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Unidade 4
Terapia Ocupacional e a Atualidade
Aula 1
Aula 16
Videoaula
A Terapia Ocupacional
Olá, estudante! Nesta videoaula, exploraremos a identidade
profissional do terapeuta ocupacional, os desafios do
reconhecimento no campo multiprofissional e a importância da
prática reflexiva como ferramenta essencial para o
desenvolvimento e o pertencimento à profissão. Venha
conhecer os pilares que sustentam a TO e aprenda a articular o
valor do seu olhar ocupacional para garantir a participação
plena dos seus clientes.
Pontodepartida
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A Terapia Ocupacional (TO) no Brasil celebra uma história de
evolução e expansão, consolidada formalmente com o Decreto-
Lei nº 938/1969. Contudo, mais de meio século após sua
regulamentação, a profissão permanece em um estado de
constante construção e negociação de seu espaço. A
identidade profissional, o reconhecimento social e o sentimento
de pertencimento do terapeuta ocupacional são temas centrais
para a maturidade e a sustentabilidade da área. Não se trata
apenas de exercer a profissão, mas de saber quem se é
enquanto profissional, comunicar o que se faz de maneira única
e pertencer ativamente ao corpo profissional.
O objeto de estudo e intervenção da Terapia Ocupacional, a
ocupação humana, é singular, mas o modo como ele se
manifesta na prática se sobrepõe, por vezes, a áreas de atuação
de outras categorias. É essa intersecção que exige do terapeuta
ocupacional contemporâneo uma profunda prática reflexiva.
Esta não é apenas uma ferramenta metodológica, mas um pilar
ético e epistemológico que permite ao profissional analisar a
complexidade dos contextos de vida dos indivíduos, questionar
suas próprias certezas e, fundamentalmente, articular o valor
irredutível da sua intervenção para a participação plena.
Nesta aula, nosso foco é construir uma base sólida para a
compreensão desses pilares. Iremos desdobrar os elementos
conceituais que formam a identidade do terapeuta ocupacional,
examinar os mecanismos de reconhecimento e pertencimento
de classe, e, por fim, estabelecer a prática reflexiva como o
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
mecanismo essencial para a diferenciação e consolidação da
profissão em qualquer contexto de atuação.
Pensando nisso, imagine a seguinte situação hipotética: Renata
é terapeuta ocupacional em um centro de reabilitação focado
em saúde do trabalhador. Ela acompanha o Sr. João, 52 anos,
um operário que sofreu uma lesão musculoesquelética severa
no ombro (LER – lesão por esforços repetitivos/ DORT –
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) e está
em processo de retorno ao trabalho após um longo
afastamento. A equipe é composta também por um
fisioterapeuta (focado na amplitude de movimento e força
muscular) e um médico do trabalho (focado no parecer de
capacidade laborativa).
O fisioterapeuta informa que o Sr. João atingiu a amplitude de
movimento considerada normal e sugere o encaminhamento
para o médico do trabalho finalizar o processo. O médico, por
sua vez, está hesitante em dar o parecer final, pois o Sr. João
relata grande ansiedade e medo de recidiva ao pensar em
retomar suas funções originais na linha de produção, apesar da
melhora física.
O desafio de Renata é triplo e requer clareza identitária: 1)
identificar a ocupação significativa (o trabalho) e as barreiras
ambientais e psicossociais específicas que persistem; 2)
planejar uma intervenção focada no desempenho ocupacional
real (simulação do posto de trabalho, adaptação ergonômica da
função, treinamento para o gerenciamento da ansiedade na
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
execução de tarefas) que vai além da reabilitação física; e 3)
apresentar, de forma articulada e profissionalmente segura, a
contribuição exclusiva da terapia ocupacional ao fisioterapeuta
e ao médico do trabalho, demonstrando que a avaliação da
capacidade de trabalho não é apenas física, mas um complexo
de desempenho ocupacional e participação. Vamos ajudar a
Renata?!
Vamoscomeçar
Identidade e pertencimento
A identidade profissional é o conjunto de atributos, valores e
práticas que confere singularidade a uma categoria. Para a
terapia ocupacional, essa identidade é forjada no cruzamento
da história com o mandato social.
Inicialmente, a TO se estabeleceu em contextos psiquiátricos e
de reabilitação física, utilizando a “atividade” como meio
terapêutico. Contudo, a evolução teórica, especialmente a partir
da segunda metade do século XX, deslocou o foco para a
ocupação humana, que é a síntese das atividades que
preenchem o tempo de vida, dão sentido à existência e
estruturam a participação social. A ocupação transcende a
mera atividade instrumental, ela carrega significado cultural,
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
pessoal e social. A identidade do TO é, portanto, a identidade do
profissional cujo foco primário é o desempenho ocupacional e a
participação em ocupações significativas de autocuidado, lazer
e produtividade.
O reconhecimento legal da terapia ocupacional, formalizado
pelo Decreto-Lei nº 938 de 1969, é a primeira e mais crucial
afirmação da identidade. Este marco estabeleceu o TO como
um profissional de nível superior apto a atuar nas alterações da
esfera cognitiva, afetiva, perceptiva e psicomotora. Este Decreto
confere à profissão um campo de atuação privativo,
diferenciando-a de outras áreas. O reconhecimento formal,
contudo, é apenas o ponto de partida para o reconhecimento
social e interprofissional, que depende da visibilidade prática.
O reconhecimento profissional é a aceitação e a valorização do
papel da TO por outras categorias profissionais, gestores de
saúde, e, principalmente, pela sociedade. A ausência de clareza
identitária é o maior obstáculo ao reconhecimento pleno.
A TO opera em um campo de conhecimento transdisciplinar. O
que distingue o terapeuta ocupacional de um fisioterapeuta ou
psicólogo? Enquanto a fisioterapia foca no movimento e na
estrutura corporal, e a psicologia foca nos processos mentais e
comportamentais, a terapia ocupacional foca na interação
dinâmica entre pessoa, ocupação e ambiente. O TO não trata a
deficiência em si, mas a restrição na participação e o desajuste
ocupacional que a deficiência ou a condição impõe.
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A intervenção do TO é sempre contextualizada. A capacidade
de analisar, adaptar e modificar o ambiente físico e social para
viabilizar o desempenho é o diferencial metodológico essencial,
que deve ser ativamente comunicado.
Assim, o reconhecimento é conquistado através da validação
científica da prática. O terapeuta ocupacional deve ser um
consumidor e produtor ativo de pesquisa para:
Fundamentação de escolhas: utilizar modelos teóricos
sólidos (como a Classificação Internacional de
Funcionalidade – CIF, o Modelo de Desempenho Humano –
MOH, ou o Modelo Canadense de Desempenho e
Engajamento Ocupacional – CMOP-E) para justificar a
intervenção.
Comunicação de resultados: traduzir os resultados da
intervenção (aumento da autonomia, retomada do papel
social, melhora da qualidade de vida) em termos
compreensíveis para stakeholders (partes interessadas
como o indivíduo, familiares, cuidadores, equipe
interdisciplinar), gestores e outras profissões.
Já o pertencimento refere-se ao senso de comunidade e
solidariedade profissional. Ele é vital para a saúde emocional e
ética do profissional.
O pertencimento também se manifesta através da relação com
o Sistema COFFITO/CREFITOs, que são Conselho Federal de
Fisioterapia e Terapia Ocupacional e Conselho Regional de
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Fisioterapia e Terapia Ocupacional, e as associações científicas
(como a Associação Brasileira de Terapeutas Ocupacionais –
ABRATO). As associações e o corporativismo auxiliam nos
avanços do reconhecimento social dos terapeutas e estudantes
de TO (Cavalcanti; Galvão, 2025).
Os Conselhos COFFITO e CREFITO atuam respectivamente
comoTherapists Bulletin, v. 76, n. 1, 2020. Disponível
em:
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
https://research.aota.org/ajot/article/76/3/7603347010/23259/Occupational-Therapy-in-an-Ecological-Context
https://research.aota.org/ajot/article/76/3/7603347010/23259/Occupational-Therapy-in-an-Ecological-Context
https://journals.healio.com/doi/10.3928/24761222-20200116-02
https://journals.healio.com/doi/10.3928/24761222-20200116-02
https://www.researchgate.net/publication/339354619_Building_occupational_therapy_practice_ecological_based_occupations_and_ecosystem_sustainability_exploring_the_concept_of_eco-occupation_to_support_intergenerational_professional_justice
https://www.researchgate.net/publication/339354619_Building_occupational_therapy_practice_ecological_based_occupations_and_ecosystem_sustainability_exploring_the_concept_of_eco-occupation_to_support_intergenerational_professional_justice
https://www.researchgate.net/publication/339354619_Building_occupational_therapy_practice_ecological_based_occupations_and_ecosystem_sustainability_exploring_the_concept_of_eco-occupation_to_support_intergenerational_professional_justice
https://www.researchgate.net/publication/339354619_Building_occupational_therapy_practice_ecological_based_occupations_and_ecosystem_sustainability_exploring_the_concept_of_eco-occupation_to_support_intergenerational_professional_justice
https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/14473828.2020.
1718266. Acesso em: 3 nov. 2025.  
WESSELS, D. Evaluating the sustainability of final year
occupational therapy student community projects. Dissertação
de Mestrado em Terapia Ocupacional, University of Pretoria
Institutional, Pretoria, 2015. Disponível em:
https://repository.up.ac.za/server/api/core/bitstreams/4d79715
4-c41e-478a-9816-4519bc744169/content. Acesso em: 4 nov.
2025.
WORLD FEDERATION OF OCCUPATIONAL THERAPISTS (WFOT).
Sustainability matters: guiding principles for sustainability in
occupational therapy practice, education and scholarship. 2018.
Disponível em: https://wfot.org/resources/wfot-sustainability-
guiding-principles. Acesso em: 4 nov. 2025.
Aula 4
Aula 19
Videoaula
Terapia Ocupacional,
inovação e tecnologia
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/14473828.2020.1718266
https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/14473828.2020.1718266
https://repository.up.ac.za/server/api/core/bitstreams/4d797154-c41e-478a-9816-4519bc744169/content
https://repository.up.ac.za/server/api/core/bitstreams/4d797154-c41e-478a-9816-4519bc744169/content
https://wfot.org/resources/wfot-sustainability-guiding-principles
https://wfot.org/resources/wfot-sustainability-guiding-principles
Olá, estudante! Nesta videoaula, você vai compreender como a
tecnologia tem ampliado as possibilidades de atuação na
Terapia Ocupacional. Exploraremos recursos como
teleatendimento, inteligência artificial, impressão 3D e soluções
de tecnologia assistiva que estão redefinindo a prática clínica.
Venha entender como essas inovações favorecem a autonomia,
a participação e o desempenho ocupacional em diferentes
contextos.
Pontodepartida
A terapia ocupacional (TO), em sua essência, está
intrinsecamente ligada à adaptação e à facilitação do
engajamento em ocupações. Historicamente, essa prática
evoluiu de um foco em atividades manuais e terapêuticas para
uma abordagem complexa que compreende a intersecção entre
o indivíduo, suas ocupações e o ambiente. No século XXI, o
ambiente sofreu uma transformação radical com o grande
desenvolvimento da tecnologia. Esse cenário exige que o
terapeuta ocupacional desenvolva competências digitais, éticas
e críticas, incorporando tecnologias emergentes para ampliar o
acesso, a participação e a autonomia dos indivíduos (WFOT,
2019).
A literatura mostra que a digitalização da vida cotidiana,
envolvendo trabalho, educação, lazer, comunicação e
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
autocuidado, redefiniu profundamente o conceito de
participação social e ocupacional (Kielhofner, 2008). A
incorporação de inovações como inteligência artificial (IA),
tecnologias assistivas (TA) e impressão 3D ampliou
significativamente as possibilidades de intervenção. A IA pode
otimizar a personalização de dispositivos e a análise de dados
A IA pode apoiar análises precisas do desempenho
ocupacional, monitoramento remoto e adaptações
individualizadas, enquanto a impressão 3D democratiza o
acesso a órteses e adaptações personalizadas de baixo custo.
Paralelamente, a teleterapia emergiu como uma modalidade de
cuidado consolidada e regulamentada, principalmente após a
expansão de políticas emergenciais durante a pandemia de
covid-19. Estudos mostram que a teleterapia na TO mantém
eficácia funcional e alta satisfação do usuário quando bem
estruturada (Feldhacker et al., 2022).
