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Biossegurança e Sustentabilidade na
Produção do Pescado
Aspectos da biossegurança relacionada ao cultivo de animais aquáticos e sua aplicabilidade na produção
aquícola sustentável.
Prof. Arthur R. Lourenço
1. Itens iniciais
Propósito
Entender como as práticas de biossegurança e o manejo adequados de sistemas de produção aquícola são
fundamentais para o cultivo sustentável de animais aquáticos.
Preparação
Antes de iniciar a leitura deste conteúdo, consulte o Código Civil e a Lei Complementar nº 155/2016.
Objetivos
Descrever o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo.
Identificar os aspectos da biosseguridade e do manejo sanitário em produção aquícola.
Relacionar a sustentabilidade ao manejo ambiental em produção aquícola.
Reconhecer a importância do manejo sustentável de sistemas aquícolas.
Introdução
Veremos neste conteúdo características, normas técnicas, procedimentos e a legislação regulamentadora do
cultivo de animais aquáticos no Brasil. Vamos aprender como o manejo sanitário adequado na criação de
animais aquáticos está regulamentado no país e quais são suas particularidades e correlações com a
produtividade e o desenvolvimento sustentável da aquicultura, sempre contextualizando as implicações
econômicas para o produtor. 
• 
• 
• 
• 
1. Programas de promoção da saúde em aquicultura
Sanidade, saúde e meio ambiente
Derivadas do termo em latim Sanus (saudável), sanidade e saúde são palavras que, dentre as diferentes
definições e aplicações que possam existir, se referem a um “estado positivo de viver” ou ao modo de “existir
harmônico”, onde o conjunto de práticas e hábitos se relacionam estritamente com o aparecimento de
doenças e até a morte. Nessa ótica, a abrangência possível do termo nos remete ao equilíbrio de nosso corpo,
mente e ambiente. Já o termo meio ambiente, em sua concepção moderna, compreende, além do meio
externo natural em que vivemos (ex.: ecossistema), variáveis políticas, econômicas, sociais, psicológicas e
culturais. Agora, você pode correlacionar essas palavras para entender que o bem-estar sanitário consiste
não só na saúde física, mas também em um meio ambiente harmonioso com os organismos que dele fazem
parte.
Agora imagine que você seja um pequeno produtor de pescado, possua
condições adequadas em sua propriedade, alimente seus animais da
melhor forma possível e trabalhe duro para manter a produtividade de
sua criação.
Pequeno criadouro de peixes.
A questão principal é que, como pequeno produtor, sua principal fonte de rendimentos é a comercialização de
sua produção. Agora, reflita sobre o caso a seguir:
 
Após árduos meses de trabalho, você começa a comercializar o seu pescado, necessitando repor seus
estoques.
 
Então, você adquire de outro produtor animais jovens para a engorda e futura venda, colocando-os nos
seus criadouros que já tanto lhe deram bons rendimentos.
 
Passados alguns meses, você observa o aparecimento de uma grave doença em alguns dos seus
animais, inclusive os saudáveis que há tempo não apresentavam enfermidades.
 
Em alguns dias, toda sua produção é acometida, fazendo com que você invista em medicamento e
medidas corretivas, porém isso não é o bastante e toda sua produção é inutilizada por conta daquela
doença.
 
Além de seus rendimentos financeiros, toda a água, medicamentos, energia e outros recursos
investidos para manter os animais em cativeiro são perdidos ou desperdiçados, gerando também
danos ao meio ambiente.
 
Você é obrigado a interromper sua criação até que seja seguro voltar a criá-los, sendo difícil saber ao
certo como essa enfermidade acometeu seus animais.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Você pode estar se perguntando: Mas o que causou tantos problemas ? 
Provavelmente, houve uma falha em alguns dos processos, considerando desde a obtenção de animais jovens
até a manutenção destes. Para evitar tal situação, existem leis, decretos, normas técnicas e manuais que
buscam evitar a disseminação de doenças e garantir uma plena produção ao criador. É o que veremos a
seguir. 
Defesa sanitária animal - uma cooperação internacional
O trânsito de animais é um dos maiores disseminadores de doenças, tanto entre animais de criação quanto
entre estes e humanos. 
Sede
da
OIE
em
Paris.
Precedido pelo surgimento
da peste bovina (1920),
surge, em 1924, um acordo
internacional entre 28
países, a OIE (Office
Internacional des
Epizooties), que hoje é
reconhecida como a 
Organização Mundial para
Saúde Animal (World
Organisation for Animal
Health), uma importante
entidade no combate à
disseminação de doenças.
 Essa movimentação se fez necessária
para que haja transparência entre países
e produtores, além de incentivar a
estruturação dos serviços veterinários,
difundir as informações científicas
relativas ao surgimento de doenças e
outras particularidades, estimular a
solidariedade internacional entre países
estruturados e não estruturados para o
combate das doenças, e garantir a
segurança sanitária, alimentar e o bem-
estar animal. Esses são os objetivos da
OIE.
Sede da OIE em Paris.
Em linhas gerais, a defesa sanitária tem o intuito de garantir que animais cultivados sejam criados e
transportados de acordo com as recomendações de bem-estar e que estes estejam livres de doenças ou
patógenos prejudiciais à saúde humana e de outros animais. 
Saiba mais
Fundamentada na saúde física, comportamental e no bem-estar animal, a defesa sanitária dos animais
estimulou o surgimento de políticas públicas, que buscam garantir a harmonia entre animais, sistemas de
criação, criadores, consumidores e meio ambiente. 
Nesse contexto, foram elaboradas leis e decretos para regulamentar o setor agropecuário. Então, chegamos
ao Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo (PNSAAC), um importante documento
para a garantia do bem-estar animal e a regulamentação da produção aquícola no Brasil. Esse documento
compartilha dos mesmos objetivos da OIE. 
No PNSAAC, são oferecidas orientações sobre:
 
