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2 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Toxina Botulínica Introdução A Toxina Botulínica é uma substância que revela um crescendo constante na nossa sociedade. Caracteriza-se como um auxiliar na busca da beleza e do rejuvenescimento do Mundo. Esta é uma toxina que provém da lise da bactéria Clostridium Botulinum, apresentando-se em 7 serótipos diferentes (A, B, C, D, E, F e G), sendo a Toxina Botulínica tipo A a mais utilizada. A Toxina Botulínica apresenta uma estrutura molecular formada por uma cadeia peptídea simples composta por 3 porções: L; Hc; Hn, tendo cada uma delas um papel importante no mecanismo de ação da toxina. Este mecanismo caracteriza-se pela diminuição da contração muscular, através da inibição da acetilcolina. Assim, esta diminuição de tensão muscular, permite várias utilizações no ramo da Medicina Estética, sendo aplicada em intervenções como eliminação dos “pés de galinha”, das linhas horizontais da testa, das rugas do complexo glabelar, elevação e modelação da sobrancelha, eliminação das rugas periorais, suavização do sulco nasogeniano e redução das rugas horizontais do pescoço e bandas do platisma. Por outro lado, as diversas aplicações na Medicina terapêutica assumem um papel complementar na sua utilização, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do paciente. Como premissa fundamental deste trabalho, o cuidado constante requerido na aplicação desta toxina, de forma a evitar a ocorrência de possíveis complicações. A Toxina Botulínica é uma pedra, que deve ser polida e trabalhada com cuidado, podendo assim dar ao paciente toda a sua preciosidade. 3 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI História da Toxina Botulínica A história da toxina botulínica (TxB) tem origem quando em 1817 foi publicada primeira descrição do botulismo (ou seja, envenenamento pela TxB). O autor, Justinus Kerner, associou mortes resultantes de intoxicação com um veneno encontrado em salsichas defumadas (do latim botulus que significa salsicha). Ele concluiu que tal veneno interferia com a excitabilidadedo sistema nervoso motor e autonômico. Isto permitiu a publicação de duas monografias descrevendo as características clínicas do botulismo. Kerner propôs uma variedade de potenciais usos da TxB na Medicina, principalmente em desordens de origem no sistema nervoso central que, atualmente, através de novas pesquisas vêm sendo comprovadas. Médico Alemão Justinus Andreas Chistian Kerner. Somente em 1895 que o agente bacteriano, bem como o mecanismo de ação responsável pela toxicidade do botulismo foram descobertos, feitos estes atribuídos ao professor Emile Van Ermengen, cuja publicação data de 1897. A TxB, uma das mais potentes toxinas bacterianas conhecidas, é o produto da fermentação do Clostridium botulinum, uma bactéria anaeróbia Gram-positiva em forma de esporo encontrada comumente no solo e em ambientes marinhos no mundo todo. Oito sorotipos imunologicamente distintos têm sido identificados. Destes, sete sorotipos: A, B, C1, D, E, F e G são neurotoxinas (outra TxB, a C2, é também produzida pelo C. botulinum, mas não é neurotoxina). Embora todos os sorotipos inibam a liberação de acetilcolina na terminação nervosa, suas proteínas intracelulares, seus mecanismos de ação e suas potências variam substancialmente. 4 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI O sorotipo mais amplamente estudado para o propósito terapêutico é o A, entretanto, os estudos sobre os efeitos dos demais sorotipos estão em crescimento. Bacteriologista belga Emile Van Ermengen Em 1978, Alan Scott conduziu os primeiros testes com a TxB-A injetada em seres humanos para o tratamento de estrabismo. Posteriormente sua indicação se estendeu para as distonias segmentares, tremores e outros movimentos anormais. O uso da TxB no tratamento da espasticidade foi feito pela primeira vez em 1989, onde foi publicado o resultado de sua aplicação em músculos intensamente espásticos de seis pacientes adultos com hemiplegia secundária ao infarto cerebral. Os neurologistas perceberam a potencial utilidade da TxB em desordens neurológicas envolvendo excessiva contração ou tônus muscular. Utiliza-se a unidade internacional (UI) para definir a potência biológica de todas as preparações de TxB, sendo uma UI