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Educação Ambiental na Infância

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REVISTA OBSERVATORIO DE LA ECONOMIA LATINOAMERICANA 
Curitiba, v.22, n.1, p. 3694-3717. 2024. 
 
ISSN: 1696-8352 
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Educação ambiental e educação infantil 
 
Environmental education and child education 
 
DOI: 10.55905/oelv22n1-193 
 
Recebimento dos originais: 21/12/2023 
Aceitação para publicação: 23/01/2024 
 
Daniella Cristina Vettori dos Santos 
Graduada em pedagogia 
Instituição: Universidade Cândido Mendes 
Endereço: R. Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro - RJ, CEP: 22420-030 
E-mail: daniellavettori@gmail.com 
 
Iana de Almeida Santos 
Especialista em Pedagogia Inclusiva e Libras 
Instituição: Faculdade Verde Norte 
Endereço: Av. José Alves Miranda, 500, Alto São João, Mato Verde - MG, 
CEP: 39527-000 
E-mail: almeidaematos2023@gmail.com 
 
Janaína Borges de Sousa 
Especialista em Gestão Educacional 
Instituição: Faculdade UniBF 
Endereço: Condomínio Edifício Rosenhaus Tower, R. Dr. Marinho Lobo, 75, Centro, 
Joinville - SC, CEP: 89201-020 
E-mail: janageosousa@gmail.com 
 
Paula Gabrielly de Azevedo Guerreiro Silva 
Especialista em Metodologia de Ensino de Ciências da Natureza 
Instituição: Universidade Estácio de Sá 
Endereço: Av. Sen. Souza Naves, 1715, Cristo Rei, Curitiba - PR, CEP: 80050-040 
E-mail: paulaguerreiro88@gmail.com 
 
Talita Mirian Leal Freitas 
Graduada em Pedagogia 
Instituição: Instituto Superior Albert Einstein 
Endereço: Av. Cândido de Abreu, 469, Centro Cívico, Curitiba - PR, CEP: 80530-000 
E-mail: laurahelenaleal@outlook.com 
 
 
 
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Vanessa Amorim Flor Rodrigues 
Especialista em Gestão Escolar 
Instituição: Faculdade FARESE 
Endereço: Rua Jequitibá, 121, Centro, Santa Maria de Jetibá - ES 
E-mail: va.ro.ju@hotmail.com 
 
RESUMO 
A Educação Ambiental e sua implementação eficaz na Educação Infantil têm se tornado 
temas de grande relevância em um mundo cada vez mais consciente da necessidade de 
preservar o meio ambiente e promover a sustentabilidade. A importância de introduzir 
questões ambientais desde os primeiros anos de vida das crianças não pode ser 
subestimada, uma vez que é nesse período que os indivíduos começam a desenvolver suas 
percepções, valores e atitudes em relação ao mundo que os cerca. O objetivo geral deste 
estudo é analisar a implementação eficaz da Educação Ambiental na Educação Infantil, 
identificando estratégias pedagógicas e práticas educacionais que possam contribuir para 
o desenvolvimento de crianças mais conscientes e ativas na preservação e 
sustentabilidade ambiental. Este estudo se baseou em uma pesquisa bibliográfica extensa 
e detalhada, que abrangeu uma variedade de fontes, incluindo artigos científicos 
encontrados em bases de dados acadêmicas, como Scielo e Google Acadêmico, com uma 
linha atemporal que se estendeu de 1990 até 2023. As considerações finais deste estudo 
ressaltam a importância crítica da Educação Ambiental na Educação Infantil como um 
meio de promover a conscientização e a responsabilidade ambiental desde os primeiros 
anos de vida das crianças. A análise das estratégias pedagógicas e práticas educacionais 
destacou a relevância de abordagens lúdicas, interdisciplinares e contextualizadas para 
envolver as crianças de forma significativa. Além disso, o papel dos educadores na 
formação de atitudes e valores ambientais foi enfatizado como fundamental para o 
sucesso da Educação Ambiental na Educação Infantil. 
 
Palavras-chave: educação ambiental, educação infantil, meio ambiente. 
 
ABSTRACT 
Environmental Education and its effective implementation in Early Childhood Education 
have become topics of great relevance in an increasingly environmentally conscious 
world, emphasizing the need to preserve the environment and promote sustainability. The 
importance of introducing environmental issues from the early years of a child's life 
cannot be underestimated, as it is during this period that individuals begin to develop their 
perceptions, values, and attitudes towards the world around them. The overall objective 
of this study is to analyze the effective implementation of Environmental Education in 
Early Childhood Education, identifying pedagogical strategies and educational practices 
that can contribute to the development of more environmentally conscious and active 
children in environmental preservation and sustainability.This study was based on 
extensive and detailed bibliographic research, encompassing a variety of sources, 
including scientific articles found in academic databases such as Scielo and Google 
Scholar, with a timeless range extending from 1990 to 2023. The final considerations of 
this study emphasize the critical importance of Environmental Education in Early 
 
 
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Childhood Education as a means of promoting awareness and environmental 
responsibility from the early years of a child's life. The analysis of pedagogical strategies 
and educational practices highlighted the relevance of playful, interdisciplinary, and 
contextualized approaches to engage children significantly. Furthermore, the role of 
educators in shaping environmental attitudes and values was emphasized as fundamental 
to the success of Environmental Education in Early Childhood Education. 
 
