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DIREITO PENAL 
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SUMÁRIO 
Introdução à Matéria ............................................................................................................................................................................................. 1 
Cadernos de Questões .......................................................................................................................................................................................... 2 
Incidência por Matéria .......................................................................................................................................................................................... 2 
CONCEITOS E FONTES DO DIREITO PENAL (CADERNO 1) ............................................................................................................... 4 
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO PENAL (CADERNO 1) ................................................................................................ 5 
APLICAÇÃO DA LEI PENAL (CADERNO 1) ........................................................................................................................................... 7 
O FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS (CADERNO 2) ....................................................................................................................... 11 
CRIME CONSUMADO, TENTADO E IMPOSSÍVEL (CADERNO 2) ................................................................................................... 15 
ILICITUDE, SUAS CAUSAS DE EXCLUSÃO E EXCESSO PUNÍVEL (CADERNO 2) ............................................................................ 16 
CRIMES CONTRA A PESSOA (CADERNO 3) ..................................................................................................................................... 18 
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO (CADERNO 4) ........................................................................................................................... 23 
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (CADERNO 5) ............................................................................................................................... 28 
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (CADERNO 6) ..................................................................................................... 30 
 
Pronto para avançar mais um nível na sua jornada rumo à aprovação? Então bora lá! 
Hoje daremos início ao estudo de Direito Penal. Essa disciplina não tem sido cobrada em grande quantidade de questões 
na prova da PF, mas cada ponto faz a diferença na disputa por uma vaga. Então, nada de marcar bobeira! 
As questões de Direito elaboradas pela banca Cebraspe geralmente apresentam um caso prático, seguido de uma 
assertiva que o candidato deve analisar para julgar se está certa ou errada. 
Além disso, de modo geral, as bancas costumam cobrar a chamada "letra fria da lei" — isto é, o texto legal exatamente 
como está escrito —, muitas vezes alterando pequenos trechos para testar se você realmente domina a legislação. 
Por isso, é de extrema importância, meu caro aluno, que você se habitue a ler o Código Penal, focando especialmente nas 
partes correspondentes aos temas previstos em seu edital. Esse cuidado será um grande diferencial na sua preparação, 
elevando o seu nível em relação à maioria dos candidatos. 
O nosso objetivo sempre vai ser o famoso 100% de acertos, mas uma média de 80% já é um baita resultado pra quem 
quer chegar competitivo na prova. No começo, especialmente se você estiver estudando só por questões (o que é normal 
e até recomendado em alguns casos), sua média provavelmente será mais baixa — mas relaxa, seu índice de acertos irá 
aumentando conforme as revisões forem acontecendo. 
A ementa desta matéria, conforme o último edital, é composta por os assuntos a seguir: 
 
- Princípios do Direito penal; Conceitos e fontes do Direito penal; 
- Aplicação da Lei Penal; 
- O fato típico e seus elementos, crime consumado e tentado, Ilicitude e suas causas de exclusão, Excesso punível; 
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- Crimes contra a pessoa; 
- Crimes contra o patrimônio; 
- Crimes contra a fé pública; 
- Crimes contra a administração pública. 
 
 Atenção total a Crimes contra a Administração Pública, assunto mais cobrado pela banca Cebraspe nos últimos anos, 
e a Parte Geral do Código Penal (especialmente em Aplicação da Lei Penal; O fato típico e seus elementos, crime 
consumado e tentado, Ilicitude e suas causas de exclusão, Excesso punível), que será abordada logo no CADERNO 1 do 
nosso material e é fundamental para a sua base de estudos. Compreender a Parte Geral é indispensável para entender o 
Direito Penal como um todo e para enfrentar as questões. 
 
Dito isto, vamos com tudo adentrar nos resumos para podermos encarar os cadernos de questões 👊 
Cadernos de Questões 
Os cadernos de questões de Direito Processual Penal foram preparados para retratar o perfil de cobrança da Banca 
CEBRASPE e levando em consideração a ementa do edital. 
 
 
Incidência por Matéria 
 
A preparação para concursos se torna mais eficaz quando focamos nos temas mais cobrados. Em nosso material, 
indicamos a porcentagem de incidência dos tópicos, o que ajuda a direcionar a atenção para o que é mais relevante antes 
mesmo de ver a teoria. A psicologia cognitiva explica isso através da "atenção seletiva", onde o cérebro prioriza estímulos 
considerados importantes. 
 
BANCA CEBRASPE 
Tema Percentual 
Crimes contra a Administração Pública 28,16 % 
Fato típico e seus elementos, crime consumado e tentado, Ilicitude e suas causas de 
exclusão, Excesso punível 
19,87 % 
Carderno Link 
Caderno 01 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4inrB 
Caderno 02 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4insI 
Caderno 03 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4int7 
Caderno 04 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4inth 
Caderno 05 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4invc 
Caderno 06 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4inwm 
Revisão 01 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4inv2 
Revisão 02 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4inz2 
Revisão 03 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4io0U 
Revisão 04 https://www.tecconcursos.com.br/s/Q4io2C 
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Crimes contra a pessoa 13,18 % 
Crimes contra o patrimônio 12,75 % 
Aplicação da lei penal 11,05 % 
Crimes contra a fé pública 7,86 % 
Princípios do Direito penal; Conceitos e fontes do Direito penal. 7,12 % 
 
Perceba que apenas os dois primeiros assuntos já correspondem a quase 50% das questões cobradas pela banca Cebraspe 
nos últimos anos. Por isso, redobre a atenção nesses tópicos! 
Além disso, o segundo assunto mais cobrado, que está presente na parte geral do Código Penal, é essencial para a sua 
compreensão da lógica do Direito Penal. Muitas questões envolvendo crimes em espécie exigem que o candidato tenha 
um domínio sólido da Parte Geral, pois conceitos como fato típico e ilicitude são cobrados de forma direta ou indireta. 
Sem mais delongas, vamos ao estudo! 👊 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PARTE GERAL DO CÓDIGO PENAL - Princípios do Direito penal; Conceitos e fontes do Direito 
penal; Aplicação da Lei Penal; O fato típico e seus elementos, crime consumado e tentado, 
Ilicitude e suas causas de exclusão, Excesso punível – (CADERNO 1) 
 
 Inicialmente introduziremos este guia com conceitos e classificações fundamentais para o entendimento dos assuntos 
posteriores da matéria. Sem mais delongas, vamos lá! 👊 
CONCEITOS E FONTES DO DIREITO PENAL (CADERNO 1) 
1. Conceito de Direito Penal 
 O Direito Penal é um ramo do Direito Público que protege os bens jurídicos mais1. Usurpação de função pública 
Ocorre quando alguém exerce função pública sem ter qualquer vínculo com a administração ou atua totalmente fora das 
atribuições de sua função. 
 ATENÇÃO! Não basta que se passe por funcionário público, faz-se necessário que o agente pratique algum ato inerente 
à função usurpada. Ademais, caso ele obtenha alguma vantagem, qualificará este crime. 
2. Resistência x Desobediência x Desacato 
Vejamos um mapa mental explicando acerca destes crimes que possuem em comum uma negativa/embate ao funcionário 
público. 
 
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 Destaque-se que a principal diferença entre resistência e desobediência é que naquela há uso de violência ou ameaça, 
enquanto na desobediência, não (“resistência passiva”). 
3. Tráfico de influência 
Ocorre quando alguém solicita, exige, cobra ou obtém vantagem alegando influir sobre ato de um funcionário público. 
• O criminoso promete um poder de influência que não tem; 
• O particular (agente passivo) que paga pelo suposto benefício não responde por esse crime, mas caso o agente 
ativo realmente tenha a influência que diz ter, ambos respondem por corrupção ativa; 
• A obtenção da vantagem é dispensável para a consumação do crime. Portanto, crime formal. 
 
4. Corrupção ativa 
Acontece quando alguém oferece ou promete vantagem indevida a um funcionário público para determina-lo a praticar, 
omitir ou retardar ato de ofício. 
• A corrupção ativa independe da corrupção passiva (o crime se consuma mesmo que o funcionário não aceite). 
• Não é necessário que a vantagem seja efetivamente entregue para a consumação do crime. O mero ato de 
oferecer ou prometer vantagem indevida já consuma. 
5. Descaminho x Contrabando 
Em virtude das semelhanças entre os crimes, vamos verificar uma tabela para se atentar as principais diferenças e 
especificidades dos crimes: 
 Crime e Definição Majorantes Jurisprudência 
Descaminho – Iludir, no todo ou em 
parte, o pagamento de direito ou 
imposto devido pela entrada, saída ou 
consumo de mercadoria. A mercadoria é 
lícita, mas o crime consiste em burlar o 
sistema tributário. 
Pena: Reclusão de 1 a 4 anos. 
Se o crime ocorrer por 
transporte aéreo, 
marítimo ou fluvial, a 
pena pode ser 
aumentada. 
- Súmula 151 do STJ (IMPORTANTE): A competência para 
julgar descaminho e contrabando é do juízo federal do local 
da apreensão dos bens. 
- Não é necessária a constituição definitiva do crédito 
tributário para a configuração do crime. 
- O pagamento ou parcelamento do tributo não extingue a 
punibilidade, pois é crime de natureza formal. 
- Se houver falsificação para encobrir o descaminho, o crime 
de falsificação é absorvido pelo descaminho. 
Contrabando – Importar ou exportar 
mercadoria proibida. O crime se 
consuma quando a mercadoria 
ultrapassa a barreira alfandegária e é 
liberada. Se for clandestino, basta cruzar 
a fronteira do país. Também é crime a 
reimportação ilegal de mercadoria 
brasileira exportada. Pena: Reclusão de 2 
a 5 anos. 
Se o crime ocorrer por 
transporte aéreo, 
marítimo ou fluvial, a 
pena pode ser maior. 
- A importação não autorizada de cigarros ou gasolina é 
crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio 
da insignificância. 
- A importação clandestina de medicamentos configura 
crime de contrabando, podendo ser aplicado o princípio da 
insignificância em casos excepcionais, como pequena 
quantidade para uso próprio. 
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CRIMES PRATICADOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA 
Inicialmente, vale destacar que é considerado funcionário público estrangeiro, segundo o CP, quem exerça, mesmo de 
forma transitória ou sem remuneração, cargo, emprego ou função pública em entidades estatais ou representações 
diplomáticas estrangeiras. 
Vejamos os crimes em espécie: 
1. Corrupção ativa em transação comercial internacional 
Trata-se de prometer, oferecer ou dar vantagem indevida a funcionário público estrangeiro. Verifique que distingue-se da 
corrupção ativa “comum” pois o destinatário da vantagem indevida seria um funcionário público estrangeiro; 
• Haverá aumento de 1/3 na pena, caso haja retardo ou omissão a ato de ofício, em razão da vantagem percebida. 
 
