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Hemorragias de 2º e 3º trimestre Rotinas: As hemorragias no 3o trimestre costumam atingir cerca de 3% das gestantes. As principais causas desses sangramentos são decorrentes de placenta prévia (PP) e de descolamento prematuro da placenta (DPP). Realizar um minucioso exame vaginal por meio do exame especular e inspeção para descartar qualquer lesão nessa região como causa do sangramento. Causas de sangramento no 3º trimestre: Descolamento prematuro de placenta Placenta prévia Ruptura uterina Vasa prévia Ruptura do seio marginal Placenta circunvalada ou bilobada Síndrome de HELLP Fígado gorduroso agudo Embolia amniótica Feto morto retido Modificações plásticas do colo Causas não obstétricas Hematopatias Patologias cervicais (erosão, ectopia, pólipos, displasias, carcinomas) Patologias vaginais (lacerações, vaginites, varizes) Placenta Prévia Toda inserção placentária no segmento inferior do útero - Sangramento de grande intensidade - Sangramento vermelho-vivo Rezende: Classificação Placenta prévia centro-total: orifício cervical totalmente obstruído pela placenta. Placenta prévia centro-parcial: parte da placenta recobre parcialmente o orifício cervical. Placenta prévia marginal: porção da placenta alcança o orifício cervical, sem passar dele. Placenta prévia lateral ou baixa: a implantação encontra-se no segmento inferior. (Cara, eu realmente não sei de onde o Paulo Afonso tirou essa 5ª classificação!!!) 1. centro-total = obstrução mecânica total. feto morto. Via alta 2. centro-parcial = depende da obstrução, retirada imediata para sangramento intenso 3. marginal = não tem obstrução, retirada imediata para sangramento intenso 4. lateral = não tem obstrução, quase não tem sangramento, quase não muda prognóstico 5. cesárea Incidência: nulíparas 1:5 multíparas Acima de 35 anos aumenta 3x a frequência Rotinas: A placenta prévia é diagnosticada em 1 a 6% das US realizadas entre 10 e 20 semanas de gestação; no 3º trimestre, 90% desses casos se resolvem Etiologia primitiva: nidação ocorre tardiamente no colo secundária: nidação em tempo normal mas migra para colo devido à endometrite Rotinas: Dano endometrial: — Cesáreas prévias (10% após 4 ou mais); — Multiparidade (0,2% nulíparas vs. 5% multíparas); — Idade > 40 anos; — Após abortos, curetagens, biópsias; — Endometrites anteriores. Baixa nutrição/oxigenação placentária com necessidade de amplitude de superfície: — Fumantes; — Residentes em altas altitudes; — Gestação múltipla — Isoimunização Rh. Outras associações, como fetos do sexo masculino e raça asiática. Patologia da hemorragia: Teoria da distensão segmentária (Jacquemier): placenta não acompanha o crescimento do útero, ocorrendo descolamento Teoria do deslizamento (Schoder): migração placentária Quadro clínico: Hemorragia indolor, vermelho rutilante, sem causa aparente, caráter cíclico, início pequeno, com poucos coágulos, anemia aguda, hipotensão arterial, pulso rápido. Rotinas: O principal sintoma é a hemorragia, com características peculiares: de último trimestre, sem causa aparente, indolor, reincidente, progressiva, com início e cessar súbitos. A perda sanguínea normalmente não é intensa, mas às vezes é encontrada uma grande quantidade de sangue vivo rutilante e coagulado. O primeiro episódio ocorre normalmente na 28ª semana e, em geral, é repetido. Em cerca de 10%, há certa dor inicial devido ao descolamento de placenta concomitante, e em alguns casos ocorre trabalho de parto espontâneo. Sinais físicos: Palpação: má acomodação do feto, massa espessa e depressível na região supra-púbica, apresentação pélvica em 16%, apresentação cefálica alta. Ausculta: sopro placentário, BCF inalterado Toque: tecido esponjoso no segmento inferior separando-o da apresentação Diagnóstico Anamnese, quadro clínico, exame físico, USTV (vai dizer qual tipo é). Rotinas: Complicações A principal complicação da PP é a hemorragia grave, com choque e morte materna. Há aumento da morbidade materna, hemorragia maciça, placenta acreta e histerectomias quando a placenta prévia está associada à cesárea