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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Faculdade de Medicina Maria Clara de Paula Naiara Rabelo Melo EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO Betim 2025 Maria Clara de Paula Naiara Rabelo Melo EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito para cumprimento de atividades de Iniciação Científica, no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Orientadora: Prof. Karla Betim 2025 RESUMO O presente estudo avalia a participação no grupo de convivência “Abertamente” e os efeitos no tratamento e na saúde mental de pacientes atendidos na Unidade Básica de Saúde Dom Bosco, em Betim/MG. A adesão ao tratamento é reconhecida como um desafio central em saúde mental, com impacto direto nos desfechos clínicos e na utilização de serviços. Este projeto utiliza abordagem mista, com indicadores objetivos (comparecimento às consultas e retirada de medicamentos) e subjetivos (auto-relato de adesão, conhecimento sobre o tratamento e percepção do grupo). Serão analisados dados de prontuário, entrevistas semiestruturadas, questionários curtos e observação participante. Espera-se que o grupo de convivência favoreça maior adesão, compreensão do tratamento e fortalecimento do vínculo terapêutico. O estudo contribuirá para a literatura sobre práticas comunitárias em saúde mental na atenção primária, oferecendo evidências aplicáveis à realidade do SUS. Palavras-chave: cooperação e adesão ao tratamento; saúde mental; clubes sociais de terapia; atenção primária à saúde. ABSTRACT This study investigates the effects of participation in a support group on psychiatric treatment adherence among patients at UBS Dom Bosco, Betim, Brazil. Adherence to treatment is a major challenge in mental health, directly impacting clinical outcomes and service use. This project employs a mixed-methods approach, including objective indicators (attendance at appointments and medication pickup) and subjective indicators (self-reported adherence, treatment knowledge, and group perception). Data collection will involve medical records, semi-structured interviews, short questionnaires, and participant observation. It is expected that participation in the support group will improve adherence, enhance treatment understanding, and strengthen therapeutic bonds. The study will contribute to the literature on community-based mental health practices within primary care, providing evidence applicable to the Brazilian Unified Health System (SUS). Keywords: treatment adherence; mental health; support groups; primary care. 1 INTRODUÇÃO 1.1 Tema A temática principal abordada será os efeitos positivos adquiridos e vivenciados por pacientes da saúde mental com participação ativa no grupo de apoio “Abertamente”, dentro da Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Bosco em Betim/MG. 1.2 Problema Diante do exposto, coloca-se o problema central desta pesquisa: a dificuldade de adesão ao tratamento psiquiátrico e a possibilidade de intervenção através de grupos de convivência. A não-adesão terapêutica em psiquiatria envolve múltiplos fatores. Entre os principais “nós críticos” já identificados em serviços de saúde mental de atenção básica estão: déficit de informações do paciente sobre seu transtorno, uso incorreto da medicação (ou automedicação), barreiras de acesso a medicamentos e até fragilidades no processo de trabalho das equipes de saúde. Esses fatores combinados podem levar o paciente a abandonar consultas, interromper medicamentos por conta própria ou não seguir recomendações, comprometendo o controle do transtorno mental. O problema de pesquisa que se delineia é verificar em que medida o grupo de convivência "Abertamente" tem influenciado a adesão desses pacientes aos seus tratamentos psiquiátricos. Em outras palavras, o presente estudo questiona se a participação regular no grupo está associada a melhor seguimento das recomendações terapêuticas (como uso adequado da medicação e comparecimento às consultas) e quais aspectos dessa convivência grupal contribuem ou não para a manutenção do tratamento. 