O cadastramento de propriedades destinadas à aquicultura;
As boas práticas em aquicultura;
• 
• 
O manejo adequado dos animais aquáticos;
O uso de produtos veterinários;
O tratamento da água antes e depois de ser adicionada ao criadouro;
As regras e normas para o transporte de animais aquáticos;
O diagnóstico de doenças e as normas para a notificação destas.
Cada uma dessas orientações trataremos detalhadamente nos módulos seguintes. 
Aquicultura com sanidade
A aquicultura é o cultivo (ou criação) de espécies aquáticas (organismos que dependem total ou parcialmente
do ambiente aquático para a realização do seu ciclo de vida). Dentre os organismos cultivados estão plantas,
algas (algicultura) e animais; em geral, com fins comerciais, seja para a alimentação animal/humana (ex.:
pescado ou ração) ou apenas para ornamentação (ex.: aquários). Dentre os animais aquáticos cultivados
podemos citar: 
Peixes
Exemplo: trutas e salmões (Salmonidae) e
tilápias (Cichlidae).
Moluscos
Exemplo: ostras (Ostreidae).
Crustáceos
Exemplo: camarões e caranguejos (Decapoda).
Répteis
Exemplo: tartarugas (Chelonia).
• 
• 
• 
• 
• 
Anfíbios
Exemplo: rãs (Ranidae).
Equinodermos
Exemplo: Ouriço-do-mar (Equinodea).
O Brasil, que é um importante elemento mundial na produção de proteína animal, regulamentou esta atividade
na Portaria Nº 573, de 4 de junho de 2003, criando o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos
de Cultivo (PNSAAC) com o objetivo de prevenir, controlar e erradicar doenças dos sistemas aquícolas de
criação, além de garantir o bem-estar animal. E quando falamos em sistemas aquícolas de criação, são
compreendidos criadouros comerciais, como a carcinicultura (criação de camarão em cativeiro), aquários
públicos e privados (excetuando-se aquários domésticos) e lojas comercializadoras de animais e produtos
(ex.: pet shops e afins). 
Atenção
Não é regulamentada pelo PNSAAC a atividade pesqueira, já que a pesca é o extrativismo de animais
selvagens (em vida livre) que não foram manejadospara atividades comerciais. 
O Decreto nº 9.013/2017 define que todo animal aquático, cultivado ou capturado em ambiente natural,
obrigatoriamente deve ser submetido à inspeção higiênico-sanitária antes da comercialização para consumo
humano. A venda sem prévia inspeção sanitária é considerada crime de acordo com a Lei nº 8.137/1990 e
8.078/1990. 
O PNSAAC estabelece ainda normas sobre: 
Cadastramento de propriedade em aquicultura
Todo empreendimento que cultiva ou mantém animais aquáticos em cativeiro deverá estar cadastrado
no Órgão Executor de Sanidade Agropecuária da unidade federativa em que se encontra. Como
exemplos, temos a truticultura (criação de truta) e a carcinicultura (criação de camarão).
Elaboração do Plano de Biosseguridade de empreendimentos aquícolas
Todo empreendimento deve elaborar e manter um plano de biosseguridade próprio, adaptado à
realidade do sistema de criação. Para isso, deve ser dada atenção obrigatória ao controle de alguns
aspectos, como:
O ingresso de animais;
A desinfecção de instalações e equipamentos;
O controle de acesso ao empreendimento;
O controle de vetores e pragas;
A prevenção do escape de animais;
A ficha de registro sanitário.
Preenchimento da Guia de Trânsito Animal
Todo o trânsito de animais aquáticos (nacional ou internacional), sejam animais vivos sejam abatidos,
deve ser realizado com a Guia de Trânsito Animal, um documento oficial para o transporte de animais.
Esse documento deve ser emitido por médicos veterinários (públicos ou privados) ou servidores
públicos devidamente habilitados.
O manual Aquicultura com Sanidade (BRASIL, 2020), que foi elaborado de acordo com o Programa Nacional
de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo, oferece como anexo o Guia básico para a criação do Plano de
Biosseguridade. 
Como elaborar o próprio plano de biosseguridade?
Neste vídeo, vamos tratar sobre as normas técnicas e legislações regulamentadoras utilizadas na elaboração
de um plano de biosseguridade.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O surgimento da OIE (Office Internacional des Epizooties) teve como princípio evitar a disseminação de
doenças nos animais de criação. Dentre seus objetivos, está a transparência entre os países signatários, um
compromisso assumido pelos membros de relatar à OIE doenças detectadas em seu território. A OIE por sua
vez divulga tais informações para outros países. Essas informações, enviadas imediatamente, possibilitam que
sejam tomadas medidas preventivas contra a introdução de doenças. 
Além da transparência, quais são os objetivos da OIE?
A Solidariedade internacional, segurança particular, alimentar e bem-estar animal
• 
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• 
• 
• 
• 
B Solidariedade internacional, segurança sanitária e disseminação de doenças
C Solidariedade internacional, patrocínio aos produtores e difusão de informações científicas
D Solidariedade internacional, estruturações do serviço veterinário e a segurança sanitária
E Solidariedade internacional, incentivo fiscal para clínicas veterinárias e segurança particular
A alternativa D está correta.
A transparência entre os países e produtores, a estruturação dos serviços veterinários, a difusão das
informações científicas relativas ao surgimento de doenças, o estímulo da solidariedade internacional entre
países estruturados e não estruturados, a garantia da segurança sanitária, alimentar e o bem-estar animal
são os objetivos da OIE. Não é objetivo da OIE oferecer segurança particular ou patrocinar produtores ou
clínicas veterinárias. Combater a disseminação de doenças é um dos pilares da criação da OIE.
Questão 2
“Durante a pandemia, o número de pets shops no país teve um aumento significativo, segundo levantamento
do Instituto Pet Brasil. A estimativa da entidade é que 2020 tenha chegado ao fim com 40 mil lojas, uma alta
de 22% em relação ao ano anterior. O home office também foi uma contribuição importante para a expansão
do segmento. Muitas pessoas passaram a investir mais nos cuidados com os pets e outras, que não tinham
um bichinho, decidiram adotar ou comprar um” (reportagem: Pet shop, serviço essencial na pandemia, é
opção de negócio que não fecha, em Folha de São Paulo, 2021). 
Os pets shops são estabelecimentos comerciais onde existem sistemas aquícolas de criação com animais
aquáticos destinados à ornamentação; esses estabelecimentos estão sujeitos ao controle sanitário
estabelecido no PNSAAC. Além dos pets shops, quais outros sistemas aquícolas de criação estão sujeitos a
esse controle sanitário?
A Pisciculturas, mariculturas e aquários domésticos
B Psiculturas, raniculturas e aquários domésticos
C Carcinicultura, ranicultura e aquários privados
D Aquários públicos, privados e domésticos
E Cooperativas de pescadores, barcos de pesca e peixarias
A alternativa C está correta.
Os sistemas aquícolas de criação regulamentados pelo PNSAAC são criadouros comerciais, aquários
públicos e privados (excetuando-se os aquários domésticos) e lojas comercializadoras de animais e
produtos (pets shops, aquariofilia e outros). Não faz parte do programa a atividade pesqueira de animais
selvagens em vida livre ou que não foram manejados para atividades comerciais.
2. Biosseguridade e manejo sanitário
Biosseguridade
A biosseguridade é um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir e, se possível, eliminar os
riscos de comprometimento da saúde por doenças infectocontagiosas, seja com relação aos riscos à saúde
dos seres humanos ou de outros seres vivos, considerando os organismos domesticados (os animais
mantidos em sistemas de criação) e selvagens (animais de vida livre no ambiente natural). E também visa
prevenir os riscos de danos ambientais causados pela disseminação e pelo controle dessas doenças.
A biossegurança é uma especialidade interdisciplinar que utiliza muitos conceitos e práticas de áreas como a
ecologia, a epidemiologia, a antropologia, humanidades, administração (pública e privada), entre muitas
outras. Inicialmente, eram apenas práticas cotidianas de laboratórios, centros de pesquisa e profissionais da
saúde. Com os avanços ocorridos na metade do século XX, essas técnicas passaram a fazer parte do dia a dia
das indústrias, do comércio, da produção agrícola e das relações internacionais. Com isso, cada vez mais, as
técnicas de manipulação da vida passaram a fazer parte da criação de animais, do cultivo de vegetais e da
vida cotidiana de uma maneira geral. 
Saiba mais
Ao longo de dezenas de anos, surgiram leis, normas, protocolos e outros documentos técnicos,
elaborados nos princípios da biossegurança. Esses documentos regulamentam não só a pesquisa
científica e o trabalho dos profissionais da saúde como também a produção e o transporte de materiais
biológicos. Esse é um campo de atuação que, em um cenário de pandemia mundial, nunca teve tanta
importância para a humanidade. 
Prevenção, controle e remediação
Certamente, você já ouviu em algum momento da sua vida o ditado popular “É melhor prevenir do que
remediar”. O fato é que, quando se trata de doença, é senso comum preferir a prevenção ao invés da
remediação e esta ideia tem muito fundamento científico. Apesar disso, a remediação não deixa de ter
importância no cenário, sendo necessário em algumas das vezes remediar de forma efetiva os animais e
criadouros, para que a doença não seja propagada para outras unidades de cultivo do empreendimento, assim
como para outros produtores, comerciantes e seres humanos (consumidores). 
Nessa ótica, a remediação de determinado problema pode significar a prevenção de problemas futuros,
estando as ações em biossegurança (prevenção, controle e remediação) intimamente correlacionadas umas
às outras. 
Profilaxia
A profilaxia são as medidas de prevenção adotadas para manutenção da saúde de populações. Na
aquicultura, a profilaxia é entendida como procedimentos e recursos utilizados pelos diferentes integrantes da
cadeia produtiva para prevenir ou evitar o surgimento/disseminaçãode doenças nos sistemas de criação. Tais
medidas nem sempre são palpáveis para os diferentes integrantes da cadeia produtiva e dependem de vários
fatores para serem adotadas e terem efetivo sucesso. 
As condições de aplicabilidade de determinadas medidas profiláticas estão sujeitas à situação ambiental em
que o sistema está inserido, ao recurso disponível pelos produtores, comerciantes e consumidores, ao tipo de
agente etiológico (ou doença) que se queira prevenir e à disponibilidade de informações sobre as técnicas a
serem empregadas, entre outras condicionantes. 
Muitas vezes, medidas profiláticas podem demandar a contratação de responsáveis técnicos habilitados a
administrar substâncias ou executar procedimentos específicos de sua área de atuação. 
Boas práticas de manejo em aquicultura
Entre os itens muito importantes relacionados à biosseguridade em aquicultura, merecem especial atenção o
processo e as técnicas de manejo, acerca dos quais enumeramos, a seguir, alguns aspectos. 
Ingresso de novos animais
A aquisição de novos animais em um sistema de cultivo representa a maior causa de disseminação de
doenças na aquicultura. Os animais, ainda que tenham boa aparência e pareçam saudáveis, podem conter
parasitas e/ou microrganismos patogênicos, assim como o estresse causado pelo trânsito de animais ou por
altas densidades populacionais pode torná-los imunodeprimidos, o que facilita o aparecimento de doenças. 
São indicados alguns procedimentos para a redução dos riscos de
contágio de doenças nestes animais, como submetê-los a períodos de
isolamento (15 dias de quarentena), antes de serem de fato colocados
nos criadouros ou juntos a outros organismos saudáveis.
Tanques utilizados para quarentena de
peixes.
Desinfecção de instalações e equipamentos
É indicada a desinfecção dos criadouros e de todos equipamentos e utensílios utilizados na despesca com
agentes químicos e/ou físicos, buscando eliminar ou diminuir a presença de microrganismos existentes. Os
métodos que serão utilizados vão depender do tipo de sistema de criação, acesso a produtos químicos e
outras variáveis. 
Atenção
É importante lembrar que muitos produtos utilizados na desinfecção podem representar riscos à saúde
humana e ao meio ambiente, por isso deve ser dada atenção também para o armazenamento, manuseio
e o descarte desses produtos. 
Controle de acesso ao estabelecimento aquícola
O acesso de pessoas e/ou veículos em um empreendimento aquícola pode acarretar na introdução de
doenças e deve ser evitado. Porém, nem sempre isso é possível. Nesse caso, alguns procedimentos como a
higienização das mãos, roupas e calçados podem ser exigidos aos funcionários e visitantes. Os veículos,
principalmente os que percorrem outros empreendimentos aquícolas (ex.: compradores, vendedores e
prestadores de serviço), também devem ser desinfectados. 
Processo de desinfecção de veículo.
A desinfecção de veículos pode acontecer através da aplicação de soluções sanitárias realizadas por meio de
bombas costais, rodolúvios (espécies de tanque para limpeza dos pneus dos veículos) ou arcos sanitários.
Arcos sanitários
Ou arcos de desinfecção. São colocados no portão de acesso à entrada da propriedade para desinfectar
os veículos através da pulverização de soluções sanitizantes.
Controle de vetores e pragas
Uma importante medida para os criadores é o controle de vetores e de pragas, visto que estes podem levar
doenças aos criadouros e, consequentemente, provocar perdas na produção. Vamos compreender melhor a
diferença entre vetores e pragas. 
O controle de pragas e vetores pode ser realizado através de:
 
