Logo Passei Direto
Buscar

O SUS e a Integralidade do Cuidado

Ferramentas de estudo

Material

Prévia do material em texto

O SUS e a Integralidade 
do Cuidado
 
MÓDULO 01 | PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
DA APS E DO SUS
DISCIPLINA 01
Brasília (DF) 
2026
O SUS e a Integralidade 
do Cuidado
DISCIPLINA 01
Tiragem: 1ª edição – 2026 – versão eletrônica
2026 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C Camargo Câncer Center.
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não 
Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a 
reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
A coleção institucional da Oferta de Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir 
da Atenção Primária à Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do 
Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br
Elaboração, distribuição e 
informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção Primária à 
Saúde - SAPS
Esplanada dos Ministérios Bloco G, 
Edifício Sede
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
CONSELHO NACIONAL DE 
SECRETARIAS
MUNICIPAIS DE SAÚDE - 
CONASEMS
Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 
Anexo B, Sala 144
Zona Cívico-Administrativo
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
A.C CAMARGO CANCER CENTER
R. Prof. Antônio Prudente, 211 – 
Liberdade
CEP: 01509-010 - São Paulo/S - 
Brasil
Colaboração:
Bárbara Patrícia da Silva Lima – A.C. 
Camargo
Beatriz Guterres de Souza Lima – SAPS/MS
Cibele Dayana de Souza – SAPS/MS
José Eudes de Lorena Sobrinho – A.C. 
Camargo
Leila Medeiros Melo – SAPS/MS
Priscylla Alves Nascimento de Freitas – 
SAPS/MS 
Renata Gomes Soares – SAPS/MS
 
Designer educacional:
Gustavo Henrique de Faria Barra – 
CONASEMS
Coordenação de desenvolvimento gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Diagramação e projeto gráfico:
Júlia Gutierrez Souza Carmo – CONASEMS
Luciana Monteiro Campello – CONASEMS
Ygor Baeta Lourenco – CONASEMS
Fotografias e ilustrações:
Biblioteca do Banco de Imagens do 
Conasems
Imagens:
Freepik
Flickr - Ministério da Saúde
Revisão Linguística:
Keylla Manfili Fioravante
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves – SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas – 
SAPS/MS
Ana Paula Pinho – A.C. Camargo
Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Mauro Junqueira – CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich – CONASEMS
Organização:
Núcleo Pedagógico do CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Kelly Cristina Santana – CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata – 
CONASEMS
Marta de Sousa Lima – CONASEMS 
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – 
CONASEMS
Valdívia França Marçal – CONASEMS
Assessoria executiva:
Antônio Jorge de Souza Marques
Elaboração de conteúdo:
Brígida Gimenez Carvalho 
João Felipe Marques da Silva
Revisão técnica de conteúdo:
Beatriz Zocal da Silva – SAPS/MS
Daiane Celestino Melo – SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco – SAPS/MS
Maria da Penha Marques Sapata – 
CONASEMS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos – 
CONASEMS
COMO NAVEGAR NESTE 
E-BOOK
Antes de iniciar a leitura do material, veja, 
aqui, algumas dicas para aproveitar ao 
máximo os recursos disponíveis.
SUMÁRIO: uma forma rápida de acessar 
facilmente as temáticas. 
Quer retornar à lista das temáticas? 
Basta clicar no ícone, no canto superior da página.
Sempre que surgir o QR CODE, 
aponte a câmera do seu celular 
para acessar o conteúdo. Você, 
também, pode clicar sobre ele, 
com o botão direito do mouse, 
para abrir em uma nova aba ou 
navegador. 
QR CODE
Caso tenha dificuldade para 
visualizar os elementos visuais, 
utilize a função de zoom do 
PDF. 
ZOOM
 
Este é o seu e-book da Disciplina 1 – O SUS e a Integralidade do 
Cuidado, que marca o início do “Aperfeiçoamento da Prática em 
Coordenação do Cuidado a partir da APS”.
Nesta disciplina, abordaremos a Atenção Primária à Saúde (APS) 
como porta de entrada do sistema e como eixo de articulação com a 
rede de atenção. Um convite para olhar para a APS não apenas 
como um nível de atenção, mas como o espaço onde o cuidado se 
constrói.
BEM-VINDO!
Aqui, iniciamos juntos o 
caminho da integralidade.
 
Ao longo deste conteúdo, exploraremos o papel da APS como porta 
de entrada preferencial, e como ponto central de comunicação com 
os demais serviços da rede.
Vamos compreender seus atributos essenciais e como eles 
dialogam com os princípios e diretrizes do SUS. Mais do que isso, 
veremos como esses princípios se expressam no cotidiano dos 
serviços, nas relações entre profissionais e usuários e nas decisões 
que moldam as trajetórias de cuidado.
A partir de agora, vamos 
compreender, de maneira 
integral, os conteúdos já 
abordados na teleaula e na 
aula interativa da disciplina, 
reafirmando o compromisso 
com um cuidado mais humano, 
resolutivo e integral.
Leia com atenção e 
bons estudos!
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AAE | Atenção Ambulatorial Especializada
AB | Atenção Básica
AIDS | Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
APS | Atenção Primária à Saúde
AVA | Ambiente Virtual de Aprendizagem
CAPS | Centro de Atenção Psicossocial
CES | Conselho Estadual de Saúde
CF | Constituição Federal
CIB | Comissão Intergestores Bipartite
CIR | Comissão Intergestores Bipartite Regional
CIT | Comissão Intergestores Triparte
CMS | Conselho Municipal de Saúde
CNS | Conselho Nacional de Saúde
CONASEMS | Conselho Nacional de Secretarias Municipais de 
Saúde
CONASS | Conselho Nacional de Secretários de Saúde
COSEMS | Conselho de Secretarias Municipais de Saúde
CRAS | Centro de Referência de Assistência Social
EP | Emendas Parlamentares
eAP | equipes de Atenção Primária
eAPP | equipe de Atenção Primária Prisional
eCR | equipe de Consultório na Rua
eMulti | equipes multiprofissionais na APS
eSF | equipes de Saúde da Família
ESF | Estratégia de Saúde da Família
eSFR | equipe de Saúde da Família Ribeirinha
GM | Gabinete do Ministro
HAS | Hipertensão Arterial Sistêmica
HIV | Vírus da Imunodeficiência Humana
IBGE | Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IED | Índice de Equidade e Dimensionamento
IMC | Índice de Massa Corporal
IPEA | Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
IST | Infecção Sexualmente Transmissível
ITU | Infecção do Trato Urinário
IVS | Índice de Vulnerabilidade Social
LGBTQIA+ | Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros 
(Travestis, Transexuais), Queer, Intersexo, Assexuais, outras 
orientações e identidades de gênero não especificadas nas 
letras anteriores
MRA | Migrantes, Refugiados e Asilados
MS | Ministério da Saúde
NASF | Núcleo de Apoio à Saúde da Família
NASF-AB | Núcleo Ampliado de Saúde da Família na Atenção 
Básica
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
OCDE | Organização para Cooperação e Desenvolvimento 
Econômico
OCI | Oferta de Cuidados Integrados
PA | Pressão Arterial
PAB | Piso da Atenção Básica
PDR | Plano Diretor de Regionalização
PMS | Plano Municipal de Saúde
PNAB | Política Nacional da Atenção Básica
PNAES | Política Nacional de Atenção Especializada
PNAISARI | Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de 
Adolescentes em Conflito com a Lei, em Regime de Internação, 
Internação Provisória e Semiliberdade
PNAISP | Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das 
Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional
PNH | Política Nacional de Humanização
PNI | Programa Nacional de Imunização
PSE | Programa Saúde na Escola
PSF | Programa Saúde da Família
PTS | Projeto Terapêutico Singular
RAS | Rede de Atenção à Saúde
REMUME | Relação Municipal de Medicamentos Essenciais
RENAME | Relação Nacional de Medicamentos Essenciais
RENASES | Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
RESME | Relação Estadual de Medicamentos Essenciais
RSB | Reforma Sanitária Brasileira
SES | Secretaria de Estado de Saúde
SRAG | Síndrome Respiratória Aguda Grave
SUS | Sistema Único de Saúde
TDO | Tratamentodiferenciadas para alcançar 
resultados semelhantes. 
Como, por exemplo:
população negra; 
povos indígenas; 
população do campo, da floresta e das águas; 
povos e comunidades tradicionais (quilombolas 
e ribeirinhas), povos ciganos e migrantes; 
pessoas LGBTQIA+; 
pessoas em situação de rua; 
crianças e adolescentes em conflito com a lei;
pessoas com deficiência.
98
Para saber mais sobre políticas, ações, programas e estratégias que 
a APS tem instituído, nos últimos anos, para ampliar a equidade, 
clique sobre os itens ou escaneie os QR codes, a seguir:
eCR - Equipe de Consultório 
na Rua
eAPP - Equipe de Atenção 
Primária Prisional
(Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no 
Sistema Prisional - PNAISP)
eSFR - Equipe de Saúde da 
Família Ribeirinha e UBSF - 
Unidade Básica de Saúde Fluvial
99
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/consultorio-na-rua
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/consultorio-na-rua
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pnaisp/sobre-a-pnaisp
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pnaisp/sobre-a-pnaisp
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/esfr
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/esfr
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/esfr
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/consultorio-na-rua
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pnaisp/sobre-a-pnaisp
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/esf/esfr
Emergências Climáticas
População LGBTQIAPN+
PNAISARI - Política Nacional 
de Atenção Integral à Saúde de 
Adolescentes em Conflito com 
a Lei
Migrantes, Refugiados e 
Asilados (MRA)
100
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/emergencias-climaticas
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/populacao-lgbtqiapn
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/adolescentes-em-cumprimento
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/adolescentes-em-cumprimento
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/adolescentes-em-cumprimento
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/adolescentes-em-cumprimento
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/migrantes-refugiadas-e-apatridas
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/migrantes-refugiadas-e-apatridas
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/populacao-lgbtqiapn
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/adolescentes-em-cumprimento
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/migrantes-refugiadas-e-apatridas
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/emergencias-climaticas
V
O
C
Ê 
SA
B
IA
?
Atualmente, o MS tem desenvolvido o Programa 
Nacional de Equidade de Gênero, Raça e 
Valorização das Trabalhadoras no SUS. 
O programa tem com foco o combate às 
iniquidades entre gêneros, raças, etnias e 
sexualidade, e é voltado às trabalhadoras do SUS, 
com intuito de reconhecer a diversidade, a jornada 
múltipla das mulheres no SUS, e qualificar 
processos de gestão do trabalho e educação na 
saúde para construção de pontes de equidade, com 
vistas à igualdade entre os trabalhadores.
