Prévia do material em texto
1 IGREJA PRESBITERIANA DE HELIÓPOLIS CONTEÚDO PROGRAMÁTICO PARA ESCOLA DOMINICAL ASSUNTO: PROJETO DE EDUCAÇÃO RELIGIOSA PARA ESCOLA DOMINICAL PROGRAMA CURRICULAR: EXPOSIÇÃO DA CARTA DE PAULO AOS FILIPENSES I. Plano de Ensino – aula dia 10/03/2025 TEMA DA CARTA: O SENHOR É A ALEGRIA DO SEU POVO II. Dados de Identificação: Escola Dominical IPH Professor (a): Turma: Todas Período: Bimestral III. OBSERVAÇÕES AOS PROFESSORES: É necessário que cada professor utilize de forma didática os conteúdos pesquisados interagindo com seus alunos. Faz-se necessário aplicar o conteúdo exposto para a realidade dos ouvintes. Os pastores estão à disposição de todos os professores. TODOS VOCÊS QUE ESTÃO NESSA HONROSA MISSÃO TEM POTENCIAL PARA REALIZAR A TAREFA QUE DEUS VOS CHAMOU. IV. Objetivo geral: O objetivo geral da carta de Paulo foi demonstrar aos irmãos da cidade de Filipos, que as circunstâncias não devem moldar a nossa alegria em ser cristãos. Nem provas, nem escassez, nem perseguições deveriam tirar a alegria do povo de amar a Jesus e esperar pela consumação e plena redenção. Os cristãos deveriam estar atentos para a promessas da volta de Cristo, esse era o desejo de Paulo estar com Ele. Paulo enfatiza que a comunhão com os irmãos deveria sobrepor quaisquer obstáculos que prejudicassem o bom andamento do corpo de Cristo. 2 Paulo visa prover a orientação espiritual de que a congregação necessitava. William Hendriksen aponta alguns aspectos importantes dessa provisão: 1- Que os filipenses continuem a exercer sua cidadania de modo digno do evangelho de Cristo (Fp 1.27-30). 2- Que permaneçam unidos de alma, tendo o mesmo sentimento (Fp 2.2). Que a atitude de Cristo, que se humilhou e se tornou obediente até à morte, e morte de cruz, seja também seu modo de vida (Fp 2.1-11). 3- Que sejam luzeiros, preservando a palavra da vida no meio de uma geração pervertida e corrupta (Fp 2.14-16). 4- Que se acautelem dos judaizantes (Fp 3.1-3). Que não pensem já haver “alcançado” a perfeita espiritualidade. Ao contrário disso, imitando a Paulo, “prossigam rumo ao alvo” (Fp 3.4-16). Se sua pátria está no céu, então que se acautelem dos sensuais, inimigos da cruz, cujo deus é o ventre (Fp 3.17-21). 5- Em conclusão: que lutem com coragem (Fp 1.27,28), humildade (2.3), unanimidade (2.2; 4.2,3), altruísmo (2.4), obediência (2.12), perfeição (3.12-16), santidade ( 3.17,20), firmeza (4.1), alegria e esperança no Senhor (4.1-7). 6- Ao alcançarem esse ideal, que fixem bem sua atenção em “tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro”, etc. Então, o Deus da paz será com eles (Fp 4.8,9). 3 2º RESUMO DA CARTA AOS FILIPENSES - MANUAL BÍBLICO JOHN MACARTHUR TÍTULO Filipenses tem seu nome derivado da cidade grega onde a igreja para a qual é endereçada estava localizada. Filipos foi a primeira cidade na Macedônia em que Paulo estabeleceu uma igreja. AUTOR E DATA O testemunho unânime da igreja primitiva foi que o apóstolo Paulo escreveu Filipenses. Nada na carta teria motivado um forjador a escrevê- la. A questão a respeito de quando a carta aos Filipenses foi escrita não pode ser separada da questão de onde a carta foi escrita. O ponto de vista tradicional é que Filipenses, juntamente com as outras “epístolas da prisão” (Efésios, Colossenses e Filemom), foi escrita durante o primeiro cárcere de Paulo em Roma (por volta de 60-62 d.C.). O entendimento mais natural a respeito das referências à “guarda do palácio” (1:13) e aos “santos ... que estão no palácio de César” (4:22) é de que Paulo tenha escrito Filipenses em Roma, onde o imperador morava. As semelhanças entre os detalhes sobre a prisão de Paulo fornecidos em Atos e nas “epístolas da prisão” também demonstram que essas epístolas foram escritas de Roma (por exemplo: Paulo era guardado por soldados, At 