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Monitoração Eletrônica de
Pessoas no Brasil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Escola Nacional de Serviços Penais 
Secretaria Nacional de Serviços Penais
Ministério da Justiça e Segurança Pública 
 
 
Monitoração Eletrônica de 
Pessoas no Brasil 
 
 
 
Apresentação 
Cursista, seja bem-vindo(a) ao "curso Monitoração Eletrônica de Pessoas no 
Brasil". Neste curso, você irá estudar os temas específicos da monitoração 
eletrônica, como histórico e aspectos técnicos da monitoração eletrônica de 
pessoas, os marcos legais e infralegais dessa monitoração, a metodologia de 
acompanhamento da monitoração eletrônica no Brasil e a racionalização e 
proteção de dados. Vamos começar? 
 
 
 
 
1 
 
 
 
 
Ementa 
 
MÓDULO 1 – HISTÓRICO E ASPECTOS TÉCNICOS DA MONITORAÇÃO 
ELETRÔNICA DE PESSOAS 
Apresenta a origem da monitoração eletrônica de pessoas, seus 
objetivos iniciais e principais tecnologias utilizadas no mundo e no 
Brasil, destacando os equipamentos empregados e sua relevância para 
a gestão penal contemporânea. 
 
MÓDULO 2 – MARCOS LEGAIS E INFRALEGAIS DA MONITORAÇÃO 
ELETRÔNICA DE PESSOAS 
Analisa a legislação da monitoração eletrônica no Brasil, abordando-a 
como alternativa ao encarceramento, como medida cautelar e como 
instrumento de proteção às mulheres. Discute subsidiariedade, 
proteção de dados, equipes multidisciplinares e integração com redes 
de proteção social. 
 
MÓDULO 3 – METODOLOGIA DE ACOMPANHAMENTO DA 
MONITORAÇÃO ELETRÔNICA NO BRASIL 
Explora a metodologia de acompanhamento na monitoração eletrônica 
no Brasil, destacando protocolos e práticas que garantem organização, 
efetividade e acompanhamento integral das pessoas monitoradas, 
assegurando a credibilidade e a eficiência do serviço. 
 
MÓDULO 4 – PROTEÇÃO DE DADOS E USO RACIONAL DA 
MONITORAÇÃO ELETRÔNICA 
Enfatiza a importância do uso racional da monitoração eletrônica, 
destacando a proteção de dados sensíveis produzidos nos serviços, 
prevenindo riscos para pessoas monitoradas, mulheres em situação de 
violência doméstica e terceiros envolvidos. 
 
 
 
Público-alvo 
 
 
Este curso é destinado aos servidores da execução penal (policiais 
penais e servidores que atuam com políticas), bem como para 
qualquer servidor interessado em aprofundar seus conhecimentos 
sobre o assunto. 
 
2 
 
 
 
 
 
Carga horária 
 
O curso tem carga horária de 40 horas. 
 
 
 
Objetivos 
 
Capacitar profissionais para compreender os aspectos históricos, 
técnicos, legais e metodológicos da monitoração eletrônica de 
pessoas no Brasil, promovendo seu uso racional, ético e 
fundamentado na proteção de direitos e dados sensíveis. 
 
Objetivos específicos 
● Analisar a origem, evolução e as principais tecnologias utilizadas na 
monitoração eletrônica de pessoas no Brasil e no mundo. 
 
● Compreender os marcos legais e infralegais que regulam a 
monitoração eletrônica, destacando sua aplicação como medida 
alternativa ao encarceramento e como proteção a grupos 
vulneráveis. 
 
● Estudar a metodologia de acompanhamento da monitoração 
eletrônica, identificando protocolos e práticas que assegurem sua 
efetividade e integração com redes de proteção social. 
 
● Refletir sobre a importância do uso racional da monitoração 
eletrônica e da proteção de dados, prevenindo riscos e garantindo 
respeito à dignidade das pessoas monitoradas. 
 
 
 
 
3 
 
 
 
Metodologia 
 
Os quatro módulos do curso Monitoração Eletrônica de Pessoas no 
Brasil são autoinstrucionais. Eles não contam com a presença de um 
tutor para acompanhamento e orientação dos estudos e das 
atividades, nem para tirar as dúvidas por meio de sala de bate-papo 
(chat) ou de fórum de discussão. 
A realização de todo o processo (leitura dos conteúdos e realização 
das atividades) se baseia na prática de estudo diário e contínuo da 
pessoa participante. É importante seguir a ordem dos módulos, pois 
eles são cumulativos e complementares. 
 
 
Critério de Avaliação 
 
Este curso é avaliativo e, para concluí-lo, você deverá estudar todos 
os slides, realizar as atividades e obter nota igual ou superior a 
60 pontos na soma total das avaliações. Será apenas uma tentativa 
de resolução das atividades propostas, a fim de alcançar a média.
 
 
 
 
 
 
4 
 
Expediente 
 
GOVERNO FEDERAL 
 
Presidente da República 
Luiz Inácio Lula da Silva 
 
Vice-Presidente da República 
Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho 
 
Ministro da Justiça e Segurança Pública 
Wellington César Lima e Silva 
 
Secretário da Secretaria Nacional de 
Políticas Penais – SENAPPEN 
André de Albuquerque Garcia 
 
Diretora da Escola Nacional de Serviços 
Penais – ESPEN 
Stephane Silva de Araújo 
 
Equipe ESPEN 
Haynara Jocely Lima de Almeida
Josué Marques dos Santos Filho 
Leonardo Conceição Cruz 
Pedro Henrique Chavier da Silva 
Robson de Farias 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS - UFG 
 
Coordenação Geral 
Gilson Oliveira Barreto 
 
Financeiro 
Aliene Nunes Ribeiro Arantes 
Mariana Pires da Silva 
 
Administrativo 
Radson de Souza Santos 
 
Supervisão Técnica de EAD 
Alexandre Mathias Pedro 
 
Coordenação de Produção 
Diego Mendonça Camargo 
 
Coordenação de AVA 
Adelaide da Silva Carvalho Brosig 
 
Revisão Textual 
Juliana Dias Erthal 
Ana Paula Carreiro 
Design Instrucional 
Supervisão: Diego Mendonça Camargo 
Ana Paula Carreiro 
Diego Mendonça Camargo 
Fernando Basílio Portero Simon 
Juliana Dias Erthal 
 
Design Gráfico 
Carlos Gustavo Martins Hoelzel 
Diego Mendonça Camargo 
Fernando Basílio Portero Simon 
Sergio Ferreira dos Santos Junior 
Weniskley Alves Santana 
 
Programação de Recursos Educacionais 
Supervisão: Dhiego Aprigio de Carles 
Dhiego Aprigio de Carles 
Elvia Nunes Ribeiro 
Rhandy Rafhael de Carvalho 
 
Ilustração 
Biagy de Oliveira 
 
Edição de vídeo 
Supervisão: Diego Mendonça Camargo 
Airton Murakami Uemura 
 
Animação 
Supervisão: Diego Mendonça Camargo 
Airton Murakami Uemura 
Giselle Santos Almeida 
 
Audiovisual 
Bruno Vieira Dato Sant Anna 
Rodrigo Flamarion Godinho Miranda 
 
Pesquisa 
Nicoly Rubia Bento dos Santos 
Pamela Monike Honorato Soares 
Ramon Ferreira Teles 
Samanta Silva do Nascimento 
 
Conteúdo 
Supervisão: Juliana Dias Erthal 
Izabella Lacerda Pimenta 
 
 
5 
 
 
Sumário 
 
 
Módulo 1 - Histórico e aspectos técnicos da monitoração eletrônica de pessoas 8 
1.1 Das origens da monitoração eletrônica 10 
1.2 Algumas modalidades de monitoração eletrônica de pessoas 13 
1.2.1 Radiofrequência RF 13 
1.2.2 Sistema de Posicionamento global GPS 15 
1.2.3 Reconhecimento de voz 18 
1.2.4 Outras tecnologias de monitoração virtual 18 
1.2.5 Unidades portáteis de rastreamento: o caso das medidas protetivas de 
urgência 19 
Módulo 2 - Marcos legais e infralegais da monitoração eletrônica de pessoas 22 
2.1 A monitoração no ordenamento jurídico brasileiro 23 
2.1.1 A Lei nº 12.258/2010 e o Decreto nº 7.627/2011 24 
2.1.1 A Lei nº 12.403/2011 27 
2.1.3 A Lei nº 11.340/2006 29 
2.1.4 A Lei nº 14.843/2024 32 
2.2 O Modelo de Gestão para a Monitoração Eletrônica de Pessoas 33 
2.3 Resoluções e recomendações 34 
2.3.1 Resolução CNJ nº 412/2021 34 
2.3.2 Resolução CNPCP nº 31/2022 37 
2.3.3 Recomendação CNPCP nº 3/2024 38 
Módulo 3 - Metodologia de acompanhamento da monitoração eletrônica no Brasil 41 
3.1 Como são estruturados os serviços de monitoração? 42 
3.2 A Central de Monitoração Eletrônica – acompanhamento da medida judicial 43 
3.3 Procedimentos do acompanhamento da medida de monitoração eletrônica 47 
3.3.1 Sensibilização e encaminhamento pelo Judiciário para comparecimento 
 à Central 48 
3.3.2 Primeiro atendimento 48 
3.3.3 Acolhimento 49 
3.3.4 Estudo de casos 50 
3.3.5 Encaminhamentos 50 
3.3.6 Retornos/Atendimentos de rotina 51 
3.3.7 Tratamento de incidentes 52 
3.3.8 Tratamento de incidentes nos casos de medidas protetivas de urgência 55 
3.3.9 Ajustamento de cumprimento da medida 56 
3.3.10 Descumprimentos 57 
3.3.11 Relação com o Sistema de Justiça Criminal 57 
3.3.12 Relação com o Sistema de Segurança Pública 58A pessoa monitorada será orientada a retornar à Central, preferencialmente 
com horário agendado, nas seguintes circunstâncias: 
 
 
 
● Se houver problemas técnicos na tornozeleira, para eventuais 
reparos e substituições, visando a manutenção da medida 
judicial; 
● Avaliação periódica da equipe multidisciplinar (assistente 
social, bacharel em direito e psicólogo) para orientar o juiz na 
reavaliação da medida de monitoração eletrônica, sendo o 
comparecimento voluntário; 
● No prazo final da medida para remoção e devolução da 
tornozeleira; 
● Se houver demandas, sendo o comparecimento voluntário. 
 
 
 
 
51 
 
 
3.3.7 Tratamento de incidentes 
 
 
O que são incidentes? 
 
Qualquer situação que interfira no cumprimento regular da 
medida de monitoração eletrônica, não envolvendo 
necessariamente comunicação ao juiz. 
 
 
 
O que geram os incidentes? 
 
 
Os incidentes na monitoração eletrônica podem ocorrer por 
causa de um ou mais fatores, cumulativamente, incluindo falhas 
humanas diversas, mas também fatores de interferência 
secundários, como: falhas ou defeitos no equipamento de 
monitoração; cobertura reduzida ou instabilidade nos sinais de 
telefonia celular; interferências variadas nos mecanismos do 
Sistema de Posicionamento Global GPS; elementos 
relacionados à geografia, ao tipo de cobertura vegetal, à 
arquitetura das construções, às variações climáticas etc. Assim, 
a recorrência de alguns incidentes pode estar relacionada aos 
fatores de interferência secundários, sobretudo quando a 
pessoa monitorada reside, trabalha, estuda, faz tratamentos de 
saúde ou participa de atividades religiosas/espirituais em 
localidades sem ou com sinal instável de GPS e/ou telefonia 
celular. 
 
52 
 
 
 
O que é tratamento de incidentes? 
 
Os incidentes geram tratamentos diversos, visando a 
manutenção da medida e implicando na solução do incidente ou 
no ajustamento de cumprimento da medida. O tratamento de 
incidentes requer a colaboração dos setores da CME de forma 
interdisciplinar. Como a medida de monitoração prevê, 
equipamentos, componentes e tecnologias comunicacionais 
passíveis de falhas e interrupções diversas - os envios de sinal 
e contatos telefônicos, por exemplo - jamais devem ser 
efetuados uma única vez. 
 
 
 
O que é solução do incidente? 
 
Trata-se do incidente tratado com ou sem a necessidade de 
ajustamento de cumprimento da medida, retomando o curso 
normal de acompanhamento, sem envio de notificação ao Juiz. 
 
 
 
53 
 
 
 
O que é ajustamento de cumprimento da medida? 
 
 
É o procedimento que decorre da não solução do incidente, 
gerando comunicação e registro do incidente não solucionado. 
A CME deve, através do contato por telefone ou presencial com 
a pessoa monitorada, compreender e analisar as causas 
relacionadas ao incidente, alertando e repactuando a medida de 
acordo com as condições estipuladas judicialmente, de modo a 
evitar seu descumprimento com envio de notificação ao Juiz. 
Assim, se a medida for restabelecida, ocorre a solução do 
incidente e o cumprimento da medida segue normalmente, sem 
necessidade de ajustamento. 
 
 
 
 
54 
 
 
 
O que é descumprimento? 
 
É uma situação excepcional, que ocorre quando não há solução 
do incidente, com ou sem o ajustamento de cumprimento da 
medida. Neste caso é realizada a notificação ao Juiz. 
 
 
 
 
 
Atenção! 
 
 
O tratamento de determinados incidentes requer o 
comparecimento da pessoa monitorada à Central. Os 
comparecimentos devem ser preferencialmente agendados, 
evitando interromper rotinas de trabalho, estudo, tratamento de 
saúde, religião, lazer e demais atividades cotidianas. 
 
 
 
 
3.3.8 Tratamento de incidentes nos casos de medidas protetivas de urgência 
 
O tratamento de incidentes envolvendo medidas protetivas de urgência requer 
abordagens específicas para proteger mulheres em situação de violência 
doméstica e familiar. Nessa situação, a monitoração eletrônica busca não 
apenas acompanhar o homem autor da violência que está sendo monitorado, 
mas também ampliar a proteção da mulher com base nas necessidades do 
caso concreto. 
 
 
 
Determinados incidentes podem demandar o acionamento 
preventivo da polícia, tanto por demanda direta da Central de 
Monitoração Eletrônica quanto da própria mulher em risco. A 
atuação policial deve ser preventiva e colaborativa, evitando 
repressão desnecessária, e baseada em incidentes específicos 
previamente identificados pela Central. 
 
