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Criado por @resuvet_ veterináriaveterinária OftalmologiaOftalmologia Informações Caro leitor, A apostila foi criada com o intuito de auxiliar nos seus estudos, com praticidade e fácil entendimento. Todas as informações contidas aqui, foram retirados de artigos, livros e anotações realizadas em aulas e no final do conteúdo você pode acessar as referências. Lembre-se que a apostila não substitui livros, utilize como material de apoio e sempre busque mais informações sobre o assunto. Não compartilhe esse material para terceiros, isso desvaloriza meu trabalho e infringe a lei da Constituição Federal de 1988 no inciso XXVII do Artigo 5º, e também a Lei de Direitos Autorais nº 9.610/98. Beijinhos de luz, Resuvet Material produzido por Andressa Aparecida Corrêa (@resuvet_) https://www.politize.com.br/constituicao-de-1988/ https://www.politize.com.br/artigo-5/ https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/92175/lei-de-direitos-autorais-lei-9610-98 Sumário Anatomia do olho.....................................................................................................1 Túnica Fibrosa..........................................................................................................2 Córnea.................................................................................................................2 Esclera.................................................................................................................4 Túnica Vascular........................................................................................................5 Íris.........................................................................................................................5 Corpo Ciliar..........................................................................................................6 Coroide................................................................................................................8 Túnica Nervosa.......................................................................................................10 Retina..................................................................................................................10 Disco óptico........................................................................................................11 Outras estruturas......................................................................................................12 Órbita...................................................................................................................12 Músculos Extraoculares......................................................................................12 Pálpebras............................................................................................................13 Terceira Pálpebra................................................................................................14 Cílios....................................................................................................................14 Vias Lacrimais.....................................................................................................15 Conjuntiva...........................................................................................................16 Glândulas............................................................................................................16 Cristalino..............................................................................................................17 Humor vítreo........................................................................................................17 Neuro-oftalmologia..................................................................................................18 Nervos cranianos................................................................................................19 Semiologia nervo-oftálmica................................................................................20 Semiologia oftálmica...............................................................................................25 Terapia Oftálmica....................................................................................................34 Pálpebras................................................................................................................36 Brefarite...............................................................................................................36 Dermoide..................... ......................................................................................37 Anquiloblefaro.....................................................................................................38 Entrópio...............................................................................................................38 Entrópio de Canto Medial...................................................................................40 Ectrópio...............................................................................................................40 Anormalidades dos Cílios...................................................................................42 Calázio................................................................................................................44 Hordéolo.............................................................................................................45 Neoplasias palpebrais.......................................................................................45 Conjuntiva e Terceira Pálpebra...............................................................................47 Conjuntivite..........................................................................................................47 Síndrome de Horner...........................................................................................48 Eversão de Cartilagem.......................................................................................49 Prolapso da Glândula da 3° Pálpebra..............................................................49 Sistema Lacrimal.....................................................................................................52 Dacriocistite.........................................................................................................52 Agenesia do Ducto Nasolacrimal..................................................................54 Córnea.....................................................................................................................55 Reações corneanas.......................................................................................56 As cores da córnea........................................................................................56 Reparação........................................................... ..........................................61 Sessão: ceratites.............................................................................................63 Não Ulcerativas...........................................................................................63 Ceratite Pigmentar................................................................................63 Ceratoconjuntivite seca........................................................................64 Ceratite Superficial Crônica – Pannus oftálmico..................................65 Flórida Spots........................................................................................66 Ulcerativas..................................................................................................67 Superficiais..........................................................................................68 Profundas............................................................................................69 Ceratite indolente.................................................................................72 Úlcera em Melting /ter a coloração preta e essa pigmentação pode ser o sequestro corneano. Lembrando que outras espécies, como cães e cavalos podem apresentar esse tipo de afecção, mas em menor frequência. ▪ Branco cremoso e brilhante: ocorre pela deposição de lipídios ou cálcio. É difícil diferenciar e pode ser primário (Husky Siberiano, Beagle e Cavalier) ou adquirido como endocrinopatias, por exemplo. Uma gama diversificada de materiais pode acumular ou ser depositada na córnea, principalmente dentro do estroma. Isso inclui lipídios ou minerais (às vezes em combinação. O diagnóstico pode ser realizado juntamente com a dosagem de colesterol ou minerais séricos. Amarelo esverdeado: é quando ocorre infiltrado estromal leucocitário, ou seja, há uma inflamação ocorrendo. A inflamação pode ter origem da lágrima, limbro ou trato uveal. Podendo ser uma ceratite estromal ou um abcesso cornenano e é muito importante que faça a diferenciação de ceratite bacteriana de ceratite fúngica. Em cães a bacteriana é a mais comum e em equinos a fúngica é frequente (Aspergillus é o mais comum). Fonte: Dra Adriana Lima Teixeira Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 61 Reparação A cicatrização da córnea dependerá da profundidade da úlcera. Úlceras superficiais que envolvem somente o epitélio e lesões que envolvem o estroma, cicatrizam por migração (deslizamento de epitélio) e mitose. Em úlceras profundas pode acarretar no rompimento da membrana de Descemet (se rompida, ela se enrola nela mesma). A cicatrização do endotélio é limitada, por esse motivo, a cicatrização ocorre por meio de hipertrofia e deslizamento, ao invés de mitose. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 62 ▪ Cicatrizes da Córnea: nébula, mácula e leucoma. ↪ Nébula: opacidade menor, difusa e sem distinção da borda. ↪ Mácula: densa e bem definida ↪ Leucoma: grande densidade e a córnea fica com o aspecto esbranquiçado. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 63 Sessão: Ceratites Introdução: as ceratites são eventos inflamatórios da córnea. Elas podem ser não ulcerativas ou ulcerativas, podendo haver contaminação microbiana. Para relembrar as estruturas da córnea: Não Ulcerativas Ceratite pigmentar ▪ Definição: é a deposição de pigmento melânico entre as camadas superficiais da córnea (epitélio). A pigmentação resulta da migração de melanócitos provenientes do limbo e de tecidos perilímbicos, sendo mais comumente associada à inflamação crônica. ↪ É comum em braquicefálicos pequenos, como o Pug. ↪ Pacientes com ceratite pigmentar costumam apresentar ceratoconjuntivite seca (KCS). ▪ Tratamento: o ideal é remover a causa, exemplo, animal com triquíase ou com KCS. No caso da KCS fazer a lubrificação do olho e triquíase, fazer a correção cirúrgica. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 64 Ceratoconjuntivite Seca ▪ Definição: não é uma lesão primária da córnea e é um problema comum na veterinária, principalmente em algumas raças. A condição geralmente resulta da deficiência do componente aquoso do filme lacrimal pré-corneano. ▪ Etiologia: está relacionada a predisposição racial, hipotireoidismo, paralisia do nervo facial, agenesia ou hipoplasia de glândula lacrimal, medicamentos (atropina, sulfonamidas), excisão cirúrgica da glândula da terceira pálpebra, conjuntivite e cinomose (vírus epiteliotrófico). ▪ Diagnóstico: histórico (administração de medicamentos, excisão da glândula de terceira pálpebra, crises repetidas de conjuntivite que se repetem quando a medicação tópica é interrompida), sinais clínicos e valores do teste de Schirmer. Valores menores que 15 mm/min são suspeitos, principalmente quando se trata de cães braquicefálicos. ↪ A coloração de rosa bengala também pode ser útil. A rosa de Bengala mancha as células conjuntivais e o muco de um vermelho brilhante quando são desvitalizados por secagem. Pode ser realizado o tempo de ruptura da lágrima, utilizando a fluoresceína. ▪ Sinal Clínico: secreção ocular mucoide (compensatório) a muco-purulenta, que se adere ao epitélio e que, normalmente, acompanha perda de brilho da córnea e hiperemia conjuntiva1. Podem apresentar vascularização e pigmentos na córnea. ↪ O paciente costuma chegar com crise do olho seco, como na primeira e segunda foto. ▪ Tratamento: tirar o animal da crise, controlar a infeção secundária e utilizar lacrimominéticos e lacrimoestimulantes. Fazer a limpeza do olho com solução fisiológica. ↪ Lacrimominéticos: Tears (evapora muito rápido, não é a melhor escolha), Systane, Hyabak, Dunason. Associações: ↪ Lacrimoestimulantes: quando o Shirmer for inferior a 5mm/min. (efeitos em 30 a 60 dias). Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 65 ↪ Tacrolimus 0,03% (pode ter efeito colateral de dor e olho vermelho) ou ciclosporina A (manipulada 0,25 a 2%). ↪ Associações sistêmicas: ↪ Ômega 3/6: melhorar a mucina do filme lacrimal (1 gota porte grande e 500mg porte pequeno). ↪ Óleo de linhaça: efeito anti-inflamatório: 500mg/animal. – VO. ↪ Tetraciclinas: diminui a presença de bactérias 15 – 20mg/kg – VO ↪ Doxiciciclina: imunomodulador ↪ Soro autólogo ou heterólogo: modulam a inflamação, favorece os fatores de crescimento, disponibiliza vit. A, lipozima e fibronectina. ↪ Cirúrgico: ↪ transposição do ducto parotídeo, mas é raramente realizado ↪ fechamento parcial da fissura palpebral Ceratite Superficial Crônica (Pannus Oftálmico) ▪ Definição: caracterizado pelo crescimento de um tecido conectivo vascular (fibroso) que se origina no limbo e invade progressivamente a córnea. Tem coloração esbranquiçada/avermelhada. É uma enfermidade inflamatória progressiva bilateral que ocasionalmente pode invadir a 3° pálpebra. ▪ Sinais Clínicos: manifesta-se bilateralmente na forma de lesão avermelhada, vascularizada, com infiltração sub-epitelial de tecido conjuntivo. Geralmente o epitélio corneano permanece intacto, e a migração de pigmentos (melanose corneana) comumente acompanha o infiltrado fibrovascular inflamatório, que invade o estroma anterior. Olho seco, blefaroespasmo e fotofobia. Importante: Shih-tzu e Lhasa-apso são frequentemente acometidos, no estágio, 8 a cada 10 pacientes dessa raça possuíam KCS. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 66 ▪ Etiologia: correlação com a radiação ultravioleta, poeira e vento. Atinge animais de 2 a 7 anos de idade, sem predileção por sexo. Afeta principalmente cães da raça: Pastor Alemão. ▪Diagnóstico: a partir dos sinais clínicos e histórico. ▪Tratamento: ↪ AIE: dexametazona ou prednisolona tópica ou subconjuntival. ↪ Ciclosporina A + Prednisolona: subconjuntival – casos crônicos. ↪ Cirurgia: ceratectomia – retirada uma lâmina da córnea. Flórida Spots ▪ Definição: pequenas opacidades estromais da córnea branca, geralmente multifocais, únicas que normalmente surge em animais que vivem em climas tropicais e subtropicais. Essas opacidades não estão associadas a inflamação ou dor, não respondem a nenhuma terapia e aparentemente são auto-limitantes. Frequentemente encontrado em gatos. