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FORMAÇÃO DO CONTRATO 
 
- Importância da determinação do momento da 
formação do contrato: é de suma importância se aferir o 
momento exato em que o contrato esteja formado para efeito de: 
 
- Capacidade das partes: Analisar se as partes eram capazes de 
contratarem. 
- Normas reguladoras: Estabelecer as normas vigentes em 
relação ao contrato. 
- Competência judicial: Estabelecer a competência para julgar 
litígios derivados do contrato. 
- Riscos e danos da coisa : Estabelecer o termo para a 
responsabilidade pelos riscos e perdas da coisa alienada. 
- Arrependimento: em regra, é possível antes da formação do 
contrato. 
 
- REQUISITOS: O mecanismo de formação do contrato 
compõem-se de declarações convergentes de vontades emitidas 
pelas partes. Para a perfeição do contrato, requerem-se: em 
primeiro lugar, a existência de duas declarações, cada uma das 
quais, individualmente considerada, há de ser válida e eficaz; em 
segundo lugar, uma coincidência de fundo entre as duas 
declarações. (...). Há contratos que não se formam com o só 
simples consentimento das partes. Tais são, por exemplo, o 
depósito, o empréstimo, que só se tornam perfeitos e acabados 
com a entrega da coisa por uma das partes à outra. Outros 
requerem forma solene para o acordo de vontade, não valendo, se 
preterida. (Orlando Gomes). 
 
Forma de exteriorização das vontades: Salvo quando a 
lei estabelecer a necessidade de ser expressa, a manifestação da 
vontade pode ser tácita, desde de que inequívoca. 
 
- Não é mister que o agente faça uma declaração formal, por 
meio da palavra escrita ou falada, pois é suficiente que se possa 
traduzir o seu querer por uma atitude inequívoca, evidente e certa, 
de modo expresso, quando os contraentes se utilizam de qualquer 
veículo para exteriorizar sua vontade, seja verbalmente, usando a 
palavra falada, seja por mímica, exprimindo-se por um gesto 
tradutor de seu querer, como por ex., em um leilão... (Maria H. 
Diniz). 
 
 
FASES DA FORMAÇÃO DO CONTRATO: O contrato 
nasce através da conjugação de duas ou mais vontades, mas 
apresenta várias fases para que atinja este momento e seja 
considerado perfeito e acabado: 
 
a) “negociações preliminares” (conversações, estudos, 
puntuação): se referem aos primeiros entendimentos, mas ainda 
não há uma manifestação efetiva das vontades, retratadas pela 
oferta e aceitação. 
 
 Desistência: Em regra, a desistência do contratante nesta 
fase não gera qualquer responsabilidade, salvo se ficar comprovada 
a deliberada intenção de prejudicar o outro contratante (ex: perda 
de outro negócio, realização de despesas etc), o que caracteriza um 
ilícito civil (art. 186 do CC) e gera a responsabilidade aquiliana, 
principalmente quando caracterizar a ofensa ao princípio da boa-fé. 
 
Não obstante faltar-lhe obrigatoriedade, pode surgir 
responsabilidade civil para os que participam das negociações 
preliminares, não no campo da culpa contratual, porém da 
aquiliana, somente no caso de um deles induzir no outro a crença 
de que o contrato será celebrado, levando-o a despesas ou a não 
contratar com terceiro etc. e depois recusar, causando-lhe dano. 
(Caio Mário da Silva Pereira) 
 
-Acordos parciais Das negociações preliminares as partes 
podem passar à minuta (puntuazione, como preferem os 
italianos), reduzindo a escrito alguns pontos constitutivos do 
conteúdo do contrato (cláusulas ou condições) sobre os quais já 
chegaram a um acordo, para que sirva de modelo ao contrato que 
depois realizarão, mesmo que nem todos os detalhes tenham sido 
acertados. Ainda assim não se tem vínculo jurídico entre as 
partes. Somente se obtiver o completo acordo sobre todos os 
pontos essenciais da relação contratual é que surgirá o contrato: 
portanto, acordos parciais, que forem eventualmente 
estabelecidos, carecem de valor e de obrigatoriedade. (Maria H. 
Diniz). 
 
b) Proposta: É a oferta realizada e, em regra, vincula o 
proponente (ofertante, policitante). 
c) Aceitação: É a concordância do aceitante (oblato, 
solicitado) com os termos da proposta. 
 
PROPOSTA –(OFERTA, POLICITAÇÃO) 
 
- CONCEITO: proposta, oferta ou policitação é uma 
declaração receptícia de vontade, dirigida por uma pessoa a outra 
(com quem pretende celebrar um contrato), por força da qual a 
primeira manifesta sua intenção de se considerar vinculada, se a 
outra parte aceitar (Orlando Gomes). 
 
NATUREZA JURÍDICA – É um negócio jurídico receptício, 
porque somente gera efeitos próprios quando ocorre a aceitação do 
oblato. 
 
REQUISITOS: “ a proposta deve conter todos os elementos 
essenciais do negócio proposto, como preço, quantidade, tempo de 
entrega, forma de pagamento etc. Deve também ser séria e 
consciente, pois vincula o proponente (CC, art. 427). Deve ser, 
ainda, clara, completa e inequívoca, ou seja, há de ser formulada 
em linguagem simples, compreensível ao oblato, mencionando 
todos os elementos e dados do negócio necessários ao 
esclarecimento do destinatário e representado a vontade 
inquestionável do proponente”. (Carlos R. Gonçalves). 
 
Seriedade da proposta: “Meras conjecturas ou declarações 
jocosas não traduzem proposta juridicamente válida e exigível” 
(Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona). 
 
EFEITOS DA PROPOSTA: Desde de que séria e consciente, 
a proposta vincula o proponente (policitante). Todavia, a vinculação 
não existirá se: 
 
- existir cláusula expressa afastando a vinculação: quando o 
proponente reserva expressamente o direito de desistência. Na 
prática, normalmente se utilizam as expressões: “proposta sujeita a 
confirmação”, “salvo confirmação”, “sem compromisso” ou “não 
vale como proposta”. 
- Natureza do negócio: algumas espécies de oferta, pela própria 
natureza do negócio, não vinculam o policitante de forma absoluta, 
ex: proposta de liquidação de mercadoria limitada ao estoque 
existente. 
- Circunstância do caso: Embora prevista de certa forma no art. 
428, a hipótese é genérica e admite outras formas de exclusão da 
obrigatoriedade da proposta, conforme o caso concreto. 
 
DESISTÊNCIA DA PROPOSTA: obriga o proponente 
(policitante) a responder pelo pagamento de perdas e danos, com 
exceção das seguintes hipótese previstas pelo art. 428: . 
 
I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi 
imediatamente aceita. Considera-se também presente a 
pessoa que contrata por telefone ou por meio de 
comunicação semelhante; 
 
Contrato entre presentes: é aquele em que o contratante recebe 
pessoalmente, ou por representante, a oferta do policitante ou de 
seu representante, mesmo que não esteja no mesmo local deste e 
que a receba através de qualquer meio de comunicação que permita 
o contato direto (ex: telefone). Para que seja caracterizado desta 
maneira é necessário : 
- a presença jurídica (não necessariamente física) das partes 
- a transmissão direta das vontades 
- aceitação imediata do oblato. 
 
Contrato entre ausentes: é aquela que não recebe a proposta de 
forma direta e pessoal (ex: através de corretor, via correspondência, 
telegrama). Também será considerado entre ausentes se a proposta 
for realizada de forma pessoal, mas a aceitação for de forma 
indireta (por ex: por carta). 
 
Ausência de aceitação imediata: uma vez realizada a 
proposta, sem prazo de validade, e inexistindo aceitação imediata, 
poderá o proponente desistir da oferta. “É pegar ou largar, e se o 
oblato não responde logo, dando pronta aceitação, caduca a 
proposta, liberando-se o proponente” (Caio M da S. Pereira). 
 
Contato pela Internet: “estando ambas em contato simultâneo, 
a hipótese merece o mesmo tratamento jurídico conferido às 
propostas feitas por telefone, por se tratar de comunicação 
semelhante, só se tornando obrigatória a policitação se for 
imediatamente aceita. Todavia, o mesmo não deve suceder com a 
proposta feita por via e-mail, não estando ambos os usuários da 
rede simultaneamente conectados” (Carlos R. Gonçalves). 
 
II - se, feita sem prazo a pessoapermanecer na qualidade de contratante. 
Aquele que aceita o pacto é denominado promitente. 
 
CARACTERÍSTICA: é a indeterminação que durante algum 
tempo se mantém quanto a uma das partes. No momento da 
estipulação, subsiste um estado de incerteza quanto à parte 
contratante. (Sílvio Venosa). 
 
UTILIDADE PRÁTICA: Trata-se de avença comum nos 
compromissos de compra e venda de imóveis, nos quais o 
compromissário comprador reserva-se a opção de receber a 
escritura definitiva ou indicar terceiro para nela figurar como 
adquirente. A referida cláusula é denominada “pro amico eligendo 
ou sibi aut amico vel eligendo” (grifei). Tem sido utilizada para 
evitar despesas com nova alienação, nos casos de bens adquiridos 
com o propósito de revenda, com a simples intermediação do que 
figura como adquirente. (Carlos R. Gonçalves). Apesar da maior 
aplicação nos contratos de compra e venda, o instituto pode ser 
utilizado em qualquer contrato, com exceção de eventual 
incompatibilidade (ex: contrato personalíssimo). 
 
PRAZO PARA INDICAÇÃO DO NOMEADO: se o contrato 
for omisso, o promittens deve ser comunicado no prazo de cinco 
dias sobre a definição do nomeado. 
 
FORMA E EFEITO DA ACEITAÇÃO: A aceitação deve ser 
realizada da mesma forma utilizada para a celebração do contrato e, 
uma vez realizada, faz com que o nomeado (electus) seja titular dos 
direitos perante o promittens, liberando-se o indicante (stipulants), 
possuindo assim efeito ex tunc. 
 
VINCULAÇÃO DOS CONTRATANTES ORIGINÁRIOS: 
Eventualmente o contrato não atingirá terceiros, como nos casos 
previstos pelo art. 470 e 471. 
- percebe-se que o negócio é aleatório, o indicante aceita o 
risco da insolvência do indicado e, diante do princípio da boa fé, a 
cláusula da responsabilidade pela idoneidade do indicado está 
ínsita contratualmente, por isso quem nomeia terceiro responderá 
se este for inidôneo ou insolvente. (Maria H. Diniz). 
 
Diferenças em relação a outros institutos: 
 
- Estipulação em favor de terceiro: se assemelha porque 
envolve a extensão dos efeitos do contrato a um terceiro, porém, 
neste o estipulante e o promitente permanecem vinculados à 
relação contratual o tempo todo, enquanto que no contrato com 
pessoa a declarar o estipulante é substituído pelo nomeado, que 
passa a figurar na posição de contratante retroativamente ao 
momento de formação do contrato. 
 
 Na estipulação o terceiro aufere apenas benefícios, já na 
declaração assume os direitos e obrigação de um dos contratantes. 
 
 
Cessão de contrato: ambos representam a substituição de um 
dos contratantes por outra pessoa, mas na cessão a substituição 
ocorre posteriormente à formação do contrato e de forma ex nunc, 
no contrato com pessoa a declarar a cessão da posição é 
previamente prevista e o terceiro assume a condição de contratante 
de forma retroativa (ex tunc). 
 