Agora imagine a seguinte situação: uma terapeuta ocupacional
clínica atende Pedro, um adolescente de 16 anos com
diagnóstico de paralisia cerebral, que utiliza cadeira de rodas
motorizada e possui dificuldade na preensão fina, mas tem
grande interesse em programação de jogos. Ele expressa
frustração por não conseguir usar o teclado e o mouse padrão
de forma eficaz e por se sentir isolado de seus amigos, que se
comunicam predominantemente em plataformas de jogos
online. A clínica da TO não possui recursos para adquirir
equipamentos de TA avançados e o sistema público de saúde
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
da cidade oferece apenas modelos básicos de joysticks
adaptados. Além disso, o serviço de saúde municipal
disponibiliza apenas TA padronizada, o que muitas vezes não
atende às demandas específicas do desempenho ocupacional.
Como a terapeuta ocupacional pode integrar teleatendimento,
TA personalizada, impressão 3D, IA aplicada à acessibilidade
digital e advocacy para garantir a participação de Pedro em uma
ocupação significativa — a programação e o lazer digital?
Vamoscomeçar
A tecnologia assistiva e a
terapia ocupacional na era
digital
A Terapia Ocupacional (TO) tem passado por transformações
profundas impulsionadas pela aceleração tecnológica,
especialmente na última década. A consolidação da Quarta
Revolução Industrial trouxe mudanças estruturais nos modos
de viver, trabalhar, aprender e se relacionar. O ambiente
contemporâneo, caracterizado pela internet, pela automação e
pela rápida obsolescência de sistemas apresenta desafios que
redefinem a noção de participação ocupacional. A exclusão
social, que antes se manifestava primariamente por barreiras
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
arquitetônicas ou socioeconômicas, agora se manifesta
também pela exclusão digital. A capacidade de interagir com
plataformas virtuais, utilizar aplicativos de saúde e participar do
mercado de trabalho exige uma nova gama de habilidades e,
crucialmente, de acessibilidade.
Nesse cenário, a prática da TO precisa não apenas acompanhar
essas inovações, mas incorporá-las criticamente, garantindo a
ampliação da equidade ocupacional. O terapeuta ocupacional,
fundamentado na ciência da ocupação, é o profissional
posicionado para atuar nessa interface, garantindo que a
tecnologia seja um vetor de inclusão, e não um novo obstáculo.
A tecnologia assistiva (TA) emerge como a principal ponte entre
a deficiência ou limitação funcional e a plena participação na
sociedade digital. A definição formal de TA, que engloba
qualquer recurso ou serviço que contribua para proporcionar ou
ampliar habilidades funcionais (Brasil, 2021), é expandida na
prática contemporânea para incluir soluções de alta, média e
baixa tecnologia. Podemos dizer então, que ao contrário do que
muitos pensam, a TA não é algo recente, pelo contrário,
adaptações como mesa para leitura na cama já eram usadas na
década de 60 (Cavalcanti; Galvão, 2023).
O papel do terapeuta ocupacional no processo de TA é singular
e multidimensional. Não se limita à mera indicação do produto,
mas engloba uma avaliação criteriosa do desempenho
ocupacional,o encaixe pessoa-ocupação-ambiente (POE), e a
adaptação psicossocial do usuário ao dispositivo. A eficácia da
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
TA não é determinada pela complexidade tecnológica, mas pela
sua capacidade de integrar-se significativamente às atividades
de vida diária e à identidade ocupacional do indivíduo (Cook;
Polgar, 2015). Isso porque, no Brasil, o Plano Nacional de
Tecnologia Assistiva (2021) estabelece diretrizes claras sobre a
importância de promover recursos acessíveis, culturalmente
adequados, financeiramente viáveis e tecnologicamente
atualizados.
Isso inclui dispositivos de baixa tecnologia como adaptações
simples para atividades de vida diária (AVDs), até recursos de
alta tecnologia como softwares de comunicação aumentativa e
alternativa, sistemas com controle ocular, próteses mioelétricas
e exoesqueletos. Entretanto, a literatura reforça que a eficácia
de um recurso assistivo não depende de sua sofisticação, mas
sim de sua aderência ao cotidiano da pessoa, princípio
defendido por Cook e Polgar (2015). Em uma perspectiva de
justiça ocupacional, o TO deve advogar pela TA que seja
culturalmente relevante e financeiramente acessível,
combatendo a medicalização excessiva e promovendo a
autonomia.
Uma das inovações mais transformadoras na prestação de
serviços é a teleterapia. Regulamentada por órgãos como o
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional
(COFFITO). Ganhando visibilidade durante a pandemia de covid-
19, a teleterapia se tornou um modelo de prestação de serviços
seguro, ético e eficaz, superando barreiras geográficas e de
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
mobilidade. A modalidade permite a continuidade do cuidado, o
monitoramento em tempo real do desempenho em ambientes
naturais (o que aumenta a validade ecológica das intervenções)
e a consultoria remota a famílias e cuidadores (Feldhacker et
al., 2022).
A sua profundidade reside na capacidade de utilizar as próprias
tecnologias digitais de comunicação para promover a
ocupação. Por exemplo, o terapeuta pode prescrever um
programa de exercícios e monitorar o engajamento através de
plataformas de telessaúde, ou realizar avaliações ambientais
virtuais, orientando a modificação de móveis ou a ergonomia do
posto de trabalho online. Ainda, a teleatuação em TO aumenta o
alcance territorial, promove continuidade de cuidados e
fortalece a colaboração com famílias e cuidadores.
Isto é especialmente relevante para populações que enfrentam
barreiras geográficas, dificuldades de mobilidade ou vivem em
áreas onde a oferta de serviços especializados é limitada
(Sharma, 2025). No entanto, a implementação da teleterapia
exige do TO o desenvolvimento de uma competência digital
robusta, incluindo o domínio de ferramentas de segurança de
dados (Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD) e a habilidade
de manter o rapport terapêutico a distância, ou seja, construir
vínculo terapêutico com uma relação de confiança e empatia.
Complementando a TA e a teleterapia, a impressão 3D (também
chamada de manufatura aditiva) representa uma das
ferramentas mais promissoras no campo da personalização em
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
saúde e está democratizando o design e a produção de
dispositivos. Esta tecnologia permite que o terapeuta
ocupacional se afaste do modelo de “prateleira” e adote um
modelo de fabricação sob demanda e sob medida.  A
capacidade de criar órteses termoplásticas, adaptações para
dispositivos como joysticks, talheres adaptados, suportes ou
até mesmo componentes de auxílios de locomoção de forma
rápida e a um custo significativamente baixo revoluciona a
acessibilidade.
Pesquisas mostram que dispositivos produzidos com
tecnologia aditiva têm custo reduzido, menor tempo de
fabricação e maior satisfação por parte dos usuários,
especialmente quando eles participam ativamente do processo
de design (Pereira et al., 2024; Portnova et al., 2018; Cavalcanti;
Galvão, 2023). O terapeuta ocupacional torna-se, nesse
contexto, um gestor do design e um facilitador da prototipagem,
traduzindo as necessidades funcionais específicas de um
cliente (por exemplo, a angulação exata para uma tala de
repouso noturna) em um arquivo digital (STL) pronto para ser
materializado. Em outras palavras, o terapeuta assume o papel
de cocriador, articulando conhecimentos de biomecânica,
análise ocupacional e design centrado no usuário. Essa
inovação fortalece o princípio da centralidade no cliente, pois o
usuário final participa ativamente de cada iteração de design,
garantindo que a solução tecnológica seja perfeitamente
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
alinhada com suas demandas ocupacionais e preferências
estéticas.
A integração das tecnologias assistivas com a impressão 3D
tem crescido significativamente e mostrando importante
interdisciplinaridade entre terapeutas ocupacionais, designers e
engenheiros para o desenvolvimento de produtos inovadores,
de formas variadas, com durabilidade, resistência e que
condizem com as necessidades específicas dos seus usuários.
Além da personalização de produtos assistivos, a impressão 3D
permite o refinamento de acordo com as necessidades e
preferências de cada pessoa. Além disso, o desenvolvimento de
dispositivos centrados no cliente aumenta a aceitação e
consequentemente menor abandono do produto (Cavalcanti;
Galvão, 2023).
A integração da TA avançada, teleterapia e impressão 3D exige
que o terapeuta atue como um pensador sistêmico, que não
apenas aplica a tecnologia, mas olha para estes avanços de
forma crítica, garantindo que as soluções promovam, de fato, a
justiça ocupacional e a inclusão plena, sem criar formas de
dependência ou exclusão. Isso significa avaliar se a tecnologia
aumenta a autonomia, melhora o desempenho ocupacional,
reduz barreiras ambientais e fortalece a identidade da pessoa
enquanto agente ativo de sua vida. Dessa forma, o domínio
dessas ferramentas é fundamental para a excelência clínica e
para a relevância contínua da profissão no cenário de saúde do
futuro.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Sigaemfrente
Inteligência artificial,
advocacy e políticas
públicas na TO
A inteligência artificial (IA) tem sido amplamente discutida
como uma das tecnologias mais disruptivas (mudanças
radicais) do século XXI, tendo impacto profundo em todas as
áreas da saúde, incluindo a Terapia Ocupacional. A IA não é
apenas um conjunto de algoritmos, mas uma capacidade de
processamento que permite aos sistemas de saúde e
reabilitação aprender padrões, reconhecer movimentos,
processar grandes volumes de dados, fornecer análises
altamente precisas de desempenho ocupacional e ajudar na
tomada de decisões baseadas na associação desses dados. Na
TO, a IA tem potencial para refinar a precisão diagnóstica e
personalizar as intervenções a um nível sem precedentes.
Por exemplo, sistemas de visão computacional alimentados por
IA podem analisar a cinemática do movimento durante o
desempenho de uma Atividade de Vida Diária (AVD), fornecendo
feedback objetivo e quantificável sobre padrões motores
compensatórios ou de eficiência, complementando a
observação clínica do terapeuta. Além disso, a IA pode ser
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
integrada em ambientes de reabilitação virtual ou jogos,
aplicativos de autocuidado, ambientes virtuais imersivos e
interfaces cérebro-computador (BCI).
É possível ainda, que nestes sistemas a IA trabalhe ajustando a
dificuldade dos desafios cognitivos ou motores em tempo real
para manter o cliente no fluxo ideal para o aprendizado,
otimizando o conceito de just-right challenge (desafio na
medida certa). Este conceito faz referência a uma estratégia
muito usada na TO que defende que as pessoas aprendem e se
envolvem melhor em tarefas que não são nem muito difíceis,
nem muito fáceis. Sistemas inteligentes podem aumentar
significativamente o engajamento, especialmente entre crianças
e adolescentes, e fornecer dados objetivospara monitoramento
da evolução. Essa integração da IA transfere parte da carga de
processamento de dados para a máquina, liberando o TO para
se concentrar na dimensão humana e relacional da terapia
(Attoh-Mensah et al., 2025; Sharma, 2025; Liu, 2018).
No entanto, o avanço da IA na saúde levanta questões
profundas sobre ética e equidade. O terapeuta ocupacional deve
ser um crítico ativo do uso da IA, especialmente em relação ao
viés algorítmico. Se os dados de treinamento de uma IA forem
predominantemente oriundos de uma população específica (por
exemplo, de alta renda ou sem deficiência), o sistema pode
falhar em funcionar para outras populações, perpetuando a
iniquidade e o acesso desigual à saúde. É imperativo que o
terapeuta mantenha a centralidade na pessoa acima da
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
eficiência da máquina. Além disso, há riscos relacionados à
privacidade, rastreamento de dados e uso comercial de
informações sensíveis.
Destaca-se a importância de modelos transparentes, auditáveis
e alinhados aos direitos humanos. Assim, cabe ao terapeuta
ocupacional compreender as limitações éticas e atuar
ativamente para garantir que a tecnologia sirva à inclusão, e não
à exclusão. A decisão clínica final e a interpretação do impacto
ocupacional devem permanecer no domínio do julgamento
profissional humano, garantindo que a tecnologia seja uma
ferramenta de suporte, e não um substituto para a relação
terapêutica.
