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SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO Prof. Me. Tereza Manpetit CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO O que são sensação e percepção? O que queremos dizer com processamento bottom-up (de baixo para cima) e processamento top-down (de cima para baixo)? Em nossas experiências cotidianas, sensação e percepção se fundem em um processo contínuo. •Nosso processamento bottom-up começa nos receptores sensoriais e evolui para níveis mais elevados de processamento. •Nosso processamento top-down constrói percepções a partir do estímulo sensorial aproveitando nossa experiência e nossas expectativas. CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO Quando nosso cérebro decifra a informação presente na figura ao lado, o processamento bottom-up habilita nossos sistemas sensoriais a detectar as linhas, os ângulos e as cores que formam os cavalos, o viajante e os arredores. Usando o processamento top-down interpretamos o que nossos sentidos detectam CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO Mas como fazemos isso? Como criamos significado a partir da inundação de estímulos sensoriais que bombardeiam nosso corpo 24 horas por dia? Em busca de respostas, vamos examinar alguns processos que utilizam todos os nossos sistemas sensoriais. QUAIS SÃO AS TRÊS ETAPAS BÁSICAS PARA TODOS OS NOSSOS SISTEMAS SENSORIAIS? A cada segundo de cada dia, nossos sistemas sensoriais realizam um feito incrível: Eles convertem uma forma de energia em outra. A visão processa a energia luminosa. A audição processa as ondas sonoras. Todos os nossos sentidos: • recebem estímulos sensoriais, frequentemente utilizando células receptoras especializadas. • transformam esses estímulos em impulsos neurais. • entregam a informação neural para o nosso cérebro. CONCEITOS BÁSICOS DE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO O processo de converter uma forma de energia em outra, que o nosso cérebro consiga utilizar, se chama transdução → Na sensação, a transformação de energias de estímulo, como visões, sons e cheiros, em impulsos neurais que nosso cérebro consegue interpretar. Em cada caso, um dos nossos sistemas sensoriais recebe, transforma e entrega a informação para o nosso cérebro. QUAL A DISTINÇÃO GROSSEIRA ENTRE SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO? Sensação é o processo bottom-up pelo qual nossos receptores sensoriais e nosso sistema nervoso recebem e representam estímulos. Percepção é o processo top-down no qual nosso cérebro cria significado organizando e interpretando o que nossos sentidos detectam. LIMIARES ABSOLUTOS Somos extremamente sensíveis a certos tipos de estímulos De pé em uma montanha em uma noite de céu claro e absolutamente escura, a maioria de nós seria capaz de ver a chama de uma vela no cume de outra montanha a cerca de 50 quilômetros de distância. Somos capazes de sentir a asa de uma abelha caindo sobre nossa bochecha. Podemos sentir o odor de uma gotinha de perfume em um apartamento de três cômodos (Galanter, 1962) LIMIARES ABSOLUTOS O cientista e filósofo alemão, Gustav Fechner (1801-1887), estudou nossa consciência desses tênues estímulos e os batizou como nossos limiares absolutos: A estimulação mínima necessária para detectarmos uma luz, um som, uma pressão, um sabor ou um odor específicos em 50 % das vezes. LIMIARES ABSOLUTOS LIMIARES ABSOLUTOS Ao testar seu limiar absoluto para sons, um especialista em audição exporia cada um de seus ouvidos a níveis de som variáveis. Para cada tom, o teste definiria onde em metade das vezes você detectaria corretamente o som e em metade das vezes não o conseguiria. Para cada sentido, esse ponto de reconhecimento de 50 %-50 % define seu limiar absoluto. LIMIARES ABSOLUTOS A teoria da detecção de sinais prevê quando iremos detectar sinais fracos (medidos como nossa proporção de “acertos” para “alarmes falsos”). As pessoas