Keywords: environmental education, early childhood education, environment. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
Por meio do agravamento crescente dos problemas ambientais decorrentes das 
atividades da sociedade contemporânea, torna-se cada vez mais evidente que a Educação 
Ambiental desempenha um papel crucial como um aliado poderoso na conscientização e 
sensibilização da população em geral. Essa abordagem busca promover uma profunda 
compreensão das questões ambientais e, ao fazê-lo, aspira a instigar mudanças 
substanciais nos hábitos e atitudes humanas em relação ao meio ambiente. A Educação 
Ambiental não é uma iniciativa pontual, mas sim uma prática contínua e integrada que 
visa envolver ativamente os indivíduos e a sociedade como um todo (Luccas; Bonotto, 
2017). 
Essa prática educativa se baseia na ideia de que as ações humanas têm um impacto 
direto no meio ambiente em que vivemos e, portanto, é imperativo promover uma 
interação mais sustentável entre o ser humano e seu ambiente circundante. Ao fazer isso, 
a Educação Ambiental busca catalisar uma mudança transformadora, um processo 
dinâmico e integrativo que visa reverter os danos ambientais e promover a coexistência 
harmoniosa entre a sociedade e a natureza (Oliveira, 2014). 
Desde os primeiros anos de vida, os seres humanos começam a moldar seus 
pensamentos e valores. Na Educação Infantil, as crianças têm a oportunidade de interagir 
com um novo ambiente e a sociedade, o que torna esse período de desenvolvimento 
crucial. Quanto mais cedo as crianças são expostas a experiências que promovem valores 
como respeito, harmonia e amor pelo meio ambiente, mais capacitadas estarão para se 
tornarem adultos que podem efetivamente contribuir para a transformação e melhoria do 
mundo em que vivem (Perestrelo, 2016). 
 
 
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De acordo com Verderio (2021), a introdução da Educação Ambiental na 
Educação Infantil desempenha um papel fundamental no processo de ensino-
aprendizagemdas crianças. É imperativo que os educadores desenvolvam projetos que 
enfatizem o cuidado com o ambiente, seja ele natural ou artificial. Para que essa 
abordagem seja eficaz, é essencial que a prática esteja integrada a diversas áreas do 
conhecimento em seu planejamento. Isso inclui a incorporação de abordagens 
multidisciplinares e o uso de literatura paradidática nas atividades desenvolvidas em 
conjunto com as crianças, suas famílias e a comunidade local. Dessa forma, o ambiente 
escolar se torna não apenas um local de aprendizado, mas também um espaço mais 
acolhedor e envolvente. 
A Educação Ambiental na Educação Infantil não apenas visa transmitir 
informações sobre questões ambientais, mas também cultivar valores e atitudes que 
promovam uma relação saudável e responsável com o meio ambiente. Ao iniciar esse 
processo desde cedo, as crianças têm a oportunidade de internalizar esses valores e se 
tornarem cidadãos mais conscientes e engajados, capazes de desempenhar um papel ativo 
na preservação e no desenvolvimento sustentável do planeta. Portanto, a Educação 
Ambiental na Educação Infantil desempenha um papel vital na formação de indivíduos 
que podem fazer a diferença em nosso mundo (Verderio, 2021). 
Diante disso, como podemos efetivamente incorporar a Educação Ambiental na 
Educação Infantil de modo a estimular o respeito pelo meio ambiente e formar crianças 
conscientes e responsáveis em relação às questões ambientais? 
O objetivo geral deste estudo é analisar a implementação eficaz da Educação 
Ambiental na Educação Infantil, identificando estratégias pedagógicas e práticas 
educacionais que possam contribuir para o desenvolvimento de crianças mais conscientes 
e ativas na preservação e sustentabilidade ambiental. 
A escolha deste tema se baseia na importância crucial de educar as crianças desde 
cedo sobre questões ambientais. O período da Educação Infantil é um momento crucial 
para introduzir conceitos de respeito pelo meio ambiente, sustentabilidade e 
responsabilidade social. Além disso, a pesquisa nessa área é relevante devido aos desafios 
ambientais globais que enfrentamos, como mudanças climáticas, perda de biodiversidade 
 
 
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e poluição. Ao promover a Educação Ambiental na Educação Infantil, podemos ajudar a 
construir uma base sólida para uma geração futura de cidadãos mais engajados e 
conscientes, capazes de tomar decisões informadas em relação ao meio ambiente. Esta 
pesquisa também pode oferecer orientações práticas para educadores e formuladores de 
políticas que buscam aprimorar programas de Educação Ambiental na Educação Infantil. 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
A preocupação com a temática socioambiental tem ganhado uma importância cada 
vez maior devido à crise global relacionada à sustentabilidade do meio ambiente. Foi no 
final do século XX, em um contexto já caracterizado como catastrófico, que a Educação 
Ambiental surgiu como uma força motriz para a promoção de novos comportamentos e 
atitudes que, como destacado por Layrargues e Lima (2014) possibilitassem que os 
indivíduos adotassem uma visão de mundo que embasasse práticas sociais voltadas para 
a redução dos impactos ambientais. 
A degradação do meio ambiente e a iminente crise ambiental em escala global têm 
colocado em questão a sociedade fundamentada no consumo excessivo, na busca 
incessante pela satisfação de desejos individuais e no individualismo, além de uma visão 
frequentemente indiferente em relação ao meio ambiente e aos outros seres humanos. 
Esse estado de coisas tem destacado a necessidade urgente de encontrar soluções que 
restaurem o equilíbrio entre o ser humano e a natureza (Back et al., 2021). 
Segundo Dias e Oliveira (2017), a proposta da Educação Ambiental é expandir 
nossa compreensão do ambiente em que vivemos, como podemos interagir com ele de 
maneira responsável e como podemos contribuir para sua sustentabilidade. Desde os 
primeiros anos de vida, mesmo antes de adquirirmos habilidades de leitura e escrita, 
começamos a desenvolver uma percepção do mundo ao nosso redor. 
No entanto, à medida que envelhecemos, somos frequentemente influenciados por 
uma sociedade voltada para o consumismo, que coloca mais ênfase na posse material do 
que no desenvolvimento humano. Muitos de nós vivem em ambientes urbanos, muitas 
vezes desvinculados da natureza, o que nos leva a naturalizar essa realidade e não 
 
