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Adm
inistração e Econom
ia Criativa
ADMINISTRAÇÃO
E ECONOMIA 
CRIATIVA
Rodrigo Vinícius Sartori
ADMINISTRAÇÃO 
E ECONOMIA CRIATIVA
Rodrigo Vinícius Sartori
GRUPO SER EDUCACIONAL
gente criando o futuro
Todo livro que carrega o título de “fundamentos” precisa primordialmente priorizar 
a compreensão de conceitos associados ao domínio de conhecimento ao qual é dire-
cionado. Não é diferente com os fundamentos de Economia – a� nal, dominar com cla-
reza os conceitos econômicos é a base para o entendimento tanto da Economia como 
uma ciência em si quanto do próprio processo de tomada de decisão fundamentada. É 
assim que se constituem verdadeiras ferramentas analíticas para que se possa apre-
ciar questões econômicas tanto em esfera pessoal quanto social.
Assim, convido o aluno a absorver estes conhecimentos, que são úteis para qualquer 
cidadão e pro� ssional da atualidade – portanto, é um conteúdo que não se restrin-
ge a estudantes de Economia. A� nal, com as pessoas conscientes ou não que vivem 
imersas em um sistema econômico, o mínimo de letramento a respeito é necessário 
para melhor desempenho do cidadão, seja no papel de produtor ou de consumidor de 
bens e serviços.
Nesse tocante, esta obra percorre os mais elementares conceitos associados à área 
econômica, investiga as principais correntes teóricas a seu respeito e oferece especial 
atenção a ferramentas de análise, o que permite su� ciente domínio em aspectos tão 
essenciais como escassez, produção, oferta, demanda, concorrência, pontos de equi-
líbrio e desequilíbrio, linearidade, entre tantos outros.
SER_ECPME_FUECOAD_CAPA.indd 1,3 10/03/20 11:02
© Ser Educacional 2020
Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro 
Recife-PE – CEP 50100-160
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. 
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio 
ou forma sem autorização. 
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do 
Código Penal.
Imagens de ícones/capa: © Shutterstock
Presidente do Conselho de Administração 
Diretor-presidente
Diretoria Executiva de Ensino
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos
Diretoria de Ensino a Distância
Autoria
Projeto Gráfico e Capa
Janguiê Diniz
Jânyo Diniz 
Adriano Azevedo
Joaldo Diniz
Enzo Moreira
Rodrigo Vinícius Sartori
DP Content
DADOS DO FORNECEDOR
Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, 
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
SER_ECPME_FUECOAD_UNID1.indd 2 10/03/20 14:34
Boxes
ASSISTA
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple-
mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
CITANDO
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa 
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTUALIZANDO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato;
demonstra-se a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto 
tratado.
DICA
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma 
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
EXEMPLIFICANDO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
EXPLICANDO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da 
área de conhecimento trabalhada.
SER_ECPME_FUECOAD_UNID1.indd 3 10/03/20 14:34
Unidade 1 - Introdução à Economia
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 13
Conceito de economia ......................................................................................................... 14
Escassez e escolha ........................................................................................................ 15
Custo da oportunidade e trade-offs ............................................................................. 16
Produtividade ................................................................................................................... 17
Sistemas econômicos ..................................................................................................... 17
Instituições e incentivos econômicos ......................................................................... 18
Troca, dinheiro e interdependência ............................................................................. 19
O problema econômico fundamental ............................................................................... 20
Problema de alocação de recursos ............................................................................. 22
Problema do pleno emprego dos recursos ................................................................. 23
Problema do crescimento econômico ......................................................................... 23
Curva de possibilidade de produção/custo de oportunidade ...................................... 24
Posição .............................................................................................................................. 27
Propriedades .................................................................................................................... 28
Forma ................................................................................................................................. 30
Custo de oportunidade ................................................................................................... 33
Fatores de produção ............................................................................................................ 35
Algumas escolas de economia ..................................................................................... 36
Sistema econômico.............................................................................................................. 39
Componentes ................................................................................................................... 40
Tipologia ............................................................................................................................ 42
Sumário
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Relação da economia com as demais ciências ............................................................. 44
Divisão do estudo econômico ............................................................................................ 45
Sintetizando ........................................................................................................................... 47
Referências bibliográficas ................................................................................................. 48
5
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Sumário
Unidade 2 – Fundamentos de economia e administração
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 52
Introdução à teoria da demanda ....................................................................................... 53
Deslocadores da demanda ............................................................................................ 55
Fatores que afetam a função demanda ............................................................................ 56
Renda do consumidor ..................................................................................................... 57
Preços de bens relacionados ........................................................................................ 58
Publicidade e preferência do consumidor .................................................................. 59
População ......................................................................................................................... 60
Expectativas do consumidor .........................................................................................econômico. As estruturas de to-
mada de decisão de uma economia 
determinam o uso de insumos eco-
nômicos (os fatores de produção), a 
distribuição da produção, o nível de 
centralização na tomada de decisão 
e quem toma essas decisões. As de-
cisões podem ser tomadas por con-
selhos industriais, por uma agência 
governamental ou por proprietários 
privados.
É preciso considerar que um sistema econômico tem o caráter macro de 
um sistema de produção, alocação de recursos, troca e distribuição de bens e 
serviços em uma sociedade ou em uma determinada área geográfi ca. 
42
SER_ECPME_FUECOAD_UNID1.indd 42 10/03/20 14:36
Toda economia é, portanto, um sistema que aloca recursos para troca, 
produção, distribuição e consumo. O sistema costuma ser estabilizado por 
meio de uma combinação de ameaça e confiança, que são o resultado de 
acordos institucionais. Nesse sentido, um sistema econômico reúne as se-
guintes instituições:
• Métodos de controle sobre os fatores ou meios de produção: isso pode in-
cluir a propriedade ou os direitos de propriedade sobre os meios de produção 
e, portanto, pode dar origem a reclamações sobre o produto da produção. Os 
meios de produção podem ser de propriedade privada, do Estado, daqueles 
que os utilizam ou serem mantidos em comum.
• Um sistema de tomada de decisão: determina quem é elegível para tomar
decisões sobre atividades econômicas. Agentes econômicos com poder de de-
cisão podem celebrar contratos vinculativos entre si.
• Um mecanismo de coordenação: determina como as informações são ob-
tidas e usadas na tomada de decisões. As duas formas dominantes de coorde-
nação são planejamento e mercados; o planejamento pode ser descentralizado 
ou centralizado, e os dois mecanismos de coordenação não são mutuamente 
exclusivos e geralmente coexistem.
• Um sistema de incentivos: induz e motiva os agentes econômicos a se
envolverem em atividades produtivas. Pode se fundamentar em recompensa 
material (compensação ou interesse próprio) ou persuasão moral (por exem-
plo, prestígio social ou por meio de um processo democrático de tomada de 
decisão que vincula os envolvidos). O sistema de incentivos pode incentivar a 
especialização e a divisão do trabalho.
• Forma organizacional: existem duas formas básicas de organização, que
são os atores e os reguladores. Os atores econômicos incluem famílias, gru-
pos de trabalho e equipes de produção, empresas, joint ventures e cartéis. 
Organizações economicamente reguladoras são representadas pelas autori-
dades do poder público e de mercado – estes últimos podem ser entidades 
públicas ou privadas.
• Um sistema de distribuição: aloca o produto da atividade produtiva, que
é distribuída como renda entre organizações econômicas, indivíduos e gru-
pos da sociedade, como proprietários, trabalhadores e não trabalhadores ou 
o Estado (impostos).
43
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• Um mecanismo de escolha pública para legislar, estabelecendo regras,
normas e padrões e cobrando impostos. Geralmente, isso é de responsabilida-
de do Estado, mas outros meios de tomada de decisão coletiva são possíveis, 
como câmaras de comércio ou conselhos de trabalhadores.
Tipologia
Existem várias questões básicas que devem tentar ser respondidas para que 
uma economia funcione satisfatoriamente. O problema da escassez, por exem-
plo, requer respostas para perguntas essenciais, como o que produzir, como 
produzi-lo e quem recebe o que é produzido. Um sistema econômico, como vis-
to, é uma maneira de responder a essas perguntas básicas: diferentes sistemas 
econômicos respondem de maneira diferente, espelhando seus matizes ideoló-
gicos. De todo modo, muitos objetivos diferentes podem ser vistos como dese-
jáveis para uma economia, como efi ciência, crescimento, liberdade e igualdade.
Os sistemas econômicos são geralmente segmentados pelo regime de di-
reitos de propriedade dos meios de produção e pelo mecanismo dominante 
de alocação de recursos. Economias que combinam propriedade privada com 
alocação de mercado são chamadas de “capitalismo de mercado” e economias 
que combinam propriedade privada com planejamento econômico são deno-
minadas “capitalismo de comando” ou dirigismo. Da mesma forma, sistemas 
que misturam propriedade pública ou cooperativa dos meios de produção com 
planejamento econômico são chamados de “economias socialistas planejadas” e 
sistemas que combinam propriedade pública ou cooperativa com mercados são 
chamados “socialismo de mercado”.
Algumas perspectivas se baseiam nessa nomenclatura básica para levar em 
consideração outras variáveis, como processos de classe 
dentro de uma economia. Isso leva alguns economistas 
a categorizar, por exemplo, a economia da antiga URSS 
como capitalismo de estado, com base na análise de 
que a classe trabalhadora foi explorada pela liderança 
do partido. Em vez de considerar a propriedade nomi-
nal, essa perspectiva leva em consideração a forma orga-
nizacional das empresas econômicas.
44
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Nos sistemas econômicos socialistas, a produção para uso é realizada; as 
decisões sobre o uso dos meios de produção são ajustadas para satisfazer a 
demanda econômica, e o investimento é determinado por meio de procedi-
mentos de um centralizado planejamento econômico. Existe uma ampla gama 
de procedimentos de planejamento e estruturas de propriedade propostos 
para sistemas socialistas, sendo característica comum en-
tre eles a propriedade social dos meios de produção. Isso 
pode assumir a forma de propriedade pública por toda a 
sociedade ou propriedade de forma cooperativa 
por seus funcionários. Um sistema econômico 
socialista que possui propriedade social, mas 
que se baseia no processo de acumulação de 
capital e utilização de mercados de capital para 
a alocação de bens de capital entre empresas de pro-
priedade social, adentra usualmente a subcategoria de 
socialismo de mercado.
Por sua vez, em um sistema econômico capitalista, a produção é realizada 
para lucro privado e as decisões relativas ao investimento e à alocação de fato-
res são determinadas pelos proprietários dos negócios nos mercados de fato-
res. Os meios de produção pertencem principalmente a empresas privadas e 
as decisões sobre produção e investimento são determinadas pelos proprietá-
rios nos mercados de capitais. Os sistemas capitalistas variam do laissez-faire, 
com mínima regulamentação governamental e empresa estatal, aos sistemas 
regulamentados e de mercado social, com o objetivo de melhorar as falhas do 
mercado ou complementar o mercado privado com políticas sociais para pro-
mover a igualdade de oportunidades, respectivamente.
CURIOSIDADE
Laissez-faire é sentença escrita em francês, parte da expressão “laissez 
faire, laissez aller, laissez passer” que significa, em tradução livre, “deixai 
fazer, deixai ir, deixai passar”. É, portanto, o símbolo do liberalismo econô-
mico na versão mais pura de capitalismo, que preconiza que o mercado 
deve funcionar de modo absolutamente livre, sem interferência, taxas, 
tampouco subsídios, apenas com regulamentos suficientes para proteger 
os direitos de propriedade.
45
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Relação da economia com as demais ciências
Não resta dúvida que a economia está intimamente relacionada a muitas 
outras ciências. Inicialmente, há que se considerar que toda a discussão so-
bre juízo de valor, evidentemente, depende intimamente de considerações 
de ordem psicológica. Não por acaso, a escola de economia que desenvol-
veu mais extensivamente a teoria do valor é comumente chamada de esco-
la psicológica. Dela, derivam abordagens bastante interessantes, como é o 
caso da economia comportamental.
ASSISTA
A economia comportamental se ocupa do estudo do im-
pacto de fatores de naturezas psicológica, social, cognitiva 
e emocional combinados com fatores econômicospara 
indivíduos e organizações. Nesta entrevista com a econo-
mista Flávia Ávila, é possível compreender um pouco mais 
a respeito desse fenômeno. São abordados temas como a 
irracionalidade no ato de consumo e ancoragem de preços.
A Sociologia, por vezes, é defi nida como a ciência social, ou seja, a ciência 
de todas as relações sociais. Se a Sociologia é considerada nesse preâmbulo, a 
Economia é com toda legitimidade um ramo da Sociologia. Há, claro, escritores 
mais ortodoxos que sustentam que a Sociologia lida apenas com as leis mais 
gerais que se aplicam a toda a estrutura social e que é em algum nível coorde-
nada com economia, política e ética, mas não inclui todas elas; além disso, mais 
recentemente, abordagens mais integradoras têm se proliferado na academia.
A Política é a ciência do Estado e, devido às muitas e importantes maneiras 
pelas quais o Estado infl uencia e é infl uenciado pela maneira como a população 
vive, os campos das duas ciências – Política e Economia – estão intimamente 
entrelaçados e têm muitos problemas em comum.
A Ética é a ciência da conduta moral; ela faz a pergunta acerca do que deve-
ria ser. Houve um tempo em que os economistas sustentaram que a Economia 
estava preocupada apenas com a questão “o que é” (abordagem descritiva) 
e não com a pergunta “o que deveria ser” (abordagem normativa). Nos dias 
atuais, porém, praticamente todos os economistas sustentam que a Economia 
é uma ciência ética e também uma ciência positiva, isto é, preocupa-se com o 
46
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que deveria estar na esfera econômica e com o que é. Assim como a Economia 
está intimamente relacionada à ciência da Política, também está intimamente 
relacionada à ciência do Direito. O governo e a lei formam uma estrutura na 
qual as forças econômicas agem.
Pondere-se sobre signifi cado das leis econômicas. Afi nal, o termo “lei”, ou 
“legal”, é usado em uma ampla diversidade de aplicações. Por exemplo, na ju-
risprudência, signifi ca uma regra de conduta estabelecida por um Estado para 
orientação de seus cidadãos; mas nas ciências em geral, onde há regularidade 
na recorrência de fenômenos, diz-se que existe lei científi ca. Afi nal, onde os fe-
nômenos que se repetem com regularidade são fenômenos econômicos, isto é, 
onde eles têm a ver com as relações do homem com a riqueza, estabelecem-se 
leis econômicas.
Por exemplo, quando as pessoas derretem moedas de ouro para produ-
zir lingotes, geralmente derretem moedas com peso total, de preferência as 
moedas muito gastas e, portanto, leves. A regularidade de tal ação é uma lei 
econômica e tem muita consequência na economia.
Contudo, que se confrontem o direito econômico e a liberdade de vontade: 
às vezes, é recomendado que as leis econômicas não sejam leis reais porque se 
preocupam com as ações humanas e que, como o livre arbítrio é livre, não ha-
verá regularidade sufi ciente nessas ações para permitir que sejam chamadas 
literalmente de leis.
Essa afi rmação, no entanto, deixa de levar em conta o signifi cado das leis 
econômicas. Afi nal, uma pessoa não é obrigada a obedecer às leis econômicas, 
mas os motivos que a infl uenciam no trato com os fenômenos econômicos ge-
ralmente o levam a agir de acordo com as leis econômicas. Assim, o homem 
que derrete moedas de ouro para produzir lingotes é perfeitamente livre para 
derreter as moedas mais leves, mas o motivo do interesse próprio geralmente 
o leva a derreter moedas com peso total.
Divisão do estudo econômico
A ciência da Economia tem a ver com o homem em suas relações com a 
riqueza. Por conveniência em melhor discutir o assunto, muitos escritores divi-
dem o campo da Economia em quatro seções principais, a saber:
47
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• Consumo de riqueza;
• Produção de riqueza;
• Troca de riqueza;
• Distribuição de riqueza.
Em suma, o consumo de riqueza significa o uso dado à riqueza; a produção
de riqueza significa trazer à existência a riqueza; a troca de riqueza significa a 
transferência da propriedade da riqueza de uma pessoa para outra em consi-
deração a uma transferência correspondente da propriedade de outra riqueza 
desta última para a primeira; e a distribuição da riqueza significa o comparti-
lhamento da riqueza que foi produzida entre aqueles que a reivindicam.
48
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Sintetizando
Essa unidade se ocupou, primeiramente, em oferecer um entendimento dos 
conceitos da economia, que perfazem o mais básico vocabulário desse campo do 
conhecimento. Foi visto que é possível considerar ao menos seis conceitos eco-
nômicos fundamentais: escassez e escolha, custo da oportunidade 
e trade-offs, produtividade, sistemas econômicos, instituições e 
incentivos econômicos e troca, dinheiro e interdependência. 
O problema econômico fundamental é a escassez. Como 
consequência, entender a economia também sob esse prisma, de 
como a sociedade aloca seus recursos, tende a fundir, senão sobrepor parcial-
mente, o planejamento econômico normativo e o estudo empírico de como os 
agentes econômicos operam nessas condições.
Foi explicado que, na área econômica, os termos fronteira de possibilidade 
de produção e curva de possibilidade de produção são sinônimos. O conceito 
se associa a um gráfico, na forma de uma curva, que mostra várias combina-
ções das quantidades de dois bens que podem ser produzidos dentro dos re-
cursos e das tecnologia disponíveis.
No contexto da interpretação de uma curva de possibilidade de produção, o cus-
to de oportunidade está diretamente relacionado ao formato do gráfico. É sabido 
que se o formato da curva for linear, o custo de oportunidade será constante confor-
me a produção de diferentes mercadorias estiver mudando; entretanto, o custo da 
oportunidade geralmente varia dependendo dos pontos de partida e de chegada.
Na economia, fatores de produção – também denominados recursos ou in-
sumos – são usados no processo produtivo para que se viabilize a elaboração 
de produtos resultantes desse processo – ou seja, bens e serviços acabados.
O que produzir? Como produzir e em que quantidades? Quem recebe a 
produção? Estas questões-chave direcionam a proposição de sistemas econô-
micos, geralmente segmentados pelo regime de direitos de propriedade dos 
meios de produção e pelo mecanismo dominante de alocação de recursos
Finalmente, não resta dúvida que a Economia está intimamente relaciona-
da a muitas outras ciências, como Sociologia, Psicologia, Direito, Ecologia etc. 
Disso decorre que a divisão do estudo econômico se dê em função do consumo 
de riqueza, da sua produção, se sua troca e de sua distribuição.
49
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Referências bibliográficas
COMPORTAMENTO econômico com Flávia Ávila. Postado por Canal Futura. 
(12min. 10s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 02 mar. 2020. 
DALY, H.; FARLEY, J. Ecological economics: principles and applications. Washington: 
Island Press, 2003.
MARTIN, A.; PETERSEN, M. Poverty alleviation as an economic problem. Dis-
ponível em: . Acesso em: 02 mar. 2020. 
O’HARA, F. Introduction to economics. Londres: Forgotten Books, 2015.
OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. The Blackwell dictionary of twentieth–
century social thought. 2. ed. Hoboken: Wiley-Blackwell, 1994.
ROSSER, J.; ROSSER, M. Comparative economics in a transforming world 
economy. 2. ed. Cambridge: MIT Press, 2018.
SAMUELSON, P.; NORDHAUS, W. Microeconomics. 19. ed. Nova Iorque: 
McGraw Hill Education, 2013.
SAUNDERS, P.; GILLIARD, J. A framework for teaching basic economic con-
cepts: with scope and sequence guidelines, K-12. Nova Iorque: Council for 
Economic Education, 2005.
TANGEN, S. Understanding the concept of productivity. Disponível em:. Acesso em: 02 mar. 2020.
50
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FUNDAMENTOS 
DE ECONOMIA E 
ADMINISTRAÇÃO
2
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Compreender os fatores inerentes às funções de oferta e de demanda;
 Avaliar os aspectos que determinam o comportamento de equilíbrio e de 
desequilíbrio de mercado;
 Aplicar a teoria da elasticidade para dimensionar correlações entre variáveis 
de um estudo econômico e identificar o ponto de maximização de receita.
 Introdução à teoria da demanda
 Deslocadores da demanda
 Fatores que afetam a função 
demanda
 Renda do consumidor
 Preços de bens relacionados
 Publicidade e preferência do 
consumidor
 População
 Expectativas do consumidor
 Outros fatores
 Modelagem da função demanda
 Excedente do consumidor
 Introdução à teoria da oferta
 Deslocadores da oferta
 Fatores que afetam a função 
oferta
 Preços dos insumos
 Nível de tecnologia e regula-
ções governamentais 
 Número de empresas no 
mercado
 Substitutos para produção
 Impostos
 Expectativas dos produtores
 Modelagem da função oferta
 Excedente do produtor
 O ponto de equilíbrio
 O desequilíbrio de mercado
 Teoria da elasticidade
 Receita total e elasticidade
52
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Introdução à teoria da demanda
 O planejamento é a base do sucesso empresarial (O’HARA, 2015). Nesses 
termos, as empresas procuram um mínimo de antevisão da consequência de 
possíveis decisões a serem tomadas. Supondo que uma fabricante de roupas 
busque informações sobre o impacto da precifi cação de suas jaquetas para o 
atendimento de determinado nicho de consumidores, por exemplo, é comum 
que se invista em pesquisas de mercado. A pesquisa, nesse caso, serviria para 
informar quantas unidades de jaqueta os consumidores comprariam a cada 
ano para cada possível opção de preço.
Os valores revelados por essa pesquisa poderiam ser como os ilustrados na 
Tabela 1. Nela se identifi ca que, caso a jaqueta custasse R$ 100, seriam vendi-
das 60.000 unidades do produto por ano. Já com o preço de R$ 300, o que se 
conseguiria seria a venda de 20.000 unidades por ano.
PREÇO DA 
JAQUETA 
(R$)
QUANTIDADE DE 
JAQUETAS 
VENDIDAS POR 
ANO (MIL PEÇAS)
RENDA MÉDIA 
MENSAL DO 
CONSUMIDOR (R$)
GASTOS COM 
PROPAGANDA 
(R$ MIL)
PREÇO UNITÁRIO 
MÉDIO DAS CALÇAS 
JEANS (R$)
0 80 2.500 50 80
50 70 2.500 50 80
100 60 2.500 50 80
150 50 2.500 50 80
200 40 2.500 50 80
250 30 2.500 50 80
300 20 2.500 50 80
350 10 2.500 50 80
400 0 2.500 50 80
TABELA 1. PESQUISA DE MERCADO PARA JAQUETAS PARA DETERMINADO NICHO DE MERCADO
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Sempre que não há risco de cair em ambiguidade, é comum, por econo-
mia de fala, que se diga simplesmente “preço” no lugar de “preço por par” ou 
0
50
100100
80
150
200
70
200
60
250
300
50
300
2.500
40
350
2.500
2.5002.500
30
400
2.500
20
2.500
20
2.500
10
50
2.5002.500
0
50
2.500
50
2.500
2.5002.500
50
2.500
80
50
2.500
2.5002.500
80
50
8080
50
80
50
80
50
80
80
80
80
53
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“preço por unidade”. Por exemplo, se alguém diz que 
o preço da gasolina é R$ 3,89 em um posto de com-
bustíveis de determinada rua, qualquer um enten-
de que esta pessoa está se referindo ao preço de
R$ 3,89 por litro do produto.
Um olhar mais atento à Tabela 1 revela, ainda, 
que os únicos valores variantes são os referentes 
aos preços da jaqueta e da quantidade de jaquetas 
vendidas por ano. Todos os demais campos que cer-
tamente influenciam as decisões de compra do consumidor, por exemplo, sua 
renda média, propaganda e até mesmo o preço de outros bens, como calças 
jeans, mostram-se constantes. De fato, a pesquisa de mercado não questiona 
potenciais consumidores de variados níveis de renda e expostos a diferentes 
tipos de propaganda, ela simplesmente procura determinar quanto seria com-
prado diante de alternativas de preços.
Objetivamente, o que a pesquisa de mercado revela é que, mantendo 
todos os outros aspectos constantes, a quantidade de jaquetas que os 
consumidores estão dispostos e aptos a comprar diminui à medida que o 
preço aumenta. Conforme frisam Baye e Prince (2016), esse é o princípio 
econômico fundamental conhecido como lei da demanda: preço e quanti-
dade demandada inversamente relacionados. Isso significa que, conforme 
o preço de um bem aumenta, e todos os outros fatores permanecem cons-
tantes, a quantidade demandada do bem diminui. Isso equivale a dizer
que, consequentemente, manter constantes os demais itens de influência
de decisão de compra diminui o preço de um bem e aumenta sua quanti-
dade demandada.
É evidente que, diante do revelado pela pesquisa de mercado, é inútil 
extrapolar o levantamento dos dados da Tabela 1 para, por exemplo, mais 
que R$ 400 o preço da jaqueta, uma vez que já se identificou o ponto em 
que não há mais demanda para preços maiores. Igualmente, não é costu-
me considerar os valores de demanda para preços menores que o custo ou 
mesmo preço zero, salvo identificação de possíveis políticas de subsídio, 
campanhas promocionais de sacrifício da lucratividade de um produto, em 
prol de outro de um portfólio, e medidas afins.
54
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Figura 1. Curva de demanda do mercado. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
400
350
300
250
200
150
100
0 10 20 30 40 50 60 70 80
Quantidade (milhares por ano)
Preço (R$)
50
Na Figura 1 são traçados os dados disponíveis na Tabela 1, mais precisamen-
te, os aspectos de interesse quantidade demanda e preço. A linha reta que 
liga esses pontos, denominada curva de demanda do mercado, interpola as 
quantidades que os consumidores estariam dispostos e/ou seriam capazes de 
comprar a preços não explicitamente tratados na pesquisa de mercado. Usando 
essa ferramenta gráfi ca, é fácil concluir, por exemplo, que os consumidores esta-
riam dispostos e poderiam comprar 35.000 jaquetas a um preço de R$ 225, uma 
vez que todas as demais variáveis permanecem inalteradas. Observa-se que a 
linha está inclinada para baixo, o que refl ete a lei da demanda, e que todos os 
outros fatores que infl uenciam a demanda são mantidos constantes em cada 
ponto da linha.
Deslocadores da demanda
Os estudos econômicos reconhecem que outras variáveis além do preço 
do produto afetam a demanda. Por exemplo, o número de jaquetas que as 
pessoas estão dispostas e são fi nanceiramente capazes de comprar também 
depende de aspectos como o preço de outras peças de roupa, renda do consu-
55
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midor, nível de investimento em publicidade e assim por diante. Baye e Prince 
(2016) destacam que outras variáveis que não sejam o preço do produto e que 
infl uenciam a demanda são conhecidas como deslocadores da demanda.
Quando se representa grafi camente a curva de demanda para um produto 
qualquer, salvo o preço, os demais aspectos são mantidos constantes. Uma 
curva de demanda típica é identifi cada por D0, como na Figura 2.
Figura 2. Mudanças na demanda. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Preço
Aumento
da demanda
A
BDiminuição
da demanda
0
D2
D0 D1
Quantidade
O movimento ao longo de uma curva de demanda, como o movimento de 
A para B sobre D0, é chamado de mudança na quantidade demandada. Sem-
pre que aspectos como publicidade, renda ou preço de bens relacionados mu-
dam, implica em uma mudança na demanda, mudando a posição de toda a sua 
curva. Um deslocamento para a direita na curva da demanda (como em D1) é 
chamado de aumento da demanda, pois mais unidades do produto são deman-
dadas a cada preço. Por sua vez, uma mudança para a esquerda na curva de 
demanda (como em D2) é chamada de diminuição na demanda.
Fatoresque afetam a função demanda
 Uma vez entendida a importante distinção entre uma mudança em uma curva 
de demanda e um movimento ao longo de uma determinada curva, cabe analisar a 
56
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infl uência dos cinco deslocadores clássicos sobre a demanda: renda 
do consumidor, preços de bens relacionados, publicidade e prefe-
rência do consumidor, população, e expectativas do consumidor.
Renda do consumidor
Como a renda afeta a capacidade de compra dos 
consumidores, mudanças nessa variável afetam 
sensivelmente a compra de produtos pelos consu-
midores por qualquer preço. Em termos gráfi cos, é 
inevitável que uma mudança na renda mude toda a 
curva de demanda. O aumento na renda muda a cur-
va de demanda para a direita ou para a esquerda, 
dependendo da natureza dos padrões de consumo. 
Tanto é assim que os economistas usualmente distin-
guem dois tipos de bens: produtos normais e produtos 
inferiores.
Por defi nição, um bem cuja demanda aumenta (muda para a direita) 
quando a renda do consumidor aumenta é chamado de produto normal. 
Nessa categoria, estão inclusos itens de consumo como carne, viagens aé-
reas e roupas de grife. Afi nal, à medida que a renda aumenta, os consumi-
dores geralmente compram mais desses produtos a qualquer preço. Por 
outro lado, quando os consumidores sofrem uma diminuição na renda, a 
demanda por um bem normal diminui (muda para a esquerda).
Daly e Farley (2003) observam que as mudanças na renda tendem a ter 
efeitos profundos na demanda por bens duráveis, e esses efeitos são ge-
ralmente amplifi cados nos países em desenvolvimento e nas áreas rurais.
Baye e Prince (2016) relatam, por exemplo, que em 2004 os agricultores da 
Índia desfrutaram de maiores rendimentos graças ao impacto de monções 
benéfi cas nas colheitas. Como resultado, a demanda por tratores e motoci-
cletas nas áreas rurais indianas aumentou, quase triplicando o nível de de-
manda do ano anterior. Contudo, em 2009, esse ritmo de demanda regrediu 
devido a reduções signifi cativas na renda dos consumidores, decorrentes da 
recessão econômica global. Justamente por ser revés de efeito mundial, a de-
57
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manda por bens duráveis nos países desenvolvidos também diminuiu drasti-
camente, e, assim, as montadoras foram duramente atingidas.
CURIOSIDADE
Monções são ventos que mudam de direção de acordo com as estações 
do ano. Levam o ar úmido do oceano para o continente em determinada 
época, e o ar seco da terra para o mar noutro momento. Esse fenômeno 
ocorre em quase 1/4 da área tropical do globo. Contudo, seus efeitos 
mais visíveis se dão nas regiões Sul e Sudeste da Ásia, especialmente na 
Índia, no Paquistão e em Bangladesh. Lá, as monções são responsáveis 
por chuvas torrenciais no verão, mas deixam a região praticamente à 
míngua no inverno. Na Índia, a importância das monções é tamanha que, 
se as chuvas não ocorrem na intensidade e no momento que se espera, o 
plantio de arroz, principal atividade econômica da região, fi ca seriamente 
comprometido.
No entando, em alguns casos, o aumento na renda reduz a demanda por 
um bem. Nesse caso, os economistas se referem a este bem como um bem 
inferior. Mortadela, viagens de ônibus e roupas “genéricas” são típicos exem-
plos dessa categoria. O comportamento que se observa é que, à medida que 
a renda aumenta, os consumidores normalmente consomem menos desses 
produtos a cada preço. É importante ressaltar que, apesar do nome da ca-
tegoria, não se trata necessariamente de produtos de baixa qualidade, mas 
que são mais facilmente preteridos quando o consumidor tem melhor poder 
de compra, e pode, por exemplo, comprar comida mais requintada, viajar de 
avião no lugar de ônibus e investir em roupas de grife. Com efeito, ele compra 
menos bens inferiores quando a renda aumenta, e mais quando a renda cai.
Preços de bens relacionados
Mudanças nos preços de bens relacionados geralmente alteram a curva de 
demanda por um bem. Por exemplo, se o preço do leite vegetal à base de soja 
aumentar, boa parte de seus consumidores começará a substituí-lo por néctar 
de fruta, pelo preço relativo da bebida à base de soja estar mais alto do que 
antes. À medida que mais e mais consumidores fazerem essa transição de um 
produto para outro, a quantidade exigida de néctar de fruta a cada preço tende 
a aumentar. Portanto, um aumento no preço da bebida à base de soja aumenta 
58
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a demanda por néctar de fruta. Isso é ilustrado por uma mudança na demanda 
do suco néctar de fruta para a direita.
