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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS 
Faculdade de Medicina 
 
 
 
 
 
Maria Clara de Paula 
Naiara Rabelo Melo 
 
 
 
 
 
 EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO TRATAMENTO EM 
SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Betim 
 2025 
 
Maria Clara de Paula 
Naiara Rabelo Melo 
 
 
 
 
 
 
 
 EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO TRATAMENTO EM 
SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO 
 
 
Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de 
Medicina da Pontifícia Universidade Católica de 
Minas Gerais, como requisito para cumprimento de 
atividades de Iniciação Científica, no âmbito do 
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação 
Científica (PIBIC), com financiamento da Fundação 
de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais 
(FAPEMIG). 
Orientadora: Prof. Karla 
 
 
 
Betim 
2025 
 
RESUMO 
O presente estudo avalia a participação no grupo de convivência “Abertamente” e os 
efeitos no tratamento e na saúde mental de pacientes atendidos na Unidade Básica de Saúde 
Dom Bosco, em Betim/MG. A adesão ao tratamento é reconhecida como um desafio central 
em saúde mental, com impacto direto nos desfechos clínicos e na utilização de serviços. Este 
projeto utiliza abordagem mista, com indicadores objetivos (comparecimento às consultas e 
retirada de medicamentos) e subjetivos (auto-relato de adesão, conhecimento sobre o 
tratamento e percepção do grupo). Serão analisados dados de prontuário, entrevistas 
semiestruturadas, questionários curtos e observação participante. Espera-se que o grupo de 
convivência favoreça maior adesão, compreensão do tratamento e fortalecimento do vínculo 
terapêutico. O estudo contribuirá para a literatura sobre práticas comunitárias em saúde 
mental na atenção primária, oferecendo evidências aplicáveis à realidade do SUS. 
Palavras-chave: cooperação e adesão ao tratamento; saúde mental; clubes sociais de 
terapia; atenção primária à saúde. 
 
ABSTRACT 
This study investigates the effects of participation in a support group on psychiatric 
treatment adherence among patients at UBS Dom Bosco, Betim, Brazil. Adherence to 
treatment is a major challenge in mental health, directly impacting clinical outcomes and 
service use. This project employs a mixed-methods approach, including objective indicators 
(attendance at appointments and medication pickup) and subjective indicators (self-reported 
adherence, treatment knowledge, and group perception). Data collection will involve medical 
records, semi-structured interviews, short questionnaires, and participant observation. It is 
expected that participation in the support group will improve adherence, enhance treatment 
understanding, and strengthen therapeutic bonds. The study will contribute to the literature on 
community-based mental health practices within primary care, providing evidence applicable 
to the Brazilian Unified Health System (SUS). 
Keywords: treatment adherence; mental health; support groups; primary care. 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
1.1 Tema 
 A temática principal abordada será os efeitos positivos adquiridos e vivenciados por 
pacientes da saúde mental com participação ativa no grupo de apoio “Abertamente”, dentro da 
Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Bosco em Betim/MG. 
1.2 Problema 
Diante do exposto, coloca-se o problema central desta pesquisa: a dificuldade de 
adesão ao tratamento psiquiátrico e a possibilidade de intervenção através de grupos de 
convivência. A não-adesão terapêutica em psiquiatria envolve múltiplos fatores. Entre os 
principais “nós críticos” já identificados em serviços de saúde mental de atenção básica estão: 
déficit de informações do paciente sobre seu transtorno, uso incorreto da medicação (ou 
automedicação), barreiras de acesso a medicamentos e até fragilidades no processo de 
trabalho das equipes de saúde. Esses fatores combinados podem levar o paciente a 
abandonar consultas, interromper medicamentos por conta própria ou não seguir 
recomendações, comprometendo o controle do transtorno mental. 
O problema de pesquisa que se delineia é verificar em que medida o grupo de 
convivência "Abertamente" tem influenciado a adesão desses pacientes aos seus tratamentos 
psiquiátricos. Em outras palavras, o presente estudo questiona se a participação regular no 
grupo está associada a melhor seguimento das recomendações terapêuticas (como uso 
adequado da medicação e comparecimento às consultas) e quais aspectos dessa convivência 
grupal contribuem ou não para a manutenção do tratamento. 
1.3 Hipóteses 
Parte-se do pressuposto de que a integração em um grupo de convivência terapêutico 
contribui positivamente para a adesão ao tratamento psiquiátrico. A hipótese central é a de 
que os pacientes que participam ativamente do grupo na UBS Dom Bosco apresentam melhor 
adesão terapêutica, por exemplo, tomando os psicofármacos conforme prescrição e 
comparecendo às consultas agendadas em comparação à situação anterior à participação no 
grupo ou em relação a pacientes que não participam de grupos similares. 
 
