precisamos de limiares absolutos baixos o
bastante para nos permitir detectar
visões, sons, texturas, sabores e odores
importantes. É preciso também detectar
pequenas diferenças entre estímulos.
Um músico deve detectar minúsculas
discrepâncias ao afinar um instrumento.
Pais devem detectar o som da voz de seu
próprio filho entre as vozes de outras
crianças.
LIMIARES DIFERENCIAIS
O limiar diferencial, também chamado de diferença apenas perceptível
(dap) → é a diferença mínima que uma pessoa pode detectar entre dois
estímulos quaisquer em metade das vezes.
Essa diferença detectável aumenta com o tamanho do estímulo.
Se ouvirmos música em 40 decibéis, poderíamos detectar mais 5 decibéis
acrescentados. Mas, se aumentarmos o volume para 110 decibéis,
provavelmente não iremos detectar uma variação de 5 decibéis.
LIMIARES DIFERENCIAIS
Nesta cópia, gerada por computador,
do vigésimo terceiro Salmo, cada linha
do texto aumenta ligeiramente.
Quantas linhas são necessárias para
que você note uma diferença apenas
perceptível?
ADAPTAÇÃO SENSORIAL
Após a exposição contínua a um estímulo, nossas células nervosas
disparam com menos frequência e, portanto, passamos a ter menos
consciência desse estímulo.
Embora a adaptação sensorial reduza nossa sensibilidade, ela
oferece uma importante vantagem: liberdade para focarmos em
mudanças informativas no ambiente sem sermos distraídos pelo
constante burburinho da estimulação de segundo plano.
ADAPTAÇÃO SENSORIAL
Pessoas malcheirosas ou exageradamente
perfumadas não notam o próprio odor
porque, como você e eu, se adaptam ao
que é constante e detectam apenas
mudanças.
Nossos receptores sensoriais estão alertas à
novidade; deixe-os entediados com
repetições, e eles liberarão nossa atenção
para percebermos coisas mais importantes.
Isso reforça uma lição fundamental:
Percebemos o mundo não exatamente como
ele é, mas como é útil para nós percebê-lo.
ADAPTAÇÃO SENSORIAL
A adaptação sensorial influencia até mesmo o modo como
percebemos nossas emoções.
Criando uma mistura manipulada meio a meio de uma cara
irritada e uma cara assustada, pesquisadores mostraram que
nosso sistema visual se adapta a uma expressão facial
estática, ficando menos responsivo a ela.
O efeito é criado por nosso cérebro, não por nossas retinas.
ADAPTAÇÃO SENSORIAL
CONJUNTO PERCEPTIVO
Através da experiência, passamos a esperar certos resultados.
Essas expectativas podem nos proporcionar um conjunto
perceptivo, um conjunto de tendências e pressupostos mentais que
afetam (de cima para baixo) o que ouvimos, experimentamos,
sentimos e vemos.
CONJUNTO PERCEPTIVO
CONJUNTO PERCEPTIVO
O conjunto perceptivo também pode afetar o que ouvimos e o paladar.
Em um experimento, crianças em idade pré-escolar, por uma margem de 6
para 1, acharam que as batatas fritas tinham um gosto melhor quando
servidas em um saquinho do McDonald’s em vez de um saquinho branco liso
(Robinson et al., 2007).
CONJUNTO PERCEPTIVO
O que determina nosso conjunto
perceptivo?
Através da experiência formamos
conceitos, ou esquemas, que organizam e
interpretam informações que não são
familiares.
Nossos esquemas preexistentes para
monstros e troncos de árvore influenciam
como aplicamos o processamento de cima
para baixo (top-down) para interpretar
sensações ambíguas.
EFEITOS CONTEXTUAIS
Um dado estímulo pode
desencadear percepções
radicalmente diferentes, em
parte devido a nossos conjuntos
diferentes, mas também por
causa do contexto imediato.
EFEITOS CONTEXTUAIS
Alguns exemplos:•Quando seguram uma arma, as pessoas se tornam mais propensas a perceber outra
pessoa como se estivesse com uma arma em punho – um fenômeno que levou muitas
pessoas desarmadas a serem baleadas e que, na realidade, estavam segurando um
celular ou uma carteira (Witt & Brockmole, 2012).