 
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perceber as mudanças significativas que ocorrem em nosso ambiente, que são socialmente 
construídas (Dias; Oliveira, 2017). 
Ao considerarmos a perspectiva de Porto, Paixão e Machado (2021), que apontam 
que a espécie humana tem a capacidade de desenvolver tecnologias e conhecimentos que 
podem tanto concretizar aspirações humanas como ameaçar a sustentabilidade do planeta, 
torna-se evidente a existência de questões profundamente impactantes relacionadas ao 
meio produtivo. Essas questões têm repercussões significativas tanto no âmbito 
econômico quanto no social, e, portanto, demandam uma reflexão e consideração 
cuidadosas. 
Ao longo de décadas, a sociedade experimentou mudanças substanciais em seu 
estilo de vida, marcadas pela transição de uma sociedade predominantemente rural para 
uma caracterizada pelo crescimento populacional acelerado, pelas revoluções industriais 
e pela revolução tecnológica. Essas transformações impactaram profundamente a maneira 
como vivemos e interagimos com o mundo ao nosso redor. No entanto, juntamente com 
essas mudanças vieram desafios significativos relacionados ao meio ambiente, que 
geraram crescente preocupação (Dias, 2015). 
O surgimento desses problemas ambientais desencadeou uma mobilização e 
preocupação consideráveis por parte de estudiosos e pensadores conscientes da 
necessidade premente de encontrar soluções e promover transformações em nosso padrão 
de consumo desenfreado. O objetivo primordial dessa mobilização é mitigar os problemas 
ambientais que se acumularam ao longo dos anos. Esses esforços visam promover uma 
abordagem mais sustentável em relação aos recursos naturais, buscando minimizar o 
impacto negativo da sociedade sobre o ambiente e trabalhando em direção a um futuro 
mais equilibrado e harmonioso entre a humanidade e a natureza (Dias; Salgado, 2023). 
As preocupações relacionadas à Educação Ambiental começaram a ganhar 
destaque na década de 1970, coincidindo com a emergência de diversos eventos que 
abordavam questões ambientais de alcance global. Em 1972, a Organização das Nações 
Unidas (ONU) promoveu a histórica Conferência de Estocolmo, na Suécia, marcando um 
marco significativo como o primeiro grande evento internacional dedicado ao tema do 
meio ambiente humano. Essa conferência desempenhou um papel fundamental no 
 
 
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impulsionamento das iniciativas educacionais voltadas para questões ambientais (Dias; 
Salgado, 2023). 
Posteriormente, uma série de conferências internacionais sobre o meio ambiente 
foi realizada, e um evento notável para o Brasil foi a Conferência das Nações Unidas 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92, que teve lugar no Rio 
de Janeiro em 1992. Foi durante a Rio-92 que a Agenda 21, um plano abrangente para a 
promoção do desenvolvimento sustentável, foi concebida e ganhou relevânciaglobal 
(Dias; Salgado, 2023). 
A realização desses eventos internacionais estimulou o desenvolvimento de 
inúmeros conceitos e abordagens relacionados à Educação Ambiental. De acordo com 
Guerra e Guimarães (2007), foi somente a partir da década de 1980 que a Educação 
Ambiental começou a se popularizar em escala global. À medida que o tempo avançou, 
tornou-se evidente que a Educação Ambiental havia se transformado em uma necessidade 
global, reconhecendo a importância de educar as gerações futuras sobre questões 
ambientais para promover uma relação mais sustentável entre a humanidade e o meio 
ambiente. 
A Educação Ambiental tem como objetivo fundamental a formação de cidadãos 
conscientes, capazes de tomar decisões que tenham um impacto positivo na construção 
de uma sociedade mais sustentável. Isso implica em uma abordagem que visa não apenas 
o indivíduo, mas também o ambiente ao seu redor, incentivando a ação coletiva (Santos; 
Santos, 2016). 
Conforme observado por Layrargues e Lima (2014), o termo "Educação 
Ambiental" é composto por dois elementos: um substantivo, "Educação", que delineia a 
essência da prática educativa em questão, definindo as abordagens pedagógicas 
necessárias para sua realização, e um adjetivo, "Ambiental", que contextualiza essa 
prática educativa, indicando o enquadramento motivador da ação pedagógica. 
Essa abordagem destaca que a Educação Ambiental não é apenas um processo de 
transmissão de conhecimento, mas também uma prática que reconhece a interconexão 
entre a educação e o ambiente. Ela enfatiza a importância de considerar o contexto 
ambiental como um elemento motivador e relevante para a ação educativa, promovendo 
 
