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Imprimir INTRODUÇÃO Olá, estudante, como vai? Nesta aula, vamos iniciar nossos estudos sobre o sistema endócrino, este que é fundamental na regulação do humor, nas funções dos tecidos, no metabolismo, no crescimento e no desenvolvimento, bem como na função sexual e nos processos reprodutivos através da síntese e secreção de hormônios. Os hormônios são mensageiros químicos do nosso corpo, levam mensagens para as células, determinando como elas irão se comportar. A puberdade é o período em que mais evidenciamos o impacto desse sistema no nosso corpo. Nas meninas, sob influência do estrogênio, há um acúmulo de tecido adiposo nas mamas e nos quadris, modelando a forma do corpo. Nos meninos, níveis cada vez mais altos de testosterona começam a produzir massa muscular e aumentar as pregas vocais, tornando a voz mais grave. Essas alterações são apenas alguns exemplos das influências hormonais no nosso corpo, vamos aprofundar nosso conhecimento sobre o assunto? Aula 1 FUNDAMENTOS DO ESTUDO DA FUNÇÃO ENDÓCRINA Nesta aula, vamos iniciar nossos estudos sobre o sistema endócrino, este que é fundamental na regulação do humor, nas funções dos tecidos, no metabolismo, no crescimento e no desenvolvimento, bem como na função sexual e nos processos reprodutivos através da síntese e secreção de hormônios. ANATOMOFISIOLOGIA DO SISTEMA ENDÓCRINO E OS HORMÔNIOS NÃO DERIVADOS DO COLESTEROL Aula 1 - Fundamentos do estudo da função endócrina Aula 2 - O pâncreas endócrino Aula 3 - O eixo hipotálamo-hipófise e o controle da liberação hormonal Aula 4 - Doenças e farmacoterapias relacionadas aos hormônios não derivados do colesterol Aula 5 - Revisão da unidade Referências 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 1/80 INTRODUÇÃO AO SISTEMA ENDÓCRINO O sistema endócrino é considerado um conjunto de células e glândulas responsáveis pela secreção de hormônios, exercendo controle químico sobre o corpo humano por meio da manutenção da homeostase. Os sistemas nervoso e endócrino atuam juntos para coordenar funções de todos os sistemas do corpo, as glândulas endócrinas são reguladas pelo sistema nervoso, ou por outras glândulas endócrinas, formando um mecanismo de inter-relação. O corpo contém dois tipos diferentes de glândulas: as endócrinas e as exócrinas. As glândulas exócrinas possuem ductos tubulares que conduzem as secreções glandulares para cavidades corporais, para o lúmen de um órgão, ou para a superfície externa no corpo, como as glândulas sudoríparas, sebáceas, mucosas e digestivas. O sistema endócrino é constituído por glândulas sem ductos, denominadas glândulas endócrinas, que secretam seus produtos, os hormônios, no líquido intersticial que as circunda e se difundem para o sangue. O sangue circulante transporta esses hormônios para os órgãos correspondentes para que seus efeitos sejam vistos como respostas específicas. Tanto os neurotransmissores, quanto os hormônios exercem seus efeitos ligando-se a receptores encontrados em suas células-alvo, os receptores das células-alvo podem estar localizados na superfície celular ou no citoplasma e no núcleo. As glândulas endócrinas incluem: glândulas pituitárias (hipófise), pineal, tireoide, paratireoides, suprarrenais (ou adrenais) e as ilhotas de Langerhans (pâncreas). Além das glândulas com funções endócrinas, vários órgãos e tecidos secretam hormônios como função secundária, como o hipotálamo, timo, rins, estômago, fígado, intestino delgado, pele, coração, tecido adiposo, testículos nos homens e ovários e placenta nas mulheres (Figura 1). Vamos conhecer agora as principais glândulas endócrinas e os hormônios liberados por elas. Figura 1 | Localização das glândulas endócrinas e órgãos que contêm células endócrinas 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 2/80 Fonte: Tortora e Derrickson (2019, p. 620). Principais glândulas endócrinas A hipófise, também chamada de glândula pituitária, é uma pequena glândula, localizada na base do encéfalo, exatamente abaixo do hipotálamo, formada por duas porções: hipófise anterior ou adeno-hipófise e hipófise posterior ou neuro-hipófise. Alguns de seus hormônios produzidos afetam as funções de muitas outras glândulas endócrinas como os testículos, os ovários, o córtex adrenal e a glândula tireoide (Quadro 1). Quadro 1 - Lorem ipsum dolor sit amet Hormônio Tecido-alvo Principais ações Hormônios da adeno-hipófise Hormônio do crescimento (GH) Fígado e outros tecidos Estimula o crescimento corporal e a reprodução celular. Hormônio tireoestimulante (TSH) Glândula tireoide Estimula a síntese e a secreção de hormônios pela glândula tireoide. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 3/80 Hormônio Tecido-alvo Principais ações Hormônio foliculoestimulante (FSH) Ovários e testículos Nas mulheres, inicia o desenvolvimento de ovócitos e induz à ovulação; nos homens estimula a produção de espermatozoides. Hormônio luteinizante (LH) Ovários e testículos Nas mulheres, estimula a secreção de progesterona e estrogênios; nos homens estimula a produção de testosterona. Prolactina (PRL) Glândulas mamárias Junto com outros hormônios, promove a liberação de leite. Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) Córtex da glândula suprarrenal Estimula a secreção de cortisol. Hormônios da neuro-hipófise Ocitocina (OT) Útero e glândulas mamárias Estimula a contração das células musculares lisas do útero durante o parto; estimula a contração de células nas glândulas mamárias para promover a ejeção de leite. Hormônio antidiurético (ADH) Rins, glândulas sudoríparas, arteríolas Conserva a água corporal por meio da diminuição do volume de urina; reduz a perda de água pela respiração; eleva a pressão arterial por meio da constrição das arteríolas. Fonte: adaptado de Tortora e Derrickson (2019, p. 632). Figura 2 | Hormônios secretados pela glândula pineal e órgãos e tecidos-alvo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 4/80 Fonte: adaptada de Shutterstock. A glândula tireoide está localizada na região cervical, à frente da traqueia e logo abaixo da laringe. É composta pelos lobos direito e esquerdo, constituída por folículos compostos por epitélio cuboide simples que produzem e secretam hormônios tireoidianos. A atividade da tireoide é controlada pelo hipotálamo (mais especificamente, pela adeno-hipófise), a partir da síntese de TSH a fim de aumentar a síntese e a liberação dos hormônios tireoidianos (Quadro 2) Quadro 2 | Hormônios da glândula tireoide Hormônios Fonte Principais ações Tri- iodotironina (T3) Células foliculares da tireoide Aumentam a taxa metabólica basal; estimulam a síntese de proteínas; acentuam o uso de glicose e ácidos graxos para a produção de ATP; intensificam a lipólise; aumentam a excreção de colesterol; aceleram o crescimento corporal; contribuem para o desenvolvimento do sistema nervoso. Tiroxina (T4) Células foliculares da tireoide 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 5/80 Hormônios Fonte Principais ações Calcitocina (CT) Células extrafoliculares da tireoide Diminui a concentração de íons de cálcio no sangue, inibindo a liberação desse íon dos ossos e aumentando a sua excreção pelos rins. Fonte: adaptado de Tortora e Derrickson (2019, p. 639). Figura 3 | Hormônios secretados pela glândula tireoide Fonte: adaptada de Shutterstock. As glândulas paratireoides são quatro pequenas glândulas, que estão localizadas na face posterior da glândula tireoide, formadas por muitas células secretoras chamadas células-mestras e por células oxifílicas. Essas glândulas produzem um único hormônio, o hormônio da paratireoide ou paratormônio (PTH), que tem como função regular o metabolismo de cálciotendo início de ação aproximadamente 1 hora e 30 minutos após administração e duração em torno de 14 horas. É usada para controle basal (em jejum) dos diabetes tipo 1 e tipo 2, e em geral, é administrada junto com a insulina de ação rápida ou curta para o controle no momento da refeição. Preparações de insulina de ação prolongada: é injetada uma suspensão de partículas contendo insulina que se dissolvem lentamente no tecido subcutâneo e liberam insulina para absorção, exemplos dessas preparações são a insulina glargina e a insulina detemir. Essas são usadas para controle basal, sua ação tem duração de 24 horas. Figura 7 | Início e duração de ação da insulina humana e dos seus análogos Fonte: Whalen, Finkell e Panavelil (2016, p. 339). Existe ainda, a possibilidade de uso de insulina aplicada por bombas de infusão contínua. Neste esquema são utilizadas insulinas de ação rápida e curta, armazenadas em um reservatório na bomba que são infundidas através de um microcateter no tecido subcutâneo, com regimes preestabelecidos diferenciados de manutenção ao longo do dia. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 35/80 Os esquemas de tratamento com insulina são frequentemente ajustados, de acordo com a necessidade do paciente, conforme a sua atividade, quantidade e composição das refeições e níveis de glicose no sangue. Nas situações em que é indicado a terapia insulínica, este tratamento deve ser indicado e monitorado por um profissional médico capacitado, com monitoramento de glicemia e consultas regulares. Para pacientes pré-diabéticos, a mudança no estilo de vida com dieta e atividade física, e/ou a associação de fármacos antidiabéticos são medidas terapêuticas preventivas de diabetes mellitus. A primeira medida a ser instituída no tratamento do diabetes mellitus do tipo 2 deve ser a orientação dietética adequada e mudanças no estilo de vida, no entanto, os pacientes que permanecem com alto índice glicêmico deverão recorrer a um ou mais fármacos por via oral. Em geral, o tratamento se inicia com um único fármaco (monoterapia), adicionando um segundo fármaco, com mecanismo de ação diferente, caso seja necessário. Os medicamentos orais utilizados para o tratamento e controle do diabetes mellitus tipo 2 atuam de diferentes formas: aumentando a secreção de insulina pelo pâncreas, aumentando a sensibilidade das células-alvo aos efeitos da insulina, ou alterando a absorção dos carboidratos. Os principais fármacos utilizados no tratamento de diabetes mellitus tipo 2 são os que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas (glibenclamida, glipizida, glimepirida, repaglinida e nateglinida) e fármacos que melhoram a ação periférica da insulina, sensibilizando as células-alvo (metformina e pioglitazona). Fármacos que alteram a absorção intestinal de carboidratos, como a acarbose, são utilizados com menos frequência. O uso de insulina exógena em pacientes com diabetes tipo 2 é indicada em situações de descontrole glicêmico intenso, contraindicações a medicamentos via oral ou, mesmo com o uso de medicamentos orais, o paciente não atingiu o nível glicêmico ideal. Ainda, com o passar dos anos, pode ocorrer falência das células beta nos pacientes com diabetes tipo 2, nesse caso, a insulinoterapia também se faz necessária. A base de qualquer tratamento efetivo de diabetes mellitus se inicia com medidas não medicamentosas, que auxiliam no controle glicêmico, e para isso, é essencial um trabalho multidisciplinar de médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, educador físico, entre outros profissionais, para a educação geral sobre o diabetes com ênfase no autocuidado. Voltando à nossa situação problema, em que Paulo foi diagnosticado com diabetes mellitus tipo 1, caracterizado pela deficiência na produção de insulina pelas células beta pancreáticas, o princípio terapêutico é a reposição dessa insulina, por meio da insulinoterapia, associado a uma alimentação balanceada, prática de atividade física, e o acompanhamento do jovem por uma equipe multidisciplinar. VÍDEO RESUMO Você conhece o processo de digestão dos alimentos? A digestão e absorção de alimentos são processos essenciais no sistema digestivo humano, responsáveis por quebrar os alimentos em nutrientes e absorvê-los para fornecer energia e sustentar as funções do corpo. Esses processos envolvem várias etapas e órgãos do sistema digestivo. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 36/80 Saiba mais As complicações ocasionadas pelo diabetes mellitus aumentam de acordo com a gravidade e duração da hiperglicemia, representando causas significativas de morbilidade e mortalidade. Faça a leitura do artigo Diabetes mellitus e suas complicações – uma revisão sistemática e informativa para compreender quais são as complicações geradas a um indivíduo com diabetes mellitus, cuja doença não é controlada. INTRODUÇÃO Olá, estudante, como vai? Nesta aula, você vai conhecer a anatomia, a histologia e as principais secreções de glândulas muito importantes do nosso sistema endócrino, a hipófise e a tireoide. Por muito tempo a hipófise foi chamada de “glândula mestra” porque secreta diversos hormônios que controlam outras glândulas endócrinas, mas hoje sabemos que a hipófise tem um “mestre”, que é o hipotálamo. Dessa forma, vamos compreender o papel do hipotálamo no controle da secreção hormonal, além de conhecer os hormônios secretados pela hipófise e pela tireoide, hormônios estes que desempenham importantes funções na regulação do crescimento, do desenvolvimento, do metabolismo e da homeostasia. Você vai conhecer principalmente sobre o hormônio do crescimento e os hormônios tireoidianos, tiroxina e tri-iodotiroxina e seus efeitos nos diversos tecidos. Vamos continuar aprofundando nosso conhecimento no sistema endócrino? O EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE E TIREOIDE Hipotálamo e hipófise O hipotálamo é a região do cérebro envolvida na coordenação das respostas fisiológicas de diferentes órgãos que, em seu conjunto, mantêm a homeostasia. Essa pequena região é a principal conexão entre os sistemas nervoso e endócrino, recebendo sinais provenientes do ambiente, de outras regiões do cérebro e de aferentes viscerais, estimulando respostas neuroendócrinas apropriadas. O hipotálamo coordena diversas atividades do Aula 3 O EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE E O CONTROLE DA LIBERAÇÃO HORMONAL Nesta aula, você vai conhecer a anatomia, a histologia e as principais secreções de glândulas muito importantes do nosso sistema endócrino, a hipófise e a tireoide. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 37/80 https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/24958/19902 sistema endócrino através de três mecanismos: secreção de hormônios reguladores da adeno-hipófise, produção de hormônio antidiurético (ADH) e ocitocina, e controle neural sobre a atividade secretora da medula adrenal. A hipófise, também chamada de glândula pituitária, pesa aproximadamente seis gramas e é o centro mais compacto de produção química do corpo. Está localizada em uma bolsa, chamada sela turca, do osso esfenoide, na base do encéfalo, exatamente abaixo do hipotálamo. A hipófise está conectada ao hipotálamo por um pedículo, o infundíbulo, e apresenta duas partes anatômica e funcionalmente separadas: o lobo posterior, composto por tecido nervoso (neuro-hipófise) e o lobo anterior, composto por tecido epitelial glandular (adeno-hipófise). Figura 1 | Localização do hipotálamo, infundíbulo, a hipófise e seus lobos 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 38/80 Fonte: adaptada de Visible Body (2019, [s. p.]). A neuro-hipófise, juntamente ao hipotálamo, formam um sistema neuroendócrino, formado por uma população de neurônios neurossecretores cujos corpos celulares ficam em dois agrupamentosdo hipotálamo, os núcleos supraótico e paraventricular. Os axônios desses neurônios se estendem desses núcleos através do infundíbulo, e fazem trajeto até os terminais sinápticos da parte nervosa da neuro-hipófise. Além dos terminais neurais, encontramos na neuro-hipófise células de apoio, semelhantes a glia, conhecidas como pituícitos e vasos sanguíneos (Figura 2). Figura 2 | Parte nervosa da neuro-hipófise: podem ser vistos alguns corpos de Herring, que são terminais de axônios. Observam-se algumas hemácias (em verde) dentro de capilares sanguíneos. Os núcleos são, em sua maioria, de pituícitos (seta). Coloração: Tricrômico de Mallory Fonte: Junqueira e Carneiro (2023, p. 430). 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 39/80 A neuro-hipófise não sintetiza efetivamente nenhum hormônio, ela simplesmente armazena e, de acordo com o estímulo, libera, separadamente, dois hormônios peptídicos no sangue, a ocitocina e o hormônio antidiurético (ADH), também chamado de vasopressina. Esses dois hormônios são sintetizados nos núcleos supraóptico e paraventiculares do hipotálamo, sendo cada um deles, produzidos em tipos celulares separados. Uma vez sintetizados, esses hormônios são empacotados em vesículas secretoras e transportados até a neuro-hipófise através das longas projeções dos neurônios (axônios). Nas terminações neurais, conhecidas como corpos de Herring, os hormônios permanecem estocados até que haja um estímulo para a sua secreção (Figura 3). Quando um estímulo chega ao hipotálamo, o ADH ou a ocitocina são secretadas no sangue pela neuro- hipófise por meio da exocitose. Essa liberação hormonal é ativada em resposta a potenciais de ação que se que originam no corpo celular do hipotálamo e percorrem todo o axônio até o terminal neural na neuro- hipófise. Os dois hormônios secretados pela neuro-hipófise são chamados também de neurossecreções, pois são substâncias produzidas e armazenadas por neurônios. Figura 3 | Relação entre o hipotálamo e a neuro-hipófise 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 40/80 Fonte: Silverthorn (2017, p. 211). Os dois neuro-hormônios da neuro-hipófise são compostos de nove aminoácidos cada. O hormônio antidiurético (ADH), ou vasopressina, é secretado em resposta a uma variedade de estímulos, principalmente à elevação da concentração de eletrólitos no sangue ou à queda do volume sanguíneo ou pressão arterial. Como o próprio nome sugere, o hormônio antidiurético faz com que os rins devolvam mais água para o sangue, diminuindo o volume urinário para manter o equilíbrio hídrico do corpo. Este hormônio também diminui a perda de água pela sudorese e atua sobre as células musculares lisas ao redor dos vasos, causando 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 41/80 vasoconstrição, contribuindo para a elevação da pressão sanguínea. O hipotálamo regula a liberação de ADH por meio de osmorreceptores, que detectam alterações na pressão osmótica dos líquidos corporais. A desidratação, por exemplo, aumenta a concentração de solutos no sangue e os osmorreceptores sinalizam a neuro-hipófise para liberar ADH, fazendo com que os rins conservem água. As funções da ocitocina são mais conhecidas nas mulheres, este hormônio age estimulando a contração dos músculos lisos da parede uterina durante o parto, e provocando a contração das glândulas mamárias causando a ejeção do leite durante o aleitamento materno. Durante o trabalho de parto, o estiramento do colo uterino da gestante desencadeia a liberação de sinais nervosos que passam do hipotálamo para a neuro- hipófise levando a um aumento na secreção de ocitocina, que, por sua vez, intensifica a contração do músculo liso uterino (Figura 4). Após o nascimento, a sucção pela criança ao mamar, estimula a liberação de ocitocina através de células sensoriais nos mamilos que enviam sinais neurais ao hipotálamo, ativando a sua síntese e liberação. Figura 4 | Controle hormonal das contrações uterinas durante o trabalho de parto Fonte: Silverthorn (2017, p. 17). 