•Imagine ouvir um barulho interrompido pelas palavras: “undo gira”. Provavelmente
você perceberia a primeira palavra como mundo. Dado “undo do poço”, você
ouviria fundo. Esse curioso fenômeno sugere que o cérebro pode funcionar de trás
para a frente no tempo para permitir que um estímulo posterior determine como
percebemos um anterior. O contexto cria uma expectativa que, de cima para baixo
(de maneira top-down), influencia nossa percepção quando comparamos nosso sinal
de baixo para cima (bottom-up) com ele (Grossberg, 1995).
COMO O HOMEM ESTÁ SE SENTINDO?
E AGORA?
MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO
As percepções são influenciadas de cima para baixo (top-down), não apenas
por nossas expectativas e pelo contexto, mas também por nossas emoções e
motivações.
Até ouvir uma música triste em vez de uma alegre pode predispor a pessoa a
perceber um significado triste quando palavras com sons semelhantes são
pronunciadas – lamento em vez de alento, morte em vez de sorte, dor em vez
de cor (Halberstadt et al., 1995).
Quando estão zangadas, as pessoas, na maioria das vezes, percebem objetos
neutros como se fossem armas (Baumann & Steno, 2010). Após ouvir músicas
irritantes, elas também percebem um assalto, por exemplo, como mais grave
(Seidel & Prinz, 2013).
MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO
Dennis Proffitt (2006a, b; Schnall et al., 2008) e outros demonstraram o
poder das emoções com experimentos engenhosos que revelaram que:
•o destino para onde se vai a pé parece mais longínquo para quem
está fatigado devido a um exercício anterior.
•uma colina parece mais íngreme para quem está com uma mochila
pesada nas costas ou simplesmente exposto a música clássica triste e
pesada em vez de música leve e dançante. Assim como em muitos
desafios da vida, uma colina também parece menos íngreme para as
pessoas com um amigo ao lado.
MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO
•um alvo parece mais distante para quem arremessa um objeto
pesado em vez de um leve.
•mesmo uma bola de softbol parece maior quando se está
rebatendo bem, observaram Jessica Witt e Proffitt (2005), após
pedirem a jogadores que apontassem um círculo do tamanho da
bola que haviam acabado de rebater bem ou mal. (Também há
um fenômeno recíproco: Ver um alvo como maior – como acontece
quando os atletas focam diretamente em um alvo – melhora o
desempenho [Witt et al., 2012].)
MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO
As emoções e motivos realçam nossas percepções sociais.
As pessoas percebem mais o confinamento solitário, a privação de sono e as
temperaturas baixas como “tortura” quando experimentam uma pequena dose por
elas mesmas (Nordgren et al., 2011).
Esposas que se sentem amadas e admiradas percebem menos ameaça em eventos
conjugais estressantes – “Ele só está tendo um dia ruim” (Murray et al., 2003).
Árbitros profissionais, se informados de que um time de futebol tem histórico de
comportamento agressivo, darão mais cartões após assistirem a faltas gravadas em
vídeo (Jones et al., 2002).
A moral dessas estórias: Acreditar é, de fato, ver.
VISÃO: PROCESSAMENTO SENSORIAL E 
PERCEPTIVO
Nossos olhos recebem energia luminosa e
a transduzem (transformam) em
mensagens neurais que nosso cérebro
processa no que vemos conscientemente.
Mas como isso acontece?
A ENTRADA DO ESTÍMULO: A ENERGIA LUMINOSA
Quando você olha para uma tulipa vermelho vivo, os estímulos que atingem
seus olhos não são partículas da cor vermelha, mas pulsos de energia
eletromagnética que seu sistema visual percebe como vermelho.
O que vemos como cor (luz visível) nada mais é que uma fina fatia de todo o
espectro de radiação eletromagnética, variando das ondas
imperceptivelmente curtas de raios gama às longas ondas de transmissão
de rádio.
