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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFECAF FISIOTERAPIA Thays Costa Nascimento Taboão da Serra, SP 2025 Thays Costa Nascimento Estudo do caso Integrando movimento e função: análise cinesiológica e propostas terapêuticas no caso de Carlos Trabalho apresentado como requisito parcial de avaliação disciplina Cinesiologia do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário Unifecaf. Tutor(a): Tiara Almeida Sumário Introdução 3 Análise Cinesiológica 4 Interpretação Funcional 5 Propostas Terapêuticas Integradas 6 Levantamento de soluções 7 Aplicação dos Conceitos da Disciplina 10 Conclusão 11 Referências 12 Introdução Carlos, jovem de 25 anos, procurou atendimento fisioterapêutico após relatar dor súbita no joelho direito ocorrida durante uma partida de futebol. Segundo o paciente, o desconforto iniciou-se após um movimento rápido de rotação medial do joelho com o pé apoiado no solo, durante uma tentativa de mudança de direção. Ao exame clínico, observou-se a presença de edema da articulação do joelho, sensibilidade á palpação da região medial e discreta limitação funcional na marcha. 3 Análise Cinesiológica 1. Planos e Eixos Anatômicos Envolvidos: O movimento lesional envolveu rotação medial do joelho no plano transverso, com o pé fixo ao solo, ou seja, o eixo vertical estavam em ação. Esse tipo de movimento, quanto o pé está em contato como o solo, sobrecarrega a articulação do joelho, especialmente na fase de apoio médio da marcha, quando o corpo passa sobre o pé em contato. 2. Tipos de Contração Muscular: Durante a mudança de direção no futebol, predominam contrações excêntricas nos estabilizadores do joelho (isquiotibiais, glúteo médio) e concêntricas nos rotadores internos e externos do quadril. Após a lesão, o foco deve ser em contrações isométricas iniciais, evoluindo para excêntricas e concêntricas conforme a reabilitação progride. 3. Alavancas Corporais: No gesto esportivo, o joelho funciona como uma alavanca de terceira classe, onde a força muscular precisa vencer a resistência do corpo em movimento. A rotação com o pé fixo gera torques excessivos na articulação, especialmente nos ligamentos colaterais e meniscos. 4. Vetores de Força e Torque: Durante a rotação forçada, vetores de força tangenciais e torques em sentido medial aumentada a tensão sobre o menisco medial e ligamento colateral medial. Essa ação combinada com o pé fixo, reduz a capacidade de dissipação da energia cinética. 5. Estabilidade x Mobilidade Articular: O joelho é uma articulação que depende de estabilidade ativa (musculatura) e passiva (ligamentos). Em movimentos rotacionais com o pé fixo, há um desequilíbrio entre mobilidade (quadril) e estabilidade (joelho), favorecendo lesões. 4 6. Cadeias Cinéticas Abertas e Fechadas: Na corrida e na marcha, ocorrem movimentos em cadeia cinética fechada (CKF) na fase de apoio, e aberta (CKA) na fase de balanço. Na reabilitação, CKF são priorizadas para 7. melhorar estabilidade e coativação muscular, enquanto CKA são usadas para fortalecimento segmentar. 8. Controle Motor e Propriocepção: A lesão compromete os mecanorreceptores articulares, impactando o controle postural e motor. A reeducação proprioceptiva é essencial para evitar recidivais e restaurar o tempo de resposta neuromuscular. Interpretação Funcional A dor de Carlos ao caminhar e subir escadas pode ser explicada pela sobrecarga sobre a região medial do joelho, onde o menisco e os ligamentos colaterais atuam na estabilidade em plano frontal. A fraqueza de glúteo médio, tibial posterior e transverso do abdômen leva a compensações como valgo dinâmico, marcha claudicante e desequilíbrio postural. 5 Propostas Terapêuticas Integradas Estratégia 1: Restabelecimento de controle motor e estabilidade articular. *Intervenção: exercícios de estabilização em apoio unipodal e isométricos para quadríceps e glúteo médio. *Justificativa: Melhora a ativação neuromuscular e o controle dinâmico da articulação reduzindo risco de instabilidade. Estratégia 2: Fortalecimento segmentar com ênfase em CKF *Intervenção: Agachamentos com apoio bipodal, leg press com carga leve, exercícios em mini-trampolim. *Justificativa: Cadeiras cinéticas fechadas estimulam coativação muscular, melhorando força e estabilidade funcional. Estratégia 3: Treinamento proprioceptivo progressivo. *Intervenção: Apoio unipodal em superfícies instáveis (bozu, disco de equilíbrio), transições dinâmicas e saltos controlados. *Justificativa: Restaura a capacidade de respostas aos estímulos articulares e melhora a coordenação motora. 