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CONTEXTO CIENTÍFICO E APLICABILIDADE CLÍNICA DA FIBRINA RICA EM PLAQUETAS NA REGENERAÇÃO ÓSSEA E TECIDUAL Autor¹ Autor Allana Maria de Souza Barros Anne Carolinne Melo Costa Bianca Becher Nascimento Marcos Sousa Santos Alexandre Hybernon da Silva Filho Eloiza Leonardo de Melo Waldenia Pereira Freire Resumo Introdução: A odontologia contemporânea utiliza biomateriais e técnicas aprimoradas para a reconstrução dos rebordos atróficos. Nessa conjuntura, os concentrados sanguíneos de segunda geração, como a Fibrina Rica em Plaquetas (PRF), destacam-se como coadjuvantes autólogos e eficazes na odontologia. Contudo, a variabilidade nos protocolos de centrifugação ainda representa um desafio para a padronização dos resultados clínicos.Objetivo: Realizar uma revisão de literatura sobre os biomateriais na perio-implantodontia e cirurgia, com foco na Fibrina Rica em Plaquetas (PRF). Metodologia: buscaram-se artigos publicados de 2020 a 2025, através das bases de dados Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), PubMed e Scopus, a partir do uso dos seguintes descritores: “Oral Surgical Procedures”, “Platelet Rich Fibrin” e “Wound Healing” em inglês, conjuntamente com o operador booleano “AND” para as bases PubMed e Scopus, e os mesmos descritores em português, também utilizando o operador booleano “AND” para a BVS. Foram encontrados 40 artigos, os quais foram refinados em 15. Considerações finais: A PRF é um biomaterial autólogo bioativo, que favorece a formação de novos vasos e atua na liberação de fatores de crescimento, contribuindo para a reparação tecidual. Entretanto, no que se refere à regeneração óssea guiada, os resultados ainda são heterogêneos e menos consistentes. Embora alguns estudos demonstrem aumento na formação óssea, outros apontam ausência de diferença estatisticamente significativa em determinados contextos clínicos. Palavras-chave: Fatores de crescimento; Fibrina Rica em Plaquetas; Plasma Rico em Plaquetas; Odontologia 1 INTRODUÇÃO Os biomateriais são fortemente empregados na reabilitação e possuem uma atuação importantíssima para fornecer aumento de volume ósseo; para isso, o uso de materiais autógenos, xenógenos, alógenos e arcabouços, garantem o objetivo final com êxito. Entretanto, a necessidade apresentada pelo sítio doador e fatores do processo de cicatrização, exigiram que as técnicas tornassem- se mais refinadas e o uso dos fatores de crescimento biológicos fossem empregados para que como coadjuvantes, como exemplo das Fibrinas ricas em plaquetas (PRF), realizassem a otimização da resposta biológica (Inchingolo et al., 2024). A reabilitação oral contemporânea não se limita a realizar apenas à substituição dental na implantodontia, abrangendo também a reconstrução do rebordo alveolar a partir de procedimentos cirúrgicos avançados. Conforme enfatizado por, (Arora et al., 2025), métodos como Reconstrução do Rebordo Alveolar (ARR) e a Regeneração Óssea Guiada (GBR), tornam-se indispensáveis para que o objetivo terapêutico prolongue-se para além da substituição de um elemento dental, permitindo, dessa maneira, a remodelação do rebordo alveolar atrófico. A literatura apresenta que após a aplicação de substitutos ósseos é necessário um período de cicatrização alveolar capaz de interferir diretamente na formação do novo osso, este, no entanto é um dos motivos pelos quais os concentrados sanguíneos se destacaram no campo da medicina regenerativa. Esses são obtidos do sangue do paciente e, por isso, os componentes que podem ser observados são, leucócitos, plaquetas, proteínas plasmáticas e fatores de crescimento, sendo estes preparados por diferentes protocolos. Estes aglomerados são, Plasma rico em plaquetas (PRP), Plasma rico em fatores de crescimento (PRGF), Fibrina rica em plaquetas (PRF), (Al-Maawi et al., 2021). A fibrina rica em plaquetas é um composto autólogo de segunda geração, de fácil obtenção, sem adição de compostos bioquímicos ou anticoagulantes. Para que seja obtida, tubos Vacutainer