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Unidade 1
LEGISLAÇÕES CONSTITUCIONAL E CIVIL
Aula 1
INTRODUÇÃO À LEGISLAÇÃO
Videoaula: Introdução à legislação
Videoaula: Introdução à
legislação
Disciplina
LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
TRABALHISTA
Prezado aluno, neste vídeo, vamos abordar os pontos
desenvolvidos no decorrer dos estudos desta primeira aula
de modo que, inicialmente, serão abordados os aspectos
relacionados com a introdução dos temas centrais
analisados. Em seguida, abordaremos a evolução histórica
do direito e da legislação para, finalmente, ingressar nas
discussões sobre o ordenamento jurídico e o contexto
brasileiro nessa matéria.  
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Bem-vindo, prezado aluno! 
Dando início aos estudos sobre a legislação empresarial e
trabalhista, focaremos, nesta unidade, na análise da
legislação constitucional e da legislação civil. Por isso, nesta
primeira aula, você se ocupará dos aspectos introdutórios
desse tema, de modo a construir as bases de conhecimento
essenciais ao desenvolvimento de seu conhecimento. 
Disciplina
LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
TRABALHISTA
No primeiro plano, trataremos dos estudos introdutórios do
direito e da legislação, a fim de erigir os conhecimentos
sobre essa área do conhecimento e sobre a definição de
seus conceitos basilares. Avançando, você será apresentado
a um panorama histórico da evolução do direito e da
legislação no contexto da sociedade para, em seguida,
ingressar na discussão sobre o contexto do ordenamento
jurídico brasileiro. 
Vamos Começar!
Vamos Começar!
O estudo da legislação empresarial e da legislação
trabalhista implica, necessariamente, uma análise inicial da
própria noção de direito e da legislação, de modo a fornecer
a base essencial para compreensão do sistema jurídico e do
corpo legislativo no qual se encontram inseridas essas
legislações. 
Pensar no significado do termo “direito” vai conduzi-lo à ideia
de certo ou daquilo que é correto. Ampliando essa noção
primária, somos então levados a alguns conceitos mais
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complexos, cada qual preocupado com um aspecto do que
viria a ser o direito. 
Do ponto de vista objetivo, o direito pode ser definido como
um sistema de regras gerais e abstratas que criam
obrigações e reconhecem direitos, em uma relação de causa
e efeito decorrente da observância ou inobservância dessas
normas.  
Evidentemente esse conceito trata de apenas um dos
aspectos do que seria o direito que importa aos nossos
estudos. É possível pensar assim porque, além de esse
conceito objetivo de direito, que se refere ao sistema de
normas e regras que regulam o comportamento das pessoas
em sociedade, ele pode ser entendido também em um
sentido mais amplo e abstrato. 
Nessa perspectiva, poderíamos pensar em direito no sentido
de justeza, isto é, aquilo que atende ao sentimento de
justiça, que pode ser verificado, inclusive, na ideia trazida
pelo preâmbulo da Constituição Federal: 
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado
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Democrático, destinado a assegurar o exercício dos
direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o
bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça
como valores supremos de uma sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia
social e comprometida, na ordem interna e internacional,
com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos,
sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. (BRASIL, [2020, s. p.]) 
 Ainda pensando no sentido do termo “direito”, podemos
pensar na ideia de direito subjetivo, que pode ser
compreendido como a situação jurídica que permite à
pessoa a faculdade de exigir do Estado ou de terceiros o
cumprimento de um dever ou obrigação jurídica em seu
favor. 
Todos esses conceitos e essas noções conduzem à
necessária construção de uma definição de legislação. Para
tanto, você precisa pensar na própria ideia de lei, que, de
maneira ampla, é uma ordem geral e abstrata que a todos
obriga. De uma maneira geral, podemos definir lei como um
mandamento escrito emanado de uma autoridade com
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poder cogente, com poder de obrigar e exigir o seu
cumprimento. 
A partir disso, é possível pensar que a legislação representa
o conjunto de leis, normas e regras que compõe o
ordenamento jurídico de um determinado grupo ou
sociedade. Você pode pensar, por exemplo, na legislação
brasileira, que representa o conjunto de leis, normas e
regulamentos, emanadas dos órgãos competentes e que
regulam os diversos aspectos da vida na sociedade
brasileira.  
É nesse contexto que encontraremos, inseridas dentro desse
sistema jurídico, as normas e regras que regulam as
atividades empresariais e as atividades trabalhistas, que
podemos denominar como legislação empresarial e
legislação trabalhista. 
Siga em Frente...
Siga em Frente...
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TRABALHISTA
O estudo da evolução histórica do direito e da legislação
envolve a compreensão da própria história da evolução das
sociedades humanas. Isso ocorre porque a ideia da
necessidade de regular condutas surge da própria
complexidade das relações entre pessoas. Se pensarmos em
relações humanas mais simples, de um pequeno núcleo
familiar, por exemplo, notaremos o desenvolvimento e a
existência de um sistema rudimentar de regras de conduta
que permite a convivência entre aqueles indivíduos, fazendo-
os superar os conflitos de interesse que invariavelmente
surgem dessas relações. 
Agora, se você ampliar essa perspectiva e pensar em um
grupo maior e mais complexo de indivíduos, verificará uma
ampliação exponencial de conflitos entre esses indivíduos,
decorrente de diversas pretensões de direito resistidas e que
conduzem a conflitos. Essa realidade das sociedades
humanas faz surgir a necessidade do estabelecimento de um
sistema eficaz para o enfrentamento e a resolução de
conflitos.  
Sem a pretensão de adentrar em questões de caráter
filosófico quanto ao surgimento do Estado, é certo que, em
determinado momento, os grupamentos humanos, unidos
por laços de interesses mútuos, acabam por abrir mão da
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individualidade que lhes é inerente por natureza e, como
que em um pacto social, criam um ente que lhes é superior,
mas que existe com a finalidade única e precípua de garantir
o bem-estar de todos. 
Característica inerente desse Estado é o poder/dever de
fazer uso de força cogente de maneira legítima, uma das
características da soberania. Assim, para aquela sociedade,
dentro daquele âmbito territorial, o Estado detém para si, de
maneira exclusiva, a responsabilidade de dizer o direito (ius
dicere), estabelecendo regras mínimas de convivência entre
os indivíduos daquela sociedade e para o próprio Estado. 
Desde a Antiguidade e com a formação de estruturas de
poder centralizadas, passaram a surgir e a se formalizar
corpos de legislação destinados a regular a vida das
sociedades. Como exemplo disso podemos citar os doze
livros escritos no Egito Antigo para regular diversos aspectos
da vida social. Igualmente, na antiga Índia, temos notícia do
Código de Manu, cuja finalidade é a mesma. 
Considera-se que o Código de Hamurabi, uma compilação de
diversas normas e regras de conduta formalizadas e
registradas em tábuas de barro, que trata de aspectos de
direito civil, trabalhista, comercial e penal, feito na antiga
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Mesopotâmia, é o primeiro conjunto de legislação codificada
nos moldes que conhecemos. 
Esse processo de formalização de normas jurídicas em
formato escrito e codificado acabou sendo adotado de
maneira independente e autônoma por diversas sociedades,
com o objetivo de regular a vida dos cidadãos em seus
diversos aspectos. 