 
 
JURISPRUDÊNCIA– EFEITOS CONTRATUAIS A 
TERCEIROS 
 
- Estipulação em favor de terceiro 
 
DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAZÃO. ACIDENTE DE VEÍCULO. 
DEMANDA PROPOSTA DIRETAMENTE CONTRA A SEGURADORA. 
POSSIBILIDADE. ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO. RELAÇÃO JURÍDICA 
DE DIREITO MATERIAL APTA A LEGITIMAR PASSIVAMENTE A 
SEGURADORA.PEDIDO FORMULADO PELO AUTOR NÃO ABRANGIDO NO 
CONTRATO DE SEGURO. NÃO CONHECIMENTO, PENA DE SUPRESSÃO DE 
INSTÂNCIA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E NESSA PARTE 
DESPROVIDO. 1. A jurisprudência hodierna já firmou entendimento de que pode a 
vítima em acidente de veículos ajuizar ação, também, diretamente contra a 
seguradora, sendo irrelevante que o contrato envolva apenas segurado e seguradora. 
2. Ao prever o contrato a indenização devida por "danos pessoais a terceiros", a 
seguradora e o segurado estipularam, a rigor, uma vantagem patrimonial em favor de 
terceiro, pessoa indeterminada no momento da celebração do ajuste, porém 
determinável quando da ocorrência do sinistro. Na espécie, o veículo segurado 
envolveu-se em acidente e neste instante, identificou-se o "terceiro" previsto no 
instrumento contratual de seguro. 3. como em agravo de instrumento somente é 
permitida a análise do despacho combatido, não cabe analisar a existência ou não de 
previsão de cobertura no contrato de seguro dos pedidos formulados pelo autor. O 
exame desta questão compete ao MM. Juiz a quo quando no julgamento do mérito da 
ação de indenização, sob pena de supressão de instância. 4. Agravo de instrumento 
conhecido e desprovido. 
 
(TJ-PR - AI: 2808806 PR Agravo de Instrumento - 0280880-
6, Relator: Macedo Pacheco, Data de Julgamento: 10/03/2005, 19ª 
Câmara Cível, Data de Publicação: 08/04/2005 DJ: 6844) 
 
- Promessa de fato de terceiro 
 
OBRIGAÇÃO DE FAZER - CONTRATO DE PERMUTA DE VEÍCULOS - 
DOCUMENTAÇÃO - TRANSFERÊNCIA -DETRAN - VEÍCULO EM NOME DE 
TERCEIRO -ILEGITIMIDADE DE PARTE - INOCORRENCIA - PROMESSA DE 
FATO DE TERCEIRO INERENTE AO NEGÓCIO -VALIDADE - EXEGESE DO ART. 
439, DO CÓDIGO CIVIL 1. Ocorrida permuta de veículos, com obrigação pessoal de 
transferir a documentação para o nome do adquirente, é legítima a parte que se 
obrigou a fazê-lo, ainda que para tal transferência seja necessário o concurso de 
terceiro, em cujo nome ainda se encontra a documentação do veículo e o registro na 
repartição de trânsito.2. É válida a obrigação onde se assumiu fato de 
terceiro,consistente em obter a transferência para o nome do adquirente da 
documentação do veículo que se encontra em nome de terceiro, nos termos do art 439, 
do Código Civil. 
 
(TJ-SP - SR: 1182040007 SP , Relator: Fábio Rogério Bojo Pellegrino, Data de 
Julgamento: 01/07/2008, 31ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 
10/07/2008) 
 
- Contrato com pessoa a declarar 
 
CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR. SOCIEDADE A SER CONSTITUIDA. 
TITULARIDADE DA LOCACAO. ILE GITIMIDAE ATIVA RECONHECIDA. 
Estabelecendo o contrato, que locataria seria a Apelante, ou firma que viesse a ser 
organizada e da qual participasse a recorrente ou seu socio-gerente, com a 
constituição dessa novel sociedade, que passou a explorar o imovel locado, tornou-se 
esta a titular da locacao em tela, estando, pois, legitimada a propor a renovatoria. A 
legitimidade extraordinaria e concorrente da ora Apelante, nos termos da Lei 
Inquilinaria (art. 51, inciso 2), so se verificaria, se ela participasse dessa novel 
sociedade, o que nao ocorreu na especie, nao sendo, assim, legitimada a propor este 
pleito - Ilegitimadade ativa reconhecida, com a extincao do processo - Desprovimento 
do recurso. 
 
(TJ-RJ - APL: 00033321519968190000 RJ 0003332-15.1996.8.19.0000, 
Relator: DES. JOAO CARLOS PESTANA DE AGUIAR SILVA, Data de Julgamento: 
07/05/1996, SÉTIMA CAMARA CIVEL, Data de Publicação: 20/08/1996 10:30) 
 
ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO – SEGURADORA – NOVA POSIÇÃO DO 
STJ 
 
A ministra Nancy Andrighi, Recurso Especial nº 1.245.618 - RS (2011/0065463-
7), relatou e decidiu que: “CIVIL E PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. 
INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. AÇÃO PROPOSTA DIRETAMENTE EM FACE 
DA SEGURADORA SEM QUE O SEGURADO FOSSE INCLUÍDO NO POLO 
PASSIVO. LEGITIMIDADE. (...) 3. A interpretação do contrato de seguro dentro de 
uma perspectiva social autoriza e recomenda que a indenização prevista para reparar os 
danos causados pelo segurado a terceiro seja por este diretamente reclamada da 
seguradora. 4. Não obstante o contrato de seguro ter sido celebrado apenas entre o 
segurado e a seguradora, dele não fazendo parte o recorrido, ele contém uma estipulação 
em favor de terceiro. E é em favor desse terceiro – na hipótese, o recorrido – que a 
importância segurada será paga. Daí a possibilidade de ele requerer diretamente da 
seguradora o referido pagamento. 5. O fato de o segurado não integrar o pólo passivo da 
ação não retira da seguradora a possibilidade de demonstrar a inexistência do dever de 
indenizar. 6. Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, não provido”. 
Entenda o caso: 
Trata-se de uma ação de cobrança de indenização securitária e compensaçãopor 
danos morais por pessoa que não é parte do contrato de seguro (beneficiário). Aduziu o 
autor, em síntese, que seu táxi foi batido por automóvel segurado, razão pela qual o 
conserto teria sido pago pela seguradora, mas, sendo o veículo de praça (taxi), o autor 
também deveria receber valor correspondente aos lucros cessantes, além de 
compensação por danos morais sofridos. 
A seguradora aduziu em sua defesa, preliminarmente, a ilegitimidade ativa do 
autor e a sua ilegitimidade passiva, sob o fundamento de que não poderia ser 
demandada diretamente pelo terceiro prejudicado, pois sua relação jurídica era 
estabelecida unicamente com o segurado. No mérito, impugnou outros pontos. 
A ação foi julgada parcialmente procedente, tendo sido afastadas as preliminares 
de ilegitimidade. As partes interpuseram apelação, na parte que sucumbiram. O acórdão 
deu parcial provimento ao recurso do autor (majoração de valores) e negou provimento 
ao da ré (preliminar de ilegitimidade). 
Foi interposto recurso especial pela seguradora, com base na violação dos 
seguintes dispositivos legais: arts. 3º; 267, VI e § 3º, do CPC e art. 787 do Código Civil, 
sob o fundamento de que “não pode ser aceita a ação direta do terceiro contra a 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10739110/artigo-3-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10713365/artigo-267-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984001/c%C3%B3digo-processo-civil-lei-5869-73
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10686201/artigo-787-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111983995/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
seguradora sem a participação do segurado no pólo passivo, com quem a seguradora 
possui um liame contratual que lhe obriga ao ressarcimentos dos prejuízos que seu 
segurado vier a suportar em função de danos provocados a terceiros”, entre outros. 
O recurso especial foi admitido na origem pelo TJ/RS. O entendimento do STJ 
firmou-se no sentido de que é cabível a ação direta do terceiro, em face da seguradora, 
em razão da função social do contrato. 
Argumentos do STJ: 
A interpretação do contrato de seguro dentro dessa perspectiva social autoriza e 
recomenda que a indenização prevista para reparar os danos causados pelo segurado a 
terceiro seja por este diretamente reclamada da seguradora. Sem se afrontar a liberdade 
contratual das partes - as quais quiseram estipular uma cobertura para a hipótese de 
danos a terceiros - maximiza-se a eficácia social do contrato com a simplificação dos 
meios jurídicos pelos quais o prejudicado pode haver a reparação que lhe é devida. 
Além do mais, se a seguradora pode ser demandada diretamente, como devedora 
solidária – em litisconsórcio com o segurado – e não apenas como denunciada à lide, em 
razão da existência da obrigação de garantia, ela também pode ser demandada 
diretamente, sem que, obrigatoriamente, o segurado seja parte na ação. 
Com efeito, o contrato de seguro de automóvel que prevê o ressarcimento dos 
danos ocasionados pelo segurado a terceiros retrata a figura jurídica da estipulação em 
favor de terceiro, prevista nos arts. 436 a 438 do Código Civil. Esse terceiro não precisa 
ser previamente determinado, bastando ser determinável. 
Muito embora o beneficiário não figure na relação contratual, o princípio que 
fomentou a aceitação da estipulação em favor de terceiro, de modo a permitir que um 
estranho viesse pedir o cumprimento de obrigação contratada por outros, é o mesmo que 
nos auxilia a compreender e encontrar solução ajustada à dificuldade criada em casos 
tais. A permitir a ação direta do lesado contra a seguradora está a lição de Aguiar Dias: 
"Em última análise, o que se faz, com a ação direta, é dar pleno cumprimento à vontade 
das partes. Na verdade, que quis o segurado? Livrar-se de todos os ônus e incômodos 
decorrentes de sua responsabilidade civil. Quanto ao segurador, o objeto de sua 
estipulação é satisfazer essas obrigações. Ora, que faz a ação direta? Proporciona a 
exoneração objetivada pelo segurado e não prejudica o segurador, porque mais não se 
lhe exige senão o que pagaria, realmente, ao segurado" (Da Responsabilidade Civil, 
II/849). 
Assim, inobstante o contrato de seguro tenha sido celebrado apenas entre o 
segurado e a seguradora, dele não fazendo parte o recorrido, ele contém uma estipulação 
em favor de terceiro. E é em favor desse terceiro – na hipótese, o recorrido – que a 
importância segurada será paga. Daí a possibilidade de ele requerer diretamente da 
seguradora o referido pagamento8. 
 
 
8http://flaviaribeiro2.jusbrasil.com.br/artigos/121816491/atuacao-direta-do-terceiro-contra-a-seguradora 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10703864/artigo-436-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10703731/artigo-438-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111983995/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
	FORMAÇÃO DO CONTRATO
	Forma de exteriorização das vontades: Salvo quando a lei estabelecer a necessidade de ser expressa, a manifestação da vontade pode ser tácita, desde de que inequívoca.
	- Não é mister que o agente faça uma declaração formal, por meio da palavra escrita ou falada, pois é suficiente que se possa traduzir o seu querer por uma atitude inequívoca, evidente e certa, de modo expresso, quando os contraentes se utilizam de qu...
	PROPOSTA –(OFERTA, POLICITAÇÃO)
	ACEITAÇÃO (OBLAÇÃO)
	INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS
	EFEITOS DOS CONTRATOS
	a) -ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO
	b) - PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO (Contrato por terceiro)
	c) - CONTRATO COM PESSOA A DECLARARausente, tiver 
decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao 
conhecimento do proponente; 
 
Proposta sem prazo de validade a pessoa ausente: uma 
vez decorrido o prazo suficiente para resposta, o proponente estará 
desobrigado a sustentar a proposta. A análise do prazo “suficiente” 
(prazo moral) dependerá do caso concreto. 
 