101
Nesse contexto, o conceito de equidade comporta distintas 
dimensões em sua análise:
equidade na oferta (distribuição de recursos humanos e 
capacidade instalada);
acesso e utilização de serviços; 
financiamento das ações; 
qualidade da atenção; 
situação de saúde;
condições de vida da população.
(Fonte: Barros, Souza, 2016).
ACESSE O
QR CODE
Para aprofundar o entendimento sobre 
Equidade, incluindo seus conceitos, significados 
e implicações para o SUS, clique aqui ou 
escaneie o QR Code, ao lado.
102
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/Kdc66VGb5mXkMnHTHYkzVPv/?format=html&lang=pt
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/Kdc66VGb5mXkMnHTHYkzVPv/?format=html&lang=pt
Vamos resgatar o exemplo anterior:
Você sabia que a vacina contra VSR também é indicada para 
pessoas acima de 60 anos? 
No entanto, o PNI a incorporou, por enquanto, somente às 
gestantes. Além dos aspectos voltados à eficácia e efetividade do 
imunizante, há de se considerar, na implementação de ações de 
saúde, os custos e a disponibilidade de recursos orçamentários. 
Dessa forma, a análise de dados, como os de mortalidade e 
morbidade infantil, indicam a prioridade da vacinação em gestantes. 
Sendo assim, um exemplo de equidade na oferta.
103
Na APS, a equidade, também, 
deve ser norteadora para a 
priorização das ações, e para o 
direcionamento de recursos e 
materiais às UBS e territórios com 
maiores necessidades. Inclusive, o 
regramento sobre o financiamento 
do SUS e a partilha de recursos em 
saúde devem ser balizadas por 
critérios de equidade, conforme 
estabelecido nos termos:
Inciso II do § 3º do art. 198 da Constituição Federal – 
acesse clicando aqui ou escaneando o QR Code, ao lado.
Lei Complementar nº 141/2012 – acesse clicando aqui 
ou escaneando o QR Code, ao lado.
104
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10653403/paragrafo-3-artigo-198-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10653403/paragrafo-3-artigo-198-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10653403/paragrafo-3-artigo-198-da-constituicao-federal-de-1988
V
O
C
Ê 
SA
B
IA
?
Atualmente, o cofinanciamento federal do MS 
utiliza um critério de equidade para o repasse do 
Componente Fixo da APS, conhecido como Índice 
de Equidade e Dimensionamento (IED), instituído 
pela Portaria GM/MS 3493/2024.
Clique aqui ou escaneie o QR 
Code, ao lado, para acessá-la na 
íntegra.
O IED classifica os municípios considerando a vulnerabilidade social 
(Índice de Vulnerabilidade Social – IVS do Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada – Ipea), e o porte populacional (Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE). 
O resultado é apresentado em 4 estratos (1 a 4), sendo que o 
estrato 1 elenca os municípios mais vulneráveis e de menor porte 
populacional. O IED auxilia na distribuição dos recursos federais da 
APS para os municípios, considerando a equidade. 
105
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2024/prt3493_11_04_2024.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2024/prt3493_11_04_2024.html
Dados de 2022 revelaram que as EP compunham cerca de 25,5% 
do financiamento federal da APS. Um estudo de Ulinski et al. 
(2024), realizado entre o período de 2015 a 2022, identificou que o 
aumento do repasse de EP pelo MS favoreceu a redução da 
alocação de receitas municipais com a APS, ou seja, os municípios 
substituem a receita própria (que podem ter sido direcionadas para 
outras finalidades de gasto no SUS) pelos recursos recebidos por 
emendas parlamentares (EP).
Por outro lado, o financiamento por 
meio de emendas parlamentares 
(EP), sem critérios sanitários e 
regionais específicos, podem ferir o 
princípio da equidade, uma vez que 
as maiores beneficiárias nem 
sempre são as localidades que 
mais necessitam.
SAIBA
MAIS
106
Em outras palavras, os recursos recebidos por EP para esse nível de 
atenção não se somam aos recursos previstos de fonte própria. 
Outro achado do estudo, é que a distribuição de EP entre os 
municípios, considerando o porte municipal, é desigual.
Ao analisar as implicações das EP para o modelo de alocação 
equitativa de recursos aos municípios, no período de 2015 a 2019, 
Sulpino e Lima (2022) concluíram que a distribuição de recursos por 
emenda parlamentar não contemplou todos os municípios, mesmo 
aqueles mais vulneráveis, além de ter havido grande desigualdade 
no repasse de recursos per capita segundo os grupos de municípios.
O financiamento adequado e equitativo é condição estruturante 
para a integralidadedo cuidado, conectando gestão financeira e 
prática assistencial. Para conhecer mais detalhes sobre o tema, 
acesse os artigos, abaixo:
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para 
ler o artigo “Efeitos das emendas parlamentares 
no financiamento municipal da Atenção 
Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde”.
107
https://www.scielo.br/j/csp/a/9ZCwyxLFP6pCVz4krScFcmB/?format=html&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csp/a/9ZCwyxLFP6pCVz4krScFcmB/?format=html&lang=pt
Outros instrumentos que buscam garantir a equidade na atenção 
são a estratificação de risco e a priorização do acesso a partir de 
critérios clínicos e de gravidade. 
Todavia, devemos refletir que ao ordenar o atendimento assistencial 
na APS, a partir do momento da chegada do usuário, ou seja, 
aquele que chega mais cedo, e/ou priorizar exames e procedimentos 
para aqueles que estão há mais tempo na fila, embora sejam 
“critérios”, não vinculam-se ao princípio da equidade. 
Dessa forma, é possível observar que a equidade é um princípio 
amplo que norteia as ações nos serviços de saúde, e pode 
relacionar-se com a oferta; com o acesso e utilização de serviços; 
com o financiamento; com a qualidade da atenção, com a situação 
de saúde; e, ainda, com as condições de vida da população.
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para 
acessar o artigo “Distorções das emendas 
parlamentares na alocação equitativa de recursos 
federais ao Piso da Atenção Básica (PAB)”.
108
https://www.scielosp.org/article/rsp/2022.v56/123/pt/
https://www.scielosp.org/article/rsp/2022.v56/123/pt/
03 Integralidade
A integralidade no SUS pressupõe duas análises principais:
a primeira está relacionada a não limitar ou reduzir as 
pessoas à suas queixas principais ou à condição de saúde, 
ou seja, o cuidado aos indivíduos deve envolver outras 
dimensões e necessidades, e deve estar relacionado com 
aspectos familiares e comunitários, com o território, e com 
os condicionantes e determinantes sociais;
a outra, está vinculada à garantia da atenção contínua à 
saúde das pessoas, por meio de um conjunto de ações e 
serviços, preventivos e/ou curativos, no âmbito individual 
e/ou coletivo, em diferentes níveis de complexidade que 
compõem a RAS.
109
Conceito de Integralidade na PNAB
Dessa forma, a INTEGRALIDADE DO 
CUIDADO está relacionada à garantia 
de acompanhamento na APS de forma 
resolutiva e sua continuidade na 
Atenção Especializada Ambulatorial e 
Hospitalar, mas, também, a um 
conjunto de ações que envolvem 
diferentes formas e locais de cuidado, 
serviços (intra e intersetoriais) e 
equipes profissionais. 
A PNAB (2017) conceitua Integralidade como:
[…] conjunto de serviços executados pela equipe de saúde que 
atendam às necessidades da população adscrita nos campos do 
cuidado, da promoção e manutenção da saúde, da prevenção de 
doenças e agravos, da cura, da reabilitação, redução de danos e 
dos cuidados paliativos. 
Da mesma forma, ainda em seu texto:
[…] Inclui a responsabilização pela oferta de serviços em outros 
pontos de atenção à saúde e o reconhecimento adequado das 
necessidades biológicas, psicológicas, ambientais e sociais 
causadoras das doenças, e manejo das diversas tecnologias de 
cuidado e de gestão necessárias a estes fins, além da ampliação 
da autonomia das pessoas e coletividade (PNAB, 2017).
110
Essas ações abrangem o cuidado domiciliar e ambulatorial realizado 
por toda a equipe multidisciplinar que atua na APS, o acolhimento e 
o acompanhamento do usuário na RAS, além das ações de 
promoção e prevenção, individuais e coletivas, de doenças e 
agravos, e a articulação necessária com outros serviços, 
estabelecimentos de saúde, instituições de ensino, associações, e 
demais organizações, para que o cuidado se materialize.
A garantia da integralidade do cuidado, também, é condicionada à 
disponibilização de recursos financeiros, essa limitação esbarra, 
especialmente, no processo de judicialização de tratamentos, 
medicamentos e procedimentos. 
Nesse sentido, o Decreto 7508/2011 teve como proposta 
regulamentar a Lei nº 8.080/90, com foco na organização da RAS, e 
estabelecer instrumentos para nortear as ações na atenção à saúde, 
como a RENASES e a RENAME, visando à integralidade do cuidado.
Quer saber mais? 
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para 
acessar o artigo “A integralidade na prática (ou sobre a 
prática da integralidade)”.
111
https://www.scielo.br/j/csp/a/4fSwnHx3nWnW49Tzq8KZLKj/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csp/a/4fSwnHx3nWnW49Tzq8KZLKj/?format=pdf&lang=pt
Você sabe que instrumentos são esses?
RENASES: 
A Relação Nacional de 
Ações e Serviços de Saúde 
(RENASES) compreende 
todas as ações e serviços 
que o SUS oferece ao 
usuário, para atendimento 
da integralidade da 
assistência à saúde.
RENAME: 
A Relação Nacional de 
Medicamentos Essenciais 
(RENAME) compreende a 
seleção e a padronização de 
medicamentos indicados 
para atendimento de 
doenças ou de agravos no 
âmbito do SUS. A RENAME 
ainda se desdobra na 
relação estadual de 
medicamentos essenciais 
(RESME) e na municipal 
(REMUME).
112
Ainda assim, o SUS tem limitações e nem sempre consegue ofertar 
a atenção integral de acordo com as necessidades da população. 
Entretanto, na tentativa de ofertar uma atenção integral, além das 
estratégias de definir o escopo das ações e terapias 
disponibilizadas, por meio do Decreto 7508/2011, têm sido 
adotadas inúmeras estratégias para a garantia de um cuidado 
integral pelo SUS. 
Entre elas, destacam-se a ampliação e o fortalecimento da APS, 
especialmente, da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e de ações 
e programas vinculados à esse nível de atenção, e, mais 
recentemente, também, por meio do escopo de ações e serviços 
instituídos pela:
Política Nacional de Atenção Especializada 
(PNAES) – acesse clicando aqui ou escaneando 
o QR Code, ao lado.
Ofertas de Cuidados Integrados (OCI) - 
acesse clicando aqui ou escaneando o QR 
Code, ao lado.