2. Tráfico de influência em transação comercial internacional 
Neste crime, verifica-se o ato de solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa dela a 
pretexto de influir em ato praticado por funcionário público. 
• Haverá aumento de metade da pena, se a vantagem se destina ou tem como finalidade o funcionário público. 
CRIMES PRATICADOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA 
1. Reingresso de estrangeiro expulso 
Este crime é definido pelo Art. 338, CP. Vejamos: 
 
 Para que ocorra o crime, deve-se haver o reingresso (❌não é permanecer). 
Vejamos os 3 requisitos para que esse crime se consume: (1) haver expulsão por ato do Presidente da República; (2) ter o 
estrangeiro saído do Brasil; (3) haver o retorno do estrangeiro ao Brasil. 
 VEJA COMO FOI COBRADO NO ÚLTIMO CONCURSO DA POLÍCIA FEDERAL (2021): 
“Com relação ao direito penal e ao direito processual penal, julgue o item que se seguem. 
A consumação do delito de descaminho independe do esgotamento da via administrativa.” (CERTO ou ERRADO?) 
Resposta: Certo. O descaminho é um crime formal. Portanto, basta a prática do ato criminoso, que já há a 
consumação. Ademais, segundo o STJ, o descaminho é um crime formal, sendo desnecessária a constituição definitiva 
do crédito tributário por procedimento administrativo-fiscal. Portanto, a sua consumação independe do 
esgotamento da via administrativa. 
 
 
“Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso” 
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• Ademais, vale ressaltar que para parcela da doutrina, trata-se de crime permanente, havendo-se flagrância a 
qualquer momento, portanto. 
 
2. Denunciação caluniosa 
A conduta criminosa ocorre quando alguém provoca a instauração de inquérito policial, processo judicial ou procedimento 
administrativo, inquérito civil ou ação de improbidade imputando contra alguém que se sabe ser inocente, CRIME, 
INFRAÇÃO ÉTICO-DISCIPLINAR OU ATO ÍMPROBO. 
• Para que o crime seja configurado, é necessário que a acusação envolva crime, infração ética ou ato de 
improbidade 
• Há hipóteses de diminuição e de aumento de pena. Vejamos: 
o A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto; 
o A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção. 
3. Comunicação falsa de crime ou contravenção 
Já neste crime, a conduta é a de COMUNICAR falsamente ocorrência de crime ou contravenção. 
 ATENÇÃO! Denunciação caluniosa x Comunicação falsa de crime: 
A denunciação caluniosa ocorre quando alguém acusa falsamente outra pessoa de um crime, infração disciplinar ou ato 
de improbidade, sabendo que ela é inocente. Já a comunicação falsa de crime ou contravenção incide quando alguém 
informa às autoridades um crime ou contravenção que nunca ocorreu. 
• A diferença principal entre os dois crimes é que, na denunciação caluniosa, a falsa acusação recai sobre uma 
pessoa específica. Já na comunicação falsa de crime, o enfoco está na invenção do delito em si. 
4. Autoacusação falsa de crime 
O crime se consuma com a conduta de acursar-se de crime que não existiu ou praticado por outro. Verifique que aqui 
pode nem ter ocorrido crime nenhum e haver uma história mentirosa acusando a si próprio. 
5. Falso testemunho ou falsa perícia 
A conduta aqui é definida por fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade em processo judicial, administrativo, 
inquérito policial ou em juízo arbitral.Vejamos um mapa mental destrinchando as peculiaridades do crime em comento (IMPORTANTE!) 
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6. Fraude Processual 
Vejamos o que diz o art. 347, CP 
 Perceba que há um dolo específico: induzir a erro juiz ou perito; 
• Quando a inovação ocorrer em processo penal, a pena será aplicada em dobro. 
 
7. Favorecimento pessoal x Favorecimento real 
O favorecimento pessoal se dá pela conduta de auxiliar aquele que pratica determinada conduta sujeita à pena de 
reclusão. Já o favorecimento real é definido por tornar seguro o proveito do crime. 
Vejamos o comparativo com as informações mais relevantes sobre cada um dos crimes no mapa mental abaixo: 
 
 
“Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou 
de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito”. 
 
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normas cuja violação configura crime, podendo punir com pena. 
2. Fontes do Direito Penal 
As fontes do direito penal se dividem em duas: material e formal. Veja o esquema com as suas divisões e descrições abaixo: 
 
 
 
3. Vedações previstas na Constituição Federal (CF) aplicáveis a crimes graves (IMPORTANTE!) 
A CF prevê algumas vedações que são aplicáveis a alguns crimes, especialmente por sua gravidade. Vejamos a tabela com 
as vedações e os respectivos crimes que as recebem: 
IMPRESCRITIBILIDADE (Nunca prescreve) INAFIANÇABILIDADE (Sem fiança) SEM GRAÇA OU ANISTIA 
- Racismo 
- Ação de grupos armados (civis ou militares) 
contra a ordem constitucional e o Estado 
Democrático. 
- Racismo 
- Ação de grupos armados 
- Tortura 
- Tráfico de Drogas 
- Terrorismo 
- Crimes hediondos 
- Tortura 
- Tráfico de Drogas 
- Terrorismo 
- Crimes hediondos 
 
4. Tribunal do Júri 
A Constituição Federal garante a existência do Tribunal do Júri e define algumas regras para o seu funcionamento: 
 
 
 
 MEMORIZE! É bastante cobrado em provas. 
“XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: 
• a plenitude de defesa; 
• o sigilo das votações; 
• a soberania dos veredictos; 
• a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;” 
 
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO PENAL (CADERNO 1) 
Tais princípios servem como base para interpretação de todas as normas do Direito Penal. Além disso, também possuem 
força normativa, ou seja, devem ser respeitados, sob pena de inconstitucionalidade da norma que os contrariar. 
 
1. Princípios do Direito Penal 
Neste tópico, iremos mencionar e fazer uma breve descrição sobre os referidos princípios. Nos próximos tópicos iremos 
adentrar nos princípios mais cobrados em prova. Preparado? 👊 
 
1.1 Tabela Princípios Penais e suas respectivas descrições: 
Princípio Descrição 
 Legalidade Só a lei pode definir crimes e penas. Nada de punição sem 
previsão legal! Exceção: Medida Provisória, se for favorável 
ao réu. 
➖ Reserva Legal (Decorre do princípio da 
legalidade) 
Apenas a lei formal pode criar crimes e definir penas. 
 Anterioridade da Lei Penal (Decorre do 
princípio da legalidade) 
Ninguém pode ser punido por algo que não era crime antes 
do fato acontecer. 
 Individualização da Pena Cada pessoa deve receber uma pena específica 
(indidualizada) para seu caso, sem padronização. 
 Intranscendência da Pena A pena só vale para quem cometeu o crime. Herdeiros só 
respondem até o limite do patrimônio recebido (não 
respondem pelas penas impostas, apenas por alguma dívida, 
por exemplo). 
 Consunção Crimes menores que levam a um crime maior são absorvidos 
pelo crime principal. 
 Fragmentariedade Só condutas de extrema relevância devem ser tratadas como 
crime. 
 Subsidiariedade O Direito Penal é a última opção, só usado quando outros 
meios não resolvem. 
 Intervenção Mínima (Ultima Ratio) – Este 
princípio decorre dos princípios da 
fragmentariedade e da subsidiariedade 
O Estado só deve criminalizar condutas realmente 
necessárias, que podem causar ofensa relevante ao bem 
jurídico protegido. 
 Ofensividade Só existe crime se houver uma lesão relevante a um bem 
jurídico protegido. 
 Alteridade Não se pode punir por algo que só prejudica a si mesmo 
(exemplo: autolesão). 
 Adequação Social Se a sociedade não vê algo como criminoso, não faz sentido 
punir, mesmo que previsto em lei (exemplo: adultério, que já 
foi crime e foi revogado). 
 Ne Bis In Idem Ninguém pode ser punido ou processado duas vezes pelo 
mesmo fato. 
 Proporcionalidade A pena deve ser justa e compatível com a gravidade do crime. 
 Confiança A sociedade funciona porque todos confiam que as regras 
serão seguidas (exemplo: sinal verde no trânsito. Você confia 
que ninguém vai furar o sinal Vermelho e lhe atingir). 
 Insignificância (Bagatela) Se o dano for irrelevante, não há crime. Mas isso deve ser 
analisado caso a caso. 
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Exigi-se critérios objetivos para a sua aplicação. 
 
 Utilize a tabela acima para revisar os princípios sempre que for necessário. Atente-se às pequenas diferenças entre 
alguns deles, é isso que a banca gosta de explorar! 
 