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida 
a resposta dentro do prazo dado; 
 
Proposta com prazo de validade a pessoa ausente: por 
evidente, uma vez decorrido o prazo de resposta concedido, o 
ofertante poderá desistir da oferta. 
 
IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao 
conhecimento da outra parte a retratação do proponente. 
 
Retratação do ofertante: se a oferta for recebida 
simultaneamente ou posteriormente à retratação, não obrigará o 
ofertante. 
 
 
OFERTA AO PÚBLICO: Código Civil x Código de 
Defesa do Consumidor: O CDC estipula (art. 30/35) que a 
oferta dirigida a pessoas indeterminadas vincula o fornecedor e, em 
caso de descumprimento, o consumidor poderá optar por perdas e 
danos, execução específica ou substituição por produto/serviço 
equivalente. 
No Código Civil, que regula as hipóteses que não se inserem 
nas relações de consumo, também ocorrerá a vinculação do 
ofertante, contudo, em princípio, o descumprimento possibilitará 
apenas o pedido de perdas e danos. 
 
Revogação da oferta: A oferta ao público poderá ser revogada, 
desde que a revogação se dê pela mesma forma em que a oferta foi 
realizada e que a proposta ressalve tal faculdade (CC, art. 429, 
parágrafo único). Oferta por outdoor deve ser revogada por 
outdoor. Da mesma forma que oferta em revista deve ser revogada 
por publicação em revista (José Fernando Simão). 
 
PROPOSTA – GENERALIDADES: 
 
Prova da proposta: pode ser provada por testemunhas, 
qualquer que seja o seu valor. 
 
Morte ou interdição do policitante: “nestes dois casos, 
respondem, respectivamente, os herdeiros e o curador do incapaz 
pelas conseqüências jurídicas do ato. Com efeito, a morte 
intercorrente não desfaz a promessa que se insere como elemento 
passivo da herança. A proposta se transmite aos herdeiros como 
qualquer outra obrigação” (Arnaldo Rizzardo). 
 
Negociações preliminares x oferta: a oferta “representa 
ela o impulso decisivo para a celebração do contrato, consistindo 
em uma declaração de vontade definitiva. Distingue-se nesse ponto 
das negociações preliminares, que não têm esse caráter e não 
passam de estudos e sondagens, sem força obrigatória. Aquela, ao 
contrário, cria no aceitante a convicção do contrato em perspectiva, 
levando-o à realização de projetos e às vezes de despesas e à 
cessação de alguma atividade. Por isso, vincula o policitante, que 
responde por todas essas conseqüências, se injustificadamente 
retirar-se do negócio”. 
 
 
ACEITAÇÃO (OBLAÇÃO) 
 
 
CONCEITO: É a concordância com os termos da proposta, 
consiste “na formulação da vontade concordante do oblato feita 
dentro do prazo e envolvendo adesão integral à proposta recebida” 
(Sílvio Rodrigues). 
 
PERDA DA EFICÁCIA DA ACEITAÇÃO: Ainda que 
expedida no prazo, se, por circunstância imprevista, a aceitação 
chegar tarde ao conhecimento do aceitante não produzirá efeitos, 
porém, se o policitante deixar de comunicar o recebimento tardio 
ao aceitante responderá por perdas e danos. 
 
FORMA DA ACEITAÇÃO: Pode ser expressa ou tácita, 
quando revelada pela conduta do oblato (policitado), porém, deve 
ser pura e simples, já que, se conter adições, restrições, 
modificações, condições ou se for apresentada fora do prazo será 
considerada não como aceitação, mas sim como uma 
contraproposta. 
 
Contraproposta: A aceitação que não se dá de maneira integral, 
com mudanças, restrições ou acréscimos, bem como aquela 
formulada fora do prazo, significa nova proposta, também chamada 
da contraproposta (CC, art. 431). O oblato assume a posição do 
proponente e vice-versa. Tal atitude retira da proposta original sua 
força vinculante. (José Fernando Simão) 
 
Aceitação tácita: ocorre quando não seja costume a 
aceitação expressa ou o proponente a tiver dispensado, bastando 
que não exista a manifestação de recusa pelo aceitante. Todavia, é 
uma exceção, já que a regra é que a aceitação seja expressa. 
 
- Se, por exemplo, um fornecedor costuma remeter os seus 
produtos a determinado comerciante, e este, sem confirmar os 
pedidos, efetua os pagamentos, instaura-se uma praxe comercial. 
Se o último, em dado, quiser interrompê-la, terá de avisar 
previamente o fornecedor, sob pena de ficar obrigado ao 
pagamento de nova remessa, nas mesmas bases anteriores. 
Costuma-se mencionar, como exemplo da situação descrita na 
letra b, a hipótese do turista que remete um fax a determinado 
hotel, reservando acomodações, informando que a chegada se 
dará em tal data, se não receber aviso em contrário. Não 
chegando a tempo a negativa, reputar-se-á concluído o contrato. 
(Carlos R. Gonçalves). 
 
Silêncio x aceitação tácita: “quem recebe um jornal com o aviso 
de que se não o devolver será tido como assinante não pode ser 
considerado juridicamente vinculado, para efeito de pagar o preço 
da assinatura, porque seu silêncio não pode ser interpretado como 
manifestação de vontade, já que nada o obriga a devolver jornal não 
encomendado. O proponente não pode impor a falta de resposta 
como aceitação de sua oferta” (Washington de B. Monteiro). 
 
RETRATAÇÃO: Assim como o policitante em relação à 
oferta, o oblato pode desistir da aceitação, desde de que a 
desistência seja comunicada de forma simultânea ou anterior ao 
recebimento da aceitação. 
 
MOMENTO DO APERFEIÇOAMENTO DO 
CONTRATO: entre os “presentes”, reputa-se concluído o contrato 
no exato instante da aceitação da proposta. Se inexistir prazo para a 
aceitação, esta deverá ser imediata. Entre os ausentes (ex: carta, 
telegrama, fax, e-mail), a doutrina apresenta os seguintes 
posicionamentos: 
 
Teorias sobre a aceitação (momento da conclusão do 
contrato) entre ausentes: A doutrina apresenta divergência 
sobre o momento da conclusão do contrato no caso de ausentes: 
 
a) Teoria da Informação (cognição): o contrato está 
concluído no momento em que o policitante receber a informação 
do oblato, ou seja, não basta que receba a resposta, mas que tenha 
conhecimento do teor desta. A crítica que se faz a esta teoria é que o 
aperfeiçoamento do contrato fica sujeito ao arbítrio do proponente, 
que pode deixar de tomar conhecimento da resposta, mesmo com o 
recebimento desta. 
 
b) Teoria da Declaração (agnição): divide-se em três 
tipos: 
 
I) Declaração propriamente dita: a conclusão do contrato 
coincide com o da redação da correspondência epistolar (ou, por ex, 
e-mail), ou seja, no momento em que o aceitante expressa a sua 
anuência. A crítica a esta teoria se refere ao fato de que, até este 
momento, o consentimento permanece restrito ao âmbito do 
aceitante que pode, por exemplo, deixar de enviar a 
correspondência, ademais, a prova do fato é extremamente difícil. 
 
II) Expedição (transmissão): a conclusão ocorre com a 
expedição da aceitação, independentemente do momento da 
recepção pelo ofertante. A maioria da doutrina entende que esta 
corrente foi adotada pelo CC, em razão do disposto no art. 434, 
“caput”. 
 
III) Recepção: a conclusão ocorre com o recebimento da 
aceitação. Distingue-se da teoria da informação porque nesta é 
necessário não somente o recebimento, mas que o ofertante tenha 
ciência da aceitação (ex: aberto a correspondência). Há 
doutrinadores que defendem que esta seria a corrente adotada pelo 
CC. 
 
Embora o legislador pátrio tenha se filiado a corrente da teoria 
da expedição (posição não pacífica na doutrina1), os incisos do art. 
434 excepcionam a aplicação desta. 
 
1 - Ora, se sempre é permitida a retratação antes de a resposta chegar às mãos do 
proponente, e se, ainda, não sereputa concluído o contrato na hipótese de a resposta não 
chegar no prazo convencionado, na realidade o referido diploma filiou-se à teoria da 
recepção, e não da expedição. (Carlos R. Gonçalves). 
 
 
A terceira exceção apresentada no retrotranscrito art. 434 do 
Código Civil (“se a resposta não chegar no prazo convencionado”) 
é inútil e injustificável, como reconhece a doutrina, pois, se há 
prazo convencionado e a resposta não chega no intervalo 
determinado, não houve acordo e sem ele não há contrato. (Sílvio 
Rodrigues). 
 
 
* Enunciado 173 do CJF – Art. 434: A formação dos 
contratos realizados entre pessoas ausentes, por meio eletrônico, 
completa-se com a recepção da aceitação pelo proponente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JURISPRUDÊNCIA – FORMAÇÃO DOS CONTRATOS 
 
 
Negociação preliminar 
 
VÍNCULO DE EMPREGO. NÃO OCORRÊNCIA. Caracteriza-se o vínculo 
de emprego quando concomitantemente presentes todos os requisitos 
previstos no art. 3º da CLT, quais sejam, onerosidade; pessoalidade na 
prestação dos serviços; não eventualidade e, sobretudo, subordinação jurídica. 
O período destinado às trocas de informações nas negociações preliminares do 
processo seletivo constitui um procedimento da fase pré-contratual que não 
pressupõe a contratação e nem formação de vínculo empregatício, tratando-se 
apenas de aferição da aptidão do trabalhador para ocupação do cargo 
pretendido, gerando mera expectativa de um contrato de emprego. (RO nº 
0001247-17.2012.5.03.0089, 4ª Turma do TRT da 3ª Região/MG, Rel. 
Convocado Oswaldo Tadeu B. Guedes. Publ. 12.05.2014). 
 
 
indenização por dano moral, material - processo seletivo - promessa de 
contratação. À luz do disposto no art. 427 do Código Civil, "A proposta de 
contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da 
natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso". E mais, nos termos do art. 
186 do Código Civil, "Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência 
ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral, comete ato ilícito". No caso, constatado o ilícito 
praticado pela reclamada, que deveria ter agido com mais cautela e precaução 
na condução do processo seletivo a que submeteu o reclamante, de modo a não 
ultrapassar os limites do pré-contrato, tornando-se responsável pelas 
expectativas que criou ao garantir-lhe a contratação, impõe-se a sua 
condenação ao pagamento de indenização por danos morais e materiais. 
 
(TRT-3 - RO: 01615201307703005 0001615-28.2013.5.03.0077, Relator: 
Convocado Jesser Goncalves Pacheco, Quinta Turma, Data de Publicação: 
08/09/2014 05/09/2014. DEJT/TRT3/Cad.Jud. Página 248. Boletim: Não.) 
 