28:16; cf. 1:13-14; era-lhe permitido receber visitantes, At 28:30; cf. 4:18; e teve a oportunidade de pregar o evangelho, At 28:31; cf. 1:12-14; Ef 6:18-20; Cl 4:2-4). Alguns têm afirmado que Paulo escreveu as epístolas da prisão durante os dois anos em que esteve preso em Cesareia (At 24:27). Entretanto, durante esse período, suas oportunidades de receber visitas e de proclamar o evangelho foram severamente limitadas (cf. At 23:35). As “epístolas da prisão” expressam a esperança de Paulo por uma sentença favorável (1:25; 2:24; cf. Fm 22). Em Cesareia, no entanto, a única esperança para a libertação de Paulo era subornar Félix (At 24:26) ou concordar em ser submetido a julgamento em Jerusalém sob Festo (At 25:9). Nas “epístolas da prisão”, o apóstolo esperava que a decisão sobre o seu caso fosse conclusiva (1:20-23; 2:17,23). Esse não poderia ser o caso em Cesareia, uma vez que ali Paulo podia apelar para o imperador (e foi o que ele fez). 4 Outra alternativa que tem sido apresentada é que Paulo tenha escrito as “epístolas da prisão” em Éfeso. Porém, em Éfeso, assim como em Cesareia, nenhuma decisão conclusiva poderia ser tomada sobre o seu caso, por causa do seu direito de apelar para o imperador. E Lucas também estava com Paulo quando este escreveu Colossenses (Cl 4:14); entretanto, aparentemente ele não estava com o apóstolo em Éfeso. A passagem de At 19, que registra a estadia de Paulo em Éfeso, não é uma das seções de Atos escrita na terceira pessoa (veja “Autor e data” de Atos). No entanto, o argumento mais poderoso contra Éfeso ter sido o ponto de origem das “epístolas da prisão” é que não há evidências de que Paulo tenha sequer sido preso em Éfeso. Em vista das sérias dificuldades enfrentadas tanto pelo ponto de vista que argumenta em favor de Cesareia quanto de Éfeso, não há razão para se rejeitar a visão tradicional de que Paulo tenha escrito as “epístolas da prisão” (inclusive Filipenses) em Roma. A crença de Paulo de que o seu caso seria decidido em breve (2:23-24) indica que Filipenses foi escrito perto do encerramento do período de dois anos em que Paulo esteve preso em Roma (por volta de 61 d.C.). CENÁRIO E CONTEXTO Originalmente conhecida como Krenides (“As pequenas fontes”) por causa do grande número de fontes que havia em seus arredores, Filipos (“cidade de Filipe”) recebeu o seu nome de Filipe II da Macedônia (o pai de Alexandre, o Grande). Atraído pelas minas de ouro que havia no local, Filipe conquistou a região no século IV a.C. No século II a.C., Filipos tornou-se parte da província romana da Macedônia. A cidade viveu em relativa obscuridade durante os dois séculos seguintes até que um dos mais famosos acontecimentos na história romana trouxe a ela reconhecimento e expansão. Em 42 a.C., os exércitos de Antônio e Otávio derrotaram os de Brutus e Cassius na batalha de Filipos, colocando, desse modo, um fim à República Romana e prenunciando o Império. Depois da batalha, Filipos se tornou uma colônia romana (cf. At 16:12), e muitos veteranos do exército romano se estabeleceram lá. Como colônia, Filipos tinha autonomia do governo provincial e os mesmos direitos que tinham as cidades na Itália, inclusive o uso da lei romana, isenção de alguns impostos e cidadania romana para seus habitantes (At 16:21). O fato de ser uma colônia também era motivo de muito orgulho cívico por parte dos filipenses; eles usavam o latim como idioma oficial, adotaram os costumes romanos e governavam a sua cidade segundo o 5 modelo das cidades italianas. Tanto Atos como Filipenses refletem o status de Filipos como uma colônia romana. A descrição de Paulo dos cristãos como cidadãos do céu (3:20) era apropriada, posto que os filipenses orgulhavam-se de serem cidadãos de Roma (cf. At 16:21). É muito provável que os filipenses conhecessem bem alguns dos membros