2. PRINCIPAIS PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 
2.1 LEGALIDADE 
• Através deste princípio, entende-se que, para que uma conduta seja compreendida como crime, é necessária lei 
anterior que a defina de maneira precisa, isto é, sem generalidades e estabeleça as penas cabíveis. (PRINCÍPIO DA 
TAXATIVIDADE - a Lei deve ser taxativa, o ordenamento jurídico penal proíbe tipos penais vagos). 
• Reserva Legal: Apenas a lei formal pode criar normas penais. 
o Lembre-se: A doutrina majoritária e o STF entendem que Medida Provisória poderá tratar de matéria 
penal, se favorável ao réu. 
o Normas penais em branco: são normas que necessitam de complementação por outra norma para que 
sejam aplicadas. 
o Analogia in malam partem é vedada no direito penal. 
• Anterioridade da Lei Penal: A lei deve ser anterior ao fato criminoso. 
o Lei Excepcional ou Temporária: Aplica-se mesmo após sua vigência, devido à ultratividade da lei penal. 
o A Ultratividade da lei penal ocorre quando uma lei penal revogada ainda produz efeitos sobre fatos 
passados, mesmo após sua revogação. Isso acontece quando uma nova lei entra em vigor, mas a lei antiga 
ainda é aplicada a determinados casos por ser mais benéfica ao réu. 
 Por fim, anote aí: a Legalidade é a soma dos princípios da Reserva Legal + Anterioridade + Taxatividade! 
 
2.2 INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA 
Em suma, diz que a pena deve ser individualizada nos planos legislativo, judiciário e executório, evitando-se a padronização 
da sanção penal. 
 
2.3 INTRANSCENDÊNCIA DA PENA 
A pena não pode passar da pessoa do condenado, exceto quanto à reparação de danos dentro dos limites do patrimônio 
transferido aos herdeiros. 
 ATENÇÃO! Não confunda com individualização da pena, as bancas gostam de misturar os conceitos. 
 
2.4 PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 
 
Previsto no art. 5º, LVII, da CF, estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença 
penal condenatória (ou seja, não pode mais haver etapas recursais cabíveis). 
 
2.4 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU BAGATELA 
 
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Por tal princípio, entende a doutrina que, fatos que não ofendam significativamente o bem jurídico tutelado não podem 
ser admitidos como crime. Porém, é necessário que seja analisado caso a caso, pois um fato de mesmo valor poderá 
ensejar grave dano em uma situação, mas em outra não. 
 
• POSICIONAMENTO DO STF - Requisitos objetivos: 
▪ Mínima ofensividade; 
▪ Ausência de periculosidade; 
▪ Grau de Reprovação mínimo; 
▪ Inexpressividade da lesão. 
 DECORE: MARI! 
 
POSICIONAMENTO DO STJ - Além dos requisitos objetivos, devem ser analisados os requisitos SUBJETIVOS. Isso importa 
dizer que se deve analisar o real valor do objeto para a vítima. 
 
 Ao observar o princípio da insignificância, verifica-se a falta de TIPICIDADE MATERIAL, elemento que consiste em real 
ofensa ao bem jurídico. (MUITO COBRADO) 
• Importa mencionar que não se admite o princípio da insignificância nos seguintes casos: 
o Crime de moeda falsa; 
o Tráfico de drogas; 
o Violência doméstica e familiar; 
o Contrabando (salvo medicamento para uso próprio e em pouca quantidade) 
o Roubo - ou qualquer crime que envolva violência ou grave ameaça. 
o Crimes contra à Administração Pública. 
APLICAÇÃO DA LEI PENAL (CADERNO 1) 
 Os conceitos deste assunto sãosimples e de extrema importância para a sua prova. Portanto, atente-se aos detalhes 
e reforce seu conhecimento com a leitura dos Art’s. 2º ao 12 do Código Penal. 
1. Aplicação da Lei Penal no Tempo 
A regra geral, prevista no código penal, é da que vale a lei do momento da conduta (atividade), não é do momento do 
resultado. Portanto, no Brasil, prevalece a teoria da ATIVIDADE para o tempo do crime. 
• Ex: José atira em Márcio no dia 10/01/2025. Entretanto, Márcio não morre no momento do tiro e vai para o 
hospital em estado grave, falecendo em 12/01/2025. A lei que irá valer é a do dia 10/01/2025 (momento da 
CONDUTA). 
❌ Exceção: Extra-atividade da lei penal BENÉFICA, que pode ser através da: 
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• Retroatividade → Se a nova lei beneficia o réu, ela se aplica aos fatos passados. 
• Ultratividade → Se a antiga lei era mais benéfica, ela continua valendo. 
 Lei excepcional ou temporária: sempre tem ultratividade, ou seja, mesmo depois de revogada, ainda vale 
para fatos cometidos durante sua vigência. 
1.1 O que acontece se surgir uma nova lei? 
Tipo de Lei Nova Explicação Retroatividade? 
Incriminadora (fato antes era atípico) Passa a punir uma conduta que antes não era 
crime. 
❌ Não retroage. 
Novatio Legis in Pejus (piora a situação do réu) Agrava a pena ou endurece a punição. ❌ Não retroage. 
Novatio Legis in Mellius (beneficia o réu) Reduz a pena ou torna a punição mais branda. ✅ Retroage. 
Abolitio Criminis Deixa de considerar uma conduta como crime. ✅ Retroage. 
 Súmula 711 do STF → A lei penal mais grave se aplica ao crime continuado ou permanente, se entrou em vigor antes 
do fim da continuidade/permanência do crime. 
2. Aplicação da Lei Penal no Espaço 
2.1 Lugar do Crime 
Conforme o Código Penal, aplica-se a Teoria Mista ou da Ubiquidade, considerando o local do crime praticado 
onde ocorreu a conduta ou onde ocorreu o resultado. Vejamos o Art. 6º do CP: 
 
2.2 Territorialidade 
A lei penal brasileira se aplica a todos os crimes cometidos no território nacional, independentemente da 
nacionalidade do autor ou da vítima (Art. 5º do CP). 
Ademais, considera-se território brasileiro por extensão: 
 
 BIZU: LU-TA → Lugar = Ubiquidade | Tempo = Atividade 
"Art. 6º O crime é praticado no lugar da ação/omissão ou onde se produziu (ou deveria produzir-se) o 
resultado." 
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2.3 Extraterritorialidade (Quando a lei brasileira se aplica fora do país?) 
A extraterritorialidade se divide em INCONDICIONADA, CONDICIONADA E HIPERCONDICIONADA. Vejamos: 
 INCONDICIONADA (sempre aplica a lei brasileira, sem exceções): 
• Crimes contra a vida ou liberdade do Presidente da República; 
• Crimes contra o patrimônio ou fé pública da União, Estados, DF, Municípios, empresas públicas, autarquias ou 
fundação instituída pelo Poder Público; 
• contra a administração pública, por quem está a seu serviço; 
• de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; 
 CONDICIONADA (só aplica se preencher TODOS os requisitos abaixo): 
• Crimes que o Brasil se obrigou a reprimir por tratados ou convenções; 
• Crimes cometidos por brasileiro fora do país (Princípio da Personalidade /Nacionalidade); 
• Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras privadas, se não forem julgados no exterior; 
 Requisitos obrigatórios para aplicação da extraterritorialidade condicionada: 
o Entrar o agente no território nacional; 
o O crime também ser punível no outro país; 
o A lei brasileira permitir extradição pelo cometimento do crime; 
o O agente não ter sido absolvido ou já ter cumprido a pena no estrangeiro; 
o O agente não ter sido perdoado ou a punibilidade não ter sido extinta no país estrangeiro. 
 HIPERCONDICIONADA 
• Ocorre quando um estrangeiro comete crime contra um brasileiro no exterior (Princípio da Personalidade 
Passiva). 
o Além das condições da extraterritorialidade condicionada, exige mais duas condições: requisição do 
Ministro da Justiça E extradição NÃO pedida ou negada. 
3. Pena cumprida no exterior 
Como fica a pena no Brasil se o condenado já cumpriu pena no exterior? 
 Situação Regra Aplicável 
Se as penas forem diferentes A pena estrangeira apenas atenua a pena no Brasil. 
Se as penas forem idênticas O tempo de pena cumprida no exterior é computado à pena no 
Brasil. 
 
Eficácia de sentença estrangeira: Quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as MESMAS consequências, pode 
ser homologada no Brasil, para: 
• Obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; 
• Sujeitá-lo a medida de segurança. 
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 A homologação compete ao STJ. 
 