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 42/80 A adeno-hipófise representa 75% do peso total da hipófise e consiste em duas partes: parte distal, que representa a maior porção, e parte tuberal, que forma uma bainha ao redor do infundíbulo. Cinco tipos de células da parte distal da adeno-hipófise são responsáveis pela síntese hormonal: somatotróficas, corticotróficas, tireotróficas, gonadotróficas e lactotróficas. As células somatotróficas representam 30 a 40% das células da parte distal e secretam hormônio do crescimento (GH), também conhecido como somatotrofina. O GH é um hormônio peptídico, sendo o principal responsável na regulação do crescimento geral do corpo e aspectos do metabolismo. As células corticotróficas representam cerca de 20% das células da parte distal e secretam hormônio adenocorticotrófico (ACTH), também conhecido como corticotrofina, um hormônio peptídico de cadeia única de 39 aminoácidos que estimula o córtex da glândula suprarrenal a secretar glicocorticoides como o cortisol. As células tireotróficas secretam o hormônio tireoestimulante (TSH) ou tireotrofina, uma glicoproteína responsável por controlar as secreções e outras atividades da glândula tireoide. As gonadotróficas secretam duas glicoproteínas, o hormônio foliculoestimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), que atuam sobre as gônadas. O FSH ajuda a regular a produção de gametas (óvulos e espermatozoides) e também, promove a secreção de estrogênio pelos ovários. O LH provoca a ovulação e secreção de progesterona nas mulheres, e estimula a produção de andrógenos (hormônios sexuais) pelas células dos testículos nos homens. As células lactotróficas ou mamotróficas, secretam prolactina (PRL), um hormônio peptídico que estimula a secreção e produção de leite nas glândulas mamárias. Entre os demais hormônios da hipófise anterior, o PRL é o único que não estimula a secreção de outro hormônio. Na parte distal, as células estão organizadas em cordões sustentados por fibras reticulares do tecido conjuntivo, e entre os cordões, há capilares sanguíneos de calibres variados. Embora cinco populações de células da adeno-hipófise sejam conhecidas, somente três tipos podem ser diferenciados através de colorações rotineiras, essas são classificadas como cromófilas – subdividida em acidófilas e basófilas – e cromófobas, tipo de célula que se cora pouco ou não se cora devido à pouca quantidade ou ausência de grânulos de secreção em seu citoplasma (Figura 5). Figura 5 | Parte distal da adeno-hipófise. Células endócrinas organizadas em cordões ou ilhas. Células acidófilas coradas por corantes ácidos. Células basófilas coradas por corantes básicos. Células cromófobas pouco coradas. Capilares sanguíneos são observados (*). Coloração: Hematoxilina e eosina 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 43/80 Fonte: Junqueira e Carneiro (2023, p. 427). Quadro 1 | Células secretoras da parte distal da adeno-hipófise e seus hormônios Tipo celular Afinidade tintorial Hormônio produzido Somatotrófica Acidófila Hormônio do crescimento ou somatotrotofina (GH) Lactotrófica Acidófila Prolactina (PRL) Gonadotrófica Basófila Hormônio foliculoestimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH) Tireotrófica Basófila Hormônio estimulante da tireoide ou tireotropina (TSH) Corticotrófica Basófila Hormônio adrenocorticotrófico ou corticotrofina (ACTH) Fonte: adaptado de Junqueira e Carneiro (2023, p. 429). A síntese de hormônios pelas células da parte distal da adeno-hipófise é regulada principalmente pelo hipotálamo. Neurônios dos núcleos dorsomediano e dorsoventral localizados próximos à fixação do infundíbulo secretam hormônios reguladores da adeno-hipófiseno líquido intersticial, esses podem ser hormônios liberadores hipotalâmicos, que são hormônios estimulatórios da função das células da parte distal; ou hormônios com ação inibitória, reprimindo a liberação dos hormônios da adeno-hipófise. Como vimos, a comunicação entre o hipotálamo e a adeno-hipófise é crucial na regulação da secreção hormonal, essa comunicação ocorre através do sistema porta-hipofisário, um sistema vascular especializado que conecta diretamente o hipotálamo à adeno-hipófise. As artérias hipofisárias superiores levam sangue ao hipotálamo, na junção do hipotálamo e do infundíbulo. Essas artérias se dividem em uma rede capilar chamada de plexo primário do sistema porta-hipofisário. Do plexo primário, o sangue drena para as veias porta-hipofisárias, que, ao alcançaram a adeno-hipófise, se dividem mais uma vez formando um segundo plexo de rede capilar, o plexo secundário do sistema porta-hipofisário. Neurônios hipotalâmicos próximos à 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 44/80 fixação do infundíbulo, liberam hormônios reguladores nos líquidos intersticiais circulantes, estes ficam envolvidos em vesículas nos terminais axônicos até que impulsos nervosos promovam a exocitose. Uma vez que houve a exocitose, os hormônios se difundem para o plexo primário do sistema porta-hipofisário e rapidamente fluem para as veias porto-hipofisárias até chegar ao plexo secundário, permitindo que os hormônios hipotalâmicos atuem diretamente nas células da parte distal da adeno-hipófise. Glândula tireoide A glândula tireoide está localizada logo abaixo da laringe e apresenta formato de borboleta, composta por dois lobos, um em cada lado da traqueia, conectados por um istmo (Figura 6). Esta glândula é composta por muitos folículos tireoidianos, revestido por células foliculares, que geralmente apresentam forma cúbica, mas pode variar de plana até cilíndrica, dependendo da atividade secretora do folículo. O interior dos folículos tireoidianos é preenchido por uma substância denominada coloide, em que se encontram os precursores dos hormônios tireoidianos. A tireoide é a única glândula endócrina que acumula seu produto de secreção em grande quantidade. Entre os folículos, podem ser encontradas algumas células chamadas de células parafoliculares, organizadas em agrupamentos externos ao epitélio folicular (Figura 7). Figura 7 | Glândula tireoide formada por folículos tireoidianos (F), preenchidos por coloide (C). Os folículos tireoidianos são revestidos por um epitélio simples cúbico de células foliculares (seta), externamente aos folículos são observadas as células parafoliculares (PF). Coloração: Hematoxilina e eosina Fonte: Junqueira e Carneiro (2023, p. 440). O coloide tireoidiano é composto principalmente por tireoglobulina, uma glicoproteína que se liga a átomos de iodo para formar os hormônios tireoidianos: a tri-iodotironina (T3), que contém três átomos de iodo, e a tiroxina (T4), também chamada de tetraiodotironina, que contém quatro átomos de iodo. O coloide, Figura 6 | Glândula tireoide Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Fonte: Sketchfab. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 45/80 juntamente com os hormônios contidos nele é reabsorvido pelas células foliculares para que haja a secreção desses hormônios. Síntese e secreção de T3 e T4 O retículo endoplasmático rugoso e o complexo de Golgi das células foliculares sintetizam e secretam tireoglobulina, que por exocitose são transferidas para o coloide folicular. As células foliculares captam o iodeto circulante, obtido pela alimentação, transportando-o ativamente do sangue para o coloide através de uma bomba de iodeto. Uma vez no coloide, o iodeto é rapidamente oxidado pela enzima tireoperoxidase acompanhada de peróxido de hidrogênio, formando iodeto “ativo” que se liga a aminoácidos específicos (tirosina) da tireoglobulina. O acoplamento de um iodeto à tirosina forma monoiodotirosina (MIT ou T1) e o acoplamento de dois iodetos forma di-iodotirosina (DIT ou T2). Depois que T1 e T2 são formadas, ocorre um processo de acoplamento dentro da molécula de tireoglobulina, em que o acoplamento de uma T1 (monoiodotirosina) e uma T2 (di-iodotirosina) produz trio-iodotirosina (T3) e o acoplamento de duas T2 produz a tiroxina (T4). Os hormônios da tireoide permanecem armazenados acoplados à tireoglobulina no coloide até serem separados e secretados. Para que ocorra a secreção dos hormônios tireoidianos no sangue, extensões das membranas das células foliculares voltadas para o coloide incorporam parte dele por endocitose. No citoplasma, as vesículas de endocitose fundem-se aos lisossomos e a tireoglobulina é hidrolisada pelas enzimas lisossômicas, liberando T3 e T4 as quais vão se difundir para fora da célula folicular através da membrana plasmática para o líquido intersticial e, em seguida, para o sangue. Uma vez no sangue, os hormônios da tireoide, altamente lipofílicos (insolúveis em água), se ligam rapidamente a proteínas plasmáticas, principalmente às proteínas ligadoras de tiroxina (TBG) e à albumina. Somente uma pequena porção livre pode ser detectada no plasma. Cerca de 90% dos hormônios produzidos pela tireoide está na forma de T4, no entanto o T3 é mais potente em sua atividade biológica, dessa forma, grande parte da T4 é convertida em T3 ao perder um de seus iodetos fora da glândula tireoide, principalmente no fígado e nos rins. As funções de T3 e T4 no organismo são muito amplas e abrangem a regulação do metabolismo, produção de calor, crescimento e diferenciação celular, e o desenvolvimento embrionário. CONTROLE DA SECREÇÃO HORMONAL Controle da secreção hormonal pela hipófise O controle da secreção dos hormônios da neuro-hipófise é realizado por meio de sinais neurais, cuja origem é no hipotálamo e terminam na região hipofisária posterior. Já o controle da secreção dos hormônios da adeno- hipófise é feito através de hormônios liberadores e inibidores que são produzidos pelos neurônios do hipotálamo e transportados através do plexo capilar até chegar à região hipofisária anterior. De forma geral, os hormônios hipotalâmicos que regulam a função da adeno-hipófise são chamados de hormônios hipofisiotróficos, sendo que cada um deles, é o primeiro de uma sequência de três hormônios: um hormônio hipofisiotrófico (hormônio 1) controla a secreção de um hormônio da adeno-hipófise (hormônio 2), que controla a secreção de um hormônio (hormônio 3) por alguma outra glândula endócrina que vai atuar sobre as células-alvo (Figura 8). 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 46/80 Figura 8 | Padrão sequencial típico de secreção hormonal pela adeno-hipófise Fonte: Widmaier et al. (2017, p. 346). Os principais hormônios hipofisiotróficos são: Hormônio liberador de tireotrofina (TRH), que provoca a liberação de TSH. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 47/80 Hormônio liberador de corticotrofina (CRH), que provoca a liberação de ACTH. Hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH), que provoca a liberação de GH. Hormônio inibidor do hormônio do crescimento (GHIH), que inibe a liberação de GH. Hormônio liberador de gonadotrofina (LHRH ou GnRH), que provoca a liberação de FSH e LH. Hormônio inibidor da prolactina (PIH), que é a dopamina, e causa a inibição da secreção de prolactina. Além do controle pelos hormônios hipofisiotróficos, o controle de secreção desses hormônios ocorre também por meio da retroalimentação negativa, ou feedback negativo. Essa inibição é feita por hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas-alvo controladas pela hipófise. Um exemplo da retroalimentação negativa é mostrado na Figura 9, o ACTH estimula o córtex das glândulas adrenais a secretarglicocorticoides, principalmente o cortisol; por sua vez, níveis elevados de cortisol diminuem a secreção tanto de ACTH como do hormônio liberador de corticotrofina (CRH), suprimindo as atividades das células corticotróficas da adeno- hipófise e das células neurossecretoras hipotalâmicas. Figura 9 | Regulação das células hipotalâminas neurossecretoras e corticotróficas da adeno-hipófise por feedback negativo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 48/80 Fonte: Tortora e Derrickson (2019, p. 629). Hormônio do crescimento (GH) Todos os principais hormônios da adeno-hipófise atuam principalmente estimulando as glândulas-alvo como a glândula tireoide, o córtex adrenal, os ovários, os testículos e as glândulas mamárias. No entanto, o hormônio do crescimento (GH), exerce seus efeitos diretamente em todos, ou quase todos, os tecidos do corpo. O hormônio do crescimento (GH) ou somatotrofina é um hormônio peptídico, de 191 aminoácidos, secretado pelas células somatotróficas da adeno-hipófise. Os receptores de GH são encontrados em muitos tecidos e tipos celulares como fígado, osso, rim, tecido adiposo, músculo, olho, cérebro, coração e células do sistema imune. Sua principal função está relacionada ao estímulo da divisão e crescimento celular, promovendo a multiplicação e diferenciação específica de certos tipos celulares, principalmente as células de crescimento ósseo e muscular. Podemos citar como exemplo, a prática de atividade física, especialmente o treinamento de 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 49/80 resistência e exercícios intensos, em que ocorrem microlesões nos músculos, o GH, mediante sua capacidade de estimular o crescimento e a regeneração muscular, desempenha um papel importante no reparo dessas lesões, contribuindo assim, para o aumento da massa muscular. Além de seu efeito no crescimento, o GH apresenta também efeitos metabólicos específicos, aumentando a síntese proteica na maioria das células do corpo, aumento no nível de ácidos graxos livres no sangue promovendo seu uso como fonte de energia, e reduzindo a taxa de utilização de glicose. De forma geral, o GH aumenta a quantidade de proteína corporal, utiliza as reservas de energia do tecido adiposo e conserva os carboidratos. O GH promove a síntese e secreção de pequenos hormônios proteicos chamados fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGFs) ou somatomedinas. Em resposta ao GH, as células do fígado, ossos, cartilagens, músculo esquelético e outros tecidos, secretam IGFs que atuam sobre as células-alvo, promovendo o crescimento dos tecidos moles e dos ossos (Figura 10). A secreção de GH ocorre de forma pulsátil, aumentando e diminuindo, e a maior parte da secreção é noturna, ocorrendo em associação ao sono profundo. Após a adolescência, a secreção de GH diminui lentamente com o passar dos anos, até cair para cerca de 25% em pessoas idosas em comparação ao nível encontrado na adolescência. Sua atividade secretora é controlada principalmente por dois hormônios do hipotálamo: o hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH) e o hormônio inibidor do hormônio do crescimento ou somatostatina (GHIH) (Figura 10). Fatores relacionados ao estado nutricional e estresse estimulam a sua secreção, por exemplo, em casos de deficiência proteica grave, hipoglicemia, exercício físico e traumatismo (Quadro 2). Figura 10 | Controle da secreção de GH e efeitos no corpo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 50/80 Fonte: Silverthorn (2017, p. 741) Quadro 2 | Fatores que inibem ou estimulam a secreção de GH Fatores que estimulam a secreção de GH Fatores que inibem a secreção de GH Hipoglicemia Hiperglicemia Diminuição de ácidos graxos no sangue Aumento de ácidos graxos livres no sangue Fome ou jejum, deficiência proteica Idade Traumatismo, estresse, excitação Obesidade Exercícios Exercícios Testosterona e estrogênio Hormônio do crescimento exógeno Grelina e hormônio liberador do hormônio do crescimento Fatores de crescimento semelhantes à insulina (somatomedinas) Fonte: adaptado de Hall e Hall (2021, p. 933). 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 51/80 Hormônios da tireoide Os hormônios tireoidianos, T3 e T4, são hormônios amínicos, lipossolúveis, derivados do aminoácido tirosina. Esses hormônios não possuem um órgão-alvo específico, uma vez que a maioria das células do corpo apresentam receptores. Como todos os hormônios lipossolúveis, os hormônios da tireoide atravessam a membrana plasmática das células e se liga a um receptor intracelular, mais especificamente nesse caso, a um receptor nuclear. Essa ligação altera a transcrição de RNAs mensageiros específicos, aumentando a síntese proteica, normalmente a síntese de enzimas, que executam uma resposta celular. Em comparação a outros hormônios, a ação dos hormônios tireoidianos é lenta, assim como a duração da resposta também é bastante longa, sendo expressiva por dias ou mesmo por semanas. Os hormônios da tireoide são essenciais para o crescimento e desenvolvimento normais, controlando a intensidade do metabolismo e, consequentemente, a função de praticamente todos os órgãos. Os efeitos biológicos específicos dos hormônios da tireoide variam de um tecido para outro. Para manter os níveis normais de atividade metabólica no organismo, os hormônios tireoidianos precisam ser secretados em uma quantidade ideal em todos os momentos. Para manter o nível ideal de secreção, mecanismos específicos de feedback atuam por meio do hipotálamo e da adeno-hipófise, controlando a secreção tireoidiana. O controle da secreção pela glândula tireoide ocorre da seguinte forma: Níveis reduzidos de T3 e T4 ou taxa metabólica baixa estimulam o hipotálamo a secretar TRH, o hormônio liberador de tireotrofina. O TRH alcança a circulação e flui até a adeno-hipófise, onde estimula as células tireotróficas a sintetizar e secretar o hormônio tireoestimulante (TSH). O TSH atua diretamente em todos os aspectos da atividade das células foliculares na glândula tireoide: aumenta a captação de iodo, o crescimento das células, a síntese e a secreção hormonal. As células foliculares, por sua vez, liberam T3 e T4 na corrente sanguínea, até que a taxa metabólica retorne ao normal. O aumento nos hormônios tireoidianos nos líquidos corporais inibe a síntese de TRH e TSH, consequentemente, diminuindo a atividade secretora da tireoide e estabelecendo um equilíbrio que mantém o organismo com quantidades adequadas de T3 e T4 (Figura 11). Figura 11 | Controle de secreção hormonal da glândula tireoide pelo hipotálamo e hipófise 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 52/80 Fonte: adaptada de Martini, Timmons e Tallitsch (2009, p. 549). Além de secretar esses dois hormônios da tireoide, as células extra foliculares da glândula tireoide secretam um hormônio chamado calcitonina. Esse hormônio diminui a concentração de íons de cálcio no sangue, inibindo a liberação desse íon dos ossos e aumentando a sua excreção pelos rins. EFEITOS DO GH E HORMÔNIOS DA TIREOIDE SOBRE OS ÓRGÃOS Uma das principais funções do sistema endócrino é controlar o crescimento. Diversos hormônios desempenham, direta ou indiretamente, funções importantes na inibição ou estimulação do crescimento, processo esse que também é influenciado pela genética e pelos fatores ambientais. Os hormônios mais importantes para o crescimento humano são o hormônio do crescimento (GH), fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF), T3, insulina, testosterona e estradiol, todos apresentando efeitos disseminados. Vamos compreender as ações do GH e dos hormônios tireoidianos no corpo, ações estas que influenciam tanto no crescimento como no metabolismo geral. GH e seusefeitos corporais O hormônio do crescimento, secretado pela adeno-hipófise, apresenta pouco efeito no crescimento fetal, no entanto, constitui o hormônio mais importante para o crescimento entre um a dois anos de idade. Nos ossos, o GH estimula o crescimento longitudinal, promovendo o alongamento do osso ao estimular a maturação e divisão celular dos condrócitos nas lâminas epifisárias, alargamento contínuo das lâminas proporcionando mais material cartilaginoso para a formação óssea. Sob influência do GH, o fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1) é secretado por diversos tipos de células, incluindo as células ósseas, onde vai atuar como substância autócrina ou parácrina estimulando a divisão celular dos condrócitos em diferenciação. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 53/80 Além do seu efeito específico na promoção do crescimento sobre a divisão celular, o GH estimula diretamente a síntese proteica em vários tecidos e órgãos, especialmente no músculo. O GH aumenta o transporte dos aminoácidos através da membrana plasmática para o interior das células, aumentando a concentração de aminoácidos, promovendo um aumento na síntese proteica. Mesmo quando as concentrações de aminoácidos não estão aumentadas nas células, o GH aumenta a tradução do RNA mensageiro, fazendo com que a síntese de proteínas pelos ribossomos ocorra em maiores quantidades. Este hormônio também estimula a transcrição de DNA no núcleo, levando à formação de RNA mensageiro, promovendo uma maior síntese de proteínas. Além do aumento na síntese proteica, o GH diminui a proteólise celular pois mobiliza grandes quantidades de ácidos graxos livres no tecido adiposo, que são utilizados para fornecer energia para as células. De forma geral, este hormônio aumenta quase todos os aspectos da captação de aminoácidos e sua incorporação em proteínas, proliferação celular e diminui a degradação de proteínas. No tecido adiposo, o GH apresenta um efeito específico estimulando a liberação dos ácidos graxos armazenados e a oxidação de ácidos graxos livres. Nos diversos tecidos do corpo, o GH aumenta a conversão desses ácidos graxos livres em acetil-CoA e sua utilização como fonte de energia, em vez da glicose. Dessa forma, o GH diminui a captação de glicose pelos tecidos, como o tecido muscular esquelético e adiposo e aumenta a produção de glicose pelo fígado. Esses efeitos provocados pelo GH são antagonistas aos provocados pela insulina, pois diminuem a utilização de glicose pelos tecidos, estimulando a gliconeogênese e levando a um aumento na concentração de glicose no sangue e, consequentemente, há um aumento compensatório da secreção de insulina. Por essas razões, os efeitos do GH são chamados de “diabetogênicos” e o excesso de secreção de GH pode produzir distúrbios metabólicos semelhantes aos encontrados em pacientes com diabetes tipo 2 em que há resistência insulínica. Muitas vezes, a mobilização de gordura do tecido adiposo sob influência de quantidades excessivas de GH provoca um efeito cetogênio. Com a oxidação dos ácidos graxos há liberação de grande quantidade de corpos cetônicos, formado pelo fígado e liberado nos líquidos orgânicos. Os principais efeitos do GH no organismo estão resumidos no Quadro 3. Quadro 3 | Principais efeitos do GH I. Promove o crescimento: induz as células precursoras dos ossos e de outros tecidos a sofrer diferenciação e secretar o IGF-1, que estimula a divisão celular. II. Estimula a síntese de proteínas, predominantemente no músculo. III. Efeitos anti-insulina (particularmente em altas concentrações): (a) Torna os adipócitos mais responsivos a estímulos que induzem a degradação dos triglicerídeos, liberando ácidos graxos na corrente sanguínea. (b) Estimula a glioneogênese pelo fígado. (c) Reduz a capacidade da insulina de estimular a captação de glicose pelas células adiposas e musculares, resultando em níveis mais altos de glicemia. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 54/80 Fonte: Widmaier et al. (2017, p. 362). Hormônios da tireoide e seus efeitos corporais Todas as células do corpo são afetadas direta ou indiretamente pelos hormônios da tireoide. Os efeitos desses hormônios são mediados principalmente pela regulação transcricional de genes-alvo, sendo conhecidos como efeitos genômicos. Além desses efeitos, os hormônios da tireoide também demonstraram promover efeitos não-genômicos, os quais não exigem a modificação da transcrição gênica. Os hormônios tireoidianos aumentam a atividade metabólica de quase todos os tecidos do corpo. O metabolismo basal pode aumentar de 60 a 100% acima do normal quando uma grande quantidade de hormônios tireoidianos é secretada, com isso, o metabolismo celular de carboidratos, lipídios e proteínas se torna mais intenso. Nas células, os hormônios da tireoide aumentam o número e a atividade mitocondrial, essa ação, por sua vez, aumenta a taxa de formação de trifosfato de adenosina (ATP) para fornecer energia para as funções celulares. Esses hormônios ainda aumentam o transporte ativo de íons de sódio e potássio através das membranas celulares, o que utiliza grandes quantidades de ATP, com a produção e utilização de energia, aumenta a produção de calor pelo organismo e a temperatura corporal sobe. Essa ação calorigênica representa uma fração significativa do calor total produzido diariamente por um indivíduo, dessa forma, essa ação é essencial para a homeostasia da temperatura corporal. No metabolismo de carboidratos, os hormônios da tireoide auxiliam na captação de rápida de glicose pelas células, o aumento da glicólise e da gliconeogênese, aumento da absorção de glicose pelo trato gastrointestinal e até mesmo, o aumento na secreção de insulina. Todos os aspectos do metabolismo das gorduras são aumentados pelos hormônios da tireoide, promovendo a lipólise no tecido adiposo, diminuindo o acúmulo de gordura no corpo e aumentando a concentração de ácidos graxos livres no plasma para serem utilizados como fonte de energia. A indução da lipólise pelos hormônios tireoidianos é mediada pelas catecolaminas como a epinefrina, em que na presença desses hormônios ocorre um efeito permissivo, aumentando o número de receptores nas células-alvo e consequentemente, potencializa a resposta hormonal. De forma geral, na regulação do metabolismo, os hormônios tireoidianos aumentam o uso de glicose e ácidos graxos para a produção de ATP, estimulam a síntese proteica, e ao intensificar a lipólise, aumenta a excreção do colesterol, reduzindo o nível de colesterol sanguíneo. O efeito metabólico dos hormônios da tireoide em níveis normais é favorecer o consumo ao invés do armazenamento de combustíveis corporais. Os hormônios tireoidianos são essenciais para o crescimento e desenvolvimento, pois estimula a secreção de GH e aumenta a produção de IGF-1 pelo fígado, assim como também promove os efeitos desses hormônios sobre a síntese de novas proteínas estruturais e crescimento esquelético. Os hormônios da tireoide são essenciais para o crescimento e desenvolvimento dos ossos através da diferenciação dos condrócitos, crescimento de novos vasos sanguíneos nos ossos em desenvolvimento e responsividade das células ósseas a outros fatores de crescimento. Na infância, esses hormônios são necessários para a expressão plena do GH, sua deficiência afeta o crescimento. Nos adultos, níveis excessivos desses hormônios estão relacionados a um risco aumentado para osteoporose. No sistema cardiovascular, os hormônios T3 e T4 apresentam papel crucial na regulação frequência cardíaca e na contratilidade do músculo cardíaco, afetando diretamente a pressão arterial e a regulação do fluxo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 55/80 sanguíneo. Eles também afetam a função das células endoteliaisque revestem o interior dos vasos, essa função é importante para a regulação do fluxo sanguíneo, resposta inflamatória e a prevenção na formação de coágulos sanguíneos. Além disso, esses hormônios exercem muitos efeitos sobre o sistema nervoso central durante o desenvolvimento fetal, controlando a expressão de genes envolvidos na mielinização, na diferenciação celular, na migração e na sinalização. Esses hormônios são necessários para o crescimento e o desenvolvimento dos axônios, se o feto não secretar quantidades suficientes de hormônio tireoidiano, o crescimento e maturação do cérebro são retardados. Nos adultos, os hormônios tireoidianos também exercem seus efeitos sobre o sistema nervoso, sendo necessários para os reflexos nervosos e musculares apropriados, bem como, para a cognição normal. Os hormônios tireoidianos ainda afetam vários aspectos do sistema digestivo, apresentando efeito direto na motilidade do trato gastrointestinal, influenciando na secreção de enzimas digestivas pelo pâncreas e outras glândulas, aumentando a absorção de nutrientes pelo intestino delgado como gorduras, carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais. Ainda, no trato gastrointestinal superior, os hormônios tireoidianos podem afetar o funcionamento das glândulas salivares e o esôfago, influenciando indiretamente a digestão. Na função sexual, os hormônios da tireoide exercem importantes funções. A atividade normal da tireoide na secreção hormonal é necessária para a foliculogênese, sobrevida das células da granulosa, espermatogênese, fertilização, função placentária e gestação. Quadro 4 | Principais efeitos dos hormônios tireoidianos Sistema/Processo Efeitos dos hormônios tireoidianos Metabolismo geral Aumento do metabolismo basal e da produção de calor. Sistema cardiovascular Aumento da frequência cardíaca e do débito cardíaco e elevação da pressão arterial. Sistema muscular Estímulo à síntese de proteínas musculares e melhora na contratilidade muscular. Sistema nervoso Influência no desenvolvimento cerebral e cognitivo. Metabolismo lipídico Regulação no metabolismo de lipídios e colesterol. Sistema digestivo Aumento da motilidade gastrointestinal e estímulo à secreção de enzimas digestivas. Sistema reprodutivo Regulação da função ovariana e testicular. Influência na fertilidade e função reprodutiva. Crescimento e desenvolvimento Estímulo ao crescimento linear e desenvolvimento. Importante para o desenvolvimento ósseo. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 56/80 Fonte: adaptado de Tortora e Derrickson (2016, p. 638). VÍDEO RESUMO Neste vídeo, vamos compreender sobre as glândulas hipófise e tireoide no sistema endócrino, estas que secretam hormônios importantíssimos para a regulação do crescimento, desenvolvimento e metabolismo corporal. Quais são os principais hormônios produzidos por essas glândulas? Como esses hormônios atuam no nosso organismo? Qual a relação dessas glândulas com o hipotálamo? Saiba mais A gestação está associada a um declínio do iodo no organismo materno, e a ingestão insuficiente desse nutriente pela gestante afeta negativamente a saúde do feto e do recém-nascido, podendo trazer consequências que podem perdurar por toda a vida. Você já sabe que o iodo é um constituinte primordial na biossíntese dos hormônios tireoidianos, T3 e T4, e que estes, desempenham funções importantes no desenvolvimento fetal, principalmente no desenvolvimento do sistema nervoso central. Faça a leitura do artigo Estado nutricional de iodo na gestação e sua influência na saúde do binômio mãe- filho para compreender sobre o impacto da deficiência de iodo na gestação, tanto para o feto quanto para a mãe. INTRODUÇÃO Olá, estudante! Como vai? Como você já sabe, os hormônios, secretados pelas glândulas endócrinas, desempenham diversas funções e atividades que são essenciais no nosso organismo. Dessa forma, para manter o controle dos processos fisiológicos, o corpo depende do sistema endócrino, e o mau funcionamento desse sistema influencia em diversos processos sistêmicos. Nesta aula, vamos conhecer os principais distúrbios endócrinos relacionados ao eixo hipotálamo-hipófise, com ênfase nos distúrbios do hormônio do Aula 4 DOENÇAS E FARMACOTERAPIAS RELACIONADAS AOS HORMÔNIOS NÃO DERIVADOS DO COLESTEROL Nesta aula, vamos conhecer os principais distúrbios endócrinos relacionados ao eixo hipotálamo- hipófise, com ênfase nos distúrbios do hormônio do crescimento, nos distúrbios relacionados aos hormônios tireoidianos e o impacto destes no nosso organismo. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 57/80 https://doi.org/10.21527/2176-7114.2020.41.62-67 https://doi.org/10.21527/2176-7114.2020.41.62-67 crescimento, nos distúrbios relacionados aos hormônios tireoidianos e o impacto destes no nosso organismo. Além disso, você vai compreender a farmacoterapia para esses distúrbios e os principais exames laboratoriais utilizados no seu diagnóstico. Vamos estudar? DISTÚRBIOS ENDÓCRINOS DO EIXO HIPOTÁLAMO-HIPOFISÁRIO E TIREOIDE Os distúrbios que acometem o sistema endócrino estão diretamente relacionados com o mau funcionamento das glândulas endócrinas, seja pelo excesso ou deficiência na produção hormonal, ou também, por uma responsividade alterada dos órgãos-alvos aos efeitos hormonais. A seguir, iremos caracterizar as principais doenças que envolvem o hormônio do crescimento e os hormônios da tireoide. Doenças do eixo hipotálamo-hipofisário associados ao hormônio do crescimento O sistema nervoso central, a hipófise e seus órgãos-alvo atuam em conjunto, integrando os inúmeros processos secretórios que ocorrem nos diferentes níveis de controle pelo eixo hipotálamo-hipófise. Figura 1 | Hipófise Fonte: adaptada de Shutterstock. Hipopituitarismo O hipopituitarismo consiste em uma deficiência de um ou mais hormônios hipofisários, podendo ser uma condição congênita ou adquirida. O termo pan-hipopituitarismo é utilizado quando há uma redução nos níveis de todos ou vários hormônios hipofisários ao mesmo tempo. Esta é uma condição rara, que pode ter várias etiologias e o quadro clínico varia de acordo com a deficiência hormonal, a velocidade de instalação da doença, o sexo, a idade e a causa. O hipopituitarismo é um evento primariamente causado pela destruição da adeno-hipófise, mas pode 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 58/80 ocorrer também pela destruição de fatores estimulantes hipotalâmicos que normalmente atuam sobre a adeno-hipófise. Diversas são as causas que podem levar à hipofunção da adeno-hipófise como neoplasias hipofisárias e hipotalâmicas, lesão cerebral traumática e hemorragia subaracnóidea, cirurgia ou radioterapia da hipófise, necrose isquêmica da hipófise, distúrbios inflamatórios e infecciosos, e defeitos genéticos. A causa mais comum de hipopituitarismo são tumores hipofisários ou consequência de seu tratamento, como cirurgia ou radioterapia. A deficiência isolada do hormônio do crescimento (GH) ou de gonadotrofinas é a mais comum no hipopituitarismo. O tratamento do hipopituitarismo é direcionado às doenças subjacentes e terapia de reposição hormonal. Quando causado por tumores hipofisários, deve ser tratado com cirurgia, radioterapia ou combinação dessas modalidades. Gigantismo e acromegalia Por sua vez, a secreção excessiva do GH pode ocasionar duas condições: Gigantismo: é caracterizado pelo excesso de GH antes da adolescência, em que as células somatotróficas da adeno-hipófise tornam-se excessivamente ativas, pela presença de um tumor ou adenoma, ou por uma disfunção hipotalâmica com hipersecreção de GHRH. Nesta condição, todos os tecidos do corpo crescem rapidamente, quando inicia na infância, pode levar a uma estatura excepcional, chegando até 2,5 metros de altura. Acromegalia: é uma doença sistêmica crônica ocasionadapela produção excessiva do hormônio do crescimento (GH) e, consequentemente, de fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), após a adolescência. Na maioria dos casos, a acromegalia é causada por um adenoma hipofisário originado das células somatotróficas. O tratamento desses distúrbios visa reduzir os níveis elevados de hormônio do crescimento e normalizar os sintomas associados, algumas das abordagens terapêuticas incluem: a remoção cirúrgica do adenoma produtor de hormônio do crescimento para normalizar os níveis hormonais, radioterapia é uma opção para casos em que a cirurgia não é bem-sucedida ou quando o paciente não é um candidato adequado para cirurgia, e o uso de medicamentos que podem ser usados para controlar a produção excessiva de hormônio do crescimento ou bloquear seus efeitos, os quais serão abordados ainda nesta aula. Distúrbios da tireoide As doenças da tireoide incluem condições associadas à alteração da função tireoidiana, sendo classificadas como hipotireoidismo (baixa função da tireoide) ou hipertireoidismo (função excessiva da tireoide). Essas alterações podem ser congênitas ou adquiridas e sua duração pode ser transitória ou permanente. Doenças autoimunes desempenham papel importante na doença tireoidiana, as respostas imunes anormais relacionadas aos hormônios tireoidianos podem resultar em dois processos patogênicos: hiperplasia da glândula tireoide na Doença de Graves e destruição da tireoide na tireoidite de Hashimoto. Hipotireoidismo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 59/80 O hipotireoidismo é caracterizado pela síntese ou ação deficiente dos hormônios tireoidianos, essa condição apresenta alta prevalência, principalmente em mulheres e idosos. Esse distúrbio pode ser classificado em três tipos: primário, de causa tireoidiana; secundário, de causa hipofisária; ou terciário, de causa hipotalâmica. O hipotireoidismo primário é o mais comum, causado principalmente por doença autoimune, conhecida como tireoidite de Hashimoto, que leva à destruição do parênquima da glândula, entretanto, pode ser causado também em consequência do uso de radioiodo no tratamento de hipertireoidismo, radioterapia cervical, medicamentos tóxicos à tireoide, defeitos enzimáticos congênitos, deficiência de iodo, entre outras etiologias. Esta condição é caracterizada pela redução dos hormônios T3 e T4 e elevação do hormônio tireoestimulante (TSH). O hipotireoidismo secundário é causado por uma doença hipofisária que compromete a síntese de TSH, de forma que não se consegue obter o estímulo necessário sobre a glândula tireoide na secreção de seus hormônios. As causas mais comuns são tumores na região hipotálamo-hipofisária e tratamentos cirúrgicos e/ou radioterápicos dessas lesões. Já o hipotireoidismo terciário é causado pela incapacidade do hipotálamo em secretar o hormônio liberador de tireotrofina (TRH) em quantidades suficientes para estimular a hipófise a produzir TSH. É a causa mais rara de hipotireoidismo, e geralmente está associada a doenças hipotalâmicas, seja tumoral, infecciosa ou inflamatória. O objetivo do tratamento no hipotireoidismo é, primeiramente, restaurar os níveis de hormônios tireoidianos, para que dessa forma os sintomas sejam aliviados com a reversão das alterações bioquímicas causadas pelo hipotireoidismo. Hipertireoidismo O hipertireoidismo se refere a uma atividade funcional excessiva da glândula tireoide, na maioria dos pacientes, essa glândula aumenta de duas a três vezes acima do seu tamanho normal, aumentando o número de células e consequentemente, aumentando a taxa de secreção dos hormônios tireoidianos. A doença de Graves é a forma mais comum de hipertireoidismo, sendo caracterizada como uma doença autoimune, na qual os anticorpos antirreceptores de TSH estimulam a produção do hormônio tireoestimulante, aumentando a produção e liberação dos hormônios tireoidianos. Figura 2 | Comparação entre a tireoide saudável, hipertireoidismo e doença de Graves 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 60/80 Fonte: adaptada de Shutterstock. O hipertireoidismo resultante de um adenoma hiperfuncionante da tireoide é a segunda causa mais comum de hipertireoidismo. É causado por uma mutação somática ativadora em algum gene regulador da atividade das células foliculares, determinando um aumento de sua função e produção hormonal independente do estímulo pelo TSH. O tratamento do hipertireoidismo visa normalizar os níveis hormonais e aliviar os sintomas associados à condição. Nesse caso, podemos ter o uso de medicamentos anti-tireoidianos, que ajudam a reduzir a produção dos hormônios tireoidianos, o iodo radioativo e até mesmo a tireoidectomia, remoção cirúrgica de parte ou toda a glândula tireoide. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO As manifestações clínicas dos diversos distúrbios endócrinos e a forma de diagnóstico variam de acordo com o hormônio afetado. A seguir, vamos entender mais sobre esse assunto e comentar como essas doenças podem ser tratadas. Manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento de doenças do eixo hipotálamo-hipofisário Hipopituitarismo O desenvolvimento de sinais e sintomas do hipopituitarismo frequentemente é lento e insidioso, a sintomatologia geralmente é inespecífica, podendo se manifestar como fraqueza, mal-estar, letargia, frio, perda de apetite, dor abdominal, entre outros, variando de acordo com o eixo hipofisário atingido. Os hormônios mais afetados no hipopituitarismo são o hormônio do crescimento (GH) e as gonadotrofinas, hormônio luteinizante (LH) e hormônio foliculoestimulante (FSH). Neste momento, vamos dar enfoque ao hipopituirarismo relacionado ao hormônio do crescimento. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 61/80 A deficiência de GH no período neonatal e na infância leva a um déficit no crescimento e ganho de peso, causando baixa estatura, retardo no desenvolvimento ósseo, alterações na dentição, voz fina e estridente. A maioria dos casos de nanismo resulta da deficiência generalizada na secreção de GH, em que todas as partes do corpo se desenvolvem proporcionalmente, no entanto, a taxa de desenvolvimento é muito diminuída. Nos adultos, a deficiência de GH causa um quadro clínico mais inespecífico, o paciente pode apresentar fraqueza, fadiga, indisposição, perda de massa óssea podendo levar à osteopenia, osteoporose e a fraturas, redução da massa magra, aumento de massa gorda e obesidade visceral, entre outros. Na investigação laboratorial da deficiência de GH os níveis séricos desse hormônio não são úteis, uma vez que sua liberação é pulsátil e apresenta tempo de meia-vida curto. A dosagem do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1) e de sua proteína carreadora (IGFBP-3) é o exame de triagem para o diagnóstico dessa deficiência, em que ambos se encontram diminuídos. O padrão-ouro para o diagnóstico de nanismo é o teste de intolerância à insulina (ITT), em que se aplica 0,1 ui/kg de insulina intravenosa e mede-se o GH e a glicemia nos tempos 0, 15, 30, 45, 60 e 90 minutos. A hipoglicemia inibe a secreção de somatostatina e estimula os receptores alfa-adrenérgicos aumentando a secreção de GH. Sugere-se deficiência de GH adultos com dosagens de GHpodem ficar desproporcionalmente longos em relação ao tronco. O rosto pode se tornar mais proeminente, a pele se torna mais grossa e oleosa, podendo aparecer com frequência acnes e cistos. O excesso de GH também pode levar ao desenvolvimento de complicações metabólicas como a resistência à insulina e o diabetes mellitus. O excesso de GH e IGF-1 na acromegalia pode levar a diversas manifestações clínicas como a alteração na fisionomia por meio do crescimento de extremidades ósseas e partes moles como as mãos, os pés, o alargamento do nariz, a proeminência frontal e mandibular (Figura 3), a artrite degenerativa relacionada ao crescimento excessivo do tecido cartilaginoso e sinovial dentro das articulações, a cefaleia, a voz grave, a hiperidrose, a hipertensão, a disfunção cardíaca, resistência à insulina, a dislipidemia, entre outros. O diagnóstico da acromegalia geralmente é tardio, em uma fase em que a maioria dos pacientes já apresenta características clínicas irreversíveis. Figura 3 | Paciente com acromegalia. A testa se inclina para a frente devido ao excesso de desenvolvimento das cristas supraorbitais, o nariz aumenta até duas vezes em relação ao tamanho normal 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 62/80 Fonte: Hall e Hall (2021, p. 936). No diagnóstico laboratorial, tanto da acromegalia como do gigantismo, a dosagem basal de GH pode ter um valor diagnóstico limitado, pois há flutuações dos níveis séricos desse hormônio ao longo do dia, no entanto, pacientes com acromegalia podem apresentar níveis de GH acima de 1 ng/ml. Os valores de IGF-1 são mais estáveis que os de GH, sendo mais confiáveis e fidedignos para avaliar a doença. Para confirmação diagnóstica em casos de valores discordantes ou intermediários de GH e IGF-1, deve-se realizar o teste de tolerância oral à glicose (TOTG). O TOTG consiste em cinco dosagens séricas de GH, uma antes e quatro após a administração oral de 75g de glicose, em amostras coletadas de 30 em 30 minutos durante 2 horas. Em indivíduos normais, a hiperglicemia inibe a secreção hipofisária de GH, o que não ocorre em pacientes com acromegalia ou gigantismo. O principal fator diferencial no diagnóstico dessas condições é a idade do paciente, uma vez que o gigantismo é identificado logo na infância, antes da adolescência, e a acromegalia ocorre após a adolescência. Quadro 1 | Critérios diagnósticos de acromegalia Confirmam o diagnóstico de acromegalia Excluem o diagnóstico de acromegalia GH > 1 ng/ml e IGF-1 elevado GHexplica os sintomas como intolerância ao calor, sudorese, pele quente e ruborizada. O aumento do metabolismo catabólico resulta em perda de peso e fraqueza muscular. Os indivíduos com hipertireoidismo podem apresentar manifestações cardíacas como aumento na contratilidade e frequência cardíaca, é comum haver taquicardia, palpitações e cardiomegalia. A hiperatividade do sistema nervoso simpático, devido ao aumento do estímulo beta-adrenérgico, produz tremor, hiperatividade, ansiedade, dificuldade de concentração e insônia. No sistema gastrointestinal, a hipermotilidade leva à hiperdefecação. A maioria das pessoas com doença de Graves apresenta algum grau de protusão ocular, condição chamada de exoftalmia, causada pelo edema dos tecidos retro orbitais e alterações degenerativas nos músculos extraoculares. A triagem para o diagnóstico de hipertireoidismo é feita a partir da dosagem de TSH, apresentando maior sensibilidade e especificidade, seguido da dosagem de T4 e, se necessário, T3 para a confirmação diagnóstica. Os achados laboratoriais incluem baixos níveis de TSH acompanhados de aumento de T4 livre. Nos casos em que os níveis de T4 estão diminuídos, é feita a medição dos níveis séricos de T3. Anticorpos contra antígenos tireoidianos são encontrados nas doenças autoimunes da tireoide, a dosagem de anti-TPO é realizada para o diagnóstico diferencial da etiologia autoimune, estando presente em 50 a 90% dos casos de doença de Graves. Os anticorpos anti-receptores de TSH (TRAb) estão presentes em até 95% dos pacientes com hipertireoidismo autoimune, sendo mais específicos no diagnóstico diferencial. O aparecimento do bócio, popularmente chamado de papo, muitas vezes está associado ao hipotireoidismo ou ao hipertireoidismo, é caracterizado pela hipertrofia e hiperplasia das células foliculares da tireoide, levando ao aumento da glândula. O tratamento do hipertireoidismo envolve diversas abordagens terapêuticas. Os medicamentos antitireoidianos, como o metimazol e a propiltiouracila (PTU), são frequentemente utilizados para reduzir a produção excessiva de hormônios tireoidianos pela glândula tireoide. Eles inibem a síntese dos hormônios tireoidianos e são indicados para pacientes com doença de Graves e outros tipos de hipertireoidismo. FARMACOTERAPIA APLICADA AOS DISTÚRBIOS ENDÓCRINOS Anteriormente, aprendemos a conceituar e diagnosticar doenças do eixo hipotálamo-hipofisário e distúrbios da tireoide, além disso, tivemos uma introdução sobre a forma de cuidar delas. Agora, vamos ampliar nossos conhecimentos sobre o tratamento dessas doenças. Tratamento de doenças do eixo hipotálamo-hipofisário A deficiência do hormônio do crescimento ou a falha de sua ação leva ao nanismo hipofisário, nessa condição, o GH é usado terapeuticamente, sendo melhor sucedido se iniciado precocemente. Clinicamente, está disponível o GH recombinante humano (somatropina), este é um produto sintético, que tem sua origem no DNA recombinante (sintetizado pela bactéria Escherichia coli) e é idêntica do GH humano e proporciona crescimento esquelético nas crianças, podendo alcançar crescimento linear satisfatório pela administração de somatropina subcutânea seis a sete vezes por semana. Embora a meia-vida circulante do GH seja curta, ele 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 66/80 induz a liberação de IGF-1 no fígado, mantendo sua meia-vida biológica na faixa de 9 a 17 horas, sendo, portanto, suficiente sua aplicação uma vez ao dia. Nos adultos, o GH recombinante humano é utilizado para suplementar a falta desse hormônio endógeno, aumentando a massa muscular, a densidade óssea e a espessura da pele, melhora o perfil cardiovascular com redução do colesterol total e do LDL-colesterol, melhorando a qualidade de vida do paciente. O IGF-1 deve ser dosado por seis semanas após iniciar o tratamento e a cada seis meses para acompanhamento. Em casos de baixa estatura devido à ausência de secreção de IGF-1 em resposta ao GH, o IGF-1 recombinante humano, conhecido como macasermina, constitui um tratamento efetivo para esses pacientes. Geralmente, o excesso de GH resulta de um adenoma somatotrófico, até recentemente, a cirurgia era considerada a única modalidade de escolha para o tratamento primário tanto no gigantismo como na acromegalia, no entanto, foram desenvolvidas diversas opções terapêuticas que tornam possível normalizar os níveis de IGF-1 e GH na maioria dos pacientes. De acordo com o que já sabemos, no tratamento farmacológico do gigantismo e da acromegalia, atualmente, três classes medicamentosas estão disponíveis: análogos de somatostatina, agonistas dopaminérgicos e antagonistas do receptor de GH. Os análogos de somatostatina (octreotida e lanreotida) são a primeira escolha de tratamento farmacológico. Como vimos anteriormente, esses análogos se ligam aos receptores de somatostatina, levando à inibição da liberação de GH. Esses fármacos promovem o controle bioquímico em 65% dos casos e também pode levar à redução da massa tumoral. Os agonistas dopaminérgicos constituem uma outra opção de tratamento, e podem ser utilizados junto aos análogos de somatostatina, aumentando a eficácia do tratamento. O agonista dopaminérgico disponível atualmente no Brasil é a cabergolina (CAB), esta apresenta afinidade de ligação ao receptor D2 da dopamina que é expresso em praticamente todos os somatotropinomas, dessa forma, suprimindo a secreção de GH. Dos antagonistas do receptor de GH, o pegvisomanto (PEG) é a única medicação dessa classe disponível atualmente. Esta é uma molécula análoga ao GH, que atua como agonista do receptor de GH, causando a inibição da produção de IGF-1 pelo fígado. Como atua perifericamente, nos receptores de GH, não tem ação no tumor, não sendo indicado como terapia primária, sendo reservado para os casos de falência na terapia com análogos de somatostatina ou terapia combinada com CAB. Por fim, a radioterapia é uma modalidade terapêutica eficaz no controle do gigantismo e da acromegalia, mas seu uso é restrito devido aos efeitos colaterais a longo prazo, e em razão da disponibilidade de outras modalidades terapêuticas. Seu uso está indicado em caso de falência no controle do adenoma ou no controle hormonal após tratamento cirúrgico e medicamentoso, ou para prevenção de crescimento de tumores recorrentes, principalmente aqueles com comportamento mais agressivo. Quadro 3 | Medicamentos disponíveis no tratamento de acromegalia e gigantismo Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 67/80 Farmacoterapia nos distúrbios tireoidianos Os hormônios tireoidianos utilizados no tratamento do hipotireoidismo podem ser de origem natural ou sintética, sendo os sintéticos mais utilizados por apresentarem potência mais uniforme do que quando comparados aos naturais. Seja de origem primária ou secundária, o fármaco de escolha no tratamento do hipotireoidismo é a levotiroxina (T4L), que rapidamente é convertida em T3 nos tecidos periféricos. Embora T3 seja a forma ativa e melhor absorvida pelo intestino, a administração de T4 mantêm os níveis sanguíneos mais estáveis por sua degradação ser mais lenta. A levotiroxina é administrada uma vez ao dia, em jejum (30 a 60 minutos antes do café da manhã) ou pelo menos quatro horas após a última refeição do dia, de modo a evitar interferências em sua absorção. A dose escolhida depende do sexo, da idade, do peso, da altura e da reserva tireoidiana que o paciente ainda apresenta. No hipotireoidismo primário, ou tireoidite de Hashimoto, a dose de levotiroxina deve ser ajustada conforme o valor do TSH, que deve ser avaliado dentro de quatro a oito semanas após o uso do fármaco. Já no hipotireoidismo secundário, a meta de tratamento é manter os níveis de T4 livre dentro do valor de referência. Uma vez atingida a dose ideal o monitoramentodeve ser feito a cada 6 a 12 meses, com ajustes de dose se for necessário. Como vimos anteriormente, o tratamento farmacológico do hipertireoidismo tem por objetivo diminuir a síntese e/ou liberação excessiva dos hormônios tireoidianos, minimizando os sintomas e consequências a longo prazo. As tioaminas, como o propiltiouracil (PTU) e o metimazol, bloqueiam a síntese de hormônios tireoidianos a partir da inibição do sistema enzimático da perixodase da glândula tireoide, impedindo assim, a oxidação do iodeto sequestrado e sua incorporação na tireoglobulina. Além disso, esses fármacos inibem o acoplamento da monoiodotirosina (MIT ou T1) e di-iodotirosina (DIT ou T2) para formar T3 e T4. A PTU também inibe a Fonte: adaptado de Sales, Halpern e Cercato (2018, p. 297). 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 68/80 https://genially.com/?from=watermark-powered-education https://view.genially.com/6565ec31bc71560014122af2 conversão periférica de T4 em T3. A melhora dos sintomas e normalização das alterações laboratoriais ocorre dentro de quatro a oito semanas. O metimazol é preferido pois tem uma meia-vida mais longa, permitindo uma única dose ao dia, e menor incidência de efeitos adversos, enquanto o PTU apresenta menor tempo de meia-vida e são necessárias de duas a três ingestões diárias. O iodeto bloqueia de forma aguda a liberação de hormônio tireoidiano, inibindo a biossíntese desses hormônios ao interferir na utilização de iodeto pela glândula tireoide. Este fármaco é administrado via oral, e não é útil para tratamentos de longa duração, sendo indicado principalmente na preparação do paciente que será submetido à ressecção cirúrgica ou como parte do tratamento de uma crise tireotóxica grave. Os bloqueadores beta-adrenérgicos são utilizados para aliviar os sintomas de palpitações, ansiedade, tremor e intolerância ao calor, sendo usados como terapia adjuvante com fármacos antitireoidianos. O propranolol e o nadolol bloqueiam parcialmente a conversão de T4 em T3, no entanto essa contribuição para o efeito global é pequena. A radioiodoterapia é um tratamento em que o paciente recebe uma dose oral de iodo radioativo, que irá se concentrar nos tecidos com maior afinidade por iodo no organismo e causa a destruição desses tecidos, dessa forma, é possível reduzir a produção hormonal pela tireoide, tornando-a hipofuncionante. O iodo radioativo constitui o agente de escolha no tratamento definitivo da doença de Graves, e após o tratamento, ocorre o hipotireoidismo, que é facilmente controlado pela terapia de reposição com T4. Em pacientes com glândula volumosa ou ausência de remissão em resposta ao tratamento, deve ser considerada a cirurgia de remoção da glândula tireoide. VÍDEO RESUMO Você já sabe a importância dos hormônios para o nosso organismo, agora, vamos entender como a deficiência na síntese ou ação de hormônios específicos afetam o nosso corpo? O diagnóstico e tratamento desses distúrbios é um trabalho multidisciplinar entre os profissionais da saúde, sendo este, um assunto essencial para sua vida profissional. Vamos lá? Saiba mais Muitos atletas, em busca de um corpo perfeito e um melhor desempenho esportivo, recorrem ao uso de substâncias anabolizantes, como o GH. Como você estudou na aula, a utilização de GH exógeno é indicado em casos específicos, e sua utilização para fins estéticos e desempenho esportivo foi proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Saiba mais sobre o risco do uso inadvertido do hormônio do crescimento e como é feita a dopagem nos atletas, lendo este conteúdo: Hormônio de Crescimento (GH) para fins estéticos e dopagem: risco do uso inadvertido de hormônios. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 69/80 https://www.gov.br/abcd/pt-br/centrais-de-conteudo/boletins-1/CIENCIAEDUCACAO_ABCD_n12.pdf%20 https://www.gov.br/abcd/pt-br/centrais-de-conteudo/boletins-1/CIENCIAEDUCACAO_ABCD_n12.pdf%20 https://www.gov.br/abcd/pt-br/centrais-de-conteudo/boletins-1/CIENCIAEDUCACAO_ABCD_n12.pdf%20 CONSIDERAÇÕES SOBRE O SISTEMA ENDÓCRINO, O EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE, A TIREOIDE E O PÂNCREAS O sistema endócrino é um dos principais sistemas de comunicação do corpo, é composto por todas as glândulas endócrinas (hipófise, tireoide, paratireoide, suprarrenais e pineal) e tecidos que secretam hormônios (hipotálamo, timo, pâncreas, ovários/testículos, rins, estômago, fígado, intestino delgado, pele, coração, tecido adiposo e placenta). Os hormônios são mensageiros químicos transportados pelo sangue até as células-alvo, onde irão atuar especificamente, regulando atividades do músculo liso e cardíaco. Além disso, promovem o crescimento e desenvolvimento, influenciam processos reprodutivos, participam dos ritmos circadianos e regulam a Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Sistema endócrino Glândulas endócrinas Tecidos que secretam hormônios Fonte: adaptada de Shutterstock. Disponível em: https://view.genial.ly/656620eecb50170014da2e5a. Acesso em: 28 nov. 2023. Aula 5 REVISÃO DA UNIDADE 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 70/80 https://genially.com/?from=watermark-powered-education https://view.genially.com/656620eecb50170014da2e5a https://view.genial.ly/656620eecb50170014da2e5a atividade de algumas glândulas. Os hormônios podem ser classificados de acordo com a sua característica química: Hormônios amínicos, derivados de aminoácidos, como os hormônios da tireoide e as catecolaminas. Hormônios derivados de proteínas, peptídicos ou glicoproteicos, muitos dos quais são sintetizados na forma de moléculas maiores (pró-hormônios), que, em seguida, são clivadas em fragmentos ativos, como a insulina e o glucagon. Hormônios derivados de lipídios, como, por exemplo, os esteroides, que são produzidos a partir do colesterol pelo córtex suprarrenal e pelas gônadas. O transporte desses hormônios no sangue varia de acordo com as suas características, os hormônios hidrossolúveis (aminas, peptídicos, proteicos, glicoproteicos e eicosanoides) circulam no plasma sanguíneo de forma livre, enquanto a maioria dos hormônios lipossolúveis (esteroides e hormônios da tireoide) estão ligados a proteínas plasmáticas transportadoras. Os receptores dos hormônios esteroidais e dos hormônios da tireoide estão localizados, em sua maioria, no interior das células-alvo, enquanto os receptores dos hormônios peptídicos e das catecolaminas estão localizados na membrana plasmática. Isso se deve à característica lipossolúvel ou hidrossolúvel do hormônio, facilitando ou dificultando sua entrada na célula. Os hormônios podem causar suprarregulação e infrarregulação de seus próprios receptores, bem como dos receptores de outros hormônios. Na suprarregulação, um hormônio pode induzir o aumento no número de receptores de um segundo hormônio, aumentando a sua efetividade. Por outro lado, se um hormônio induzir a infrarregulação dos receptores de um segundo hormônio, o resultado será uma redução na efetividade do segundo hormônio. A interação hormonal ainda pode ter um efeito sinérgico, permissivo ou antagonista. Se a combinação de dois ou mais hormônios produz um resultado maior, essa interação é chamada de sinergismo. Se um hormônio não exerce completamente seu efeito a menos que um segundo hormônio esteja presente, o segundo hormônio apresenta um efeito permissivo, em relação ao primeiro. Se um hormônio se opõe à ação de um outro, os dois são antagonistas um do outro. A secreção hormonal pode ser controlada de diversas formas, seja pela concentração plasmática de um íon ou nutriente regulado pelo hormônio, por impulsos neurais para as células endócrinas, ou por um ou mais hormônios. A maioria dos sistemas regulatórios de secreção hormonal atua por sistemas de retroalimentação negativa ou feedback negativo. Depois que um estímulo causa a secreçãono organismo. Figura 4 | Hormônio paratireoide e os tecidos-alvo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 6/80 Fonte: adaptada de Shutterstock. As glândulas suprarrenais, conhecidas também como adrenais, são pequenas glândulas em formato de pirâmide achatada, encontradas em cima de cada um dos rins. A parte mais interna da glândula é chamada de medula adrenal e a parte mais externa, de córtex adrenal. Cada uma dessas partes funciona independentemente como uma glândula endócrina (Quadro 3). Quadro 3 | Hormônios das glândulas suprarrenais. Hormônios Fonte Principais ações Aldosterona Córtex adrenal Elevam os níveis sanguíneos de sódio e água (reabsorção); diminuem o nível sanguíneo de potássio (excreção). Cortisol Córtex adrenal Auxiliam no crescimento precoce de pelos axilares e pubianos em ambos os sexos; nas mulheres contribuem para a libido e são fonte de estrogênios depois da menopausa. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 7/80 Hormônios Fonte Principais ações Androgênios Córtex adrenal Auxiliam no crescimento precoce de pelos axilares e pubianos em ambos os sexos; nas mulheres contribuem para a libido e são fonte de estrogênios depois da menopausa. Epinefrina (adrenalina) Medula adrenal Intensificam os efeitos da parte simpática da divisão autônoma do sistema nervoso (SNA) durante o estresse. Norepinefrina (noradrenalina) Medula adrenal Fonte: adaptado de Tortora e Derrickson (2019, p. 646). Figura 5 | Hormônios secretados pelas glândulas suprarrenais e os tecidos-alvo Fonte: adaptada de Shutterstock. O pâncreas é considerado uma glândula mista, pois possui tanto glândulas endócrinas como exócrinas. As glândulas exócrinas do pâncreas produzem secreção rica em enzimas auxiliando no processo de digestão, enquanto as glândulas endócrinas produzem hormônios que auxiliam no metabolismo de glicose. As ilhotas 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 8/80 pancreáticas ou ilhotas de Langerhans são um grupo de células responsáveis pela função endócrina, apresentando quatro principais tipos celulares: células alfa, beta, delta e células F (Quadro 4). Quadro 4 | Hormônios do pâncreas Hormônios Fonte Principais ações Glucagon Células alfa Eleva o nível sanguíneo de glicose acelerando a degradação do glicogênio em glicose no fígado (glicogenólise), convertendo outros nutrientes em glicose no fígado (gliconeogênese) e liberando glicose no sangue. Insulina Células beta Reduz o nível sanguíneo de glicose acelerando o transporte de glicose para as células, convertendo glicose em glicogênio (glicogênese) e diminuindo a glicogenólise e a gliconeogênese; aumenta a lipogênese e estimula a síntese de proteína. Somatostatina Células delta Inibe a secreção de insulina e glucagon; retarda a absorção de nutrientes no sistema digestório. Polipeptídio pancreático Células F Inibe a secreção de somatostatina, a contração da vesícula biliar e a secreção de enzimas digestivas do pâncreas. Fonte: adaptado de Tortora e Derrickson (2019, p. 649). Figura 6 | Células das ilhotas de Langerhans responsáveis pela função endócrina do pâncreas Fonte: adaptada de Shutterstock. A glândula pineal é uma pequena glândula em formato de cone, localizada entre os dois hemisférios cerebrais e anexada à parte superior do tálamo, é composta por células chamadas pinealócitos e massas de neuroglia. A glândula pineal produz o hormônio melatonina, derivado da serotonina, sua secreção é suprimida pela luz do dia e aumentada na escuridão, por isso, acredita-se que esse hormônio promova 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 9/80 sonolência. Suas funções não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que a melatonina esteja associada à coordenação dos ritmos circadianos, ao balanço emocional e à inibição do crescimento e do desenvolvimento dos órgãos sexuais antes da puberdade pela inibição dos hormônios gonadotróficos. Figura 7 | Hormônio melatonina: secretado pela glândula pineal principalmente durante a noite Fonte: adaptada de Shutterstock. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 10/80 MECANISMOS DE AÇÃO E CLASSIFICAÇÃO HORMONAL A capacidade de reprodução, desenvolvimento, crescimento, bem como de adaptação do ser humano às diversas condições do meio externo, como calor, frio, fome, sede, infecções, pequenos traumas, são moduladas principalmente pelo nosso sistema endócrino. Esse sistema atua por meio de secreções químicas (os hormônios), que controlam o ambiente interno do corpo, do nível celular ao nível sistêmico. Além disso, em muitos casos, as ações de determinado hormônio podem ser potencializadas, inibidas ou contrabalanceadas pelas ações de um outro hormônio. Os hormônios podem ser classificados de acordo com a sua natureza química e quanto ao seu mecanismo de ação principal nas células-alvo. Vamos agora aprofundar e compreender mais sobre esses conceitos? Mecanismos de ação hormonal A secreção hormonal é regulada de três formas: alterações químicas no sangue, sinais do sistema nervoso (neurotransmissores) e por outros hormônios. A maioria dos sistemas regulatórios hormonais do corpo acontece mediante um controle de retroalimentação negativa, também chamado de feedback negativo, por exemplo, um hormônio é liberado em resposta a um estímulo específico, aumentando a concentração sanguínea, uma vez que sua ação no tecido alvo é efetivada, seu estímulo não é mais necessário, dessa forma, a concentração de hormônios no sangue retorna aos seus valores habituais. Já o efeito de um mecanismo de feedback positivo acontece quando é necessária à amplificação do estímulo e ao aumento da liberação do hormônio até que um processo particular esteja completo e o estímulo cesse. Por exemplo, durante o trabalho de parto, a ocitocina estimula as contrações uterinas, que, por sua vez, geram impulsos sensoriais que estimulam ainda mais a liberação desse hormônio. A regulação da secreção normalmente evita a produção excessiva ou insuficiente de qualquer hormônio. Há pelo menos três tipos de sinalização endócrina (Figura 8): Sinalização endócrina propriamente dita, em que os hormônios são liberados inicialmente pela célula no espaço extracelular e depois se difundem para os vasos sanguíneos até atingir as células-alvo de longa distância (hormônios circulantes). Sinalização parácrina, em que os hormônios são secretados para o espaço extracelular e difundem-se atuando nas células-alvo vizinhas. Sinalização autócrina, em que a secreção também se difunde pelo líquido extracelular por distâncias curtas e suas células-alvo são do mesmo tipo da célula que produziu a sinalização. Figura 8 | Comparação entre hormônios circulantes (de sinalização endócrina) e locais (sinalização autócrina e parácrina) 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 11/80 Fonte: Tortora e Derrickson (2019, p. 622). Os hormônios locais (parácrinos e autócrinos), em geral, são inativados rapidamente enquanto os hormônios circulantes (sinalização endócrina) podem permanecer na corrente sanguínea por alguns minutos ou horas e em tempo, são inativados pelo fígado e excretados pelos rins. A resposta a um hormônio depende tanto do hormônio propriamente dito quanto da sua célula-alvo, dependendo da presença de receptores específicos para esses hormônios. Por exemplo, o hormônio tireoestimulante (TSH) se liga a receptores específicos nas células da glândula tireoide, porém, não se liga a células dos ovários, pois as células ovarianas não possuem receptores de TSH. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 12/80 Além disso, a respostahormonal, as condições ou os produtos resultantes da ação do hormônio tendem a suprimir sua liberação adicional, exercendo um efeito de feedback negativo, evitando a secreção excessiva do hormônio. As disfunções endócrinas podem estar relacionadas ao excesso ou deficiência hormonal ou ainda à responsividade anormal do tecido-alvo a um hormônio. O eixo hipotálamo-hipófise O hipotálamo é a principal conexão entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, este órgão controla a liberação de diversos hormônios, regulando praticamente todos os aspectos do crescimento, desenvolvimento, metabolismo e homeostasia. A glândula hipófise é dividida em duas partes: adeno-hipófise e neuro-hipófise. A adeno-hipófise é composta por células somatotróficas, que produzem o hormônio do 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 71/80 crescimento (GH), células lactotróficas, que produzem prolactina (PRL), corticotróficas que secretam o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), tireotróficas que secretam o hormônio tireoestimulante (TSH) e gonadotróficas, que sintetizam o hormônio luteinizante (LH) e folículo estimulante (FSH). A secreção dos hormônios da adeno-hipófise é estimulada por hormônios de liberação e suprimida por hormônios de inibição do hipotálamo. O hormônio do crescimento (GH) estimula o crescimento corporal mediante fatores semelhantes à insulina (IGF) e age sobre o metabolismo de carboidratos e síntese proteica. Em crianças, a deficiência de GH causa retardo no crescimento. Já o excesso de GH provoca o crescimento acelerado dos tecidos, causando gigantismo, quando acontece antes da adolescência ou acromegalia, após a adolescência. A neuro-hipófise libera o hormônio antidiurético (ADH ou vasopressina), que promove a reabsorção de água pelos rins e constrição das arteríolas, e a ocitocina (OT), que estimula a contração do útero no parto e ejeção de leite nas mamas. Ambos os hormônios são produzidos no hipotálamo e transportados até a neuro-hipófise por meio de células neurossecretoras, onde são armazenados em vesículas secretoras até que impulsos nervosos desencadeiem a liberação hormonal. Figura 1 | O eixo hipotálamo-hipófise e a secreção hormonal Fonte: elaborada pela autora. A glândula tireoide 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 72/80 A glândula tireoide consiste em folículos da tireoide, compostos por células foliculares que secretam os hormônios tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), e células parafoliculares, que secretam calcitocina (CT). A secreção de hormônios tireoidianos é controlada pelo hormônio liberador de tireotrofina (TRH) do hipotálamo e pelo hormônio tireoestimulante (TSH) da adeno-hipófise. Esses hormônios são sintetizados a partir do iodo e da tirosina dentro da tireoglobulina e são transportados no sangue ligados a proteínas plasmáticas. Figura 2 | Secreção hormonal pelo TSH Fonte: elaborada pela autora. Os hormônios tireoidianos regulam o uso de oxigênio e a taxa metabólica, metabolismo celular, crescimento e desenvolvimento. Os distúrbios da tireoide estão associados à alteração da função tireoidiana, nas condições em que há baixa função dessa glândula, é chamada de hipotireoidismo, já a função excessiva da tireoide é chamada de hipertireoidismo. Essas alterações podem ser autoimune, congênita ou adquirida, e sua duração pode ser transitória ou permanente. O pâncreas endócrino O pâncreas é um órgão que apresenta funções tanto endócrinas quanto exócrinas. A parte endócrina do pâncreas é composta pelas ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans), constituídas de diferentes tipos celulares que secretam diferentes tipos de hormônios. As células alfa das ilhotas pancreáticas secretam glucagon e as células beta secretam insulina. A secreção desses dois hormônios é controlada pelo nível glicêmico, uma elevação da glicemia após as refeições estimula a secreção de insulina, já nos períodos de jejum, a redução da glicemia estimula a secreção de glucagon. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 73/80 Figura 3 | Controle dos níveis glicêmicos pelo glucagon (A) e insulina (B). A linha tracejada indica a regulação por feedback negativo, suprimindo a secreção hormonal uma vez que os níveis glicêmicos retornam aos valores normais Fonte: elaborada pela autora. A insulina promove o armazenamento de glicose como glicogênio, o armazenamento de ácidos graxos no tecido adiposo e o armazenamento de aminoácidos como proteínas. A deficiência na secreção de insulina por condição autoimune causa o diabetes mellitus tipo 1; a resistência à insulina nos tecidos-alvo causa o diabetes mellitus tipo 2. REVISÃO DA UNIDADE Neste vídeo, vamos abordar os aspectos gerais relacionados ao sistema endócrino, bem como o papel de três glândulas que secretam importantes hormônios para o funcionamento adequado do nosso organismo: a hipófise, a glândula tireoide e o pâncreas endócrino. Vamos relembrar os principais pontos estudados nesta unidade? 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 74/80 ESTUDO DE CASO Estudante, para auxiliar no seu desenvolvimento, a partir de agora, vamos supor que você iniciou seu estágio junto à equipe do Programa de Atenção Integral à Saúde de sua universidade. O programa, realizado em parceria com a prefeitura, tem como objetivo desenvolver, junto à comunidade, ações de diagnóstico, prevenção, tratamento e reabilitação de doenças, bem como acompanhamento psicossocial. Para tal, este programa conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, farmacêuticos, biomédicos e educadores físicos. Considere, então, que você está acompanhando as discussões de casos clínicos de pacientes participantes do programa. Em uma das reuniões foi discutido o caso de M.F.S. de 26 anos de idade que procurou atendimento médico com queixa de ganho de peso. A paciente relata ganho de peso gradativo, com início há três anos, além disso, relata aumento da ansiedade no trabalho, mas nega ter aumentado a ingestão alimentar. A paciente ainda refere que, associado ao ganho de peso, ela passou a apresentar lentidão de raciocínio, pele ressecada, inchaço no rosto, constipação intestinal, dores articulares difusas de fraca intensidade, queda de cabelos, unhas fracas e finas e intolerância ao frio. Ao exame físico a paciente apresenta as seguintes alterações: edema facial, pálpebras caídas, frequência cardíaca baixa, pressão arterial baixa, frequência respiratória no limite inferior da normalidade, abdome aumentado de tamanho, sem estrias, reflexos reduzidos (hiporreflexia), fraqueza muscular (adinamia), discurso lentificado, tireoide aumentada de volume à palpação (bócio), consistência mais amolecida, sem nódulos palpáveis. Foram solicitados alguns exames gerais, os quais revelaram: TSH: 112 mUI/L (Valor de referência: 0,3 a 4,0 mUI/L) T4 livre: 0,12 ng/dL (Valor de referência: 0,7 a 1,9 ng/dL). Anti-tireoperoxidase (anti-TPO): 2.035 U/mL (Valor de referência:cada uma e os hormônios liberados em cada uma, além de compreender a ação de alguns fármacos associados às patologias do sistema endócrino. Também será deverá elencar exames laboratoriais, de imagem e específicos de cada profissão que podem ajudar no diagnóstico de patologias associadas ao sistema endócrino. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 75/80 Relembrando todas as aulas, correlacione com todos os sinais e os sintomas relatados pela paciente aos achados no exame físico para entender o motivo da solicitação médica de determinados exames para elucidar o diagnóstico clínico. Seguindo essa linha de raciocínio você saberá interpretar os exames e seus resultados, para obter um diagnóstico seguro e preciso. Com o diagnóstico fechado, conseguirá tratar de maneira eficaz a paciente. RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO Como você deve se lembrar, no caso apresentado, a paciente M.F.S. relata ganho de peso gradativo, com início há três anos, aumento da ansiedade no trabalho, lentidão de raciocínio, pele ressecada, inchaço no rosto, constipação intestinal, dores articulares difusas de fraca intensidade, queda de cabelos, unhas fracas e finas e intolerância ao frio. Em exame clínico, entre outros sinais, a paciente apresenta edema (facial e palpebral), associados a sinais de baixo débito cardíaco (bradicardia e hipotensão), além de tireoide aumentada de volume à palpação (bócio). O conjunto de sinais verificados (frequência respiratória no limite inferior da normalidade, hiporreflexia, adinamia, discurso lentificado) sugere um estado de baixo metabolismo que, associado ao edema, nos faz pensar em hipotireoidismo. Devemos lembrar que algumas situações clínicas podem mascarar o quadro clássico do hipotireoidismo, entre elas a insuficiência adrenal e a senilidade. O edema causado por insuficiência adrenal foi descartado, uma vez que os níveis de ADH e eletrólitos (ou seja, sódio e potássio) estão normais nos exames laboratoriais. Relembre a seguir o que os exames gerais revelaram: TSH: 112 mUI/L (Valor de referência: 0,3 a 4,0 mUI/L) T4 livre: 0,12 ng/dL (Valor de referência: 0,7 a 1,9 ng/dL). Sódio, potássio, cortisol sérico e ADH: normais. Ultrassonografia da tireoide: glândula aumentada de tamanho, parênquima tireoidiano com textura heterogênea, nódulos ou cistos não visualizados. Analisando-se os resultados dos exames, o que mais chama a atenção é o valor do TSH extremamente elevado. O TSH elevado, associado à redução dos níveis de T4 livre, confirma nossa hipótese diagnóstica de hipotireoidismo, neste caso: hipotireoidismo primário, devido ao TSH elevado. Os níveis do TSH se elevam de forma compensatória, por diminuição dos hormônios tireoidianos (redução do efeito supressivo no hipotálamo e na hipófise). Autoanticorpos como a anti-tireoperoxidase estão presentes em 70% a 90% dos pacientes com hipotireoidismo primário resultante da agressão imunológica da tireoide, conhecida como tireoidite de Hashimoto. A ultrassonografia revela aumento no tamanho da glândula, sugerindo um processo inflamatório ou de agressão, resultado do processo autoimune, e confirma o bócio percebido ao exame clínico, acrescentando- nos à característica do bócio o fato de ser difuso e não decorrente de nódulos 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 76/80 RESUMO VISUAL Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Sistema endócrino Reveja a seguir alguns dos principais pontos estudados nesta unidade. Hipófise Pâncreas endócrino Tireoide Hormônios Doenças Hormônios Doenças Hormônios Doenças Fonte: Freepik. Disponível em: https://view.genial.ly/653168da684d6700113c85d9. Acesso em: 28 nov. 2023. Aula 1 ABRAHAMSOHN, P. Histologia. 1. ed. 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Já quando a concentração de um hormônio é muito baixa, o número de receptores pode aumentar, efeito chamado de suprarregulação. Um hormônio pode também induzir um aumento no número de receptores de um segundo hormônio, fenômeno este que chamamos de permissividade, uma importante interação hormônio-hormônio. O hormônio permissivo pode ainda, promover a síntese de enzimas necessárias para a expressão de outros efeitos do outro hormônio. Por exemplo, a epinefrina sozinha provoca fracamente a lipólise (degradação de ácidos graxos no tecido adiposo), porém, na presença de quantidades permissivas de hormônios tireoidianos, a epinefrina estimula a lipólise de forma muito mais intensa (Figura 9). Quando o efeito de dois hormônios agindo juntos é maior ou mais amplo do que seus efeitos sozinhos, se diz que os dois hormônios apresentam efeito sinérgico. Quando um hormônio faz oposição às ações de um outro hormônio, diz-se que seus efeitos são antagônicos. Figura 9 | Efeito permissivo da epinefrina e do hormônio tireoidiano 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 13/80 Fonte: Widmaier et al. (2017, p. 339). Classificação química dos hormônios Os hormônios são variados em termos de síntese, natureza química, tecidos em que agem e mecanismo de ação, mas se caracterizam por serem sintetizados em uma glândula ou célula e transportados pela corrente sanguínea até atingirem a célula-alvo. Os hormônios podem ser classificados a partir de sua estrutura química, sendo derivados de lipídeos, peptídeos e aminas. Os hormônios lipídicos e fosfolipídicos derivam de ácidos graxos, sendo os mais conhecidos os esteroides como o estrogênio, progesterona, testosterona, aldosterona e o cortisol, sintetizados a partir do colesterol. Outro grupo de hormônios lipídicos são os eicosanoides, derivados do ácido araquidônico, um ácido graxo de 20 carbonos, sendo os mais conhecidos, as prostaglandinas (PG) e os leucotrienos (LT). Os hormônios peptídicos e proteicos são polímeros de aminoácidos e incluem o hormônio antidiurético (ADH), a ocitocina e o hormônio liberador de tireotropina (TRH) (exemplos de peptídeos), além do hormônio do crescimento humano (GH), prolactina e a insulina (hormônios proteicos). Os 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 14/80 hormônios proteicos mais complexos possuem cadeias adjacentes de carboidrato e dessa forma, são hormônios glicoproteicos, como o hormônio tireoestimulante (TSH), hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH). Os hormônios amínicos são sintetizados a partir da descarboxilação (remoção de molécula de CO2) ou modificação de determinados aminoácidos. As catecolaminas como a epinefrina, norepinefrina e dopamina, são sintetizadas pela modificação da tirosina. A histamina é sintetizada a partir do aminoácido histidina. A serotonina e melatonina derivam do triptofano. Além da sua classificação pela estrutura química, os hormônios também são classificados de acordo com a sua solubilidade: lipossolúveis e hidrossolúveis. A estrutura e a solubilidade hormonal é o que determina, em grande parte, a localização dos receptores nas células. Os hormônios lipossolúveis, em sua maioria, estão ligados a proteínas transportadoras, como a albumina, e seus receptores estão localizados dentro das células-alvo, no citosol ou no núcleo, dessa forma, esses hormônios se difundem no sangue e através da membrana plasmática para dentro das células. Os hormônios esteroidais e hormônios da tireoide (T3 e T4) são exemplos de hormônios lipossolúveis. Enquanto a maioria dos hormônios hidrossolúveis são transportados no plasma sanguíneo de forma livre, sem se ligar a outras moléculas, e não conseguem atravessar a membrana plasmática, então se ligam a receptores que se projetam da superfície da célula-alvo. Os hormônios hidrossolúveis são os peptídicos, proteicos e amínicos, excluindo-se os hormônios tireoidianos. Como exemplo, podemos citar os hormônios esteroidais sintéticos como a progesterona e o estrógeno, que estão presentes no anticoncepcional, esses hormônios são lipossolúveis e conseguem se difundir pelo revestimento do estômago e do intestino até alcançar a corrente sanguínea, podendo ser administrado via oral. Já os hormônios proteicos, como a insulina, são hidrossolúveis e precisam ser injetados diretamente na corrente sanguínea porque não conseguem se difundir pelo revestimento intestinal, por isso os diabéticos dependentes de insulina devem utilizar esse hormônio de forma injetável. Mecanismos de síntese e secreção hormonal Os mecanismos de síntese e secreção hormonal variam de acordo com a estrutura dos hormônios. Os hormônios peptídicos são sintetizados nos ribossomos das células endócrinas na forma de proteínas precursoras maiores, chamadas de pró-hormônios, sendo armazenados em vesículas secretoras pelo aparelho de Golgi. Neste processo, o pró-hormônio é clivado, produzindo o hormônio ativo e cadeias peptídicas que serão liberados das vesículas secretoras por exocitose (eliminação de partículas para fora das células). Um exemplo é a síntese de insulina, que é produzida a partir de um pró-hormônio no interior das células beta das ilhotas de Langerhans no pâncreas. Os hormônios derivados de ácidos graxos, como os esteroides, não são armazenados em vesículas, dessa forma, uma vez que são sintetizados, deixam a célula por difusão (quando temos a saída de uma substância de um local mais concentrado para um menos concentrado de forma espontânea) através da membrana plasmática. Metabolismo e excreção dos hormônios 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 15/80 Uma vez que determinado hormônio foi sintetizado, secretado e cumpriu sua ação no tecido-alvo, sua síntese aumentada não é mais necessária, dessa forma, sua concentração no sangue deve retornar aos valores normais. A concentração de um hormônio no plasma depende da sua taxa de secreção pela glândula endócrina e sua taxa de depuração no sangue. A depuração ocorre por meio da excreção ou transformação metabólica do hormônio, sendo que o fígado e os rins são os principais órgãos responsáveis por esta ação. No entanto, eles não são os únicos caminhos para a eliminação dos hormônios, estes podem ser metabolizados pelas células- alvo, como alguns hormônios peptídicos, e também podem ser degradados por enzimas no sangue e nos tecidos, como as catecolaminas. Por outro lado, hormônios ligados a proteínas, como os hormônios esteroides e tireoidianos, são protegidos da excreção ou do metabolismo pelas enzimas enquanto permanecerem ligados. Alguns hormônios, como a tiroxina (T4), são ativados através do seu metabolismo, ou seja, são secretados de forma relativamente inativa, até sofrer transformação pelo metabolismo. Figura 10 | Possíveis destinos e ações de um hormônio após sua secreção Fonte: Widmaier et al. (2017, p. 338). SECREÇÃO HORMONAL E DISTÚRBIOS ENDÓCRINOS O sistema endócrino e o sistema nervoso constituem os dois principais sistemas de controle do corpo. Em geral, o sistema endócrino é responsável pelos processos que ocorrem lentamente, como o crescimento celular, já o sistema nervoso controla processos rápidos, como a movimentação, no entanto, estes dois sistemas trabalham em conjunto. O sistema nervoso controla quando o sistema endócrino secreta ou inibeum hormônio, por exemplo, é o hipotálamo (sistema nervoso) que envia as instruções por meio de sinais químicos, os neurotransmissores, para a glândula hipofisária (sistema endócrino) secretar seus hormônios. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 16/80 De forma geral, o sistema endócrino consiste em uma rede integrada, de múltiplos órgãos, que sintetizam e liberam hormônios, desde pequenos peptídeos até glicoproteínas, que vão exercer seus efeitos em células- alvo próximas ou distantes. Além das glândulas endócrinas, inúmeros órgãos apresentam células e tecidos especializados na produção de hormônio de forma secundária, conforme apresentado no Quadro 5. Quadro 5 | Órgãos com funções endócrinas secundárias Órgão Hormônio Local de ação Função Rim Eritropoetina Medula óssea vermelha Estímulo na produção de hemácias Mucosa gástrica Gastrina Glândulas gástricas Estimula a secreção do suco gástrico Mucosa intestinal Secretina Estômago e pâncreas Estimula a secreção do suco pancreático; retarda o esvaziamento do estômago Colecistocinina (CCK) Vesícula biliar e pâncreas Estimula a liberação de bile e de suco pancreático Tecido adiposo Leptina Hipotálamo e outros tecidos Proporciona saciedade depois de comer; necessária para a síntese do hormônio liberador de gonadotrofina e da gonadotrofina Ovário e testículo Inibina Adeno-hipófise Inibe a secreção do hormônio folículo- estimulante Coração Peptídeo natriurético atrial (ANP) Túbulos renais Diminui a reabsorção de sódio e água nos túbulos renais Placenta Gonadotrofina coriônica humana (HCG) Ovário Estimula a secreção de estrógeno e progesterona durante a gravidez Timo Timosina Glóbulos brancos (linfócitos T) Desenvolvimento de linfócitos T Fonte: adaptado de Waugh (2021, p. 247). Os níveis plasmáticos hormonais variam durante o dia, e sua secreção ou inibição é controlada por um ou mais mecanismos, como vimos anteriormente. A liberação periódica e pulsátil dos hormônios é de grande importância na manutenção da função endócrina e nos efeitos fisiológicos promovidos pelos hormônios nos 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 17/80 órgãos-alvo. A secreção de alguns hormônios é controlada pelas concentrações plasmáticas de íons minerais ou nutrientes orgânicos específicos, de forma direta ou indireta. Podemos citar como exemplo, após uma refeição rica em carboidratos, há um aumento na concentração plasmática de glicose e a secreção de insulina é estimulada, buscando restaurar as concentrações normais de glicose no sangue. A insulina se liga a receptores específicos na membrana plasmática, principalmente no tecido adiposo e no músculo esquelético, promovendo o transporte e o armazenamento da glicose disponível no sangue, quando a glicemia é considerada baixa o suficiente, a insulina não é mais necessária, e sua secreção é diminuída por meio do feedback negativo. O controle neuronal regula a secreção de hormônios em função de estímulos internos e externos. Os neurônios do hipotálamo recebem impulsos sinápticos de praticamente todo o sistema nervoso central que estimulam ou inibem a liberação de determinado hormônio pela glândula pituitária. Por exemplo, você está em uma situação de perigo, o seu sistema nervoso, através dos neurotransmissores, envia um sinal nas terminações simpáticas pré-ganglionares para a medula adrenal, estimulando a liberação de epinefrina (adrenalina) na circulação. Em muitos casos, a liberação de um hormônio pode ser diretamente controlada pela concentração plasmática de outro hormônio, o hormônio que exerce esse efeito é chamado de trófico, como acontece na maioria dos hormônios produzidos e liberados pela adeno-hipófise. Por exemplo, baixos níveis sanguíneos de glicocorticoides, como o cortisol, estimulam as células neurossecretoras do hipotálamo a secretarem hormônio liberador da corticotrofina (CRH). O CRH, junto com a baixa concentração do cortisol, promove a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) pela adeno-hipófise. O ACTH flui no sangue para o córtex da glândula suprarrenal onde estimula a secreção do cortisol. Embora os níveis hormonais circulantes sejam importantes, não são os únicos determinantes na resposta de um órgão-alvo, esta resposta depende também, da presença dos receptores específicos, que podem estar presentes intracelularmente ou na membrana plasmática. As ações dos hormônios nas células-alvo iniciam quando ele se liga a um receptor de membrana, formando um complexo hormônio-receptor. Tipos de distúrbios endócrinos Como vimos, existe uma grande variedade de hormônios no nosso organismo, e cada um com funções fisiológicas específicas, levando isso em consideração, as manifestações de distúrbios do sistema endócrino podem variar, podendo se manifestar como desequilíbrio no metabolismo, falha no crescimento ou desenvolvimento, alterações na pressão arterial, infertilidade, alterações mentais ou emocionais, entre outras formas. O tipo de manifestação depende do hormônio afetado, podendo ser classificadas como: Hipossecreção: nesta condição, o hormônio é secretado em quantidades muito pequenas, podendo ser uma condição primária, em que a glândula endócrina é incapaz de funcionar normalmente, ou secundária, quando a glândula endócrina não está lesionada, porém, recebe estímulo insuficiente pelo hormônio trófico. Na hipossecreção secundária, a longo prazo, a falta de ação trófica dos hormônios pode levar à atrofia da glândula alvo. Para diferenciar uma hipossecreção primária da secundária, é necessário determinar a concentração do hormônio trófico no sangue. A hipossecreção pode ser causada 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 18/80 pela destruição parcial de uma glândula, por deficiência enzimática, deficiência dietética de iodo (levando a uma secreção diminuída de hormônios tireoidianos), infecções e exposição a substâncias tóxicas. Hipersecreção: acontece quando determinado hormônio é secretado em grande quantidade, também pode ser classificada como primária, quando a própria glândula secreta quantidades excessivas do hormônio, ou como secundária, quando há estimulação excessiva da glândula por seu hormônio trófico. Uma das principais causas de hipersecreção é a presença de tumor de células endócrinas. Hiporresponsividade: neste caso, ocorre uma diminuição na responsividade das células-alvo aos hormônios, por deficiência ou perda da função dos receptores hormonais, defeito em algum evento de sinalização na célula após a ligação dos hormônios aos seus receptores ou deficiência nas enzimas que ativam metabolicamente alguns tipos de hormônios. Um exemplo clássico de uma condição que resulta em hiporresponsividade é o diabetes mellitus tipo 2, em que as células-alvo do hormônio insulina são hiporresponsivas a este hormônio, de modo que a glicose não consegue entrar nas células. Hiperresponsividade: neste caso, ocorre o aumento da responsividade das células-alvo aos hormônios. Por exemplo, no hipertireoidismo, os elevados níveis de hormônios tireoidianos provocam uma suprarregulação de receptores beta-adrenérgicos, resultando em uma hiperresponsividade à epinefrina, o que leva a um aumento da frequência cardíaca e acelera a degradação de ácidos graxos no tecido adiposo. De forma geral, a abordagem inicial para avaliação da função endócrina e diagnóstico dos distúrbios desse sistema, consiste na dosagem dos níveis plasmáticos hormonais. Para manter o controle dos processos fisiológicos, o corpo depende de seu sistema de mensagens químicas, o sistema endócrino, dessa forma, o mau funcionamento desse sistema influencia em diversos processos sistêmicos do nosso organismo. VÍDEO RESUMO Neste vídeo, vamos aprofundar o nosso conhecimento sobre o sistema endócrino e as principais glândulas endócrinas –hipófise, tireoide, paratireoides, adrenais e pineal. Você vai compreender de que forma os hormônios que fazem parte do nosso organismo atuam, suas classificações e os tipos de distúrbios que acometem esse sistema. Vamos estudar? Saiba mais Conforme envelhecemos, a produção de hormônios sexuais diminui. Nos homens, o declínio começa a partir dos 30 anos e segue lentamente, nas mulheres, o declínio também começa a partir dos 30 anos, mas se intensifica por volta dos 45 anos, com a menopausa. Durante a menopausa há uma sinalização defeituosa no sistema nervoso parassimpático causando irritabilidade e perturbando a regulação da temperatura, causando ondas de calor, a ovulação cessa, o metabolismo celular diminui, há um desequilíbrio na remodelação óssea, diminuição do colágeno e aumento da flacidez tissular, e todos esses efeitos estão relacionados à diminuição dos níveis hormonais. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 19/80 Visando promover o alívio das manifestações clínicas desencadeadas pelo início da menopausa, a terapia de reposição hormonal (TRH) é um tema bastante discutido. Saiba mais sobre o tema com o artigo: O impacto do uso da terapia de reposição hormonal na qualidade de vida das mulheres em climatério. INTRODUÇÃO Olá, estudante! Como vai? Nesta aula, você vai compreender a anatomia, histologia e fisiologia do pâncreas em sua função como glândula endócrina. O pâncreas secreta diferentes tipos de hormônios, sendo os dois importantes o glucagon e a insulina, que são essenciais para regulação do metabolismo da glicose, dos lipídios e das proteínas. Você vai conhecer, no decorrer da aula, os papéis fisiológicos desses hormônios e compreender a relação do pâncreas com o diabetes mellitus. O diabetes mellitus configura-se, atualmente, como uma epidemia mundial, sendo que o envelhecimento da população, o sedentarismo, uma dieta inadequada e a obesidade são os grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes. Conhecer as formas de apresentação dessa doença, bem como, os exames laboratoriais para o seu diagnóstico e as formas de tratamento, é essencial para sua prática profissional. Vamos lá? O PÂNCREAS ENDÓCRINO Grande parte da função endócrina do pâncreas está associada aos processos digestórios, o controle da ingestão e o armazenamento de nutrientes, e a excreção de toxinas e subprodutos digestórios são essenciais para a manutenção da homeostase e do metabolismo. O pâncreas (Figura 1) é uma glândula de formato alongado e achatado, medindo de 12 a 25 cm, localizado na curvatura do duodeno e consiste em três partes: uma cabeça, um corpo e uma cauda estreita. Este órgão é uma glândula mista, tanto endócrina, como exócrina. A maioria das células que compõem o tecido pancreático têm função exócrina, e estão distribuídas em grupos chamados ácinos, responsáveis pela liberação de enzimas digestivas e outros componentes que auxiliam na digestão. Entre os ácinos exócrinos Aula 2 O PÂNCREAS ENDÓCRINO Nesta aula, você vai compreender a anatomia, histologia e fisiologia do pâncreas em sua função como glândula endócrina. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 20/80 https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/11177/6674 https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/11177/6674 https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/11177/6674 existem cerca de um milhão de minúsculos grupos de tecido endócrino, o que corresponde a aproximadamente 2% da massa pancreática, altamente vascularizados e inervados, chamados de ilhotas pancreáticas ou ilhotas de Langerhans. Nesta aula, vamos estudar a parte endócrina do pâncreas. As ilhotas de Langerhans são formadas por pequenos grupos de células epiteliais secretoras e são revestidas por uma cápsula delgada de tecido conjuntivo, estão distribuídas irregularmente pelo parênquima exócrino, mais densamente na porção da cauda do pâncreas. Pelo menos seis tipos de células secretoras constituem as ilhotas: Células alfa ou ɑ: constituem 15 a 20% das células das ilhotas pancreáticas, localizadas na periferia e secretam glucagon. Células beta ou ß: constituem a maioria das células, localizadas no centro das ilhotas pancreáticas e secretam insulina. Células delta ou δ: constituem cerca de 7% das células das ilhotas pancreáticas e secretam somatostatina. Células PP ou F: constituem cerca de 1% das células das ilhotas pancreáticas e secretam polipeptídeo pancreático. Células G: representam 1% das células das ilhotas, secretam gastrina. Células epsilon ou ε: são as menos numerosas, representam menos de 1% das células das ilhotas e secretam grelina. Figura 2 | Distribuição das principais células das ilhotas pancreáticas Fonte: adaptada de Tortora e Derrickson (2019, p. 647). Figura 1 | Anatomia do pâncreas Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Fonte: adaptada de Sketchfab. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 21/80 As ilhotas são ricamente inervadas por fibras provenientes do sistema nervoso autônomo (SNA), simpáticas e parassimpáticas, as quais desempenham papel fundamental na modulação da secreção hormonal por neurotransmissores e neuropeptídeos. Essas células podem ser classificadas como acidófilas ou basófilas com base nas colorações habituais, como a coloração hematoxilina e eosina (HE) (Figura 3 A). A partir da técnica de coloração tricrômico de Gomori é possível distinguir as células alfa das células beta, em que as células beta são coradas em roxo-azulado, e as células-α aparecem nas cores rosa ou vermelha neste tipo de coloração (Figura 3 B). Para a identificação mais precisa de cada um dos tipos celulares são necessárias técnicas mais especializadas como a imunocitoquímica e hibridização in situ. Figura 3 | (A) Corte do pâncreas, corado com hematoxilina e eosina (HE), mostrando ao centro da imagem, uma ilhota de Langerhans cercada por ácinos serosos do pâncreas exócrino. As células de ilhota formam cordões – alguns estão indicados por traços – separados por capilares sanguíneos marcados por asteriscos. (B) Ilhota de Langerhans corada a partir do método tricrômico de Gomori, em que é possível distinguir as células alfa (A), coradas em rosa, e as células beta (B), coradas em azul Fonte: Junqueira e Carneiro (2023, p. 436). Principais hormônios do pâncreas endócrino A insulina consiste em um hormônio polipeptídico, hidrossolúvel, sintetizada nos ribossomos das células beta em forma de pré-proinsulina, uma vez transportada para o interior do retículo endoplasmático rugoso, perde um peptídeo e passa a ser proinsulina, transportada até o complexo de Golgi. Esta é submetida a clivagem enzimática dando origem à insulina, contendo duas cadeias (uma cadeia alfa e uma cadeia beta), unidas por duas pontes dissulfeto, armazenada em grânulos de secreção. Sua síntese é estimulada por nutrientes como glicose, aminoácidos e lipídios, sendo o principal regulador do metabolismo de glicose. O glucagon é um hormônio polipeptídico, composto por 29 aminoácidos dispostos em cadeia única, derivado do pró-glucagon. O pró-glucagon é precursor de vários peptídeos, incluindo o glucagon, glicentina e os hormônios glucagon-like (GLP-1 e 2), sendo produzidos nas células alfa das ilhotas de Langerhans, células L do intestino delgado, no cólon e células cerebrais. Nas células alfa, o pró-glucagon é convertido em glucagon devido à ação de uma enzima, a convertase pró-hormonal 2 (PC2). Nos demais tecidos, o pró-glucagon é clivado por um grupo diferente de enzimas, dando origem principalmente aos hormônios glucagon-like. Níveis baixos de glicose no sangue (hipoglicemia) estimulam a secreção de glucagon pelas células alfa. A somatostatina também é um hormônio polipeptídico que apresenta duas formas biologicamente ativas – 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_renhttps://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 22/80 com 14 (SS-14) e com 28 aminoácidos (SS-28). De forma geral, este hormônio inibe as secreções pancreáticas exócrinas e endócrinas (glucagon e insulina). Sua síntese é estimulada pelas refeições ricas em gorduras, carboidratos e proteínas. O polipeptídeo pancreático é um hormônio formado por 36 aminoácidos, produzido pelas células F das ilhotas de Langerhans. Sua síntese é estimulada em resposta à ingestão de refeições ricas em proteínas e gorduras, jejum, exercícios físicos e hipoglicemia. Suas funções não estão totalmente estabelecidas, mas este hormônio auxilia a regular as funções gastrointestinais como contração e esvaziamento da vesícula biliar, inibe a secreção do pâncreas exócrino, modula o esvaziamento e secreção de ácidos gástricos e diminui a motilidade gastrointestinal. Quadro 1 │ Principais células e hormônios de ilhotas de Langerhans de seres humanos Tipo celular Hormônio produzido Principais atividades fisiológicas Células alfa Glucagon Age em vários tecidos estimulando as vias de glicogenólise e de lipólise para gerar glicose; aumenta a taxa de glicose no sangue. Células beta Insulina Age em vários tecidos promovendo a entrada de glicose nas células; diminui a taxa de glicose no sangue. Células delta Somatostatina Regula a liberação de hormônios de outras células das ilhotas. Células F Polipeptídeo pancreático Inibe a secreção de enzimas digestivas do pâncreas. Fonte: adaptado de Tortora e Derrickson (2019, p. 649). De forma geral, a homeostase da glicose é mantida pelos hormônios secretados pelas ilhotas de Langerhans. Cada um dos hormônios produzidos apresenta efeitos distintos no corpo, que vão desde a regulação da glicose no sangue, até a regulação do apetite, taxa de esvaziamento do estômago e motilidade intestinal. Diabetes mellitus O distúrbio endócrino mais comum é o diabetes mellitus, uma doença crônica que afeta cerca de 3% da população mundial. De forma geral, o diabetes é caracterizado pela hiperglicemia, resultante da diminuição da sensibilidade dos tecidos à ação da insulina e/ou da deficiência de sua secreção pelas células beta das ilhotas pancreáticas, ocasionando complicações a longo prazo. O diabetes mellitus é um sério problema de saúde pública, e sua prevalência tem aumentado cada dia mais. O aumento da prevalência desse distúrbio está associado a diversos fatores, sendo principalmente relacionado ao estilo de vida sedentário, excesso de 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 23/80 peso e envelhecimento populacional. O diagnóstico do diabetes mellitus é baseado, principalmente, no aumento da glicose plasmática em jejum. Os exames recomendados pela Sociedade Brasileira de Diabetes para o diagnóstico são: Glicemia plasmática em jejum: é o método mais utilizado para o diagnóstico e controle do diabetes por ser o mais simples e de menor custo. É utilizado para avaliar os níveis plasmáticos de glicose em jejum de no mínimo oito horas. O sangue deve ser coletado em tubo com fluoreto de sódio, centrifugado, com separação do plasma para determinação da glicemia. Exame de curva glicêmica ou teste de tolerância oral à glicose (TOTG): é realizado principalmente em pacientes com níveis plasmáticos de glicose em jejum próximos do limite e em gestantes, sendo considerado padrão-ouro no diagnóstico do diabetes gestacional. O teste consiste em uma coleta de sangue venoso em jejum de pelo menos oito horas e a coleta de outra amostra duas horas após a ingestão de 75 g de glicose dissolvida em 250 a 300 mL de água. Hemoglobina glicada (HbA1c): a glicose combina-se com a hemoglobina continuamente e de modo irreversível durante o tempo de sobrevida das hemácias (90 a 120 dias), dessa forma, a análise da hemoglobina glicada reflete os níveis glicêmicos nos últimos três meses. A terapia farmacológica em pacientes com diabetes mellitus consiste em estabilizar e controlar os níveis plasmáticos de glicose, reduzindo as complicações a longo prazo. Alguns medicamentos auxiliam o corpo a controlar o aumento da glicemia, enquanto outros, suplementam a insulina quando a sua produção pelo corpo não é o suficiente, o controle glicêmico deve ser individualizado, de acordo com a situação clínica. SECREÇÃO DE INSULINA E GLUCAGON E OS TIPOS DE DIABETES MELLITUS A regulação dos níveis de glicose no sangue é um processo fundamental para a saúde e o bem-estar do corpo humano. Dois hormônios desempenham papéis cruciais nessa regulação: a insulina e o glucagon. A insulina é produzida pelas células beta das ilhotas de Langerhans no pâncreas e age para diminuir os níveis de glicose no sangue, promovendo a sua absorção e o seu armazenamento nas células. Por outro lado, o glucagon, produzido pelas células alfa das ilhotas de Langerhans, eleva os níveis de glicose no sangue, promovendo a liberação de glicose armazenada no fígado. No entanto, quando ocorrem desequilíbrios nesse sistema delicado de regulação, surgem distúrbios metabólicos, sendo o mais notório o diabetes mellitus. Esta é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e é caracterizada por níveis elevados e persistentes de glicose no sangue. Existem vários tipos de diabetes mellitus, mas os mais comuns são o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2. A partir de agora você vai compreender esses conceitos, conhecendo de que forma se dá a secreção da insulina e do glucagon e os tipos de diabetes mellitus. Secreção de insulina e glucagon A síntese de insulina pelas células beta pancreáticas é regulada pela concentração plasmática aumentada de glicose, informações neurais e por efeitos de outros hormônios por meio de ações parácrinas e endócrinas. A insulina, juntamente ao peptídeo C, armazenados nas glândulas secretoras, são liberados na circulação 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 24/80 sanguínea através da exocitose, produzindo seus efeitos através da ligação a receptores específicos presentes na membrana de suas células-alvo. Seus receptores estão presentes em diversos tecidos, como tecido hepático, adiposo e muscular. Este hormônio tem um importante efeito anabólico no nosso corpo, ou seja, promove o armazenamento de nutrientes como a glicose, os aminoácidos e os ácidos graxos, quando estes estão em excesso na corrente sanguínea. O principal estímulo para secreção de insulina é a elevação da glicemia. Alguns alimentos com alto índice glicêmico como doces, farinha branca, algumas frutas e legumes, proporcionam um aumento da glicose sanguínea e consequentemente, aumento na liberação de insulina. Para avaliar a secreção e a ação da insulina podemos citar como exemplo o exame de curva glicêmica (ou TOTG), no qual o paciente ingere 75g de glicose dissolvida em água para avaliar o metabolismo dessa glicose em tempos predeterminados, uma vez que a sobrecarga de glicose induz a secreção de insulina. A insulina faz a ativação de transportadores de glicose nas membranas celulares, através de seus receptores, estimulando sua captação e uso pelas células, aumenta a conversão de glicose em glicogênio (glicogênese), auxilia na absorção de aminoácidos pelas células e síntese de proteínas celulares, promove a síntese de ácidos graxos e armazenamento de gordura no tecido adiposo (lipogênese), diminui a quebra do glicogênio em glicose (glicogenólise) e previne a quebra de proteínas e ácidos graxos para a glicogênese. A insulina é degradada no fígado, no rim e nos tecidos-alvo e apresenta meia-vida de três a oito minutos na circulação. Os diabéticos dependentes de insulina devem utilizar esse hormônio de forma injetável, uma vez que é um hormônio peptídico e hidrossolúvel, não consegue se difundir pelo revestimento intestinal, além disso, essa forma de administração permite que a insulina seja absorvida lentamente na corrente sanguínea, proporcionandoum controle mais preciso dos níveis de glicose no sangue ao longo do dia. Por sua vez, a secreção de glucagon é controlada por neuropeptídeos, hormônios, aminoácidos e pelo sistema nervoso autônomo (SNA), e assim como a insulina, o principal estímulo para regulação da secreção de glucagon é a concentração plasmática da glicose. Seu papel principal é o aumento de glicose no sangue, convertendo o glicogênio em glicose no fígado e músculos esqueléticos, através da glicogenólise, e também, pelo estímulo à produção de novas moléculas de glicose a partir de proteínas, através da gliconeogênese. Sua meia-vida na circulação é de três a seis minutos, e sua degradação ocorre no fígado. Dessa forma, pode-se dizer que a insulina e o glucagon são antagonistas fisiológicos, e o controle na secreção desses hormônios se dá de uma maneira recíproca. Após uma refeição rica em carboidratos, a concentração de glicose no sangue aumenta devido os processos digestivos. Neste momento, as células beta secretam insulina na corrente sanguínea fazendo com que a glicose disponível seja transformada em glicogênio no fígado. A glicose também pode ser armazenada nas células musculares e no tecido adiposo. Quando o nível de glicose diminui, a secreção de insulina diminui mediante o processo de retroalimentação negativa (feedback negativo). No jejum, período em que os níveis de glicose se mantêm reduzidos, as células alfa das ilhotas pancreáticas secretam o glucagon. O glucagon estimula o fígado a converter o glicogênio armazenado em glicose, causa lipólise e provoca a quebra de proteínas em aminoácidos que serão utilizados pelo fígado para sintetizar mais glicose, buscando aumentar sua concentração plasmática. Esse mecanismo auxilia na prevenção da hipoglicemia e manutenção da homeostasia em períodos de jejum. Conforme o nível glicêmico aumenta, a secreção de glucagon diminui em um processo de retroalimentação negativa (Figura 4). Figura 4 | Regulação por retroalimentação negativa de glucagon e insulina 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 25/80 Fonte: Tortora e Derrickson (2019, p. 649). A manutenção da glicemia em uma variação normal é essencial para a manutenção e o funcionamento do corpo. A redução na concentração de glicose no sangue pode acarretar prejuízos ao funcionamento do sistema nervoso, diminuição do pH sanguíneo, quadro que chamamos de acidose, assim como, o seu excesso também é prejudicial, podendo causar danos aos pequenos vasos, aos rins e à retina dos olhos. Tipos de diabetes mellitus O diabetes mellitus pode ser classificado em alguns tipos conforme a sua etiologia, possuindo diferenças nos sintomas e tratamentos, bem como a população atingida. Vamos conhecer os principais tipos de diabetes mellitus: Diabetes mellitus tipo 1 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 26/80 Esta é uma doença autoimune, mediada por linfócitos T que produzem anticorpos que destroem, progressivamente, as células beta das ilhotas pancreáticas, como consequência, o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. Em geral, o diabetes mellitus tipo 1 é resultado de múltiplos fatores, incluindo a suscetibilidade genética, acometendo principalmente crianças e adultos jovens, com menos de 20 anos de idade e persistindo por toda a vida. Os principais fatores genéticos que podem justificar a predisposição para o diabetes mellitus tipo 1 são o histórico familiar e a presença de determinados genótipos de antígeno leucocitário humano (HLA), além de outros 19 genes que já foram identificados como possivelmente envolvidos. A apresentação clínica é abrupta, quando os sinais e sintomas começam a aparecer, 80 a 90% das células beta já foram destruídas. Em virtude da deficiência absoluta de insulina, os indivíduos com diabetes mellitus tipo 1 necessitam de terapia de reposição de insulina. O quadro clínico está relacionado à hiperglicemia e pode ser composto por poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso, visão borrada, hálito cetótico e infecções. Nesses pacientes, como não existe insulina para auxiliar na entrada de glicose nas células do corpo, a maioria das células usa ácidos graxos do tecido adiposo para produção de ATP, a degradação excessiva dos ácidos graxos leva à perda de peso e ao acúmulo de corpos cetônicos (subprodutos resultantes dessa degradação). A formação dos corpos cetônicos faz com que o pH sanguíneo diminua, causando uma condição chamada de cetoacidose, e se não tratada rapidamente, pode levar à morte. Diabetes mellitus tipo 2 É o tipo mais comum de diabetes, correspondendo a 90% dos casos e resulta de defeitos na secreção e ação da insulina, por uma sensibilidade diminuída dos tecidos-alvo aos seus efeitos metabólicos, que chamamos de resistência insulínica. Normalmente surge após os 40 anos, porém, pode acometer crianças, adolescentes e jovens adultos, principalmente pela mudança no estilo de vida. Ao contrário do diabetes tipo 1, no qual o indivíduo apresenta uma deficiência absoluta de insulina, o diabetes tipo 2 está associado, inicialmente, ao aumento da concentração plasmática de insulina. Esse aumento ocorre como uma resposta compensatória das células beta à resistência insulínica. A diminuição na densidade de receptores de insulina prejudica a utilização e o armazenamento de carboidratos, aumentando o nível da glicose sanguínea (hiperglicemia). A resistência à insulina em pacientes diabéticos do tipo 2 está relacionada a fatores poligênicos, à obesidade visceral abdominal, ao sedentarismo e à idade avançada, e a hiperglicemia continuada potencializa ainda mais a resistência insulínica e disfunção das células beta das ilhotas pancreáticas. Dos principais mecanismos envolvidos na resistência à insulina, podemos citar: Inflamação sistêmica: a resistência à insulina está ligada a um estado inflamatório do corpo. Citocinas pró-inflamatórias, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e a interleucina-6 (IL-6), são secretadas em resposta ao excesso de nutrientes, como ácidos graxos livres, podendo interferir nos processos de sinalização da insulina nas células-alvo dos tecidos periféricos, reduzindo sua capacidade de responder adequadamente à insulina. Acúmulo de gordura intracelular: o acúmulo de gordura nos tecidos não adiposos, como fígado e músculos, pode levar a problemas na sinalização da insulina. O excesso de ácidos graxos e outros lipídeos dentro das células pode interferir na via de sinalização de insulina, reduzindo a sua eficácia. 