 
1.4 Objetivos 
1.4.1 Objetivo Geral 
Analisar os efeitos da participação no Grupo de Convivência “Abertamente” sobre a 
adesão ao tratamento de saúde mental dos pacientes acompanhados na UBS Dom Bosco. 
1.4.2 Objetivos Específicos 
a) Verificar quantitativamente os indicadores de adesão terapêutica; 
b) Descrever as percepções, experiências e a socialização dos pacientes acerca da 
influência do grupo em seu processo de tratamento; 
c) Identificar os fatores facilitadores e obstáculos, no contexto grupal, relacionados à 
adesão; 
d) Propor recomendações ou estratégias de aprimoramento do grupo de convivência, 
baseadas nos achados, visando maximizar seu impacto positivo na adesão; 
e) Verificar a percepção de vínculo com a equipe de saúde, tal como com a instituição. 
1.5 Justificativas 
A importância desta pesquisa justifica-se pela relevância e urgência da temática da 
saúde mental local e globalmente, admitida em função de taxas alarmantes e crescentes 
quanto à utilização de medicamentos psiquiátricos, sintomas ansiosos e depressivos, auto e 
heteroagressividade, tentativa e execução de auto extermínio. Esses indicadores mostram um 
cenário preocupante de adoecimento psíquico generalizado. 
Ademais, com a pandemia de COVID-19, o aumento do uso de mídias sociais e a 
intensificação das jornadas de trabalho, houve um agravamento dos quadros de saúde mental, 
impactado, principalmente, pelo aumento do isolamento social. Nesse contexto, discutir saúde 
mental e propor instrumentos para promoção, como grupos de convivência, são vitais dentro 
de uma sociedade cada vez mais adoecida e em crise. 
Além disso, a partir da vivência no internato de Saúde Mental da PUC MG na UBS 
Dom Bosco, houve uma percepção geral de efeitos positivos (quanto à adesão terapêutica, ao 
vínculo com a instituição de saúde e ao aumento da socialização) a partir da participação dos 
pacientes no grupo “Abertamente”. 
 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1 Adesão ao tratamento em saúde mental 
A adesão é compreendida como o grau em que o comportamento do paciente (uso de 
medicação, comparecimento a consultas, mudanças de estilo de vida) coincide com as 
orientações do profissional de saúde (RABÊLO, 2022). Enfatiza-se que a adesão é um 
processo multifatorial, não se limitando à tomada de medicamentos, mas englobando uma 
parceria ativa entre quem cuida e quem é cuidado, envolvendo aceitação da condição de 
saúde, adaptação do estilo de vida e confiança na equipe de saúde. Estudos apontam que 
promover adesão adequada é fundamental para eficácia do tratamento e prevenção de recaídas 
(XAVIER, et al, 2016). Entretanto, identificar e medir a falta de adesão pode ser difícil, 
variando de paciente para paciente e ao longo do tempo . Diversos fatores influenciam a 
adesão: desde efeitos colaterais de medicações, falta de insight sobre a doença, questõesculturais e crenças pessoais, até qualidade da relação terapêutica e suporte familiar . 
Importante destacar que as consequências da não-adesão são extremamente negativas, 
incluindo piora clínica, aumento de internações e custos e desgaste na relação 
paciente-serviço . Assim, há consenso na literatura de que melhorar a adesão é uma prioridade 
em saúde mental, exigindo intervenções engajadoras e centradas no paciente. 
 