6 Levantamento de soluções: 1. Quais são os principais fatores cinesiológicos que explicam a dor de Carlos? A dor de Carlos é explicada principalmente pelo comprometimento das estruturas estabilizadoras mediais do joelho, que estão envolvidas na sustentação do peso corporal durante a marcha e em movimentos como a subida de escadas. O movimento de rotação medial com o pé fixo gerou uma sobrecarga no menisco medial e nos ligamentos coletarias, estruturas fundamentais para a estabilização em plano frontal e para o controle rotacional. Ao subir escadas, há um aumento do torque na articulação femorotibial, o que agrava a dor caso haja instabilidade ou inflamação. 2. Como os planos e eixos anatômicos envolvidos nos movimentos de marcha Durante a marcha, o joelho opera principalmente nos planos sagital (flexão/extensão) e em menor grau no plano transverso (rotação). O eixo transversal (lateral-medial) comanda flexão/extensão, e o eixo vertical, a rotação. No caso de Carlos, a rotação forçada no plano transverso com o pé fixo resultou em estresse mecânico sobre as estruturas ligamentares, interferindo diretamente na biomecânica da marcha durante a fase de apoio (especialmente apoio médio e terminal), quando a articulação precisa ser estável. 3. Quais cadeias musculares estão sendo compensadas e como isso se relaciona com a fraqueza do glúteo médio, tibial posterior e abdominal transverso? A fraqueza de: Glúteo médio → leva a instabilidade pélvica e valgo dinâmico do joelho; Tibial posterior → contribui para pronação excessiva do pé, aumentando o estresse na cadeia cinética inferior; Abdominal transverso → prejudica o controle lombo-pélvico, comprometendo a transferência eficiente de força. 7 4. De que forma o desequilíbrio entre estabilidade e mobilidade influência na marcha de Carlos? A articulação do joelho precisa de estabilidade para suportar cargas, enquanto articulações como quadril e tornozelo precisam ser móveis. Se o quadril ou tornozelo não oferecem mobilidade adequada, o joelho compensa com movimentos para os quais não está preparado — especialmente rotações. Esse desequilíbrio aumenta o risco de lesão e afeta a marcha de Carlos, que apresenta compensações e instabilidadeno apoio. 5. Como os conceitos de torque, vetores de força e alavancas explicam a sobrecarga articular? Torque: o momento de força aplicado no joelho durante a rotação excedeu a capacidade articular de resistir. Vetores de força: a força gerada pela musculatura e pelo impacto do pé no solo produziu vetores que convergiram sobre a articulação do joelho, especialmente no plano transverso, sem que houvesse mobilidade suficiente para dissipação. Alavancas: o joelho funciona como uma alavanca de 3ª classe na marcha; uma falha no braço de força (músculos estabilizadores) resulta em maior carga sobre o ponto de apoio (articulação). 6. Quais seriam três soluções terapêuticas possíveis e seus respectivos prós e contras biomecânicos? Estratégia Prós Contras 1. Exercícios de controle motor e estabilidade (isométricos e funcionais) Melhora a estabilidade articular e o controle neuromuscular Pode ser lento no início da reabilitação e exigir supervisão constante 2. Fortalecimento em cadeia cinética fechada (ex: agachamentos, leg press leve). Recruta múltiplas articulações, melhora coativação muscular e funcionalidade 8 Necessita controle postural adequado para evitar compensações 3. Treinamento proprioceptivo em bases instáveis Restaura tempo de resposta neuromuscular e previne novas lesões Pode gerar desconforto inicial e requer progressão cuidadosa 7. Que tipo de exercícios (em cadeia aberta e fechada) poderiam ser introduzidas para restaurar o equilíbrio funcional? Cadeia Fechada (CKF): ° Agachamento com amplitude controlada; ° Step-ups laterais; ° Leg press com baixa carga; ° Pliometria leve em trampolim. Cadeia Aberta (CKA): ° Extensão de joelho com resistência elástica; ° Fortalecimento isolado de tibial posterior com banda elástica; ° Exercícios de rotação de quadril com foco em glúteo médio. 