 
Indenização por dano moral, material - processo seletivo - promessa de 
contratação. À luz do disposto no art. 427 do Código Civil, "A proposta de 
contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da 
natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso". E mais, nos termos do art. 
186 do Código Civil, "Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência 
ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral, comete ato ilícito". No caso, constatado o ilícito 
praticado pela reclamada, que deveria ter agido com mais cautela e precaução 
na condução do processo seletivo a que submeteu o reclamante, de modo a não 
ultrapassar os limites do pré-contrato, tornando-se responsável pelas 
expectativas que criou ao garantir-lhe a contratação, impõe-se a sua 
condenação ao pagamento de indenização por danos morais e materiais. 
 
(TRT-3 - RO: 01615201307703005 0001615-28.2013.5.03.0077, Relator: 
Convocado Jesser Goncalves Pacheco, Quinta Turma, Data de Publicação: 
08/09/2014 05/09/2014. DEJT/TRT3/Cad.Jud. Página 248. Boletim: Não.) 
 
 
CONTRATO. FORMAÇÃO DO CONTRATO. COMPRA E VENDA DE 
ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL. NEGOCIAÇÕES PRELIMINARES. 
RESPONSABILIDADE CIVIL. Indenização por danos morais e materiais 
decorrentes de suposto desfazimento de avença. 1. Embora a autora tenha 
afirmado que a prova oral confirmou a conclusão do negócio jurídico, houve, 
no caso em exame, apenas negociações verbais preliminares. As partes 
ajustaram que o réu iria à empresa com o fim de tomar conhecimento da 
atividade desenvolvida e daí decorreria a conclusão, ou não, do negócio 
jurídico. Havia justa causa que apoiava a desistência do réu. A autora não 
expôs ao réu, com clareza, as circunstâncias que dificultariam o 
desenvolvimento da atividade empresarial, notadamente as dívidas que não 
foram pagas. Não é por outra razão que a autora, alienante, exigiu do réu o 
pagamento de garantia, pois intencionava tornar segura a conclusão futura do 
contrato. Entretanto, sequer o pagamento pode ser exigido do réu, pois a 
autora, como visto, contrariou os deveres da boa-fé. 2. A atuação de boa-fé dos 
parceiros também é exigida na fase de tratativas, em consonância ao disposto 
no art. 422, do Código Civil. O autor omitiu informações essenciais a respeito 
da atividade empresarial, notadamente dados que impediam a concretização 
da avença. Diante disso, não se vê a atuação de boa-fé. Sentença de 
improcedência dos pedidos mantida. Recurso não provido. 
 
(TJ-SP - APL: 90580704220098260000 SP 9058070-
42.2009.8.26.0000, Relator: Carlos Alberto Garbi, Data de Julgamento: 
11/06/2013, 10ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 17/06/2013) 
 
Ausência de aceitação 
 
RESCISÃO DE CONTRATO c/c. PERDAS E DANOS - COMPRA E 
VENDA DE IMÓVEL - PROPOSTA NÃO ACEITA PELO OBLATO. AUSÊNCIA 
DE PROVA DE ABUSO DE DIREITO. PRÉ - CONTRATO - 
RESPONSABILIDADE AQUILIANA. INOCORRÊNCIA - ART. 187, CC. 
INTELIGÊNCIA ART. 427, CC. VEÍCULO ENTREGUE PARA AVALIAÇÃO - 
IRRELEVÂNCIA - SINAL DE NEGÓCIO SOMENTE SE ACEITA A 
PROPOSTA.RECURSOS 1 e 3 PROVIDOS.RECURSO 2 IMPROVIDO. 1)"Art. 
427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar 
dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso."2) Não 
demonstrado nos autos ter o oblato atuado com abuso de direito por ocasião da 
recusa da proposta à compra e venda de imóvel, afasta-se a responsabilidade 
civil prevista no artigo 187 do NCC.3) O veículo que consta da proposta à 
aquisição de imóvel cujo valor será abatido do preço somente pode ser tido 
como sinal de negócio em caso de aceitação pelo oblato. 
 
(TJ-PR - AC: 2074191 PR Apelação Cível - 0207419-1, Relator: Miguel 
Pessoa, Data de Julgamento: 31/03/2004, Setima Câmara Cível (extinto TA), 
Data de Publicação: 16/04/2004 DJ: 6602) 
 
Proposta 
 
"AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZATÓRIA. SERVIÇO DE 
TELEFONIA MÓVEL. OFERTA. VINCULAÇÃO DO FORNECEDOR. 
FATURAS QUE NÃO CORRESPONDEM ÀS VANTAGENS PROMETIDAS. 
COBRANÇA INDEVIDA. DANO MORAL CONFIGURADO. 1) Nos termos do 
art. 427 do CC/02, a proposta formulada por qualquer meio obriga o 
fornecedor a cumpri-la. 2) A empresa que cobra por serviços em desacordo 
com o pactuado responde civilmente pelos danos morais causados ao 
consumidor. 3) A quantificação do dano moral obedece ao critério do 
arbitramento judicial, que, norteado pelos princípios da proporcionalidade e 
da razoabilidade, fixará o valor, levando-se em conta o caráter compensatório 
para a vítima e o punitivo para o ofensor, devendo o valor arbitrado observar 
os princípios da razoabilidade e se aproximar dos parâmetros adotados por 
este egrégio Tribunal e pelo Superior Tribunal de Justiça. (Apelação Cível nº 
6306030-49.2009.8.13.0024 (1), 11ª Câmara Cível do TJMG, Rel. Marcos 
Lincoln. j. 23.04.2014 maioria). 
 
Proposta entre presentes – ausência de aceitação imediata 
 
RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. TELEFONIA MÓVEL. 
OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADO COM DANO MORAL. 
CUMPRIMENTO DA OFERTA REALIZADA VIA CALL CENTER. AUSENTE A 
ACEITAÇÃO IMEDIATA POR PARTE DO AUTOR. DANO MORAL NÃO 
CONFIGURADO. MERO DISSABOR. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO 
DESPROVIDO. Não tendo o autor aceito a proposta imediatamente, conforme 
fls.04, a oferta deixa de ser vinculante, nos termos do artigo 428 do Código 
Civil, bem como não possui direito o autor de exigir o cumprimento forçado da 
oferta. Prejuízo imaterial é aquele que decorre de um ato ilícito capaz de lesar 
aos atributos de personalidade... 
(TJ-RS , Relator: Adriana da Silva Ribeiro, Data de Julgamento: 
26/01/2012, Terceira Turma Recursal Cível) 
 
Proposta Pública 
 
PROPOSTA DE SALÁRIO VARIÁVEL - ANÚNCIO EM JORNAL DE 
GRANDE CIRCULAÇÃO - OBRIGAÇÃO DO PROPONENTE - Proponente que 
anuncia em jornal de grande circulação pagamento de salário variável àquele 
que for admitido como seu empregado tem obrigação de honrar a declaração 
exteriorizada. Nos termos do art. 429, do CC/2002, "a oferta ao público 
equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo 
se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos". A aludida exceção não 
restou caracterizada nos autos. 
 
(TRT-3 - RO: 1663004 00883-2004-013-03-00-0, Relator: Convocado 
Ricardo Marcelo Silva, Segunda Turma, Data de Publicação: 08/12/2004 
DJMG . Página 11. Boletim: Não.) 
 
Contraproposta 
 
DIREITO CIVIL. CONTRATO DE LOCAÇÃO NÃO RESIDENCIAL. 
RENOVAÇÃO. CONTRAPROPOSTA DA LOCATÁRIA. SILÊNCIO DA 
LOCADORA. NÃO COMPROVAÇÃO DO ACEITE. TÉRMINO DO CONTRATO. 
AÇÃO DE DESPEJO. PROCEDÊNCIA. - Cuida-se de ação de despejo movida 
contra a CAIXA. A locadora alega que a CAIXA respondeu a sua proposta de 
renovação do contrato com termo aditivo diferente do que propusera. Embora 
esse termo aditivo não tenha sido acostado aos autos, a sentença entendeu que 
a locatária, ao não recusar explicitamente o termo aditivo enviado pela CAIXA, 
anuiu ao mesmo. - A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou 
modificações, importará nova proposta (art. 431, do CC/02, já em vigor na 
época em que as propostas e contrapropostas foram feitas). O silêncio da 
locadora, ao receber o termo aditivo do contrato de aluguel com condições 
diversas das previstas em sua proposta, implica não-aceitação da nova 
proposta (art. 428, I, do CC/02). Precedentes: STJ, AGA 54180, Sexta Turma, 
rel. Des. Federal Luiz Vicente Cernicchiaro, DJ 28/11/1994; TRF4, AC 
9004024611, Terceira Turma, rel. Des. Federal Fábio Bittencourt Da Rosa, 
pub. DJ 11.12.91. Rejeitados, assim, os fundamentos da sentença. - Encontra-se 
nos autos a proposta da locadora, mas não se verifica comprovação do aceite 
imediato (inc. I, do art. 428) da locatária. Em face ao ônus da prova (art. 333, 
II), caberia à CAIXA provar que aceitou a proposta da locadora, tornando-a, 
assim, obrigatória entre as partes. Como o contrato de locação já foi 
denunciado nos termos do art. 57, da Lei 8245, tem a autora direito ao despejo 
que pleiteia. Apelação provida. Inversão do ônus sucumbencial. 
 
(TRF-5 - AC: 200984000099642 , Relator: Desembargador Federal 
Paulo Gadelha, Data de Julgamento: 12/07/2011, Segunda Turma, Data de 
Publicação: 21/07/2011) 
 
 
 
 
 
NOTICIAS – FORMAÇÃO DO CONTRATO: 
 
Admissão frustrada exige reparação moral, decide 
TRT-RS2 
 
É dano moral indenizável a frustração experimentada pelo 
candidato que não conseguiu o emprego, depois de ter preenchido 
todos os requisitos e já com os documentos e atestados prontos 
para a assinatura do contrato de trabalho. Com esse entendimento, 
a 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do 
Sul reformou sentença para reconhecer dano moral numa admissão 
''abortada'', ocorrida em São Jerônimo. 
A relatora do recurso na corte, juíza convocada Brígida 
Barcelos Toschi, constatou que a cópia da Carteira de Trabalho do 
 
2 http://www.conjur.com.br/2013-out-27/empregador-pagar-dano-moral-quebrar-promessa-emprego 
http://s.conjur.com.br/dl/trt-rs-manda-pagar-dano-moral-quebra.pdf
autor traz o carimbo de contratação, datado de 21 de março de 
2012, sobreposto por outro, marcado como ‘‘anulado’’, com a 
assinatura do empregador. Também viu o atestado de saúde 
ocupacional, devidamente assinado pelo médico examinador. 
‘‘A anotação do contrato de trabalho na CTPS do reclamante, 
ainda que tenha ocorrido antes da devolução do documento, revela 
o ânimo na contratação e invariável certeza subjetiva, que foi 
frustrada em razão de fato superveniente, acarretando ao 
reclamante abalo na sua esfera psicológica, e sua expectativa de 
melhora na sua condição social’’, reconheceu a relatora. 
Com a falta de regulamentação dos efeitos do pré-contrato na 
Consolidação das Leis do Trabalho, conforme autoriza o artigo 8º, a 
relatora entendeu cabível a aplicação subsidiária do Código Civil. O 
artigo 427 do Código, na Seção II, diz que ‘‘a proposta de contrato 
obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da 
natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso’’. 
Assim, a juíza deu provimento ao recurso para condenar o 
empregador ao pagamento de indenização por dano moral, pela 
frustração de promessa, no valor arbitrado de R$ 2,2 mil, 
considerado como parâmetros o valor do salário ajustado e a carga 
horária de 220 horas. O acórdão foi lavrado dia 17 de outubro. 
 