113
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt1604_20_10_2023.html
https://portal.conasems.org.br/noticias/1333_experiencia-de-ofertas-de-cuidados-integrados-no-ambito-do-programa-agora-tem-especialistas-em-curitiba-e-o-tema-do-910-estacao-sus
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt1604_20_10_2023.html
https://portal.conasems.org.br/noticias/1333_experiencia-de-ofertas-de-cuidados-integrados-no-ambito-do-programa-agora-tem-especialistas-em-curitiba-e-o-tema-do-910-estacao-sus
Percebam que a Integralidade é um conceito amplo e condicionada 
por diversos fatores. A integralidade do cuidado não se concretiza 
sem a garantia da universalidade e da equidade nos serviços de 
saúde, portanto, devem ser pensadas de forma indissociável.
Nessa perspectiva, o enfrentamento dos problemas de saúde do 
território necessitam de uma visão integral. Assim, podemos 
observar na próxima situação problema um conjunto de estratégias 
para a integralidade do cuidado a partir da APS.
114
Enfrentando as Arboviroses
No clima quente dos bairros e ruas movimentadas, 
o zumbido de um mosquito pode carregar consigo 
mais do que um incômodo, pode trazer medo, dor e 
incertezas. As Arboviroses, como Dengue, Zika e 
Chikungunya, não são apenas nomes difíceis de 
pronunciar, são histórias de famílias interrompidas, 
de trabalhadores que perdem dias de sustento, e 
de crianças que deixam de brincar.
N
A
 P
R
TÁ
TI
CA
Enfrentar essas doenças é, hoje, 
um dos maiores desafios da 
gestão em saúde. Todavia, não 
basta oferecer apenas o 
tratamento quando a febre já 
chegou ou quando a dor já se 
instalou. O cuidado precisa ser 
integral, precisa acontecer antes 
da doença e caminhar junto com 
a comunidade.
115
Esse enfrentamento se constrói em 
muitas mãos, e por meio de:
ações de promoção e prevenção;
educação em saúde;
vigilância em saúde;
garantia de apoio diagnóstico;
articulação intra e intersetorial;mobilização social;
participação popular;
programação orçamentária;
planejamento para o contingenciamento de risco;
elaboração de protocolos e fluxos assistenciais;
garantia de retaguarda hospitalar; 
formação profissional contínua;
integração entre a APS e vigilância;
assistência farmacêutica.
116
Durante esse ano, o município de Cabo da Boa Fé 
enfrenta uma epidemia de Chikungunya, doença 
transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
A Chikungunya manifesta-se, principalmente, por febre alta, dores 
articulares intensas, e, em alguns casos, pode evoluir para formas 
crônicas, impactando fortemente a qualidade de vida dos 
indivíduos. A epidemia sobrecarrega as Unidades Básicas, 
ambulatórios e serviços hospitalares, demandando ações que 
garantam a integralidade da atenção à saúde dos usuários.
O aumento expressivo de casos impõe desafios ao sistema de 
saúde local, exigindo respostas articuladas e integradas entre os 
profissionais, serviços e outros setores da sociedade. 
A
G
O
R
A
 É
 S
U
A
 V
EZ
117
Considerando o que discutimos, até aqui, 
reflita e responda às seguintes questões:
1. Como e quais ações a equipe de saúde devem 
desenvolver, para garantir a integralidade da 
atenção aos usuários nesse município? 
2. Como a comunidade pode ser envolvida nesse 
processo?
118
04 Limites e desafios para a 
garantia da integralidade
Garantir a integralidade do cuidado não é uma atividade simples. 
Uma vez que, para executá-la, a APS precisa assumir a condição de 
ordenadora da RAS e de coordenação do cuidado. Nesse sentido, é 
importante que façamos uma reflexão sobre os limites e os desafios 
da APS no exercício dessas funções.
No entanto, a APS ainda é vista, por muitos usuários, como um 
lugar de coisas simples. Há, também, fragilidades, por vezes 
percebidas, por usuários e equipes, quando se trata da APS 
funcionar como coordenadora do cuidado, indicando que ela não 
reuniria condições materiais, sejam tecnológicas, operacionais e 
organizacionais; e, tampouco simbólicas (valores, significados e 
representações), para deter a posição central da coordenação da 
RAS (Cecilio et al., 2012).
A vida dos brasileiros seria mais difícil sem ela. A rede básica 
[APS] é uma produtora de valores de uso para milhões de 
cidadãos. Nesse sentido, ela deve ser defendida como uma 
conquista a ser consolidada e aperfeiçoada (Cecilio et al., 2012, p. 
2900).
A literatura aponta que APS é um lugar onde as pessoas buscam 
recursos fundamentais para compor o cuidado de que precisam:
119
Nesse sentido, é preciso refletir sobre essas limitações:
Quais aspectos estão envolvidos para que APS não tenha 
condições de assumir a coordenação do cuidado do seu território?
Como, por exemplo:
Seria possível afirmar que essas limitações têm relação com 
condições estruturais da APS e do próprio sistema de saúde? 
Necessidade de formação específica aos profissionais que 
a compõem, no sentido de que para atuar na APS é preciso 
ampliar nossa capacidade de compreensão desse nível de 
atenção, refletindo sobre suas responsabilidades, e sobre o 
modelo de atenção adotado. Isso significa, a grosso modo, 
perceber se o processo de trabalho realizado, atualmente, é 
convergente com aquilo que se pretende alcançar.
Sobrecarga de trabalho, na perspectiva que a coordenação 
do cuidado implica a presença de equipes suficientes, de 
acordo com as necessidades do território e na concepção 
que o escopo de atuação da APS é grande, envolvendo 
políticas e programas de diversas áreas.
120
Valorização da atenção especializada, no sentido de que 
os usuários, gestores e profissionais tendem a valorizar 
serviços e intervenções que utilizam tecnologias duras, ou 
seja, aquelas que se utilizam de equipamentos sofisticados, 
normas, estruturas organizacionais, e centradas no 
conhecimento técnico. 
Para superar tais desafios, os autores recomendam reconhecer que 
a estruturação de redes apresenta elevada complexidade e pode 
assumir diferentes dimensões e escalas, conforme as características 
do território. Dessa forma, investimentos para a coordenação de 
redes se tornam necessários, além disso esse nível de atenção exige 
um financiamento adequado e sustentável. 
Quanto ao financiamento, dados 
levantados pelo Conasems (2019) 
apontam que cerca de 60% dos 
custos da APS são bancados pelos 
municípios, seguidos da União 
(37%) e dos estados (3%). Isso 
significa que esse nível de atenção é 
majoritariamente financiado pelo ente 
municipal, e esse dado nos ajuda a 
compreender os limites para 
ampliação de serviços.
121
Outros desafios relativos à ordenação da RAS e coordenação do 
cuidados pelo APS estão relacionados aos distintos contextos e 
realidades brasileiras, como diferentes arranjos de equipe, 
territórios com áreas geográficas extensas e/ou, com um grande 
número de pessoas vinculadas. 
Além da ausência de Sistemas de Informação que possam garantir 
dados interoperáveis, com vistas à integração do cuidado em 
diferentes serviços.
Esses fatores, muitas vezes, 
impedem que a APS 
assuma seu protagonismo 
na ordenação da rede e na 
coordenação do cuidado 
dos usuários sob sua 
responsabilidade. 
122
05
Finalizando
Essa disciplina abordou a importância 
da integralidade do cuidado como 
elemento essencial para o 
fortalecimento do SUS e da Atenção 
Primária à Saúde (APS). Além disso, 
buscou analisar a organização do SUS 
e da APS, identificando:
seus princípios e diretrizes;
discussões sobre as funções de ordenação e 
coordenação do cuidado pela APS;
aplicação dos atributos essenciais e derivados da 
APS em situações práticas;
reconhecimento dos limites e desafios da APS na 
função de ordenação da RAS e na coordenação 
do cuidado.
124
O cuidado em saúde se materializa a partir de um conjunto de 
diferentes ações, como a organização dos pontos de atenção, 
padronização de estratégias de estratificação, realização de 
estimativas e planejamento da oferta, construção de fluxos, 
aplicação de instrumentos regulatórios, entre outras estratégias e 
tecnologias de cuidado, que, sobretudo, envolvem pessoas 
cuidando de pessoas, e, portanto, o sentido do “cuidar” deve ser 
considerado o principal propósito dos profissionais que atuam na 
APS. 
Isso significa que a implementação 
de processos com intuito de atingir 
o cuidado são necessários, mas há 
de termos cautela para que eles não 
sejam priorizados quando 
comparados ao “ATO DE CUIDAR”.
125
06
Bibliografia
ARANTES, L. J.; SHIMIZU, H. E.; MERCHÁN-HAMANN, E. 
Contribuições e desafios da Estratégia Saúde da Família na Atenção 
Primária à Saúde no Brasil: revisão da literatura. Ciência & Saúde 
Coletiva, v. 21, n. 5, p. 1499-1510, 2016.
BARROS F. P. C. de, SOUZA M. F. de. Equidade: seus conceitos, 
significações e implicações para o SUS. Saude soc [Internet]. 2016 
Jan; 25(1):9–18. Disponível em: 
https://doi.org/10.1590/S0104-12902016146195. Acesso em: 13 
de Janeiro de 2026.
BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra. 
Petrópolis: Vozes, 1999.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa 
do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta 
a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a 
organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da 
saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá 
outras providências.
BRASIL. Política Nacional de Humanização (PNH). 1ª edição. 1ª 
reimpressão. Brasília, 2013.
BRASIL. Portaria GM/MS nº 2436/2017. Aprova a Política Nacional 
de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a 
organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de 
Saúde (SUS).
BRASIL. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. 
Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à 
Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), 2010.127
https://doi.org/10.1590/S0104-12902016146195
BRASIL. Presidência da República. Lei n.º 8.080, de 19 de 
setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, 
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento 
dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, 
1990.
BRASIL. Presidência da República. Lei n.º 8.142, de 28 de 
dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na 
gestão do Sistema Único de Saúde – SUS e sobre as transferências 
intergovernamentais de recursos financeiros e da outras 
providências. Brasília, 1990.
CARNUT, L. Cuidado, integralidade e atenção primária: articulação 
essencial para refletir sobre o setor saúde no Brasil. Saúde em 
Debate [online]. 2017, v. 41, n. 115, p. 1177-1186. Disponível em: 
https://doi.org/10.1590/0103-1104201711515. ISSN 2358-2898. 
Acesso em: 13 de Janeiro de 2026.
CARVALHO, B. G.; et al., organizadores. Bases de Saúde Coletiva. 
Londrina: Eduel, 2017. p. 70-136.
