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SEMIOLOGIADACABEÇAE PESCOÇO O exame físico de cabeça e pescoço pode ser dividido de acordo com as estruturas anatômicas dessa região. O exame de cabeça compreende a observação de: 1. Tamanho e forma do crânio 2. Posição e movimentos 3. Superfície e couro cabeludo 4. Exame geral da face 5. Exame dos olhos e supercílios 6. Exame do nariz 7. Exame da cavidade bucal e lábios 8. Exame otorrinolaringológico TAMANHO E FORMADO CRÂNIO Quanto ao tamanho, as variações mais frequentes são: - Macrocefalia: crânio anormalmente grande, cuja causa mais frequente é a hidrocefalia. Outras causas mais raras são acromegalia e raquitismo. - Microcefalia: crânio anormalmente pequeno em todos os diâmetros. Pode ser congênita, hereditária, de causa desconhecida, ou ser decorrente de uma doença cerebral. Quanto à forma, há várias alterações, decorrentes do fechamento precoce (cranioestenose) de uma ou várias suturas: - Acrocefalia ou crânio em torre: a cabeça é alongada para cima, pontuda, lembrando uma torre. É a forma mais frequente de cranioestenose; pode mostrar-se isolada ou associada a outras anomalias esqueléticas; - Escafocefalia: levantamento da parte mediana do crânio, conferindo o aspecto de um casco de navio invertido; - Dolicocefalia: aumento do diâmetro anteroposterior, que se torna muito maior que o transverso; - Braquicefalia: corresponde a um aumento no diâmetro transverso; - Plagiocefalia: é a deformidade que confere ao crânio um aspecto assimétrico, saliente anteriormentede um lado e, posteriormente, do outro. POSIÇÃO E MOVIMENTOS O desvio de posição mais encontrado é o torcicolo (inclinação lateral da cabeça), e os movimentos anômalos mais frequentes são os tiques, que são contrações repetidas, mais ou menos involuntárias, de um determinado grupo de músculos associados. Algumas vezes são de extensão limitada, como o simples piscar de olhos; outras vezes são complexos, multiformes e bizarros. SUPERFÍCIE E COURO CABELUDO A inspeção e palpação do crânio possibilitam a identificação de saliências (tumores, tumefações, bossas e hematomas), depressões e pontos dolorosos. A fontanela anterior fornece informações úteis no exame físico de crianças: se hipertensa e saliente, indica aumento de pressão intracraniana (meningite, hidrocefalia); se hipotensa e deprimida, traduz desidratação. Deve ser analisada a consistência e rigidez da tábua óssea. - na osteomalacia, no raquitismo e na sífilis, pode haver leve afundamento a partir da compressão digital (atrás e acima do pavilhão auricular). Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce EXAME GERALDAFACE Analisa-se simetria, a expressão fisionômica ou mímica facial, a pele e os pelos. Deve-se observar o tipo de rosto do pacientes (fácies). Existem alguns muito famosos e que o padrão pode levar a suspeita de algumas doenças, como por exemplo: hipocráticas (aquele paciente extremamente emagrecido), cushingoide (paciente com um face bem arredondada, em lua cheia) e lúpica (aquela que apresenta uma vermelhidão em forma de “borboleta”). Além da fácies, notar se há edema, paralisia muscular, movimentos involuntários, nódulos/tumores e outras lesões e deformidades. A perda de simetria instala-se em tumefações ou depressões unilaterais (abscesso dentário, tumores, anomalias congênitas). Outra causa frequente: paralisiafacial - há perda completa ou parcial da motilidade voluntária e mímica de um dos lados. Doenças que cursam com processos inflamatórios, como caxumba (acometimento das parótidas) ou hipertrofia de alguns tecidos (hipertrofia de células salivares, no megaesôfago) modificam a configuração facial. A expressão fisionômica denuncia o estado de humor do indivíduo: tristeza, desânimo, esperança, etc. EXAME DOS OLHOS E SUPERCÍLIOS Os olhos não devem ser examinados como órgãos isolados, como se nada tivessem a ver com o restante do organismo. Doenças oculares podem refletir-se em outros setores, da mesma maneira que as de outros sistemas podem ter importantes manifestações nos olhos. Exemplos: o exoftalmo sugere sempre hipertireoidismo e a blefaroptose pode ser uma manifestação de miastenia gravis. Anamnese: Algumas afecções oculares ocorrem com mais frequência em determinadas idades, como, a oftalmia gonocócica neonatal, e o glaucoma congênito, devendo ser diagnosticado precocemente para que haja um tratamento efetivo. Certos tipos