da guarda do palácio (1:13) edo palácio de César (4:22). A igreja em Filipos, a primeira fundada por Paulo na Europa, data da segunda viagem missionária do apóstolo (At 16:12-40). Filipos, evidentemente, tinha uma população muito pequena de judeus. Por não haver homens suficientes para formar uma sinagoga (era exigido dez homens judeus que fossem chefes de família), algumas mulheres devotas se reuniam fora da cidade num lugar de oração (At 16:3) ao longo do rio Gangites. Paulo pregou o evangelho a elas e Lídia, uma comerciante rica que trabalhava com artigos caros tingidos de púrpura (At 16:14) que tornou-se cristã (16:14-15). É provável que no seu início a igreja de Filipos tenha se reunido em sua casa espaçosa. As oposições satânicas à nova igreja imediatamente surgiram na pessoa de uma escrava jovem, adivinha e endemoninhada (At 16:16-17). Não querendo nem mesmo um testemunho favorável de tal origem maligna, Paulo expulsou o demônio dela (At 16:18). O ato do apóstolo enfureceu os donos da jovem, os quais não mais poderiam vender seus serviços como adivinha (At 16:19). Eles arrastaram Paulo e Silas perante os magistrados da cidade (At 16:20) e inflamaram o orgulho cívico dos filipenses, alegando que os dois pregadores eram uma ameaça para os costumes romanos (At 16:20-21). Como resultado, Paulo e Silas foram açoitados e presos (At 16:22-24). Os dois pregadores foram milagrosamente libertados da prisão nessa noite por um terremoto, o qual desalentou o carcereiro e abriu o seu coração e o de todas as pessoas da sua casa para o evangelho (At 16:25- 34). No dia seguinte, os magistrados, aterrorizados ao descobrirem que haviam açoitado e aprisionado ilegalmente dois cidadãos romanos, imploraram a Paulo e Silas para saírem de Filipos. OBS: ATÉ ESSE MOMENTO OS ASSUNTOS ABORDADOS ACIMA SÃO PESQUISAS, O PANO DE FUNDO, PARA QUE CADA PROFESSOR (A) ESTEJA CIENTE DO QUE ESTÁ ENSINANDO. 6 4ª AULA – Fp 1.27-30 TEMA: COMO VIVEM OS SALVOS EM CRISTO JESUS INTRODUÇÃO: Santidade e Sofrimento: O Caminho do Oleiro Um jovem entrou na oficina de um oleiro e ficou observando atentamente o trabalho do artesão. O oleiro pegou um pedaço de barro bruto, misturado com impurezas, e começou a amassá-lo com força. Ele pressionou o barro, batia nele, moldava-o e recomeçava o processo várias vezes. O jovem percebe que o trabalho não era suave nem delicado, mas sim firme e intenso Intrigado, o jovem perguntou: — Por que ´necessário fazer isso? O oleiro pediu e paciente respondeu: — Porque o barro precisa ser muito amassado, para sair um belo vaso O jovem Espantado, o jovem perguntou: — Por quê? O oleiro respondeu com calma: — Se não amassar o barro ele não produzirá o seu melhor. Assim, quanto mais é amassado, mais tende a ser um belo vaso. Assim também acontece com aqueles que buscam a santidade. Deus nos molda com Suas mãos, nos aperta, nos transforma e, muitas vezes, nos leva ao fogo do sofrimento. Mas isso não acontece para nos destruir, e sim para nos fortalecer. Cada dor, cada prova e cada momento difícil fazem parte do processo divino de purificação. A santidade não vem sem sofrimento, mas não final, aqueles que perseveram saem mais fortes, prontos para cumprir o propósito de Deus. 7 ILUSTRAÇÃO: No estudo passado tratamos sobre alguns aspectos da salvação em Cristo. Apesar das dificuldades de Paulo ele encorajou os irmãos a buscarem o que existe de mais importante: A SALVAÇÃO. 