Para garantir que essas inovações cheguem a quem precisa, o
terapeuta ocupacional deve abraçar o papel de advocacy
(defesa de direitos), que emerge como um elemento central
nesse processo. Como já abordado anteriormente, o advocacy
profissional é a ação estratégica de influenciar a tomada de
decisão dentro dos sistemas políticos, sociais e econômicos
para promover a saúde e a justiça ocupacional. Na era
tecnológica, isso significa lutar pela inclusão de tecnologias
inovadoras, seja a impressão 3D para TA ou o financiamento de
sistemas de teleterapia, nos serviços públicos e planos de
saúde.
A Lei Brasileira de inclusão (Brasil, 2015) garante que a pessoa
com deficiência tenha direito à tecnologia assistiva e à
acessibilidade digital, mas a efetividade desses direitos
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
depende da ação profissional. O TO deve atuar em frentes
intersetoriais, dialogando com engenheiros, gestores de saúde e
legisladores para garantir que os princípios do desenho
universal sejam aplicados desde a concepção de softwares,
aplicativos e ambientes construídos.  O objetivo é evitar a
necessidade de adaptações caras e tardias, tornando a inclusão
tecnológica um padrão, e não uma exceção.
A eficácia do advocacy está intrinsecamente ligada ao
conhecimento das políticas públicas. No Brasil, a atuação do
terapeuta ocupacional é balizada por marcos legais cruciais,
como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência
(Brasil, 2015) e as políticas nacionais de saúde e assistência
social. A LBI, em particular, reforça o direito à TA e à
acessibilidade. O profissional precisa dominar os fluxos e
mecanismos de financiamento (como a dispensação de TA pelo
Sistema Único de Saúde – SUS) para orientar o cliente e sua
família. Ainda, muitos municípios desconhecem o potencial da
impressão 3D e continuam investindo em dispositivos
importados caros, enquanto laboratórios makers (laboratórios
de criação) poderiam produzir soluções mais acessíveis
localmente.
Cabe ao terapeuta ocupacional apresentar evidências, dialogar
com gestores, participar da formulação de protocolos e
colaborar com equipes interdisciplinares para incorporar a
tecnologia de maneira sustentável. O profissional que atua em
cargos de gestão ou no controle social, por sua vez, influencia a
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
alocação de recursos, garantindo que orçamentos sejam
destinados à infraestrutura tecnológica e à capacitação
profissional para o uso de IA e teleterapia. Em última análise, o
“terapeuta ocupacional do futuro” é um líder político e um
especialista em tecnologia, que utiliza o conhecimento
científico da ocupação para traduzir a legislação em
participação real e equitativa para todos os cidadãos.
A integração entre inovação tecnológica, ética, políticas
públicas e advocacy fortalece o papel da Terapia Ocupacional
como profissão que atua na interface entre tecnologia e
participação humana. O terapeuta ocupacional torna-se não
apenas usuário de tecnologia, mas agente de transformação
social.
Vamosexercitar
Integração de tecnologia e
advocacy
Pedro, um adolescente de 16 anos com paralisia cerebral,
deseja programar jogos, mas é impedido pela dificuldade em
manipular teclados e mouses padrão, sentindo-se isolado do
convívio social digital. A clínica de TO e o sistema público não
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
fornecem a TA especializada de que ele precisa para essa
ocupação específica.
A terapeuta ocupacional deve adotar uma abordagem
multifacetada, integrando tecnologia, advocacy e conhecimento
de políticas públicas:
Tecnologia assistiva (TA) de baixo
custo e impressão 3D (solução
ocupacional):
Soluções de baixo custo, como adaptações feitas em
impressão 3D podem oferecer alto grau de personalização e
melhorar significativamente o desempenho ocupacional. Assim,
em vez de buscar um dispositivo caro, a TO, em colaboração
com um laboratório maker local ou com o próprio Pedro
(promovendo o engajamento e a agência dele), pode projetar e
imprimir em 3D um mouse ergonômico ou um joystick com
acionadores de botões e switches personalizados para a força e
amplitude de movimento residual de Pedro. Isso garante a
customização necessária para a ocupação de programação,
sendo um recurso de baixo custo.  A impressão 3D também
pode criar apoios para os punhos ou guias para os dedos
(keyguards) que facilitem a digitação em um teclado de
membrana, integrando-o novamente ao ambiente digital.
l
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Teleterapia (treinamento e
engajamento social):
A TO pode utilizar a teleterapia para conduzir sessões de
treinamento do uso da nova TA em tempo real, no ambiente
natural de Pedro (sua casa), onde ele realiza a ocupação de
programação e interação social. As sessões virtuais podem
incluir o uso de plataformas de jogos online como ambiente de
intervenção, focando nas interações sociais de Pedro, na
resolução de problemas e na participação plena com os
amigos, validando a ocupação digital como legítima.
Advocacy e políticas públicas
(sustentabilidade e acesso):
A TO deve iniciar o processo de advocacy em duas frentes:
Individual: redigir um laudo detalhado, baseado na
Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde (CIF), atestando a necessidade da TA
personalizada. Este laudo é fundamental para que a família
de Pedro possa requisitar o custo do dispositivo impresso
em 3D, ou uma TA similar, por meio do Sistema Único de
Saúde (SUS) ou de planos de saúde, conforme estabelece a
Lei Brasileira de Inclusão (LBI).
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Sistêmica: atuar junto à gestão local de saúde para
demonstrar a eficácia da TA de baixo custo e da teleterapia,
propondo a inclusão da impressão 3D nos serviços de
reabilitação municipais como uma política de otimização de
recursos e de máxima personalização.
Ao integrar a inovação tecnológica com a defesa de direitos e o
conhecimento das políticas, a terapeuta ocupacional
transforma um desafio individual em uma oportunidade de
inclusão sustentável e plena não só para seu cliente, mas para
outras pessoas com necessidades similares.
Saibamais
Para aprender mais sobre as tecnologias assistivas e seus tipos
leia, o capítulo “Introdução à tecnologia assistiva” do livro
Terapia ocupacional: fundamentação e prática, na Biblioteca
Virtual
Referências
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TERAPIA OCUPACIONAL
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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Aula 5
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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https://journals.lww.com/sbvj/fulltext/2025/04000/artificial_intelligence_and_occupational_therapy.3.aspx
https://wfot.org/resources/occupational-therapy-and-assistive-technology
https://wfot.org/resources/occupational-therapy-and-assistive-technology
Aula 20
Pontodechegada
O terapeuta ocupacional do
século XXI
Olá, estudante! Concluímos mais uma unidade, confirmando
que a competência de compreender e analisar criticamente a
atuação do terapeuta ocupacional no contexto atual e
tecnológico foi alcançada através da nossa jornada de
aprendizados ao longo desta unidade. Este desenvolvimento
fortalece de maneira decisiva a capacidade de refletir sobre
propostas de atuação baseadas em fundamentos teóricos
sólidos para a prática profissional.
A base da Terapia Ocupacional (TO) permanece constante: a
ocupação humana. No entanto, a complexidade do mundo
contemporâneo exige que o terapeuta ocupacional vá além da
simples execução de técnicas. O entendimento de que a
ocupação é um determinante de saúde, cidadania e qualidade
de vida é o pilar que sustenta o nosso pertencimento e o nosso
reconhecimento profissional.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A prática reflexiva é o mecanismo que torna essa identidade
dinâmica e adaptável. Não se trataapenas de refletir sobre a
ação, mas de um processo de raciocínio clínico que envolve
múltiplas dimensões: a científica (baseada em evidências), a
narrativa (compreendendo a história do cliente), a pragmática
(considerando os recursos e o contexto) e, crucialmente, a
ética. O profissional do século XXI é um advogado nato, cujo
papel é defender ativamente a participação ocupacional plena
como um direito inalienável.
O engajamento social da TO é inseparável dos princípios de
justiça social e direitos humanos. A restrição à participação não
é vista como uma falha individual, mas como resultado de
barreiras ambientais, políticas e atitudinais. Ao adotarmos o
modelo social da deficiência, rejeitamos o enfoque puramente
médico e abraçamos ferramentas internacionais, como a
Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), para
descrever a saúde e a incapacidade de forma ecológica.
Neste contexto, a atuação do terapeuta se expande
profundamente nos sistemas de garantia de direitos. Nosso
trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Sistema Único
de Assistência Social (SUAS) é essencial para combater o
estigma e facilitar a Reabilitação Psicossocial (RP). A RP, como
modelo, tem uma aplicação universal, visando restaurar a
autonomia e os papéis sociais em qualquer situação de
vulnerabilidade ou exclusão. O terapeuta ocupacional é o
arquiteto da acessibilidade, que deve ser promovida em suas
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
múltiplas formas (atitudinal, programática, comunicacional,
instrumental), garantindo que os ambientes sejam
capacitadores.
Além destes aspectos, a crise climática e as questões de
sustentabilidade definem uma nova fronteira para a terapia
ocupacional. O direito à ocupação está diretamente ligado à
saúde planetária. A incorporação do conceito de justiça
ocupacional intergeracional estabelece que nossas ações
devem garantir que as futuras gerações também herdem um
planeta onde ocupações saudáveis e significativas sejam
possíveis.
Esta nova agenda se concretiza através da eco-ocupação, onde
o profissional facilita práticas que são simultaneamente
benéficas ou neutras para o meio ambiente, equitativas e
economicamente viáveis. Isso inclui o desenvolvimento de
comunidades resilientes, capazes de se adaptar a choques
ambientais e sociais, e a participação em iniciativas de saúde
planetária e educação ambiental. A TO, portanto, assume um
papel crucial nos cuidados ecológicos e na promoção de estilos
de vida que reduzam a carga ambiental de seus clientes e
comunidades.
Finalmente, aprendemos como a inovação e a tecnologia são
ferramentas de transformação. A tecnologia assistiva (TA),
desde simples adaptações até complexos sistemas de
informação, é o principal meio para romper barreiras funcionais.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A teleterapia e a telessaúde tornaram-se práticas consolidadas
e regulamentadas, ampliando o acesso a populações remotas
ou com restrições de mobilidade. Contudo, a ascensão da
Inteligência Artificial (IA) e de tecnologias de baixo custo, como
a impressão 3D para a confecção de órteses e adaptações
customizadas impõe um desafio ético: evitar o viés algorítmico.
O terapeuta precisa ser um facilitador da participação digital,
garantindo que as ferramentas tecnológicas sejam
personalizadas, respeitem a diversidade cultural e reduza a
exclusão digital. A grande novidade é a nossa responsabilidade
com a saúde ocupacional digital. Precisamos intervir não
apenas no uso de tecnologias, mas também nas consequências
de uma vida digital intensa, abordando a fadiga digital, a
segurança online, a ergonomia virtual e o equilíbrio entre
ocupações online e offline. O futuro do nosso fazer exige,
portanto, um constante letramento tecnológico aliado ao
raciocínio clínico, assegurando que a tecnologia sirva à
ocupação humana, e não o contrário.
É justamente no meio dessa revolução digital que a importância
do contato humano e da sensibilidade do terapeuta ocupacional
se torna inegociável. A tecnologia é uma ferramenta poderosa,
mas inanimada. Ela não substitui a presença terapêutica, a
capacidade de acolher o sofrimento ou de compartilhar a
alegria da conquista. O fator terapêutico primário reside na
relação interpessoal, na capacidade de ler as entrelinhas da
comunicação não verbal e no toque significativo, quando
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
apropriado. O terapeuta ocupacional age como o âncora do
humanismo tecnológico, garantindo que, mesmo em um
ambiente virtual, o foco permaneça na integridade emocional,
espiritual e social da pessoa. O nosso futuro não é apenas
tecnológico, é profundamente humano.
Videoauladeencerramento
Chegamos ao fim desta unidade, na qual consolidamos as
competências essenciais para a Terapia Ocupacional do século
XXI. Exploramos a força de nossa identidade profissional, o
compromisso com a Justiça Ocupacional na Inclusão Social e
Sustentabilidade, e o uso estratégico de Tecnologias. Assista à
nossa videoaula de encerramento para consolidar estes
conhecimentos e entender como ser um profissional reflexivo,
ético e inovador, pronto para moldar o futuro da TO.