solitárias, ansiosas, em eventos de encontros rápidos (speed- dating) tendem a responder com um limiar baixo e, assim, podem ser pouco seletivas para escolher possíveis parceiros (McClure et al., 2010). Os teóricos da detecção de sinais buscam entender por que as pessoas reagem de forma diferente aos mesmos estímulos e por que as reações do mesmo indivíduo variam com a mudança das circunstâncias. LIMIARES ABSOLUTOS Os estímulos que você não consegue detectar 50 % do tempo são subliminares – abaixo de seu limiar absoluto. Sob certas condições, você pode ser afetado por estímulos tão fracos que você não os nota conscientemente. LIMIARES DIFERENCIAIS Para funcionar de maneira efetiva, precisamos de limiares absolutos baixos o bastante para nos permitir detectar visões, sons, texturas, sabores e odores importantes. É preciso também detectar pequenas diferenças entre estímulos. Um músico deve detectar minúsculas discrepâncias ao afinar um instrumento. Pais devem detectar o som da voz de seu próprio filho entre as vozes de outras crianças. LIMIARES DIFERENCIAIS O limiar diferencial, também chamado de diferença apenas perceptível (dap) → é a diferença mínima que uma pessoa pode detectar entre dois estímulos quaisquer em metade das vezes. Essa diferença detectável aumenta com o tamanho do estímulo. Se ouvirmos música em 40 decibéis, poderíamos detectar mais 5 decibéis acrescentados. Mas, se aumentarmos o volume para 110 decibéis, provavelmente não iremos detectar uma variação de 5 decibéis. LIMIARES DIFERENCIAIS Nesta cópia, gerada por computador, do vigésimo terceiro Salmo, cada linha do texto aumenta ligeiramente. Quantas linhas são necessárias para que você note uma diferença apenas perceptível? ADAPTAÇÃO SENSORIAL Após a exposição contínua a um estímulo, nossas células nervosas disparam com menos frequência e, portanto, passamos a ter menos consciência desse estímulo. Embora a adaptação sensorial reduza nossa sensibilidade, ela oferece uma importante vantagem: liberdade para focarmos em mudanças informativas no ambiente sem sermos distraídos pelo constante burburinho da estimulação de segundo plano. ADAPTAÇÃO SENSORIAL Pessoas malcheirosas ou exageradamente perfumadas não notam o próprio odor porque, como você e eu, se adaptam ao que é constante e detectam apenas mudanças. Nossos receptores sensoriais estão alertas à novidade; deixe-os entediados com repetições, e eles liberarão nossa atenção para percebermos coisas mais importantes. Isso reforça uma lição fundamental: Percebemos o mundo não exatamente como ele é, mas como é útil para nós percebê-lo. ADAPTAÇÃO SENSORIAL A adaptação sensorial influencia até mesmo o modo como percebemos nossas emoções. Criando uma mistura manipulada meio a meio de uma cara irritada e uma cara assustada, pesquisadores mostraram que nosso sistema visual se adapta a uma expressão facial estática, ficando menos responsivo a ela. O efeito é criado por nosso cérebro, não por nossas retinas. ADAPTAÇÃO SENSORIAL CONJUNTO PERCEPTIVO Através da experiência, passamos a esperar certos resultados. Essas expectativas podem nos proporcionar um conjunto perceptivo, um conjunto de tendências e pressupostos mentais que afetam (de cima para baixo) o que ouvimos, experimentamos, sentimos e vemos. CONJUNTO PERCEPTIVO CONJUNTO PERCEPTIVO O conjunto perceptivo também pode afetar o que ouvimos e o paladar. Em um experimento, crianças em idade pré-escolar, por uma margem de 6 para 1, acharam que as batatas fritas tinham um gosto melhor quando servidas em um saquinho do McDonald’s em vez de um saquinho branco liso (Robinson et al., 2007). CONJUNTO PERCEPTIVO O que determina nosso conjunto perceptivo? Através da experiência formamos conceitos, ou esquemas, que organizam e interpretam informações que não são familiares. Nossos esquemas preexistentes para monstros e troncos de árvore influenciam como aplicamos o processamento de cima para baixo (top-down) para interpretar sensações