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W BA 11 10 _V 1. 0 GESTÃO DE RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL, NO SETOR DE ENERGIA E DE MÁQUINAS 2 Daniel Queiroz da Silva São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 GESTÃO DE RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL, NO SETOR DE ENERGIA E DE MÁQUINAS 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Nirse Ruscheinsky Breternitz Revisor Thiago Flávio Arjona Moreno Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Silva, Daniel Queiroz da Gestão de riscos na construção civil, no setor energia e de máquinas / Daniel Queiroz da Silva. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 33 p. ISBN 978-65-5356-305-6 1. Riscos. 2. Metodologia ERA. 3. Método Hazard Rating Number. I. Título. 3. Técnicas de speaking, listening e writing. I. Título. CDD 623.047 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O S586g © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Introdução à gestão de riscos _______________________________ 07 Conceitos e aplicações de normas em gestão de riscos ______ 20 Identificação de riscos no GTD. Metodologia ERA ____________ 33 Apreciação de risco em máquinas e equipamentos __________ 45 GESTÃO DE RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL, NO SETOR DE ENERGIA E DE MÁQUINAS 5 Apresentação da disciplina Quando nos referimos à aplicação de segurança do trabalho em uma empresa, de forma geral estamos falando em cumprir legislações específicas e evitar a ocorrência de acidentes e doenças no trabalho. A NR-04 determina a quantidade e quais profissionais devem compor o SESMT, os quais são responsáveis por cuidar de uma grande quantidade de trabalhadores em diversas atividades econômicas e locais diferentes. Mas será que essa quantidade é suficiente? Algumas vezes, os profissionais que realizam essas atividades nas empresas não são da área de segurança do trabalho realmente, mas precisam fazê-lo, visto que: trabalhos na área de construção civil têm aumentado muito nos últimos anos; o setor elétrico é a base para quase todas as outras áreas profissionais; e muitas empresas utilizam máquinas e/ou equipamentos durante seu processo produtivo. Dessa forma, é perceptível e fundamental o emprego da gestão na área de segurança do trabalho, em especial nessas três áreas citadas, com o objetivo de ter a melhor eficácia e promover segurança, saúde e qualidade de vida aos trabalhadores. A gestão permite envolver muitos profissionais, os quais serão responsáveis e ajudarão efetivamente na aplicação das medidas necessárias para se ter a melhor produtividade, sem causar danos a pessoas, a equipamentos e ao meio ambiente. É claro que também será necessário o processo de melhoria contínua presente na ABNT NBR ISO 45001. Além disso, deve-se verificar a conformidade das áreas de construção, máquinas e elétrica com as respectivas NRs 18, 12 e 10 e normas 6 relacionadas nas diferentes áreas da empresa. Porém, para fazer gestão dessas áreas, precisaremos usar metodologias de quantização de riscos específicas, como o Método Hazard Rating Number (HRN) ou a Metodologia Electricity with Risk Assessment (ERA), para máquinas ou construção civil e o setor elétrico, respectivamente. Todas elas estão vinculadas a normas como ABNT NBR ISO 12100, ABNT ISO/TR 14.121 e ABNT NBR 5410. Para que o profissional tenha acesso a esse conhecimento, de forma a aplicá-lo no contexto de gestão das empresas, nossa disciplina Gestão de riscos na construção civil, no setor de energia e de máquinas foi estruturada em quatro Temas: • Tema 1 – Introdução à gestão de riscos. • Tema 2 – Conceitos e aplicações de normas em gestão de riscos. • Tema 3 – Identificação de riscos no GTD. Metodologia ERA. • Tema 4 – Apreciação de risco em máquinas e equipamentos. Bons estudos! 7 Introdução à gestão de riscos Autoria: Daniel Queiroz da Silva Leitura crítica: Thiago Flávio Arjona Moreno Objetivos • Familiarizar alunos quanto a conceitos básicos sobre segurança e saúde no trabalho e gestão de riscos. • Elucidar sobre os principais riscos presentes nas áreas de construção, setor elétrico e máquinas. • Abordar uma técnica básica de graduação de riscos. 8 1. Conceitos básicos Neste Tema, iremos estudar as definições básicas e importantes sobre engenharia de segurança e saúde do trabalho, sobre gestão de riscos e as Normas Regulamentadoras, do Ministério do Trabalho e Previdência, sobre os temas abordados. Para iniciar o estudo sobre gestão de riscos na construção civil, no setor de energia e de máquinas, precisamos perceber que existem três grandes áreas abrangidas nesse enunciado: construção civil, setor elétrico e de máquinas e equipamentos. Além de conceitos de gerenciamento de riscos, que precisaremos discorrer. Segundo o dicionário Michaelis (2007, [s. p.]), define-se “gestão” como “Ato de gerir ou administrar”, e, de acordo com Brasil (2018, p. 14), gestão de riscos são: “[...] atividades executadas de forma organizada a fim de alcançar um ou mais objetivos, sendo preciso identificar, avaliar, controlar e monitorar os riscos”. Na Figura 1 podemos ver uma linha do tempo vinculada com parte da evolução das normas vinculadas à gestão de risco. Aqui podemos ver a ISO 31.000, ISO 45.001, NBR 12.100, a ISO 14.121, entre outras. Figura 1 – Linha do tempo da gestão de riscos Fonte: adaptada de Brasil (2018, p. 13). Para podermos falar de risco, precisamos revisar qual é sua fonte e, para isso, precisaremos falar de perigo. Segundo Brasil (2020, p. 12), “perigo é uma fonte geradora, que tem potencial de gerar dano a 9 uma pessoa, propriedade, ou meio ambiente”. Podemos citar como exemplo: eletricidade, altura, ambiente confinado, equipamentos, ferramentas, veículos, e condições atmosféricas. É difícil o controle do perigo, pois por vezes são meios usados nas empresas como parte do processo produtivo, meio de transformação ou suporte a ele. O risco é a exposição de uma pessoa a uma fonte geradora (perigo) sem a devida proteção. Por exemplo, o choque elétrico é um risco para quem trabalha com eletricidade. Podemos perceber que, via de regra, o controle de riscos é uma opção mais viável do que a eliminação ou o controle de perigos, pois na primeira opção, mapeando as exposições dos trabalhadores, podemos adotar medidas de prevenção de modo a diminuir ou controlar tal exposição, por exemplo, se tiver uma tomada em más condições, podemos substituir por uma adequada, e, dessa forma, a pessoa que for manuseá-la terá menor exposição, e, se houver exposição, terá uma barreira, ou seja, o risco estará controlado. Existem várias maneiras de controlar a exposição aos riscos, e essas técnicas são geralmente listadas por prioridade e conhecidas como hierarquia das medidas de controle, HMC ou HC. Existem várias metodologias nacionais einternacionais, o importante é usar uma delas para controlar os riscos, que, de acordo com Brasil (2020), podem ser a NR-01 (Norma Regulamentadora n. 01), NR-09 e a NBR ISO 45.001. Na Figura 2 temos uma aplicação, muito usada, onde a hierarquia de controle utiliza uma pirâmide invertida com prioridade de ação de cima para baixo. A ideia é que, ao mapear um risco, deve-se iniciar a análise de medidas de controle, buscando aplicar a parte superior da pirâmide invertida, eliminando-o. Obtendo sucesso em eliminá-lo, as outras partes se tornam desnecessárias, do contrário, descemos um degrau, analisando a possibilidade de substituir a fonte de exposição. No entanto, caso não seja o suficiente para eliminar ou reduzir o risco ocupacional a níveis aceitáveis, descemos degrau a degrau buscando usar o máximo possível de medidas para controlar os riscos. É 10 importante dizer que podemos aplicar diferentes níveis hierárquicos e de medidas de prevenção concomitantemente, desde que isso não prejudique o trabalhador na execução de suas atividades, ou o coloque em risco adicional, por exemplo pelo desconforto ou perda de mobilidade ao ponto de que se acidente e que haja viabilidade técnica. Figura 2 – Pirâmide de controle Fonte: adaptada de Brasil (2020, p. 6). Agora, para falar das áreas da construção civil, do setor de energia e de máquinas e equipamentos que este tema deseja fazer a gestão de riscos, podemos observar, segundo dados do CAGED (2022) compilados na Figura 3, que a taxa de admissão e desligamento de funcionários (chamada turnover) na construção civil durante os anos de 2009 a 2019 foi de 12%, alcançando o quarto lugar do ranking. E nos três primeiros lugares do ranking temos os serviços, comércio e indústria que utilizam máquinas e energia elétrica para seu funcionamento. 