Éhoradepraticar
Intervenções em TO para
justiça ocupacional,
bilid d
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
sustentabilidade e
humanismo digital
Dona Fátima, 68 anos, vive em uma área de vulnerabilidade
social à beira de um rio. Recentemente, ela perdeu grande parte
de seus bens e seu quintal produtivo adaptado (principal
ocupação de lazer e renda) devido a uma inundação severa
causada por um evento climático extremo.
Dona Fátima utiliza uma cadeira de rodas devido a sequelas de
AVC e está temporariamente em um abrigo. O estresse pós-
traumático e a perda de seus papéis ocupacionais a levaram ao
isolamento social e humor rebaixado.
A TO percebeu que as instalações do abrigo são inacessíveis e
que dona Fátima demonstra dificuldades em participar de
encontros virtuais para acessar auxílios, pois não possui celular
adequado nem familiaridade com a tecnologia (inclusão
digital). A terapeuta, na primeira avaliação, sentiu uma grande
dificuldade em se conectar, o que exige um alto nível de
sensibilidade humana.
Questões norteadoras:
1. Como a TO deve aplicar a prática reflexiva e a sensibilidade
humana para estabelecer a conexão terapêutica com dona
Fátima, traumatizada, e resgatar o valor de sua ocupação
perdida?
2. Como a TO identifica e remove as barreiras no abrigo sob a
ótica do modelo social e da justiça ocupacional? Que
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
estratégias da reabilitação psicossocial são cruciais para a
reinserção social de dona Fátima?
3. De que forma a TO, utilizando os princípios da eco-
ocupação e do suporte em contextos de desastre, pode
ajudar dona Fátima e sua comunidade a restaurar as rotinas
e promover a resiliência após a inundação?
4. Como a TO deve intervir como “guardiã” da inclusão digital?
Proponha uma TA de baixo custo. Além disso, como
garantir que o uso de tecnologias (IA, teleterapia) preserve a
sensibilidade humana e evite o viés algorítmico?
 Identidade, sensibilidade e
prática reflexiva
A TO deve iniciar o processo priorizando o contato humano e a
abordagem narrativa. O trauma de dona Fátima exige que o
terapeuta utilize sua prática reflexiva para gerenciar a própria
frustração da falta de conexão inicial e focar na escuta ativa. A
sensibilidade aqui é a ferramenta primária para validar a dor da
perda da ocupação (o quintal) antes de propor qualquer nova
atividade.
Resgate da identidade: propor ocupações de transição que
reforcem o senso de competência e cuidado, como a
organização de um pequeno espaço verde no abrigo ou a
participação em pequenas tarefas de apoio mútuo, resgatando
o papel de "cuidadora" ou "produtora" em uma nova escala.
l l d h
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Inclusão social, direitos humanos
e reabilitação psicossocial
A TO deve agir como advogado junto à administraçãodo abrigo
para a remoção imediata de barreiras (ex.: instalar uma rampa
temporária segura e garantir a acessibilidade dos sanitários,
usando materiais disponíveis no local). Esta é uma ação de
justiça ocupacional.
Iniciar a reabilitação psicossocial focando na retomada da
autonomia e na participação em grupo. A TO organiza um grupo
de convivência no abrigo onde dona Fátima possa compartilhar
sua história e participar da tomada de decisões sobre a
organização do espaço, combatendo o isolamento e o estigma
e reforçando a cidadania.
Sustentabilidade e eco-ocupação
Integrar dona Fátima em um projeto de horta suspensa ou
vertical no espaço do abrigo, utilizando materiais recicláveis
(princípios da eco-ocupação). Essa ocupação não apenas
resgata o papel de dona Fátima como produtora, mas também
serve como intervenção psicossocial, pois o contato com a
terra e o ciclo de vida das plantas promovem o senso de
esperança e estabilidade (resiliência).
No contexto da advocacy intergeracional, a TO deve participar
de fóruns comunitários pós-desastre, defendendo a inclusão de
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
soluções ambientais sustentáveis e acessíveis no planejamento
de reconstrução do bairro, garantindo a justiça ocupacional
intergeracional para que futuros moradores não sejam vítimas
de novos desastres.
Tecnologia e humanismo
Para que dona Fátima acesse os auxílios online, o terapeuta
deve utilizar uma TA de baixo custo (ex.: confeccionar um apoio
simples para tablet ou um ponteiro de mão adaptado, que pode
ser feito com Impressão 3D ou materiais simples) e fornecer
treinamento individualizado, atuando na inclusão digital.
A TO deve garantir que a interação tecnológica (mesmo na
teleterapia, se necessário) seja balanceada com a necessidade
de contato humano. A profissional deve estar treinada para
interpretar as nuances emocionais mesmo à distância. Além
disso, a TO deve fiscalizar o processo de auxílio para evitar que
a IA ou sistemas automatizados excluam dona Fátima por falta
de score ou histórico digital, priorizando a sensibilidade e o
julgamento clínico sobre o dado frio. O foco final é na saúde
ocupacional digital, garantindo que dona Fátima use a
tecnologia como facilitadora, sem ser sobrecarregada pela
fadiga digital.
Dêoplay
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Olá, estudante! Ouça o relato emocionante de uma mãe que
vivencia o impacto transformador da Terapia Ocupacional na
vida de seu filho. Descubra como a intervenção precoce e o
compromisso da TO são o principal apoio para o
desenvolvimento da autonomia e independência dele. Entenda o
papel central da TO na rotina multidisciplinar, desde a
coordenação motora até a implementação da Comunicação
Aumentativa e Alternativa (CAA) via iPad. Este depoimento
revela a essência da profissão: acolher e transformar vidas por
meio da ocupação, ajudando cada pessoa a viver com sentido e
plenitude.
Assimile
Hora de fixar e consolidar o aprendizado! O Mapa Mental abaixo
faz a síntese visual da interconexão entre a Identidade
Profissional, Justiça Ocupacional, Sustentabilidade e o
Humanismo Tecnológico. Ele é a ferramenta visual e estratégica
para memorizar e levar os conceitos mais importantes da desta
unidade para uma ação prática e ética.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Referências
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Comitê
Interministerial de Tecnologia Assistiva. Brasília, Ministério da
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38192223/
https://www.scielo.br/j/cadbto/a/9y98GY9MLq59SNDrTvPMW4k/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/cadbto/a/9y98GY9MLq59SNDrTvPMW4k/?format=pdf&lang=pt
https://revistas.usp.br/rto/article/view/97425/109410órgãos normatizador e fiscalizador, garantindo a ética e a
qualidade do exercício profissional. A submissão a este sistema
não é apenas uma obrigação legal, mas um ato de
pertencimento que assegura a proteção da sociedade e a
defesa da categoria.
A ABRATO foca na promoção científica, educacional e política.
O engajamento em associações é o motor para o
desenvolvimento de novos campos de atuação e a defesa dos
interesses da profissão perante o Estado.
Ainda, o Código de Ética e Deontologia (Resolução COFFITO nº
425/2010) é o documento fundamental que estabelece os
deveres e responsabilidades. O profissional que adere e vive os
princípios éticos não só contribui para a identidade da
profissão, mas fortalece o senso de pertencimento ao atuar em
conformidade com os valores coletivos. O pertencimento, em
essência, é a aceitação e a responsabilidade compartilhada
pela imagem, qualidade e futuro da Terapia Ocupacional.
Sigaemfrente
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A prática reflexiva e a
centralidade da ocupação
A terapia ocupacional, como uma ciência da prática, atua em
cenários que o teórico Donald Schön (1983) denominou de
“pântano”: situações complexas, singulares e incertas, onde o
conhecimento técnico-científico puro (a “terra alta”) é
insuficiente (Papanikitas, 2022).
Ainda, Donald Schön aborda a reflexão na ação, que é a
capacidade de pensar sobre o que se está fazendo, enquanto se
está fazendo. O TO deve estar constantemente monitorando a
reação do cliente, o impacto do ambiente e a adequação da
atividade terapêutica em tempo real (Gomes et al.; 2022). Veja
este exemplo prático: durante a confecção de um artesanato
com um paciente, o TO percebe que a velocidade está gerando
frustração. A reflexão na ação leva ao ajuste imediato:
desacelerar o ritmo, simplificar a etapa ou mudar a ferramenta,
sem interromper o fluxo da ocupação.
Podemos dizer que é a análise retrospectiva da experiência
após a sua ocorrência. Este é o momento de aprender
ativamente. O TO questiona: o que funcionou? Por que
funcionou? Quais pressupostos teóricos foram confirmados ou
refutados?
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Além disso, a adaptação do estilo interpessoal do terapeuta aos
variados contextos de intervenção é importante para seu
desempenho e sucesso terapêutico. Este processo de
adaptação é facilitado e aprendido por meio de mecanismos
reflexivos, incluindo a autoavaliação, o recebimento de feedback
diverso (de supervisão e pares) e, fundamentalmente, pela
utilização intencional da experiência clínica como um campo de
reflexão (Radomski; Latham, 2013).
O objetivo é transformar a experiência prática (o “saber-fazer”
tácito) em conhecimento explícito e estruturado, que pode ser
incorporado ao repertório profissional e compartilhado com a
comunidade científica.
O raciocínio clínico do TO não é linear, é uma fusão de
diferentes modalidades, todas sustentadas pela reflexão
(Gomes et al., 2022; Araujo et al., 2024):
Raciocínio procedural: focado na doença/déficit e na
aplicação de protocolos.
Raciocínio interativo: focado na construção da relação
terapêutica e na empatia (saber como o cliente se sente).
Raciocínio narrativo: focado na história de vida e nas
ocupações do cliente (entender o significado da ocupação).
Raciocínio condicional: o mais complexo, que integra todos
os anteriores e projeta o futuro (a participação e o contexto
de vida futura do cliente). A reflexão é o elo que permite ao
TO transitar fluidamente entre essas modalidades.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A definição de identidade profissional é a inegável centralidade
da ocupação. Este é o principal elemento que o TO deve usar
para reafirmar seu reconhecimento.
Enquanto outras profissões tratam o corpo (estrutura e função)
ou a mente (cognição e afeto), a TO trata a disfunção no
desempenho ocupacional. Isso implica que a avaliação e
intervenção não se limitam ao indivíduo, mas englobam a
totalidade do contexto:
Análise da atividade: a capacidade de decompor uma
ocupação complexa (como cozinhar ou trabalhar) em seus
componentes, identificando onde a barreira reside (seja no
corpo, na mente, ou no ambiente);
Justiça ocupacional: a expansão do conceito de ocupação
para a esfera social e política. A TO contemporânea
reconhece que a participação plena (e, portanto, a saúde) é
afetada por questões de privação, marginalização e
desequilíbrio ocupacional, atuando na defesa dos direitos
de todos os indivíduos de participar nas ocupações
significativas que desejam ou necessitam (Townsend;
Wilcock, 2004). A prática reflexiva, neste caso, é crucial para
que o TO identifique seus próprios vieses e as estruturas
sociais que perpetuam a injustiça ocupacional.
A consolidação da identidade no mundo contemporâneo exige
que o terapeuta ocupacional atue como um “empreendedor” do
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
seu próprio saber. Isso não se restringe à criação de um
consultório, mas à capacidade de:
Criar novos espaços: identificar lacunas em políticas
públicas, empresas ou comunidades (ex.: saúde mental na
escola, ergonomia cognitiva no trabalho, programas de
inclusão de idosos) e, usando a lógica ocupacional, propor
soluções inovadoras e mensuráveis.
Gerenciar o próprio desempenho: a reflexão sobre a
carreira, o aprendizado contínuo e o aprimoramento das
competências gerenciais (planejamento, comunicação,
liderança) são atos de um profissional que reconhece a
necessidade de se autogerenciar para sustentar a
identidade e o reconhecimento no longo prazo.
A terapia ocupacional reafirma sua identidade ao se inserir em
contextos de alta complexidade social, provando que sua
abordagem é essencial para a participação:
Atenção primária à saúde (APS): a TO na APS atua na
prevenção e promoção, avaliando o desempenho
ocupacional da comunidade e de indivíduos em seu
contexto de vida. A reflexão é vital para adaptar modelos de
intervenção (tradicionalmente focados no indivíduo) para o
nível coletivo (grupos, famílias).
Inclusão escolar: o foco da TO não está apenas na
coordenação motora fina (prática delegável), mas na
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
participação da criança ou adolescente no seu papel de
estudante (tarefas escolares, brincadeiras, interações
sociais). A prática reflexiva permite ao TO avaliar se a
barreira é intrínseca à criança ou se é imposta pelo
currículo ou ambiente escolar, direcionando a intervenção
para a adaptação ambiental.