a quantidade de TxB capaz de matar (em experimentos) a metade de uma população de ratos (DL50). Oftalmologista e desenvolvedor do botox Alan Brown Scott 5 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Contribuições da Toxina Botulínica ao longo da sua História Ao longo dos anos, a Toxina Botulínica foi assumindo diversas aplicações, que evoluíram e trouxeram novas possibilidades à Medicina. Destacam-se as áreas da Oftalmologia, da Neurologia e da Dermatologia, assumindo parte crucial na História da evolução da aplicação desta substância. Dermatologia: A partir de 1990, a Toxina Botulínica tornou-se conhecida pelo seu lado cosmético. Depois do uso inicial em outras áreas da Medicina, proporcionou-se um encontro de outras aplicações. Em 1987, a Oftalmologista Jean Carruthers observou que algumas das rugas horizontais de expressão, eram eliminadas durante o uso da Toxina Botulínica A (TBXA), com vista ao tratamento do blefaro- espasmo. Depois desta descoberta, a Doutora Carruthers partilhou as suas observações com o seu marido dermatologista, Alastair Carruthers, levando à promoção desta nova substância como produto cosmético. A partir de 1992, este casal canadiano, iniciou a promoção do uso da Toxina Botulínica através de várias campanhas educacionais. Em 1996, publicaram um artigo sobre a utilização cosmética da Toxina Botulínica. Atualmente, a Toxina Botulínica é usada na dermatologia para o tratamento de casos como os designados “pés de galinha”, assimetrias faciais, elevação ou modelação da sobrancelha, rugas de expressão da testa, vindo a adquirir uma evolução cada vez mais acentuada na área dermatológica. Não é de esquecer as precauções a tomar com este produto, sendo a sua cuidada e correta utilização fundamental para um bom resultado. 6 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Estrutura molecular O princípio ativo da TxB é um complexo proteico derivado do Clostridium botulinum. Este complexo proteico consiste em uma neurotoxina com 150.000 Daltons e proteínas acessórias não tóxicas associadas de forma não covalente que estabilizam e protegem o componente farmacologicamente ativo, resultando em um peso molecular final que varia de 300.000 a 900.00 Daltons. A composição e o peso molecular total do complexo de macromoléculas dependem do sorotipo e da espécie de Clostridium botulinum que o produz, variando também segundo os métodos de purificação e análise. Comercialmente as TxB dos tipos A e B são agentes biológicos obtidos laboratorialmente, sendo substâncias cristalinas e estáveis, liofilizadas, associadas à albumina humana e utilizadas, após diluição, em solução de NaCl a 0,9%. Em condições fisiológicas espera-se que o complexo sofra dissociação e libere a neurotoxina pura, pois esses complexos multiméricos são estáveis somente em pH ácido. A TxB é composta por uma cadeia proteica leve e uma pesada, ligadas entre si por uma ponte dissulfeto. A cadeia pesada é responsável pela internalização da TxB nos terminais colinérgicos pré-sinápticos. Por outro lado, a cadeia leve é uma zinco-endopeptidase, responsável pelos seus efeitos tóxicos. Trabalhos bioquímicos engenhosos e de paciência têm mostrado que essas toxinas são proteases altamente específicas que clivam proteínas SNARE (Soluble NSF Attachment proteinReceptors) pré-sinápticas envolvidas com o processo de exocitose das vesículas sinápticas nos terminais nervosos. A destruição destas proteínas pré-sinápticas é a base para a ação destas toxinas sobre a liberação de neurotransmissores. Esquema da estrutura e da atividade ao nível de membrana das toxinas botulínicas. 7 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Mecanismo de ação da Toxina Botulínica A maioria das variantes da Toxina Botulínica tipo A causa paralisia na junção neuromuscular por inibição do acoplamento e fusão das vesículas de acetilcolina na membrana pré-sináptica. Normalmente, a acetilcolina produzida pelo neurônio permanece contida em vesículas que, após a despolarização do neurônio em um processo cálcio dependente, se fundem com a membrana neuronal para depositar a acetilcolina na fenda sináptica. Este processo é facilitado por um complexo de proteínas SNARE (receptor de proteína de ligação de fusão N-etilmaleimida sensível) que inclui as proteínas VAMP-2 e sinaptobrevina presentes na superfície vesicular, e sintaxina 1ª e SNAP-25 na membrana neuronal. A TBA inicialmente se liga ao gangliosídeos que permitem o enriquecimento da toxina na membrana celular facilitando a sua interação com o seu receptor, a proteína da vesícula sináptica 1 (SV2), através da cadeia pesada. Através da ligação com o receptor ocorre a endocitose e internalização da TBA no neurônio e ativação da cadeia leve no citosol, que resulta na clivagem da proteína SNAP-25. Isso ocasiona a desativação do complexo SNARE, que é necessária para a fusão das vesículas sinápticas às membranas de superfície, bloqueando assim a liberação da acetilcolina necessária para a sinapse. 