11 Figura 3 – Turnover no Brasil de 2009 a 2019 por área Fonte: adaptada de CAGED (2022). Na Figura 4 encontramos um detalhamento da Figura 3, em que, segundo dados estatísticos do CAGED (2022), dos 25 subsetores existentes, foram selecionados os cinco que possuíam taxas de turnover acima de 6%. Visto que se refere a contratações, podemos perceber que as três áreas de foco deste tema estão entre as principais fontes de PIB do Brasil. Figura 4 – Turnover por grupamento das cinco maiores subclasses de2009 a 2019 Fonte: adaptada de CAGED (2022). 12 Assim, percebe-se que há dois grandes desafios: sendo o primeiro a alta taxa de turnover, onde o trabalhador migra de uma empresa para outra deixando seu histórico de qualificação para trás; e a segunda é a real preparação do trabalhador para executar suas atividades de forma segura. Cabe aqui salientar que a engenharia de segurança do trabalho é uma ciência que utiliza o conhecimento científico e as melhores práticas para fazer com que o trabalhador chegue ao ambiente de trabalho, cumpra a sua jornada e retorne ao seu lar de forma integral, com corpo e mente intactos. Isso é um grande desafio que não é possível fazer sozinho e nem de qualquer jeito. Em resumo, o objetivo da engenharia de segurança do trabalho é evitar a ocorrência de acidente(s), que: [...] é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. (BRASIL, 1991, art.19, [s. p.]) O acidente é algo inesperado, não desejável, que extrapolou as medidas de controle, usadas ou não usadas, e que culminou num dano ao profissional, propriedade da empresa ou meio ambiente (ABNT, 2009). Nesse ponto todos os envolvidos têm grande prejuízo. Para exemplificar, observe o modelo de situação em que determinado trabalhador, ao manusear uma esmerilhadeira que não possuía proteção adequada, fez um corte profundo em uma das mãos, sofrendo um acidente. Nesse caso temos gastos inesperados com reposição de pessoal qualificado/ capacitado, retrabalhos, perda de tempo e material entre o acidente e a reposição, possivelmente equipamentos e maquinários danificados, bem como outros insumos, além de outros custos futuros, como passivos trabalhistas e outros processos. 13 Utilizando como referência a Lei n. 8.213/91 (BRASIL, 1991), o conceito de acidente de trabalho está no art. 19 dessa lei, sendo os artigos 20 e 21 responsáveis por preconizar que, respectivamente, doenças ocupacionais (profissional e do trabalho) são equiparadas a acidente, bem como outras circunstancias ou fatores elencados no art. 21. A doença profissional está ligada especificamente à atividade laboral (por exemplo, um frentista que trabalha com gasolina e adquiriu benzenismo), e a doença do trabalho está ligada ao ambiente de trabalho (por exemplo, um bartender de casa de show que trabalha em ambiente com ruído e adquiriu Perda Auditiva Induzida por Ruído). Em ambos os casos é importante que haja uma análise para validação de nexo causal. Há outros modelos de situação que, embora não estejam diretamente vinculados ao ambiente de trabalho, a atividade laboral ou mesmo tenham causa única, são equiparadas, por lei, a acidentes de trabalho, como o acidente de trajeto. É importante dizer que, mesmo nas situações em que o controle dos riscos é mantido, também pode ocorrer o que chamamos de ambiente insalubre (NR-15) ou funções e condições periculosas (NR-16). Em ambos os casos é necessário um laudo junto de um médico do trabalho ou de um engenheiro de segurança do trabalho (BRASIL, 1943), que irá constatar se o ambiente é insalubre, e se as funções são periculosas, de acordo com as normas regulamentadoras. Se for assim definido, serão necessárias ações adicionais de controle dos riscos, além de adicional no salário dos funcionários. Com o objetivo de melhorar a fiscalização nessas diversas realidades, o Governo já tem trabalhado em uma medida que vincula trabalhadores, empresa e governo de forma integrada. Essa iniciativa se chama e-Social, e está alinhada com as novas tecnologias digitais. A própria NR-01 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), a NR- 07 (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO), e 14 a NR-09 (Avaliação e Controle das Exposições Ocupacionais a Agentes Físicos, Químicos e Biológicos), junto do Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT (NR15 e NR16), são obrigatórios nesse contexto, e baseado neles são gerados outros documentos, como o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP. Apesar de ser possível levantar os perigos dentro de uma empresa e seus respectivos riscos, fazer um planejamento de quais medidas de controle são mais adequadas e criar um plano de ação, ainda não tem sido eficiente a ponto de evitar acidentes. De acordo com o Brasil (2022), 40% dos acidentes estão relacionados à área de construção, a idade de maior ocorrência é de 19 a 24 anos, e 40% dos afastamentos são devido a fraturas ou danos causados por máquinas. Isso demonstra que ainda existe uma lacuna que precisa ser preenchida, uma ação que precisa ser implementada para melhores resultados. Essa ação é justamente a gestão de riscos na construção civil, no setor de energia e de máquinas. E, nesse ponto, você, caro aluno, que está lendo este texto, é convidado a fazer a diferença, e se juntar ao time de novos gestores de risco ocupacionais. 2. Mapeamento dos riscos Os acidentes geralmente ocorrem devido à má condição do ambiente, das máquinas, dos equipamentos (condições inseguras); atitudes conscientes, porém, negligentes, imprudentes, ou imperícias de profissionais (atos inseguros); ou de condições inadequadas que uma pessoa possa estar executando um trabalho, seja devido a uma limitação física, mental, ou até a ingestão de substâncias psicoativas (fator pessoal de insegurança). Por vezes, os acidentes ocorrem pela combinação de maisde um fator. 15 Vamos verificar alguns dados do SmartLab – Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, guiados por outros dados, de acordo com Brasil (2022), entre os anos de 2012 e 2021, e verificar quais são os principais danos causados pela exposição dos trabalhadores aos riscos ocupacionais na construção, setor de energia e máquinas. Na Figura 5 foram levantados os principais danos envolvidos com atividades de construção civil. Podemos verificar que os danos são derivados da exposição aos riscos sem a devida proteção. Esses riscos são: ruído, temperatura, corte, batidas contra superfícies e objetos, manuseio de equipamento, ferramentas, queda, entre outros. Figura 5 – Principais lesões na área de construção Fonte: adaptada de Brasil (2022). Já na Figura 6 foram levantados os principais danos envolvidos com atividades do setor de energia. Os principais riscos são: choque elétrico, arco elétrico, corte com ferramentas e equipamentos, exposição ao calor do arco elétrico, ruído, queda de mesmo nível, queda de nível diferente etc. 16 Figura 6 – Principais lesões do setor de energia Fonte: adaptada de Brasil (2022). Completamos com a Figura 7 focando nos danos envolvidos com manuseio de máquinas. Os principais riscos são: contato com pensamento, esmagamento, e cortes superficiais ou profundos. Não há gestão se nos basearmos somente nos dados de acidentes, pois isso é uma atitude de correção e não de prevenção, e não de controle. A ação deve ocorrer antes de acontecer o acidente, ou seja, uma ação preventiva, aí sim faremos a gestão. Isso se dará principalmente se fizermos o levantamento de campo junto dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), dos supervisores e trabalhadores envolvidos. Após levantado os riscos devemos graduá-los usando a fórmula: Grau de Risco = Probabilidade x Severidade. 