2.2 Grupos de convivência/terapêutico 
Os Grupos de Convivência em Saúde Mental podem ser entendidos como espaços 
comunitários de encontro e troca, que geralmente visam a inclusão social, reabilitação 
psicossocial e apoio mútuo entre pessoas em sofrimento psíquico. Diferenciam-se de grupos 
psicoterapêuticos clássicos por não necessariamente seguirem um modelo clínico de 
psicoterapia, mas sim um modelo sócio-terapêutico e ocupacional, valorizando atividades 
práticas, expressão cultural, lazer e construção coletiva de sentido. Conforme a Política 
Nacional de Saúde Mental, esses dispositivos fazem parte da estratégia de cuidado territorial e 
em liberdade, buscando reconectar os usuários “aos espaços de cuidado de si e do outro” e 
promover sua autonomia e cidadania (Ministério da Saúde, 2024). Em outras palavras, o 
convívio social torna-se terapêutico ao romper o isolamento, estimular habilidades sociais e 
restaurar papéis ativos na comunidade para pessoas com questões mentais. 
O grupo é como um organismo em que cada participante contribui e aprende, 
havendo uma circularidade de papéis. Há momentos em que “os pacientes exercem, 
reciprocamente, um papel terapêutico” uns aos outros. A prática grupal aqui discutida integra 
também conceitos de Paulo Freire, ao tratar o aprendizado no grupo de forma dialógica e 
 
horizontal, ou seja, todos ensinam e todos aprendem, o que promove a conscientização crítica 
dos participantes sobre sua saúde e autonomia. O grupo estimula a fala, escuta, reflexão e 
troca de experiências, permitindo que cada paciente se reconheça no outro e aprenda com as 
vivências compartilhadas (SILVEIRA, et al, 2005). 
 
2.3 Betim? Dom Bosco? Contexto social? 
Pesquisas nacionais demonstram que a não-adesão em saúde mental é prevalente; por 
exemplo, um estudo apontou que mais da metade (50%) dos usuários entrevistados não 
aderiram corretamente à terapêutica medicamentosa na saúde mental . Em contrapartida, 
intervenções estruturadas têm mostrado impactos positivos: programas de psicoeducação em 
grupo para pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia, por exemplo, resultaram em 
melhoria do conhecimento sobre a doença e redução de taxas de abandono de tratamento em 
seguimento de 1 ano (ainda que os percentuais variem conforme o estudo). No âmbito da 
atenção primária, experiências de grupos operativos de saúde mental integrados à Estratégia 
de Saúde da Família demonstram que esses grupos podem ser inseridos na rotina da UBS com 
sucesso, desde que haja mobilização da comunidade e envolvimento da equipe 
multiprofissional . Relatórios de intervenção (como o plano de intervenção em Capitão 
Andrade – MG) reforçam a necessidade de estratégias educativas contínuas e integração do 
cuidado multiprofissional para melhorar a adesão. 
Especificamente em Betim/MG, a UBS Dom Bosco localiza-se em uma região 
populosa, atendendo a usuários do SUS em diversas linhas de cuidado. A presença de um 
grupo de convivência na UBS indica um esforço de descentralização do cuidado em saúde 
mental para o nível primário, o que é coerente com a organização da RAPS. Não foram 
encontrados, até o momento, estudos publicados que avaliem este grupo em particular, o que 
aumenta a pertinência da pesquisa atual. Assim, além de apoiar-se nos referenciais teóricos 
gerais supracitados, o estudo considerará as características do contexto local, como perfil dos 
pacientes atendidos (faixa etária, diagnósticos mais comuns, condições socioeconômicas) e 
recursos disponíveis na UBS – ao interpretar os dados. Espera-se que os resultados dialoguem 
tanto com a literatura ampla (mostrando se replicam achados de outros locais) quanto gere 
pontos novos e específicos sobre como um grupo de convivência pode funcionar em uma 
UBS urbana de porte médio. 
 