8 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Devido às vesículas de armazenamento da acetilcolina previamente internalizada na placa terminal motora, o efeito da paralisia se manifesta após 24 a 48 horas quando essas reservas são esgotadas. No entanto, a paralisia não é permanente uma vez que a regeneração ou brotação dos nervos bloqueados leva à formação de novas junções neuromusculares após 2 a 6 meses e restabelece a função muscular. A ação terapêutica máxima da TBA é observada entre o 7º e 14º dia após a aplicação, sendo que a falta de eficácia no relaxamento muscular após a aplicação da TBA pode ocorrer devido: à utilização de doses inadequadas, erro técnico durante a aplicação, resistência a TBA e alterações do produto ou condições de armazenamento inadequado. A função motora após o tratamento começa a retornar, devido ao rebrotamento neural, após aproximadamente 3 a 4 meses, podendo durar até 6 meses. No entanto, a duração do efeito é altamente variável uma vez que em pacientes que possuem metabolismo acelerado ou que foram submetidos a situações de estresse agudo, o efeito pode se manter por apenas 30 a 45 dias. Ademais, aplicações em musculaturas hipercinéticas podem apresentar efeito reduzido e requerem doses mais altas de TBA. Ressalta-se que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a reaplicação de TBA só deve ser realizada após 3 meses, para diminuir o risco de imunização. A Toxina Botulínica é absorvida através do trato digestivo, atingindo a corrente sanguínea e sendo transportada para os terminais neuromusculares. No caso de ocorrer absorção cutânea a toxina é transportada pelo sistema linfático, sendo levada até aos terminais neuromusculares. É de destacar que o botulismo humano é causado pelos serotipos A, B e E. Resumindo a TBA atua bloqueando a liberação da acetilcolina ao nível do terminal pré- sináptico através da desativação das proteínas de fusão, impedindo que a acetilcolina seja lançada na fenda sináptica e assim não permitindo a despolarização do terminal pós sináptico; em consequência a contração muscular fica bloqueada. A atividade da TBA sobre as glândulas sudoríparas parece estar ligada à regulação da produção glandular por sinapses parassimpáticas. Ela bloquearia a sinapse pós-ganglionar parassimpática 9 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI das glândulas sudoríparas, reduzindo drasticamente a sua secreção. Outro mecanismo atribuído à TBA no combate à hiperidrose é a inibição da contração das células mioepiteliais das glândulas écrinas. Farmacocinética Absorção e Difusão da Toxina Botulínica. Para investigar a farmacocinética da toxina botulínica tipo A, muitos estudos foram conduzidos em cobaias, ratos, coelhos e macacos. Os testes in vitro também são úteis para demonstrar o potencial mutagênico e hemolítico desta substância. Supõe-se que exista uma pequena distribuição sistêmica do produto após o uso de doses terapêuticas. Estudos in vitro, em ratos, indicam que a toxina botulínica tem alta afinidade para ligação aos terminais colinégicos da membrana pré sinaptica. Apesar desta alta afinidade ao nervo terminal, existem evidências indiretas, mostradas por ensaios radioativos, que a neurotoxina seja transportada de modo retrógrado à medula espinal. Estudos clássicos a respeito da absorção, distribuição, biotransformação e eliminação não foram realizados devido à natureza do produto, porém estudos realizados em ratos mostram uma difusão lenta no músculo injetado, seguida de uma rápida metabolização sistêmica e excreção urinária. No músculo, a quantidade de substância marcada, reduz-se até aproximadamente a metade, em aproximadamente 10 horas. No ponto