17 Figura 7 – Principais lesões devido manuseio de máquinas Fonte: adaptada de Brasil (2022). O resultado dessa metodologia é demonstrado no Quadro 1, onde podemos perceber que a probabilidade tem três níveis: 1- Baixa, 2- Média, 3- Alta; e a severidade: 1-Levemente prejudicial, 2- Prejudicial, 3- Extremamente prejudicial. Essa matriz é 3x3, mas existem matrizes 4x4, 5x5, 3x4 etc. A intersecção da probabilidade de ocorrer um risco, com a severidade que ele terá se ele ocorrer, gera o que chamamos de grau de risco. Se esse grau de risco for 1, significa que a atividade pode ser continuada sem cuidados adicionais. Caso seja 2, existe uma situação diferente, mas está controlado. Nesse caso, é recomendável orientar uma medida de controle. Caso seja 3, a atividade obrigatoriamente precisa de uma intervenção com medidas de controle (HMC) para controlar os riscos na área ou no trabalhador. Caso seja 4 ou 5 as atividades não devem ser iniciadas, antes de aplicação de medidas de controle, e a validação de sua eficácia. É importante que o grau de risco, após intervenção seja abaixado para 1, 2 ou 3 com as ações de controle efetuadas. Quadro 1 – Matriz de grau de risco PROBABILIDADE SEVERIDADE 1- Levemente prejudicial 2- Prejudicial 3- Extremamente prejudicial 18 1- BAIXA GR = 1 = Irrelevante GR = 2 = Tolerável GR = 3 = Moderado 2- MÉDIA GR = 2 = Tolerável GR = 3 = Moderado GR = 4 = Substancial 3- ALTA GR = 3 = Moderado GR = 4 = Substancial GR = 5 = Intolerável Fonte: elaborado pelo autor. Neste tema vimos os conceitos básicos de riscos, perigos, gestão, gestão de risco, sobre as áreas de construção, setor de energia e máquinas. Vimos também a importância da gestão de riscos nessas áreas, os principais riscos dessas três grandes áreas, a equipe que deve fazer o levantamento dos riscos, algumas normas e a matriz de grau de risco. Se você chegou até aqui, parabéns. Finalizamos aqui este tema. Bons estudos. Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 31000: Gestão de riscos – Princípios e diretrizes. Rio de Janeiro: ABNT, 2009. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Brasília, DF: Presidência da República, 1943. BRASIL. Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991. Brasília, DF: Presidência da República, 1991. BRASIL. Normas Regulamentadoras–NR. Ministério do Trabalho e Previdência Social, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/ composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e- saude-no-trabalho/ctpp-nrs/normas-regulamentadoras-nrs. Acesso em: 5 jul. 2022. BRASIL. Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho. SmartLab, 2022. Disponível em: https://smartlabbr.org/sst. Acesso em: 16 jun. 2022. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Referencial Básico de Gestão de Riscos. Brasília: TCU, 2018. CAGED. Acesso Online. MTE/SPPE/DES/CGET. Lei n. 4.923/65. Disponível em: https:// bi.mte.gov.br/bgcaged/login.php /. Acesso em: 16 jun. 2022. 19 MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Editora Melhoramentos, 2007. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/ portugues-brasileiro/gest%C3%A3o/. Acesso em: 16 jun. 2022. 20 Conceitos e aplicações de normas em gestão de riscos Autoria: Daniel Queiroz da Silva Leitura crítica: Thiago Flávio Arjona Moreno Objetivos • Familiarizar quanto a conceitos básicos sobre normas brasileiras e internacionais. • Apresentar conceitos básicos da NBR ISO 45.001 e exemplos de aplicação. • Apresentar conceitos básicos da ABNT NBR ISO 12.100 e exemplos de aplicação. 21 1. Noções básicas de normas brasileiras e internacionais Neste tema iremos conhecer melhor sobre o objetivo das normas, a sua importância no âmbito nacional e internacional, as relações básicas entre elas, as noções e exemplos de aplicação da NBR ISO 45.001 e ABNT NBR ISO 12.100. Antes de falar de NBR/ISO 45.001 ou ABNT NBR/ISO 12.100, precisamos revisar o que significam essas siglas, como elas se relacionam com as normas regulamentadoras – NR, e porque são consideradas normas de gestão. A palavra “norma”, segundo o dicionário Michaelis (2007), é: “Tudo que estabelece e regula procedimentos; padrão, preceito, princípio, rédea, regra”. É uma palavra que tem distinto, profundo e histórico significado em qualquer país. Uma norma em si não é uma lei, mas pode ter autoridade de lei, se outorgado por órgão federal. Outra possibilidade seria uma norma dar suporte, ou ser usada como referência técnica para cumprir uma norma com autoridade de lei, nesse sentido, se tornando obrigatória. Ambas as normas impactam as pessoas e empresas do setor privado e público do país, e norteiam a elaboração de procedimentos operacionais, técnicos e de gestão no âmbito federal, estadual e local. A Figura 1 demonstra de forma resumida a hierarquia das normas no Brasil, sendo as normas lei de caráter obrigatório e mais abrangente, como as normas regulamentadoras; e as normas técnicas, como as normas brasileiras, de caráter de referência ou suporte, e mais especificas. As normas técnicas nacionais, resumidas na Figura 1, têm prioridade sobre as normas técnicas internacionais, as quais só devem ser usadas na ausência ou omissão do tema nas normas técnicas nacionais. 22 Figura 1 – Hierarquia resumida de normas no Brasil Fonte: elaborada pelo autor. No Brasil, as Normas Regulamentadoras – NR são: [...] disposições complementares ao Capítulo V (Da Segurança e da Medicina do Trabalho) do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com redação dada pela Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, consistindo em obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos por empregadores e trabalhadores com o objetivo de garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes de trabalho. (BRASIL, 2020) Portanto, as normas regulamentadoras têm autoridade de lei; com origem no Ministério do Trabalho e Emprego; dizem o que fazer quanto ao que dispõe a própria norma; e podem ser classificadasem gerais, especiais e setoriais, de acordo com art. 119, da Portaria MTP n° 672, de 8 de novembro de 2022 (BRASIL, 2020). É importante dizer que para trabalhadores com registro em carteira, de acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas, as normas regulamentadoras são obrigatórias; mas para trabalhadores em regime estatutário é necessário seguir a Lei nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990, ou regime estatutário próprio, conforme categoria profissional e ente federativo. 23 Voltando para as normas regulamentadoras, para que se possa cumprir algumas delas, por vezes é necessário ter referências técnicas de como fazer, ou, ainda, seja necessário ter padronizações de processos de produtos ou serviços. Nesse ponto, as Normas Brasileiras, chamadas NBR, são as normas de referência. Elas têm origem na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), fundada em 1940, tornando- se uma Organização de Utilidade Pública em 1962 pela Lei 4.150/62; e declarada pela Resolução nº 07, de 24 de agosto de 1992 como único Fórum Nacional de Normalização, responsável pela gestão do Processo Brasileiro de Normalização em 1992. Um exemplo disso seria a NR-10, que trata de segurança em instalações e serviços em eletricidade, e, em seu item 10.1.2, descreve a abrangência de sua aplicação, fazendo claramente a referência ao emprego das normas técnicas: [...] Esta NR se aplica às fases de geração, transmissão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis. (BRASIL, 2020, p. 1) Nesse caso, para ser possível cumprir a NR-10, precisaremos utilizar como referência a ABNT NBR 5.410 – condições de segurança para instalações elétricas em baixa tensão, e a ABNT NBR 5.419 – proteção contra descargas atmosféricas dividida em 4 partes, por exemplo. Mas existe outro ponto importante quando se diz que, na ausência de normas vigentes sobre assunto, no Brasil, pode-se utilizar normas internacionais cabíveis. Para a elaboração de normas, a Associação Brasileira de Notas Técnicas conta com um corpo de profissionais técnicos, engenheiros e interessados de forma voluntária para compor os comitês de assuntos referentes a cada norma. O processo se inicia com o surgimento de uma 24 demanda ou necessidade, e, após seu registro junto ao Comitê Brasileiro de Normalização (CBN), começa o desenvolvimento do projeto, que é composto por várias reuniões, para