Nesse processo, o Império Romano foi o principal catalizador
do modelo de legislação escrita e codificada que
conhecemos em nossasociedade. A construção e a
manutenção daquele império dependeram, em grande
parte, do complexo de legislação que regia a vida em
sociedade. Com a queda do Império Romano, aqueles
territórios que estiveram sob seu domínio acabaram por
adotar e desenvolver esse modelo de legislação escrita e
codificada que, na Europa da Idade Média, foi fomentado
pela Igreja Católica e pelo direito canônico.  
Justamente por isso, o Brasil, com sua colonização
portuguesa, sofreu severa influência não apenas social, mas
também jurídica, com a disseminação do modelo legislativo
formalizado em suporte escrito e organizado em códices de
acordo com a matéria. 
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Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Conforme foi possível verificar no estudo da evolução
histórica do direito e da legislação brasileira, por conta de
nossas raízes históricas e coloniais portuguesas, herdamos
muito da estrutura do direito romano, caracterizado
especialmente pela adoção de um corpo de legislação
formalizado em códices, que primava pela utilização da
legislação escrita e organizada em códigos. 
Durante praticamente todo o período colonial, o Brasil
esteve sujeito às Ordenações do Reino de Portugal e apenas
com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, como
consequência dos desdobramentos das guerras
napoleônicas na Europa, é que foram instalados aqui os
primeiros cursos de Direito, o que fomentou o
desenvolvimento de uma cultura jurídica no país. 
Tudo isso se deu no contexto das revoluções liberais e dos
movimentos constitucionalistas que se espalharam sobre
praticamente todo o mundo ocidental, o que acabou
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impactando a construção do contexto jurídico e legislativo
brasileiro. Isso se verifica porque, justamente nesse
contexto, com a independência do Império do Brasil do
Reino de Portugal, surge a necessidade da construção de
todo um arcabouço legislativo para sustentar essa
sociedade. 
É possível apontar, nessa linha de raciocínio, a constituição
imperial brasileira de 1824, que vigorou durante todo o
período colonial; por ter sido outorgada nesse contexto do
Estado brasileiro independente, foi inspirada em ideais
liberais. 
Em 1850, tivemos a elaboração do Código Comercial, que
visava regulamentar as atividades privadas de comércio no
país e que vigorou para além do período imperial, durante
praticamente todo o período republicano, com algumas
alterações pontuais, para ser finalmente revogado com o
Código Civil de 2002, que passou, então, a regular as normas
e regras de direito empresarial.  
Aliás, importante pontuar aqui a evolução do direito privado
no país. Considerando que, desde a primeira Constituição
outorgada em 1822, nosso país teve sete constituições até a
promulgação da Constituição Federal de 1988, nossa
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sociedade sofreu diversas mudanças e evoluções, que
alteraram a realidade das relações jurídicas. 
Durante uma boa parcela do período histórico brasileiro, as
relações jurídicas de direito civil e processual eram
disciplinadas pelo texto constitucional e pela legislação
esparsa, até que, em 1916, entrou em vigor o Código Civil
Brasileiro, que regulamentou, durante praticamente todo o
século XX, as relações de direito privado no país, sendo
substituído, em 2002, pelo atual Código Civil. Situação similar
se verifica com a legislação processual civil, que atualmente é
regulamentada pelo Código de Processo Civil de 2015. 
Também a legislação trabalhista brasileira passou por
processo de evolução e sedimentação, com recentes e
significativas alterações promovidas no passado recente e
que ainda são objeto de discussão.  
Sob influência do direito italiano, em 1º de maio de 1943, foi
decretada a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT
(Decreto-Lei nº 5.452/1943), que, reunindo as legislações
trabalhistas até então esparsas, estatuiu as normas que
regulam as relações individuais e coletivas de trabalho. 
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LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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É evidente que as próprias relações econômicas, de
produção e as relações de trabalho sofreram consideráveis
alterações e que devemos ainda levar em conta as
mudanças nas próprias estruturas da sociedade e do
sistema legislativo e constitucional; isso nos impõe a
necessidade do aprofundamento e da constante atualização
do estudo da legislação brasileira. 
Saiba mais
Saiba mais
A compreensão e a assimilação dos conhecimentos
relacionados com o Direito e a legislação devem passar,
necessariamente, pela compreensão do contexto histórico e
cultural que orientou a realidade constitucional brasileira, o
que nos fornece subsídios para compreender os institutos
jurídicos e sua aplicação na realidade concreta. 
Nesse sentido, fica aqui como indicação de pesquisa e leitura
o histórico das constituições brasileiras. No portal oficial,
além dessas informações, estão disponíveis outros dados
sobre a legislação brasileira. 
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https://www.gov.br/pt-br/constituicao-30-anos/textos/breve-historia-das-constituicoes-o-caminho-percorrido-pelo-brasil-ate-1988
Referências
Referências
BITTAR, E. C. B. Introdução ao Estudo do Direito:
Humanismo, democracia e justiça. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2022. 
 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da
República, [2020]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica
o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BREVE história das constituições: o caminho percorrido pelo
Brasil até 1988. Gov.br, Brasília, 5 out. 2018. Disponível em:
https://www.gov.br/pt-br/constituicao-30-anos/textos/breve-
historia-das-constituicoes-o-caminho-percorrido-pelo-brasil-
ate-1988. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Manual de Direito
Civil. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.gov.br/pt-br/constituicao-30-anos/textos/breve-historia-das-constituicoes-o-caminho-percorrido-pelo-brasil-ate-1988
https://www.gov.br/pt-br/constituicao-30-anos/textos/breve-historia-das-constituicoes-o-caminho-percorrido-pelo-brasil-ate-1988
https://www.gov.br/pt-br/constituicao-30-anos/textos/breve-historia-das-constituicoes-o-caminho-percorrido-pelo-brasil-ate-1988
 MARTINS, F. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. São
Paulo: Saraiva, 2022 
 MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de Direito
Constitucional. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
Aula 2
LEGISLAÇÕES CONSTITUCIONAL
Videoaula: Legislações constitucionais
Videoaula: Legislações
constitucionais
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Prezado aluno, neste vídeo, trataremos dos aspectos
estudados ao longo da segunda aula da Unidade 1. Assim,
serão discutidos aspectos relacionados à introdução ao
direito constitucional, de modo que se possa construir os
conceitos básicos atinentes a essa área do conhecimento
jurídico. Em seguida, abordaremos a história do direito
constitucional, tratando de seus fundamentos e de seu
desenvolvimento para, então, conduzir os estudos às
discussões do contexto constitucional brasileiro.
Ponto de Partida
Ponto de Partida
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LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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Bem-vindo, prezado aluno! 
Em continuidade aos seus estudos, vamos nos aprofundar
na análise do direito constitucional. Dentro do contexto
legislativo e do ordenamento jurídico, a Constituição ocupa
lugar de destaque, funcionando como base e fundamento de
toda a legislação, na qual os textos infraconstitucionais
devem encontrar a sua validade. 
Dessa forma, seus estudos se voltarão, em um primeiro
momento, à definição e à construção dos conceitos
fundamentais extraídos da introdução sobre o direito
constitucional. Em seguida, você passará a estudar a história
do constitucionalismo e do direito constitucionalpara,
finalmente, aprender sobre o contexto do direito
constitucional brasileiro e seus impactos jurídicos e
legislativos para a sociedade do nosso país. 
Siga firme e excelentes estudos! 
Vamos Começar!
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LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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Vamos Começar!
Para dar início ao estudo, vamos pensar, primeiramente, no
significado da palavra “constituir”, que nos conduz à ideia de
estabelecer, organizar, formar. Logo, quando falamos em
Constituição, estamos nos referindo ao instrumento que
estabelece um ordenamento político e jurídico, que organiza
a estrutura e o funcionamento do Estado e forma a base de
todo o ordenamento jurídico e da legislação que regula as
relações jurídicas em determinada sociedade. 