Os bens que se comportam dessa maneira são conhecidos como substitu-
tos. Inúmeros são seus exemplos: carne de frango e bovina, serviços de trans-
porte privado por aplicativos de mobilidade urbana, capas de chuva e guarda-
-chuvas, etc. Esses binômios são entendidos como opções de substitutos para
a maioria dos consumidores. No entanto, os substitutos não precisam ter a
mesma função. Por exemplo, televisores e outros itens de mobiliário poderiam
ser substitutos: à medida que o preço das televisões aumenta, consumidores
podem optar por adquirir móveis adicionais para a casa em vez de uma tele-
visão adicional. Bens são substitutos quando o aumento no preço de um bem
aumenta a demanda por outro.
Nem todos os bens são substitutos. Com efeito, o aumento no preço de um 
bem, como um seguro de automóvel, pode levar os consumidores a comprar 
menos automóveis a cada preço.
Os bens que interagem dessa maneira são chamados de complementos. 
A cerveja e o amendoim são outros exemplos de bens complementares. Se o 
preço da cerveja aumenta, boa parte de seus apreciadores diminui o consumo 
de amendoim. Observa-se que, quando um produto X é um complemento de 
um produto Y, uma redução no preço do produto Y provoca aumento (desloca-
mento para a direita) na demanda pelo produto X. Mais do X é comprado a cada 
preço devido à redução no preço do complemento, que é o Y.
Publicidade e preferência do consumidor
Outra variável que é mantida constante ao desenhar uma curva de de-
manda é o nível de publicidade. Um aumento na publicidade muda a curva de 
demanda para a direita, de D1 para D2, como indica a Figura 3. Observa-se que 
o impacto da publicidade sobre a demanda pode ser interpretado de duas ma-
neiras: na curva de demanda inicial D1, por exemplo, os consumidores compra-
riam 50.000 unidades de um produto de alto padrão por mês, condicionado ao
preço de R$ 400. Após a publicidade, a curva de demanda mudaria para D2, e
os consumidores passariam, então, a comprar 60.000 unidades do produto ao
mesmo preço de R$ 400. Como alternativa, quando a demanda é D1, e os consu-
59
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midores pagam um preço de R$ 400 consumindo 50.000 unidades do produto, 
a publicidade muda a curva de demanda para D2, para que eles paguem um 
preço mais alto (R$ 500) pelas mesmas 50.000 unidades.
Figura 3. Publicidade e demanda para produtos de alto padrão. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
R$ 500
50.000 60.000
Preço de produto de alto padrão
Devido ao aumento de publicidade
D 1 D 2
Quantidade de produtos de alto padrão
0
R$ 400
Por que a publicidade muda a demanda para a direita? O que ocorre é que a 
publicidade geralmente provê aos consumidores informações sobre a existên-
cia ou a qualidade de um produto, o que, por sua vez, induz mais consumidores 
a comprar o produto. Esse tipo de mensagem publicitária é conhecido como 
publicidade informativa.
Por outro lado, a publicidade também pode infl uenciar a demanda ao al-
terar os gostos subjacentes dos consumidores. Por exemplo, uma campanha 
publicitária que promova a moda mais recente no vestuário pode aumentar a 
demanda por um item de moda específi co, fazendo com que os consumidores 
o percebam como mais imprescindível do que antes. Por esse motivo, esse tipo
demensagem publicitária é conhecido como publicidade persuasiva.
População
A demanda por um produto também é infl uenciada por mudanças no ta-
manho e na composição da população, nos seus atributos de quantidade e 
qualidade. No geral, conforme a população aumenta, mais e mais pessoas de-
60
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sejam comprar determinado produto, e isso tem o efeito de mudar a curva de 
demanda para a direita. Por exemplo, é notório que, ao longo do século XX, a 
curva de demanda por produtos alimentícios mudou consideravelmente para 
a direita em função do aumento da população mundial.
De todo modo, é importante observar que mudanças na composição da 
população também podem afetar a demanda por um produto, por exemplo, 
no que tange ao atributo qualitativo da idade das pessoas: uma vez que os con-
sumidores de meia-idade revelem desejos sensivelmente distintos dos tipos de 
produtos que os aposentados almejam, um aumento no número de consumi-
dores na faixa etária de 30 a 40 anos recai sobre a demanda por produtos como 
imóveis. Do mesmo modo, à medida que uma parcela maior da população en-
velhece, a demanda por serviços médicos tende a aumentar.
Expectativas do consumidor
Mudanças nas expectativas do consumidor também podem alterar a posi-
ção da curva de demanda de um produto. Por exemplo, se os consumidores 
de repente esperarem que o preço dos automóveis majore signifi cativamente 
no próximo ano, por uma política de subsídio de preços que perca efeito, por 
exemplo, a demanda por automóveis no momento presente vai aumentar. 
De fato, comprar um carro hoje é um substituto para a compra de um carro 
no próximo ano. Ao mesmo tempo, se os consumidores esperarem que os 
preços futuros fi quem mais baixos, eles vão substituir as compras atuais por 
compras futuras.
Esse tipo de comportamento do consumidor, de antecipação de compra por 
percepção de preço melhor, geralmente é chamado de armazenamento em es-
toque, que ocorre quando os produtos são de natureza durável. Às 
vezes se observa esse comportamento também para bens durá-
veis menos caros. Os consumidores podem resolver arma-
zenar sabão em pó em casa em resposta a uma campa-
nha promocional em supermercados. Por outro lado, a 
demanda atual por um produto perecível, como fru-
tas, geralmente não é afetada pelas expectativas de 
preços futuros mais altos.
61
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Outros fatores
Qualquer variável, que não o preço, que afete a disposição ou a capacida-
de dos consumidores de comprar um produto, é um deslocador de demanda.
Nos estudos econômicos, há cinco deslocadores que são considerados 
clássicos, pelo alto grau de infl uência que têm sobre a demanda. Evidente-
mente, não são os únicos fatores. Cada indústria e cada segmento podem 
ter suas particularidades, que revelem aspectos com maior ou menor grau 
de infl uência no que tange à demanda. Por exemplo: fumantes que tenham 
enfrentado problemas de saúde decorrentes de seu vício podem afetar subs-
tancialmente a demanda por cigarros. O nascimento de um bebê altera subs-
tancialmente o planejamento doméstico das famílias, implicando, entre ou-
tros, em aumento de demanda por fraldas.
ASSISTA
No episódio A renda da família brasileira da série Entre-
vista, do canal Futura, o economista Sany Dana entrevista 
o publicitário e pesquisador Renato Meirelles, que explica 
metodologias, como a pesquisa etnográfi ca, para o estudo 
mais realista do comportamento do consumo doméstico 
das famílias brasileiras. 
Modelagem da função demanda
Vários aspectos infl uenciam a demanda por determinado produto em um 
dado mercado. Gráfi cos podem ser usados para ilustrar os diferentes tipos e 
níveis de infl uência. O passo fi nal da análise da demanda de mercado é a fun-
ção demanda: uma modelagem matemática que sumariza todos os fatores 
de infl uência em uma única equação.
A função demanda para um produto X descreve quantas unidades serão 
compradas, a preços variados, dele e de bens relacionados, de diferentes ní-
veis de rendimento do consumidor, e de outras variáveis que possam afetar 
signifi cativamente a demanda. 
Considerando a fórmula:
Qx
d = f(Px , Py , M, H)
62
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Tem-se:
Qx
d representa a quantidade demandada de um produto X;
Px é o preço do produto X;
Py é o preço de um bem relacionado;
M é a renda do consumidor;
H é o valor de qualquer outra variável que afete a demanda, como nível de 
investimento em publicidade, tamanho da população, etc.
A função demanda reconhece explicitamente que a quantidade de absor-
ção de um bem no mercado depende de seu preço e de deslocadores da de-
manda. Naturalmente, diferentes produtos terão funções demanda distintas, 
com formatos diferentes. Um formato bastante simples, mas especialmente 
útil, é a representação linear da função demanda. Nela, constata-se que a de-
manda é linear se Qx
d for uma função linear de preços, renda e outras variáveis 
que influenciem a demanda.
A seguinte equação é um exemplo de função de demanda linear:
Qx
d = α0 + αxPx + αyPy + αMM + αHH
Os coeficientes αn são valores constantes que a área de pesquisa de uma 
empresa ou uma consultoria econômica contratada usualmente provê para 
uma gestão. Eles dosam precisamente o grau de influência de cada aspecto 
considerado no resultado final da equação. Pela lei da demanda, um aumento 
em Px leva ao decréscimo na quantidade demandada do produto X. Isto signi-
fica que αxQx
d = 6.060 - 3Px
Isolar a variável do preço do produto X na fórmula implica reescrever a 
equação em um formato conhecido como função demanda inversa, especial-
mente útil para traçar gráfico, uma vez que o mais usual é dispor o preço como 
variável do eixo vertical. Para o presente exemplo, equivale à expressão:
Px = 2.020 - 1
3 Qx
d 
O gráfico correspondente é ilustrado na Figura 4. Traduzindo o levanta-
mento da pesquisa de mercado, primeiro para um modelamento matemático 
e depois para uma apresentação visual, fica revelado quanto os consumido-
res desejam e estão aptos a pagar por cada unidade adicional do produto X.
64
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Preço
R$ 2.020
0
6.060
Quantidade
Px = 2.020 - Qd
x
1
3
Figura 4. Representação gráfi ca da função demanda inversa. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Excedente do consumidor
A capacitação para utilizar a curva de demanda, a fi m de determinar o 
valor que um consumidor ou grupo de consumidores recebe de determinado 
produto, é uma competência gerencial importante. Este conhecimento é es-
pecialmente útil em marketing e outras disciplinas que enfatizam estratégias 
como precifi cação e discriminação de preços.
Pela lei da demanda, o valor que um consumidor está disposto a pagar por 
uma unidade adicional de um bem diminui à medida que este bem é consu-
mido. É possível imaginar, por exemplo, a demanda imediata de um atleta por 
água após participar de uma corrida de 10 km. Inicialmente, não é de se sur-
preender que ele esteja disposto a pagar um preço bastante alto, – supondo, 
para ilustrar, R$ 5,00 por litro – para beber a primeira dose d’água. Contudo, 
conforme o atleta consome mais água, o valor que ele está disposto a pagar 
por uma dose a mais diminui de R$ 5,00 para R$ 4,99, e assim por diante, 
acompanhando a redução na curva da demanda. Tal situação é ilustrada pela 
Figura 5.
65
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Preço 
por litro
Excedente do 
consumidor
Preço
Px
0
Qx
0
(a) (b)
D D
Quantidade 
(litros)
Quantidade0 01
1
2
2
3
3
4
4
5
5
Figura 5. Excedente do consumidor. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Pelo gráfico, depois de consumir 1 litro inteiro de água, a disposição do atleta 
é pagar apenas R$ 4,00 por litro para uma próxima dose. Depois de consumir 
2 litros de água, a disposição de consumo dele é limitada a R$ 3,00 por litro por 
uma eventual dose adicional.
Para se encontrar o valor total ou benefício de 2 litros de água, basta adicio-
nar o valor máximo que o atleta estava disposto a pagar por cada gota disponí-
vel, entre 0 e 2 litros. Esse valor corresponde à área abaixo da curva de demanda 
no gráfico (a) da Figura 5, até a quantidade de 2 litros. Como a área desta região 
é de R$ 8, o valor total advindo de 2 litros de água é R$ 8.
Obviamente, não é preciso pagar preços diferentes pelas diferentes gotas de 
água que se consome. Em vez disso, o consumidor enfrenta um suposto preço uni-
tário de R$ 3 por litro e compra quantas “gotas” desejar (mililitros ou mesmo litros) 
por esse preço. Dada a curva de demanda do gráfico (a) (Figura 5), quando o preço 
for R$ 3, a opção será comprar 2 litros de água. Nesse caso, a despesa total desem-
bolsada pelos 2 litros de água é de R$ 6. Como o consumidor avalia 2 litros de água 
a R$ 8 e paga apenas R$ 6 para sua aquisição, a percepção é de receber R$ 2 em 
valor agregado na operação. Esse valor “extra” é conhecido como excedente do 
consumidor, isto é, o valor que os consumidores usufruem de um bem, mas que 
não precisam pagar por ele. Esse conceito é importante para os gestores empre-
sariais, porque indica quanto dinheiro extra os consumidores estariam dispostos 
a pagar por uma determinada quantidade de um produto adquirido.
66
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Na interpretação gráfi ca, o excedente do consumidor é a área acima do preço 
pago por um bem, mas abaixo da curva de demanda. O triângulo hachurado 
no gráfi co (b) da Figura 5 ilustra precisamente o excedente do consumidor que 
compra Qx
0 unidades de um produto a um preço de Px
0 . Para entender a razão, é 
preciso considerar que cada ponto da curva de demanda indica o valor para o 
consumidor de outra unidade do bem. A diferença entre cada preço na curva de 
demanda e o preço Px
0 pago representa um excedente, o valor pelo qual o con-
sumidor acaba não pagando. Quando somados os superávits recebidos para 
cada unidade entre 0 e Qx
0 (soma correspondente à região sombreada), é obtido o 
excedente do consumidor associado à compra de Qx
0 unidades do produto a um 
preço de Px
0 cada.
EXPLICANDO
Superavit, palavra do latim, também escrita na versão aportuguesada 
“superávit”, é um termo econômico aplicado em diversas áreas do conhe-
cimento. Na visão contábil, superávit é o termo genérico que se atribuiu a 
uma conta de balanço de empreendimentos com fi nalidades lucrativas ou 
da administração pública, que usualmente corresponde à conta “lucro do 
exercício” dos balanços empresariais das organizações empresariais.
Assim, gestores empresariais podem utilizar a noção de excedente do 
consumidor para determinar o valor total que consumidores estariam dis-
postos a pagar por pacotes de várias unidades de consumo de um produto 
ofertado.
Introdução à teoria da oferta
Pode-se afi rmar que metade das forças que determinam o preço em um 
mercado diz respeito a questões inerentes à demanda. A outra metade refe-
re-se à oferta. Ocorre que, em um mercado competitivo como é a realidade 
imposta à ampla maioria dos segmentos de exploração econômica, existem 
inúmeros produtores de bens e serviços, cada um produzindo uma oferta si-
milar em maior ou menor grau. Sendo assim, a curva de oferta de mercado 
sintetiza a quantidade total de itens que todos os produtores estão dispostos 
e capazes de produzir a preços alternativos, mantendo todos os outros fatores 
que afetam a oferta constantes.
67
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Embora a oferta de mercado de um item dependa de muitas variáveis, 
na representação gráfi ca da curva de oferta, salvo o preço, tudo se mantém 
constante. O movimento ao longo de uma curva de oferta, como o de A para B 
na Figura 6, é chamado de mudança na quantidade ofertada. O fato da curva 
de oferta do mercado se inclinar para cima refl ete a lei inversa da oferta: à 
medida que o preço de um bem aumenta ou cai, e outros aspectos perma-
necem constantes, a quantidade fornecida do bem aumenta, ou cai. Dito de 
outra forma, os produtores estão naturalmente dispostos a produzir mais 
quando o preço está alto do que quando está baixo.
Figura 6. Mudanças na oferta. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Preço
Redução
na oferta
A
B
Aumento
na oferta
S 1
S 0
S 2
Quantidade
Deslocadores da oferta
A mudança de S0 para S2, na Figura 6, é chamada de aumento da oferta, uma 
vez que os produtores vendem mais unidades de produção a cada preço. Por 
sua vez, a mudança de S0 para S1 representa uma diminuição na oferta, visto 
que os produtores vendem unidades de produção a cada preço.
De forma análoga ao que ocorre com as análises da demanda, os estudos 
econômicos também reconhecem que diversas variáveis infl uenciam a oferta. 
68
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Outras variáveis que não sejam o preço do produto e que infl uenciam a oferta 
são conhecidas como deslocadores da oferta (BAYE; PRINCE, 2016).
Fatores que afetam a função oferta
 As variáveis que afetam a posição da curva de oferta, os deslocadores da 
oferta, incluem os preços dos insumos, o nível de tecnologia e regulações go-
vernamentais, o número de empresas no mercado, os substitutos para produ-
ção, os impostos e as expectativas dos produtores. Sempre que uma ou mais 
dessas variáveis são alteradas, a posição de toda a curva de oferta muda. Essa 
alteração é conhecida como mudança na oferta.
Preçosdos insumos
A curva de oferta revela quão dispostos os produtores estão a pro-
duzir a preços alternativos. Conforme os custos de produção mu-
dam, o ímpeto dos produtores de produzir seus bens e serviços a 
determinado preço muda. Em particular, à medida que o 
preço de um insumo aumenta, os produtores estão dis-
postos a produzir menos produtos a cada preço. Então, 
essa diminuição na oferta é representada como uma 
mudança para a esquerda na curva de oferta.
Nível de tecnologia e regulações governamentais 
Mudanças nos aspectos de tecnologia e regulamentações governa-
mentais também podem afetar a posição da curva de oferta. Alterações 
que possibilitam entregar uma unidade de produção a um custo menor 
têm o efeito de aumentar a oferta. Por outro lado, falhas inerentes às 
incertezas subjacentes a novas tecnologias, por exemplo, uma eventual 
confirmação de efeito danoso do uso de transgênicos, e súbitas modifi-
cações regulatórias, como mudanças de governo que podem implicar em 
insegurança jurídica para investimentos, mudam a curva de oferta para 
a esquerda.
69
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Número de empresas no mercado
A quantidade de empresas presentes em um setor afeta a posição da 
curva de oferta. Ao passo que empresas adicionais adentram o setor, mais 
e mais produtos estão disponíveis a cada preço.
Isso se reflete em uma mudança para a direita na curva de oferta. Da 
mesma forma, enquanto as empresas saem do setor, menos unidades são 
ofertadas a cada preço, e quando a oferta diminui, o gráfico é deslocado 
mais para a esquerda.
Substitutos para produção
Muitas empresas possuem tecnologias prontamente adaptáveis a vá-
rios produtos diferentes. É o que comumente se denomina plataformas 
tecnológicas.
Uma montadora, por exemplo, pode converter uma fábrica de monta-
gem de caminhões em uma fábrica de automóveis, alterando suas insta-
lações de produção. Quando o preço dos carros aumenta, essa empresa 
pode converter algumas de suas linhas de montagem de caminhões em li-
nhas de montagem para aumentar a quantidade de carros fornecidos. Isso 
tem o efeito de mudar a curva de oferta de caminhões para a esquerda.
Impostos
A posição da curva de oferta também é bastante afetada por impostos. 
Um imposto especial de consumo se impõe como um valor fixo cobrado 
a cada unidade de produção vendida, sendo a receita tributária coletada 
diretamente do fornecedor. Suponha-se que, devido a um novo imposto 
em caráter especial, o governo passe a cobrar R$ 0,20 por litro de gasolina. 
Como cada fornecedor deverá pagar esse valor por litro de gasolina, cada 
um precisará agregar na venda um adicional de R$ 0,20 por litro para estar 
disposto a fornecer a mesma quantidade de gasolina de antes do imposto. 
Um imposto especial de consumo perturba a curva de oferta, conforme 
ilustra a Figura 7. Observa-se que os fornecedores estão dispostos a ven-
70
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der a dado preço menos gasolina com imposto do que sem imposto. Con-
sequentemente, um imposto especial de consumo tem o efeito de diminuir 
a oferta de um bem.
Preço da gasolina
Quantidade de gasolina por semana
t = Imposto unitário de R$ 0,20
t = 20¢
S0 + t 
S0
t $1,20
$1
Figura 7. Imposto fixo por unidade produzida. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Outra forma de imposto bem mais comum adotada nas políticas governa-
mentais é o imposto ad valorem, que significa literalmente “com o valor”. É o 
que ocorre, por exemplo, no sistema fiscal brasileiro com o IPI (Imposto sobre 
Produtos Industrializados) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias 
e Serviços). 
Um imposto ad valorem é um imposto percentual, sendo o imposto sobre 
vendas um exemplo típico. Nessa situação, se o preço de um bem for de R$ 1 e 
um imposto ad valorem de 10% for aplicado a esse produto, o preço final após o 
imposto será de R$ 1,10. Como um imposto ad valorem é um imposto percentual, 
ele consequentemente se torna mais alto para produtos mais caros.
Na Figura 8, S0 representa a curva de oferta de um produto antes de vigorar a 
incidência de um imposto ad valorem de 20%. Observa-se no exemplo que 1.100 
produtos são ofertados para venda quando o preço unitário é de R$ 10, e 2.450 
produtos, quando o preço é de R$ 20.
71
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Preço do produto
S1 = 1,20 X S0
S0
R$ 24
R$ 20
R$ 12
R$ 10
0 1.100 2.450
Quantidade de produtos 
por semana
Figura 8. Imposto ad valorem. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Contudo, uma vez vigente o imposto de 20%, o preço necessário para pro-
duzir cada unidade aumentará 20% em qualquer nível de produção. Portanto, o 
preço vai aumentar R$ 2 para um lote de 1.100 unidades, e R$ 4 num lote de 2.450 
unidades. Um imposto ad valorem gira a curva de oferta no sentido anti-horário, 
e a nova curva se afasta da curva original à medida que o preço aumenta. Isso 
explica a razão de S1 ser mais íngreme que S0 na Figura 8.
Expectativas dos produtores
Segundo Daly e Farley (2003), as expectativas do produtor sobre preços 
futuros também afetam a posição da curva de oferta. De fato, as alterna-
tivas de vender uma unidade produzida hoje e vender a mesma unidade 
produzida amanhã são mutuamente substitutas para a produção. Se por 
qualquer motivo as empresas subitamente esperarem que os preços se-
jam mais altos no futuro e não se trate de produto perecível, os produtores 
podem partir para uma estratégia de estocagem, retendo a produção atual 
e a vendendo mais tarde a um preço mais alto. Isso tem o efeito de deslo-
car a curva de oferta atual para a esquerda.
72
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 72 10/03/20 14:34
Modelagem da função oferta
Uma vez compreendidas as características da oferta, reconhecendo os fato-
res que infl uenciam a posição em uma curva de oferta, o passo fi nal da análise 
econômica é a função oferta: uma modelagem matemática que sumariza to-
dos os fatores de infl uência em uma única equação.
A função oferta para um produto X descreve quantas unidades serão pro-
duzidas a preços variados do item X, com diferentes níveis de preços de insu-
mos e de outras variáveis que possam afetar signifi cativamente a oferta. 
Considerando a fórmula:
Qx
S = f(Px ,Pr , W, H)
Tem-se:
Qx
S representa a quantidade ofertada de um produto X;
Px é o preço do produto X;
Pr é o preço de bens tecnologicamente relacionados;
W é o preço dos recursos empregados (tal como salários);
H é o valor de qualquer outra variável que afete a oferta, como tecnologia 
existente, expectativas dos produtores, etc.
A função oferta reconhece explici-
tamente que a quantidade disponibili-
zada de um bem no mercado depende 
não apenas de seu preço, mas também 
dos deslocadores da oferta. Embora 
diferentes formatos dessa função se 
apliquem aos mais diversos produ-
tos, um formato bastante corriqueiro 
e efetivo é a representação linear da 
função oferta: nela se constatará que 
a oferta é linear se Qx
S for uma função 
linear de preços, insumos e outras va-
riáveis que infl uenciem a oferta.
A seguinte equação é um exemplo 
de função de oferta linear:
Qx
S = β0 + βxPx + βrPr + βWW + βHH
73
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 73 10/03/20 14:35
Os coeficientes βn são valores constantes que a área de pesquisa da empre-
sa ou a consultoria econômica contratada usualmente proveem para a gestão. 
Eles são, precisamente, a dosagem do grau de influência de cada aspecto con-
siderado no resultado final da equação.
Por exemplo: uma consultoria especializada poderia entregar ao seu 
cliente fabricante de televisores a seguinte equação como resultado dos es-
tudos realizados:
Qx
S = 2.000 + 3Px - 4Pr - 1Pw
Neste caso, Px é o preço de um televisor, Pr representa o preço de monitores 
de computador e Pw é o preço de um recurso qualquer consumido na produção 
de televisores. Supondo que o televisor seja vendido pelo preço unitáriode R$ 
400, os monitores de computador por R$ 100, a renda do consumidor seja R$ 
10 mil, e o preço dos insumos seja R$ 2.000, a questão de interesse mais ime-
diato a se responder é: quantos televisores conseguem ser produzidos nessas 
condições?
Substituindo os valores na equação dada, tem-se:
Qx
S = 2.000 + 3(400) - 4(100) - 1(2.000)
A produção resultante, portanto, é de 800 unidades de televisores. 
Mais importante que o efeito de deixar o preço do produto X como variável, 
a única no lado direito da equação, é deixá-lo constante. Isso permite desenvol-
ver a fórmula para que se resulte simplificadamente em:
Qx
S = 3Px - 400
Isolar a variável do preço do produto X na fórmula implica reescrever 
a equação em um formato conhecido como função oferta inversa, que é 
especialmente útil para traçar o gráfico, uma vez que o mais usual é dispor 
o preço como variável do eixo vertical. Para o presente exemplo, equivale
a expressão:
Px = +400 1
3 3 Qx
S
O gráfico correspondente é ilustrado na Figura 9. Traduzindo o le-
vantamento da consultoria primeiro para um modelamento ma-
temático e depois para uma apresentação visual, fica revelado 
quanto os produtores devem receber para se motivarem a pro-
duzir cada unidade adicional do produto X.
74
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 74 10/03/20 14:35
100
C
A B
S
0 200 300 400 500 600 700 800 900
Quantidade
Preço
R$ 400
R$ 400/3
400 1
3 3Px = + Q 
S
x
Figura 9. Representação gráfi ca da função oferta inversa. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Excedente do produtor
Assim como é compreensível que os consumidores desejem que o preço 
seja o mais baixo possível, os produtores, por sua vez, almejam que o preço 
seja tão alto quanto possível. A curva de oferta revela, pois, a quantidade que 
os produtores estão dispostos a produzir a um preço. Além disso, ela indica o 
preço que as empresas teriam que aproveitar para se dispor a produzir uma 
unidade adicional de um bem. 
A curva de oferta na Figura 9, por exemplo, indica que um total de 800 uni-
dades será produzido quando o preço for R$ 400. Ainda, se forem produzidas 
800 unidades, os produtores terão que receber R$ 400 para serem induzidos a 
produzir outra unidade do bem.
O excedente do produtor é uma situação análoga à do excedente do con-
sumidor. É o valor fi nanceiro que os produtores recebem a mais da quantida-
de necessária para induzi-los a produzir o bem. No exemplo dado, observa-se 
mais especifi camente que os produtores estão dispostos a vender cada unida-
de de produção abaixo de 800 unidades a um preço inferior a R$ 400. Mas se 
o preço for de R$ 400, os produtores receberão uma quantia deste valor para
Excedente do produtor
75
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 75 10/03/20 14:35
cada unidade de produção abaixo de 800, apesar da disposição de vender es-
sas unidades individuais por um preço mais baixo.
De uma forma geométrica, o excedente do produtor é a área acima da curva 
de oferta, mas abaixo do preço de mercado do bem. Assim, a área preenchida 
na Figura 9 representa os excedentes que os produtores recebem vendendo 
800 unidades a um preço de R$ 400, uma quantia acima do que seria neces-
sário, efetivamente, para produzir cada unidade do bem. A área sombreada, 
formada na ilustração por ABC, é o excedente do produtor quando o preço 
é de R$ 400. Matematicamente, essa área é metade de 800 vezes R$ 266,67, 
portanto, R$ 106.666,67.
O excedente do produtor pode ser uma ferramenta gerencial realmente po-
derosa. Supondo que o gerente de uma grande rede de restaurantes compre 
10.000 kg de tomates por semana de um fornecedor a um preço de R$ 1,25 por 
kg, o excedente do produtor que o fornecedor de tomate ganha com a venda 
de 10.000 kg a R$ 1,25 sinaliza ao gerente do restaurante o valor que o forne-
cedor está recebendo além do que estaria disposto a aceitar pelo tomate. Em 
outras palavras, o excedente do produtor do fornecedor de tomate é a quantia 
máxima que o restaurante poderia economizar nos custos do tomate, nego-
ciando com o fornecedor um lote de 10.000 kg do produto. 
O ponto de equilíbrio
 O ponto de equilíbrio, em termos de preço e quantidade em um mer-
cado competitivo, é determinado pelas interações de todos os compradores 
e vendedores num mercado. Os conceitos de oferta e demanda de mercado 
tornam essa noção de interatividade mais precisa: o preço de um bem em um 
mercado competitivo é determinado pela interação da oferta e da demanda 
de mercado deste bem.
Racionalizando a análise de mercado para um único bem, toma-se P como 
preço desse produto e Q como sua respectiva quantidade. A Figura 10 mos-
tra as curvas de oferta e demanda do mercado sobrepostas para esse bem. 
Para se entender como o preço competitivo é determinado, suponha-se ini-
cialmente o preço do bem em PL. Esse preço corresponde ao ponto B na cur-
va de demanda do mercado; os consumidores desejam comprar Q1 unidades 
76
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 76 10/03/20 14:35
daquele item. Ao mesmo tempo, o preço PL corresponde ao ponto A na curva 
de oferta do mercado; os produtores estão dispostos a produzir apenas Q0 
unidades a esse preço. Assim, quando o preço é PL, há uma escassez do bem, 
isto é, não há produtos suficientes para satisfazer todos os consumidores dis-
postos a comprá-los a esse preço.
Preço
Excedente
Quantidade
Escassez
0
S
GF
A B
D
PH
Q0 QC Q1
Pe
PL
Figura 10. Equilíbrio de mercado. Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Para Samuelson e Nordhaus (2013), nas situações em que existe escassez, 
há uma tendência natural para o preço subir. Consumidores incapazes de 
comprar o bem podem oferecer aos produtores a motivação de um preço 
mais alto na tentativa de obter o produto. À medida que o preço sobe de PL 
para Pe, na Figura 10, os produtores têm incentivo para expandir a produção 
de Q0 para Qe. Ao mesmo tempo, conforme o preço aumenta, os consumido-
res estão menos dispostos a comprar aquele bem. Quando o preço sobe para 
Pe, a quantidade demandada é Qe. A esse preço, apenas a quantidade sufi-
ciente do bem é produzida para satisfazer todos os consumidores dispostos 
e capazes de comprar a esse preço. Nota-se que a quantidade demandada é 
igual à quantidade ofertada.
77
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Entretanto, supondo que o preço esteja em um nível mais alto, como PH, 
pode-se afi rmar que esse preço corresponde ao ponto F na curva de deman-
da do mercado, indicando que os consumidores desejam comprar Q0 unida-
des do bem. O preço PH corresponde ao ponto G na curva de oferta do mer-
cado, e os produtores estão dispostos a produzir Q1 unidades a esse preço. 
Assim, quando o preço é PH, há um excedente do bem, no sentido de que as 
empresas estão produzindo mais do que podem vender a um preço de PH.
Inevitavelmente, sempre que existe um excedente, há uma tendência na-
tural do preço cair para igualar a quantidade fornecida à quantidade deman-
dada. Os produtores que não puderem vender seus produtos podem aceitar 
fechar negócio a um preço mais baixo, na tentativa de reduzir seus estoques 
não vendidos.
Como o preço cai de PH para Pe, os produtores fi cam propensos a reduzir 
a quantidade fornecida a Qe. Ao mesmo tempo, ao passo que o preço cai, os 
consumidores fi cam mais dispostos a comprar aquele bem. Quando o preço 
cai para Pe, a quantidade demandada é Qe, e mais uma vez se atinge o equilí-
brio com a quantidade demandada igual à quantidade ofertada.
Em última análise, a interação entre oferta e demanda determina um pre-
ço competitivo, Pe, de modo que não haja escassez nem excedente daquele 
bem. Esse preço é chamado de preço de equilíbrio e a quantidade correspon-
dente, Qe, é chamada de quantidade de equilíbrio para o mercado competiti-
vo. Uma vez que esse preço e quantidade são realizados, as forças de oferta 
e demanda do mercado são equilibradas, e não há tendência para os preços 
subirem ou descerem.