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 67 Ceratites Ulcerativas ▪ Definição: consiste na perda de uma ou mais camadas da córnea, é a afecção mais frequente na rotina oftalmológica. A córnea possui pouca tendência a cicatrização por ser avascular e as lesões costumam se aprofundar com frequência e podem estar associadas a bactérias. ▪ Etiologia: as causas podem ser mecânicas (alterações ciliares, corpos estranhos, traumas), causas infecciosas (bactérias, vírus ou fungos), afecções neurais(lesões no nervo trigêmeo ou facial, o animal ficará sem piscar e causará ressecamento), afecções metabólicas (dislipidemias, no caso do hipotireoidismo). As úlceras são classificadas de acordo com o comprometimento das camadas corneanas: ↪ superficial ↪ estromal anterior ou posterior ↪ descemetocele ▪ Sinais clínicos: blefaroespasmo (dor), epífora (lacrimejamento), secreção ocular que pode ser mucosa a mucopurulenta, a córnea perde a transparência devido a edema e infiltrados celulares, fotofobia (sensibilidade a luz), hiperemia conjuntival (olho vermelho), hipópio pode surgir. Em casos graves em que há contaminação bacteriana, ocorre o melting. ▪ Diagnóstico: o histórico é imprescindível (o animal fica lacrimejando? Foi feito algum tratamento?) Progressão (quando começou?). Analisar o olho com a lâmpada de fenda primeiramente com a luz acesa, em seguida analisar com a luz apagada, somente depois de um exame minucioso deve partir para o corante (fluoresceína). O animal sentirá dor, portanto deve destilar 1 gota de colírio anestésico para realizar o exame. ▪ Tratamento: o tratamento irá depender do tipo de lesão, se é superficial ou profunda, mas basicamente o tratamento para as úlceras é: Blefaroespasmo Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 68 ↪ Controle da dor – atropina 1% (3 dias), anti-inflamatório; ↪ Favorecer a cicatrização: EDTA, soro autólogo. ↪ Antibióticoterapia: oral e oftálmico ↪ Lubrificação ↪ Uso de colar elizabetano ou viseira é essencial para o sucesso do tratamento. Úlceras Superficiais ▪ Definição: esse tipo de úlcera costuma ser mais dolorosa do que as úlceras profundas, devido a inervação, onde os receptores de dor ficam no epitélio e comumente são lesões mais extensas. Ocorre lesão na primeira camada, ou seja, epitélio. Nesse tipo de úlcera ocorre lesão do epitélio sem envolver o estroma. ▪ Tempo de cicatrização: 2 a 6 dias. ▪ Tratamento: ↪ Controle da dor: atropina 1% (3 dias) + anti-inflamatório (VO) ↪ Favorecer a cicatrização: EDTA, soro autólogo, ácido hialurônico. ↪ Lubrificação ↪ Uso de colar elizabetano ou viseira é recomendável; Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 69 ↪ Antibiótico: se tem como objetivo prevenir infecções, portanto em úlceras de córnea se utiliza antibioticoterapia sempre. Lembrando que rapidamente pode se tornar úlcera profunda e fazer ceratomalácea. ▪ Observação importante: em gatos deve se atentar ao herpes vírus, eles causam uma úlcera chamada de “úlcera dendrítica” ou “úlcera geográfica”. Úlceras Profundas ▪ Definição: as úlceras profundas ultrapassam o epitélio atingindo o estroma. Elas possuem vários graus e normalmente se inicia como superficial e evolui para profunda. Geralmente são lesões centrais e arredondadas. Um fator importante é que úlceras que ultrapassam 50% do estroma são tratadas cirurgicamente. Quando as úlceras profundas ficam na penúltima camada, ou seja, na membrana de Descemet, é considerado emergencial, pois pode ocorrer descemetocele e se caso a membrana de Descemet for rompida, o epitélio não consegue sustentar o humor aquoso, havendo perfurações. Outro fator importante, é que a grande maioria dos casos a úlcera profunda vem acompanhada de contaminação bacteriana e pode fazer melting rapidamente (24 a 48hrs), levando a perfuração seguido de extravasamento do humor aquoso. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 70 Em alguns casos pode se ter uma uveíte reflexa associada, chamada de ceratouveíte ulcerativa. ▪ Exposição da Membrana de Descemet: a membrana de Descemet não se cora com a fluoresceína, onde toda a região do epitélio e estroma se coram deixando o centro não corado. Neovascularização, edema de córnea, úlcera profunda, é possível visualizar a membrana de Descemet. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 71 ▪ Descemetocele: úlceras de córnea profundas, onde o estroma (segunda camada da córnea) é completamente lesionado, a membrana de Descemet (penúltima camada da córnea) se projeta para fora a fim de tamponar a lesão. Assim ocorre a descemetocele, que é uma defesa da córnea para tentar evitar um quadro de perfuração ocular. É considerada uma emergência cirúrgica, sendo a recomendação cirúrgica. ▪ Tratamento: ↪ Controle da dor: atropina 1% por no máximo 3 dias e anti-inflamatório: meloxicam, carprofeno (VO). ↪ Favorecer a cicatrização: soro autólogo, etc. ↪ Lubrificação ↪ Uso de colar elizabetano ou viseira!!! ↪ Antibiótico: Trobamicina, Ciprofloxacino, Ofloxacino, Neomicina + Polimixina B, Cloranfenicol. ↪ Cirurgias: por muito tempo o flap de 3° pálpebra foi utilizado nas úlceras de córnea. Atualmente sabe-se que o flap de 3° pálpebra não promove a vascularização e atrapalha a visualização da progressão das úlceras, além de atrapalhar a administração de colírios. Por esse motivo, hoje não é recomendada a utilização desse procedimento para úlceras de córnea, sendo sua única e exclusica indicação para ceratopatia bolhosa. Porém, ainda é possível encontrar profissionais que realizam esse tipo de terapia. ↪ Ceratoplastias ↪Transplantes de córnea: córnea fresca, córnea congelada ou biocórnea. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 72 Quando é indicado o transplante? Úlceras profundas com mais de 4mm de profundidade, quando há risco de perfurações ou descementocele. ▪ Possíveis sequelas: ↪ A - Descemetocele. ↪ B - Sinéquia anterior. ↪ C - Prolapso da íris. Úlcera Indolente ▪ Definição: é um defeito histológico da córnea, devido à ausência de hemidesmossomos que é responsável por manter a união do epitélio com o estroma. Nesse tipo de ceratite o epitélio vai se soltando do estroma. A B C Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 73 As lesões são superficiais e possuem surgimento espontâneo, com evolução lenta e normalmente é bilateral. É de difícil cicatrização por não haver união do epitélio com o estroma, a aderência entre as duas camadas é comprometida. Pode haver contaminação bacteriana, onde as bactérias ficam por baixo do epitélio. No teste da fluoresceína há a formação de um halo em volta da úlcera bem demarcada, isso demonstra que há epitélio não aderido ao redor da lesão, sugerindo ulcera indolente. O padrão de coloração é subepitelial. A cronicidade pode levar a vascularização. A seta representa o epitélio da córnea separado do estroma. (Laus JL. Oftalmologia Clínica e Cirúrgica em Cães e Gatos. 1ª ed. São Paulo: Roca, 2007). Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 74 ▪ Tratamento: sempre será cirúrgico, nele inclui remover o epitélio solto que não está aderente ao estroma subjacente e promover a aderência do novo epitélio. Associações medicamentosas com anti-inflamatório + antibiótico. ↪ Debridamento com solução fisiológica gelada: friccionar o swab estéreo para retirar o epitélio solto. ↪ Ceratotomia: retirada de um segmento da córnea. ↪ puntada ↪ grade Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 75 ↪ Diamond Burr: realizado com colírio anestésico, sem a necessidade de anestesia geral. Após a realização do debridamento, Diamond Burr ou ceratectomia pode se utilizar lentes de contato para auxiliar no tratamento da dor. Ceratite em Melting ou Malácea Estromal ou Ceratomalácea ▪ Definição: é o tipo de úlcera que requer tratamento emergencial e está relacionada a complicações de uma úlcera profunda. É caracterizada pela progressiva dissolução do estroma corneanocausada por várias enzimas proteolíticas que atuam sobre o colágeno, proteoglicanos e outros componentes da matriz celular. As bactérias presentes na córnea liberam enzimas que degradam o colágeno da córnea, a Pseudomonas spp é a principal bactéria envolvida. ▪ Clinicamente: se manifestam como uma ulceração irregular, com abaulamento e edema da córnea, com secreção mucoide. Apresentam dor ocular, epífora, blafaroespasmo e fotofobia. Possui prognóstico reservado a desfavorável. Atenção: A agressão da córnea é para estimular uma reação inflamatória local para estimular a vascularização e facilitar a cicatrização. Antes de realizar o Diamob Burr ou ceratectomia, deve ser realizado primeiramente o debridamento. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 76 ▪ Tratamento: correção cirúrgica emergencial, a úlcera neste estágio pode perfurar rapidamente. ↪ Pós operatório: ↪ Analgesia sistêmica: meloxicam (VO) ↪ Utilização de agentes ante-proteolíticos: soro autólogo com EDTA ↪ Acetilcisteína: 1 gota a cada 6 hrs ↪ Doxiciclina (VO): efeito ante proteolítico e anti-bacteriano. ▪ Importante: o tratamento das ceratites ulcerativas tem como objetivo eliminar a causa primária, reduzir a inflamação, controlar a infecção, criar um ambiente ideal para a reparação da lesão, prevenir a progressão da lesão e, caso necessário, tratamento cirúrgico para evitar a perfuração da córnea. Sequestro Corneano ▪ Definição: é uma ceratopatia predominante na espécie felina, mas equinos e cães podem apresentar, mesmo que raramente. São áreas de necrose estromal, podendo ser secundária a úlceras profundas, uso de corticosteroides tópicos, ceratotomia em grade ou irritação corneana crônica (triquíase/entrópio). As raças felinas mais acometidas são Persas e Himalaio. O Herpervírus felis está muito relacionado com essa afecção. Há a formação de áreas de degeneração corneana de coloração âmbar, marrom ou preto. São encontradas ceratócitos necróticos, desarranjo de colágeno e células inflamatórias. A causa da pigmentação é desconhecida. ▪ Etiologia: inicialmente se manifesta como uma pequena ulceração central ou paracentral na córnea, o sequestro ocorre no leito da lesão, tendo uma cicatrização improvável. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 77 ▪ Sinais Clínicos: mancha escura na córnea central, vascularização variada, blefaroespasmo, secreção mucopurulenta em pouca quantidade e epífora com lágrimas de coloração escura. Inicialmente é unilateral, com o olho oposto sob risco, e tem caráter recidivante. ▪ Tratamento: remoção cirúrgica do tecido necrótico por meio da ceratectomia superficial, podendo ser associada a enxerto conjuntival pediculado ou recobrimento com terceira pálpebra. A ceratectomia acelera a cura e resolve desconforto. ↪ Lesão superficial: - ceratectomia + proteção; - lente de contato e ou tarsorrafia temporária. ↪ Lesão profunda: - flaps conjuntivais; - transposição corneoconjuntival; - reconstrução ocular com membrana amniótica; - transplante de córnea. ▪ Pós operatório: ↪ Tobramicina (tobradex), ↪ Colírio à base de ciprofloxacino e dexametasona (biamotil), ↪ Pomada oftálmica à base de retinol, aminoácidos e cloranfenicol ↪ Colar elisabetano Importante O uso do soro autólogo no tratamento de úlceras de córnea, tem sido relatado em diversos trabalhos, pois este contém fatores de crescimento, vitaminas, imunoglobulinas, substâncias anticolagenolíticas e bacteriostáticas que são benéficas ao epitélio ocular, ajudando assim na cicatrização de úlceras (RAZANI et al., 2006). Por apresentar essas propriedades, passou a ser usado como terapia convencional para o tratamento de úlceras e lesões no epitélio ocular (GEERLING et al., 2004). Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 78 Referências da Sessão DA BVS VETERINÁRIA, Portal de Pesquisa. SEQÜESTRO CORNEANO FELINO RELATO DE CASO.7 GEERLING G, MACLENNAN S, HARTWIG D. Autologous serum eye drops for ocular surface disorders. Br J Ophthalmol. 2004; 88(11):1467-74 GELATT, Kirk N. (Ed. 5°). Essentials of veterinary oftalmology . John Wiley & Sons, 2013. KAWAMOTO, Fernando Yoiti Kitamura et al. Úlcera corneana em “melting” em cão–relato de caso" melting" ulcer in dog–case report. LAUS JL. Oftalmologia Clínica e Cirúrgica em Cães e Gatos. 1ª ed. São Paulo: Roca, 2007 MARTIN, Charles M. Ophthalmic Disease In Veterinary Medicine, USA, 2010 MILLER, P. E.; MAGGS, D. J.; OFRI, R. Slatter's fundamentals of veterinary ophthalmology. Saunders Elsevier, St Louis, Missouri, p. 119, 2008. PEREIRA, Fabiana Quartiero. Úlcera de córnea em melting, 2011. Disponível em RANZANI J.J.T, CREMONINI D. N., BRANDÃO C.V.S., SIQUEIRA A. K., CHIURCIU J. L. V. Controle microbiológico do soro eqüino para o tratamento de lesões corneanas. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. Brazilian Journal of Veterinary and animal sciences. v.58, supl 2, p. 100-113. 2006. http://www.oftalmologianimal.com.br/2011/12/ulcera-de-cornea-em-melting.html Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 79 Úvea ▪ Introdução: o trato uveal corresponde a camada intermediaria do bulbo do olho, composta de íris, corpo ciliar e coroide. É a camada vascular do bulbo do olho e pode ser dividida em anterior e posterior. ↪ anterior: íris e corpo ciliar ↪ posterior: coroide. ▪ Íris: porção anterior da túnica vascular, consiste em um anel pigmentado que fica entre a corne a e o cristalino, tem como função controlar a entrada de luz do olho através da pupila. A pupila muda seu tamanho com a variação da intensidade da luz, sendo constrita sob luz forte e dilatada sob luz fraca. A borda pupilar possui um músculo liso, esfinctérico, responsável pela contração da pupila, e uma estrutura mioepitelial dispondo-se radialmente, que ajuda a produzir a dilatação da pupila. Possui dois músculos: ↪ M. dilatador da íris ↪ M. esfíncter da íris ▪ Corpo Ciliar: espessamento circunferencial a túnica vascular e dá origem a muitos ligamentos suspensores finos que sustentam a lente. Seu epitélio forma a parte da barreira hematoaquosa, protegendo o metabolismo ocular. Está envolvida com a acomodação da lente e é responsável pela produção do humor aquoso. ▪ Coroide: camada intermediária, entre a esclera e a retina, ela fica na parede posterior da túnica vascular, é altamente vascularizada e possui múltiplos camadas. A camada mais profunda é o tapete, que é uma superfície de reflexão destinada a fazer saltar a luz que entra na retina e aumenta a visão com pouca luz. Entre os vasos da coroide, observa-se Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 80 um tecido conjuntivo frouxo, rico em células, fibras colágenas e elásticas. A coroide é responsável pela nutrição da retina. Alguns termos importantes: ↪ Uveíte: inflamação da úvea ↪ Irite: inflamação da íris ↪ Ciclite: inflamação do corpo ciliar ↪ Iridociclite: inflamação da íris e corpo ciliar ↪ Coroidite: inflamação da coróide Devido à continuidade entre as várias partes do úvea, humor aquoso e inflamação vítrea e uveal frequentemente envolve muitas estruturas oculares. A retina e a coroide são adjacentes, sem grandes barreiras entre eles, por isso são frequentemente inflamados juntos. Existem alguns termos que auxiliam a localização: ↪ Uveíte anterior: inflamação da íris e corpo ciliar. ↪ Uveíte posterior: inflamação da coróide. ↪ Corioretinite: inflamação da coróide e retina com foco primário na coróide. ↪ Retinocoroidite: inflamação da coróide e da retina com foco primário na retina. ↪ Panuveíte: inflamação de todos os componentesda úvea. Anormalidades da Úvea Membrana Pupilar Persistente ▪ Definição: durante o desenvolvimento, a membrana pupilar (porção anterior da túnica vascular) abrange a pupila de uma porção da íris para outra e fornece nutrientes para a lente em desenvolvimento. Em cães, essa membrana é geralmente reabsorvida durante o desenvolvimento fetal posterior e as primeiras 6 semanas de vida, deixando uma clara abertura pupilar. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 81 Não há necessidade/ possibilidade de tratamento, o animal vive bem com esta anomalia. Disgenesia do Segmento Anterior ▪ Definição: a disgenesia do segmento anterior é uma característica autossômica recessiva no Pinscher e Doberman, caracterizada por graus variáveis de microftalmia, opacidade da córnea, falta de câmara anterior, íris e corpo ciliar indiferenciados, restos da artéria hialóide, ausência de lente ou rudimentar, displasia e separações da retina e congênita cegueira. Não há tratamento para esse distúrbio. E é uma condição rara. Uveíte ▪ Definição: Consiste em uma inflamação intraocular desencadeada por dano vascular e tecidual, que libera mediadores inflamatórios e causa quebra da barreira hemato-ocular. É a inflamação do trato uveal. ▪ Etiologia: ainda complexa, mas sabe-se que prostaglandinas fazem parte da cascata da inflamação e que atravessam a barreira hematoaquosa causando intensa inflamação. Está relacionada com doenças sistêmicas que podem desencadear uveítes, principalmente quando é bilateral, mas podem ser de origem traumática ou idiopática. A inflamação uveal desenvolve-se a partir de aumento de aporte sanguíneo, do aumento Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 82 da permeabilidade vascular e da migração de células de defesa para o local da injúria. O flare aquoso que pode ocorrer devido ao rompimento da barreira hemato-aquosa e o aumento da permeabilidade vascular permite a visualização das células inflamatórias no interior do humor aquoso ou vítreo. ▫ Bacterianas: Mycobacterium tuberculosis, Brucella canis, Borrelia burgdorferi, Leptospira sp. ▫ Fúngicas: Coccidioides immitis, Cryptococcus neoformans Histoplasma capsulatum Cândida albicans Blastomyces dermatitidis ▫ Virais: Adenovirus (Hepatite Infecciosa Canina), Paramyxovirus (Cinomose), Herpesvirus, Rhabdovirus (Raiva) ▫ Protozoóticas: Toxoplasma gondii Ehrlichia canis ou E. platys Rickettsia rickettsii Leishmania donovani ▫ Parasitárias: Dirofilaria immitis, Toxocara sp. ▫ Metabólicas: Diabetes melito, Hiperlipidemia, Hipertensão sistêmica. ▫ Outras: imunomediadas, traumas, cirurgias, ceratites ulcerativas, neoplasias, síndrome paraneoplásica, idiopática. ▪ Sinais Clínicos: desconforto ocular (nem sempre apresenta blefaroespasmo), miose, fotofobia mudança na cor dos olhos (rubeose de íris), edema de córnea (olho azul- acinzentado), hipópio, hifema e o olho fica com um aspecto murcho, devido a redução da pressão intra-ocular (hipotonia). Presença de depósitos ceráticos na córnea. Em gatos é comum notar anisocoria. O flare representa aumento da proteína no humor aquoso e é devido à quebra da barreira aquosa do sangue. É uma característica da uveíte anterior Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 83 ▪ Felinos: tendem a ser mais complicadas, pois eles não apresentam sinais sistêmicos identificáveis. Gatos com uveíte devem ser testados para FIV e FeLV. ▪ Tratamento: Cicloplégicos tópicos, antiinflamatórios tópicos e sistêmicos e medicamentos específicos para tratamento da causa base, quando conhecida. ↪ Midriáticos e Cicloplégicos: Atropina, Fenilefrina e Tropicamida (são utilizados para manter a pupila em midríase, para diminuir a capacidade de contato da íris com outras estruturas, reduzindo assim a possibilidade de formação de sinéquias) ↪ Inibir a inflamação: ↪ Anti-inflamatório esteroidais colírio: dexametazona, prednisolona (quando não houver úlceras de córnea). O uso de diclofenaco traz bons resultados. Glaucoma em pacientes com uveíte? Pacientes com uveíte podem ter glaucoma secundário concomitante. Isso ocorre devido a obstrução do ângulo iridocorneal por deposição de fibrina, células inflamatórias ou sangue. A drenagem do humor aquoso ficará comprometida, causando aumento da pressão intra-ocular (PIO). Olhos com PIO normal e uveíte ativa podem ter um fluxo aquoso prejudicado de humor e devem ser monitorados cuidadosamente quanto a glaucoma Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 84 ↪ Anti-inflamatório sistêmico: meloxican, flunexim meglumine, carprofeno. ↪ Pode fazer aplicação de metil-predinisolona subconjuntival (quando não houver úlceras de córnea). ↪ Antibioticoterapia: (penicilinas, quinolonas, sulfas). ↪ Imunomediada: imunossupressores ▪ Sequelas: a inflamação intraocular pode acarretar sequelas permanentes, comprometendo assim a visão dos pacientes. É necessário realizar tratamento rápido, agressivo e eficaz com o objetivo de diminuir os riscos de desenvolvimento de sequelas. ↪ Sinéquia Posterior: são aderências entre a lente e a íris, geralmente resultando em uma pupila de formato irregular. Se as sinéquias se formarem ao redor de toda a circunferência da pupila, passa a ser chamado de íris bombé, e isso evita o fluxo de humor aquoso através da pupila para a câmara anterior podendo, na maioria dos casos, levar ao glaucoma secundário. ↪ Catarata: provavelmente causada pela composição alterada do humor aquoso que prejudica a nutrição da lente. Quando um animal com catarata e com sinais de uveíte é examinado, deve-se determinar se a catarata veio primeiro e causou a uveíte ou se a uveíte veio primeiro e causou a catarata. O histórico é muito importante e geralmente permite que essa distinção seja feita. ↪ Glaucoma: a PIO do glaucoma geralmente é reduzida durante a uveíte, porque um corpo ciliar inflamado produz menos humor aquoso e prostaglandinas endógenas podem aumentar o fluxo uveoscleral. Se a PIO estiver normal ou aumentada na presença de inflamação ativa, é provável que a saída de humor aquoso via rede trabecular seja prejudicada devido: ↪ Bloqueio do ângulo com células inflamatórias, detritos ou membranas neovasculares. ↪ Sinéquias anteriores periféricas. ↪ Oclusão da pupila pelas sinéquias posteriores. ↪ Atrofias: a íris e o corpo ciliar se atrofiam à medida que o estroma é substituído por tecido fibroso. Defeitos podem aparecer na íris. A atrofia de áreas da coróide frequentemente resulta em atrofia da retina sobrejacente, que é visível oftalmoscopicamente. Atrofia grave do corpo ciliar causa hipotonia (PIO reduzida). Em alguns animais, a cor da íris fica mais escura após a uveíte. Em casos graves, o globo inteiro pode encolher, uma condição chamada phthisis bulbi. O tratamento tem duração de 4 a 6 semanas no mínimo. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 85 Atrofia de íris e catarata Glaucoma secundário + uveíte Referências da Sessão AZEVEDO, Mariane Gallicchio. Uveíte Em Cães: Revisão Bibliográfica, Porto Alegre, 2017. MARTIN, Charles L. Ophthalmic Disease In Veterinary Medicine, USA, 2010. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 86 Lente - Cristalino ▪ Introdução: estrutura biconvexa, transparente e refrativa suspensa por fibras zonulares, situadas atrás da íris, dividindo os seguimentos anterior e posterior. As fibras zonulares se originam no processo ciliar do corpo ciliar e se inserem na cápsula da lente. A lente do animal adulto não possui suprimento vascular, a nutrição e remoção de dejetos são realizados pelo humor aquoso. A lentecanina é macia, avascular, transparente e um tecido altamente estruturado que promove a refração dos raios luminosos que entram no olho para um ponto da retina. O cristalino é uma estrutura biconvexa, sendo seu diâmetro de aproximadamente 10mm e uma espessura anteroposterior de 7mm, a cápsula da lente é mais espessa na superfície anterior do que na posterior diminuindo de espessura gradativamente. Termos importantes em anomalias congênitas: ↪ Aphakia: Ausência de lente. ↪ Microfagia: lente pequena, geralmente associada a outras lentes lenticulares e malformações oculares. ↪ Esferofagia: lente esférica ↪ Lenticonus: protrusão da cápsula da lente na região anterior ou polo posterior. Como a lente é avascular, suas necessidades metabólicas são atendidas pelo humor aquoso. Distúrbios na composição aquosa (como os resultantes da uveíte anterior) afetam o metabolismo e a transparência da lente. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 87 Anormalidades da Úvea Catarata ▪ Definição: termo catarata compreende um grupo comum de distúrbios oculares manifestados como perda de transparência da lente ou de sua cápsula (anterior ou posterior), decorrente de alterações da arquitetura lamelar destas estruturas, que se desenvolvem por transtornos metabólicos que envolvem alterações bioquímicas principalmente relacionadas à coagulação das proteínas. As cataratas são classificadas quanto ao estágio de desenvolvimento. As opacidades podem ter diferentes graus, formas, localização dentro da lente, causas, idade de início e taxa de progressão. A opacidade pode ser causada por influências nocivas que afetam qualquer uma das seguintes funções da lente: ↪ Nutrição das lentes ↪ Metabolismo energético ↪ Metabolismo de proteínas ↪ Equilíbrio osmótico ▪ Grau de opacidade e maturação: ▪ Incipiente: há opacidade focal precoce, mas o restante da lente não é afetado e permanece transparente. Consequentemente, a visão não é afetada. A cirurgia não é indicada nesta fase. ▪ Imatura: A opacidade é mais extensa e a maior parte da lente está envolvida. A transparência da lente é reduzida, mas não totalmente perdida. Portanto, a reflexão tapetal ainda é visível, embora os detalhes do fundo possam estar Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 88 parcialmente obscurecidos oftalmoscopicamente. A visão é afetada (como se seus óculos estivessem sujos, é assim que o animal enxergará) mas o animal ainda é visual. A maioria dos especialistas defende a operação nesta fase e, portanto, as cataratas imaturas devem ser prontamente encaminhadas a um oftalmologista veterinário para possíveis cirurgias, ele que irá avaliar se é indicado ou não. ▪ Matura: a lente é totalmente opaca. Embora uma fonte de luz forte provoque um reflexo de luz pupilar, apenas quantidades minúsculas de luz atingem a retina e, portanto, o olho é funcionalmente cego. Não há reflexão tapetal, e o fundo não pode mais ser examinado oftalmoscopicamente. ▪ Hipermatura: nesse estágio, a catarata começa a se liquefazer devido à proteólise significativa (reabsorção da lente). Esse processo geralmente começa no córtex e pode se espalhar para o núcleo em estágios posteriores à medida que a desintegração do córtex ocorre muito mais rapidamente do que a autólise do núcleo. As proteínas degradadas da lente vazam através da cápsula da lente para a câmara anterior. O vazamento também leva a uma redução no volume da lente, conferindo uma aparência enrugada característica à cápsula da lente. À medida que a lente diminui, a câmara anterior se aprofunda e a íris (que fica @resuvet_ Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 89 na lente) se torna mais plana ou côncava. Pequenas partículas brilhantes podem estar presentes a partir de fibras degradadas da lente. Em estágios avançados de reabsorção, os restos nucleares podem ser livremente móveis no fluido cortical leitoso no qual estão suspensos ou podem afundar no fundo de uma lente cujo córtex liquefeito (catarata morgagniana). Embora a cirurgia possua um prognóstico menos favorável nesse estágio, é altamente recomendável o encaminhamento a um especialista. (catarata morgagniana) ▪ Diagnóstico: fazer avaliação da visão do animal. ↪ Ultrassonografia ocular ↪ Exame minucioso da lente ↪ Retinografia. ▪ Tratamento ↪ Cirúrgico: com a colocação ou não de lentes intra-oculares. Se faz a remoção dos cristalinos anormais com uma taxa de 75% a 80% de recuperação da visão. As técnicas empregadas são: ↪ aspiração-dissecção ↪ facectomia extracapsular ↪ facectomia intracapsular ↪ facoemulsificação. A inflamação da cirurgia de catarata prejudica a produção e a estabilidade do filme lacrimal. As suturas e os colírios produzem a ruptura iatrogênica do filme lacrimal. A recuperação desta epiteliopatia neurotrófica induzida pode levar meses. O pós- Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 90 operatório demanda que o tutor tenha disponibilidade de horário para a aplicação de colírios. ↪ Técnica: Catarata Diabética ▪ Definição: a diabete mellitus induz a formação de uma catarata aguda e com progressão rápida, simétrica e bilateral, podendo haver rompimento da lente resultando em lesão penetrante. Deve-se suspeitar de diabetes mellitus em qualquer cão que tenha desenvolvido catarata madura dentro de dias-semanas. Mas por que isso acontece? A hexocinase é saturada na hiperglicemia e, como resultado, mais glicose entra na via do sorbitol, onde é metabolizada pela aldose redutase (veja a Figura 13-9). Portanto, o desenvolvimento de uma catarata diabética depende da atividade da aldose redutase nas células lenticulares, o que leva à formação e acúmulo de sorbitol, frutose e dulcitol na lente. A hiperosmolaridade resultante da lente leva à entrada de líquidos. As alterações iniciais incluem a formação de vacúolos ao longo Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 91 do córtex equatorial que progride para o córtex anterior e posterior, e maturação rápida da catarata. Em outras palavras, a glicose em excesso satura as enzimas glicolíticas ocorrendo então metabolização pela via do sorbitol que em seguida é convertido em frutose. O sorbitol e a frutose diferentemente da glicose não são permeáveis à membrana celular e atuam como potentes agentes hidrofílicos, ocasionando uma tumefação e ruptura de fibras do cristalino e assim o surgimento da catarata. As complicações geradas pela catarata diabética incluem luxação do cristalino, uveíte e glaucoma secundário. ▪ Tratamento: cirúrgico, mas são necessários vários exames para avaliar se é viável. ↪ os fatores que afetam o sucesso da cirurgia incluem o grau de controle glicêmico que antecede a cirurgia, a presença de doenças na retina e a presença de uveíte induzida no cristalino. Curiosidades - Devido ao papel da aldose redutase na formação de cataratas diabéticas, estudos estão em andamento para reduzir sua incidência, progressão e gravidade usando inibidores da aldose redutase, com pelo menos um produto tópico experimental demonstrando atraso significativo no início e na progressão das cataratas diabéticas caninas. - Gatos mais velhos têm baixa atividade da aldolase redutase dentro de seus cristalinos, isso pode ser a causa de ser mais raro. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 92 Classificação das cataratas quanto a localização Catarata Senil É parte do processo de envelhecimento e ocorre em animais e humanos. As lesões são precedidas pela formação de uma esclerose nuclear densa e é erroneamente diagnosticada como outros tipos de catarata.Tem progressão extremamente lenta e demora anos para alcançar sua maturidade total. Não requer tratamento. Luxação da Lente A luxação ocorre quando todas as zônulas da lente são rasgadas, levando ao deslocamento da lente da fossa hialóide (patelar) (consulte a Figura 14-3, área 3). Após a luxação, a lente pode se mover anteriormente, posteriormente ou no plano vertical do olho. A luxação da lente pode ser precedida de subluxação, resultante do rompimento de algumas (mas não de todas) das zônulas e levando ao deslocamento parcial da lente da fossa hialóide. Ela pode ser classificada em primária e secundária., congênita e adquirida respectivamente. ↪ Primária: congênita; ↪ Secundária: traumas, catarata, uveíte e glaucoma. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 93 Luxação Posterior Luxação Anterior ▪ Tratamento: cirúrgico. Referências da Sessão IMAI, Patrícia Hitomi. Diabetes Mellitus em cães e suas complicações. Botucatu, 2009. 19p. MARTIN, Charles L. Ophthalmic Disease In Veterinary Medicine, USA, 2010 SILVA, T.M.F. Catarata em cães: Revisão de literatura. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 2, Ed. 107, Art. 722, 2010 A B C D A luxação anterior da lente é uma emergência oftalmológica. Além da dor intensa, o olho corre um risco imediato de desenvolver glaucoma, descolamento de retina e edema permanente da córnea, a menos que a luxação seja resolvida. Observação: não utilizar colírios midriáticos nesses casos. A - posição normal da lente; B - as zônulas são rompidas dorsalmente, mas a lente é mantida no lugar pelo vítreo; C - liquefação precoce do vítreo anterior, o que permite mais movimento da lente. Observe a profundidade desigual da câmara anterior, que é mais profunda dorsalmente, onde há menos suporte da lente para a íris do que ventralmente, onde a lente e a íris ainda estão em aposição; D - o movimento da lente acelera a sinérese (processo de liquefação) e a lente pode afundar ventralmente. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 94 Glaucoma ▪ Definição: termo dado ao grupo de doenças nas quais a pressão intra-ocular (PIO) elevada conduz a lesão do nervo óptico e das células da retina. Condição dolorosa que frequentemente leva a cegueira. A manutenção da pressão intraocular depende de um balanço de produção e drenagem do humor aquoso. O corpo ciliar produz o humor aquoso e a partir das células epiteliais não pigmentadas posteriores, por meio de processos de secreção ativa e de ultrafiltração passiva, e o aquoso flui através da pupila para a câmara anterior. Ele é drenado para fora do bulbo do olho, pelo ângulo iridocorneal. Ao passar pelo ângulo iridocorneal, o humor aquoso passa pelos ligamentos pectinados e para a malha trabecular uveal, onde sofre absorção pelos vasos do plexo venoso e pelas veias de drenagem da esclera e episclera. A maioria dos glaucomas estão relacionadas a drenagem insuficiente e não a produção excessiva de humor aquoso. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 95 As causas podem ser: obstrução ou estenose do segmento anterior da via de drenagem, defeitos congênitos e defeitos adquiridos. Podendo ser classificado em primário e secundário. Quanto mais alta a PIO, pior o prognóstico. ▪ Sinais clínicos: buftalmia, edema de córnea, quemose, midríase, hiperemia, vasos em medusa e ainda pode ser classificado em agudo ou crônico. ↪ Agudo: hiperemia episcreral, vasos em medusa, edema de córnea, midríase, resposta pupilar fraca, resposta a ameaça fraca, epífora, blefaroespasmo. ↪ Crônico: todos os sintomas do agudo + estrias de haab, resposta a ameaça ausente, degeneração da retina, concavidade do nervo óptico. Buftalmia Midríase ▪ Diagnóstico: sinais clínicos + tonometrias. No exame clínico feito com o tonômetro a PIO estará aumentada (valores variam de 12 a 25). Hiperemia, Vasos em Medusa Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 96 Anormalidades da Úvea Glaucoma Primário O aumento da PIO deve-se à obstrução da drenagem do humor aquoso pelo ângulo iridocorneal, na ausência de outras afecções intra-oculares pré-existente. Algumas raças possuem predisposição: ↪ Basset Hound, Beagle, Cocker Spaniel e Poodle, Sharpei, Dálmata, Chow Chow. O glaucoma primário pode ainda ser subdividido, segundo os achados da gonioscopia, em: ↪ ângulo aberto: relatados com maior frequência em cães da raça Beagle, Poodle Miniatura e Poodle Toy ↪ estreito ↪ fechado: comumente encontrado em cães, sem predisposição racial. Em 50% dos casos, desenvolvem a síndrome no outro olho não acometido em até dois anos após o diagnóstico do primeiro olho glaucomatoso. Neste tipo de glaucoma é importante ressaltar que não houve eventos anteriormente que pudessem levar ao surgimento do glaucoma. ▪ Diagnóstico: gonioscopia (classificar se ângulo aberto, estreito ou fechado) + tonometria + sinais clínicos. Imagem de uma Gonioscopia Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 97 Glaucoma Secundário No glaucoma secundário, a elevação da PIO deve-se à doença intra-ocular pré-existente ou concorrente que cause obstrução física da drenagem do humor aquoso. Normalmente são condições unilaterais não-hereditárias, porém as doenças que iniciaram seu desenvolvimento podem apresentar predisposição genética em certas raças e doenças como catarata e a luxação da lente podem predispor ao surgimento. As causas mais frequentes para esta condição incluem luxações ou subluxações da lente, cataratas, uveítes, neoplasias intrao-culares, traumas ou complicações pós-operatórias. Tratamentos Tem o objetivo de manter a visão do animal e eliminar a dor. Aumentar a drenagem do humor aquoso. Diminuir a produção do humor aquoso. Prevenir o surgimento de glaucoma no olho não acometido. ↪ Agudo primário: se permanecer com a terapia medicamentosa efetiva, continue com o tratamento e faça manutenção. Terapia medicamentosa com colírios inibidores da anidrase carbônica, parassintominéticos, simpatolíticos, análogos da prostaglandina. ↪ Crônico primário: prótese, ablação química ou enucleação. ↪ Secundário: definir a causa e terapia específica para a causa. Agudo: terapia medicamentosa com colírios inibidores da anidrase carbônica e parassintominéticos, simpatolíticos, análogos da prostaglandina. ↪ Agudo emergencial: latanoprota (1 gota), repetir a cada 15 minutos, aguardar 30 minutos, se não houver redução da PIO entre com manitol 0,5-1,0kg EV (15 a 20 minutos de infusão contínua). Repetir em 6 horas. A PIO deve reduzir em 15 a 20 minutos com eficiência máxima em até 2 horas. Depois que o animal sair da crise, prescrever colírios inibidores da anidrase carbônica e parassintominéticos, simpatolíticos, análogos da prostaglandina. Atenção Pilocarpina não deve ser prescrita como primeira escolha para o manejo do glaucoma, pois promove quebra da barreira hemato-aquosa, deteriorando o quadro clínico oftálmico de pacientes portadores de glaucoma secundário. Iniciar com inibidores da anidrase é a melhor escolha. O ideal é que o animal faça acompanhamento com um especialista. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 98 Exemplo: maleato de timolol 0,5% (1 gota) 3x ao dia. ▪ Caso não haja sucesso no tratamento (casos avançados e sem recuperação da visão e com buftalmia) pode ser realizado: ↪ Prótese: mantém a túnica fibrosa, córnea e esclera mais próximo da normalidade. ↪ Ablação química ↪ Enucleação ▪ Avançado: ↪ Gonioimplantes: dispositivos concebidos visando a se criar uma via alternativa para a drenagemdo humor aquoso, que consistem implantar um shunt na câmara anterior para o espaço subconjuntival ou orbital. Referências da Sessão MARTIN, Charles M. Ophthalmic Disease In Veterinary Medicine, USA, 2010. MARTINS, Bianca da Costa; VICENTI, Felipe Antônio Mendes; LAUS, José Luiz. Síndrome glaucomatosa em cães: parte 1. Ciência Rural, v. 36, n. 6, p. 1952-1958, 2006. Animais com asma: não utilizar manitol Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 99 MILLER, P. E.; MAGGS, D. J.; OFRI, R. Slatter's fundamentals of veterinary ophthalmology. Saunders Elsevier, St Louis, Missouri, p. 119, 2008. RIBEIRO, Alexandre Pinto; MARTINS, Bianca da Costa; LAUS, José Luiz. Síndrome glaucomatosa em cães: parte 2. Ciência Rural, v. 37, n. 6, p. 1828-1835, 2007. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 100 Termos Importantes ▪ Abdução: movimento do globo ocular para o lado temporal. ▪ Ablefaria: ausência (geralmente congênita) das pálpebras. ▪ Acomodação: aumento fisiológico do poder refrativo cristalino. ▪ Adução: movimento do globo ocular para o lado nasal. ▪ Afacia: ausência de cristalino. ▪ Acinesia: ausência de movimento voluntário. ▪ Albinismo Ocular: problema congênito, no qual há́ ausência de pigmento nos tecidos oculares. ▪ Amaurose: cegueira. ▪ Ambliopia: diminuição da visão em um ou ambos os olhos, sem problemas anatômicos dos olhos ou vias óticas. ▪ Ângulo da câmara anterior: junção da córnea com a íris (evisão da gonioscopia). ▪ Aniridia: formação incompleta ou ausência da íris. ▪ Aniseiconia: desigualdade no tamanho das imagens retínicas dos dois olhos. ▪ Anisocoria: diferença no tamanho pupilar dos dois olhos. ▪ Anisometropia: diferença na refração entre os dois olhos. ▪ Anoftalmia: ausência congênita do globo ocular. ▪ Astenopia: desconforto visual, após esforço visual. ▪ Blefarite: inflamação da borda palpebral. ▪ Blefaroplastia: cirurgia palpebral. ▪ Blefaroptose: (ptose palpebral) queda das pálpebras. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 101 ▪ Blefaroespasmo: espasmo involuntário do músculo orbicular. ▪ Buftalmia: (macroftalmia) aumento anormal do tamanho do globo ocular. ▪ Canaliculite: inflamação do canalículo lacrimal. ▪ Cantotomia: cirurgia para aumentar a abertura das pálpebras (incisão do canto externo). ▪ Capsulotomia: incisão na cápsula do cristalino. ▪ Catarata: opacificação do cristalino. ▪ Ceratectomia: remoção cirúrgica de fragmento da córnea. ▪ Ceratite: inflamação da córnea. ▪ Ceratocone: adelgaçamento e protrusão da porção central da córnea. ▪ Ceratoplastia: transplante de córnea. ▪ Ceratotomia: incisão na córnea. ▪ Calázio: inflamação nas glândulas de Meibômio (palpebrais), sem contaminação bacteriana. ▪ Corectopia: deslocamento da pupila de sua posição central. ▪ Coriorretinite: inflamação da coróide e retina. ▪ Coroidite: inflamação da coróide. ▪ Criptoftalmia: ausência de abertura da fenda palpebral. ▪ Dacrioadenite: inflamação da glândula lacrimal. ▪ Dacriocistite: inflamação do saco lacrimal. ▪ Dacriocistorrinostomia: cirurgia para se criar nova via de drenagem lacrimal, entre o saco lacrimal e a cavidade nasal. ▪ Descolamento de retina: plano de clivagem, entre o epitélio neuro-sensorial e pigmentar da retina. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 102 ▪ Dermatocálase: excesso de pele nas pálpebras. ▪ Distiquíase: uma segunda fileira de cílios, parcial ou completa, que emergem na margem das pálpebras pelo ducto das glândulas de meibômio. ▪ Ectrópio: eversão da margem palpebral. ▪ Endoftalmite: inflamação dos tecidos intra-oculares. ▪ Enoftalmia: retração do globo ocular na órbita. ▪ Entrópio: inversão da margem palpebral em direção à córnea. ▪ Esodesvio: desvio ocular nasal. ▪ Enucleação: retirada cirúrgica do globo ocular. ▪ Epífora: escoamento de lágrima na face, lacrimejamento excessivo. ▪ Episclerite: inflamação na episclera. ▪ Estafiloma: adelgaçamento da esclera com protrusão do tecido subjacente, uveal. ▪ Evisceração ocular: retirada cirúrgica do conteúdo do globo ocular, deixando-se a esclera. ▪ Exenteraç̧ão: retirada cirúrgica de toda a órbita e seu conteúdo. ▪ Exodesvio: desvio ocular temporal. ▪ Exotalmia: (proptose) protrusão anormal do globo ocular. ▪ Facectomia: retirada cirúrgica do cristalino. ▪ Flare: turbidez do humor aquoso ▪ Flórida spots: manchas esbranquiçadas na córnea (ceratopatia tropical). ▪ Foria: desvio ocular latente. ▪ Gonioscopia: exame do angulo da câmara anterior. ▪ Heterocromia da íris: diferentes colorações da íris em um ou nos dois olhos. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 103 ▪ Hifema: presença de sangue na câmara anterior do olho. ▪ Hipópio: presença de células inflamatórias, formando nível, na câmara anterior. ▪ Hordéolo: inflamação das glândulas de Meibômio, com contaminação bacteriana. ▪ Iridectomia: retirada de porção de tecidos da íris. ▪ Iridociclite: inflamação da íris e do corpo ciliar. ▪ Iridodialise: ruptura traumática da base da íris. ▪ Iridodonesis: movimentos da íris (tremor) por falta de apoio do cristalino. ▪ Iridotomia: pequeno orifício na íris. ▪ Irite: inflamação da íris. ▪ Lagoftalmo: olho não totalmente coberto com as pálpebras fechadas, fechamento incompleto das pálpebras ▪ Leucocoria: condição em que a pupila aparece branca (catarata, retinoblastoma, etc.). ▪ Leucoma corneano: opacidade densa da córnea. ▪ Microftalmia (nanoftalmia): globo ocular com tamanho reduzido. ▪ Midríase: aumento do tamanho da pupila. ▪ Miose: diminuição do tamanho da pupila ▪ Nistagmo: movimentos rítmicos e involuntários dos olhos. ▪ Ortoforia: ausência de desvios oculares latentes. ▪ Ortotropia: ausência de desvios oculares manifestos. ▪ Pannus: vasos sanguíneos e tecido fibroso sobre a córnea. ▪ Phtisis bulbi: diminuição do tamanho e degeneração do globo ocular, após doença ou traumatismo, com diminuição da pressão ocular (consequente a perda de função dos processos ciliares). Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 104 ▪ Pinguécula: elevação subconjuntival peri-límbica, composta por tecido elástico degenerado. ▪ Poliose: despigmentação dos cílios (ou pelos). ▪ Policoria: várias pupilas. ▪ Pseudofacia: lente intraocular substituindo o cristalino. ▪ Pterígeo: degeneração elástica da conjuntiva bulbar que cresce e invade a córnea. ▪ Ptose: queda da pálpebra superior. ▪ Quemose: edema de conjuntiva. ▪ Retinite: inflamação da retina. ▪ Retinoblastoma: tumor maligno da retina. ▪ Retinopatia: doença não inflamatória da retina. ▪ Retinopexia: correção do deslocamento de retina. ▪ Rubeosis iridis: neovascularização da íris. ▪ Sinéquia: aderência da íris a outro tecido próximo. ▪ Simbléfaro: aderência anormal entre a conjuntiva tarsal e a conjuntiva bulbar. ▪ Triquíase: posicionamento anormal de um ou mais cílios, em direção a córnea. ▪ Tropia: desvio ocular manifesto (estrabismo). ▪ Uveíte: inflamação da úvea (íris, corpo ciliar e coróide). ▪ Versão: movimento conjugado dos dois olhos. ▪ Vitrectomia: cirurgia para a retirada do vítreo, que deve ser substituído por material sintético. ▪ Xeroftalmia: ressecamento da superfície do globo ocular (córnea e conjuntiva). Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 105 Mini Atlas Criado para você se abturar com as alterações e relembrar quais os possíveis diagnósticos. Eritema episcleral Ablefaria Quemose HiperemiaEdema de Córnea Hifema Hipópio Sinéquia Anterior Lipidose Corneana Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 106 Persistência de Membrana Pupilar Anisocoria Íris Bombé Sequestro Corneano Flórida Spots Flare Triquíase de Carúncula Microftalmo associado a prolapso de 3° pálpebra Perfuração ocular com importante perda de estroma de córnea e prolapso de íris Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 107 Ceratite Pigmentar Úlcera indolente Hifema Catarata madura Catarata Hipermadura Esclerose / Catarata Senil Enoftalmia Entrópio Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 108 Síndrome de Horner Hordéolo Úlcera de córnea superficial, hipópio, edema e hiperemia conjuntival Paciente com uveíte, apresentando flare moderado do aquoso e traços de hifema (seta) Paciente felino com glaucoma. Repare na midríase. Olho saltado. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 109 . Coágulo serofibrinoso na câmara anterior de um gato com uveíte anterior Iris bombé e hifema em um cão com uveíte associado com Ehrlichia canis Uveíte anterior associada a Brucella canis. A córnea é edemaciada devido à pressão intra- ocular elevada. Observe o sangue livre na câmara anterior. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 110 Cão com hipópio, bilateral marcada, uveíte, e glaucoma secundário devido a linfossarcoma. A córnea tem neovascularização e edema, uma grande massa de células está presente na câmara anterior e a pupila é dilatada pela pressão intra-ocular elevada. devido à pressão intra-ocular elevada. Observe o sangue livre na câmara anterior. Gato com linfossarcoma associado à FeLV e íris bombé bilateral com glaucoma secundário. Várias sinéquias posteriores Estafiloma de córnea Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 111 Uveíte anterior em cão decorrente de ceratatite ulcerativa com exposição da membrana de Descemet (seta amarela). Nota-se hiperemia conjuntival e injeção ciliar (seta amarela tracejada), edema de córnea (seta preta) severo e hipópio (seta preta tracejada). Prolapso da glândula da terceira pálpebra. Edema de córnea bilateral Dica: pesquisar doenças sistêmica, Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 112 . Referências da Sessão AZEVEDO, Mariane Gallicchio. Uveíte Em Cães: Revisão Bibliográfica, Porto Alegre, 2017. CUNHA, Olicies da; Manual de Oftalmologia Veterinária, Pelotina, 2008. GELATT, Kirk N. et al. Oftalmologia veterinária . John Wiley & Sons, 2012 IMAI, Patrícia Hitomi. Diabetes Mellitus em cães e suas complicações. Botucatu, 2009. 19p. KAWAMOTO, Fernando Yoiti Kitamura et al. Úlcera corneana em “melting” em cão–relato de caso" melting" ulcer in dog–case report. LAUS JL. Oftalmologia Clínica e Cirúrgica em Cães e Gatos. 1ª ed. São Paulo: Roca, 2007 MARTIN, Charles M. Ophthalmic Disease In Veterinary Medicine, USA, 2010. MARTINS, Bianca da Costa; VICENTI, Felipe Antônio Mendes; LAUS, José Luiz. Síndrome glaucomatosa em cães: parte 1. Ciência Rural, v. 36, n. 6, p. 1952-1958, 2006. Úlcera em Melting - ceratomalácea Ceratopatia bolhosa Observação: é o único que se utiliza a técnica de flap de 3° pálpebra. Fonte: Anclivepa Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 113 MILLER, P. E.; MAGGS, D. J.; OFRI, R. Slatter's fundamentals of veterinary ophthalmology. Saunders Elsevier, St Louis, Missouri, p. 119, 2008. PEREIRA, Fabiana Quartiero. Úlcera de córnea em melting, 2011. Disponível em RIBEIRO, Alexandre Pinto; MARTINS, Bianca da Costa; LAUS, José Luiz. Síndrome glaucomatosa em cães: parte 2. Ciência Rural, v. 37, n. 6, p. 1828-1835, 2007. SILVA, T.M.F. Catarata em cães: Revisão de literatura. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 2, Ed. 107, Art. 722, 2010. SPINOSA, Helenice de Souza, Silvana Lima Górniak, and Maria Martha Bernardi. "Farmacologia aplicada à medicina veterinária." (2002). TURNER, Sally M. “Oftalmologia em Pequenos Animais”, Rio de Janeiro; Elsevier, 2010. http://www.oftalmologianimal.com.br/2011/12/ulcera-de-cornea-em-melting.html Anotações ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ 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___________________________________________________________________________________________________ Criado por @resuvet_ Anotações ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ 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___________________________________________________________________________________________________ Criado por @resuvet_ Anotações ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________ 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___________________________________________________________________________________________________ Criado por @resuvet_ Chegamos ao fim da apostila! Foram muitas páginas de aprendizado e eu espero que a apostila tenha auxiliado nos seus estudos! Tentei utilizar uma linguagem fácil e colocar imagens para auxiliar seu entendimento. O mini atlas foi uma maneira que encontrei de você se inteirar sobre as doenças e as características que elas apresentam. Se você gostou do conteúdo ou quer fazer alguma crítica, ou dar alguma dica para as próximas apostilas, deixe seu feedback no e-mail resuvetstudy@gmail.com ou pelo Instagram @resuvet_ Não se esqueça que a apostila não substitui os livros, ela é um roteiro para você seguir. Não deixe de pesquisar mais informações. Até a próxima, Resuvet.Ceratomalácea...................................................75 Sequestro de Córnea..........................................................................76 Úvea........................................................................................................................79 Anormalidades da Úvea................................................................................80 Membrana Pupilar Persistênte.................................................................80 Disgenesia do Segmento Anterior............................................................81 Uveíte.......................................................................................................81 Lente........................................................................................................................86 Catarata..........................................................................................................69 Catarata Diabética..........................................................................................90 Classificações das cataratas.........................................................................92 Catarata Senil.................................................................................................92 Luxação da Lente..........................................................................................92 Glaucoma................................................................................................................94 Glaucoma Primário........................................................................................96 Glaucoma Secundário...................................................................................97 Termos Importantes................................................................................................100 Mini Atlas.................................................................................................................105 Referências Bibliográficas......................................................................................112 Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 1 Anatomia do Olho O olho pode ser dividido em três túnicas: ↪ Túnica externa ou fibrosa: córnea e esclera ↪ Túnica média ou vascular: íris, corpo ciliar e coroide ↪ Túnica interna ou nervosa: retina e nervo óptico Além disso, pode ser divido em segmentos: Segmento anterior ↪ Câmara anterior: entre a córnea e a íris. ↪ Câmara posterior: entre a íris e a lente - preenchido por humor aquoso. Segmento posterior ↪ Câmara vítrea: entre a lente e a retina - preenchido por humor vítreo. Câmara anterior Câmara vítrea Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 2 Túnica Fibrosa Córnea e Esclera Córnea Estrutura transparente do polo anterior do olho que permite a entrada da luz. Localizada no eixo central do bulbo ocular. A transparência tem como função servir de passagem para a luz, tem poder refrativo para fornecer uma imagem mais nítida e resistência física. A córnea é a superfície de refração mais poderosa do olho e essa habilidade depende principalmente da curvatura e transparência corneana. A transparência é mantida por características anatômicas e fisiológicas especializadas: ↪ ausência de vasos sanguíneas ↪ ausência de queratinização epitelial ↪ ausência de pigmentação ↪ tamanho e organização das fibras de colágeno ↪ desmielinização das fibras nervosas (extremamente inervada, mas sem mielina) ↪ desidratação relativa Ela é avascular e sua nutrição se dá pelos vasos do limbo e do fluido da câmara anterior. Histologicamente, a córnea possui 4 camadas: ↪ Filme pré corneano ↪ epitélio: estratificado escamoso não queratinizado ↪ estroma: é a camada mais espessa da córnea, composto principalmente de colágeno. É responsável por sustentar as células – tecido conectivo. Compreende 90% de toda a córnea. ↪ membrana de Descemet: é a camada basal e é acelular, rica em fibrilas de colágeno. Separa o estroma do endotélio. ↪ endotélio: separa a córnea do humor aquoso da câmara anterior. É do tipo pavimentoso simples com uma monocamada de células poliédricas. Possui muito pouco poder de regeneração. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 3 A superfície da córnea é muito sensível devido a terminações nervosas livres próximas ao epitélio anterior. Essas terminações nervosas emergem dos nervos ciliares, que são ramos do nervo oftálmico. E por isso que as úlceras de córnea superficiais são mais dolorosas. ▸ Endotélio: camada única em contato com o humor aquoso que promove a desidratação relativa da córnea. É composto por células achatadas, como um mosaico (semelhante a uma colmeia de abelhas) e possui regeneração limitada. Quando sofre uma lesão: sofre pleomorfismo e polimegatismo (se torna elástico e vai se esticando). ▸ Desidratação relativa: a função fisiológica primária do endotélio é de permitir a entrada do humor aquoso – o líquido que preenche a câmara anterior do olho – com nutrientes para o estroma da córnea e depois bombear a água para fora do estroma. Isso ocorre através da Bomba de Sódio e Potássio. Esse fenômeno de desidratação relativa da córnea é chamado de deturgescência. Quando há lesão na córnea, as denominadas úlceras, elas podem ser superficiais ou profundas. Quando se tem uma lesão somente no epitélio e início do estroma é superficial. Se tem uma lesão pegando estroma e chegando à membrana de Descemet, se tem uma úlcera profunda. Ainda pode ser classificada como profunda com exposição da membrana de Descemet. E quando se tem o extravasamento do humor aquoso, temos uma perfuração. Na perfuração ainda podemos ter o prolapso de íris. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 4 Esclera É a porão anterior “branco do olho”, recoberta por conjuntiva episcleral. É encontrada em uma região transicional chamada de limbo e tem como função fazer a proteção do conteúdo intraocular, ser resistente e elástica. É na esclera que ocorre a inserção dos músculos extraoculares do olho e sua inervação ocorre pelos nervos ciliares posteriores longos, curtos e ramos do trigêmeo. Posteriormente perfurada pelo nervo óptico, vasos e nervos (sensoriais e motores). Inervação ocorre pelos nervos ciliares posteriores longos, curtos e ramos do trigêmeo ↪ episclera: tecido conjuntivo vascular denso que se origina no estroma. ↪ estroma: fibras colágenas dispostas no padrão em xadrez irregular. ↪ lâmina fosca: camada mais interna e está em contato com a úvea. ▸ Limbo: zona de transição entre a córnea e a esclera. O colágeno da córnea, de homogêneo e transparente se transforma em fibroso e opaco. É altamente vascularizado, possui muitos vasos sanguíneos que desempenham um papel importante em processos inflamatórios. Limbo Limbo Esclera Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 5 Túnica Vascular Íris, Corpo ciliar e Coroide Pode ser dividido em: Úvea anterior: íris e corpo ciliar Úvea posterior: coroide Íris Pode ter diversos formatos e cores nas diversas espécies. Ela é responsável pelo controle da quantidade de luz que entra no olho, variando o tamanho da pupila, através da fenda pupilar. Consiste em uma delicada trama de vasos sanguíneos, fibras musculares, tecidos conjuntivos e nervos. As artérias ciliares longas temporal e medial formam círculo arterial, que é bem evidente nos felinos, principalmente os domésticos. Círculo arterial Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 6 A borda pupilar possui um músculo liso, esfinctérico, responsável pela contração da pupila, e uma estrutura mioepitelialdispondo-se radialmente, que ajuda a produzir a dilatação da pupila. Possui dois músculos: ▪ Músculo esfíncter/constritor da íris: banda circular de fibras musculares concêntricas à pupila. Inervação predominantemente parassimpática. ▪ Músculo dilatador da pupila: fibras orientadas radialmente que passam pela raiz da íris em direção à margem pupilar. Inervação predominantemente simpática. Corpo Ciliar É um espessamento circunferencial à túnica vascular e dá origem a muitos ligamentos suspensores finos que sustentam a lente, une a íris e a coroide. Está envolvida com a acomodação da lente e é responsável pela produção do humor aquoso. Dividida em duas porções: Quando precisa de mais luz, a pupila pelo músculo dilatador vai dilatar ficando em midríase, ocorrendo principalmente por fibras simpáticas. Quando não necessita de tanta luz, a inervação simpática faz com que o músculo constritor/esfíncter de contraia, ficando em miose. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 7 Pars plicata (parte dobrada): localizada nos processos ciliares que vão produzir o humor aquoso. Pars plana: que une a retina, chamada de ora ciliares retinae ▸Produção de humor aquoso: produzido no corpo ciliar nos processos ciliares (Pars plicata). O humor aquoso preenche a câmara anterior e posterior, e fornece nutrição para a córnea e o cristalino. O corpo ciliar vai produzir o humor aquoso, passa pela câmara posterior (entre a íris e a lente), pela fenda pupilar e ganha a câmara anterior e é drenado pelo ângulo iridocorneal. A velocidade de produção é proporcional à de drenagem, mantendo a pressão intraocular constante. O material flui da câmara posterior para a anterior através da pupila, sendo absorvida pelo sistema venoso no ângulo entre a córnea e a íris. Ele é drenado pelo canal de Schlemm; Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 8 Coroide Camada intermediária, entre a esclera e a retina, ela fica na parede posterior da túnica vascular, une o corpo ciliar anteriormente e fica entre a retina e a esclera posteriormente. É altamente vascularizada e possui múltiplos camadas. A camada mais profunda é o tapete, que é uma superfície de reflexão destinada a fazer saltar a luz que entra na retina e aumenta a visão com pouca luz. Entre os vasos da coroide, observa-se um tecido conjuntivo frouxo, rico em células, fibras colágenas e elásticas. A coroide é responsável pela nutrição da retina. Tecido vascular fino e pigmentado, formando a úvea posterior. Tem como função fazer nutrição dos fotorreceptores da retina e difusão do calor absorvido pela retina (pela luz). ▸Tapetum Lucidum: a área tapetal age como um amplificador, ajuda a amplificar a imagem (reflete a luz de volta à camada de fotorreceptores após sua primeira Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 9 passagem). Reflete de volta a luz na camada da retina. A luz adentra o olho encontra os fotorreceptores, bate no tapetum lucidum e volta para os fotorreceptores. Melhora a qualidade dos sinais para manter a imagem. É ausente em primatas e suínos. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 10 Túnica Nervosa Retina e Nervo/Disco Óptico Retina É a estrutura mais complexa do olho, ela converte a energia luminosa em energia química para gerar o sinal elétrico que é conduzido até o cérebro. Possui células receptoras fotossensíveis. A retina começa onde o nervo óptico penetra na coroide, com um formato de um cálice côncavo, reveste a coroide e termina na borda pupilar. Possui 10 camadas: epitélio pigmentar da retina (EPR) + retina neurossensorial e outras 9 camadas. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 11 ▸ Como a imagem é formada? A luz atinge os fotorreceptores (cones e bastonetes) → energia química → TRANSDUÇÃO → energia elétrica → nervo óptico → quiasma óptico (onde ocorre a troca de fibras) → tratos ópticos → corpo geniculado lateral → pelas ramificações ópticas → cortex visual → formação da imagem. Disco óptico e Nervo Óptico ▪ Disco óptico: os axônios das células ganglionares da retina saem do olho para formar o nervo óptico, nele não existem fotorreceptores, é uma região totalmente cega. ▪ Nervo Óptico: a inervação do olho e suas estruturas acessórias têm origem em seis nervos cranianos. O nervo óptico é um nervo craniano formado a partir do disco óptico. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 12 Outras Estruturas Órbita Arcabouço ósseo do crânio que contém o bulbo ocular e suas estruturas. Ela é composta por ossos: frontal, lacrimal, esfenoide, zigomático do osso temporal – formação da parede óssea lateral. ↪ em cães e gatos é incompleta e possui o ligamento orbital, repare nas imagens a seguir: Músculos Extraoculares Eles são suporte do bulbo ocular na órbita, permite a mobilidade ocular e compreende em sete músculos: 4 músculos retos, 2 músculos oblíquos e 1 músculo retrator do bulbo ocular. ↪ Músculo orbicularis oculi: fecho das pálpebras – Inervação motora pelo nervo craniano VII (n. facial). ↪ Músculo elevator da pálpebra superior (Levator palpebrae superioris): abertura das pálpebras – inervação motora pelo nervo craniano III (n. oculomotor). ↪ Nervo craniano III (n. trigémino) – Nervo sensitivo das pálpebras. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 13 Pálpebras São formadas por duas pregas móveis de pele, uma superior e outra inferior, a abertura entre elas tem o nome de fissura palpebral. Realizam proteção mecânica e possuem estruturas que auxiliam nessa proteção, como cílios e glândulas produtoras de muco. Possui músculos próprios e a inervação é através do nervo facial. ▪ Funções: ↪ Proteção ↪ Lubrificação ↪ Secreção ↪ Glândulas Meibômio (parte lipídica da lágrima), Zeis e Moll (glândulas sebáceas e sudoríparas modificadas) ↪ Células caliciformes (parte mucosa da lágrima) ↪ Redistribuir o filme lacrimal ▪ Músculos importantes: ↪ Músculo orbicular: fechamento ↪ Músculo elevador da pálpebra superior: elevar a pálpebra Legenda: C – contrai a fissura palpebral; D – deprime a pálpebra inferior E – eleva a pálpebra superior Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 14 Terceira Pálpebra: É uma camada fina de tecido no canto medial do olho, é uma estrutura de proteção móvel, localizada entre a córnea e a pálpebra inferior na porção nasal do saco conjuntival inferior. A glândula da terceira pálpebra se localiza na superfície interna da terceira pálpebra e se encontra sobre a parte alveolar do globo ocular. ↪ Cartilagem em T: mantém posicionada ↪ Glândula da 3° pálpebra: responsável pela produção lacrimal (30 – 50% da produção) Cílios São direcionados ao contrário da superfície da córnea: 2 a 4 camadas. ▪ Cães: possuem cílios. ▪ Gatos: não possuem cílios e sim vibrisas (pelos modificados em terço lateral da pálpebra superior). ↪ Vibrisas: pelos táteis que fornecem sensação à área periorbital. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 15 Vias Lacrimais ▪ Parte secretora: glândulas Meibomianas, glândulas lacrimais, glândula da 3ª pálpebra, células caliciformes da conjuntiva. ▪ Parte excretora: pontos lacrimais, canalículos, saco lacrimal, ducto nasolacrimal. O filme lacrimal possui três camadas: ↪ camada lipídica: mais externa que se origina das glândulas tarsais (Meibômio) e auxilia a espalhar a lágrima. ↪ camada aquosa: camada média derivada da glândula lacrimal, que umedece e nutre a córnea, dando volume à lagrima. ↪ camada mucina (muco):mais interna, produzida pelas células caliciformes da conjuntiva, que mantém o filme lacrimal bem junto à córnea. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 16 Conjuntiva Reveste internamente as pálpebras e o bulbo ocular, é móvel, semitransparente, com tendência a ser úmida e brilhante. O espaço coberto pela conjuntiva é chamado de saco conjuntival. ↪ Conjuntiva palpebral ↪ Conjuntiva bulbar ↪ Fórnice Células caliciformes conjuntivais: camada de mucina do filme lacrimal Glândulas As glândulas lacrimais são constituídas por células serosas que contêm grânulos de secreção que se coram fracamente e sua porção secretora é envolvida por células mioepiteliais. Produzem solução salina e estão localizadas entre o bulbo do olho e a parede dorsolateral da órbita. a. Glândulas meibomianas localizadas dentro da placa tarsal. b. Células caliciformes conjuntivais. c. Glândula lacrimal orbital. d. Glândula lacrimal da terceira pálpebra Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 17 Cristalino Pode ser chamado de lente, é um disco biconvexo proteináceo transparente suspenso entre a câmara posterior e a câmara vítrea. É circundada por uma cápsula elástica que serve como local de fixação para ligamentos suspensores. Ele é dependente do humor aquoso para sua nutrição. Ligamentos zonulares: são fibras transparentes que fazem inserção na cápsula lenticular na área equatorial (anterior e posterior). Humor Vítreo: É um gel acelular que preenche a câmara vítrea, espaço entre o cristalino e o disco óptico. É composto por água, ácido hialurônico e fibrilas colágenas. Ele não é continuamente reposto, seu volume é constante. Forma um dos meios refrativos do olho e fornece pressão necessária para posicionar a retina adequadamente contra o epitélio pigmentado da retina. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 18 Neuro-oftalmologia É a associação do sistema nervoso com os olhos. ↪ Sistema sensorial visual: compreende da retina ao córtex visual. ↪ Sistema nervoso autônomo: função pupilar e lacrimação. ↪ Sistema oculomotor: controle do bulbo, pálpebra e movimentação da 3° pálpebra. ↪ Sistema trigemal: sensação de dor nos olhos e anexos. Na oftalmologia 6 deles são importantes que são: II: Óptico Região do Tálamo III: Oculomotor IV: Troclear V: Trigêmeo (ramo oftálmico do trigêmeo) Região do tronco encefálico VI: Abducente VII: Facial ▪ Tronco encefálico: é a parte mais caudal do encéfalo. É composto pelo mesencéfalo, pela ponte e pelo bulbo. Interpõe-se entre a medula e o diencéfalo e localiza-se ventralmente ao cerebelo. Fonte: Anatpat.unicamp Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 19 Nervos cranianos ▪ Nervo aferente: sensitivo leva a informação até o SNC. ▪ Nervo eferente: motor leva a resposta ▪ Nervo óptico: exclusivamente sentitivo, o que lava a informação e é responsável pela visão. ▪ Nervo Oculomotor: é um nervo motor e também tem a função parassimpática e é responsável pelo músculo constritor da pupila – MIOSE, inerva também o reto M. medial, dorsal ventral, elevador da pálpebra superior. ▪ Nervo Troclear: exclusivamente motor, inerva o músculo obliquo dorsal ▪ Nervo Trigêmeo (ramo oftálmico): é um nervo sensitivo e motor responsável pela sensibilidade do bulbo ocular, anexos e pele periocular. E a parte motora é responsável pelo músculo dilatador da íris – MIDRÍASE. ▪ Nervo Abducente: exclusivamente motor, inerva o músculo reto medial e retrator do bulbo ocular. ▪ Nervo Facial: é um nervo sensitivo, motor e parassimpático e inerva os músculos da face. Óptico Sensitivo Visão Oculomotor Motor / parassimpático M. reto: medial, dorsal, ventral, elevador da pálpebra superior. Múculo constritor da pupila: miose Troclear Motor M. oblíquio dorsal Trigêmeo Sensitivo / motor Sensibilidade BO, anexos e pele periocular. M. Dilatador da íris: midríase Abducente Motor Reto lateral e retrator do bulbo ocular Facial Sensitivo / motor / parassimpático Músculos do rosto Macete A sogra chegou em casa: A (Aferente) A sogra foi embora: E (eferente) Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 20 Existem três pares de nervos que controlam o movimento do olho: Abducente abre, oculomotor aduz e troclear trabalha em movimento rotatório. O oculomotor controla posição e faz reflexo pupilar. Semiologia ▪ Teste do Obstáculo: colocar o animal para caminhar no ambulatório, dentro do consultório e observar o temperamento e estado de consciência do animal. ↪ animais cegos ficam mais cautelosos, cabeça baixa... mas não é regra. ▪ Teste de Ameaça ↪ Resposta esperada: fechar as pálpebras É importante que seja avaliado um olho por vez e o movimento da mão não deve levar o ar. Trabalhar no canto lateral e nasal curto e seco em direção ao olho. NC II: Óptico – Aferente (córtex nervo facial) NC VII: Facial – Eferente Importante: após 12 semanas de vida que o animal vai ter resposta a ameaça, antes de meses ainda não há reflexos aprendidos. ▪ Teste de Movimento ↪ Resposta esperada: movimentar os olhos, cabeça ou as orelhas ↪ Trabalhar com objeto sem ruído e sem odor. ▪ Reflexo Pupilar a Luz ↪ Resposta esperada: Olho direto: contração máxima da pupila Olho consensual: contração parcial da pupila NC II: óptico – aferente NC III: oculomotor – eferente ↪ Direto e consensual Por que há contração parcial da pupila quando faz o RPL direto no olho consensual? Porque há um cruzamento de fibras no quiasma óptico levando a informação para o nervo oculomotor tanto direto quanto o consensual. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 21 Reflexo Pupilar a Luz OD (RPL): ↪ Olho direto: nervo óptico e nervo oculomotor ↪ Olho consensual: n. oculomotor Reflexo Pupilar a Luz OS (RPL): ↪ Olho direto: nervo óptico e nervo oculomotor ↪ Olho consensual: n. oculomotor No exame com a luz, o nervo óptico é testado e se está lesado, não leva informação cortical para que o oculomotor movimente a pupila. Mas a lesão pode estar no nervo oculomotor, em que o sinal chegou ao córtex e apenas não chegou à pupila para contrair. Caso clínico 1: animal apresentando OD normal, com reflexo consensual no OE. Ao fazer o RPL no OE nota-se que não há nenhuma contração da pupila. Onde está a lesão? Quando se incide a luz no olho direito e ele responde, é porque o nervo óptico e nervo oculomotor estão funcionando (lembra quem recebe e quem leva a informação). O oculomotor do OS também está funcionando mesmo que não tenha tido o reflexo consensual. Portanto o que não está funcionando no OS é o nervo óptico ou retina é ele quem leva a mensagem para ocorrer o cruzamento das fibras e ser levado pelo oculomotor. Caso clínico 2: animal chega ao consultório com cegueira bilateral e midríase bem significativa. Ao fazer o RPL OE não há resposta direta e nem consensual e a mesma coisa no OD. Onde está a lesão? Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 22 Neste caso sabe-se que o oculomotor não está funcionando, pois em nenhum dos dois olhos houve resposta; A lesão pode estar no nervo óptico ou no trajeto dele pois lembre-se que ele é um nervo sensitivo - aferente, ele envia a mensagem, mas a mensagem não está chegando ao córtex visual. O problema pode estar em retina bilateral, nervo óptico bilateral ou quiasma. Entendendo... Cegueira com reflexo pupilar a luz presente: lesão pós quiasmática. Cegueira com reflexo pupilar a luz ausente: lesão pré quiasmática. O que estamos avaliando? Reaçãoa ameaça: II, IV a comunicação deles ocorre no córtex visual Tamanho / Simetria da pupila: II e III (óptico e oculomotor) Reflexo pupilar fotomotor: II e III (óptico e oculomotor) Reflexo palpebral: V e VII Assimetria facial: VII Caso clínico 3: Tutor chegou ao consultório questionando se o animal era cego do olho direito porque ele anda com a cabeça de lado. Ele apresenta atrofia do músculo facial e lateralização de cabeça. No teste de ameaça o OE as pálpebras fecharam e o OD as pálpebras não fecharam, ele consegue mexer somente a terceira pálpebra. Onde está a lesão? Como ele responde bem ao teste de ameaça do lado esquerdo podemos excluir o nervo óptico e o nervo facial, podemos excluir o córtex do olho direito. Ainda precisamos saber onde está a lesão, o próximo teste é o reflexo palpebral (tocar em canto nasal, medial e lateral e na base da orelha). O OS responde a todos os estímulos desse teste, OD não há resposta aos estímulos. Sabemos que não a lesão em trigêmeo e nervo facial do OS (olho esquerdo). Agora o teste de RPL que no OE contraiu a pupila direta e consensual e o OD também contraiu a pupila direto e consensual. Isso significa que o n. óptico e o n. oculomotor de ambos os olhos estão em perfeito funcionamento. Montando o quebra cabeça do olho direito: Resposta a ameaça: óptico, facial e córtex. (como no RPL o nervo óptico está funcionando, então no teste de ameaça ele também está ok, e o córtex também pois ele não apresenta sinais clínicos de andar em círculos, desequilíbrio... Sobrando o nervo facial. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 23 Palpebral: trigêmeo e facial (nesse teste a pálpebra não fechou essa lesão pode estar em trigêmeo ou facial. RPL: ótico e oculomotor (excluímos a possibilidade). Movimento do bulbo ocular O n. oculomotor, troclear e abducente estão envolvidos diretamente em manter o olho no lugar. NC III: Reto medial, reto dorsal, reto ventral e obliquo ventral. NC IV: Oblíquo dorsal e retrator do bulbo. NC VI: Reto lateral. Resumo Importante ▪ Na cegueira cortical, o reflexo pupilar se mantém, porque a fibra aferente do nervo óptico leva o estímulo que será interpretado pelo nervo oculomotor para fazer a contração. O problema é da parte que interpreta a visão, que gera a cegueira. ▪ Teste do nervo óptico: o animal que enxerga pouco tende a trombar nas coisas. ▪ Reflexo de ameaça: não é uma resposta, pois o reflexo não passa pelo cérebro, somente passa na medula e volta, sendo inconsciente. O estímulo vai até a intumescência e o movimento ocorre. Enquanto isso, tem um sinal indo ao cérebro para processar o ocorrido. Ao aproximar a mão, o que se espera de um animal com mais de 12 semanas de vida é que ele afaste a cabeça. Muito importante que não leve corrente de ar e tampar um dos Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 24 olhos para testar a ameaça de um lado e depois do outro. Numa rotação de olho ou retração de face já se pode observar que há reflexo positivo à ameaça, ainda que não pisque. ▪ Teste com a bolinha de algodão/gaze: o ideal é que o animal olhe para o objeto (importante não ter barulho ou cheiro) e acompanhe a queda. ▪ O nevo oculomotor, além de alteração na posição do globo ocular, está relacionado à constrição da pupila. Tem que analisar em conjunto com o outro olho. ▪ Avaliação em neonatos: em cães com menos de 4 meses, ainda não há aprendizado sobre a ameaça. ▪ Estrabismo medial possui correlação com nervo abducente. O nervo troclear mexe com a posição do olho, se houver uma lesão, ocorre estrabismo de posição. ▪ O nervo trigêmeo tem o ramo oftálmico, que faz a parte sensitiva das pálpebras, da córnea. O ramo maxilar pega a narina e o ramo mandibular pega a mandíbula. Normalmente testa-se o trigêmeo com o teste de sensibilidade de face. Quando o animal sente, pisca, treme um pouco. A parte motora do trigêmeo, que se correlaciona à mastigação, é uma parte motora. O tônus de mandíbula, com a resistência contra a abertura, é um teste motor para trigêmeo. ▪ O reflexo palpebral tem componente sensitivo com o trigêmeo e o motor o nervo palpebral, se o animal não consegue piscar, ele vai rotacionar o globo ocular. ▪ A sensibilidade da córnea é pelo n. trigêmeo. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 25 Semiologia Oftálmica ▪ Exame completo ▪ Abordagem padronizada ▪ Equipamentos apropriados As partes do exame oftálmico são: ▪ Levantamento do histórico ▪ Exame a distância ▪ Exame próximo ↪ Shirmer e corantes ↪ Visão e neurológico ↪ Oftalmoscopia Histórico Pode ser dividido em geral e específico dos olhos O histórico geral aborda os seguintes tópicos: ▪ Genético: doenças hereditárias ▪ Idade: fator a ser considerado, algumas doenças acometem principalmente uma certa faixa de idade. ▪ Sexo: não é tão importante, mas pode auxiliar. ▪ Saúde geral: algumas doenças sistêmicas possuem manifestação ocular. ▪ Medicações: algumas medicações podem desenvolver ceratoconjuntivite seca, por exemplo. ▪ Presença de outros animais: doenças infecciosas, traumas mecânicos. Uma vez que esse histórico geral foi realizado, podemos passar para o histórico oftalmológico mais específico: ▪ Qual foi a primeira coisa que notou de diferente no olho? Secreção, dor, vermelhidão, alteração na aparência (opaco?), redução da visão? ▪ É bilateral ou unilateral? Padronização das siglas: OS: Oculus Sinister = olho esquerdo OD: Oculus Dexter = olho direito Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 26 ▪ Qual a evolução do problema? Agravou ou se manteve estável? Contínuo ou intermitente? ▪ Fez utilização de algum medicamento para tratar o olho? Se sim, houve melhora? Qual medicamento utilizou? ▪ Já teve algum problema oftálmico no passado? Exame a Distância ▪ O paciente deve ser observado, caminhando pelo consultório. ▪ Analisar sinais de desconforto: aumento do bulbo, tumefação, blefaroespasmo, epífora, etc. ▪ Sinais que o animal está coçando: perda de pelos na região, eritema, mudança na coloração dos pelos. Avaliar a acuidade visual: ▪ BAV: baixa acuidade visual ↪ Cegueira no claro: hemeralopia ou acromatopsia. ↪ Escuro: nictalopia. Exame Próximo Iniciar o exame com o ambiente bem iluminado, fazer a contenção gentilmente, analisar se há anormalidades, secreções e se é unilateral ou bilateral. Comparar o tamanho dos olhos, posição. Obs: os cães da raça Doberman apresentam secreção mucoide em canto medial do olho e é considerado normal. ▪Teste de Shirmer: teste lacrimal que mensura a quantidade de lágrima produzida, você irá estimular essa produção. A tira deve ser dobrada na reentrância ainda dentro da embalagem, o pedaço menor que foi dobrado é colocado no saco conjuntival ventral e é deixado por 1 minuto (60 segundos). É um teste quantitativo. Cuidado para não tocar a parte inferior da tira com as mãos, porque a oleosidade da pele pode afetar a ação capilar da tira e o resultado do teste. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 27 Valores Cães Normal 15-25mm/min Limite 10-15mm/min KCSà ameaça tende a ser desencadeada de modo inconsistente, com muitos felinos normais não piscando em resposta a um gesto de ameaça. Do mesmo modo, gatos sob estresse com tônus simpático mais elevado com frequência apresentam midríase em repouso e diminuição dos reflexos fotomotores. Valores Gatos Normal 10 mm/min KCSé a lubrificação da superfície ocular. Estão disponíveis sob a forma de colírio, gel ou pomada. ↪ Tears, Systane, Hyabak ▪ Lacrimoestimulantes: estimulam a produção lacrimal. ↪ Tacrolimo e ciclosporina. A. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 35 ▪ Mucolíticos: utilizado em KCS quando a secreção é intensa. ↪ Acetilcisteína ▪ Antimicrobianos: utilizados como pomadas, colírios, subconjuntivais, oral. As classes são: ↪ Cloranfenicol: cloranfenicol, epitezan (pomada), regencel (pomada) ↪ Neomicina + polimixina B: Maxitrol, Nepodex (pomada) ↪ Moxifloxacino: Vigamox, Vigadexa ↪ Ofloxacino: Oflox ↪ Tobramicina: Tobradex ▪ Antiglaucomatosos: o glaucoma necessita de medicamentos para se faça o controle da doença. ↪ Dorzolamida 2%: Cosopt ↪ Pilocarpina: Pilocan ↪ Timolol: Nyolol gel ▪ Anti-inflamatórios: podem ser esteroidais ou não esteroidais. Exemplos de uso tópico: ↪ Hidrocortisona: keravit (AIE) ↪ Prednisolona: Pred Fort (AIE) ↪ Diclofenaco sódico: Still (AINE) ↪ Cetorolaco de Trometamina: Cetrolac (AINE) ▪ Midriáticos e cicloplégicos: Os midriáticos são medicamentos que direta ou indiretamente dilatam a pupila e se, além disso, paralisam o músculo ciliar, inibindo a acomodação visual, são chamados de cicloplégicos. ↪ Atropina Importante: a destilação entre um colírio e outro deve obedecer de 6 minutos a 10 minutos e pomadas o intervalo de 3 horas e 30 minutos. Sempre seguindo do mais líquido para o mais espesso. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 36 Pálpebras São formadas por duas pregas móveis de pele, uma superior e outra inferior, a abertura entre elas tem o nome de fissura palpebral. Realizam proteção mecânica e possuem estruturas que auxiliam nessa proteção, como cílios e glândulas produtoras de muco. Possui músculos próprios e a inervação é através do nervo facial. Funções: ↪ Proteção ↪ Lubrificação ↪ Secreção ↪ Glândulas Meibômio (parte lipídica da lágrima), Zeis e Moll (glândulas sebáceas e sudoríparas modificadas) ↪ Células caliciformes (parte mucosa da lágrima) ↪ Redistribuir o filme lacrimal ▪ Músculos importantes: ↪ Músculo orbicular: fechamento ↪ Músculo elevador da pálpebra superior: elevar a pálpebra Blefarite ▪ Definição: a inflamação das margens palpebrais, costuma ser mais bilateral do que unilateral. A principal queixa é que o animal fica constantemente tentando coçar a região dos olhos. As causas podem ser variadas: ▸ Parasitária: sarna demodécica em cães e sarna sarna notoédrica em gatos. Os sinais clínicos são lesões confinadas nas pálpebras e a sarna sarcopética é muito pruriginosa. Para diagnosticar pode ser realizado raspados de pele. ▸ Imunomediada: atopia, pênfigo, uso de alguns fármacos. Os sinais clínicos podem ser variados, normalmente apresentam algum tipo de prurido e lesões na pele. O diagnóstico é a partir do histórico, teste de alergia e exclusão. ▸ Secundárias: bacteriana, fúngica, viral. Legenda: C – contrai a fissura palpebral; D – deprime a pálpebra inferior E – eleva a pálpebra superior Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 37 ▪ Sinais Clínicos: área de alopecia na região periocular, prurido, mudança na coloração dos pelos, quemose. ▪ Tratamento: Difenidramina 2,0 mg/kg IM ou EV – BID Prednisolona 0,5 - 1,0mg/kg – VO Dermoide ▪ Definição: é um teratoma cístico que contém pele madura desenvolvida com folículo piloso e glândulas sudoríparas completas. Pode ocorrer em pálpebras e ocasionalmente em córnea, limbo ou esclera. Está associado a agenesia palpebral. Acomete frequentemente as raças Pastor Alemão, São Bernardo, Dálmata e Dushshund. ▪ Sinais clínicos: presença de um tecido cístico contendo pelos na córnea ou no limbo. ▪ Tratamento: ceratoplastia total com flap conjuntival. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 38 Anquilobléfaro ▪ Definição: é a união entre as margens palpebrais superior e inferior. É considerado normal de 10 a 14 dias após o nascimento, após esse período é considerado patológico. Podem desenvolver conjuntivite por Staphilococcus spp. Lembrar que gatos jovens podem apresentar calicivirose e rinotraqueíte, portanto, são diagnósticos diferenciais ▪ Tratamento: Utilização de solução fisiológica aquecida para auxiliar na abertura mecânica dos olhos, em seguida, após a abertura instilar 1 gota de colírio antimicrobiano e lubrificação. Entrópio ▪ Definição: é a inversão da margem palpebral, faz com que exerça atrito sobre a córnea. É comum em animais jovens, 4 a 12 meses, uni ou bilateral. Pode ser congênito por defeitos no desenvolvimento (primário), ou pode ser adquirido (secundário), por traumas mecânicos ou químicos. Algumas raças possuem predisposição, como Dogue Alemão, Rottwiller, Sharpei, Golden, Labrador, Dálmata. Gatos braquicefálicos possuem predisposição a esse tipo de afecção. ▪ Sinais clínicos: blefaroespasmo, epífora, secreção mucoide amarelada nas bordas palpebrais. Sempre avaliar com as pálpebras relaxadas, instilar anestesia tópica. Pode lesionar a córnea e causar úlceras, vascularização crônica e pigmentação. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 39 ▪ Tratamento: controlar a dor, infecção e se houver úlceras. ▸ AINE: ↪ Carprofeno 2,2mg/kg – VO; ↪ Meloxican 0,2 – 0,3 mg/kg – VO; ▸ ANTB: ↪ Cefalexina: 20-30mg/kg - VO ▸ Úlceras: utilizar um re-epitelizante como EDTA, soro autólogo, etc. ▸ Cirúrgico: ↪ Técnica de hotz Celsus: incisão na pele em formato de meia lua, a incisão é feita no músculo orbicular. ↪ Técnica de plicatura palpebral periostal (Tacking): utilizada em filhotes até 6 meses de idade e consiste em a abertura temporária das pálpebras. Note a inversão da pálpebra inferior Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 40 Entrópio de Canto Medial ▪ Definição: a prega nasal acaba invertendo a pele no canto nasal da pálpebra, isso ocorre principalmente em raças como Pequinês e Pugs cujos pelos da própria prega podem atritar diretamente o olho. ▪ Tratamento: remover a pele em excesso – plastia de canto medial. Ectrópio ▪ Definição: é a eversão ou queda das pálpebras inferiores, deixando uma porção da conjuntiva exposta. É comum nas raças: São Bernardo, Mastin Napolitano, Basset Hound. A exposição constante da conjuntiva, favorece o aparecimento de conjuntivite crônica, levando a deficiência lacrimal e predispondo a ceratoconjuntivite seca. Pode ocorrer o ectrópio iatrogênico que é causado por correção excessiva do entrópio. O que tratar primeiro: a úlcera ou o entrópio? Depende da gravidade de cada caso, mas é essencial retirar a causa, ou seja, fazer a cirurgia para remover o entrópio. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 41 ▪ Sinais clínicos: pálpebras caídas podendo ter infecção secundária envolvida na conjuntiva. ▪ Tratamento: correção cirúrgica. ↪ Técnica de Wharton – Jones (Plastia em “V” ou “Y”): Legenda: (A) Incisões convergentes na pele são feitas com a lâmina de bisturi começando de 1-2 mm da margem da pálpebra inferior. (B) O retalho cutâneo em forma de V é separado dos tecidos subjacentes. A base é determinada pela extensão (largura) da margem palpebral afetada pelo ectrópio e a altura do triângulo é determinada pela extensão da eversão a ser corrigida. (C) O comprimento da porção vertical da sutura é determinado pela extensão da eversão da pálpebra. Setas pequenas mostram as forças envolvidas. (D) As incisões são suturadas de modo a formar os dois braços do Y. Fonte: Maggs, Miller e Ofri (2013) e Manning (2015) Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuiçãoproibida) 42 Anormalidades dos Cílios ▸ Triquíase: cílios que nascem em direção a córnea e o tratamento é a correção cirúrgica. ▸ Triquíase em carúncula: triquíase de canto medial, geralmente relacionado a fatores genéticos. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 43 ▸ Distiquíase: cílios que nascem na glândula de meibômio, ou seja, da rima palpebral em direção a córnea. ↪ Eletroepilação ↪ Crioepilação com N2; Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 44 ▸ Cílio ectópico: cílio adicional que emerge através da conjuntiva em direção a córnea. Ele pode ser somente um ou em tufos. Havendo predisposição racial para Pugs, Shi Tzu, Buldogue Inglês e Chihuahua. Tratamento é a remoção cirúrgica. Calázio ▪ Definição: dilatação cística da glândula de meibômio, é um processo inflamatório agudo, sem contaminação bacteriana (inicialmente). ▪ Sinais clínicos: exsudatos crostosos, hiperemia muco cutânea. O ideal é realizar uma cultura + antibiograma. ▪ Tratamento: ↪ antibioticoterabia: Tobradex, Regencel. ↪ Compressa de água morna ↪ Curetagem ou cauterização com tintura de iodo. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 45 ↪ Cirúrgico: quando há neoplasia envolvida. Hordéolo ▪ Definição: é a dilatação cística da glândula de meibômio, é um processo inflamatório agudo com contaminação bacteriana. ▪ Sinais clínicos: lesões maiores, abcedativas com exsudato purulento confinado. Não forma uma massa tão evidente igual ao do calázio. ▪ Tratamento ↪ ANTB Tópico: Todradex ↪ ANTB Sistêmico: enrofloxacino, cefalexina, amoxicilina. ↪ Compressa morna. Neoplasias Palpebrais e de Membrana ↪ Adenocarcinomas ↪ Carcinoma de células escamosas ↪ Papilomas ↪ Melanomas ↪ Hemagiossarcomas Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 46 ▪ Diagnóstico: citologia + histopatológico ▪ Tratamento: cirurgia, quimioterapia, criocirurgia (até 2cm), eletroquimioterapia. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 47 Conjuntiva e Terceira Pálpebra ▸ Conjuntiva: a conjuntiva é uma fina membrana mucosa que reveste a superfície posterior das pálpebras (conjuntiva palpebral) e reflete para a frente no fórnice ou recesso no globo (conjuntiva bulbar). ▸ Terceira pálpebra: ou também chamada de membrana nictitante, é uma estrutura de proteção móvel, entre a córnea e a pálpebra inferior, na porção nasal do saco conjuntival inferior. Além de proteção, na sua base possui uma glândula que auxilia na produção do filme lacrimal. Conjuntivite ▪ Definição: a conjuntivite é tipicamente caracterizada por hiperemia conjuntival, secreção ocular mucóide e quemose em um olho com pressão intra-ocular normal (PIO) e sem reflexo aquoso ▪ Sinais clínicos: hiperemia conjuntival, quemose em casos agudos (edema), secreção ocular, folículos (cavalos está relacionado com Onchocerca spp. e em gatos herpesvírus), dor ou desconforto. Normalmente é bilateral. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 48 ▪ Diagnóstico: é importante definir a etiologia, avaliar o histórico, cultura, sorologia e citologia podem ser ótimas formas de diagnóstico. ▪ Tratamento: ↪ Antibióticos tópicos quando a etiologia são bactérias; ↪ Anti-inflamatórios: (normalmente usa corticoide); ↪ Higienização: limpeza de secreções, pode ser realizado com solução fisiológica; ↪ Anti-histaminicos: cromoglicato de sódio, olopatadina, lodoxamida são usados em casos de conjuntivite alérgica. O paciente não respondeu ao tratamento? A falha em responder à administração de antibióticos é mais comumente o resultado da falha em determinar os fatores etiológicos primários subjacentes do que a escolha incorreta do antibiótico. Síndrome de Horner ▪ Definição: é uma lesão na inervação simpática para o globo ocular e seus anexos. É unilateral e sua etiologia está relacionada a traumas. ▪ Sinais clínicos: diminuição do tamanho da pupila, a pálpebra fica caída e da 3° pálpebra sai de sua conformação normal. Hiperemia conjuntival Quemose Folículos Secreção ocular ▪ Diagnóstico: requer exame físico, neurológico oftálmico e imagem. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 49 Eversão de Cartilagem ▪ Definição: é o enrolamento da margem da membrana em decorrência da curvatura anormal da porção vertical de “T” cartilaginoso. É um distúrbio congênito que ocorre devido a uma má formação da cartilagem da terceira pálpebra. O animal costuma apresentar conjuntivite crônica com secreção ocular devido a exposição da mucosa conjuntival. ▪ Tratamento: correção da eversão com cirurgia – remoção de 2mm do braço vertical do “T”. ↪ Pós-operatório: analsesia intensa com AINE, antioticoterapia tópica (Tobramicina, ciprofloxacino ou cloranfenicol), lubrificante ocular; Prolapso da Glândula da Terceira Pálpebra ▪ Definição: conhecido por “cherry eye” ou olho cereja, é o aparecimento de uma massa no canto medial do olho. Isso ocorre devido a falha no ligamento que sustenta a glândula, sendo a causa mais comum a fragilidade do tecido conectivo. Mas pode ocorrer pela falha na glândula, como hiperplasia ou hipertrofia, porém menos comum. Raças como Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 50 Beagle, Lhasa Apso, Cocker Spaniel, Buldogue inglês e Buldogue Francês possuem predisposição. ▪ Sinais clínicos: glândula edemaciada, inflamada, secreção ocular branda, mas pode se tornar intensa e mucopurulenta por infecção bacteriana secundária. ▪ Tratamento: NUNCA REMOVER, deve ser realizado o reposicionamento da glândula da 3° pálpebra. Ao remover, irá predispor o animal a ceratoconjuntivite seca. O método utilizado para reposionar: ↪ Pocket (sepultamento): são feitas duas incisões paralelas ao redor da glândula, em seguida é realizado um ponto invaginoide, para que esse ponto não fique em contato com a córnea. ↪ Reposicionamento Manual: O reposicionamento manual não resolve, sendo apenas temporário, o correto é realizar o reposicionamento cirúrgico. ↪ Técnica de Morgan: acesso pela face interna. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 51 ↪ Pós-operatório: analgesia sistêmica (AINE), antibiótico tópico (tobramicina, cloranfenicol). Pomada cicatrizante (eptezen). Referências da Sessão MARTIN, Charles M. Ophthalmic Disease In Veterinary Medicine, USA, 2010. MILLER, P. E.; MAGGS, D. J.; OFRI, R. Slatter's fundamentals of veterinary ophthalmology. Saunders Elsevier, St Louis, Missouri, p. 119, 2008. TURNER, Sally M. “Oftalmologia em Pequenos Animais”, Rio de Janeiro; Elsevier, 2010 . Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 52 Sistema Lacrimal ▪ Introdução: o sistema lacrimal consiste em estruturas envolvidas na produção e drenagem de lágrimas, são elas: ↪ Glândulas lacrimais e da terceira pálpebra, ↪ Glândulas lacrimais acessórias ↪ Filme lacrimal pré –corneal ↪ Pontos lacrimais e canalículos ↪ Saco lacrimal ↪ Ducto nasolacrimal ↪ Óstio nasal Dacriocistite ▪ Definição: É a inflamação no saco lacrimal e no ducto nasolacrimal. Ocorre mais frequentemente em cães e gatos e menos frequentemente em cavalos. ▪ Etiologia: Corpos estranhos podem estar relacionados com a etiologia, mas muitas vezes a causa primária é indeterminada. ▪ Sinais Clínicos: corrimento ocular varia de lágrimas claras a exsudato mucopurulento mais espesso no canto medial; Conjuntivite leve que geralmente é mais proeminente medialmente; Descarga de material mucopurulento da fenda nasal ou lacrimal, principalmentecom palpação dessa área; essa área geralmente é dolorosa ao toque, mas às vezes é totalmente indolor. Dermatite eritematosa dolorosa aparece no canto Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 53 medial em alguns casos. Abscesso do saco ocorre em casos graves; em casos crônicos, esse abscesso pode causar fístulas. ▪ Diagnóstico: sinais clínicos e presença de secreção mucopurulenta. O local exato da obstrução pode ser determinado por canulação, dacriocistorrinografia ou imagem. ▪ Tratamento: ↪ Catateterização nasolacrimal (utiliza a fluoresceína com solução fisiológica). ↪ Dacriocistotomia: pacientes em que a obstrução não permite a passagem de cateter. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 54 Agenesia do Ducto Nasolacrimal ▪ Definição: o animal nasce sem o ducto nasolacrimal e está associada a fatores hereditários e genéticos. As raças braquiocefálicas possuem maior predisposição, devido a sua conformação. Referências da Sessão MILLER, P. E.; MAGGS, D. J.; OFRI, R. Slatter's fundamentals of veterinary ophthalmology. Saunders Elsevier, St Louis, Missouri, p. 119, 2008. Lembre-se que os problemas na drenagem da lágrima podem levar à cromodacriorreia, também chamada de discromia ferruginosa ou erroneamente de lágrima ácida. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 55 Córnea Introdução: a córnea é a parte anterior transparente da túnica fibrosa e a camada refrataria mais poderosa do olho. Sua curvatura regular e transparência são essenciais para o foco de luz na retina. Ela é avascular e sua nutrição se dá pelos vasos do limbo e do fluido da câmara anterior. A córnea é composta por aproximadamente 75 a 85% de água. Histologicamente, a córnea possui 4 camadas (5 se você contar o filme lacrimal). Os principais sinais clínicos de quando há uma afecção na córnea são: ↪ perda da transparência ↪ edema ↪ pigmentação ↪ infiltrados celulares ↪ cicatrizes ↪ vascularização ▪ Mas o que confere a transparência à córnea? A córnea é uma superfície óptica lisa e para isso é necessário que haja ausência de queratina, ausência de vascularização, ausência de melanina ou outros pigmentos, densidade celular baixa, o seu arranjo de fibras colágenas regulares e um estado de semi-desidratação relativa. ▪ O que é o estado de semi-desidratação? A córnea é circundada por muita água, como o filme lacrimal presente no epitélio corneano e o humor aquoso em contato com o endotélio. O epitélio e o endotélio corneano são estruturas hidrofóbicas, sendo uma barreira física em que não permite a passagem da água para o estroma. Enquanto que o estroma é hidrofílico, portanto ele necessita Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 56 dessas barreiras para que ele não retenha a água. Ao ocorrer a injúria, no epitélio ocorrerá passagem do líquido presente no filme lacrimal, já no endotélio se ocorrer alguma disfunção, também permite a passagem do líquido do humor aquoso. São duas situações que promovem o edema corneano. Para que isso não aconteça, o endotélio tem um mecanismo chamado de bomba endotelial, onde ele retém a água presente no estroma e confere um estado de deturgescência corneana, permitindo o estado de semi- desidratação. ▪ Avaliando a córnea: avaliar a curvatura, regularidade da superfície, brilho, opacidades, precipitados ceráticos, soluções de continuidade. Podendo ser utilizado a fluoresceína que detecta lesões no epitélio e exposições do estroma, rosa bengala ou lissamina verde para detectar células que não estão cobertas por mucina. Reações Corneanas Vascularização, edema, pigmentação, fibrose, tecido de granulação, acúmulo de substâncias, infiltrado estromal e malácea (melting). As Cores da Córnea ▪ Azul e fofo: o edema corneano possui a coloração chamada de azul e fofo e se manifesta quando há excesso de líquido internamente ao estroma, separando e desorganizando as lamelas de colágeno, ocorre um excesso de hidratação. Houve uma disfunção da barreira epitelial ou descompensação endotelial. Clinicamente, o edema é caracterizado por opacificação de coloração branca azulada, restrita a uma região ou por toda a córnea. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 57 Um fator importante a se abordar é que caso esse edema seja por uma diminuição de células ou disfunção endotelial, esse edema pode ser irreversível. Portanto, ela é uma afecção transitória ou permanente. Ele pode ser também um edema total ou localizado. ↪ Causas comuns: úlcera de córnea, uveíte anterior, reação tóxica, endotelite, glaucoma, vascularização, degeneração senil, distrofia endotelial (Boston Terrier, Chihuahua, Daschshund). Quando esse edema corneano se torna crônico, pode levar a ceratopatia bolhosa, ocorre comumente em gatos. ▪ Vermelho: coloração avermelhada da córnea ocorre devido a vascularização/neovascularização, é resultante da quebra da homeostase de fatores antiangiogênicos que normalmente preservam a transparência corneana. Os vasos começam a crescer 4 dias após a resposta vascular inicial e passa a ter o crescimento de 1 mm por dia até alcançar a margem da lesão. Ela é secundária a infecções, inflamações, degenerações ou traumas. ▪ Os vasos são superficiais ou profundos? ↪ Superficiais: os vasos superficiais possuem as características de serem finos e ramificados, lembrando galhos de árvore de coloração vermelho brilhante. Se originam nos vasos da conjuntiva e geralmente cruzam o limbo. Estão presentes em doenças corneanas epiteliais ou de superfície ocular. Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 58 Fonte: Dr Matheus Pedro ↪ Profundos: estão adjacentes ao limbo, possui o formato de escova, possuem pouca ou nenhuma ramificação e tem a coloração vermelho escuro. Tem origem nos vasos ciliares anteriores, não atravessam o limbo e indicam que há doença corneana profunda. Fonte: Dr Matheus Pedro Ela pode ser benéfica nos reparos, mas resulta na perda da transparência e pigmentação em alguns casos, sendo necessário controlá-la. Quando a vascularização retrocede, tais vasos perdem o seu conteúdo intraluminal, contudo, suas paredes permanecem. A estes, dá-se o nome de "vasos fantasmas" que podem ser visualizados como traços pálidos na córnea pela retroiluminação. Se esse paciente apresentar futuramente uma nova lesão, devido a esse trajeto já realizado fica mais fácil do sangue chegar até o local da lesão. Profunda Superficial Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 59 Fonte: Dr. Matheus Pedro ▪ Acinzentado fino: ocorre comumente por fibrose e que em muitos casos vem acompanhada de pigmento. Pode estar associada a cicatrização após úlcera em melting. Fonte: Dr. Matheus Pedro ▪ Branco acinzentado: é decorrente a lesões onde se forma cicatriz, que ocorre devido a desorganização do colágeno no estroma. Pode haver remodelamento de forma lenta e independente de medicação. Ao destilar fluoresceína, não se cora, é indolor e não necessita de tratamento. Fonte: Fra. Adriana Lima Teixeira ▪ Preto: é a presença de um pigmento de coloração preta, em cães e cavalos está associada a deposição de melanina e irritação crônica. A síndrome ceratite pigmentar possui muita deposição de melanina e a ceratoconjuntivite seca pode ocorrer a deposição Criado por Andressa Ap. Corrêa @resuvet_ (Distribuição proibida) 60 de pigmentos na superfície cornenana. Há diferença das duas afecções, a ceratite pigmentar é um distúrbio, enquanto que a ceratoconjuntivite seca é inflamatória. Fonte: Dr Matheus Pedro e Dra Adriana Lima Teixeira Gatos podem