1- Ele ensinou que deveríamos ter CONVICÇÃO E SEGURANÇA SALVAÇÃO 2- Ele exortou a igreja a TER ALEGRIA E DESEJO DE UM DIA SE ENCONTRAR COM O SENHOR 3- Ele determinou que a igreja de Cristo devia valorizar O PRIVILÉGIO DE VIVER COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS 8 1. LIÇÃO – OS SALVOS SÃO ESPELHOS DO EVANGELHO DE CRISTO 27 Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; Vivei acima de modo digno do evangelho – é viver sendo dirigido pela palavra de Deus. O evangelho é o poder de Deus, e quem por ele não é regido vivem uma vida desnutrida espiritualmente falando. Paulo declara que o desejo dele é ver esses irmãos firmados, seja na presença dele ou na ausência. O crente não pode ter mais temor ao líder do que a Deus. A consciência cristã deve nortear a vida do crente. A presença de Cristo constante deve levar os crentes a viverem em só espírito. Os crentes deveriam lutar pela fé evangélica. A fé evangélica é o reino de Deus. Lutar juntos pela fé evangélica. A igreja não é apenas um amontoado de gente vivendo num parque de diversão, mas um grupo de atletas trabalhando juntos pelo mesmo objetivo. Paulo diz que os crentes devem trabalhar como atletas de um time, todos com a mente focada no mesmo alvo, o avanço do evangelho. Juan Carlos Ortiz: a vida Cristã é o quinto evangelho, e a página da bíblia mais lida pelo mundo. (Filipenses - Hernandes Dias) APLICAÇÃO A maior arma contra o inimigo é uma vida de santidade O verdadeiro Cristão não vive de aparência, pois mesmo na ausência Dos líderes ou irmãos da igreja, ele é santo para Deus. Ser um espelho de Cristo aqui na terra é viver plena dedicação aos trabalhos do Reino. Fazemos parte de um time e não devemos ser um mau atleta. 9 1. LIÇÃO – OS SALVOS SÃO ESPELHOS DO EVANGELHO DE CRISTO 2. LIÇÃO – OS SALVOS NÃO SE INTIMIDAM COM OS OPOSITORES DO EVANGELHO 28 e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus. A igreja de Filipos estava enfrentando uma ameaça interna (a quebra da comunhão) e uma ameaça externa (a perseguição). Paulo os exorta a trabalharem unidos e também a enfrentarem os adversários sem temor sabendo que o padecimento por Cristo é uma graça. A vida cristã deve moldar nosso modo de agir e pensar. E em nada estais intimidados pelo adversários: a palavra original que o apóstolo usa, importa, eles não devem ficar horrorizados ou assustados, como homens e cavalos são propensos a ficar quando furiosamente atacados por seus inimigos mortais, mas os recebem com firmeza, mantendo seu terreno, Mateus 10:28 Lucas 12:32 . Quem são seus adversários? Em Fp 1:30 ele fala deles como tendo o mesmo conflito que ele teve quando em Filipos e agora tem em Roma. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é; Ele quer dizer que todo o fenômeno dessa união, firmeza, energia e calma dos santos diante de probabilidades aparentemente sem esperança é em si um presságio da questão. Claro que a declaração não é feita em abstrato, mas no caso particular do Evangelho. O Apóstolo assume que o Evangelho é a verdade eterna, certa da vitória final, e então diz aqui que a realização desse fato, nas convicções de seus inimigos e amigos, será tanto mais impressionante quanto mais a Igreja agir no espírito de resolução calma, unida e decisiva. Perdição - em seu sentido mais profundo e terrível; a consequência e ruína eterna de todos os oponentes persistentes de Deus e Sua verdade. 10 APLICAÇÃO 1- A igreja deve caminha unida sem disputa, mas com perseverança diante dos ataques do mundo 2- Os não salvos nunca compreenderam o evangelho se Deus não os salvar. Pois, para nós o evangelho é vida, para eles é destruição 11 1. LIÇÃO – OS SALVOS SÃO ESPELHOS DO EVANGELHO DE CRISTO 2. LIÇÃO – OS SALVOS NÃO SE INTIMIDAM COM OS OPOSITORES DO EVANGELHO3. LIÇÃO – OS SALVOS RECEBEM CONTINUAMENTE A GRAÇA DE DEUS NA JORNADA DA FÉ 29 Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, 30pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu. V. 29 – o evangelho na presente dispensação pode trazer grande sofrimento e perseguição para os cristãos fieis. Para Paulo os sofrimentos não deveriam ser recebidos como: 1- Perda do controle de Deus 2- Satanás se sobressaindo contra Deus 3- Os supostamente por haver