O desequilíbriode mercado
Embora qualquer mercado esteja constantemente suscetível à perturba-
ções de seu ponto de equilíbrio, em função dos deslocadores de demanda 
(renda do consumidor, preços de bens relacionados, publicidade e preferência 
do consumidor, população e expectativas do consumidor, entre outros) e des-
locadores da oferta (preços dos insumos, nível de tecnologia e regulações go-
vernamentais, número de empresas no mercado, substitutos para produção, 
impostos e expectativas dos produtores, entre outros), ocorrem não raramen-
78
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 78 10/03/20 14:35
te movimentos de deslocamentos simultâneos na demanda e na oferta. 
Para ser exato, o equilíbrio de mercado é usualmente uma condição bastante 
delicada, senão instável.
Um exemplo trágico ocorreu no final do século passado, quando um terremo-
to atingiu Kobe, no Japão. Entre outros estragos, o evento causou danos expressi-
vos também à indústria de saquê, diminuindo drasticamente a oferta da bebida 
como consequência. O estresse causado pela tragédia levou muitos japoneses a 
aumentar a demanda por saquê e também por outras bebidas alcoólicas. 
Diante desse cenário, é possível utilizar as ferramentas de análise econômi-
ca para examinar como essas mudanças simultâneas na oferta e na demanda 
afetaram o preço de equilíbrio e a quantidade de saquê.
Na Figura 11, que retrata o cenário descrito, o mercado está inicialmente 
em equilíbrio no ponto A, onde a curva de demanda D0 cruza a curva de oferta 
de mercado S0. Como o terremoto levou a uma redução simultânea da oferta e 
ao aumento da demanda por saquê, o efeito foi a oferta diminuir de S0 para S1, 
e, ao mesmo tempo, a demanda aumentar de D0 para D1. Nesse caso, um novo 
equilíbrio competitivo ocorre no ponto B, uma vez que o preço do saquê au-
menta de P0 para P1 e a quantidade consumida aumenta de Q0 para Q1.
0
A
B
C
Q 2 Q 0 Q 1
D 1
D 0
S 1
S 2
P 0
P 1
P 2
S 0
Preço
Quantidade
Figura 11. Simultâneo aumento na demanda e redução na oferta elevando o ponto de equilíbrio. Fonte: BAYE; PRINCE, 
2016. (Adaptado).
79
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 79 10/03/20 14:35
Como mostram as curvas na Figura 11, o efeito fi nal da diminuição da oferta 
e do aumento da demanda foi aumentar o preço e a quantidade. Mas e se a 
curva de oferta se deslocar muito mais para a esquerda em vez de passar de S0 
para S1, nesse caso S2, de modo a cruzar a nova curva de demanda no ponto C 
em vez de B? Nessa situação, o preço resultante ainda seria maior que o preço 
de equilíbrio inicial P0. Contudo, a quantidade resultante seria menor que o 
equilíbrio inicial: o ponto C implica uma quantidade menor que o ponto A. É 
possível compreender que, quando a demanda aumenta e a oferta diminui, 
o preço de mercado aumenta, mas a quantidade de mercado pode subir ou
diminuir (ambiguidade), dependendo da magnitude relativa das mudanças.
Ao se usar a análise de oferta e demanda para prever os efeitos de mudan-
ças simultâneas, tanto em uma quanto em outra característica, é preciso ter 
cuidado para que as previsões respeitem mais realisticamente o deslocamento 
das curvas. 
Conforme mostra o Quadro 1, mudanças simultâneas na demanda e na 
oferta geralmente levam a ambiguidades: o preço ou a quantidade de equi-
líbrio aumentam ou diminuem. Por esse motivo, é bastante prudente traçar 
várias mudanças simultâneas na oferta e na demanda para verifi car os resul-
tados sintetizados.
NATUREZA DA MUDANÇA AUMENTO NA DEMANDA REDUÇÃO NA DEMANDA
Aumento na oferta Preço: ambíguo 
Quantidade: aumenta
Preço: reduz
Quantidade: ambíguo
Redução na oferta Preço: aumenta
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo
Quantidade: reduz
QUADRO 1. PONTO DE EQUILÍBRIO: IMPACTO DE MUDANÇAS NA DEMANDA E NA OFERTA
Teoria da elasticidade
Diante das perturbações do equilíbrio que qualquer mercado sofre cons-
tantemente, supondo que algumas variáveis aumentem 10%, como o preço 
do produto, o que aconteceria com a quantidade demandada do bem? Com 
base na lei da demanda, sabe-se que a quantidade demandada cairia.
Aumento na ofertaAumento na ofertaAumento na oferta
Redução na oferta
Aumento na oferta
Redução na oferta
Aumento na oferta
Redução na ofertaRedução na ofertaRedução na oferta
Preço: ambíguo 
Quantidade: aumenta
Preço: ambíguo 
Quantidade: aumenta
Preço: ambíguo 
Quantidade: aumenta
Preço: aumenta
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo 
Quantidade: aumenta
Preço: aumenta
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo 
Quantidade: aumenta
Preço: aumenta
Quantidade: ambíguo
Quantidade: aumenta
Preço: aumenta
Quantidade: ambíguo
Quantidade: aumenta
Preço: aumenta
Quantidade: ambíguoQuantidade: ambíguoQuantidade: ambíguo
Preço: reduz
Quantidade: ambíguo
Preço: reduz
Quantidade: ambíguo
Preço: reduz
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo
Quantidade: reduz
Preço: reduz
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo
Quantidade: reduz
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo
Quantidade: reduz
Quantidade: ambíguo
Preço: ambíguo
Quantidade: reduz
Preço: ambíguo
Quantidade: reduzQuantidade: reduz
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
80
SER_ECPME_FUECOAD_UNID2.indd 80 10/03/20 14:35
Como ponderam Saunders e Gilliard (2005), é de notório interesse es-
tratégico para qualquer organização ter a capacidade de dimensionar, mais 
precisamente, se a quantidade demandada cairia 5%, 10% ou outro patamar. 
Nesses termos, a principal ferramenta usada para determinar a magnitude 
de uma alteração é a análise de elasticidade.
Elasticidade é um conceito geral. Ela mede a capacidade de resposta de 
uma variável a alterações em outra variável. Ou seja, trata-se do percentual 
de variação em uma variável que surge devido a dada variação percentual em 
outra variável.
Dois aspectos da elasticidade são importantes: 1) se ela é positiva ou ne-
gativa, e 2) se é maior que 1 ou menor que 1 em valor absoluto.
O sinal da elasticidade determina a relação entre duas variáveis A e B 
correlacionadas. Se a elasticidade é positiva, um aumento em A leva a um 
aumento em B. Se a elasticidade é negativa, um aumento em A leva a uma 
diminuição em B.
O fato do valor absoluto da elasticidade ser maior ou menor que 1 de-
termina como A responde às mudanças em B. Se o valor absoluto da elas-
ticidade for maior que 1, uma pequena mudança percentual em A levará a 
uma mudança percentual relativamente grande em B. Por outro lado, se 
o valor absoluto da elasticidade for menor que 1, uma determinada mu-
dança percentual em A levará a uma mudança percentual relativamente
pequena em B.
Um dos mais importantes conceitos associados à teoria da elasticidade na 
área da economia é a chamada elasticidade-preço da demanda, que mede a 
capacidade de resposta da quantidade demandada a uma mudança de preço. 
Na prática, gestores industriais costumam recorrer a essa medida para deter-
minar o impacto quantitativo de aumentos ou cortes de preços nas vendas e 
receitas da empresa. A elasticidade-preço da demanda por um bem X, comu-
mente denotada por EQx, Px
, é definida pela fórmula:
EQx, Px =
%∆Qx
S 
%∆Px
Se a elasticidade-preço da demanda por um produto tiver valor -3, por exem-
plo, sabe-se que um aumento de 10% no preço do produto levará a um declínio 
de 30% na quantidade demandada do bem, uma vez que -30% ÷ 10% = -3.
81
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Há dois aspectos importantes na análise de elasticidade-preço da demanda: 
sinal (negativo) e valor (maior ou menor que 1 em valor absoluto). Pela lei da 
demanda, há uma relação inversa entre preço e quantidade demandada. Assim, 
a elasticidade-preço da demanda é um número negativo. O valor absoluto da 
elasticidade da demanda do próprio preço pode ser maior ou menor que 1, de-
pendendo de alguns fatores.
Em primeiro lugar, diz-se que a demanda é elástica se o valor absoluto da 
elasticidade-preço da demanda for maior que 1:
|EQx, Px | > 1
Por sua vez, a demanda é considerada inelástica se o valor absolutoda 
elasticidade-preço da demanda for menor que 1:
|EQx, Px
|61
Outros fatores .................................................................................................................. 62
Modelagem da função demanda .................................................................................. 62
Excedente do consumidor ............................................................................................. 65
Introdução à teoria da oferta ............................................................................................. 67
Deslocadores da oferta .................................................................................................. 68
Fatores que afetam a função oferta .................................................................................. 69
Preços dos insumos ........................................................................................................ 69
Nível de tecnologia e regulações governamentais .................................................. 69
Número de empresas no mercado ............................................................................... 70
Substitutos para produção ............................................................................................ 70
Impostos ............................................................................................................................ 70
Expectativas dos produtores ......................................................................................... 72
Modelagem da função oferta ........................................................................................ 73
Excedente do produtor ................................................................................................... 75
O ponto de equilíbrio ........................................................................................................... 76
SER_ECPME_FUECOAD_UNID1.indd 6 10/03/20 14:34
O desequilíbrio de mercado ............................................................................................... 78
Teoria da elasticidade ......................................................................................................... 80
Receita total e elasticidade ........................................................................................... 82
Sintetizando ........................................................................................................................... 85
Referências bibliográficas ................................................................................................. 86
7
SER_ECPME_FUECOAD_UNID1.indd 7 10/03/20 14:34
Sumário
Unidade 3 – Produção
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 88
A teoria clássica da produção ........................................................................................... 89
Adam Smith (1723-1790) ................................................................................................. 89
David Ricardo (1772-1823) ............................................................................................. 96
Karl Marx (1818-1883) ................................................................................................... 101
A elasticidade, função exponencial e os rendimentos da escala de produção ................. 104
Comportamento do consumidor .................................................................................. 104
Restrições ....................................................................................................................... 109
Mudanças na renda ...................................................................................................... 111
Mudanças no preço ...................................................................................................... 113
Equilíbrio do consumidor .............................................................................................. 114
Custo econômico de produção ........................................................................................ 116
Custos de curto prazo ................................................................................................... 116
Custo médio e custo marginal ..................................................................................... 117
Custos fixos e irrecuperáveis ...................................................................................... 119
Custos a longo prazo ..................................................................................................... 121
Sintetizando ......................................................................................................................... 123
Referências bibliográficas ............................................................................................... 125
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Sumário
Unidade 4 - Produção, concorrência e custos
Objetivos da unidade ......................................................................................................... 127
Onde, quando e quanto produzir ...................................................................................... 128
O que e quanto produzir ............................................................................................... 128
Como e para quem produzir ......................................................................................... 129
A estrutura de mercado de concorrência perfeita ...................................................... 129
Condições idealizadoras de concorrência perfeita ................................................ 133
Lucro normal .................................................................................................................. 134
Mercados competitivos e disputados ........................................................................ 135
Mercados não competitivos ........................................................................................ 137
Intervenção governamental ........................................................................................ 138
Resultados ...................................................................................................................... 140
Lucratividade .................................................................................................................. 142
Ponto de desligamento ................................................................................................. 143
Curva de oferta de curto prazo ................................................................................... 146
Críticas ............................................................................................................................ 147
Custos não lineares............................................................................................................ 149
Aplicação ........................................................................................................................ 150
Curvas de custos totais e curvas unitárias ................................................................... 151
Notação ........................................................................................................................... 152
Curvas CTCP e CTLP ..................................................................................................... 153
Curvas CVCP e CFCP ou CV e CF ................................................................................ 154
Curvas CVMED ou CVMEDCP ...................................................................................... 154
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Curvas CMARCP e CMARLP ........................................................................................ 156
Relação entre diferentes curvas ................................................................................ 157
Relação entre curvas de curto e longo prazos ........................................................defendidas. Não é diferente nos estudos econômicos – e, embora 
não haja exatamente uma unanimidade no meio acadêmico entre os nomes que 
devem fi gurar no panteão dos economistas, ao menos três deles são de indis-
cutível recorrência no tocante a examinar o tema da produção pela 
lente econômica: Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx.
Tais autores oferecem importantes contribuições para o cons-
truto econômico dos sistemas de produção e temas associados 
(livre mercado, concorrência etc.) e são, de fato, objetos de estudo 
até os dias atuais, em meio aos embates científi cos que promovem ora sua con-
fi rmação, ora sua refutação, pelos mais variados argumentos e teses derivadas.
Adam Smith (1723-1790)
Com a publicação em 1776 do seu clássico The Wealth of Nations (no Brasil, 
a obra ganhou o título traduzido A Riqueza das Nações), o britânico Adam Smith 
inovava ao argumentar que a visão do 
excedente diz respeito à produção em 
geral, e não apenas à produção agrí-
cola, como costumava ser sustentado 
pelos teóricos até então.
Smith ainda concebeu o lucro 
como um segundo componente do 
excedente, juntamente com o aluguel 
da terra. Então, em condições de livre 
concorrência, supunha-se obter uma 
taxa de lucro tendendo à igualdade 
em todos os setores. É essa perspec-
tiva que defi niu o quadro no qual a 
teoria clássica de valor e distribuição 
foi elaborada.
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A tentativa de entender o que são as forças fundamentais que governam a 
“sociedade comercial” está bem delineada na distinção de Smith entre preço 
de mercado e preço natural. O entendimento é de que o preço real pelo qual 
qualquer mercadoria é comumente vendida é chamado preço de mercado, 
que pode estar acima, abaixo ou até mesmo corresponder exatamente ao 
preço natural.
O preço de mercado de qualquer mercadoria é regulado pela proporção 
entre a quantidade que é ofertada no mercado, por um lado, e a demanda da-
queles que estão dispostos a pagar o preço natural da mercadoria ou o valor 
total do aluguel, mão de obra e lucro, que devem ser pagos sustentar a oferta. 
Para Smith, quando o preço de qualquer mercadoria não é nem mais nem 
menos do que o suficiente para pagar o aluguel das instalações, o salário do 
trabalho contratado e os lucros das ações empregadas na empreitada, a mer-
cadoria é vendida pelo que pode ser chamado de preço natural.
Evidentemente, o preço natural também precisa pagar as matérias-primas 
consumidas e a amortização do capital fixo. No entanto, com o argumento de 
que os preços dos meios de produção também são compostos de salários, 
lucros e aluguel, mais o capital utilizado, Smith conclui que o preço de cada 
mercadoria, em última análise, define-se em uma ou outra, ou todas essas 
três partes.
Esse viés de análise enseja, naturalmente, algumas considerações. Primei-
ramente, o preço de mercado não é uma variável teórica: não sendo pura-
mente empírica, ela envolve algum grau de abstração. Smith não acreditava 
que os preços de mercado devessem ou pudessem ser objeto de análises eco-
nômicas sistemáticas. Por estarem sujeitos ao impacto de uma multiplicidade 
de fatores acidentais que interferem nas forças fundamentais do trabalho, 
os preços de mercado, por sua própria natureza, resistem a uma explicação 
generalizante. Ainda, registre-se que o conceito de Smith de “demanda eficaz” 
se refere a um único ponto definido na dimensão preço-quantidade, e não a 
uma agenda de demanda, como tratado por correntes teóricas posteriores.
Algo que é considerado uma novidade é a abordagem do lucro, com seu 
papel na racionalização dos preços relativos. Em abordagens teóricas ante-
riores, lucro era algo mais restrito ao rendimento empresarial – sobretudo, 
o salário dos administradores do negócio. Mas Smith alertava que, enquanto
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o lugar-comum do entendimento econômico instaurado até então era tomar
lucro apenas como a diferença entre salários de pessoas de chão de fábri-
ca e de direção, ele teria uma definição muito mais complexa, regulado por
princípios bastante diferentes, sem proporção à quantidade, dificuldades ou
engenhosidade dos cargos funcionais em questão. O lucro seria totalmen-
te regulado pelo valor das ações empregadas pelo pessoal envolvido, sendo
maior ou menor proporcionalmente à extensão dessas ações.
A obra é valorizada pela tentativa de compreender toda a dinâmica e adap-
tação das forças de produção, sobretudo em seu impacto junto às mais diver-
sas classes sociais. Foi interesse de investigação de Smith a compreensão 
das razões pelas quais, em sua época, a produtividade era percebida como 
significativamente maior do que em séculos anteriores. Ele faz sua proposi-
ção relacionando este cenário diretamente com a questão da divisão do tra-
balho. Para ele, é inequívoco que um único trabalhador produzindo qualquer 
bem tem desempenho bastante inferior ao da alternativa de composição de 
trabalho especializado, ou seja, dividido entre mais pessoas. Se uma única 
pessoa, por exemplo, produz uma bolsa em quatro dias, o arranjo de mais 
pessoas – cada uma delas responsável pela produção de um único estágio 
de produção, como corte, colagem, acabamento etc – conseguiria resultar na 
entrega de muito mais bolsas em bem menos tempo.
Do ponto de vista de planejamento de sistemas de produção, a novidade 
foi bastante significativa ao finalmente apontar, então, a relação causal entre 
produtividade fabril e grau de especialização das funções da força de traba-
lho. Não foi meramente um ensaio teórico, mas bastante empírico, uma vez 
que, naquela época, diversos empresários começaram a adotar a disposição 
defendida por Smith em suas linhas de produção e, com isso, conseguiram de 
fato dispor de mais produtos realizados em menor prazo 
– consequentemente, a produção de riqueza se tornava,
de fato, maior.
Isso foi suficiente para que Smith propusesse clara 
distinção entre sociedades que adotaram ou não a 
divisão do trabalho naqueles termos: essa passa-
ria a ser a divisão entre sociedades desenvolvidas 
e sociedades rudimentares.
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Alguns fatores infl uenciam bastante o efeito proporcionado pela divisão 
do trabalho especializado, a começar pelo aspecto do tamanho do mercado. 
Quanto maior a população de determinada região, maior é o grau de especia-
lização do trabalhador. Como ninguém produz bens inteiros, mas apenas suas 
partes, é imperativo que haja um sistema de trocas para que todas as pessoas 
possam, dessa forma, sobreviver (negociando seus próprios excedentes de 
produção, que lhe são inúteis para particular consumo, pelo excedente de pro-
dução de outros – desnecessários para esses terceiros, ao mesmo tempo em 
que são estritamente vitais para si). Nesse sentido, é indispensável um equilí-
brio entre o poder de troca e a quantidade de riqueza – ou valor – que é pro-
duzido (equilíbrio este que envolve, entre outros, a ampla aceitação social).
Tal poder de troca pode ser traduzido na forma de moeda: dinheiro é, pois, 
o articulador necessário para viabilizar trocas entre diferentes produtores e
trabalhadores assalariados. Afi nal, é muito mais fácil e prático a permuta de
dinheiro por produtos do que trocar produtos por produtos (escambo). E é com 
essa visão que Smith propõe a decomposição dos componentes formadores
dos preços na forma de salário dos trabalhadores contratados, o lucro do em-
preendedor e custos fi xos, tais como o aluguel de instalações.
Ele também é o precursor da defi nição de capital, uma vez que o conceito 
até a época feudal ainda não havia sido tema de discussão central. Por defi ni-
ção, capital é o recurso que apresenta a capacidade de proporcionar rendimen-
to. Nesses termos, propõem-se três tipos: capital imediato, capital circulante e 
capital fi xo, com respectivas características descritasno Quadro 1.
CAPITAL IMEDIATO Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
roupa e alimentos.
CAPITAL CIRCULANTE Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
CAPITAL FIXO Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
QUADRO 1. TIPOS DE CAPITAL
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
roupa e alimentos.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
roupa e alimentos.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
roupa e alimentos.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
roupa e alimentos.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
roupa e alimentos.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Destinado ao consumo imediato de bens básicos, tais como 
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
lucro (que só se concretiza após a venda do produto).
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
produtividade e lucratividade.
Utilizado para viabilizar compra e venda de produtos, visando 
Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior Reinvestimento na própria empresa, objetivando maior 
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O acúmulo de capital é o terceiro e o determinante fator para aumentar a ri-
queza das nações: conforme exposto anteriormente, o primeiro fator é a divisão 
do trabalho e o segundo é o tamanho do mercado. O argumento é de que o acú-
mulo possibilita a pessoas reinvestirem o capital, com consequente aumento de 
produtividade e da riqueza da sociedade como um todo, em um ciclo virtuoso.
A despeito de suas contribuições teóricas acerca da função do trabalho, do 
mecanismo das trocas, da produção do lucro e do estabelecimento das relações 
sociais subjacentes a tudo isso, é certo que Adam Smith ficou notoriamente co-
nhecido nos meios acadêmico e econômico pela linha de pensamento denomi-
nada liberalismo econômico, sendo praticamente sinônimo dela. 
Ocorre que, com o término do período histórico correspondente à Idade Mé-
dia, eclodem os assim chamados Estados Nacionais, muito bem caracterizados 
por monarquias absolutistas e o mercantilismo. Smith reflete que, apesar das di-
ferentes estruturas políticas e econômicas surgidas, a mentalidade da sociedade 
não consegue acompanhar o mesmo grau de mudança. A visão de que a riqueza 
de uma nação era medida pela quantidade de ouro e prata que se consegue acu-
mular era bastante presente, inclusive no Império Romano. A partir da época dos 
grandes descobrimentos, a vigorosa exploração de jazidas de minerais preciosos 
nas Américas passou a ser propelida com essa motivação. Disto decorre a insti-
tuição do mercantilismo, com efeito de protecionismo alfandegário: as tarifas so-
bre produtos importados eram majoradas visando desestimular a saída de ouro 
e prata das nações. Todavia, observa-se que a mentalidade mercantil conflitava 
com interesses de uma das partes mais enaltecidas por Smith com o liberalismo 
econômico: o consumidor. O liberalismo é, por certo, merecedor da fama que lhe 
é atribuída de vanguardismo na imputação de algum sentido para que as pes-
soas produzam na sociedade mediante o mecanismo das trocas voluntárias e da 
onipresente “mão invisível” do mercado.
CITANDO
 “Não é da benevolência do açougueiro, do fabricante de cerveja ou do padeiro 
que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio 
interesse” (SMITH, 2010, p. 330). Tal visão exprime, na teoria liberal, a explicação 
de que quando os indivíduos agem em função de seus interesses pessoais (ego-
ístas), eles são conduzidos por uma “mão invisível” do mercado: a articulação das 
leis de oferta e demanda produziria, consequentemente, o bem-estar social.
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A crítica liberal não se limita ao protecionismo, mas igualmente se opõe a 
qualquer iniciativa de intervenção estatal que vise modificar as leis de mer-
cado. De fato, Smith se notabilizou por ser um ferrenho crítico das leis que 
interferiam no livre comércio. Seu entendimento é que tais intervenções do 
poder público acabam por distorcer as leis de oferta e demanda com inevitável 
desestímulo à produtividade e aumento irracional de custos.
Na cosmovisão liberal, esvaziado de outras funções que não lhe competem, 
o Estado ainda tem atribuições essenciais e indispensáveis: a promoção da
educação, a segurança pública e a justiça. O entendimento de Smith é que a
divisão do trabalho poderia eventualmente induzir à alienação, o que é nocivo
à saúde das pessoas. Essaseria, precisamente, a oportunidade do Estado se
ocupar de iniciativas que previnam o prejuízo social – bem como da responsa-
bilidade pela defesa nacional, coibindo a invasão de outras nações indepen-
dentes, e da justiça, com seu objetivo de garantia da propriedade privada e do
cumprimento dos contratos. Estes são, aliás, aspectos fundamentais para pro-
duzir a percepção de confiança na sociedade e do estímulo ao livre comércio.
Em suma, Smith tem uma importância histórica indiscutível nas ciências 
econômicas. Afinal, pela consolidação de suas ideias, 
se deu forma a uma explicação estrutural para tudo 
o que começou a se manifestar no quadro social após
o final da Idade Média. Há de se reconhecer que, na so-
ciedade feudal, não se ponderava acerca de divisão do
trabalho como meio de aumentar a riqueza: juros eram 
tidos como “pecado de usura”, a economia era mo-
vimentada pela tradição ou pela imposição de go-
vernos – características completamente adversas ao
posicionamento defendido por Smith.
EXPLICANDO
A usura é entendida como a prática de cobrar uma remuneração abu-
siva pelo uso de capital. Isso implica em um empréstimo pecuniário 
poder ser distorcido por juros excessivamente altos, lesando, assim, 
o devedor. Além de ser uma prática que causa repulsa social, é ainda
tipificada como conduta criminosa em diversos ordenamentos jurídi-
cos, inclusive no âmbito do Brasil.
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Na ciência, nenhuma teoria é acabada em si – e isso não é diferente com 
as ciências econômicas. O fato é que a teoria de Adam Smith serviu de subs-
trato para desenvolvimentos subsequentes, a exemplo do trabalho de econo-
mistas como David Ricardo, conhecido por aprofundar o entendimento do 
liberalismo mediante a teoria do valor-trabalho e da vantagem comparativa. 
Na sequência, Karl Marx viria a fazer oposição frontal, com base em suas 
propostas de socialismo científico e comunismo. 
Com efeito, é bastante comum que as linhas de pensamento econômico 
até hoje sejam comparadas ao grau de adesão que possuem à visão de Smith. 
É o caso, entre inúmeros outros exemplos, de Keynes, com sua leitura econô-
mica da macroeconomia caminhando em sentido oposto à visão de liberdade 
de Smith, por defender a figura de um Estado forte e desenvolvimentista, e 
de Schumpeter, que, para além de suas críticas ao sistema concebido por 
Smith, se notabilizou pela inserção da variável da tecnologia no sistema de 
mercado. Reconhece-se que, talvez em função dos ciclos tão típicos da histó-
ria humana, a sociedade que Adam Smith preconizou e que de fato se desen-
volvia de forma vigorosa e produtiva em função da liberdade econômica e da 
propriedade privada viria a sofrer um forte revés durante o século XX, época 
em que se observava uma maior proliferação de governos de atuação mais 
intervencionista.
Ocorre que o liberalismo sempre é pauta para animar debates econômi-
cos, não sendo diferente no Brasil: é recorrente e permanente a discussão 
acerca de privatizações, do grau de intervenção do estado na economia e 
da abrangência dos impostos. Às vezes, tratam-se de embates profundos e 
sustentados por abordagens científicas consistentes, mas, em outras vezes, 
trata-se de um confronto ideológico mais raso, de contexto eleitoreiro.
Em suma, em meio a apoiadores e detratores, a obra de Adam Smith é 
de importância inconteste para a economia, com sua 
proposta assumidamente em defesa da liberdade e do 
livre comércio operados por um sistema econômico 
que tem no livre mercado sua engrenagem principal. 
Historicamente, sua contribuição teórica foi crucial 
para desestabilizar os antigos paradigmas, abrin-
do espaço para o desenvolvimento das nações.
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David Ricardo (1772-1823)
Embora Smith tivesse um entendi-
mento claro da tendência da unifor-
midade da taxa de lucro em condições 
competitivas, ele não conseguiu ofere-
cer uma solução consistente e lógica 
para o problema da determinação do 
nível da taxa de lucro. É esse, precisa-
mente, o tema dos estudos econômi-
cos principais do economista britânico 
David Ricardo.
Em termos de método econômico, Ricardo expressa plena concordância 
com Adam Smith. Na sua obra, encontram-se elogios pela habilidade acerca 
da proposição de preços naturais versus os de mercado. Ele se sustenta de for-
ma lúcida em Smith, diferenciando-se, no entanto, em função da maior ênfase 
dada às decisões dos proprietários de capital aplicado com fi ns lucrativos em 
geral e dos membros da assim chamada “classe monetária”, ou seja, capitalis-
tas fi nanceiros, em particular.
Ricardo pondera que, embora todo homem seja livre para empregar seu 
capital quando e como quiser, naturalmente ele procurará aplicá-lo de forma 
mais vantajosa. Diante da possibilidade, por exemplo, de auferir 15% de lucra-
tividade, conseguir 10% vai naturalmente descontentá-lo. Essa inquietude por 
parte de todos os investidores (empreendedores ou não) quanto ao abandono 
de um negócio menos vantajoso em detrimento de outro mais vantajoso, tem 
em si a forte tendência de igualar a taxa de lucros de todos, ou fi xá-los propor-
cionalmente, como na estimativa de compensação de qualquer vantagem que 
uma parte possa ter, ou possa parecer ter sobre a outra.
ASSISTA
Neste documentário do Canal Futura, o economista 
Samy Dana entrevista o também economista Leonardo 
Lima, que explica como é possível reduzir a pobreza e 
a desigualdade no quadro social das nações com os 
meios do próprio capitalismo.
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Ricardo acrescenta que talvez seja muito difícil traçar os passos pelos quais essa 
mudança é realizada. De todo modo, o que se pode afirmar é que o processo de ajus-
te não exige que os capitalistas mudem radicalmente seus negócios: mudanças mais 
brandas servem ao intento. E é exatamente nesse contexto que ele enaltece o papel 
dos empresários e dos banqueiros. Essas partes detêm um capital circulante – ou 
seja, fundos líquidos – de grande quantia. A tese é de que não há empreendedor, por 
mais rico que seja, que limite seus negócios na medida em que seus próprios recur-
sos permitem: sempre se parte desse capital flutuante, aumentando ou diminuin-
do seu emprego de acordo com o nível de demanda de suas mercadorias. Por causa 
desse capital flutuante, as variações da lucratividade são reduzidas mais efetivamen-
te. No geral, o princípio de que se distribui capital a cada operação na quantidade 
exata necessária é mais próximo da verdade do que geralmente se supõe.
Em síntese, é a ambição que todo capitalista tem de desfavorecer a destinação 
de seus recursos de uma opção menos lucrativa frente a outra mais lucrativa o que 
impede que o preço de mercado das mercadorias perdure algum tempo em patamar 
muito acima ou muito abaixo do preço natural. É justamente essa competição que 
ajusta o valor permutável das mercadorias: assim, depois de se pagar os salários pelo 
trabalho necessário à produção e assumir todas as outras despesas necessárias para 
colocar o capital empregado em seu estado original de eficiência, o valor restante ou 
excesso produzido pelo negócio se torna proporcional ao valor do capital empregado.
Na premissa de que tal argumentação seja válida, e ainda na premissa adicio-
nal de que uma análise geral dos preços de mercado seja praticamente impossível 
de ser feita, parece perfeitamente sensato deixar de lado os “efeitos temporários” 
produzidos por casualidades e concentrar-se nas leis que regem os preços naturais, 
os salários naturais e os lucros naturais – efeitos em absoluto independentes das 
causas acidentais.
Ricardo criticava a explicação de Smith sobre os níveis normais de preços e as 
variáveis distributivas. Como na visão dele o problema da distribuição de renda é a 
questão principal da política econômica, sua maior preocupação foi tentar elaborar 
umateoria coerente quanto à taxa de lucro, com base no conceito de superávit. Afi-
nal, os lucros provêm do excedente de produção. Nestes termos, o desenvolvimen-
to da linha de pensamento de Ricardo sobre o tema pode ser dividido em quatro 
etapas. Essas etapas refletem as tentativas consecutivas de Ricardo de simplificar o 
problema de distribuição.
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O primeiro passo consistiu em eliminar o problema do aluguel da terra em 
termos da teoria do aluguel. Isso permitiu que ele concentrasse a atenção nas 
terras marginais, ou seja, sem aluguel. Ao livrar-se da variável do aluguel, o que 
se pode fazer com a mercadoria produzida com o último capital empregado e 
com todas as demais mercadorias produzidas pelo trabalho de manufatura, 
a questão da distribuição entre capitalista e trabalhador torna-se algo muito 
mais simples. A teoria do aluguel também serviu de base para uma primeira 
crítica ao que Ricardo chamou de erro original em relação ao valor de Smith, 
ou seja, a doutrina deste último de que o preço natural em si varia com a taxa 
natural de cada uma de suas partes componentes, de salário, lucro e aluguel. 
Como ele enfatizou em seus estudos, o preço do produto não é alto porque o 
aluguel é pago, mas o aluguel é pago porque o produto é caro.