se discutir e alinhar as melhores práticas profissionais sobre cada tema. Na sequência, o processo é disponibilizado em consulta pública, onde se aprovada é criada uma nova norma ou atualização de uma já existente, e, caso não seja aprovada, ela retorna para a revisão e desenvolvimento, onde o ciclo recomeça até que ocorra a aprovação. Esse processo pode, portanto, demorar. Já vimos que a gestão de normas técnicas brasileiras (NBRs), ou de referências, aqui no Brasil, é de responsabilidade da ABNT, portanto, se for necessária a oficialização de uma norma internacional, esta deve passar pela ela. Nesse ponto, inicia-se o processo de vínculo com as normas internacionais. Desde a fundação, a ABNT é membro da International Electrotechnical Commission (IEC), que tem foco na normatização nas áreas eletrônica e elétrica (eletrotécnica), fundada em 1946 e com sede em Genebra, na Suíça. Ela também é membro fundador (ou membro pleno) da International Organization for Standardization (ISO), que elabora normas em diversas áreas, fundada em 1906 e com sede em Londres, no Reino Unido. Existe uma estreita relação colaborativa da ISO com a IEC quanto a assuntos de normatização eletrotécnica, nesse sentido compondo a sigla ISO/IEC (ISO, 2022). Também existe uma ação colaborativa entre a ABNT, a IEC e a ISO, seja por meio da participação ou votação em comitês criados por tema, de acordo com os assuntos das normas internacionais, por meio de venda ou traduções de normas internacionais dentro do Brasil. Um exemplo seria a tradução e comercialização da NBR ISO 45.001 e a ABNT NBR ISO 12.100. 25 É importante dizer que existe um sistema de acreditação e certificação internacional de empresas que empregam normas ISO, por meio de auditorias vinculadas a certificadores reconhecidos pela International Accreditation Forum (IAF). 2. Noções básicas de NBR ISO 45.001 A norma NBR ISO 45.001 é uma norma focada na adoção de um sistema de gestão de: “saúde e segurança ocupacional”, que a partir de agora iremos abreviar por “SSO”. A NBR ISO 45.001 segue o padrão de construção de outras normas de gestão, como a ISO 9.001 (sistema de gestão da qualidade) e a ISO 14.001 (sistema de gestão ambiental). Além disso, ela tem como diferença principal da OHSAS 18.001 (sistema de gestão da segurança e da saúde do trabalho) uma abordagem mais dinâmica, com levantamento de riscos e oportunidades e a busca constante da redução de riscos, enquanto a OHSAS 18.001 faz uma abordagem mais reativa focando nos riscos e buscando controlá-los. O objetivo do sistema de gestão de SSO da NBR ISO 45.001 é fornecer uma estrutura para gerenciar riscos e oportunidades de SSO, de forma a promover um ambiente de trabalho seguro e saudável, evitando, assim, lesões ou problemas de saúde. Para isso, será necessário o gerenciamento dos riscos ocupacionais. Os resultados esperados do sistema de gestão SSO são: melhorar o desempenho da gestão de SSO; fazer com que a empresa cumpra os requisitos legais (normas regulamentadoras, por exemplo) e outros requisitos (Normas Brasileiras – NBR – necessárias, por exemplo); e que a empresa atinja seus objetos planejados no SSO. A Figura 2 demonstra de forma simplificada os principais pontos da NBR ISO 45.001. Para que haja o sucesso dessa gestão de SSO, 26 será necessário o melhor alinhamento possível de três pontos: comprometimento da liderança; colaboração dos trabalhadores; e a adaptação da realidade da empresa ao sistema de gestão de SSO. Nesse ponto, a liderança tem a responsabilidade de participar dos processos e fornecer os recursos e infraestrutura necessários para execução da gestão; os trabalhadores participam compartilhando experiências, opiniões e fazendo parte das soluções; e no que diz respeito à parte referente à adaptação da realidade da empresa, inclui-se: integração do sistema de gestão de SSO com os processos da empresa, alinhamento dos objetivos da gestão com as políticas da empresa, compliance de requisitos legais da empresa, contextualização da organização, e alinhamento das necessidades e expectativas da liderança e dos trabalhadores e envolvidos. Figura 2 – Macrovisão da norma Fonte: adaptada de ABNT (2018a). Ciclo PDCA 27 Conforme a Figura 3, para realizar essa gestão com foco em melhoria contínua a norma utiliza uma ferramenta de gestão chamada PDCA (Plan, Do, Check, Act), podendo ser traduzido para o português como: planejar, fazer, avaliar e melhorar. Figura 3 – Ciclo PDCA da NBR ISO 45.001 Fonte: adaptada de ABNT (2018a). De acordo com ABNT (2018a) no “planejamento” é importante considerar o contexto da organização em questões internas (relacionado a pessoas e processos), externas (relacionadas a questões fora da organização), necessidades e expectativas de liderança e trabalhadores, requisitos legais, levantamento de riscos e oportunidades de modo a criar um planejamento que tenha assertividade e eficácia. No “fazer” existem dois tópicos: confiabilidade da informação e controle de processo. Quanto à informação, ela deve ser documentada, retida e compartilhada com controle de acesso e confiabilidade. Para isso, é necessário proteger os dados para que sejam acessados dentro ou fora 28 da organização. Quanto ao processo para melhorar as condições de trabalho e eliminar os perigosou reduzir os riscos, é necessário fazer o levantamento das emergências e a gestão da mão de obra, dos insumos, da mudança, dos equipamentos, da instalação, dos materiais. No “avaliar” cria-se indicadores ou análises dos dados gerados para saber o quanto foi alcançado do planejamento. E no “melhorar” as não conformidades, os incidentes, ou o que não foi alcançado, gera novas ações, conforme vemos no Quadro 1. Quadro 1 – Detalhamento do PDCA do sistema de gestão SSO Ciclo PDCA Objetivo Necessário Produto Planejar Alcançar melhoria contínua Prevenir/reduzir efeitos indesejáveis. Levantamento de riscos e oportuni- dades. Requisitos legais e outros. Levantamento de situações de emer- gência. Expectativas e necessidades dos envolvidos. Plano de ação Planejamento de como alcançar os objeti- vos de SSO Critérios de desempenho Fazer Capacitar, conscientizar, documentar, eliminar perigos, reduzir riscos, melhorar saúde e segurança ocupacional Plano de ação com atribuições de responsabilidades e competências necessárias. Planejamento de como alcançar os objetivos de SSO. Critérios de desempenho. Processo para reter e dar confiabilidade à informação (considerar a Lei 13.709/2018 de Proteção de Dados Pessoais, e ISO 27001 – Segurança da informação). Processo para controle de aquisição de produtos e serviços. Aplicação das medidas de controle. Avaliar Monitorar, medir, analisar indicadores. Estabelecer método, fre- quência dos dados. Análise qualitativa e quan- titativa. Dados de: requisitos legais cumpri- dos, progresso dos objetivos de SSO, eficácia das medidas de controle, con- formidade da empresa com o progra- ma de SSO, atividades relacionadas a perigo, risco e oportunidade. Avaliação de desempenho. Avaliação de conformidade. Relatório de auditoria. Relatório da análise crítica pela direção. Relatório de incidentes e não conformi- dades. Melhorar Reagir em tempo hábil, de modo a não causar impac- to no sistema de gestão SSO. Resultado da avaliação de desem- penho, avaliação de conformidade, análise crítica da direção, relatório de incidentes, relatório de não conformi- dades. Ações corretivas. Melhoria contínua. Mudanças revolucionárias. Inovação. Reorganização. Fonte: adaptado de ABNT (2018a). 