Iscas e/ou armadilhas específicas;
Barreiras físicas (cercas, redes, telas, filtros, entre outras);
Barreiras químicas (produtos químicos para afastar insetos e roedores, por exemplo).
Barreira física (rede) para prevenir entrada de aves no viveiro.
Uma importante forma de prevenir pragas e vetores em um empreendimento aquícola é o correto manejo do
lixo e de outros materiais descartados (resíduos, entulhos, equipamentos inutilizáveis, entre outros). Para isso,
Vetores 
São animais capazes de
reservar e transmitir
doenças de maneira
ativa ou passiva, como:
 Animais
domésticos
(cães, gatos,
ruminantes,
entre outros);
Animais
silvestres
(capivaras,
aves, anfíbios
etc.);
Alimentos
vivos (cistos
de artêmia,
poliquetas,
zooplâncton
etc.).
Pragas 
São animais que podem
ocorrer em um sistema de
criação de forma natural ou
não e não fazem parte do
sistema de cultivo. Esses
animais (ex.: ratos, baratas,
libélulas, peixes, caramujos,
entre outros) podem agir
como:
 Predadores,
alimentando-
se de
organismos
cultivados;
Competidores,
consumindo a
ração;
Vetores de
doenças.
• 
• 
• 
• 
• 
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• 
• 
• 
é importante realizar a manutenção rotineira dos criadouros, mantendo os resíduos descartados em
recipientes apropriados e bem fechados. 
Recomendação
Barreiras químicas devem ser colocadas com atenção, já que são produtos tóxicos e sua utilização muito
próxima aos sistemas de criação podem desencadear problemas à sanidade dos animais. Quando for
necessária a utilização de tais medidas, é sempre aconselhável a consulta prévia ao veterinário ou a
outro técnico do tipo. 
Prevenção do escape de animais
Já comentamos sobre o uso de barreiras físicas para afastar vetores e pragas, mas sua utilização na saída dos
viveiros também pode prevenir a perda de animais que poderiam ser comercializados. Sempre existe a
possibilidade de o organismo criado atingir ambientes naturais ou em regeneração, o que pode afetar
ecologicamente as populações selvagens, principalmente se a espécie de criação for exótica. 
Espécies exóticas são espécies que se encontram fora de sua área de
distribuição natural, por exemplo, a Tilápia do Nilo (Oreochromis
niloticus). Quando espécies exóticas atingem as áreas naturais podem
alcançar grandes densidades populacionais, desencadeando o
desequilíbrio ambiental e danos irreversíveis às populações nativas/
selvagens e ao ser humano.
Tilápia do Nilo introduzida em lagoa.
Ficha de registro sanitário
Conforme foi estabelecido pelo art. 8º da Instrução Normativa MPA nº 4, de 04 de fevereiro de 2015, todo
empreendimento de aquicultura deve documentar na ficha de registro sanitário informações úteis para a
investigação do Serviço Veterinário Oficial. Esse documento disponibiliza o mínimo de informações sanitárias
para serem coletadas durante os últimos três ciclos reprodutivos e assim o produtor e o Serviço Veterinário
Oficial terão os registros de doenças e/ou atividades possivelmente causadoras de doenças. 
Ainda, na ficha de registro sanitário, devem constar os seguintes dados:
 