Vamosexercitar
Articulando o olhar
ocupacional
Em nossa problematização, Renata precisa demonstrar a
contribuição específica da terapia ocupacional para garantir o
retorno seguro e sustentável ao trabalho.
Desafios de Renata e ações da terapia ocupacional:
1. Identificar a ocupação significativa e as barreiras
persistentes
O primeiro passo de Renata é utilizar seu raciocínio narrativo e
analítico para ir além dos dados clínicos (amplitude de
movimento).
Ação da TO – foco na ocupação: a ocupação é o trabalho.
Renata deve aplicar uma análise ocupacional detalhada do
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
posto de trabalho original do Sr. João, identificando as
demandas ergonômicas, temporais e cognitivas da função.
Ação da TO – foco nas barreiras: utilizar a prática reflexiva
para entender o medo e a ansiedade relatados. Estas são
barreiras psicossociais que impedem o desempenho
ocupacional, mesmo com a melhora física. Ela deve avaliar:
o significado do trabalho para o Sr. João (identidade e papel
social) e o componente de autocuidado e lazer (equilíbrio
ocupacional).
2. Planejar uma intervenção focada no desempenho
ocupacional real
A intervenção deve ser guiada pelo raciocínio condicional,
projetando o futuro e integrando todos os aspectos da saúde.
Ação da TO – simulação e adaptação: propor sessões de
simulação do posto de trabalho, utilizando ferramentas e
materiais análogos aos da linha de produção. O foco não é
mais “ganhar força”, mas sim “executara tarefa com
segurança e confiança”.
Ação da TO – treinamento de habilidades: desenvolver
estratégias de gestão da dor e da ansiedade durante a
execução da tarefa (técnicas de relaxamento ou
mindfulness (meditação) aplicadas nos intervalos de
trabalho, treino de ritmo de execução). Isso inclui adaptar o
processo de trabalho, como sugerir pausas programadas ou
rotação de tarefas.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Resultado exclusivo da TO: o objetivo final não é a cura da
lesão (fisioterapia), nem o parecer (medicina do trabalho), mas
sim o desempenho ocupacional satisfatório e sustentável do Sr.
João em seu papel de trabalhador.
3. Apresentar a contribuição exclusiva da terapia ocupacional à
equipe
Renata deve articular a sua identidade profissional,
comunicando o valor da TO de forma clara e respeitosa,
complementando o trabalho dos colegas:
Argumento de reconhecimento: “Minha intervenção não se
sobrepõe ao excelente trabalho de reabilitação física do
fisioterapeuta, nem à decisão final do médico do trabalho. A
terapia ocupacional entra onde a função encontra o
cotidiano. Enquanto a fisioterapia foca na estrutura e
função do corpo (melhora da amplitude de movimento), a
TO foca na integração dessa função no desempenho da
ocupação real”.
Diferenciação pelo foco: “A ansiedade e o medo do Sr. João
são barreiras à participação no trabalho. O meu papel é
treinar o Sr. João no ambiente simulado para que ele possa
utilizar a melhora física já alcançada com confiança e
adaptabilidade. O parecer de retorno ao trabalho seguro e
total depende dessa avaliação de desempenho ocupacional
e não apenas da capacidade física”.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Finalidade colaborativa: “A TO oferece ao médico do
trabalho dados concretos sobre a capacidade funcional do
Sr. João para executar as tarefas e gerenciar o estresse
inerente ao posto, assegurando um retorno que minimiza o
risco de recidiva, completando o ciclo da reabilitação”.
Saibamais
O artigo “‘É uma porta que se abre’: reflexões sobre questões
conceituais e de identidade profissional na construção do
raciocínio clínico em terapia ocupacional” discute como a
reflexão sobre a prática e a nomeação conceitual das ações
favorecem o raciocínio clínico, a identidade e o reconhecimento
da Terapia Ocupacional.
Referências
ARAUJO, A. S.; et al. Raciocínio clínico de terapeutas
ocupacionais brasileiras experts: um estudo da teoria
fundamentada em dados construtivista. Cadernos Brasileiros
de Terapia Ocupacional, v. 32, p. 1-21, 2024. Disponível em:
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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BRASIL. Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969. Provê
sobre as profissões de Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional,
e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 14
out. 1969. Disponível em:
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CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. R. C. Terapia Ocupacional:
Fundamentação e Prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2025.
COFFITO. Código de Ética e Deontologia da Terapia
Ocupacional. Resolução COFFITO nº 425, de 08 de julho de
2010. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?
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GOMES, L. D.; et al. Vamos refletir sobre a prática? A
aplicabilidade de uma ferramenta reflexiva para sustentar o
raciocínio profissional em terapia ocupacional. Cadernos
Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 30, p. 1-20, 2022.
Disponível em:
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?format=pdf&lang=pt. Acesso em 26 out. 2025.
RADOMSKI, M. V.; LATHAM, C. A. T. Terapia ocupacional para
disfunções físicas. 6. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2013.
MATTINGLY, C.; FLEMING, M. Clinical reasoning: forms of
inquiry in a therapeutic practice. Philadelphia: F. A. Davis
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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Company, 1994.
PAPANIKITAS, A. A geography of the swampy lowlands in
primary care. British Journal os General Practice, v. 72, n. 722,
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TOWNSEND, E.; WILCOCK, A. A. Occupational justice and client-
centred practice: A dialogue in progress. Canadian Journal of
Occupational Therapy, v. 71, n. 2, p. 75-87, 2004. Disponível em:
https://sci-hub.hlgczx.com/10.1177/000841740407100203.
Acesso em: 26 out. 2025.
Aula 2
Aula 17
Videoaula
Terapia Ocupacional na
inclusão social e saúde
mental
Olá, estudante! Explore o papel fundamental da Terapia
Ocupacional como promotora de direitos humanos e justiça
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9423060/
https://sci-hub.hlgczx.com/10.1177/000841740407100203
social. Nesta videoaula, você aprenderá a atuar no combate ao
estigma e na remoção de barreiras de acessibilidade (físicas e
atitudinais). Ainda, vai aprender como a Reabilitação
Psicossocial capacita o indivíduo a retomar seus papéis sociais
e garantir a participação plena e a autonomia. Prepare-se para
ser um agente de transformação social!
Pontodepartida
O campo de atuação da Terapia Ocupacional (TO) é o encontro
entre o sujeito, o seu fazer e o ambiente onde ele se insere. A
profissão se fundamenta na crença de que a participação em
atividades significativas (ocupações) é um direito humano
essencial para a saúde, a dignidade e o bem-estar. Assim, o
terapeuta ocupacional possui papel como agente de inclusão e
transformação social, cuja intervenção se dá na eliminação das
barreiras que limitam o pleno exercício da cidadania.
A garantia da participação exige uma base estrutural sólida,
pautada nos Direitos Humanos e na acessibilidade em suas
múltiplas dimensões (atitudinal, física, comunicacional e
metodológica). Ao entendermos o indivíduo em seu contexto de
vulnerabilidade e risco, o olhar se volta obrigatoriamente para a
assistência social. A prática, neste sentido, precisa ir além da
clínica individual, atuando nas políticas públicas e na facilitação
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
do acesso a benefícios e redes de apoio, essenciais para a
proteção social.
Entretanto, o acesso aos direitos é frequentemente bloqueado
pelo estigma, uma barreira atitudinal poderosa que desqualifica
e isola. É neste ponto que a Reabilitação Psicossocial (RP) se
apresenta como uma abordagem complexa e transversal. A RP
é um processo que visa o resgate da autonomia e da cidadania
possível, aplicando-se a qualquer situação de restrição de
participação, e não apenas no contexto da saúde mental
tradicional.
O trabalho da TO se orienta, ainda, pela promoção de saúde,
vista como a capacidade de indivíduos e comunidades
controlarem os determinantes de sua própria saúde, e pelo
respeito inegociável à diversidade de etnia, gênero,
funcionalidade e classe. O desafio profissional é aplicar todos
esses conceitos de forma integrada, transformando ambientes
e desmantelando preconceitos para criar uma sociedade
verdadeiramente inclusiva.
Abrangendo estas questões, pense na seguinte situação
hipotética: Júlia, 20 anos, tem Atrofia Muscular Espinhal (AME)
Tipo 3, uma condição congênita e progressiva. A terapia
ocupacional acompanhou suas adaptações desde a infância,com foco inicial na manutenção da marcha e no uso de órteses
para os membros inferiores. Devido à progressão da atrofia
muscular, ela passou a usar cadeira de rodas motorizada na
adolescência.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Atualmente, Júlia cursa arquitetura e possui boa funcionalidade
nos membros superiores (consegue escrever e usar o mouse e
teclado padrão), mas sua autonomia de locomoção é
criticamente restrita pela falta de acessibilidade arquitetônica
da faculdade (ausência de rampas em desníveis menores,
elevadores lentos, banheiros não adaptados) e pelos pisos
irregulares do entorno. Isso a impede de chegar às aulas
pontualmente, participar de atividades extracurriculares e
acessar áreas importantes do campus, gerando frustração e
isolamento social.
Considerando o Modelo Social da Deficiência (Lei nº
13.146/2015) e a progressão da condição de Júlia, como a
terapia ocupacional deve elaborar um plano de ação integrado
que aborde, simultaneamente, as barreiras de acessibilidade, as
consequências psicossociais (estigma/isolamento) e a garantia
dos Direitos Humanos (educação e participação)?
Vamoscomeçar
O olhar ocupacional e a
participação plena
O campo da Terapia Ocupacional é intrinsecamente ligado à
defesa dos Direitos Humanos, pois a restrição da participação
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
ocupacional equivale à privação de parte das pessoas e
dignidade do indivíduo. A intervenção do terapeuta ocupacional
não é apenas clínica, mas fundamentalmente política e social,
visando a garantia da plena cidadania.
Direitos Humanos, o Modelo
Social da Deficiência e
acessibilidade
A TO adota uma perspectiva que transcende a visão biomédica
ao situar a restrição da participação não como inerente à
condição do indivíduo, mas como resultado da interação entre a
pessoa e as barreiras atitudinais e ambientais. Essa visão é o
pilar do Modelo Social da Deficiência, consagrado
mundialmente pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência (CDPD) da ONU, que no Brasil possui status de
emenda constitucional (Decreto nº 6.949/2009).
O artigo 1º da CDPD estabelece que o propósito é “promover,
proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os
direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as
pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua
dignidade inerente” (Brasil, 2009).
Aliado a isso, a prática do TO se baseia na promoção da saúde
e bem-estar; participação e inclusão social; proteção dos
valores culturais; universalização dos direitos sociais; promoção
da liberdade, dignidade e igualdade; garantia da integridade
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
física, psíquica, moral, cultural e social, eliminação de
discriminação, negligências, exploração, violência, crueldade e
opressão (Oliveira et al., 2021).
 As implicações para a TO é que o terapeuta ocupacional, ao
utilizar a ocupação como meio e fim, atua diretamente no cerne
dos princípios da CDPD: o respeito pela dignidade e autonomia
individual e a plena e efetiva participação e inclusão na
sociedade (Oliveira et al., 2021; Brasil, 2009, art. 3º). O
impedimento de realizar uma ocupação significativa é, portanto,
visto como uma violação de um direito fundamental.
A acessibilidade é, portanto, a concretização dos Direitos
Humanos na prática. Ela é definida como a condição para a
utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos
espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, das edificações,
dos transportes, dos sistemas e meios de comunicação e
informação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade
reduzida (Brasil, 2015). Também podemos dizer que a
acessibilidade diz respeito à “facilidade com a qual o ambiente
físico pode ser alcançado, acessado e utilizados por todos os
indivíduos” (Radomski; Latham, 2013, p. 311). Para a TO, a
acessibilidade é analisada sob uma ótica multifacetada,
analisando as diferentes dimensões de barreira, conforme
definido pela Lei Brasileira de Inclusão (2015):
Dimensão da
barreira
Definição e exemplos Atuação do TO
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Urbanística Presente nas vias e
espaços públicos
(calçadas irregulares, falta
de rampas de acesso).
Consultoria para desenho
universal e articulação
com órgãos públicos para
adequação do espaço
territorial.