29 3. Noções básicas de ABNT NBR ISO12.100 Quando falamos de máquinas aqui no Brasil podemos citar a NR-12 – Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos (BRASIL, 2020, p. 4) em seu item “12.1.9 Na aplicação desta NR e de seus anexos, devem- se considerar as características das máquinas e equipamentos, do processo, a apreciação de riscos e o estado da técnica”. Quando falamos de apreciação (análise e avaliação) de riscos, que é um item obrigatório para cumprir a NR-12, precisamos recorrer às normas de suporte ou referência ABNT NBR ISO 12.100 e ABNT ISO/TR14.121, ambas tratando de apreciação de riscos em máquinas, sendo que a primeira aborda princípios gerais de projeto, e a segunda a segurança de máquinas. Portanto, a ABNT NBR ISO 12.001 tem o objetivo de eliminar o máximo possível os perigos e reduzir o nível dos riscos em projetos de máquinas por meio de medidas de proteção. Para isso, ela utiliza uma metodologia para identificação de perigos e estimativa de riscos em projetos de máquinas. Ela pode ser usada por projetistas, fabricantes e pessoas que precisem interpretar as exigências de segurança necessárias para o uso da(s) máquina(s) nos países do Mercosul. É importante dizer que riscos provenientes de animais domésticos (pets), bens ou meio ambiente não são considerados na norma (ABNT, 2014, p. 1). A Figura 4 demonstra o processo de apreciação e redução de riscos segundo a ABNT NBR ISO 12.100 (2014), que para ser continuado precisa que o passo anterior tenha sido cumprido. 30 Figura 4 – Apreciação e redução de riscos segundo ABNT NBR ISO 12.100 Fonte: adaptada de ABNT (2014, p. 11). O passo 1 deve considerar: limites de uso, limites de espaço, limite de tempo e outros limites, como nível de limpeza exigido, condições máximas e mínimas de funcionamento no ambiente. Segundo o Quadro 2, o passo 2 deve considerar: os estados da máquina, e a interação humana direta e indireta com a máquina, inclusive situações de mau uso, para identificar sistematicamente os perigos que possam ocorrer no transporte, na montagem, na instalação, no comissionamento, no ajuste, na desmontagem, na desativação e no descarte. Quadro 2 – Exemplo de formulário identificação perigo Fonte Analista Versão atual Data Máquina Método/Ferramenta ID Zona de perigo Atividade NBR 12100 B3 Perigo NBR 12100 B1 Situação perigosa NBR 12100 B3 Evento perigoso NBR 12100 B4 Referên- cia 1 Fonte: adaptado de ABNT (2018b, p. 41). 31 O Quadro 3 refere-se ao passo 3, onde podemos ver um modelo derivado da norma, que faz a estimativa dos riscos considerando os riscos derivados dos perigos levantados, a gravidade no caso de dano e a probabilidade de ocorrência. Após concluído é necessário avaliar se há a necessidade de medidas de proteção, e quais são elas. Quadro 3 – Exemplo de formulário de estimativa de risco Atividade Condições perigosas Estimativa de risco ID Atividade Perigo Situação perigosa Evento perigoso Poss ibilidade de dano Gravi- dade Fre quência. Probabi- lidade de ocorrer Possibili- dade de evitar Índice de risco 1 Fonte: adaptado de ABNT (2018b, p. 41). No passo 4 está o ponto mais importante para redução de riscos, pois serão projetadas medidas inerentes da máquina, onde o projetista ou fabricante deve considerar todos os fatores possíveis, inclusive de proteção contra mau uso. No passo 5 caso as medidas inerentes do projeto não consigam controlar os riscos pode-se usar medidas de proteção adicionais, alinhadas às boas práticas e às normas vigentes. A gestão de riscos de segurança e saúde, e de projeto de máquinas complementam-se, pois o ser humano muitas vezes interage com máquinas em sua vida laboral. O assunto é vasto, pois deve ser adaptado à realidade de cada empresa, no entanto, aqui foram abordados os conceitos iniciais para uma boa gestão. Se você chegou até aqui, parabéns. Finalizamos este tema. Bons estudos. 32 Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Como elaborar normas. Rio de Janeiro: ABNT, 2022. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 45001: Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional – Requisitos com orientações de uso. Rio de Janeiro: ABNT, 2018a. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 12100: Segurança de máquinas – Princípios gerais de projeto – Apreciação e redução de riscos. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14121: Segurança de máquinas – Princípios gerais de projeto – Apreciação e redução de riscos. Rio de Janeiro: ABNT, 2018b. BRASIL. Normas Regulamentadoras–NR. Ministério do Trabalho e Previdência Social, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/ composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e- saude-no-trabalho/ctpp-nrs/normas-regulamentadoras-nrs. Acesso em: 21 jun. 2022. NORMA. In: MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Editora Melhoramentos, 2007. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno- portugues/busca/portugues-brasileiro/gest%C3%A3o/. Acesso em: 16 jun. 2022. ISO. International Organization for Standardization. Disponível em: https://www.iso. org/home.html. Acesso em: 21 jun. 2022. 33 Identificação de riscos no GTD. Metodologia ERA Autoria: Daniel Queiroz da Silva Leitura crítica: Thiago Flávio Arjona Moreno Objetivos • Familiarizar alunos quanto a conceitos básicos sobre o sistema elétrico brasileiro. • Elucidar sobre os principais riscos presentes nas atividades que envolvem energia elétrica. • Abordar de forma básica uma técnica de graduação de riscos. 34 1. Sistema elétrico brasileiro Neste Tema iremos conhecermelhor sobre o sistema elétrico brasileiro, algumas normas obrigatórias e de referência relacionadas, alguns riscos nas atividades envolvidas com energia elétrica e noções básicas de uma ferramenta de avaliação de riscos. Para iniciar o estudo sobre identificação e avaliação de riscos elétricos nas atividades que envolvem Geração, Transmissão, Distribuição e Consumo (GTDC) de energia elétrica precisamos conhecer como funciona o caminho da energia elétrica, e como é a estrutura do sistema elétrico brasileiro. Podemos imaginar a energia elétrica como um produto para um cliente, onde ele será produzido, enviado até o correio, entregue pelo correio ao cliente, e, após entregue ao cliente, será consumido. Cada uma dessas partes se refere respectivamente ao que chamamos de: Geração, Transmissão, Distribuição e Consumo de energia elétrica, ou GTDC. Apesar de chamarmos geração de energia, segundo a Primeira Lei da Termodinâmica (princípio da conservação de energia), a energia não pode ser criada e nem destruída, e sim transformada. Dessa forma, os vários processos citados como geração são as formas como alguma energia é transformada em corrente elétrica usando fontes renováveis ou não. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS, 2022e), a geração de energia elétrica no Brasil é um sistema predominantemente termo-hidro-eólico, sendo composto por 60% de hidroelétricas, 21% de termoelétricas, 12% de eólicas. O sistema de geração de energia conta também com as gerações por biomassa e solar, que tem ganhado notoriedade. A transmissão utiliza o conceito de potência, o qual é igual à tensão multiplicada por corrente (P=V.I), e, para manter a potência, podemos 35 elevar o valor da tensão (uso de subestações elevadoras de tensão) e diminuir o valor da corrente, mantendo, dessa forma, a mesma potência, mas com menor perda. A perda nesse caso seria associada com a primeira e segunda lei de Ohm, em que o consumo pelos cabos está diretamente relacionado ao comprimento deles. Por isso vemos redes de transmissão com valores de 230 kV a 750 kV. Quando a energia elétrica é entregue a um distribuidor local, que também chamamos de concessionária, esse faz o processo inverso da transmissão (uso de subestações abaixadoras de tensão) para abaixar o valor de tensão e elevar a corrente, visto que o consumo se dá pelo valor da corrente consumida por tempo (kWh). Esse distribuidor local entrega a energia até o cliente, por meio de distribuição, chamada secundária, composta por postes, transformador, medidor de energia, sistema de aterramento, disjuntor e para-raios. Quanto ao consumidor final, ele pode ser: rural, residencial, empresarial e indústrias. Cada um com suas particularidades. A Figura 1 mostra um resumo do caminho da energia elétrica. Figura 1 – Caminho da energia elétrica Fonte: adaptada de Shutterstock.com. 36 No Brasil o caminho da energia elétrica funciona por meio de um sistema chamado Sistema Interligado Nacional (SIN), que, segundo a ONS (2022b), é um sistema colaborativo com interação entre os agentes, e principais instituições do setor elétrico de geração transmissão e distribuição. A Figura 2 mostra a relação básica dessas instituições. Figura 2 – Instituições ligadas ao sistema elétrico brasileiro Fonte: adaptada de CCEE (2022). O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é o órgão ligado diretamente ao presidente da república com foco em auxiliá-lo em formulação de diretrizes e políticas. O Ministério de Minas e Energia (MME) supervisiona a execução dessas diretrizes. O Comitê de Monitoramento de Setor Elétrico (CMSE) garante a segurança do suprimento, enquanto a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realiza pesquisas de viabilidade. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é responsável pela regulação e fiscalização no setor elétrico; o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) coordena o sistema integrado nacional, e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) realiza a compra e venda de energia. No Quadro 1 podemos ver um resumo do SIN, onde 99% da energia no país faz parte dessa malha, tendo quatro grandes subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Quanto ao 1% faltante, são chamados de sistemas isolados, compostos predominantemente de 37 termoelétricas de óleo diesel, e em sua maior parte encontrados na região norte (ONS, 2022d). Quadro 1 – Energia no Brasil Sistema elétrico brasileiro Nome Sistema Interligado Nacional Sistemas isolados Porcentagem 99% 1% Geração Termo-hidro-eólicas Termoelétricas Área do país Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nor- deste, Norte Norte Fonte: adaptado de ONS (2022d). 2. Identificação de riscos elétricos A identificação de riscos elétricos é um produto do levantamento de perigos e riscos feito por profissional legalmente habilitado o qual atende as empresas que custeiam esses estudos e levantamento de riscos, existindo várias formas de fazê-lo. Aqui iremos sugerir um método que desenvolvemos e utilizamos, baseado em três passos, com o objetivo de abranger o máximo de informações e ser mais assertivo no levantamento de riscos, de acordo com o Quadro 2. Quadro 2 – Fases do levantamento de riscos Passo Objetivo Produto 1 Levantar normas relacionadas ao GTDC. Checklist básico. 2 Visitar ambientes de trabalhos para análise de perigos e riscos com checklist. Relatório de risco. 3 Estruturar dados do relatório. Identificação dos riscos. Fonte: elaborado pelo autor. O Quadro 3 demonstra uma sugestão de levantamento de normas para seguir o passo 1, dessa forma englobando a geração, transmissão, distribuição e consumo. 38 Quadro 3 – Normas no sistema elétrico brasileiro Normas GERAÇÃO TRANSMISSÃO DISTRIBUIÇÃO CONSUMO Segurança NR10 e NR12 Resolução e gestão RN1000/2021 RN482/2019 RN905/2020 Normas concessio- nárias ISO 50.001 Referências nacionais NBR16690 NBR5159, 5422, 7276 NBR 60670, 60439, 14039 NBR5410, 5418, 5419, 14039, 13570 Referências internacionais NFPA70E, Normas ASTM, Normas ANSI Fonte: elaborado pelo autor. As normas regulamentadoras (NRs) relativas à segurança do trabalho, que têm peso de lei no Brasil, e permeiam todo o caminho da eletricidade, segundo o Ministério do Trabalho e Previdência, são a NR- 10, item 1.2 nas fases de geração, transmissão, distribuição e consumo, quanto a segurança em serviços e instalações elétricas; e a NR-12, que trata sobre segurança com máquinas e ferramentas com alimentação elétrica (BRASIL, 2020). As fases de GTDC possuem resoluções normativas específicas, também podendo ter normas por localidade; e a fase de consumo possui uma norma de gestão relacionada à eficiência energética. Existem também as normas de referência nacional e internacional, que fornecem suporte para as anteriores. Como referência de normas nacionais temos: ABNT NBR 5410 – Instalações Elétricas em Baixa tensão; ABNT NBR 14039 – Instalações Elétricas de Média Tensão de 1,0 kV a 36,2 kV; ABNT NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas; ABNT NBR ISO/CIE 8995 – Iluminação de ambientes de trabalho; ABNT NBR 13570 – Instalações elétricas em locais de afluência de público, entre outras. Para montar o checklist, peguemos como exemplo o item 2.1 da NR-10, segundo Brasil (2020), no qual encontramos referência a riscos elétricos (choque elétrico e arco elétrico) e a riscos adicionais (altura, ambiente confinado, áreas classificadas, atmosferas explosivas, campos elétricos e magnéticos, incêndio, umidade, poeira, fauna e flora). Com base nesses 39 riscos podemos fazer uma verificação básica dos processos, funções e atividades existentes na empresa de análise, para perguntar como esses riscos podem ocorrer no campo. Por exemplo, o choque elétrico pode ocorrer por causa de um equipamento ou máquina em más condições, falta de isolamento no cabo de alimentação, falta de aterramento, umidade, exposição a partes energizadas, acesso à sala de máquinas, manutenção por pessoasnão treinadas, manutenção com circuitos energizados etc. Um levantamento semelhante a esse deve ser feito com os riscos das outras normas levantadas, que permitirão criar uma checklist adaptada à realidade da empresa. O passo 2 refere-se a uma ou mais visitas em campo com a checklist criada, para, dessa forma, verificar a realidade de cada local. Podem ser constatados novos perigos e riscos não listados até o momento, que devem ser acrescentados. Conforme Figura 3, existem várias funções dentro da área elétrica, dependendo do setor GTDC. Por isso é importante conversar com os trabalhadores de cada atividade também, de modo a ter uma visão mais real do processo. O produto dessas visitas na empresa gerará o relatório de riscos. Figura 3 – Atividades do setor elétrico Fonte: Shutterstock.com. 40 No passo 3 serão feitas uma reavaliação e uma estruturação dos dados levantados, de forma a criar a efetiva identificação dos riscos. Após documento feito, recomendamos uma reavaliação junto com os pares, em seus vários níveis com período estipulado, de modo a efetuar uma revisão mais refinada. 3. Avaliação de riscos elétricos A identificação dos riscos é muito usada em máquinas, com a metodologia Hazard Rating Number (HRN); em atividades profissionais com a Análise Preliminar de Risco (APR); ou em áreas profissionais com a matriz de riscos do Programa de Gestão de Riscos (PGR). Mas para a área de eletricidade ainda faltavam parâmetros mais específicos para gradação de risco de forma a determinar uma prioridade de ação. É inegável a forte dependência que temos da energia elétrica, e por isso é importante ter ferramentas para analisar os riscos de forma mais assertiva e menos ambígua possível. Para isso, é necessário utilizar uma metodologia mais objetiva, que possa fazer a congruência de grande quantidade de dados, de preferência com utilização de matriz de risco, e metodologias científicas conhecidas e aplicáveis. A metodologia Electricity with Risk Assessment (E.R.A.), ou traduzido para o português, Eletricidade com Avaliação de Riscos, é uma metodologia mais voltada para a área de eletricidade, que utiliza os dados levantados na identificação de riscos, mas que precisa de mais informações específicas do método, que devem ser coletadas durante o levantamento de campo, para o devido preenchimento da base dessa metodologia. O objetivo e etapa 4 é encontrar a classificação do Coeficiente do Resultado (CR), derivado da avaliação de risco, mas antes precisamos 41 passar por três etapas: sendo que na primeira precisamos encontrar o Índice Resultante (IR) das consequências dos riscos levantados; na segunda valores de Probabilidade de Ocorrência de acidente (PO), Frequência de Exposição (FE) e Número de Pessoas envolvidas (NP); e na terceira o Índice do Fator de Correção (IFC). Todos os parâmetros são multiplicados e devem ser classificados e ranqueados conforme resultados a serem preenchidos pela coleta de dados em campo. A metodologia aqui discriminada foi adaptada de Santos Júnior et al. (2021): Etapa 1 – De acordo com o Quadro 4, na hipótese de ocorrer um acidente ou evento indesejado, cada risco levantado em campo precisa ser graduado de 1 a 5 quanto à gravidade das consequências, dentro das cinco opções descritas: morte, queimaduras por choque, fraturas por queda, cortes/contusões e incêndios, gerando o Valor Resultante (VR) = Im * Iq * If * Ic * Ii. Quadro 4 – Consequências esperadas Risco levantados Consequência *I=índice Graduação da consequência Valor Resultante (VR) Cada item le- vantado deve ter essa estrutura, por exemplo: choque elétrico Morte (Im) 1 2 3 4 5 Im*Iq*If*Ic*Ii