55 
 
 
Para acessar o passo a passo no tratamento de cada incidente durante a 
monitoração, consulte o Modelo de Gestão Brasil, 2020 e também o anexo da 
Resolução CNJ nº 412/2021 que deriva do Modelo. 
 
3.3.9 Ajustamento de cumprimento da medida 
 
O ajustamento de cumprimento da medida é um procedimento realizado pelas 
equipes multidisciplinares para tratar casos em que incidentes específicos não 
foram solucionados. O objetivo é compreender o contexto que gerou o 
incidente, buscar soluções que permitam o retorno ao cumprimento normal da 
medida e, se necessário, indicar a necessidade de ajustes. 
 
 
 
 
 
Observação! 
 
 
Este processo não possui caráter punitivo ou repressivo e deve 
ser conduzido com foco na sensibilização da pessoa 
monitorada, respeitando sua dignidade e evitando qualquer 
forma de violência, incluindo psicológica ou simbólica. 
 
 
O ajustamento pode ser realizado, preferencialmente, por telefone, mas, em 
casos específicos, pode demandar um encontro presencial, dependendo do 
tipo e da recorrência do incidente. Nessas situações, a equipe busca repactuar 
as condições da medida, incluindo a assinatura de um termo específico, e 
alertar a pessoa monitorada sobre possíveis notificações ao Juiz caso novos 
descumprimentos ocorram. 
 
 
Durante todo o processo, a rotina da pessoa monitorada, como 
trabalho, estudo ou tratamento de saúde, deve ser respeitada. 
Caso persistam incidentes não solucionados após as etapas de 
ajustamento, a Central deverá comunicar o fato ao Juízo para 
avaliação, sem tomar medidas punitivas e repressivas por conta 
própria. 
 
 
 
56 
 
 
3.3.10 Descumprimentos 
 
Os descumprimentos na monitoração eletrônica são incidentes não resolvidos 
que exigem notificação obrigatória ao Juízo. Esses casos devem ser 
registrados no sistema, com data e horário, seguindo protocolos estabelecidos. 
Em situações envolvendo medidas protetivas de urgência, pode ser necessário 
acionar imediatamente a polícia, de acordo com a necessidade de prevenção 
identificada pela Central ou conforme avaliação das equipes em qualquer fase 
do acompanhamento. 
 
3.3.11 Relação com o Sistema de Justiça Criminal 
 
 
 
Central de Monitoração Eletrônica deve estabelecer fluxos ágeis 
com o Judiciário. Informações sobre o cumprimento das 
medidas devem ser fornecidas no prazo acordado entre as 
partes. A equipe multidisciplinar é responsável por elaborar 
relatórios periódicos para os juízes, sugerindo a manutenção ou 
substituição da monitoração - ou de condicionalidades 
específicas - por medidas menos gravosas, considerando a 
capacidade objetiva de cumprimento de cada pessoa 
monitorada. 
 
 
O diálogo contínuo entre a Central e o Judiciário é essencial para evitar o 
agravamento da situação penal e fortalecer o aprimoramento dos serviços. O 
ajustamento de cumprimento da medida deve ser utilizado para sensibilizar e 
repactuar as condições nos casos de incidentes específicos. Recomenda-se 
que, ao invés de decretar prisão provisória em casos de descumprimento, os 
juízes analisem os relatórios de acompanhamento e as recomendações da 
equipe multidisciplinar para decisões mais adequadas e alinhadas com os 
princípios que regem a monitoração. 
 
 
 
57 
 
 
3.3.12 Relação com o Sistema de Segurança Pública 
 
 
A Central de Monitoração Eletrônica deve estabelecer fluxos 
ágeis e eficazes com as Instituições de Segurança Pública, 
promovendo a sensibilização, formação e aprimoramento 
contínuo dos agentes, especialmenteaqueles em patrulhas 
especializadas, como a Patrulha Maria da Penha, e Delegacias 
Especializadas de Atendimento à Mulher DEAMs. Cabe à 
Secretaria Nacional de Segurança Pública SENASP 
desenvolver ações de capacitação inicial e continuada para 
fortalecer políticas de enfrentamento à violência doméstica e 
familiar. 
 
 
O diálogo constante entre a Central e as Instituições de Segurança Pública é 
fundamental para tratar incidentes específicos com base em casos concretos, 
evitando o agravamento da situação penal e priorizando a eficiência das forças 
policiais. O acionamento das instituições deve ser reservado para situações 
graves, identificadas previamente pelas equipes da Central, evitando 
sobrecarregar a capacidade policial e otimizando sua atuação em demandas 
prioritárias. 
 
3.3.13 Gestão da informação 
 
É primordial que todas as etapas dos serviços de monitoração sejam 
informatizadas, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados e, igualmente, as 
“Diretrizes para Tratamento e Proteção de Dados na Monitoração Eletrônica de 
Pessoas” (Brasil, 2016). No nosso último módulo, iremos destacar aspectos 
relativos ao tema proteção de dados, já que os serviços de monitoração 
eletrônica geram dados sensíveis por sua natureza. 
 
 
 
 
58 
 
 
Módulo 4 - Proteção de dados e uso racional 
da monitoração eletrônica 
 
 
 
Olá! Chegamos no quarto e último módulo do curso. Neste 
momento, vamos indicar a importância do uso racional da 
monitoração eletrônica, e a necessidade de fomento da 
proteção de dados nesse campo, pois as informações geradas 
durante os serviços de monitoração são sensíveis, podendo 
prejudicar as pessoas monitoradas, as mulheres em situação de 
violência doméstica e familiar, além de terceiros que tenham tido 
seus dados pessoais coletados em algum momento dos 
serviços. 
 
 
 
 
4.1 A monitoração eletrônica não é infinita 
 
 
 
O uso racional da monitoração 
eletrônica no contexto penal visa 
equilibrar a necessidade de controle, 
inerente à medida, com a 
preservação dos direitos 
fundamentais das pessoas 
monitoradas, respeitando os 
princípios da proporcionalidade e da 
subsidiariedade. O uso racional da 
medida deve ter como premissa a 
redução de encarceramentos 
desnecessários e, igualmente, a 
promoção de alternativas penais 
com metodologias capazes de 
mobilizar noções focadas nas 
dimensões de auto 
responsabilização do indivíduo. 
 
59 
 
 
 
Partimos do entendimento de que a monitoração é uma medida 
própria do controle penal, um serviço público que deve ser 
utilizado de forma racional, assim como a prisão. Ou seja, há 
limites impostos quando o assunto é o crescimento da 
monitoração. No caso das medidas cautelares, a monitoração é 
indicada como a última possibilidade no rol da Lei nº 
12.403/2011, justamente por ser a medida cautelar mais gravosa. 
 
 
No caso do cumprimento de pena, o Estado não pode se eximir de prover todas 
as modalidades legalmente previstas pela Lei de Execução Penal nº 7.210/1984, 
levando em conta o fato de a monitoração não ser uma possibilidade para toda 
e qualquer pessoa. Nesse sentido, a Resolução CNJ nº 412/2021 sublinha 
limites: 
 
 
 
 
Art. 8º A medida de monitoramento eletrônico buscará 
assegurar a realização de atividades que contribuam para a 
inserção social da pessoa monitorada, especialmente: 
● I – estudo e trabalho, incluindo a busca ativa, o trabalho 
informal e o que exige deslocamentos; 
● II – atenção à saúde e aquisição regular de itens 
necessários à subsistência; 
● III – atividades relacionadas ao cuidado com filhos e 
familiares; e 
● IV – comparecimento a atividades religiosas. 
Parágrafo único. Será priorizada a adoção de medidas distintas 
do monitoramento eletrônico, em conjunto com o 
encaminhamento voluntário à rede de proteção social, nos 
casos em que: 
● I – as circunstâncias socioeconômicas da pessoa 
investigada, ré ou condenada inviabilizem o adequado 
funcionamento do equipamento, tais como: 
○ a) quando se tratar de pessoa em situação de rua; e 
 
60 
 
 
 
 
○ b) quando se tratar de pessoa que reside em moradia sem 
fornecimento regular de energia elétrica ou com cobertura 
limitada ou instável quanto à tecnologia utilizada pelo 
equipamento; 
● II – as condições da pessoa investigada, ré ou condenada 
tornarem excepcionalmente gravosa a medida, devido a 
dificuldades de locomoção, condições físicas ou 
necessidade de prestação de cuidados a terceiros, tais 
como: 
○ a) quando se tratar de pessoas idosas; 
○ b) quando se tratar de pessoas com deficiência; 
○ c) quando se tratar de pessoas com doença grave; e 
○ d) quando se tratar de gestante, lactante, mãe ou pessoa 
responsável por criança de até 12 (doze) anos ou por 
pessoa com deficiência. 
● III – as circunstâncias da pessoa investigada, ré ou 
condenada prejudiquem o cumprimento da medida, em 
razão de questões culturais, dificuldade de compreensão 
sobre o funcionamento do equipamento ou sobre as 
condições eventualmente impostas, tais como: 
○ a) condição de saúde mental; 
○ b) uso abusivo de álcool ou outras drogas; e 
○ c) quando se tratar de pessoas indígenas ou integrantes 
de comunidades tradicionais. 
 
 
De acordo com a referida normativa, a monitoração não deve impedir a 
realização de atividades voltadas para a inclusão social da pessoa monitorada. 
Ela deve, na verdade, viabilizar sua participação em atividades essenciais, 
como estudo, trabalho (inclusive o informal e com deslocamentos), cuidados 
com a saúde, atenção às necessidades básicas, assistência familiar e 
participação em atividades religiosas. Essa abordagem visa assegurar que a 
pessoa monitorada mantenha uma rotina digna e próxima à normalidade, 
respeitando seus direitos e necessidades individuais. 
 
61 
 
 
Adicionalmente, a norma prevê a priorização de alternativas à monitoração 
eletrônica, em conjunto com encaminhamentos voluntários à rede de proteção 
social, quando as condições socioeconômicas, físicas ou culturais 
inviabilizarem o adequado cumprimento da medida. 
 
 
 
Isso inclui situações como falta de infraestrutura para o 
funcionamento do equipamento (ex.: pessoas em situação de 
rua ou sem energia elétrica), limitações físicas ou de mobilidade 
(ex.: idosos, pessoas com deficiência, gestantes), ou barreiras 
culturais e de compreensão (ex.: pessoas indígenas ou com 
transtornos mentais). Essa diretriz reflete o compromisso com 
uma aplicação voltada para a garantia de direitos e cumprimento 
de deveres, adequada às realidades específicas das pessoas 
monitoradas. 
 
 
 
Adotar a monitoração de forma racional compreende vislumbrar que, dentro do 
nosso ordenamento jurídico, há inúmeras possibilidades que podem ser 
adotadas em conformidade com os princípios da adequação jurídica e social, 
por exemplo, sempre analisando os casos concretos. Além disso, é preciso 
pensar a monitoração de forma residual, uma vez que seu crescimento envolve 
mais do que o aluguel de equipamentos nas Unidades da Federação. 
 
 
 
É imprescindível contar com a contratação de equipes 
multidisciplinares para a qualificação dos serviços, a ampliação 
de estruturas físicas, a elaboração de programas de formação 
inicial e continuada, o desenvolvimento de tecnologias menos 
danosas, o monitoramento e a avaliação da política de 
monitoração eletrônica. Com isso, queremos dizer que o 
fortalecimento dos serviços não pode se restringir à mera 
ampliação, multiplicação, do aluguel de tornozeleiras. 
 
 
 
 
 
62 
 
 
Ou seja, desde o advento da lei nacional em 2010, o número de pessoas 
monitoradas tem crescido significativamente no país. De acordo com os dados 
oficiais da SENAPPEN, em 2015, o primeiro diagnóstico apontava 18.172 
monitorados, enquanto em 2023 esse número já havia alcançado 100.755, 
representando um aumento de 478,38% entre 2015 e o primeiro semestre de 
2024. 
 
 
 
Logo, caso essa tendência de crescimento se mantenha, cerca 
de 666.734 pessoas poderão sermonitoradas eletronicamente 
nos próximos dez anos. Paralelamente, o Brasil apresenta uma 
população prisional total de 888.791 pessoas em 2024, incluindo 
presos provisórios, com uma taxa de encarceramento de 418 
por 100.000 habitantes. E, apesar do crescimento expressivo da 
monitoração eletrônica, sua utilização enfrenta desafios 
significativos. 
 
 
 
De forma isolada, a medida não promove a redução da população carcerária, 
tampouco muda comportamentos de forma substancial. Para que a 
monitoração eletrônica amplie sua credibilidade, é essencial que esteja 
integrada a políticas públicas mais amplas, que garantam acesso a direitos 
fundamentais e suporte psicossocial. 
 
 
 
As perspectivas futuras apontam para a necessidade de 
fortalecer a atuação das equipes multidisciplinares nos serviços 
de monitoração. Recentemente, a política nacional tem buscado 
não apenas conter o crescimento exponencial do uso da 
tecnologia, mas também assegurar sua aplicação racional, 
alinhada a diretrizes que minimizem danos e promovam a 
reintegração social, contribuindo para um sistema penal mais 
justo e equilibrado. 
 
 
63 
 
 
 
4.2 O que é proteção de dados? 
 
 
Finalizando nosso curso, é essencial trazer aspectos atinentes à proteção de 
dados, pois a monitoração eletrônica envolve, necessariamente, o tratamento 
de dados pessoais. Quando um juiz determina a aplicação da medida de 
monitoração eletrônica, a central de monitoração deve seguir os procedimentos 
e regras estabelecidos na decisão judicial. 
 
 
 
Isso inclui a coleta de dados pessoais da 
pessoa monitorada, como nome, endereço 
residencial e profissional, contatos 
telefônicos ou eletrônicos, fotografia e dados 
de geolocalização em tempo real. Em alguns 
casos, também são registrados dados de 
familiares ou amigos, que poderão ser 
acionados em situações de incidentes 
relacionados às condições impostas pelo juiz. 
 
 
 
Esses dados são essenciais para a comunicação e regularização do 
cumprimento da medida de monitoração, garantindo que incidentes, como uma 
saída não autorizada da área delimitada, ou mesmo uma descarga de bateria, 
sejam tratados de forma a evitar a caracterização como descumprimento da 
decisão judicial. Isso é importante para evitar sanções desnecessárias para a 
pessoa monitorada, como a possibilidade de prisão em razão do incidente. 
 