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 27/80 Estresse oxidativo: as mitocôndrias das nossas células são responsáveis pela produção de energia, disfunções mitocondriais podem ocorrer em indivíduos com resistência à insulina, afetando a capacidade das células em utilizar glicose como fonte de energia. Via serina/fosfatidilinositol-3 quinase (PI3K): a insulina normalmente ativa uma via de sinalização que envolve a fosforilação da proteína quinase ativada por mitógeno (MAPK) e a fofatidilinositol-3 quinase (PI3K). Na resistência à insulina, essa vida pode estar comprometida, levando a uma diminuição na captação de glicose pelas células. Secreção inadequada de insulina: à medida que a resistência à insulina se desenvolve, o pâncreas tenta compensar produzindo mais insulina. Com o tempo, essa resposta pode diminuir, levando a níveis elevados de glicose no sangue e desenvolvimento do diabetes tipo 2. Fatores genéticos e epigenéticos: a resistência à insulina também apresenta uma base genética, certos genes estão associados a uma maior predisposição para desenvolver resistência à insulina e, consequentemente, o diabetes tipo 2. Além disso, fatores epigenéticos, que são alterações químicas nas moléculas de DNA que afetam a expressão gênica, também podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento da resistênciaà insulina. Obesidade: a obesidade, especialmente o acúmulo de gordura abdominal está fortemente associada à resistência insulínica. Células adiposas liberam moléculas chamadas adipocinas, que contribuem para inflamação e resistência à insulina. Conforme mostra a figura a seguir, a resistência à insulina associada à obesidade é induzida por adipocinas, ácidos graxos livres (AGLs) e inflamação crônica no tecido adiposo. As células β pancreáticas compensam a resistência à insulina por meio da hipersecreção de insulina. No entanto, em algum momento, a compensação das células β é seguida por falência das células β, o que resulta em diabetes. Figura 5 | Resistência à insulina associada à obesidade 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 28/80 Fonte: Kumar (2021, p. 775). O início do diabetes mellitus tipo 2 é gradativo e frequentemente não é detectado até que os sinais sejam encontrados nos exames de rotina, ou que ocorra alguma complicação. O tratamento envolve o uso de medicamentos para controlar a glicose, embora às vezes, sejam necessárias injeções de insulina, dependendo da gravidade, os níveis glicêmicos podem ser controlados com dieta e atividade física. Quadro 2 | Características do diabetes mellitus tipos 1 e 2 Tipo 1 Tipo 2 Etiologia Destruição autoimune das células beta das ilhotas pancreáticas Resistência à insulina pelos tecidos periféricos, disfunção das células beta Idade de início Geralmente abaixo dos 20 anos Geralmente acima dos 40 anos Níveis de insulina Baixa ou ausente Inicialmente elevada Ação da insulina Baixa ou ausente Diminuída 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 29/80 Tipo 1 Tipo 2 Sensibilidade à insulina Normal Reduzida Tratamento Insulinoterapia Mudanças no estilo de vida e antidiabéticos orais na maioria dos casos. Fonte: adaptado de Hall e Hall (2021, p. 987). De forma geral, a secreção de insulina pelo pâncreas é um processo fisiológico essencial para a regulação dos níveis de glicose no sangue. Quando ocorrem desequilíbrios nesse sistema, como a produção insuficiente de insulina ou resistência à insulina, pode ocorrer o desenvolvimento de condições como o diabetes mellitus. A Figura 6 a seguir compara: O pâncreas saudável, secretando insulina dentro dos padrões normais e, dessa forma, efetivando sua ação no organismo. O diabetes mellitus tipo 1, em que há deficiência ou ausência na produção de insulina pelas células beta pancreáticas. O diabetes mellitus tipo 2, em que as células-alvo não respondem adequadamente à insulina. Figura 6 | Diferença entre o diabetes mellitus (DM) tipo 1 e tipo 2 na secreção e ação da insulina 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 30/80 Fonte: adaptada de Shutterstock. Diabetes gestacional Trata-se do distúrbio metabólico mais comum na gestação, sendo caracterizada como intolerância à glicose com início ou reconhecimento durante a gravidez. Durante a gestação acontecem várias alterações no metabolismo dos carboidratos, sendo que no primeiro trimestre, predominam os efeitos decorrentes da utilização de glicose pelo feto, levando à hipoglicemia em jejum, diminuindo as necessidades de insulina pela mãe. As concentrações plasmáticas de glicose aumentam no segundo e terceiro trimestre de gestação principalmente pela ação de diversos hormônios aumentados neste período que apresentam ação antagônica à insulina, e são responsáveis pelo aumento progressivo da resistência insulínica. O diabetes gestacional está associado a riscos para o feto e para a gestante. Quando mal controlada, há um risco elevado de aborto espontâneo, malformações congênitas, nascimento pré-maturo, pré-eclâmpsia e natimortos. Na maioria das mulheres com diabetes gestacional, os níveis glicêmicos retornam ao normal entre três e sete dias após o parto, no entanto, entre 15 a 50% das mulheres irão desenvolver o diabetes mellitus tipo 2 após a gestação. Existem, ainda, outras condições que podem gerar um quadro de diabetes mellitus, como defeitos monogênicos na função das células beta pancreáticas, defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas exócrino como pancreatite ou neoplasias, terapias medicamentosas, entre outras desordens do sistema endócrino que envolvem hormônios que aumentam os níveis de glicose no sangue. Manifestações clínicas do diabetes mellitus 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 31/80 Após uma refeição rica em carboidratos, nos pacientes com diabetes mellitus, o nível de glicemia permanece alto porque as células são incapazes de captar e usar a glicose disponível na corrente sanguínea por causa da ausência ou diminuição de insulina. O aumento da glicose plasmática apresenta vários efeitos adversos ao corpo. Os sintomas clássicos de hiperglicemia são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso, como mencionado anteriormente. A concentração de glicose no filtrado glomerular é a mesma que no sangue, conforme o nível de glicose no sangue aumenta, a quantidade de glicose filtrada pelos rins, excede a capacidade dos túbulos renais em reabsorvê-la, consequentemente, há uma grande quantidade de glicose eliminada na urina (glicosúria). A perda de glicose através da urina causa diurese osmótica, efeito osmótico pela presença de glicose nos túbulos renais, reduzindo a reabsorção tubular de líquidos e aumentando o volume urinário, causando poliúria. Níveis extremamente altos de glicose no sangue podem causar uma grave desidratação celular em todo o corpo, isso acontece, em parte, porque a glicose disponível no plasma não difunde sozinha através da membrana celular, e o aumento da pressão osmótica nos líquidos extracelulares causa transferência osmótica de água para fora das células. Essa condição, junto à excreção excessiva de urina (poliúria), leva à desidratação do paciente, causando uma sede excessiva (polidipsia). Ainda, na ausência de insulina, as células estão privadas de glicose, levando ao desarranjo do metabolismo energético em que as células utilizam vias alternativas para produzir a energia que precisam, como a gliconeogênese a partir de aminoácidos e proteínas do corpo, e do catabolismo da gordura corporal, causando perda de peso de forma involuntária. O catabolismo de proteínas e gorduras, induz um balanço energético negativo, que, por sua vez, leva a um aumento do apetite (polifagia). O paciente sente muita fome, come e ainda assim, perde peso, se sentindo fraco e cansado, este quadro acontece com maior frequência em pacientes diabéticos do tipo 1, sendo raro em diabéticos do tipo 2. Na maioria dos casos, principalmente no diabetes tipo 2, o quadro é assintomático. O paciente pode apresentar fadiga, tontura, fraqueza, visão turva, entretanto, com maior frequência, o diagnóstico é estabelecido após exames de sangue de rotina. A morbidade associada ao diabetes tipo 1 e tipo 2 acontece devido aos danos induzidos nas artérias de grande e médio calibre (doença macrovascular diabética) e nos pequenos vasos (doença microvascular diabética) pela hiperglicemia crônica. A doença macrovascular diabética pode levar a aterosclerose, aumentando o risco de acidente vascular encefálico, infarto agudo do miocárdio e isquemia dos membros inferiores. Os efeitos da doença microvascular diabética acometem principalmente a retina, rins e nervos periféricos, resultando em retinopatia diabética, nefropatia e neuropatia. TERAPIA FARMACOLÓGICA E DIAGNÓSTICO DO DIABETES MELLITUS Para compreender os principais exames relacionados ao diagnóstico do diabetes mellitus e a terapia farmacológica aplicada aos pacientes, vamos contextualizar primeiramente uma situação problema. Paulo, de 11 anos, vem apresentando nos últimos quatro meses um quadro de poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso,sua mãe agendou uma consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua casa. No exame físico, a médica que atendeu Paulo verificou que o paciente apresentava peso e altura ideais para sua idade, estado geral regular, e na anamnese clínica, a mãe de Paulo informou à médica que o avô paterno de Paulo 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 32/80 tinha diabetes mellitus tipo 1. Considerando os sintomas e histórico familiar, a médica logo suspeitou de um possível diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1. Vamos relembrar sobre o diabetes mellitus? Como podemos diferenciar o diabetes mellitus tipo 1 do tipo 2? O diabetes mellitus, de forma geral, é caracterizado por hiperglicemia, resultando de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas e, consequentemente, uma deficiência absoluta de insulina, acometendo principalmente pessoas jovens. O diabetes tipo 2 é causado por uma combinação da resistência periférica à ação da insulina e uma resposta secretória inadequada de insulina pelas células beta pancreáticas, e acontece, principalmente, após a idade adulta. Em pessoas com diabetes, especialmente diabetes tipo 1, a regulação normal do glucagon também pode ser comprometida. Isso pode resultar em uma produção excessiva de glucagon, mesmo quando os níveis de glicose estão elevados, o que contribui para hiperglicemia (níveis elevados de glicose no sangue). Isso é mais evidente em situações em que há uma falta completa de insulina. Como você já sabe, as manifestações clínicas características do diabetes incluem: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso, sintomas semelhantes ao que encontramos na nossa situação-problema. Apesar da suspeita, é necessária a realização de exames laboratoriais para confirmação do diagnóstico. A seguir, vamos nos aprofundar sobre os principais exames utilizados para o diagnóstico laboratorial. Diagnóstico do diabetes mellitus De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, os critérios diagnósticos atualmente aceitos são: glicemia plasmática em jejum, exame de curva glicêmica (ou teste de tolerância oral à glicose – TOTG) e hemoglobina glicada (HbA1c). Vamos saber mais sobre eles: Glicemia plasmática em jejum: este exame, como mencionado anteriormente, avalia os níveis plasmáticos de glicose em jejum de no mínimo de oito horas. É considerado normal valores menores ou iguais a 100 mg/dL. Dois valores iguais ou superiores a 126 mg/dL em ocasiões diferentes fecham o diagnóstico, ou quando uma única glicemia em jejum estiver acima desse valor e associada a outro critério de diagnóstico positivo. Exame de curva glicêmica ou teste de tolerância oral à glicose (TOTG): esse teste, como visto anteriormente, avalia como o corpo processa a glicose após uma sobrecarga de 75g de glicose dissolvida em água. Com o TOTG é possível avaliar a curva glicêmica, cujas amostras são coletadas em pelo menos três tempos, podendo ser em 30, 60, 90, 120 e às vezes, 180 minutos após a sobrecarga de glicose. O valor igual ou superior a 200 mg/dL após 120 minutos do teste, sela o diagnóstico. O paciente deve seguir seus hábitos alimentares e atividade física normalmente nos dias que antecedem o exame, e não deve fumar ou caminhar no período de realização do exame. Hemoglobina glicada (HbA1c): a análise da hemoglobina glicada reflete os níveis glicêmicos nos últimos três meses, a porcentagem de HbA1c depende da concentração de glicose no sangue, duração da exposição da hemoglobina à glicose e do tempo de meia-vida das hemácias, dessa forma, quanto maior o período de contato e a concentração de glicose, maior será a porcentagem. É considerado normal valores menores ou iguais a 5,7%, valores iguais ou acima de 6,5% são indicativos de diabetes mellitus. A análise laboratorial da HbA1c foi mundialmente padronizada pelo método de cromatografia líquida de alta 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 33/80 eficiência (CLAE), sendo que deve ser considerado o diagnóstico do diabetes mellitus em pacientes com valor igual ou maior a 6,5%. Quadro 3 | Valores de referência adotados pela Sociedade Brasileira de Diabetes e Associação Americana de Diabetes Exame Normal Pré-diabetes Diabetes Glicemia em jejum (mg/dL) ≤ 100 100 a 125 ≥ 126 Glicemia 2 horas após TOTG 75g de glicose (mg/dL) ≤ 140 140 a 1900 ≥ 200 Hemoglobina glicada (%) ≤ 5,7 5,7 a 6,4 ≥ 6,5 Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes, são necessários dois exames alterados para confirmação diagnóstica, caso somente um exame esteja alterado, o ideal é repeti-lo para excluir erro laboratorial. Em pacientes com sintomas de hiperglicemia, como poliúria, polidipsia e perda de peso involuntária, é recomendado que o diagnóstico seja feito por meio de glicemia ao acaso. Valores maiores ou iguais a 200 mg/dL é o suficiente para estabelecer o diagnóstico. O rastreamento é recomendado a todos os indivíduos com 45 anos ou mais, mesmo sem fatores de risco. Em adultos com exames normais, porém, que apresentam pelo menos um fator de risco para o desenvolvimento do diabetes, o rastreamento laboratorial deve ser feito em intervalo de um ano. Voltando à nossa situação-problema, após a avaliação clínica, a médica solicitou exames laboratoriais. Os exames de Paulo apresentaram os seguintes resultados: Glicemia em jejum: 136 mg/dL Glicemia 2 horas após TOTG: 250 mg/dL Hemoglobina glicada: 7,5% Logo, considerando a idade do paciente, peso e altura normais para a idade, o fato de possuir histórico familiar, associado aos resultados obtidos, a médica da UBS chegou ao diagnóstico do diabetes mellitus tipo 1. O diabetes mellitus tipo 1, como vimos anteriormente, é uma condição autoimune, na qual o sistema imunológico do corpo ataca e destrói as células beta das ilhotas pancreáticas, resultando em uma diminuição ou ausência da secreção de insulina. A possibilidade de ser diabetes mellitus tipo 2 foi descartada uma vez que essa forma acomete principalmente adultos, idosos e pacientes obesos. Uma vez compreendido o quadro clínico do paciente, qual seria a conduta terapêutica ideal? Terapia farmacológica do diabetes mellitus A perda da função pancreática na secreção de insulina é um marco do diabetes mellitus do tipo 1, dessa forma, a terapia insulínica é a principal modalidade de tratamento para os pacientes com essa condição. A terapia com insulina exógena mimetiza a reposição da insulina endócrina, auxiliando as moléculas de glicose a 30/03/2026, 14:24 wlldd_231_u2_sis_dig_end_ren https://www.avaeduc.com.br/mod/url/view.php?id=4367073 34/80 penetrarem nas células do tecido muscular, adiposo e hepático. Como se trata de um hormônio peptídico, a insulina é imprópria para administração oral, sendo administrada por via parenteral, geralmente por injeção subcutânea com agulha de calibre fino. Para suprir as necessidades do paciente diabético, as formulações de insulina são classificadas como de ação rápida e curta, ação intermediária ou ação longa, dependendo do pico e da duração de ação do fármaco (Figura 7). Preparações de insulina de ação rápida e curta: quatro preparações se enquadram nesta categoria: insulina regular, lispro, asparte e glulisina. Essas insulinas são administradas para mimetizar a liberação de insulina no momento da refeição e controlar a glicose após refeição (pós-prandial). A insulina regular deve ser injetada 30 minutos antes da refeição, enquanto as insulinas lispro, asparte e glulisina, são administradas 15 minutos antes ou imediatamente antes da refeição. Essas preparações alcançam o máximo de ação em cerca de duas horas e duram até seis horas. Preparações de insulina de ação intermediária: a insulina neutra com protamina Hagedorn (NPH) é uma preparação de ação intermediária,