Queimadura (Iq) 1 2 3 4 5 Fratura (If) 1 2 3 4 5 Cortes/contusão (Ic) 1 2 3 4 5 Incêndios (Ii) 1 2 3 4 5 Fonte: adaptado de Santos Júnior et al. (2021). Cada risco deverá ter graduado suas consequências em: 1- insignificante (≤1%), 2- baixo (entre 1,1% e 10%), 3- médio (entre 11% e 50%), 4- alto (entre 51% e 80%) e 5- muito alto (entre 81% e 90%). Aí, então, se achará o Valor Resultante (VR), multiplicando o valor numérico de cada uma das graduações de consequências. Por exemplo, risco de choque elétrico: morte = 1, queimadura = 3, fratura = 2, cortes/contusão = 1, incêndios = 1. Então, teremos VR = 1*3*2*1*1=6. Se o valor resultante for menor que 31 o Índice Resultante (IR) será 2; se tiver entre 32 e 242 o IR=5; se 42 tiver entre 243 e 1023 o IR=10; e se tiver entre 1024 e 3125, o IR=15. No caso do exemplo o IR=2. Etapa 2 – Aqui precisamos graduar os valores de PO, FE e NP, conforme o Quadro 5. Quadro 5 – Parâmetros de PO, FE e NP Índice Probabilidade de Ocorrência (PO) Frequência de Exposição (FE) Número de Pessoas En- volvidas (NP) 1 Não esperado Anualmente - 2 Possível - 1 4 Esperado Mensalmente 2 6 - Semanalmente 3 8 Certo Diariamente 4 10 - - >4 Fonte: adaptado de Santos Júnior et al. (2021). Etapa 3 – Aqui devemos encontrar o IFC = Fi * Fq * Fd, conforme o Quadro 6. Quadro 6 – Parâmetros Fi, Fq e Fd do IFC Índice Fator de Intervenção (Fi) Fator de Qualificação (Fq) Fator de Documentação (Fd) 0,1 Desenergizado Somente profissionais treinados Possui 1 Energizado para medição Profissionais treinados e não trei- nados - 2 Energizado Qualquer pessoa - 5 - - Não possui Fonte: adaptado de Santos Júnior et al. (2021). Para exemplificar, podemos admitir que uma manutenção é realizada em circuitos energizados (Fi=2), somente pessoas treinadas e qualificadas mexem nos circuitos (Fq=0.1), e que existem procedimentos (Fd=0.1). Dessa forma, o IFC=2*0.1*0.1=0.02. Etapa 4–Podemos agora encontrar o Coeficiente do Resultado resultante da análise de risco CR = IR*PO*FE*NP*IFC, e classificá-lo. 43 Cada um desses itens deve ser quantificado ou calculado anteriormente, então, podemos multiplicar todos os valores e compará-los com o Quadro 7 para encontrar nosso objetivo final, que é a classificação do CR e as ações recomendadas. Quadro 7 – Classificação da avaliação de risco e ações CR Classificação do CR Ações Imediatamente Curto prazo Médio prazo ≤ 5 Insignificante Não requer Não requer Monitoramento 6 ≤ 50 Baixo Não requer Medidas administrativas Medidas corretivas 51 ≤ 150 Alto Não requer Medidas administrativas e corretivas Monitoramento 151 ≤ 800 Extremo Interdição, medidas ad- ministrativas e corretivas Monitoramento Monitoramento Fonte: adaptado de Santos Júnior et al. (2021). Usando os dados anteriores, temos que: IR=2, IFC=0,02 e podemos admitir PO=2, FE=6, NP4. Portanto, CR=1,92 Insignificante, necessitando apenas de monitoramento. É importante dizer que essa metodologia deve ser feita para cada risco levantado, dessa forma fazendo com que o mapeamento de segurança na instalação elétrica seja mais próximo do real. Não é um processo infalível, mas associa os dados de forma a extrair o melhor, ou os pontos de melhoria das instalações. Se você chegou até aqui, parabéns. Finalizamos este tema. Bons estudos. Referências BRASIL. Normas Regulamentadoras–NR. Ministério do Trabalho e Previdência Social, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/ composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e- saude-no-trabalho/ctpp-nrs/normas-regulamentadoras-nrs. Acesso em: 21 jul. 2022. 44 CCEE. Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Governança. CCEE, [s.d.]. Disponível em: https://www.ccee.org.br/governanca. Acesso em: 25 jun. 2022. ONS. Operador Nacional do Sistema Elétrico. Evolução da capacidade instalada no SIN – jul. 2022/dez. 2026. ONS, 2022a. Disponível em: http://www.ons.org.br/ paginas/sobre-o-sin/o-sistema-em-numeros. Acesso em: 21 jul. 2022. ONS. Operador Nacional do Sistema Elétrico. Integração de instalação de transmissão. ONS, 2022b. Disponível em: http://www.ons.org.br/paginas/sobre-o- sin/integracao-de-novas-instalacoes/transmissao. Acesso em: 21 jul. 22 ONS. Operador Nacional do Sistema Elétrico. Mapa Indicativo da Capacidade Remanescentedo SIN. ONS, 2022c. Disponível em: www.ons.org.br. Acesso em: 25 jun. 2022. ONS. Operador Nacional do Sistema Elétrico. O sistema interligado nacional. ONS, 2022d. Disponível em: http://www.ons.org.br/paginas/sobre-o-sin/o-que-e-o-sin. Acesso em: 21 jul. 2022 ONS. Operador Nacional do Sistema Elétrico. Sistemas isolados. ONS, 2022e. Disponível em: http://www.ons.org.br/paginas/sobre-o-sin/sistemas-isolados. Acesso em: 21 jul. 2022. SANTOS JÚNIOR, J. R. dos et al. Method era–electricity with risk assessment– risk assessment proposal for interventions in electrical installations Era do método-eletricidade com avaliação de risco-proposta de avaliação de risco para intervenções em instalações elétricas. Brazilian Journal of Development, [s.l.], v. 7, n. 6, p. 55430-55443, 2021. 45 Apreciação de risco em máquinas e equipamentos Autoria: Daniel Queiroz da Silva Leitura crítica: Thiago Flávio Arjona Moreno Objetivos • Apresentar o método Hazard Rating Number (HRN) para avaliação de riscos. • Abordar o método HRN em máquinas e equipamentos instalados na indústria. • Abordar o método HRN em máquinas e equipamentos instalados em canteiro de obras. 46 1. Método Hazard Rating Number (HRN) Neste tema iremos conhecer o método HRN para efetuar a avaliação de riscos em máquinas e equipamentos, e aplicá-lo na avaliação de máquinas e equipamentos na indústria e no canteiro de obras. A NR-12 em seu item 1.1: [...] define referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção para resguardar a saúde e a integridade física dos trabalhadores e estabelece requisitos mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização de máquinas e equipamentos [...]. (BRASIL, 2019, p. 2) A Figura 1 elucida, de acordo com a NR-12, as duas fases de aplicação da norma: projeto e utilização da máquina (também chamada de ciclo de vida da máquina). Na fase de projeto, as medidas de segurança inerentes consideram a análise de riscos, os limites entendidos da máquina e as normas vigentes relacionadas ao desenvolvimento do projeto. Mas devido à grande variedade de ambientes e condições de trabalho, por vezes, quando as máquinas são instaladas, operadas, arrumadas, ajustadas, reguladas no dia a dia laboral, elas podem gerar situações de risco, que, por sua vez, podem gerar acidentes. Por isso, durante o ciclo de vida da máquina, além das medidas de segurança inerentes de projeto, pode ser necessário implementar proteções complementares para controle desses riscos. 47 Figura 1 – Fases de aplicação da NR-12 e HRN Fonte: elaborada pelo autor. Por exemplo, uma máquina projetada na Austrália, que segue somente as normas internacionais, se for adquirida e usada por uma empresa no Brasil, precisará estar alinhada aos requisitos da NR-12, antes de sua operação. Percebe-se isso na própria NR-12 item 1.9, que diz que: “Na aplicação desta NR e de seus anexos, devem-se considerar as características das máquinas e equipamentos, do processo, a apreciação de riscos e o estado da técnica” (BRASIL, 2019, p. 4). Para se cumprir a NR-12, ainda pode ser necessário incluir outras NRs: 6, 10, 11, 13, 14, 17, 18, 20, 22, 26, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37; outras NBR: 14152, 13759, 272, 1415313758; e até outras NBR ISO: 31010, 13852, 13853, 12100, 13849. Segundo Lei nº 9279/96, no art.11, parágrafo 1º, o estado da técnica é: [...] constituído por tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no exterior, ressalvado o disposto nos arts. 12, 16 e 17. (BRASIL, 1996, [s. p.]) Portanto, a apreciação de riscos deve ser feita em equipe, ser consensual, considerar as características: das máquinas, do ambiente Projeto Normas tipo: A, B1, B2, C Normas tipo: B1, B2, C Ciclo de vida 48 onde será instalada, das pessoas envolvidas, e as melhores técnicas disponíveis. A ABNT NBR ISO 12100 (ABNT, 2013), em sua figura 1, demonstra que a apreciação de riscos é composta do levantamento de perigos e riscos, avaliação de riscos e