de injeção, a fração radiativa se une a grandes moléculas proteicas, enquanto que no plasma se une a moléculas pequenas, o que indica um rápido metabolismo sistêmico do substrato. Nas 24 horas pós-injeção, 60% da substância marcada é excretada pela urina. Provavelmente, a toxina se metaboliza mediante protease e os componentes moleculares se reciclam através dos circuitos metabólicos normais. Acredita-se que a distribuição sistêmica das doses terapêuticas de TBA seja muito pequena. Estudos clínicos realizados utilizando técnicas eletromiográficas de fibra única mostram uma 10 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI atividade muscular eletrofisiológica aumentada em músculos afastados do ponto de injeção, sem que seja acompanhada de nenhum sinal ou sintoma clínico. Outros estudos histológicos mostram alterações das fibras musculares nas regiões bloqueadas, mostrando que o raio de ação da toxina a partir do ponto de injeção é em média de 3 cm, variando de 2 a 4cm. É importante referir que a diluição também pode influenciar a difusão, sendo que o raio de difusão aumenta com a diluição. Destaca-se que a estratégia ideal para difusão desta toxina será aplicar um volume reduzido em músculos de menor dimensão e em contrapartida, volumes maiores para grupos de músculos mais extensos, como por exemplo o músculo frontal. Toxinas botulínicas mais comercializadas A Toxina Botulínica A é um método extremamente eficaz no tratamento das designadas rugas hipercinéticas, recorrendo-se a esta, para o tratamento de grandes áreas relativas à parte superior da face. A aplicação da Toxina Botulínica tem vantagens cruciais, no que diz respeito ao tempo de recuperação, sendo este reduzido e contribuidor de uma reduzida morbilidade, permitindo aos pacientes uma recuperação rápida e pouco limitativa das suas atividades. Antes de ser focado o assunto referente às normas específicas de utilização da Toxina Botulínica, é importante referir que a existência de diferentes marcas de Toxina Botulínica A no mercado exige diferente aplicação, no que refere à dose a aplicar. Marcas 1. Botox A mais famosa marca de toxina botulínica do mundo, uma vez que, virou metonímia (quando uma marca vira nome de produto). Comercializada pela Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda. É disponibilizadoem frascos de 50U, 100U ou 200U, sempre na forma congelada a vácuo. 11 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI 2. Xeomin Comercializada pela Biolab Sanus Farmacêutica Ltda, é disponibilizado em frascos de 100 U. Apenas na forma liofilizada. 3. Prosigne Comercializada pela Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda, disponibilizado em frascos de 50U e 100U. Sempre na forma liofilizada. 4. Dysport Comercializada pela IPSEN Biopharm Ltda, disponibilizado em frascos de 300 U ou 500 U. Apenas na forma liofilizada. 5. Botulim Foi lançada em 2018 pelo Laboratório Blau. Em vistadisso, sacudiu o mercado com excelentes resultados e preço. Disponibilizado em frascos de 50U, 100U e 200. 6. Botulift Comercializada pelo Laboratório Bergamo, disponibilizado em frascos de 50U, 100U e 200U sempre na forma liofilizada. 7. Nabota Nabota é a mais jovem a entrar no Brasil, em 2020, comercializado pela marca Rennova. 12 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Nos EUA existe uma toxina botulínica tipo B, que vem em forma líquida e com menos potência que as toxinas do tipo A. Myobloc Vendido somente no EUA com doses de 2.500 UI e 5.000 UI por ser mais fraco que a toxina do tipo A. Relacionando a eficácia de cada preparação diferente, é importante destacar que o BOTOX® é 3 a 4 vezes mais potente do que o Dysport®, sendo que a quantidade de Dysport® deve ser 3 ou 4 vezes superior à quantidade de BOTOX®, de forma a atingir os mesmos efeitos clínicos. Em relação ao MYOBLOC®, cada dose aplicada deve ser 50 a 100 vezes superior à dose BOTOX®, com o objetivo de atingir os mesmos efeitos clínicos. De forma a compensar esta diferença, cada fabricante produziu frascos que contêm diferentes quantidades. Focando-se na variação de volumes a aplicar, a eficácia e a tolerância mostram-se similares, não havendo qualquer estudo comparativo deste parâmetro. Anatomia Facial A Toxina Botulínica pode ser aplicada em diversos músculos relevantes, sendo de principal interesse o conhecimento Anatómico Humano. Na imagem a seguir apresentam-se os diversos músculos em que se procede à aplicação da Toxina Botulínica, tendo como foco a área da Dermatologia e da Medicina Estética. Assim, como estas áreas são alvo de um envolvimento muscular extremo, mostra-se necessário um conhecimento aprofundado dos mesmos, nomeadamente da zona facial. Esta zona é a principal área de aplicação desta toxina, tendo maioritariamente um sentido estético. 