 
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uma compreensão mais profunda das questões ambientais e incentivando a 
responsabilidade coletiva na busca por soluções sustentáveis. Portanto, a Educação 
Ambiental é uma abordagem que visa não apenas informar, mas também transformar 
atitudes e comportamentos em prol da conservação e preservação do meio ambiente 
(Layrargues; Lima, 2014). 
Como resultado dessas diretrizes, emergiu uma abordagem da Educação 
Ambiental que reconhece a necessidade de educar cidadãos capazes de compreender e 
incorporar os desafios ambientais de seu entorno, incentivando-os a agir de forma ativa e 
crítica diante dessas questões. Essa abordagem representa uma evolução em relação à 
visão tradicionalmente "ecológico-preservacionista" da Educação Ambiental, 
caracterizando-se como uma vertente "socioambiental" (MEDINA, 1997). 
É relevante destacar que, apesar do crescente reconhecimento e adoção da 
abordagem socioambiental desde a década de 1980, não podemos ignorar que as práticas 
fundamentadas na Educação Ambiental preservacionista ainda prevalecem 
significativamente, tanto dentro como fora do ambiente escolar. Essa observação ressalta 
que, embora haja uma tendência em direção a uma perspectiva mais ampla e socialmente 
engajada da Educação Ambiental, muitos contextos ainda aderem a abordagens mais 
tradicionais, que enfatizam a proteção do meio ambiente sem necessariamente considerar 
os aspectos sociais e humanos envolvidos na questão ambiental (Santos; Santos, 2016). 
Ao adotar a abordagem pedagógica de Paulo Freire (1967), que se concentra na 
percepção do educando como alguém que existe em relação com os outros e com o 
mundo, visando a sua inserção crítica na realidade, a Educação Ambiental encontra uma 
rica contribuição teórica e metodológica, como apontado por Lima (2004). A pedagogia 
freireana, que valoriza a educação libertadora e se baseia em uma visão emancipatória do 
mundo, oferece um alicerce sólido para a prática da Educação Ambiental. 
Essa abordagem educacional fundamentada nos princípios de Paulo Freire 
enfatiza a importância do diálogo nos processos educacionais, promovendo uma relação 
horizontal entre educador e educando. Ela valoriza o conhecimento construído a partir da 
experiência do educando, levando em consideração sua história, cultura e contexto social. 
 
 
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Além disso, a pedagogia freireana destaca a liberdade como elemento essencial na busca 
pelo aprendizado, incentivando a crítica, a reflexão e a criatividade (Loureiro, 2004). 
Nesse contexto, o amor é considerado um ato de liberdade e um princípio 
orientador do diálogo educacional. A abordagem de Freire reconhece o ser humano como 
um ser inconcluso, incompleto e em constante desenvolvimento, em busca de se tornar 
mais. Assim, a pedagogia de Freire, com suas ênfases na conscientização, no diálogo e 
na valorização da experiência do educando, oferece uma base sólida para a prática da 
Educação Ambiental, que visa promover a consciência crítica em relação às questões 
ambientais e à busca por soluções sustentáveis (Magri et al., 2010). 
É de suma importância que a sociedade adquira conhecimentos abrangentes sobre 
as questões ambientais e que haja um desenvolvimento de consciência que propicie a 
integração dessas questões nas abordagens curriculares. Isso pode ou não envolver uma 
coordenação cuidadosa das práticas educacionais. Muitos educadores que estão 
preocupados com a problemática ambiental concordam que a educação ambiental não se 
limita à realização de atividades voltadas apenas para a formação de uma consciência 
estritamente ambientalista, conservacionista e/ou preservacionista (Chacon, 2023). 
 
2.2 LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
A Educação Ambiental na pré-escola encontra respaldo no Referencial Curricular 
Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), um documento elaborado pelo Ministério da 
Educação (MEC) composto por três partes distintas. A primeira parte, denominada 
Introdução, consiste em reflexões sobre a creche e a pré-escola e seus elementos 
constituintes. A segunda parte, intitulada Formação Pessoal e Social, está relacionada ao 
desenvolvimento da criança em termos de sua identidade e interação social. Por fim, a 
terceira parte, denominada Conhecimento de Mundo (BRASIL, 1998), concentra-se na 
exploração dos conhecimentos das Ciências Humanas e Naturais, estabelecendo conexões 
com os conteúdos da pré-escola (Albanus; Zouvi, 2013). 
De acordo com o RCNEI: 
 
O enfoque nos conhecimentos advindos das Ciências Humanas e Naturais tem 
como propósito principal a ampliação das experiências das crianças e a 
 
 
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construção de um repertório de saberes variados sobre o meio social e natural. 
Isso engloba a compreensão da multiplicidade de fenômenos e eventos nas 
esferas físicas, biológicas, geográficas, históricas e culturais, bem como a 
exploração da diversidade de abordagens para explicar e representar o mundo. 
Esse enfoque também implica em permitir que as crianças entrem em contato 
com explicações científicas e tenham a oportunidade de desenvolver novas 
formas de pensar acerca dos acontecimentos que as cercam (BRASIL, 1998, 
p. 166). 
 
A promoção da diversidade, como mencionado, é um elemento essencial que deve 
estar presente no processo de ensino. Nesse sentido, a abordagem da diversidade deve 
adotar uma abordagem transversal, permeando todas as áreas de conhecimento. É crucial 
que esse processo seja realizado com sensibilidade em relação à criança, de modo que o 
aluno possa integrar de forma significativa o conhecimento em sua formação(Saheb, 
2016). 
Isso implica em abordar os assuntos de forma a considerar as peculiaridades de 
cada aluno e a respeitar suas identidades individuais. A diversidade não deve ser apenas 
tolerada, mas celebrada como uma riqueza que enriquece a experiência de aprendizado. 
Portanto, o objetivo é permitir que o aluno não apenas adquira conhecimento, mas 
também desenvolva a capacidade de integrar e aplicar esse conhecimento de maneira 
significativa em sua vida. 
Segundo Câmara (2017, p. 60): 
 
É fundamental criar estruturas de conhecimento escolar que tenham um caráter 
integrador e que sejam organizadas em torno de problemas socioambientais de 
relevância. Essas estruturas não devem apenas se adequar ao nível de 
desenvolvimento operacional dos alunos, mas também devem incorporar 
significados específicos em diferentes níveis de complexidade. Para atingir 
esse objetivo, é necessário estabelecer diversos níveis de formulação do 
conhecimento escolar. Esses níveis devem abranger desde significados mais 
próximos à compreensão dos alunos até níveis mais sofisticados e elaborados. 
Dessa forma, é possível adaptar o conteúdo curricular de maneira a torná-lo 
acessível e relevante para os estudantes, ao mesmo tempo em que desafia e 
estimula seu crescimento intelectual. 
 