ambíguas. EFEITOS CONTEXTUAIS Um dado estímulo pode desencadear percepções radicalmente diferentes, em parte devido a nossos conjuntos diferentes, mas também por causa do contexto imediato. EFEITOS CONTEXTUAIS Alguns exemplos:•Quando seguram uma arma, as pessoas se tornam mais propensas a perceber outra pessoa como se estivesse com uma arma em punho – um fenômeno que levou muitas pessoas desarmadas a serem baleadas e que, na realidade, estavam segurando um celular ou uma carteira (Witt & Brockmole, 2012). •Imagine ouvir um barulho interrompido pelas palavras: “undo gira”. Provavelmente você perceberia a primeira palavra como mundo. Dado “undo do poço”, você ouviria fundo. Esse curioso fenômeno sugere que o cérebro pode funcionar de trás para a frente no tempo para permitir que um estímulo posterior determine como percebemos um anterior. O contexto cria uma expectativa que, de cima para baixo (de maneira top-down), influencia nossa percepção quando comparamos nosso sinal de baixo para cima (bottom-up) com ele (Grossberg, 1995). COMO O HOMEM ESTÁ SE SENTINDO? E AGORA? MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO As percepções são influenciadas de cima para baixo (top-down), não apenas por nossas expectativas e pelo contexto, mas também por nossas emoções e motivações. Até ouvir uma música triste em vez de uma alegre pode predispor a pessoa a perceber um significado triste quando palavras com sons semelhantes são pronunciadas – lamento em vez de alento, morte em vez de sorte, dor em vez de cor (Halberstadt et al., 1995). Quando estão zangadas, as pessoas, na maioria das vezes, percebem objetos neutros como se fossem armas (Baumann & Steno, 2010). Após ouvir músicas irritantes, elas também percebem um assalto, por exemplo, como mais grave (Seidel & Prinz, 2013). MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO Dennis Proffitt (2006a, b; Schnall et al., 2008) e outros demonstraram o poder das emoções com experimentos engenhosos que revelaram que: •o destino para onde se vai a pé parece mais longínquo para quem está fatigado devido a um exercício anterior. •uma colina parece mais íngreme para quem está com uma mochila pesada nas costas ou simplesmente exposto a música clássica triste e pesada em vez de música leve e dançante. Assim como em muitos desafios da vida, uma colina também parece menos íngreme para as pessoas com um amigo ao lado. MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO •um alvo parece mais distante para quem arremessa um objeto pesado em vez de um leve. •mesmo uma bola de softbol parece maior quando se está rebatendo bem, observaram Jessica Witt e Proffitt (2005), após pedirem a jogadores que apontassem um círculo do tamanho da bola que haviam acabado de rebater bem ou mal. (Também há um fenômeno recíproco: Ver um alvo como maior – como acontece quando os atletas focam diretamente em um alvo – melhora o desempenho [Witt et al., 2012].) MOTIVAÇÃO E EMOÇÃO As emoções e motivos realçam nossas percepções sociais. As pessoas percebem mais o confinamento solitário, a privação de sono e as temperaturas baixas como “tortura” quando experimentam uma pequena dose por elas mesmas (Nordgren et al., 2011). Esposas que se sentem amadas e admiradas percebem menos ameaça em eventos conjugais estressantes – “Ele só está tendo um dia ruim” (Murray et al., 2003). Árbitros profissionais, se informados de que um time de futebol tem histórico de comportamento agressivo, darão mais cartões após assistirem a faltas gravadas em vídeo (Jones et al., 2002). A moral dessas estórias: Acreditar é, de fato, ver. VISÃO: PROCESSAMENTO SENSORIAL E PERCEPTIVO Nossos olhos recebem energia luminosa e a transduzem (transformam) em mensagens neurais que nosso cérebro processa no que vemos conscientemente. Mas como isso acontece? A ENTRADA DO ESTÍMULO: A ENERGIA LUMINOSA Quando você olha para uma tulipa vermelho vivo, os estímulos que atingem seus olhos não são partículas da cor