O segundo passo consistia em tentar se livrar do problema do valor assu-
mindo o “modelo do milho”: com o grão de milho como o único bem de capital e 
os salários pagos em termos de milho, a taxa de lucro obtida na produção pode 
ser apurada diretamente como uma relação entre as quantidades de milho – 
nesse caso, a do produto excedente e o capital do milho empregado – sem a 
necessidade de recorrer aos preços. Com o alimento entrando na hipotética 
produção de todas as outras mercadorias (na forma de único salário possível 
e possivelmente também como insumo), os preços dessas mercadorias teriam 
que se ajustar de modo que a mesma taxa competitiva de retorno pudesse ser 
obtida em sua produção.
No entanto, Ricardo teve que aceitar a objeção de Malthus de que não 
existe um setor em que a composição do produto seja exatamente igual à do 
capital avançado. É neste aspecto que as teorias da distribuição baseadas no 
conceito de superávit social são confrontadas com o problema do valor.
EXPLICANDO
Thomas Robert Malthus é considerado o pai da demografia em fun-
ção da sua teoria para o controle do aumento populacional, conhe-
cida como malthusianismo. Muitas vezes creditado como “cientista 
econômico da desesperança”, para Malthus, a diferença entre as 
classes sociais é, em última análise, inevitável, de tal forma que a 
pobreza e o sofrimento seriam o destino para a grande maioria das 
pessoas.
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Afinal, em termos físicos, a taxa geral de lucro é a razão entre o exceden-
te social e o capital social. Contudo, como os dois agregados de mercadorias 
heterogêneas geralmente diferem na composição, eles não podem ser compa-
rados a menos que sejam expressos como magnitudes de valor. Portanto, em 
uma terceira etapa, Ricardo apresentou uma teoria do valor segundo a qual os 
valores de troca das mercadorias são 
regulados pelas quantidades de traba-
lho necessárias direta e indiretamente 
em sua produção. O produto exce-
dente e o capital social, isto é, as duas 
magnitudes cuja razão fornece a taxa 
geral de lucro, poderiam, assim, ser 
mensuradas em termos de trabalho in-
corporado. Por isso, a proposta passou 
a ser conhecida como teoria do valor 
do trabalho, introduzida precisamente 
para superar a dificuldade analítica encontrada na tentativa de explicar os lucros 
em termos do produto excedente deixado depois de considerar o custo de pro-
dução, incluindo os salários dos trabalhadores produtivos.
A suposição de que as mercadorias são trocadas de acordo com as quantida-
des de trabalho nelas incorporadas permitiu a Ricardo dissipar a ideia, sugerida 
pela noção de preço de Adam Smith como uma soma de salários e lucros (e alu-
guel), de que a taxa salarial e a taxa de lucro podem ser determinadas indepen-
dentemente uma da outra. As mudanças vinculativas das restrições nas duas 
variáveis distributivas, ou, mais exatamente, a quantidade de trabalho incorpo-
rada no agregado de bens salariais, ou consumo necessário e a taxa de lucro, 
se fundamentam na visão de que os lucros, que não podem ser repetidos com 
muita frequência, dependem dos salários – não dos salários nominais, mas reais. 
Igualmente, na tese de que quanto maior a parte do resultado do trabalho que 
é dada ao trabalhador, menor deve ser a taxa de lucros e vice-versa. Portanto, 
na visão de Ricardo, Smith havia abandonado prematuramente a regra do valor 
da quantidade de trabalho, como se, quando os lucros e o aluguel fossem pagos, 
existisse alguma influência sobre o valor relativo das mercadorias, independen-
temente da mera quantidade de trabalho necessária à sua produção.
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No entanto, Ricardo logo perceberia que o princípio de que a quantidade 
de trabalho concedido à produção de mercadorias regula seu valor trocável 
não pode ser sustentado como uma regra geral de valor: afinal, ele é consi-
deravelmente modificado pelo emprego de máquinas e outros equipamentos 
fixos e duráveis. Ocorre que, com diferentes proporções de mão de obra direta 
e meios de produção em diferentes indústrias (e com diferentes durabilidades 
desses meios de produção), os preços relativos dependeriam não apenas da 
quantidade de trabalho total incorporado nas várias mercadorias, mas tam-
bém do nível da taxa de lucro, mudando de acordo com esse nível. Isso ocorre 
porque, com juros compostos, o peso do componente de lucro nos preços de-
pende da taxa de lucro. A taxa e as variações contrárias associadas na taxa de 
lucro podem ser consideradas como a etapa final dos esforços do economista 
para simplificar a teoria da distribuição. A medida de valor que Ricardo pro-
curava pretendia corroborar sua convicção de que as leis da distribuição não 
estão essencialmente ligadas à doutrina do valor.
A constatação de que os preços relativos dependem da distribuição do pro-
duto entre salários e lucros poderia ser considerada como uma confirmação 
da doutrina de valor de Smith. No entanto, Adam Smith sustentava que um 
aumento no preço da mão de obra seria uniformemente seguido por um au-
mento no preço de todas as mercadorias. Isso não foi sustentado. Como parte 
da crítica à doutrina de valor de Smith, 
Ricardo pensava ter conseguido de-
monstrar que apenas as mercadorias 
que subiam de preço têm menos capi-
tal fixo empregado.
Em suma, embora devidamente 
ciente de que o princípio da quanti-
dade de trabalho incorporado não 
pode servir como uma regra geral de 
valor, Ricardo a considerava a aproxi-
mação mais próxima da verdade – e, 
por isso mesmo, a entendia como su-
ficiente para desenvolver sua análise 
em seus termos. 
100
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Karl Marx (1818-1883)
O alemão Karl Marx elogiou Ricar-
do por ter elaborado a teoria do valor 
do trabalho, que em sua opinião, era o 
instrumento mais poderoso da política 
econômica, embora o tenha acusado 
de não ter percebido que os desvios de 
preços em relação aos valores trabalhis-
tas não exigiam modifi cações da lei do 
valor, mas que podiam ser explicados 
com base nessa mesma lei.
O relato do processo competitivo 
apresentado por Marx parece ser amplamente consistente com o de Smith e Ri-
cardo. Marx explica que o capital se retira de uma esfera com uma baixa taxa de 
lucro e invade outras, que produzem um lucro maior. Por meio desta incessante 
distribuição entre as várias esferas, cria-se uma proporção de oferta e demanda 
que resulta no lucro médio nas várias esferas de produção.
Marx enfatiza ainda que esse movimento de capitais é causado principalmentepelo nível de preços de mercado, que elevam os lucros acima da média geral em 
um lugar e os deprimem abaixo em outro. Ele ressalta que várias circunstâncias 
podem impedir a mobilidade do capital e do trabalho e, assim, diminuir a velocida-
de da equalização das taxas de lucro.
Sua visão é de que, assim que a produção capitalista atinge certo nível de de-
senvolvimento, a equalização das diferentes taxas de lucro nas esferas individuais 
com a taxa geral não procede mais apenas pelo jogo de atração e repulsa, pelo 
qual os preços de mercado atraem ou repelem o capital. Depois que os preços mé-
dios e seus correspondentes preços de mercado se tornam estáveis por um tem-
po, fi ca claro aos capitalistas individuais que essa equalização equilibra diferenças 
defi nidas, de modo que podem ser incluídas em seus cálculos mútuos.
Ele conclui que o lucro médio é a concepção básica – a concepção de que 
capitais de igual magnitude devem produzir lucros iguais em períodos de 
tempo iguais. Isso, novamente, baseia-se na ideia de que todo capital indi-
vidual deve ser considerado meramente uma parte do total. Marx chama o 
101
SER_ECPME_FUECOAD_UNID3.indd 101 10/03/20 14:36
preço, incluindo a margem de lucro, de “preço de produção”. Assinala, ainda, 
que o que realmente Adam Smith chama de preço natural, Ricardo chama de 
preço de produção ou custo de produção, e os fisiocratas chamam de preço 
necessário, porque, em longo prazo, é um pré-requisito de suprimento, de 
continuidade de produção de mercadorias em todas as esferas individuais.
CURIOSIDADE
Fisiocracia, que do original em grego se traduz por “governo da nature-
za”, é uma teoria econômica desenvolvida por um grupo de estudiosos 
franceses do século XVIII que defendiam que a riqueza das nações era 
derivada unicamente do valor de “terras agrícolas” ou do “desenvol-
vimento da terra”, de tal forma que os produtos agrícolas deveriam ter 
preços elevados – dado o enorme valor da atividade. Foi uma linha de 
pensamento que ecoou mais fortemente na segunda metade do século 
XVIII; para muitos, esta talvez seja a primeira teoria bem desenvolvida 
no campo econômico.
Na visão de Marx, a teoria do valor do trabalho é indispensável porque, 
supostamente, permitiria determinar a taxa de lucro independentemente dos 
preços relativos. Em um segundo momento, essa taxa de lucro pode então ser 
usada para calcular preços, começando pelos custos setoriais de produção ou 
“preços de custo” medidos. Um primeiro e óbvio erro diz respeito ao fato de 
que, em suas equações, os capitais constantes e variáveis devem ser expressos 
em termos de preços, não de valor.
Marx parecia ciente dessa falha em seu argumento, mas pensou que po-
deria ser remediado. No entanto, ao tentar executar as correções necessá-
rias, fica claro que não se pode presumir que a transformação de valores 
em preços de produção seja relevante apenas em relação a mercadorias 
únicas, enquanto é irrelevante em relação a agregados de mercadorias, 
como o excedente de produção ou capital social, cuja razão fornece a taxa 
de lucro. Em outras palavras: geralmente, não se pode excluir que a suposta 
redistribuição da mais-valia envolva um desvio do preço do produto exce-
dente e do capital social de suas expressões de valor da mesma maneira 
que envolve um desvio dos preços de mercadorias únicas de seus valores. 
Assim, preços e taxa de lucro devem ser determinados simultaneamente, 
não sucessivamente.
102
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Em suma, a teoria da mais-valia é calcada na teoria do valor-trabalho. Mas en-
tender como se determina o valor de uma mercadoria não é algo trivial. A teoria do 
valor-trabalho é considerada ultrapassada pelos economistas modernos. De fato, 
já nos idos do século XIX, muitos economistas já tinham se dado conta que não é a 
quantidade de trabalho embutida em um bem que determina o seu valor. 
Por exemplo, supondo-se que um operário trabalhe oito horas em uma em-
presa, ele receberá salário proporcional a essas oito horas de disponibilidade. 
Ocorre que, esse salário está sempre situado no nível de subsistência – Marx e 
grande parte dos economistas daquela época assumiam que os salários sempre 
eram posicionados nesse nível. No mesmo exemplo, pode-se supor ainda que 
tempo de trabalho necessário para que o funcionário produza o valor equivalen-
te ao custo de sua subsistência seja de três horas. Nesse caso, o que aconteceria 
com as cinco horas que sobram? O valor produzido nesse período é capturado 
pelo capitalista. Por isso, o conceito da mais-valia é a materialização do trabalho 
excedente. Na visão de Marx, a exploração no capitalismo se dá pela extração 
de mais-valia.
Das inúmeras críticas que essa linha de pensamento induz, algumas refuta-
ções se destacam como mais facilmente evidentes. Afinal, reconhece-se apenas 
o trabalho humano como elemento gerador de valor. A figura do capitalista ape-
nas parasitaria a relação do trabalho, extraindo mais-valia dos trabalhadores. É
um cenário em que o capital, na forma de máquinas, equipamentos, instalações,
entre outros, é assumido como simplesmente incapaz de produzir valor. Logo,
para que não exista exploração, é necessário que todo valor gerado na produção 
pertença à classe operária.
Heinz Kurz e Neri Salvadori afirmam em sua obra de 1995, Theory of produc-
tion: a long-period analysis, que essa é uma concepção claramente enviesada. 
Afinal, o capitalista, em algum momento, precisou se esforçar e pou-
par recursos para reunir condições de empreender. É indiscutível 
que todo fruto da riqueza resulte do sacrifício das pessoas. O sacri-
fício dos operários é bastante evidente. Contudo, possuir 
meios de produção exige também sacrifícios por parte 
dos capitalistas. Diante deste quadro, trabalhadores e 
capitalistas têm justificativas morais plausíveis e seme-
lhantes para seus ganhos.
103
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A elasticidade, função exponencial e os 
rendimentos da escala de produção
É importante que gestores disponham de ferramentas para tentar entender 
o comportamento de indivíduos, seja como consumidores, seja como trabalha-
dores, sobretudo no que diz respeito ao impacto de incentivos alternativos nas
decisões do dia a dia. Não é algo tão trivial: os seres humanos usam processos
complexos de pensamento para tomar decisões. Essa complexidade é explicada
pelos níveis de volatilidade, ambiguidade e incerteza que caracterizam as informa-
ções que transitam pelo cotidiano das pessoas. Não à toa, o cérebro humano se
mostra capaz de processar tamanha quantidade e qualidade de informação.
A despeito da complexidade inerente aos processos de pensamento humano, 
o fato é que os gestores e os economistas precisam de um modelo que explique
como os indivíduos se comportam no mercado e no ambiente de trabalho. Obvia-
mente, as tentativas de modelar a conduta individual não podem capturar toda a
gama de comportamentos do mundo real, mas uma aproximação válida já ajuda.
Nesses termos, o modelo de comportamento é uma abstração da maneira 
como os indivíduos realmente tomam decisões. Ele começa por um modelo sim-
ples, que se concentra no essencial em vez de se dispersar em características com-
portamentais que pouco fariam para melhorar a compreensão dos padrões de 
decisão. Tal modelo é, com efeito, o que fundamenta as ferramentas analíticas da 
economia, como a elasticidade dos preços, possíveis efeitos de função exponen-
cial e rendimentos da escala de produção.
Comportamento do consumidor
É desafi ador entender como os consumidores responderão às escolhas al-
ternativas que os confrontam. E ocorre ainda que nem sempre quem compra 
um produto ou serviço é quem o consome: gestores empresariais se interes-
sam, então, não apenas em quem consome o bem, mas principalmente em 
quem o compra. Por exemplo, um bebê de poucos meses de idade consome 
mercadorias, mas não éresponsável pelas decisões de compra. Nesse caso, 
para quem trabalha em um fábrica de comida para bebês, é o comportamen-
to dos pais que precisa ser compreendido (muito mais do que o do bebê).
104
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Na caracterização do comportamento do consumidor, há dois fatores 
importantes a serem considerados: oportunidades e preferências do con-
sumidor. As oportunidades do consumidor representam os possíveis 
bens e serviços que os consumidores podem se dar ao luxo de consumir. 
Por sua vez, as preferências do consumidor determinam quais desses 
produtos serão consumidos.
A distinção é muito importante: embora alguém eventualmente possa 
pagar (e, portanto, ter a oportunidade de consumir) um quilo de picanha 
por semana, suas preferências podem ser tais que, dificilmente, se esco-
lheria consumir esse alimento nessa proporção. 
A despeito dos milhões de produtos e serviços à venda hoje na econo-
mia global, uma modelagem simples começa pela suposição da existência 
hipotética de apenas dois produtos. Trata-se de uma suposição feita ape-
nas para simplificar a análise: evidentemente, todas as conclusões que se 
tiram desse cenário de dois bens ainda permanecem válidas quando há 
muitos bens. Considere, portanto, que X representa a quantidade de um 
bem e Y a quantidade do outro bem. Ao usar essa notação para represen-
tar os dois produtos, prevalece um modelo geral, no sentido de que X e Y 
podem ser quaisquer dois bens.
Suponha-se que um consumidor possa ordenar suas preferências por 
pacotes ou combinações alternativas de bens, do melhor para o pior. De-
nota-se essa ordenação pelo símbolo ≻, resultando em A ≻ B sempre que 
o consumidor preferir o pacote A ao pacote B. Se o consumidor entende
os dois pacotes como igualmente satisfatórios, diz-se que ele é indiferente
aos pacotes A e B, adotando-se A ~ B como notação
abreviada. Em suma, se A ≻ B, ao ser dada uma
escolha entre o pacote A e o pacote B, o consu-
midor escolherá o pacote A. Por sua vez, se A ~ B, o
consumidor, tendo a opção entre o pacote A e o
pacote B, não se importa em receber qualquer
um deles. A ordem das preferências preci-
sa satisfazer quatro propriedades básicas:
completude, mais é melhor, taxa marginal de
substituição decrescente e transitividade.
105
SER_ECPME_FUECOAD_UNID3.indd 105 10/03/20 14:36
Propriedade 1: completude. Para dois pacotes A e B, com qualquer configura-
ção (A ≻ B, B ≻ A ou A ~ B).
Assumindo que as preferências sejam completas, implica que o consumidor é 
capaz de expressar uma preferência ou indiferença entre todos os pacotes. Isso sig-
nifica que, se as preferências não estivessem completas, poderia haver casos em 
que um consumidor alega não saber afirmar se prefere A ante B, B ante A ou se é 
indiferente aos dois. Evidentemente, se o consumidor não puder expressar sua pró-
pria preferência ou indiferença entre os bens, o gestor dificilmente poderá prever os 
padrões de consumo desse indivíduo com alguma precisão.
Propriedade 2: mais é melhor. Se o pacote A tiver ao menos o tanto de bens do 
pacote B acrescido de alguns adicionais, o pacote A será preferido ante o pacote B.
Se mais é melhor, o consumidor entende que quantidade é qualidade. Grafica-
mente, isso implica que, à medida que se avança na direção nordeste no Gráfico 1, 
passa-se a pacotes que o consumidor entende como melhores do que pacotes na di-
reção sudoeste. Por exemplo, o pacote A é preferido em relação ao pacote D, porque 
ele, apesar de deter a mesma quantidade do bem X que o pacote D, possui mais do 
bem Y. O pacote C também tem a preferência em relação a D, porque ele possui mais 
dos dois produtos X e Y. Por razões análogas, o pacote B tem a preferência, quando 
comparado com o pacote D.
GRÁFICO 1. CURVA DA INDIFERENÇA
6
5
4
3
2
1
0
X
I
C
D
B
A
1 2 3 4 5 6
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
106
SER_ECPME_FUECOAD_UNID3.indd 106 10/03/20 14:36
Embora a suposição de que mais é melhor forneça informações importan-
tes sobre as preferências do consumidor, isto por si só não é fator decisivo 
na tarefa de determiná-la. Por exemplo, conforme o Gráfico 1, a propriedade 
“mais é melhor” não revela se o pacote B tem a preferência em relação ao A 
ou vice-versa. Para poder fazer essas comparações, é preciso fazer algumas 
suposições adicionais.
A exemplo do ilustrado no Gráfico 1, denomina-se curva de indiferença o 
gráfico que define as combinações de bens X e Y que dão ao consumidor o mes-
mo nível de satisfação; isto significa afirmar que o consumidor é indiferente entre 
qualquer combinação de bens ao longo de uma curva de indiferença. Assim, todas 
as combinações de X e Y localizadas na curva de indiferença fornecem ao consumi-
dor o mesmo nível de satisfação. Por exemplo, se fosse perguntado ao consumi-
dor: “qual você prefere: pacote A, pacote B ou pacote C?”, ele responderia que não 
importa, porque os pacotes A, B e C estão todos na mesma curva de indiferença. 
O formato da curva de indiferença depende das preferências do consu-
midor: diferentes perfis de consumidores geralmente resultam em curvas de 
indiferença de diferentes formas. Uma maneira importante de resumir infor-
mações sobre as preferências de um consumidor se dá através dos termos da 
taxa marginal de substituição, comumente abreviada por TMS ou TMgS. Essa 
taxa é o valor absoluto da inclinação de uma curva de indiferença. Assim, a TMS 
entre dois bens é a taxa na qual um consumidor está disposto a substituir um 
bem pelo outro e ainda manter o mesmo nível de satisfação.
O conceito de TMS é simples. Na Gráfico 1, o consumidor é indiferente entre 
os pacotes A e B. Ao passar de A para B, o consumidor ganha uma unidade do 
bem X. Para permanecer na mesma curva de indiferença, ele abre mão de duas 
unidades do bem Y. Assim, ao passar do ponto A para o ponto B, a TMS entre as 
mercadorias X e Y é 2.
Um olhar atento mostra que a taxa marginal de substituição associada à 
mudança de A para B difere da taxa na qual o consumidor está disposto a subs-
tituir entre as duas mercadorias na mudança de B para C. Em particular, na 
mudança de B a C, o consumidor ganha uma unidade do bem X. Mas agora 
fica disposto a desistir de apenas uma unidade do bem Y para obter a unidade 
adicional de X. O motivo é que essa curva de indiferença satisfaz a propriedade 
de diminuir a TMS.
107
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Propriedade 3: taxa marginal de substituição decrescente. À medida que um 
consumidor obtém mais do bem X, a quantidade de bem Y que ele ou ela está dis-
posto a desistir para obter outra unidade do bem X diminui.
Essa suposição implica que as curvas de indiferença são convexas desde a ori-
gem; isto é, eles se parecem visualmente com a curva de indiferença ilustrada no 
Gráfico 1. Para perceber como os locais de várias curvas de indiferença podem ser 
usados para ilustrar diferentes níveis de satisfação do consumidor, é necessário fa-
zer uma suposição adicional: a suposição de que as preferências são transitivas.
Propriedade 4: transitividade. Para quaisquer três pacotes, A, B e C, se A ≻ B e B 
≻ C, então A ≻ C. Da mesma forma, se A ~ B e B ~ C, então A ~ C.
A premissa de preferências transitivas, juntamente com a propriedade “mais é 
melhor”, implica que as curvas de indiferença não se cruzam. Isso também elimina 
a possibilidade de o consumidor ser pego em um ciclo perpétuo em que nunca se 
faz uma escolha.
As implicações dessas quatro propriedades estão sintetizadas no Gráfico 2, que 
discrimina três curvas de indiferença. Cada pacote situado na curva de indiferença III 
é preferido ante a qualquer um na curva II, assim como todo pacote presente na cur-
va de indiferença II tem a preferência em relação aos pacotes da curva I. As três cur-
vas de indiferença são convexas e não se cruzam. As curvas mais distantes da origem 
implicam níveis mais altos de satisfaçãodo que as curvas mais próximas da origem.
GRÁFICO 2. UMA FAMÍLIA DE CURVAS DE INDIFERENÇA
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
I
II
III
0
Y
X
108
SER_ECPME_FUECOAD_UNID3.indd 108 10/03/20 14:36
Restrições
Ao tomar decisões, os indivíduos enfrentam restrições de todas as naturezas: 
legais, de tempo, físicas e, invariavelmente, restrições orçamentárias. Por isso, é im-
portante examinar o papel que os preços e a renda desempenham na restrição do 
comportamento do consumidor. 
Em síntese, a restrição orçamentária limita o comportamento do consumidor, 
forçando-o a selecionar um pacote de mercadorias que lhe seja fi nanceiramente 
acessível. Para demonstrar como a presença de restrição orçamentária restringe 
a escolha do consumidor, é necessário compor a seguinte notação: M representa a 
renda do consumidor, que pode ser qualquer valor. Ao se utilizar M em vez de um 
valor específi co de renda, entende-se melhor o fato de que a teoria é válida para 
consumidores de qualquer nível de renda. Além disso, PX e PY representam os 
preços dos produtos X e Y, respectivamente. Nesses termos, o conjunto de opor-
tunidades (também chamado de horizonte orçamentário) pode ser expresso ma-
tematicamente como:
PXX + PYY ≤ M
Ou seja, a equação do orçamento defi ne as combinações de bens X e Y acessíveis 
ao consumidor: os gastos do consumidor com o bem X mais suas despesas com o 
bem Y não excedem a renda do consumidor. Observa-se que, se o consumidor gasta 
toda a sua renda com os dois bens, essa equação torna-se uma igualdade (“=” no lu-
gar de “≤”). Essa confi guração é chamada de linha do orçamento, que defi ne todas 
as combinações dos bens X e Y que exaurem por completo a renda do consumidor.
PXX + PYY = M
Isolando-se Y na equação, tem-se:
Y = (M ÷ PY) - (PX ÷ PY)X
Resulta-se, assim, na verifi cação de que Y é uma função linear de X, com uma 
interceptação vertical de M/PY e uma inclinação de -PX / PY. Com base nessa equação, 
a restrição orçamentária do consumidor está ilustrada no Gráfi co 3. A área hachura-
da representa o horizonte de orçamento ou de oportunidades do consumidor. Em 
particular, qualquer combinação de mercadorias X e Y dentro da área hachurada, 
como no caso do ponto G, representa uma combinação acessível de X e Y. Qualquer 
ponto acima da área sombreada, como o ponto H, representa uma composição de 
mercadorias inacessível.
109
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GRÁFICO 3. HORIZONTE ORÇAMENTÁRIO
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016 (Adaptado).
H
G
0
Y
Y = 
X
X
M
Py
M
Px
Px
Py
M
Py
Px
Py
A inclinação da linha do orçamento é dada por -PX/PY e representa a taxa 
marginal de substituição entre os bens X e Y. Para melhor compreensão das 
implicações decorrentes dessa taxa, o Gráfico 4 exemplifica uma linha de 
orçamento para um consumidor que tenha R$ 10 em renda disponível e se 
depara com o preço de R$ 1 pelo bem X e R$ 2 pelo bem Y. Ao substituir 
esses respectivos valores de PX, PY e M na fórmula da linha de orçamento, 
observa-se que a interceptação vertical da linha do orçamento (ou seja, a 
quantidade máxima acessível de bens Y ) é M/PY = 10/2 = 5. A interceptação 
horizontal é M/PX = 10/1 = 10 e representa a quantidade máxima de merca-
dorias do bem X que podem ser compradas. A inclinação da linha do orça-
mento é -PX / PY = -(1/2).
110
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GRÁFICO 4. A LINHA DO ORÇAMENTO
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Linha do 
orçamento
5
B
A
Y
X
0 2 4 10
4
3
A inclinação da linha do orçamento representa a taxa de substituição do 
mercado entre dois bens, e facilitar essa visualização é a principal contribuição 
da ferramenta gráfi ca. Supondo um pacote A adquirido pelo consumidor no 
Gráfi co 4, que representa a situação em que ele compra três unidades do bem 
Y e quatro unidades do bem X: se o consumidor comprasse o pacote B em vez 
do pacote A, ele obteria uma unidade adicional do bem Y. Mas, para isso, ele 
deve abrir mão de duas unidades (4 - 2 = 2) do bem X. Para cada unidade do 
bem Y que o consumidor compra, ele deve desistir de duas unidades do bem X. 
Assim, a taxa de substituição do mercado é ΔY / ΔX = (4 - 3) / (2 - 4) = -1/2, que é a 
inclinação da linha do orçamento.
Mudanças na renda
O horizonte de oportunidades do consumidor depende dos preços de 
mercado e de sua renda. Assim, à medida que esses parâmetros mudam, as 
oportunidades do consumidor também mudam. Por isso, convém examinar 
os efeitos no horizonte de oportunidades advindos de mudanças na receita, 
assumindo que os preços permaneçam constantes.
111
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Supondo-se que a renda inicial do consumidor no Gráfico 5 seja M0, o que 
acontece se M0 aumentar para M1 enquanto os preços permanecerem inalte-
rados? Uma vez que a inclinação da linha do orçamento é dada por -PX/PY, ante 
a premissa de que os preços permaneçam inalterados, o aumento da receita 
não afeta a inclinação da linha do orçamento.
GRÁFICO 5. MUDANÇAS NA RENDA ENCOLHEM OU EXPANDEM OPORTUNIDADES
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
M¹
Py
Y
X0
M 
0
Py
M 
2
M 
2 P 1
x
113
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Equilíbrio do consumidor
O interesse do consumidor é escolher o pacote de consumo que maximiza sua 
utilidade ou satisfação. Não fosse pela escassez, a propriedade “mais é melhor” 
implicaria que o consumidor poderia escolher quantidades infi nitas de mercado-
rias. No entanto, uma das implicações da escassez é a de que o consumidor pre-
cise selecionar um pacote incluído no orçamento, ou seja, um pacote acessível. 
Combinar a teoria das preferências do consumidor com a análise de restrições 
permite visualizar como o consumidor seleciona o melhor pacote acessível.
Por exemplo, considerando um pacote como A no Gráfi co 7, a combinação 
de bens X e Y está na linha do orçamento, de modo que o custo do pacote A 
exaure completamente a receita do consumidor. 
GRÁFICO 7. EQUILÍBRIO DO CONSUMIDOR
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
A
B
C
0
D
Equilíbrio do consumidorI
II
X
Y
III
114
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Dada a renda e os preços correspondentes à linha do orçamento, o con-
sumidor pode se posicionar melhor – ou seja, o consumidor pode obter uma 
curva de indiferença mais elevada. Se o consumidor optar pelo pacote B em vez 
do pacote A, a vantagem é maior, pois a curva de indiferença II, que passa por 
B, fica acima da curva de indiferença I, que passa por A.
Além disso, o pacote B está na linha do orçamento e, portanto, é acessível. 
Em suma, não é a melhor decisão para o consumidor optar pelo pacote A por-
que o pacote B, além de igualmente acessível, proporciona-lhe um maior nível 
de bem-estar.
Contudo, isso não significa que o pacote B seja ideal: ele esgota o orçamen-
to do consumidor, mas há outro pacote acessível ainda melhor, que é o C. Cabe 
observar que existem pacotes, como D, que o consumidor preferiria em re-
lação ao pacote C, mas pacotes nessa região não lhe são acessíveis. Assim, o 
pacote C representa a escolha de equilíbrio do consumidor. O termo equilíbrio 
se refere ao fato de que o consumidor não tem incentivo para mudar para um 
pacote acessível diferente quando esse ponto é alcançado.
Um ponto importante sobre o equilíbrio do consumidor é o fato de que, 
exatamente no ponto de equilíbrio, a inclinação da curva de indiferença é igual 
à inclinação da linha do orçamento. É importante lembrar que o valor absoluto 
da inclinação da curva de indiferença é chamado de taxa marginal de substi-
tuição e que a inclinação da linha do orçamento é dada por -PX/PY, resultando 
no ponto de equilíbrio do consumidor, TMS = PX/PY.
Se essa condição não se mantiver, a taxa que o consumidor estaria disposto 
a adotar na substituição entre os bens X e Y seria diferente da taxa de mercado 
com a qual se pode substituir esses bens. Por exemplo, no ponto A do Gráfico 
7, a inclinação da curva de indiferença é mais acentuada que a incli-
nação da linha do orçamento. Isso significa que o consumidor está 
disposto a desistir de mais bens Y para obter uma unidade adicio-
nal do bem X, com base nos preços de mercado. Conse-
quentemente, é do interesse do consumidor consumir 
menos do bem Y e mais do bem X. Essa substituição 
continua até que o consumidor esteja em um ponto 
como C no Gráfico 7, em que a TMS é igual à razão 
dos preços de X e Y.
115
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Custo econômico de produção
É fato que diferentes confi gurações de curvas de indiferença e de horizontes 
de orçamento acarretam em diferentes custos de produção, permitindo, desta 
maneira, o estudo da composição ideal entre capital e trabalho. Cada uma dessas 
confi gurações corresponde a um nível diferente de produção, de tal modo que o 
custo efetivo da produção se dá pela função das escolhas dessas confi gurações.
Evidentemente, o conhecimento mais apurado (e real) de custos de um sis-
tema produtivo se mostra altamente valioso, afi nal, através dele são fornecidas 
as informações essenciais que um gestor precisar dispor para poder determinar 
um nível de produção que maximize o lucro do empreendimento. Não obstante, 
a função de custo resume informações cruciais sobre o processo de produção. 
Na prática, esta função reduz a quantidade de informações que o gerente preci-
sa processar para tomar decisões mais efetivas sobre o sistema produtivo.
Custos de curto prazo
Em uma análise econômica, o que precisamente defi ne o termo “curto prazo” é o 
período que possui uma duração curta o sufi ciente para que os valores de algumas 
entradas sejam, para todos os efeitos, fi xos. Na prática, no curto prazo, o gestor é 
livre para ajustar o uso de recursos e insumos variáveis, mas fi ca sem a mesma ação 
no que se refere aos níveis existentes de entradas fi xas (no sentido de não haver 
variação em função do nível de produção). Enfi m, como os insumos são costumei-
ramente caros, sejam eles fi xos ou variáveis, vale frisar que o custo total (CT) da pro-
dução no curto prazo consiste no somatório de custo fi xos (CF) e de custos variáveis 
(CV). Os CV incluem os custos de insumos que variam com a produção.