de neoplasias intraoculares, como retinoblastoma e o xantogranuloma infantil, aparecem mais frequentemente na infância. Na adolescência, as causas mais comuns de diminuição da acuidade visual são os vícios de refração. No adulto, são mais comuns as lesões de origem profissional, as dacriocistites agudas e crônicas, as conjuntivites e as uveítes. Em torno dos 40 anos, apresenta-se a dificuldade de visão para perto, denominada presbiopia, a qual decorre de um envelhecimento do cristalino. Em idade mais avançada, aparecem os fenômenos de senescência, representados pela catarata, blefaroptose, lesões vasculares e degenerativas da retina. A profissão do paciente deve ser sempre valorizada, pois alguns tipos de trabalho favorecem o aparecimento de certas afecções. Assim, pessoas que trabalham em ambientes fechados, fechados e empoeirados têm maior tendência para apresentar blefarite e conjuntivite. As que trabalham em locais com muito sol apresentam pterígio com mais frequência. Os hábitos alimentares têm importante papel nas afecções carenciais, como a avitaminose A, que causa olho seco, úlcera de córnea, cegueira noturna e transtornos na visão cromática. Os excessos de álcool etílico e de tabaco podem conduzir à diminuição da acuidade visual por lesão desmielinizante do nervo óptico. Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Certas afecções oculares predominam em determinado sexo. Por exemplo, a doença de Leber ou a atrofia congênita do nervo óptico e a doença de Coats (anomalia vascular) ocorrem somente no sexo masculino. Sintomas e sinais: Os principais sintomas das afecções oculares são sensação de corpo estranho, queimação ou ardência, dor ocular, cefaleia, prurido, lacrimejamento, sensação de olho seco, xantopsia, hemeralopia, alucinações visuais, diminuição ou perda da visão, diplopia, fotofobia, nistagmo e escotomas . Exame físico: Além do edema e das alterações de pilificação, podemos observar queda da pálpebra superior (blefaroptose ou ptose palpebral), alteração do globo ocular (exoftalmia: protrusão, microftalmia: globo pequeno, hipertelorismo: afastamento das cavidades orbitárias estrabismo, nistagmo: movimentação involuntária, entre outras). Uma queixa bastante comum é a perda da acuidade visual. Para avaliá-la podemos aplicar o teste de Snellen. Os supercílios são variáveis de um indivíduo para outro, podem sofrer queda (mixiedema, hanseníase, esclerodermia, etc). - Pálpebras: Verificar se há edema, retração palpebral, epicanto, ectrópio (pálpebra voltada para fora), entrópio (voltadas para dentro), equimose, xantelasma (placas amareladas de alto relevo) ou outras alterações. Um achado relevante é a queda da pálpebra (ptose palpebral), uni ou bilateral, que ocorre na paralisia do III par (paralisia do músculo da pálpebra superior), na síndrome de Claude-Bernard-Horner (paralisia do simpático cervical) e na miastenia gravis. O não fechamento dos olhospor paralisia do músculo orbicular das pálpebras (lagoftalmo, sinal de Bell) aparece na paralisia facial periférica. - Fendas palpebrais: Variam conforme etnias e podem estar normais, aumentada (exoftalmia), diminuída ou ausente (ptose), ou substituída por prega cutânea (mongolismo). - Globos oculares: podem-se verificar as seguintes alterações: A) Exoftalmia: protrusão do globoocular, unilateral (tumores oculares e retro-oculares) ou bilateral (hiper tireoidismo) B) Enoftalmia: globo ocular afundado para dentro da órbita com diminuição da fenda palpebral. Ocorre na Sd. De Claude-Bernard-Horner (geralmente unilateral) ou desidratação (bilateral). C) Desvios: constituem os estrabismos. Divergente: se globo ocular se desvia lateralmente (paralisia do reto medial, paralisia do III nervo); convergente: desvio medial por paralisia do reto lateral (VI par). Fabi Realce Fabi Realce D) Movimentos involuntários: o mais frequente é o nistagmo - abalos do globo ocular e oscilações rápidas e curtas de ambos os olhos. Pode ser no sentido horizontal, rotatório ou vertical e é mais perceptível quando o paciente olha para os lados e para longe. Apresenta as formas congênita (geralmente de causa ocular) ou adquirida (decorre de doenças do labirinto, cerebelo, tronco cerebral ou intoxicação alcoólica. - Aparelho lacrimal: A inspeção pode detectar aumento de volume da glândula lacrimal, que se situa na parte externa da pálpebra superior, cujas causas principais são as afecções