Desta noção inicial, podemos então estabelecer que o objeto
principal dos estudos do direito constitucional será a
Constituição, de modo que serão analisadas as normas que
a integram, sua origem e os mecanismos de interpretação,
integração e aplicação das normas constitucionais. 
Dentre os conceitos clássicos de direito constitucional, há
aquele que o define como ramo do direito que se ocupa do
estudo do sistema de regras e dos princípios relativos à
forma de Estado, à forma de governo, aos mecanismos de
acesso e exercício do poder político e ao estabelecimento e
funcionamento dos órgãos e das instituições que compõem
a estrutura desse Estado, assim como os limites de sua
atuação. 
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Pensando na própria origem dos movimentos
constitucionalistas, integram-se à ideia de direito
constitucional, na esfera de limitação do poder do Estado, as
regras e os princípios que estabelecem os direitos e as
garantias individuais.  
Disso é possível extrair que a Constituição funciona como
verdadeiro alicerce de todo o ordenamento político e jurídico
de um país e, por consequência, de toda legislação vigente
no Estado, que regula a vida naquela sociedade. 
Isso ocorre porque, seguindo as ideais preconizadas por
Kelsen (KELSEN: 1999, p.222), a Constituição atua como
verdadeira norma fundamental no sistema legislativo de um
Estado, de modo que toda a legislação infraconstitucional
deve encontrar no texto constitucional o seu fundamento de
eficácia e validade; caso contrário, será considerada
inconstitucional e, por consequência, incapaz de gerar
efeitos jurídicos dentro daquele ordenamento. 
No direito constitucional, encontraremos todo o fundamento
doutrinário que nos permite conhecer, analisar e discutir o
modelo de organização do Estado, a organização e divisão
no funcionamento estrutural do poder, os fundamentos e
objetivos buscados pelo Estado e as normas que resguardam
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LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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os direitos e as garantias fundamentais. Mais do que isso, de
um ponto de vista objetivo, são as regras que delimitam o
acesso, o funcionamento e o exercício do poder político em
suas diversas esferas e dimensões; e as regras para
interpretação, integração e aplicação das normas
constitucionais. 
Nessa linha de pensamento, podemos falar em normas
materialmente constitucionais, que são aquelas que tratam
de matéria, de conteúdo típico e propriamente
constitucional, como aquelas relacionadas com a forma de
Estado, a forma de governo, o sistema de divisão e
organização dos poderes, as regras sobre acesso e exercício
do poder político e sobre organização da estrutura das
instituições de Estado. 
De outro lado, falamos em normas formalmente
constitucionais nos referindo àquelas que, apesar de não
tratarem de matéria, de conteúdo constitucional, são
incluídas no texto constitucional e ganham forma e eficácia
de normas constitucionais. 
Siga em Frente...
Disciplina
LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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Siga em Frente...
Se pensarmos na história e no desenvolvimento do direito
constitucional, verificamos que, desde a Antiguidade Clássica
e já nos escritos de Aristóteles, as discussões sobre
organização do poder e necessidade do estabelecimento de
uma hierarquia de normas já germinavam. Contudo,
permaneceram em estado de suspensão durante toda a
Idade Antiga e Média, reflexo talvez do próprio processo de
sedimentação das estruturas de poder e de formação do
Estado Moderno. 
Foi a partir do século XVIII, com a disseminação de ideias
trazidas pelo Iluminismo e pelas revoluções liberais,
especialmente na Europa Ocidental, que os movimentos
tendentes a limitar o poder do Estado e dos governantes e
estabelecer direitos e garantias individuais passou a tomar
força para, a partir daí, dar estrutura ao chamado
movimento constitucionalista.  
Evidentemente que passamos por um processo histórico,
cujo marco inicial pode ser apontado na Magna Carta
inglesa, de 1215, que estabeleceu limitações no poder do rei
de estabelecer tributos e aplicar penalidades aos nobres.
Esse processo ocorreu, ainda, em diversos outros países, e
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está registrado em documentos históricos que, tal como o
Bill of Rights inglês e as leis fundamentais francesas,
pretendiam, na esfera jurídica, impor limites ao exercício do
poder do Estado e dos governantes. 
Contudo, dois são os documentos históricos que
representam verdadeiros marcos para o estabelecimento do
constitucionalismo moderno. A Constituição dos Estados
Unidos da América, de 1787, e a Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão, proclamada na França em 1889. 
O primeiro, em vigência há mais de duzentos anos,
estabeleceu as diretrizes e normas fundamentais sobre o
sistema político, a forma do Estado e do governo daquele
país, as regras para o acesso e exercício do poder político, a
tripartição das funções decorrentes do poder do Estado em
Executivo, Legislativo e Judiciário, traçando as competências
e regras de funcionamento, além de estabelecer as normas
relativas à estrutura e ao financiamento das instituições da
União e a relação com os estados. 
Já o segundo, idealizado no contexto da Revolução Francesa,
que derrubou o Antigo Regime monárquico e absolutista,
pretendeu declarar uma série de direitos e garantias
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individuais que deveriam ser observados e respeitados pelos
Estados no exercício de suas atividades. 
Esses documentos históricos serviram de base não apenas
para diversos outros movimentos que culminaram com a
declaração de independência das colônias na América
espanhola e portuguesa, mas também delimitaram a própria
noção da estrutura e da função da Constituição. 
Diferentemente dos instrumentos jurídicos e legislativos
ordinários, a Constituição passa a ser compreendida em seu
caráter político e supralegal como instrumento que funda e
dá base para todo o ordenamento jurídico. 
Assim, passamos a pensar efetivamente em uma estrutura
hierárquica e vertical no ordenamento jurídico, tendo a
Constituição em seu topo e na qual todas as normas
infraconstitucionais devem buscar seu fundamento e
validade. 
Vamos Exercitar?
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LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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Vamos Exercitar?
O estudo do direito constitucional do Brasil é exercício de
considerável complexidade e que vai exigir do estudioso
afinco e atenção para compreender a dinâmica do
constitucionalismo brasileiro. 
Conforme foi possível delimitar no curso de nossos estudos,
a Constituição não pode e nem deve ser considerada
enquanto um instrumento meramente jurídico como outras
legislações infraconstitucionais. Mais do que isso: ainda que
possua essa carga jurídica, a Constituição é um instrumento
político que funda um novo Estado, criando um novo
ordenamento político constitucional, e que rompe, via de
regra, de maneira integral e definitiva, com o ordenamento
constitucional que lhe antecedeu. 
Deve-se ter em conta que, enquanto instrumento político e
dentro das diversas interpretações que a Constituição
recebe da doutrina, ela acaba por refletir os valores e os
anseios da sociedade e dos fatos culturais que lhe deram
causa e lhe antecederam. Nesse sentido, pense que, com a
declaração da independência do Brasil doReino de Portugal
e dentro do contexto constitucionalista que se vivenciava
desde o final do século XVIII, a Constituição Imperial
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representava uma ruptura da sociedade política brasileira
com o ordenamento jurídico português, servindo para criar
identidade e legitimar os anseios e valores daquela
sociedade. 
Outorgada em 1824 pelo Imperado Dom Pedro I, foi a
constituição com maior tempo de vigência em nosso país,
sendo substituída pela Constituição Republicana de 1891.