1.3 Hipóteses Parte-se do pressuposto de que a integração em um grupo de convivência terapêutico contribui positivamente para a adesão ao tratamento psiquiátrico. A hipótese central é a de que os pacientes que participam ativamente do grupo na UBS Dom Bosco apresentam melhor adesão terapêutica, por exemplo, tomando os psicofármacos conforme prescrição e comparecendo às consultas agendadas em comparação à situação anterior à participação no grupo ou em relação a pacientes que não participam de grupos similares. 1.4 Objetivos 1.4.1 Objetivo Geral Analisar os efeitos da participação no Grupo de Convivência “Abertamente” sobre a adesão ao tratamento de saúde mental dos pacientes acompanhados na UBS Dom Bosco. 1.4.2 Objetivos Específicos a) Verificar quantitativamente os indicadores de adesão terapêutica; b) Descrever as percepções, experiências e a socialização dos pacientes acerca da influência do grupo em seu processo de tratamento; c) Identificar os fatores facilitadores e obstáculos, no contexto grupal, relacionados à adesão; d) Propor recomendações ou estratégias de aprimoramento do grupo de convivência, baseadas nos achados, visando maximizar seu impacto positivo na adesão; e) Verificar a percepção de vínculo com a equipe de saúde, tal como com a instituição. 1.5 Justificativas A importância desta pesquisa justifica-se pela relevância e urgência da temática da saúde mental local e globalmente, admitida em função de taxas alarmantes e crescentes quanto à utilização de medicamentos psiquiátricos, sintomas ansiosos e depressivos, auto e heteroagressividade, tentativa e execução de auto extermínio. Esses indicadores mostram um cenário preocupante de adoecimento psíquico generalizado. Ademais, com a pandemia de COVID-19, o aumento do uso de mídias sociais e a intensificação das jornadas de trabalho, houve um agravamento dos quadros de saúde mental, impactado, principalmente, pelo aumento do isolamento social. Nesse contexto, discutir saúde mental e propor instrumentos para promoção, como grupos de convivência, são vitais dentro de uma sociedade cada vez mais adoecida e em crise. Além disso, a partir da vivência no internato de Saúde Mental da PUC MG na UBS Dom Bosco, houve uma percepção geral de efeitos positivos (quanto à adesão terapêutica, ao vínculo com a instituição de saúde e ao aumento da socialização) a partir da participação dos pacientes no grupo “Abertamente”. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Adesão ao tratamento em saúde mental A adesão é compreendida como o grau em que o comportamento do paciente (uso de medicação, comparecimento a consultas, mudanças de estilo de vida) coincide com as orientações do profissional de saúde (RABÊLO, 2022). Enfatiza-se que a adesão é um processo multifatorial, não se limitando à tomada de medicamentos, mas englobando uma parceria ativa entre quem cuida e quem é cuidado, envolvendo aceitação da condição de saúde, adaptação do estilo de vida e confiança na equipe de saúde. Estudos apontam que promover adesão adequada é fundamental para eficácia do tratamento e prevenção de recaídas (XAVIER, et al, 2016). Entretanto, identificar e medir a falta de adesão pode ser difícil, variando de paciente para paciente e ao longo do tempo . Diversos fatores influenciam a adesão: desde efeitos colaterais de medicações, falta de insight sobre a doença, questõesculturais e crenças pessoais, até qualidade da relação terapêutica e suporte familiar . Importante destacar que as consequências da não-adesão são extremamente negativas, incluindo piora clínica, aumento de internações e custos e desgaste na relação paciente-serviço . Assim, há consenso na literatura de que melhorar a adesão é uma prioridade em saúde mental, exigindo intervenções engajadoras e centradas no paciente. 2.2 Grupos de convivência/terapêutico Os Grupos de Convivência em Saúde Mental podem ser entendidos como espaços comunitários de encontro e troca, que geralmente visam a inclusão social, reabilitação psicossocial e apoio mútuo entre pessoas em sofrimento psíquico. Diferenciam-se de grupos psicoterapêuticos clássicos por não necessariamente seguirem um modelo clínico de psicoterapia, mas sim um modelo sócio-terapêutico e ocupacional, valorizando atividades práticas, expressão cultural, lazer e construção coletiva de sentido. Conforme a Política Nacional de Saúde Mental, esses dispositivos fazem parte da estratégia de cuidado territorial e em liberdade, buscando reconectar os usuários “aos espaços de cuidado de si e do outro” e promover sua autonomia e cidadania (Ministério da Saúde, 2024). Em outras palavras, o convívio social torna-se terapêutico ao romper o isolamento, estimular habilidades sociais e restaurar papéis ativos na comunidade para pessoas com questões mentais. O grupo é como um organismo em que cada participante contribui e aprende, havendo uma circularidade de papéis. Há momentos em que “os pacientes exercem, reciprocamente, um papel terapêutico” uns aos outros. A prática grupal aqui discutida integra também conceitos de Paulo Freire, ao tratar o aprendizado no grupo de forma dialógica e horizontal, ou seja, todos ensinam e todos aprendem, o que promove a conscientização crítica dos participantes sobre sua saúde e autonomia. O grupo estimula a fala, escuta, reflexão e troca de experiências, permitindo que cada paciente se reconheça no outro e aprenda com as vivências compartilhadas (SILVEIRA, et al, 2005). 2.3 Betim? Dom Bosco? Contexto social? Pesquisas nacionais demonstram que a não-adesão em saúde mental é prevalente; por exemplo, um estudo apontou que mais da metade (50%) dos usuários entrevistados não aderiram corretamente à terapêutica medicamentosa na saúde mental . Em contrapartida, intervenções estruturadas têm mostrado impactos positivos: programas de psicoeducação em grupo para pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia, por exemplo, resultaram em melhoria do conhecimento sobre a doença e redução de taxas de abandono de tratamento em seguimento de 1 ano (ainda que os percentuais variem conforme o estudo). No âmbito da atenção primária, experiências de grupos operativos de saúde mental integrados à Estratégia de Saúde da Família demonstram que esses grupos podem ser inseridos na rotina da UBS com sucesso, desde que haja mobilização da comunidade e envolvimento da equipe multiprofissional . Relatórios de intervenção (como o plano de intervenção em Capitão Andrade – MG) reforçam a necessidade de estratégias educativas contínuas e integração do cuidado multiprofissional para melhorar a adesão. Especificamente em Betim/MG, a UBS Dom Bosco localiza-se em uma região populosa, atendendo a usuários do SUS em diversas linhas de cuidado. A presença de um grupo de convivência na UBS indica um esforço de descentralização do cuidado em saúde mental para o nível primário, o que é coerente com a organização da RAPS. Não foram encontrados, até o momento, estudos publicados que avaliem este grupo em particular, o que aumenta a pertinência da pesquisa atual. Assim, além de apoiar-se nos referenciais teóricos gerais supracitados, o estudo considerará as características do contexto local, como perfil dos pacientes atendidos (faixa etária, diagnósticos mais comuns, condições socioeconômicas) e recursos disponíveis na UBS – ao interpretar os dados. Espera-se que os resultados dialoguem tanto com a literatura ampla (mostrando se replicam achados de outros locais) quanto gere pontos novos e específicos sobre como um grupo de convivência pode funcionar em uma UBS urbana de porte médio. 3 METODOLOGIA 3.1 Tipo de Estudo Trata-se de um estudo de método misto, com delineamento exploratório sequencial, fundamentado na perspectiva de Minayo de que métodos quantitativos e qualitativos se complementam. A primeira etapa, de caráter retrospectivo, consistirá na análise de prontuários para levantar indicadores de adesão ao tratamento e comparar dois grupos de pacientes: os que participam do grupo terapêutico “Abertamente” e os que não participam. Em seguida, será realizada a etapa qualitativa prospectiva, com entrevistas em profundidade a fim de compreender barreiras e motivações relacionadas à adesão. A triangulação dos dados permitirá integrar informações objetivas e subjetivas, ampliando a compreensão sobre o impacto da participação no grupo na adesão ao tratamento em saúde mental. 