13 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Técnica de diluição e cálculos de aplicação Para que o procedimento tenha sucesso, faz-se fundamental tomar precauções, seguir protocolos, respeitar normas e indicações, garantir a qualidade do produto, cumprir rigorosamente as doses que devem ser utilizadas, entender a anatomia de todas as áreas a serem tratadas, além da experiência e conhecimento de um profissional adequadamente habilitado para a realização do procedimento minimamente invasivo, de modo que venha a atenuar possíveis efeitos adversos. As doses da TBA são quantificadas em unidades (U), que é uma unidade de potência da droga e não mililitros (ml), que seria medida de volume. É apresentada na forma de pó liofilizado 14 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI estéril, em frascos preenchidos a vácuo. Assim, para sua utilização, é necessário que se proceda à diluição do produto. Para a técnica de diluição de da TBA deve-se utilizar uma solução salina a 0,9% sem conservantes já que, quando presentes, eles podem alterar o pH da solução, afetando a potência da toxina. Uma boa opção de diluição para o Botox seria o uso de 1ml para diluir a toxina contida em um frasco 100U. Nessa solução assim diluída, uma unidade de toxina corresponde a 0,01ml (a cada marca da seringa injetada no paciente, obtém-se uma unidade). E assim sucessivamente. Durante a diluição, deve-se evitar o borbulhamento ou a agitação do conteúdo do frasco. O mesmo cuidado deve ser tomado durante a recuperação do medicamento para a seringa de injeção. Devido ao grande tamanho da molécula de toxina, o borbulhamento ou a agitação do líquido poderá eventualmente quebrá-la e desativá-la, uma vez que o segmento pesado se separa do leve. Antes de escolher para qual volume diluir a toxina é preciso considerar que quanto maior for o volume injetado, maior será a dispersão do medicamento, o desconforto do paciente e maior o risco de formação de hematomas, ou seja, quanto menor possível o volume injetado, melhor o resultado. O Botox está disponível em frascos de 50U, 100U ou 200U. Sua dose humana letal é de 3.000U. Deve ser diluída minutos antes da aplicação, preferencialmente. Atente-se, pois, a diluição da marca Dysport é diferente das demais marcas do mercado. Enquanto com as outras marcas você fará proporção de 1x1, com a marca Dysport você fará: Frasco com 300UI- dilui em 1,5ml de cloreto de sódio e frasco com 300 UI- dilui em 2,3 ml de cloreto de sódio.Lembrando que a dosagem para aplicação será 3x mais do que as demais marcas. 15 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Diluição a Seco 1x1 050 UI- 100 UI- 200 UI- 050 UI- 100 UI- 200 UI- Diluição Tradicional 2x1 Estocagem e conservação Os frascos a vácuo contendo a neurotoxina, devem ser acondicionados sob refrigeração entre 2 e 8°C ou em freezer a - 5°C. Após a diluição com solução salina sem conservantes, a solução deve ser utilizada no menor tempo possível, podendo ser eventualmente guardada em geladeira também entre 2 e 8°C por até 4 horas. A toxina botulínica do tipo A é termolábil e pode ser inativada por alterações de pH e por ebulição. O armazenamento do produto já diluído parece fazer com que ele perca potência ao longo do tempo. O recongelamento da solução por duas semanas, leva a uma perda de potência de 70%. Outros estudos, porém, referem-se a tempo de estocagens variados, após diluição, sem perda de potência do produto. Duração de efeitos Os efeitos da injeção podem ser sentidos entre o terceiro e o décimo dia após a aplicação e duram em torno de 6 semanas a 6 meses, ocasião em que o paciente poderá ser avaliado quanto a possibilidade de se recomendar uma nova aplicação em tempo devido. Também é relatada uma maior duração de efeito e aumento do tempo entre duas aplicações, em pacientes que utilizam a TBA por um tempo mais prolongado. 