anterior. Outras complicações associadas à placentação baixa são o DPP, o CIUR e a placentite. Em relação ao feto, há aumento da prematuridade e da hemorragia fetal, com incremento na morbimortalidade perinatal. Diagnóstico diferencial: Ruptura do seio marginal, inserção velamentosa do cordão (vasos ramificam antes de chegar na placenta), DPP Todo eles causam sangramento Tratamento: Conservador (marginal e lateral), parto vaginal, cesariana (parcial ou total) Rotinas: Conduta expectante – gestações < 36 semanas de IG, hemodinamicamente estáveis e sem sofrimento fetal. Em caso de < 34 semanas, esquema de corticoide para maturação pulmonar. Conduta ativa – Com > 36 semanas gestação, indica-se a interrupção da gravidez. Na presença de sangramento intenso que leve a um risco materno e/ou fetal, a interrupção da gestação é mandatória. A cesariana é a via de escolha na PP. Seguimento: Repouso e abstinência sexual Descolamento prematuro de placenta (DPP) Descolamento da placenta normalmente inserida que ocorre da 20ª semana até o momento do parto. Também chamado de abrupto placentae, apoplexia uteroplacentária, síndrome de couvelaire, acidente de baudelocque, descolamento placentário precoce ou intempestivo, eclâmpsia hemorrágica Rotinas: observada em 1 a 2 de cada 100 nascimentos, mas apresenta um grande impacto sobre a mortalidade materna (1 a 2%), sobre a mortalidade perinatal (40 a 80%), sobre a incidência de nascimentos prematuros (5,1%) e sobre casos de crescimento intrauterino restrito. Fatores predisponentes: Hipertensão arterial sistêmica Pré-eclâmpsia/eclâmpsia Multiparidade DPP anterior Tabagismo Uso de cocaína e crack Desnutrição materna/deficiência de ácido fólico Trombofilias Brevidade do cordão absoluta ou relativa (por circulares) Trauma materno (automobilístico, agressão física) Descompressão uterina rápida (ruptura de membranas em paciente com polidrâmnio, após parto de primeiro gemelar) Implantação placentária sobre anomalia uterina/mioma O principal fator associado ao DPP é a hipertensão arterial, seja ela associada à pré-eclâmpsia ou à hipertensão crônica. [Rezende: 50% dos casos]. Inicidência: Mais em multíparas e em baixa condição socio-econômica Etiologia: Teoria mecânica: qualquer trauma Teoria anafilática: consequente à reação anafilática de sensibilização à determinadas substâncias Teoria endócrina: elevação abrupta dos estrogênios Teoria nutritiva: deficiência de vit K ou C Teoria toxêmica (a mais aceita): lesões vasculares da circulação decíduo-placentária + hipertonia uterina Fisiopatologia 1. Alterações locais: - Uterinas: hipertonia uterina - Placentárias: hematoma retroplacentário, prolapso de placenta 2. Alterações gerais: coagulopatia - degradação do fibrinogênio Necrose isquêmica renal Necrose hipofisária: sd de Sheehan Quadro clínico: Dor súbita e localizada, ausência de movimentos fetais, perda de sangue via vaginal (coágulos escuros), corpo uterino lenhoso ou tetânico, escuta fetal geralmente negativa, ao toque vaginal bolsa das águas tensa, estado de pré-choque ou choque Rotinas: quadro clínico manifesta-se por sangramento vaginal (80% dos casos), dor abdominal de intensidade variável e início súbito, contrações e hipertonia uterina e padrão cardíaco fetal não reativo, sendo que a dor abdominal é o sintoma mais frequente, estando presente em mais da metade dos casos. Irritabilidade e sensibilidade uterinas, sendo que esta pode ser muito intensa dependendo do volume do sangramento retroplacentário. A hemorragia pode permanecer oculta, invadir a cavidade amniótica (hemoâmnio) e o útero (útero de Couvelaire) ou exteriorizar-se pela vagina. São vistos coágulos que deprimem a superfície placentar formando a conhecida “cratera” retroplacentária. Diagnóstico: Anamnese, exame físico, US Tratamento: Conservador: coágulo retroplacentário pequeno, sem comprometimentoda vitalidade fetal cx: parto vaginal, quando próximo ao período expulsivo. Cesariana, quando fora do TP ou no seu início. amniotomia: sempre indicada quando tiver dilatação com o objetivo de diminuir a tensão e consequentemente a área do