3.2 Cenário O cenário da pesquisa será a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Bosco, localizada no município de Betim, Minas Gerais. A UBS Dom Bosco é um serviço de Atenção Primária à Saúde, que, além das atividades gerais de cuidados básicos, conta com uma equipe voltada para saúde mental formada por alunos do Internato de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da PUC Betim, sob supervisão de um professor psicólogo e um professor psiquiatra, que orientam e acompanham as intervenções. Entre as atividades da unidade há um Grupo de Convivência/Terapêutico que reúne pacientes em acompanhamento psiquiátrico e psicológico, chamado “Abertamente”. O grupo ocorre semanalmente, geralmente no exterior da UBS, com encontros de duração aproximada de 2 horas. As atividades no grupo podem incluir rodas de conversa sobre temas relevantes (medicação, autocuidado, manejo de estresse, …), dinâmica de grupo, atividades lúdicas ou expressivas e momentos de convivência livre. O ambiente é caracterizado por ser acolhedor e informal, de modo a facilitar que os participantes se sintam à vontade para compartilhar. O cenário comunitário traz a vantagem de inserir a intervenção (grupo) no cotidiano do paciente, sem exigir deslocamentos a unidades especializadas distantes, algo que por si só pode influenciar positivamente a adesão, dada a maior acessibilidade. Por outro lado, existem desafios no contexto de atenção básica, como recursos limitados (ex.: número de profissionais de saúde mental reduzido) e necessidade de articular esse cuidado grupal com a rotina de atendimento convencional da unidade. 3.3 Participantes A população do estudo será composta por pacientes acompanhados pela equipe de Saúde Mental do Internato da PUC Minas – Campus Betim, vinculados à UBS Dom Bosco. Dois grupos serão considerados: os pacientes que participam do grupo terapêutico “Abertamente” e aqueles que não participam, de modo a permitir a comparação entre eles quanto à adesão ao tratamento. 3. 3.1 Critérios de Inclusão Os critérios de inclusão para este estudo são: - Pacientes em acompanhamento ativo pela equipe de Saúde Mental do Internato da PUC Betim na UBS Dom Bosco; - Idade igual ou superior a 18 anos; - Registro em prontuário físico ou eletrônico com informações suficientes para avaliação da adesão (consultas, uso de medicação, participação em atividades); - Para a fase qualitativa: consentimento livre e esclarecido para participar das entrevistas. 3. 3.2 Critérios de Exclusão Os critérios de exclusão para este estudo são: - Prontuários com dados incompletos ou inconsistentes em relação aos indicadores de adesão; - Pacientes que não apresentarem condições clínicas ou cognitivas para responder às entrevistas qualitativas, conforme avaliação da equipe de supervisão; - Para fase qualitativa: Indivíduos que se recusarem a participaremdas entrevistas. 3.4 Coleta e Análise de Dados 3. 4. 1 Coleta de Dados A coleta de dados será dividida de acordo com as duas etapas do estudo (quantitativa e qualitativa), seguindo o delineamento sequencial proposto. ● Etapa Quantitativa (Retrospectiva): Será realizada uma revisão de prontuários físicos e eletrônicos dos pacientes incluídos, visando extrair indicadores objetivos de adesão ao tratamento. Essa coleta retrospectiva abarcará um período pré-definido (por exemplo, os 12 meses anteriores ao início da pesquisa) para todos os pacientes elegíveis. Entre os dados a serem coletados nos prontuários, incluem-se: o número de consultas agendadas vs. consultas efetivamente comparecidas (taxa de presença nas consultas), registro de faltas ou abandonos de seguimento, informações sobre o uso de medicação prescrita (p. ex., se o paciente relata uso regular ou se há registros de renovação de receitas/retirada de medicação na farmácia da unidade), além da participação em atividades complementares de tratamento registradas (como grupos terapêuticos, oficinas ou encaminhamentos efetuados). Esses indicadores quantitativos serão compilados em um banco de dados para cada paciente, permitindo subsequentemente a comparação entre os dois grupos de interesse (participantes vs. não-participantes do grupo Abertamente). ● Etapa Qualitativa (Prospectiva): Em seguida à análise inicial dos dados quantitativos, será realizada a coleta de dados qualitativos por meio de entrevistas em profundidade com uma amostra selecionada de pacientes. Pretende-se conduzir entrevistas com pacientes de ambos os grupos (alguns que frequentam o Abertamente e alguns que não frequentam), de forma a explorar diferentes perspectivas sobre a adesão. A seleção dos entrevistados adotará um critério intencional (por julgamento), buscando incluir participantes que ilustrem casos de alta adesão e baixa adesão ao tratamento, bem como considerando a participação ou não no grupo – essa variação amostral visa compreender tanto as