inflamatórias (dacrioadenites) e as neoplasias. Para reconhecer pequenos aumentos de volume, é necessário levantar a pálpebra do paciente, com a solicitação de que ele olhe para baixo e para dentro. Pela palpação, avaliam-se a consistência, a profundidade e a sensibilidade das glândulas lacrimais. O lacrimejamento em excesso, denominado epífora, pode ser causado por excessiva formação de lágrimas ou por obstrução das vias de excreção. Quando situada em um ponto lacrimal, a obstrução pode ser causada por atresia, eversão, corpo estranho e, às vezes, pelos próprios cílios. A exploração dos canalículos, do saco lacrimal e do conduto nasolacrimal deve ser feita por inspeção, palpação (compressão do saco lacrimal) e por meios especiais, tais como sondagem, lavagem e radiografia contrastada. A inspeção permite observar tumefação e vermelhidão, alterações comuns na dacriocistite aguda. Na palpação do saco lacrimal, deve-se verificar se há refluxo de secreção mucopurulenta. Quando isso ocorre, significa que o conduto nasolacrimal está obstruído. - Conjuntivas: Normalmente são róseas, com observação da rede vascular levemente desenhada. Tornam-se pálidas nas anemias, amareladas na icterícia, e hiperemiadas nas conjuntivites. Também deve-se investigar a presença de secreções. A vermelhidão ocular é comum e apresenta várias causas: traumas, infecções, alergias, e aumento da pressão intraocular (glaucoma). Crises de tosse intensa ou vômitos podem ocasionar hemorragia conjutival. Causas de hiperemia conjuntival: A) Conjuntivite - dilatação difusa dos vasos, que tende a ser máxima na periferia do olho; B) Infecção da córnea, irite aguda e glaucoma agudo - aparecimento de vasos radiais em torno do limbo (congestão ciliar); C) Hemorragia subconjuntival - área vermelha homogênea nitidamente marcada que, após alguns dias, se torna amarelada e, em seguida, desaparece. Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce - Esclerótica, córnea e cristalino: Deve-se buscar alterações da cor (escleróticas amareladas na icterícia, arco senil) e das outras características dessas estruturas. Não se deve confundir a coloração amarelada que aparece na esclerótica de pessoas de cor negra. Esta se deve à presença de gordura subconjuntival e caracteriza-se por ser desigualmente distribuída, quase sempre em manchas ou placas. As cataratas, que tornam opaco o cristalino, aparecem a olho nu como áreas esbranquiçadas no interior das pupilas. O pterígio é um espessamento da conjuntiva bulbar que cresce na superfície externa da córnea. - Pupilas: Deve-se observar: A) Forma: normalmente arredondadas ou levemente ovaladas; B) Localização: centrais; C) Tamanho: variável de acordo com a claridade do ambiente (midríase - pupila dilatada; miose - pupila contraída; anisocoria - pupilas de tamanho desigual; D) Reflexos: estudam-se os reflexos fotomotor (contração pupilar à luz), consensual (contração pupilar de um lado pela estimulação luminosa no outro olho) e de acomodação - convergência (contração das pupilas e convergência dos globos oculares à medida que se aproxima do nariz um foco luminoso) - Cristalino: O cristalino é uma pequena lente transparente situada entre a íris, à frente, e o vítreo, atrás, presa ao corpo ciliar por um conjunto de fibrilas - a zônula. Com a pupila em midríase, o exame é realizado com lâmpada de fenda. Porém, na falta desta, uma boa iluminação permite perceber as alterações mais grosseiras. Em relação à posição do cristalino, pode-se encontrá-lo deslocado (luxado), o que ocorre, às vezes, na síndrome de Marfan e nos traumatismos oculares. - Movimentação ocular: É testada solicitando-se ao paciente movimentar os olhos para os lados, para cima e para baixo. EXAME DO NARIZ Anamnese: Em doenças das fossas nasais, são encontradas várias correlações com idade, sexo, profissão, antecedentes e condições socioeconômicas. Como exemplo, é possível citar a ozena, que se instala com mais frequência no sexo feminino e, quase sempre, na puberdade. A origem étnica confere formato especial às narinas: elípticas em indivíduos brancos e alongadas no sentido transversal em pessoas negras. Os desvios do septo nasal são mais comuns na raça branca. O formato do dorso nasal confere ao nariz características especiais: nariz grego (quando não existe a depressão ou sulco nasofrontal), nariz aquilino (em forma de bico de águia), nariz arrebitado, no qual a ponta é