Como todos os custos se enquadram em uma categoria ou outra, a soma 
dos custos fi xos e variáveis é a função de custo de curto prazo da empresa. Na 
presença de fatores fi xos de produção, a função de custo de curto prazo resume 
o custo mínimo possível para produzir cada nível de produção quando fatores
variáveis estão sendo usados com vistas à minimização de custos.
O Gráfi co 8 ilustra as relações entre CT, CV e CF. Como os CF não mudam com 
a produção, são constantes para todos os níveis da mesma, devendo ser pagos 
mesmo com produção zero. Os CV, por outro lado, são zero em caso de nenhuma 
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produção, mas expandem à medida que a produção aumenta acima de zero. 
Visto que CT é a soma de CV e CF, a distância entre as curvas CT e CV no Gráfi co 8 
é simplesmente o nível de CF. Observa-se que as curvas se aproximam à medida 
que fi cam mais íngremes; no entanto, isso se deve ao fato de que, com uma di-
ferença vertical fi xa nas curvas, a diferença horizontal fi ca menor à medida que 
elas fi cam mais exponenciais, fazendo com que pareçam mais próximas dessa 
dimensão (ou seja, quando os CV começam a se tornar proporcionalmente muito 
maiores que os CF).
GRÁFICO 8. A RELAÇÃO ENTRE OS CUSTOS
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Custos
Total, 
variáveis 
e fi xos
0
Q
CF
CT = CV + CF
CF CF CF
CF
CF
CV
CF
Custo médio e custo marginal
Uma suposição equivocada e muito comum sobre custos é a de que as gran-
des empresas os têm em patamares mais baixos que as pequenas, pois produ-
zem maiores quantidades de produto. Contudo, um fato fundamental sobre 
a escassez é que, para produzir mais, é preciso gastar mais. O que o senso 
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comum provavelmente considera quando reflete acerca das vantagens de pro-
duzir grandes quantidades de produção é o fato de que o esforço se distribui 
por um nível maior de produção. Trata-se da ideia intrinsecamente relacionada 
ao conceito econômico de custo fixo médio. O custo fixo médio (CFM) é defini-
do como o patamar de CF dividido pelo número de unidades de produção (Q): 
CFM = CF ÷ Q
Como os CF não variam com a produção, à medida que mais e mais produ-
tos são produzidos, os CF são alocados por uma quantidade maior de produ-
tos. Como consequência, o CFM diminui à medida que a produção é expandida.
De forma análoga, o custo variável médio fornece uma medida de custos 
variáveis por unidade. O custo variável médio (CVM) é definido como custo 
variável (CV) dividido por Q:
CVM = CV ÷ Q
Consequentemente, o custo total médio (CTM) se dá pela razão entre o 
custo total (CT) e Q.
CTM = CT ÷ Q
O conceito de custo mais importante é o custo marginal (ou incremental). 
Conceitualmente, o custo marginal (CM) é o custo de produção de uma unidade 
de produção adicional, ou seja, a alteração no custo atribuível à última unidade 
de produção:
CM = ΔC ÷ ΔQ
Quando apenas um insumo de produção é variável, o CM é o preço deste di-
vidido pelo seu produto marginal. É interessante observar que o produto mar-
ginal aumenta em um primeiro momento, atinge o máximo e depois diminui. 
Como o CM é o inverso do produto marginal multiplicado pelo preço do insu-
mo, ele diminui à medida que o produto marginal aumenta, 
e aumenta quando o produto marginal está diminuindo.
O Gráfico 9 sintetiza o comportamento dos custos CM, 
CTM, CFM e CVM. Convém observar que as formas das cur-
vas indicam a relação entre os custos marginais e os 
médios. São relações que revelam importantes in-
formações, a começar pela observação de que a 
curva de CM cruza as curvas CTM e CVM em seus 
pontos mínimos.
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GRÁFICO 9. A RELAÇÃO ENTRE CUSTO MÉDIO E CUSTO MARGINALFonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
Quando o CM está abaixo de uma curva de custo médio, ele está diminuin-
do, e quando o CM está acima do custo médio, ele aumenta.
Outra informação importante é o fato de que as curvas CTM e CVM se apro-
ximam à medida que a produção aumenta. Isso ocorre porque a única diferen-
ça entre elas é o CFM. Como os patamares de CFM diminuem à medida que a 
produção é expandida, essa diferença diminui conforme os custos fi xos são 
distribuídos por níveis crescentes de produto.
CM$
CTM
CVM
CFM
Q
Mínimo do CVM
Mínimo do CTM
Custos fixos e irrecuperáveis
Existe uma importante distinção entre custos fi xos e os chamados cus-
tos irrecuperáveis (ou “afundados”). Por defi nição, custo fi xo é aquele que 
não muda quando a saída de produção é alterada. Um conceito relacionado 
é o custo irrecuperável, que é aquele que se perde irreversivelmente após 
o pagamento.
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Para ilustrar, suponha que o gerente de uma empresa de carvão acabou de pa-
gar R$ 10.000 para alugar um vagão de trem por um mês. Essa despesa reflete um 
custo fixo para a empresa – incorre em R$ 10.000 independentemente de se usar 
o vagão para transportar dez quilogramas ou dez toneladas de carvão. O quanto
desse dinheiro é um custo irrecuperável depende dos termos do aluguel. Se o con-
trato não permitir que se recupere parcela alguma, uma vez pagos, os R$ 10.000
por inteiro são um custo irrecuperável – afinal, já incorreu no custo, e não há nada
que se possa fazer para alterá-lo. Contudo, se o contrato de locação indicar que se
recebe R$ 6.000 de “bônus” no caso de não se colocar o vagão para trabalhar, ape-
nas R$ 4.000 de R$ 10.000 em custos fixos serão um custo irrecuperável. Os custos
irrecuperáveis são, em última análise, o valor desses custos fixos que não podem ser 
recuperados sob nenhuma hipótese.
Mesmo que os custos irrecuperáveis sejam perdidos para sempre depois de 
pagos, eles não devem ser considerados irrelevantes para a tomada de decisões, 
especialmente para formulação de estratégias mais elaboradas de gestão financei-
ra. Para ilustrar com mais clareza: continuando no mesmo exemplo, suponha que 
o gestor, de fato, pagou uma quantia não reembolsável de R$ 10.000 para alugar
um vagão por um mês, mas imediatamente após a assinatura do contrato ele se dá
conta que não precisa dele (eventualmente, a demanda por carvão pode se mostrar 
significativamente menor do que o esperado). Um fazendeiro se aproxima e propõe
a sublocação do vagão por R$ 2.000. Se os termos do contrato de locação permiti-
rem sublocar o vagão, o gestor deveria aceitar a oferta recebida?
Há quem possa pensar que não, afinal, a empresa aparentemente perde R$ 
8.000 sublocando um vagão de R$ 10.000 por míseros R$ 2.000. Contudo, não é um 
raciocínio consistente. O pagamento da locação de fato não é reembolsável, o que 
significa que os R$ 10.000 são um custo inevitável que já foi perdido. Como não há 
nada que se possa fazer para eliminar diretamente esse custo de R$ 10.000, a única 
questão relevante é se algo pode ser feito para aumentar o fluxo de caixa. Nesse 
caso, é evidente que a decisão ideal é sublocar o vagão, pois isso gera R$ 2.000 em 
receitas que a empresa não obteria de outra forma. Observe-se que, embora os cus-
tos irrecuperáveis sejam irrelevantes na tomada de sua decisão pela perspectiva do 
custo de um insumo em si, eles não o são em termos de equacionamento financeiro 
como um todo, afetando o cálculo do lucro total. Afinal, se a empresa não sublocar o 
vagão, simplesmente perde R$ 10.000; se o sublocar, perde apenas R$ 8.000.
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Custos a longo prazo
Em uma perspectiva de longo prazo, todos os custos são variáveis, afi -
nal, o gestor é livre para ajustar os níveis de todos os insumos. Observe, 
no Gráfi co 10, que a curva de custo médio de curto prazo CTM0 é traçada 
sob a suposição de que existem alguns fatores fi xos de produção. O custo 
total médio da produção do nível de produção Q0, dados os fatores fi xos de 
produção, é CTM0(Q0). No curto prazo, se a empresa aumentar a produção 
para Q1, não poderá ajustar os fatores fi xos e, portanto, os custos médios 
subirão para CTM0(Q1). Todavia, no longo prazo, a empresa pode ajustar os 
fatores fi xos (como, por exemplo, uma nova planta fabril). Considere CTM1 
a curva de custo médio após a empresa ajustar os fatores fi xos da maneira 
ideal. Agora a empresa pode produzir Q1 com curva de custo médio CTM1. 
Se a empresa produzisse Q1 com curva de custo médio CTM0, seus custos 
médios seriam CTM0(Q1).
GRÁFICO 10. TAMANHO IDEAL DE SISTEMA PRODUTIVO 
E CUSTO MÉDIO A LONGO PRAZO
Fonte: BAYE; PRINCE, 2016. (Adaptado).
CTM0 (Q1)
Q0 Q1 Q2
CTM0
Saída
CTM1 CTM2
S
CTM2 (Q1)
CTM2 (Q2)
CTM1 (Q1)
0
CTM1 (Q2)
CTM0 (Q0)
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Ao ajustar os fatores fixos de maneira a otimizar a escala de operação, a 
empresa economiza na produção e pode produzir Q1 unidades a um custo 
médio mais baixo, CTM1 (Q1). Observe que a curva denominada CTM1 é uma 
curva de custo médio de curto prazo com base nos novos níveis de insumos 
fixos que foram selecionados para minimizar o custo de produção de Q1. Se 
a empresa deseja expandir ainda mais a produção – por exemplo, para Q2 
– seguiria a curva CTM1 no curto prazo para CTM1(Q2) até mudar novamente
seus fatores fixos, para incorrer em custos médios mais baixos da produção
de Q2 unidades, identificado como CTM2(Q2).
A curva de custo médio de longo prazo, denotada como CMLP no Grá-
fico 10, define o custo médio mínimo para produzir níveis alternativos de 
produção, permitindo a seleção ideal de todas as variáveis de produção (fa-
tores fixos e variáveis).
Ela é o envelope mais baixo de todas as curvas de custo médio de curto 
prazo. Isso significa que a curva de CMLP fica abaixo de cada ponto nas 
curvas de custo médio de curto prazo, exceto onde ela é igual a cada curva 
de custo médio de curto prazo, nos pontos em que a curva de curto prazo 
usa fatores fixos de maneira ideal. Em essência, podemos interpretar cada 
curva de custo médio de curto prazo, no Gráfico 10 como o custo 
médio de produção em uma planta fabril ou sistema produti-
vo de tamanho fixo. Diferentes curvas de custo médio de curto 
prazo estão associadas a diferentes tamanhos de siste-
mas produtivos. A longo prazo, o gestor da empresa 
é livre para escolher o tamanho ideal da planta fa-
bril para operar o nível desejado de produção, de-
terminando, desta maneira, o CMLP para trabalhar 
nesse nível de produção.
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Sintetizando
Ao menos três teóricos são de indiscutível recorrência quanto ao exame 
do tema da produção pela lente econômica: Adam Smith, David Ricardo e 
Karl Marx. Smith, considerado o “pai” do liberalismo econômico, é conheci-
do pelos mais básicos estudos, tais como o da divisão do trabalho e do lucro 
como racionalizador dos preços relativos.
Ricardo se dedicou à determinação do nível da taxa de lucro, propondo, 
entre outras abordagens de análise econômica, a teoria do valor do traba-
lho. Calcado na teoria do valor de trabalho de Ricardo, Karl Marx apresenta 
sua explicação da mais-valia para fundamentar sua visão sobre a supos-
ta exploração parasitária dos empresários nos sistemas produtivos, o que 
gera discussões até os dias de hoje.
É sempre desafiador entender como os consumidores respondem às es-
colhas alternativas que os confrontam. Modelos simples, embora úteis, ma-
peiam aspectos como oportunidade e preferência do consumidor.
Ao tomar decisões, os indivíduos enfrentam restrições de todas as na-
turezas, sobretudo orçamentárias. Então, é importante examinar o papel 
que os preços e a renda desempenham na restrição do comportamento do 
consumidor. A inclinação da linha do orçamento representa a taxa desubs-
tituição do mercado entre dois bens. No gráfico do horizonte de orçamento, 
interpretamos que mudanças na renda encolhem ou expandem oportunida-
des, e que mudanças no preço alteram a inclinação da linha de orçamento.
O interesse do consumidor é escolher aquilo que maximiza a utilidade ou 
satisfação. Combinar a teoria das preferências do consumidor com a análise 
de restrições nos permite visualizar a maneira como o consumidor selecio-
na a melhor alternativa possível.
Finalmente, o conhecimento dos custos de um sistema produtivo se 
mostra valioso, pois ele fornece as informações essenciais que um gestor 
precisa ter para poder determinar um nível de produção que maximize o 
lucro do empreendimento.
Quanto aos custos de curto prazo, é importante identificar os compo-
nentes variáveis e fixos dos custos totais, bem como saber trabalhar com o 
custo médio e o custo marginal.
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Observe que, embora os custos irrecuperáveis sejam irrelevantes na toma-
da de sua decisão pela perspectiva do custo de um insumo em si, eles não o são 
em termos de equacionamento financeiro como um todo, afetando o cálculo 
do lucro total.
Em uma perspectiva de longo prazo, todos os custos são variáveis, porque 
o gestor é livre para ajustar os níveis de todos os insumos. A curva de custo
médio de longo prazo define o custo médio mínimo para produzir níveis alter-
nativos de produção, permitindo a seleção ideal de todas as variáveis.
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Referências bibliográficas
BAYE, M.; PRINCE, J. Managerial economics and business strategy. 9. ed. Nova 
Iorque: McGraw-Hill, 2016. 
CAPITALISMO, incentivos e pobreza com Leonardo Lima. Postado por Canal 
Futura. (13min. 59s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2020. 
KURZ, H.; SALVADORI, N. Theory of production: a long-period analysis. Cam-
bridge: Cambridge University Press, 1995.
MARX, K. Capital: a critique of political economy. Londres: Penguin Classics, v. 
1, 1992. 
RICARDO, D. The principles of political economy and taxation. Mineola: Do-
ver Publications: 2004.
SMITH, A. The Wealth of nations: an inquiry into the nature and causes of the 
wealth of nations. Hampshire: Harriman House, 2010.
STEVENS, E. Fuzzy front-end learning strategies: exploration of a high-
-tech company. Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2020.
125
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PRODUÇÃO, 
CONCORRÊNCIA E 
CUSTOS
4
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Assimilar os critérios objetivos que norteiam as decisões inerentes aos 
sistemas de produção;
 Analisar os elementos que movem os sistemas de produção de modelos de 
concorrência mais imperfeita, para uma concorrência mais perfeita;
 Entender os conceitos e aplicações das estruturas não lineares de preços;
 Relacionar as diferentes informações acerca das mais variadas curvas de custo.
 Onde, quando e quanto produzir
 O que e quanto produzir
 Como e para quem produzir
 A estrutura de mercado de 
concorrência perfeita
 Condições idealizadoras de 
concorrência perfeita
 Lucro normal
 Mercados competitivos e dis-
putados
 Mercados não competitivos
 Intervenção governamental
 Resultados
 Lucratividade
 Ponto de desligamento
 Curva de oferta de curto prazo
 Críticas
 Custos não lineares
 Aplicação
 Curvas de custos totais e 
curvas unitárias
 Notação
 Curvas CTCP e CTLP
 Curvas CVCP e CFCP ou CV 
e CF 
 Curvas CVMED ou CVMEDCP
 Curvas CMARCP e CMARLP
 Relação entre diferentes 
curvas
 Relação entre curvas de cur-
to e longo prazos
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Onde, quando e quanto produzir
 A produção, a distribuição e a disposição de bens e 
serviços são as atividades econômicas básicas do co-
tidiano. Inevitavelmente, no curso dessas atividades, 
toda sociedade precisa enfrentar o fato da escassez 
de recursos. E, justamente por causa dessa escas-
sez, toda sociedade precisa decidir como melhor 
alocar os recursos escassos. No modelo capi-
talista, os problemas centrais do que produzir, 
quanto produzir, como produzir e para quem produ-
zir são determinados pelo mecanismo de preços livres.
ASSISTA
Um cenário de infl ação controlada aparentemente favo-
rece a viabilidade econômica dos sistemas de produção. 
Contudo, conforme explica o economista Samy Dana, em 
seu quadro na Jovem Pan News, defl ações devem ser 
pontuais, e não sistêmicas, sob risco de prejudicar grave-
mente a equação de oferta e de demanda.
O que e quanto produzir
Primeiramente, a questão essencial que se impõe é: afi nal, quais merca-
dorias devem ser produzidas e em que quantidades? A premissa é que as 
mercadorias que não refl etem preços positivos no mercado não devem ser 
produzidas. Por isso, somente mercadorias que apresentem expectativa de 
viabilidade econômica devem ser produzidas, de maneira que sejam absorvi-
das tão imediatamente quanto possível pelo mercado.
Por isso, a quantidade na qual uma mercadoria deve ser produzida é esta-
belecida no nível em que a demanda é igual à oferta. Se a quantidade produ-
zida for maior ou menor, haverá desequilíbrio no mercado e o preço fl utuará. 
Portanto, para manter um preço de equilíbrio estável, torna-se necessário pro-
curar igualar a demanda e a oferta. Esta regra se aplica a todo tipo de merca-
doria e, dessa maneira, o primeiro problema central é devidamente abordado.
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Como e para quem produzir
Nestes termos, tecnologia signifi ca a proporção adequada na qual os di-
ferentes fatores de produção devem ser combinados e empregados. Assim, 
essencialmente, existem dois tipos de técnicas: o trabalho intensivo, carac-
terizado por empregar relativamente mais labor humano e menos capital; e a 
técnica intensiva em capital, que signifi ca justamente o oposto: mais capital 
e menos labor.
Evidentemente, a escolha da técnica depende dos preços dos fatores de 
produção. Ou seja, se a mão de obra é barata e o capital é caro, uma técnica 
de trabalho intensivo é a preferida, e vice-versa. Devemos sempre levar em 
consideração que os preços do trabalho e do capital são determinados pela 
demanda e oferta de trabalho e de capital, respectivamente. Dessa forma, o 
segundo problema pode ser sanado.
Uma mercadoria, seja na forma de bem físico manufaturado ou de serviço 
prestado, só pode ser consumida por pessoas que têm o devido poder de 
compra. O mecanismo de preços leva em consideração a renda dos trabalha-
dores e, consequentemente, o poder de compra do proprietário do capital. 
Portanto, o terceiro problema é devidamente equalizado quando os preços 
de todas as mercadorias e de todos os fatores de produção estiverem devida-
mente determinados.
A estrutura de mercado de concorrência perfeita
 No campo das ciências econômicas, mais precisamente na teoria do 
equilíbrio geral, existe o conceito de mercado perfeito (também conheci-
do como mercado atomístico). Trata-se da concretização de várias condi-
ções idealizadoras, que resultam na confi guração de competição perfeita 
ou competição atomística. Nos modelos teóricos em que as tais condições 
são observadas, a teoria prevê que o mercado alcance um equilíbrio, 
no qual a quantidade ofertada para cada produto ou serviço, 
incluindo-se aí mão de obra, seja igual à quantidade de-
mandada pelo preço atual. Esse equilíbrio equivale a um 
ótimo de Pareto.
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EXPLICANDO
Eficiência de Pareto, ou ótimo de Pareto, é uma proposição concebida 
pelo cientista e economista italiano Vilfredo Pareto. Em sua definição de 
um estado de alocação de recursos, se torna impossível157
Sintetizando ......................................................................................................................... 160
Referências bibliográficas ............................................................................................... 160
10
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Todo livro que carrega o título de “fundamentos” precisa primordialmente 
priorizar a compreensão de conceitos associados ao domínio de conhecimento 
ao qual é direcionado. Não é diferente com os fundamentos de Economia – 
afi nal, dominar com clareza os conceitos econômicos é a base para o entendi-
mento tanto da Economia como uma ciência em si quanto do próprio processo 
de tomada de decisão fundamentada. É assim que se constituem verdadeiras 
ferramentas analíticas para que se possa apreciar questões econômicas tanto 
em esfera pessoal quanto social.
Assim, convido o aluno a absorver estes conhecimentos, que são úteis para 
qualquer cidadão e profi ssional da atualidade – portanto, é um conteúdo que 
não se restringe a estudantes de Economia. Afi nal, com as pessoas conscientes 
ou não que vivem imersas em um sistema econômico, o mínimo de letramento 
a respeito é necessário para melhor desempenho do cidadão, seja no papel de 
produtor ou de consumidor de bens e serviços.
Nesse tocante, esta obra percorre os mais elementares conceitos associa-
dos à área econômica, investiga as principais correntes teóricas a seu respeito 
e oferece especial atenção a ferramentas de análise, o que permite sufi ciente 
domínio em aspectos tão essenciais como escassez, produção, oferta, deman-
da, concorrência, pontos de equilíbrio e desequilíbrio, linearidade, entre tantos 
outros. Bons estudos!
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Apresentação
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Este livro é dedicado a todos os pais e mães de família, que, além de outras 
atribuições obrigatórias, são também exímios economistas das instituições 
de seus lares.
O professor Rodrigo Sartori é doutor 
em Administração pela Universidade 
Positivo (2018), com período-sanduí-
che na University of Massachusetts, 
Amherst, EUA (2017), mestre em En-
genharia da Produção pela UTFPR 
(2012), especialista em Gestão do Co-
nhecimento nas Organizações pela 
UTFPR (2005) e Engenheiro Industrial 
Elétrico pela UTFPR (1999). Possui 
mais de 20 anos de experiência em 
indústrias de alta tecnologia. Atua 
como consultor empresarial e pesqui-
sador, com concentração em campos 
como gestão e inovação, incluindo 
atividades nos EUA e na Espanha.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/7251100963170657
13
O autor
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INTRODUÇÃO À 
ECONOMIA
1
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Compreender os diversos conceitos fundamentais relacionados à economia;
 Aprofundar o entendimento da curva de possibilidade de produção como 
categoria analítica em economia;
 Examinar os vínculos de fatores de produção com sistemas econômicos 
variados.
 Conceito de economia 
 Escassez e escolha 
 Custo da oportunidade e 
trade-offs
 Produtividade
 Sistemas econômicos
 Instituições e incentivos econô-
micos
 Troca, dinheiro e interdepen-
dência
 O problema econômico 
fundamental
 Problema de alocação de 
recursos
 Problema do pleno emprego 
dos recursos
 Problema do crescimento 
econômico
 Curva de possibilidade de 
produção/custo de oportunidade
 Posição
 Propriedades
 Forma
 Custo de oportunidade
 Fatores de produção
 Algumas escolas de economia
 Sistema econômico
 Componentes
 Tipologia
 Relação da economia com as 
demais ciências
 Divisão do estudo econômico
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Conceito de economia
Uma economia (do grego οίκος, 
“agregado familiar”, e νέμoμαι, “ad-
ministrar”) é uma área de produção, 
distribuição e comércio, bem como 
consumo de bens e serviços por di-
ferentes agentes. Entendido em seu 
sentido mais amplo, a economia é de-
fi nida como um domínio social que en-
fatiza práticas, discursos e expressões 
materiais associados à produção, ao 
uso e ao gerenciamento de recursos.
Agentes econômicos podem ser indivíduos, empresas, organizações ou 
governos. Diz-se que transações econômicas ocorrem quando dois grupos ou 
partes concordam com o valor ou preço do bem ou serviço transacionado, co-
mumente expresso em uma determinada moeda.
No entanto, as transações monetárias representam apenas uma pequena 
parte do domínio econômico. A atividade econômica é estimulada pela produ-
ção que utiliza recursos naturais, trabalho e capital. Isso mudou ao longo do 
tempo devido à tecnologia e à inovação – e continua e continuará sempre a 
mudar devido a essas mesmas razões.
Uma dada economia é o resultado de um conjunto de processos que envol-
ve sua cultura, valores, educação, evolução tecnológica, história, organização 
social, estrutura política e sistemas jurídicos, além de sua geografi a, recursos 
naturais e ecologia, como principais fatores. Esses fatores fornecem contex-
to, conteúdo e defi nem as condições e parâmetros nos quais uma economia 
funciona. Em outras palavras, o domínio econômico é um domínio social das 
práticas e transações humanas – essencialmente, de uma coletividade.
Convém entender os conceitos da economia como a constituição do mais bási-
co vocabulário desse campo do conhecimento. Conforme apresentado no Quadro 
1, é possível considerar ao menos seis conceitos econômicos fundamentais. Trata-
-se de uma lista que reúne aspectos que grande parte dos economistas considera
os mais básicos dentre inúmeros conceitos que se pode enunciar em economia.
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1. Escassez e escolha
2. Custo da oportunidade e trade-off s
3. Produtividade
4. Sistemas econômicos
5. Instituições e incentivos econômicos
6. Troca, dinheiro e interdependência
QUADRO 1. OS SEIS CONCEITOS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS
Fonte: SAUNDERS; GILLIARD, 2005. (Adaptado).
Escassez e escolha
O dilema econômico que se impõe a indivíduos, grupos e sociedade como 
um todo é que os recursos produtivos são limitados em relação às necessida-
des das pessoas; em suma, não se pode ter tudo o que se almeja.
Essa é, precisamente, a condição básica da escassez, que se desdobra então 
em um aspecto bastante prático: a exigência que as pessoas façam escolhas 
sobre como utilizar os recursos disponíveis de maneira mais efi caz para satis-
fazer seus desejos.
De fato, a escassez resulta do desequilíbrio entre níveis relativamente ilimi-
tados de desejos, por um lado, e recursos relativamente limitados disponíveis 
para satisfazer tais desejos, por outro.
É interessante observar que, em estrita análise, nenhuma sociedade, mes-
mo no ápice de seu desenvolvimento, jamais teve recursos sufi cientes para 
produzir quantidade e variedade completa de bens e serviços que seus mem-
bros desejavam.
Por isso, a escassez implica invariavelmente em escolha: se as pessoas não 
podem ter tudo o que gostariam, não resta alternativa senão escolher e, con-
sequentemente, defi nir prioridades.
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Custo da oportunidade e trade-offs
O que se entende por custo da oportunidade é o benefício que se sacri-
fica da próxima melhor alternativa quando recursos escassos são usados 
para um determinado propósito e não para outro. Isso vale, evidentemen-
te, para todo tipo de escolha: por exemplo, se um jovem opta por se tornar 
chefe de cozinha, em vez de advogado, arquiteto ou engenheiro, o custo 
da oportunidade se refere à inevitável perda das alternativas mais impor-
tantes perdidas.
Termo técnico bastante comum na área da economia, trade-off signifi-
ca aceitar ou escolher menos de uma determinada coisa para, justamente 
devido a isso, conseguir se obter mais de outra coisa.
EXPLICANDO
Na traduçãorealocá-los de tal 
forma que a situação de uma parte qualquer seja melhorada sem piorar a 
situação de outra parte. Dada sua amplitude conceitual, suas aplicações 
se dão em variados campos, como a informática, a economia, a engenha-
ria e as ciências sociais.
Para Robert H. Frank (2014), a concorrência perfeita provê tanto eficiência aloca-
tiva quanto eficiência produtiva. Primeiramente, é necessário considerar que merca-
dos com essa característica são alocativamente eficientes, pois a produção sem-
pre ocorrerá no ponto em que o custo marginal (CMAR) coincida com a receita média 
(RMED), ou seja, preço CMAR = RMED. Em concorrência perfeita, qualquer produtor 
que maximiza o lucro enfrenta um preço de mercado igual ao CMAR (P = CMAR). 
Isso implica que o preço de um fator é igual ao produto de receita marginal da-
quele fator e ainda permite derivar a curva de oferta na qual a abordagem neoclás-
sica se baseia. Essa também é a razão por trás da máxima de que “um monopólio 
não possui uma curva de oferta”, afinal, o monopólio produz apenas no ponto ótimo 
e, uma vez que inexiste função para apenas um ponto, não dá para traçar uma “cur-
va” de oferta. De tal modo, o abandono da tomada de preços cria dificuldades con-
sideráveis para a demonstração de um equilíbrio geral, exceto sob outras condições 
muito específicas, como a da concorrência monopolista (Gráficos 1 e 2).
GRÁFICO 1. EQUILÍBRIO DE CURTO PRAZO DA EMPRESA SOB CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
CMED
O Q
RMAR
RMED
CMED
CMAR
Produção
P
$
130
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No Gráfico 1, a empresa maximiza seus lucros e produz uma quantidade em 
que sua receita marginal (RMAR) é igual ao seu custo marginal (CMAR). A em-
presa é capaz de adotar um preço com base na curva de receita média (RMED). 
A diferença entre a receita média da empresa e o custo médio, multiplicada 
pela quantidade vendida (Q), determina o lucro total.
GRÁFICO 2. EQUILÍBRIO DE LONGO PRAZO DA EMPRESA SOB CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
Por sua vez, o Gráfico 2 demonstra que a empresa ainda produz no ponto 
em que custo marginal (CMAR) e receita marginal (RMAR) se igualam. Contudo, 
a curva de demanda (RMAR e RMED) se desloca à medida que outros concor-
rentes adentram o mercado, acirrando a competição. A empresa, então, não 
vende mais seus bens e serviços acima do custo médio e, assim, não consegue 
mais auferir lucro.
As características de longo prazo de um mercado monopolisticamente com-
petitivo são quase as mesmas de um mercado perfeitamente competitivo. Po-
rém, duas diferenças entre tais mercados são que a concorrência monopolista 
produz produtos heterogêneos e envolve um alto nível de concorrência, não 
relacionada aos preços, que se baseia na diferenciação sutil do produto. Uma 
empresa que obtém lucros no curto prazo, no entanto, conseguirá no máximo 
atingir o ponto de equilíbrio (breakeven) no longo prazo, porque a demanda 
diminuirá e o custo total médio aumentará.
Dito de outra forma, isso significa que, a longo prazo, uma empresa mono-
polisticamente competitiva obterá lucro econômico zero. Isso tem o poder de 
O Q
RMAR
RMED
CMED de longo prazo
CMAR de longo prazo
Produção
P
$
131
SER_ECPME_FUECOAD_UNID4.indd 131 10/03/20 14:35
mostrar o nível de influência que a empresa exerce sobre o mercado, afinal, por 
causa da lealdade à marca, a empresa pode aumentar seus preços sem perder 
todos os seus clientes. Isso significa que a curva de demanda de uma empresa 
individual é inclinada para baixo, em contraste com a concorrência perfeita, 
que possui um cronograma de demanda de mercado perfeitamente elástico.
EXPLICANDO
O cronograma de demanda de mercado perfeitamente elástico se dá 
quando a demanda pode variar de zero até o máximo, com pequenas os-
cilações de preço. Se refere a um comportamento que ocorre, na prática, 
para a demanda de uma empresa atuando em um mercado perfeitamente 
competitivo, em que o preço é determinado exclusivamente pelo mercado.
No que tange a eficiência produtiva, no curto prazo, mercados per-
feitamente competitivos não são necessariamente eficientes em produ-
ção, pois nem sempre ela ocorre com o custo marginal igual ao custo médio 
(CMAR = CMED). No entanto, a longo prazo, a eficiência produtiva ocorre quando 
novas empresas entram no setor. Isto se explica pelo fato de que a concorrên-
cia reduz o preço e o custo ao mínimo dos custos médios de longo prazo. Nesse 
ponto, o preço é igual ao custo marginal e ao custo total médio de cada bem 
(P = CMAR = CMED).
A teoria da concorrência perfeita remonta ao pensamento econômico do 
final do século XIX. O matemático e economista francês Léon Walras é reco-
nhecido por ser o vanguardista de uma definição científica mais rigorosa de 
concorrência perfeita e seus efeitos associados. Décadas depois, já nos anos 
1950, a teoria foi formalmente enunciada pelo norte-americano Kenneth Arrow 
e pelo francês Gérard Debreu – ambos matemáticos e economistas ganhado-
res de prêmios Nobel de Economia.