CARVALHO, B.G. et al. Oficina I: Os desafios do Ser Gestor. In: 
MENDONÇA, F.F; CARVALHO, B.G; NICOLETTO, S.C.S; NUNES, 
E.F.P.A. Programa de Qualificação e Apoio às Equipes Municipais 
de Planejamento e Gestão em Saúde. Ebook, 2023. 
ProgestaoV03_ISBN.pdf - Google Drive.
CARVALHO, B.G. et al. Organização da Atenção Primária à Saúde e 
papel dos gestores do Sistema Único de Saúde. In. PEREIRA, 
A.M.M.P. (Org.) et al. Financiamento e organização da Atenção 
Primária à Saúde no Brasil: mudanças e tendências nas regras 
federais do SUS. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, ENSP, 2022.23-57 p.
128
https://doi.org/10.1590/0103-1104201711515
CECILIO, L. C. O.; ANDREAZZA, R.; CARAPINHEIRO, G.; ARAÚJO, E. 
C.; OLIVEIRA, L. A.; ANDRADE, M. G. G. et al. A Atenção Básica à 
Saúde e a construção das redes temáticas de saúde: qual pode ser 
o seu papel?. Ciênc saúde coletiva [Internet]. 2012 Nov; 
17(11):2893–902. Disponível em: 
https://doi.org/10.1590/S1413-81232012001100006. Acesso em: 
13 de Janeiro de 2026.
CECILIO, L. C. O. Apontamentos teóricos-conceituais sobre 
processos avaliativos considerando as múltiplas dimensões da 
gestão do cuidado em saúde. Interface (Botucatu). 2011, vol. 15, 
n.37, pp. 589-599.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ); CONSELHO 
NACIONAL DE SAÚDE (CNS). Atenção primária e sistemas 
universais de saúde: compromisso indissociável e direito humano 
fundamental. Saúde em Debate [online], v. 42, n. spe1, p. 434-451, 
2018. Disponível em: 
https://doi.org/10.1590/0103-11042018S130. Acesso em: 13 de 
Janeiro de 2026.
GARIGLIO, M. T. O cuidado em saúde. In: MINAS GERAIS, Escola de 
Saúde Pública do Estado de Minas. Gerais, Oficinas de qualificação 
da atenção primária à saúde em Belo Horizonte: Oficina 2 – 
Atenção centrada na pessoa. Belo Horizonte: ESPMG, 2012.
GIOVANELLA, L. Atenção básica ou atenção primária à saúde? 
Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 34, n. 8, p. 
e00029818, 2018. Disponível em: https://doi. 
org/10.1590/0102-311X00029818. Acesso em: 13 de Janeiro de 
2026.
HOUAISS, A. & VILLAR, M. de S. Dicionário Houaiss da língua 
portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. Disponível em: 
https://houaiss.uol.com.br. Acesso em: Acesso em: 13 de Fevereiro 
de 2026.
129
https://doi.org/10.1590/S1413-81232012001100006
https://doi.org/10.1590/0103-11042018S130
https://houaiss.uol.com.br
MACHADO, C. V; LIMA, L. D.; BAPTISTA, T. W. F. Princípios 
organizativos e instâncias de gestão do SUS. In: GONDIM, R.; 
GABROIS, V.; MENDES, W. (Org.) Qualificação de gestores no 
SUS. 2. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: EAD/Ensp, 2011.
MACINKO, J.; MENDONÇA, C. S. Estratégia Saúde da Família, um 
forte modelo de Atenção Primária à Saúde que traz resultados. 
Saúde em Debate, v. 42, n. spe1, p. 18–37, set. 2018.
MALTA, D. C.; SANTOS, M. A. S.; STOPA, S. R.; et al. A cobertura da 
Estratégia de Saúde da Família (ESF) no Brasil, segundo a Pesquisa 
Nacional de Saúde, 2013. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, n. 2, p. 
327-338, 2016.
MARQUES, R. M.; MENDES, Á. A política de incentivos do Ministério 
da Saúde para a atenção básica: uma ameaça à autonomia dos 
gestores municipais e ao princípio da integralidade? Cadernos de 
Saúde Pública, v. 18, supl., p. 163-171, 2002.
MATTOS, R. A. A integralidade na prática (ou sobre a prática da 
integralidade). Cadernos de Saúde Pública, v. 20, n. 5, p. 
1411–1416, set. 2004.
MENDES, E.V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização 
Pan-Americana da Saúde, 2011.
MENDONÇA, F. de F.; LIMA, L. D. de; PEREIRA, A. M. M.; 
MARTINS, C. P. As mudanças na política de atenção primária e a 
(in)sustentabilidade da Estratégia Saúde da Família. Saúde em 
Debate [Internet], v. 47, n. 137, p. 13-30, abr./jun. 2023. Disponível 
em: https://revista.saudeemdebate.org.br/sed/article/view/7841. 
Acesso em: 13 de Janeiro de 2026.
MERHY, E. E.; FEUERWERKER, L. M. No olhar sobre as tecnologias 
de saúde: uma necessidade contemporânea. In: MANDARINO, 
A.C.S.; GOMBERG, E. (Org.). Leituras de novas tecnologias e 
saúde. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 29-56.
130
https://revista.saudeemdebate.org.br/sed/article/view/7841
NORONHA, J. C.; LIMA, L.a D.; MACHADO, C. V. O Sistema Único 
de Saúde - SUS. In: GIOVANELLA, Lígia et al. (Org). Políticas e 
Sistemas de Saúde no Brasil. 2ª ed. 2012.
PEREIRA, A. M. M. P. et al. Financiamento e organização da 
Atenção Primária à Saúde no Brasil: mudanças e tendências nas 
regras federais do SUS. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, ENSP, 2022.
PEREIRA, B. L. S.; FALEIROS, D. R. Financiamento do SUS na 
perspectiva municipal [livro eletrônico]: contribuições do 
CONASEMS para o debate. Brasília, DF: Conselho Nacional de 
Secretarias Municipais de Saúde, 2022.
PESSOA V. M.; RIGOTTO R. M.; CARNEIRO F. F.; TEIXEIRA A. C. de 
A. Sentidos e métodos de territorialização na atenção primária à 
saúde. Ciênc saúde coletiva [Internet]. 2013. Aug;18(8):2253–62.
PINTO, H. A. Análise do financiamento da Política Nacional para a 
Atenção Básica de 1996 até 2017. Saúde em Redes, v. 4, n. 1, p. 
35, 2018.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria Estadual de Saúde. Projeto 
Terapêutico Singular na Atenção Primária à Saúde. Divisão de 
Atenção Primária à Saúde - Porto Alegre: Secretaria da Saúde do 
Rio Grande do Sul, 2022.
STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre saúde, serviços 
e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002. 726 
páginas.
TEIXEIRA C. F.; MOLESINI, J. A. Gestão Municipal do SUS: 
atribuições e responsabilidades do gestor do sistema e dos 
gerentes de unidades de saúde. Revista Baiana de Saúde Pública. 
Salvador, v.26, n. 1-2, p.29-40, 2002.
131
TEIXEIRA, S. M. F.; OUVERNEY, A. L. M. O sistema único de saúde 
brasileiro: desafios da gestão em rede. Revista Portuguesa e 
Brasileira de Gestão, Rio de Janeiro, RJ, v. 11, n. 2-3, p. 74–83, 
2012. Disponível em: 
https://periodicos.fgv.br/rbpg/article/view/78739. Acesso em: 13 de 
Janeiro de 2026.
ULINSKI, K. G. B.; CARVALHO, B. G.; VIEIRA, F. S.; RODRIGUES, R. 
& LIMA, L. D. de (2024). Efeitos das emendas parlamentares no 
financiamento municipal da atenção primária à saúde do Sistema 
Único de Saúde. Cadernos De Saúde Pública, 40(3), e00007323. 
Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT007323. 
Acesso em: 13 de Janeiro de 2026.
VAN WEEL, C.; KIDD, M. R. Why strengthening primary health care 
is essential to achieving universal health coverage. CMAJ, v. 190, n. 
15, p. E463-E466, 16 abr. 2018. DOI: 10.1503/cmaj.170784. 
Disponível em: 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5903888/. Acesso 
em: 13 de Janeiro de 2026.
VIEIRA, F. S.; LIMA, L. D. Distortions of parliamentary amendments 
to the equitable allocation of federal resources to the PAB. Revista 
de Saúde Pública [online]. v. 56 , 123. Disponível em: 
https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004465. Acesso em: 
13 de Janeiro de 2026.
WHITE, F. Primary health care and public health: foundations of 
universal health systems. Medical Principles and Practice, v. 24, n. 
2, p. 103-116, 1 fev. 2015. Disponível em: 
https://doi.org/10.1159/000370197.Acesso em: 13 de Janeiro de 
2026.
WORLD BANK GROUP. Combatendo as desigualdades na saúde – 
Treinamento em ritmo próprio. Grupo Banco Mundial, 2025. 
Disponível em: https://www.worldbank.org/en/olc/course/32856. 
Acesso em: 24 fev. 2026. 
132
https://periodicos.fgv.br/rbpg/article/view/78739
https://doi.org/10.1590/0102-311XPT007323
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5903888/
https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004465
https://doi.org/10.1159/000370197
https://www.worldbank.org/en/olc/course/32856Diretamente Observado
UBS | Unidade Básica de Saúde
UBSF | Unidade Básica de Saúde Fluvial
UPA | Unidade de Pronto Atendimento
VSR | Vírus Sincicial Respiratório
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 01
Diferença entre Igualdade, Equidade e Realidade
96
LISTA DE QUADROS E TABELAS
QUADRO 01
Instâncias de gestão, pactuação, representação e 
controle social no SUS
26
QUADRO 02
Dimensões do cuidado
56
01 Introdução
02 A APS como porta de entrada e 
centro de comunicação da RAS
03 Atributos da APS
04
Integralidade, Equidade e 
Universalidade: conceitos e 
desafios na prática
SU
M
Á
R
IO
14
31
72
89
05 Finalizando
06 Bibliografia
123
126
SU
M
Á
R
IO
01
Introdução
O SUS é o resultado de um movimento intenso para a 
garantia do direito à saúde dos brasileiros e brasileiras, 
reconhecido como um marco na redemocratização do país 
e fruto do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira. 
Foi instituído, formalmente, na Constituição Federal (CF) 
1988 e institucionalizado por meio das Leis Orgânicas da 
Saúde (8080/90 e 8142/90), e de uma vasta legislação 
infralegal para sua implementação e operacionalização.
Antes de iniciar a leitura deste e-book, 
é importante lembrar que a Atenção 
Primária à Saúde (APS) é reconhecida 
como uma política de Estado do 
Sistema Único de Saúde (SUS).
VOCÊ
SABIA?