 
64 
 
 
 
 
De acordo com Doneda 2011, a proteção de dados pessoais é 
amplamente reconhecida como um direito fundamental e um 
elemento essencial para a proteção da dignidade e autonomia 
individual na sociedade contemporânea. O estudioso aponta 
que o tratamento de dados, especialmente por processos 
automatizados, apresenta riscos significativos, como o uso 
indevido, a exposição ou a manipulação de informações que 
podem impactar negativamente a privacidade e a identidade das 
pessoas. 
 
 
 
Em muitos casos, os dados pessoais assumem o papel de representação da 
própria pessoa, sendo indispensáveis para sua inserção em atividades sociais e 
econômicas, o que torna sua proteção um pilar essencial para o pleno exercício 
da cidadania. 
 
 
 
O autor ressalta que o avanço tecnológico, particularmente no 
uso de bancos de dados informatizados, ampliou a capacidade 
de coleta, armazenamento e análise de informações pessoais. 
Embora essa evolução tenha potencializado os benefícios da 
informação, também elevou os riscos de abusos e violações. 
 
 
 
A legislação e as convenções internacionais têm buscado acompanhar esse 
cenário, consolidando princípios fundamentais como a transparência, a 
finalidade específica para o uso de dados, a exatidão das informações, a 
segurança e o acesso livre do titular aos seus dados. Esses princípios não 
apenas protegem a privacidade, mas também garantem a autodeterminação 
informativa, permitindo que os indivíduos controlem como suas informações 
são utilizadas. 
 
 
65 
 
 
 
No Brasil, a proteção de dados é respaldada por dispositivos 
constitucionais, como o direito à privacidade e à inviolabilidade 
da intimidade, bem como pela Lei Geral de Proteção de Dados 
LGPD. Essa estrutura normativa reflete a importância de 
regulamentar o uso de dados pessoais em consonância com os 
direitos fundamentais, alinhando-se a práticas internacionais 
que tratam o tema como uma prioridade. 
 
 
 
 
4.3 Importância da proteção de dados na monitoração eletrônica 
 
 
 
 
 
 
A proteção de dados não se limita a 
aspectos técnicos ou tecnológicos, mas 
envolve uma abordagem abrangente que 
considera os direitos fundamentais das 
pessoas, especialmente em um contexto 
de crescente digitalização e vigilância, 
incluindo as pessoas monitoradas, as 
mulheres em situação de violência 
doméstica e familiar que usam UPR, e 
terceiros que tenham seus dados 
coletados. A proteção de dados na 
monitoração requer a implementação de 
protocolos rigorosos que garantam a 
transparência no tratamento das 
informações, a segurança contra acessos 
não autorizados e a finalidade específica 
no uso dos dados. Esses protocolos devem 
ser baseados em princípios éticos e legais, 
assegurando que os dados pessoais sejam 
tratados de forma proporcional e 
adequada, sem comprometer a liberdade, a 
privacidade e a dignidade dos indivíduos. 
 
 
66 
 
 
No contexto da monitoração eletrônica no Brasil, a proteção de dados é 
fundamental para garantir os direitos fundamentais das pessoas monitoradas, 
ampliando direitos atinentes à sua dignidade e privacidade. O tratamento 
adequado desses dados é imprescindível para evitar práticas que podem 
estigmatizar ou prejudicar a pessoa monitorada, como o uso indiscriminado de 
informações sensíveis por instituições de segurança pública. Nesse sentido, a 
implementação de protocolos rigorosos é essencial para orientar a gestão das 
informações coletadas, incluindo dados de geolocalização, preservando o 
sigilo e restringindo o acesso às autoridades devidamente autorizadas, pois: 
 
 
 
(...) Em qualquer tempo, durante ou após a medida de 
monitoração, o simples fato de ter sido monitorado é 
potencialmente lesivo e discriminatório. Isso já é suficiente 
para gerar constrangimentos injustificados, impedir ou 
dificultar, por exemplo, a inserção no mercado de trabalho 
e o acesso a serviços públicos ou espaços privados de uso 
coletivo, conforme indicam os relatos dos gestores das centrais 
e das pessoas monitoradas. Logo, dados pessoais utilizados 
na monitoração eletrônica são sensíveis por natureza, pois 
podem ensejar discriminação e tratamento degradante às 
pessoas monitoradas. PIMENTA et al, 2019, p.64 
 
 
 
A ausência de protocolos claros pode levar a violações de direitos, como o 
compartilhamento não autorizado de dados com forças policiais, expondo os 
monitorados a práticas repressivas e invasivas. Segundo Pimenta et al 2019, a 
utilização de informação sobre a localização geográfica de uma pessoa é um 
dado demasiadamente sensível: 
 
 
67 
 
 
 
 
(...) justamente por proporcionar um panorama extremamente 
esmiuçado sobre os deslocamentos físicos de uma pessoa, a 
partir do qual podem ser inferidos seus hábitos, 
relacionamentos, preferências e uma série de outras ilações – 
inclusive podendo comprometer a sua segurança física. Esses 
dados interessam a atores e instituições com propósitos 
distintos dos serviços de monitoração, podendo servir 
como uma “moeda de trocaˮ altamente valorizada no mercado 
de banco de dados ou mesmo facilitar ações direcionadas 
a pessoas monitoradas. (idem, p.6465 
 
 
Para evitar tais abusos, o documento “Diretrizes para Tratamento e Proteção de 
Dados na Monitoração Eletrônica de Pessoas ,ˮ publicado em 2016 pelo extinto 
DEPEN em parceria com o PNUD, enfatiza a necessidade de alinhar os serviços 
de monitoração com as políticas penais nacionais, promovendo uma 
abordagem que privilegie a proteção de dados e a segurança da informação. 
Essas diretrizes incluem medidaspara garantir que os dados sejam utilizados 
exclusivamente para os fins determinados judicialmente e de forma 
proporcional: 
 
 
 
(...) o uso indiscriminado e indevido do banco de dados 
contendo informações pessoais sobre os indivíduos 
monitorados eletronicamente, as mulheres em situação de 
violência doméstica, assim como seus familiares, amigos, 
vizinhos e conhecidos, por culpa ou dolo, tem um potencial 
discriminatório enorme. A circulação de tais informações na 
Internet pode promover não somente a discriminação, mas 
igualmente a criminalização destas pessoas (mesmo aquelas 
que não estejam em cumprimento de medida de monitoração 
eletrônica), mantendo-as afastadas de uma vida social dentro da 
normalidade, com acesso ao trabalho, saúde, educação, etc. A 
privacidade dos indivíduos monitorados é ainda mais sensível 
porque os dados pessoais de geolocalização apresentam maior 
potencialidade lesiva no que se refere à exposição excessiva da 
intimidade, não estipulada na medida judicial, ou seja, uma 
forma abusiva de poder Brasil, 2020, p.110. 
 
68 
 
 
Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça, inspirado pelo documento 
supracitado, pelo Modelo de Gestão e os pressupostos da Lei Geral de 
Proteção de Dados Pessoais LGPD, pautou o assunto de forma incisiva: 
 
 
 
 
Art. 13. Os dados coletados durante o acompanhamento das 
medidas de monitoramento eletrônico possuem finalidade 
específica, relacionada ao cumprimento das condições 
estabelecidas judicialmente, podendo ser utilizados como 
meio de prova para apuração penal e estando, de qualquer 
forma, abrangidos pelo direito previsto no art. 5o, X, da 
Constituição Federal e legislação de proteção de dados 
pessoais. 
§ 1º Os sistemas de registro de informações do 
monitoramento eletrônico serão estruturados de modo a 
preservar o sigilo dos dados e das informações da pessoa 
monitorada, da pessoa em situação de violência doméstica e 
familiar e de terceiros. 
§ 2º O compartilhamento dos dados, inclusive com 
instituições de segurança pública, dependerá de autorização 
judicial, mediante representação da autoridade policial ou 
requerimento do Ministério Público. 
§ 3º Nas situações excepcionais em que configurado 
iminente risco à vida, os órgãos de segurança pública 
poderão requisitar diretamente à Central de Monitoramento 
Eletrônico a localização em tempo real da pessoa monitorada, 
hipótese em que o controle judicial do compartilhamento dos 
dados será realizado posteriormente. 
§ 4º Nas hipóteses do parágrafo anterior, o compartilhamento 
de dados realizado nas circunstâncias excepcionais será 
formalmente registrado, com informação sobre a data e o 
horário do tratamento, a identidade do servidor que obteve e 
do que concedeu o acesso ao dado, a justificativa 
apresentada, bem como quais os dados tratados, a fim de 
permitir o controle, além de eventual auditoria. 
 
69 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
 
 
 
 
§ 5º As informações mencionadas no parágrafo anterior serão 
encaminhadas pela Central de Monitoramento Eletrônico ao 
juízo competente em até 24 (vinte e quatro) horas após o 
compartilhamento. 
§ 6º Nos casos de incidentes específicos ocorridos no âmbito 
de medidas protetivas de urgência, a Central de 
Monitoramento Eletrônico poderá acionar preventivamente 
órgãos de segurança pública e compartilhar dados relativos à 
identificação e localização da pessoa monitorada, nos termos 
do Protocolo anexo à presente Resolução. 
§ 7º A Central de Monitoramento manterá os dados 
produzidos durante o acompanhamento de medidas de 
monitoramento eletrônico pelo prazo de 6 (seis) meses após 
o término da medida. 
§ 8º O titular dos dados tem livre acesso à integralidade dos 
dados produzidos durante o acompanhamento de medidas de 
monitoramento eletrônico e à consulta facilitada sobre a 
forma e duração do tratamento. CNJ, 2021 
 
 
 
Além de estabelecer diretrizes fundamentais para a coleta, o tratamento e o 
compartilhamento de dados no âmbito da monitoração eletrônica, garantindo 
sua utilização exclusivamente para a finalidade judicial a que se destinam, a 
norma avança na medida em que impõe limites ao compartilhamento de dados. 
 
 
 
 
70 
 
 
 
Ou seja, o compartilhamento de 
informações é condicionado à 
autorização judicial, exceto em 
situações excepcionais de iminente 
risco à vida, em que órgãos de 
segurança pública podem requisitar 
dados em tempo real, com posterior 
controle judicial e registro formal das 
circunstâncias e justificativas do 
acesso. Essa e outras disposições da 
normativa visam equilibrar o uso 
eficaz da tecnologia no cumprimento 
de medidas judiciais com a proteção 
dos direitos fundamentais, 
promovendo um sistema de 
monitoração mais ético, seguro e 
alinhado às garantias constitucionais. 
 
Outro aspecto crucial da proteção de dados é a necessidade de capacitar os 
operadores e gestores das centrais de monitoração eletrônica. Muitos 
profissionais desconhecem as implicações legais e éticas do manejo 
inadequado de dados sensíveis, o que reforça a urgência de desenvolver 
mecanismos educativos e de fiscalização. Além disso, o uso de sistemas 
seguros e a adoção de tecnologia que garanta a integridade e a 
confidencialidade das informações são imprescindíveis para evitar acessos não 
autorizados ou vazamentos. 
 
 
 
Por fim, a proteção de dados na monitoração eletrônica deve 
estar integrada a uma política que valorize a inclusão social e o 
respeito aos direitos humanos. A abordagem deve evitar que os 
monitorados sejam tratados exclusivamente como sujeitos do 
direito penal, reconhecendo-os como cidadãos plenos com 
direito à privacidade e à reintegração social. Assim, a proteção 
de dados não é apenas uma questão técnica, mas um elemento 
central para uma política de monitoração eletrônica mais justa e 
eficaz para toda sociedade. 
 
 
71 
 
 
 
Referências 
 
 
ANDERSON, Emma. The evolution of electronic monitoring devices. NPR, 
USA 2014. 
 
Brasil. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 412, de 24 de agosto de 
2021. Estabelece diretrizes e procedimentos para a aplicação e o 
acompanhamento da medida de monitoramento eletrônico de pessoas. 
 
_______. Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Recomendação 
nº 3, de 26 de março de 2024. Recomenda, nos casos de violência doméstica 
e familiar contra mulher, a submissão do agressor à monitoração eletrônica, a 
fim de assegurar a efetividade das medidas protetivas de urgência. 
 
_______. Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Resolução nº 
31, de 1º de dezembro de 2022. Regulamenta a implementação, 
acompanhamento, fiscalização e encerramento das medidas de monitoração 
eletrônica, decorrentes de ordens judiciais; estabelece providências em caso 
de descumprimento das condições impostas; e revoga a Resolução nº 5, de 10 
de novembro de 2017. 
 
________. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 
1988. 
 
_______. Decreto nº 7.627, de 24 de novembro de 2011. Regulamenta a 
monitoração eletrônica de pessoas prevista no Decreto no 3.689, de 3 de 
outubro de 1941 - Código de Processo Penal, e na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 
1984 - Lei de Execução Penal. 
 
_______. Departamento Penitenciário Nacional. Modelo de gestão para 
monitoração eletrônica de pessoas [recurso eletrônico] / Departamento 
Penitenciário Nacional, Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento; coordenação de Luís Geraldo Sant A̓na Lanfredi ... [et al.]. 
Brasília: Conselho Nacional de Justiça, 2020. 
 
72 
 
 
_______. Lei de Execução Penal, Lei 7.210, de 11 de julho de 1984. 
 
_______. Lei nº 12.258, de 15 de junho de 2010. Altera o Decreto-Lei nº 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 Código Penal), e a Lei nº 7.210, de 11 de julho de 
1984 Lei de Execução Penal), para prever a possibilidade de utilização de 
equipamento de vigilância indiretapelo condenado nos casos em que 
especifica. 
 
_______. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados 
Pessoais LGPD. 
 
 _______. Lei nº 12.403, de 04 de julho de 2011. Altera dispositivos do 
Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal, 
relativos à prisão processual, fiança, liberdade provisória, demais medidas 
cautelares, e dá outras providências. 
 
_______. Lei nº 14.843, de 11 de abril de 2024. Altera a Lei nº 7.210, de 11 de 
julho de 1984 Lei de Execução Penal), para dispor sobre a monitoração 
eletrônica do preso, prever a realização de exame criminológico para 
progressão de regime e restringir o benefício da saída temporária. 
 