8. Quais são as barreiras mais prováveis para adesão ao plano terapêutico e como superá-las? Barreiras: ° Dor persistente e medo de movimento; ° Falta de motivação ou compreensão da importância do tratamento; ° Agenda pessoal/trabalho incompatível com sessões. Soluções: ° Educação sobre o quadro clínico e evolução esperada; ° Sessões motivacionais e metas progressivas; ° Adaptação do plano com treinos domiciliares supervisionados e uso de apps. 9. Como os conhecimentos adquiridos ao longo do curso permitem entender e resolver o caso de Carlos? ° Compreender os mecanismos da lesão de Carlos; ° Identificar padrões compensatórios e fragilidades musculares; ° Propor intervenções seguras e baseadas em evidência, com foco na funcionalidade e prevenção de recidivas. 9 10. Quais seriam as possíveis consequências da não intervenção a médio e longo prazo nesse quadro funcional? ° Instabilidade crônica no joelho; ° Lesões secundárias por compensação (coluna, quadril, tornozelo); ° Desenvolvimento de condropatias ou lesões degenerativas; ° Perda de funcionalidade e limitação para esportes ou atividades do dia a dia; ° Risco de cirurgia corretiva mais invasiva. Aplicação dos Conceitos da disciplina As análises foram embasadas em cinesiologia e biomecânica, destacando ° A importância da estabilização na marcha (Seduc/CE, 2011). ° A necessidade de controle motor funcional (Virtuaslab, 2021). ° O papel da propriocepção na reabilitação articular (ISPSN, 2021). ° O uso de CKF na reabilitação pós-lesão do joelho (UP, 20008). 10 Conclusão O caso de Carlos evidencia como desequilíbrios de mobilidade e estabilidade, aliados a falhas de controle motor, contribuem para lesões articulares. A abordagem cinesiológica permite identificar padrões alterados e propor estratégias terapêuticas eficazes. O acompanhamento contínuo, com foco na funcionalidade, é essencial para prevenir recidivas e restaurar a performance esportiva. 11 Referências Bibliográfica SEDUC/CE. Biomecânica e Cinesiologia. [PDF]. Disponível em: https://www.seduc.ce.gov.br/wp- content/uploads/sites/37/2011/01/massoterapia_biomecanica_cinesiologia.pdf UNIVERSIDADE DO PORTO. A marcha humana: uma abordagem biomecânica. Disponível em: https://repositorio- aberto.up.pt/bitstream/10216/25484/2/60817.pdf VIEIRA, S. A. P.; LIBERALI, R. Cinesiologia e Biomecânica. ISPSN, 2021. Disponível em: https://www.ispsn.org/sites/default/files/documentos- virtuais/pdf/02._cinesiologia_e_biomecanica_autor_rafaela_liberali_e_simone_ a._p._vieira_0.pdf VIRTUASLAB. Fases da marcha humana. 2021. Disponível em: https://www.virtuaslab.net/ualabs/ualab/491/img_conteudo/sumarioteorico/pdf/ arquivo.pdf?modo=embed Aderbal, Prof. Dr. Cinesiologia da marcha e da corrida. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6jYa45L6Q6o 12 https://www.seduc.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/37/2011/01/massoterapia_biomecanica_cinesiologia.pdf https://www.seduc.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/37/2011/01/massoterapia_biomecanica_cinesiologia.pdf https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25484/2/60817.pdf https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25484/2/60817.pdf https://www.ispsn.org/sites/default/files/documentos-virtuais/pdf/02._cinesiologia_e_biomecanica_autor_rafaela_liberali_e_simone_a._p._vieira_0.pdf https://www.ispsn.org/sites/default/files/documentos-virtuais/pdf/02._cinesiologia_e_biomecanica_autor_rafaela_liberali_e_simone_a._p._vieira_0.pdf https://www.ispsn.org/sites/default/files/documentos-virtuais/pdf/02._cinesiologia_e_biomecanica_autor_rafaela_liberali_e_simone_a._p._vieira_0.pdf https://www.virtuaslab.net/ualabs/ualab/491/img_conteudo/sumarioteorico/pdf/arquivo.pdf?modo=embed https://www.virtuaslab.net/ualabs/ualab/491/img_conteudo/sumarioteorico/pdf/arquivo.pdf?modo=embed https://www.youtube.com/watch?v=6jYa45L6Q6o