Concorrência perfeita, como bem lembram Samuelson e Nordhaus (2013), 
é uma abstração conceitual: mercados reais nunca são perfeitos. Os econo-
mistas que se fundamentam na concorrência perfeita como uma aproximação 
útil dos mercados reais usualmente recorrem a classificações comparativas, 
variando do quase perfeito ao muito imperfeito. Na prática, é dito que os mer-
cados de ações e de câmbio são os que mais se aproximam de um comporta-
mento de mercado perfeito. 
132
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Por sua vez, o mercado imobiliário é um exemplo notório de mercado muito 
imperfeito. Em tais mercados, a teoria do segundo melhor (fruto dos estudos 
do economista canadense Richard Lipsey e do economista australiano Kelvin 
Lancaster) sustenta que, se uma condição de otimização em um modelo eco-
nômico não puder ser satisfeita, é possível que a próxima melhor solução en-
volva mudar outras variáveis dos valores que, de outra forma, seriam ótimos 
(decorrendo então a situação em que uma ou mais condições de otimização 
não podem ser satisfeitas).
Condições idealizadoras de concorrência perfeita
Há um conjunto de diferentes con-
dições de mercado que se apresenta 
como requisito para a confi guração de 
concorrência perfeita, conforme des-
crito por Frank (2014) e O’Hara (2015). 
Entre elas:
• Grande número de comprado-
res e vendedores: é necessário um 
grande número de consumidores, com vontade e capacidade de comprar o
produto a um determinado preço, e um grande número de fornecedores,
com vontade e capacidade de ofertar o produto a um determinado preço;
• Informação perfeita: é preciso que todos os consumidores e fornecedo-
res conheçam todos os preços de produtos e utilidades/benefícios passíveis
de obtenção ao dispor de cada produto;
• Produtos homogêneos: os produtos são substitutos perfeitos um para o
outro, signifi cando que as qualidades e características de um bem ou ser-
viço de mercado não variam entre os diferentes fornecedores (enquadra-
mento como commodities);
• Direitos de propriedade bem defi nidos: determinação do que pode ser
vendido e quais direitos são conferidos ao comprador;
• Sem barreiras à entrada ou saída: pressupõe um livre mercado legítimo;
• Todo participante é um tomador de preço: não há participante com po-
der de mercado para defi nir preços;
133
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• Mobilidade perfeita de fatores: a longo prazo, os fatores de produção
são perfeitamente móveis, permitindo ajustes sem custo para as mudanças
nas condições do mercado;
• Maximização do lucro dos vendedores: as empresas vendem onde é ge-
rado o maior lucro, ou seja, no ponto em que os custos marginais atendam
à receita marginal;
• Compradores racionais: os compradores se baseiam no critério de fazer
apenasnegócios que aumentem sua utilidade econômica. Por isso, sem um
aumento de utilidade evidente, não há negócio;
• Sem externalidades: Os custos ou benefícios de uma atividade não afe-
tam terceiros, excluindo também qualquer intervenção do governo;
• Custos de transação nulos: compradores e vendedores não incorrem em
custos na troca de mercadorias, em um mercado perfeitamente competitivo;
• Retornos não crescentes de escala e ausência de efeito de rede: a falta
de economias de escala ou efeitos de rede garante que sempre haverá um
número sufi ciente de empresas no setor;
• Regulamentação anticoncorrencial: pressupõe-se que um mercado de
concorrência perfeita deva estabelecer regulamentações e proteções implíci-
tas, no controle e na eliminação da atividade anticoncorrencial no mercado.
Lucro normal
Em um mercado perfeito, os vendedores operam com superávit econômi-
co zero, porque eles obtêm um nível de retorno do investimento conhecido 
como lucro normal. Isso se trata de um componente dos custos implícitos, e 
não um componente do lucro comercial. Afi nal, ele engloba também o custo 
de oportunidade, pois o tempo que o proprietário gasta administrando sua 
empresa poderia muito bem ser empregado na administração de 
um empreendimento diferente. 
O parâmetro do lucro normal é, portanto, o lucro que o 
proprietário de uma empresa considera necessário para 
fazer com que a empresa valha a pena, ou seja, é com-
parável ao próximo melhor valor que o empresário 
poderia auferir ao desempenhar algum outro trabalho. 
134
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Particularmente, se o empreendimento não é contabilizado como um fator de 
produção, ainda pode ser considerado o retorno sobre o capital de investido-
res, incluindo o empreendedor, equivalente então ao retorno que o proprietá-
rio do capital poderia esperar (comparando com a alternativa de aplicar em um 
investimento seguro), além de uma compensação pelo risco assumido. 
Em suma, o custo do lucro normal varia dentro de um setor e entre os 
setores, e é proporcional ao risco associado a cada tipo de investimento, 
conforme o espectro risco-retorno. Somente os lucros normais surgem em 
circunstâncias de concorrência perfeita, quando o equilíbrio econômico de 
longo prazo é alcançado, em tal confi guração que não há incentivo para que 
as empresas entrem ou saiam do setor.
Mercados competitivos e disputados
Conforme ilustra o Gráfi co 3, é somente no curto prazo que uma empre-
sa, que opera em um mercado perfeitamente competitivo, pode obter lucro 
econômico.
GRÁFICO 3. LUCRO ECONÔMICO CONDICIONADO AO CURTO PRAZO
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
Com efeito, como comenta Robert H. Frank (2014), o lucro econômico não 
ocorre em concorrência perfeita, em equilíbrio de longo prazo. Se assim o 
fosse, haveria incentivo para que novas empresas entrassem no setor, auxi-
liadas pela falta de barreiras à entrada, até que não houvesse mais lucro eco-
P
Preço
Lucro econômico
CMAR
CMED
RMED = CMAR
Q Quantidade
C
135
SER_ECPME_FUECOAD_UNID4.indd 135 10/03/20 14:35
nômico. Na medida em que novas empresas adentram o 
setor, elas aumentam a oferta do produto disponível no 
mercado, e essas novas empresas são, assim, forçadas 
a cobrar um preço mais baixo para atrair os consumi-
dores a comprar a oferta adicional disponibilizada no 
mercado, uma vez que todas as empresas compe-
tem por clientes.
As empresas existentes no setor são compelidas 
a enfrentar a perda de seus clientes para as novas em-
presas, que entram no setor e, portanto, são forçadas a baixar seus preços 
para corresponder aos preços mais baixos. Novas empresas tendem a conti-
nuar entrando no setor, até que o preço do produto seja reduzido ao ponto de 
ser o mesmo que o custo médio de produção, de tal forma que todo o lucro 
econômico se esvai. Quando isso acontece, agentes econômicos fora do se-
tor não encontram vantagem em formar novas firmas para o setor, a oferta 
do produto para de aumentar e o preço cobrado pelo produto se estabiliza, 
chegando em um equilíbrio.
O mesmo se aplica aos equilíbrios de longo prazo das indústrias mono-
polisticamente competitivas e, de modo mais geral, a qualquer mercado que 
seja considerado disputado. Normalmente, uma empresa que introduz um 
produto diferenciado pode garantir, inicialmente, um poder de mercado por 
uma curta duração. Nessa fase, o preço inicial que o consumidor deve pagar 
é alto, e a demanda e disponibilidade do produto no mercado são limitados.
A longo prazo, no entanto, quando a lucratividade do produto estiver bem 
estabelecida, havendo poucas barreiras à entrada, o número de empresas 
que produzem esse produto aumentará, até que a oferta disponível acaba 
se tornando relativamente grande. Consequentemente, o preço do produto 
diminui até o nível do seu custo médio de produção. Quando isso finalmente 
ocorre, todo o lucro do monopólio, associado à produção e venda do produto, 
desaparece e, assim, aquilo que era inicialmente monopólio se transforma 
em um setor competitivo convencional. 
No caso de mercados disputados, o ciclo geralmente termina com a saída 
dos ex-participantes do mercado, retornando à indústria ao seu estado ante-
rior, apenas com um preço mais baixo e sem lucro econômico para as empre-
136
SER_ECPME_FUECOAD_UNID4.indd 136 10/03/20 14:35
sas estabelecidas. No entanto, o lucro pode ocorrer em mercados competiti-
vos e disputados a curto prazo, à medida que as empresas disputam posição 
de mercado. Assim que o risco é contabilizado, o lucro econômico duradouro 
em um mercado competitivo é visto como resultado de constantes cortes de 
custos e melhoria de desempenho, à frente dos concorrentes do setor, permi-
tindo que os custos fi quem abaixo do preço defi nido pelo mercado.
Mercados não competitivos
Conforme ilustra o Gráfi co 4, um monopolista encontra condições para fi xar 
um preço acima dos custos, obtendo lucro econômico. Observa-se, então, que 
um oligopólio geralmente também tem lucro econômico. Nesse caso, a ope-
ração se dá em um mercado com mais de uma empresa (confi guração em que 
os competidores compartilham a demanda disponível pelo preço de mercado).
GRÁFICO 4. LUCRO ECONÔMICO DE UM MONOPOLISTA
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
De fato, o lucro econômico é muito mais prevalente em mercados não 
competitivos, como ocorre diante de uma situação perfeita de monopólio ou 
oligopólio. Nesses cenários, as empresas individuais têm algum elemento de 
poder de mercado: embora os monopolistas sejam limitados pela demanda 
do consumidor, eles não são tomadores de preço, mas sim fazedores de pre-
ços ou determinadores de quantidades. Isso permite que a empresa defi na 
um preço mais alto do que o encontrado em um setor semelhante, mas mais 
Preço
P
Q
RMAR
RMED = P
CMED
CMAR
Quantidade
Lucro
econômico
137
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competitivo, permitindo o lucro econômico tanto no longo, quanto no curto 
prazo.
EXPLICANDO
No jargão da Economia, existem os price-makers (fazedores de preço, em 
tradução livre) e os price-takers (tomadores de preço, em tradução livre). 
Usualmente, o que os distingue é o volume de operações comerciais: 
como os primeiros giram maiores valores, é dito que o mercado se dire-
ciona conforme seus movimentos. Os segundos, por outro lado, tendo um 
volume bem mais inexpressivo, apenas operam conforme as condições de 
mercado impostas pelos primeiros.
A existência de lucros econômicos depende da prevalência de barreiras à 
entrada: elas impedem que outras empresas entrem no setor e comprome-
tam a lucratividade geral, como fariam em um mercado mais competitivo. 
Nos casos em que existem barreiras, mas mais de uma empresa, as empresas 
podem entrar em conluio para limitar a produção, restringindo a oferta e 
garantindo que o preço do produto permaneça alto o sufi ciente para garantirque todas as empresas daquele setor alcancem um lucro econômico.
No entanto, alguns economistas argumentam que mesmo uma quantida-
de muito pequena de poder de mercado pode permitir que uma empresa 
produza lucro, e que a ausência de lucro econômico em um setor, ou mesmo 
meramente o fato de que alguma produção ocorra sob prejuízo, por si só 
constitui uma barreira à entrada. No caso de produtores de bens únicos, o 
lucro econômico positivo ocorre quando o custo médio da empresa é menor 
que o preço do produto ou serviço na produção que maximiza o lucro, uma 
vez que o lucro econômico é igual à quantidade de produto, multiplicada pela 
diferença entre o custo médio e o preço.
Intervenção governamental
Conforme ilustra o Gráfi co 5, em um setor econômico regulamentado, o 
governo examina a estrutura de custos marginais das empresas e restringe os 
preços a um patamar que não seja maior que esse custo marginal. Isso não 
implica necessariamente em um lucro econômico zero para a empresa, mas 
elimina um lucro do tipo “puro monopólio”, naquele sistema de produção.
138
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GRÁFICO 5. COMPORTAMENTO DE MERCADO REGULADO
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
É bastante comum que governos tentem intervir em mercados não (tão) 
competitivos, para torná-los mais competitivos. Leis antitruste, de fomen-
to à concorrência, costumam ser criadas para impedir que empresas pode-
rosas usem sua força econômica para criar artificialmente barreiras à en-
trada, a fim de resguardar seus lucros econômicos. Isso inclui, por exemplo, 
valer-se da estratégia do uso de preços predatórios para intimidar concor-
rentes menores.
Por exemplo, um caso famoso ocorreu nos Estados Unidos, quando a 
Microsoft foi condenada por violar a lei antitruste local e se envolver em 
comportamento anticoncorrencial, com vistas à formação de umas dessas 
barreiras. Após a devida negociação judicial, a Microsoft firmou acordo com 
o Departamento de Justiça daquele país, passando a ser submetida perio-
dicamente a procedimentos rigorosos de supervisão e de atendimento de
requisitos para coibir a repetição desse comportamento predatório. A par-
tir de então, com barreiras mais baixas, novas empresas puderam entrar
no mercado novamente, tornando o equilíbrio de longo prazo muito mais
parecido com o de uma indústria competitiva, sem lucro econômico para as
empresas participantes.
Se um governo considera impraticável ter um mercado competitivo, 
como ocorre no caso de um monopólio natural, às vezes tentará regular o 
mercado não competitivo existente, controlando o preço que as empresas 
cobram pelo seu produto. Na prática, há de se observar que, embora uma 
Preço
Lucro perdido
Lucro obtido
P
Q Qreg
Preg
RMAR
RMED = P
CMED
CMAR
Quantidade
139
SER_ECPME_FUECOAD_UNID4.indd 139 10/03/20 14:35
empresa regulamentada não tenha lucro econômico tão alto quanto em um 
enquadramento não regulamentado, ainda pode obter lucros bem acima de 
uma empresa competitiva em um mercado verdadeiramente competitivo.
Resultados
É possível para uma empresa individual obter lucro econômico no curto 
prazo. Afi nal, conforme indicado no Gráfi co 6, o preço ou a receita média, indi-
cada por P, está em um patamar acima do custo médio indicado por C.
GRÁFICO 6. LUCRO ECONÔMICO NO CURTO PRAZO
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
Por sua vez, o lucro econômico não pode ser sustentado no longo pra-
zo (Gráfico 7). Afinal, a chegada de 
novas empresas ou a expansão de 
empresas existentes no mercado (se 
o retorno da escala for constante)
faz com que a curva de demanda de
cada empresa individual mude para
baixo, diminuindo ao mesmo tempo
o preço, a receita média e a receita
marginal. O resultado final é que, no
horizonte de longo prazo, a empresa
Preço
P
C
Q Quantidade
CMED
CMAR
RMED = RMAR
Lucro anormal
Custos da produção
(incluindo lucro normal)
140
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GRÁFICO 7. LUCRO ECONÔMICO NO LONGO PRAZO
obterá apenas lucro normal (lucro econômico zero) e sua curva de deman-
da horizontal tocará sua curva de custo total médio no ponto mais baixo.
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
Com efeito, em um mercado perfeitamente competitivo, a curva de demanda 
de uma empresa é perfeitamente elástica. O modelo de concorrência perfeita, se 
interpretado como aplicável também a comportamentos de curto ou muito curto 
período, é aproximado apenas por mercados de produtos homogêneos, produ-
zidos e comprados por muitos vendedores e compradores, geralmente mercados 
organizados para produtos agrícolas ou matérias-primas (commodities).
Nos mercados do mundo real, suposições como informações perfeitas 
não podem ser assumidas e são aproximadas apenas em mercados organi-
zados de leilão duplo, nos quais a maioria dos agentes envolvidos espera e 
observa o comportamento dos preços, antes de definir negócio. De todo modo, 
na interpretação de longo prazo, informações perfeitas não são necessárias, 
pois a análise visa apenas determinar a média em torno da qual os preços de 
mercado gravitam e, para que a mera gravitação opere, não é estritamente 
necessária a informação perfeita.
Na ausência de externalidades e bens públicos, os equilíbrios perfeitamente 
competitivos são ótimos de Pareto, implicando, assim, que nenhuma melhoria 
na utilidade para um consumidor é possível sem uma piora na utilidade junto 
a outro consumidor. Tal efeito corresponde à enunciação do primeiro teorema 
da economia do bem-estar. 
Preço
QuantidadeQ
P RMED = RMAR
CMAR
CMED
141
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A razão básica é que nenhum fator produtivo, com um produto marginal 
diferente de zero, é deixado sem uso e as unidades de cada fator são alocadas 
de modo a produzir a mesma utilidade marginal indireta em todos os usos, 
uma condição básica de efi ciência. Afi nal, se essa utilidade marginal indireta 
fosse mais alta em um uso do que em outro, uma melhoria de Pareto poderia 
ser alcançada, transferindo uma pequena quantidade do fator para o uso em 
que ele produz uma maior utilidade marginal.
Na prática, o monopólio viola a condição de alocação ideal, porque em um 
mercado monopolizado o preço de mercado está acima do custo marginal, e 
isso signifi ca que os fatores são subutilizados no setor, possuindo uma utilida-
de marginal indireta mais alta do que em seus usos em setores competitivos. O 
que se observa é que esse teorema é considerado irrelevante por economistas, 
que não acreditam que a teoria do equilíbrio geral prediga corretamente o 
funcionamento das economias de mercado. Por outro lado, é dada suma im-
portância aos economistas neoclássicos, tendo sido dada por eles a fundamen-
tação teórica para combater os monopólios e para o estabelecimento de uma 
legislação antitruste.
Lucratividade
Diante da constatação de que, ao contrário de um monopólio ou oligopólio, 
na concorrência perfeita se torna impossível para uma empresa obter lucro eco-
nômico a longo prazo (ou seja, uma empresa não pode ganhar mais dinheiro do 
que o necessário para cobrir seus custos econômicos), é importante esclarecer 
conceitualmente o que se toma por lucro. Afi nal, para não interpretar equivoca-
damente essa tese de lucro zero a longo prazo, adverte-se que o termo lucro é 
empregado de distintas maneiras nas ciências econômicas (O’HARA, 2015).
Por um lado, a teoria neoclássica defi ne lucro como o que resta da re-
ceita, após todos os custos terem sido subtraídos. Inclui-se nessa conta juros 
normais sobre o capital, mais o adicional normal, exigido para cobrir o risco, 
e o salário normal para a atividade gerencial. Isso signifi ca que o lucro é calcu-
lado depois que todos os atores são compensados por seus custos de opor-
tunidade. Contudo, por outro lado, os economistas clássicos defi nem lucro 
como o que resta depois de subtrairos custos, com a exceção da cobertura de 
142
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juros e riscos. Em suma, a abordagem clássica não leva 
em consideração os custos de oportunidade.
Assim, deixando de lado a cobertura do risco por uma 
questão de simplicidade, a tese neoclássica de lucro 
zero no longo prazo seria expressa, na linguagem clás-
sica, como lucros coincidindo com os juros no longo 
período. Isto implica coincidir a taxa de lucro com a 
taxa de juros. Frisemos aqui que os lucros na abor-
dagem clássica não desaparecem, necessariamente, no 
longo período, mas tendem ao patamar de lucro normal. Diante desse quadro, 
se uma empresa estiver obtendo lucro anormal no curto prazo, isso atuará como 
um gatilho motivacional para que outras empresas entrem no mercado. Mas 
na medida em que outras empresas entram para competir, a curva de oferta do 
mercado muda, fazendo com que os preços inevitavelmente caiam.
Consequentemente, as empresas tradicionais do mercado reagirão a esse 
preço mais baixo, ajustando seu capital social para baixo. Esse ajuste faz com 
que seu custo marginal se desloque para a esquerda e, assim, a curva de oferta 
do mercado se desloca para dentro. No entanto, o efeito da entrada de novas 
empresas e do ajuste por empresas existentes será mudar a curva de oferta 
para fora. O preço de mercado será reduzido até que todas as empresas obte-
nham apenas lucro normal. 
É importante observar que a concorrência perfeita é uma condição sufi -
ciente para a efi ciência alocativa e produtiva, mas não é uma condição neces-
sária: experiências de laboratório, nas quais os participantes têm um poder 
signifi cativo de fi xação de preços e pouca ou nenhuma informação sobre suas 
contrapartes, produzem resultados consistentes, dadas as instituições comer-
ciais apropriadas. 
Ponto de desligamento
No horizonte de curto prazo, uma empresa que opera com prejuízo (re-
ceita menor que o custo total, ou preço menor que o custo unitário) precisa 
decidir se continua operando ou se encerra ou suspende operações – mesmo 
que temporariamente. A regra de desligamento enuncia o critério de que, no 
143
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curto prazo, uma empresa deve conti-
nuar operando se o preço exceder os 
custos variáveis médios. Isto posto, 
para uma empresa continuar produ-
zindo no curto prazo, ela deve obter 
receita suficiente para cobrir seus 
custos variáveis (FRANK, 2014).
A lógica da regra é bastante direta: 
ao fechar uma empresa, deixam de 
existir custos variáveis – todos eles. 
No entanto, a empresa ainda deve 
pagar seus custos fixos. Contudo, 
como tais custos precisam ser pagos, 
independentemente de uma empresa 
operar ou não, na prática isso implica que custos fixos não devem ser consi-
derados na decisão de continuar ou encerrar operações.
Por isso, para a tomada da decisão gerencial sobre a continuidade do em-
preendimento, deve-se comparar a receita total com o custo variável total, 
em vez do custo total (soma de todos os custos fixos e variáveis). Se a receita 
que a empresa está produzindo for maior que seu custo variável total, a em-
presa está cobrindo todos os custos variáveis e ainda há uma receita adicio-
nal (a chamada margem de contribuição), que pode ser aplicada para cobrir 
custos fixos. 
É interessante observar que o tamanho dos custos fixos (por maiores que 
sejam) é irrelevante, pois se trata de um custo irrecuperável. O critério para 
um custo fixo de poucos reais a milhões de reais é estritamente o mesmo. 
Por outro lado, se os custos variáveis excedem a receita, a empresa não está 
conseguindo cobrir seus custos de produção e, portanto, a decisão mais as-
sertiva é a interrupção imediata das atividades. 
Por convenção, a regra é usualmente trabalhada em termos de preço (re-
ceita média) e custos variáveis médios. As regras são equivalentes: ao se di-
vidir os dois fatores pela quantidade produzida, o que continua se obtendo é 
que o preço precisa ser maior que os custos variáveis médios. Sendo assim, se 
a empresa vê condições de continuar operando, ela continuará produzindo, 
144
SER_ECPME_FUECOAD_UNID4.indd 144 10/03/20 14:36
sendo regulado ao ponto em que a receita marginal é igual aos custos margi-
nais, porque essas condições garantem não apenas a maximização do lucro 
(portanto, minimização de perdas), mas também a contribuição máxima.
Outra maneira de aplicar a regra é que uma empresa deve comparar os 
lucros que aufere quando opera, com o que obtém quando parada, optando 
pela alternativa que produz maior lucro. Naturalmente, uma empresa que 
está fechada está gerando receita zero e não incorre em custos variáveis. No 
entanto, a empresa ainda tem que pagar um custo fixo. Portanto, o lucro da 
empresa é igual a custos fixos. 
Uma empresa operacional está gerando receita, incorrendo em custos va-
riáveis e pagando custos fixos. O lucro da empresa operacional é a receita (R), 
menos os custos variáveis (CV) e menos os custos fixos (CF). A empresa deve 
continuar operando se R - CV - CF ≥ −CF, que, de forma simplificada, impõe 
que R ≥ CV. A diferença entre R e CV é a contribuição para os custos fixos – e 
qualquer contribuição é melhor que nenhuma. Portanto, se R ≥ CV, a em-
presa deve operar. Mas se Rmédio mínimo.
Como lembra O’Hara (2015), embora não exista um mercado perfeitamen-
te competitivo no mundo real, existem várias aproximações ao conceito. Um 
exemplo é o de uma instância de mercadorias idênticas com todos os po-
tenciais compradores e vendedores presentes. Por defi nição, uma bolsa de 
valores se assemelha a isso, não com uma adesão completa (pois nenhum 
mercado pode atender a todos os requisitos do modelo), mas como uma boa 
aproximação. 
Por outro lado, a falha em considerar a bolsa de valores como um exemplo 
de concorrência perfeita é o fato de que grandes investidores institucionais 
(por exemplo, bancos de investimento) podem, com alguma facilidade, in-
fl uenciar o preço de mercado (por exemplo, uma grande aquisição de lotes de 
dólares fazendo com que a cotação da moeda dispare). Isso é uma evidente 
146
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violação da condição hipotética de que nenhum vendedor pode infl uenciar o 
preço de mercado.
As apostas em cavalos também são uma situação muito próxima. Ao 
fazerem apostas, os consumidores podem verifi car circunstancialmente 
quem está oferecendo as melhores chances e, assim, nenhum agenciador 
de apostas pode oferecer probabilidades piores do que as oferecidas pelo 
mercado como um todo, já que, nesse caso, os consumidores facilmente 
optariam por outra alternativa. Isso torna os agenciadores de apostas “to-
madores de preço”. Além disso, o produto oferecido é muito homogêneo, 
sendo a recompensa e o cavalo as únicas diferenças entre as apostas indivi-
duais. Obviamente, não há uma quantidade infi nita de apostadores, e exis-
tem algumas barreiras à entrada, como uma licença e o capital necessário 
para as instalações.
Críticas
O uso da suposição de concorrência perfeita como fun-
damento da teoria dos preços para os mercados de pro-
dutos é frequentemente criticado por representar todos 
os agentes como passivos, desconsiderando assim as 
iniciativas de aumentar o bem-estar ou os lucros de 
uma pessoa por fatores como precifi cação predató-
ria, design de produtos, publicidade e inovação, ati-
vidades que (de acordo com os críticos) caracterizam 
a maioria das indústrias e mercados. 
Essas críticas apontam para a frequente falta de realismo dos pressupostos 
de homogeneidade do produto e a impossibilidade de diferenciá-los. No en-
tanto, além disso, a acusação de passividade parece justa apenas para análises 
de curto ou muito curto período. Em análises de longo período, a incapacidade 
de o preço divergir do preço natural ou a longo prazo deve-se a reações ativas 
da entrada ou saída de competidores (FRANK, 2014).
Alguns economistas têm um tipo diferente de crítica a respeito do mode-
lo de concorrência perfeita, não criticando a suposição do tomador de preço 
por tornar os agentes econômicos demasiado passivos, mas sim levantando 
147
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a questão acerca de quem define os preços. De fato, se todos são tomadores 
de preços, há a necessidade de um planejador benevolente, que dê e defina os 
preços. Em outras palavras, é necessário um formador de preços. 
Portanto, torna-se apropriado o modelo de concorrência perfeito, não para 
descrever uma economia descentralizada de mercado, mas uma economia 
centralizada. Isso, por sua vez, significa que esse tipo de modelo tem mais a ver 
com a economia planejada pelo Estado do modelo comunista, do que com o 
livre mercado do modelo capitalista.
Outra crítica frequente é que, muitas vezes, não é verdade que, a curto pra-
zo, as diferenças entre oferta e demanda causem mudanças de preço. Espe-
cialmente na manufatura, observa-se que o comportamento mais comum é a 
alteração da produção, sem quase nenhuma alteração no preço. 
Os críticos da suposição de uma concorrência perfeita, nos mercados de 
produtos, raramente questionam a visão neoclássica básica do funcionamen-
to das economias de mercado. A Escola Austríaca insiste fortemente nessas 
críticas, mas, ao mesmo tempo defende a visão neoclássica do funcionamento 
das economias de mercado como fundamentalmente eficiente, refletindo as 
escolhas dos consumidores e atribuindo a cada agente sua contribuição para 
o bem-estar social.
Algumas escolas não neoclássicas, como os pós-keynesianos, rejeitam a
abordagem neoclássica de valor e distribuição, mas não devido à rejeição da 
concorrência perfeita como uma aproximação razoável ao funcionamento da 
maioria dos mercados de produtos. As razões para a rejeição da visão neoclás-
sica são perspectivas diferentes dos determinantes da distribuição de renda e 
da demanda agregada.
Em particular, a rejeição da concorrência perfeita geralmente não implica 
a rejeição da livre concorrência, como característica da maioria dos mercados 
de produtos. De fato, argumenta-se que a concorrência é mais forte nos dias 
atuais do que no capitalismo do século XIX, devido à crescente capacidade das 
grandes empresas conglomeradas de entrar virtualmente em qualquer setor. 
Portanto, prevalece a ideia clássica de uma tendência a uma taxa uniforme de 
retorno do investimento em todos os setores.
Por exemplo, a razão pela qual a Google e a Apple não entram nas indústrias 
de automóveis e farmacêuticos não é por supostas barreiras intransponíveis à 
148
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entrada, mas pelo fato de que a taxa de retorno nesses setores produtivos já 
está sufi cientemente alinhada com a taxa média de retorno em outros lugares, 
para não justifi car a entrada. Poucos economistas, mesmo entre os neoclás-
sicos, parecem discordar nesse ponto. Assim, em um quadro de normalidade 
de competição, ou a longo prazo, aceitar ou não a premissa de concorrência 
perfeita não parece implicar diferenças importantes na existência ou não de 
uma tendência das taxas de retorno à uniformidade.
Custos não lineares
 Por defi nição, um preço é considerado não linear quando o valor que se 
paga não corresponde à proporcionalidade da quantidade adquirida. Exem-
plos incluem pagamentos em diversas prestações (com valores iguais ou não), 
a tarifa em blocos e os descontos concedidos em função de quantidade.
O Gráfi co 8 ilustra o comportamento de diferentes tipos de tarifa, incluindo 
a função de custos não lineares, permitindo verifi car que um custo não linear, 
também denominado de custo curvilíneo, é uma despesa que aumenta a uma 
taxa inconsistente, à medida que o volume de produção aumenta. Em outras 
palavras, o custo irregular aumenta por meio de uma sucessão de taxas dife-
rentes (produzindo efeito de não proporcionalidade direta, portanto, não linea-
ridade) à medida que a produção total aumenta.
GRÁFICO 8. TIPOS DE TARIFA
Fonte: REISS; WHITE, 2013. (Adaptado). Acesso em: 27/0/2020.
P(Q)
Q Número de unidades
$
Três partes
Linear
Duas partes
Tarifa única
Blocos
Preços não lineares
149
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Aplicação
Tipicamente, mercados que fazem uso de estruturas de precifi cação não li-
near são as concessionárias de energia elétrica, as prestadoras de serviços de te-
lecomunicações, as companhias aéreas, as agências publicitárias e os locadores 
de maquinário produtivo e de infraestrutura fabril.
Entre as motivações que justifi cam a adoção desse modelo de precifi cação, 
é possível destacar que isso responde à heterogeneidade de consumidores: 
afi nal, há inúmeras atribuições de utilidade para incrementos marginais (por 
exemplo, comprar de dia ou à noite; pela internet ou presencialmente; receber 
em casa ou ter que se deslocar até o fornecedor). Com efeito, isso implica em 
discriminação de preços e estratégia de poder de mercado.
Outra justifi cativa de sua adoção é em função da efi ciência do negócio, uma 
vez que a estrutura de custos da empresa baliza o preço pelo custo marginal. 
Como estratégia de recuperação de custos, ele pode ser adotado, por uma fi rma 
monopolistaregulada, para que consiga atingir seu patamar de lucro operacional.
Em mercados competitivos, recorre-se comumente à política de descontos 
em função de volume: quanto maior a quantidade adquirida, melhor é o preço 
unitário estabelecido. Observa-se, então, que o aumento dos lucros é originado 
do poder de mercado que determinada empresa detém, valendo-se, entre ou-
tros, de aspectos como inovação e marketing, envolvendo uma melhor discri-
minação entre os consumidores. 
Portanto, enuncia-se, como condição fundamental para a prática de preços 
não lineares, existir poder de mercado. Isso não signifi ca necessariamente a im-
posição de confi guração de monopólio, mas qualquer conjunto de medidas que 
implique garantir preço maior que o custo. Para Reiss & White (2006), preços 
não lineares podem ser aplicados para políticas de precifi cação distintas, de 
acordo com a linha ou o portfólio de produtos da empresa. Isso pode 
considerar diferenças acessórias ou centrais da linha de produtos, 
desde aspectos como tamanhos de embalagem até 
quesitos funcionais (como durabilidade, velocidade, 
precisão etc.).
Nos processos logísticos, a precifi cação não li-
near é atrativa para diferenciar condições de entrega 
150
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e distâncias envolvidas, ajudando a defi nir alternativas melhores, como preço 
FOB (cliente responsável por frete, custos e riscos logísticos) e CIF (fornecedor 
responsável por frete, custos e riscos logísticos). Usualmente, entende-se como 
condição mais ideal a absorção parcial dos custos de transporte pela empresa.