15
A Reforma Sanitária Brasileira (RSB) foi um movimento que ocorreu 
na década de 1970, envolvendo profissionais da saúde, 
Academia e sociedade civil, que buscou por reformas no sistema de 
saúde conjuntamente à formulação do pensamento crítico na 
política de saúde (Carvalho et al., 2017).
Se constitui como um 
importante marco para a 
VIII Conferência Nacional 
de Saúde de 1986, e para 
a redação da Constituição 
Federal, que trata do 
Sistema Único de Saúde.
O movimento da RSB ainda está em curso, uma vez que a defesa de 
um SUS público e universal deve ser defendido constantemente.
16
Veja, a seguir, como esses conceitos podem ser compreendidos.
Os preceitos constitucionais do SUS preveem princípios 
doutrinários e diretrizes organizativas que norteiam a execução e 
elaboração de programas, políticas públicas de saúde e ações 
estratégicas. Isto é, as ações, políticas e programas no SUS devem 
estar em consonância com seus princípios e diretrizes, para que não 
sejam consideradas inconstitucionais.
17
Princípios doutrinários
Um princípio doutrinário é considerado uma base fundamental, um 
valor ideológico ou filosófico, que orienta a estrutura e o 
funcionamento de um sistema. São princípios doutrinários do SUS:
Equidade
“Tratar desigualmente os 
desiguais” de modo a alcançar a 
igualdade de oportunidades, de 
desenvolvimento pessoal e social 
entre os membros da sociedade.
Contempla o conjunto de ações de 
promoção, de prevenção, de 
assistência e de recuperação da 
saúde.
Integralidade
Garantia de atenção à saúde para 
todo e qualquer cidadão.Universalidade
18
V
O
C
Ê 
SA
B
IA
?
A atenção humanizada foi instituída como 
um novo princípio do SUS, por meio da Lei 
nº 15.216/2025.
Embora a Política Nacional de Humanização (PNH) 
e outras normas infralegais a tenham instituído 
como uma prática a ser alcançada nos serviços de 
saúde, a atenção humanizada ainda não era tida 
como uma norma expressa do SUS.
Dessa forma, o atendimento acolhedor, respeitoso 
e empático, e de acordo com as necessidades dos 
usuários do SUS, ganha força de lei.
A atenção humanizada na área da saúde coloca o paciente no 
centro do cuidado, e o reconhece a partir de necessidades físicas, 
emocionais e sociais únicas. Essa abordagem valoriza princípios 
como empatia, respeito, escuta ativa e dignidade, promovendo 
vínculos entre profissionais, pacientes e familiares. 
Ao unir competência técnica com acolhimento e uma comunicação 
aberta, esse princípio garante que todos se sintam ouvidos, 
respeitando os sujeitos e tornando o cuidado mais completo e 
efetivo.
19
Diretrizes organizativas
Diretrizes organizativas podem ser compreendidas como um 
conjunto de ações e práticas, técnicas e políticas, que orienta e 
norteia a organização de um sistema. Se constituem por meio de 
arranjos políticos-institucionais e expressam as relações 
interfederativas para a organização dos serviços de saúde. Entre as 
diretrizes organizativas do SUS, podemos destacar:
Descentralização, 
com direção única 
em cada esfera de 
governo
Transferência de poder de decisão 
sobre a política de saúde do nível 
federal para os estados e 
municípios.
Organização das ações de saúde 
em subdivisões ou agregações do 
espaço político-administrativo.
Hierarquização e 
Regionalização
20
A descentralização é uma diretriz 
fundamental do SUS, estabelecida no Art. 
198, inciso I, da Constituição Federal de 
1988, e detalhada na Lei nº 8.080/90, em 
seu Art. 7º, inciso IX:
IX - descentralização político-administrativa, 
com direção única em cada esfera de governo:
a) ênfase na descentralização dos serviços para 
os municípios;
b) regionalização e hierarquização da rede de 
serviços de saúde (Brasil, 1988).
Participação da população no 
controle e na formulação de 
políticas públicas.
Participação da 
Comunidade
Esse princípio significa que a responsabilidade de gestão, 
planejamento, execução e controle das ações e serviços de saúde é 
distribuída entre os três entes federados (União, estados e 
municípios), cada um com sua direção única (Ministro, Secretário 
Estadual e Secretário Municipal, respectivamente).
21
Dessa forma, o SUS se constitui como uma rede de ações e serviços 
de saúde, organizados de forma regionalizada e hierarquizada, em 
níveis de complexidade crescente, com comando único em cada 
esfera de governo e participação popular.
Significa dizer que o SUS deve garantir 
o acesso dos cidadãos e a 
continuidade do cuidado dentro de 
uma rede de atenção, organizada a 
partir do território de residência do 
usuário e com garantia de referências 
para outros serviços, a depender de 
sua necessidade e complexidade de 
sua condição de saúde, na região e/ou 
macrorregião de saúde. 
Essa organização deve respeitar as 
responsabilidades específicas e 
compartilhadas de cada ente (União, 
Distrito Federal, estados e municípios), 
e possibilitar a participação da 
comunidade na decisão e no 
monitoramento da política de saúde.
Mas, o que isso 
significa?
22
Todos esses princípios e diretrizes serão detalhados 
nesse e-book, bem como a forma com que se 
relacionam com a APS. Vale ressaltar, que 
normativas recentes promoveram atualizações 
relevantes na Lei nº 8.080/1990, incorporando 
novas diretrizes ao seu texto.
Lei nº 13.427/2017 – Garante atendimento às 
mulheres vítimas de violência doméstica em geral.
Lei nº 14.679/2023 – Assegura a proteção integral 
dos direitos humanos de todos os usuários.
Lei nº 15.126/2025 – Estabelece a Atenção 
Humanizada como princípio no âmbito do SUS.
Clique sobre as leis ou escaneie o QR Code para acessá-las:
23
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13427.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14679.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2025/Lei/L15126.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13427.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14679.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2025/Lei/L15126.htm#art1
O SUS possui uma estrutura institucional de gestão complexa, 
articulada entre a União, estados e municípios. Nos municípios, a 
maior autoridade sanitária é exercida pelo Secretário Municipal de 
Saúde e/ou cargo correspondente, nos estados esse papel é do 
Secretário de Estado da Saúde, e no governo federal, pelo Ministro 
da Saúde.
O processo decisório no SUS envolve o consenso entre os atores 
políticos em diferentes espaços de pactuação:a)
na região de saúde, por meio da Comissão Intergestores Regional (CIR) 
com representação dos municípios e da Secretaria de Estado – SES, 
regional; 
b)
no âmbito estadual, por meio da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) 
com representação dos municípios e da Secretaria de Estado – SES;
c)
no âmbito federal, por meio da Comissão Intergestores Triparte (CIT) 
com representação dos municípios, dos estados e da União. 
24
Na esfera nacional, a representação dos municípios é realizada pelo 
Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, o 
Conasems; e os estados são representados pelo Conselho Nacional 
de Secretarias de Saúde, o Conass. Já na esfera estadual, os 
municípios são representados pelo Conselho Estadual de 
Secretarias Municipais de Saúde, os Cosems. 
O controle social organizado, também, possui representação em 
cada nível de gestão: nos municípios, o Conselho Municipal de 
Saúde – CMS; nos estados, o Conselho Estadual de Saúde – CES; 
na União, o Conselho Nacional de Saúde – CNS. 
As instâncias de pactuação 
gestora (CIR, CIB, CIT) são 
espaços estratégicos para 
organização da rede de atenção e 
para a superação dos vazios 
técnicos e assistenciais do SUS. 
Além disso, esses espaços 
fortalecem programas, políticas e 
ações que visam a integralidade 
do cuidado.
25
Governo 
Federal CIT – Tripartite
MS
CONASS 
CONASEMS
CNS
Governo 
Estadual CIB – Bipartite SES
COSEMS CES
Governo 
Municipal CIR – Regional SES
COSEMS CMS
A gestão na área da saúde é compreendida como a atividade e a 
responsabilidade de comandar o Sistema, por meio de atividades 
políticas e técnico administrativas, desenvolvidas com o propósito 
de assegurar a condução, o planejamento, a organização e o 
controle do sistema e dos serviços de saúde em sua totalidade 
(Teixeira; Molesini, 2002). 
Nesse sentido, a função de 
gestão é exclusivamente 
pública, e, portanto, não pode 
ser transferida nem delegada.
Fonte: elaborado pelo autor, 2026.
Quadro 1 ─ Instâncias de gestão, pactuação, representação e 
controle social no SUS
Gestão Controle SocialInstância de 
Pactuação Representação
26
01 Oferta de Serviços 
Se pudéssemos classificar as macro funções, 
conforme a natureza de seus processos, a Oferta 
dos Serviços seria a grande função chave, ou seja, 
para qual todas as demais convergem. É a razão de 
ser do ente público e para a qual todo 
planejamento, financiamento e coordenação/ 
regulação se articulam.
Mais do que um administrador, o 
gestor do SUS é a autoridade 
sanitária em cada esfera de 
governo, cuja ação política, ética 
e técnica deve estar pautada 
pelos princípios do SUS e da 
reforma sanitária.
De maneira geral, as responsabilidades gestoras podem 
ser reunidas em quatro grandes macrofunções, que você 
verá, a seguir:
27
02 Planejamento
Na área da saúde pública as práticas de 
planejamento estão presentes em todo o processo, 
que é conhecido como Gestão do SUS. Definir 
metas, estabelecer objetivos e planejar ou 
programar ações representam o dia a dia dos 
gestores do setor público em saúde. 
O processo de planejamento no SUS deve ser 
ascendente, participativo, integrado, dinâmico, 
contínuo e respeitar as pactuações realizadas 
entres os entes federativos.
28
03 Financiamento 
O planejamento financeiro e orçamentário, 
também, se constitui como uma macro função 
gestora. Cabe lembrar, que o financiamento do 
SUS é tripartite, e, portanto, responsabilidade 
conjunta das três esferas de gestão. No âmbito da 
APS, por exemplo, os municípios têm arcado com 
um percentual superior de despesas, quando 
comparados proporcionalmente aos outros entes 
– estado e União. 
A utilização de recursos do SUS deve ser 
realizada de forma responsável e estratégica, e de 
acordo com o regramento da administração 
pública.
29
04 Coordenação/Regulação
Dentre as funções gestoras, uma de suas 
macrofunções compete à coordenação da rede 
de serviços de saúde, pública e privada, do 
território municipal. Nesse sentido, o gestor é o 
responsável pela regulação, pelo controle e pela 
avaliação dos serviços de seu território, a 
depender do nível de suas responsabilidades.
Nas próximas seções, 
veremos como essas macro 
funções se relacionam com 
a APS e com seus atributos 
e responsabilidades.