motivações daqueles que aderem (e possivelmente percebem benefícios no grupo) quanto as barreiras enfrentadas pelos que apresentam dificuldade em aderir. As entrevistas serão realizadas presencialmente em local reservado na UBS Dom Bosco (ou, se necessário, no domicílio do participante ou via chamada de vídeo, conforme conveniência e concordância do participante). Para conduzir as entrevistas, será utilizado um roteiro semiestruturado, contendo perguntas abertas que abordam temas como: experiências do paciente com o tratamento (facilitadores e dificultadores para seguir consultas e medicação), percepção sobre o grupo Abertamente (no caso de participantes, quais benefícios ou mudanças atribuídos ao grupo; no caso de não-participantes, razões para não participar ou expectativas caso viessem a participar), apoio social e familiar no processo de tratamento, entre outros tópicos relevantes. Com o consentimento prévio de cada entrevistado, as sessões serão gravadas em áudio (utilizando gravador digital ou outro dispositivo adequado) para garantir a captura fidedigna dos relatos. Também poderão ser tomadas notas de campo pelo entrevistador para registrar observações não verbais ou impressões imediatas. As gravações em áudio serão posteriormente transcritas para possibilitar a análise de conteúdo. 3. 4. 2 Análise de Dados Após a etapa de coleta, os dados quantitativos e qualitativos serão analisados separadamente a princípio, para então serem integrados na interpretação final (triangulação). ● Análise dos Dados Quantitativos: Inicialmente, será conduzida uma análise descritiva dos indicadores de adesão em cada grupo: serão calculadas frequências absolutas e relativas (proporções) para variáveis categóricas (por exemplo, % de consultas comparecidas, % de pacientes com uso regular da medicação). Em seguida, para avaliar diferenças entre os dois grupos de pacientes, serão aplicadas análises comparativas inferenciais. Os resultados dessas análises quantitativas fornecerão evidências objetivas sobre se o grupo Abertamente está associado a melhor adesão ao tratamento. ● Análise dos Dados Qualitativos: As entrevistas gravadas serão transcritas na íntegra e, em seguida, analisadas segundo a técnica de análise de conteúdo temática. Inicialmente, os pesquisadores farão uma leitura flutuante das transcrições para familiarização com o material. Em seguida, será realizado o processo de codificação, identificando unidades de significado nos relatos dos participantes (frases ou trechos relevantes que expressem ideias sobre adesão, barreiras, motivações, papel do grupo, etc.). Esses códigos serão então agrupados em categorias temáticas mais amplas, de forma indutiva, isto é, deixando que os temas emerjam dos dados em vez de partir de categorias pré-fixadas. Espera-se identificar temas principais que representem as barreiras à adesão (por exemplo, estigma, efeitos colaterais da medicação, dificuldades de acesso) e as motivações/facilitadores para a adesão (por exemplo, percepção de melhora, apoio social, vínculo com a equipe de saúde, benefícios percebidos do grupo Abertamente, etc.). Para assegurar o rigor da análise, será empregada a técnica de dupla verificação dos dados qualitativos: dois pesquisadores, de forma independente, analisarão um subconjunto das transcrições e desenvolverão as categorias iniciais, comparando em seguida suas codificações para refinar os temas e melhorar a confiabilidade. Divergências na codificação serão discutidas até se chegar a um consenso. Após a definição dos temas finais, os resultados qualitativos serão descritos com trechos de falas ilustrativas dos participantes, procurando-se preservar as palavras originais que exemplifiquem cada categoria (resguardando o anonimato). ● Integração dos Dados (Triangulação): Finalmente, os achados quantitativos e qualitativos serão integrados em uma análise conjunta. A triangulação dos dados permitirá contrastar e complementar os resultados: por exemplo, verificando em que medida as percepções dos pacientes (obtidas nas entrevistas) explicam ou contextualizam os padrões observados nos indicadores quantitativos de adesão. Essa integração será feita durante a discussão dos resultados, articulando os dados objetivos (por exemplo, taxas de adesão) com os subjetivos (relatos sobre experiências e fatores de influência). Dessa forma, busca-se produzir um entendimento mais abrangente e profundo sobre o impacto da participação no grupo Abertamente na adesão ao tratamento em saúde mental, combinando evidências mensuráveis com insights qualitativos sobre as vivências dos pacientes. 