_______. Ministério da Justiça / Departamento Penitenciário Nacional / Programa 
das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Diretrizes para Tratamento e 
Proteção de Dados na Monitoração Eletrônica de Pessoas. Brasília: PNUD, 
2016. 
 
DE VITTO, Renato; DAUFEMBACK, Valdirene (orgs.). Para além da prisão 
reflexões e propostas para uma nova política penal no Brasil. Belo Horizonte: 
Editora Letramento, 2018. 
 
DONEDA, Danilo. A proteção dos dados pessoais como um direito fundamental. 
Espaço Jurídico Joaçaba, v. 12, n. 2, p. 91108, jul./dez. 2011. 
 
GARLAND, David. On the concept of moral panic. In: Crime, Media, Culture. 
April, 2008, 4, p. 930. 
 
GRAHAM, Hannah. Apps, tags, tracks: ten questions about uses of technology 
in probation, 2018. 
 
 
73 
 
 
IBCCRIM. A Inconstitucionalidade da Lei 14.843/2024. Boletim IBCCRIM – ano 
32 – n.º 383 – outubro de 2024. 
 
KILGORE, James. Understanding e-carceration: electronic monitoring, te 
surveillance state and the future of mass incarceration. The New Press, NY 
2022. 
 
MARIATH, Carlos Roberto. Monitoramento eletrônico: liberdade vigiada. 
Ministério da Justiça. Brasília, 2009 
 
PIMENTA, Victor Martins; PIMENTA, Izabella Lacerda; DONEDA, Danilo. "Onde 
eles estavam na hora do crime?": Ilegalidades no tratamento de dados pessoais 
na monitoração eletrônica. Revista Brasileira de Segurança Pública. V.13. n. 1. 
Fev/Mar. 2019. 
 
 
74 
	 
	 
	 
	 
	 
	Módulo 1 - Histórico e aspectos técnicos da monitoração eletrônica de pessoas 
	1.1 Das origens da monitoração eletrônica 
	1.2 Algumas modalidades de monitoração eletrônica de pessoas 
	1.2.1 Radiofrequência (RF) 
	1.2.2 Sistema de Posicionamento global (GPS) 
	1.2.3 Reconhecimento de voz 
	1.2.4 Outras tecnologias de monitoração virtual 
	1.2.5 Unidades portáteis de rastreamento: o caso das medidas protetivas de urgência 
	 
	Módulo 2 - Marcos legais e infralegais da monitoração eletrônica de pessoas 
	2.1 A monitoração no ordenamento jurídico brasileiro 
	2.1.1 A Lei nº 12.258/2010 e o Decreto nº 7.627/2011 
	2.1.1 A Lei nº 12.403/2011 
	2.1.3 A Lei nº 11.340/2006 
	 
	 
	2.1.4 A Lei nº 14.843/2024 
	2.2 O Modelo de Gestão para a Monitoração Eletrônica de Pessoas 
	2.3 Resoluções e recomendações 
	2.3.1 Resolução CNJ nº 412/2021 
	 
	 
	2.3.2 Resolução CNPCP nº 31/2022 
	 
	 
	A Resolução nº 31/2022, publicada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), apresenta um marco normativo para a regulamentação da monitoração eletrônica no Brasil, abrangendo desde a implementação até o encerramento da medida. Essa normativa, desenhada no âmbito do Poder Executivo na figura no CNPCP, reforça o papel das Centrais de Monitoração Eletrônica, que são responsáveis pela gestão e acompanhamento dessas medidas. A resolução também busca padronizar os procedimentos em nível nacional, garantindo uniformidade e eficiência na execução das medidas. 
	 
	 
	2.3.3 Recomendação CNPCP nº 3/2024 
	 
	 
	Módulo 3 - Metodologia de acompanhamento da monitoração eletrônica no Brasil 
	3.1 Como são estruturados os serviços de monitoração? 
	3.2 A Central de Monitoração Eletrônica – acompanhamento da medida judicial 
	3.3 Procedimentos do acompanhamento da medida de monitoração eletrônica 
	3.3.1 Sensibilização e encaminhamento pelo Judiciário para comparecimento à Central 
	 
	3.3.2 Primeiro atendimento 
	3.3.3 Acolhimento 
	3.3.4 Estudo de casos 
	3.3.5 Encaminhamentos 
	3.3.6 Retornos/Atendimentos de rotina 
	 
	 
	 
	3.3.7 Tratamento de incidentes 
	 
	3.3.8 Tratamento de incidentes nos casos de medidas protetivas de urgência 
	 
	3.3.9 Ajustamento de cumprimento da medida 
	 
	3.3.10 Descumprimentos 
	 
	3.3.11 Relação com o Sistema de Justiça Criminal 
	3.3.12 Relação com o Sistema de Segurança Pública 
	3.3.13 Gestão da informação 
	 
	 
	Módulo 4 - Proteção de dados e uso racional da monitoração eletrônica 
	4.1 A monitoração eletrônica não é infinita 
	4.2 O que é proteção de dados? 
	 
	 
	Finalizando nosso curso, é essencial trazer aspectos atinentes à proteção de dados, pois a monitoração eletrônica envolve, necessariamente, o tratamento de dados pessoais. Quando um juiz determina a aplicação da medida de monitoração eletrônica, a central de monitoração deve seguir os procedimentos e regras estabelecidos na decisão judicial. 
	4.3 Importância da proteção de dados na monitoração eletrônica 
	 
	Referências3.3.13 Gestão da informação 58 
 
6 
 
Módulo 4 - Proteção de dados e uso racional da monitoração eletrônica 59 
4.1 A monitoração eletrônica não é infinita 59 
4.2 O que é proteção de dados? 64 
4.3 Importância da proteção de dados na monitoração eletrônica 66 
Referências 72 
 
 
 
 
 
7 
 
 
Módulo 1 - Histórico e aspectos técnicos da 
monitoração eletrônica de pessoas 
 
 
 
Olá, cursista! Neste primeiro módulo, estudaremos alguns 
aspectos históricos e técnicos da monitoração. Ou seja, a ideia é 
entendermos onde surgiu a monitoração e com qual intuito, bem 
como os principais tipos de tecnologias e equipamentos usados 
no mundo e, principalmente, no Brasil. 
 
 
Os serviços de monitoração 
eletrônica apresentam marcos 
históricos, legais e infralegais, 
incluindo metodologias próprias 
para a aplicação e o 
acompanhamento da medida nas 
fases de instrução e execução 
penal. É essencial que os serviços 
estejam alinhados com os 
princípios que regem a monitoração 
no Brasil, sendo necessários o 
constante aprimoramento e a 
capacitação dos profissionais com 
base nas diretrizes e no desenho 
metodológico que orientam a 
política nacional, expressos no 
Modelo de Gestão para a 
Monitoração Eletrônica de Pessoas 
Brasil, 2020. 
 
 
 
8 
 
 
Nesse sentido, o curso tem o objetivo principal de disseminar 
conhecimento para os trabalhadores que atuam nos serviços de 
monitoração eletrônica, incluindo metodologias, protocolos, 
dimensões legais e multidisciplinares para a racionalização da 
medida com foco na garantia de direitos. Ademais, espera-se 
compartilhar conteúdo específico aos servidores e demais 
trabalhadores afetos aos serviços de monitoração eletrônica de 
pessoas, e que isso seja capaz de auxiliá-los num 
acompanhamento integral da pessoa monitorada. 
 
 
Para tanto, consoante aos princípios do Estado democrático de direito, a 
medida deve ser capaz de assegurar direitos fundamentais e o cumprimento de 
deveres prescritos judicialmente, compreendendo que a efetividade da medida 
deve estar alinhada com o pressuposto da liberdade, ainda que vigiada, e nos 
princípios da normalidade, da adequação social, do menor dano, da 
provisoriedade, entre outros. Ou seja, o propósito da monitoração não é – ou 
não deveria ser – o aprisionamento de pessoas, tampouco a retroalimentação 
do cárcere. Daí, a importância de trabalhadores qualificados e alinhados com 
as metodologias aqui expostas. 
 
 
 
 
 
 
 
Para aprofundar o conhecimento aqui 
compartilhado, destacamos a importância da 
leitura do Modelo de Gestão para a 
Monitoração Eletrônica de Pessoas: 
 
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/ 
2020/09/Modelo_Monitoracao_miolo_FINAL_ 
eletronico.pdf 
 
 
 
 
 
 
 
9 
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/
 
 
Vale a pena ainda assistir os dois vídeos a seguir. Eles são voltados para a 
sociedade em geral e aos aplicadores da monitoração eletrônica, 
respectivamente: 
 
 
1. Monitoração eletrônica - O que é e como funciona 
 
 
Monitoração eletrônica - O que é e como funciona 
 
https://www.youtube.com/watch?v=jKWNuptg5co 
 
 
 
2. Monitoração eletrônica - Auxiliando a prestação de Justiça 
 
 
Monitoração eletrônica - Auxiliando a prestação 
de Justiça 
 
https://www.youtube.com/watch?v=H9RiaagqBQg 
 
 
 
 
1.1 Das origens da monitoração eletrônica 
 
 
 
A monitoração eletrônica de pessoas encontra suas raízes em experimentos no 
Canadá nos anos 1940, mas passa a ganhar forma mais consolidada nas 
décadas seguintes. A criação da tornozeleira é inspirada, entre outras coisas, 
pela ficção, sendo posteriormente adotada como mecanismo de controle penal 
e punitivo em inúmeros países do globo. 
 
10 
https://www.youtube.com/watch?v=jKWNuptg5co
https://www.youtube.com/watch?v=H9RiaagqBQg
 
 
 
 
Com base nos estudos de Kilgore 2022, esse conceito foi 
aprofundado na década de 1960 pelos gêmeos Robert e Ralph 
Schwitzgebel (que mudaram seus sobrenomes para Gable em 
1983. Os Gable desenvolveram dispositivos para o controle de 
jovens em conflito com a lei, tendo como um dos principais 
parceiros de trabalho, o psicólogo norte americano B. F. Skinner, 
considerado o pai do behaviorismo radical. 
 
 
 
Naquele momento, a ideia baseava-se na explicação equivocada e simplista de 
que as pessoas vão parar na prisão por conta de “mau comportamentoˮ e 
“escolhas ruins .ˮ Assim, “uma suposta cura estava fundada no uso da 
tecnologia correta para estimular a mudança de comportamento, ao invés de 
remodelar a consciência ou reconstruir o ambiente social onde o suposto mau 
comportamento ocorreu.ˮ 11 Kilgore, 2022, p.3622 
 
 
 
 
Nessa direção, a tornozeleira eletrônica 
emerge inspirada também pela ficção, 
um instrumento tecnológico que, a partir 
dos anos 1980, ganhou forte impulso 
nos Estados Unidos. Naquela ocasião, o 
juiz Jack Love, do Novo México, 
encomendou o projeto do dispositivo ao 
engenheiro Michael Goss, inspirado por 
um episódio da série Homem-Aranha, 
em que o herói era rastreado por um 
bracelete eletrônico. 
 
2 Mais adiante vamos ver que a tecnologia por si só, isto é, a tornozeleira é incapaz de 
mudar comportamentos, valores e visões de mundo. 
1 Tradução livre da autora. 
 
11 
 
 
Em 1983, Love autorizou experimentalmente o uso do dispositivo em 
sentenciados na cidade de Albuquerque e, rapidamente, a prática se expandiu 
pelo país. Para se ter uma ideia desse crescimento exacerbado, em 1988, cerca 
de 2.300 pessoas privadas de liberdade eram monitoradas eletronicamente nos 
EUA, número que saltou para 95.000 uma década depois, refletindo a 
crescente população carcerária global e o avanço de tecnologias de controle 
penal, conforme será aprofundado mais adiante. 
 
 
Podemos dizer, então, que uma das nações que mais 
impulsionou o desenvolvimento dessa tecnologia foram os 
Estados Unidos na década de 1980, pois a vigilância eletrônica 
passou a ser adotada no controle de pessoas condenadas 
judicialmente. Teoricamente, é possível dizer que a monitoração 
eletrônica surgiu numa perspectiva associada à ideia de gerar 
menor impacto na vida social das pessoas monitoradas. Ou seja, 
fazê-las cumprir determinadas restrições em sua vida cotidiana, 
prevendo horários específicos de recolhimento, territórios 
permitidos (áreas de inclusão) e territórios proibidos (áreas de 
exclusão), evitando aprisioná-las em unidades prisionais. 
 
 
 
É possível entender que as modernas formas de utilização da monitoração vão 
aproximá-la cada vez mais das contemporâneas formas de vigilância 
disciplinar, prevendo restrições não apenas na liberdade e na circulação das 
pessoas monitoradas, mas limitando o acesso a serviços públicos 
fundamentais, conforme trataremos ao longo do curso. Considerando o 
estigma imposto pela tornozeleira eletrônica, é comum que várias pessoas 
monitoradas tenham dificuldades em conseguir trabalho, tratamento de saúde, 
educação, entre outros direitos constitucionalmente previstos no Brasil. 
 
 
 
Se olharmos ao redor do mundo, há inúmeros equipamentos que 
foram desenvolvidos para a monitoração eletrônica de pessoas, 
com o foco, sobretudo, na localização. A seguir temos, de forma 
resumida, as principais modalidades de monitoração eletrônica 
em termos de tecnologias, adotadas, principalmente, no escopo 
da justiça criminal. 
 
 
12 
 
 
 
 
1.2 Algumas modalidades de monitoração eletrônica de pessoas 
 
 
1.2.1 Radiofrequência RF 
 
Esta tecnologia usa um receptor – um aparelho que se assemelha a um telefone 
fixo – que requer uma fonte de energia elétrica e uma linha telefônica fixa para 
transmitir dados. As pessoas monitoradas sob essa tecnologia usam um 
transmissor não removível (tornozeleira), à prova dʼágua e resistente a 
choques, fixado no pulso ou tornozelo 24 horas por dia. Em geral, os países 
que adotam a radiofrequência na monitoração eletrônica têm optado pela 
instalaçãono tornozelo, sendo o pulso uma opção em caso de necessidade 
médica comprovada. A tornozeleira de radiofrequência costuma ter uma bateria 
interna e não precisa ser recarregada diariamente, como ocorre com a 
tornozeleira de GPS. 
 