Identificação da propriedade;
Aquisição de alimentos, aditivos e produtos;
Aplicação de produtos; análise da água;
Registro de trânsito e movimentação dos animais;
Mortalidade (caso ocorra);
Sinais clínicos, doenças e infecções.
A ficha de registro usa como referência os seguintes dados relativos à aplicação de produtos: 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Nome
Especificar o nome do produto de uso veterinário/medicamento/insumo utilizado para tratamento de
doenças.
Lote/partida
Informar o número de lote ou partida do produto de uso veterinário/medicamento/insumo para
tratamento de doenças.
Quantidade
Informar a quantidade adquirida do produto de uso veterinário/medicamento/insumo para tratamento
de doenças.
Local de aplicação
Informar o local de aplicação do produto de uso veterinário/medicamento/insumo para tratamento de
doenças (ex.: identificação do tanque ou aquário).
Data
Informar a data de aplicação do produto de uso/medicamento/insumo para tratamento de doenças.
Essas informações são muito importantes para que o Serviço Sanitário Oficial faça investigações
epidemiológicas, possibilitando que os órgãos responsáveis localizem a origem do surto, verifiquem quais
medidas sanitárias estão sendo adotadas pelos produtores e se estas estão surtindo efeito, entre outras
particularidades. 
Como preencher a Ficha de registrosanitário?
Neste vídeo, o especialista indica quais informações devem constar na ficha de registro sanitário, e fala sobre
a legislação regulamentadora e sua importância para o Serviço Veterinário Oficial.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Monitoramento e manejo de animais mortos ou doentes
O monitoramento da mortalidade de animais é uma importante prática para a manutenção da sanidade e a
identificação de doenças em criadouros. Essa prática também pode indicar problemas de manejo, como a má
qualidade da água ou a alimentação inadequada, entre outros. Além dos animais mortos, também devem ser
monitorados animais que apresentem sinais evidentes de enfraquecimento (letargia e perda de apetite),
lesões e outras alterações anatômicas. Para isso, é indicada a verificação diária dos criadouros ou, no mínimo,
a cada três dias, com a retirada imediata desses animais. 
A presença de animais nessas condições (mortos ou doentes) pode
ocasionar problemas como a disseminação de doenças para outros
criadouros ou a atração de predadores (ex.: pássaros), o que resultaria
em prejuízos financeiros ao empreendimento aquícola. A destinação
das carcaças deve obedecer à legislação ambiental.
Carcaças flutuando em sistema de
piscicultura em tanque escavado.
Tratamento de afluentes
Inicialmente, é importante diferenciarmos dois conceitos: 
A água que entra no sistema de cultivo é uma das principais fontes de contaminação na aquicultura. Por isso,
é importante a obtenção de fontes seguras, assim como o tratamento e a desinfecção dessa água antes do
abastecimento da criação. Essa prática deve ser mantida a fim de eliminar microrganismos e/ou substâncias
nocivas. O método de tratamento vai depender de particularidades do sistema de cultivo. Por exemplo, as
espécies que serão cultivadas, a fonte de abastecimento, a finalidade do cultivo (animais ornamentais ou para
consumo humano) e a estrutura disponível para o tratamento (encanamentos, filtros, fonte de energia elétrica,
entre outros). 
Monitoramento de águas afluentes.
Em alguns casos, podem ser utilizadas substâncias químicas ou métodos de filtragem geradores de resíduos.
Nesse caso, a melhor forma de garantir o tratamento ideal é consultar profissionais especializados, sendo
necessária, na maioria das vezes, a prévia/posterior análise laboratorial. Também deve ser dada devida
importância aos efluentes, já que podem ocasionar danos ambientais, gerando encargos e multas ao produtor.
Despesca e manejo pré-abate
O processo de despesca gerará estresse e possível sofrimento aos animais cultivados, o que pode ocasionar a
morte e consequente diminuição da produtividade e/ou qualidade do produto. Para minimizar o impacto da
despesca, é indicado o abate humanitário dos animais (processo que busca reduzir o sofrimento) e isso
influenciará positivamente nos efeitos que o estresse pode ocasionar na qualidade da carne, gerando um
produto com maior qualidade. 
Afluentes 
São as águas que entram nos criadouros.
Efluentes 
São as águas que saem dos criadouros
e que contêm os resíduos orgânicos.
Processo de despesca.
No momento da despesca, deve ser dada atenção para atitudes causadoras de estresse nos animais, como a
movimentação de pessoal na margem do criadouro, o que pode gerar ruídos e/ou estímulos visuais/físicos
estressantes. 
Após a despesca devem ser realizados os seguintes procedimentos: 
Desinfecção de tanques e equipamentos
É a utilização de meios físicos (escova, espátula
etc.) e/ou produtos químicos (cloro, formalina,
entre outros) para a desinfecção de instalações
e equipamentos usados no processo de captura
e transporte dos animais.
Vazio sanitário
Período em que o criadouro fica sem animais,
possibilitando o interrompimento do ciclo de
vida de agentes etiológicos.
E, antes do abate, podem ser realizados: 
Jejum prévio
Consiste na retirada da alimentação para
esvaziamento do trato digestivo antes da
despesca, o que irá influenciar positivamente na
qualidade da carne e na higiene durante o
processamento e comercialização.
Agrupamento dos animais
Devido ao esvaziamento do criadouro ou uso de
redes e outros equipamentos, deve ser
realizado cuidadosamente para evitar lesões
pelo contato com os equipamentos e impedindo
a exposição dos animais à alta intensidade
luminosa e aos níveis reduzidos de oxigênio.
Diagnósticos de doenças
Sintomas como a movimentação irregular, lesões inflamatórias, alterações de coloração/formato, entre outros,
podem indicar o aparecimento de doenças. Contudo, o diagnóstico e o tratamento preciso devem ser feitos
por médico veterinário. Essa obrigatoriedade se faz necessária porque existem alterações ambientais e
metabólicas que desencadeiam sintomas parecidos com os de doenças infecciosas. Nesse caso, pode não ser
necessário o uso de medicamento. 
Existem algumas doenças com importância internacional, que obrigatoriamente devem ser notificadas ao
Serviço Veterinário Oficial, para que haja agilidade na aplicação de medidas sanitárias contra a propagação.
Essa notificação pode ser realizada por qualquer pessoa que tenha encontrado resultados positivos em
amostras testadas, seja produtor, funcionário ou profissional que atue na área de diagnósticos. O quadro
abaixo apresenta os sinais que podem indicar o aparecimento de doenças: 
QUAIS SINAIS OBSERVAR?
Aumento da mortalidade
Nadar errático/ nadar na
superfície
Exoftalmia (olhos
saltados)
Deformidades
Diminuição no consumo de
alimentos
Boquejamento
Aumento na secreção de muco Úlceras
Alterações de
coloração
Lotes não uniformes Lesões inflamatórias Ectoparasitas
Redução de índices zootécnicos
(baixo ganho de peso, crescimento
menor etc.)
Letargia (animais com
resposta lenta, sem o reflexo
de fuga)
Alteração do
comportamento
Verificando o aprendizado
Questão 1
A ficha de registro sanitário é um importante documento no monitoramento de sistemas aquícolas. Neste
documento, constam informações úteis para investigações epidemiológicas, o que torna possível localizar a
origem do surto de doenças. O manual Aquicultura com sanidade (BRASIL, 2020), fornece uma lista de
doenças com importância internacional. E se a infecção for suspeita ou confirmada, a notificação ao órgão
governamental responsável deve ser obrigatória e imediata. Neste caso, qual é órgão governamental que
obrigatoriamente deve ser avisado?
A Cooperativas de criadores
B Associação Brasileira de Pesca Artesanal
C Secretaria de Promoção e Defesa Animal do Rio de Janeiro
D Serviço Veterinário Oficial
E Polícia Ambiental
A alternativa D está correta.
Existem doenças com importância internacional que obrigatoriamente devem ser notificadas ao Serviço
Veterinário Oficial, para que haja agilidade na aplicação de medidas sanitárias contra a propagação. Outras
entidades relacionadas com a aquicultura também podem ser avisadas, porém o PNSAAC estabelece
obrigatoriedade de notificação apenas para o Serviço Veterinário Oficial da região em que se encontra o
criadouro. Não há obrigatoriedade de aviso às Cooperativas de criadores, Associação Brasileira de Pesca
Artesanal, Secretaria de Promoção e Defesa Animal do Rio de Janeiro ou à Polícia Ambiental.
Questão 2
A desinfecção de criadouros, tanques de transporte e equipamentos utilizados na despesca é um
procedimento útil na eliminação de possíveis agentes etiológicos; outro procedimento realizado após a
despesca é o vazio sanitário. Sobre este procedimento, é correto afirmar que:
A Consiste na retirada da alimentação para esvaziamento do trato digestivo dos animais.
B Consiste na movimentação de animais para recipientes desinfectados.
C Consiste em submeter o criadouro a um período sem animais para eliminar possíveis agentes
etiológicos.
D Consiste no esvaziamento do criadouro para expor os animais a níveis reduzidos de oxigênio.
E Consiste em restringir a movimentação de pessoal na margem do criadouro para reduzir o estresse
dos animais.
A alternativa C está correta.
Após a despesca, o criadouro deve passarpor um período sem animais para que seja possibilitado o
interrompimento do ciclo de vida de agentes etiológicos. Esse procedimento é denominado vazio sanitário.
Restringir a movimentação de pessoal na margem do criadouro para reduzir o estresse dos animais é um
procedimento anterior à despesca. Já a movimentação de animais para recipientes desinfectados é um
procedimento realizado durante a despesca, assim como o esvaziamento do criadouro.
3. Sustentabilidade e manejo ambiental
Aquicultura, meio ambiente e sustentabilidade
A construção e manutenção de um criadouro aquícola depende de variáveis naturais, como o clima, a água e o
solo, e da disponibilidade de recursos (luz elétrica, desinfetantes, entre outros). É uma árdua tarefa para os
produtores produzirem sem ocasionar alterações ambientais. Mas, com a utilização de tecnologias adequadas
a cada caso, aliadas às boas práticas de manejo, respeitando sempre a legislação reguladora, torna-se
possível reduzir o impacto dessa atividade no meio ambiente.