preenchidos por sangue do paciente são levados a centrifugação, sendo essa a etapa indispensável e objetiva para obtenção do material biocompatível. O sangue centrifugado apresenta 3 camadas, o plasma acelular pobre em plaquetas na região superior do recipiente e subjacente a ele, o coágulo de plaqueta rico em fibrina, sendo esse posteriormente separado das demais camadas com auxílio de materiais específicos e, na base do coágulo é possível observar as hemácias. (Goswami et al., 2024). Diante disso, a PRF tornou-se presente na prática clínica devido ao seu potencial de remodelação e integração óssea, capacidades derivadas de suas propriedades osteoindutoras e ou/ osteocondutoras. (Farshidfar et al., 2022). Além disso, o processo de cicatrização e reparo tecidual acelerado está associado a sua composição rica em fatores de crescimento. Assim como, a redução da dor e do sangramento em procedimentos odontológicos também são uma evidência relacionada à empregabilidade da PRF na odontologia. (Vasconcelos; Rodrigues, 2023). É indiscutível a ampla aplicabilidade e os resultados positivos ao uso da PRF, entretanto, a literatura apresenta dificuldade na padronização dos protocolos para se obter o composto sanguíneo. Conforme apresentado por (Dallosto et al., 2022), a inspeção de diferentes métodos de processamento demonstram que alterações na velocidade e no tempo de centrifugação podem impactar substancialmente a qualidade da PRF e de seus concentrados. A necessidade de uma padronização de processamento é necessária para garantir a qualidade do material, que por sua vez, estende-se por diversas áreas e aplicações, como evidenciado em, (Vasconcelos; Rodrigues, 2023). Diante dos fatos apresentados, o presente trabalho tem como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre os biomateriais na perio-implantodontia e cirurgia, com foco na Fibrina Rica em Plaquetas (PRF). 2 METODOLOGIA 2.1 Tipo de estudo: O presente estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura. 2.2 Estratégia de busca: A busca dos artigos foi realizada através das bases de dados, Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), PubMed e Scopus. Foi utilizado os descritores em inglês “Oral Surgical Procedures”, “Platelet Rich Fibrin” e “Wound Healing” conjuntamente com o operador booleano “AND” para as bases PubMed e Scopus, e os mesmos descritores em português, também utilizando o operador booleano “AND” para a BVS. Em ambas as bases foram filtrados artigos dos anos de 2020 a 2025, de idioma inglês e portugues. 2.3 Critérios de inclusão: ● Artigos de revisão ● Artigos de revisão sistemáticas ● Artigos de revisão de escopo ● Artigos de revisão integrativa ● Artigos publicados entre 2020 a 2025 ● Artigos com texto completo disponível ● Artigos de acesso público 2.4 Critérios de exclusão: ● Artigos fora do eixo temático ● Artigos fora do período temporal selecionado ● Artigos indisponíveis para download gratuito 2.5 Processo de seleção Dois avaliadores independentes analisaram os 40 artigos encontrados, em que após a exclusão de artigos duplicados, resultaram em 17 artigos, e em seguida foram aplicados os critérios de inclusão e exclusão, chegando ao número de 15 artigos. Estes foram lidos os títulos e resumos pelos dois avaliadores independentes, passando por resolução de discordância por terceiro avaliador. 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 Plaqueta rica em fibrina Nos últimos anos, estratégias de engenharias de tecido ósseo vem sendo revolucionadas por meio da introdução de conceitos clinicamente relevantes e minimamente invasivos. A exemplo, tem-se o concentrado de plaquetas como o plasma rico em plaquetas (PRP) e a fibrina rica em plaquetas (PRF) que vem ganhando a atenção por promover a ossificação e estimular a cicatrização de enxertosósseos (Farshidfar et al., 2022). A PRF trata-se de uma matriz de fibrina natural robusta que permite a liberação contínua de fatores de crescimento e citocinas por mais de 10 dias potencializando a reparação tecidual. Além disso, é