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil 
(RCNEI) de 1998, a Educação Ambiental abrange uma vasta diversidade de temas. 
Portanto, é essencial selecionar temas que sejam particularmente relevantes para as 
crianças e seu contexto social específico. Nesse processo, é fundamental envolver as 
 
 
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crianças em práticas que as incentivem a refletir e a tomar consciência das questões 
ambientais. 
Para Santos e Silva (2016), o papel do professor nesse contexto é de extrema 
importância, requerendo paciência, uma vez que o desenvolvimento da conscientização 
ambiental das crianças ocorre de maneira gradual. O professor desempenha o papel de 
guia e facilitador, criando um ambiente propício para a exploração e discussão de temas 
ambientais, estimulando a curiosidade das crianças e promovendo o desenvolvimento de 
uma consciência ambiental positiva ao longo do tempo. 
É fundamental que o professor compreenda que a consolidação desses domínios 
e conhecimentos não ocorre plenamente durante esta etapa educacional. Pelo contrário, 
eles são construídos de forma gradual à medida que as crianças desenvolvem atitudes de 
curiosidade, de análise crítica, de refutação e de reavaliação de explicações para a 
variedade e diversidade de fenômenos e eventos que ocorrem no mundo social e natural 
(BRASIL, 1998). 
Para garantir que o desenvolvimento da Educação Ambiental seja eficaz, é 
essencial contar com a plena participação da comunidade local e da escola, de modo a 
alcançar os objetivos estabelecidos. E para contribuir com a construção de um mundo 
melhor, é necessário que assumamos a responsabilidade por nossas ações, uma vez que 
tudo o que fazemos está intrinsecamente interligado. deve considerar a maneira como 
utilizamos os recursos naturais, como cuidamos das plantas e dos animais, bem como a 
forma como tratamos nossos semelhantes. Quando todos assumimos essa 
responsabilidade por nossas ações, podemos começar a colaborar coletivamente para 
preservar o bem-estar presente e futuro da família humana e de todos os seres vivos no 
planeta (Batalha, 2013). 
Com base na explicação anterior apresentada por Batalha (2013), é evidente que 
o sucesso no desenvolvimento da educação ambiental está intrinsecamente ligado ao 
esforço coletivo de toda a comunidade. Esse envolvimento coletivo é o que efetivamente 
possibilita o fortalecimento da consciência ambiental, uma vez que todos os membros 
estão sendo educados e motivados a contribuir ativamente para a preservação do nosso 
meio ambiente e de todos os seus componentes. 
 
 
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Além disso, é essencial ressaltar que a transmissão dos conhecimentos 
relacionados à valorização do ambiente deve estar diretamente conectada com a realidade 
dos alunos. Isso significa que a educação ambiental deve ser contextualizada e relevante 
para as vivências e experiências dos estudantes, tornando-a mais eficaz e significativa. 
Dessa forma, os alunos podem entender como as questões ambientais se relacionam com 
suas vidas cotidianas e, assim, desenvolver uma apreciação mais profunda e um 
compromisso com a preservação do meio ambiente (Carrega, 2014). 
É importante destacar que a aprendizagem de fatos, conceitos, procedimentos, 
atitudes e valores não ocorre de maneira isolada e desvinculada do contexto. O acesso das 
crianças ao conhecimento produzido pelas ciências é mediado pelo ambiente social e 
cultural em que estão inseridas (Carrega, 2014). 
De acordo com Oliveira, Abrahão e Mazeika (2019), o desenvolvimento da 
criança é um processo gradual que se desenrola à medida que ela adquire consciência do 
mundo ao seu redor. Essa consciência pode se manifestar de diversas maneiras. Nesse 
contexto, a educação deve seguir uma abordagem que esteja alinhada com o ritmo 
individual de cada aluno, permitindo que eles observem, percebam, aprendam e, 
eventualmente, internalizem o tema transversal relacionado à conscientização ambiental, 
o que, por sua vez, contribuirá para humanizar o indivíduo. 
Dessa forma, à medida que a criança adquire uma compreensão mais profunda do 
mundo que a cerca, ela terá a oportunidade de reformular suas concepções sobre a 
natureza e a cultura, possibilitando a ocorrência de mudanças significativas em sua visão 
e entendimento desses aspectos (Oliveira; Abrahão; Mazeika, 2019). 
A Educação Ambiental deve ser incorporada em todas as etapas da formação do 
indivíduo. Por exemplo, aos cinco anos de idade, a criança está prestes a ingressar no 
ensino fundamental, que introduz uma perspectiva de ensino mais concreto em sua 
educação. Embora o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) 
de 1998 não dedique uma área específica para abordar a Natureza e Sociedade (onde a 
Educação Ambiental está presente) com alunos de cinco anos, o documento contempla 
práticas destinadas a crianças na faixa etária de três a seis anos, o que inclui os alunos que 
estão no último ano da pré-escola. 
 