16 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Estudos eletromiográficos mostram que a amplitude do potencial de ação dos músculos injetados declina após 48horas da injeção e atinge seu ponto mais baixo com 21 dias. Os mesmos estudos mostraram que 100 dias após a injeção a amplitude dos potenciais de ação continuava reduzida em 80%. A duração dos efeitos clínicos por outro lado, estará na dependência de vários fatores, entre eles: dose total utilizada, gravidade do quadro clínico, presença de outros tipos de terapia associada e fatores individuais como capacidade de regeneração neurológica. Contra indicação 1. Gestante e lactante 2. Infecções no local de aplicação 3. Pacientes sensíveis a toxina ou a albumina humana 4. Dysport não pode ser utilizado em alérgicos a lactose 5. Medicações do tipo antibióticos aminoglicosídeos, anti inflamatórios, corticóides, relaxantes musculares 6. Febre 7. Distúrbios que comprometem a musculatura 8. Expectativa irreal do paciente 9. Instabilidade emocional 10. Doença autoimune em atividade 11. Falta de colaboração do paciente na hora e após a aplicação Aindadevemos lembrar ainda, que como os diferentes produtos farmacêuticos da toxina botulínica do tipo A têm características absolutamente diferentes e particulares a cada formulação, as contraindicações estão sujeitas de modo específico ao produto farmacêutico utilizado. Além disso, por serem produtos biológicos, não poderão ser considerados genéricos, já que existem contraindicações específicas para cada produto, decorrentes dos componentes específicos da formulação. 17 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Complicações e efeitos adversos Os efeitos adversos causados pela Toxina Botulínica costumam ser leves, transitórios e depender de falhas na avaliação do paciente no momento da anamnese, erros na técnica de aplicação, inativação da toxina e não cumprimento de orientações que devem ser realizadas pelo profissional após o procedimento. No entanto, pode vir a causar preocupações tanto ao profissional quanto ao cliente e são mais frequentes do que se pode imaginar. As complicações mais comuns incluem: 1. Edema, eritema e dor 2. náuseas 3. Hematomas 4. Assimetrias 5. Ptose palpebral 6. Ptose das sobrancelhas 7. Sensação de testa pesada 8. Dor de cabeça Suplementação A duração média dos efeitos de uma aplicação de toxina botulínica varia de 4 a 6 meses e dependerá de alguns fatores: A Fitase é uma enzima especial com tecnologia e processamento patenteado e tem capacidade de liberar os resíduos de fosfato e minerais a partir do ácido fitico. Os fitatos são encontrados em grãos e vegetais, estes compostos ligam fortemente aos minerais no trato intestinal e interferem na absorção dos minerais e do zinco. O zinco é um mineral importante para ação da toxina botulínica no organismo. Desta forma, quando temos concentrações insuficientes, podemos observar um efeito menos pronunciado ou mais curto da toxina. São alimentos ricos em zinco: carnes, ovos, cereais integrais, legumes e feijão. 18 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI A enzima Fitase associada ao Zinco proporciona um suporte nutricional, pois disponibiliza zinco na concentração ideal para aumentar a eficácia de injeções de toxina botulínica no tratamento de espasmos, blefarospasmo, hemifacial ou procedimentos cosméticos em rugas. Indicamos que faça uso de Zinco + fitase por 10 dias. Sendo 5 dias antes da aplicação e 5 dias após a aplicação de toxina botulínica, a fim de aumentar sua durabilidade e fortalecer sua ação. 50mg de citrato de zinco e 3.000 UI de fitase é nossa sugestão. Tomar 1 capsula 2 x ao dia. Informações adicionais para pacientes que independentemente da suplementação, ainda assim podem assistir resultados limitados com relação a durabilidade. Cuidados pós procedimento 1. Evitar baixar a cabeça durante 4 horas 2. Não deitar durante 4 horas 3. Evitar movimentações bruscas nas primeiras 4 horas 4. Não realizar atividade física durante 48 horas 5. Não passar maquiagem por 24 horas 6. Evitar transição de temperaturas bruscas como muito calor e muito frio por 3 dias 7. Não ir à praia, mar e piscina por 7 dias 8. Caso haja edema pode ser utilizado compressa de gelo 3x ao dia até desinchar. 