algo errado consigo, que nem mesmo a pessoa saiba. Para Paulo, viver piedosamente com fidelidade ao Senhor implicará em sofrimento, que conforme o apóstolo é graça. Não somente o privilégio de crer em Deus, mas também, sofrem em nome dEle. O padecimento por Cristo é uma graça. Aplicação 1. Não murmure quando for perseguido por causa de Jesus 2. Não retroceda as ameaças dos homens que te levem a negar a Jesus 3. Tenhamos a Jesus como o exemplo de alguém que sofreu sem merecer, contudo, sempre perseverou em obediência ao Pai 12 APLICAÇÃO FINAL 1. SEJA UM BELO REFLEXO DE CRISTO EM TODOS OS DETALHES DE SUA EXISTÊNCIA 2. PEÇA FORÇA A DEUS PARA NÃO DESANIMAR DIANTE DOS DESAFIOS E PERSEGUIÇÕES POR CAUSA DO EVANGELHO 3. DESFRUTE DA GRAÇA DE CRISTO DIÁRIA. ELE SEMPRE RENOVA SUA BONDADE EM NOSSAS VIDAS À CADA AMANHECER 13 MATERIAL DE APOIO PARA OS PROFESSORES CASO QUEIRAM MAIS INFORMAÇÕES COMENTÁRIO BEACON A. O Dom da Obediência, 1.27-30 1. Obediência na Conduta (1.27) Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo (27). Outra tradução diz: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo” (RA; cf. BJ). Mas as traduções não extraem o pleno significado pretendido pelo apóstolo. A palavra grega que ele usa é politeuesthe (deveis portar-vos) derivada de polites, “cidadão”. O significado original era “viver orientado por certos regulamentos e leis”. Filipos era colônia romana, e alguns habitantes eram cidadãos de Roma. Tinham, portanto, o direito a todos os privilégios atinentes a tal cidadania (cf. Introdução); e na mesma proporção, achavam-se ligados a certas obrigações. Uma colônia romana era um pedacinho de Roma em terra estrangeira. Seus cidadãos estavam sujeitos às suas leis, não às das autoridades provincianas. Mesmo que nunca tivesse visto Roma, a lealdade primária do cidadão era à cidade imperial. Literalmente, Paulo está dizendo aos cristãos filipenses: “Comportai-vos como cidadãos de modo digno das alegres novas de Cristo”, como também da cidade de Roma. O pensamento é ampliado em 3.20, onde Paulo declara: “Mas a nossa cidade [politeuma] está nos céus”. A tradução de Moffatt daquele versículo é: “Pois somos uma colônia do céu”. “Como Filipos estava para Roma, assim está a terra para o céu, a colônia nas cercanias do império, delimitada pelas fronteiras e separada por mares profundos e vastos, mas mantendo as comunicações abertas e sendo um em termos de cidadania.”1 Em grego, somente (monon) é enfático. Paulo está declarando: “Dai, por todos os meios, atenção suprema à vossa cidadania divina, pouco importando o quê”. O imperativo está claro na tradução de Moffatt: “Somente conduzi a vida que seja digna do evangelho de Cristo”. O evangelho não é só a mensagem que traz libertação, mas também o guia a ser seguido. O termo grego stekete (estais) pode ser metáfora militar que significa “ficar firme”, “recusar-se a bater em retirada a despeito dos ataques violentos do inimigo” (cf. Jo 1.26; 8.44; 2 Ts 2.15). Eis o que os crentes filipenses devem fazer: Para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito (27). Ou a metáfora é dos espetáculos do anfiteatro romano. Em todo caso, eles não devem contar com a presença dele. Motivos secundários seriam insuficientes para produzir neles uma firmeza permanente e conduta aceitável. Eles devem permanecer firmes por causa do caráter de Deus e da qualidade da devoção prestada, e não por causa do desejo de causar boa 14 impressão nas pessoas, mesmo em Paulo. No conjunto particular de circunstâncias em que vivem, eles têm de cumprir seus deveres espirituais, e não esperar por ocasião mais conveniente. Certos intérpretes entendem que espírito (pneumati) se refira ao Espírito Santo, ao passo que outros veem que é alusão ao espírito humano. Pelo visto, a referência divina é preferível, pois a expressão grega