 
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O RCNEI de 1998 estabelece alguns objetivos para a Educação Ambiental nesta 
faixa etária: 
 
É importante que as crianças nesta faixa etária demonstrem interesse e 
curiosidade em relação ao mundo social e natural. Isso se manifesta por meio 
da formulação de perguntas, da busca por soluções para compreender esse 
mundo, e da expressão de opiniões pessoais sobre os eventos que observam. 
Além disso, é essencial que elas sejam capazes de estabelecer conexões entre 
o modo de vida característico de seu grupo social e o de outros grupos, 
reconhecendo as diferenças e semelhanças. 
Outra habilidade relevante é a capacidade de relacionar o meio ambiente com 
as diferentes formas de vida, valorizando a importância desse equilíbrio para a 
preservação das espécies e para a qualidade de vida humana. Isso implica em 
desenvolver uma conscientização sobre a interdependência entre os seres 
humanos e o ambiente que os cerca, bem como compreender o impacto de suas 
ações no meio ambiente e na biodiversidade.A partir dos objetivos mencionados anteriormente, torna-se claro que a formação 
do cidadão ambiental implica na compreensão de que tudo ao seu redor está em constante 
movimento e possui seu próprio ritmo. Nesse contexto, é essencial motivar a criança a 
desenvolver conhecimento sobre o ambiente em que vive, explorando a natureza e as 
diversas culturas existentes. Com base nesse conhecimento, a criança é incentivada a 
formar opiniões e adotar posições que valorizem as características do meio ambiente 
(Gama; Magalhães, 2020). 
Para que a cultura da preservação se torne uma parte integrante da sociedade, é 
necessário que ela seja estabelecida como um valor fundamental na preparação dos 
indivíduos para a vida em comunidade. Nesse sentido, o papel do educador na Educação 
Infantil desempenha um papel crucial ao proporcionar ao aluno experiências práticas, 
permitindo que ele esteja em contato direto com o meio ambiente ao seu redor. Isso 
possibilita que a criança perceba e compreenda a importância de preservar a terra que lhe 
serve de base para suas experiências de aprendizado, crescimento e desenvolvimento 
(Gama; Magalhães, 2020). 
Para o desenvolvimento do eixo Natureza e Sociedade, que engloba as Ciências 
Naturais, Russo et al. (2017), destacam que o professor deve adotar um estilo de trabalho 
que envolva seus alunos de maneira a abordar conteúdos, conceitos, procedimentos e 
atitudes de forma eficaz. 
 
 
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No que diz respeito aos conteúdos a serem abordados nesse período, o RCNEI de 
1998 ressalta a importância de escolher práticas sociais que sejam significativas, levando 
em consideração o grau de significado para a criança. Além disso, enfatiza a necessidade 
de expandir o conhecimento das crianças sobre o mundo social e natural, promovendo 
uma construção social integrada e relacionada (Russo et al., 2017). 
Nesse contexto, é fundamental ajustar o nível de complexidade dos conteúdos de 
acordo com a idade das crianças, pois como mencionado anteriormente, o 
desenvolvimento da consciência ambiental ocorre de forma gradual. Portanto, o conteúdo 
deve ser adequado à fase de desenvolvimento específica em que as crianças se encontram 
(Ramos; Vieira; Ribeiro, 2023). 
Ao abordarmos o estudo e conhecimento da natureza, estamos simultaneamente 
explorando o processo de autoconhecimento da criança. O Referencial Curricular 
Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) de 1998 enfatiza que a aprendizagem dos 
nomes das partes do corpo e de algumas de suas funções deve ocorrer de maneira 
contextualizada, por meio de situações reais e cotidianas (Ramos; Vieira; Ribeiro, 2023). 
Isso implica que, para que o aluno desenvolva um entendimento genuíno do 
mundo que o cerca, é fundamental que ele também adquira conhecimento sobre si mesmo, 
compreendendo seu próprio corpo, o espaço que ocupa, seus pensamentos e emoções. 
Dessa forma, o processo de aprendizado não se limita apenas ao mundo externo, mas 
também abrange a exploração do mundo interno da criança, contribuindo para seu 
crescimento e desenvolvimento integral (Ramos; Vieira; Ribeiro, 2023). 
De acordo com as orientações didáticas do RCNEI de 1998, os conteúdos são 
categorizados em cinco blocos principais: 
1. Organização dos grupos e seu modo de ser, viver e trabalhar. 
2. Os lugares e suas paisagens. 
3. Objetos e processos de transformação. 
4. Os seres vivos. 
5. Fenômenos da natureza. 
É importante ressaltar que ambas as vertentes, a natureza e a sociedade, devem ser 
integradas e desempenhar um papel transversal no processo de ensino. Além disso, é 
 
 
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essencial desenvolver uma abordagem didática que auxilie os professores na execução 
das aulas, promovendo uma educação ambiental eficaz e significativa para as crianças 
(Almeida, 2022). 
Em relação às orientações gerais fornecidas aos professores no RCNEI de 1998, 
destaca-se que o docente não deve se restringir aos recursos disponíveis na escola, mas 
sim buscar recursos adicionais e parcerias com pessoas ou grupos que possam enriquecer 
o processo de ensino, promovendo reflexões e ampliando a visão dos alunos (Almeida, 
2022). 
Com base nos procedimentos apresentados pelo RCNEI (1998), fica evidente que 
a utilização de instrumentos que facilitem e aprofundem o conhecimento é um aspecto 
relevante que pode ser sempre explorado. O envolvimento ativo dos alunos e o estímulo 
ao debate saudável de ideias, que os motive a aprender mais sobre o mundo e sobre os 
outros, são abordagens que contribuem para o processo de aprendizagem. 
Nesse contexto, a importância de um projeto pedagógico voltado para a educação 
ambiental se destaca, conforme indicado pelo MEC nos procedimentos. Conforme Freire 
(1999), um projeto pedagógico eficaz deve contemplar a relação entre o ser humano e o 
ambiente, pois é essa relação que molda um indivíduo capaz de ação e reflexão sobre suas 
atitudes em relação ao mundo, incentivando-o a buscar transformações positivas. 
 