documentação, podendo o método HRN ser utilizado na fase de avaliação de riscos, para quantificar os riscos levantados e priorizar as medidas de controle necessárias dentro do plano de ação. O método Hazard Rating Number (HRN) (número de classificação de perigo, em sua tradução literal) teve seu início em 1990 no Reino Unido (STEEL, 1990), e até hoje tem os parâmetros básicos para atender a ABNT NBR ISO 12100, somente devendo acrescentar a área da prevenção, junto da probabilidade de ocorrência, segundo Coulson (2015). A fórmula do HRN é: HNR = PO * FE * GMP * NP Sendo PO = Probabilidade de Ocorrência, FE = Frequência de Exposição, GMP = Grau Máximo de Perda, NP = Número de Pessoas sob risco. A classificação dos parâmetros está descrita no Quadro 1. Quadro1 – Parâmetros do HRN Probabilidade de exposição Frequência de exposição 0,1 Impossível 0,1 Raramente 1 Improvável 0,2 Anualmente 2 Possível 1 Mensalmente 5 Alguma chance 1,5 Semanalmente 8 Provável 2,5 Diariamente 10 Muito provável 4 Por Hora 15 Certeza 5 Constante Grau Máximo de Perda Número de pessoas 0,1 Arranhão/Contusão leve 1 1 a 2 0,5 Dilaceração/Doenças moderadas 2 3 a 7 1 Fratura/Enfermidade leve (temporária) 4 8 a 15 2 Fratura/Enfermidade grave (permanente) 8 16 a 50 4 Perda de 1 membro/olho ou doença séria (temporária) 12 > 50 49 8 Perda de 2 membros/olhos ou doença séria (permanente) 15 Morte Risco Aceitá- vel Muito baixo Baixo Significante Alto Muito alto Extremo Intolerável HRN 0 a 1 2 a 5 6 a 10 11 a 50 51 a 100 101 a 500 501 a 1000 >1000 Fonte: adaptado de Coulson (2015). Quanto maior for o valor do HRN, maior sua prioridade nas ações relacionadas à gestão de segurança das máquinas, conforme Quadro 2. Quadro 2 – Parâmetros do HRN HRN Risco Tempo de ação 0,1 a 1 Aceitável Aceitar risco/Considerar ação 2 a 5 Muito baixo 1 ano 6 a 10 Baixo 3 meses 11 a 50 Significante 1 mês 51 a 100 Alto 1 semana 101 a 500 Muito alto 1 dia 501 a 1000 Extremo Imediatamente >1000 Intolerável Paralisar atividade Fonte: adaptado de Coulson (2015). A ABNT NBR ISO 12100 em seu anexo B2 separa os perigos em grupos por origem: mecânicos, elétricos, térmicos, sonoros, vibração, ergonômicos, químicos, radioativo, ambiente de instalação, ou combinação destes. Enquanto a NR-12 separa por partes relacionadas: arranjo físico, instalação elétrica, dispositivos de parada, acionamento e parada, sistemas de segurança, parada de emergência, componentes pressurizados, transporte de materiais, ergonomia, riscos adicionais, manutenção, sinalização, manuais, procedimentos de trabalho, projeto, capacitação. Usaremos a NR-12 como referência para levantamento de perigos e riscos, e podemos implementar ou detalhar seus itens utilizando outras normas. Após isso avançamos para a avaliação de riscos, conforme Quadro 3, com os riscos levantados. 50 Quadro 3 – Exemplo de aplicação de HRN ID NR-12 ABNT NBR ISO 12100 Risco PO FE NP GMP HRN Avaliação do risco Fonte: adaptado de Brasil (2019) e ABNT (2013). Após a implementação é possível fazer uma nova avaliação de HRN, para verificar quão eficaz foi a implementação de segurança da máquina ou equipamento. 2. Método HRN na indústria No ambiente laboral da indústria, a NR-12 se aplica a máquinas autopropelidas (empilhadeira, plataforma elevatória móvel), prensas, laminadores, injetoras, extrusoras etc. Excluindo sua aplicação, segundo Brasil (2019, p. 3), temos: equipamentos estáticos (tanques, vasos de pressão, tubulações, esferas de armazenamento, silos de armazenamento), máquinas certificadas pelo INMETRO, se respeitados os critérios de segurança previstos na NR-12. Usuremos como exemplo uma máquina de guilhotina mecânica com capacidade de corte de 3175mm, dimensão da mesa 4600mm, motor trifásico 220/380V, classe de isolação B, 1.130 RPM, 0,5CV, conforme Figura 2.O prontuário foi montado de acordo com manual do fabricante, e, após levantamento de perigos e riscos, foi constatado risco de projeção de material no rosto, pois parte superior estava aberta e acessível; amputação de mãos, devido à parte móvel de corte acessível; e acidente a terceiros, devido à falta de demarcação da máquina. 51 Figura 2 – Guilhotina mecânica Fonte: shutterstock.com. Com esses dados foi feita a avaliação de risco segundo o Quadro 4. Quadro 4 – Exemplo de aplicação de HRN ID NR-12 ABNT NBR ISO 12100 Risco PO FE NP GMP HRN Avaliação do risco 1 Sistema de segurança Mecânico Projeção de material no rosto 15 5 1 8 600 Extremo 2 Procedimento de trabalho Mecânico Amputação das mãos 10 5 1 8 400 Muito alto 3 Arranjo físico Ambiente de instalação Acidente por falta de de- marcação 8 4 2 1 64 Alto Fonte: adaptado de Brasil (2019) e ABNT (2013). Após o levantamento do HRN foi criado um plano de ação conforme Quadro 5. Quadro 5 – Parâmetros do HRN Risco Risco Ações Prazo Projeção rosto Extremo Enclausuramento Imediatamente Amputação das mãos Muito alto Comando bimanual, proteção Até 1 dia Acidente por falta de demarcação Alto Isolação e demarcação do solo Até 1 semana Fonte: adaptado de Coulson (2015). 52 As alterações sugeridas foram efetuadas segundo Figura 3. Figura 3 – Guilhotina ajustada Fonte: shutterstock.com. E, por fim, foi feita uma nova avaliação do risco para verificar eficiência, conforme Quadro 6. Quadro 6 – Exemplo de aplicação de HRN ID NR-12 ABNT NBR ISO 12100 Risco remanes- cente PO FE NP GMP HRN Avaliação do risco 1 Sistema de segurança Mecânico Enclausuramento 0,1 5 1 0,1 0,05 Aceitável 2 Procedimento de trabalho Mecânico Comando bima- nual, proteção 0,1 5 1 0,1 0,05 Aceitável 3 Arranjo físico Ambiente de instalação Isolação e demar- cação do solo 1 4 2 0,1 0,8 Aceitável Fonte: adaptado de Brasil (2019) e ABNT (2013). 3. Método HRN em canteiro de obras No ambiente laboral da construção, a NR-18 (BRASIL, 2020), no item 10.1.1, diz que as máquinas devem atender ao disposto na NR-12, 53 sendo aplicável a: máquinas autopropelidas (tratores, minicarregadeira, manipulador telescópico, escavadeira, pá carregadeira, motoniveladora, rolo compactador), gruas, elevadores de passageiros e materiais, guindautos, motosserras, furadeira de coluna, serras circulares, cremalheira, betoneiras. Excluindo sua aplicação, segundo (BRASIL, 2019, p. 3), a: máquinas ou equipamentos movidos por tração humana ou animal, como pá, enxada, talhadeira, martelo, brocas, serras de mão, machados. Aqui usaremos como exemplo uma betoneira de 250 litros com motor de 1 cv 4 polos 110/220V, sendo suas partes compostas por tambor, caixa do motor, motor, cremalheira e pinhão, rodas, estrutura reforçada, pedal de trava, e sistema de basculamento, conforme Figura 4. O prontuário foi montado de acordo com manual do fabricante, e, após levantamento de perigos e riscos, foi constatado risco de ruído excessivo devido à má lubrificação e presença de corrosão; acidente devido a contato acidental do operador na cremalheira exposta; e choque elétrico devido ao fato do painel estar em más condições e sem tomada steck. Figura 4 – Betoneira usada Fonte: shutterstock.com. 54 Com esses dados foi feito a avaliação de risco, conforme Quadro 7. Quadro 7 – Exemplo de aplicação de HRN ID NR-12 ABNT NBR ISO 12100 Risco PO FE NP GMP HRN Avaliação do risco 1 Manutenção Ruído Ruído – Má lubrificação e corrosão 15 5 1 1 75 Alto 2 Procedimentos de trabalho e segurança Mecânico Prensamento – Cremalheira ex- posta 10 5 1 1 50 Significante 3 Instalação elé- trica Elétrico Choque elétrico – Má condição de painel e tomada 15 5 1 1 75 Alto Fonte: adaptado de Brasil (2020) e ABNT (2014). Após o levantamento do HRN foi criado um plano de ação, conforme Quadro 8. Quadro 8 – Parâmetros do HRN Risco Risco Ações Prazo Ruído Alto Retirar corrosão, lubrificar ou trocar Até 1 semana Choque elétrico Alto Manutenção ou troca de painel Até 1 semana Prensamento Significante Enclausurar a cremalheira Até 1 mês Fonte: adaptado de Coulson (2015). As alterações sugeridas foram efetuadas segundo Figura 5. Figura 5 – Betoneira ajustada Fonte: Shutterstock.com. 55 E, por fim, foi feita uma nova avaliação do risco para verificar a eficiência, conforme Quadro 9. Quadro 9 – Exemplo de aplicação de HRN ID NR-12 ABNT NBR ISO 12100 Risco remanescente PO FE NP GMP HRN Avaliação do risco 1 Manutenção Ruído