 
A tornozeleira RF envia sinais de rádio constantes ao receptor 
quando está dentro do alcance detectável do receptor (base 
assemelhada à um telefone fixo). Assim, quem acompanha a 
pessoa monitorada – a central de monitoração eletrônica – é 
notificada caso o equipamento seja manipulado ou quando a 
pessoa monitorada entra ou sai de uma localização específica 
(como a residência). A tornozeleira de tecnologia RF é 
amplamente utilizada para casos envolvendo prisão domiciliar e 
seus variados arranjos, permitindo à Central verificar se a 
pessoa monitorada está em sua residência (onde fica instalada a 
base fixa - receptor), durante horários específicos. 
 
 
 
 
Casos em que o Poder Judiciário – ou quem prescreve a monitoração – entende 
ser necessário o maior controle no que se refere à localização, extrapolando 
apenas a residência, como costuma ocorrer nas prisões domiciliares, há outras 
opções disponíveis no mercado pautadas noutras tecnologias. 
 
 
13 
 
 
 
 
 
 
Você sabia que em alguns países há outros atores envolvidos na 
prescrição da monitoração eletrônica? Isso mesmo! Há vários 
sistemas de justiça criminal que têm um profissional chamado 
probation officer, instituído em seu ordenamento jurídico de 
maneira a acompanhar/supervisionar as pessoas que estão em 
cumprimento de pena ou alguma medida diversa da prisão - 
meio aberto, semiaberto, monitoração eletrônica, alternativas 
penais, livramento condicional. Esse profissional, que não é um 
policial penal, é um funcionário voltado para a reinserção social, 
acompanhando, no nosso caso específico, a monitoração 
eletrônica com foco na pessoa monitorada. Em algumas 
situações, o probation officer pode impor, modificar ou revogar 
condicionalidades da medida, sempre com o propósito de 
(re)integrar os indivíduos à sociedade. Noutros casos, apenas o 
magistrado impõe, modifica ou revoga as condicionalidades, 
ficando o probation responsável pelo acompanhamento da 
pessoa monitorada com atenção à prescrição judicial, garantia 
de direitos e de serviços públicos já instituídos. De todo modo, 
esse profissional extrapola a dimensão do controle estrito e 
próprio da monitoração, incorporando atividades destinadas à 
inserção social e de aderência às normas/leis e regras sociais. 
 
 
 
TORNOZELEIRA DE 
RADIOFREQUÊNCIA 
BASE FIXA 
(receptor) 
 
 
 
14 
 
 
1.2.2 Sistema de Posicionamento global GPS 
 
 
Conforme destacamos, diversas nações do mundo optam por adotar as 
tornozeleiras de radiofrequência quando se trata de, por exemplo, prisão 
domiciliar. Existe um entendimento de que a radiofrequência é suficiente para 
monitorar o recolhimento da pessoa em sua residência. De todo modo, há 
países que, além da tornozeleira de radiofrequência, também combinam o uso 
de equipamentos de GPS. Em tais situações, observam-se casos concretos em 
que há necessidade de acompanhamento mais detido da geolocalização da 
pessoa. Nessas localidades, quem aplica a medida pode, além de indicar 
condicionalidades específicas, informar que tipo de tecnologia é mais 
adequada para cada situação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As tornozeleiras que funcionam com base no sistema de posicionamento global 
têm um rastreador de geolocalização não removível. Teoricamente, esse 
equipamento deve ser à prova dʼágua, resistente a choque e a 
superaquecimento, pois deve permanecer fixado ao tornozelo da pessoa 
monitorada 24 horas por dia. Ainda nessa direção, a pessoa monitorada, 
segundo o princípio da normalidade e do menor dano Brasil, 2020, deve estar 
apta a realizar as mais variadas atividades no seu dia a dia. Todavia, a pessoa 
monitorada, principalmente no Brasil, precisa carregar a tornozeleira uma ou 
mais vezes ao dia, podendo chegar até 4 horas diárias de recarga, depende da 
qualidade da bateria adotada. 
 
 
15 
 
 
 
 
 
Você sabia que há diversos modelos de tornozeleira? 
Dependendo do modelo da tornozeleira, a recarga pode acontecer 
mantendo a pessoa monitorada conectada à uma tomada de energia 
elétrica por até mais de 4 horas diárias. 
Mas, existem modelos também que conseguem permanecer 
carregados por 1 até 2 semanas, o que minimiza os incidentes 
associados aos processos de carga e recarga do equipamento. 
Há modelos de tornozeleira existentes que adotam um carregador 
portátil que é acoplado no equipamento durante a recarga, 
aumentando o peso e o volume da tornozeleira, mas permitindo o 
deslocamento da pessoa monitorada durante o procedimento e, 
segundo a literatura, evitando descargas elétricas e 
superaquecimento. 
 
A geolocalização é detectada via satélite, de forma combinada com torres de 
celular e/ou Wi-Fi. As tornozeleiras de GPS recebem sinais de satélite, mas não 
transmitem dados nem requerem visão desobstruída do céu. Dessa maneira, os 
fluxos operados por esse tipo de tecnologia permitem com que cada satélite 
GPS transmita dados, indicando a localização e a hora atual da pessoa 
monitorada. Esse tipo de tornozeleira costuma ser adotada quando há 
necessidade de acompanhamento da geolocalização da pessoa monitorada de 
forma integral, especialmente em casos de risco a terceiros, o que inclui 
mulheres em situação de violência doméstica e familiares no contexto da Lei 
Maria da Penha. 
 
 
No cenário brasileiro, os aspectos técnicos da monitoração incluem o 
uso de tornozeleiras eletrônicas, isto é, dispositivos de rastreamento 
que emitem sinais para uma central de controle (comumente 
denominada Central de Monitoração Eletrônica), monitorando a 
localização do indivíduo em tempo quase real e acompanhando as 
restrições impostas pelo Poder Judiciário. Ou seja, o Estado brasileiro 
optou pela utilização exclusiva de tornozeleiras de GPS. Não há 
tornozeleiras com tecnologia de radiofrequência sendo utilizadas no 
Brasil, uma prática que poderia ser revisada, pois inúmeros países 
adotam as duas tecnologias. 
 
16 
 
 
 
 
 
 
Você sabia que a tornozeleira de radiofrequência, além de ser mais 
barata para o Estado, ela é menos danosa para a pessoa monitorada? 
Isso! A pessoa monitorada não precisa carregar a tornozeleira de 
radiofrequência porque sua bateria interna, como acontece com os 
relógios digitais de pulso, podem durar meses ou anos. Além disso, 
ela é mais leve do que a tornozeleira de GPS. Alguns exemplos de 
tornozeleiras com base em tecnologia de GPS 
 
 
17 
 
 
1.2.3 Reconhecimento de voz 
 
 
 
 
 
Você sabia que além das tornozeleiras de 
radiofrequência e de GPS, há dispositivos 
que funcionam com base em 
Reconhecimento de Voz? Nesses casos, 
chamadas telefônicas programadas ou 
aleatórias são realizadas pela Central e 
devem ser recebidas da residência da 
pessoa monitorada para verificar sua 
presença. De forma geral e simplificada, 
esta tecnologia requer uma linha telefônica 
fixa. Além disso, os incidentes costumam 
não exigir uma resposta imediata da 
Central. Por outro lado, os 
servidores/trabalhadores da Central 
devem, assim como ocorre nos exemplos 
de monitoração, atuar com base em 
protocolos no tratamento de incidentes, 
informando o juízo quando há um incidente 
não solucionado que se configurou em 
descumprimento da decisão judicial, como 
vamos ver mais adiante. De forma geral, 
essa tecnologia costuma ser empregada 
para pessoas consideradas de baixo risco. 
 
 
1.2.4 Outras tecnologias de monitoração virtual 
 
Apesar de vários países adotarem tornozeleiras – RF e/ou GPS – quando o 
assunto é justiça criminal, ou seja, para monitorar pessoas que estão 
respondendo por um crime ou que cumprem uma condenação judicial, já 
existem no mercado aplicativos instalados em smartphones para controlar a 
geolocalização. 
 
 
 
18 
 
 
 
 
Assim, há aplicativos que, de tempos em tempos, exigemque a 
pessoa informe sua localização usando os serviços de 
localização do dispositivo e tecnologia de identidade (como 
reconhecimento facial, impressão digital e/ou senha). 
 
 
 
Essa tecnologia não é disseminada no campo da justiça criminal e, quando o 
assunto é monitoração eletrônica de pessoas em cumprimento de cautelar ou 
mesmo na execução penal, o que temos, tanto no mundo, quanto no Brasil, são 
as tornozeleiras eletrônicas de radiofrequência e/ou GPS. 
 
1.2.5 Unidades portáteis de rastreamento: o caso das medidas protetivas de 
urgência 
 
Por fim, longe de esgotar o 
cenário de possibilidades 
tecnológicas e de dispositivos da 
monitoração eletrônica de 
pessoas, mas focando no caso 
brasileiro, temos nos casos 
envolvendo violência doméstica 
e familiar, o uso facultativo pela 
mulher de uma unidade portátil 
de rastreamento UPR, 
comumente chamada “botão do 
pânico .ˮ A UPR permite a criação 
de áreas de exclusão dinâmica, 
indicando para a central de 
monitoração eletrônica uma 
eventual aproximação entre o 
homem autor de violências 
monitorado e a mulher em uso de 
UPR. 
 
 
 
19 
 
 
Originalmente, a monitoração eletrônica tinha uma proposta teórica de reduzir o 
impacto do encarceramento na vida social dos monitorados. A ideia era permitir 
que cumprissem determinadas restrições fora do ambiente prisional, 
observando-se horários de recolhimento, áreas de inclusão e exclusão, 
possibilitando que permanecessem inseridos em seus contextos sociais, 
familiares e laborais. 
 
 
 
 
Na prática, no entanto, o uso da monitoração eletrônica se 
aproximou das contemporâneas formas de vigilância disciplinar, 
restringindo não só a liberdade de ir e vir, mas também o acesso 
a serviços essenciais. O estigma associado à tornozeleira gera 
obstáculos na obtenção de trabalho, atendimento de saúde e 
acesso à educação, limitando direitos que, em tese, deveriam 
ser garantidos aos monitorados, como previsto pela 
Constituição brasileira. 
 
 
 
Contudo, a expansão da monitoração eletrônica traz à tona ambiguidades e 
desafios, especialmente no que diz respeito à sua eficácia na redução do 
encarceramento e ao estigma que impõe. Ao transformar o corpo do 
monitorado em um espaço de vigilância, a tornozeleira cria uma liminaridade 
entre prisão e liberdade, reforçando simbolicamente a conexão com o sistema 
punitivo e comprometendo engajamentos sociais dentro do princípio da 
normalidade. 
 
 
 
A monitoração eletrônica, assim, representa uma ferramenta 
que mistura aspectos de vigilância tradicional com tecnologias 
modernas de controle, sublinhando o desafio de equilibrar a 
responsabilização penal com a preservação de direitos 
fundamentais, especialmente no que tange à promoção da 
dignidade e à reintegração social dos monitorados. 
 
20 
 
 
 
Na ilustração ao lado, baseada em uma 
fotografia de meados da década de 
1960, Gable, cofundador do cinturão de 
monitoração eletrônica, utiliza 
equipamento de localização de mísseis 
excedentário de guerra para localizar 
jovens em conflito com a lei que usam 
os primeiros dispositivos de 
monitoração eletrônica. 
 
 
Para fecharmos esse módulo e continuarmos o curso, é importante 
compreender que: 
 
 
Não importa o que a tecnologia é capaz de fazer, não devemos 
nunca perder de vista o porquê ela tem sido usada, ou mesmo 
se precisa ser usada em certos casos. Novos usos da tecnologia 
não são necessariamente inovadores se não forem éticos e 
efetivos, e esse assunto é um campo fértil, justificando a 
necessidade de mais pesquisas 13 (GRAHAM, 2018. 
 
 
 
3 Tradução livre da autora 
 
21 
 
 
Módulo 2 - Marcos legais e infralegais da 
monitoração eletrônica de pessoas 
 
 
Olá, cursista! Neste Módulo 2, estudaremos os marcos legais e 
infralegais da monitoração eletrônica no Brasil, discutindo-os 
como sendo alternativas ao encarceramento, à medida cautelar, 
e como ferramenta de proteção às mulheres em situação de 
violência doméstica. Também serão abordados o princípio da 
subsidiariedade, a proteção de dados e a atuação de equipes 
multidisciplinares. Por fim, reforça a importância da integração 
com redes de proteção social para além do controle penal. 
 
 
 
Continuando o nosso percurso formativo 
acerca da monitoração eletrônica, é 
essencial pontuar que a medida, tanto na 
instrução penal (momento processual em 
que a pessoa não tem uma condenação 
judicial), quanto na execução penal 
(etapa processual na qual a pessoa já 
tem uma condenação judicial e está em 
cumprimento de pena), advém de uma 
decisão judicial. 
 
 
 
Com isso, queremos dizer que, no nosso 
ordenamento jurídico, a monitoração 
eletrônica é uma medida judicialmente 
imposta, amparada por leis e outras 
normativas, além de contar com um 
arcabouço principiológico e metodológico 
próprio expresso no Modelo de Gestão 
para Monitoração Eletrônica de Pessoas 
Brasil, 2020 que orienta a política 
nacionalmente. 
 
22 
 
 
Por isso, é importante compreendermos os principais pontos de cada um 
desses documentos orientadores e leis nesse momento. Iniciaremos esse 
módulo com as leis que versam sobre a monitoração de forma direta e indireta. 
Em seguida, trataremos do aspecto principiológico da monitoração sublinhado 
no Modelo de Gestão. Finalmente, indicaremos pontos essenciais da Resolução 
CNJ nº 412/2021, Resolução CNPCP nº 31/2022 e a Recomendação CNPCP nº 
3/2024. 
 
 
2.1 A monitoração no ordenamento jurídico brasileiro 
 
 
No Brasil, no início dos anos 2000, mais especificamente em 2001, propostas 
legislativas começaram a ser apresentadas no Congresso Nacional com o 
objetivo de regulamentar a monitoração eletrônica de pessoas. Esse 
movimento surgiu, em grande medida, como uma tentativa de resposta à 
crescente crise de superlotação nos estabelecimentos prisionais, que já 
evidenciava a precariedade estrutural do sistema penitenciário nacional 
Mariath, 2009. 
 