Novamente, nos vemos diante de novo fato social que,
consubstanciando o movimento de ruptura política com o
modelo antecedente, cria um novo ordenamento político e
jurídico para fundamentar a existência e o funcionamento do
novo modelo de Estado que surgia. 
O texto constitucional republicano vigorou durante 39 anos
e, após diversos conflitos sociais e políticos que culminaram
na Revolução Constitucionalista de 1932, no Estado de São
Paulo, foi promulgada a Constituição de 1934 que, dentre
outros aspectos, inseriu a possibilidade do voto feminino e
criou e organizou a Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho,
além de ter inserido no contexto constitucional a garantia do
mandado de segurança. 
Esse texto constitucional teve curta duração, visto que, em
1937, passou a vigorar novo texto constitucional, inserido no
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contexto de uma ditadura política que, como reflexo do
regime ao qual dava base, extinguiu diversos direitos e
garantias individuais, além de limitar o poder dos Estados
Membros. 
Nova ruptura política decorrente do fim do chamado Estado
Novo fez promover a elaboração de novo texto
constitucional, promulgado em 1946, que, adotando um tom
democrático, procurava restabelecer direitos que haviam
sido suprimidos no texto constitucional anterior, dentre os
quais a independência entre os poderes e a autonomia
política dos Estados. 
Vinte e um ano depois, no contexto do regime político militar
instituído em 1964, como reflexo de legitimação do poder
vigente, foi promulgada a Constituição de 1967 que, entre
outras medidas, instituiu o sistema bipartidário no país e o
sistema de eleição presidencial indireta por um mandato de
quatro anos.  
Com a queda do regime militar e o processo de
redemocratização do país, foi promulgada, em 5 de outubro
de 1988, o atual texto constitucional. Como consequência
dos princípios democráticos adotados pelo constituinte e
rompendo com o modelo antecedente, foi restituído o
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sistema de eleição direita para todos os cargos políticos do
executivo e do legislativo, além de ter sido restabelecido o
pluralismo político e instituída uma série de direitos e
garantias individuais e sociais expressos no texto
constitucional. 
Saiba mais
Saiba mais
Como você pôde perceber, os estudos de direito
constitucional apresentam nuances de complexidade em
decorrência dos princípios que lhe revestem e dos valores
que visa resguardar, ainda mais quando se considera a
estrutura adotada em nosso texto pelo legislador
constituinte originário. 
Conforme aponta o texto constitucional, ao Supremo
Tribunal Federal compete, entre outras atribuições,
funcionar como guardião do texto constitucional e dar-lhe a
interpretação para aplicação aos casos concretos e a
efetivação dos direitos previstos pelo texto. 
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Para aprofundar seus conhecimentos, conheça a obra A
Constituição e o Supremo, disponibilizada on-line e que
apresenta os posicionamentos adotados pela Corte Suprema
na interpretação e na integração do texto constitucional. 
Referências
Referências
BITTAR, E. C. B. Introdução ao Estudo do Direito:
Humanismo, democracia e justiça. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2022. 
 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da
República, [2020]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica
o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A Constituição e o
Supremo. Supremo Tribunal Federal, Brasília, [s. d.].
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https://portal.stf.jus.br/constituicao-supremo/constituicao.asp
https://portal.stf.jus.br/constituicao-supremo/constituicao.asp
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Disponível em: https://portal.stf.jus.br/constituicao-
supremo/constituicao.asp. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Manual de Direito
Civil. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
 KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. 6. ed. Tradução de
João Batista Machado. São Paulo: Martins Fontes, 1999 
 MARTINS, F. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. São
Paulo: Saraiva, 2022 
 MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de Direito
Constitucional. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.  
Aula 3
LEGISLAÇÃO CIVIL
Videoaula: Legislação civil
Videoaula: Legislação civil
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LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
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https://portal.stf.jus.br/constituicao-supremo/constituicao.asp
https://portal.stf.jus.br/constituicao-supremo/constituicao.asp
Prezado aluno, neste vídeo, trataremos dos aspectos
desenvolvidos no decorrer dos estudos desta aula, de modo
que trataremos dos aspectos pertinentes à introdução à
legislação civil, discorrendo a respeito dos conceitos básicos
atinentes a essa área do conhecimento jurídico. Em seguida,
trataremos dos estudos sobre a aplicação da legislação civil e
finalizaremos a aula com o conceito e o procedimento de
consolidação de leis em nosso ordenamento jurídico. 
Ponto de Partida
Ponto de Partida
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Bem-vindo, prezado aluno! 
Os estudos realizados nos conduzem à necessidade de
aprofundar os conhecimentos e analisar, de maneira mais
cuidadosa, o contexto da legislação civil, que vai impactar a
interpretação e a aplicação das normas de direito
empresarial e trabalhista. 
Para tanto, você iniciará seus estudos realizando uma
introdução à legislação civil a fim de construir conceitos e
definições fundamentais sobre esses conhecimentos. Isso se
faz essencial para a completa compreensão dos regramentos
abordados. 
Avançando nos estudos, trataremos de analisar a aplicação
das normas extraídas da legislação civil e concluiremos os
estudos desta aula com o desenvolvimento do conceito de
processo de consolidação das leis dentro do contexto do
ordenamento jurídico brasileiro. 
Siga firme e excelentes estudos! 
Vamos Começar!
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Vamos Começar!
Uma vez delimitadas as noções gerais e os conceitos básicos
relativos ao direito constitucional, podemos nos voltar à
análise e ao estudo da legislação civil. 
Conforme já estabelecido nos estudos iniciais, definimos que
lei, em sentido amplo, é uma ordem geral e abstrata que a
todos obriga, com característica de obrigatoriedade e
coercibilidade; por consequência, legislação é o conjunto
organizado e sistematizado de leis que formam um
agrupamento de normas e princípios que regem algum
aspecto da vida em sociedade. Nesse sentido, podemos
definir a legislação civil como o conjunto de leis e normas
jurídicas que regulam todos os aspectos da vida civil das
pessoas naturais e jurídicas, formando toda a base do
ordenamento jurídico brasileiro. 
Mais do que normalmente se imagina ou do que
conscientemente se analisa, do nascimento à morte da
pessoa natural e da constituição e desconstituição das
pessoas jurídicas, em todas as relações interpessoais que
geram efeitos jurídicos e em todos os atos, fatos e negócios
jurídicos que ocorrem em sociedade, é a legislação civil que
cuida de todos esses aspectos. 
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Como base da legislação civil brasileira, temos a Lei nº
10.406/2002, chamada de Código Civil brasileiro. No Código
Civil, encontramos normas jurídicas básicas, masessenciais
para o funcionamento de todo o ordenamento jurídico,
como a definição de capacidade jurídica, contida no art. 1º,
ou a definição jurídica do início e término da personalidade
jurídica para fins de efeitos civis: 
Art. 1º. Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na
ordem civil. 
Art. 2º. A personalidade civil da pessoa começa do
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro. (BRASIL, 2002, [s. p.]) 
 Além disso, no Código Civil, alinhado com o regramento
constitucional relativo aos direitos e às garantias individuais,
temos as normas jurídicas que disciplinam os direitos da
personalidade. Dessa maneira, o Código Civil, enquanto base
da legislação civil, trata de disciplinar todos os principais
aspectos das relações de direito privado e da vida civil em
sociedade, desde o surgimento até o encerramento da
personalidade jurídica das pessoas naturais e jurídicas e
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todos os fatos e fenômenos que podem ocorrer nesse
interregno. 
