Prévia do material em texto
1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADA CURSO DE ENGENHARIA DE ALIMENTOS PROGRAMA FORMA PARÁ DISCIPLINA PROCESSAMENTO DE LEITE E DERIVADOS MÉTODO E PREPARO: DERIVADOS DE LEITE (REQUEIJÃO) BIANCA OLIVEIRA MARTINS ELIGLEICE RODRIGUES DE SOUSA GABRIEL ROBERTH DOS SANTOS DOS SANTOS RAQUEL DE OLIVEIRA MARTINS SÁVIO EDUARDO DIAS DA SILVA YAGO PANTOJA TAVARES . SÃO CAETANO DE ODIVELAS-PA 2026 2 Sumário 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 3 2 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................ 3 3 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................ 4 3.1. MATERIAL ............................................................................................................... 4 3.2. MÉTODOS ............................................................................................................... 5 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 5 5 CONCLUSÃO .............................................................................................................. 6 7 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................. 7 3 1 INTRODUÇÃO O leite é um alimento de elevada complexidade química e alto valor nutricional, sendo uma importante fonte de proteínas de alto valor biológico, lipídios, carboidratos, minerais e vitaminas essenciais à alimentação humana. Devido a essa composição rica, o leite também se caracteriza como um meio altamente favorável ao desenvolvimento de microrganismos, o que torna indispensável a aplicação de técnicas adequadas de processamento e conservação para garantir sua segurança e qualidade (WALSTRA; WOUTERS; GEURTS, 2006). Historicamente, o ser humano utiliza o leite desde os tempos pré-históricos, inicialmente como alimento direto e, posteriormente, como matéria-prima para a elaboração de derivados lácteos, como queijos, manteiga e leites fermentados. O desenvolvimento dessas tecnologias teve como principal objetivo o aumento da vida útil do produto, a melhoria das características sensoriais e a diversificação das formas de consumo, além da redução de perdas ao longo da cadeia produtiva (ORDÓÑEZ, 2005). O processamento do leite envolve uma série de operações físicas, químicas e biológicas, tais como resfriamento, pasteurização, homogeneização e esterilização, que visam reduzir a carga microbiana, preservar os constituintes nutricionais e assegurar a inocuidade do produto final. Esses processos são fundamentais para a produção de derivados lácteos seguros e padronizados, atendendo às exigências legais e às demandas do mercado consumidor (FOX; McSWEENEY, 2003). No Brasil, a cadeia produtiva do leite possui grande relevância econômica e social, sendo regulamentada por normas específicas que estabelecem critérios de identidade, qualidade e higiene para o leite e seus derivados. O cumprimento dessas normas é essencial para garantir que o leite processado mantenha suas características físico- químicas, microbiológicas e sensoriais adequadas ao consumo humano (BRASIL, 2017; BRASIL, 2018). Dessa forma, o estudo do processamento do leite e de seus derivados é de fundamental importância para compreender os mecanismos que asseguram a qualidade, a segurança alimentar e a valorização dos produtos lácteos, contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva e para a proteção da saúde do consumidor. 2 REVISÃO DA LITERATURA O requeijão é um produto lácteo obtido a partir da transformação da fração proteica do leite, caracterizando-se por sua textura cremosa e elevado teor de umidade. Trata-se de um derivado amplamente consumido no Brasil, sendo classificado como um queijo fundido, cuja produção envolve etapas de coagulação, dessoragem e fusão da massa proteica (FURTADO, 2012). A coagulação do leite constitui a base para a obtenção da massa utilizada na fabricação do requeijão. Esse fenômeno ocorre devido à desestabilização das micelas de caseína, provocada pela acidificação do meio, que leva à precipitação das proteínas 4 do leite. Esse mecanismo é amplamente descrito na literatura como fundamental para a produção de diversos derivados lácteos (WALSTRA; WOUTERS; GEURTS, 2006). A composição do requeijão é influenciada principalmente pelo teor de gordura, proteínas e umidade, fatores que determinam suas características reológicas e sensoriais. A adição de componentes lácteos ricos em gordura contribui para a cremosidade e a estabilidade da emulsão formada durante o processamento do produto (FOX; McSWEENEY, 2003). De acordo com a legislação brasileira, o requeijão deve atender a padrões específicos de identidade e qualidade, garantindo segurança microbiológica e características físico-químicas adequadas ao consumo humano. O controle dessas características é essencial para assegurar a padronização e a aceitação do produto pelo consumidor (BRASIL, 2017). 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1. MATERIAL Leite fresco Balde de Leite de Plástico Panela de Inox com tampa Colher grande de plástico Balança semi-analítica Balança de cozinha Recipiente de vidro com tampa Liquidificador Termômetro de vidro Citrato trissódico Ácido cítrico (grau alimentício) Saco de Náilon Creme de Leite Sal a gosto Água potável Vidrarias Copo de Becker Espátula 5 3.2. MÉTODOS Foram adicionados aproximadamente 4 litros de leite fresco em uma panela e levado ao fogo para aquecer até 80 °C. Foram usados ácido cítrico em grau alimentícios, foram 10 gramas para 90 ml de água potável, essa mistura tem como função a coagulação forçada do leite acidificado, depois esse ingrediente foi adicionado ao leite quente e esperou-se 20 minutos. Depois foi preciso coar em um saquinho de náilon e dessorar a massa que ficou coalhada, feito isso a massa foi pesada para verificar seu rendimento, peso de 387 g , após isso foram pesados 13% de ácido cítrico sobre o peso da massa que deu 13,5 e 35% de creme de leite que deu 135,4 e 1% de sal que deu 3,7g. Após tudo ser devidamente pesado foi misturado com a massa depois batido no liquidificador para homogeneizar (foi adicionado por pequena porção de água filtrada), após isso, foi ao fogo para fundir em seguida envasar. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A obtenção da massa base para requeijão por meio da coagulação ácida direta do leite demonstrou-se tecnicamente viável e coerente com métodos descritos na literatura científica e técnica. A formação da coalhada após a acidificação do leite aquecido confirma o comportamento esperado das proteínas lácteas quando o pH do meio é reduzido até valores próximos ao ponto isoelétrico das caseínas (≈4,6), condição na qual ocorre a desestabilização das micelas proteicas e a consequente separação da fase sólida (coalhada) e líquida (soro) (WALSTRA; WOUTERS; GEURTS, 2006). 6 O uso do ácido cítrico como agente coagulante é amplamente relatado em estudos acadêmicos que avaliam a produção de massas lácteas destinadas à fabricação de requeijão. Pesquisas conduzidas no Brasil demonstram que a acidificação direta com ácido cítrico promove coagulação eficiente, com rendimento satisfatório de massa, sendo um método frequentemente empregado em processos laboratoriais, artesanais e didáticos devido à sua facilidade de controle e rapidez de execução (LANDIN, 2018; IF GOIANO, 2019). A aplicação de temperatura elevada durante a acidificação exerce influência direta na estrutura da coalhada formada. Estudos sobre géis lácteos induzidos por calor e ácido indicamque temperaturas na faixa de 70 a 90 °C favorecem a desnaturação parcial das proteínas do soro, intensificando sua interação com as caseínas e resultando em uma massa mais firme e com maior retenção de sólidos (FOX; McSWEENEY, 2003). Esse comportamento está de acordo com as características observadas na massa obtida neste método. A etapa de dessoragem mostrou-se fundamental para a obtenção de uma massa com teor de umidade adequado à etapa de fusão. Segundo Ordóñez (2005), a remoção parcial do soro influencia diretamente o rendimento e a textura do produto final, sendo necessária para evitar excesso de umidade que poderia comprometer a estrutura e a estabilidade do requeijão após a fusão térmica. A incorporação de gordura por meio da adição de creme de leite está diretamente relacionada às características sensoriais do requeijão, como cremosidade, brilho e estabilidade. A literatura descreve que o aumento do teor de gordura favorece a emulsificação da matriz proteica durante a fusão, proporcionando uma textura homogênea e característica do requeijão cremoso brasileiro (FURTADO, 2012). A homogeneização mecânica da massa contribui para a distribuição uniforme dos componentes, resultando em um produto final com consistência adequada. Os resultados obtidos corroboram estudos científicos que investigam a produção de requeijão a partir de massas obtidas por coagulação ácida direta, evidenciando que, apesar de mais simples em relação aos processos industriais, esse método é tecnicamente viável em contextos didáticos e experimentais (LANDIN, 2018; MILKPOINT, 2019). Embora o processo industrial envolva maior controle operacional e o uso de equipamentos específicos, a literatura científica demonstra que métodos simplificados reproduzem os princípios tecnológicos fundamentais da fabricação do requeijão, possibilitando a obtenção de um produto com características compatíveis às descritas em estudos acadêmicos 5 CONCLUSÃO O processo de obtenção de requeijão a partir da coagulação ácida direta do leite mostrou-se tecnicamente viável, permitindo a formação de uma massa adequada para a etapa de fusão e elaboração do produto final. A utilização do ácido cítrico como agente coagulante, associada ao aquecimento do leite, favoreceu a desestabilização das proteínas lácteas e a formação da coalhada, conforme descrito na literatura científica. As etapas subsequentes, como dessoragem, incorporação de gordura, homogeneização e fusão, foram determinantes para a obtenção de um requeijão com características compatíveis às descritas para esse tipo de produto. 7 Embora o método empregado seja mais simples quando comparado aos processos industriais, os resultados obtidos demonstram que ele reproduz os princípios tecnológicos fundamentais da fabricação de requeijão, sendo adequado para aplicações em contextos didáticos e experimentais. Dessa forma, o procedimento adotado pode ser considerado uma alternativa válida para o ensino e a compreensão dos fenômenos físico-químicos envolvidos no processamento de leite e derivados, contribuindo para a consolidação dos conhecimentos teóricos associados à tecnologia de laticínios. 7 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS FURTADO, M. M. Queijos: aspectos tecnológicos. São Paulo: Fonte Comunicações, 2012. FOX, P. F.; McSWEENEY, P. L. H. Advanced dairy chemistry. 3. ed. New York: Springer, 2003. INSTITUTO FEDERAL GOIANO. Perfil físico-químico de requeijão cremoso obtido a partir de diferentes coagulantes. 2019. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) – Instituto Federal Goiano, Rio Verde, 2019. LANDIN, T. B. Efeito do tipo de ácido nas características físico-químicas da massa coalhada visando à fabricação de requeijão. 2018. Tese (Doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2018. MILKPOINT. Tecnologias de fabricação da massa básica para requeijão. Piracicaba: MilkPoint, 2019 ORDÓÑEZ, J. A. Tecnologia de alimentos: alimentos de origem animal. Porto Alegre: Artmed, 2005. WALSTRA, P.; WOUTERS, J. T. M.; GEURTS, T. J. Dairy science and technology. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2006.