 
3 METODOLOGIA 
3.1 Tipo de Estudo 
Trata-se de um estudo de método misto, com delineamento exploratório sequencial, 
fundamentado na perspectiva de Minayo de que métodos quantitativos e qualitativos se 
complementam. A primeira etapa, de caráter retrospectivo, consistirá na análise de 
prontuários para levantar indicadores de adesão ao tratamento e comparar dois grupos de 
pacientes: os que participam do grupo terapêutico “Abertamente” e os que não participam. 
Em seguida, será realizada a etapa qualitativa prospectiva, com entrevistas em profundidade a 
fim de compreender barreiras e motivações relacionadas à adesão. A triangulação dos dados 
permitirá integrar informações objetivas e subjetivas, ampliando a compreensão sobre o 
impacto da participação no grupo na adesão ao tratamento em saúde mental. 
3.2 Cenário 
O cenário da pesquisa será a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Bosco, localizada 
no município de Betim, Minas Gerais. A UBS Dom Bosco é um serviço de Atenção Primária 
à Saúde, que, além das atividades gerais de cuidados básicos, conta com uma equipe voltada 
para saúde mental formada por alunos do Internato de Saúde Mental da Faculdade de 
Medicina da PUC Betim, sob supervisão de um professor psicólogo e um professor psiquiatra, 
que orientam e acompanham as intervenções. 
Entre as atividades da unidade há um Grupo de Convivência/Terapêutico que reúne 
pacientes em acompanhamento psiquiátrico e psicológico, chamado “Abertamente”. O grupo 
ocorre semanalmente, geralmente no exterior da UBS, com encontros de duração aproximada 
de 2 horas. As atividades no grupo podem incluir rodas de conversa sobre temas relevantes 
(medicação, autocuidado, manejo de estresse, …), dinâmica de grupo, atividades lúdicas ou 
expressivas e momentos de convivência livre. O ambiente é caracterizado por ser acolhedor e 
informal, de modo a facilitar que os participantes se sintam à vontade para compartilhar. 
O cenário comunitário traz a vantagem de inserir a intervenção (grupo) no cotidiano 
do paciente, sem exigir deslocamentos a unidades especializadas distantes, algo que por si só 
pode influenciar positivamente a adesão, dada a maior acessibilidade. Por outro lado, existem 
desafios no contexto de atenção básica, como recursos limitados (ex.: número de profissionais 
de saúde mental reduzido) e necessidade de articular esse cuidado grupal com a rotina de 
atendimento convencional da unidade. 
 
3.3 Participantes 
A população do estudo será composta por pacientes acompanhados pela equipe de 
Saúde Mental do Internato da PUC Minas – Campus Betim, vinculados à UBS Dom Bosco. 
Dois grupos serão considerados: os pacientes que participam do grupo terapêutico 
“Abertamente” e aqueles que não participam, de modo a permitir a comparação entre eles 
quanto à adesão ao tratamento. 
3. 3.1 Critérios de Inclusão 
Os critérios de inclusão para este estudo são: 
- Pacientes em acompanhamento ativo pela equipe de Saúde Mental do Internato 
da PUC Betim na UBS Dom Bosco; 
- Idade igual ou superior a 18 anos; 
- Registro em prontuário físico ou eletrônico com informações suficientes para 
avaliação da adesão (consultas, uso de medicação, participação em atividades); 
- Para a fase qualitativa: consentimento livre e esclarecido para participar das 
entrevistas. 
3. 3.2 Critérios de Exclusão 
Os critérios de exclusão para este estudo são: 
- Prontuários com dados incompletos ou inconsistentes em relação aos 
indicadores de adesão; 
- Pacientes que não apresentarem condições clínicas ou cognitivas para 
responder às entrevistas qualitativas, conforme avaliação da equipe de 
supervisão; 
- Para fase qualitativa: Indivíduos que se recusarem a participaremdas 
entrevistas. 
3.4 Coleta e Análise de Dados 
3. 4. 1 Coleta de Dados 
A coleta de dados será dividida de acordo com as duas etapas do estudo (quantitativa e 
qualitativa), seguindo o delineamento sequencial proposto. 
 