Arquitetônica Presente em edifícios
(residências, escolas,
hospitais) (portas
estreitas, banheiros
inadequados).
Relatórios técnicos e
consultoria para
modificações ambientais e
adaptações razoáveis em
domicílios e locais de
trabalho.
Transporte Presente em sistemas de
transporte coletivo e
individual (ônibus sem
elevador, falta de assentos
reservados).
Treinamento no uso de
transportes, adaptação de
veículos e articulação para
garantia do passe
livre/gratuidade.
Comunicação
Informação
Presente na interação
humana e na mídia (falta
de Libras, Braille, legendas
ou linguagem simples).
Prescrição de
Comunicação Aumentativa
e Alternativa (CAA),
treinamento de tecnologia
assistiva de comunicação.
Atitudinal Comportamentos,
preconceitos e
estereótipos que impedem
a participação (visão
capacitista, pena).
Intervenção antiestigma,
promoção da
conscientização, e
empoderamento do
cliente.
Tecnológica Presente em sistemas e
equipamentos
tecnológicos (sites não
acessíveis, softwares
complexos).
Seleção e treinamento no
uso de softwares e
dispositivos de Tecnologia
Assistiva (TA) para acesso
digital.
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Quadro 1 | Dimensões da acessibilidade e ação da Terapia
Ocupacional
 O terapeuta ocupacional deve ter a capacidade de identificar
então, os facilitadores e as barreiras no ambiente que
influenciam a funcionalidade ocupacional. Nesta análise devem
ser observados ainda, acessos discriminatórios ou
inconvenientes, como elevador de carga por exemplo.
Para melhorar a acessibilidade podem ser usados o projeto
universal e o projeto sem barreiras. Ambos pensam na
acessibilidade de um lugar. Porém, o projeto universal possui
características que facilitam a funcionalidade e convivência
para todos, enquanto o projeto sem barreiras tem o foco na
remoção de barreiras já existentes para permitir a
acessibilidade de pessoas com incapacidades (Radomski;
Latham, 2013).
Terapia Ocupacional no Sistema
Único de Assistência Social
(SUAS)
A Assistência Social (SUAS), estabelecida pela Lei Orgânica da
Assistência Social (LOAS – Lei nº 8.742/93), é um direito
fundamental não contributivo que visa a proteção social de
cidadãos em situação de vulnerabilidade e risco social. A TO se
insere nesse campo por sua expertise em analisar as relações
entre o indivíduo, suas ocupações e o ambiente, especialmente
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
em contextos de privação social e violação de direitos (Oliveira
et al., 2019).
Assim, a TO no SUAS atua na identificação das necessidades e
potencialidades ocupacionais das famílias e indivíduos em
risco, buscando a reconstrução de laços sociais e familiares
fragilizados. O foco é no fortalecimento da função protetiva da
família e na promoção da autonomia, elementos essenciais
para a saída da condição de vulnerabilidade (Basso et al., 2024).
Atuação estratégica:
CRAS (Centro de Referência de Assistência Social): a TO
trabalha na Proteção Social Básica, atuando com grupos e
famílias para o fortalecimento de vínculos comunitários e
familiares, prevenção de rupturas e promoção do convívio.
CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência
Social): na Proteção Social Especial, a atuação se
concentra em casos de violação de direitos (violência,
negligência), reabilitando a capacidade de participação
social e mediando o acesso à justiça e a outros serviços;
O Benefício de Prestação Continuada (BPC): A TO tem um
papel crucial na avaliação biopsicossocial do requerente ao
BPC (previsto na LOAS), que garante um salário-mínimo
mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos
ou mais que comprovem não possuir meios de provera
própria subsistência ou de tê-la provida por sua família. A
avaliação do TO foca na análise da deficiência em interação
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
com as barreiras ambientais, conforme o Modelo Social,
para atestar a restrição de participação e,
consequentemente, a elegibilidade ao benefício (Brasil,
1993).
Sigaemfrente
Do estigma à diversidade
Para que a inclusão seja efetiva, é imperativo que o terapeuta
ocupacional atue no desmantelamento de barreiras sociais
sutis, porém muitas vezes destrutivas: o estigma. A resposta a
essas barreiras encontra-se na complexidade da Reabilitação
Psicossocial (RP) e no compromisso com a diversidade e a
promoção de saúde.
O estigma é um atributo profundamente desacreditador que
reduz o indivíduo de uma pessoa completa e comum a um ser
estragado e diminuído. No contexto da saúde mental e da
deficiência, o estigma se manifesta como uma poderosa
barreira atitudinal que compromete a capacidade de a pessoa
se ver e ser vista como cidadã plena.
O estigma não é apenas um problema moral, ele se traduz em
barreiras concretas ao desempenho ocupacional:
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Exclusão ocupacional: o estigma institucional ou estrutural
se caracteriza pela negação de acesso a direitos, como a
dificuldade de obtenção de emprego, o que agrava a
vulnerabilidade econômica e social (Pitta, 2016; Uemura et
al., 2015). A exclusão do mercado de trabalho é uma das
formas mais claras de violação da cidadania.
Autoestigma (internalizado): o indivíduo incorpora os
estereótipos negativos, resultando na diminuição da
autoestima, autoeficácia e motivação. Isso dificulta os
esforços em direção à independência e autonomia,
afetando a adesão a tratamentos e a busca por
oportunidades (Gajardo et al., 2022);
Barreiras de acesso ao cuidado: o medo de ser julgado ou
mal acolhido afasta populações vulneráveis dos serviços de
saúde e assistência social, adiando diagnósticos e
tratamentos essenciais.
A TO atua no nível microssocial (no cotidiano dos serviços) e
macrossocial (em campanhas e formação de equipes) para
enfrentar o estigma. O trabalho focado na ocupação
significativa e no resgate de papéis sociais é a ferramenta
central para restaurar a identidade e a dignidade do indivíduo
(Uemura et al., 2015).
A Reabilitação Psicossocial (RP)
como promotora da cidadania
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
A Reabilitação Psicossocial (RP) é o paradigma central de
atuação da TO no contexto da saúde mental (e, de forma
ampliada, em qualquer restrição de participação). A RP é um
processo que visa facilitar o indivíduo a alcançar o seu nível
ótimo de autonomia e participação social, utilizando estratégias
que envolvem a clínica, a comunidade e a política (Saraceno,
2001).
Embora a RP esteja historicamente ligada à Reforma
Psiquiátrica brasileira e à superação do modelo asilar, o
conceito de “cidadania possível” (Saraceno, 2001) amplia sua
aplicação:
Definição transversal: a RP é um modelo de intervenção
aplicável a qualquer pessoa ou grupo que tenha sua
participação social restringida por limitações funcionais ou
pela vulnerabilidade social. O objetivo é desenvolver
habilidades, apoios e recursos ambientais para que o
indivíduo possa viver, trabalhar e interagir em sua
comunidade com dignidade.
A relação ocupação-cidadania: para a TO, a RP se
materializa na reaquisição de rotinas, papéis e habilidades
ocupacionais. Quando a pessoa retoma o controle sobre
seu cotidiano e se engaja em atividades socialmente
valorizadas (trabalho, estudo, lazer, cuidado), ela resgata
sua identidade e o pleno exercício da cidadania.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Assim, a prática da RP pela terapia ocupacional se estrutura em
três eixos interdependentes:
Reabilitação da pessoa (desenvolvimento de habilidades):
foco no indivíduo, promovendo o desenvolvimento de
habilidades de vida diária, sociais, laborais e de autogestão
da saúde.
Reabilitação social (inserção comunitária): atuação no
ambiente, facilitando a criação e o fortalecimento de redes
de apoio (família, vizinhança, grupos de convivência) e
mediando o acesso a espaços sociais.
Reabilitação política (garantia de Direitos): atuação no
combate ao estigma e na defesa de direitos (advocacy),
garantindo que as políticas públicas (moradia, trabalho,
renda) sejam efetivamente acessíveis.
Promoção de saúde e
diversidade
O conceito de Promoção de Saúde adotado pela TO, alinhado à
Carta de Ottawa (1986), vai além da prevenção de doenças. É o
processo que capacita as pessoas a aumentarem o controle
sobre sua saúde e seus determinantes, melhorando-a. Neste
contexto, a ocupação é vista como um determinante de saúde
(Gov.br, 2024).
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
No enfoque biopsicossocial, a saúde, incluindo a saúde mental,
é o resultado da interação de fatores biológicos, psicológicos e,
inseparavelmente, sociais e ambientais. Promover saúde é
intervir nas condições de vida (moradia, renda, educação) que
permitem o engajamento em ocupações saudáveis.
A diversidade (étnico-racial, de gênero, sexual, funcional,
socioeconômica) é um componente ativo da prática do TO. O
profissional não pode tratar todos os sujeitos como um bloco
homogêneo, pois as experiências de restrição de participação
são moldadas pela sobreposição de diferentes eixos de
opressão, o conceito de interseccionalidade.
Na prática interseccional, o terapeuta ocupacional deve
reconhecer que uma pessoa com deficiência e que também é
mulher e negra, por exemplo, enfrenta barreiras ocupacionais
únicas e mais severas do que uma pessoa que vivencia apenas
um desses eixos de vulnerabilidade. A intervenção deve ser
sensível a essa complexidade. Em outro exemplo, o estigma
contra pessoas com sofrimento mental pode ser agravado pelo
preconceito racial ou de gênero, dificultando ainda mais o
acesso ao trabalho e ao cuidado. O TO deve, portanto, articular
recursos que considerem essa camada múltipla de
vulnerabilidade.
Vamosexercitar
I l ã ibilid d
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Inclusão e acessibilidade
O caso de Júlia demonstra que o problema central não é a AME,
mas as barreiras ambientais que violam seu direito à
participação educacional plena. O plano de ação da TO deve ser
integrado e pautado nos seguintes eixos:
Eixo 1: Ação no ambiente e tecnologia assistiva
(acessibilidade)
Prioridade para a locomoção e a ocupação de estudante:
Consultoria arquitetônica: realizar vistoria no campus,
mapear pontos críticos e elaborar um laudo técnico
detalhado, referenciando a NBR 9050 e a Lei nº
13.146/2015, solicitando adequações imediatas da gestão
da faculdade.
Adaptações ocupacionais: verificar ajustes posturais e
adequação de mobiliário acadêmico (ex.: suporte para
laptop na cadeira de rodas, mesas adaptadas).
Acessibilidade urbana: mapear e propor melhorias nas
rotas do entorno do campus (calçadas, pisos) em
articulação com órgãos municipais.
Eixo 2: Consequências psicossociais e reabilitação
psicossocial
Foco no resgate da autonomia e do pertencimento:
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Intervenção social: aplicar a RP para trabalhar o sentimento
de pertencimento no contexto universitário, incentivando a
participação em coletivos estudantis;
Combate ao estigma: promover a mediação entre Júlia,
professores e colegas. Criar espaços de diálogo e educação
sobre a deficiência e a acessibilidade, transformando
barreiras atitudinais em acolhimento.
 Eixo 3: Direitos Humanos e articulação de redes (assistência
social)
Garantia do suporte legal e social:
Defesa de direitos (Advocacy): atuar como defensor,
garantindo que a faculdade cumpra seus deveres legais de
inclusão (Lei nº 13.146/2015). Articular o caso junto a
defensorias, se necessário.
Assistência social: avaliar as necessidades de proteção
social (ex.: suporte financeiro para o cuidador ou programas
habitacionais) e realizar o encaminhamento para
assistênciasocial, caso seja necessário.
A intervenção da terapia ocupacional transcende a clínica
individual, agindo nas barreiras contextuais e sociais que
impedem a participação. O plano integrado, que vai do laudo
arquitetônico à reabilitação psicossocial, é essencial para
garantir a Júlia o direito de ser uma estudante de arquitetura
autônoma e participante.
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Saibamais
Para expandir sua visão sobre o campo da acessibilidade e
inclusão social, leia o artigo "Contribuições da terapia
ocupacional para o processo de inclusão das pessoas com
necessidades educacionais especiais na rede regular de
ensino", que aborda o papel do terapeuta ocupacional na
educação inclusiva, mostrando como a profissão atua no
contexto escolar, garantindo o desenvolvimento e a
participação dos alunos. Boa leitura
Referências
BASSO, A. C. S.; et al. Terapia ocupacional, assistência social e o
trabalho socioassistencial com pessoas com deficiências:
relato de experiência em um Centro-Dia. Revista de Terapia
Ocupacional USP, v. 34, n. 1-3, p. 1-10, 2024. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/rto/article/view/216820. Acesso
em: 27 out. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Carta de Ottawa. 1986. Disponível
em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf.
