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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO NÚCLEO DE TECNOLOGIAS PARA EDUCAÇÃO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GASTRONOMIA CAMILLA RAMOS FERREIRA A RELAÇÃO ENTRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NA CIDADE DE BARREIRINHAS – MA: uma revisão de literatura Barreirinhas -MA 2025 CAMILLA RAMOS FERREIRA A RELAÇÃO ENTRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NA CIDADE DE BARREIRINHAS – MA: uma revisão de literatura Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso Superior de Tecnologia em Gastronomia do Núcleo de Tecnologias da Universidade Estadual do Maranhão como requisito para a obtenção do título de Tecnólogo em Gastronomia. Orientador: Prof. Msc. Gabriel Felipe Serra de Sousa Barreirinhas -MA 2025 CAMILLA RAMOS FERREIRA A RELAÇÃO ENTRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NA CIDADE DE BARREIRINHAS – MA: uma revisão de literatura Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso Superior de Tecnologia em Gastronomia do Núcleo de Tecnologias da Universidade Estadual do Maranhão como requisito para a obtenção do título de Tecnólogo em Gastronomia. Orientador: Prof. Msc. Gabriel Felipe Serra de Sousa Aprovado em: / / BANCA EXAMINADORA ________________________________________ Prof. Msc. Gabriel Felipe Serra de Sousa (Orientador) Universidade Estadual do Maranhão - UEMA ________________________________________ 1º Examinador ________________________________________ 2º Examinador Tecnóloga À Deus, pela benção de um sonho realizado. AGRADECIMENTOS A Deus, Senhor da minha vida, por todas as graças e bênçãos concedidas ao longo da minha caminhada. Sua presença me sustentou nos momentos de incerteza e fortaleceu minha fé nos dias difíceis. À minha família, pelo amor incondicional, pelos ensinamentos, pelo apoio constante e por sempre guiarem meus passos com carinho, cuidado e dedicação. Vocês são minha base e minha inspiração. Aos professores que, com sabedoria e compromisso, contribuíram significativamente para minha formação acadêmica e pessoal ao longo dessa jornada. À instituição de ensino, pela oportunidade de acesso ao conhecimento e à construção de saberes transformadores. Ao Professor Chistiano, tutor do curso, por sua motivação incansável e por acreditar em mim mesmo quando pensei em desistir. Sua força foi essencial para que eu chegasse até aqui. Ao meu orientador, Professor Gabriel Serra, pela orientação atenciosa, pela escuta generosa e pela disponibilidade constante durante todo o processo de construção deste trabalho. Aos colegas de curso, por compartilharem comigo não apenas aprendizados, mas também risadas, desafios e momentos de superação. Foram lágrimas, conquistas, perrengues e memórias que levarei para a vida. Quando você se encontrar em uma encruzilhada, tendo que decidir entre o bem de um indivíduo e o bem comum, sempre escolha a segunda opção, pois esse caminho o conduzirá à justiça. Bárbara do Carmo Neto RESUMO Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre a agricultura sustentável e a alimentação escolar no município de Barreirinhas – MA. A pesquisa fundamentou-se em uma revisão bibliográfica. Os resultados demonstraram que a agricultura familiar local é responsável por uma parcela significativa do abastecimento da merenda escolar, promovendo a valorização da cultura alimentar regional, a segurança alimentar e nutricional dos estudantes, além do fortalecimento da economia local. Constatou-se ainda que práticas agrícolas sustentáveis vêm sendo adotadas por parte dos produtores, embora persistam desafios relacionados à assistência técnica, infraestrutura e logística. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) revelou-se fundamental para viabilizar a integração entre a produção familiar e o ambiente escolar, configurando-se como um importante instrumento de desenvolvimento rural sustentável. Conclui-se que a experiência de Barreirinhas exemplifica como a articulação entre agricultura sustentável e alimentação escolar pode contribuir para a promoção da saúde, da educação e do desenvolvimento socioeconômico local. Palavras-chaves: Alimentação Escolar; Agricultura Familiar; Agricultura Sustentável; Desenvolvimento Local; Segurança Alimentar. Sugiro substituir por já constar no seu título, por exemplo Sustentabilidade agrícola Sugiro substituir por já constar no seu título, por exemplo "Refeição escolar" De qual tipo? ABSTRACT This study aimed to analyze the relationship between sustainable agriculture and school meals for students in the final years of elementary school in the city of Barreirinhas, Maranhão, with an emphasis on the contribution of family farming to the supply of regional fruits, vegetables and greens. The research was based on a literature review. The results showed that local family farming is responsible for a significant portion of the supply of school meals, promoting the appreciation of regional food culture, food and nutritional security for students, and strengthening the local economy. It was also found that sustainable agricultural practices have been adopted by producers, although challenges related to technical assistance, infrastructure and logistics persist. The National School Feeding Program (PNAE) has proven to be essential in enabling the integration between family production and the school environment, configuring itself as an important instrument for sustainable rural development. It is concluded that the experience of Barreirinhas exemplifies how the articulation between sustainable agriculture and school meals can contribute to the promotion of health, education and local socioeconomic development. Keywords: Sustainable Agriculture; School Feeding; Family Farming; Food Security; Local Development. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 10 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 12 2.1 Agricultura Sustentável, Conceitos e Princípios 12 2.2 Políticas Públicas e a Alimentação Escolar no Brasil 13 2.3 A relação entre agricultura sustentável e a alimentação escolar: caminhos para a sustentabilidade alimentar 14 3 ALIMENTAÇÃO ESCOLAR DE ESTUDANTES DOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA CIDADE DE BARREIRINHAS - MA. 16 3.1 A Contribuição da agricultura familiar na alimentação escolar na Cidade de Barreirinhas – MA 17 4 METODOLOGIA 21 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 22 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 25 REFERÊNCIAS 26 10 1 INTRODUÇÃO Ao longo das últimas décadas, o conceito de agricultura sustentável evoluiu para incluir práticas agrícolas que não apenas visam maximizar a produção agrícola, mas também garantir a conservação dos recursos naturais, a preservação da biodiversidade e o respeito aos direitos sociais e econômicos dos agricultores. Em paralelo, programas de alimentação escolar têm sido reconhecidos não apenas como uma ferramenta educacional, mas também como uma estratégia eficaz para combater a fome, promover dietas saudáveis e estimular economias locais. No contexto das políticas públicas voltadas à garantia do direito à alimentação e à promoção da saúde no ambiente escolar, destaca-se o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), instituído no Brasil em 1955. Coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o programa tem como objetivo oferecer alimentação saudável e adequada aos estudantes da educação básica das escolas públicas. Além de combater a insegurança alimentar, o PNAE promove açõesde educação alimentar e nutricional, incentivando a compra de produtos da agricultura familiar, o que contribui para o desenvolvimento local e a sustentabilidade. Assim, o programa configura-se como uma estratégia fundamental no fortalecimento do processo de ensino-aprendizagem e no cumprimento dos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal Os agricultores familiares da região desempenham um papel essencial no abastecimento das escolas municipais, garantindo a oferta de produtos frescos como abóbora, cheiro-verde, frutas diversas (como banana, melancia, abacaxi e laranja) e uma ampla variedade de legumes. A escolha deste tema justifica-se pela relevância crescente da agricultura sustentável como estratégia para assegurar a segurança alimentar, promover a saúde e fortalecer a economia local. Ao abordar sua relação com a alimentação escolar, especialmente no contexto dos anos finais do Ensino Fundamental, uma fase crítica para o desenvolvimento físico e cognitivo, este estudo busca contribuir para a compreensão de como políticas públicas e práticas sustentáveis podem ser integradas de maneira mais eficiente. Além disso, investigar esse tema pode subsidiar ações que fortaleçam a agricultura familiar e sustentável, garantindo Este trecho acredito se encaixar melhor ao final da introdução, precisa de citação. Citação Precaisa de citações, as fontes que foram lidas e selecionadas para obter a construção destes parágrafos. 11 refeições mais saudáveis e estimulando a conscientização ambiental e social entre os estudantes. Portanto, a integração de práticas de agricultura sustentável no fornecimento de alimentos para a alimentação escolar contribui positivamente para a qualidade nutricional das refeições, fortalece a economia local e promove maior conscientização ambiental entre os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. No entanto, sua efetiva implementação ainda é limitada por desafios logísticos, institucionais e de formação técnica dos envolvidos. Apesar dos avanços nas políticas públicas que estimulam a adoção de práticas agrícolas sustentáveis e sua inserção na alimentação escolar, ainda existem desafios significativos quanto à efetiva integração entre produção sustentável de alimentos e o fornecimento de refeições saudáveis, seguras e adequadas nas escolas. Assim, surge a seguinte questão-problema: como a agricultura sustentável pode contribuir para a melhoria da qualidade e sustentabilidade da alimentação escolar? Dessa forma, este trabalho busca contribuir para o fortalecimento de práticas educacionais e alimentares mais sustentáveis, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial os ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), 4 (Educação de Qualidade) e 12 (Consumo e Produção Responsáveis), reconhecendo a interdependência entre esses temas. Portanto, ao compreendermos melhor as conexões entre agricultura sustentável e alimentação escolar, poderemos identificar oportunidades de fortalecimento de políticas públicas e práticas educacionais que promovam sistemas alimentares mais justos, saudáveis e sustentáveis para as futuras gerações. O objetivo desta pesquisa é analisar a relação entre práticas de agricultura sustentável e a alimentação escolar na cidade de Barreirinhas-MA. E como objetivos específicos: a) identificar as principais práticas de agricultura sustentável utilizadas no fornecimento de alimentos para programas de alimentação escolar; b) investigar como a inserção de produtos oriundos da agricultura sustentável impacta a qualidade nutricional das refeições escolares; c) apontar os principais desafios e propostas para fortalecer a articulação entre agricultura sustentável e alimentação Reestruture este parágrafo, fale dos ODS e sua relação com a temática abordada, referencie, pois ficou com características de objetivo geral. Citação