● Etapa Quantitativa (Retrospectiva): Será realizada uma revisão de prontuários físicos e 
eletrônicos dos pacientes incluídos, visando extrair indicadores objetivos de adesão ao 
tratamento. Essa coleta retrospectiva abarcará um período pré-definido (por exemplo, 
os 12 meses anteriores ao início da pesquisa) para todos os pacientes elegíveis. Entre 
os dados a serem coletados nos prontuários, incluem-se: o número de consultas 
agendadas vs. consultas efetivamente comparecidas (taxa de presença nas consultas), 
registro de faltas ou abandonos de seguimento, informações sobre o uso de medicação 
prescrita (p. ex., se o paciente relata uso regular ou se há registros de renovação de 
receitas/retirada de medicação na farmácia da unidade), além da participação em 
atividades complementares de tratamento registradas (como grupos terapêuticos, 
oficinas ou encaminhamentos efetuados). Esses indicadores quantitativos serão 
compilados em um banco de dados para cada paciente, permitindo subsequentemente 
a comparação entre os dois grupos de interesse (participantes vs. não-participantes do 
grupo Abertamente). 
 
● Etapa Qualitativa (Prospectiva): Em seguida à análise inicial dos dados quantitativos, 
será realizada a coleta de dados qualitativos por meio de entrevistas em profundidade 
com uma amostra selecionada de pacientes. Pretende-se conduzir entrevistas com 
pacientes de ambos os grupos (alguns que frequentam o Abertamente e alguns que não 
frequentam), de forma a explorar diferentes perspectivas sobre a adesão. A seleção dos 
entrevistados adotará um critério intencional (por julgamento), buscando incluir 
participantes que ilustrem casos de alta adesão e baixa adesão ao tratamento, bem 
como considerando a participação ou não no grupo – essa variação amostral visa 
compreender tanto as motivações daqueles que aderem (e possivelmente percebem 
benefícios no grupo) quanto as barreiras enfrentadas pelos que apresentam dificuldade 
em aderir. As entrevistas serão realizadas presencialmente em local reservado na UBS 
Dom Bosco (ou, se necessário, no domicílio do participante ou via chamada de vídeo, 
conforme conveniência e concordância do participante). Para conduzir as entrevistas, 
será utilizado um roteiro semiestruturado, contendo perguntas abertas que abordam 
temas como: experiências do paciente com o tratamento (facilitadores e dificultadores 
para seguir consultas e medicação), percepção sobre o grupo Abertamente (no caso de 
participantes, quais benefícios ou mudanças atribuídos ao grupo; no caso de 
não-participantes, razões para não participar ou expectativas caso viessem a 
participar), apoio social e familiar no processo de tratamento, entre outros tópicos 
 
relevantes. Com o consentimento prévio de cada entrevistado, as sessões serão 
gravadas em áudio (utilizando gravador digital ou outro dispositivo adequado) para 
garantir a captura fidedigna dos relatos. Também poderão ser tomadas notas de campo 
pelo entrevistador para registrar observações não verbais ou impressões imediatas. As 
gravações em áudio serão posteriormente transcritas para possibilitar a análise de 
conteúdo. 
3. 4. 2 Análise de Dados 
Após a etapa de coleta, os dados quantitativos e qualitativos serão analisados separadamente a 
princípio, para então serem integrados na interpretação final (triangulação). 
● Análise dos Dados Quantitativos: Inicialmente, será conduzida uma análise descritiva 
dos indicadores de adesão em cada grupo: serão calculadas frequências absolutas e 
relativas (proporções) para variáveis categóricas (por exemplo, % de consultas 
comparecidas, % de pacientes com uso regular da medicação). Em seguida, para 
avaliar diferenças entre os dois grupos de pacientes, serão aplicadas análises 
comparativas inferenciais. Os resultados dessas análises quantitativas fornecerão 
evidências objetivas sobre se o grupo Abertamente está associado a melhor adesão ao 
tratamento. 
 