enriquecida com plaquetas, aumenta a atividade da fosfatase alcalina e não tem risco de infecção cruzada (Farshidfar et al., 2022). No tocante, a cicatrização de tecidos moles apresenta melhora significativa, além da redução da dor pós-operatória,e como um concentrado plaquetário totalmente autólogo, um coágulo de PRF também pode auxiliar na hemostasia após extrações dentárias em pacientes que utilizam terapia antiplaquetária ou anticoagulante (Fernandes et al., 2021; Katz., 2024). Os concentrados autólogos de plaquetas e fibrina passaram por três fases de desenvolvimento. A primeira geração corresponde ao plasma rico em plaquetas. Já a segunda geração é representada pelo fibrina rica em plaquetas, que oferece uma matriz tridimensional de fibrina mais consistente. Essa estrutura atua como suporte biológico, favorecendo a liberação progressiva de citocinas, o que potencializa a cicatrização durante a degradação da matriz. Desde sua introdução, o PRF tem sido amplamente empregado em diversas aplicações clínicas. Mais recentemente, foi proposto uma terceira geração que se diferencia das demais pela variação controlada da centrifugação, chamada fibrina rica em fatores de crescimento controlado (Farshidfar et al., 2022). A segunda geração de autólogos em plaquetas possui vários tipos como a fibrina rica em plaquetas de titânio (T-PRF), fibrina rica em plaquetas leucocitária (L-PRF), a fibrina rica em plaquetas avançada (A-PRF), a fibrina rica em plaquetas associada à albumina (Albumin-PRF) e a fibrina rica em plaquetas injetável (I-PRF). Tais modificações surgiram principalmente em função de ajustes nos protocolos de preparo, que podem variar conforme a velocidade e o tempo de centrifugação e tipo de tubo utilizado (Hajibagheri et al., 2025). A L-PRF e T-PRF compartilham parâmetros semelhantes de centrifugação — 2700 rpm por 12 minutos, resultando em um produto sólido — diferenciando-se apenas pelo tipo de tubo empregado na coleta sendo a L-PRF preparada em um tubo de vidro e a T-PRF em um tubo de titânio. Já a A-PRF e a Albumin-PRF possuem velocidade de centrifugação similar (1300 rpm) diferenciando-se apenas no tempo de centrifugação. Já a I-PRF é criada reduzindo o tempo e a velocidade e sua coleta se dá em tubos de plásticos simples sem nenhum anticoagulante (Hajibagheri et al., 2025 ; Farshidfar et al., 2022). 3.2 Efeitos da PRF na cicatrização e regeneração óssea O uso da PRF apresenta como principais benefícios a aceleração do processo de cicatrização e o estímulo à formação óssea nas áreas tratadas, além da redução da dor pós-operatória relatada pelos indivíduos (Arora et al., 2025; Farshidfar et al., 2022). A PRF, por ser obtida de sangue autólogo, biocompatível e fácil de preparar, torna-se uma opção de baixo custo e mais acessível para o paciente. Ademais, sua aplicação pode ajudar na redução e dependência do uso de analgésicos e antibióticos, diminuindo os riscos associados ao seu uso prolongado (Chmielewski, et al., 2025). A associação do PRF a terapias complementares, como laserterapia ou agentes antimicrobianos de última geração, pode resultar em efeitos sinérgicos e otimizar os desfechos clínicos. Além disso, análises econômicas e estudos de custo-efetividade são fundamentais para determinar o real valor do PRF em comparação às abordagens convencionais (Laforgia et al., 2024). A aplicação combinada de PRF e enxertos ósseos autólogos tem demonstrado resultados promissores em termos de redução da reabsorção óssea e aumento do volume e qualidade óssea (Farshidfar et al., 2022). Em uma revisão sistemática e meta-análise, com um total de 455 artigos selecionados, dos quais 41 foram submetidos à revisão sistemática e 21 estudos foram incluídos na meta-análise, a PRF melhorou a cicatrização de tecidos moles, reduziu a incidência de osteocondrite dissecante e diminuiu a dor pós-operatória após extrações dentárias. No entanto, a PRF não demonstrou melhora estatisticamente significativa na consolidação óssea (Hajibagheri et al., 2025). Esses achados estão em consonância