O caso 
 
O autor contou, na inicial, que passou por todo o processo seletivo 
na empresa, a fim de preencher uma vaga em obra a ser realizada 
no estado do Ceará. Disse que após promessa de contratação 
imediata, se submeteu à consulta médica para aquisição de atestado 
de saúde ocupacional, deixando a documentação necessária na 
empresa em 20 de março de 2012. A contratação teria duração de 
sete meses. 
Entretanto, após duas semanas de espera da confirmação da 
viagem, foi surpreendido com a informação de que a empresa não 
tinha mais interesse na sua contratação. Pediu o pagamento de 
indenização pela quebra contratual e de indenização por danos 
morais, em valor a ser arbitrado pela Justiça. 
A juíza Lila Paula Flores França, da Vara do Trabalho de São 
Jerônimo, afirmou na sentença que o autor da reclamatória não 
produziu prova de promessa de emprego, mas somente entrega de 
documentação para fins de análise. 
Para ela, a realização do exame admissional pelo candidato não 
implica em efetivação da contratação, tendo em vista que o 
documento tem justamente o objetivo de demonstrar se o 
trabalhador tem capacidade para ocupação da vaga pretendida. 
‘‘Ainda, não se teve um direito moral lesado, visto que não foi 
dada garantia de contratação, tendo este criado uma mera 
expectativa de preenchimento da vaga. Por tudo isso, julga-se 
improcedente os pedidos de condenação da reclamada ao 
pagamento de indenização pela quebra contratual e indenização 
por danos moral’’, disse a juíza. A decisão acabou revertida 
 
 
Empregador é condenado a cumprir promessa verbal3 
 
 
Ainda que a proposta seja feita verbalmente, aquele que 
prometeu fica obrigado a cumpri-la, principalmente quando ela 
ocorre na esfera trabalhista, pois, nos termos do artigo 443, da CLT, 
o contrato de trabalho pode ser acordado tácita ou expressamente, 
verbalmente ou por escrito. Com esse entendimento, a 8a Turma do 
TRT-MG manteve a decisão de 1o Grau que condenou a fundação 
reclamada a ressarcir o trabalhador dos gastos que ele teve com 
alimentação e transporte. 
Segundo esclareceu o desembargador Márcio Ribeiro do Valle, 
o artigo 427, doCódigo Civil, estabelece que "a proposta de contrato 
obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da 
natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso”. Assim, quem 
promete, obriga-se a cumprir os termos da promessa. 
No caso, o contrato de trabalho escrito não contém cláusula 
indicando que a reclamada tenha se obrigado a ressarcir as 
despesas do autor com alimentação e transporte. Mas as demais 
provas do processo deixam claro que a fundação se comprometeu, 
verbalmente, a reembolsar esses gastos ao trabalhador. “Neste 
contexto, conclui-se que a reclamada formulou uma promessa 
verbal ao reclamante, a qual se converteu em adendo benéfico ao 
contrato de trabalho, sendo o suficientepara obrigar a proponente 
a cumpri-la”- finalizou o relator, mantendo a condenação. 
O desembargador ressaltou que os reflexos da ajuda 
alimentação também são devidos, porque, conforme já pacificado 
na jurisprudência, por meio da Súmula 241, do TST, essa parcela 
tem natureza de salário, exceto quando fornecida nos moldes do 
Programa de Alimentação ao Trabalhador, ou quando estabelecida 
a sua natureza indenizatória em norma coletiva, o que não ocorreu 
no caso. (RO nº 00064-2009-075-03-00-3) 
 
 
3 http://direito-vivo.jusbrasil.com.br/noticias/1863188/empregador-e-condenado-a-cumprir-promessa-
verbal 
http://www.jusbrasil.com/topicos/10714720/artigo-443-do-decreto-lei-n-5452-de-01-de-maio-de-1943
http://www.jusbrasil.com/legislacao/91896/consolida%C3%A7%C3%A3o-das-leis-do-trabalho-decreto-lei-5452-43
http://www.jusbrasil.com/topicos/10704550/artigo-427-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1027027/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
 
Validação de contrato de seguro não depende de 
apólice4 
 
 
O contrato de seguro é consensual e aperfeiçoa-se com 
manifestação de vontade, mesmo se não houve a emissão da 
apólice. Com base nesse entendimento, a 4ª Turma do Superior 
Tribunal de Justiça negou provimento ao Recurso Especial de uma 
seguradora e determinou a indenização de um cliente que teve o 
carro roubado antes de receber a apólice em sua casa. O segurado 
teve o carro roubado apenas 13 dias após firmar o contrato, mas, ao 
pedir o pagamento, foi informado de que o acordo não foi 
consolidado por conta de irregularidades no CPF de um condutor. 
Ele regularizou a situação e pediu o pagamento, negado pela 
empresa sob a argumentação de sinistro preexistente, o que 
motivou a ação judicial. Tanto a sentença como o recurso ao 
Tribunal de Justiça de São Paulo resultaram em procedência do 
pedido de indenização, mas a empresa recorreu ao STJ, afirmando 
que só seria obrigada a pagar o sinistro com a formalização do 
contrato, o que é ligado à emissão da apólice ou de documento 
comprovando o pagamento do prêmio. 
Relator do caso, o ministro Luis Felipe Salomão negou a 
necessidade de emissão da apólice, pois a existência do acordo não 
pode depender apenas de um dos contratantes. Se isso ocorrer, 
continuou, há risco de a parte ter uma conduta puramente 
potestativa, o que é vedado pelo artigo 122 do Código Civil de 2002. 
Como informou o ministro citando como base o artigo 758 do 
Código Civil, a emissão da apólice não é requisito para que o 
contrato seja considerado existente, e a apólice tampouco é a única 
prova capaz de atestar a celebração do acordo. 
A matéria foi regulamentada pela Susep por meio do artigo 
2º, caput, parágrafo 6º, da Circular 251/04, pois há aceitação tácita 
da cobertura de risco se a seguradora não se manifesta em até 15 
dias. Segundo Salomão, aplica-se ao caso em questão o artigo 432 
do Código Civil, segundo o qual “se o negócio for daqueles em que 
não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver 
dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a 
tempo a recusa”. Ele citou a falta de indicação de fraude e o fato de 
o acidente ocorrer após a contratação como justificativas para o 
dever de a empresa pagar a indenização, sendo que aceitar a 
 
4 http://www.conjur.com.br/2014-mar-27/emissao-apolice-nao-fundamental-validacao-contrato-seguro 
contratação, permanecer inerte e só depois recusar o acordo vai 
contra a boa-fé contratual, concluiu 
 
 
 
 
 
 
LOCAL DE CELEBRAÇÃO DO CONTRATO: o legislador 
optou por considerar o local da proposta como o da celebração do 
contrato. “O problema tem relevância na apuração do foro 
competente e, no campo do direito internacional, na determinação 
da lei aplicável” (Carlos R. Gonçalves). 
 
- Assim, por exemplo, se o comprador brasileiro adquire um 
produto pelo meio virtual fabricado por uma empresa italiana 
junto a um site cujo provedor eletrônico é francês, a lei aplicável 
para dirimir as questões decorrentes do contrato celebrado será a 
lei francesa. (Roberto S. Lisboa). 
 
- Aparentemente, tal solução encontra-se em contradição com 
a expressa adoção da teoria da expedição, no dispositivo anterior. 
Entretanto, para quem, como nós, entende que o Código Civil 
acolheu, de fato, a da recepção, inexiste a apontada contradição. 
Por sua vez, a Lei de Introdução ao Código Civil estatui que “a 
obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar 
em que residir o proponente” (art. 9°, § 2°). Tal dispositivo aplica-
se aos casos em que os contratantes residem em países diferentes 
(Carlos R. Gonçalves). 
 
Formação do contrato pela Internet5: O direito brasileiro 
ainda não possui uma legislação direcionada ao tema, embora a 
Medida Provisória n° 2.200/2001, que instituiu a Infra-Estrutura 
de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil, discipline a questão da 
integridade, autenticidade e validade dos documentos eletrônicos. 
 
Venda de produtos pela Internet – Legislação aplicável : está 
submetida ao CDC. No caso do comércio internacional, aplica-se a 
lei do domicílio do comerciante (fornecedor) – art. 9°, § 2°, da Lei 
da Introdução ao Código Civil . “Por essa razão, se um brasileiro faz 
a aquisição de algum produto oferecido pela Internet por empresa 
 
5 compilado integralmente da obra Direito Civil Brasileiro, v. III, Saraiva, Carlos R. Gonçalves. 
estrangeira, o contrato então celebrado rege-se pelas leis do país do 
contratante que fez a oferta ou proposta”. 
 
Responsabilidade do provedor pelas informações: “cautelas 
devem ser tomadas pelo anunciante e fornecedor dos produtos e 
serviços, como único responsável pelas informações veiculadas, 
pois o titular do estabelecimento eletrônico onde é feito o anúncio 
não responde pela regularidade deste nos casos em que atua apenas 
como veículo. Do mesmo modo, não responde o provedor de acesso 
à Internet, pois os serviços que presta são apenas instrumentais e 
não há condições técnicas de avaliar as informações nem o direito 
de interceptá-las e de obstar qualquer mensagem”. 
 
Contratação Internet x ausentes/presentes: Entende Sílvio 
Venosa que, embora seja utilizada a linha telefônica, a 
contratação eletrônica não pode ser tida como realizada entre 
presentes, devido a ausência de colóquio direto entre as partes. 
Somente pode ser reputada entre presentes quando cada pessoa se 
utiliza de seu computador de forma simultânea e concomitante, 
como se ocorresse uma conversa normal, com remessa recíproca 
de dados: “remetemos a proposta, o destinatário está à espera, lê-
a no monitor e envia a aceitação ou rejeição, ou formula 
contraproposta (...). Desse modo, a contratação por computadores 
assim como pelos aparelhos de fax será entre presentes ou entre 
ausentes, dependendo do posicionamento das partes quando das 
remessas das mensagens e documentos. 
 
Assinatura digital: a doutrina, em face do elevado grau de 
certeza jurídica da autenticidade da assinatura digital, tem 
preconizado a sua equiparação, desde logo, a um original escrito e 
assinado de forma autógrafa pelo seu subscritor, 
independentemente de lei específica ou complementar. Vários 
projetos estão em tramitação visando equiparar o documento 
eletrônico assinado pelo autor mediante sistema criptográfico de 
chave pública ao documento escrito (art. 386 do CPC). 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS 
 
- A interpretação do contrato é indiscutivelmente similar à da 
lei, podendo-se até afirmar que há certa coincidência entre as 
duas. Aplicam-se, por isso, à hermenêutica do contrato princípios 
concernentes à interpretação da lei. (Maria H. Diniz). Apesar da 
similaridade, a interpretação do contrato, diversamente da lei, exige 
a análise do conteúdo subjetivo, representado pela busca da realvontade das partes. 
 
- integração contratual – A integração contratual 
preenche, pois, as lacunas encontradas nos contratos, 
complementando-os por meio de normas supletivas, 
especialmente as que dizem respeito a sua função social, ao 
princípio da boa-fé, aos usos e costumes do local, bem com 
buscando encontrar a verdadeira intenção das partes, muitas 
vezes revelada nas entrelinhas. Seria, portanto, um modo de 
aplicação jurídica feita pelo órgão judicante, mediante recurso à 
lei, à analogia, aos costumes, aos princípios gerais de direito ou à 
equidade, criando norma supletiva, que completará, então, o 
contrato, que é uma norma jurídica individual. (Maria H. 
Diniz). 
 