vermelha, mas pulsos de energia eletromagnética que seu sistema visual percebe como vermelho. O que vemos como cor (luz visível) nada mais é que uma fina fatia de todo o espectro de radiação eletromagnética, variando das ondas imperceptivelmente curtas de raios gama às longas ondas de transmissão de rádio. Outros organismos são sensíveis a diferentes faixas do espectro A ENTRADA DO ESTÍMULO: A ENERGIA LUMINOSA Duas características físicas da luz ajudam a determinar a experiência sensorial que temos dela: A luz, seu comprimento de onda – a distância de um pico de onda para o seguinte – determina o matiz (a cor que experimentamos, como as pétalas vermelhas da tulipa ou as folhas verdes). A intensidade, a quantidade de energia nas ondas luminosas (determinada pela amplitude, ou altura, de uma onda), influencia o brilho. COMPRIMENTO DAS ONDAS O OLHO A luz entra no olho através da córnea, que desvia a luz para prover o foco. A luz então passa pela pupila, uma pequena abertura ajustável; rodeando a pupila, encontra-se a íris, um músculo colorido que dilata ou contrai em resposta à intensidade da luz – ou mesmo a imaginar um céu ensolarado ou uma sala escura. A íris também responde aos nossos estados cognitivos e emocionais O OLHO Atrás da pupila encontra-se o cristalino, uma lente transparente que focaliza os raios luminosos que entram, formando uma imagem na retina, um tecido de múltiplas camadas sensível à luz, na superfície interna do globo ocular. O cristalino focaliza os raios alterando sua curvatura e sua espessura, em um processo denominado acomodação. PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NO OLHO E NO CÉREBRO Depois, ao chegar ao fundo da retina, você encontraria suas células receptoras internas, os bastonetes e os cones. Lá, você veria a energia luminosa desencadear alterações químicas que disparariam sinais neurais, ativando as células bipolares próximas. Essas reações químicas vão estimular sinais neurais que, por sua vez, ativariam as vizinhas células ganglionares, cujos axônios convergem como os filamentos de uma corda, para formar o nervo óptico PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NO OLHO E NO CÉREBRO Este transporta informações para o cérebro, onde serão recebidas pelo tálamo e distribuídas para os olhos. O nervo óptico pode enviar quase 1 milhão de mensagens de uma vez por meio de quase 1 milhão de fibras ganglionares. (O nervo auditivo, que possibilita a audição, transporta muito menos informações por suas meras 30 mil fibras.) No local em que o nervo óptico deixa o olho, não há células receptoras – criando um ponto cego. Feche um olho e, no entanto, você não verá um buraco negro na tela da TV. Sem pedir sua aprovação, o cérebro preenche o buraco. PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NO OLHO E NO CÉREBRO As camadas neurais da retina não se limitam apenas a passar adiante os impulsos elétricos. Elas também ajudam a codificar e analisar informações sensoriais. NOS OLHOS HUMANOS, A INFORMAÇÃO SEGUE ESTA VIA: •Após o processamento pelos quase 130 milhões de cones e bastonetes de nossa retina, a informação viaja para a frente novamente, para suas células bipolares. •Dali, ela passa para os milhões de células ganglionares oculares e através de seus axônios que compõem o nervo óptico de seu cérebro. •Após uma parada momentânea no tálamo, a informação viaja para seu córtex visual. Qualquer área da retina retransmite sua informação para um local correspondente no seu córtex visual, no lobo occipital da parte de trás de seu cérebro PROCESSAMENTO DE CORES A cor, como todos os aspectos da visão, reside não no objeto, mas no teatro de nossos cérebros, como evidenciam nossos sonhos em cores. Mas, como é que, a partir da energia luminosa que atinge a retina, o cérebro fabrica nossa experiência de cor – e de tamanha profusão de cores? Nosso limiar diferencial de cores é tão baixo que podemos discriminar aproximadamente 1 milhão de