virada para clima. A criança não apresenta sinusite frontal até os 5 a 7 anos de idade, época em que se inicia o desenvolvimento dos seios frontais. Ambientes de trabalho poluídos, nos quais há inalação de Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce poeiras de qualquer natureza (minas de carvão, pedreiras, padarias, vapores irritantes em laboratórios: formol, enxofre, ácido clorídrico), acarretam rinites agudas ou crônicas. As emanações de gases tóxicos (gás carbônico, hidrocarbonetos, anidrido sulfuroso) e de micropartículas das fuligens provenientes das fábricas ou usinas de indústrias químicas de variada natureza, das refinarias de petróleo e da combustão dos veículos motorizados a gasolina ou a óleo diesel acarretam poluição atmosférica em escala crescente e alarmante nos grandes centros urbanos. As barreiras naturais de defesa das vias respiratórias terminam por serem vencidas e o ar poluído deixa seus resíduos tóxicos ao longo das fossas nasais, laringe, traqueia e brônquios, causando processos inflamatórios crônicos de difícil tratamento. Sintomas e sinais: Na clínica do nariz e das cavidades paranasais, os principais sintomas são: obstrução nasal, rinorreia, espirros, alterações do olfato e da fonação, dor, dispneia, epistaxe e ronco. Exame físico: A inspeção pode mostrar diferentes tipos de nariz, de acordo com a direção do dorso da pirâmide nasal: nariz reto, grego, no qual não existe o sulco nasofrontal e o dorso prossegue diretamente com a testa; aquilino, recurvado como o bico da águia; e arrebitado, aquele em que a ponta é virada para cima. A inspeção possibilita também que as deformações de origem traumática (fraturas) ou decorrentes de destruição das cartilagens nasais e/ou partes ósseas sejam reconhecidas. À inspeção externa, também é possível evidenciarem-se deformidades não patológicas e alterações indicativas de lesões de diversas etiologias (rinofima - espessamento da pele, que fica vermelha e brilhante). Goma sifilítica. Pode provocar o nariz em sela, com sua depressão característica na base, por destruição dos ossos próprios e do septonasal. Leishmaniose. Pode destruir as narinas, lábio superior e pirâmide nasal, adquirindo o aspecto de focinho de anta. Hanseníase. A pirâmide nasal se alarga e a face apresenta infiltrações nodulosas, adquirindo o clássico aspecto leonino. Hipotireoidismo. Provoca infiltração mixedematosa difusa e característica da face. Hipertrofia de vegetações adenoides. Obriga a uma respiração bucal permanente e consequentes deformações dos traços fisionômicos, constituindo-se a chamada fácies adenoides: boca entreaberta, lábio superior levantado, fisionomia inexpressiva, tendência a babar, prognatismo do maxilar superior. Rinoscleroma. Doença infecciosa (bacilo de Frisch) crônica e progressiva, rara no Brasil, que acarreta infiltração hipertrófica e densa da mucosa nasal, com tendência a invadir as narinas e a pirâmide nasal, que se alarga. Abaixo, outras alterações identificadas à inspeção nasal são listadas: Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce Hipertrofia do nariz - mixiedema e acromegalia; Nariz em sela - deformação quase sempre congênita determinada por sífilis contraída intrautero; Lesões destrutivas - etiologia neoplásica/inflamatória. Blastomicose, hanseníase; Rubincudez (nariz vermelho) - alcoolismo, rinofima, acne rósea e LES; Batimentos das asas do nariz - pneumonias e outras afecções agudas; Deve-se observar se há corrimento ou fluxo nasal e anotar suas características. Deve-se testar a permeabilidade de cada narina. Para isso, oclui-se uma narina comprimindo-se suavemente sua parede lateral e pede-se para o paciente inspirar. A seguir, faz-se uma palpação sobre os seios paranasais frontal e e maxilar. A presença de dor levanta suspeita de sinusite. A palpação permite reconhecer as crepitações e desnivelamentos deparados nas fraturas da pirâmide nasal e do maciço ósseo facial, assim como o volume e a consistência de tumorações e os pontos dolorosos encontrados nas diversas mo dalidades de sinusites e neuralgias faciais. • Rinoscopia O exame das fossas nasais faz-se por intermédio da rinoscopia anterior e da posterior. O segredo do exame das fossas nasais é o posicionamento adequado da cabeça, que deve ficar inclinada para trás. Uma pequena lanterna, com um bom foco de luz, é suficiente para avaliar as características da mucosa, que, em