CRITÉRIOS DE INTERPRETAÇÃO: O Código Civil não 
apresenta regras específicas (salvo exceções, ex: o contrato de 
adesão) para a interpretação do contrato, o que torna aplicável 
aquelas estabelecidas na parte geral: 
 
a) prevalência da intenção das partes em relação ao 
sentido literal 
 
Teoria da vontade (intenção): foi a teoria acolhida pelo 
Código Civil, em detrimento à Teoria da Declaração, prevalecendo a 
real intenção das partes sobre a declaração escrita. 
 
 
Princípio da conservação do contrato: se uma cláusula 
contratual permitir duas interpretações diferentes, prevalecerá a 
que possa produzir algum efeito, pois não se deve supor que os 
contratantes tenham celebrado um contrato carecedor de 
qualquer utilidade. (Carlos R. Gonçalves). 
 
Exemplo: “O art. 112 do Código Civil prevê que nas declarações 
de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciadas do 
que ao sentido literal da linguagem. Assim, a procuração outorgada 
em interesse dos próprios mandatários, em caráter irrevogável, 
irretratável e dispensado de prestação de contas, constitui-se em 
verdadeiro título de cessão de direitos e não em um contrato de 
mandato”. Processo nº 2005.09.1.007353-3 (393484), 4ª Turma 
Cível do TJDFT, Rel. Hector Valverde Santana. unânime, DJe 
30.11.2009. 
 
João realiza um contrato de compra e venda a prazo de um imóvel de 
um apartamento que está sendo construído por uma empresa. Durante o 
tempo de construção, João efetua um contrato de compra e venda do 
apartamento com Márcio, repassando o bem para este. Márcio entra com 
uma ação contra a construtora, para que esta preste contas sobre o 
andamento da obra. A ação é viável ? 
Embora tenha denominado como compra e venda, o que Márcio e 
João fizeram foi uma cessão de contrato, que, assim, dependia da 
anuência da construtora e, como isso não ocorreu, Márcio não tem 
legitimidade para exigir a prestação de contas desta. 
 
b) critério da boa-fé e costume 
 
A interpretação deve ser no sentido de privilegiar a lealdade 
dos contratantes. 
 
“É comum, nos contratos em que se caracteriza a 
superioridade intelectual, econômica ou profissional de uma 
parte, e principalmente nos contratos de adesão, a necessidade de 
invocar-se o princípio da boa-fé para a eventual suspensão da 
eficácia do primado da autonomia da vontade, a fim de rejeitar-se 
cláusula abusiva ou imposta sem o devido esclarecimento de seus 
efeitos, principalmente no tocante à isenção de responsabilidade 
do estipulante ou à limitação de vantagem do aderente” (Ruy 
Rosado de Aguiar Júnior). 
Exemplo: "Na hipótese de o contrato prever a incidência de 
juros remuneratórios, porém sem lhe precisar o montante, está 
correta a decisão que considera nula tal cláusula porque fica ao 
exclusivo arbítrio da instituição financeira o preenchimento de seu 
conteúdo. A fixação dos juros, porém, não deve ficar adstrita ao 
limite de 12% ao ano, mas deve ser feita segundo a média de 
mercado nas operações da espécie. Preenchimento do conteúdo da 
cláusula de acordo com os usos e costumes, e com o princípio da 
boa-fé (arts. 112 e 133 do CC/02)" (STJ - REsp 715.894/PR, Rel. 
Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJ 19.03.2007). 
É sabido que a fiança dada pela esposa sem a anuência 
do marido é nula. Joana assina como fiadora de sua irmã 
na locação de um imóvel e, na ocasião, se declara solteira. 
Neste caso, a fiança é válida ? 
Considerando o princípio da boa-fé objetiva e o 
disposto no artigo 113 do CC, a fiança deve ser 
considerada válida, todavia, eventual responsabilidade de 
Joana não poderá afetar o patrimônio do seu esposo. 
 
 
c) negócio benéfico e renúncia – interpretação 
restrita 
 
 
d) efeito do silêncio: 
 
Silêncio qualificado (circunstanciado): quando o efeito do 
silencio ficar convencionado em um pré-contrato. 
 
e) interpretação favorável ao aderente: 
 
Além dos dispositivos transcritos, o Código algumas regras 
específicas para determinados contratos: ex: art. 843 (a transação 
interpreta-se restritivamente), art. 819 (a fiança não admite 
interpretação extensiva), art. 1.899 (a cláusula testamentária deve 
ser interpretada conforme a vontade do testador). 
 
Código de Defesa do Consumidor: estabelece que as cláusulas 
devam ser interpretadas da forma mais favorável ao consumidor 
(art. 47). 
 
 
Outras regras: A doutrina apresenta como regras práticas de 
interpretação dos contratos. : 
 
- quando a cláusula encerrar expressões de duplo 
sentido, deve ser acolhido o entendimento condizente com a 
natureza do negócio jurídico. 
 
- As cláusula contratuais interpretam-se uma em 
relação às outras, sejam antecedentes ou conseqüentes e de 
forma conjunta. 
 
- Na dúvida, interpreta-se contra o estipulante e em favor do 
promitente e da forma menos onerosa ao devedor. 
 
- a intenção dos contratantes deve ser obtida analisando-
se o modo pelo qual o contrato estava sendo executado de comum 
acordo. 
 
- A obscuridade deve ser interpretada contra quem redigiu a 
estipulação, porque tinha a obrigação de redigir o contrato de 
forma clara. 
 
- na cláusula de duplo sentido deve ser dada a 
interpretação que possibilita que o contrato seja exeqüível 
(princípio da conservação do contrato). 
 
Enunciado dos Conselho Nacional da Justiça Federal – 
Interpretação dos Contratos 
 
- ENUNCIADO Nº 166: Arts. 421 e 422 ou 113. A frustração do fim do 
contrato, como hipótese que não se confunde com a impossibilidade da 
prestação ou com a excessiva onerosidade, tem guarida no Direito brasileiro 
pela aplicação do art. 421 do Código Civil. 
 
- ENUNCIADO Nº 409: Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser 
interpretados não só conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração, 
mas também de acordo com as práticas habitualmente adotadas entre as 
partes. 
 
- ENUNCIADO Nº 421: Arts. 112 e 113. Os contratos coligados devem ser 
interpretados segundo os critérios hermenêuticos do Código Civil, em especial 
os dos arts. 112 e 113, considerada a sua conexão funcional. 
 
- ENUNCIADO Nº 171: Art. 423. O contrato de adesão, mencionado nos 
arts. 423 e 424 do novo Código Civil, não se confunde com o contrato de 
consumo 
 
- ENUNCIADO Nº 172: Art. 424. As cláusulas abusivas não ocorrem 
exclusivamente nas relações jurídicas de consumo. Dessa forma, é possível a 
identificação de cláusulas abusivas em contratos civis comuns, como, por 
exemplo, aquela estampada no art. 424 do Código Civil de 2002. 
 
- ENUNCIADO Nº 364: Arts. 424 e 828. No contrato de fiança é nula a 
cláusula de renúncia antecipada ao benefício de ordem quando inserida em 
contrato de adesão. 
 
- ENUNCIADO Nº 433: Art. 424. A cláusula de renúncia antecipada ao 
direito de indenização e retenção por benfeitorias necessárias é nula em 
contrato de locação de imóvel urbano feito nos moldes do contrato de adesão 
JURISPRUDÊNCIA – INTERPRETAÇÃO DO 
CONTRATO 
 
- Prevalência da intenção: 
 
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/ PEDIDO 
LIMINAR DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA PARA IMISSÃO NA POSSE - 
CESSÃO DE POSIÇÃO CONTRATUAL - AUSÊNCIA DE ANUÊNCIA - 
INEFICÁCIA PERANTE A CEDIDA - PRECEDENTES DESTA CORTE. I - 
Embora a apelante tenha atribuído ao contrato firmado por ela e terceiro a 
designação de "instrumento particular de promessa de comprae venda de 
propriedade imóvel", na verdade, percebe-se tratar de contrato atípico de 
"cessão de posição contratual". Conforme preceitua o art. 112 do Código Civil: 
"Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas 
consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem". II - E nos autos em 
mesa, verifica-se que a apelante imiscui-se na relação jurídica previamente 
existente entre a apelada e terceiro, com a nítida intenção de promover uma 
completa substituição na relação obrigacional, assumindo o lugar 
anteriormente ocupado pelo terceiro, assumindo inclusive a obrigação de dar 
sequência ao pagamento das parcelas vincendas, conforme cláusula quarta do 
contrato acima mencionado. Logo, o cedente pretendeu transferir a sua 
própria posição contratual à apelante. Porém, para que essa transferência 
ocorresse de maneira ampla e irrestrita, era necessário o consentimento da 
cedida. E não há como obrigá-la a tanto, por se tratar de um direito potestativo 
da apelada. Portanto, diante da ausência de anuência da parte apelada ao 
contrato de cessão de posição contratual firmado pela apelante e terceiro, não 
há como obrigar aquela a respeitar seus efeitos. III – (...) O consentimento da 
cedida na cessão de posição contratual é imprescindível, visto que o 
cessionário ao ingressar em um contrato através da cessão de posição 
contratual, o faz em um complexo obrigacional que orbita em torno do antigo 
contratante. Daí resulta a necessidade do consentimento do cedido. Situação 
dos autos que revela não se tratar de mera cessão de crédito. Recurso 
desprovido. 2. Recurso Adesivo. Honorários Advocatícios. Arbitramento. 
Majoração que se impõe. Recurso provido". (TJPR - 17ª c. Cível - AC - 476591-
9 - Maringá - Rel.: Edgard Fernando Barbosa - Unânime - j. 27.05.2009). 
APELAÇÃO NÃO PROVIDA. (Processo nº 1092388-5, 11ª Câmara Cível do 
TJPR, Rel. Gamaliel Seme Scaff. j. 12.03.2014, unânime, DJ 01.04.2014). 
 
- Prevalência da boa-fé 
 
PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 
535 DO CPC INEXISTENTE. FIANÇA SEM AUTORIZAÇÃO MARITAL. 
PRESTAÇÃO PELA MULHER DECLARANDO ESTADO DE SOLTEIRA. BOA-
FÉ OBJETIVA EM PROL DO CREDOR. IMPROVIMENTO. 1 (...) 2. A regra de 
nulidade integral da fiança prestada pelo cônjuge sem outorga do outro 
cônjuge não incide no caso de informação inverídica por este de estado de 
solteira, assinando, no caso, a fiadora, mulher casada, com omissão do nome 
do marido. 3. A boa-fé objetiva que preside os negócios jurídicos (CC/2002, 
art. 113) e a vedação de interpretação que prestigie a malícia nas declarações de 
vontade na prática de atos jurídicos (CC/2002, art. 180) vem em detrimento de 
quem preste fiança com inserção de dados inverídicos no documento. 4. 
Quadro fático fixado pelo Tribunal de origem e inalterável no âmbito da 
competência desta Corte, que vem em prol do reconhecimento da inveracidade 
e da malícia na prestação da fiança (Súmula 7/STJ). 5. Inocorrência de ofensa 
à Súmula 332/STJ, validade da fiança, no tocante à fiadora, a comprometer-lhe 
a meação, sem atingir, contudo, a meação do marido. 6. Recurso Especial 
improvido. (Recurso Especial nº 1328235/RJ (2011/0165302-7), 3ª Turma do 
STJ, Rel. Sidnei Beneti. j. 04.06.2013, unânime, DJe 28.06.2013). 
 