Assim, para além das normas relacionadas com as pessoas
naturais e as pessoas jurídicas, na legislação civil,
encontramos normas relacionadas à definição jurídica e
regramentos relacionados aos bens, aos fatos e aos negócios
jurídicos, às normas pertinentes ao direito das obrigações e
dos títulos de crédito.  
Também no Código Civil encontraremos as normas jurídicas
relativas ao direito das coisas, regras sobre direito de
vizinhança, direito de família e direito das sucessões.  
É relevante destacar, em nossos estudos, o conteúdo do
Livro II do Código Civil, que, revogando as normas do Código
Comercial, passou a regulamentar os aspectos basilares
relativos ao direito de empresa. 
Como se pode perceber, na legislação civil, você encontra as
regras que se voltam à regulamentação dos aspectos da vida
em sociedade, que compõem toda a base do direito privado
brasileiro, fornecendo as normas e os princípios aplicáveis às
relações privadas de cunho interpessoal envolvendo pessoas
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naturais e pessoas jurídicas, bem como as regras básicas do
direito empresarial.  
Siga em Frente...
Siga em Frente...
De acordo com o que foi estudado na introdução à legislação
civil, é possível estabelecer que ela se compõe das normas
jurídicas e dos princípios que regulamentam as relações
privadas entre as pessoas naturais e jurídicas ocorridas em
sociedade, tendo como principal instrumento normativo o
Código Civil Brasileiro. 
Partindo desse conceito, podemos, então, passar a pensar a
aplicação das normas da legislação civil. Para tanto, devemos
nos valer primeiro da Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB), Decreto-Lei nº 4.657/1942 alterado pela
Lei nº 12.376/2010, que apresenta as regras gerais sobre a
eficácia e a interpretação das normas jurídicas no direito
brasileiro. 
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Esse estudo é importante para que possamos compreender,
de pronto, as regras relacionadas ao início e ao término da
vigência das leis, o que gera consequências muito
importantes na interpretação e na aplicação das normas
jurídicas em geral e da legislação civil. 
Nesse sentido, conforme prevê o art. 1º da LINDB, salvo
quando a lei traz disposição específica em contrário, as leis
passam a vigorar e gerar efeitos no país 45 dias após sua
publicação oficial.  
Uma vez em vigor, e salvo naqueles casos de leis
temporárias (que são elaboradas para vigorar durante um
determinado período), as leis em geral somente serão
cessadas quando uma lei posterior a modificar ou a revogar. 
Temos, no art. 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro, as regras sobre a revogação das leis: 
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá
vigor até que outra a modifique ou revogue. 
1º A lei posterior revoga a anterior quando
expressamente o declare, quando seja com ela
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incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de
que tratava a lei anterior.
2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou
especiais a par das já existentes, não revoga nem
modifica a lei anterior. (BRASIL, [2010, s. p.])
 Outro importante dispositivo relacionado à aplicação da
legislação civil que se encontra previsto na LINDB se refere
ao princípio da vedação à repristinação: “§ 3º Salvo
disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por
ter a lei revogadora perdido a vigência” (BRASIL, [2010, s. p.]).
Isso significa que, uma vez revogada uma lei, ela não voltará
a ter vigência e eficácia automática pela perda da vigência da
norma que lhe revogou. 
Outro pronto importante que deve ser considerado na
análise da legislação civil em confronto com a interpretação
constitucional é o fenômeno da recepção. Diante disso,
pensemos que, se, por um lado, a Constituição funda um
novo ordenamento jurídico, por outro, a legislação
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infraconstitucional tem por objetivo regular as relações
interpessoais verificadas em sociedade.  
Pela lógica, a fundação de um novo ordenamento jurídico
pela Constituição deveria exigir a elaboração de todo um
conjunto novo de leis. Contudo, na prática, isso seria inviável
de modo que, para preservar a continuidade das relações
jurídicas, tratamos da hipótese de recepção.  
Dizemos que uma norma infraconstitucional foi
recepcionada pela Constituição quando a legislação anterior
está de acordo com as normas e princípios emanados do
texto constitucional, de modo que é reconhecida e tem
mantida sua eficácia. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o
Código Civil de 1916, recepcionado pela Constituição Federal
em 1988 e apenas revogado com o início da vigência de um
novo Código Civil em 2002. 
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
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Conforme objeto de nossos estudos sobre a introdução e a
evolução histórica da legislação, como herança histórica e
social do direito romano, que nos foi transmitido pela prática
jurídica e legislativa portuguesa, adotamos o sistema
denominado civil law, originado no direito romano-
germânico, com predominância na Europa continental, que
se baseia em um conjunto de leis escritas, organizada em
códigos estruturados de acordo com a convergência de
matéria, de modo que as leis cuidam de regular os fatos, as
condutas e as situações jurídicas de maneira abstrata. Assim,
ao julgador cabe, no caso concreto, realizar o juízo de
adequações dos fatos e das condutas em relação às normas
legais para, em um processo lógico-dedutivo, solucionar os
conflitos de direito surgidos nas relações sociais em
sociedade.  
Em contraposição a tal modelo, temos o common law
adotado especialmente no Reino Unido e nos países de
cultura anglo-saxônica, no qual as decisões jurídicas têm por
principal fundamento os usos e costumes judiciais na
resolução de casos concretos, com o estabelecimento de
precedentes jurisprudenciais que passam a ser adotados
como forma e fundamento de decisão em situações
análogas.  
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Esse sistema de codificação da legislação escrita é definido
pelo art. 13 da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro
de 1998: “As leis federais serão reunidas em codificações e
consolidações, integradas por volumes contendo matérias
conexas ou afins, constituindo em seu todo a Consolidação
da Legislação Federal” (BRASIL, 1998, [s. p.]). 
Tal explicação se faz necessária para que possamos
delimitar, dentro de nosso contexto social, o jurídico, a
noção e a profundidade do conceito de consolidação de leis.
Nesse sentido, a consolidação pode ser interpretada como
tornar algo sólido, estável ou, ainda, reunir elementos de
igual natureza com o objetivo de formar um conjunto coeso
e forte.  
Diante disso, a consolidação de leis consiste na integração de
todas as leis pertinentes a determinada matéria em um
único diploma legal, revogando-se formalmente as leis
incorporadas àconsolidação, sem modificação do alcance
nem interrupção da força normativa dos dispositivos
consolidados, nos termos do que dispõe o parágrafo 1º do
art. 13 da Lei Complementar nº 95/1998. 
Para que se proceda ao processo de consolidação das leis, o
Poder Executivo ou o Poder Legislativo deverão realizar um
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levantamento prévio da legislação federal em vigor relativa a
uma determinada matéria, para então formular um projeto
de lei de consolidação de normas que trate dessa mesma
matéria ou de assuntos a ela vinculados, com a indicação
precisa dos diplomas legais expressa ou implicitamente
revogados. 
Isso implica, pois, um processo legislativo de iniciativa do
Poder Executivo ou do Poder Legislativo com o objetivo de
reunir, em um único diploma, todas as normas jurídicas que
se encontrem esparsas no ordenamento jurídico e que
tratem da mesma matéria para, revogando essas legislações
esparsas, sem interromper sua validade e eficácia jurídica,
criar um corpo unificado de legislação, de maneira a permitir
a aplicação mais eficaz e efetiva das normas jurídicas. 
Tal processo foi adotado em 1943 como uma necessidade
decorrente da recente criação da Justiça do Trabalho para
reunir as leis trabalhistas que se encontravam até então
esparsas e que passaram a compor a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT). 