diferentes variações de cores (Neitz et al., 2001). Pelo menos a maioria de nós pode. Para cerca de uma em cada 50 pessoas, a visão é deficiente de cores – e essa pessoa em geral é homem, pois o defeito é geneticamente ligado ao sexo. PROCESSAMENTO DE CORES Século XIX → Hermann von Helmholtz ampliou as reflexões de um físico inglês, Thomas Young. Qualquer cor pode ser criada combinando-se as ondas de luz de três cores primárias – vermelho, verde eazul. PROCESSAMENTO DE CORES Sabendo disso, Young e von Helmholtz formularam a hipótese: O olho deve ter três tipos correspondentes de receptores de cores. A teoria tricromática (de três cores) de Young-Helmholtz, portanto, implica que os cones fazem sua mágica em equipes de três. PROCESSAMENTO DE CORES Anos depois, pesquisadores mediram a resposta de vários cones a diferentes estímulos de cores e confirmaram que a retina possui três tipos de receptores para cor, cada um especialmente sensível a uma de três cores. E elas são, de fato, vermelho, verde e azul. Ao estimularmos combinações desses cones, vemos outras cores. Por exemplo, não existem receptores sensíveis ao amarelo. No entanto, quando os cones sensíveis ao vermelho e os sensíveis ao verde são estimulados, vemos o amarelo. PROCESSAMENTO DE CORES A maioria das pessoas que têm visão deficiente para as cores não é, na verdade, “cega às cores”. Elas apenas carecem de cones sensíveis ao vermelho ou ao verde, às vezes, de ambos, que sejam funcionais. Sua visão – talvez sem que elas o saibam, posto que ao longo da vida ela parece normal – é monocromática (de uma cor) ou dicromática (de duas cores) em vez de tricromática, tornando impossível distinguir o vermelho e o verde PROCESSAMENTO DE CORES Hering, um fisiologista, encontrou uma pista na ocorrência de pós-imagens. Quando você olha para um quadrado verde por alguns instantes e depois para uma folha de papel branca, você vê o vermelho, a cor oponente do verde. Olhe para um quadrado amarelo e em seguida verá sua cor oponente, o azul, no papel branco. Hering presumiu que deve haver dois processos cromáticos adicionais: um responsável por perceber a oposição entre vermelho e verde e outro pela oposição entre azul e amarelo TEORIA DO PROCESSO OPONENTE Três conjuntos de cores oponentes – vermelho-verde, amarelo-azul e branco-preto – permitem a visão de cores. O processamento de cores ocorre em dois estágios. 1.Os cones retinianos sensíveis ao vermelho, ao verde e ao azul respondem em graus variados a diferentes estímulos cromáticos, como sugerido pela teoria tricromática de Young-Helmholtz. 2.As respostas dos cones são então processadas pelas células do processo oponente, como a teoria de Hering propôs. DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS Houve um tempo em que os cientistas acreditavam que o cérebro era como uma tela de cinema, na qual o olho projetava as imagens. Mas vieram David Hubel e Torsten Wiesel (1979), demonstrando que o sistema de computador do nosso cérebro desconstrói as imagens visuais e depois as reconstrói. DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS Hubel e Wiesel receberam o Prêmio Nobel por seu trabalho sobre os detectores de características, células nervosas no cérebro que respondem às características específicas de uma cena – bordas, linhas, ângulos e movimentos. DICA DE DOCUMENTÁRIO HUBEL E WIESEL https://www.youtube.com/watch?v=zVRvzoATHmA DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS Usando microeletrodos, eles descobriram que alguns neurônios disparavam ativamente quando gatos viam linhas em um ângulo, enquanto outros neurônios respondiam a linha em um ângulo diferente. Eles supuseram que esses neurônios especializados no córtex visual do lobo occipital – hoje conhecidos como detectores de características – recebem informações de células ganglionares individuais na retina. Os detectores de características passam essa informação específica para outras áreas corticais, em que