● Análise dos Dados Qualitativos: As entrevistas gravadas serão transcritas na íntegra e, 
em seguida, analisadas segundo a técnica de análise de conteúdo temática. 
Inicialmente, os pesquisadores farão uma leitura flutuante das transcrições para 
familiarização com o material. Em seguida, será realizado o processo de codificação, 
identificando unidades de significado nos relatos dos participantes (frases ou trechos 
relevantes que expressem ideias sobre adesão, barreiras, motivações, papel do grupo, 
etc.). Esses códigos serão então agrupados em categorias temáticas mais amplas, de 
forma indutiva, isto é, deixando que os temas emerjam dos dados em vez de partir de 
categorias pré-fixadas. Espera-se identificar temas principais que representem as 
barreiras à adesão (por exemplo, estigma, efeitos colaterais da medicação, dificuldades 
de acesso) e as motivações/facilitadores para a adesão (por exemplo, percepção de 
melhora, apoio social, vínculo com a equipe de saúde, benefícios percebidos do grupo 
Abertamente, etc.). Para assegurar o rigor da análise, será empregada a técnica de 
dupla verificação dos dados qualitativos: dois pesquisadores, de forma independente, 
 
analisarão um subconjunto das transcrições e desenvolverão as categorias iniciais, 
comparando em seguida suas codificações para refinar os temas e melhorar a 
confiabilidade. Divergências na codificação serão discutidas até se chegar a um 
consenso. Após a definição dos temas finais, os resultados qualitativos serão descritos 
com trechos de falas ilustrativas dos participantes, procurando-se preservar as palavras 
originais que exemplifiquem cada categoria (resguardando o anonimato). 
 
● Integração dos Dados (Triangulação): Finalmente, os achados quantitativos e 
qualitativos serão integrados em uma análise conjunta. A triangulação dos dados 
permitirá contrastar e complementar os resultados: por exemplo, verificando em que 
medida as percepções dos pacientes (obtidas nas entrevistas) explicam ou 
contextualizam os padrões observados nos indicadores quantitativos de adesão. Essa 
integração será feita durante a discussão dos resultados, articulando os dados objetivos 
(por exemplo, taxas de adesão) com os subjetivos (relatos sobre experiências e fatores 
de influência). Dessa forma, busca-se produzir um entendimento mais abrangente e 
profundo sobre o impacto da participação no grupo Abertamente na adesão ao 
tratamento em saúde mental, combinando evidências mensuráveis com insights 
qualitativos sobre as vivências dos pacientes. 
3.5 Considerações Éticas 
Este projeto de pesquisa será submetido à apreciação do Comitê de Ética em 
Pesquisa (CEP) da PUC Minas antes do início da coleta de dados. Somente após a aprovação 
ética é que o estudo será iniciado, em conformidade com as diretrizes nacionais para 
pesquisas envolvendo seres humanos. Serão observados todos os preceitos éticos 
estabelecidos pela Resolução CNS nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que 
regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, garantindo respeito, proteção e 
bem-estar aos participantes. 
Todos os participantes selecionados serão convidados a participar de forma 
voluntária e informada. No momento do recrutamento (e antes de qualquer procedimento de 
coleta de dados), o pesquisador explicará detalhadamente os objetivos da pesquisa, os 
procedimentos envolvidos, os possíveis benefícios e riscos, assegurando que todas as dúvidas 
dos participantes sejam esclarecidas. Aqueles que concordarem em participar deverão então 
assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), documento que formaliza o 
 