Saiba mais
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Saiba mais
A legislação civil, que se ocupa de regular as relações
jurídicas de direito privado, tem por base o Código Civil,
contudo é composta por um complexo de legislações que
visam disciplinar as múltiplas relações possíveis no contexto
da vida civil e do direito privado, buscando abordar todos os
possíveis conflitos de direito que podem surgir das relações
interpessoais, formando um complexo de textos legais que
exigem um constante estudo e aprofundamento. 
Para que você possa se aprofundar nos estudos, ficam como
indicações de leitura os artigos disponibilizados pelo
Instituto Brasileiro de Direito Civil. 
Referências
Referências
BITTAR, E. C. B. Introdução ao Estudo do Direito:
Humanismo, democracia e justiça. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2022. 
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https://ibdcivil.org.br/
https://ibdcivil.org.br/
 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da
República, [2020]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica
o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BRASIL. Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942.
Brasília: Presidência da República, [2010]. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-
lei/del4657compilado.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BRASIL. Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998.
Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp95.htm.
Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o
Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002.
Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil
ada.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Manual de Direito
Civil. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657compilado.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657compilado.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp95.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
 IBDCIVIL. IBDCivil, [S. l., s. d.]. Disponível em:
https://ibdcivil.org.br/. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 MARTINS, F. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. São
Paulo: Saraiva, 2022 
 MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de Direito
Constitucional. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.  
Aula 4
CONTEXTO DAS LEGISLAÇÕES CONSTITUCIONAL E CIVIL NA ROTINA DO PROFISSIONAL
TÉCNICO.
Videoaula: Contexto das legislações constitucional e civil na rotina
profissional do técnico
Videoaula: Contexto das
legislações constitucional e
civil na rotina profissional
do técnico
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https://ibdcivil.org.br/
Prezado aluno, neste vídeo, cuidaremos de analisar a
contextualização das normas e da legislação constitucional e
civil na realidade prática do profissional, de modo a nortear
os estudos e indicar os caminhos a serem percorridos na
análise, na interpretação e na aplicabilidade dessas
legislações na realidade prática. 
Para tanto, após um estudo inicial de contextualização,
trataremos de analisar os desafios impostos pela realidade
contemporânea e a evolução histórica da aplicação das
legislações constitucionais e civis no contexto brasileiro. 
Siga firme e excelentes estudos! 
Ponto de Partida
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Ponto de Partida
Bem-vindo, prezado aluno! 
No decorrer das aulas, construímos desde os conhecimentos
fundamentais, as noções gerais de introdução ao direito e à
legislação até o desenvolvimento histórico e a análise do
contexto brasileiro. Também discorremos sobre o direito
constitucional, abordando suas bases históricas e toda a
construção do constitucionalismo, além de desenhar um
quadro sobre a realidade constitucional brasileira. 
Ainda no decorrer desses estudos, você trilhou a construção
do conhecimento sobre a legislação civil, a aplicação das
normas extraídas dessa legislação e a compreensão do
processo de consolidação de leis em nosso ordenamento
jurídico. 
Nesta aula trataremos de contextualizar a legislação
constitucional e civil na profissão, passando pela análise dos
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desafios contemporâneos e do contexto histórico no qual se
acham inseridos esses conhecimentos. 
Siga firme e excelentes estudos! 
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Agora que você já tratou dos estudos dos aspectos gerais e
das bases relacionadas com a legislação constitucional e a
civil, podemos avançar quanto à contextualização da
legislação constitucional e civil na atividade prática e
profissional. 
Primeiro, é importante compreender que a Constituição
Federal, que se encontra no topo da pirâmide normativa,
representa a fonte de validade e exigibilidade de qualquer
norma infraconstitucional. Isso significa dizer que a validade
e a eficácia de qualquer legislação infraconstitucional
dependem da análise e da verificação da convergência entre
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essa norma e o texto constitucional, sob pena e
inconstitucionalidade. 
É possível verificar que, na Constituição Federal, em seu art.
1º, encontramos os fundamentos da República Federativa do
Brasil. Logo, qualquer legislação infraconstitucional (o Código
Civil, a Consolidação das Leis do Trabalho ou uma legislação
de reforma trabalhista, por exemplo) deve estar de acordo
com os princípios expressos pela Constituição: 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e
tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. (BRASIL, [2020, s. p.]) 
 Dessa forma, importante, para não dizer essencial, no
exercício das atividades práticas e profissionais, é a
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compreensão e a capacidade de análise e integração das
normas extraídas da legislação constitucional e da legislação
civil, de maneira a permitir uma correta aplicação das
normas constitucionais e políticas. 
Pensemos que os fundamentos das atividades empresariais,
da legislação empresariale da legislação trabalhista podem
ser encontrados no texto constitucional quando ele trata dos
fundamentos da República Federativa do Brasil ao se
explicitarem os “valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa”. 
Podemos encontrar, ainda, no art. 170 da Constituição
Federal, os fundamentos constitucionais da legislação
empresarial, os quais determinam que a ordem econômica
terá por fundamento a valorização do trabalho humano e a
livre iniciativa, com o fim assegurar a todos uma existência
digna, conforme os ditames da justiça social observados nos
seguintes princípios: 
Soberania nacional. 
Propriedade privada. 
Função social da propriedade. 
Livre concorrência. 
Defesa do consumidor. 
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Defesa do meio ambiente, inclusive mediante
tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental
dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação. 
Redução das desigualdades regionais e sociais. 
Busca do pleno emprego. 
Tratamento favorecido para as empresas de pequeno
porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham
sua sede e administração no País. 
Além disso, nos termos do parágrafo único do art. 170 da
Constituição Federal, será assegurado a todos o livre
exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos públicos,
salvo nos casos previstos em lei. 
Também na Constituição Federal, no art. 7º, encontraremos
os fundamentos constitucionais da legislação trabalhista. 
Dessa análise, podemos verificar a importância da
contextualização e da integração das normas constitucionais
e da legislação civil na atividade prática e profissional de
modo a propiciar os subsídios necessários para o
cumprimento das atividades. 
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Siga em Frente...
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Uma vez estabelecidos os parâmetros para a
contextualização da legislação constitucional e da legislação
civil e da importância do estabelecimento desse contexto no
exercício da atividade prático-profissional, torna-se
imprescindível reconhecer e assumir os desafios que a
realidade contemporânea impõe na vida prática e nas
atividades profissionais.  
Devemos ter em mente que a realidade contemporânea,
com o implemento de meios tecnológicos inovadores,
introdução de ferramentas e meios de comunicação que
impactam as relações sociais e interpessoais e a própria
cadeia de produção, imprime considerável pressão às
relações sociais, o que inclui as relações econômicas, as
trabalhistas e toda sorte de contextos interpessoais. Tudo
isso acaba criando desafios decorrentes dessa mutabilidade
do mundo contemporâneo. 
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Pensemos, primeiramente, que a legislação civil se ocupa de
regular todas as relações da vida privada, desde o
estabelecimento dos parâmetros de início e encerramento
da vida até o início e o término da existência das pessoas
jurídicas. As mudanças na sociedade acabam, diante disso,
impondo a necessidade de adequação da legislação civil para
comportar essas alterações sociais e cuidar da regulação das
relações interpessoais. 