condições normais, é de cor vermelho-opaca, úmida, com superfície lisa e limpa. A presença de secreção (aquosa, turva, purulenta, sanguinolenta) é um dado importante no diagnóstico. Avalie o septo e eventuais estruturas anormais (crostas, pólipos, neoplasias, corpo estranho) . A rinoscopia anterior consiste em afastar a asa do nariz por meio de um espéculo nasal, cujas válvulas são introduzidas no vestíbulo. Na criança, devido ao aspecto agressivo e provocador de dor do espéculo nasal, podemos recorrer ao espéculo auricular para realizar a rinoscopia anterior. Durante o procedimento, observam-se os cornetos nasais e seus respectivos meatos, o septo nasal, o assoalho da fossa nasal e a fenda olfatória (entre a cabeça do cometo médio e o septo) e comprova-se a existência de exsudatos, pólipos, neoplasias, hipertrofia de cometos, desvios do septo e corpos estranhos. EXAME DACAVIDADE BUCALE LÁBIOS A cavidade bucal apresenta um conjunto de estruturas banhadas pela saliva, tem microbiota própria de grande potencial defensivo e desempenha importantes funções referentes à mastigação de alimentos e à fonação. As manifestações clínicas das afecções da cavidade bucal e de seus anexos são muito variadas, em função da complexidade estrutural desta região. Anamnese Dentre os sintomas, destacam-se a dor e a halitose. Outras manifestações clínicas relacionam-se às infecções da cavidade bucal, das glândulas salivares e da articulação temporomandibular. Exame físico Para o exame da cavidade bucal, necessita-se, em primeiro lugar, de boa iluminação. O paciente deve estar correta e confortavelmente sentado para que haja bom acesso a todas as áreas da boca. O médico coloca-se de frente, do lado direito ou à esquerda do paciente, fazendo o exame dos lábios, bochechas, soalho da boca, palato duro e mole, língua, dentes e mucosa alveolar. Utilizam -se espátulas de madeira, afastador bucal e gaze para prender e tracionar a língua. Se o paciente estiver utilizando prótese dentária removível, ela deve ser retirada antes do exame. A técnica de palpação varia de acordo com a região a ser examinada, podendo ser digital ou bidigital (com dedos de uma ou de ambas as mãos) ou digitopalmar. Os tecidos são suavemente pressionados entre as pontas dos dedos ou entre os dedos e a palma da mão, e, às vezes, contra os ossos subjacentes. O exame deve iniciar-se com avaliação das condições gerais da boca do paciente. Esta apreciação inclui higiene bucal, condição dos dentes, ocorrência de lesões dos tecidos moles, uso de aparelhos protéticos, falta de dentes, manifestação de tártaros (cálculos salivares) e halitose. Depois desta avaliação geral, é feito o exame de cada uma das estruturas anatômicas, a começar pelos lábios. - Exame dos lábios Os lábios devem ser inspecionados e palpados para se averiguar coloração, forma, textura, flexibilidade, assim como presença de lesões. Quanto à cor, investigar se há palidez ou cianose. A anomalia congênita mais frequente é a fenda labial com aspecto e localização variados. Deve-se observar, ainda, a presença de edema, sendo comuns o edema alérgico aí localizado, herpes labial, lesões ulceradas (blastomicose, leishmaniose), leucoplasias e neoplasias. A lesão inflamatória das comissuras labiais (queilite) pode ser devida à exposição excessiva à luz solar, deficiência nutricional, candidíase, etc. As rachaduras labiais são comuns em pessoas que respiram pela boca e em idosos. É preciso estar atento à eventual presença de movimentos involuntários, especialmente tremor. - Mucosa Oral: Em condições normais, a mucosa da cavidade oral tem uma coloração róseo-avermelhada mais homogênea que a da língua. A afecção mais encontrada no exame da cavidade oral é a estomatite. Esta designação abrange todos os processos inflamatórios da mucosa bucal. O mais comum é a estomatite aftosa (ou afta). Em crianças, encontra-se frequentemente a estomatite por monilíase (sapinho). Há também estomatites como a tuberculosa, sifilítica e herpética. A pigmentação na mucosa da cavidade oral pode não ser patognomônica de doenças. Lesões de mucosa oral também podem estar presentes em doenças exantemáticas (rubéola, escarlatina, varicela). Podem ser observadas ainda lesões tumorais, perfuração do palato e malformações congênitas (dentes supranumerários, fenda labial). A infecção mais comum dos lábios é o herpes simples labial, que aparece com vesículas ou grupo de