O termo sustentabilidade consiste no conjunto de ações que permitam suprir as necessidades do presente,
sem comprometer as futuras. E, quando tratamos de meio ambiente, consideramos, além dos ecossistemas
naturais e artificiais, os valores sociais e culturais existentes no local ou momento. 
Representação dos componentes envolvidos no desenvolvimento sustentável da
aquicultura.
Alcançar a sustentabilidade não é só reduzir os impactos nas áreas naturais. Também devem ser consideradas
as práticas socioeconômicas e culturais, como o estímulo à utilização de mão de obra local e o combate à
desigualdade social. 
Impactos ambientais
A atividade de aquicultura pode alterar o espaço geográfico de forma irreversível, causando graves danos às
áreas naturais e às populações humanas que dela dependem. 
Os impactos causados pelos sistemas aquícolas podem ser atenuados e até positivos quando resultam em
melhorias ambientais. Nesse sentido, o consórcio da aquicultura com outras atividades agrícolas – por
exemplo, cultivo integrado de aves e peixes, hortaliças e peixes, entre outros – pode diminuir drasticamente o
impacto ambiental da aquicultura. 
O empreendimento aquícola também pode gerar impactos
socioeconômicos positivos, se houver a geração de oportunidade de
trabalho para a população local ou ainda se conciliar atividades
recreativas e educacionais nos reservatórios e outras instalações.
A atividade de aquicultura tem como um
dos impactos positivos a geração de
oportunidades de trabalho.
Contudo, os impactos negativos que uma aquicultura pode ter são muitos, o que pode influenciar diretamente
na qualidade ambiental. Esses impactos podem variar de acordo com o modelo de aquicultura adotado, com a
região em que está inserido e em função da legislação regulamentadora. Evitar esses impactos ou, no mínimo,
reduzi-los pode não ser uma tarefa fácil, sendo recomendada a contratação de profissionais habilitados para
avaliar os impactos ambientais causados antes, durante e depois da instalação do empreendimento aquícola. 
Veremos a seguir os impactos ambientais negativos mais comumente observados na prática da aquicultura e
os mecanismos que podem ser utilizados para atenuá-los. 
Impactos na vegetação
É comum no desenvolvimento das atividades humanas, a substituição de áreas com vegetação nativa por
construções. Na implantação de uma aquicultura, pode ocorrer a remoção de vegetação para construção de
viveiros e outras instalações necessárias para a operação do cultivo. A intensidade desse impacto pode ser
atenuada pela escolha de áreas previamente degradadas (ex.: áreas anteriormente utilizadas para agricultura
e/ou pecuária) e isso pode variar de acordo com método de cultivo desejado. A implementação de um
criadouro pode adotar diferentes métodos: 
Tanque escavado
Se o método empregado for a criação em tanque escavado, a escolha de
áreas anteriormente destinadas à agricultura e/ou pecuária pode
minimizar os impactos que a construção dos criadouros causaria na
vegetação nativa. Isso também pode ter influências econômicas
significativas para o produtor, já que pode simplificar o processo de
licenciamento sem que haja o corte de vegetação arbórea.
Tanque-rede
No método de aplicação da técnica de tanque-rede, a colocação das
estruturas de cultivo em reservatórios construídos para outros fins (ex.:
geração de energia elétrica) pode otimizar a utilização dos recursos
hídricos em áreas não apropriadas para aquicultura tradicional ou
inutilizáveis para fins agrícolas. O cultivo em tanque-rede é uma técnica
mais recente que tem tido forte crescimento nos últimos anos. Nela,
utilizam-se principalmente as ditas águas da União, que são lagos, rios,
açudes e reservatórios localizados em terrenos de domínio do Governo
Federal.
O governo brasileiro tem estimulado e intensificado nos últimos anos a
regulamentação desse tipo de atividade aquícola. Deve-se levar em
conta que é uma forma de aquicultura sustentável, já que não demanda
modificações ambientais irreversíveis para sua implantação. Porém,
existem prós e contras desse tipo de cultivo, sejam estes referentes ao
manejo e produtividade ou aos impactos ambientais negativos.
Impactos no solo
A construção de empreendimentos aquícolas, principalmente viveiros escavados, é uma atividade que pode
gerar danos irreversíveis ao meio ambiente. Por isso, devemos considerar itens importantes ao implantarmos
instalações de cultivo: 
Composição do solo
Tem grande importância nas características químicas da água do viveiro e uma escolha equivocada
pode resultar na necessidade constante de correção dessas características, demandando o uso de
adubo e substâncias químicas, como o calcário, que são custosas para os produtores e
potencialmente danosas ao meio ambiente.
Permeabilidade do solo
Solos pouco permeáveis (ex.: argilosos) são os mais indicados, já que a perda d’água pode demandar
constante abastecimento do criadouro, tornando o uso dos recursos hídricos mais intenso. Em alguns
casos, pode-se revestir o viveiro com lonas para torná-los impermeáveis, porém isso pode exigir um
maior investimento do produtor, gerar resíduos e afetar áreas adjacentes. Nesse caso, o material
utilizado para impermeabilização deve ser inerte (que não seja decomposto ou que não libere
resíduos), não oferecendo risco de contaminação do solo. 
Erosão do solo
É causada pela construção ou pelo funcionamento do criadouro e pode ser atenuada com a
construção do viveiro em épocas de menor probabilidade de chuvas e com o plantio de vegetação
nas adjacências do criadouro, o que ajudará a reduzir a erosão durante o funcionamento do
empreendimento. A copa das árvores proporciona sombra, o que reduz a temperatura local e protege
o solo do impacto direto da chuva. Já as raízes das árvores promovem a sustentação mecânica do
solo e também podem influenciar na permeabilidade da água até camadas mais profundas,
influenciando na manutenção do lençol freático e na umidade do solo.
Impactos nos recursos hídricos
Assim como a maioria das atividades agropecuárias, a aquicultura pode demandar uma grande quantidade de
água, contudo, apesar de esse recurso ser abundante no planeta e principalmente no Brasil, a demanda
crescente e a má utilização dele podem causar a escassez e até mesmo o esgotamento dos mananciais. Por
outro lado, a instalação e manutenção de criadouros dependem intimamente da qualidade e quantidade dos
recursos hídricos disponíveis no local, o que pode variar de acordo com o modelo de criação e com as
espécies cultivadas. A legislação permite que no máximo 20% do volume de um curso d’água seja desviado e
utilizado no empreendimento aquícola, sendo expressamente contraindicada a construção de barragens.
Essas leis obrigam o empreendedor a desviar e canalizar a água até a área de cultivo. 
Tanques usados na criação de tilápias.
Durante o cultivo, as boas práticas de manejo podem reduzir significativamente o uso dos recursos hídricos.
Deve ser dada atenção também para os efluentes do sistemade criação, já que a água retirada do criadouro
contém resíduos oriundos do cultivo. Essa água, se direcionada aos mananciais sem tratamento, pode gerar
graves danos ambientais (ex.: poluição ou introdução de espécies exóticas). Os efluentes devem ser tratados
antes de serem destinados à rede hídrica local. 
Saiba mais
De acordo com a Lei Federal nº 9.433 de 1997 (Lei das águas), os recursos hídricos devem ter
aproveitamentos múltiplos, sendo assim, terão de ser mantidos aproveitáveis para outros usuários. Entre
os múltiplos usos, estão a navegação, o abastecimento, a geração de energia e a pesca. A exploração
sustentável desse recurso vai beneficiar as comunidades do entorno do empreendimento e fortalecer o
desenvolvimento econômico local. Esse desenvolvimento local pode beneficiar o produtor (ex.:
construção de estradas). 
A construção de um tanque viveiro em uma área arborizada pode demandar o corte de árvores nativas, o que
é capaz de tornar o empreendimento ainda mais degradante e custoso para o produtor. Dependendo da 
qualidade ambiental, o empreendimento pode ser inviabilizado antes mesmo de ser iniciado. A vegetação do
entorno pode ser uma grande aliada na redução da erosão do solo, evitando também o assoreamento de
tanques escavados, por exemplo. Nessa ótica, manter a vegetação no entorno do empreendimento pode
reduzir custos que o produtor venha a ter na manutenção desses problemas.
Qualidade ambiental
Considera a densidade da vegetação, composição de espécies e correlação com áreas adjacentes, por
exemplo.
Tanques para criação escavados em área de vegetação.
Alcançar a sustentabilidade e estar em harmonia com o meio ambiente é algo delicado. Quando se trata da
construção de viveiros, deve-se levar em consideração as características particulares de cada local no
desenvolvimento de um projeto que concilie a produtividade com a minimização dos impactos ambientais. Os
modelos de criação escolhidos (tanques escavados ou elevados, tanque-rede, sistema fechado ou aberto,
recirculação etc.) vão se tornar mais ou menos sustentáveis dependendo da área de implantação e dos
recursos disponíveis. 
Exemplo
Se a área para implantação da aquicultura é uma área vegetada, pode ser uma opção a utilização de
tanques elevados para minimizar os impactos sobre a vegetação. Se no local da instalação existe um
declive acentuado, a utilização de tanques elevados pode demandar grande investimento para tornar a
área plana, sendo uma melhor opção construir um viveiro escavado. 
A aquicultura pode ser mais ou menos sustentável em função da disponibilidade dos recursos hídricos, um
sistema onde é possível realizar a recirculação, promovendo a reciclagem e a economia de água. 
Havendo abundância na disponibilidade de recursos hídricos, como é o
caso do reservatório de hidroelétrica, um sistema de tanque-rede pode
ser a melhor opção. Esse é um sistema que também pode ser
implantado no ambiente marinho.
Despesca no sistema de tanque-rede no
ambiente marinho.
Boas práticas em aquiculturas
Neste vídeo, convidamos você a conhecer as boas práticas de manejo de sistemas aquícolas de criação.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A construção de criadouros no modelo de tanque escavado demanda a retirada da vegetação, que é um dos
impactos ambientais negativos mais comuns gerados pela implantação de aquiculturas. Marque a alternativa
que apresenta uma forma de minimizar os impactos causados na vegetação.