 
O contexto à época viabilizou o debate sobre os primeiros 
projetos de lei relativos ao tema, notadamente ancorados na 
ideia da alegada “falênciaˮ do sistema prisional. Um dos intuitos 
era a busca de possibilidades para solucionar os problemas do 
universo prisional que, desde seus primórdios, viola o princípio 
basilar da Constituição Federal de 1988, seja qual for a 
dignidade da pessoa humana. 
 
 
 
Na narrativa que acompanhava essas iniciativas, destacava-se a promessa de 
redução de custos para o Estado e a possibilidade de promover a “reinserção 
socialˮ de pessoas em privação de liberdade que passariam a estar 
monitoradas eletronicamente. 
 
 
 
23 
 
 
No entanto, na prática, os resultados alcançados ficaram aquém 
do esperado. Longe de cumprir as metas declaradas, a 
monitoração eletrônica não se apresentou como uma 
possibilidade efetiva para frear o encarceramento em massa no 
Brasil, tampouco colaborou para processos de reintegração 
social de fato. 
 
 
2.1.1 A Lei nº 12.258/2010 e o Decreto nº 7.627/2011 
 
A primeira lei a regulamentar a monitoração eletrônica foi instituída em 2010 no 
Brasil. A Lei nº 12.258/2010 introduziu algumas possibilidades de aplicação da 
monitoração eletrônica: 
 
 
 
Saída temporária ao preso que estiver em 
cumprimento de pena em regime semiaberto (art. 
146B, inciso II; 
 
 
 
 
 
Quando a pena estiver sendo cumprida em prisão 
domiciliar (art. 146B, IV. 
 
 
 
 
Ainda tímida e lacunosa, a lei supracitada não apresenta sequer o conceito da 
monitoração eletrônica. No ano seguinte, o Decreto nº 7.627/2011 que 
regulamenta a referida lei passa a estabelecer algumas diretrizes fundamentais 
para os serviços de monitoração eletrônica, destacando que os direitos e 
deveres das pessoas monitoradas devem ser claramente definidos e 
registrados em documento oficial. 
 
24 
 
 
 
 
 
Essa exigência visa garantir transparência e segurança jurídica, 
assegurando que todos os aspectos relacionados à medida 
sejam compreendidos pelas partes envolvidas. O decreto 
também indica quecabe aos órgãos de gestão penitenciária a 
responsabilidade pela administração, execução e fiscalização 
das medidas de monitoração, ressaltando a necessidade de 
equipes multidisciplinares para acompanhar de forma integral a 
aplicação da tecnologia. 
 
 
 
 
Nesse contexto, passa a ser essencial a articulação da monitoração eletrônica 
com os serviços da rede de proteção social. Essa integração tem como 
objetivo, entre outras coisas, mitigar práticas discriminatórias, abusivas e 
prejudiciais durante a execução da medida, ao mesmo tempo em que busca 
assegurar a manutenção e ampliação do acesso das pessoas monitoradas ao 
trabalho, à educação, à saúde e ao fortalecimento de vínculos sociais e 
comunitários. 
 
 
 
 
A legislação, ao definir essas diretrizes, reforça que a 
monitoração não pode limitar o direito da pessoa monitorada de 
exercer atividades laborais, educacionais ou de convivência 
comunitária, desde que estejam em conformidade com os 
requisitos da medida prescritos judicialmente. Igualmente, não 
deve haver punições, sanções ou exigências adicionais além 
daquelas previstas nas condições expressamente definidas para 
a monitoração pelo juízo. 
 
 
 
 
 
25 
 
 
A Central de Monitoração Eletrônica CME, portanto, é responsável por 
acompanhar a prescrição judicial de forma estrita. Os encaminhamentos 
realizados pelas equipes multidisciplinares são realizados para colaborar no 
cumprimento da medida e no acesso a direitos pelas pessoas monitoradas, 
sempre em caráter voluntário. Com isso, queremos dizer que as pessoas 
monitoradas ou as mulheres em situação de violência doméstica e familiar são 
encaminhadas para serviços da rede de forma voluntária. A CME não pode 
gerar deveres e obrigações que não estejam prescritos judicialmente. 
 
 
 
 
O decreto, igualmente, reconhece os impactos negativos da 
monitoração eletrônica, como os danos físicos, psicológicos e 
sociais, e por isso enfatiza que o uso dos dispositivos deve 
respeitar a integridade física, moral e social das pessoas 
monitoradas. Ademais, o documento sublinha a 
responsabilização direta dos gestores das Centrais de 
Monitoração e de seus funcionários no tratamento e 
manipulação dos dados pessoais gerados durante os serviços. 
 
 
 
Essas informações, que incluem dados de localização e rotina das pessoas 
monitoradas, são classificadas como sensíveis. Isso quer dizer que tais dados, 
se mal utilizados, podem levar à discriminação, à exposição ou a tratamentos 
degradantes das pessoas monitoradas, das mulheres em situação de violência 
doméstica que utilizam UPR e de terceiros que tenham seus dados coletados 
pelas Centrais. Tal abordagem reforça o compromisso que o Estado deve ter na 
garantia da proteção integral dos direitos humanos das pessoas monitoradas, 
assegurando que a tecnologia seja utilizada de forma ética e responsável.
 
26 
 
 
2.1.1 A Lei nº 12.403/2011 
 
Ampliando o escopo das hipóteses legais de aplicação da monitoração 
eletrônica, em 2011, a chamada Lei das Cautelares passa a prever a medida 
como uma possibilidade à prisão preventiva: 
 
 
 
 
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas 
condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; 
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares 
quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o 
indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para 
evitar o risco de novas infrações; 
III - proibição de manter contato com pessoa determinada 
quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o 
indiciado ou acusado dela permanecer distante; 
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a 
permanência seja conveniente ou necessária para a 
investigação ou instrução; 
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de 
folga quando o investigado ou acusado tenha residência e 
trabalho fixos; 
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade 
de natureza econômica ou financeira quando houver justo 
receio de sua utilização para a prática de infrações penais; 
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes 
praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos 
concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código 
Penal) e houver risco de reiteração; 
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o 
comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu 
andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem 
judicial; 
IX - monitoração eletrônica. 
Lei nº 12.403/2011, Art. 319 
 
27 
 
 
 
 
É importante notar que as 
medidas cautelares 
diversas da prisão são 
ferramentas previstas na 
legislação que podem ser 
aplicadas isoladamente ou 
em conjunto, dependendo 
das especificidades de 
cada caso concreto. 
Dentro desse rol, a 
monitoração eletrônica é 
classificada como a última 
alternativa disponível, 
conforme estabelecido no 
dispositivo jurídico 
aplicável. 
 
 
 
Esse posicionamento reflete o entendimento de que a monitoração eletrônica 
deve ser utilizada de forma subsidiária e residual, sendo acionada somente 
após a análise de outras modalidades menos restritivas previstas em lei. Tal 
abordagem reforça seu caráter de instrumento complementar para evitar o 
encarceramento desnecessário e para lidar com o elevado número de pessoas 
em privação de liberdade provisória, conforme preconizado pela Resolução nº 
213 do Conselho Nacional de Justiça 2015. 
 
 
Em suma, a monitoração eletrônica deve ser considerada 
apenas quando nenhuma outra medida cautelar menos gravosa 
se mostrar adequada ao caso. Nesse sentido, ela deve funcionar 
como uma alternativa ao cárcere, e não como uma forma de 
restringir liberdades que poderiam ser mantidas sem tal 
controle. Este princípio é fundamental para assegurar que a 
medida não seja empregada como um instrumento de ampliação 
do controle penal sobre indivíduos que poderiam permanecer 
em liberdade sem necessidade de monitoração. 
 
 
28 
 
 
 
Ademais, é importante observar que a utilização da monitoração eletrônica 
como medida cautelar ainda é limitada, tanto em termos quantitativos quanto 
em sua aplicação prática. Esse cenário reflete um potencial subaproveitado da 
ferramenta no contexto das medidas cautelares, como uma possibilidade de 
enfrentar os elevados índices de prisão provisória no país. Há maior 
aplicabilidade da medida no âmbito da execução penal. Ainda, é necessário 
ampliar a capacitação dos operadores do sistema de justiça para que a 
monitoração seja utilizada de forma estratégica, respeitando seu caráter 
excepcional e subsidiário. 
 
 
2.1.3 A Lei nº 11.340/2006 
 
 
Os usos cautelares da monitoração eletrônica são ampliados com o 
entendimento de que a medida é uma ferramenta capaz de reforçar a eficácia 
das medidas protetivas de urgência, sobretudo no que se refere à aproximação 
entre o autor e a mulher em situação de violência doméstica e familiar. Para 
serem efetivas, as medidas protetivas, além de apresentarem caráter cautelar, 
devem ter celeridade na sua aplicação, ampliando a eficácia das ações 
preventivas e restritivas quando o assunto é o fortalecimento da proteção às 
mulheres em situação de violência. 
 
 
Quando associada às medidas protetivas de urgência, a 
monitoração eletrônica permite um controle mais preciso da 
localização do autor de violência, utilizando tornozeleiras e, 
quando disponível no estado, a Unidade Portátil de 
Rastreamento UPR. Esse sistema possibilita a criação de áreas 
de exclusão fixas e dinâmicas, como o domicílio da mulher, que 
o monitorado não pode acessar. 
 
 
 
 
29 
 
 
Caso haja violação dessas áreas, a Central de Monitoração Eletrônica é 
acionada para adotar medidas necessárias com objetivo de garantir a 
segurança da mulher e o cumprimento das condições judicialmente impostas. 
Mesmo na ausência da UPR, as áreas de exclusão estabelecidas em juízo são 
fixadas e registradas no sistema, sendo possível o acompanhamento e a 
intervenção em casode incidentes que representem risco à integridade da 
mulher. 
 
 
 
 
 
 
Vale destacar! 
 
 
É fundamental destacar que o uso da UPR, embora possa ser 
um recurso complementar para as medidas protetivas de 
urgência, não deve ser de uso obrigatório. Com isso, queremos 
dizer que a recusa de seu uso não deve resultar em 
penalizações ou restrições de direitos, uma vez que a legislação 
não exige tal dispositivo para a efetivação das medidas 
protetivas. Isto é, o acompanhamento do cumprimento das 
condições estabelecidas pode ser realizado apenas com base 
no monitoramento do autor de violência, assegurando a 
proteção da mulher e respeitando sua autonomia na decisão de 
utilizar ou não equipamentos adicionais capazes de gerar áreas 
de exclusão dinâmicas que indicam – quase que em tempo real – 
a aproximação entre autor e ofendida. 
 
 
 
 
Cumpre ressaltar que, embora a monitoração eletrônica seja uma ferramenta 
importante, ela não resolve por si só as causas estruturais e relacionais das 
violências de gênero. Trata-se de uma medida que opera no âmbito do controle 
penal e não na resolução efetiva dos conflitos que originaram essas situações.
 
30 
 
 
 
 
 
Atenção! 
 
 
O uso indiscriminado da monitoração pode agravar 
vulnerabilidades e até mesmo intensificar conflitos nas esferas 
doméstica e familiar. Sua aplicação sem a devida análise 
individualizada pode gerar impactos negativos, como restrições 
em atividades essenciais, incluindo saúde, trabalho e educação, 
comprometendo ainda mais a autonomia e a qualidade de vida 
das partes envolvidas. 
 
 
 
 
Nessa direção, é indispensável que o Sistema de Justiça adote uma abordagem 
calcada na análise dos casos concretos, promovendo a escuta das partes e o 
trabalho de equipes multidisciplinares para compreender a complexidade de 
cada situação específica. Relembrando, a monitoração deve ser aplicada 
apenas como última alternativa, quando outras medidas menos gravosas não 
forem viáveis. 
 
 
Finalmente, no âmbito da violência doméstica, é essencial 
assegurar o encaminhamento das mulheres para redes de 
proteção social e implementar práticas que promovam a 
responsabilização dos autores e o empoderamento das 
mulheres. O enfrentamento da violência de gênero requer mais 
do que controle punitivo da monitoração eletrônica, reverter 
quadros de violência doméstica e familiar demanda soluções 
integradas entre os entes estatais e diversos setores da 
sociedade que abordem suas raízes estruturais e relacionais. 
 
 
 
 
 
31 
 
 
2.1.4 A Lei nº 14.843/2024 
 
Na contramão do que foi apontado até o momento em torno das leis que 
versam sobre a monitoração, direta ou indiretamente, a Lei nº 14.843/2024 
pode ser lida como um retrocesso para a política nacional de monitoração 
eletrônica. Ela desconsidera os fundamentos da Lei de Execução Penal 1984 
e as garantias da própria Constituição Federal 1988, bem como viola acordos 
internacionais sobre políticas penais e direitos humanos dos quais o Brasil é 
signatário. O caráter subsidiário da medida é deixado de lado, assim como o 
princípio da execução progressiva da pena: 
 
 
A noção de que o sistema progressivo integra a própria pena, 
bem como o entendimento de que a CRFB impõe a 
individualização judicial durante a execução foram afirmados, no 
bojo dos Tribunais Superiores, pelo julgamento do Habeas 
Corpus 82.959/SP, em que o STF declarou a 
inconstitucionalidade da vedação à progressão de regime 
constante da redação original da Lei dos Crimes Hediondos Lei 
8.072/90. Assim, não resta dúvida acerca da patente 
inconstitucionalidade da Lei 14.843/2024, eis que resulta, ao 
igualar os regimes fechado e semiaberto, em frustrar a 
progressividade da pena. (...) Assim, quer do ponto de vista da 
política de segurança pública, quer do ponto de vista 
constitucional, a normativa impugnada é manifestamente 
equivocada, seja por vulnerar a segurança interna dos 
estabelecimentos penais, seja por ferir de morte a 
individualização da pena, a proporcionalidade e a dignidade 
humana IBCCRIM, 2024. 
 