exata (en heni pneumati) é usada em 1 Coríntios 12.13 e Efésios 2.18, onde as referências são, indiscutivelmente, ao Espírito Santo. Se se refere ao espírito humano, significa a qualidade nas relações pessoais que possibilitam a cooperação com Deus. Mesmo adotando esta interpretação, está claro que, para Paulo, um “espírito comum“ genuíno não é uma possibilidade sem o Espírito Santo. Com o mesmo ânimo é, literalmente, “com uma alma Ipsychef. Psyche é o lugar dos sentimentos, desejos e paixões. Estes devem ser postos sob o controle do Espírito Santo (Rm 8.4ss.). Pelo visto, o mesmo ânimo é metáfora atlética que indica trabalho de equipe e sincronização. Aqui significa profunda unidade interior de propósito que só é possível no Espírito Santo (cf. At 4.32). A preocupação de Paulo é que a característica contenciosa da igreja em Roma não se manifeste entre os crentes filipenses. Eles têm de combater juntamente, e não em oposição uns aos outros, numa causa comum. Eles entraram no Reino violentamente, e têm de continuar protegendo-o e estendendo-o violentamente (Mt 11.12). As colônias romanas podiam ampliar as fronteiras fazendo guerras agressivas. Da mesma maneira, a “colônia do céu”, que está em Filipos, tem de “[combater] o bom combate da fé” (1 Tm 6.12, RA), desta forma ampliando o território. Aqui, não devemos personificar fé como se o crente tivesse de combater “com” fé ou pela fé em sentido objetivo. Nem significa um conjunto de ensinos somente. Refere-se à confiança e compromisso que vêm em resultado de ouvir o evangelho. A expressão sugere a manutenção da relação certa com o evangelho e, por conseguinte, com Cristo, e bem pode incluir o ganho de convertidos ao evangelho. Os crentes filipenses têm de manter-se nesse espírito de amor a fim de lutarem, “lado a lado, como um homem, pela fé do evangelho” (Moffatt). 2. Obediência no Conflito (1.28-30) O termo grego pturomenoi (28, vos espanteis) aplicava-se originalmente ao animal amedrontado, particularmente ao cavalo assustado ou medroso. Levando em conta o restante do versículo, os que resistem (antikeimenon) não é menção aos judeus que subvertiam o evangelho, mas aos pagãos. E evidente que Paulo tem em mente a oposição que enfrentou em Filipos. Phillips parafraseou as palavras desta forma: “Não dando a mínima atenção para seus inimigos” (CH, que nesta versão ocorre no v. 27). Se Paulo está se comparando com Moisés que 15 deu as determinações finais aos israelitas registradas nos últimos capítulos de Deuteronômio (ver comentários em 1.19), então ele está usando a linguagem de Moisés: “Não temais, nem vos espanteis diante deles” (Dt 31.6). O que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus (28). As palavras o que se referem à firmeza dos crentes filipenses na fé do evangelho (27). A primeira frase pode ser traduzida literalmente por: “Vendo que para eles é demonstração clara de destruição”. A palavra grega endeixis (indício) significa “mostra” (cf. “sinal”, AEC, BJ, BV, NVI; “evidência”, BAB; “prova clara”, CH, RA; “prova”, NTLH), a prova fundamentada na evidência dos fatos (cf. Rm 3.25,26; 2 Co 8.24). A palavra grega apoleias (perdição) significa “destruição” (NVI), “ruína” (BJ) ou “desperdício”(2 Ts 2.3). A frase mas, para vós, de salvação (28) é traduzida com mais precisão por “mas de vossa salvação”. As palavras salvação (soterias) e perdição (apoleias) referem-se ao destino final. De que modo Paulo pensa que a intrepidez e firmeza dos filipenses sob pressão será demonstração de que os pagãos serão destruídos e os filipenses salvos? Qualquer que seja a resposta, o indício ou “sinal” é “da parte de Deus” (AEC, BAB, BJ, BV, NVI, RA). Lightfoot entende que esta expressão de Deus denota a prática dos gladiadores, cujo destino dependia dos espectadores que, através de sinal, indicavam se