Acesso em: 27 out. 2025.
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
https://periodicos.pucminas.br/pedagogiacao/article/view/24932
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BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga
a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência e seu Protocolo Facultativo. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2009/decreto/d6949.htm. Acesso em: 27 out. 2025.
BRASIL. Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre
a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8742.htm. Acesso
em: 27 out. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da
Pessoa com Deficiência). Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 27 out. 2025.
GAJARDO, J.; et al. Estigma contra pessoas com doença mental
em alunos de graduação e em professores de graduação em
terapia ocupacional. Cadernos Brasileiros de Terapia
Ocupacional, v. 30, 2022. Disponível em:
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/cadernos/article/view/3145. Acesso em: 27 out. 2025.
GOV.BR. Saúde Mental. Ministério da Saúde, 2024. Disponível
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OLIVEIRA, A. M.; et al. Terapia ocupacional em neuropsiquiatria
e saúde mental. Barueri: Manole, 2021.
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
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em: 27 out. 2025.
Aula 3
Aula 18
Videoaula
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
https://www.scielo.br/j/cadbto/a/r7rHDgQZdqh3VPS6DBk8PkG/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/cadbto/a/r7rHDgQZdqh3VPS6DBk8PkG/?format=pdf&lang=pt
https://revistas.usp.br/rto/article/view/97425/109410
Terapia Ocupacional e
sustentabilidade
Olá, estudante! Você já pensou sobre como o meio ambiente
afeta diretamente as ocupações das pessoas? Nesta aula, você
expandirá seu olhar sobre a terapia ocupacional, entendendo a
sustentabilidade não só como uma questão ambiental, mas
como promoção de justiça ocupacional. Exploraremos como a
TO atua na construção de comunidades resilientes, na gestão
do impacto ambiental e na promoção de ocupações
ecologicamente responsáveis.
Pontodepartida
A Terapia Ocupacional (TO), em sua essência, lida com a
relação intrínseca entre o ser humano, suas ocupações e o
meio ambiente em que estão inseridos. Historicamente focada
na saúde e bem-estar do indivíduo, a profissão é hoje desafiada
a expandir seu foco, reconhecendo que a saúde humana e a
capacidade de se engajar em ocupações significativas estão
ligadas à saúde do planeta. Nesse cenário, a sustentabilidade
não é apenas uma questão ambiental, mas um imperativo ético
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
e de justiça ocupacional. O profissional precisa ir além da
adaptação individual, atuando nas causas ambientais e sociais
que limitam ou impedem a participação de comunidades
inteiras.
É fundamental que os terapeutas ocupacionais incorporem a
lente da sustentabilidade em suas práticas, promovendo um
olhar crítico sobre os padrões de consumo e produção. A
adoção de práticas sustentáveis e a educação ambiental, por
exemplo, tornam-se ferramentas de intervenção primordiais.
Isso implica facilitar a transição para estilos de vida que
respeitem os limites ecológicos, priorizando ocupações
ecologicamente responsáveis. O foco se move da mera
produtividade para a ocupação sustentável, vista como aquela
que não compromete os recursos e as oportunidades
ocupacionais das gerações futuras (WFOT, 2018). A TO, nesse
contexto, assume um papel de advocacia e facilitação para a
equidade socioambiental.
Assim, esta aula visa fornecer os fundamentos para a atuação
do terapeuta ocupacional na promoção de comunidades mais
resilientes, na gestão do impacto ambiental e na utilização da
comunicação como estratégia de engajamento. Exploraremos
como a ocupação pode ser o motor para a justiça
socioambiental, analisando as bases teóricas e práticas
necessárias para a intervenção.
Para iniciar essa jornada de reflexão, veja o caso clínico a
seguir, que evidencia a urgência dessa abordagem na prática
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
cotidiana da TO: dona Elvira, 69 anos, e seu João, 75 anos, são
líderes comunitários de “Vila das Águas”, um bairro costeiro
tradicionalmente dedicado à pesca artesanal e ao extrativismo
de mariscos no Nordeste brasileiro. Há cerca de cinco anos, a
construção de um porto industrial próximo alterou
significativamente o ecossistema local. A poluição sonora e
hídrica (impacto ambiental) afastou os cardumes e contaminou
os manguezais, fonte primária de sustento e ocupação da
comunidade.
Com a perda das ocupações tradicionais (pescae coleta), a
renda familiar despencou, e a coesão social da vila foi abalada
(comunidades resilientes em risco). Dona Elvira, que antes
coordenava a venda de mariscos e as reuniões de pescadores
(ocupação produtiva e social), agora apresenta sinais de
isolamento, tristeza e uma recusa em participar das novas
tentativas de reorganização comunitária (comunicação
ineficaz). Seu João, apesar da idade, tenta resistir, mas a falta
de esperança dos vizinhos dificulta a mobilização para buscar
soluções (práticas sustentáveis e educação falhas).
Como o terapeuta ocupacional pode intervir em Vila das Águas
para promover a resiliência comunitária, reestruturar as
ocupações perdidas ou desenvolver práticas sustentáveis, e
utilizar a comunicação como ferramenta de engajamento frente
a um severo impacto ambiental?
Vamoscomeçar
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Ocupação, sustentabilidade
e educação
Atualmente, o campo da terapia ocupacional é desafiado a
repensar sua atuação diante das demandas ambientais, sociais
e éticas do século XXI. A profissão, tradicionalmente voltada à
promoção da saúde e da participação ocupacional, precisa
agora incorporar em sua prática o olhar para a sustentabilidade.
A sustentabilidade, no escopo da TO, é entendida como a
capacidade de indivíduos, grupos ou populações se engajarem
em ocupações que são benéficas ou neutras para o ambiente, a
sociedade e a economia, garantindo a justiça ocupacional
intergeracional (WFOT, 2018). Essa visão amplia o conceito de
saúde, alinhando-se à definição da Organização Mundial da
Saúde (OMS), segundo a qual saúde é um estado de completo
bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de
doença ou enfermidade. Ainda, os fundamentos éticos e
ecológicos apontam que a saúde do ecossistema é pré-
requisito para a saúde e bem-estar humanos.
A TO, ao lidar com a interdependência pessoa-ambiente-
ocupação, deve defender a integridade ecológica, reconhecendo
que a degradação ambiental é uma forma de privação
ocupacional. Nesse contexto, a profissão formaliza os
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
princípios da ocupação sustentável. Uma ocupação é
considerada sustentável quando ela é projetada e realizada de
forma a minimizar o impacto ambiental (uso de recursos
naturais e produção de resíduos), promover a equidade social e,
idealmente, ser economicamente viável (Cavalcanti; Galvão,
2025).
A terapia ocupacional, portanto, busca atuar em todas as
frentes, desde a promoção de atividades de lazer que
reconectam o indivíduo à natureza até a facilitação de
ocupações de subsistência de baixo impacto, como o cultivo
orgânico e o reaproveitamento criativo de materiais (upcycling).
Diversas pesquisas vêm destacando a importância de
relacionar a terapia ocupacional com os princípios da
sustentabilidade e da justiça ocupacional intergeracional. O
estudo de Ung et al. (2020) propõe o conceito de “eco-
ocupação”, entendida como aquela que promove não apenas o
bem-estar humano, mas também a integridade ecológica, ao
apoiar práticas que respeitam e preservam os ecossistemas.
Essa abordagem reforça a necessidade de que terapeutas
ocupacionais compreendam a relação simbiótica entre as
ocupações humanas e o ambiente natural, estimulando práticas
que mantenham o equilíbrio entre o uso e a regeneração de
recursos.
Seguindo essa mesma linha, Wagman et al. (2020) descrevem a
experiência de uma universidade sueca que integrou
explicitamente as metas da Agenda 2030 para o
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
desenvolvimento sustentável em seu currículo de terapia
ocupacional. Os autores evidenciam que a sustentabilidade
pode e deve ser transversal ao ensino, à pesquisa e à prática
profissional, de modo que futuros terapeutas ocupacionais
reconheçam sua responsabilidade social e ambiental na
promoção de ocupações sustentáveis.
Além do aspecto educacional, há também uma dimensão ética
emergente na prática profissional. Lieb (2022) destaca que
estilos de vida insustentáveis e o uso desenfreado de recursos
naturais comprometem a saúde humana, e aponta para a
necessidade de uma prática ecológica e ética, na qual o
terapeuta ocupacional considere os impactos ambientais de
suas intervenções e incentive escolhas ocupacionais
sustentáveis no cotidiano de indivíduos e comunidades.
A participação em movimentos e fóruns de defesa ambiental é
vista como uma ocupação cívica e de advocacia essencial para
garantir a justiça ocupacional para as gerações presentes e
futuras.
A abordagem ecológica confronta diretamente o desafio da
cultura do descarte, um sistema insustentável baseado no
consumo excessivo e na obsolescência programada. A TO
critica e questiona as ocupações que perpetuam essa lógica
destrutiva, movendo o foco da intervenção. Em vez de apenas
adaptar o indivíduo a um ambiente de consumo, o foco é
transferido para a facilitação de habilidades que promovem a
durabilidade e a manutenção. Isso envolve o desenvolvimento
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
de competências para reparo, customização e uso prolongado
de bens. Ao reverter a mentalidade do “usar e jogar fora” para o
“cuidar e consertar”, o terapeuta ocupacional não só contribui
para a mitigação do impacto ambiental, mas também fortalece
o senso de autonomia, responsabilidade e conexão significativa
do indivíduo com seus objetos e seu ambiente de vida.
A promoção de práticas sustentáveis é uma das áreas de
intervenção da terapia ocupacional, visando a mudança de
comportamento em nível individual e coletivo.
As opções de baixo impacto, que são atividades que minimizam
a utilização de recursos naturais e a geração de poluição, são
um exemplo disso. A TO auxilia o cliente a identificar e
incorporar essas ocupações em sua rotina (Cavalcanti; Galvão,
2025). Opções aplicáveis: fomentar a compostagem doméstica
e comunitária; desenvolver habilidades para a produção de
alimentos em pequenos espaços (hortas verticais); planejar e
implementar rotinas de transporte ativo (caminhada ou
bicicleta) para deslocamentos curtos, reduzindo a emissão de
carbono.
O reaproveitamento e reuso também deve ser estimulado. A
intervenção pode focar no desenvolvimento de habilidades
motoras e cognitivas para o upcycling, com a transformação
criativa de resíduos ou materiais descartados em novos
produtos de maior valor, em oficinas terapêuticas ou
comunitárias.
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Já nos contextos clínicos e institucionais, o próprio ambiente de
trabalho da TO deve refletir a sustentabilidade:
Gerenciamento de materiais: uso de materiais recicláveis
ou de origem sustentável nas intervenções.
Prática clínica “verde”: organização de visitas domiciliares
por proximidade geográfica para reduzir o deslocamento e o
consumo de combustível e digitalização de prontuários e
materiais para diminuir o uso de papel.
A educação é o principal mecanismo para a internalização dos
valores de sustentabilidade, e o terapeuta ocupacional tem um
papel crucial nesse processo, integrando a educação ambiental
ao conceito de ocupação.
A Lei nº 9.795/99 (Brasil, 1999), que institui da Política Nacional
de Educação Ambiental (PNEA), estabelece a educação
ambiental como um componente essencial da educação
nacional. A TO atua nessa política em seu caráter não formal e
interdisciplinar.
Na articulação TO-PNEA, o terapeuta ocupacional traduz os
princípios dessa Política (como o desenvolvimento de
consciência crítica e a participação individual e coletiva) em
atividades práticas e significativas que geram aprendizado
ocupacional sobre o meio ambiente.
A TO deve, portanto, promover a capacidade de compreender os
sistemas ecológicos e de responder a eles de maneira
adaptativa. Através do aprender fazendo, a TO estimula a
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
conscientização individual e coletiva, com workshops de
“consumo consciente” (análise crítica de embalagens e
marcas), roteiros de “observação do bairro” paraidentificar
problemas ambientais (lixo, poluição) e planejar intervenções
comunitárias e o desenvolvimento de planos de ação familiar
ou comunitário para redução do consumo de água e energia.