30
02
A APS como porta de 
entrada e centro de 
comunicação da RAS
Essa é uma frase bastante conhecida e frequentemente repetida, 
mas nem sempre simples de ser executada. Esse trecho está 
descrito na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), em sua 
última atualização, publicada em 2017.
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao 
lado, para acessar a política na íntegra.
Para entendê-lo precisamos, primeiro, alinhar que, no Brasil, os 
termos Atenção Básica (AB) e Atenção Primária à Saúde (APS) 
são considerados equivalentes. Na década de 1990 o Brasil optou 
pelo termo Atenção Básica, para que esse nível de atenção não 
estivesse associado a uma APS seletiva, ou seja, um serviço restrito 
a populações específicas, com um conjunto estabelecido de práticas 
(Giovanella, 2018).
Você deve estar se perguntando: 
o que esse conceito quer dizer?
VOCÊ JÁ 
OUVIU ESSA 
AFIRMAÇÃO?
“A atenção básica é a ordenadora da 
rede e a coordenadora do cuidado.”
32
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html#ANEXOXXII
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html#ANEXOXXII
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_03_10_2017.html#ANEXOXXII
Na atualidade, embora essa questão ainda não tenha sido superada, 
quando nos referimos à AB estamos falando da APS, isso quer 
dizer, que poderíamos, nesse caso, escrever essa mesma frase da 
seguinte forma:
“A Atenção Primária à Saúde (APS) é a ordenadora 
da rede e a coordenadora do cuidado.”
É preciso conceber, também, que a AB é um nível de atenção à 
saúde que se articula com os outros serviços do território, seja do 
setor saúde ou de setores públicos diversos, que visem ao 
atendimento dos usuários, a depender de suas necessidades. 
Essas funções não são automáticas. 
Exige intencionalidade de gestores 
e profissionais, instrumentos de 
gestão, conhecimento do território e 
comunicação permanente com os 
demais pontos da RAS.
33
SA
IB
A
 M
A
IS
Que tal conhecer mais sobre a 
Atenção Primária à Saúde (APS)?
A Atenção Primária à Saúde (APS) compreende um 
nível de atenção estratégico por ser o serviço de 
primeiro contato, próximo ao usuário, de grande 
capilaridade e com alto poder de resolutividade 
(Carvalho et al., 2022). 
Em virtude de tais características, a APS possui 
centralidade na configuração de sistemas públicos 
e universais de diversos países, reunindo 
características específicas quanto à abrangência da 
oferta, à cobertura assistencial e aos mecanismos 
para coordenação e integração do cuidado (Franklin 
White, 2015; Sacks et al., 2020; Van Weel; Kidd, 
2018; Fiocruz; CNS, 2018). 
No Brasil, gradativamente, a partir da segunda metade dos anos 
1990, o modelo da Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi 
estabelecido como referência para organização da APS no Sistema 
Único de Saúde (SUS) (Pinto; 2018; Giovanella, 2018). 
34
A criação do Programa Saúde da Família (PSF), em 1994, e 
sua transformação em Estratégia Saúde da Família (ESF), 
em 1996.
A implantação de modalidades de repasse de recursos e 
incentivos financeiros federais direcionados para o 
financiamento da APS (o Piso de Atenção Básica fixo e 
variável), a partir de 1998. 
A publicação da Política Nacional de Atenção Básica 
(PNAB), em 2006, e suas revisões, em 2011 e 2017 
(Carvalho et al., 2022).
Entre os marcos desse processo, destacam-se: 
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, para 
conhecer as principais políticas, programas e 
ações instituídos ao longo da trajetória da 
Atenção Primária à Saúde no SUS (Adaptado de 
Pereira et al., 2022, p. 28).35
https://api.arca.fiocruz.br/api/core/bitstreams/1cbc5223-90c8-4268-92e3-97a9c31dced2/content
https://api.arca.fiocruz.br/api/core/bitstreams/1cbc5223-90c8-4268-92e3-97a9c31dced2/content
Observe, a seguir, as datas das principais normativas da 
Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil:
1991 Criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde.
1994 Criação do Programa Saúde da Família (PSF).
1998 Implantação do Piso da Atenção Básica (PAB fixo e variável).
1999 Publicação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição.
2001 Implantação da saúde bucal no Programa Saúde da Família.
2004 Criação da Política Nacional de Saúde Bucal.
2006
Publicação da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB 
2006)/Programa Saúde da Família (PSF) se torna Estratégia 
Saúde da Família (ESF).
2007 Criação do Programa Saúde na Escola (PSE).
36
2008 Criação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família.
2011
Reformulação da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB 
2011).
2017
Reformulação e publicação da nova Política Nacional de 
Atenção Básica (PNAB 2017).
2019 Publicação do Programa Previne Brasil.
2019 Mudanças na forma de financiamento do NASF.
2023 Criação das Equipes Multiprofissionais na APS (eMulti).
2024 Nova metodologia de cofinanciamento federal da APS.
O modelo da ESF prioriza, na sua organização, o fortalecimento do 
trabalho de equipes multiprofissionais de base territorial voltadas 
para ações, sobretudo, de promoção e prevenção da saúde, 
provisionando o cuidado individual e coletivo, considerando a 
longitudinalidade da atenção, integrada a uma rede de serviços 
regionalizada (Mendonça et al., 2023; Carvalho et al., 2022).
37
A aposta nessa forma de organização foi a que mais favoreceu a 
implantação dos princípios e diretrizes do SUS (Carvalho et al., 
2017). Para Macinko e Mendonça (2018), a ESF contribuiu para a 
melhoria do acesso e da equidade, com resultados quase 
alcançando os níveis observados nos países da Organização para 
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 
Estudos indicam que a implantação e a expansão das ESF 
ampliaram o acesso da população aos serviços de saúde (Marques; 
Mendes, 2002), favoreceram a redução da mortalidade infantil e 
das internações por condições sensíveis à APS (Arantes; Shimizu, 
2016; Malta; Santos; Stopa, 2016).
38
Voltando à afirmação:
“A Atenção Primária à Saúde (APS) é a 
ordenadora da rede.”
A Rede de Atenção à Saúde (RAS) pode ser compreendida como 
um arranjo de ações e serviços, ou seja, pontos de atenção de 
diferentes densidades tecnológicas, que se comunicam entre si, para 
oferecer cuidado integral aos usuários do SUS.
A seguir, vamos entender 
melhor o conceito de Rede 
de Atenção à Saúde (RAS).
Mas, o que é Rede? 
39
Redes são estruturas policêntricas, envolvendo 
diferentes atores, organizações ou nódulos 
vinculados entre si, a partir do estabelecimento e 
da manutenção de objetivos comuns e de uma 
dinâmica gerencial compatível e adequada 
(Teixeira; Ouverney, 2012).
Segundo a Portaria de Consolidação nº 03, de 28 de setembro de 
2017, as redes são arranjos organizativos de ações e serviços de 
saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que integradas por 
meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam 
garantir a integralidade do cuidado (Brasil, 2017).
40
A Portaria nº 4.279, de 30/12/2010, 
estabeleceu diretrizes para a 
organização das Redes de Atenção à 
Saúde no âmbito do SUS e o Decreto nº 
7.508, de 28/06/2011, conceitua, no art. 
7º, que as Redes de Atenção à Saúde 
estarão compreendidas no âmbito de 
uma região de saúde, ou de várias 
delas, em consonância com diretrizes 
pactuadas nas comissões intergestores.
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao 
lado, para acessar a Portaria nº 4.279, 
de 30/12/2010.
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao 
lado, para acessar o Decreto nº 7.508, 
de 28/06/2011.
41
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt4279_30_12_2010.html
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt4279_30_12_2010.html
Para tal, lançamos mão do processo de territorialização, definidos 
nos termos de Pessoa et al. (2013), os quais reforçam que a 
territorialização vai além da análise de situação de saúde, 
envolvendo a apropriação do território como um espaço de relações 
sociais e de produção de saúde. Os autores destacam que a 
identificação dos determinantes sociais – como pobreza, 
desigualdade de gênero, acesso à educação e condições ambientais 
– é essencial para compreender as necessidades de saúde de uma 
população. 
Ocorre que para ordenar [dispor de forma organizada; arrumar, 
organizar], ou seja, promover a organização dos serviços de saúde, 
a AB precisa, antes de tudo, conhecer esse território e compreender 
as necessidades de saúde da sua população, para que consiga 
planejar o cuidado e organizar a oferta de serviços. 
Constituir a rede de atenção também envolve o olhar das equipes 
multiprofissionais e dos serviços de apoio, como a vigilância em 
saúde, a assistência farmacêutica, o serviço de regulação, urgência 
e emergência, entre outros.
42
A territorialização, nesse contexto, 
permite que os serviços de saúde 
sejam planejados com base nas 
especificidades locais, promovendo 
ações que vão além do tratamento 
de doenças e incluem promoção da 
saúde e prevenção.
A territorialização, nesse sentido, é o 
processo de apropriação e análise 
dessas dinâmicas para planejar 
ações de saúde contextualizadas. Os 
autores argumentam que a saúde 
não pode ser dissociada do território, 
pois fatores como condições de vida 
e aspectos socioeconômicos 
influenciam diretamente os padrões 
de morbimortalidade. 
Assim, a territorialização é uma 
ferramenta essencial para identificar 
vulnerabilidades e organizar 
serviços de saúde, incluindo o 
financiamento, a organização da 
rede e o acesso aos serviços, que 
respondam às necessidades 
específicas de cada população.
43
Além de todos os dados levantados por meio dos Sistemas Oficiais 
de Informação, e/ou dos que já estão disponíveis nos instrumentos 
de planejamento do SUS, como no Plano Municipal de Saúde 
(PMS), os profissionais devem se questionar sobre os problemas 
mais prevalentes de seu território e como a AB responde a cada um 
deles. 
Como, por exemplo: 
• Quantas famílias 
existem no 
território em que 
atuo? 
• Quantas dessas 
famílias possuem 
riscos atribuídos? 
• É possível 
quantificá-los?
• De que vivem as 
pessoas deste 
território? 
• Quais 
repercussões 
essas ocupações 
podem ocasionar 
na saúde? 
• Este território 
costuma ter 
alagamentos, 
queimadas ou 
desabamentos?
• Quais os pontos 
mais seguros para 
a proteção da 
população, caso 
isso aconteça?
44
• Para onde são encaminhados os pacientes que 
necessitam de terapia renal substitutiva 
(Hemodiálise)?
• Existe algum serviço de referência aqui ou na 
região de saúde?
• É longe, né? 
• Como os usuários se sentem percorrendo essas 
distâncias?
• Como está o 
quadro de 
segurança 
alimentar dessas 
famílias? 
• Existem crianças 
ou idosos com 
quadro de 
desnutrição?
• Existem famílias 
sem conseguir 
realizar refeições 
diariamente?