Citação 12 escolar; d) refletir a alimentação escolar de estudantes dos anos finais do ensino fundamental de Barreirinhas-MA. Este Trabalho de Conclusão de Curso está estruturado em cinco partes: Introdução, Referencial Teórico, Metodologia, Resultados e Discussão, e Considerações Finais. Cada seção foi elaborada com o objetivo de garantir a coerência na abordagem do tema e aprofundar a análise proposta ao longo do estudo. Acredito que neste parágrafo você deve esplanar mais sobre a justicativa do seu trabalho, essa parte de estruturação acredito que possa ser substituído pea justificativa, 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Agricultura Sustentável, Conceitos e Princípios A agricultura sustentável surge como uma resposta às limitações e impactos socioambientais do modelo agrícola convencional, caracterizado pelo uso intensivo de insumos químicos, mecanização exacerbada e perda da biodiversidade. Segundo Altieri (2012), a agroecologia, enquanto base científica da agricultura sustentável, propõe sistemas agrícolas que integram práticas ecológicas, justiça social e viabilidade econômica, promovendo a conservação dos recursos naturais e a soberania alimentar. A agricultura sustentável não constitui algum conjunto de práticas especiais, mas sim um objetivo: alcançar um sistema produtivo de alimento e fibras que: aumente a produtividade dos recursos naturais e dos sistemas agrícolas, permitindo que os produtores respondam aos níveis de demanda engendrados pelo crescimento populacional e pelo desenvolvimento econômico; produza alimentos sadios, integrais e nutritivos que permitam o bem-estar humano; garanta uma renda líquida suficiente para que os agricultores tenham um nível de vida aceitável e possam investir no aumento da produtividade do solo, da água e de outros recursos; e corresponda às normas e expectativas da comunidade. (Ehlers, 1999, p. 26). Para Gliessman (2015), a sustentabilidade na agricultura está fundamentada na manutenção dos processos ecológicos essenciais, na valorização do saber local e na promoção de sistemas alimentares resilientes. Assim, a agricultura sustentável se articula com aspectos sociais e culturais, especialmente no que se refere ao fortalecimento da agricultura familiar, responsável por mais de 70% da produção de alimentos no Brasil (IBGE, 2017). Ademais, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, 2018) defende que a agroecologia é fundamental para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à erradicação da fome, à saúde e bem-estar e à promoção de consumo e produção responsáveis. 14 Agricultura sustentável é o manejo e a conservação da base de recursos naturais e a orientação tecnológica e institucional, de maneira a assegurar a obtenção e a satisfação contínua das necessidades humanas para as gerações presentes e futuras. Tal desenvolvimento sustentável (agricultura, exploração florestal e pesca) resulta na conservação do solo, da água e dos recursos genéticos animais e vegetais, além de não degradar o ambiente, ser tecnicamente apropriado, economicamente viável e socialmente aceitável. NCR 1989, apud (Kamiyama, 2011, p. 25). Portanto, a agricultura sustentável é definida como um sistema de produção agrícola que busca equilibrar as necessidades atuais de alimentos e produção com a preservação dos recursos naturais para garantir a viabilidade a longo prazo. Essencialmente, envolve a adoção de práticas de manejo que protegem o meio ambiente, promovem a biodiversidade e garantem o bem-estar social e econômico das comunidades rurais. 2.2 Políticas Públicas e a Alimentação Escolar no Brasil No contexto brasileiro, a alimentação escolar se configura como uma política pública estratégica para a promoção da segurança alimentar e nutricional, a valorização da cultura alimentar local e o fortalecimento da agricultura familiar. A aprovação da Lei nº11.947/2009 foi um marco fundamental ao estabelecer que, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) devem ser utilizados na aquisição de alimentos oriundos da agricultura familiar (BRASIL, 2009). Nas escolas, o direito à alimentação fica assegurado pelas ações desenvolvidas pelo PNAE, através dos recursos e regulações do Programa, que tem como objetivo contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo. É gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e visa à transferência, em caráter suplementar, de recursos financeiros aos estados, ao distrito federal e aos municípios, para suprir parcialmente as necessidades nutricionais dos alunos. É considerado um dos maiores programas (NCR, 1989 apud Kamiyama, 2011, p. 25) Citação 15 na área de alimentação escolar no mundo, sendo o único com atendimento universalizado. (Melão, 2012, p. 93). Essa política visa promover uma alimentação saudável e adequada aos estudantes, além de fomentar a economia local e a sustentabilidade ambiental. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE, 2021), o PNAE representa uma das maiores compras institucionais públicas de alimentos do mundo, sendo um exemplo de como políticas públicas podem induzir práticas agrícolas sustentáveis e contribuir para o desenvolvimento territorial. De acordo com Triches e Schneider (2010), a articulação entre alimentação escolar e agricultura familiar permite a reconexão entre consumo e produção, fortalecendo os circuitos curtos de comercialização e promovendo maior diversidade alimentar, além de reduzir os impactos ambientais decorrentes do transporte e armazenamento. Portanto, as políticas públicas têm como objetivo transferir recursos para os municípios adquirir alimentos da agricultura regional, fortalecendo principalmente a agricultura familiar, respeitando a cultura, tradições e hábitos alimentares saudáveis, essas estratégias visam garantir o acesso à alimentação adequada e saudável para os alunos das escolas públicas. Essas políticas buscam melhorar a nutrição, o desempenho acadêmico e a qualidade de vida dos alunos, além de contribuir para o desenvolvimento da agricultura familiar. 