Assim, o foco é no engajamento ativo, transformando o
conhecimento abstrato sobre o ambiente em ações e rotinas
diárias concretas, que se tornam novas ocupações
significativas.
Sigaemfrente
Comunidades resilientes,
comunicação e o
enfrentamento do impacto
ambiental
A sustentabilidade em terapia ocupacional não se limita à
prática individual, mas se estende à construção de
comunidades resilientes, capazes de se reorganizar e se
adaptar diante de crises ambientais, sociais e econômicas. A
resiliência comunitária, é definida, portanto, como a capacidade
de um grupo se reestruturar e se adaptar após choques ou
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
eventos adversos.  Essa perspectiva exige que o terapeuta
ocupacional atue em três dimensões interdependentes: a
escolha de ocupações sustentáveis, o uso consciente do
ambiente e dos materiais, e a mobilização comunitária como
força de mudança.
A primeira dimensão, relacionada à seleção de ocupações,
envolve identificar e fomentar atividades que promovam o bem-
estar humano enquanto preservam o meio ambiente e
fortalecem os vínculos sociais. Ocupações como hortas
comunitárias, reciclagem criativa, oficinas de reparo de objetos,
caminhadas ecológicas e o uso de materiais naturais em
produções artesanais podem ser exemplos de práticas de baixo
impacto ambiental e alto valor terapêutico. Segundo Ung et al.
(2020), essas “eco-ocupações” têm potencial de unir o sentido
de pertencimento comunitário à responsabilidade ambiental,
contribuindo para a justiça ocupacional intergeracional.
A segunda dimensão diz respeito ao ambiente terapêutico e ao
uso de materiais sustentáveis. Estudo recente conduzido por
Smith et al. (2020) apontou que a sustentabilidade pode ser
incorporada à terapia ocupacional por meio de pequenas
mudanças no cotidiano profissional, como a priorização de
materiais duráveis e recicláveis, a otimização de deslocamentos
e a gestão adequada de resíduos em contextos clínicos e
comunitários. Já pesquisa conduzida por Fritz, Stridsberg e
Holopainen (2024) identificou que a implementação de
estratégias sustentáveis em fisioterapia e terapia ocupacional
Disciplina
HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
requer uma abordagem colaborativa, integrando políticas
institucionais e a conscientização dos profissionais sobre o
impacto ecológico de suas decisões.
No campo das adaptações ambientais, um estudo recente
investigou a sustentabilidade das modificações domiciliares na
TO, ressaltando que a dimensão ecológica é frequentemente
negligenciada frente às dimensões social e econômica (Fawkes
et al., 2024). Esse dado reforça a importância de alinhar a
prática terapêutica com critérios sustentáveis, considerando o
ciclo de vida dos materiais e o impacto ambiental das soluções
propostas.
A terceira dimensão envolve a mobilização e o fortalecimento
comunitário. De acordo com Wessels (2015), projetos de terapia
ocupacional em comunidades só alcançam sustentabilidade
quando são construídos com os próprios participantes,
garantindo o engajamento contínuo e a apropriação das
atividades pela comunidade. Isso implica que o terapeuta não
deve ser o único agente de mudança, mas sim um facilitador de
processos que permitam à coletividade assumir protagonismo.
Em cenários de crise como o da Vila das Águas, de nossa
problematização, a perda da ocupação central desmantela a
identidade, sendo que a intervenção terapêutica ocupacional
comunitária busca:
Reconstrução narrativa e coesão social: o terapeuta
ocupacional facilita espaços de terapia ocupacional
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
comunitária, onde a população pode compartilhar e validar
suas histórias de perdas ocupacionais e ambientais. Este
processo não apenas legitima o luto, mas gera novas
narrativas de futuro e resistência, essenciais para a coesão.
Ocupações símbolo de resiliência: fomentar ocupações
que, embora resgatem a cultura local, assumem uma nova
perspectiva sustentável. Por exemplo, a mudança do foco
da pesca comercial predatória para o monitoramento da
vida marinha com fins científicos ou educacionais,
transformando o saber tradicional em uma nova ocupação
de conservação.
Mapeamento e valorização de competências ocupacionais:
identificar e valorizar as habilidades remanescentes dos
membros (artesanato, culinária, conhecimento da maré),
não apenas para fins terapêuticos, mas para transformá-las
em novas fontes de ocupação produtiva e social,
diversificando a economia local e fortalecendo a
autoeficácia comunitária.
A atuação da TO é igualmente essencial na gestão de riscos e
desastres (Cavalcanti; Galvão, 2025), com ênfase nos impactos
ambientais (inundações, deslizamentos, contaminação). Isso
engloba dois pilares:
1. Prevenção ocupacional: participação ativa em planos de
contingência, garantindo que as rotinas e os ambientes de
evacuação sejam acessíveis e seguros para todos os
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
membros da comunidade, incluindo aqueles com diferentes
níveis de participação e autonomia.
2. Recuperação ocupacional pós-desastre: apoio à
comunidade na imediata e contínua reorganização do
ambiente de vida, na retomada de rotinas básicas de
autocuidado e produtividade, e na mitigação dos impactos
psicossociais e do trauma coletivo por meio do
engajamento em ocupações de reconstrução e reparação
de danos.
Nesse sentido, a comunicação assume papel essencial na
mediação e no fortalecimento das redes sociais. O terapeuta
ocupacional atua como elo entre a comunidade e os órgãos
públicos, documentando perdas ocupacionais, qualificando
evidências sobre o impacto ambiental e traduzindo as
necessidades da população em linguagem técnica e acessível.
A mobilização social e a escuta ativa tornam-se, assim,
recursos fundamentais para restaurar a coesão e o senso de
pertencimento, fortalecendo a resiliência comunitária.
A comunicação é a ponte vital entre as necessidades da
comunidade e a ação política, atuando o terapeuta ocupacional
como facilitador, essencialmente na advocacia ocupacional na
esfera pública. Sua função é traduzir o impacto ambiental e a
degradação em termos de privação e justiça ocupacional para
stakeholders (partes interessadas ou afetadas), o poder público
e a mídia. Isso se concretiza através de:
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
Documentação e evidência qualificada: Produção de
relatórios e documentos que quantifiquem e,
principalmente, qualifiquem as perdas ocupacionais (renda,
lazer, socialização, identidade) causadas pela poluição ou
degradação ambiental, utilizando a linguagem técnica da
TO.
Comunicação efetiva e estratégica: utilização de uma
linguagem clara, acessível e baseada em evidências para
defender o direito à participação e a um ambiente saudável
em fóruns públicos, conselhos municipais e audiências. A
TO capacita a comunidade a se comunicar de forma
assertiva.
Adicionalmente, a comunicação interna e mobilização social é
crucial para a coesão da comunidade. A TO garante estratégias
inclusivas, assegurando que a informação (avisos de reuniões,
informações sobre recursos) seja acessível a todos, utilizando
múltiplos canais (murais, rádio comunitária, mensagens de
áudio) para incluir idosos e pessoas com baixa letramento.
Através do diálogo e mediação, o profissional facilita a escuta
ativa e o debate aberto, mediando conflitos internos e
promovendo um consenso necessário sobre as práticas
sustentáveis a serem adotadas (Horniche; Bianchi, 2025).
Por fim, a intervenção da TO foca em como a ocupação pode
ser utilizada para mitigar o impacto ambiental e prevenir danos
futuros. Isso começa com a avaliação ocupacional do impacto
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HISTORIA E FUNDAMENTOS DA
TERAPIA OCUPACIONAL
ambiental, integrando o raciocínio clínico-comunitário com a
ecologia. A TOdesenvolve ferramentas como um checklist
ocupacional-ambiental para avaliar detalhadamente como o
ambiente degradado (água contaminada, ar poluído, falta de
saneamento) impede ou dificulta a realização de ocupações
diárias essenciais (higiene, preparo de alimentos, lazer).
O foco da intervenção é transferido da adaptação individual
(agir apenas sobre as consequências) para atacar a causa-raiz
(a poluição que destrói a ocupação), orientando a ação
comunitária para a resolução ambiental e a justiça
socioambiental. O terapeuta também assume o papel de
advocacia por ambientes terapêuticos e sustentáveis,
defendendo ativamente a criação e manutenção de áreas
verdes e espaços públicos livres de poluição. O profissional
contribui ativamente para a proposição de políticas que
protejam ocupações tradicionais (como a pesca artesanal) e
promovam alternativas sustentáveis, como o ecoturismo de
base comunitária, alinhando de forma indissociável a saúde, a
ocupação e a conservação ambiental.
A terapia ocupacional contemporânea precisa incorporar em
suas práticas a perspectiva ecológica e sustentável como parte
da ética profissional. Isso significa que cada escolha, seja de
material, método ou parceria, deve considerar seus efeitos
sobre o meio ambiente, a comunidade e as gerações futuras. Ao
atuar com essa consciência ampliada, o terapeuta não apenas
reabilita funções, mas contribui para a regeneração de
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ecossistemas sociais e ambientais, promovendo a saúde de
forma integral e sustentável.
Vamosexercitar
Restauração ocupacional
comunitária
A partir do diagnóstico da crise ocupacional e social em Vila
das Águas, o plano de intervenção do terapeuta ocupacional
deve ser multinível, focado em restaurar a capacidade de
agência, a coesão social e a busca por ocupações sustentáveis.
Ações de intervenção
1. Diagnóstico e educação: reverter o isolamento e promover a
conscientização
TO e educação: iniciar com grupos de acolhimento (dona Elvira)
e rodas de conversa (seu João) para validar o luto ocupacional
e promover a educação sobre os direitos ambientais e a
possibilidade de novas práticas sustentáveis (ex.: criação de
hortas em pequenos espaços, oficinas de beneficiamento de
frutos nativos não explorados pela pesca).
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2. Comunidades resilientes: fortalecer a coesão e o senso de
agência coletiva
TO e resiliência: mapear talentos e recursos locais. Liderar uma
ocupação coletiva de “Reorganização da Vila”, que pode ser a
construção de um novo centro comunitário ou a
limpeza/recuperação simbólica de um espaço marginalizado.
Envolver dona Elvira na gestão das listas e comunicação
interna, restaurando sua ocupação social de liderança.
3. Advocacia e comunicação: enfrentar o impacto ambiental e
buscar apoio externo
TO e comunicação: elaborar, com a comunidade, uma “Narrativa
da Pesca Perdida”, utilizando fotos, depoimentos (seu João) e
dados sobre o impacto ambiental (poluição) para reuniões com
órgãos públicos. Treinar os líderes (seu João) em técnicas de
comunicação assertiva para defender o direito à compensação
e à recuperação ambiental.
4. Resolução e novas ocupações: buscar/desenvolver novas
fontes de renda e restaurar a participação
TO e práticas sustentáveis: facilitar a transição para novas
ocupações produtivas ecologicamente viáveis, como o
ecoturismo de base comunitária (guias, culinária local com
ingredientes alternativos) ou a produção de artesanato
sustentável. Essas novas rotinas restauram a autoestima e a
resiliência.
Através da intervenção em terapia ocupacional, o foco desloca-
se da cura individual para a restauração da saúde ocupacional
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do coletivo. Ao envolver Dona Elvira e seu João em papéis de
liderança em ocupações significativas, seja na educação para
novas práticas, seja na comunicação em prol da justiça
ambiental, o terapeuta não apenas trata os sintomas de
isolamento e desesperança (saúde mental), mas também atua
diretamente na fonte do problema, empoderando a comunidade
para que ela própria desenvolva sua resiliência e exija um
ambiente que suporte a participação ocupacional saudável e
sustentável. A Vila das Águas passa de vítima passiva do
impacto ambiental a agente ativo de transformação.
Saibamais
A sustentabilidade vem ganhando cada vez mais destaque na
área da saúde. O artigo "Natureza e meio ambiente na terapia
ocupacional – uma aproximação por meio de revisão
integrativa." teve como objetivo conhecer a abordagens
ambientais nas práticas na terapia ocupacional. Boa leitura
Referências
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https://docs.bvsalud.org/biblioref/2025/09/1619921/to_v35n1_227979_pt_1p.pdf
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