4. Sujeitos do Delito 
Os sujeitos do delito se dividem em ATIVO, quem pratica a conduta delituosa; e PASSIVO, a vítima. Entretanto, para a ação 
penal, o sujeito ativo ocupa o polo passivo da ação (ele será processado). 
Em regra, a lei penal é aplicável a todas as pessoas indistintamente. Entretanto, existem algumas imunidades. Vejamos 
abaixo: 
4.1 Imunidades Diplomáticas 
São baseadas na reciprocidade (Brasil concede se o outro país também concede). Esta imunidade tem caráter funcional, 
não pessoal (não podem ser renunciadas). 
• Imunidade Total de Jurisdição Penal: agentes diplomáticos, seus familiares, membros do pessoal 
administrativo/técnico e suas famílias (se não forem nacionais ou residentes permanentes no Brasil); ficam 
sujeitos à jurisdição de seu país. Também alcança Chefes de Governo e Ministros de Relações Exteriores 
estrangeiros. 
• Imunidade de Jurisdição Penal em Atos Funcionais: agentes consulares e membros do pessoal de serviço da 
missão (se não forem nacionais ou residentes permanentes no Brasil). Só para atos praticados em razão do ofício. 
o Exemplo: Cônsul que agride vendedor de picolé fora da função responde pelo crime de lesão corporal 
normalmente. 
4.2 Imunidades Parlamentares 
Previstas na Constituição Federal, elas são divididas em Material (Real/Inviolabilidade) e Formal (Processual/Adjetiva). 
Imunidades Parlamentares 
Material 
(Substancial/Real) 
Inviolabilidade civil e 
penal por opiniões, 
palavras e votos. 
- Deputados e Senadores: Ato deve ter relação com o 
exercício da função, não precisa ser dentro do recinto 
parlamentar. 
- Vereadores: Inviolabilidade no exercício do mandato e na 
circunscrição do município (Tema 0469 STF). 
Formal 
(Processual/Adjetiva) 
Proteção quanto a 
prisão e seguimento 
de processo (freedom 
from arrest). 
- Divide-se em duas formas principais: imunidade contra 
prisão e imunidade quanto ao processo. 
Formal para Prisão Não podem ser 
presos desde a 
diplomação, salvo 
flagrante de crime 
inafiançável. 
- Inclui prisões provisórias (segundo entendimento do STF). 
- Em caso de flagrante de crime inafiançável: autos enviados à 
Casa Legislativa em até 24h, que decide sobre a manutenção 
da prisão por maioria absoluta, com voto aberto. 
- Imunidade cessa com o fim do mandato. 
- Admite prisão após sentença condenatória transitada em 
julgado. 
Formal para Processo Caso recebida 
denúncia após 
diplomação, o STF 
comunica à Casa 
- Pedido de sustação pode ser feito por partido político com 
representação na Casa. 
- Decisão pela maioria absoluta. 
- Prazo de 45 dias para decidir sobre a sustação. 
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respectiva, que pode 
sustar o andamento 
da ação penal. 
- Se sustada, suspende a prescrição enquanto durar o 
mandato. 
 
 As imunidades formais também são aplicáveis aos Deputados Estaduais, mas não se aplicam aos Vereadores. 
❌Os parlamentares NÃO podem renunciar às imunidades, pois sãorelativas ao CARGO. 
 ATENÇÃO! Parlamentar afastado para cargo de Ministro/Secretário de Estado PERDE as imunidades. 
 
5. Disposições Preliminares do Código Penal 
Contagem de Prazos: 
O dia do começo se inclui no cômputo do prazo. 
• Contam-se dias, meses e anos pelo calendário comum (gregoriano). 
Frações Não Computáveis de Pena: 
 Nas penas privativas de liberdade e restritivas de direitos, desprezam-se frações de dia. Já na pena de multa, 
desprezam-se frações de "cruzeiro" (hoje, Real - centavos). 
6. Interpretação Analógica x Analogia 
Incialmente, saiba que interpretação se trata de extrair o sentido da lei (mens legis). Já ANALOGIA se trata de uma técnica 
de integração. Agora vejamos o mapa mental abaixo destrinchando os institutos (o uso deles é completamente diferente 
e é cobrado em prova): 
 
O FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS (CADERNO 2) 
 
Inicialmente, vamos conceituar “crime” para que possamos avançar no assunto. 
Saiba que infração penal é uma conduta que ofende um bem jurídico protegido por lei e tem pena prevista, seja ela de 
reclusão, prisão simples ou multa. Da infração penal (gênero) se tem duas espécies: crime e contravenção. 
 
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Em síntese, sob o aspecto legal (formal) crime é toda infração penal que a lei comina com pena de reclusão ou detenção. 
Já contravenção penal, é toda infração penal que a lei comia com prisão simples ou multa. 
 
O crime é conceituado pelo aspecto analítico ainda, dividindo o crime em partes, estruturando o seu conceito. No Brasil, 
a teoria TRIPARTIDA que prevalece e estabelece que o crime possui: fato típico; ilicitude e culpabilidade. Dito isto, vamos 
ver cada um dos elementos do crime! 👊 
 
1. FATO TÍPICO 
 O fato típico também se divide em alguns elementos. Vejamos: 
 
 
1.1 Conduta: perceba que é necessário que haja vontade do agente em realizar a ação ou omissão. Podendo ser dolosa¸ 
quando ele quis o resultado; ou culposa, quando ele não quis. Exemplo de conduta culposa: José ao dirigir seu carro, 
por descuido, atropela Almir. Veja que houve vontade e ação ao dirigir, mas o resultado não era pretendido. Por isso 
responde na modalidade culposa. 
o Ademais, só há conduta quando o agir de alguém é dirigido a alguma finalidade (lícita ou não); 
 Há ainda a divisão dos crimes omissivos entre puros (próprios) e impuros (impróprios). Vejamos a tabela abaixo: 
 
 Tipo de Crime ❓ O que é? Exemplo 
 Crime omisso puro Quando a pessoa simplesmente não faz algo 
determinado em lei. 
 Não prestar socorro a alguém 
que precisa (art. 135 do CP). 
 Crime omisso impuro Quando a pessoa tem o dever de agir e, por não fazer 
nada, acaba sendo responsável pelo que aconteceu. 
 Uma mãe que não alimenta o 
filho e ele morre. 
 
1.2 Resultado Naturalístico: modificação do mundo real causada pela conduta do agente. Todavia, vale ressaltar que 
apenas os crimes materiais exigem um resultado naturalístico. Vejamos essa outra classificação do crime, que se divide 
em material, formal e de mera conduta: 
• Crime material (exige resultado naturalístico): No crime de homicídio, para que o crime seja consumado, 
exige-se que o resultado morte aconteça. Portanto se exige um resultado naturalístico. Caso não houvesse a 
morte, poderíamos estar diante de um homicídio tentado. 
• Crime formal: O resultado naturalístico está previsto no tipo penal, mas a sua ocorrência é dispensável para 
a consumação do crime. Ex: Extorsão (art. 158 do CP). Para a sua consumação, basta o constrangimento à 
vítima, dispensando-se a obtenção de vantagem ilícita. 
• Crime de mera conduta: neste caso, não há um resultado naturalístico previsto pelo tipo penal. Ex: Porte 
ilegal de arma. Perceba, só em portar ilegalmente uma arma, o agente já cometeu o crime, pouco importando 
se ele usará ou não a arma. 
 
1.3 Nexo de causalidade: vínculo que une a conduta do agente ao resultado. 
 O Brasil adota como regra a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais, mas utiliza também a Causalidade 
Adequada, como exceção. Vejamos: 
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Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais: para essa teoria é considerada causa do crime toda conduta sem a qual 
o resultado não teria ocorrido. 
• Adotada em regra pelo CP em seu art. 13, caput, utiliza-se o método da eliminação hipotética: se ao excluir a 
conduta o resultado não ocorrer, então há nexo causal. 
• Ex: Jair coloca veneno na bebida de Arthur. Entretanto, esse veneno só faz efeito após 10h. Arthur, toma a bebida 
e logo após vai dirigindo para casa e sofre um acidente grave de carro e morre. A pergunta que devemos fazer é: 
Caso Jair não tivesse colocado o veneno, Arthur morreria? A resposta é sim. Portanto, o veneno não foi causa da 
morte de Arthur e Jair não responderá por homicídio. 
Teoria da causalidade adequada (também utilizada no Brasil, mas como exceção): esta teoria é utilizada na hipótese de 
concausa superveniente (acontece depois) relativamente independentes que, por si só, produz o resultado. Calma! 
Realmente é confuso (rsrs). Vamos trazer uma tabela abaixo para que você compare as diversas situações e as respectivas 
teorias aplicadas e entenda o que foi dito: 
 
 Causa Momento Consequência Teoria Aplicada 
Absolutamente 
Independentes 
Preexistente O agente só responde pelos seus 
próprios atos, pois sua conduta não foi 
a verdadeira causa do resultado. O 
nexo causal é rompido. 
Teoria da Equivalência dos Antecedentes 
 Concomitante O agente não influencia no resultado 
final, pois a sua ação não foi 
determinante. O nexo causal também é 
rompido. 
Teoria da Equivalência dos Antecedentes 
 Superveniente O resultado acontece por outro motivo 
independente, rompendo o vínculo 
entre a conduta e o efeito. 
Teoria da Equivalência dos Antecedentes 
Relativamente 
Independentes 
Preexistente O agente responde pelo resultado, pois 
sua conduta foi relevante na cadeia 
causal. 
Teoria da Equivalência dos Antecedentes 
 Concomitante A ação isolada do agente não teria, por 
si só, produzido o resultado. 
Teoria da Equivalência dos Antecedentes 
 Superveniente Se a causa superveniente não for 
suficiente para produzir o resultado 
sozinha, o nexo causal não é rompido. 
O agente responde pelo efeito final. 
Teoria da Causalidade Adequada (art. 13, 
§ 1º, CP) 
 
 Perceba que apenas na última linha que se utiliza da Teoria da causalidade adequada. 
Exemplo: João atira em Olívia, que vai parar no hospital por conta dos ferimentos. Olivia fica internada por conta dos 
ferimentos e termina morrendo de infecção hospitalar por causa da cirurgia que foi submetida. Perceba que Olívia não 
teria morrido se não houvesse os ferimentos causados por João. Portanto, João criou a situação ao atirar (1) e contribuiu 
para o resultado com os ferimentos que levaram à infecção na cirurgia (2). 
 Atente-se que causas absolutamente independentes nunca utilizarão a teoria da causalidade adequada. Já para causas 
relativamente independentes, apenas quando o momento for superveniente que se utilizará. 
 