com os de Laforgia e colaboradores, 2024, em que as análises mostraram que o PRF reduz significativamente a dor e acelera a cicatrização de feridas, proporcionando uma vantagem considerável em relação à terapia padrão, sem efeitos na estimulação óssea significantes. Nesse contexto, devido à lacuna de estudos e eficácia clínica da PRF quanto ao quadro de regeneração óssea, nos estudos de Arora e colaboradores, 2025, resultados favoráveis foram obtidos com o uso da PRF, tanto de forma isolada quanto associada a biomateriais, em procedimentos de reconstrução do rebordo alveolar (RRA) e regeneração óssea guiada (ROG). Os avanços na engenharia de tecidos introduziram novos métodos para concentrar os fatores de crescimento derivados das plaquetas, com o objetivo de aumentar a concentração de fatores de crescimento e elevar o potencial regenerativo em comparação com o PRF convencional (Farshidfar et al., 2022). Diante disso, técnicas de segunda e terceira geração, como o L-PRF (fibrina rica em plaquetas e leucócitos) por exemplo, foram desenvolvidas para superar as limitações das primeiras versões do PRF, favorecendo a regeneração óssea e tecidual (Fernandes et al., 2021). Seis ensaios clínicos randomizados (ECR) analisados por Wang, Xin e Zhou, em 2024, avaliaram os fatores do L-PRF que contribuem para a prevenção da reabsorção óssea e a cicatrização de feridas. Os resultados do estudo indicaram uma maior porcentagem de formação óssea no grupo L-PRF em comparação com o grupo controle, uma vez que a cicatrização espontânea e a formação de cristas alveolares melhoraram, obtendo efeitos positivos na estimulação óssea. Desse modo, embora a PRF contribua de forma bem definida para a aceleração da cicatrização e para a redução do desconforto pós-operatório, seus efeitos sobre o ganho ósseo alveolar nesses procedimentos são possíveis, porém menos consistentes. Logo, apesar dos achados serem positivos, ainda é necessária a padronização dos protocolos de preparo e aplicação do PRF, a fim de assegurar maior consistência e reprodutibilidade entre os estudos. 3.3 Aplicações da Fibrina Rica em Plaquetas na Odontologia A Fibrina Rica em Plaquetas (PRF) tem sido clinicamente utilizada nas áreas de Cirurgia, Implantodontia e Periodontia como biomaterial bioativo e autólogo adjuvante. Seu emprego está associado ao aumento nas taxas de sucesso de procedimentos reabilitadores, no controle das respostas inflamatórias, na otimização da cicatrização de tecidos moles e ósseos (Al-Maawi et al., 2021; Inchingolo et al., 2024) No que tange ao âmbito da Cirurgia Oral, a literatura analisada evidencia a eficácia da PRF quando aplicada em sítios cirúrgicos, devido a sua capacidade de liberação de fatores de crescimento e citocinas imunomoduladoras de forma sustentada. Esses componentes atuam na modulação da resposta inflamatória, reduzindo o edema e a dor, no processo de angiogênese e na promoção de maior estabilidade ao coágulo (La Rosa et al., 2023; Al-Maawi et al., 2021; Laforgia et al., 2024). Além disso, estudos clínicos concordam com o papel essencial da PRF para uma cicatrização alveolar mais rápida em comparação aos métodos convencionais, como soluções salinas, ZOE, iodofórmio ou Alvogyl, reduzindo a incidência de deiscências de suturas e atrasos na epitelização (La Rosa et al., 2023; Katz et al., 2024). A matriz tridimensional de fibrina funciona como um arcabouço biológico que estabiliza o coágulo sanguíneo e promove a migração celular (La Rosa et al., 2023). Ademais,torna-se viável a aplicabilidade clínica da PRF em cirurgia oral ambulatorial, tendo em vista que esta possui a capacidade de controle do sangramento pós-cirúrgico, especialmente em pacientes com maior risco hemorrágico (Katz et al., 2024). No campo da Implantodontia, tanto o uso isolado da PRF quanto o uso associado aos biomateriais de enxerto ósseo tem sido comumente apontado na literatura. Estudos analisados evidenciaram que, em procedimentos de levantamento do seio maxilar ou em reconstruções ósseas peri-implantares, a