2.3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
A Educação Ambiental na Educação Infantil desempenha um papel crucial ao 
capacitar a criança a ampliar sua consciência e reflexão sobre o respeito pelo meio 
ambiente. Isso implica que a criança assimile esse conhecimento e busque compartilhar 
os valores ambientais adquiridos com as pessoas com as quais convive. Nesse contexto, 
a escola desempenha um papel transformador fundamental na construção desses 
princípios morais, permitindo práticas que aproximem a criança dos fundamentos da 
Educação Ambiental (Antoniassi et al., 2022). 
Conforme destacado por Brandão e Boita (2021), a escola desempenha um papel 
central ao proporcionar experiências que aproximem a criança dos princípios da 
Educação Ambiental, permitindo que ela internalize esses valores e os aplique em seu 
 
 
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cotidiano. Dessa forma, a Educação Ambiental na Educação Infantil não apenas 
enriquece o conhecimento da criança sobre o meio ambiente, mas também a capacita a se 
tornar um agente de mudança e promotor de atitudes sustentáveis em seu ambiente e 
comunidade. 
A Educação Ambiental como elemento educacional, possui a capacidade e a 
responsabilidade de estar presente em todas as disciplinas que abordam as interações entre 
a natureza e a sociedade. No entanto, para que a EA seja efetivamente implementada, os 
professores e pedagogos devem possuir competências que lhes permitam trabalhar com 
base na compreensão que as crianças têm do meio ambiente. Eles devem propor situações 
e atividades desafiadoras que despertem o interesse dos alunos e os estimulem a explorar 
e aprender mais sobre essa temática, que é tão relevante nos dias de hoje (Toledo, 2022). 
De acordo com as autoras Brandão e Boita (2017), a implementação da Educação 
Ambiental na prática educativa exige a iniciativa e as habilidades dos professores e 
pedagogos na formulação de abordagens didáticas que promovam o diálogo entre o ser 
humano e o ambiente em que vive. Isso proporciona a capacidade reflexiva de interagir 
socialmente de maneira curiosa e desafiadora. Portanto, ao adotar uma abordagem de 
ensino no contexto ambiental, o educador deve considerar o indivíduo e suas diversas 
relações. 
É compreensível que a prática da Educação Ambiental deva ser incorporada ao 
ambiente da EducaçãoInfantil, como enfatiza Silva (2020), reconhecendo a importância 
de introduzir desde cedo essa dimensão de aprendizado que promove a conscientização e 
a sensibilização ambiental nas crianças. 
As creches e pré-escolas representam ambientes privilegiados para o processo de 
aprendizagem e ensino, uma vez que é nesses locais que as crianças vivenciam suas 
primeiras experiências sensoriais, impressões e emoções relacionadas à vida. Portanto, é 
essencial que a dimensão ambiental não seja negligenciada, nem subjugada à dimensão 
cultural; ambas devem estar integralmente integradas (Silva, 2020). 
De acordo com a autora, a dimensão cultural e ambiental deve ser introduzida no 
contexto educacional das crianças, pois o contato delas com a natureza pode servir como 
estímulo e influência positiva na construção de um currículo abrangente sobre o meio 
 
 
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ambiente. Esse currículo deve promover uma reflexão crítica, cooperação e participação 
ativa, por meio do processo político da Educação Ambiental (Silva, 2020). 
Dentro do ambiente escolar, a Educação Ambiental encontra oportunidades para 
fortalecer sua atuação, buscando maneiras de se adaptar aos desafios que surgem como 
parte de um conhecimento integrado, capaz de superar as fragmentações na prática do 
currículo. Portanto, para que a Educação Ambiental possa atingir seus objetivos como um 
processo educacional eficaz, é fundamental que os professores assumam a liderança, 
desempenhando seu papel de mediadores com autonomia e conhecimento. Somente dessa 
forma, poderão alcançar resultados significativos no ensino e na conscientização 
ambiental dos alunos (Medeiros; Royer; Molina, 2022). 
A Educação Ambiental foi estabelecida como um tema transversal no currículo, 
mas na prática docente, muitas vezes surgem dificuldades na abordagem de questões 
relacionadas ao meio ambiente. Isso ocorre, em parte, devido às limitações na formação 
dos professores, que frequentemente se sentem inexperientes e inseguros ao tentar 
implementar a Educação Ambiental na prática. Esse problema é agravado pela falta de 
recursos nas escolas, incluindo a escassez de material didático adequado (Medeiros; 
Royer; Molina, 2022). 
Além disso, a constatação de que o principal documento que orienta a educação 
infantil não aborda adequadamente as questões essenciais da Educação Ambiental 
ressalta a fragilidade das práticas pedagógicas nesse nível de ensino. O desinvestimento 
na formação dos profissionais em relação às questões ambientais muitas vezes resulta na 
realização de projetos educacionais sem qualquer orientação ou apoio governamental, o 
que prejudica a eficácia dessas iniciativas (Rosa et al., 2021). 
Diante dessas considerações, as observações dos autores apontam para lacunas 
significativas na formação e orientação oferecida aos professores no contexto da 
Educação Infantil, especialmente no que se refere à Educação Ambiental. Essas lacunas 
revelam um desafio substancial no desenvolvimento de um trabalho pedagógico coeso e 
adequado para esse público específico. É importante destacar que os educadores 
necessitam de recursos adequados para realizar projetos e atividades com os alunos, a fim 
de promover uma reflexão eficaz sobre as questões ambientais (Rosa et al., 2021). 
 