vesículas. A) Mucosa bucal (bochechas). É necessário inspecionar a mucosa das bochechas desde a superfície anterior junto da comissura labial até o fórnix do vestíbulo oposto à tuberosidade do maxilar. A bochecha deve ser afastada com o auxílio de uma espátula de madeira para que se possa ter uma visão de toda a sua superfície. A palpação é feita com o dedo polegar para fora da bochecha e o dedo indicador na boca. O médico deve ser cuidadoso na palpação das estruturas profundas, pois lesões podem estar presentes neste tecido frouxo, sem que apareçam externamente ou sejam notadas pelo paciente; B) Mucosa do sulco vestibular. O sulco vestibular representa a região entre as mucosas bucal e labial e a mucosa alveolar. Para visualizar esta área, o paciente abre a boca e, com o uso de uma espátula, afasta a bochecha, sendo possível examinar a mucosa alveolar, a gengiva inserida e livre. Observam-se a cor, a textura, os contornos das gengivas e as alterações patológicas. A palpação é feita com o dedo indicador comprimindo a mucosa contra os ossos da mandíbula e maxila. C) Soalhoda boca. Para fazer a inspeção do soalho da boca, o paciente abre bem a boca e coloca a língua para cima e para trás. O exame da parte posterior é feito com o auxílio de uma espátula de madeira para deslocar a língua lateralmente. A palpação deve ser bimanual, com o dedo indicador de uma das mãos deslizando sobre o soalho, acompanhado externamente pelos dedos da mão oposta. O paciente deve estar com a cabeça e a mandíbula ligeiramente voltadas para baixo, a fim de se conseguir o máximo relaxamento dos músculos do soalho da boca. As estruturas que podem ser examinadas são: glândulas sublinguais e ductos, parte superior das glândulas submaxilares e duetos e freio lingual. - Glândulas salivares Para o exame das glândulas salivares, usam-se a inspeção, a palpação e a análise da secreção salivar. À inspeção, com o auxílio de uma espátula de madeira, localiza-se a abertura dos ductos das glândulas salivares. Para isso, pede-se ao paciente que abra a boca, procurando na mucosa bucal (bochecha), no nível da coroa do segundo molar superior, uma pequena elevação que é o orifício terminal do ducto parotídico. No paciente com a boca aberta e a ponta da língua no palato duro, é possível observar, de cada lado do freio lingual, 2 pequenos orifícios em que desembocam os duetos submandibulares. Ao lado, notam-se 2 elevações, as papilas sublinguais, nas quais se podem ver os orifícios terminais dos condutos excretores das glândulas sublinguais (ductos de Rivinus). A palpação da glândula parótida é realizada com as porções digitais dos dedos de uma mão, com a outra mão na cabeça do paciente, fazendo com ela pequenos movimentos para relaxar os músculos. A palpação da glândula submandibular é bimanual. Para isso, introduz-se 1 ou 2 dedos na boca, ficando a outra mão para fora, sobre a região submandibular, em sua superfície posterior. As demais glândulas salivares são difíceis de palpar. A palpação fornece informações sobre consistência, sensibilidade, limites, flutuação, mobilidade, temperatura e ocorrência de massas nas glândulas. Observe se a saliva é clara, viscosa, gelatinosa ou purulenta. As principais alterações são: sialorreia nas estomatites, intoxicação mercurial, raiva, estados nauseosos e eliminação de certos iodetos; hipossalivação nas doenças febris, diabetes, cólera, diarreias graves, uso de diuréticos e radioterapia em tumores de cabeça e pescoço. - Gengivas Se normais, têm coloração róseo-avermelhada, são firmes e não apresentam lesões. Palidez pode indicar anemia. Cianose traduz aumento de hemoglobina reduzida. Anormalidades importantes: icterícia, hipertrofia, hemorragias (gengivite), aftas, atrofias, ulcerações, retração, pigmentação e edema. - Palatos duro e mole Em condições normais, o formato do palato é arredondado, tornando-se ogival nos pacientes que respiram pela boca. Para a inspeção da superfície palatina, o paciente deve: ficar com a cabeça ligeiramente fletida para trás. A mucosa do palato, firmemente aderida ao osso subjacente, apresenta queratinização, razão da sua coloração róseo-pálida com matiz cinza-azulado. Na linha média do palato, há uma linha estreita de cor esbranquiçada, denominada rafe palatina. Na porção anterior, situam-se as pregas palatinas transversais e a papila palatina, situada atrás dos incisivos centrais, tendo aspecto