2.3. A relação entre agricultura sustentável e a alimentação escolar: caminhos para a sustentabilidade alimentar A integração entre agricultura sustentável e alimentação escolar constitui uma estratégia relevante para o fortalecimento dos sistemas alimentares locais, a promoção de dietas saudáveis e a educação alimentar e nutricional. Monteiro et al. (2022) destacam a importância do consumo de alimentos in natura e minimamente processados, preferencialmente de produção local e sustentável, como forma de garantir a saúde humana e a preservação ambiental. Citação 16 Portanto, a promoção da agricultura sustentável integrada à alimentação escolar representa um caminho estratégico para garantir a segurança alimentar, fortalecendo a economia local e estimulando práticas agroecológicas que respeitam o meio ambiente transformador e estratégico em direção a formas mais respeitosas de reprodução social e ecológica. Além disso, Maluf (2010) argumenta que a alimentação escolar deve ser compreendida não apenas como um direito social, mas também como uma ferramenta para a promoção da segurança alimentar e nutricional e para o estímulo à produção sustentável. Nesse sentido, a implementação do PNAE, com a obrigatoriedade da compra da agricultura familiar, tem impulsionado a adoção de práticas agroecológicas, como apontam Silva et al. (2016), apesar dos desafios relacionados à capacitação, logística e organização dos produtores. Por outro lado, Petersen et al. (2013) enfatizam que a construção de sistemas agroecológicos requer processos educativos contínuos que envolvam não apenas agricultores, mas também técnicos, gestores e educadores, criando uma rede de apoio à sustentabilidade. Esse aspecto se torna especialmente relevante no contexto escolar, onde o ambiente educativo pode estimular a formação de hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis entre os estudantes. Essa mudança no padrão alimentar nas escolas possibilitou aos alunos o consumo de alimentos naturais, frescos e que respeitam a cultura alimentar local. Estes alimentos são produzidos pela agricultura local, de forma artesanal, minimamente processados, que indicam qualidade na alimentação. Considerando que a escola é um espaço em que as crianças passam boa parte do seu dia, promover uma alimentação adequada neste ambiente é fundamental para a formação de hábitos alimentares saudáveis que podem se projetar para a vida toda (Cassol; Nogueira, 2022). Dessa forma, observa-se que a agricultura sustentável e a alimentação escolar estão profundamente interligadas, compondo uma estratégia integrada que promove a saúde dos estudantes, fortalece a economia local e contribui para a construção de um modelo de desenvolvimento mais justo e ambientalmente responsável. Como destaca Melgarejo (2020), a agroecologia não se restringe a Citação Citação Citação 17 práticas produtivas, mas se constitui como um projeto político de transformação dos sistemas alimentares e das relações sociais. 18 3 ALIMENTAÇÃO ESCOLAR DE ESTUDANTES DOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA CIDADE DE BARREIRINHAS - MA. A alimentação escolar dos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental da cidade de Barreirinhas - MA desempenha um papel fundamental na promoção da segurança alimentar e nutricional, além de contribuir para o desenvolvimento educacional e social dos alunos. Nesse contexto, destaca-se a relevante participação da agricultura familiar local, que fornece uma variedade de alimentos saudáveis e de qualidade para a merenda escolar. Os agricultores familiares da região desempenham um papel essencial no abastecimento das escolas municipais, garantindo a oferta de produtos frescos como abóbora, cheiro-verde, frutas diversas (como banana, melancia, abacaxi e laranja) e uma ampla variedade de legumes. Essa prática está em consonância com os princípios do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que estabelece que, no mínimo, 30% dos recursos repassados aos municípios para a alimentação escolar devem ser destinados à compra direta da agricultura familiar. Além de promover a qualidade da alimentação escolar, essa política estimula o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades rurais locais. (BRASIL, 2020). Conforme destaca Schneider (2003, p.11), “a agricultura familiar desempenha papel estratégico na promoção do desenvolvimento sustentável, ao articular produção de alimentos, geração de renda e conservação dos recursos naturais”. Essa iniciativa fortalece a economia local, gera renda para as famílias agricultoras e promove práticas sustentáveis de produção, respeitando o meio ambiente e valorizando os saberes tradicionais da comunidade. Além disso, a compra direta de alimentos da agricultura familiar, conforme orienta o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), “fortalece circuitos locais e regionais de produção, promove o desenvolvimento econômico e social e incentiva a alimentação saudável” (BRASIL, 2010). A parceria entre as escolas e os produtores locais também favorece a diversificação do cardápio escolar, assegurando refeições mais nutritivas e equilibradas, fundamentais para o crescimento saudável dos estudantes. Como Já são seus RESULTADOS E DISCUSSÃO certo? Se sim, esta sessão precisa ser realocada 19 afirma Sousa (2023), “a alimentação escolarpode ser um