1.4 Tipicidade: pode ser classificada em tipicidade formal e tipicidade material. 
• Formal: adequa-se a conduta do agente a uma previsão típica (ao que está previsto na normal penal); 
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• Material: é a ocorrência de uma ofensa (lesão ou exposição a risco de lesão) significativa ao bem jurídico. 
Dessa forma, mesmo se tiver tipicidade formal (previsão legal) e não ofender um bem jurídico, não haverá 
tipicidade material. 
CRIME DOLOSO, CULPOSO E PRETERDOLOSO 
1. Crime doloso 
O dolo é o elemento subjetivo do tipo, a intenção criminosa, podendoser direto (vontade consciente) ou eventual 
(assunção do risco). 
• Dolo Direto → A pessoa quer causar o resultado. 
• Dolo Eventual → A pessoa sabe do risco e assume (Ex.: Participar de um "racha" em uma via movimentada e 
atropelar alguém). 
2. Crime culposo 
Já para o crime culposo, a conduta do agente não é dirigida ao resultado criminoso previsto no tipo, mas pela violação a 
um dever de cuidado, o agente acaba por dar causa ao resultado não querido. Tal violação pode ser através de negligência, 
imprudência e imperícia. Vejamos: 
• Negligência: ocorre quando o agente não adota os cuidados necessários. 
• Imprudência: se dá pela prática de atos temerários (imprudentes). 
• Imperícia: decorre da falta de conhecimento técnico para exercer determinada função. Ex: Engenheiro que comete 
uma falha grave na elaboração de um projeto estrutural de um prédio, ocasionando desabamento e consequentes 
mortes. 
 Perceba que nos crimes culposos, o resultado naturalístico é involuntário, pois, em regra, o resultado produzido não 
era o pretendido. 
 O conceito de culpa pode ser dividido em diferentes modalidades: 
• Culpa consciente e inconsciente: Na culpa consciente, o agente prevê o resultado, mas acredita que ele não 
ocorrerá. Na culpa inconsciente, o agente nem sequer prevê a possibilidade do resultado. 
• Culpa própria e culpa imprópria: Na culpa própria, o agente não deseja o resultado. Já na culpa imprópria, ele 
quer o resultado, mas age com erro evitável sobre as circunstâncias fáticas. 
• Exemplo de culpa imprópria: Francisco, no meio da madrugada, escuta um barulho no quarto de sua filha. Sem 
enxergar direito e acreditando tratar-se de um criminoso, golpeia a pessoa com um pedaço de madeira, causando 
lesões. No entanto, descobre-se que a vítima era Matheus, namorado da filha, que tentava sair pela janela. Como 
Francisco agiu sob um erro evitável ao não verificar melhor a situação, sua conduta configura culpa imprópria. 
Isso significa que, embora tenha tido intenção de agredir, seu erro nas circunstâncias faz com que responda pelo 
ato de forma culposa, e não dolosa. 
3. Dolo eventual x culpa consciente 
Em ambos, o agente prevê o resultado. Entretanto, se diferem na crença de que acontecerá ou não o resultado. Verifique 
o mapa mental abaixo: 
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4. Crime Preterdoloso 
O agente quer um crime menor (dolo), mas causa um mais grave por culpa. 
• Ex: João quer causar lesões corporais em José, mas acaba se excedendo e culposamente mata José. Perceba, ele 
queria um crime (lesões corporais), mas acabou cometendo um crime mais grave (homicídio). 
 
CRIME CONSUMADO, TENTADO E IMPOSSÍVEL (CADERNO 2) 
1. Inter criminis (Caminho do crime) 
Trata-se do itinerário percorrido até a consumação do delito, podendo ser dividido em 04 etapas: 
1. Cogitação → Apenas pensa no crime (IMPUNÍVEL). 
2. Atos Preparatórios → Planejamento (em regra, IMPUNÍVEL). Há exceções, a exemplo do crime de Petrechos para 
falsificação de moeda. 
3. Atos Executórios → Começa, efetivamente, a ação criminosa, a conduta delituosa. 
4. Consumação → Crime finalizado, atinge a sua realização plena. 
2. Tentativa do crime (Crime tentado) 
Aqui, o agente inicia a execução, mas o crimes não se consuma por fatores externos. 
• Ex: João tenta matar José com um tiro, mas como João é muito ruim de mira, erra o tiro e não mata José. 
 Em regra, todos os crimes admitem a tentativa. Entretanto, alguns não admitem. Vejamos eles abaixo: 
o Crimes culposos; 
o Crimes preterdolosos; 
o Crimes omissivos próprios; 
o Crimes unissubsistentes; 
o Contravenções penais: neste caso, até admite tentativa. Porém, não pode ser punida. 
o Crimes de atentado (ou de empreendimento); 
o Crimes habituais 
 
3. Crime impossível 
Conforme previsto no Código Penal em seu Art. 17: 
 
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Dito isto, percebe-se que o crime impossível é uma espécie de tentativa, com a circunstância de que jamais poderá se 
tornar consumação, face à impropriedade do objeto ou do meio utilizado. 
 
4. Desistência Voluntária, arrependimento eficaz e arrependimento posterior 
Através destes institutos, o agente ou responde apenas pelos atos praticados ou tem diminuição de pena. Vejamos a 
tabela abaixo: 
 Instituto Definição Consequências 
 DESISTÊNCIA 
VOLUNTÁRIA 
O agente inicia a prática do crime, mas desiste e 
cessa sua atividade criminosa, impedindo o 
resultado. ❌ 
✅ Responde apenas pelos atos já praticados. 
 ARREPENDIMENTO 
EFICAZ 
O agente inicia e conclui a execução do crime, mas 
depois se arrepende e age para impedir o 
resultado. 
✅ Responde apenas pelos atos já praticados. 
 ARREPENDIMENTO 
POSTERIOR 
O agente completa a execução do crime e o 
resultado ocorre, mas depois se arrepende, repara 
o dano ou restitui a coisa . 
Responde pelo crime, com pena reduzida de 
1/3 a 2/3. Só se aplica a crimes sem violência ou 
grave ameaça e deve ocorrer antes do 
recebimento da denúncia . 
 
ILICITUDE, SUAS CAUSAS DE EXCLUSÃO E EXCESSO PUNÍVEL (CADERNO 2) 
A ilicitude, ou antijuridicidade, significa que um ato é contrário à lei. Quando um fato é típico, presume-se sua ilicitude, 
salvo se houver causas que a excluam. As principais excludentes são: 
1. Estado de Necessidade (Art. 24 do CP) 
Ocorre quando alguém pratica um ato ilícito para proteger um bem jurídico próprio ou alheio de um perigo atual. No 
Brasil, adota-se a teoria unitária, ou seja, o bem salvo deve ser igual ou superior ao sacrificado. Se o bem sacrificado for 
de maior valor, o agente pode ter a pena reduzida. Vejamos os seus respectivos tipos: 
 
2. Legítima Defesa (Art. 25 do CP) 
“Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é 
impossível consumar-se o crime”. 
 
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Quando alguém repele injusta agressão contra direito próprio ou alheio, desde que use meios moderados. Vejamos os 
seus respectivos tipos: 
 
 ATENÇÃO! Legítima defesa só ocorre em virtude de um INJUSTA agressão. Então não é possível ocorrer legítima defesa 
em razão de uma anterior legítima defesa, pois seria uma agressão justa. 
3️. Estrito Cumprimento do Dever Legal (Art. 23, III, do CP) 
• Exemplo: Um policial invade um domicílio com mandado judicial. 
 ATENÇÃO! Se um policial dispara uma arma durante um confronto, ele não age pelo estrito cumprimento do dever, 
mas por legítima defesa. Pois o policial não possui o direito legal de matar alguém. 
4. Exercício Regular de Direito (Art. 23, III, do CP) 
Quando a pessoa pratica um ato que, por lei, ele está amparado, não constituindo um ilícito. 
• Exemplo: Um boxeador que golpeia o adversário numa luta oficial não comete crime de lesão corporal. 
 Apenas direitos previstos em lei são reconhecidos, costumes locais não são excludentes. 
EXCESSO PUNÍVEL 
 Se o agente exceder os limites em qualquer dessas excludentes, responderá pelo excesso. 
• Exemplo: Atirar em alguém para repelir um simples empurrão. 
 
 
 
“Art. 23, III, CP “Aquele que praticar determinado tipo penal acobertado pelo estrito cumprimento de dever legal, não 
cometerá crime.” 
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CRIMES CONTRA A PESSOA (CADERNO 3) 
Nesta fase do nosso estudo, iniciaremos a abordagem da parte especial do Código Penal, começando por crimes contra a 
pessoa. 
Além disso, informamos também que o intuito do material abaixo é abordar os principais crimes e os aspectos gerais do 
tópico em questão, visto que a finalidade é trazer o que mais é cobrado em prova, de uma forma eficiente e direta. 
Portanto, esteconteúdo não esgotará o presente em edital, tornando-se ainda mais necessária e leitura da lei seca. 
Ademais, é de fundamental importância o estudo do CP em seus artigos correspondentes para os crimes em espécie, pois 
as bancas costumam utilizar a letra da lei para elaborar as questões, trocando algum detalhe, modificando alguma 
circunstância do tipo. Portanto, toda a atenção nos verbos presentes nos tipos penais, qualificadoras, etc. 
Vamos lá enfrentar o nosso próximo desafio? 👊 
CRIMES CONTRA A VIDA 
Os crimes contra a vida protegem a vida humana, seja após o nascimento ou intrauterina. Além disso, tenha em mente 
que eles são julgados pelo Tribunal do Júri, quando forem dolosos. 
 ATENÇÃO! Lesões corporais não está entre os crimes contra a vida, fazendo parte de crimes contra a pessoa (gênero). 
Portanto, lesão corporal seguida de morte NÃO é julgado pelo tribunal do júri. As bancas costumam tentar confundir o 
candidato, afirmando que a competência de julgamento é deste tribunal. 
1. Homicídio (Art. 121, CP) 
O texto previsto no caput do Art. 121 do CP é “matar alguém”. 
 Atente-se que se a vida for intrauterina, o verbo “matar” será atribuído a outro crime, o aborto. 
Vejamos agora uma tabela explicativa sobre os tipos de homicídio (use esta tabela para revisar quando achar necessário): 
 Tipo Características Pena Exemplo 
Simples Sem agravantes. 6 a 20 anos Uma briga de bar em que um indivíduo 
agride outro, levando à morte sem 
planejamento ou creldade. 
Privilegiado Redução da pena se houver relevante valor social/moral 
ou se for cometido sob violenta emoção LOGO após 
injusta provocação. 
Redução de 
1/6 a 1/3 
Alguém descobre que sua filha acabou de 
ser estuprada, tomado por forte emoção, 
comete o homicídio. 
Qualificado - Motivo torpe; 
- Motivo fútil; 
- Meio cruel ou perigoso; 
- Dificuldade de defesa da vítima; 
- Para encobrir outro crime; 
- Contra agentes de segurança ou militares; 
- Uso de arma de fogo proibida /restrita; 
- Vítima menor de 14 anos (após a Lei Henry Borel) 
12 a 30 anos 
(é crime 
hediondo) 
Matar alguém por ter falado mal de um 
time de futebol. 
 
