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AULA 33 – CAPÍTULO 16 PARTE 01 – AS FASES DO DESENVOLVIMENTO Prof. Agosttinho Almeida Formação em Psicanálise Clínica Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA Capítulo 16 AS FASES DO DESENVOLVIMENTO As etapas evolutivas na formação da personalidade da criança não são estanques e nem uma progressão absolutamente linear; antes, elas se transformam, superpõem e interagem prematuramente entre si. O importante, principalmente para a prática clínica, é que os diferentes momentos evolutivos deixam impressos no psiquismo do ser humano o que Freud denominou de ponto de fixação, em direção ao qual eventualmente qualquer indivíduo pode fazer um movimento de regressão. Os pontos de fixação formam-se a partir de exagerada “gratificação ou frustração” de determinada “zona afetiva”. No primeiro caso, o indivíduo, diante de angústias insuportáveis, tenta regredir para um tempo e um espaço que lhe foi protetor e gratificante; no caso de uma excessiva frustração, que foi a determinante do ponto de fixação, a regressão dá- se, muitas vezes, como uma tentativa de resgatar alguns “buracos negros” existenciais. Todos os afetos primitivos sofrem sucessivas “transformações” psíquicas, que ficam presentes ou representadas no inconsciente, constituindo “pontos de fixação”, os quais funcionam como um polo imantado e, tal como faz um eletroímã, atraem para si novas representações de fantasias e de experiências emocionais. A LIBIDO Define-se a libido como “a intensidade da energia dinâmica do instinto afetivo”, ou seja, seu elemento quantitativo. Fazendo uma analogia entre instinto afetivo e tensão elétrica, pode-se definir a libido com “amperagem” do instinto afetivo. Para Jung “não deve ser outra coisa senão um nome para aquela energia que se manifesta no processo vital e que percebemos subitamente como afã ou desejo” A libido está submetida a um processo de evolução, intimamente relacionada com o instinto afetivo. Torna-se necessário esclarecer que, em psicanálise, entende-se por vinculação afetiva a relação existente entre o indivíduo que dirige Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA uma carga de afeto a um ser e o elemento que a recebe, o objeto, que pode ser o meio ambiente ou o próprio Ego do indivíduo. Para Numberg “os primeiros estágios evolutivos da libido cumprem-se na época fetal e, na falta de objeto a que se aplicar, deve-se admitir que antes do nascimento existe uma unidade entre o Ego e a libido”. Portanto, é lícito aceitar que o ser humano chega ao mundo com toda a libido fortemente fixada em seus órgãos e no Ego e, da mesma forma que um ser encapsulado, passa a ser um indivíduo com amplas relações com o meio ambiente. Também sua libido se desenvolve no sentido de que, desde este estágio (período narcísico primário), tende a transformar-se em libido que “recobre” objetos a qual, por essa razão, se dá o nome de libido objetal. Para Jean Laplanche (foto), “já ao nascer os instintos parciais entram em atividade, mas sem um domínio absoluto, por igual. Uma determinada região do corpo, como a oral, a anal, a genital ou qualquer outra do organismo, emite para a psique impulsos que o estimulam afetivamente. A esses setores do organismo capazes de realizar tal função dá-se o nome de zonas afetivas”. Observando as manifestações afetivas das crianças em sucessão temporal, notou-se que elas se apresentam em uma certa ordem. A atividade afetiva descarrega sua tensão em determinada zona, abandonando-a, e a seguir deslocando-se para outras regiões do corpo. Pesquisas psicanalíticas referentes a lembranças infantis em pessoas adultas e a observação de crianças foram feitas de 1940 a 1941 no consultório externo da sala de neuropsiquiatria infantil do Hospital de Niños de Buenos Aires, comprovando que as manifestações afetivas das crianças se modificam segundo uma ordem determinada como manifestações do desenvolvimento psíquico. Para Laplanche, “os instintos afetivos têm sua fonte nos sintomas somáticos e são relativamente independentes das interações do organismo com o meio. A evolução do organismo determina, assim, um amadurecimento das tendências instintivas através do desenvolvimento interno, comparável ao que se produz no embrião. A conceituação ou o predomínio de cada uma dessas zonas afetivas é o que confere uma matriz particular a cada etapa do desenvolvimento libidinal e que permite reconhecer durante os primeiros cinco ou seis anos da vida as fases oral, anal, fálica e genital”