instrumento de segurança alimentar e nutricional quando articula ações de promoção da saúde com o fortalecimento da agricultura familiar local e regional”. Além disso, essa articulação entre alimentação escolar e agricultura familiar contribui para o fortalecimento da identidade cultural alimentar da região, estimulando o consumo de alimentos típicos e frescos. Castro et al. (2010) reforçam que “a alimentação escolar saudável é aquela que, além de promover saúde e prevenir doenças, respeita as tradições alimentares da comunidade e valoriza a produção local”. Dessa forma, a alimentação escolar em Barreirinhas-MA vai além do fornecimento de refeições, tornando-se uma estratégia de desenvolvimento local, de promoção da saúde e de fortalecimento da agricultura familiar, em consonância com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Como sintetizam Abreu e Espíndola (2014), “a aquisição de alimentos da agricultura familiar pela alimentação escolar potencializa a sustentabilidade econômica local e contribui para a segurança alimentar dos estudantes”. Portanto, o consumo de alimentos nas escolas de Barreirinhas, beneficia a comunidade local, o meio ambiente e a economia, fazendo com que as diretrizes alimentares continuam sendo a ferramenta para colocar em prática diferentes recomendações alimentares, alinhadas aos princípios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do desenvolvimento sustentável. 3.1 A Contribuição da agricultura familiar na alimentação escolar na Cidade de Barreirinhas – MA A alimentação escolar desempenha um papel fundamental na promoção da segurança alimentar, no desenvolvimento físico e cognitivo dos estudantes, bem como na valorização da agricultura local. No município de Barreirinhas não é diferente, observa-se uma significativa participação da agricultura familiar no fornecimento de produtos para a merenda escolar, especialmente destinada aos estudantes dos anos finais do ensino fundamental. 20 Os principais produtos fornecidos por esses agricultores são frutas regionais, legumes e verduras, todos cultivados em sistemas produtivos familiares, caracterizados pelo uso de manejo agrícolas tradicionais e sustentáveis, sem defensivos agrícolas. Dentre as frutas regionais comumente fornecidas, destacam-se a acerola, a banana e os frutos cítricos, alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras que contribuem para a formação de hábitos alimentares saudáveis entre os alunos. Além das frutas, a oferta de legumes e verduras, como abóbora, maxixe, quiabo, alface, couve e cheiro-verde, complementa a alimentação escolar, garantindo a diversidade nutricional necessária para o pleno desenvolvimento das crianças e adolescentes. A inclusão desses alimentos no cardápio escolar respeita a cultura alimentar local e fortalece os vínculos entre a escola e a comunidade, conforme destaca Fonseca (2020), ao afirmar que a utilização de produtos da agricultura familiar na alimentação escolar estimula hábitos alimentares saudáveis e fortalece as economias locais. Esse modelo de abastecimento é viabilizado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que estabelece a obrigatoriedade de destinar, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a aquisição direta de produtos da agricultura familiar (BRASIL, 2020). Essa política pública busca assegurar a oferta de alimentos saudáveis e diversificados, ao mesmo tempo em que promove a inclusão socioeconômica de pequenos produtores. Segundo Silva e Sousa (2021), a atuação dos agricultores familiares no Maranhão, especialmente no município de Barreirinhas, evidencia a efetividade do PNAE como instrumento de desenvolvimento local sustentável. Os autores destacam que a venda de produtos para a alimentação escolar proporciona renda e autonomia aos agricultores, além de estimular práticas agrícolas mais sustentáveis. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019), a agricultura familiar representa a base econômica de muitas comunidades rurais no Brasil, sendo responsável por uma expressiva parcela da produção de alimentos consumidos no país. Em Barreirinhas, essa realidade não é diferente, visto que os 21 agricultores familiares desempenham um papel essencial no abastecimento das escolas, contribuindo para a segurança alimentar e nutricional dos estudantes. Em Barreirinhas, a efetivação dessa política pública representa um avanço na consolidação de uma alimentação escolar saudável, acessível e culturalmente adequada, ao mesmo tempo em que valoriza o trabalho dos agricultores familiares, reconhecendo sua importância social, econômica e ambiental. Como bem sintetiza Fonseca (2020, p. 58), “a integração entre a agricultura familiar e a alimentação escolar é um eixo estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar e do desenvolvimento rural sustentável”. Assim, o fornecimento de frutas regionais, legumes e verduras para a alimentação escolar dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental não apenas contribui para a segurança alimentar e nutricional, mas também reforça a identidade cultural e estimula a agricultura familiar como um pilar estratégico de desenvolvimento local. Na cidade de Barreirinhas, os agricultores familiares abastecem as escolas municipais, garantindo a oferta de produtos frescos como mamão, banana, melancia, abacaxi, laranja e polpa de acerola, além de uma variedade de legumes como: abóbora, maxixe, quiabo, alface, vinagreira, macaxeira, couve e cheiro-verde. O município busca garantir que parte dos recursos destinados à alimentação escolar seja utilizada na compra de alimentos diretamente de agricultores familiares, promovendo o desenvolvimento local e oferecendo alimentos mais