os gladiadores viveriam ou morreriam. Por isso, prestavam bastante atenção ao sinal dado na tribuna de honra. Mas o “gladiador cristão não espera ansiosamente o sinal de vida ou morte da multidão inconstante”.3 Ele obtém o “sinal” de Deus, que lhe dá sinal certo de libertação. Tal postura por parte do cristão indica que Deus está trabalhando nele. Este fato glorioso se torna sinal de ruína para os oponentes, pois eles testemunham o trabalho sobre-humano no crente e se desesperam: “Se Deus é contra nós, quem será por nós?”4 Será que Paulo está pensando no modo que Deus tratou com ele como perseguidor da igreja, particularmente quanto a ter testemunhado a morte triunfante do primeiro mártir cristão: Estêvão (At 7.59,60; 9.5)? Os filipenses também conhecem o exemplo clássico deste modo de Deus tratar os homens. Um dos filipenses, o ex-carcereiro de Filipos, foi convencido e convertido quando viu o poder de Deus manifestado na vida de Paulo e Silas (At 16.27-34). Nos versículos 27 e 28, encontramos “Os Cidadãos dos Céus”. 1) Mantenha vivo o senso de pertencer à cidade-mãe, 27; 2) Viva pelas leis da cidade: Digno do evangelho, 27a; 3) Lute pelo avanço dos domínios da cidade: Combatendo juntamente... pela fé do evangelho, 27; 4) Esteja certo da vitória: Em nada vos espanteis dos que resistem, 28 (Alexander Maclaren). Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele (29). A palavra grega echaristhe (concedido) é 16 formada da raiz do substantivo charis, que significa “graça” ou “favor”. Assim como a crença em Cristo, ou a confiança salvífica absoluta, é um dom de Deus, assim também é o sofrimento por causa de Cristo (cf. Mt 5.11,12; Ef 2.8; 2 Tm 2.12; Jo 1.12,13). O sofrimento não é marca distintiva da raiva de Deus (At 5.41; Cl 1.24; 1 Pe 4.13). Para os crentes filipenses, era o “presente de casamento, quando eles desposaram Cristo; a gratificação por terem se alistado no serviço de Cristo. Ao se tornar um com ele, eles entraram na comunicação de suas aflições”5 (3.10). Eles devem se animar, pois o sofrimento é pela “causa de Cristo” (2 Co 8.2). Na primeira visita de Paulo à cidade, os filipenses viram as lutas que ele empreendeu contra inimigos (At 16.12,19; 1 Ts 2.2). Agora, eles ficam sabendo que ele está enfrentando lutas semelhantes. Por isso, o apóstolo escreve: Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim (30). Pelo visto, o termo grego agona (combate) é alusão às competições atléticas. Na descrição de Paulo, os cristãos são atletas na arena, travando lutas romanas contra seus oponentes pagãos (Ef 6.12). Os crentes filipenses e Paulo, como ocorre com todos os cristãos, estão na mesma disputa. Por conseguinte, estão “combatendo juntamente” em uma cooperação de obediência. Comentário conciso de Matthew Henry 17 1:27-30 Aqueles que professam o evangelho de Cristo devem viver como convém àqueles que acreditam nas verdades do evangelho, se submetem às leis do evangelho e dependem das promessas do evangelho. A palavra original conversação denota a conduta de cidadãos que buscam o crédito, a segurança, a paz e a prosperidade de sua cidade. Há aquilo na fé do evangelho que vale a pena lutar; há muita oposição e há necessidade de lutar. Um homem pode dormir e ir para o inferno; mas aquele que deseja ir para o céu deve olhar ao redor e ser diligente. Pode haver unidade de coração e afeição entre os cristãos, onde há diversidade de julgamento sobre muitas coisas. A fé é um dom de Deus em nome de Cristo; a capacidade e a disposição para crer são de Deus. E se sofrermos reprovação e perda por Cristo, devemos considerá-las um dom e valorizá-las adequadamente. No entanto, a salvação não deve ser atribuída a aflições corporais, como se as aflições e perseguições mundanas a merecessem; mas somente de Deus vem a salvação: fé e paciência são seus dons.