• Recebemos 
tantos pacientes 
hipertensos na 
Unidade, alguns 
em estágio 
avançado! A 
Unidade 
consegue saber 
quem são eles? 
• E os pacientes 
diabéticos? 
• É tão difícil 
quando o paciente 
não possui como 
armazenar a 
Insulina, né! A 
equipe sabe se 
temos pacientes 
nessa condição 
dentro do 
território? 
45
Essas e outras questões demonstram não só a importância da 
apropriação do território pelos profissionais, mas, sobretudo, que, 
com base nessas informações, a AB deve pensar em estratégias e 
tensionar outros níveis de gestão para organizar a rede, a fim de que 
os casos atendidos na UBS, eque necessitem de continuidade do 
cuidado em outros serviços, sejam garantidos. Para tal a AB se 
articula intra e intersetorialmente.
• E nos casos de violência sexual, que envolvem 
crianças e adolescentes, como se dá a 
articulação da UBS com o Sistema de Garantia 
de Direitos? 
• Essa rede está estabelecida, aqui?
46
N
A
 P
R
Á
TI
CA
A equipe da Atenção Primária à 
Saúde (APS), atenta ao seu estado, 
levantou a suspeita de Tuberculose 
Pulmonar. Os exames de escarro e 
a radiografia de tórax confirmaram 
aquilo que já se temia.
Clóvis, homem de 52 anos, morador do Jardim das 
Araucárias, chegou à UBS Esperança trazendo no 
corpo e na alma sinais de sofrimento: uma tosse que 
não o deixava, há mais de três semanas, noites 
interrompidas pela sudorese, o peso, que se esvaía 
sem explicação, o cansaço, que lhe roubava forças e a 
febre, que insistia em aparecer ao entardecer. 
Observe o caso: entre “redes” e 
“linhas”, a APS “costura” direitos.
47
Clóvis, trabalhador informal e marcado pelo uso crônico de álcool, 
iniciou o Tratamento Diretamente Observado (TDO) na própria 
UBS. Não estava sozinho: diariamente, a equipe de enfermagem o 
acompanhava, e o Agente Comunitário de Saúde visitava sua casa, 
levando não apenas orientações e cuidados, mas, também, 
esperança. Esse mesmo Agente investigava os contatos próximos, 
protegendo sua família e sua comunidade.
A equipe reconheceu que a luta de Clóvis ia além da doença. Havia 
vulnerabilidades sociais, que precisavam ser enfrentadas. Por isso, 
articularam ações intersetoriais: encaminharam-no ao CRAS, onde 
foi incluído em programas de transferência de renda e segurança 
alimentar. Da mesma forma, lhe mostraram que tinha direitos — 
acesso gratuito ao tratamento e acompanhamento multiprofissional 
—, reafirmando que sua vida importava.
Nesse percurso, a UBS manteve diálogo constante com a Vigilância 
em Saúde do município. O caso foi notificado, como manda o 
protocolo, e a Vigilância apoiou a investigação dos contatos, 
organizou o rastreamento de possíveis novos casos e ofereceu 
suporte técnico para monitorar a evolução clínica e a adesão ao 
tratamento.
Assim, o cuidado com Clóvis se transformou em uma estratégia 
coletiva de enfrentamento da Tuberculose, fortalecendo a proteção 
de toda a comunidade.
48
Entretanto, a caminhada não ocorreu sem obstáculos. Os exames 
revelaram complicações pulmonares, e a equipe buscou referência 
em Pneumologia, conforme previsto no Plano Diretor de 
Regionalização (PDR). Foi, então, que veio a dura constatação: essa 
referência simplesmente não existia.
Diante da ausência, a APS e a coordenação municipal de saúde não 
se resignaram. Buscaram alternativas, acionaram a Secretaria de 
Estado da Saúde e levaram a discussão às instâncias locais de 
pactuação intergestores. Descobriram que o problema não era 
apenas de Clóvis ou de seu município, mas de toda a região de 
saúde: faltava referência especializada, havia alta incidência de 
Tuberculose e diagnósticos tardios eram frequentes.
Essas constatações se tornaram um 
chamado à ação. A gestão municipal 
iniciou um processo amplo de 
reorganização da rede de atenção, 
para que pacientes como Clóvis não 
enfrentassem sozinhos o peso da 
doença. A nova estratégia passou a 
envolver promoção, prevenção, 
tratamento e reabilitação, reafirmando 
que cada vida merece cuidado digno e 
que a luta contra a Tuberculose é, 
acima de tudo, uma luta coletiva.
49
O caso de Clóvis evidencia como a APS atua não apenas no 
diagnóstico e tratamento, mas, também, na articulação com outros 
setores e níveis de gestão, para assegurar direitos sociais e de 
saúde. 
A integração entre os serviços e a articulação intersetorial foram 
fundamentais, contemplando algumas das dimensões que 
abrangem o cuidado integral, como a dimensão clínica e social do 
paciente, conforme ilustrado no esquema a seguir:
Itinerário de cuidado do senhor Clóvis
Clóvis procura 
a UBS com 
sintomas 
persistentes. 
A APS acolhe, 
escuta e avalia 
o caso.
A equipe 
suspeita de 
Tuberculose e 
confirma o 
diagnóstico por 
exames.
O tratamento é 
iniciado na UBS, 
com 
acompanhamento 
da equipe e visitas 
domiciliares.
A APS articula 
ações com a 
Vigilância em 
Saúde e com a 
assistência 
social.
A falta de 
referência 
especializada 
evidencia a 
necessidade de 
reorganizar a 
rede.
50
Além disso, a APS identificou questões que necessitavam ser 
melhor organizadas, como o acesso à atenção especializada e a 
formação continuada de profissionais para identificação precoce de 
casos, provocando inclusive, discussão em nível regional para 
organização da linha de cuidado. Dessa forma, podemos afirmar 
que a APS tem o papel de ordenar a rede de atenção!
A seguir, vamos entender melhor como Atenção 
Primária à Saúde (APS) atua como ordenadora 
da Rede de Atenção à Saúde (RAS).
51
A Atenção Primária à Saúde (APS), base 
de organização do sistema de saúde, 
atua como ordenadora da RAS, mas, para 
isso, deve utilizar a territorialização 
como instrumento que subsidie o 
mapeamento de riscos e o planejamento 
das ações assistenciais, fluxos 
regulatórios e preventivos (Brasil, 2017).
O levantamento das características do território, incluindo os vazios 
e as insuficiências de oferta, devem apontar as necessidades de 
alocação de serviços, bem como a organização de referências 
assistenciais, na região ou macrorregião de saúde, que garantam a 
integralidade do cuidado e o acesso universal, como, por exemplo, a 
distribuição de equipes de Atenção Primária.
Além disso, colabora com o dimensionamento de recursos 
financeiros e materiais, considerando o critério da equidade. Há, 
também, de se levar em conta, as desigualdades socioeconômicas e 
a grande diversidade geográfica do território brasileiro, com áreas 
de difícil acesso, conglomerados urbanos, e outras de alta 
vulnerabilidade.
Vamos 
entender 
melhor?
52
Isto é, o cuidado está ligado à atenção, à preocupação e 
expressa, em geral, a ideia de ação.
Na APS é necessário gerir o cuidado, ou seja, organizar o 
provimento ou a disponibilização das tecnologias de saúde, de 
acordo com as necessidades de cada pessoa. 
O cuidado refere-se a um conjunto de 
práticas, atitudes e relações voltadas à 
proteção, à manutenção e à promoção 
da vida, da saúde e do bem-estar, 
reconhecendo a vulnerabilidade e as 
necessidades do outro.
Representa uma atitude de ocupação, 
preocupação, responsabilização e 
envolvimento afetivo com o outro, com 
a vida e com o planeta. Nesse sentido, 
o cuidado se opõe ao descuido e ao 
descaso (Boff, 1999).
Por que a APS é a 
coordenadora do 
Cuidado, e como 
esse cuidado pode 
ser compreendido?
53
Cecilio (2011) sistematiza a gestão do cuidado em saúde, em seis 
dimensões, a saber:
01 Individual
A gestão do cuidado individual é aquela que 
o usuário faz para si, na perspectiva que cada 
pessoa pode ou tem a potência de produzir 
modos e escolhas de conduzir sua vida.
02 Familiar
A gestão do cuidado familiar está 
relacionada ao cuidado que ocorre no âmbito 
da família, promovido por cuidadores, 
familiares, vizinhos e amigos.
03 Profissional
A gestão do cuidado profissional emerge a 
partir do encontro entre o profissional e o 
usuário, e está fortemente relacionado à 
competência técnica do profissional, sua 
postura ética e sua capacidade de 
estabelecer vínculos.
54
05 Sistêmica
A gestão do cuidado sistêmica é a dimensão 
onde se pretende construir os fluxos e as 
normas entre os serviços de saúde para a 
organização de linhas e/ou redes de cuidado, 
com vistas à garantia da integralidade.
06 Societária
A gestão do cuidado societária é a que 
envolve em cada sociedade a produção de 
políticas públicas e a relação entre sociedade 
civil e Estado, para promoção da cidadania e 
do acesso à saúde.
04 Organizacional
A gestão do cuidado organizacional éaquela que ocorre nos serviços de saúde, a 
partir de elementos como o trabalho em 
equipe, a coordenação, a comunicação e a 
função gerencial.
55
Individual Cada um de nós
Cuidar de si
Autonomia
Escolhas
Familiar
Família
Ciclo de amigos
Vizinhos
Apoio
Proximidade
Mundo da vida
Profissional Profissionais da saúde
O médico
O preparo técnico
Ética e vínculo
Organizacional A equipe de saúde
O gerente
Divisão técnica do 
trabalho
Coordenação
Sistêmica Os gestores
Linhas ou rede de 
cuidado
Financiamento
Societária O Estados
A Sociedade Civil Políticas sociais
A partir desta proposta, Gariglio (2012) organizou o Quadro 2, 
demonstrado, a seguir, visando elucidar, em cada dimensão, os 
protagonistas da ação e seus principais elementos:
Fonte: Cecilio, 2011, p. 592 (Adaptado).
Quadro 2 ─ Dimensões do cuidado
Dimensões da 
gestão do cuidado
Principais elementos: 
a lógica da dimensãoAtores ou protagonistas
56
Todas essas dimensões se conectam, em alguma medida, formando 
uma rede complexa e dinâmica de cuidado. Isto é, o cuidado não é 
de responsabilidade exclusiva do profissional/setor saúde, mas isso 
não exime sua responsabilidade para com o cuidado das pessoas e 
população do território.