Além disso, e apesar das divisões doutrinárias e materiais
das normas jurídicas, deve-se ter em mente que uma norma
jurídica é parte integrante de todo um sistema que compõe
o ordenamento jurídico. Importa dizer, portanto, que uma
alteração na legislação civil gera impactos em múltiplas áreas
do direito. Basta pensar que a Constituição Federal, em
1988, ao tratar da família, mencionou o casamento e a união
estável, mas a legislação civil ainda demorou muito tempo
para regulamentar essa figura; mais do que isso, apenas
recentemente a legislação civil que trata do casamento e a lei
de registros públicos passou a reconhecer a possibilidade
jurídica do casamento independentemente da vinculação do
sexo dos nubentes.  
Se avançarmos um pouco mais o raciocínio, ainda na esfera
do direito civil, o Código Civil de 1916, ao regular o
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casamento, não reconhecia a possibilidade da dissolução do
vínculo, o que somente se tornou juridicamente possível no
curso da década de 1970 com a lei de divórcio. 
Na esfera do direito empresarial, durante mais de um século,
e contando múltiplas alterações legislativas, a disciplina civil
esteve sujeita ao Código Comercial do Império, de 1850, que
somente foi revogado com o Código Civil em 2002, que veio
regulamentar a matéria. 
Ainda tratando de mudanças sociais e econômicas, muito
recentemente fomos submetidos a uma expressiva reforma
na legislação trabalhista, que trouxe consideráveis alterações
na relação jurídica de trabalho, as quais ainda não
sedimentadas e que estarão sujeitas a análises no plano da
legalidade e da constitucionalidade, conforme os conflitos de
direito forem submetidos à apreciação jurisdicional. 
Outro ponto desafiador que merece a atenção do
profissional diz respeito justamente à atuação jurisdicional e
às decisões judiciais que acabam por impactar a
interpretação e a aplicação das normas jurídicas,
especialmente se considerarmos as recentes decisões
proferidas no plano de constitucionalidade, em especial
aquelas emanadas dos Tribunais Superiores, que têm
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impactado de maneira decisiva as atividades práticas e
profissionais. 
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
É importante ter em conta que, quando falamos em direito e
legislação, não podemos pensar em uma existência isolada,
em um plano ideal, desconectado de uma realidade social.
Na verdade, o direito e a legislação são fenômenos sociais
que apenas fazem sentido quando interpretados dentro de
um contexto social; além disso, quando são resultado de
fenômenos sociais, podem representar reflexos bastante
precisos dos valores e da realidade histórica e cultural
vivenciada pela sociedade na qual estão inseridos. 
Isso significa que podemos encarar o direito e a legislação
como processos em constante transformação, buscando
acompanhar as mutações e a alteração das relações
interpessoais verificadas na sociedade. 
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Mesmo quando tentamos levar em consideração textos mais
antigos, como a Constituição Norte-americana – vigente há
mais de duzentos anos – ou, entre nós, o Código Comercial –
que vigorou entre 1850 e 2002 –, devemos considerar que
mesmo estes sofreram mutações, seja por emenda, com a
inserção de novos dispositivos, seja por alterações de
legislação infraconstitucional, com a elaboração de novos
diplomas para tratar de relações não previstas
originariamente ou com alteração nas interpretações
doutrinárias e jurisprudenciais, parte dos processos de
integração das normas jurídicas. 
Diante disso, basta pensarmos que a Constituição Federal
brasileira de 1988, com pouco mais de 30 anos de existência,
ainda experimenta mutações na interpretação do alcance de
princípios e garantias de fundo constitucional, conforme
surgem demandas e conflitos de direito no seio da
sociedade.  
Tratando da perspectiva do direito e da legislação
empresarial, conforme apontado nos estudos, a matéria tem
suas bases regulamentas pelo Código Civil de 2002 ao
disciplinar o direito de empresa. 
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Nesse sentido, devemos considerar a inserção no
ordenamento jurídico da Lei nº 14.112/2020, que aplicou
alterações na lei de falências e recuperações de empresas
(Lei nº 11.101/2005), com a criação da possibilidade de
parcelamento de débitos com a fazenda pública da união ou
do início da recuperação judicial por iniciativa do credor,
além da inserção da figura da falência sumária. 
Já a Lei nº 14.193/2021, ainda no âmbito da legislação
empresarial, matéria de direito privado e direito civil, passou
a aplicar às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs)
tratamento de sociedades empresariais em formato diverso
daqueles trazidos pelo direito empresarial tradicional. 
Por fim, importante apontar também a Lei nº 14.195/2021,
denominada Lei do Ambientede Negócios, que facilita a
abertura de empresas, além de inserir dispositivos que criam
consideráveis alterações no âmbito do tratamento legislativo
empresarial.  
Na esfera do direito do trabalho, devemos considerar as
alterações mais recentes e impactantes realizadas pela
denominada reforma trabalhista, inseridas pela Lei nº
13.467/2017 que ainda suscita diversas discussões sobre
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seus impactos e efeitos nas relações trabalhistas e mesmo
na realidade econômica do país. 
Saiba mais
Saiba mais
Como foi possível verificar ao longo dos estudos, múltiplos
são os desafios impostos ao profissional com relação à
contextualização, à interpretação e à aplicação das normas
decorrentes da legislação constitucional e civil, o que impõe
a necessidade de constante estudo, aprofundamento e
aperfeiçoamento, único caminho que lhe permite
compreender os desafios impostos pela realidade
contemporânea. 
Para complementação dos estudos, fica aqui a indicação do
portal da Academia Brasileira de Direito Civil (ABDC), no qual
há artigos disponibilizados pela Revista Científica da
Academia Brasileira de Direito Civil, cuja leitura é
recomendada. 
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s://abdc.emnuvens.com.br/abdc/index
s://abdc.emnuvens.com.br/abdc/index
Referências
Referências
ABDC. Revista Científica da Academia Brasileira de Direito
Civil. ABDC – Academia Brasileira de Direito Civil, Rio de
Janeiro, 2022. Disponível em:
https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/index. Acesso em: 31
jan. 2022. 
 BITTAR, E. C. B. Introdução ao Estudo do Direito:
Humanismo, democracia e justiça. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2022. 
 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da
República, [2020]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica
o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o
Código Civil. Brasília: Presidência da República, 2002.
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https://abdc.emnuvens.com.br/abdc/index
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil
ada.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Manual de Direito
Civil. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
 MARTINS, F. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. São
Paulo: Saraiva, 2022 
 MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de Direito
Constitucional. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
Aula 5
LEGISLAÇÕES CONSTITUCIONAL E CIVIL
Videoaula de Encerramento
Videoaula de Encerramento
Disciplina
LEGISLAÇÃO EMPRESARIAL E
TRABALHISTA
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
Prezado aluno, no decorrer dos estudos desta unidade,
passamos por uma introdução ao estudo do direito e da
legislação, cuidamos da definição e da evolução histórica do
direito constitucional e da definição dos conceitos e dos
princípios do direito civil. Com base nisso, tratamos da
contextualização das normas de direito constitucional e de
direito civil na atividade profissional, discorrendo sobre o
contexto histórico e os desafios contemporâneos. Nesta aula
de revisão, vamos nos ocupar de revisitar e sedimentar esses
conceitos e conhecimentos. 
Excelentes estudos! 
Ponto de Chegada
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Ponto de Chegada
Pensar no significado do termo “direito” vai conduzi-lo à ideia
do que é certo ou daquilo que é correto. Ampliando essa
noção primária, somos levados a alguns conceitos mais
complexos, cada qual preocupado com um aspecto do que
viria a ser o direito. 
É possível, em uma perspectiva objetiva, definir o direito
como um sistema de normas gerais e abstratas que criam
obrigações e reconhecem direitos, estabelecendo uma
relação de causa e efeito decorrente da observância ou
inobservância dessas normas. Evidentemente que esse
conceito trata de apenas um dos aspectos do que seria o
direito. 