- Contrato benéfico – interpretação restritiva 
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE 
DÉBITO - CONTRATO PARA DESCONTO DE TÍTULOS - DÍVIDA 
DECORRENTE DE RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA DO AJUSTE - 
INVIABILIDADE DE PRORROGAÇÃO DA FIANÇA - AUSÊNCIA DE 
EXPRESSA ANUÊNCIA DOS FIADORES - INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA - 
EXEGESE DOS ARTS. 819 E 114 DO CÓDIGO CIVIL - INADIMPLEMENTO 
POSTERIOR AO VENCIMENTO DA GARANTIA - IMPOSSIBILIDADE DE 
EXIGÊNCIA DA OBRIGAÇÃO EM FACE DOS GARANTES - PRECEDENTES 
DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DESTA CORTE. A existência de 
cláusula contratual prevendo a possibilidade de prorrogação automática do 
contrato não detém eficácia perante os fiadores, os quais se comprometem 
apenas até o primeiro vencimento do pacto, salvo se tenham expressamente 
anuído às renovações subsequentes. (...)(Apelação Cível nº 2012.017170-8, 2ª 
Câmara de Direito Comercial do TJSC, Rel. Robson Luz Varella. j. 01.10.2013). 
 
- Contrato de adesão 
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL. CONTRATO. DIVERGÊNCIA NA 
INTERPRETAÇÃO RELATIVA AO PREÇO. DÚVIDA QUE SE RESOLVE EM 
FAVOR DO DEVEDOR. Contrato de prestação de serviços de propaganda que 
traz valores distintos, impossibilitando concluir qual o valor da contratação. 
Dúvida que se interpreta de forma favorável ao devedor. Inteligência do artigo 
423 do Código Civil de 2002. Débito que deve ser desconstituído. (...) 
(Apelação nº 0134996-78.2010.8.19.0001, 11ª Câmara Cível do TJRJ, Rel. 
Cherubin Helcias Schwartz. j. 11.09.2013). 
 
- Princípio da conservação do contrato 
RESCISÃO CONTRATUAL Instrumento particular de compromisso de 
venda e compra de estabelecimento comercial Descumprimento do dever das 
vendedoras de apresentar certidões negativas Inocorrência de inadimplemento 
capaz de lesionar o comprador Hipótese do artigo 475 do Código Civil não 
verificada Necessidade de observância à teoria do adimplemento substancial e 
ao princípio da conservação dos contratos Interrupção das atividades da 
empresa que decorreu de culpa exclusiva do autor Rescisão contratual não 
autorizada Obrigação do autor de quitar o preço da aquisição reconhecida 
Legitimidade das reconvintes para exigir o pagamento Sentença mantida 
RECURSO NÃO PROVIDO. 
 
(TJ-SP - APL: 00165507720118260554 SP 0016550-77.2011.8.26.0554, 
Relator: Elcio Trujillo, Data de Julgamento: 19/08/2014, 10ª Câmara de 
Direito Privado, Data de Publicação: 19/08/2014) 
 
EFEITOS DOS CONTRATOS 
 
I) EFEITOS EM RELAÇÃO AO OBJETO: a eficácia dos 
contratos em relação ao objeto é relativa, porque gera apenas uma 
obrigação de dar, fazer ou não fazer, mas não produz efeitos reais, 
translativos de propriedade. Exemplo: Se realizo um contrato de 
compra de um veículo, mesmo que eu pague o preço, ainda não 
serei o dono do bem, mas apenas titular de um direito obrigacional, 
sendo que a propriedade somente se configurará com a tradição do 
carro. 
 
II) EFEITOS ENTRE AS PARTES: 
 
O contrato, como fonte de obrigações, tem como principal 
efeito estabelecer um vínculo jurídico entre os contratantes, como 
se criasse uma “lei entre as partes”. 
Como decorrência disso, se pode afirmar que o contrato gera as 
seguintes decorrências: 
 
- Responsabilidade: o descumprimento do contrato permite, 
em regra, que o lesado pleiteie a execução forçada ou a condenação 
em perdas e danos. 
 
- inalterabilidade unilateral: Uma vez concluído o contrato, 
não é possível que o contratante, unilateralmente, modifique o 
conteúdo do pacto ou se arrependa, todavia, isto será admitido se 
existir previsão contratual ou legal (ex: art. 49 da Lei 8.078/90). 
 
- inalterabilidade judicial: em regra, assim como o juiz não 
pode alterar a lei, mas apenas interpreta-la, não poderá modificar o 
conteúdo do contrato (“lei entre as partes”), ressalvando situações 
excepcionais legalmente previstas (ex: onerosidade excessiva). 
- transmissão: ressalvadas algumas exceções (ex: contrato 
personalíssimo, cláusula de extinção em caso de morte) os direitos 
e obrigações de um contrato são transmitidos aos herdeiros e 
sucessores. 
 
III) EFEITOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS: 
 
Como decorrência do princípio da relatividade, o contrato tem 
força obrigatória apenas entre os contratantes, não interferindo na 
esfera jurídica de terceiros, salvo exceções (ex: contratos com 
efeitos erga omnes, estipulação em favor de terceiro). 
Apesar disso, o Código Civil disciplina três formas específicas 
de contratos que atribuem efeitos a terceiros: a) - estipulação em 
favor de terceiro (art. 436 a 438), b) - promessa de fato de terceiro 
(art. 439 e 440) e c) - contrato com pessoa a declarar (art. 467 a 
471). 
 
a) -ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO 
 
DEFINIÇÃO: Há estipulação em favor de terceiro quandouma pessoa (estipulante) convenciona com outra que esta 
(promitente) concederá uma vantagem ou benefício em favor 
daquele (beneficiário) que não é parte no contrato. Constitui 
exceção ao princípio da relatividade dos contratos quanto às 
pessoas, segundo o qual os efeitos do contrato só se produzem em 
relação às partes não afetando terceiros. (Carlos R. Gonçalves). 
No caso, terceiro, estranho ao contrato, se torna credor do 
promitente. 
Exemplo: seguro de vida6, indicando terceiro como 
beneficiário; pai que se compromete, em uma separação judicial, a 
doar os bens aos filhos. 
 
CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO: é um contrato 
consensual e de forma livre, sendo essencial a gratuidade do 
benefício, não podendo ser imposta contraprestação ao terceiro 
(nesse sentido: Carlos R. Gonçalves, Orlando Gomes, 
Arnaldo Rizzardo). Todavia, alguns autores entendem que a 
gratuidade não é requisito essencial porque não está previsto em lei 
(neste sentido: Washington de B. Monteiro), de qualquer 
forma, o contrato somente se aperfeiçoará quando ocorrer a 
aceitação do beneficiário. 
 
REQUISITOS: 
 
a) subjetivo: a presença das figuras do promitente, 
estipulante e beneficiário (estranho ao contrato). A capacidade 
somente é exigida dos contratantes (estipulante e promitente), 
podendo o incapaz figurar como beneficiário, e pode, inclusive, 
sequer ser determinado desde logo (ex: em favor dos filhos que 
nascerem). 
 
 
6 O art. 793 do CC proíbe a instituição de benefício em favor de terceiro que está inibido de receber 
doação (ex: concubina de homem casado). 
b) objetivo: Além do objeto lícito e possível, é necessária a 
existência de uma vantagem patrimonial ao beneficiário. Exemplo: 
Assim, se A, dono de um imóvel no valor de R$ 2.000.000,00, 
convencionou com B a obrigação de transferi-lo a C (terceiro), 
mediante o pagamento que este efetuará de R$ 500.000,00, não 
se poderá alegar que não houve vantagem para C, apesar de não 
ser gratuita. (Maria H. Diniz). 
 
c) formal: o contrato é consensual e apresenta forma livre. 
 
NATUREZA JURÍDICA: embora exista uma divergência 
doutrinária (teoria da oferta, da gestão de negócios, da obrigação 
unilateral) é um contrato sui generis, porque existe uma relação 
contratual dupla, formada pelo acordo de vontades do estipulante e 
do promitente, beneficiando um terceiro. (neste sentido: Clóvis 
Bevilaqua, Maria H. Diniz, Caio M. S. Pereira). 
 
- Aceitação do beneficiário: O direito do beneficiário surge 
independentemente de sua aceitação, porém, este poderá rejeitá-lo, 
caso em que surgirá uma condição resolutiva da obrigação. 
 
- Desfazimento do contrato (distrato): Com a aceitação, o 
beneficiário passa a integrar o contrato, de modo que, em regra, 
não é mais possível o distrato sem a sua concordância. 
 
Capacidade do beneficiário: Como já mencionado, para ser 
contemplado com o benefício não é necessário que o beneficiário 
possua capacidade. 
 
Recusa do beneficiário: “ se o beneficiário não concorda com o 
benefício, desaparece o objeto do contrato, se as partes não 
colocaram um substituto na posição do terceiro. Deve o promitente 
devolver o que recebeu, sob pena de ocorrer injusto 
enriquecimento” (Sílvio Venosa). 
 
- Legitimidade para exigir o cumprimento da 
obrigação: o cumprimento da obrigação pelo promitente pode ser 
exigida pelo estipulante ou pelo beneficiário. Esta possibilidade 
não existirá em favor do beneficiário se o estipulante providenciar a 
sua substituição (art. 438), que poderá ocorrer na forma do art. 
438, § único. De todo modo, o beneficiário deverá aderir às 
condições que foram previamente estabelecidas entre o estipulante 
e o beneficiário. 
 
- O texto não é suficientemente claro, porque, ao anuir no 
contrato, deixa o estranho de ser terceiro. E, mesmo que não tenha 
havido anuência, o promitente não pode ser obrigado a cumprir 
mais do que se comprometeu. (Sílvio Venosa). 
 
- Exoneração do promitente – cláusula de 
irrevogabilidade da estipulação: o estipulante não poderá 
exonerar o promitente se foi dado ao beneficiário o direito expresso 
de reclamar o cumprimento da obrigação (art. 437), fazendo com 
que a estipulação se torne irrevogável. Caso contrário, é dado ao 
estipulante o direito de exonerar7 o promitente do cumprimento da 
obrigação. Exemplo: “João encomenda flores para Maria. As flores 
não são entregues no dia convencionado. Em princípio, Maria nem 
sabe da estipulação. Conseqüentemente, João poderá exigir a 
entrega das flores, ou poderá resolver o contrato, exonerando o 
devedor. Poderá até mesmo remitir a dívida” (César Fiúza), 
todavia, se ficar convencionado com a floricultura que caberá a 
Maria a determinação para a entrega das flores, João não poderá 
mais dispensar a obrigação ou desfazer a compra. 
 