Outros organismos são sensíveis a diferentes faixas do espectro
A ENTRADA DO ESTÍMULO: A ENERGIA LUMINOSA
Duas características físicas da luz ajudam a determinar a experiência sensorial que 
temos dela:
A luz, seu comprimento de onda – a distância de um pico de onda para o seguinte –
determina o matiz (a cor que experimentamos, como as pétalas vermelhas da tulipa 
ou as folhas verdes). 
A intensidade, a quantidade de energia nas ondas luminosas (determinada pela 
amplitude, ou altura, de uma onda), influencia o brilho.
COMPRIMENTO DAS ONDAS
O OLHO
A luz entra no olho através da córnea, que desvia a luz para prover o foco.
A luz então passa pela pupila, uma pequena abertura ajustável; rodeando a pupila,
encontra-se a íris, um músculo colorido que dilata ou contrai em resposta à
intensidade da luz – ou mesmo a imaginar um céu ensolarado ou uma sala escura.
A íris também responde aos nossos estados cognitivos e emocionais
O OLHO
Atrás da pupila encontra-se o cristalino,
uma lente transparente que focaliza os
raios luminosos que entram, formando
uma imagem na retina, um tecido de
múltiplas camadas sensível à luz, na
superfície interna do globo ocular.
O cristalino focaliza os raios alterando
sua curvatura e sua espessura, em um
processo denominado acomodação.
PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NO OLHO E 
NO CÉREBRO
Depois, ao chegar ao fundo da retina, você encontraria suas células
receptoras internas, os bastonetes e os cones.
Lá, você veria a energia luminosa desencadear alterações químicas que
disparariam sinais neurais, ativando as células bipolares próximas.
Essas reações químicas vão estimular sinais neurais que, por sua vez, ativariam
as vizinhas células ganglionares, cujos axônios convergem como os filamentos
de uma corda, para formar o nervo óptico
PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NO OLHO E 
NO CÉREBRO
Este transporta informações para o cérebro, onde serão recebidas pelo tálamo e
distribuídas para os olhos.
O nervo óptico pode enviar quase 1 milhão de mensagens de uma vez por meio de
quase 1 milhão de fibras ganglionares. (O nervo auditivo, que possibilita a audição,
transporta muito menos informações por suas meras 30 mil fibras.)
No local em que o nervo óptico deixa o olho, não há células receptoras – criando um
ponto cego.
Feche um olho e, no entanto, você não verá um buraco negro na tela da TV. Sem
pedir sua aprovação, o cérebro preenche o buraco.
PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NO OLHO E 
NO CÉREBRO
As camadas neurais da retina não se
limitam apenas a passar adiante os
impulsos elétricos.
Elas também ajudam a codificar e
analisar informações sensoriais.
NOS OLHOS HUMANOS, A INFORMAÇÃO SEGUE 
ESTA VIA:
•Após o processamento pelos quase 130 milhões de cones e bastonetes
de nossa retina, a informação viaja para a frente novamente, para suas
células bipolares.
•Dali, ela passa para os milhões de células ganglionares oculares e
através de seus axônios que compõem o nervo óptico de seu cérebro.
•Após uma parada momentânea no tálamo, a informação viaja para
seu córtex visual. Qualquer área da retina retransmite sua informação
para um local correspondente no seu córtex visual, no lobo occipital da
parte de trás de seu cérebro
PROCESSAMENTO DE CORES
A cor, como todos os aspectos da visão, reside não no objeto, mas no teatro de nossos
cérebros, como evidenciam nossos sonhos em cores.
Mas, como é que, a partir da energia luminosa que atinge a retina, o cérebro fabrica
nossa experiência de cor – e de tamanha profusão de cores?
Nosso limiar diferencial de cores é tão baixo que podemos discriminar aproximadamente 1
milhão de diferentes variações de cores (Neitz et al., 2001).
Pelo menos a maioria de nós pode. Para cerca de uma em cada 50 pessoas, a visão é
deficiente de cores – e essa pessoa em geral é homem, pois o defeito é geneticamente ligado
ao sexo.
PROCESSAMENTO DE CORES
Século XIX → Hermann von Helmholtz
ampliou as reflexões de um físico
inglês, Thomas Young.