9. Caso ocorra nódulo e sensação de anestesia local é normal também, é transitório, só aguardar. Reconstituição e manuseamento da Toxina Botulínica A Na reconstituição e manuseamento da Toxina Botulínica A devem ser considerados determinados parâmetros, tais como: 1. Injetar a Toxina Botulínica A reconstituída com soro fisiológico; 2. Evitar agitar durante o processo da reconstituição, apesar de muitos estudos declararem que este procedimento não tem qualquer influência; 3. É sugerido teoricamente, o uso do BOTOX® até 4 horas depois do processo da reconstituição, no entanto a prática clínica não acompanha este parecer, afirmando que a potência desta toxina se mantém de 4 a 6 semanas depois da reconstituição 19 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Formas de prolongar o efeito da toxina botulínica 1. Manter aplicações periódicas a cada 6 meses (perda da força muscular da região) 2. Uso de substâncias antioxidantes como Vitamina C, Q10, PQQ. 3. Indicar uso de Fitase 3000UI + Zinco quelato 50mg, 5 dias antes e até 10 dias após o procedimento 4. Uso de protetor solar periodicamente 5. Uso de dermocosméticos para hidratação e rejuvenescimento 6. Seguir adequadamente as recomendações após o procedimento Possíveis causas de redução no tempo de duração da Toxina 1. Não seguir as recomendações corretas após aplicação 2. Se expor constantemente ao calor 3. Atividade física exacerbada 4. Menopausa 5. Repositores hormonais 6. Medicamentos corticoides, alguns antibióticos 7. Relaxante muscular Outros fatores que já apresentaram comprovação em alguns estudos: 1. Consumo de bebidas alcoólicas em excesso 2. Baixa de vitamina D 3. Ansiedade 4. Níveis de testosterona a alto ou baixo demais 20 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Notas importantes O protocolo com a toxina botulínica tem que ser feito de maneira clara e atenta para não haver erros, sempre lembrando que se houver, não há solução rápida para melhoria do quadro, então tome alguns cuidados, sendo eles: • Realize a ficha de anamnese de forma minuciosa e esclareça qualquer dúvida que a paciente venha apresenta. • Avalie sempre a força e padrão da musculatura que realizará o procedimento e aplique entre as rugas (no gordinho). • Realize o procedimento com a paciente sentada ou levemente inclinada, afim de evitar a dispersão do produto em regiões não desejadas. • Não se esqueça que a ficha de anamnese não substitui o termo de consentimento, ambos são importantes e imprescindíveis. • Avalie o histórico clínico com o paciente e alinhe as expectativas. • Faça o registro fotográfico e de vídeo com as movimentações mímicas. • Faça a marcação para aplicação da toxina botulínica. • O ambiente sempre estéril, faça a diluição adequada da toxina. • Não esqueça de guardar a toxina na geladeira. • Não manusear os materiais sem utilização de luvas. • Entregue os cuidados pós para paciente e oriente que o não cuidado afeta no resultado final. Quando a atividade física é muito intensa é natural que se contraia mais os músculos faciais. Isso faz com que a toxina botulínica seja absorvida mais rapidamente. Em atletas de alto rendimento, clinicamente, percebe-se que a duração da toxina é reduzida devido ao metabolismo acelerado. Quem realiza atividade física regulares, mas sem tanta intensidade, clinicamente não se nota uma redução tão discrepante. Caso o paciente esteja fazendo o uso de algum antibiótico ou anti- inflamatório é recomendado que se espere finalizar a utilização e só realizar a aplicação de toxina após 48horas, a fim de não comprometer sua durabilidade. 21 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Importante evitar o uso de medicamento quando possível durante 15 dias após a aplicação de toxina botulínica. Obs: A quantidade de toxina botulínica sempre será a mesma independente da sua diluição. Se você comprar uma toxina com 100 UI e diluir ela em 1 ml de soro ou 10 ml de soro, continuará com 100 UI de toxina, só que uma mais diluída do que a outra. 22 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI Diluição Em locais que não queremos ter um relaxamento muito acentuado, iremos diluir um pouco mais nosso botox. Depois da diluição padrão, iremos diluir a toxina em 3x mais. Exemplo: se pegarmos 4 UI do botox, iremos pegar mais 12 UI de diluente para quebrar a força da toxina. 23 PROIBIDA REPRODUÇÃO TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO INSTITUTO MERANI