piriforme. Para a palpação dessa região, solicita-se ao paciente abrir a boca e, com a polpa digital do dedo indicador, densidade, textura e alterações são verificadas. - Dentes Para a inspeção dos dentes, solicita-se ao paciente abrir bem a boca, e, com o auxílio de uma espátula de madeira, afastam-se a mucosa bucal (bochechas) e os lábios. Examina-se desde o último molar do lado direito até o último molar do lado esquerdo. Reinicia-se no último molar do lado esquerdo e termina-se no último molar do lado direito. Para visualizar a arcada dentária superior, o paciente deve inclinar a cabeça para trás. Pela inspeção, somente se consegue observar as coroas dos dentes. O exame completo de um dente apenas é possível por meio de radiografias das arcadas dentárias. No exame dos dentes, é fundamental considerar os seguintes aspectos: cor e manchas, tamanho, formato, estrutura anatômica, número, erosão, abrasão, fraturas, macrodontia e cáries dentárias. A palpação é feita com os dedos indicador e polegar "em pinça'' e serve apenas para verificar a mobilidade dental. A) Dentes cariados: perda mais ou menos abundante de tecido dentário; B) Hipoplasia do esmalte: estrias horizontais decorrentes de perturbação metabólica - raquitismo; C) Dentes de Hutchinson: incisivos laterais superiores, com perda dos ângulos - sífilis congênita. - Língua O paciente abre a boca e deixa a língua em repouso, podendo-se, então, obter uma noção do tamanho e verificar a ponta da língua e suas bordas laterais com relação aos dentes. A seguir, para se conseguir a inspeção da maior superfície. possível, pede-se ao paciente que coloque a língua para fora, e, com uma gaze entre o indicador e o polegar, o médico traciona-a delicadamente, de modo que sua superfície lateral, base e superfície dorsal possam ser visualizadas. Puxando a ponta da língua para cima, ou pedindo ao paciente que encoste a ponta da língua na porção anterior do palato duro, é possível fazer a inspeção de sua superfície ventral. A palpação bidigital da língua é feita puxando-a para fora com a mão esquerda, como se fosse uma "pinça”, enquanto a mão direita, com os dedos polegar e indicador, procura verificar a consistência e eventuais alterações. Os movimentos intrínsecos e extrínsecos, horizontais, verticais e circulares da língua são executados pelo paciente por solicitação do médico. A) Língua saburrosa: caracteriza-se pelo acúmulo de uma substância branco-acinzentada ou amarelada na sua superfície. - higiene bucal precária, estados febris, tabagistas, pessoas desidratadas, pessoas saudáveis ao despertar. B) Língua seca: constitui-se por ausência de umidade; a saburra pode coexistir. - desidratação (vômitos, diarreia), respiração pela boca, medicamentos, febre e ansiedade. C) Língua lisa: deve-se a atrofia de papilas - anemia, desnutrição proteica. D) Língua pilosa: pelos consistem em alongamento das papilas; cor varia de amarelada a preta. - antibioticoterapia, tabagismo, infecções. E) Língua de framboesa: superfície vermelho-brilhante e granular. - escarlatina. F) Língua geográfica: áreas irregulares, nitidamente delimitadas por bordas esbranquiçadas. - estresse emocional. G) Língua escrotal: sulcos irregulares que lembram a pele do escroto, língua fendida é forma acentuada da língua escrotal. - deficiência de vitamina B. H) Macroglossia: aumento da língua. - hipotireoidismo, acromegalia, amiloidose. I) Língua trêmula: hipertireoidismo, alcoolismo, parkinsonismo. J) Desvio da língua da linha mediana: hemiplegia, lesões do hipoglosso. K) Glossite: inflamação generalizada da língua, vermelhidão. L) Lesões da língua: pigmentação azulada (Addison), equimose (doenças traumáticas, sanguíneas), leucoplasias - placas esbranquiçadas, lisas e duras (pré cancerosas), aftas, cicatrizes, membranas brancas frouxas (candidíase), hemangioma. - Articulação temporomandibular O exame da articulação temporomandibular compreende a inspeção, a palpação e a ausculta da região correspondente em repouso e durante os movimentos. É necessária uma sequência sistemática e completa, incluindo a abertura da boca, o deslocamento dos processos condilares nas fossas articulares e a avaliação da musculatura da articulação. Para a inspeção, o médico fica em frente ao paciente e solicita que ele abra e feche a boca lentamente. Avalia-se, então, o grau de abertura da boca, que, em pessoas normais, deve alcançar, entre as bordas