incorporação da PRF aos enxertos contribui para a melhora significativa da vascularização da área enxertada e proporciona um ambiente biológico propício à maturação óssea, otimizando o processo de osseointegração dos implantes e reduzindo a presença de material residual nos sítios enxertados (Arora et al., 2025; Inchingolo et al., 2024). De forma complementar, alguns estudos também relataram a redução do tempo clínico necessário para instalação dos implantes como outro benefício do uso da PRF, devido à melhora na regeneração do tecido ósseo. Apesar de nem todos os ensaios clínicos randomizados relatarem diferenças significativas entre os grupos com e sem o uso de PRF, ainda observa-se a PRF como uma ótima estratégia complementar na Implantodontia, tendo em vista sua contribuição para a osseointegração e a manutenção do volume ósseo em processos regenerativos (Enst; Ramenzoni; Schmidlin, 2024). Na área da Periodontia, revisões narrativas e sistemáticas indicaram que o emprego da PRF como material bioadjuvante no tratamento de defeitos infraósseos, recessões gengivais e procedimentos regenerativos demonstraram resultados clínicos promissores (Fernandes et al., 2021; Enst; Ramenzoni; Schmidlin, 2024). Foi observado que a PRF favorece a regeneração dos tecidos moles, contribuindo para a cicatrização dos tecidos de suporte, e, quando associada à técnicas convencionais, resultam em melhores escores periodontais, como ganho de inserção clínica e redução da profundidade de sondagem (Fernandes et al., 2023). Adicionalmente, para além de defeitos periodontais profundos, a PRF também tem sido utilizada em procedimentos periodontais estéticos. Em protocolos de recobrimento radicular, o emprego da PRF apresentou resultados positivos no que se refere cicatrização e ganho de tecido queratinizado, com menos agravos pós-operatórios, se comparado a técnicas que empregam enxertos autógenos (Hajibagheri et al., 2025). Diante do exposto, observa-se que a PRF configura-se como um biomaterial autólogo promissor e versátil na prática odontológica contemporânea, com aplicações consolidadas na Cirurgia Oral, Implantodontia e Periodontia. Contudo, apesar dos resultados favoráveis descritos na literatura, ainda se evidenciam variações metodológicas entre os estudos, especialmente quanto aos protocolos de obtenção e aplicação da PRF, o que reforça a necessidade de ensaios clínicos randomizados bem delineados e padronização dos protocolos 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base na literatura analisada, a fibrina rica em plaquetas (PRF) demonstra benefícios consistentes na aceleração da cicatrização de tecidos moles, na redução da dor pós-operatória e no controle inflamatório em procedimentos odontológicos, especialmente nas áreas de Cirurgia Oral, Implantodontia e Periodontia. Os achados indicam que a PRF atua como um biomaterial autólogo bioativo, favorecendo a angiogênese, estabilização do coágulo e liberação sustentada de fatores de crescimento, o que contribui significativamente para a reparação tecidual. Entretanto, no que se refere ao ganho ósseo alveolar e à regeneração óssea guiada, os resultados ainda são heterogêneos e menos consistentes entre os estudos analisados. Embora alguns estudos demonstrem aumento na formação óssea, outros apontam ausência de diferença estatisticamente significativa em determinados contextos clínicos. Dessa forma, conclui-se que a PRF representa uma estratégia terapêutica complementar promissora na odontologia, sobretudo para otimização da cicatrização e conforto pós-operatório. Todavia, torna-se necessária a realização de novos estudos dos protocolos de preparo e aplicação, bem como a realização de ensaios clínicos com maior rigor metodológico e amostras mais robustas, a fim de consolidar sua eficácia na regeneração óssea. REFERÊNCIAS AL-MAAWI, S.; BECKER, K.; SCHWARZ, F.; SADER, R.; GHANATI, S. Efficacy of platelet-rich fibrin in promoting the healing of extraction sockets: a systematic review. 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