 
 
 
 
 
32 
 
 
Além disso, a lei supracitada amplia as hipóteses de aplicação da monitoração, 
incorporando até mesmo o livramento condicional. Ao passo em que viola os 
dispositivos legais que regulamentam a execução penal no Brasil, bem como a 
Carta Magna, estão em curso quatro ações diretas de inconstitucionalidade 
sobre o tema – ADIs nº 7.663/DF, 7665/DF, 7672/DF e 7678/DF. Ou seja, a ADI é 
um instrumento jurídico interposto junto ao Supremo Federal que permite 
declarar, ou não, a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, uma vez 
que contraria a Constituição Federal. No caso em tela, “aguarda-se que a Corte 
Maior, ao enfrentar o tema, não se esqueça de seu papel contramajoritário na 
preservação da coerência sistêmica da Constituição Federal CRFB no que 
concerne à execução penal.ˮ IBCCRIM, 2024. 
 
 
 
2.2 O Modelo de Gestão para a Monitoração Eletrônica de Pessoas 
 
 
 
O Modelo de Gestão para a Monitoração 
Eletrônica de Pessoas foi publicado em 
2017 pelo extinto Departamento 
Penitenciário Nacional – hoje a 
Secretaria Nacional de Políticas Penais – 
em parceria com o Programa das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento, 
republicado pelas mesmas instituições e 
o Conselho Nacional de Justiça em 
2020. O documento fundamenta a 
política nacional de monitoração 
eletrônica de pessoas, desenvolvida 
pela SENAPPEN e instituições afetas ao 
assunto no Brasil. 
 
 
Sua elaboração, entre os anos de 2015 e 2016, ocorreu em função da disciplina 
lacunosa e da inexistência de protocolos no âmbito da monitoração. A indução 
da política nacional necessitava de um instrumento orientador com 
profundidade principiológica e metodológica. 
 
33 
 
 
 
 
Nessa direção, o material trouxe o primeiro diagnóstico da 
monitoração, um retrato quantitativo e qualitativo nacional, além de 
direcionamentos principiológicos, metodológicos, focados na 
delimitação de competências e no estabelecimento de protocolos 
para os serviços, observando deveres e direitos das pessoas 
monitoradas e os papéis de cada um dos atores afetos ao assunto. 
 
 
 
A partir de então, a indução nacional dos serviços realizada pela SENAPPEN, 
passa a estar fundamentada no Modelo de Gestão Brasil, 2020, observando, 
igualmente, as especificidades de cada Unidade da Federação, mas sem 
perder de vista os horizontes delimitados no material. Em seguida, o Conselho 
Nacional de Justiça e o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, 
inspirados no documento supracitado, reforçam diretrizes e protocolos em 
normativos específicos, conforme trataremos a seguir. 
 
 
 
2.3 Resoluções e recomendações 
 
 
 
2.3.1 Resolução CNJ nº 412/2021 
 
 
A Resolução CNJ nº 412/2021 estabelece diretrizes fundamentais para a 
aplicação e o acompanhamento da medida de monitoração eletrônica de 
pessoas. Sob a perspectiva do Conselho Nacional de Justiça, a normativa 
reforça a proteção dos direitos fundamentais, a segurança jurídica e a 
eficiência do sistema de justiça penal. Ainda, com base nos protocolos 
estabelecidos no Modelo de Gestão Brasil, 2020, são sintetizados 
procedimentos para o tratamento de incidentes durante a medida de 
monitoração. 
 
34 
 
 
 
 
 
Os protocolos para os serviços de monitoração eletrônica 
desempenham um papel crucial ao estabelecer padrões claros e 
consistentes para a aplicação e o acompanhamento da 
monitoração eletrônica. Eles garantem que as ações sejam 
realizadas de maneira uniforme, transparente e em 
conformidade com os direitos fundamentais das pessoas 
monitoradas. 
 
 
 
Além disso, os protocolos orientam a atuação das equipes multidisciplinares, 
promovendo uma gestão de incidentes orientada pela normalidade, 
proporcionalidade e legalidade em todas as fases da medida. Os protocolos 
buscam evitar intervenções punitivas desnecessárias, assegurando uma 
gestão gradativa e proporcional das situações que interfiramno cumprimento 
das medidas. 
 
 
 
O objetivo é promover a eficiência das ações, garantindo a 
manutenção das condições estabelecidas judicialmente sem 
gerar constrangimentos e violações desproporcionais. Essa 
padronização é essencial para fortalecer a segurança jurídica, 
minimizar erros operacionais e proteger os dados pessoais 
sensíveis, contribuindo para que a monitoração eletrônica seja 
uma ferramenta que não se resuma apenas ao controle penal, 
mas seja capaz, por meio das equipes multidisciplinares, de 
mobilizar inclusão social de forma alinhada aos princípios do 
Estado Democrático de Direito. 
 
 
 
 
 
35 
 
 
Cumpre sublinhar que a referida normativa fortalece igualmente o papel das 
equipes multidisciplinares, já indicado no Modelo de Gestão. Informa, portanto, 
que a atuação das equipes multidisciplinares é essencial para qualificar o 
acompanhamento das pessoas monitoradas. Composta por profissionais de 
diversas áreas, como Direito, Psicologia e Serviço Social, essas equipes são 
responsáveis por auxiliar o tratamento de incidentes, mobilizar a rede de 
proteção social e o cumprimento das medidas determinadas judicialmente. 
Essa abordagem promove não apenas o cumprimento técnico da monitoração, 
mas também a inserção social e o respeito aos direitos da pessoa monitorada. 
 
 
Outro aspecto primordial da resolução é a proteção de dados 
pessoais. Os dados coletados durante a monitoração são 
classificados como sensíveis e, portanto, sujeitos a padrões 
rigorosos de segurança, sigilo e uso adequado. O 
compartilhamento de informações, incluindo com órgãos de 
segurança pública, é restrito e depende de autorização judicial, 
salvo em situações excepcionais de risco iminente à vida. Além 
disso, é garantido o acesso pleno da pessoa monitorada aos 
seus dados, em conformidade com os princípios da 
transparência e do controle sobre informações pessoais. 
 
 
 
Por fim, a Resolução CNJ nº 412/2021 reforça o compromisso com uma política 
pública baseada em evidências e centrada na dignidade da pessoa monitorada. 
Ela busca equilibrar o controle penal – próprio da monitoração – com a inclusão 
social, contribuindo para a racionalidade do sistema de justiça e a prevenção 
de violações de direitos no contexto da monitoração eletrônica. 
 
 
 
36 
 
 
2.3.2 Resolução CNPCP nº 31/2022 
 
 
A Resolução nº 31/2022, publicada pelo Conselho Nacional de Política Criminal 
e Penitenciária CNPCP, apresenta um marco normativo para a 
regulamentação da monitoração eletrônica no Brasil, abrangendo desde a 
implementação até o encerramento da medida. Essa normativa, desenhada no 
âmbito do Poder Executivo na figura no CNPCP, reforça o papel das Centrais de 
Monitoração Eletrônica, que são responsáveis pela gestão e acompanhamento 
dessas medidas. A resolução também busca padronizar os procedimentos em 
nível nacional, garantindo uniformidade e eficiência na execução das medidas. 
 
 
 
Entre os principais pontos abordados, destacam-se a definição 
das responsabilidades das Centrais de Monitoração, que 
incluem a instalação e supervisão dos dispositivos eletrônicos, 
bem como o acompanhamento regular das condições impostas 
judicialmente. Outro aspecto relevante é o papel atribuído às 
equipes multidisciplinares das Centrais, que devem oferecer 
suporte técnico e psicossocial às pessoas monitoradas, bem 
como encaminhá-las a redes de apoio social, quando 
necessário. 
 
 
Essas equipes também são responsáveis pela elaboração de relatórios 
circunstanciados e pela comunicação com o Poder Judiciário em casos de 
descumprimento das condições impostas, promovendo um fluxo contínuo de 
informação e acompanhamento integral da pessoa monitorada. Além disso, o 
documento aborda a utilização de dispositivos específicos para proteção de 
mulheres em situação de violência doméstica, as Unidades Portáteis de 
Rastreamento UPR, destacando a importância de garantir a segurança e evitar 
a revitimização. 
 
 
 
 
 
37 
 
 
2.3.3 Recomendação CNPCP nº 3/2024 
 
 
A Recomendação nº 3, de 26 de 
março de 2024, publicada pelo 
Conselho Nacional de Política 
Criminal e Penitenciária, reforça 
a importância do uso da 
monitoração eletrônica como 
mecanismo para garantir a 
efetividade das medidas 
protetivas de urgência previstas 
na Lei Maria da Penha. Voltada 
para casos de violência 
doméstica e familiar contra 
mulheres, a recomendação 
destaca a necessidade de 
aprimorar o acompanhamento e 
a proteção das mulheres em 
situação de violência doméstica 
e familiar, buscando prevenir 
reincidências e ampliar a 
segurança. 
 
 
 
Entre os aspectos centrais, a recomendação propõe que, aplicadas as medidas 
protetivas previstas no artigo 22, incisos II e III, da Lei nº 11.340/2006, o autor 
seja submetido à monitoração eletrônica. A medida deve ser fundamentada e 
embasada no Formulário Nacional de Avaliação de Risco, garantindo a 
individualização das condições, como delimitação de áreas de inclusão e de 
exclusão, além de horários específicos. Adicionalmente, sugere a 
disponibilização de Unidades Portáteis de Rastreamento UPR para as 
mulheres em situação de violência doméstica e familiar, criando áreas de 
exclusão dinâmica para aumentar a proteção e evitar novos atos de violência. 
 
 
38 
 
 
 
 
 
 
 
A recomendação também orienta que as 
Centrais de Monitoração Eletrônica 
priorizem o tratamento de incidentes nos 
casos envolvendo violência doméstica. 
Essas diretrizes incluem a articulação com 
redes de proteção social e forças de 
segurança para mitigar riscos à integridade 
física, psicológica, ou moral, das mulheres 
em situação de violência doméstica e 
familiar. Em casos de descumprimento das 
medidas, a autoridade judiciária deve ser 
prontamente informada, permitindo a 
designação de audiência com o autor para 
avaliação e adequação da resposta judicial. 
A recomendação busca, assim, um 
equilíbrio entre a eficácia na proteção das 
mulheres em situação de violência 
doméstica e familiar e a adequação das 
medidas às circunstâncias de cada caso, 
promovendo a prevenção de feminicídios e 
demais formas de violência de gênero. 
 
 
 
 
Em conjunto, esse conjunto de leis e normativas formam uma estrutura que 
regula a aplicação da monitoração eletrônica no Brasil, buscando equilibrar 
noções atreladas ao cumprimento de deveres e garantia de direitos 
fundamentais das pessoas monitoradas. Embora fundada em um conjunto de 
normativas legais e infralegais, a medida ainda enfrenta desafios significativos 
para alcançar todo o seu potencial como alternativa ao encarceramento e 
ferramenta de proteção no âmbito da violência doméstica. 
 
39 
 
 
 
 
As legislações e resoluções apresentadas demonstram avanços 
importantes na regulamentação e na integração de princípios, 
mas apontam a necessidade de uma aplicação criteriosa, 
subsidiária e contextualizada, sempre respeitando os direitos 
fundamentais e as especificidades de cada caso. 
 
 
 
 
O fortalecimento das Centrais de Monitoração Eletrônica, a atuação de equipes 
multidisciplinares e a integração com redes de proteção social são elementos 
indispensáveis para que a medida se afirme como um mecanismo eficaz, não 
somente no campo do controle penal, mas também na promoção de direitos. O 
uso ético e responsável da tecnologia, aliado à capacitação contínua dos 
operadores do sistema de justiça, é essencial para evitar distorções e ampliar a 
efetividade da política de monitoração eletrônica no país, garantindo que ela 
esteja sempre alinhada aos preceitos constitucionais e às diretrizes 
internacionais de direitos humanos. 
 
 
 
40 
 
 
Módulo 3 - Metodologia de acompanhamento 
da monitoração eletrônica no Brasil 
 
 
 
 
Olá, cursista! Neste módulo 3, vamos nos dedicar à 
compreensão de uma etapa essencial dos serviços: a 
metodologia de acompanhamento na monitoração eletrônica no 
Brasil. Veremos que essa metodologia desempenha um papel 
crucial na estruturação e na efetividade da monitoração,entendendo-se que o acompanhamento integral das pessoas 
monitoradas, com base em protocolos, é fundamental. 
 
 
 
Esta abordagem metodológica busca não apenas favorecer o cumprimento das 
condições impostas judicialmente, mas também garantir o respeito aos direitos 
fundamentais das pessoas monitoradas, contribuindo para o cumprimento da 
medida com foco em deveres e direitos fundamentais. 
 
 
 
 
O que realmente muda o 
comportamento são os 
fatores motivacionais, 
como diversão e 
aventura, orgulho e 
realização, 
reconhecimento, carinho. 
(...) Infelizmente, a 
tecnologia eletrônica foi 
para a punição em vez do 
uso de reforço positivo 
Gable apud Anderson, 
2014. 14 
 
4 Traducao livre da autora 
 
41 
 
 
O acompanhamento inclui diversas etapas que iremos descrever de forma 
sucinta, como o acolhimento inicial, a análise de incidentes e as visitas 
residuais para tratamento de incidentes. Ao estabelecer uma estrutura 
gerencial e administrativa que envolve o Poder Executivo, a Justiça Criminal e a 
rede de proteção social, a metodologia visa facilitar a articulação entre os 
atores envolvidos, permitindo um acompanhamento contínuo e integral da 
pessoa monitorada. 
 
 
O acompanhamento orientado por protocolos visa, portanto, a 
qualificação do serviço, oferecendo um sistema de monitoração 
que abarca tanto a noção do controle penal – própria da medida 
– quanto a prerrogativa do acesso a direitos das pessoas 
monitoradas para uma prestação jurisdicional alinhada com os 
princípios do Estado Democrático de Direito. 
 
 
 
 
3.1 Como são estruturados os serviços de monitoração? 
 
 
 
Como já vimos no módulo anterior, a monitoração eletrônica é uma imposição, 
uma prescrição judicial que encontra respaldo no ordenamento jurídico 
brasileiro. Portanto, todos os serviços de acompanhamento, que são de 
responsabilidade do Poder Executivo estadual, não podem impor condições 
que não tenham sido prescritas pelo juízo. Todo o trabalho de 
acompanhamento da medida deve ser orientado por cada decisão judicial, que 
apresenta, por sua vez, regras específicas de acordo com cada indivíduo 
monitorado. 
 