Qualquer cor pode ser criada
combinando-se as ondas de luz de
três cores primárias – vermelho, verde
eazul.
PROCESSAMENTO DE CORES
Sabendo disso, Young e von Helmholtz
formularam a hipótese: O olho deve
ter três tipos correspondentes de
receptores de cores.
A teoria tricromática (de três cores) de
Young-Helmholtz, portanto, implica
que os cones fazem sua mágica em
equipes de três.
PROCESSAMENTO DE CORES
Anos depois, pesquisadores mediram a resposta de vários cones a diferentes estímulos de
cores e confirmaram que a retina possui três tipos de receptores para cor, cada um
especialmente sensível a uma de três cores.
E elas são, de fato, vermelho, verde e azul.
Ao estimularmos combinações desses cones, vemos outras cores.
Por exemplo, não existem receptores sensíveis ao amarelo. No entanto, quando os cones
sensíveis ao vermelho e os sensíveis ao verde são estimulados, vemos o amarelo.
PROCESSAMENTO DE CORES
A maioria das pessoas que têm visão deficiente para as cores não é, na verdade,
“cega às cores”.
Elas apenas carecem de cones sensíveis ao vermelho ou ao verde, às vezes, de
ambos, que sejam funcionais.
Sua visão – talvez sem que elas o saibam, posto que ao longo da vida ela parece
normal – é monocromática (de uma cor) ou dicromática (de duas cores) em vez de
tricromática, tornando impossível distinguir o vermelho e o verde
PROCESSAMENTO DE CORES
Hering, um fisiologista, encontrou uma pista na ocorrência de pós-imagens.
Quando você olha para um quadrado verde por alguns instantes e depois para uma
folha de papel branca, você vê o vermelho, a cor oponente do verde. Olhe para um
quadrado amarelo e em seguida verá sua cor oponente, o azul, no papel branco.
Hering presumiu que deve haver dois processos cromáticos adicionais: um responsável
por perceber a oposição entre vermelho e verde e outro pela oposição entre azul e
amarelo
TEORIA DO PROCESSO OPONENTE
Três conjuntos de cores oponentes – vermelho-verde, amarelo-azul e branco-preto –
permitem a visão de cores.
O processamento de cores ocorre em dois estágios.
1.Os cones retinianos sensíveis ao vermelho, ao verde e ao azul respondem em graus
variados a diferentes estímulos cromáticos, como sugerido pela teoria tricromática de
Young-Helmholtz.
2.As respostas dos cones são então processadas pelas células do processo oponente,
como a teoria de Hering propôs.
DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS
Houve um tempo em que os cientistas
acreditavam que o cérebro era como uma
tela de cinema, na qual o olho projetava
as imagens.
Mas vieram David Hubel e Torsten Wiesel
(1979), demonstrando que o sistema de
computador do nosso cérebro desconstrói
as imagens visuais e depois as reconstrói.
DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS
Hubel e Wiesel receberam o Prêmio
Nobel por seu trabalho sobre os
detectores de características, células
nervosas no cérebro que respondem às
características específicas de uma cena –
bordas, linhas, ângulos e movimentos.
DICA DE DOCUMENTÁRIO HUBEL E WIESEL 
https://www.youtube.com/watch?v=zVRvzoATHmA
DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS
Usando microeletrodos, eles descobriram que alguns neurônios disparavam
ativamente quando gatos viam linhas em um ângulo, enquanto outros neurônios
respondiam a linha em um ângulo diferente.
Eles supuseram que esses neurônios especializados no córtex visual do lobo occipital –
hoje conhecidos como detectores de características – recebem informações de células
ganglionares individuais na retina.
Os detectores de características passam essa informação específica para outras
áreas corticais, em que equipes de células (grupos de supercélulas) respondem a
padrões mais complexos.
DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS
Uma área do lobo temporal perto de sua
orelha direita permite a você perceber os
rostos e, graças a uma rede neural
especializada, reconhecê-los a partir de
vários pontos de vista (Connor, 2010).