equipes de células (grupos de supercélulas) respondem a padrões mais complexos. DETECÇÃO DE CARACTERÍSTICAS Uma área do lobo temporal perto de sua orelha direita permite a você perceber os rostos e, graças a uma rede neural especializada, reconhecê-los a partir de vários pontos de vista (Connor, 2010). Com estímulo nessa área, você poderia ver rostos espontaneamente. Se essa região fosse danificada, você poderia reconhecer outras formas e objetos, mas não os rostos familiares. SUGESTÃO DE LEITURA O homem que confundiu sua mulher com um chapéu – Oliver Sacks (Agnosia visual) AGNOSIA AGNOSIA é a incapacidade de detectar o significado de estímulos sensoriais, estando intactas as vias sensitivas e o nível de consciência. Trata-se de um distúrbio da percepção em que o indivíduo consegue sentir estímulos elementares da coisa apresentada, mas não sabe que coisa é. O diagnóstico é feito quando a mesma coisa é reconhecida quando apresentada por meio de outra modalidade sensorial. Por exemplo, na agnosia visual, quando o objeto é palpado e reconhecido pelo tato. PROCESSAMENTO PARALELO Nosso cérebro realiza feitos notáveis por meio do processamento paralelo: fazendo muitas coisas ao mesmo tempo. Para analisar uma cena visual, ele divide uma cena visual em subdimensões – movimento, forma, profundidade e cor – e trabalha em cada aspecto simultaneamente (Livingstone e Hubel, 1988). Então construímos nossas percepções integrando o trabalho separado, mas em paralelo, dessas diferentes equipes visuais. EXERCÍCIO DE SENSOPERCEPÇÃO PRIMÁRIA ORGANIZAÇÃO PERCEPTIVA Uma coisa é entender como vemos as cores e as formas. Mas como organizamos e interpretamos essas visões para que se transformem em percepções significantes – uma rosa em flor, um rosto familiar, um pôr do sol? No início do século XX, um grupo de psicólogos alemães observou que, ao receber um amontoado de sensações, a tendência das pessoas é de organizá-las em uma gestalt, palavra alemã que significa “forma” ou “todo”. Enquanto olhamos diretamente para a frente, não conseguimos separar a cena percebida nos campos de visão esquerdo e direito. A todo momento é uma cena inteira, sem emendas ORGANIZAÇÃO PERCEPTIVA Ao longo dos anos, os psicólogos da Gestalt demonstraram muitos princípios pelos quais organizamos nossas sensações na forma de percepções (Wagemans et al., 2012a,b). Há uma verdade fundamental subjacente a todos eles: Nosso cérebro faz mais do que registrar informações a respeito do mundo. A percepção não é só abrir uma janela e deixar uma imagem ser impressa no cérebro. Filtramos informações sensoriais que chegam e construímos (inferimos) nossa percepção. A mente faz diferença. PERCEPÇÃO DA FORMA Proximidade Agrupamos as figuras próximas, que estão juntas. Vemos três conjuntos de duas linhas, mas não seis linhas separadas. Continuidade Percebemos padrões suaves e contínuos em vez de descontínuos. Esse padrão poderia ser uma série de semicírculos alternados, mas nós o percebemos como duas linhas contínuas – uma ondulada, e outra reta. Fechamento Preenchemos lacunas para criar um objeto completo, inteiro. Assim, presumimos que os círculos (acima à esquerda) são completos, mas parcialmente bloqueados pelo triângulo (ilusório). Adicione nada mais que pequenos segmentos de linha que fechem os círculos (acima à direita), e o cérebro deixa de construir um triângulo. PERCEPÇÃO DE PROFUNDIDADE A partir das imagens bidimensionais que chegam à retina, de alguma forma organizamos percepções tridimensionais. A percepção de profundidade, ver objetos em três dimensões, habilita-nos a estimar a distância entre eles e nós. Estimamos imediatamente a distância de um carro vindo em nossa direção ou a altura de uma casa. Essa habilidade é, em parte, inata. INTERPRETAÇÃO PERCEPTIVA REFERÊNCIAS Myers, David, G. e C. Nathan Dewall. Psicologia, 11ª edição. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017. - Cap. 6 - Sensação e Percepção (p. 187-231)