3.5 Considerações Éticas Este projeto de pesquisa será submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da PUC Minas antes do início da coleta de dados. Somente após a aprovação ética é que o estudo será iniciado, em conformidade com as diretrizes nacionais para pesquisas envolvendo seres humanos. Serão observados todos os preceitos éticos estabelecidos pela Resolução CNS nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, garantindo respeito, proteção e bem-estar aos participantes. Todos os participantes selecionados serão convidados a participar de forma voluntária e informada. No momento do recrutamento (e antes de qualquer procedimento de coleta de dados), o pesquisador explicará detalhadamente os objetivos da pesquisa, os procedimentos envolvidos, os possíveis benefícios e riscos, assegurando que todas as dúvidas dos participantes sejam esclarecidas. Aqueles que concordarem em participar deverão então assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), documento que formaliza o consentimento e registra que o participante compreendeu as informações e aceita participar. No TCLE estarão explicitados: a garantiade anonimato, a confidencialidade dos dados, o direito de desistência a qualquer momento e os contatos dos pesquisadores responsáveis e do CEP para eventuais dúvidas ou reclamações. Especificamente para as entrevistas qualitativas, ressalta-se que tais gravações servirão unicamente para auxiliar na transcrição e análise, sendo destruídas após o término do estudo (ou armazenadas pelo tempo exigido pelas normas éticas e depois descartadas). Durante as entrevistas, caso o participante toque em assuntos sensíveis ou apresente algum desconforto emocional, o entrevistador estará preparado para oferecer acolhimento, podendo pausar ou encerrar a entrevista se necessário, e encaminhar o participante para apoio profissional adicional (como atendimento psicológico) caso surja algum sofrimento psíquico relacionado à participação na pesquisa. Quanto aos riscos e benefícios: este estudo apresenta riscos mínimos, uma vez que envolve principalmente coleta de informações e reflexão dos pacientes sobre sua própria experiência de tratamento. Pode haver algum desconforto emocional pontual ao falar de dificuldades pessoais durante as entrevistas, mas espera-se que esse risco seja leve e temporário. Em contrapartida, os benefícios potenciais incluem a possibilidade de os participantes refletirem sobre seu processo de cuidado (o que pode, inclusive, ter um efeito positivo terapêutico leve, ao proporcionar espaço de escuta) e, em nível coletivo, os resultados da pesquisa poderão orientar melhorias no serviço de saúde mental da UBS, beneficiando futuramente os próprios participantes e outros pacientes através de intervenções aprimoradas para favorecer a adesão. 4 RECURSOS Planejamento Orçamentário para Execução do Projeto de Pesquisa ELEMENTO DE DESPESA Quantidade Valor Específico Valor Geral Transporte - R$ 100,00 R$ 100,00 Caneta Esferográfica 8 R$ 1,50 R$ 12,00 Alimentação - R$ 200,00 R$ 200,00 Xerox 200 cópias R$ 0,40 R$ 80,00 Total - - R$ 392,00 Fonte: Autoria própria. 5 CRONOGRAMA Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa Anos/meses Etapas 2025 2026 2027 Set Março Abril. - Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Definição do orientador X Submissão ao comitê de ética X Execução do projeto X X Organização dos dados X X Análise e interpretação X X Redação do relatório X Revisão do conteúdo e da metodologia X Apresentação da pesquisa X Revisão ortográfica X Entrega final X Conclusão X Apresentação X Fonte: Autoria própria. REFERÊNCIAS CARDOSO, Ana; BYRNE, Mitchell; XAVIER, Miguel. Adesão ao tratamento nas perturbações psiquiátricas: o impacto das atitudes e das crenças em profissionais de serviços de psiquiatria e saúde mental em Portugal. Parte I: aspetos conceptuais e metodológicos. Revista Portuguesa de Saúde Pública, v. 34, n. 3, p. 209-219, 2016. DOI: https://doi.org/10.1016/j.rpsp.2016.05.004. RABÊLO, Lígia Soares de Souza. Dificuldade de adesão e aceitação do tratamento por parte dos pacientes com transtorno mental. 