descolamento Rotinas: O tratamento do DPP e suas complicações dependem do esvaziamento do útero grávido. Em casos de grau 1 pré-termo, pode-se induzir a maturidade fetal com o uso de corticoides com avaliação rigorosa da vitalidade fetal. A amniotomia, além de abreviar o parto, diminui o risco de passagem de tromboplastina tecidual à circulação materna. Nas demais situações, a cesárea é o melhor procedimento. Placenta Prévia DPP insidiosa, gravidade progressiva súbito, começo tempestuoso hemorragia indolor dor forte em sítio placentário hemorragia externa, sangue vermelho rutilante hemorragia interna, exteriorizando depois, cor escura 1a hemorragia moderada hemorragia grave hemorragia de repetição, surgimento inesperado hemorragia única, vinculada à hipertensão ou traumatismo sinais de anemia porporcionais às perdas externas sinais de anemia grave não mantém relação com perdas hemorragia cessa após amniotomia e aumenta com as contrações hemorragia continua após a amniotomia, não raramente diminuindo com as contrações útero mole, tônus normal útero hipertônico, lenhoso, exceto no sítio de implantação contorno uterino conservado útero engrandecido, contorno modificado pela hemorragia oculta apresentação insinuada, situações anômalas não interfere na situação e apresentação BCF inalterado BCG irregular ou ausentes Ruptura Uterina Iminente É um episódio obstétrico muito grave podendo ocorrer durante a gravidez ou durante o parto. Raramente ocorre na metade da gravidez. Rotinas: Entende-se por ruptura uterina a separação completa de todas as camadas uterinas com saída de parte ou de todo o feto da cavidade uterina. sd de brandel-fromel (ligamento redondo em corda de violino) pressão da cabeça da criança sobre o músculo do útero quando tenta passar pelo colo e não consegue. desaparecimento súbito da dor tipo cólica ruptura consumada - rompeu o útero e bebê cai no abdome, aplanamento do abd conduta - laparo Completa: cavidade uterina se comunica diretamente com cavidade abdominal Incompleta: cavidade uterina separada da cavidade abdominal pelo peritônio visceral Fatores predisponentes: Antes da gravidez atual: cesariana anteriror, miomectomia, trauma uterino (aborto-perfuração, pancada arma penetrante), anomalias congênitas. Durante gravidez: hipertonia, uterina, taquissistolia, indução do parto, versão externa (manobra externa em feto atravessado), sobredistensão uterina (polidramnio e gemelar). [Rotinas: Uso de misoprostol ou de ocitocina em pacientes com cirurgias uterinas anteriores ou úteros superdistendidos]. Durante o parto: versão interna (manobra usando a mão dentro do útero), fórceps difícil, extração pélvica, remoção manual de placenta. [Rotinas: Insistência de parto via baixa em casos de desproporção feto-pélvica não diagnosticada]. Adquirido: placenta increta ou percreta, NTG, adenomiose, útero retrovertido fixo Quadro clínico: Feto inaudível Dor discreta Perda sanguínea vaginal discreta Instalação do choque gradativa Instalação da infecção gradativa Rotinas: Os sinais de iminência de rotura uterina são importantes e facilitam sua prevenção. São eles: Contrações excessivamente dolorosas, taqui e hiperssistolia; Palidez, sudorese, agitação; Distensão segmentar: sinal de Bandl – anel fibromuscular transversal no segmento inferior (útero em ampulheta) – e sinal de Frommel – ligamentos redondos retesados e hipercontraídos. Na vigência das contrações: Dor suprapúbica Abrupta e intensa Alta sensibilidade uterina à palpação Contrações desaparecem Sangramento vaginal moderado Batimentos inaudíveis Conduta: Estabilidade hemodinâmica Reserva de sangue Laparotomia – [Rotinas: Cesariana imediata] Histerectomia quando: Rupturas extensas Hemorragias persistentes Choque séptico Infecção peritoneal Conduta conservadora: Necessidade de manter o útero Pacientes jovens Ruptura de pequena extensão, recente Ruptura não complicada Prognóstico: Depende da localização da placenta, da extensão da ruptura, da rapidez no diagnóstico e da conduta estabelecida. Mortalidade materna: 30% (choque hipovolêmico) Mortalidade fetal: 85% (descolamento de placenta)