Do mesmo modo, o prazo de entrega também pode fi gurar como apreça-
mento não linear: afi nal, em muitas situações (como para delivery de refeições 
prontas), o tempo de entrega é um importante atributo de qualidade e pode ser 
considerado para fi ns de esquemas não lineares de preços.
Como curiosidade, o conceito pode até mesmo se estender à relação entre 
cidadãos e o poder público: afi nal, não há como excluir uma instância como im-
posto de renda progressivo como uma forma de estabelecimento de “preço” não 
linear. Neste caso, o “produto” adquirido é o direito do cidadão aos serviços pú-
blicos custeados pelos impostos.
Curvas de custos totais e curvas unitárias
 No campo da Economia, uma das 
mais difundidas e importantes ferra-
mentas gráfi cas de análise é a curva 
de custo, que, em suma, é um gráfi co 
da evolução dos custos de produção 
em função da quantidade total produ-
zida. Em uma economia de livre mer-
cado, empresas produtivas efi cientes 
otimizam seu processo de produção, 
minimizando os custos consistentes 
com cada nível possível e observando 
o resultado como uma curva de custos.
Na prática, as empresas recorrem
à análise das curvas de custo, visando 
maximizar lucros e decidindo a quantidade de produção a ser adotada para de-
terminada situação. Existem vários tipos de curvas de custo, e todas, de algum 
modo, guardam relação entre si, incluindo curvas de custo total e custo médio; 
curvas de custo marginal (ou seja, decorrido para produzir cada unidade adicio-
151
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nal), que são matematicamente iguais ao diferencial das curvas de custo total; 
e curvas de custo variável. Algumas dessas curvas são aplicáveis a curto prazo, 
outras, a longo prazo.
Notação
A literatura da área econômica costuma adotar siglas, de forma razoavelmen-
te padronizada, para expressar cada conceito de custo, resultando nos seguintes 
principais descritores:
• Primeiro grupo:
• C = custo;
• R = receita.
• Segundo grupo:
• F = fi xo (não ajustável);
• V = variável (ajustável);
• T = total (fi xo mais variável).
• Terceiro grupo:
• MED (ou M, ou MD) = média (por unidade de produção);
• MAR (ou Mg) = marginal (para uma unidade de produção adicional).
• Quarto grupo:
• CP = curto prazo (quando a quantidade de capital físico não pode ser
ajustada);
• LP = longo prazo (quando todos os valores podem ser ajustados).
Acerca das convenções para o terceiro grupo, observa-se que, na língua in-
glesa (idioma de produção da mais vasta obra na área de Economia, incluindo 
os livros e artigos originais das teorias centrais deste campo do conhecimento), 
“média” e “marginal” costumam ser simplesmente abreviados por A e M, uma 
vez que tais iniciais correspondem respectivamente às palavras corresponden-
tes naquele idioma (“average” e “marginal”). Em Português, a diferenciação torna-
-se um pouco mais desafi adora na sigla, porque tanto “média” quanto “marginal” 
iniciam com a letra M, justifi cando, portanto, uma maior diversidade de siglas de
diferenciação.
Esses descritores podem ser combinados de várias maneiras, para expressar 
diferentes conceitos de custo. Na prática, os termos CP e LP (e mesmo o T) são 
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comumente omitidos quando o contexto de análise é sufi cientemente claro. A 
combinação usual então é formar uma sigla, composta por esta sequência de 
quatro termos ou quatro componentes:
• C, como primeiro termo;
• Um ou nenhum item do segundo grupo (F, V ou T), como segundo termo;
• Um ou nenhum item do terceiro grupo (MED ou MAR), como terceiro termo;
• Um ou nenhum item do quarto grupo (CP ou LP), como quarto e último termo.
Das várias combinações, resulta-se a codifi cação das seguintes curvas de cus-
to de curto prazo:
• Custo fi xo médio de curto prazo (CFMED ou CFMEDCP);
• Custo total médio de curto prazo (CTMED ou CTMEDCP);
• Custo variável médio de curto prazo (CVMED ou CVMEDCP);
• Custo fi xo de curto prazo (CF ou CFCP);
• Custo marginal de curto prazo (CMAR ou CMARCP);
• Custo total de curto prazo (CT ou CTCP);
• Custo variável de curto prazo (CV ou CVCP).
E as seguintes curvas de custo de longo prazo:
• Custo total médio de longo prazo (CMEDLP ou CTMEDLP);
• Custo marginal de longo prazo (CMARLP);
• Custo total de longo prazo (CTLP).
Curvas CTCP e CTLP
As curvas de custo total de curto prazo (CTCP) e custo total de longo prazo 
(CTLP) aumentam quanto maior for a quantidade de produto realizado, porque 
produzir mais requer mais uso de mão de obra, tanto no curto quanto no longo 
prazo, e porque, no longo prazo, uma maior produção envolve o uso de mais ca-
pital físico, além de que, o uso de mais insumos sempre implica em mais custos.
Com apenas uma entrada variável no curto prazo, cada quantidade possível 
de produção requer uma quantidade específi ca de uso de mão de obra. Assim, 
o custo total de curto prazo, em função do nível de produção, é essa quantidade
única de trabalho multiplicada pelo custo unitário da mão de obra.
Porém, no longo prazo, com a possibilidade de escolha das quantidades de 
trabalho e de capital físico, o custo total de produção de um determinado nível 
153
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de produção é o resultado de um problema de otimização: a soma das despe-
sas com mão de obra (a taxa salarial, multiplicada pela taxa escolhida do nível 
de uso de mão de obra) com as despesas de capital (o custo unitário do capital, 
multiplicado pelo nível escolhido de uso físico de capital) é minimizada, com 
base no uso de mão de obra e uso de capital, sendo sujeita à igualdade da fun-
ção de produção que a relaciona com os dois usos de entradas. Desse modo, 
resulta-se que o nível (mínimo) do custo total é o custo total da produção da 
quantidade pretendida.
Curvas CVCP e CFCP ou CV e CF 
Como o custo fi xo de curto prazo (CF ou CFCP) não varia com o nível de 
produção, sua curva corresponde a uma linha horizontal (Gráfi co 9). É interes-
sante observar que, se a curva de custo total é não linear, isso pode represen-
tar retornos marginais crescentes e decrescentes. Os custos variáveis de curto 
prazo (CV ou CVCP) aumentam com o nível de produção, uma vez que, quanto 
mais produção é realizada, mais entradas variáveis precisam ser usadas e, con-
sequentemente,pagas.
Curvas CVMED ou CVMEDCP
O custo variável médio (CVMED ou CVMEDCP) é um conceito de curto prazo, 
que representa o custo variável (normalmente o custo de mão de obra) expresso 
GRÁFICO 9. CURVA DE CUSTO TOTAL
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
Custo
CT
CVT
CFT
Quantidade
154
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por unidade de produção. Sua fórmula (CVMED = ST/Q) apresenta S como taxa 
salarial, T como quantidade utilizada de trabalho e Q como a quantidade produ-
zida. A CVMED representa o comportamento do custo variável médio de curto 
prazo em relação ao nível de produção, e é tipicamente traçada com formato 
de U (Gráfico 10).
GRÁFICO 10. CURVA EM U CVMED
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013, n.p. (Adaptado).
Observa-se que, como o custo fixo, por definição, não varia com a pro-
dução, o custo fixo médio de curto prazo (CFMED) por unidade de produ-
ção é menor quando a produção é maior, dando origem à curva inclinada 
para baixo, apresentada no Gráfico 10.
Nota-se, ainda, que o custo médio de curto prazo (CMED ou CMEDCP) 
é sempre igual aos custos fixos médios (CFMED) mais os custos variáveis 
médios (CVMED). Em especial, o formato da curva de CVMED é determina-
do diretamente pelo aumento e, em seguida, pela diminuição dos retornos 
marginais do insumo variável (labor convencional). 
Por fim, a curva de custo médio de longo prazo (CMEDLP) é graficamen-
te semelhante à curva de curto prazo, mas a partir dela permite-se variar 
o uso de capital físico. Afinal, quando se toma um horizonte de variação
de anos, e não de meses ou semanas, na prática, a maioria dos custos tor-
na-se variável. Por exemplo, empregados podem ser desligados do quadro
funcional, ou mesmo não serem substituídos. Maquinário pode ser even-
tualmente vendido ou deixar de ser reposto, em caso de obsolescência ou
dano funcional.
Custo por unidade
Quantidade
CMAR
CMED
CVMED
CFMED
155
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Curvas CMARCP e CMARLP
Uma curva de custo marginal de curto prazo (CMAR-
CP) representa grafi camente a relação entre o custo 
marginal (isto é, incremental), incorrido por uma em-
presa na produção de curto prazo de um bem ou serviço, 
e a quantidade de produto produzido. Essa curva é construí-
da para capturar a relação entre custo marginal e nível de 
produção, mantendo constantes todas as outras variáveis, 
como tecnologia e preços de recursos. A curva de custo mar-
ginal é geralmente em forma de U (vide a curva dos Gráfi cos 3 a 
7 com a identifi cação CMAR).
Na prática, o custo marginal costuma se apresentar relativamente alto, em 
pequenas quantidades de produção. Então, à medida que a produção aumenta, 
o custo marginal diminui, atinge um valor mínimo e depois torna a aumentar.
O custo marginal é usualmente comparado, nos gráfi cos de curvas de custo, à
receita marginal (RMED), que é a quantidade incremental de receita de vendas
que uma unidade adicional do produto ou serviço traz para a empresa.
Esse formato da curva de CMARCP é diretamente atribuível ao aumento (pri-
meiramente) e à diminuição (logo depois) dos retornos marginais (e à lei dos re-
tornos marginais decrescentes). Como fi ca evidenciado pelo Gráfi co 10, a curva 
CMAR cruza as curvas CVMED e CMED exatamente nos seus pontos mínimos. 
Quando a curva CMAR está acima de uma curva de custo médio, a curva média 
aumenta. Quando a curva CMAR está abaixo de uma curva média, a curva média 
cai. É interessante observar que essa relação se mantém independentemente da 
curva CMAR estar subindo ou descendo.
Por sua vez, a curva de custo marginal de longo prazo (CMARLP) mostra para 
cada unidade de produção o custo total adicionado incorrido no longo prazo, ou 
seja, o período conceitual em que todos os fatores de produção são variáveis. 
Dito de outra forma, CMARLP é o aumento mínimo no custo total, associado a 
um aumento de uma unidade de saída quando todas as entradas são variáveis.
Uma diferença importante é que a curva CMARLP é modelada por retornos 
de escala, que é um conceito de longo prazo, e não pela lei de retornos margi-
nais decrescentes, que é um conceito de curto prazo. Consequentemente, a cur-
156
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va CMARLP tende a ser mais plana que sua contraparte de curto prazo (CMARCP), 
devido ao aumento da fl exibilidade dos insumos. Mais uma vez, de forma aná-
loga ao que ocorre no curto prazo, a curva CMARLP cruza a curva CMEDLP no 
ponto mínimo dessa última.
Por fi m, quando o CMARLP está abaixo do CMEDLP, esse segundo está caindo 
(à medida que unidades de produção adicionais são consideradas), e quando o 
CMARLP está acima do CMEDLP, esse segundo está aumentando.
Relação entre diferentes curvas
Custos total, fi xo, variável, marginal e médio são conceitos distintos, mas in-
discutivelmente relacionados. Consequentemente, seus gráfi cos (curvas) tam-
bém apresentam relações conhecidas. Em suma:
• Custo total = custos fi xos (CF) + custos variáveis (CV) = custo total médio
(CTMED) x quantidade (Q);
• Custo marginal (CMAR) = dC/dQ. CMAR é igual à inclinação da função de
custo total e da função de custo variável;
• Custo total médio (CTMED) = CT/Q;
• Custo fi xo médio (CFMED) = CF/Q;
• Custo variável médio (CVMED) = CV/Q;
• CTMED = CFMED + CVMED.
A partir disso, obtemos alguns resultados: em um nível de Q no qual a curva
CMAR está acima do CMED ou do CVMED, a última curva está subindo; se CMAR 
estiver abaixo do CMED ou do CVMED, a última curva está caindo. Consequente-
mente, se CMAR for igual ao CMED, então CMED está no seu valor mínimo; e, se 
CMAR é igual ao CVMED, então CVMED está no seu valor mínimo.
Relação entre curvas de curto e longo prazos
Para cada quantidade de produto, existe um nível de capital que minimi-
za os custos, e uma curva CMEDCP única associada à produção da quantidade 
especifi cada. As sínteses a seguir assumem que a empresa está usando o nível 
ótimo de capital para a quantidade produzida. Caso contrário, a curva CMEDCP 
fi caria totalmente acima do CMEDLP, sem fi car tangente em nenhum momento.
157
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Cada curva CTCP pode ser tangente à curva CTLP em 
apenas um ponto, não podendo cruzar (interceptar) a curva 
CTLP. Contudo, a curva CTCP pode estar totalmente acima 
da outra, sem ponto algum de tangência. Assim, uma cur-
va CTCP é tangente ao CTLP no nível de produção que 
minimiza os custos a longo prazo. Fora isso, no ponto 
de tangência, o CTCP é igual ao CTLP e, em todos os 
outros níveis de produção, o CTCP excederá o CTLP.
As funções de CMED são a função de CT dividida 
pelo nível de produção. Portanto, a curva CTMEDCP também é tangente à curva 
CTMEDLP, no nível de produção que minimiza os custos. No ponto de tangên-
cia, o CTMEDCP é igual ao CTMEDLP e, em todos os outros níveis de produção, 
o CTMEDCP é maior do que o CTMEDLP. À esquerda do ponto de tangência, a
empresa está usando muito capital e os CF são altos demais, enquanto à direita,
a empresa está usando muito pouco capital e retornos decrescentes do labor
estão causando um aumento nos custos.
A inclinação das curvas de CT é igual ao CMAR. Portanto, quando o CTCP é 
tangente ao CTLP, o CMARCP é igual ao CMARLP. Desse modo, no nível de longo 
prazo da minimização de custos, o CTCP é igual ao CTLP, o CMEDCP é igual ao 
CMEDLP e o CMARCP é igual ao CMARLP. O nível de produção que minimiza os 
custos em LP pode ser diferente do CMEDCP mínimo: 
• Com os custos unitários fixos de insumos, se a função de produção tiver
retornos constantes de escala, no nível mínimo da curva CTMEDCP, tem-se
CTMEDCP = CTMEDLP = CMARCP = CMARLP;
• Com os custos unitários fixos de insumos, se a função de produção tiver
retornos crescentes de escala, o mínimo da curva CTMEDCP está à direita do
ponto de tangência entre as curvas CMEDCP e CMEDLP;
• Com os custos unitários fixos de insumos e retornosdecrescentes, o míni-
mo da curva CMEDCP fica à esquerda do ponto de tangência entre o CMEDCP 
e o CMEDLP;
• Com os custos fixos de insumos unitários, uma empresa que está experi-
mentando retornos crescentes (ou decrescentes) à escala, e está produzindo
seu CMEDCP mínimo, pode sempre reduzir o custo médio a longo prazo, ex-
pandindo (reduzindo) o uso dos insumos fixos.
158
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O CMEDLP sempre será igual ou menor ao CMEDCP. Se o processo de pro-
dução estiver exibindo retornos constantes de escala, o CMEDCP mínimo será 
igual ao CMEDLP mínimo. O CMEDCP e o CMEDLP se cruzam em seus valores 
mínimos comuns. Assim, sob retornos constantes de escala, tem-se CMARCP = 
CMARLP = CMEDCP = CMEDLP. Se o processo de produção estiver diminuindo ou 
aumentando, o CMEDCP mínimo não será igual ao CMEDLP mínimo. Se existirem 
retornos crescentes de escala, o CMEDLP mínimo ocorrerá em um nível de pro-
dução inferior ao CMEDCP. 
Isso ocorre porque existem economias de escala que não são exploradas 
e, no longo prazo, uma empresa sempre pode produzir uma quantidade a um 
preço menor que o CMEDCP mínimo, simplesmente usando uma planta fabril 
maior. Com retornos decrescentes, o CMEDCP mínimo ocorre em um nível de 
produção mais baixo que o CMEDLP mínimo, porque uma empresa pode reduzir 
os custos médios simplesmente diminuindo o tamanho da estrutura ou reduzin-
do as operações. 
O mínimo de um CMEDCP ocorre quando possui inclinação zero. Assim, os 
pontos de tangência entre a curva CMEDLP em formato de U e o mínimo da curva 
CMEDCP coincidem apenas com a porção da curva CMEDLP, exibindo constantes 
economias de escala. Para aumentar o retorno de escala, o ponto de tangência 
entre o CMEDCP e o CMEDLP teria que ocorrer em um nível de produção abaixo 
do nível associado ao mínimo da curva CMEDCP.
159
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Sintetizando
O que se observa no modo de produção capitalista é que os proble-
mas centrais no tocante ao que produzir, quanto produzir, como produ-
zir e para quem produzir são regidos pelo mecanismo de preços livres, 
apresentado como as engrenagens que proporcionam o equilíbrio entre 
oferta e demanda, em busca de viabilizar economicamente o sistema de 
produção. Ressalta-se que equilíbrio, em uma perspectiva de concorrência 
perfeita, é o ponto no qual as demandas do mercado se igualam à oferta 
do mercado. E é nesse momento que se determina o preço praticado pela 
empresa.
Em horizonte de curto prazo, a demanda afeta o equilíbrio. Contudo, 
em longo prazo, a demanda e a oferta dos produtos alteram o equilíbrio 
na condição de perfeita concorrência. Por consequência, uma empresa 
consegue, no máximo, perceber lucro normal no longo prazo, trabalhando 
no ponto de equilíbrio. Em quadro típico, mercados que se prevalecem de 
estruturas de precificação não linear são as companhias aéreas, as con-
cessionárias de energia elétrica, as prestadoras de serviços de telecomu-
nicações, as agências publicitárias e os locadores de maquinário produtivo 
e de infraestrutura fabril.
Quanto à interpretação visual, uma curva de custo é definida como o 
gráfico da evolução dos custos incorridos na produção, em função da quan-
tidade total que é produzida. Dentro de uma economia de livre mercado, a 
situação corriqueira é que as empresas produtivas eficientes otimizem seu 
processo de produção. Ao fazê-lo, minimizam os custos consistentes com 
cada nível possível de produção. A partir daí, resulta-se o correspondente 
traçado da curva de custos.
Com efeito, a curva CMARLP é modelada não pela lei de retornos mar-
ginais decrescentes (conceito de curto prazo), mas sim por retornos de 
escala (conceito de longo prazo). Dessa forma, a curva CMARLP apresenta 
a clara tendência de ser visualmente mais plana que sua a correspondente 
de curto prazo (CMARCP), e isso se explica dado o aumento da flexibilidade 
dos insumos. E, novamente fazendo analogia ao que ocorre no curto pra-
zo, a curva CMARLP cruza a curva CMEDLP em seu ponto mínimo.
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É importante sempre ter em mente que, para cada quantidade de pro-
duto, existe um correspondente nível de capital que proporciona a mini-
mização dos custos de produção. Por isso, sempre há uma curva de custos 
médios de curto prazo (CMEDCP) que é única, em associação à produção 
da quantidade em questão.
161
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Referências bibliográficas
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34-37.
162
SER_ECPME_FUECOAD_UNID4.indd 162 10/03/20 14:36livre para a língua portuguesa, trade-off signifi ca “troca”. Sob 
a ótica econômica, indivíduos que escolhem um bem ou serviço em espe-
cial em vez de outro, ou mais de uma coisa e menos de outra, estão clara-
mente fazendo uma troca. A sociedade também faz trocas dessa natureza: 
entre outros, a necessidade de mais energia versus o desejo de preservar 
o meio ambiente, por exemplo.
É importante apontar que, em estudos econômicos conduzidos de maneira 
cuidadosa e sistemática, a avaliação de trade-off s envolve a comparação dos 
custos e benefícios de cada uma das alternativas disponíveis. É inevitável que 
as compensações feitas pela sociedade também exijam determinar como os 
custos e benefícios das decisões tomadas afetam os diferentes grupos sociais 
(ricos em relação aos pobres, moradores de áreas urbanas frente aos residen-
tes em regiões rurais etc.).
É importante destacar que a maioria das escolhas e trocas não são propo-
sições do tipo “tudo ou nada”: em vez disso, geralmente envolvem pequenas 
alterações na margem – um pouco mais disso, um pouco menos daquilo.
Efetivamente, as decisões sobre pequenas mudanças na margem são to-
madas com bem mais frequência do que aquelas sobre grandes mudanças. 
Não obstante, as primeiras são geralmente mais fáceis de avaliar do que
as últimas.
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Produtividade
Produtividade é a quantidade de produção (tanto bens como serviços) que 
resulta por unidade de produção (recursos produtivos) que é utilizada. De tal 
forma, um aumento na produtividade signifi ca:
• Produzir mais bens e serviços com a mesma quantidade de recursos;
• Produzir a mesma quantidade de bens e serviços com menos recursos;
• Uma combinação dessas duas possibilidades.
Vale destacar que o aumento da produtividade ajuda a reduzir a escassez,
embora não a elimine completamente.
Além disso, o aumento da produtividade em si implica também em custos 
de oportunidade, uma vez que os recursos utilizados para aumentar a produti-
vidade em um empreendimento não podem ser empregados em outro. 
Sistemas econômicos
Pessoas e sociedades organizam a vida econômica para lidar com os pro-
blemas básicos originados da escassez e dos custos de oportunidade por meio 
de sistemas econômicos. Isto posto, um sistema econômico pode ser descrito 
como a coleção de instituições, leis, atividades, valores de controle e motiva-
ções humanas que, de modo coletivo, fornece uma estrutura para a tomada de 
decisões econômicas.
Sem dúvida, podemos considerar que sistemas econômicos sejam tão anti-
gos quanto a própria civilização. O que dá para classifi car como o mais primitivo 
dos sistemas remonta à época das movimentações nômades dos primeiros an-
cestrais humanos. Trata-se, evidentemente, de um contexto em que não havia a 
fi gura de um estado. Todo relacionamento entre os indivíduos de determinado 
grupo era fundamentado em puro coletivismo: signifi ca que tudo o que era ca-
çado, construído ou mesmo encontrado passava a ser propriedade de todos.
O que surgiria na sequência, a partir das primeiras aglomerações humanas 
em sociedades com maior ou menor organização formal, é o que muitos costu-
mam nominar de sistema asiático. Como característica básica, destaca-se a fi gura 
de um estado rigidamente absolutista – normalmente, centrado em fi guras como 
reis, imperadores e faraós. Não há como deixar de reconhecer que costumes eco-
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nômicos eram bastante regidos por crenças religiosas, em sociedades de predo-
mínio politeísta. Nessa confi guração, o que se encontrava era uma exclusividade 
do Estado como dono das terras; o modelo econômico dominante era o agrícola, 
em um primeiro momento, evoluindo posteriormente também para um comer-
cial à medida que as organizações sociais se tornavam mais elaboradas.
Com efeito, o que se observa nas antigas civilizações grega e romana era o 
sistema econômico de cunho escravista. Trata-se de época em que já havia a 
difusão de cidades – signifi cando, com isso, que já estavam instituída a divisão 
de terras e o conceito de propriedade privada. É um cenário de alta disparidade 
econômica na população: os mais nobres tinham posse de muitas terras, e os 
menos favorecidos geralmente não tinham posse alguma. Tal hierarquização 
da sociedade favoreceu para que formas de trabalho como a escravidão e a 
servidão passassem a ser opções. Trabalhadores nessa condição eram absor-
vidos para trabalhar nas terras fragmentadas pela divisão social e conquistas 
de novas terras (como, por exemplo, nas reconfi gurações sociais pós-guerra).
Um tanto quanto derivado do sistema escravista, o sistema feudal se fun-
damentava em uma sociedade baseada no relacionamento entre servos e se-
nhores. Estes últimos detinham a propriedade das terras, sendo que os servos 
costumavam trabalhar tendo como moeda de pagamento proteção, alimento e 
moradia. Como característica, tinha-se nesse sistema uma economia predomi-
nantemente agrícola, além de autossufi ciente em cada unidade feudal. Muitos 
consideram que o que levou este sistema a entrar em crise foi o progressivo 
aumento de abertura dos feudos frente às cidades e com o comércio institucio-
nalizado, enquanto também há os que avaliam que a exploração mais exacer-
bada dos servos levaria o modelo ao colapso.
Instituições e incentivos econômicos
Instituições econômicas são de vários tipos: além de famílias, existem or-
ganizações formais, como corporações, agências governamentais, bancos, 
sindicatos e cooperativas. Também existem maneiras costumeiras de fazer 
as coisas, como o uso do dinheiro, a negociação coletiva e a observância de 
feriados; existem, ainda, diferentes valores e crenças de controle que per-
meiam diferentes sistemas econômicos.
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No cerne das instituições econômicas, há que se observar que todas as so-
ciedades têm algum tipo de sistema de propriedade. Nos EUA, por exemplo, a 
propriedade privada é o alicerce do livre mercado – portanto, do próprio capi-
talismo como realidade instituída.
Em outros países, como é o caso da China, a propriedade do governo é a re-
gra – exceto em algumas pequenas empresas e bens pessoais ou domésticos. 
Alinhado à ideologia que lá imperava, o planejamento do governo havia sido 
altamente centralizado e abrangente na antiga URSS.
 Ao mesmo tempo, podia-se encontrar um modelo mais descentralizado na 
Hungria, enquanto na França se trabalhou com um planejamento econômico 
indicativo e de extensa propriedade por parte do Estado.
Algumas instituições existem apenas em certos tipos de sistemas econômi-
cos; por exemplo, a negociação coletiva sobre salários e condições de trabalho 
ocorre apenas em países industrializados democráticos.
Por sua vez, incentivos são fatores que motivam e infl uenciam o comporta-
mento humano. Os incentivos econômicos funcionam oferecendo conveniências 
maiores ou menores a bens e serviços para infl uenciar o comportamento das 
pessoas, geralmente por meio de recompensas e multas fi nanceiras. Sem dúvi-
da, o desejo de obter ganhos fi nanceiros ou materiais e evitar perdas de mesma 
natureza são poderosas forças motivadoras (embora não sejam as únicas).
Troca, dinheiro e interdependência
Indivíduos, grupos, regiões e países geralmente se especializam na produ-
ção de bens específi cos e no desempenho de serviços específi cos. Isso leva à 
produção de mais bens ou serviços do que os próprios produtores desejam 
consumir. Em tais situações, os produtores trocam seus excedentes por outros 
bens e serviços produzidos por pessoas localizadas em outros lugares e, como 
resultado, ao menos em tese, todos fi cam em situação melhor.
De fato, o princípio da troca voluntária se baseia no fato de que todas as 
partes envolvidas esperam obter ganhos com o comércio – afi nal, se assim não 
o fosse, não haveria troca. A forma maissimples de troca é o comércio direto
de bens ou serviços entre as pessoas, mas como a troca pura (escambo) é ge-
ralmente inconveniente, foi instituído o dinheiro para facilitar o intercâmbio.
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CURIOSIDADE
O dinheiro não precisa ter nenhum valor intrínseco para servir como meio 
de troca. Não há, por exemplo, nenhum custo diferenciado de produção de 
uma cédula de R$ 2 e uma outra de R$ 100. O que ocorre é que é a disposi-
ção das pessoas em aceitá-lo em pagamento que dá valor ao dinheiro no 
processo de troca.
Consequentemente, a especialização e a troca reduzem a autossufi ciência 
e, assim, aumentam a interdependência. Isso signifi ca que decisões ou eventos 
em uma parte do mundo ou em um setor da economia afetam decisões e even-
tos em outras partes e em outros setores da economia.
O problema econômico fundamental
É possível aprofundar a análise acerca da escassez como eixo estrutu-
rante do mais fundamental problema econômico – que a literatura especia-
lizada frequentemente nomeia também de problema econômico básico ou 
central. Afi nal, a partir da premissa que os recursos fi nitos de uma econo-
mia são insufi cientes para satisfazer todas as vontades e necessidades hu-
manas, pode-se agregar à economia a atribuição de estudo de como, pois, 
alocar recursos em condições de escassez. Como consequência, entender a 
economia também sob esse prisma, de como a sociedade aloca seus recur-
sos, tende a fundir, senão sobrepor parcialmente, o planejamento econômi-
co normativo e o estudo empírico de como os agentes econômicos operam 
nessas condições. 
Na economia neoclássica convencional, supõe-se que as pessoas bus-
cam seus próprios interesses e que o mecanismo de mercado satisfaz me-
lhor os vários desejos que diferentes indivíduos possam ter. Esses desejos 
são usualmente divididos em desejos individuais (que dependem das pre-
ferências do indivíduo e da paridade do poder de compra) e desejos coleti-
vos (que são os desejos de grupos inteiros de consumidores). Daí que itens 
como alimentos e roupas podem ser classifi cados como desejos ou necessi-
dades, dependendo do tipo e da frequência com que um bem é demandado.
É interessante observar que, por vezes, os economistas caracterizaram o 
“como” produzir como um problema de ordem tecnológica, inerente então 
à efi ciência, restando à alocação do que é produzido como um problema 
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de instância econômico. Classifica-
ções à parte, em um mercado livre, 
o “como” produzir e a alocação de re-
cursos são funções mescladas entre
os agentes econômicos. Por sua vez,
em uma economia planejada central-
mente, um decisor se responsabiliza
por determinar como e o que pro-
duzir em nome dos agentes. Entre
um extremo e outro, as economias
modernas são tidas frequentemente
como “capitalistas do bem-estar so-
cial”, sujeitas ao variado arcabouço
de regulamentações, o que tenderia
a tornar o sistema econômico mais equitativo, mantendo ainda a égide de
livre mercado.
Frise-se: o problema econômico fundamental reside no aspecto huma-
no. Inegavelmente, os desejos humanos são ilimitados – desejar parece algo 
arraigado à própria concepção de ser humano. Ricos ou pobres, ninguém 
pode afirmar que todos os seus desejos já foram satisfeitos, nada mais res-
tando a ser ambicionado. A começar pela constatação de que a sensação de 
saciedade não é permanente: é fato que todo mundo sente fome em algum 
momento, sede em outro, e isso se dá de forma cíclica e permanente. Por 
vezes, atender um desejo evoca despertar outro, por exemplo conseguir se 
vestir bem e então precisar de um bom transporte para algum compromisso 
específico. Enfim, quando todas as vontades existentes são (aparentemen-
te) satisfeitas, novas vontades começam a ser criadas, e a série de vontades 
vai se renovando indefinidamente, até o último momento da vida.
Portanto, reforça-se que o problema econômico advém da existência de de-
sejos humanos ilimitados. Não obstante, é possível apreciá-lo em componentes 
– o problema econômico poderia ser dividido em três partes distintas, a saber:
• Problema de alocação de recursos;
• Problema do pleno emprego dos recursos;
• Problema do crescimento econômico.
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Problema de alocação de recursos
O problema da alocação de recursos surge como consequência da escassez 
dos mesmos. Diante da constatação, debruça-se sobre a corriqueiramente desa-
fi adora questão de quais desejos devem ser satisfeitos e quais, em função disso, 
devem ser deixados de lado – essencialmente, o que produzir e quanto produzir.
A problematização surge naturalmente: mais produção de um bem impli-
ca, claro, em mais recursos necessários para a produção desse bem; contudo, 
recursos são escassos. Esses dois fatos juntos impõem que, se uma sociedade 
decide aumentar a produção de algum determinado bem, deve inevitavelmen-
te retirar alguns recursos da produção de outros bens. Em suma, mais pro-
dução de uma mercadoria desejada qualquer se viabiliza apenas reduzindo a 
quantidade de recursos utilizados na produção de outros bens.
O problema da alocação envolve a questão de produzir bens de capital ou 
bens de consumo. Ocorre que se a comunidade decide produzir bens de capi-
tal, os recursos devem ser retirados da produção de bens de consumo. A longo 
prazo, no entanto, o investimento em bens de capital aumenta a produção de 
bens de consumo. Inegavelmente, bens de capital e de consumo são importan-
tes – e ambos necessários em última análise. O desafi o, portanto, é determinar 
a taxa (proporção) ideal de produção entre os dois.