2022. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Estratégia Saúde da Família) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Medicina, Núcleo de Educação em Saúde Coletiva, Lassance, 2022. SILVEIRA, Lia Márcia Cruz da; RIBEIRO, Victoria Maria Brant. Grupo de adesão ao tratamento: espaço de “ensinagem” para profissionais de saúde e pacientes. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 16, p. 91-104, set. 2004 / fev. 2005. APÊNDICES APÊNDICE A - Carta de Apresentação de Pesquisa Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais CARTA DE APRESENTAÇÃO À PESQUISA Ao: A/C: Prezado (a), Por meio desta carta, o grupo de discentes e docente vinculados ao Curso de Graduação em Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Núcleo Betim-MG, solicita a autorização da coleta de dados para o desenvolvimento do projeto de pesquisa com o tema: EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO. Essa pesquisa objetiva avaliar se a participação dos usuários no grupo ‘Abertamente’ está associada à melhoria da adesão ao tratamento em saúde mental. Para isso, serão analisados dados já registrados em prontuários físicos e eletrônicos da UBS Dom Bosco, respeitando integralmente os princípios éticos, a confidencialidade e o anonimato das informações. A pesquisa será conduzida após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da PUC Minas e não implicará em qualquer prejuízo às atividades assistenciais da unidade. Previamente, as pesquisadoras agradecem a atenção e colocam-se à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários. Atenciosamente, _______________________________________ Maria Clara de Paula _______________________________________ Naiara Rabelo Melo _______________________________________ ORIENTADOR APÊNDICE B - Termo de Esclarecimento Livre e Esclarecido (TCLE) TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO N° Registro CEP: CAAE ________ Título do Projeto: "EFEITOS DO GRUPO “ABERTAMENTE” NA ADESÃO AO TRATAMENTO EM SAÚDE MENTAL NA UBS DOM BOSCO" Prezado(a) Sr(a)., XXXXXXXXXXXXXXXXX ___________________________________________________________________ Pesquisadoras responsáveis: O presente estudo será assinado em (02) duas vias de igual teor. Betim, _____ de ____________________de _____ Dou meu consentimento de livre e espontânea vontade para participar deste estudo. _______________________________________ (Nome do(a) participante) _______________________________________ Assinatura do(a) participante Nós, nos comprometemos a cumprir todas as exigências e responsabilidades a nós conferidas neste termo e agradecemos pela sua colaboração e confiança. _______________________________________ Maria Clara de Paula _______________________________________ Naiara Rabelo Melo RESUMO ABSTRACT 1INTRODUÇÃO 1.1Tema 1.2Problema 1.3Hipóteses 1.4Objetivos 1.4.1Objetivo Geral 1.4.2Objetivos Específicos 1.5 Justificativas A importância desta pesquisa justifica-se pela relevância e urgência da temática da saúde mental local e globalmente, admitida em função de taxas alarmantes e crescentes quanto à utilização de medicamentos psiquiátricos, sintomas ansiosos e depressivos, auto e heteroagressividade, tentativa e execução de auto extermínio. Esses indicadores mostram um cenário preocupante de adoecimento psíquico generalizado. Ademais, com a pandemia de COVID-19, o aumento do uso de mídias sociais e a intensificação das jornadas de trabalho, houve um agravamento dos quadros de saúde mental, impactado, principalmente, pelo aumento do isolamento social. Nesse contexto, discutir saúde mental e propor instrumentos para promoção, como grupos de convivência, são vitais dentro de uma sociedade cada vez mais adoecida e em crise. Além disso, a partir da vivência no internato de Saúde Mental da PUC MG na UBS Dom Bosco, houve uma percepção geral de efeitos positivos (quanto à adesão terapêutica, ao vínculo com a instituição de saúde e ao aumento da socialização) a partir da participação dos pacientes no grupo “Abertamente”. 2REFERENCIAL TEÓRICO 3METODOLOGIA 3.1Tipo de Estudo 3.2Cenário 3.3Participantes 3. 3.1Critérios de Inclusão3. 3.2 Critérios de Exclusão 3.4 Coleta e Análise de Dados 3. 4. 1 Coleta de Dados 3. 4. 2 Análise de Dados 3.5 Considerações Éticas 4RECURSOS 5CRONOGRAMA REFERÊNCIAS