Ainda refletindo sobre o sentido do termo “direito”, podemos
pensar na ideia de direito subjetivo, que pode ser
compreendido como a situação jurídica que permite à
pessoa a faculdade de exigir do Estado ou de terceiros o
cumprimento de um dever ou obrigação jurídica em seu
favor. 
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Todos esses conceitos e essas noções conduzem à
necessária construção de uma definição de legislação. 
Diante disso, é possível pensar que a legislação representa o
conjunto de leis, normas e regras que compõe o
ordenamento jurídico de determinado grupo ou sociedade.
Por exemplo, a legislação brasileira representa o conjunto de
leis, normas e regulamentos emanado dos órgãos
competentes que regulam os diversos aspectos da vida na
sociedade brasileira. 
Passando ao estudo do direito constitucional, é possível
defini-lo como o ramo do direito que se ocupa do estudo do
sistema de regras e princípios relativos à forma do Estado e
do governo, aos mecanismos de acesso e de exercício do
poder político e ao estabelecimento e ao funcionamento dos
órgãos e instituições que compõem a estrutura desse
Estado, assim como os limites de sua atuação. 
Pensando na própria origem dos movimentos
constitucionalistas, integram-se à ideia de direito
constitucional, na esfera de limitação do poder do Estado, as
regras e os princípios que estabelecem os direitos e as
garantias individuais. 
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Já a legislação civil pode ser definida como o conjunto de leis
e normas jurídicas que regulam todos os aspectos da vida
civil das pessoas naturais e jurídicas, formando toda a base
do ordenamento jurídico brasileiro. 
Mais do que normalmente se imagina ou do que
conscientemente se analisa, do nascimento à morte da
pessoa natural e da constituição e desconstituição das
pessoas jurídicas, em todas as relações interpessoais que
geram efeitos jurídicos e em todos os atos, fatos e negócios
jurídicos que ocorrem em sociedade, é a legislação civil que
cuida de todos esses aspectos.  
Com essa análise, podemos verificar a importância da
contextualização e da integração das normas constitucionais
e da legislação civil na atividade prática e profissional, de
modo a propiciar os subsídios necessários para o
cumprimento das atividades. 
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
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Bem-vindo, prezado aluno! 
Depois de concluir os estudos sobre direito constitucional e
legislação civil e de realizar uma revisão dos assuntos
básicos da disciplina, chegou o momento de colocar a mão
na massa e colocar em prática os conhecimentos
construídos em um exercício de estudo de caso. 
Esse tipo de atividade é de extrema importância e gera
relevantes resultados na fixação dos conhecimentos
construídos e na ampliação dos conceitos desenvolvidos
com o estudo, uma vez que permite uma visão concreta da
aplicabilidade das informações que foram aprendidas no
decorrer do trabalho. 
Então, vamos à situação-problema, para a qual você deve
encontrar a solução mais adequada com base em seus
conhecimentos sobre a legislação constitucional e civil.
Pense na seguinte situação: há, na região em que você mora,
um grande escritório de advocacia que presta serviços de
assessoramento e consultoria jurídica empresarial. Uma das
empresas para a qual esse escritório presta serviço solicita a
apresentação de alguns aspectos jurídicos básicos aos
funcionários de modo esclarecê-los a respeito disso.  
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Conforme apurado pelo setor de recursos humanos,
detectou-se um aumento expressivo de ordens judiciais
determinando, em folha de pagamento de funcionários,
desconto relativo a pensões alimentícias. 
O principal problema relacionado a essa questão, na
perspectiva daempresa, é que os funcionários atingidos
alegam que as crianças sequer nasceram ainda e eles já são
obrigados a “pagar pensão”. Além disso, esses funcionários
alegam que não existe lei que autorize a empresa a realizar
tais descontos de seus pagamentos, e muitos deles pedem o
desligamento da empresa porque assim “não serão
obrigados a pagar nada”. 
Por motivo desconhecido, tem-se difundido entre os
funcionários da linha de produção que tudo isso se origina
na Constituição, que “deu muitos direitos”, sendo a solução
para esse problema, na verdade, uma nova Constituição. 
Mesmo que tais questões pessoais não sejam de
responsabilidade da empresa, os valores defendidos pelo
corpo empresarial visam fomentar um ambiente de trabalho
digno e pacífico, com resolução e minimização de conflitos.
Diante disso, observa-se a necessidade de solucionar tais
questões, já que estão impactando a produção devido à
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perda de funcionários, que têm pedido desligamento pelo
motivo anteriormente exposto e pelo descontentamento que
sentem no ambiente de trabalho, e estão exercendo enorme
pressão sobre o setor de recursos humanos. 
Pensando nessa situação a partir dos conhecimentos que
você construiu com os estudos, qual seria a melhor
explicação sobre o que é direito e o que legislação? Pense
em uma resposta capaz de esclarecer a questão de modo a
ser compreendido mesmo por quem nunca estudou
legislação. 
Além disso, de uma forma clara e objetiva, como se poderia
explicar o motivo de a criança, ainda em gestação, ter direito
de receber valores relativos à pensão alimentícia? Ou
melhor, como justificar que uma pessoa que nem nasceu
ainda tenha direitos? 
Por fim, você deve ser capaz de explicar o que é Constituição
e por qual motivo esse documento é tão importante. 
 
Algo que você deve ter percebido a essa altura dos seus
estudos (e caso não tenha percebido, fica a dica) é que a
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legislação não existe de forma isolada e nem pode ser
encarada dessa forma. 
Na verdade, tomando a Constituição como base e
fundamento, todo o ordenamento jurídico é formado por um
sistema legislativo, que deve funcionar de maneira
coordenada, como um conjunto coeso. 
Apesar de haver uma divisão didática entre os ramos do
direito (direito civil, direito empresarial, direito do trabalho,
direito penal, direito eleitoral, direito tributário, etc.), as
normas desses diversos segmentos não apenas coexistem,
mas devem ser interpretadas em conjunto e de maneira
sistemática. 
Dessa forma, o correto estudo, a análise e a interpretação da
legislação devem considerar os impactos de uma norma em
outras esferas do direito. Questões de direito empresarial
buscarão suas bases no direito civil. Além disso, gerarão
reflexos no direito do trabalho. As atividades empresariais
vão gerar implicações de direito tributário; questões
trabalhistas terão reflexos no campo de direito
previdenciário; e todas essas normas deverão ser
compreendidas no conjunto que forma o sistema de
legislação do ordenamento jurídico. 
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Reflita
Olá estudante, chegamos ao encerramento da unidade!
Vamos realizar a experiência presencial que irá consolidar os
conhecimentos adquiridos? É a oportunidade perfeita para
aplicar, na prática, o que foi aprendido em sua disciplina.
Vamos transformar teoria em vivência e tornar esta etapa
ainda mais significativa. Não perca essa chance única de
colocar em prática o conhecimento adquirido.
Resolução do Estudo de Caso
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Assimile
BITTAR, E. C. B. Introdução ao Estudo do Direito:
Humanismo, democracia e justiça. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2022. 
 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da
República, [2020]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituica
o.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002.¿Institui o
Código Civil.¿Brasília: Presidência da República, 2002.
Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compil
ada.htm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
 GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Manual de Direito
Civil. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
 MARTINS, F. Curso de Direito Constitucional. 6. ed. São
Paulo: Saraiva, 2022 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
 MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de Direito
Constitucional. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. 
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