dos dentes incisivos superiores e inferiores, 35 a 55 mm. Neste movimento de abrir e fechar a boca, é possível observar se existem ou não desvioda articulação e sinais de tumefação. A palpação inicia-se pelos processos condilares, procurando-se verificar as condições de deslizamento, anotando-se as alterações na excursão, ocorrência de dor e ruídos. EXAME OTORRINOLARINGOLÓGICO Anamnese Nas doenças dos ouvidos, a relação médico-paciente apresenta especial importância em casos de surdez acentuada. O médico deve ser muito paciente e cordial durante a anamnese e o exame físico. Não se deve firmar um diagnóstico de surdez irreversível, progressiva e sem qualquer esperança de pelo menos deter a evolução, sem que tenham sido esgotados todos os recursos propedêuticos para a individualização de possível fator etiológico. Muitas vezes, a prescrição de um medicamento inócuo, que visaria deter a progressão de uma deficiência auditiva, proporciona tranquilidade e paz de espírito a um paciente tenso e altamente preocupado com a sua audição. Na história clínica dos pacientes com doenças dos ouvidos, há uma série de elementos, corno idade, sexo, profissão, hábitos de vida e condições socioeconôrnicas, que podem apresentar importantes relações com as diferentes doenças dos ouvidos. A surdez por otosclerose surge na mocidade, geralmente entre os 20 e os 40 anos, enquanto a presbiacusia é a surdez que se instala na idade avançada, em geral, após os 70 anos. A otite média serosa incide de maneira marcante na criança até os 10 anos de idade. A doença de Méniere é mais comum na quarta e quinta décadas da vida. Em cada três pacientes com surdez por otosclerose, dois são do sexo feminino. A gravidez agrava a surdez em 50% das pacientes com otosclerose. Em 50% dos pacientes portadores de surdez por otosclerose, encontram-se antecedentes familiares de surdez. Nos ambientes profissionais ruidosos, corno oficinas de tecelagem e metalurgia, fábricas de avião a jato, serralherias e arsenais de construção naval, a intensidade sonora atinge de 90 a 120 decibéis, o que pode acarretar lesões irreversíveis no órgão de Corti e surdez consequente. Há predisposição individual nítida ao trauma sonoro. As complicações das otites médias incidem com maior frequência em pacientes de baixas condições socioeconôrnicas, que dão menor valor aos sintomas e, com frequência, procuram o médico tardiamente, além de viverem em más condições higiênicas, predisponentes ao agravamento das infecções. Sinais e sintomas Os principais sintomas das doenças do ouvido são a otalgia, a otorreia, a otorragia, o prurido, os distúrbios da audição ( disacusias ), os zumbidos e a vertigem. Exame físico A investigação semiótica do aparelho auditivo pode ser dividida em exame físico e avaliação funcional. A exploração física consiste na inspeção externa, palpação e otoscopia. • Inspeção A inspeção possibilita reconhecer os processos inflamatórios e neoplásicos do pavilhão da orelha, os cistos, as fístulas congênitas (coloboma), as reações edematosas da região mastóidea no decurso da mastoidite aguda e da furunculose do meato acústico externo, os corpos estranhos, as rolhas ceruminosas e os pólipos do mesmo meato acústico e as malformações congênitas da orelha externa. • Palpação A palpação fornece elementos de valor na orientação diagnóstica pela comprovação de pontos dolorosos à pressão do antro mastóideo nas mastoidites agudas, assim como do pavilhão da orelha nas otites externas agudas. Poderá, ainda, revelar reações linfonodais periauriculares nos processos infecciosos das orelhas externa e média. • Otoscopia A otoscopia consiste no exame do meato acústico externo e da membrana do tímpano, por intermédio de um espéculo auricular. Se o meato acústico apresentar rolha ceruminosa, descamação o epitélio ou secreções, deve ser realizada, previamente, uma limpeza cuidadosa, a fim de se proceder ao exame da membrana do tímpano, que normalmente tem cor cinza perolada, e se localiza no fundo do meato acústico externo. Ao examinar a membrana do tímpano, percebe-se nitidamente a saliência do cabo do martelo, acima do qual se encontra a porção flácida da membrana de Shrapnell. Da extremidade inferior do cabo do martelo ou umbigo da membrana do tímpano, dirigindo-se para diante e para baixo, verifica-se um triângulo luminoso, formado pela reflexão dos raios luminosos. Fabi Realce Fabi Realce Fabi Realce