A Escolher áreas anteriormente utilizadas pela agropecuária.
B Plantar árvores em locais de erodidos.
C Plantar hortaliças em sistemas de hidroponia.
D Construir o viveiro em época com menor probabilidade de chuva.
E Construir barragens em rios e córregos naturais.
A alternativa A está correta.
A escolha de áreas previamente utilizadas para agricultura ou pecuária pode evitar o desmatamento da
vegetação nativa e ainda promover a utilização de áreas degradadas e inutilizáveis para outros modelos de
cultivo. O plantio de árvores em locais erodidos e a escolha de construir o viveiro em épocas com menos
chuva reduzirão o impacto no solo. Já o cultivo de hortaliças em sistema de hidroponia pode amenizar o
impacto dos efluentes oriundos da aquicultura. É expressamente desaconselhada a construção de
barragem em rios e córregos.
Questão 2
De acordo com a Lei Federal nº 9.433 de 1997 (Lei das águas), que regulamenta o uso da água no Brasil, os
recursos hídricos são bens naturais de todos e devem ter uso múltiplo pela população. Sobre essa
regulamentação, é correto afirmar que:
A A água utilizada em uma aquicultura deve ser armazenada e reutilizada.
B A água utilizada em uma aquicultura deve ser tratada antes de ser adicionada ao cultivo.
C A água, após ser utilizada em uma aquicultura, não pode ter sua utilização inviabilizada por outros
usuários.
D A água utilizada em uma aquicultura deve ser oriunda da rede de abastecimento privado.
E A água utilizada em uma aquicultura pode ser lançada sem tratamento em rios e córregos.
A alternativa C está correta.
De acordo com a Lei Federal nº 9.433 de 1997, os recursos hídricos devem ter aproveitamentos múltiplos.
Sendo assim, os recursos hídricos devem se manter aproveitáveis para outros usuários. Dentre os múltiplos
usos, estão a navegação, o abastecimento, a geração de energia, a pesca, entre outros. Dessa forma, a
água após passar pelo sistema de cultivo deve ser tratada para retirada de resíduos da aquicultura antes de
ser direcionada aos rios e córregos, evitando a poluição e inviabilidade dos recursos hídricos locais. O
tratamento da água antes de ser adicionada ao cultivo tem o objetivo de assegurar a sanidade dos animais
cultivados, não sendo esta opção correlacionada com a Lei das águas (Lei Federal nº 9.433).
4. A importância do manejo sustentável
Monitoramento de sistemas de cultivo
As características dos recursos hídricos são pontos muito importantes para a estratégia de cultivo adotada.
Monitorar esse recurso terá resultados significativos em diversos aspectos da aquicultura. O monitoramento
da água deve ser realizado antes de ser adicionada ao criadouro (afluentes), durante a atividade de cultivo
(reservatórios) e após passar pelos criadouros (efluentes). 
Parâmetros, como a temperatura da água, a quantidade de oxigênio dissolvido, o pH, a turbidez, entre outros,
devem ser constantemente monitorados. As alterações nesses parâmetros podem indicar, por exemplo, o
aparecimento de doenças ou a futura perda de produtividade final.
Turbidez
Nível de transparência da água.
A qualidade e a quantidade dos afluentes influenciarão diretamente na escolha da melhor espécie para ser
cultivada. Já o monitoramento quali-quantitativo da água do reservatório terá grande correlação com a
produtividade e a qualidade do produto final. Ainda mais importante é o monitoramento da água efluente, pois
essa água vai conter uma série de resíduos da aquicultura e estes, se não manejados adequadamente, podem
causar sérios danos ambientais. Danos ambientais que, além de tornar a atividade não sustentável, podem
resultar em multas e encargos para o produtor. Então, deve-se evitar ao máximo causar danos ambientais para
que se mantenha a viabilidade do empreendimento aquícola. 
O que são resíduos em aquicultura?
Em um âmbito geral, resíduo é considerado tudo aquilo que sobra de determinado produto ou atividade. Esses
resíduos estão classificados na legislação brasileira como urbanos, industriais, de construção civil,
hospitalares e agrícolas. Os resíduos agrícolas são fertilizantes, restos de ração, colheita e/ou poda. Também
são consideradas nessa categoria as embalagens de produtos utilizados para a manutenção e funcionamento
dos cultivares. A aquicultura, que é enquadrada como atividade agrícola pelo governo brasileiro, pode gerar
alguns desses resíduos. Quais são especificamente os resíduos e as formas mais usuais de tratamento dos
resíduos é o que iremos estudar neste módulo. 
Os resíduosmais comuns em aquicultura são: 
Efluentes
São as águas que saem do sistema de cultivo, podendo conter desde
substâncias orgânicas (ex.: fezes, restos de ração e fertilizante) até
substâncias inorgânicas (ex.: nitrogênio, fósforo, sódio, entre outras). As
substâncias orgânicas, em geral, são resultantes das atividades diárias
de manejo da aquicultura, como alimentação, adubagem e crescimento
dos organismos.
As substâncias inorgânicas podem ser originadas pelo processo de
lixiviação ou erosão das margens. Essas substâncias podem se depositar
no fundo, junto ao substrato, ou estar dissolvidas na água do tanque.
Além dessas substâncias, também podem ser encontrados nos efluentes
organismos vivos, como caramujos, algas, juvenis e ovos dos animais
criados.
Carcaças e/ou partes de animais
É muito comum o empreendimento aquícola lidar com perdas em sua
produção. Por vezes, é necessário retirar carcaças de animais mortos dos
tanques, evitando a contaminação da água e mantendo a sanidade dos
animais vivos no sistema.
Muitos estabelecimentos, além de cultivar os animais, também os
vendem frescos ou congelados, na maioria das vezes eviscerados (sem
órgãos internos, principalmente o trato digestivo) ou pré-preparados
(sem vísceras e outras partes não comestíveis, como escamas, rabo e
cabeça) para o consumo humano. O que sobra do pré-preparo também é
um resíduo significativo e pode voltar para a cadeia produtiva.
Embalagens
A operação de um sistema aquícola muitas vezes é dependente da
utilização de produtos, como defensivos, medicamentos veterinários,
fertilizantes e outros. Na maioria das vezes, esses produtos vêm
embalados em recipientes herméticos e duráveis que, ao final de sua
utilização, podem estar contaminados e não passíveis de serem
reutilizados pelo produtor, devendo ser descartados. Assim como a
utilização de ração, o que também gera os resíduos de embalagem, na
maior parte dos casos, são embalagens plásticas ou de papel, que
podem facilmente ser recicladas.
Algumas dessas embalagens são reutilizadas pelo produtor no próprio
empreendimento, outras, como as embalagens contaminadas, devem ser
armazenadas e descartadas de forma correta, obedecendo à legislação
regulamentadora. Lidar com os resíduos não é nada complexo, manter as
lixeiras bem fechadas e evitar colocar o descarte em áreas de fácil
acesso de animais vetores já é grande parte do manejo adequado.
Impactos ambientais dos efluentes
Os efluentes de cultivos aquícolas são, no geral, ricos em compostos orgânicos, nitrogênio e fósforo. Esses
elementos ao atingirem os recursos hídricos locais podem resultar em eutrofização das águas que, por si só, já
representa grave impacto ambiental. Como resultado do aporte excessivo de nutrientes, pode ocorrer o
desenvolvimento acentuado de algas nocivas, diminuição dos níveis de oxigênio dissolvido e,
consequentemente, mortandade das populações naturais de organismos aquáticos.
Eutrofização
Aumento exacerbado de nutrientes no sistema.
Ambiente aquático poluído pela destinação incorreta de efluentes.
Outra consequência do lançamento indiscriminado de efluentes em ecossistemas aquáticos naturais é a
diminuição da transparência da coluna d’água. Isso acontece porque, muitas vezes, esses efluentes carregam
porções significativas do substrato que, além de influenciar na cadeia trófica, tem forte impacto nos usos
múltiplos pelas populações do entorno (por exemplo, atividades recreativas que deixam de ser prazerosas em
águas turvas). O lançamento de efluentes sem tratamento também pode ocasionar a introdução de espécies
exóticas invasoras em ecossistemas despreparados para esses organismos, como é o caso das pisciculturas
de Tilápia do Nilo, que já mencionamos anteriormente. 
Esses são apenas alguns dos impactos mais comuns observados pelo aporte de efluentes de aquicultura.
Outros impactos, como o assoreamento de rios e córregos e a atração de organismos oportunistas, também
podem acontecer. 
Tratamento de resíduos da aquicultura
O que fazer com carcaças e resíduos do pré-preparo?
Carcaças poderão ser utilizadas em processos de compostagem, que é um método econômico e sustentável
para a destinação desse resíduo. Nesse caso, deve ser observada a legislação ambiental que regula tal
atividade já que, se realizada de maneira incorreta, pode causar a poluição do ar, da água ou do solo. Esse
processo também é indicado no caso de a carcaça ser resultado de doença pré-existente no criadouro. Nesse
caso, o agente etiológico causador da doença será destruído e a disseminação da doença, impedida.
Compostagem
Esse processo gera um subproduto orgânico que poderá ser utilizado para adubação do solo em outro
tipo de cultivo (ex.: cultivo de hortaliças). 
As partes dos animais, oriundas do processo de pré-preparo, podem
retornar para a cadeia produtiva e se tornar um bom aditivo para
produção de rações (ex.: óleo e farinha de peixe), seja para aquicultura
ou para outros tipos de cultivo de animais.
Os restos de animais podem retornar de
outras formas para a cadeia produtiva.
Uma outra opção para os produtores é enterrar as carcaças geradas no pré-preparo em suas próprias áreas
de cultivo. Porém, se os restos dos animais forem enterrados muito próximo aos criadouros, pode ocorrer a
contaminação do lençol freático ou dos criadouros. Além disso, essa prática também pode atrair pragas e
animais oportunistas, o que geraria outro problema para o produtor. Existem empresas especializadas em
retirada e tratamentos desses resíduos, porém deve-se avaliar a viabilidade econômica desse processo. 
O esquema abaixo demonstra o fluxo do processo de reciclagem dos restos oriundos do pré-preparo: 
Esquema do processo de reciclagem de restos de pré-preparo.
O que fazer com os efluentes?
O método mais usual para o tratamento de efluentes é a filtragem. Esse método requer o constante manejo