- Impossibilidade do beneficiário exigir o 
cumprimento – necessidade de cláusula própria: A 
redação do artigo 437 suscita dúvidas, haja vista que o artigo 436 
parece permitir que o terceiro sempre possa exigir o cumprimento 
do contrato independentemente de cláusula própria, enquanto o 
artigo 437 exige a existência de cláusula expressa para tanto. 
Assim, encontram-se os seguintes posicionamentos: 
 
- “Quando, no art. 437 do Código Civil, se fala de “se deixar (ao 
terceiro) o direito de reclamar a execução”, caso em que o 
estipulante não pode exonerar o devedor, o que se há de entender é 
que, se não foi expressamente excluído o direito de o terceiro exigir 
o adimplemento, não pode o estipulante exonerar o devedor. A 
regra é poder o terceiro exigir. Se não se dispôs diversamente, 
deixou-se-lhe tal direito e a pretensão” (Pontes de Miranda). 
 
 
 
7 - A faculdade de revogar o benefício é pessoal, não passando aos herdeiros do estipulante, 
no caso do seu falecimento (Sílvio Venosa). 
 
 
 
Em sentido contrário: “Há o consenso geral de que ao 
estipulante se reserva a faculdade de exonerar o promitente da 
obrigação que lhe está afeta, desde que não se encontre no contrato 
cláusula assegurando ao beneficiário o direito de exigir a execução 
da promessa”. (Arnaldo Rizzardo). No mesmo sentido: James 
Eduardo Oliveira, Jones Figueiredo Alves. Assim, segundo 
este entendimento, inexistindo uma cláusula expressa permitindo 
ao beneficiário reclamar o cumprimento da obrigação, poderá o 
estipulante desobrigar o devedor ou substituir o beneficiário, caso 
contrário - existindo esta cláusula expressa- , isso não será mais 
possível. 
Exceções cabíveis ao promitente- Nesse negócio jurídico 
peculiar, distinguimos claramente dois estágios. Numa primeira 
fase, existe o pacto entre o estipulante e o promitente. O terceiro 
somente é mencionado no bojo do contrato como beneficiário da 
avença. Numa segunda fase, que pode ocorrer somente quando a 
prestação já for exigível, é necessário saber se o terceiro concorda 
ou discorda com o benefício. Com a concordância do beneficiário, 
completamos o negócio em sua integralidade, perante o 
cumprimento da prestação ou ao menos a sua exigibilidade. O 
estipulante também pode exigir o cumprimento, mas, se tal 
exigência é feita tão-somente pelo beneficiário, desaparece a 
figura do estipulante no contrato, passando o negócio jurídico 
doravante a interessar apenas ao beneficiário e ao promitente. A 
aceitação, quando já exigível a prestação, legitima o beneficiário, 
não podendo mais a atribuição ser revogada. Não sendo o terceiro 
parte no contrato, apesar de se colocar na posição de credor, não 
pode ele exigir direito algum fora do assinalado no pacto. Por sua 
vez, o promitente pode opor contra o terceiro todas as exceções 
que poderia opor contra o estipulante, nascidas do contrato onde 
se originou o benefício. Pode o promitente, por exemplo, alegar 
que não cumpre a prestação porque o estipulante não cumpriu o 
que lhe cabia no contrato. É aplicação da “exceptio nonadimplenti 
contractus”. (Sílvio Venosa). 
 
- De acordo com a sistematização de Serpa Lopes, a estipulação 
em favor de terceiro compreende duas fases: i) antes da aceitação 
do beneficiário; e ii) depois da aceitação do beneficiário. 
Na primeira fase, isto é, antes da aceitação por parte do 
beneficiário, o estipulante pode livremente revogar a estipulação 
(salvo se o contrário for previsto no contrato). Se o terceiro sequer 
tem conhecimento do benefício, nenhum prejuízo poder-lhe-ia 
advir da revogação. 
Na segunda fase, após verificar-se a aceitação por parte do 
terceiro tem-se como irrevogável a estipulação, salvo nas hipóteses 
previstas no art. 438. Considera-se que a aceitação do terceiro não 
faz nascer o seu direito, mas o consolida, tornando-o definitivo e, 
em princípio (salvo as exceções do art. 438), irrevogável, 
permitindo-lhe o seu exercício. Assim, resume Clovis Bevilaqua: 
“Quando cabe ao beneficiário exigir o cumprimento da obrigação, já 
não tem o estipulante qualidade para exonerar o devedor”. 
(Gustavo Tepedino) 
 
Exoneração nos contratos onerosos: se o negócio não se 
enquadra entre os gratuitos, por derivar de causa onerosa, a 
liberalidade do estipulante encontra barreira no interesse do 
beneficiário. Assim, por exemplo, se a estipulação foi obtida para 
compensar um débito do estipulante, que desse modo obtém 
quitação do beneficiário. 
 
Substituição do beneficiário: o estipulante poderá 
substituir o beneficiário, independente da concordância deste e do 
promitente, por ato entre vivos ou como disposição de última 
vontade. 
 
- Ausência da cláusula: Trata-se de norma dispositiva. No 
silêncio do contrato, o estipulante pode substituir o beneficiário. 
(Sílvio Venosa). Por sua vez, Arnaldo Rizzardo entende que: 
“caso não ressalvada a faculdade da substituição, é ela inadmissível, 
a partir do momento da aceitação pelo terceiro, o que significa 
enfatizar a irrevogabilidade da estipulação”. No mesmo 
entendimento: Theotonio Negrão 
 
Forma da substituição: não é necessária nenhuma formalidade 
especial, basta que exista uma comunicação ao promitente. 
 
Interpretação sistemática: “A meu ver, quando a estipulação 
tiver por causa uma liberalidade do estipulante para com o 
beneficiário, aquele deve poder revogá-la, ou inová-la, a qualquer 
tempo, contanto que o faça antes do cumprimento, já exonerando o 
devedor da obrigação assumida, já substituindo (e independente de 
sua anuência), o terceiro instituído, por outra pessoa. A menos que 
expressamente abra mão desse direito. Se, entretanto, o negócio 
não se enquadra entre os gratuitos, por derivar de causa onerosa, a 
liberalidade do estipulante encontra barreira no interesse do 
beneficiário”. (Sílvio Rodrigues). 
APLICAÇÃO PRÁTICA : 
- Nos contratos de seguros 
- Na doação modal (doação com encargo): 
- Na constituição de renda: 
- Nas fundações: Art. 62. 
 
João realiza um seguro de vida, na qual sua noiva, Maria, é 
beneficiária. João pode alterar a beneficiária posteriormente ? A 
seguradora pode se recusar a pagar o seguro à Maria alegando que 
João não pagou as parcelas do seguro ? 
Se houvesse uma cláusula estipulando que Maria poderia exigir 
o pagamento do seguro, João não poderia realizar a substituição 
(art. 437), caso contrário, poderia (art. 438). 
A ausência do pagamento do seguro é uma exceção que poderia 
ser apresentada ao estipulante e a beneficiária 
 
b) - PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO (Contrato 
por terceiro) 
CONCEITO: é um pacto no qual um dos contratantes 
(promitente) se compromete em conseguir que terceira pessoa faça, 
ou deixe de fazer, alguma coisa do interesse do outro contratante, 
assim sendo, o terceiro não faz parte do contrato. 
- aquele que promete fato de terceiro assemelha-se ao fiador, 
que assegura a prestação prometida. Se alguém, por exemplo, 
prometer levar um cantor famoso a uma determinada casa de 
espetáculos, sem ter obtido dele, previamente, a devida 
concordância, responderá por perdas e danos perante os 
promotores do evento, se não ocorrer a prometida apresentação 
na ocasião anunciada. Na hipótese, o agente não agiu como 
mandatário do cantor, que não se comprometeu de nenhuma 
forma. Se o tivesse feito, nenhuma obrigação haveria para quem 
fez a promessa (art. 440). (Carlos R. Gonçalves). 
 
Em verdade, esta forma de contrato impõe ao devedor uma 
obrigação de fazer, consistente em obter o ato de um terceiro. 
 
DESCUMPRIMENTO DO FATO PROMETIDO: o 
promissário responderá por perdas e danos, já que não há como se 
obrigar o terceiro a cumprir com a obrigação, salvo a hipótese do 
art. 439, parágrafo único do CC) . 
 
- terceiro cônjuge do promissário: o promissário não 
responderá por perdas e danos se a indenização recair em bens 
comuns do casal, haja vista que, caso contrário, o terceiro estaria, 
indiretamente, respondendo por uma obrigação que não anuiu. 
Exemplo: “a hipótese de o marido ter prometido obter a anuência 
da mulher na concessão de uma fiança, tendo esta se recusado a 
prestá-la. A recusa sujeitaria o promitente a responder por perdas e 
danos que iriam sair do patrimônio do casal, consorciado por 
regime de comunhão. Para evitar o litígio familiar o legislador tira a 
eficácia da promessa” (Sílvio Rodrigues). 
 
COMPROMISSO DO TERCEIRO: se o terceiro concorda 
com a obrigação, o promissário (promitente) fica exonerado, salvo 
cláusula contrária. 
 
CARACTERÍSTICAS: 
 
- Responsabilidade do terceiro: o terceiro será responsabilizado 
somente se anuiu com a obrigação realizada entre as partes. 
 
- Responsabilidade do promitente: O credor terá direito contra 
o contratante até o consentimento do terceiro, e contra este, após a 
anuência. 
 
- Responsabilidade sucessiva: Os devedores (promitente e 
terceiro) são sucessivos e não simultâneos, de modo que, com a 
anuência do terceiro, estará excluída a responsabilidade do 
contratante. 
 
- Diferença com a estipulação em favor de terceiro: 
Diversamente da estipulação, na qual o terceiro é beneficiário, na 
“promessa”, o terceiro deve prestar uma obrigação. 
 
Diferenças de outros institutos: “Desassiste razão aos que 
aproximam essa figura contratual do mandato, por faltar-lhe a 
representação. Malgrado a semelhança com a fiança, também com 
ela não se confunde, visto que a garantia fidejussória é contrato 
acessório, ao passo que a promessa de fato de terceiro é principal. 
Igualmente não se confunde esta com a gestão de negócios, pelo 
fato de o promitente não se colocar na defesa dos interesses do 
terceiro” (Caio M. da Silva Pereira). 
 
 
João compra um carro de Pedro, todavia, o veículo se encontra 
registrado em nome de Joaquim. Pedro se compromete a obter a 
assinatura de Joaquim, a fim de transferir a documentação do 
carro a Pedro. Qual a consequência jurídica se Joaquim se recusa a 
assinar o documento ? E se, no momento do compra, Joaquim avisa 
João que pode comprar o carro do Pedro porque assinará a 
documentação, mas, depois, se recusa a fazer isso ? 
Pedro assumiu a obrigação de fazer (promessa de fato de 
terceiro) e, em caso de descumprimento de Joaquim, Pedro 
responderá pelas perdas e danos causadas a João. 
Como Joaquim assumiu a obrigação de fazer, será o único 
responsável pelo cumprimento da obrigação perante João. 
 
c) - CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR 
CONCEITO é o contrato no qual um dos contratantes tem 
interesse em fazer-se substituir por pessoa cujo nome pretende 
ocultar, embora tal substituição possa não ocorrer. Pode ser 
utilizado por quem não deseja, por qualquer razão, ser 
identificado no início do contrato. Trata-se de cláusula inserida no 
contrato, pelo qual, no momento da conclusão deste, uma das 
partes (“stipulans” - estipulante) reserva a si o direito de indicar a 
pessoa (“electus”) que deverá adquirir direitos ou que assumirá 
obrigações decorrentes do ato negocial. (Maria H. Diniz). 
Contudo, o estipulante não é obrigado a indicar um substituto, 
podendo, se desejar,

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