consentimento e registra que o participante compreendeu as informações e aceita participar. 
No TCLE estarão explicitados: a garantiade anonimato, a confidencialidade dos dados, o 
direito de desistência a qualquer momento e os contatos dos pesquisadores responsáveis e do 
CEP para eventuais dúvidas ou reclamações. 
Especificamente para as entrevistas qualitativas, ressalta-se que tais gravações 
servirão unicamente para auxiliar na transcrição e análise, sendo destruídas após o término do 
estudo (ou armazenadas pelo tempo exigido pelas normas éticas e depois descartadas). 
Durante as entrevistas, caso o participante toque em assuntos sensíveis ou apresente algum 
desconforto emocional, o entrevistador estará preparado para oferecer acolhimento, podendo 
pausar ou encerrar a entrevista se necessário, e encaminhar o participante para apoio 
profissional adicional (como atendimento psicológico) caso surja algum sofrimento psíquico 
relacionado à participação na pesquisa. 
Quanto aos riscos e benefícios: este estudo apresenta riscos mínimos, uma vez que 
envolve principalmente coleta de informações e reflexão dos pacientes sobre sua própria 
experiência de tratamento. Pode haver algum desconforto emocional pontual ao falar de 
dificuldades pessoais durante as entrevistas, mas espera-se que esse risco seja leve e 
temporário. Em contrapartida, os benefícios potenciais incluem a possibilidade de os 
participantes refletirem sobre seu processo de cuidado (o que pode, inclusive, ter um efeito 
positivo terapêutico leve, ao proporcionar espaço de escuta) e, em nível coletivo, os resultados 
da pesquisa poderão orientar melhorias no serviço de saúde mental da UBS, beneficiando 
futuramente os próprios participantes e outros pacientes através de intervenções aprimoradas 
para favorecer a adesão. 
4 RECURSOS 
Planejamento Orçamentário para Execução do Projeto de Pesquisa 
ELEMENTO DE DESPESA Quantidade Valor Específico Valor Geral 
Transporte - R$ 100,00 R$ 100,00 
Caneta Esferográfica 8 R$ 1,50 R$ 12,00 
Alimentação - R$ 200,00 R$ 200,00 
Xerox 200 cópias R$ 0,40 R$ 80,00 
 
Total - - R$ 392,00 
Fonte: Autoria própria. 
 
5 CRONOGRAMA 
Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa 
 
Anos/meses 
Etapas 
2025 2026 2027 
Set Março Abril. - 
Set. 
Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. 
Definição do 
orientador X 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Submissão ao 
comitê de ética 
 
X 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Execução do 
projeto 
 X 
 
X 
 
 
 
 
 
 
Organização dos 
dados 
 
 
 
 
X 
 
X 
 
 
 
 
Análise e 
interpretação 
 
 
 
 
 
 
 X 
 
 X 
Redação do 
relatório 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
 
Revisão do 
conteúdo e da 
metodologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
 
 
Apresentação da 
pesquisa 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
 
 
Revisão 
ortográfica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 X 
Entrega final 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
Conclusão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
Apresentação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 X 
 
Fonte: Autoria própria. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
CARDOSO, Ana; BYRNE, Mitchell; XAVIER, Miguel. Adesão ao tratamento nas 
perturbações psiquiátricas: o impacto das atitudes e das crenças em profissionais de serviços 
de psiquiatria e saúde mental em Portugal. Parte I: aspetos conceptuais e metodológicos. 
Revista Portuguesa de Saúde Pública, v. 34, n. 3, p. 209-219, 2016. DOI: 
https://doi.org/10.1016/j.rpsp.2016.05.004. 
 
RABÊLO, Lígia Soares de Souza. Dificuldade de adesão e aceitação do tratamento por parte 
dos pacientes com transtorno mental. 2022. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização 
em Estratégia Saúde da Família) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de 
Medicina, Núcleo de Educação em Saúde Coletiva, Lassance, 2022. 
 