das mídias filtrantes (ex.: cascalho, tecidos, argila expandida, carvão ativado etc.) e demanda maior
investimento financeiro, como, por exemplo, para a aquisição dos materiais filtrantes ou construção de
tanques. Existem diferentes métodos e sistemas de filtragem e a escolha vai ser específica para cada caso.
Vamos conhecê-los a seguir: 
Filtragem física ou mecânica
Neste processo, partículas orgânicas são retidas na passagem do efluente por um meio físico (ex.: cascalho
ou tecidos). 
Cascalhos usados para filtrar a água em tanque escavado.
Filtragem biológica
Neste processo, o efluente é destinado para tanques separados, utilizando-se de materiais porosos (ex.: argila
expandida) como meio de cultura para bactérias, que irão consumir substâncias químicas nocivas para os
organismos aquáticos (ex.: amônia, nitrito e nitrato) e que se encontram dissolvidas na água, ou seja, não são
retidas na filtragem física. 
Bolhas geradas pela ação dos microrganismos nos efluentes.
Filtragem química
Neste processo, são utilizados compostos químicos (ex.: carvão ativado) para a desinfecção da água. No caso
do uso de carvão ativado, por exemplo, ocorre retirada de compostos químicos dissolvidos que não são
consumidos pelas bactérias; este método é eficiente para a retirada de medicamentos e produtos veterinários
adicionados ao sistema. 
O uso de carvão ativado é um processo de filtragem química.
A filtragem química demanda maior investimento financeiro para o produtor na aquisição do composto. Além
disso, se o criadouro obedecer às boas práticas de manejo e não houver a utilização de medicamentos no
tratamento de animais doentes, a filtragem química pode não ser necessária. 
Filtragem natural, aquaponia ou hidroponia
É a utilização de vegetais para o tratamento de efluentes. Plantas aquáticas, por exemplo, podem ser
colocadas no viveiro, em lagoas de decantação ou em canais e tanques especificamente destinados para isso.
Essas plantas possuem crescimento rápido e são eficientes em absorver o nitrogênio e o fósforo da água. No
uso dessa técnica, deve-se atentar para o fato de que as plantas precisam ser constantemente removidas,
podendoter influências econômicas para o produtor. 
Sistema de filtragem usando hidroponia.
No final do ciclo de vida das plantas aquáticas, se a decomposição ocorrer dentro do tanque, os compostos
absorvidos vão retornar para a água, e isso pode tornar o efluente ainda mais poluído. No geral, são utilizadas
plantas flutuantes, que possuem rápido crescimento e resultam na cobertura de toda a superfície do tanque.
Nesse caso, se essas plantas não forem retiradas, a penetração de luz na coluna d’água será impedida. A
diminuição da luminosidade, que atinge as áreas mais profundas do viveiro, ocasionará na redução
populacional das algas microscópicas que são provedoras de oxigenação da água e de alimentos naturais
para os animais. Esse fenômeno pode resultar na mortandade dos animais cultivados. 
Outra problemática do uso de plantas aquáticas é que, ao serem retiradas, outro resíduo é gerado. A biomassa
das plantas aquáticas removidas pode ser utilizada como adubo para o cultivo de hortaliças, por exemplo. 
Dica
Considerando o uso de vegetais para o tratamento de resíduos, é possível consorciar a aquicultura com
o cultivo de vegetais para alimentação (ex.: alface hidropônica). Dessa forma, os nutrientes contidos nos
efluentes são reciclados ao serem transformados em adubo. Essa é uma forma sustentável e moderna
para o tratamento de efluentes, porém ainda é pouco utilizada na aquicultura brasileira. 
Lagoas ou tanques de decantação
Os efluentes, em geral, são ricos em matéria orgânica e outros compostos químicos que podem ser
reaproveitados em outras atividades agrícolas. Para promover a diminuição desses compostos no efluente,
antes de lançá-lo na natureza, pode-se transferir a água proveniente do viveiro para lagoas de decantação. 
Nessas lagoas, exclui-se a circulação da água para que os resíduos
dispersos nela se depositem no fundo durante alguns dias. Assim,
ocorre drástica diminuição dos compostos na coluna d’água e o
impacto da liberação dessa água para um corpo hídrico,
posteriormente, é minimizado.
Tanques de decantação.
O material que fica depositado no fundo da lagoa (partículas decantadas) deve ser retirado, podendo ser
empregado em diferentes técnicas de ciclagem de nutrientes, como a compostagem, por exemplo, e ainda ser
adicionado ao solo onde são cultivados outros vegetais. 
Também é possível a utilização de outros métodos como o uso de raios ultravioleta (radiação não ionizante) e
gás oxidante (ex.: ozônio) combinados a outros métodos de filtragem. Apesar da eficiência desses métodos
no tratamento da água, estes não são tão utilizados na aquicultura, seja pelo acesso aos materiais seja pelo
alto custo financeiro. 
Sistema de filtragem com raios ultravioleta.
Existe também a possibilidade de utilizar substâncias desinfetantes, como o cloro ativo ou a formalina. Essas
substâncias podem ser diretamente adicionadas ao efluente, porém devem ser respeitadas as dosagens
seguras. Nesse caso, pode haver necessidade de contratação de profissionais habilitados a manejar tais
substâncias (químicos, farmacêuticos, veterinários e outros). 
Tratamento de efluentes em uma aquicultura
Neste vídeo, veremos como é realizado o tratamento de efluentes em uma aquicultura.
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Questão 1
Utilizar lagoas de decantação é uma das formas de tratar os efluentes oriundos do cultivo de organismos
aquáticos. Assinale a alternativa que descreve como é realizado o tratamento da água utilizando o método das
lagoas de decantação.
A Remover a água utilizada no cultivo para tanques contendo materiais porosos com colônias de
bactérias.
B Transferir a água utilizada no cultivo para locais sem circulação para que as partículas dispersas na
água se depositem no fundo.
C Adicionar plantas aquáticas flutuantes aos criadouros para que os resíduos presentes na água sejam
absorvidos.
D Destinar a água utilizada no cultivo para a produção de hortaliças.
E Transferir a água utilizada no cultivo para locais com constante circulação, promovendo a oxigenação.
A alternativa B está correta.
Transferir a água utilizada no cultivo para lagoas sem circulação faz com que as partículas dispersas na
água se depositem no fundo e, após alguns dias, essa água pode ser retirada com menos carga de
resíduos. Remover a água do criadouro para tanques contendo materiais porosos com colônias de bactérias
é um método de filtragem biológica. Adicionar plantas aquáticas flutuantes aos criadouros é um método de
filtragem natural. Destinar a água utilizada para o cultivo de hortaliças é uma forma de filtragem natural,
consorciando a aquicultura com a agricultura. Se houver a constante circulação da água, os resíduos
dispersos não serão depositados no fundo e a água continuará a conter os resíduos dispersos.
Questão 2
Efluentes consistem na água que sai do sistema de cultivo contendo poluentes. Os poluentes mais comuns
nos sistemas de cultivo são substâncias orgânicas e inorgânicas que podem estar dispersas na água ou
depositadas no fundo do criadouro. Além desses resíduos, o que mais pode ser encontrado nos efluentes?
A Esgoto doméstico.
B Argila expandida com colônias de bactérias.
C Equipamentos e utensílios utilizados na despesca.
D Organismos vivos como algas e ovos dos organismos cultivados.
E Embalagens plásticas de produtos veterinários.
A alternativa D está correta.
Além de substâncias orgânicas e inorgânicas, também é possível que organismos vivos, como caramujos,
algas, ovos e juvenis dos animais cultivados, estejam presentes nos efluentes. O esgoto doméstico não faz
parte dos efluentes gerados na aquicultura. Equipamentos e utensílios utilizados na despesca não são
resíduos encontrados nos efluentes. Embalagens plásticas veterinárias devem ser descartadas
adequadamente obedecendo à legislação vigente e não são usualmente encontradas nos efluentes.
5. Conclusão
Considerações finais
Manter a biossegurança na aquicultura depende do conjunto de práticas de manejo sanitário com o principal
objetivo de prevenir doenças nos animais cultivados. Ao longo dos estudos, observamos o conjunto de ações
importantes para a manutenção da saúde dos animais aquáticos cultivados de acordo com a legislação
regulamentadora. Conhecemos os regulamentos exigidos para o transporte adequado desses animais. Vimos
como o manejo ambiental adequado está relacionado à sustentabilidade na aquicultura e, ainda, como as
práticas de manejo sustentável estão relacionadas à viabilidade econômica do empreendimento. 
Aprendemos como evitar a atração de pragas/vetores e predadores para os criadouros. Foi possível entender
os danos que a perda e/ou introdução de animais cultivados podem causar aos ecossistemas naturais, além
de métodos para a prevenção de impacto ambiental. Caracterizamos os principais aspectos do Programa
Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo e quais aspectos são indicados neste programa para
seres controlados. Entendemos o que é o plano de biosseguridade do empreendimento e qual sua importância
para toda a cadeia produtiva na aquicultura. 
Vimos o que é uma ficha de registro sanitário e quais informações são relevantes neste documento, assim
como sua importância para a aquicultura mundial. Percebemos como o manejo ambiental adequado está
relacionado à sustentabilidade na aquicultura, além de correlacionarmos as práticas de manejo sustentável
com a viabilidade econômica do empreendimento. Por fim, mas não menos importante, caracterizamos os
principais resíduos gerados na aquicultura e mostramos como tais resíduos podem ser tratados para redução
do impacto ambiental. 
Podcast
Antes de finalizarmos, o especialista Arthur Lourenço fala sobre os principais tipos de resíduos gerados
por sistemas de criação de animais aquáticos, bem como as suas respectivas formas de tratamento.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Assista ao vídeo e aprenda mais sobre biossegurança e sustentatibilidade na produção depescado. Ao final
do vídeo, um bônus: o especialista em tubarões fala sobre a importância desses animais para o equilíbrio dos
ecossistemas marinhos e os perigos associados a eles.
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Explore +
Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo:
 
