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PROF. WESLEY GUERRA 
 
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HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE 
 
Capitania do Rio Grande na História das capitanias donatárias 
 
Nessa estreita faixa de terra ocupada pelos primeiros portugueses, se implantou a cana-de-açúcar. Essa malvácea – 
natural das regiões tropicais do Sul e do Sudeste da Ásia –, e o gado, vieram de Pernambuco, o primeiro como uma opção 
econômica e o segundo como um elemento acessório fornecedor de carne e força motriz para os colonos recém-instalados, 
e serão eles que formarão a gênese da ocupação do espaço litoral do Rio Grande. Portanto as sesmarias e a cana-de-
açúcar são próprias dos momentos da ocupação. 
❑ Doada em 1535 a João de Barros, durante mais de meio século a capitania do Rio Grande não foi colonizada. 
Tentativas de conquista a partir do envio de grandes expedições não foram suficientes para garantir a posse da 
capitania. 
❑ O sistema de capitanias donatárias ou hereditárias foi implantado no vasto território do Brasil a partir de 1530 pelo 
rei D. João III (1521-1557). Foram distribuídas capitanias hereditárias a capitães donatários, e entre eles estava João 
de Barros, donatário da capitania conhecida à época como “Terra dos Pitiguares”, uma referência aos indígenas 
que ocupavam uma parte do território daquela capitania e eram aliados comerciais dos franceses. Hoje o grupo étnico 
é conhecido como Potiguara. 
❑ Assim como os outros donatários, Barros recebeu do rei D. João III dois documentos: a carta de doação da 
capitania e a carta de foral. Estes documentos foram utilizados ao longo de mais de 300 anos de história do sistema 
das capitanias donatárias em algumas partes do Império português como nas ilhas atlânticas da Madeira, dos Açores, 
de Cabo Verde e de São Tomé. Durante todos esses anos, o sistema passou por várias mudanças de acordo com as 
 
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particularidades de cada localidade e do período histórico. No entanto, a característica fundamental destes 
documentos não mudou ao longo do tempo: representavam a fundação de uma capitania donatária. 
❑ Na carta de doação, encontramos basicamente um relato de o porquê daquela doação para determinado donatário, a 
delimitação geográfica da capitania e os direitos e os deveres do donatário, inclusive a transmissão hereditária dos 
direitos sobre a capitania. Já a carta de foral era o documento que, além de reforçar alguns direitos, descrevia os 
tributos destinados à Coroa portuguesa e ao donatário, regulava as obrigações mútuas do donatário para com os 
habitantes de sua capitania e deles para com o rei. De modo geral, as determinações presentes tanto na carta de 
doação como na carta de foral eram a base da organização do cotidiano civil e criminal da capitania. 
 
Carta de doação de uma capitania no Brasil a João de Barros 
Dom João, por graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves daquém e dalém mar em África, Senhor de Guiné e da 
Conquista, navegação, comércio de Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia etc. A quantos esta minha carta virem faço saber 
que considerando eu quanto os serviços de Deus e meu proveito e bem de meus Reinos e súditos deles a ser a minha 
costa e terra do Brasil mais povoada de que até agora foi, assim para nela haver de se celebrar o culto e ofícios divinos e 
se exaltar a nossa santa fé católica e incentivar os naturais da dita terra infiéis e idólatras, como pelo muito proveito que 
se seguirá a meus reinos e súditos deles se a dita terra povoar e aproveitar. Houve por bem de mandar repartir e ordenar 
em capitanias de certas em certas léguas para delas prover aquelas pessoas a meu bem parecer. [...] Pelo qual guardando 
eu os serviços que tenho recebido do dito João de Barros e o muito tempo que continuamente me serve e a boa conta 
que sempre de si deu em todas as coisas de meu serviço de que por mim foi encarregado e como é razão de lhe fazer 
mercê assim pelo que até aqui também me tem servido como pelo que espero que o diante me servirá [...]. 
Referência: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Carta de doação de uma capitania no Brasil a João de Barros. 8 de março 
de 1535, Évora. Chancelaria de D. João III, Livro 73, fls. 27-28. 
 
Foral dado a capitania do Brasil que foi dada a João de Barros 
Dom João, por graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves daquém e dalém mar em África, Senhor de Guiné e da 
Conquista, navegação, comércio de Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia etc. A quantos esta minha carta virem faço saber 
que eu fiz ora doação e mercê a João de Barros, fidalgo de minha casa para ele e todos seus filhos, netos, herdeiros e 
sucessores de juro e herdade para sempre da capitania de cinquenta léguas de terra na minha costa do Brasil segundo é 
declarado na carta de doação que da dita terra lhe tenho passada por ser muito necessário que ele receba foral dos 
direitos, tributos e coisas que na dita terra terão de pagar assim do que a mim e a coroa de meus reinos pertencem como 
do que pertence ao dito capitão por bem da dita sua doação eu havendo respeito a qualidade da dita terra e, a se ora 
novamente a ir morar, povoar e aproveitar e porque se isto melhor e mais cedo faça sentindo o assim por serviço de Deus 
e meu e bem do dito capitão e mercê da dita terra e por folgar de lhes fazer mercê houve por bem de mandar ordenar e 
fazer o dito foral na forma e maneira seguinte: Item primeiro: o capitão da dita capitania e seus sucessores darão e 
repartirão todas as terras dela de sesmaria a quaisquer pessoas de qualquer qualidade e condição desde que sejam 
cristãos [...]. 
Referência: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Foral dado a capitania do Brasil que foi dada a João de Barros. 11 de 
março de 1535, Évora. Chancelaria de D. João III, Livro 10, fl. 85. 
❑ João de Barros não conseguiu colonizar de fato a capitania. A primeira expedição financiada pelo donatário em 
sociedade com outros donatários como Aires da Cunha e Fernão Álvares de Andrade, tesoureiro mor do Reino, resultou 
em uma tragédia. Cunha liderou a grande expedição para tomar posse das capitanias e deixou o porto de Lisboa em 
novembro de 1535, oito meses após a doação. No entanto, não conseguiu aportar na primeira capitania de Barros 
devido à defesa empreendida pelos Potiguara. Assim, seguiu para as outras capitanias e, meses depois, naufragou 
na costa do Maranhão. 
❑ O segundo intento financiado por Barros, ocorreu em 1555, quando enviou seus filhos, Jerônimo e João de Barros, 
para explorar as ditas capitanias do pai. Os filhos também não conseguiram tomar posse da “Terra dos Potiguara” e 
seguiram para o Maranhão onde viveram por alguns anos desbravando a costa em busca de metais preciosos sem 
nada encontrar. Nos casos mencionados, a questão da resistência indígena foi decisiva para o fracasso das expedições 
de conquista.

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