SILVEIRA, Lia Márcia Cruz da; RIBEIRO, Victoria Maria Brant. Grupo de adesão ao 
tratamento: espaço de “ensinagem” para profissionais de saúde e pacientes. Interface – 
Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 16, p. 91-104, set. 2004 / fev. 2005. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICES 
APÊNDICE A - Carta de Apresentação de Pesquisa Pontifícia Universidade Católica de 
Minas Gerais 
CARTA DE APRESENTAÇÃO À PESQUISA 
Ao: 
A/C: 
Prezado (a), Por meio desta carta, o grupo de discentes e docente vinculados ao Curso de 
Graduação em Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), 
Núcleo Betim-MG, solicita a autorização da coleta de dados para o desenvolvimento do 
projeto de pesquisa com o tema: EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA 
ADESÃO AO TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO. Essa 
pesquisa objetiva avaliar se a participação dos usuários no grupo ‘Abertamente’ está 
associada à melhoria da adesão ao tratamento em saúde mental. Para isso, serão analisados 
dados já registrados em prontuários físicos e eletrônicos da UBS Dom Bosco, respeitando 
integralmente os princípios éticos, a confidencialidade e o anonimato das informações. A 
pesquisa será conduzida após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da PUC Minas e 
não implicará em qualquer prejuízo às atividades assistenciais da unidade. 
Previamente, as pesquisadoras agradecem a atenção e colocam-se à disposição para quaisquer 
esclarecimentos necessários. 
Atenciosamente, 
_______________________________________ 
Maria Clara de Paula 
_______________________________________ 
Naiara Rabelo Melo 
 _______________________________________ 
ORIENTADOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE B - Termo de Esclarecimento Livre e Esclarecido (TCLE) 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
N° Registro CEP: CAAE ________ 
Título do Projeto: "EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO 
TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO" 
 
Prezado(a) Sr(a)., 
XXXXXXXXXXXXXXXXX 
___________________________________________________________________ 
Pesquisadoras responsáveis: 
O presente estudo será assinado em (02) duas vias de igual teor. 
Betim, _____ de ____________________de _____ 
Dou meu consentimento de livre e espontânea vontade para participar deste estudo. 
_______________________________________ 
(Nome do(a) participante) 
_______________________________________ 
Assinatura do(a) participante 
 
Nós, nos comprometemos a cumprir todas as exigências e responsabilidades a nós 
conferidas neste termo e agradecemos pela sua colaboração e confiança. 
 
_______________________________________ 
Maria Clara de Paula 
 
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Naiara Rabelo Melo 
 
	RESUMO 
	ABSTRACT 
	1​INTRODUÇÃO 
	1.1​Tema 
	1.2​Problema 
	1.3​Hipóteses 
	1.4​Objetivos 
	1.4.1​Objetivo Geral 
	1.4.2​Objetivos Específicos 
	1.5 ​Justificativas 
	A importância desta pesquisa justifica-se pela relevância e urgência da temática da saúde mental local e globalmente, admitida em função de taxas alarmantes e crescentes quanto à utilização de medicamentos psiquiátricos, sintomas ansiosos e depressivos, auto e heteroagressividade, tentativa e execução de auto extermínio. Esses indicadores mostram um cenário preocupante de adoecimento psíquico generalizado. 
	Ademais, com a pandemia de COVID-19, o aumento do uso de mídias sociais e a intensificação das jornadas de trabalho, houve um agravamento dos quadros de saúde mental, impactado, principalmente, pelo aumento do isolamento social. Nesse contexto, discutir saúde mental e propor instrumentos para promoção, como grupos de convivência, são vitais dentro de uma sociedade cada vez mais adoecida e em crise. 
	Além disso, a partir da vivência no internato de Saúde Mental da PUC MG na UBS Dom Bosco, houve uma percepção geral de efeitos positivos (quanto à adesão terapêutica, ao vínculo com a instituição de saúde e ao aumento da socialização) a partir da participação dos pacientes no grupo “Abertamente”. 
	2​REFERENCIAL TEÓRICO 
	3​METODOLOGIA 
	3.1​Tipo de Estudo 
	3.2​Cenário 
	3.3​Participantes 
	3. 3.1​Critérios de Inclusão3. 3.2 Critérios de Exclusão 
	3.4 Coleta e Análise de Dados 
	3. 4. 1 Coleta de Dados 
	3. 4. 2 Análise de Dados 
	3.5 Considerações Éticas 
	4​RECURSOS 
	5​CRONOGRAMA 
	 
	REFERÊNCIAS

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