42 
 
 
 
 
Uma vez que a medida de monitoração existe enquanto 
imposição judicial, cabe ao Poder Executivo estadual, na figura 
das Centrais de Monitoração Eletrônica – CMEs – realizar o 
acompanhamento da medida através de metodologia específica. 
Vamos sintetizar algumas etapas principais dessa metodologia, 
compreendendo a necessidade de, ao seguir os horizontes 
delineados pela política nacional de monitoração eletrônica, 
também compreender a importância de permanentes avanços, 
estudos e aprimoramentos orientados pelos arranjos empíricos. 
 
 
 
 
3.2 A Central de Monitoração Eletrônica – acompanhamento da 
medida judicial 
 
 
 
As Centrais de Monitoração Eletrônica CMEs no Brasil desempenham papel 
fundamental no acompanhamento das medidas de monitoração eletrônica no 
âmbito do Poder Executivo. As CMEs são estruturas especializadas 
responsáveis pela operacionalização e acompanhamento das medidas de 
restrição de liberdade que utilizam dispositivos eletrônicos, as tornozeleiras, 
garantindo o monitoramento contínuo em prol da efetividade das 
determinações judiciais. 
 
 
 
De acordo com o Modelo de Gestão para Monitoração Eletrônica 
de Pessoas Brasil, 2020, as CMEs possuem atribuições 
abrangentes que incluem instalação, manutenção e substituição 
dos equipamentos de monitoração eletrônica, bem como o 
tratamento de incidentes relacionados às medidas aplicadas. 
Sua atuação é norteada por princípios que visam a proteção dos 
direitos fundamentais das pessoas monitoradas, como a 
dignidade humana, a legalidade, o menor dano, a normalidade e 
a transitoriedade da medida . 
 
43 
 
 
As metodologias empregadas nas centrais devem priorizar ações de caráter 
educativo voltadas para a aderência à medida pela pessoa monitorada, 
compreendendo, igualmente, o acompanhamento por equipes 
multidisciplinares. Essa abordagem é essencial para o cumprimento das 
medidas e elaboração de subsídios técnicos pelas equipes multidisciplinares 
para eventuais ajustes a serem realizados pelo juízo para que a pessoa 
monitorada possa ter uma vida cada vez mais próxima da normalidade. 
 
 
As CMEs também desempenham um papel central na 
articulação com a rede de proteção social e no encaminhamento 
de pessoas monitoradas para serviços da rede de proteção 
social e demais serviços públicos existentes. Este processo 
inclui o desenvolvimento de protocolos de acolhimento e 
acompanhamento, considerando as necessidades específicas 
de cada indivíduo monitorado . Ainda, é importante lembrar que 
todos os encaminhamentos realizados pelas CMEs são 
realizados de forma voluntária. 
 
 
A pessoa monitorada não pode sofrer sanções ou punições pela central caso 
opte por não ser encaminhada para serviços públicos, atividades ou afins 
durante o cumprimento da medida de monitoração: 
 
 
A Central deve trabalhar em 
função de seu principal sujeito – a 
pessoa monitorada. É fundamental 
assegurar que os serviços sejam 
executados para que a pessoa 
monitorada tenha conhecimento 
de seus direitos e deveres, 
permitindo entendimento integral 
sobre a medida e amplas 
condições de cumpri-la BRASIL, 
2020, p. 140. 
 
 
 
 
44 
 
 
Com isso, reforçamos que os encaminhamentos realizados pelas CMEs são de 
caráter voluntário, não obrigatório. A pessoa monitorada apenas está 
condicionada a seguir a prescrição judicial. Por outro lado, os 
encaminhamentos realizados ao longo da medida viabilizam o acesso a 
direitos, o que potencializa o regular cumprimento da monitoração, sendo 
fundamentais para a qualificação dos serviços. 
 
 
Há uma multiplicidade de arranjos organizacionais em torno das 
Centrais. Nesse contexto, é fundamental que a equipe de 
monitoramento trabalhe em proximidade e harmonia com a 
equipe multidisciplinar – composta por assistentes sociais, 
profissionais do direito e psicólogos – que atua na Central. Esse 
alinhamento é indispensável, pois o serviço oferecido demanda 
uma atenção qualificada ao público, caracterizado por diversas 
vulnerabilidades acrescidas e sobrepostas. Por outro lado, tanto 
a equipe de monitoramento, quanto a equipe multidisciplinar 
apresentam natureza e atribuições distintas. 
 
 
 
O objetivo é que as pessoas monitoradas se sintam incentivadas a comparecer 
à Central para receber atendimento, quando necessário, promovendo a criação 
de vínculos essenciais tanto para o pleno cumprimento da medida quanto para 
sua adesão aos encaminhamentos sociais. Em síntese, o propósito do serviço é 
garantir o acompanhamento e o atendimento da pessoa monitorada, facilitando 
a formação ou o restabelecimento de vínculos, e viabilizando a execução 
adequada da medida judicial, o que pode - e deve - incluir ajustes, de acordo 
com o princípio da normalidade. 
 
 
Nessa direção, a instalação de serviços de monitoração 
eletrônica em unidades prisionais ou Centros Integrados de 
Comando e Controle CICC, devido à sua característica de 
acesso limitado e à predominância de forças policiais, 
compromete a efetividade da implementação adequada das 
Centrais. Sublinhamos que a CME não deve ser a reprodução de 
uma unidade prisional, uma vez que o foco deve ser a 
manutenção da medida que consiste em vigilância e controle 
penal, todavia em meio aberto. 
 
45 
 
 
Resumidamente, quando um magistrado determina a monitoração eletrônica, 
existe o entendimento de que essa pessoa pode estar em meio aberto. Ela 
atende a critérios objetivos para estar em meio aberto, ainda que com 
restrições de acesso a locais e horários de recolhimento específicos. O 
pressuposto é a liberdade vigiada, e não o contrário. O aprisionamento não é 
um indicador de sucesso de uma CME. Por isso, os setores da CME devem 
desenvolver esforços conjuntos para viabilizar o cumprimento da medida 
aplicada judicialmente, fornecendo subsídios técnicos elaborados pelas 
equipesmultidisciplinares para eventuais ajustes judiciais que viabilizem uma 
vida mais próxima possível da normalidade. 
 
 
Em termos de infraestrutura, as Centrais são organizadas em 
setores especializados que devem trabalhar de modo integrado 
para assegurar a efetividade das medidas judiciais de forma 
combinada com a garantia de direitos das pessoas monitoradas. 
Portanto, os inúmeros arranjos de centrais existentes devem 
permitir que a equipe de monitoramento esteja próxima e 
alinhada com a equipe multiprofissional – assistentes sociais, 
bacharéis em direito e psicólogos. 
 
 
 
 
Busca-se, assim, que as pessoas monitoradas se sintam 
encorajadas a ir à Central para o atendimento, quando 
necessário, propiciando a criação de vínculos que são 
essenciais, tanto para o integral cumprimento da medida, como 
para a adesão aos encaminhamentos. Em suma, a finalidade do 
serviço é de atendimento e acompanhamento da pessoa 
monitorada para permitir a formação/ restauração de vínculos e 
o adequado cumprimento da medida. 
 
 
 
 
46 
 
 
 
3.3 Procedimentos do acompanhamento da medida de 
monitoração eletrônica 
 
 
Até o momento, vimos que a monitoração eletrônica é uma imposição judicial 
que deve ser acompanhada pelo Poder Executivo estadual, na figura das 
centrais de monitoração eletrônica. E como ocorre esse acompanhamento? A 
seguir, temos sintetizados os principais procedimentos indicados pela política 
nacional de monitoração. É preciso nos atentar para o fato de que cada 
unidade federativa, comarca ou mesmo município, pode apresentar múltiplos 
arranjos, propiciando novos formatos ajustados à realidade empírica de cada 
localidade: 
 
 
 
● Sensibilização e encaminhamento pelo Judiciário para 
comparecimento à Central; 
● Primeiro atendimento; 
● Acolhimento; 
● Estudo de caso; 
● Encaminhamentos; 
● Retornos/Atendimentos de rotina; 
● Tratamento de incidentes; 
● Tratamento de incidentes nos casos de medidas protetivas de 
urgência; 
● Ajustamento de cumprimento da medida; 
● Descumprimentos; 
● Relação com o Sistema de Justiça Criminal; 
● Relação com Sistema de Segurança Pública; 
● Gestão da informação. 
 
 
 
 
47 
 
 
3.3.1 Sensibilização e encaminhamento pelo Judiciário para comparecimento 
à Central 
 
A monitoração eletrônica implica o comparecimento da pessoa à Central para 
instalação da tornozeleira. Em casos envolvendo medida aplicada após 
audiência de custódia, a instalação do equipamento individual de monitoração 
eletrônica e o cadastramento da pessoa no sistema de monitoramento (primeiro 
atendimento) podem ser realizados nas dependências do Fórum. 
 
 
 
Esse procedimento economiza recursos com escolta, custódia, 
e agiliza as demais etapas do serviço de monitoração eletrônica. 
Por outro lado, é indicado que os demais atendimentos da 
monitoração sejam realizados na CME, espaço este que deve 
estar em localidade central com ampla oferta de serviços de 
transporte público, como já vimos no item anterior do módulo. 
 
 
 
O comparecimento inicial à Central favorece o acesso a demais serviços, assim 
como atendimento especializado à pessoa monitorada pelas equipes 
multidisciplinares. Os serviços de monitoração devem primar pela manutenção 
da medida judicial, considerando também as demandas emergenciais da 
pessoa monitorada e a necessidade de inclusão em políticas públicas, bem 
como orientações e suporte adequados à pessoa monitorada. 
 
3.3.2 Primeiro atendimento 
 
O primeiro atendimento envolve a instalação da tornozeleira, cadastro no 
sistema, agendamento do acolhimento na Central, e possíveis 
encaminhamentos emergenciais, conforme necessidade. Esses procedimentos 
devem ser realizados, preferencialmente, logo após a audiência que 
determinou a medida. Durante esta etapa, profissionais capacitados devem 
orientar verbalmente e por escrito a pessoa monitorada sobre o uso da 
tornozeleira, entregar o carregador, e formalizar o “Termo de Uso do 
Equipamento Individual de Monitoração Eletrônica .ˮ 
 
48 
 
 
O cadastro no sistema deve incluir as 
condições determinadas pela decisão 
judicial, bem como dados opcionais 
de contatos próximos para o 
tratamento de eventuais incidentes. 
Informações sobre tratamento e 
proteção de dados pessoais devem 
ser fornecidas, e um termo específico 
sobre o assunto deve ser assinado 
com a anuência da pessoa 
monitorada. Além das orientações 
técnicas, o profissional responsável 
deve garantir o entendimento da 
pessoa sobre as condições e 
restrições impostas pela medida. 
 
3.3.3 Acolhimento 
 
É recomendado que o acolhimento seja realizado no dia seguinte à audiência 
que determinou a medida de monitoração eletrônica. Conduzido por uma 
equipe multidisciplinar, esse processo funciona como um espaço de escuta e 
avaliação de aspectos físicos, sociais e psicológicos, bem como do 
entendimento da medida imposta. Durante o acolhimento, são identificadas 
demandas específicas, como a inclusão em serviços públicos. 
 
 
 
 
Também são identificados fatores de interferência secundários 
que possam impactar o cumprimento da medida, como 
residência em locais com sinal GPS ou de telefonia instável e 
fornecimento irregular de energia elétrica. Essas informações 
são registradas e devem orientar o acompanhamento, a inclusão 
social e o tratamento de incidentes, respeitando a rotina da 
pessoa monitorada. Caso se verifique a inadequação da medida 
ou de alguma condicionalidade imposta, a equipe 
multidisciplinar deve fornecer tais subsídios ao juízo para 
reavaliação da monitoração. 
 
 
 
49 
 
 
A abordagem integral adotada no acolhimento busca compreender o estado 
emocional, as condições sociais e as relações interpessoais da pessoa 
monitorada, promovendo uma relação de confiança entre ela e a equipe. O 
processo também visa sanar dúvidas jurídicas, superar resistências ao 
cumprimento da medida e construir vínculos que incentivem a adesão. Além 
disso, pode-se agendar atendimentos específicos fora das determinações 
judiciais, caso necessário, e de forma voluntária. As informações sensíveis 
obtidas no acolhimento devem ser mantidas em sistemas seguros e com 
acesso restrito, conforme as diretrizes de proteção de dados expressas no 
Modelo de Gestão. 
 
3.3.4 Estudo de casos 
 
 
Recomenda-se que as Centrais de Monitoração Eletrônica 
realizem estudos de casos periodicamente, promovendo um 
olhar interdisciplinar para definir estratégias de 
acompanhamento, abordagens e encaminhamentos 
apropriados. Esses encontros devem incluir parceiros das redes 
de proteção, representantes do Sistema de Justiça Criminal e 
Instituições de Segurança Pública, quando necessário, para 
tratar de demandas específicas. Além disso, é essencial que as 
redes mantenham encontros regulares, com a participação ativa 
da Central, fortalecendo os vínculos, articulações e o impacto 
desses espaços no acompanhamento das pessoas monitoradas. 
 
 
 
3.3.5 Encaminhamentos 
 
As equipes multidisciplinares devem avaliar, durante o acolhimento e ao longo 
do acompanhamento, se a monitoração eletrônica é plenamente compatível 
com as condições da pessoa monitorada. Aspectos como horários, trabalho, 
saúde, crença religiosa e estudo devem ser analisados. Caso sejam 
identificadas incompatibilidades, a equipe multidisciplinar deve elaborar um 
relatório ao Juiz, fornecendo subsídios técnicos para que o juízo possa ajustar 
condições ou mesmo aplicar outra medida. 
 
 
 
50 
 
 
 
 
As equipes multidisciplinares realizam encaminhamentos 
baseados nas demandas da pessoa monitorada, como acesso a 
serviços públicos. Esses encaminhamentos devem ser 
voluntários, com sensibilização e consentimento da pessoa, 
visando minimizar vulnerabilidades sociais e criminais. 
 
 
 
Após o encaminhamento, a equipe deve acompanhar se o serviço foi acessado, 
entender os motivos de eventual recusa e avaliar como a pessoa foi acolhida, 
garantindo um suporte contínuo e efetivo. 
 
3.3.6 Retornos/Atendimentos de rotina

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