saudáveis aos alunos (MARANHÃO, 2020). Em Barreirinhas, a prefeitura tem reforçado a merenda escolar com a compra de alimentos da agricultura familiar, como exemplificado pela aquisição de 5 toneladas de alimentos (MARANHÃO, 2020). Nesse contexto, a iniciativa da prefeitura de Barreirinhas não apenas fortalece a economia local ao priorizar a compra de alimentos diretamente de agricultores familiares, mas também promove uma alimentação mais saudável e nutritiva para os estudantes. A aquisição de 5 toneladas de alimentos demonstra o compromisso com a valorização dos produtos regionais, contribuindo para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável da comunidade. Essa prática não só beneficia os alunos, proporcionando refeições mais frescas e de qualidade, mas também apoia Citação 22 os agricultores locais, incentivando a produção e o fortalecimento da agricultura familiar. 23 4 METODOLOGIA Este trabalho é desenvolvido por meio de uma revisão de literatura, bibliográfica, de caráter qualitativo, com o objetivo de analisar e discutir as inter-relações entre a agricultura sustentável e a alimentação escolar, com ênfase na realidade do município de Barreirinhas – MA. A pesquisa bibliográfica consiste em um método sistemático de levantamento, seleção e análise de publicações acadêmicas, documentos oficiais e legislações pertinentes ao tema. Segundo Gil (2008), esse tipo de pesquisa busca compreender um determinado fenômeno a partir do exame de contribuições já elaboradas por outros autores, oferecendo embasamento teórico para a reflexão crítica do objeto de estudo. Para a busca online foi utilizada como palavra-chave “Alimentação Escolar; Agricultura Familiar; Desenvolvimento Local; e Segurança Alimentar”. Foram encontrados 18 artigos, 05 Documentos oficiais de órgãos como o FNDE, IBGE, FAO e o Ministério da Educação; e 02 Leis e resoluções relacionadas ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), como apresentado no quadro 01, nas bases de dados Scielo, GoogleAcadêmico e Base de Dados da Pesquisa Agropecuária. Quadro 1. Lista de documentos inseridos na pesquisa. Autor (es) / Ano Título do Trabalho Tipo de Estudo Base Abreu; Espíndola, 2014 Agricultura familiar e alimentação escolar: possibilidades e desafios. Artigo SciELO Altieri, 2012 Agroecologia: fundamentos científicos da agricultura sustentável. Livro Google Acadêmico Cassol; Nogueira, 2022. A relação entre alimentação escolar e agricultura familiar no município de Guaraniaçu - PR. Artigo SciELO Castro, et al, 2010. Alimentação escolar e promoção da alimentação saudável. Artigo SciELO Ehlers, 1999. Agricultura Sustentável: origens e perspectivas de um novo paradigma. Livro Base de Dados da Pesquisa Agropecuária 24 Fonseca, 2020. Agricultura Familiar e Segurança Alimentar: a importância da produção local para a alimentação escolar. Artigo Google Acadêmico Gliessman, 2015. Agroecology: the ecology of sustainable food systems. Artigo SciELO Kamiyama, 2011. Agricultura Cadernos de Educação Ambiental Sustentável. Artigo SciELO Maluf, 2010. Segurança alimentar e nutricional: entre a intersetorialidade e a transversalidade das políticas públicas. Artigo Google Acadêmico Melão, 2012. Produtos sustentáveis na alimentação escolar: O PNAE no Paraná. Artigo SciELO Melgarejo, 2020. Agroecologia e políticas públicas: desafios e perspectivas para o desenvolvimento sustentável. Artigo Google Acadêmico Monteiro, 2022. Nova classificação dos alimentos baseada na extensão e propósito do seu processamento. Artigo Google Acadêmico Petersen, 2013. Construção do conhecimento agroecológico: reflexões a partir de experiências de pesquisa-ação desenvolvidas pela AS-PTA. Artigo Google Acadêmico Silva; Sousa, 2021. Agricultura Familiar e Alimentação Escolar: uma análise das políticas públicas no Maranhão. Artigo SciELO Silva, et al. 2016. Interface entre agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional e políticas públicas: a experiência do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Artigo Google Acadêmico Triches; Schneider, 2010. Alimentação escolar e agricultura familiar: reconectando o consumo à produção. Artigo SciELO Pinheiro, 2022. Agricultura familiar, segurança alimentar e políticas públicas: análise da execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no Município de Itapecuru Mirim - MA no período de 2010 a 2020. Artigo Google Acadêmico Sousa, 2023 Uso dos alimentos produzidos pela agricultura Monografia DsPace 25 Fonte: Elaborado pelos autores (2025). Os critérios de inclusão consideraram publicações que tratam da temática da alimentação escolar vinculada à agricultura sustentável, com foco no contexto brasileiro e, quando possível, em recortes regionais do estado do Maranhão ou da cidade de Barreirinhas em títulos, resumos ou no desenvolvimento da obra. Os trabalhos excluídos não incluíam as palavras-chave ou qualquer informação sobre agricultura sustentável e alimentação escolar, como informações da cidade de Barreirinhas e do Maranhão. Além disso, agiu-se com o recorte temporal de 1999 a 2024 em razão dos poucos trabalhos encontrados. Os dados obtidos foram analisados pela análise de conteúdo de Bardin (2011), seguindo os passos da codificação e o teste de qualidade das categorias, sendo reforçado pelas etapas de categorização de Minayo (2017), que diz respeito a leitura aprofundada do texto, identificação das similaridades e diferenças, separação e nomeação das categorias. As categorias são: i) políticas públicas; ii) segurança alimentar; iii) desenvolvimento sustentável; iv) agricultura familiar; e v) qualidade da alimentação escolar. familiar para a alimentação escolar Documentos oficiais de órgãos como o FNDE, IBGE, FAO, Lei e resolução BRASIL, 2009. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009 Lei Diário Oficial da União BRASIL, 2010. Cartilha: Agricultura Familiar e Alimentação Escolar. Cartilha FNDE BRASIL, 2020. Resolução nº 6, de 8 de maio de 2020. Resolução FNDE FAO, 2018. The 10 elements of agroecology: guiding the transition to sustainable food and agricultural systems. Cartilha Google Acadêmico FNDE, 2021. Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. Programa FNDE IBGE,2017. Censo Agropecuário 2017: resultados definitivos Cartilha IBGE IBGE, 2019. Censo Agropecuário 2017: Agricultura Familiar. Cartilha IBGE MARANHÃO, 2020. Supervisão de Alimentação escolar. Edital de chamada. Edital Google 26 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre a agricultura sustentável e a alimentação escolar na cidade de Barreirinhas – MA, destacando a contribuição da agricultura familiar nesse contexto. A partir da análise documental, bibliográfica e de dados institucionais, identificou-se que as escolas municipais seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), especialmente no que se refere à aquisição de, no mínimo, 30% dos alimentos diretamente da agricultura familiar. Essa constatação foi possível por meio do levantamento de informações do FNDE, da Secretaria Municipal de Educação e de autores como Pinheiro (2022), Sousa (2023), Castro et al. (2010) e Fonseca (2020), que ressaltam a importância da articulação entre práticas sustentáveis, promoção da segurança alimentar e valorização da produção local. O caso de Barreirinhas exemplifica como a alimentação escolar pode se tornar uma ferramenta eficaz de desenvolvimento sustentável, fortalecendo a economia local, respeitando a cultura alimentar regional e promovendo hábitos alimentares saudáveis entre os estudantes. Verificou-se que a prática da agricultura sustentável está presente entre os agricultores familiares que fornecem alimentos para a alimentação escolar em Barreirinhas – MA, embora ainda enfrentam desafios significativos, como o acesso limitado à assistência técnica, crédito rural e políticas públicas estruturantes. Essa realidade é evidenciada por estudos como os de Silva e Sousa (2021), que destacam a importância da agricultura familiar no Maranhão, e por dados do IBGE (2019), que revelam as limitações enfrentadas por esses produtores. Além disso, autores como Pinheiro (2022) e Fonseca (2020) reforçam que, mesmo diante desses obstáculos, os agricultores familiares seguem contribuindo para práticas sustentáveis e para a segurança alimentar, alinhando-se aos objetivos do Programa Nacional de Alimentação Escolar. A experiência de Barreirinhas demonstra, portanto, um avanço na articulação entre alimentação escolar e sustentabilidade, ainda que dependente de maior apoio técnico e institucional para seu pleno fortalecimento. Outro aspecto relevante a ser considerado é que os agricultores familiares responsáveis pelo fornecimento de alimentos à merenda escolar adotam práticas Este trecho pode ser retirado, pois o objetivo já foi citado na introdução, inicie com os seus resultados de fato 27 sustentáveis em seus sistemas produtivos. Entre essas práticas, destacam-se o uso de adubos orgânicos, a rotação de culturas, o uso racional da água e a preservação de áreas de mata nativa. Essas ações evidenciam o compromisso desses produtores com a conservação dos recursos naturais, ao mesmo tempo em que contribuem para a oferta de alimentos mais saudáveis e seguros para os estudantes. A valorização dessas práticas, além de fortalecer os princípios do PNAE, também pode ser incorporada às atividades pedagógicas da escola, promovendo a educação ambiental e alimentar de forma integrada ao currículo. Esses achados confirmam os princípios da agricultura sustentável que, conforme Altieri (2012), visa o equilíbrio entre a produção agrícola, a preservaçãoambiental e o bem-estar das comunidades. O Governo do Estado do Maranhão (2020) e a Secretaria Municipal de Educação, a alimentação escolar dos estudantes de Barreirinhas provém majoritariamente da agricultura familiar local, composta por frutas regionais, legumes e hortaliças. Essa informação é corroborada pelos registros de aquisição de alimentos, que demonstram a compra de cerca de cinco toneladas de produtos diretamente de pequenos produtores do município. Essa prática não apenas atende à exigência legal estabelecida pela Lei nº 11.947/2009, que determina a destinação mínima de 30% dos recursos da alimentação escolar para a compra direta da agricultura familiar (BRASIL, 2009), como também contribui para o dinamismo econômico do território, criando empregos diretos e indiretos no campo, fortalecendo os laços entre o meio rural e urbano e estimulando a permanência das famílias no campo. A comunidade escolar só tem a ganhar com a parceria dos agricultores locais, não apenas por promover a diversificação e a qualidade nutricional dos alimentos oferecidos aos discentes, mas também por estimular a autonomia das comunidades e a valorização dos saberes tradicionais. A inclusão de alimentos como banana, melancia, acerola, abóbora, maxixe, quiabo, alface, couve, vinagreira, macaxeira, coentro e cebolinha reflete o compromisso com uma alimentação culturalmente adequada, conforme defendido pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição (BRASIL, 2012). Tais resultados são coerentes com as explicações de Fonseca (2020), que destaca o papel das políticas públicas na promoção da soberania alimentar e no fortalecimento da agricultura familiar. 