Com estímulo nessa área, você poderia
ver rostos espontaneamente. Se essa
região fosse danificada, você poderia
reconhecer outras formas e objetos, mas
não os rostos familiares.
SUGESTÃO DE LEITURA
O homem que confundiu sua mulher com
um chapéu – Oliver Sacks
(Agnosia visual)
AGNOSIA
AGNOSIA é a incapacidade de detectar o significado de estímulos
sensoriais, estando intactas as vias sensitivas e o nível de consciência.
Trata-se de um distúrbio da percepção em que o indivíduo consegue
sentir estímulos elementares da coisa apresentada, mas não sabe que
coisa é.
O diagnóstico é feito quando a mesma coisa é reconhecida quando
apresentada por meio de outra modalidade sensorial.
Por exemplo, na agnosia visual, quando o objeto é palpado e
reconhecido pelo tato.
PROCESSAMENTO PARALELO
Nosso cérebro realiza feitos notáveis por meio do processamento paralelo: fazendo
muitas coisas ao mesmo tempo.
Para analisar uma cena visual, ele divide uma cena visual em subdimensões –
movimento, forma, profundidade e cor – e trabalha em cada aspecto
simultaneamente (Livingstone e Hubel, 1988).
Então construímos nossas percepções integrando o trabalho separado, mas em
paralelo, dessas diferentes equipes visuais.
EXERCÍCIO DE SENSOPERCEPÇÃO PRIMÁRIA
ORGANIZAÇÃO PERCEPTIVA
Uma coisa é entender como vemos as cores e as formas. Mas como organizamos e
interpretamos essas visões para que se transformem em percepções significantes –
uma rosa em flor, um rosto familiar, um pôr do sol?
No início do século XX, um grupo de psicólogos alemães observou que, ao receber
um amontoado de sensações, a tendência das pessoas é de organizá-las em uma
gestalt, palavra alemã que significa “forma” ou “todo”.
Enquanto olhamos diretamente para a frente, não conseguimos separar a cena
percebida nos campos de visão esquerdo e direito. A todo momento é uma cena
inteira, sem emendas
ORGANIZAÇÃO PERCEPTIVA
Ao longo dos anos, os psicólogos da Gestalt demonstraram muitos princípios pelos
quais organizamos nossas sensações na forma de percepções (Wagemans et al.,
2012a,b).
Há uma verdade fundamental subjacente a todos eles: Nosso cérebro faz mais do
que registrar informações a respeito do mundo. A percepção não é só abrir uma
janela e deixar uma imagem ser impressa no cérebro.
Filtramos informações sensoriais que chegam e construímos (inferimos) nossa
percepção. A mente faz diferença.
PERCEPÇÃO DA FORMA
Proximidade Agrupamos as figuras próximas, que estão juntas. Vemos três conjuntos de duas
linhas, mas não seis linhas separadas.
Continuidade Percebemos padrões suaves e contínuos em vez de descontínuos. Esse padrão
poderia ser uma série de semicírculos alternados, mas nós o percebemos como duas linhas
contínuas – uma ondulada, e outra reta.
Fechamento Preenchemos lacunas para criar um objeto completo, inteiro. Assim, presumimos
que os círculos (acima à esquerda) são completos, mas parcialmente bloqueados pelo
triângulo (ilusório). Adicione nada mais que pequenos segmentos de linha que fechem os
círculos (acima à direita), e o cérebro deixa de construir um triângulo.
PERCEPÇÃO DE PROFUNDIDADE
A partir das imagens bidimensionais que chegam à retina, de alguma forma
organizamos percepções tridimensionais.
A percepção de profundidade, ver objetos em três dimensões, habilita-nos a estimar
a distância entre eles e nós.
Estimamos imediatamente a distância de um carro vindo em nossa direção ou a
altura de uma casa. Essa habilidade é, em parte, inata.
INTERPRETAÇÃO PERCEPTIVA
REFERÊNCIAS
Myers, David, G. e C. Nathan Dewall. Psicologia, 11ª edição. Disponível em: Minha
Biblioteca, Grupo GEN, 2017. - Cap. 6 - Sensação e Percepção (p. 187-231)