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Culposo Cometido por negligência, imprudência ou imperícia. 1 a 3 anos Um motorista atropela e mata um 
pedestre ao avançar um sinal vermelho. 
Majorado - O homicídio culposo pode ter a pena aumentada se 
resultar de negligência técnica (profissão, arte ou ofício) 
ou se o agente não presta socorro à vítima; não tenta 
minimizar os danos, fugir para evitar o flagrante. 
- No homicídio doloso se a vítima for menor de 14 anos 
ou maior de 60 anos; se o crime for cometido por milícia 
privada ou grupo de extermínio. 
Aumento de 
pena 
Um grupo de milicianos elimina um 
desafeto em uma disputa territorial. 
 Perceba que mesmo em casos de homicídio simples, quando for praticado em atividade típica de grupo de extermínio, 
será crime hediondo. 
 Além disso, destaque-se que no homicídio culposo, é cabível o “perdão judicial” (para situações em que as 
consequências da infração atingem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torna desnecessária), que 
acaba virando uma extinção de punibilidade. 
- Após a lei 14.994/24, o feminicídio virou crime autônomo, possuindo uma pena maior: 20 a 40 anos de reclusão. Além 
disso, atente-se aos principais efeitos da condenação por feminicídio: 
• Perda do poder familiar, tutela ou curatela, em crimes dolosos contra alguém igualmente titular do poder familiar; 
• Proibição de cargos públicos. 
 
2. Induzimento, Instigação ou Auxílio ao Suicídio ou Automutilação (Art. 122, CP) 
- O crime previsto no art. 122 do CP pune quem induz, instiga ou auxilia alguém a se matar ou se automutilar. Perceba, 
com base no princípio da alteridade (o crime deve afetar outra pessoa) o suicídio em si, NÃO é crime. 
• Atente-se que o sujeito passivo (a vítima) deve ter algum discernimento. Caso não tenha, o crime será de 
homicídio ou lesão corporal. 
• Além disso, a vítima deve ser pessoa(s) certa(s) e determinada(s). Ex: Um incentivo ao suicídio escrito numa rua 
movimentada não se configura este crime. 
• Se trata de crime formal, consumando-se com o mero ato de induzir, instigar ou auxiliar. 
Vejamos as formas deste crime no mapa mental abaixo: 
 
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20 
Vejamos agora as qualificadoras e causas de aumento de pena: 
 Aspecto Detalhes 
 Qualificadora - Se houver lesão grave, gravíssima ou morte. 
 Pena Duplicada - Se o crime for praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; 
- Se a vítima for menor de idade ou tiver capacidade de resistência reduzida. 
 Pena aumentada ATÉ O 
DOBRO 
- Se o crime for praticado através da internet, redes sociais ou transmitido 
em tempo real; 
- Se o agente for líder ou coordenador de um grupo ou rede virtual. 
3. Infanticídio (Art. 123, CP) 
Neste crime, a mãe, em estado puerperal (sob sua influência), mata o próprio filho recém-nascido, durante ou logo após 
o parto. 
- Perceba que apenas a mãe, nessas condições, pode ser sujeito ativo do crime. Portanto, trata-se de crime próprio. 
Entretanto, é possível o concurso de agentes, que responderão por este crime, caso saibam a condição da mãe. 
4. Aborto 
Causado pela gestante ou com consentimento (Art. 124, CP): a própria gestante provoca o aborto ou consente que outro 
o faça. 
• Este crime não admite forma culposa. 
Causado por terceiro sem consentimento: o aborto é feito sem o consentimento da gestante, que também é vítima. 
• Inclui casos de incapacidade para consentir (ex.: menor de 14 anos). 
Causado por terceiro com consentimento: a gestante responde pelo art. 124 e o terceiro pelo crime correspondente. 
 ATENÇÃO! O aborto é permitido em casos de risco de vida para a gestante ou em casos de gravidez por estupro (Art. 
128 do CP), assim como em casos de anencefalia (STF). 
5. Lesões corporais (Art. 129, CP) 
As lesões corporais envolvem ofensa à integridade física ou à saúde da vítima. 
Vejamos suas classificações: 
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21 
 
Agora faremos um comparativo entre lesões corporais graves e gravíssimas (é bastante cobrado em provas): 
 Lesão Grave Pena Lesão Gravíssima Pena 
Incapacidade para ocupações por 
mais de 30 dias 
1 a 5 anos Incapacidade permanente para o 
trabalho 
2 a 8 anos 
Perigo de vida 1 a 5 anos Enfermidade incurável 2 a 8 anos 
Debilidade permanente (membro, 
sentido ou função) 
1 a 5 anos Perda ou inutilização total 
(membro, sentido ou função) 
2 a 8 anos 
Aceleração do parto 1 a 5 anos Aborto 2 a 8 anos 
- - Deformidade permanente 2 a 8 anos 
 Dica: lesões/situações permanentes/incuráveis → Gravíssimas (exceção debilidade permanente) 
Além disso, neste crime também cabe a privilegiadora (relevante valor moral ou social, ou movido por violenta emoção, 
logo em seguida à injusta provocação da vítima), que pode diminuir a pena de 1/6 a 1/3. 
O juiz pode substituir a pena privativa de liberdade pela multa, caso as lesões não sejam graves. E além disso, na 
modalidade culposa, é cabível perdão judicial ao infrator, nos mesmos moldes do homicídio culposo. 
6. Crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) 
O bem jurídico tutelado abrange tanto a honra objetiva, quanto subjetiva do ofendido: 
• Honra subjetiva – refere-se ao sentimento de apreço pessoal que a pessoa tem de si mesma; 
• Honra objetiva – é o apreço externo, ou seja, a visão que as outras pessoas têm do indivíduo. 
Vejamos os crimes contra a honra, previstos em nosso CP, em mapa mental abaixo: 
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22Nos crimes contra a honra, há aumento de pena de 1/3 se o crime for cometido: 
• Contra o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro; 
• Contra funcionário público (no exercício da função), ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos 
Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; 
• Na presença de várias pessoas (pelo menos 03 pessoas, de acordo com a Doutrina) ou por meio que facilite a 
divulgação; 
• Contra criança, adolescente, pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou pessoa com deficiência, exceto na hipótese 
prevista no § 3º do art. 140 deste Código (não se aplica, portanto, na injúria preconceituosa) 
💻 Se o crime for cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores 
(internet), a pena será aplicada em triplo. 
 
 
 
 
 
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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO (CADERNO 4) 
 
1. Furto (art. 155, CP) 
 
O art. 155 traz um dos principais crimes do código penal, com os seguintes dizeres: 
 
 
 
Vejamos os detalhes e particularidades deste crime: 
• O bem subtraído deve ser de outra pessoa, caso contrário pode caracterizar outro crime, como o de exercício 
arbitrário das próprias razões. Mas não será furto. 
• Se o agente tiver a intenção de somente usar a coisa e logo após devolvê-la, teremos o que se chama de furto de 
uso, que não é crime - conduta atípica. 
• Furto famélico é quando a subtração é para saciar fome, que pode ser justificado pelo estado de necessidade 
(excludente de ilicitude). 
• Pode ser aplicado o princípio da insignificância, caso os requisitos objetivos (MARI) estejam presentes. 
• A consumação ocorre quando o agente obtém o poder sobre a coisa, mesmo que por um curto espaço de tempo, 
dispensando-se a posse mansa e pacífica (teoria da amotio). 
• Aplica-se a majorante de 1/3 quando o furto ocorre em repouso noturno (IMPORTANTE!) 
o O STJ define o repouso noturno como o período em que a população descansa, variando conforme o 
local. A vítima estar acordada ou dormindo é irrelevante. 
 A majorante do repouso noturno só vale para furto simples, não para furto qualificado. 
• Furto privilegiado: exige que o réu seja primário e a coisa de pequeno valor. 
o pode ter substituição de pena de reclusão por detenção, reduzi-la ou converte-la em multa. 
• Furto qualificado: abaixo, vejamos uma tabela com as qualificadoras e suas respectivas descrições: 
 Qualificadora Descrição 
 Destruição ou rompimento de obstáculo Há danos a algum obstáculo que impede de acessar o bem que será furtado. 
Ex: quebrar a janela do carro para furtar uma carteira que está em seu interior. 
 Abuso de confiança, fraude, escalada ou 
destreza 
O agente se aproveita da confiança da vítima, usa artimanhas, sobe em locais 
difíceis ou age com habilidade especial. 
 Uso de chave falsa • Utilização de chaves não originais para acessar o bem. Ex: Utilizar uma chave 
"micha" para furtar um carro 
 Concurso de pessoas Quando há mais de um agente no crime. Conforme o STJ, se ocorrer 
associação criminosa, há o crime de furto qualificado em concurso material 
com a associação. 
 Furto de veículo automotor que venha a ser 
transportado para outro estado ou país (§5º) 
Se o veículo for levado para outro estado ou país. 
 Uso de explosivos (Lei 13.654/18) Quando o crime é praticado com explosivos ou artefatos análogos, colocando 
terceiros em risco. 
 Furto mediante fraude eletrônica (§§4º-B e 
4º-C – Lei 14.155/21) 
Crime cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático. 
“Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel”. 
 