28 Articulação entre agricultura sustentável e alimentação escolar representa um caminho promissor para a construção de sistemas alimentares mais justos e resilientes. Em Barreirinhas, essa relação tem promovido a introdução de alimentos mais frescos e diversificados no cardápio escolar, respeitando as especificidades culturais e ambientais do território. Esse processo não só melhora os indicadores nutricionais dos estudantes, mas também contribui para o aprendizado, pois uma alimentação adequada está diretamente relacionada ao desempenho escolar e à saúde geral das crianças e adolescentes (FAO, 2019). No entanto, também foram identificados desafios importantes, como a necessidade de capacitação técnica para os agricultores e o fortalecimento das organizações de produtores locais (Fonseca, 2020). A ausência de infraestrutura adequada, como transporte refrigerado, armazenamento e centros de distribuição, ainda dificulta a ampliação da produção e do fornecimento para as escolas, limitando o alcance da política (Pinheiro, 2022). Nesse sentido, a atuação do poder público, por meio de políticas integradas, é fundamental para garantir assistência técnica contínua, formação profissional rural e acesso a linhas de crédito específicas que fortaleçam a produção sustentável. A FAO (2019) destaca que programas como o PNAE devem ser acompanhados por políticas complementares de apoio à agricultura familiar e de incentivo à agroecologia. A agricultura familiar desempenha um papel fundamental no abastecimento das escolas do município, sendo responsável pelo fornecimento regular de uma diversidade de produtos essenciais para garantir uma alimentação escolar equilibrada e adequada às necessidades nutricionais dos estudantes. Essa diversidade alimentar, associada à sazonalidade e à produção local, favorece uma dieta rica em nutrientes, diminuindo a dependência de alimentos ultraprocessados e contribuindo para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis desde a infância. Além disso, a inclusão dos produtos da agricultura familiar na alimentação escolar tem contribuído para o fortalecimento da identidade cultural alimentar dos estudantes, uma vez que prioriza alimentos típicos da região. Conforme ressaltado por Silva e Sousa (2021), a valorização dos produtos locais na merenda escolar estimula o reconhecimento da cultura alimentar regional e reforça os laços 29 comunitários, promovendo uma educação alimentar que vai além da nutrição e alcança o campo da cidadania e do pertencimento territorial. Destaca-se que a experiência de Barreirinhas se configura como uma potência para e a partir da agricultura familiar, orientando-se por princípios de sustentabilidade, contribuindo efetivamente para a promoção da segurança alimentar e nutricional no âmbito escolar, ao mesmo tempo em que impulsiona o desenvolvimento socioeconômico local. A consolidação dessa prática exige, contudo, um compromisso político contínuo e a mobilização de diferentes atores sociais – gestores públicos, agricultores, educadores e comunidades – para que os benefícios da alimentação escolar sustentável sejam garantidos de forma plena, duradoura e transformadora. Citação 30 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise realizada neste trabalho permitiu compreender que a relação entre a agricultura sustentável e a alimentação escolar representa um caminho estratégico para a promoção de sistemas alimentares mais justos, resilientes e sustentáveis, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e econômica, como é o caso de Barreirinhas – MA. A revisão da literatura demonstra que a relação entre agricultura sustentável e alimentação escolar é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas que articulem saúde, educação, produção alimentar e sustentabilidade. No contexto dos anos finais do ensino fundamental, tal articulação é ainda mais relevante, pois possibilita a formação de cidadãos críticos, conscientes de seu papel na construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis. A contribuição da agricultura familiar vai além do fornecimento de alimentos: ela representa um elemento central para o fortalecimento da identidade cultural, para a geração de renda e para a preservação ambiental. Por meio dessa relação, é possível garantir a oferta de alimentos saudáveis e diversificados nas escolas, assegurando o direito à alimentação adequada, conforme previsto na Constituição Federal de 1988 e em diversos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Como perspectiva para futuras ações, recomenda-se o fortalecimento das políticas públicas de apoio à agricultura familiar, com investimentos em capacitação, assistência técnica, infraestrutura e logística, além da ampliação das parcerias entre escolas e produtores locais. Do ponto de vista acadêmico, sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas com foco na avaliação nutricional e educacional do impacto da alimentação escolar baseada na agricultura familiar, bem como na análise de estratégias para superar os desafios identificados nesta pesquisa. Por fim, destaca-se que experiências como a de Barreirinhas podem servir de referência para outros municípios brasileiros, contribuindo para o avanço da agenda de desenvolvimento sustentável e para a efetivação do direito à alimentação escolar adequada, saudável e culturalmente referenciada. 31 REFERÊNCIAS ABREU, L. S. de; ESPÍNDOLA, C. J. Agricultura familiar e alimentação escolar: possibilidades e desafios. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 52, n. 1, p. 47-66, 2014. ALTIERI, Miguel A. Agroecologia: fundamentos científicos da agricultura sustentável. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011. BRASIL. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. 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