 
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Dessa maneira, é possível compreender que a Educação Ambiental precisa se 
tornar uma prática transformadora, sendo implementada desde a Educação Infantil nas 
escolas. No entanto, apesar dos esforços das instituições de ensino em promover projetos 
pedagógicos nesse sentido, ainda existem desafios relacionados às condições em que o 
educador exerce sua função como mediador do conhecimento. Além disso, é fundamental 
que os educadores façam uma reflexão sobre suas próprias concepções de Educação, uma 
vez que estas têm um impacto significativo nas práticas de Educação Ambiental (Busik; 
Soletti; Caon, 2018). 
É importante que os profissionais da Educação Ambiental compreendam que seu 
trabalho vai além da transmissão de informações e conceitos. Eles devem se dedicar à 
formação de atitudes e valores, promovendo o ensino e a aprendizagem de maneira 
abrangente, especialmente na Educação Infantil, em que as crianças estão em processo de 
desenvolvimento. Isso implica introduzir a temática ambiental de forma interdisciplinar 
nos currículos de todas as disciplinas e em atividades escolares que despertem o interesse 
dos alunos (Busik; Soletti; Caon, 2018). 
Nesse contexto, as autoras buscam promover uma reflexão sobre a importância de 
incluir de maneira interdisciplinar as abordagens ambientais nos currículos e no processo 
de aprendizagem dos alunos na Educação Infantil. Isso contribui para que a escola exerça 
seu papel transformador na promoção do compromisso com o meio ambiente (Busik; 
Soletti; Caon, 2018). 
 
3 METODOLOGIA 
Na metodologia de pesquisa, engloba-se a natureza do estudo, a caracterização da 
pesquisa, as ferramentas, instrumentos e procedimentos utilizados, bem como os métodos 
e técnicas que auxiliam na busca da solução para o problema identificado. Após a 
aplicação dos instrumentos e a subsequente coleta de dados, passa-se à análise desses 
resultados. Segundo Carvalho, Pimenta e Oliveira (2018), a metodologia consiste em um 
conjunto de operações com o propósito de atingir objetivos estabelecidos a partir da 
sistemática utilizada na construção do quadro teórico. 
 
 
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Conforme ressaltado por Gil (2002, p. 17), a metodologia se desenvolve ao longo 
de um processo que envolve diversas etapas, desde a formulação adequada do problema 
até a apresentação satisfatória dos resultados. 
Para a elaboração deste trabalho, foi conduzida uma revisão bibliográfica. A 
pesquisa bibliográfica tem como objetivo abordar questões por meio de referenciais 
teóricos previamente publicados, analisando e discutindo as diversas contribuições 
científicas. Esse tipo de pesquisa proporciona um embasamento para compreender o que 
foi investigado, bem como de que maneira e sob quais perspectivas o tema foi tratado na 
literatura acadêmica. 
Conforme destacado por Andrade (2020), a pesquisa bibliográfica tem como 
finalidade estabelecer uma conexão mais profunda com o problema em questão, 
tornando-o mais acessível para compreensão. Além disso, ela é caracterizada como uma 
pesquisa qualitativa. Os métodos qualitativos buscam explorar o motivo subjacente aos 
fenômenos, apresentando o que é considerado adequado, mas não quantificando valores 
e trocas simbólicas, tampouco se submetendo à prova de fatos, uma vez que os dados 
analisados não possuem natureza métrica e podem adotar diversas abordagens (Andrade, 
2020). 
Para realizar a revisão bibliográfica deste artigo, foram consultados artigos 
científicos disponíveis nas bases de dados do Scielo e Google Acadêmico, abrangendo 
um período aberto entre 1990 e 2023. Para identificar os artigos relevantes, utilizaram-se 
palavras-chave como "Educação ambiental," "educação infantil," e "meio ambiente." A 
seleção dos artigos foi realizada com base na leitura dos títulos, conclusões e resumos 
disponíveis. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
As considerações finais deste estudo revelam a importância fundamental da 
implementação eficaz da Educação Ambiental na Educação Infantil comouma 
abordagem essencial para o desenvolvimento de crianças conscientes e ativas na 
preservação e sustentabilidade ambiental. 
 
 
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Ao longo deste artigo, exploramos diversas dimensões da Educação Ambiental na 
Educação Infantil, considerando as diretrizes pedagógicas, os desafios enfrentados pelos 
educadores e os benefícios potenciais dessa abordagem para as crianças e o meio 
ambiente. Com base em nossa análise, podemos destacar algumas conclusões e reflexões. 
Fica claro que a Educação Ambiental na Educação Infantil não se limita a 
transmitir informações sobre o meio ambiente, mas busca, sobretudo, promover uma 
mudança de atitude e consciência nas crianças. Para alcançar esse objetivo, é fundamental 
adotar estratégias pedagógicas que considerem o nível de desenvolvimento cognitivo e 
emocional das crianças, tornando o aprendizado significativo e envolvente. 
Nesse sentido, a interdisciplinaridade emerge como uma abordagem valiosa, 
permitindo que a Educação Ambiental seja integrada ao currículo de todas as disciplinas, 
enriquecendo o processo de ensino e aprendizagem. A partir da análise dos conteúdos 
curriculares e dos objetivos educacionais, os educadores podem desenvolver atividades 
que estimulem a curiosidade, a reflexão crítica e o senso de responsabilidade das crianças 
em relação ao meio ambiente. 
A pesquisa bibliográfica realizada neste estudo revelou que existem desafios 
significativos a serem superados na implementação eficaz da Educação Ambiental na 
Educação Infantil. Questões relacionadas à formação dos professores, à disponibilidade 
de recursos e à falta de orientações claras nos documentos curriculares foram 
identificadas como obstáculos. 
Portanto, é imperativo que as instituições de ensino e os órgãos responsáveis pela 
educação priorizem a formação continuada dos educadores, oferecendo capacitação e 
suporte para que possam desenvolver práticas pedagógicas eficazes em Educação 
Ambiental. Além disso, a inclusão de diretrizes claras e abrangentes nos currículos e 
documentos oficiais é essencial para orientar os educadores e garantir a integração da 
Educação Ambiental na Educação Infantil. 
 
 
 
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