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o Uso de servidor estrangeiro 
(Majorante do furto cibernético) 
Aumento de pena de 1/3 a 2/3 se o crime for cometido usando servidor 
computacional fora do Brasil. 
o Contra idoso ou vulnerável (Majorante 
do furto cibernético) 
Aumento de pena de 1/3 ao dobro se a vítima for idosa ou vulnerável. 
 
2. Roubo (art. 157, CP) 
 
Este crime, além de proteger o patrimônio, busca proteger também a integridade física e psíquica da vítima. Vejamos a 
sua tipificação “Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a 
pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”. 
 Neste crime, assim como no furto, não é necessária a posse mansa e pacífica para que haja a consumação. 
 Além disso, por haver violência ou grave ameaça, não há possibilidade de aplicação do princípio da insignificância. 
E quando a violência ou grave ameaça ocorre após a subtração do bem, a fim de garantir a posse ou a impunidade? Nesse 
caso, temos o chamado roubo impróprio. 
Agora vamos verificar as possibilidades de aumento de pena e qualificadoras para este crime. Vejamos: 
• Utilizando-se de arma: 
 
 ATENÇÃO! Para aplicação da majorante, deve haver uso efetivo ou porte ostensivo da arma; 
❌Arma desmuniciada, quebrada ou uso de simulacro não se aplica a majorante. 
 Conforme o STJ, se ocorrer associação criminosa, há o crime de roubo majorado em concurso material com a 
associação. 
• Há também a qualificadora através do resultado, qual seja lesão corporal ou morte. 
o Atente-se que não é necessário que o agente tenha almejado tal resultado, admitindo-se a culpa com 
relação ao resultado; 
o LATROCÍNIO: é o roubo qualificado pelo resultado MORTE. 
▪ Para a consumação, basta a morte (mesmo que não ocorra a subtração do bem – Súmula 610 do 
STF). 
 
3. Apropriação Indébita 
 
A apropriação indébita ocorre quando alguém recebe legitimamente a posse de um bem, mas depois se apropria dele 
indevidamente, recusando-se a devolvê-lo ou entregá-lo ao verdadeiro dono. Diferencia-se do furto e do roubo, pois, 
nesse caso, o agente já tinha a posse legítima do bem antes de cometer o delito. 
 Caso a apropriação seja realizada por funcionário público (em razão da função), ele estará cometendo crime de 
peculato. 
• Há causas de aumento de pena, quando o agente recebeu a coisa: 
o Em depósito necessário; 
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o Na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; 
o Em razão de ofício, emprego ou profissão. 
 
4. Apropriação indébita previdenciária 
O art. 168-A, CP, traz o crime em comento: 
Perceba que neste crime o sujeito ativo tem que ser o responsável tributário e o sujeito passivo é UNIÃO; 
• Segundo os tribunais superiores, para a consumação do crime, se faz necessária a constituição definitiva do 
tributo (contribuição previdenciária). Portanto, trata-se de crime material. 
 Em relação a extinção de punibilidade neste crime (IMPORTANTE!): 
• O STF e o STJ entendem que o pagamento, a qualquer tempo (antes do trânsito em julgado) extingue a 
punibilidade; 
• Se o agente se arrepende e resolve a situação, declarando o débito e pagando o que for necessário, ANTES DO 
INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, estará EXTINTA A PUNIBILIDADE (§2° do art. 168-A). 
Ademais, neste crime, há a possiblidade de aplicação do perdão judicial. Vejamos as condições e hipóteses em esquema 
abaixo: 
 
 
5. Estelionato (art. 171, CP) 
 
O art. 171, CP, traz o famoso crime de estelionato. Vejamos: 
 Vamos agora verificar as suas especificidades: 
• Para a ocorrência do crime, exige-se dolo específico de obtenção de vantagem ilícita; 
• Consumação ocorre com a vantagem indevida. 
⚠️ATENÇÃO! Verifique a Súmula 17 do STJ, muito explorada pelas bancas: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem 
mais potencialidade lesiva, é por este absorvido.”. Dessa forma, quando se utilizam de um documento falso, por exemplo, 
para praticar estelionato, responde-seapenas por estelionato. 
• Existe o chamado “estelionato privilegiado”, exigindo-se que o réu seja primário e prejuízo pequeno para que se 
aplique tal privilégio. 
“Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma 
legal ou convencional” 
 
“Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em 
erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. 
 
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• Há a previsão do “estelionato cibernético” ou “virtual”, chamado de fraude eletrônica pelo CP, no qual o agente 
obtém vantagem econômica em prejuízo da vítima, valendo-se de fraude empregada por meio virtual. 
 Após as alterações previstas no “pacote anticrime”, este crime passou a ser, em regra, de ação penal pública 
condicionada à representação. Entretanto, será incondicionada se a vítima for: 
• Administração Pública (direta ou indireta); Criança ou adolescente; Pessoa com deficiência mental; Maior de 70 
(setenta) anos ou incapaz. 
 ATENÇÃO! Cai bastante em prova! FURTO MEDIANTE FRAUDE x ESTELIONATO. Vejamos um mapa mental 
diferenciando tais institutos: 
 
 Perceba que a principal diferença é que no estelionato a entrega do bem é voluntária. Já no furto mediante fraude, 
utilizam-se de artificio para reduzir a vigilância e furtarem o bem. 
6. Receptação (art. 180, CP) 
 
Vejamos o que fala o art. 180 do CP: 
 
Atente-se que este crime possui vários verbos, várias possibilidades para a realização do crime. Além disso, é importante 
frisar que se trata de um crime “parasitário” ou “decorrente”, exigindo-se a presença de um crime anterior (antecedente) 
para que ele ocorra, ao exemplo do furto. 
• Se a conduta ocorrer no exercício de atividade comercial ou industrial, estaremos diante da forma qualificada do 
delito; 
• Há a figura da receptação culposa, que ocorre quando alguém adquire ou recebe um bem sem saber que ele foi 
obtido de forma criminosa. Entretanto, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela 
condição de quem oferece, devia-se presumir que foi adquirida por meio criminoso. Ex: comprar um iphone 15 
pro-max por R$ 500,00, sem nota fiscal. 
• São cabíveis o perdão judicial (apenas para modalidade culposa) e o privilégio, quando; 
• Ademais, a pena da receptação simples será dobrada quando o crime for cometido contra bens pertencentes a: 
o União, Estados, DF ou Municípios; 
o Autarquias e fundações públicas; 
“Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser 
produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte“. 
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o Empresas públicas e sociedades de economia mista; 
o Empresas concessionárias de serviços públicos. 
 
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CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (CADERNO 5) 
A seguir, destacaremos e destrincharemos os crimes mais cobrados em provas de concurso referentes a este tópico. 
1. Moeda Falsa 
Se trata de falsificar ou adulterar papel-moeda ou moeda metálica de curso legal no Brasil ou no exterior. 
 ATENÇÃO! Se a falsificação for grosseira, não há crime por falta de potencialidade lesiva. Entretanto, a falsificação 
grosseira de CHASSI de veículo automotor é fato típico (NÃO CONFUNDA!) 
• Se funcionário público (em razão do ofício) praticar o crime, há qualificadora (art. 289, §3º, CP). 
• Não se aplica o princípio da insignificância a este crime, conforme entendimento dos tribunais superiores. 
1.2 Crimes Relacionados (tabela): 
 Crime Descrição Observação 
Formar, suprimir ou restituir 
cédula 
FORMAR cédula, nota ou bilhete; SUPRIMIR a 
fim de restitui-lo à circulação sinal indicativo 
de inutilização; ou RESTITUIR à circulação. 
Pena de até 12 anos (se funcionário público 
ou pessoa com fácil acesso em razão do 
cargo). 
Petrechos para falsificação Fabricar, adquirir, fornecer ou guardar meios 
para falsificar moeda. Este crime é uma 
exceção à não punição dos atos preparatórios. 
Crime formal, punível mesmo sem o uso da 
moeda. 
Entendimentos do STJ sobre o tema: 
• Súmula 17: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. 
• Súmula 73: Se a falsificação é grosseira, configura estelionato e a justiça competente é a estadual. 
2. Falsidade de Títulos e Outros Papéis Públicos 
Este crime trata da conduta de falsificar, fabricando ou alterando documentos públicos (art. 293, CP). Mas o que seriam 
documentos públicos? Conforme os incisos I a VI, são: 
 
 
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 Há privilegiadora para quem usa ou restitui à circulação, embora recebido de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados 
ou alterados, de que trata este crime, depois de conhecer a falsidade ou alteração. Nesta situação, a pena é detenção. 
 Também há aumento de pena, quando cometido por funcionário público (+1/6, art. 295). 
3. Falsidade Documental 
 