Visite o site da OIE - World Organisation for Animal Health. Na seção “Who we are”, abra o tópico “Mission” e
veja detalhadamente a missão e os objetivos desta organização.
 
Leia:
 
O manual Aquicultura com Sanidade (BRASIL, 2020), que disponibiliza o Guia Básico para Criação do
Plano de Biosseguridade do Empreendimento ao final da publicação (p. 30). Nesse guia, você
encontrará questões para o auxílio de profissionais e produtores na criação de seu próprio plano de
biosseguridade.
 
Manual de Legislação: programas nacionais de saúde animal do Brasil, uma publicação do Governo
Federal na qual você vai encontrar na íntegra todas as legislações relacionadas à regulamentação da
saúde animal no Brasil, incluindo a Portaria nº 573 de 4 de junho de 2003 (p. 242) e as instruções
normativas relativas ao PNSAAC.
 
Anexo II da Instrução Normativa MPA 4/2015, para saber mais sobre as informações que devem constar
na Ficha de Registro Sanitário e como preenchê-la.
 
A lista de doenças de notificação obrigatória ao Serviço Veterinário Oficial pode ser acessada na
Portaria MPA nº 19/2015 ou na página 26 do manual Aquicultura com Sanidade (BRASIL, 2020).
Referências
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Manual de Legislação: programas nacionais de
saúde animal do Brasil. Secretaria de Defesa Agropecuária. Departamento de Saúde Animal. Brasília, DF:
MAPA/SDA/DSA, 2009.
 
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Aquicultura com sanidade: Programa Nacional de
Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo manual orientado aos produtores (PNSAAC). Secretaria de Defesa
Agropecuária. Brasília, DF: MAPA/AECS, 2020.
 
BRASIL. Lei nº 9.433 de 8 de janeiro de 1997. Dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos. Brasília:
Diário Oficial da União, 1997.
 
CNA. Manual técnico - Biosseguridade e resposta a emergência sanitária para a produção de animais de
aquicultura. Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, 2018.
 
ELER, M. N; MILLANI, T. J. Métodos de estudos de sustentabilidade aplicados a aquicultura. Revista Brasileira
de Zootecnia, v. 36, 2007.
 
RESENDE, E. K. Pesquisa em rede em aquicultura: bases tecnológicas para o desenvolvimento sustentável da
aquicultura no Brasil. Aquabrasil. Revista Brasileira de Zootecnia, n. 38, p. 52-57, 2009.
 
SANTOS, G. Pet shop, serviço essencial na pandemia, é opção de negócio que não fecha. Folha de São Paulo,
20 mar. 2021.
 
SEBRAE. Diagnóstico dos Resíduos da Pesca e Aquicultura do Espírito Santo. Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas, 2010.
 
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SILVA, M.S.G.M.; LOSEKANN, M.E.; HISANO, H. Aquicultura: manejo e aproveitamento de efluentes.
Jaguariúna, SP: Embrapa Meio Ambiente, 2013.
 
TEIXEIRA et al. Sistemas de produção na piscicultura. Rev. Bras. Reprod. Anim., Belo Horizonte, v. 30, n. 3/4,
2006.
 
TIAGO, G. G. Aquicultura, Meio Ambiente e Legislação. 2. ed. [s/n] São Paulo, 2007. p. 201. Consultado na
Internet em: 24 jun. 2021.
 
VALENTI, W. C. Aquicultura sustentável. In: Congresso de Zootecnia, 12o, Vila Real, Portugal. Anais. p. 111-118.
Vila Real: Associação Portuguesa dos Engenheiros Zootécnicos, 2002.
	Biossegurança e Sustentabilidade na Produção do Pescado
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Programas de promoção da saúde em aquicultura
	Sanidade, saúde e meio ambiente
	Defesa sanitária animal - uma cooperação internacional
	Saiba mais
	Aquicultura com sanidade
	Peixes
	Moluscos
	Crustáceos
	Répteis
	Anfíbios
	Equinodermos
	Atenção
	Cadastramento de propriedade em aquicultura
	Elaboração do Plano de Biosseguridade de empreendimentos aquícolas
	Preenchimento da Guia de Trânsito Animal
	Como elaborar o próprio plano de biosseguridade?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Biosseguridade e manejo sanitário
	Biosseguridade
	Saiba mais
	Prevenção, controle e remediação
	Profilaxia
	Boas práticas de manejo em aquicultura
	Ingresso de novos animais
	Desinfecção de instalações e equipamentos
	Atenção
	Controle de acesso ao estabelecimento aquícola
	Controle de vetores e pragas
	Recomendação
	Prevenção do escape de animais
	Ficha de registro sanitário
	Nome
	Lote/partida
	Quantidade
	Local de aplicação
	Data
	Como preencher a Ficha de registro sanitário?
	Conteúdo interativo
	Monitoramento e manejo de animais mortos ou doentes
	Tratamento de afluentes
	Despesca e manejo pré-abate
	Desinfecção de tanques e equipamentos
	Vazio sanitário
	Jejum prévio
	Agrupamento dos animais
	Diagnósticos de doenças
	Verificando o aprendizado
	3. Sustentabilidade e manejo ambiental
	Aquicultura, meio ambiente e sustentabilidade
	Impactos ambientais
	Impactos na vegetação
	Tanque escavado
	Tanque-rede
	Impactos no solo
	Composição do solo
	Permeabilidade do solo
	Erosão do solo
	Impactos nos recursos hídricos
	Saiba mais
	Exemplo
	Boas práticas em aquiculturas
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. A importância do manejo sustentável
	Monitoramento de sistemas de cultivo
	O que são resíduos em aquicultura?
	Efluentes
	Carcaças e/ou partes de animais
	Embalagens
	Impactos ambientais dos efluentes
	Tratamento de resíduos da aquicultura
	O que fazer com carcaças e resíduos do pré-preparo?
	O que fazer com os efluentes?
	Filtragem física ou mecânica
	Filtragem biológica
	Filtragem química
	Filtragem natural, aquaponia ou hidroponia
	Dica
	Lagoas ou tanques de decantação
	Tratamento de efluentes em uma aquicultura
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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