Se recursos são escassos, como de fato o são, é importante usá-los da ma-
neira mais efi ciente e inteligente possível. Portanto, é essencial saber se a produ-
ção e a distribuição do produto entregues por uma economia são efi cientes em 
máximo grau. Não é difícil concluir que a produção se torna efi ciente apenas se 
os recursos produtivos forem utilizados de tal maneira que qualquer realocação 
não produza mais de um bem sem reduzir a produção de qualquer outro bem. 
Por assim dizer, uma distribuição efi ciente signifi ca que a redistribuição de bens 
não pode melhorar uma parte envolvida sem prejudicar outra parte.
Na prática, as inefi ciências de produção e distribuição existem em todos 
os tipos de economias. Evidentemente, o bem-estar da população aumenta à 
medida que tais inefi ciências sejam devidamente tratadas. Porém, incorre-se 
em custos específi cos da iniciativa de combater inefi ciências, e é neste ponto 
que a questão se fecha: se o custo de remover as inefi ciências de produção e 
distribuição for superior ao ganho, obviamente não vale a pena removê-las.
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Problema do pleno emprego dos recursos
Em vista da onipresente e universal 
escassez de recursos, a questão quan-
to a saber se todos os recursos dis-
poníveis são totalmente utilizados é 
crucial. Impõe-se que uma comunida-
de deva alcançar a máxima satisfação 
necessariamente usando os recursos 
escassos da melhor maneira possível; 
isso signifi ca não desperdiçá-los ou 
usá-los de modo inefi ciente.
Sob essa ótica, existem dois tipos 
de emprego de recursos:
• Intensivo em trabalho;
• Intensivo em capital.
Nas economias capitalistas, tais recursos disponíveis não são totalmen-
te utilizados. Ocorre ainda que, por exemplo, em tempos de depressão, 
muitas pessoas queiram trabalhar, mas isso seja insuficiente para encon-
trar efetivamente emprego. Por isso conclui-se que, apesar de escassos, os 
recursos podem, ainda, não ser totalmente utilizados – uma face adicional 
ao problema exposto.
Problema do crescimento econômico
Se a capacidade produtiva cresce, uma economia pode produzir progressi-
vamente mais bens, o que eleva o padrão de vida. Por isso, o aumento daca-
pacidade produtiva de uma economia é chamado de crescimento econômico.
Existem vários fatores que afetam o crescimento econômico. Os proble-
mas inerentes ao crescimento econômico foram discutidos por vários mo-
delos de crescimento, incluindo o modelo Harrod-Domar, os modelos neo-
clássicos de Solow e Swan e os modelos de crescimento de Cambridge de 
Kaldor e Joan Robinson. Essa parte do problema econômico é estudada nas 
economias do desenvolvimento.
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Enfi m, a problemática fundamental da economia transita entre necessida-
des e desejos. Por um lado, necessidades são coisas ou itens materiais que as 
pessoas precisam para sobreviver, como comida, roupas, moradia e água. Evi-
dentemente, admite-se alguma relativização, pois cada qual, em cada época, 
tem necessidades diferentes. Por exemplo, até a Revolução Industrial, a grande 
maioria da população mundial lutava pelo acesso ao atendimento das necessi-
dades humanas mais básicas.
Por outro lado, desejos são ambições frente a um produto em particular ou 
para algo que só pode ser obtido trabalhando orientado a essa conquista (por 
exemplo, ser aprovado em um vestibular). Desejos, todavia, não podem ser 
confundidos com meros supérfl uos: afi nal, a escala entre a mais pura sobrevi-
vência, em um extremo, e luxos sem propósito outro que não ostentação pura 
e simples, em outro, é extensa, permeada por objetivos de conquistas pessoais 
e coletivas.
De todo modo, embora as necessidades fundamentais de sobrevivência se-
jam cruciais na função da economia, os desejos são a força motriz que intensa-
mente estimula a demanda por bens e serviços. Para gerenciar 
o problema econômico, os economistas precisam classifi car
a natureza e as diferentes necessidades dos consumidores,
bem como priorizar tais necessidades e organizar a produ-
ção para satisfazer o maior número possível delas.
Curva de possibilidade de produção/custo de oportunidade
Na área econômica, os termos fron-
teira de possibilidade de produção 
(FPP) e curva de possibilidade de pro-
dução (CPP) são sinônimos. O conceito 
se associa a um gráfi co na forma de 
uma curva que mostra várias combi-
nações das quantidades de dois bens 
que podem ser produzidos dentro dos 
recursos e da tecnologia disponíveis – 
vide exemplo ilustrado no Gráfi co 1.
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GRÁFICO 1. EXEMPLO DE CPP
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013. (Adaptado).
Quantidade de manteiga produzida
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de
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Portanto, é uma representação gráfica mostrando todas as opções possí-
veis de saída para dois produtos que podem ser produzidos usando todos os 
fatores de produção, em que os recursos fornecidos são total e eficientemente 
utilizados por unidade de tempo. Uma CPP ilustra, assim, vários conceitos eco-
nômicos, como eficiência alocativa, economias de escala, custo de oportuni-
dade (ou taxa marginal de transformação), eficiência produtiva e escassez de 
recursos – este último, o já analisado problema econômico fundamental que 
todas as sociedades precisam enfrentar.
Esse trade-off normalmente é estabelecido em análise econômica, embo-
ra também se aplique a cada indivíduo, família e organização econômica. Em 
suma, um bem só pode ser produzido desviando recursos de outros bens e 
produzindo menos deles.
Limitando graficamente o conjunto de produção para quantidades fixas 
de entrada, o gráfico CPP mostra o nível de produção máximo possível de 
uma mercadoria para qualquer nível de produção da outra, dado o esta-
do existente da tecnologia. Ao fazê-lo, se define a eficiência produtiva no 
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contexto desse conjunto de produção. No caso do Gráfico 1, a interpreta-
ção ocorre assim: um ponto na fronteira indica o uso eficiente dos insumos 
disponíveis (como é o caso dos pontos B, D e C ); um ponto abaixo da curva 
(como o ponto A) indica ineficiência; finalmente, um ponto além da curva 
(como o ponto X ) indica impossibilidade.
Na prática, os gráficos CPP são normalmente desenhados como abaulados 
para cima ou para fora a partir da origem (por isso, “côncavos” quando vistos 
a partir dela). De todo modo, ainda podem ser representados como abaula-
mentos para baixo (ou seja, para dentro) ou lineares (retos), isso a depender de 
várias suposições e premissas.
O fato é que uma mudança externa da CPP resulta do crescimento da dispo-
nibilidade de insumos, como capital físico ou trabalho, ou do progresso tecno-
lógico no conhecimento de como transformar insumos em produtos (aprimo-
ramento ou inovação tecnológica).
Essa mudança reflete, por exemplo, o crescimento econômico de uma econo-
mia que já opera com sua produtividade total (na CPP), o que significa que então 
mais de ambas as saídas podem ser produzidas durante o período especificado, 
sem sacrificar a saída de qualquer bem. Por outro lado, a CPP muda para dentro 
(“encolhe”) se a força de trabalho diminuir, o suprimento de matérias-primas se 
esgotar ou um desastre natural diminuir o estoque de capital físico.
No entanto, a maioria das contrações econômicas reflete não necessaria-
mente que menos pode ser produzido, mas que a economia começou a operar 
abaixo da fronteira, pois usualmente o capital físico e o trabalho estão subem-
pregados, permanecendo, portanto, ociosos em maior ou menor grau.
Em microeconomia, a CPP mostra as opções possíveis a um indivíduo, famí-
lia ou empresa. Por definição, cada ponto na curva é produtivamente eficiente, 
mas, dada a natureza da demanda do mercado, alguns pontos acabarão se 
revelando mais lucrativos que outros. Portanto, o equilíbrio para uma empresa 
será a combinação de produtos na CPP mais rentável.
Já a partir de uma perspectiva macroeconômica, a CPP revela as possibilida-
des de produção disponíveis para uma nação ou economia durante um determi-
nado período de tempo para amplas categorias de produtos. Tradicionalmente, 
o gráfico é adotado para mostrar o movimento entre comprometer todos os fun-
dos ao consumo no eixo vertical versus investimento no eixo horizontal.
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No entanto, é importante ressaltar que uma economia pode alcançar efi ciência 
produtiva sem necessariamente ser alocativamente efi ciente. Condições tais como 
falhas de mercado (como concorrência imperfeita ou externalidades variadas) e 
algumas instituições de tomada de decisões sociais (como governo e tradição cul-
tural) podem levar à combinação errada de bens produzidos (daí advindo a mistura 
errada de recursos sendo alocada entre a produção dos dois bens) em comparação 
com o que os consumidores preferem, dado o que é possível segundo a CPP.
Posição
Os dois principais determinantes da posição da CPP em um dado momento 
são o estado da tecnologia e a capacidade gerencial (que são refl etidos nas 
funções de produção disponíveis) e as quantidades disponíveis de fatores de 
produção (materiais, mão de obra direta e custos indiretos da fábrica).
Pela interpretação gráfi ca, somente pontos sobre ou dentro de uma CPP 
são realmente possíveis de alcançar a curto prazo. A longo prazo, se a tecnolo-
gia melhorar ou se a oferta de fatores de produção aumentar, a capacidade da 
economia de produzir os dois bens aumenta; assim, se esse potencial é realiza-
do, ocorre crescimento econômico.
Esse aumento é mostrado por uma mudança da fronteira de possibilidade de 
produção para a direita no gráfi co. Por outro lado, um desastre natural, militar 
ou ecológico pode mover a CPP para a esquerda em resposta a uma redução na 
capacidade produtiva de uma economia. Assim, todos os pontos sobre ou den-
tro da curva fazem parte do conjunto de produção: eles representam as diversas 
combinações de bens que a economia poderia potencialmente produzir.
Não obstante, se os dois bens de produção representadossão investimento 
de capital (para aumentar as possibilidades de produção futura) e bens de con-
sumo atuais, quanto maior o investimento no ano atual, em tese, mais a CPP 
mudaria nos anos seguintes. 
Observa-se que mudanças na curva podem representar como o fator 
progresso tecnológico, que favorece as possibilidades de produção de um 
bem tal como armas (Gráfi co 1) mais do que o outro, desloca a CPP para fora 
mais ao longo do eixo do bem favorecido, “infl uenciando” as possibilidades 
de produção nessa direção. Da mesma forma, se um bem faz mais uso do 
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capital e se o capital cresce mais rapidamente do que outros fatores, as pos-
sibilidades de crescimento podem, evidentemente, ser tendenciosas a favor 
do bem intensivo em capital.
Propriedades
São duas as propriedades a se considerar ao realizar análises com CPP: efi -
ciência e taxa marginal de transformação.
No que se refere à efi ciência, há que se considerar que a CPP delineia a quan-
tidade máxima de produtos (bens/serviços) que uma economia pode alcançar, da-
dos os fi xos recursos (fatores de produção) e o progresso tecnológico. Em suma:
• Pontos que estão sobre ou abaixo da curva das possibilidades de produ-
ção são possíveis/alcançáveis: as quantidades podem ser produzidas com os 
recursos e a tecnologia atualmente disponíveis;
• Pontos acima da curva das possibilidades de produção são inatingíveis,
porque as quantidades não podem ser produzidas usando os recursos e a tec-
nologia atualmente disponíveis;
• Pontos estritamente abaixo da curva são inefi cientes, porque a economia
pode produzir mais de pelo menos um bem sem sacrifi car a produção de qual-
quer outro bem com os recursos e a tecnologia existentes;
• Os pontos que estão na curva são, a rigor, efi cientes.
Com efeito, ao longo de todos os pontos que constituem a curva do gráfi co,
a economia alcança plena efi ciência produtiva: não é possível obter mais ne-
nhum bem sem sacrifi car outro.
Alguns pontos produtivos efi cientes são considerados como de efi ciência 
de Pareto, que é quando se identifi ca um estado de alocação de recursos em 
que impossibilita-se realocá-los de tal modo que qualquer participante seja 
benefi ciado sem piorar a situação individual de outro participante. A efi ciência 
de Pareto é alcançada quando a taxa marginal de transformação (inclinação da 
fronteira/custo de oportunidade dos bens) é igual à taxa marginal de substitui-
ção de todos os consumidores.
Da mesma forma, nem todos os pontos efi cientes de Pareto na linha da 
curva são de efi ciência alocativa; afi nal, esta só é alcançada quando a economia 
produz em quantidades que correspondem à preferência da sociedade.
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Como visto, uma CPP normalmente assume a forma da curva ilustrada no 
Gráfico 1. Assim, diz-se que uma economia que está operando na CPP é efi-
ciente, pois nessa condição é impossível produzir mais de um bem sem dimi-
nuir a produção do outro bem. Por outro lado, se a economia estiver operando 
abaixo da curva, considera-se que está operando ineficientemente porque, em 
tese, poderia realocar recursos para produzir mais bens. Provavelmente, al-
guns recursos, como trabalho ou capital, estão ociosos e podem ser totalmente 
empregados para produzir mais de ambos os bens.
Por exemplo, evocando ainda o exemplo sugerido pelo Gráfico 1, se alguém 
assumir que as quantidades disponíveis de fatores de produção da economia 
não mudam ao longo do tempo e que o progresso tecnológico não ocorre, se 
a economia estiver operando na CPP, a produção de armas (defesa nacional) 
precisará ser sacrificada para produzir mais manteiga (bens de consumo). É 
claro que, se a produção é eficiente, a economia pode escolher entre combina-
ções (pontos) na CPP: nesse caso, o ponto B, se as armas forem de interesse; o 
ponto C, se for necessária mais manteiga; ou o ponto D, se for necessária uma 
combinação igual de oferta de manteiga e de armas. 
Já o Gráfico 2 é útil para se compreender o conceito da taxa marginal de 
transformação.
GRÁFICO 2. TAXA MARGINAL DE TRANSFORMAÇÃO
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013. (Adaptado).
Qu
an
tid
ad
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de
 a
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 p
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zid
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Quantidade de manteiga produzida
AA
BB
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Por defi nição, a inclinação da CPP em qualquer ponto 
é chamada de taxa marginal de transformação (TMT). A 
seguinte interpretação é aplicada: a inclinação na curva 
defi ne a taxa na qual a produção de um bem pode ser re-
direcionada (pela realocação de recursos produtivos) 
para a produção do outro item. Por isso, é também 
usualmente denominado de “custo de oportunida-
de” (marginal) de uma mercadoria. Isto signifi ca que 
é o custo de oportunidade de X em termos de Y na mar-
gem; ele mede quanto do bem Y é dado para mais uma unidade do 
bem X e vice-versa. Com efeito, a forma de uma CPP é comumente desenhada 
como côncava em relação à origem para representar o aumento do custo de 
oportunidade com o aumento da produção de um bem. Assim, a TMT aumenta 
em tamanho absoluto à medida que se move da parte superior esquerda da 
CPP para o canto inferior direito do gráfi co.
Sem dúvida, a TMT pode ser expressa em termos de qualquer mercado-
ria. No caso ainda do exemplo sobre armas e manteiga, o custo marginal de 
oportunidade das armas em termos de manteiga é simplesmente o recíproco 
do custo marginal de oportunidade da manteiga em termos de armas. Se no 
mesmo exemplo ilustrado no Gráfi co 2 a inclinação (absoluta) no ponto BB no 
diagrama for igual a dois, para produzir mais um pacote de manteiga, a produ-
ção de duas armas precisa ser sacrifi cada. Contudo, se em AA o custo marginal 
de oportunidade da manteiga em termos de armas é igual a 0,25, o sacrifício de 
uma arma pode produzir então quatro pacotes de manteiga, resultando que o 
custo de oportunidade das armas em termos de manteiga é quatro. Enfi m, pelo 
gráfi co, é possível observar que a taxa marginal de transformação aumenta 
quando a transição é feita de AA para BB.
Forma
O aumento dos custos de oportunidade, ilustrado com uma curva côn-
cava à origem, é a forma mais comum de CPP. Contudo, se reta ou convexa, 
o que também pode acontecer, a interpretação quanto ao custo é signifi ca-
tivamente diferente.
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GRÁFICO 3. CPP COM FORMA CÔNCAVA
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013. (Adaptado).
+10
Quantidade de manteiga produzida
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ad
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ro
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-5
-5
0
+10
A B
C
D
No caso mais corriqueiro (curva côncava), o que se representa é uma dis-
paridade nas intensidades fatoriais e nas tecnologias dos dois setores produ-
tivos. Ou seja, como uma economia se especializa cada vez mais em um único 
produto (como passar do ponto B para o ponto D, no exemplo do Gráfico 3), o 
custo de oportunidade de produzir esse produto aumenta, 
porque se está empregando cada vez mais recursos me-
nos eficientes na produção.
Em tal exemplo, com o aumento da produção de 
manteiga, os trabalhadores da indústria de armas mi-
gram para lá. Na prática, a princípio, os trabalha-
dores menos qualificados (ou de funções mais 
básicas) serão transferidos para produzir mais 
manteiga, sendo que a mudança desses trabalha-
dores acarreta pouco impacto no custo de oportu-
nidade do aumento da produção de manteiga: por assim dizer, 
a perda na produção de armas será pequena.
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GRÁFICO 4. CPP COM FORMA RETA
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013. (Adaptado).
No entanto, o custo de produção de unidades sucessivas de manteiga sem 
dúvida aumenta à medida que os recursos cada vez mais especializados na 
produção de armas forem transferidos para a indústria de manteiga (como, por 
exemplo, pessoal mais qualificado – e mais caro).
Evidentemente, se os custosde oportunidade forem constantes, uma CPP 
linear é produzida (uma “curva reta”). Este caso reflete uma situação em que os 
recursos não são especializados e podem ser substituídos um pelo outro por 
qualquer custo adicional. Os produtos que requerem recursos semelhantes 
(pão e pastelaria, para citar um exemplo) terão uma CPP praticamente reta, e, 
portanto, custos de oportunidade quase constantes.
Mais especificamente, com retornos constantes de escala, há duas opor-
tunidades para uma CPP linear: se houvesse apenas um fator de produção a 
considerar ou se as razões de intensidade de fator nos dois setores fossem 
constantes em todos os pontos da curva de possibilidades de produção. Com 
retornos variados de escala, no entanto, ocorre de não poder ser totalmente 
linear nos dois casos.
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Quantidade de manteiga produzida
-2
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D-2
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GRÁFICO 5. CPP COM FORMA CONVEXA
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013. (Adaptado).
Com economias de escala, a CPP se recolheria, com o custo de oportunida-
de de um bem caindo à medida que mais dele fosse produzido. A especializa-
ção na produção de unidades sucessivas de um bem determina seu custo de 
oportunidade (por exemplo, a partir de métodos de produção em massa ou 
especialização do trabalho). 
Enfi m:
• CPP comum: representa aumento do custo de oportunidade;
• CPP linear: representa custo de oportunidade constante;
• CPP invertido: representa redução do custo de oportunidade.
Custo de oportunidade
Como bem indica o Gráfi co 6, aumentar a manteiga de A a B acarreta pouco 
custo de oportunidade, mas, no caso de um movimento de C a D, esse custo se 
torna muito maior.
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Quantidade de manteiga produzida
+10
-5-5
-5
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+10
C
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GRÁFICO 6. AVALIAÇÃO DO CUSTO DE OPORTUNIDADE
Fonte: SAMUELSON; NORDHAUS, 2013. (Adaptado).
Desde o ponto inicial da curva, se não houver aumento nos recursos pro-
dutivos, impõe-se que aumentar a produção de um primeiro bem implica di-
minuir a produção de um segundo, porque os recursos devem ser transferidos 
para o primeiro e, assim, afastados do segundo. Os pontos ao longo da curva 
descrevem o trade-off entre dois bens em análise. Como visto, o sacrifício na 
produção do segundo bem é chamado de custo de oportunidade – justamente 
porque aumentar a produção do primeiro bem implica em abrir mão da opor-
tunidade de produzir uma certa quantidade do segundo. Por isso, o custo de 
oportunidade é medido no número de unidades renunciadas do segundo bem 
por uma ou mais unidades do primeiro bem.
No contexto da interpretação de uma CPP, o custo de oportunidade está 
diretamente relacionado ao formato da curva (vide Gráficos 3 a 5). Sabe-se que 
se o formato da curva no gráfico CPP for linear, o custo de oportunidade será 
constante conforme a produção de diferentes mercadorias estiver mudando; 
entretanto, o custo da oportunidade geralmente varia dependendo dos pon-
tos de partida e de chegada.
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Quantidade de manteiga produzida
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C
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-5
-5
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+10 +10
B
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No exemplo ilustrado na Gráfi co 6, a produção de mais dez pacotes de mantei-
ga em um nível baixo de produção custa a renúncia de produção de cinco armas 
(mostradas como um movimento de A para B). No ponto C, a economia já está 
próxima do seu potencial máximo de produção de manteiga; isso im-
plica que, a fi m de se produzir mais dez pacotes de manteiga, 50 ar-
mas devem ser sacrifi cadas (representado pelo movimento de C 
para D). De tal forma, emprega-se o conceito já visto de TMT para 
estabelecer precisamente essa relação entre ganhos e perdas.
Fatores de produção
Na economia, fatores de produção – também denominados recursos ou in-
sumos – são usados no processo produtivo para que se viabilize a elaboração 
de produtos resultantes desse processo – ou seja, bens e serviços acabados. As 
quantidades utilizadas dos vários insumos determinam a quantidade de pro-
duto de acordo com o relacionamento chamado função de produção.
Existem quatro recursos ou fatores básicos de produção: terra, trabalho, em-
presa e capital. Os fatores também são frequentemente rotulados como “bens 
ou serviços de produtor” a fi m de distingui-los dos bens ou serviços adquiridos pe-
los consumidores, que são frequentemente rotulados como “bens de consumo”.
Existem dois tipos de fatores: primário e secundário. Os fatores primários já 
mencionados são terra, trabalho, empresa e bens de capital; materiais e ener-
gia são considerados fatores secundários na economia clássica porque são 
obtidos de terras, mão de obra e capital. Os fatores primários facilitam a pro-
dução, mas ocorre que não se tornam parte do produto (como nas matérias-
-primas) nem se transformam signifi cativamente pelo processo de produção
(como no combustível usado para alimentar as máquinas).
A terra inclui não apenas o local da produção, mas também recursos na-
turais acima ou abaixo do solo. A abordagem mais recente distingue o capital 
humano (o “estoque” de conhecimento na força de trabalho) do labor propria-
mente dito. Muitas vezes, o empreendedorismo também é considerado um 
fator de produção, assim como o estado geral da tecnologia. Evidentemente, 
o que se observa é que a quantifi cação e a qualifi cação de fatores variam, de-
pendendo do objetivo teórico, da ênfase empírica ou da escola de economia.
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Algumas escolas de economia
Na economia clássica, em que os estudos conduzidos por Adam Smith e 
David Ricardo são os baluartes, o foco são os recursos físicos na defi nição dos 
fatores de produção, discutindo-se, a partir deles, a distribuição de custo e 
valor entre esses fatores. Nessa perspectiva teórica, as chamadas “partes com-
ponentes do preço” são custos relacionados aos seguintes usos:
• Terra ou recurso natural: bens naturais, como água, ar, solo, minerais,
fl ora, fauna e clima, usados na criação de produtos. O pagamento dado a um 
proprietário de terra é aluguel, lealdade, comissão e boa vontade.
• Labor: esforço humano usado na produção, que também inclui conheci-
mentos técnicos e de marketing. O pagamento pelo trabalho de outra pessoa 
e toda a renda recebida do próprio trabalho são salários. O trabalho também 
pode ser classifi cado como a contribuição física e mental de um funcionário 
para a produção dos bens resultantes.
• Estoque de capital: bens intermediários fabricados pelo homem que
são utilizados na produção de outros bens fi nalísticos. Isso inclui máquinas, 
ferramentas e edifícios. Eles são de dois tipos: fi xos e funcionais. Fixos são 
investimentos únicos, como máquinas, ferramentas e trabalho, que consis-
tem em dinheiro líquido ou em dinheiro na mão e em matérias-primas; os 
demais são funcionais.
É interessante observar que os economistas clássicos também emprega-
ram a palavra “capital” em referência ao dinheiro. O dinheiro, no entanto, não 
foi considerado um fator de produção no sentido do estoque de capital, uma 
vez que não é usado para produzir diretamente nenhum bem. O retorno ao 
dinheiro emprestado ou ao estoque emprestado é denominado como juros, 
enquanto o retorno ao proprietário real do estoque de capital (ferramentas 
etc.) é denominado como lucro.
Por sua vez, a economia neoclássica, um dos ramos da economia conven-
cional, começou também com os fatores clássicos de produção de terra, labor e 
capital. No entanto, desenvolveu uma teoria alternativa de valor e distribuição. 
Muitos de seus expoentes adicionaram vários outros fatores de produção.
Assim, vale ressaltar que distinções adicionais das microeconomias clássica 
e neoclássica incluem o seguinte entendimento:
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• Capital: o conceito envolve muitos significados, incluindo o capital finan-
ceiro levantado para operar e expandir um negócio. Em grande parte da eco-
nomia, no entanto, “capital” (sem qualquer qualificação adicional) significa 
essencialmente bens que podem ajudar a produzir outros bens no futuro; re-
sultado de investimento. Refere-se, portanto, a máquinas, estradas, fábricas, 
escolas, infraestrutura e edifícios de escritórios que as pessoas produziram 
com a finalidade de poder criar bens e serviços.
• Capital fixo: é um recorte conceitual, que inclui máquinas, fábricas,
equipamentos, novas tecnologias, edifícios, computadores e outros bens 
projetados para aumentar o potencial produtivo da economia nos próxi-
mos anos. Atualmente, muitos consideram que o software é uma forma de 
capital fixo. Esse tipo de capital não muda devido à produção do bem (é, 
portanto, preservado).
• Capital de giro: inclui os estoques de bens acabados e semiacabados
que serão consumidos economicamente no futuro próximo ou que serão 
transformados em bens de consumo acabados no futuro próximo. Estes são 
frequentemente chamados de inventário. O termo “capital de giro” também 
se adota para se referir a ativos líquidos (dinheiro) necessários para despe-
sas imediatas relacionadas ao processo de produção (para pagar salários, 
faturas, impostos, juros etc.). De qualquer forma, a característica básica é 
que o valor ou a natureza deste tipo de capital geralmente muda durante o 
processo de produção.
• Capital financeiro: é simplesmente a quantidade de dinheiro que o em-
preendedor do negócio investiu nele. “Capital financeiro” geralmente se refe-
re ao patrimônio líquido vinculado ao negócio (ativos menos passivos), mas a 
expressão geralmente inclui dinheiro emprestado de terceiros (como bancos).
• Progresso tecnológico: há pelo menos mais de um século, os economis-
tas admitem que capital e trabalho não são responsáveis por todo o cresci-
mento econômico. Isso se reflete na produtividade total dos fatores usados 
em modelos econômicos chamados funções de produção que respondem 
pelas contribuições de capital e trabalho, e ainda assim têm algum compo-
nente “imprevisível” que é comumente chamado de progresso tecnológico 
– não raro, uma tecnologia de próxima geração tem potencial de redefinir por
completo negócios, mercados e a economia como um todo.
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EXPLICANDO
Modelos econômicos são formulações matemáticas: uma tentativa utiliza-
da pelos economistas para procurar explicar as interações entre as pes-
soas e as empresas. Modelos econômicos são, pois, simplificações das 
interações entre os agentes econômicos da vida real. Por meio delas é 
possível melhor compreender como as pessoas interagem na economia e 
qual o equilíbrio de longo prazo para qual um mercado avança. A despeito 
de simplificação, o que implica que os modelos podem não retratar fiel-
mente a realidade, ocorre que mesmo os mais simples ajudam os econo-
mistas a atingir conclusões que impactam os negócios na vida real.
Por fim, a economia ecológica se apresenta como uma alternativa à eco-
nomia neoclássica. Essa abordagem econômica integra, entre outras coisas, 
a primeira e a segunda leis da Termodinâmica como elementos de analogia 
para formular sistemas econômicos mais realistas, aderindo a limitações físi-
cas fundamentais.
Além do foco neoclássico na alocação eficiente, a economia ecológica en-
fatiza a sustentabilidade da escala e a distribuição justa. Ela também difere 
das teorias neoclássicas em suas definições de fatores de produção, substi-
tuindo-as pelos seguintes itens:
• Matéria: o material substancial a partir do qual os bens são produzidos.
A matéria pode ser reciclada ou reutilizada por meio de refino ou reforma, 
mas, a rigor, não pode ser criada ou destruída, colocando um limite supe-
rior na quantidade de material que pode ser retirado e usado. Consequen-
temente, a quantidade total de matéria disponível é fixa e, uma vez que toda 
a matéria disponível é usada, nada mais pode ser produzido sem reciclar ou 
reutilizar a matéria de produtos anteriores.
• Energia: os insumos físicos, embora não materiais, da produção. Pode-
-se colocar diferentes formas de energia em uma escala de utilidade, depen-
dendo de como seja útil para criar um produto. Devido à lei da entropia, a
energia tende a diminuir em utilidade ao longo do tempo. Por exemplo, eletri-
cidade, uma forma muito útil de energia, é usada para acionar uma máquina
que constrói um brinquedo; no processo, no entanto, a eletricidade é con-
vertida também em calor, uma forma menos útil de energia – normalmente
desperdiçada no processo produtivo. Como a matéria, a energia não pode
ser criada nem destruída e, portanto, há também um forçoso limite superior
à quantidade total de energia utilizável.
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• Inteligência de design: é um fator que incorpora o conhecimento, a
criatividade e a efi ciência de como os produtos são criados. Nesse sentido, 
quanto melhor o design, mais efi ciente e benéfi ca é a criação. Projetos geral-
mente são melhorias em relação a seus antecessores, já que o estoque de 
conhecimento acumulado cresce com o tempo (lições aprendidas/memória 
organizacional). Curiosamente, um possível análogo neoclássico da inteligên-
cia de design é o progresso tecnológico.
A seguinte noção é preceito central da economia ecológica: nas taxas má-
ximas de matéria sustentável e captação de energia, a única maneira de au-
mentar a produtividade é por meio do aumento da inteligência do projeto. 
Isso fornece a base para um princípio básico da economia ecológica, que pre-
coniza que o crescimento infi nito é virtualmente impossível. 
Sistema econômico
Um sistema econômico (ou ordem econômica) é um complexo de pro-
dução, alocação de recursos e distribuição de bens e serviços dentro de 
uma sociedade ou de uma determinada área geográfica. Inclui a combina-
ção de várias instituições, agências, entidades, processos de tomada de 
decisão e padrões de consumo que compõem a estrutura econômica de 
uma determinada comunidade. Como tal, um sistema econômico é neces-
sariamente um tipo de sistema social. O modo de produção é um conceito 
relacionado. Todos os sistemas econômicos têm três perguntas básicas a 
serem feitas:
• O que produzir?
• Como produzir e em que quantidades?
• Quem recebe a produção?
O estudo dos sistemas econômicos inclui como essas várias agências e
instituições estão ligadas entre si, como as informações fluem entre elas 
e as relações sociais dentro do sistema (incluindo direitos de proprieda-
de e estrutura de gestão). De início, a análise dos sistemas econômicos 
tradicionalmente costumava focar nas dicotomias e comparações entre 
economias de mercado e economias planejadas e nas distinções entre ca-
pitalismo e socialismo.
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Posteriormente, a categorização dos sistemas econômicos se expandiu 
para incluir outros tópicos e modelos que não estão de acordo com a dicoto-
mia tradicional. Atualmente, a forma dominante de organização econômica em 
nível mundial é baseada em economias mistas orientadas para o mercado.
O estudo comparativo de sistemas econômicos comparativos inclui as se-
guintes categorias analíticas:
• Planejamento, coordenação e reforma;
• Empresas produtivas, mercados de fatores e produtos, preços e população;
• Economia pública e economia fi nanceira;
• Renda nacional, produto e despesa, dinheiro e infl ação;
• Comércio internacional, fi nanças, investimentos e ajuda;
• Economia do consumidor, bem-estar e pobreza;
• Desempenho e perspectivas;
• Recursos naturais, energia, meio ambiente e estudos regionais;
• Economia política, instituições legais e direitos de propriedade.
Componentes
Como já ficou evidente, existem 
variados componentes em um siste-
ma

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