Inicialmente, atente-se que há equiparação ao documento público de alguns documentos elaborados por particulares. 
Vejamos quais são: 
• Documento Emanado de entidade paraestatal; 
• Título ao portador ou transmissível por endosso; 
• Ações de sociedade comercial; 
• Testamento particular. 
 Guerreiro, esse rol é TAXATIVO. Portanto, não há outro além dos previstos. 
 O cartão de débito ou crédito é equiparado ao documento particular. 
3.1 Principais crimes previsto para falsidade documental (em tabela): 
 
 Crime Descrição 
Falsificação de documento público 
(Art. 297) 
Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público 
verdadeiro ❌ 
Falsidade ideológica (Art. 299) O conteúdo do documento é falso, mas sua estrutura é verdadeira. ❌ 
Falsidade material (Art. 300) A estrutura do documento já é falsa. ❌ 
Uso de documento falso (Art. 304) Utilizar os documentos presentes nos art.’s anteriores. 
Supressão de documento (Art. 305) Destruir, suprimir ou ocultar um documento público ou particular. ❌ 
 ATENÇÃO! A justiça competente é aquela do órgão ao qual o documento falso foi apresentado. 
4. Adulteração de Sinal Identificador de Veículo Automotor (Art. 311, CP) 
 
O art. 311, CP, define o crime de adulteração, remarcação ou supressão de sinais identificadores de veículos automotores 
sem autorização do órgão competente. Portanto, perceba que além de adulteração, também se pune remarcação e 
supressão. 
Qual a abrangência deste crime? 
• Aplica-se a veículos automotores, elétricos, híbridos, reboques e semirreboques, bem como seus componentes e 
equipamentos; 
• Qualquer modificação sem autorização do órgão competente é considerada crime. 
 ATENÇÃO! Aumenta-se a pena em 1/3 se o agente é funcionário público. 
- Agravantes e Inclusões (Lei nº 14.562, de 2023) 
• Condutas Adicionais: 
o Funcionário público que facilita o licenciamento ou registro de veículos adulterados. 
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o Aquisição, posse ou fornecimento de instrumentos destinados à falsificação/adulteração. 
o Uso, venda ou exposição de veículos ou componentes adulterados sabendo de sua irregularidade. 
• Atividade Comercial ou Industrial: qualifica-se o crime, passando a pena a ser de reclusão de 4 a 8 anos e multa. 
• Definição de Atividade Comercial: 
o Inclui qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, mesmo exercido em residência. 
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (CADERNO 6) 
Vamos iniciar o último tópico previstoem Direito Penal na última prova da polícia federal, crimes contra a administração 
pública (TÍTULO XI do CP). Este título se divide nos seguintes capítulos: 
1. Crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral; 
2. Crimes praticados por particular contra a adm. pública em geral; 
3. Crimes praticados por particular contra a administração pública estrangeira; 
4. Crimes contra a administração da justiça; 
5. Crimes contra as finanças públicas e crimes em licitações e contratos administrativos. 
Destes capítulos, iremos abordar os principais crimes, enfatizando os 2 primeiros, visto a importância para a sua prova. 
Sem mais delongas, vamos lá superar o próximo desafio! 👊 
CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
Antes de mais nada, você deve estar fazendo a pergunta: quem é considerado funcionário públicos para fins penais? 
Vejamos: 
O art. 327 do CP conceitua o funcionário público (IMPORTANTE!) como aquele que: 
• de maneira transitória ou sem remuneração, 
• exerce cargo, emprego ou função pública. 
Ademais, equipara-se a funcionário público quem: 
• exerce cargo, emprego ou função pública em paraestatais, 
• assim como quem presta serviço ou executa alguma atividade típica da Administração Pública. 
 Os crimes explorados neste tópico são crimes próprios (exigência do sujeito ativo ser funcionário público). Entretanto, 
nada impede que o particular atue como coautor ou partícipe. 
 
 Além disso, atente-se que a pena será aumentada da terça parte se o funcionário público for ocupante de cargo em 
comissão ou de função de direção (inclusive cargos eletivos) ou assessoramento de órgão da administração direta, 
sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. 
 
Feita essa introdução, destacando os aspectos gerais do tópico estudado, vamos adentrar nos crimes em espécie. 
 
 
 
 
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1. Peculato (IMPORTANTE!) 
Ocorre quando o funcionário público se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel público ou particular, 
de que tem a posse em razão do cargo, ou desvia, em proveito próprio ou alheio. 
Vejamos abaixo os tipos de peculato (use a tabela para revisar quando for necessário): 
 
 Tipo Definição Características 
Peculato-apropriação O funcionário público se apropria de dinheiro, 
valor ou bem móvel de que tem posse em razão 
do cargo. 
O bem já está na posse do agente, que se 
apropria. 
Peculato-desvio O agente desvia o bem para o seu próprio 
patrimônio. 
Para o STJ, o desvio deve beneficiar o próprio 
agente. 
Peculato-furto 
(Peculato impróprio) 
O funcionário público, mesmo sem ter a posse 
do bem, o subtrai ou concorre para a subtração, 
aproveitando-se da sua função. 
O crime pode ser cometido tanto em proveito 
próprio quanto de terceiros. 
Peculato culposo O funcionário público age com culpa, permitindo 
que outro cometa o crime. 
Se reparar o dano antes do trânsito em julgado, a 
punibilidade é extinta. Se for depois, a pena é 
reduzida pela metade. BASTANTE COBRADO EM 
PROVAS. 
 
Segundo a jurisprudência, o peculato de uso é conduta ATÍPICA. Mas o que seria o peculato de uso? 
 Trata-se do uso momentâneo de coisa infungível, sem a intenção de incorporá-la ao patrimônio pessoal ou de terceiro, 
seguido da sua integral restituição a quem de direito. Perceba que aqui o agente não possui o fim de incorporar a coisa 
infungível ao seu patrimônio. 
 
 ATENÇÃO! O peculato-apropriação e o peculato-desvio não se aplicam a PREFEITOS (somente este), pois existe uma 
lei que trata do tema, aplicando-se o princípio da especialidade. 
 
2. Crime de inserção de dados falsos em sistema de informação - Art. 313-A, CP (1) e crime de modificação ou 
alteração não autorizada de sistema de informação – Art. 313-B, CP (2) 
Destaca-se que na primeira conduta, a lei estabelece que haja autorização para inserir os dados; na segunda, não há 
exigência, podendo qualquer funcionário praticar o crime, desde que não esteja autorizado. 
• Além disso, atente-se que o DOLO na primeira conduta é específico, uma vez que a finalidade é de obter 
vantagem. Na segunda conduta, não há especificidade, basta que o agente não autorizado a realize. 
 
3. Concussão 
Ocorre quando o funcionário público exige vantagem indevida em razão do cargo. Trata-se de um crime formal¸ visto que 
basta a exigência (dispensando-se a entrega da vantagem indevida). 
 Atente-se que o tipo penal não menciona ameaça ou realização de mal grave à vítima. Portanto, caso a questão traga 
essas situações, estaremos diante do crime de extorsão. 
4. Excesso de exação 
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O excesso de exação acontece quando o agente público exige tributo ou contribuição social indevida, sabendo ou devendo 
saber que não é devida. A maioria da doutrina entende que pode haver dolo eventual. Vejamos as suas formas: 
• Através de cobrança indevida: o agente exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber ser 
indevida. 
• Através de cobrança vexatória ou gravosa: mesmo o tributo sendo devido, a exigência é feita de forma abusiva, 
com meios vexatórios ou ilegais. 
 Se, além de exigir indevidamente, o agente desvia os valores para si ou para terceiros, o crime se torna qualificado. 
5. Corrupção Passiva 
Acontece quando o funcionário público solicita ou recebe vantagem indevida para praticar ou deixar de praticar ato de 
ofício. 
Ex: Um fiscal aceita dinheiro de um empresário para não interditar um estabelecimento irregular. 
• Trata-se de crime formal, visto que a mera solicitação ou recebimento já consuma o crime. 
• Caso o funcionário retarde ou deixe de praticar ato de ofício ou o pratique infringindo dever funcional, aumenta-
se a pena em 1/3. 
 Corrupção passiva privilegiada (Art. 317, §2º): ocorre quando o agente cede a pedido ou influência de outrem para 
praticar, retardar ou deixar de praticar ato de ofício. Há redução de pena: 3 meses a 1 ano ou multa. 
6. Facilitação de contrabando ou descaminho 
O crime ocorre quando o funcionário público, descumprindo seu dever, facilita a prática de contrabando ou descaminho. 
 ATENÇÃO! Exceção à teoria monista: 
• O funcionário público responde pelo crime de facilitação de contrabando ou descaminho. 
• O particular responde pelo crime de contrabando ou descaminho, conforme sua conduta. 
7. Prevaricação 
É quando o servidor retarda ou deixa de praticar um ato de ofício para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Atente-
se a esta finalidade. 
Ex: Delegado que não investiga determinado crime porque o suspeito é seu amigo. 
8. Condescendência Criminosa 
Ocorre quando um servidor não pune ou não denuncia um subordinado infrator por indulgência (sentimento de pena). 
Observação: As bancas costumam deixar clara a indulgência, evitando-se futuros recursos para anulação da questão. 
9. Advocacia Administrativa 
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É o crime cometido pelo funcionário público que patrocina, direta ou indiretamente, interesses privados perante a 
administração pública, valendo-se do cargo. Este crime qualifica-se quando o interesse é ILEGÍTIMO. 
10. Abandono de função 
Ocorre quando o funcionário público abandona seu cargo fora das situações previstas em lei. 
11. Violação de sigilo funcional 
Crime cometido apenas por funcionário público (crime próprio) que tem dever de sigilo sobre determinada informação e 
a revela indevidamente. 
CRIMES PRATICADOS PELO PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
A diferença com relação aos crimes do capítulo anterior, é que agora o particular que comete os crimes contra a 
administração pública. Vamos lá conhecer os crimes em espécie?!

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