Dessa forma, os trabalhadores devem reconhecer a autonomia das 
pessoas em levar sua vida, reconhecer que sua inserção familiar e 
social está envolvida em como desenvolver o cuidado, e que a 
atitude profissional é fundamental para o cuidado, mas não é 
suficiente para garanti-lo, porque depende, também, da organização 
da atenção à saúde (do processo de trabalho coletivo e da 
organização dos serviços em rede), e da organização social, política 
e econômica do país. Tudo isso está implicado na gestão do cuidado.
Embora reconheçamos a 
importância de todas essas 
dimensões, de forma mais 
geral, nos concentraremos 
na interface entre a gestão 
do cuidado profissional, 
organizacional e sistêmica.
57
Se basearmos no caso anterior, fica explícito que, ainda que o 
paciente tenha sido encaminhado ao especialista, a 
responsabilidade pelo cuidado não é transferida para o outro nível 
de atenção, pelo contrário, ela passa a ser compartilhada entre a 
APS e a atenção especializada e/ou com outros serviços da RAS.
Na APS é possível desenvolver muitas formas de cuidado. 
Prescrever um medicamento, por exemplo, é uma maneira de cuidar. 
Isso, também, ocorre quando profissionais seguem protocolos de 
tratamento, fluxos de atendimento ou se baseiam em diretrizes 
clínicas e terapêuticas. 
Essas formas mais convencionais de cuidado, são essenciais, mas, 
também, existem outras formas de prestar cuidado, “menos” 
prescritivas. A orientação e/ou educação em saúde, por meio de 
conversas, visitas domiciliares, grupos de apoio, rodas, entre outras, 
também, se manifestam como formas de gerar cuidado.
58
Embora a responsabilidade pelo cuidado em saúde também 
pertença, em certa medida, ao próprio usuário, é importante 
reconhecer que a transferi-lá unilateralmente aos indivíduos, é 
desconsiderar as profundas desigualdades sociais e econômicas 
presentes no território brasileiro. 
Tais desigualdades influenciam diretamente a capacidade das 
pessoas de exercer o autocuidado, tornando necessário, o olhar 
atento dos profissionais às condições de vida e aos contextos em 
que as pessoas estão inseridas. Diante desse cenário, o 
fortalecimento da autonomia das pessoas e das comunidades surge 
como condição fundamental para o exercício do autocuidado.
Isso implica em promover ações que possibilitem aos indivíduos o 
acesso à informação, aos recursos e o apoio necessários para tomar 
decisões conscientes sobre sua saúde. 
O incentivo à participação ativa das comunidades na construção de 
práticas de saúde contribui para a valorização do protagonismo dos 
usuários, respeitando suas particularidades, saberes e 
necessidades.
FIQUE
ATENTO!
59
Nesse sentido, a APS tem o papel de coordenar o cuidado das 
pessoas, não na perspectiva de retirar a autonomia dos cidadãos 
sobre o cuidado com sua própria saúde, ao contrário disso, mas, sim, 
de desenvolver estratégias de compartilhamento do cuidado. O 
processo de produção do cuidado entre o serviço e os usuários, 
denomina-se “autocuidado apoiado”.
Em outra perspectiva, a gestão do 
cuidado está relacionada à oferta 
de tecnologias de saúde a serem 
disponibilizadas, de acordo com a 
necessidade de cada pessoa, em 
busca de seu bem-estar e 
autonomia (Cecilio, 2011).
Quais ferramentas ou 
tecnologias da Atenção 
Primária à Saúde 
podem contribuir para 
a gestão do cuidado?
60
Os profissionais de saúde podem lançar mão de 
ferramentas para a gestão do cuidado, tais como:
Para a Política Nacional de Humanização (PNH) acolher é 
reconhecer a necessidade de saúde do outro como algo legítimo e 
singular. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é 
construído de forma coletiva e tem como objetivo a construção de 
relações de confiança, compromisso e vínculo entre as 
equipes/serviços, trabalhador/equipes e usuário (Brasil, 2013).
A clínica ampliada é uma ferramenta teórica e prática, cuja 
finalidade é contribuir para uma abordagem clínica do adoecimento 
e do sofrimento, que amplie a visão dos profissionais, que considere 
a singularidade dos sujeitos e a complexidade do processo 
saúde/doença (Brasil, 2013).
Acolhimento
Clínica Ampliada
61
O apoio matricial é uma estratégia de organização do trabalho em 
saúde que integra equipes, seja entre profissionais da APS (eSF/ 
eAP e eMulti), ou entre a APS e atenção especializada, com objetivo 
de ampliar a resolutividade do cuidado, promovendo 
horizontalidade, colaboração e aprendizado mútuo. A equipe 
matriciadora deve ofertar, além de retaguarda assistencial, o 
suporte técnico e pedagógico aos demais profissionais das equipes 
de Saúde da Família (eSF) e das equipes de Atenção Primária (eAP) 
matriciadas. 
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um conjunto de propostas 
de condutas terapêuticas articuladas com um indivíduo, uma família 
ou um grupo, que resulta da discussão coletiva de uma equipe multi 
e interdisciplinar. Geralmente, o PTS é dedicado a situações mais 
complexas, buscando a singularidade como elemento central 
(SES/RS, 2022).
Apoio Matricial
Projeto Terapêutico Singular
62
Da mesma forma que para ordenar a rede, a APS precisa estar 
apropriada de seu território, para coordenar o cuidado, também. 
Como mencionado, é necessário que a APS tenha dados 
quantitativos e qualitativos para lançar mão de tecnologias do 
cuidado.
Uma dessas tecnologias é a estratificação de risco.
Atualmente, existem diversos protocolos de estratificação de 
risco para APS:
priorização de atendimento;
risco familiar;
cardiovascular;
metabólico;
renal;
risco gestacional;
saúde mental;
entre outros.
63
Se em determinado território, onde a APS não tem clareza do 
número de hipertensos e o risco a eles atribuídos, como podemos 
organizar o cuidado dessas pessoas, uma vez que, não seria 
adequado cuidar de todas as pessoas da mesma forma, concordam?
Alguns usuários terão baixo risco atribuído, outros alto risco, 
portanto, o cuidado é diferente em cada caso. Ainda que em um 
mesmo grupo, cada caso tem suas especificidades. Nesse sentido, a 
APS organiza o cuidado de maneira individual, considerando os 
condicionantes e determinantes de saúde envolvidos.
Na mesma medida, a intenção não é burocratizar o papel da APS, 
mas, sim, dotá-la de mecanismos que possibilitem o cumprimento 
de suas responsabilidades, respeitando os seus atributos, além de 
promover atendimento equânime e ofertas oportunas de cuidado. 
Vamos pensar juntos?
64
No entanto, em determinadas Unidades, aplica-se a estratificação à 
medida que os usuários as acessam. Essa é uma alternativa. Ocorre 
que ela só é aplicada a quem procura o serviço de saúde 
espontaneamente. 
Realizar escuta ativa e respeitosa das pessoasque procuram a 
Unidade, seja para atendimento assistencial ou para uma demanda 
burocrática. O vínculo entre o usuário e os trabalhadores, é uma 
ferramenta importante para o êxito no cuidado. 
Acolhimento humanizado e oportuno de pessoas que 
acessam a Unidade
Seguem, abaixo, algumas estratégias importantes:
E as outras pessoas? 
Como podemos organizar o cuidado daquelas que não 
procuram o serviço?
65
Para refletir!
Por motivos diversos, perdemos a oportunidade de realizar ações 
de promoção e de prevenção com as pessoas que procuram a 
Unidade. Estar atento a essas questões, desde a recepção na 
Unidade até o atendimento pelo profissional é algo que não se 
pode perder de vista. 
Como, por exemplo:
Cadastramento das pessoas e suas famílias
A etapa de cadastramento é fundamental para a territorialização, 
para organização dos serviços e para coordenar o cuidado. A análise 
dos dados cadastrais nos dá, não apenas informações individuais 
relacionadas às pessoas e suas famílias, mas possibilita uma 
análise dos agravos e condições de saúde mais ou menos 
prevalentes no território, e, consequentemente, dados e 
informações para que a equipe possa organizar o processo de 
trabalho para cuidar das pessoas, a partir de suas necessidades. 
vacinar de forma oportuna;
agendar e/ou realizar procedimentos de triagem;
realizar a estratificação de risco;
entre outras;
66
O cadastro deve estar sempre atualizado 
e é importante a realização do cadastro 
completo, com informações domiciliares e 
territoriais, além das informações pessoais.
Isto é, se a APS sabe a quantidade de mulheres que estão na faixa 
etária preconizada para a realização de determinado exame de 
triagem oncológica, é possível, que para além do controle, entre as 
que realizaram e não realizaram o procedimento, a APS possa 
acompanhar de forma compartilhada aquelas que foram 
encaminhadas aos serviços de referência, e, ao mesmo tempo, 
reunir informações para programar a oferta necessária de exames e 
procedimentos de triagem, bem como organizar o trajeto pela rede 
para garantir o acesso aos demais procedimentos complementares 
inseridos nas linhas de cuidado. 
Isso significa que, sabendo quantos procedimentos são necessários 
para o cuidado das mulheres, a APS pode programar e estimar a 
quantidade a ser contratualizada, e tensionar outros níveis de 
assistência e gestão, com intuito de dar respostas às necessidades 
observadas no território.
67
Visitas domiciliares
Na APS, a visita domiciliar é um dispositivo de extrema importância 
para o cuidado. É por meio da visita, que os profissionais fortalecem 
o vínculo com os usuários e as famílias, além de ser estratégica para 
analisar o contexto social, econômico e cultural em que os 
indivíduos estão inseridos. Essa análise amplia as possibilidades de 
cuidado, para um movimento “vivo” e conectado à realidade dos 
territórios.
Busca ativa
É uma estratégia essencial de procura intencional, para identificar, 
acompanhar e intervir nas necessidades de saúde de indivíduos e 
famílias, que, por diversos motivos, não acessam ou não retornaram 
espontaneamente aos serviços.
Estabelecer estratégias de acesso aos usuários é uma 
responsabilidade da APS. Para tal, é possível flexibilizar o horário 
de funcionamento da Unidade, mas não apenas para a livre 
demanda. É necessário sempre ter como perspectiva atingir 
determinado grupo e/ou objetivo do cuidado.
Organização de novos formatos e horários de atendimento
68
Por vezes, os usuários acessam a RAS por 
meio de outros dispositivos, como na 
Urgência (UPA) e/ou na Atenção 
Hospitalar. 
É claro que determinados casos podem ter 
acesso direto à Atenção Especializada 
Ambulatorial e Hospitalar, como, por 
exemplo, o CAPS, Ambulatório Trans, 
Ambulatório para IST/HIV/AIDS e 
Hepatites Virais, além de emergências. 
A ideia é que independente da forma de 
acesso, a APS consiga monitorar e 
acompanhar. 
Até aqui, você já deve ter compreendido que a APS deve ordenar a 
rede e coordenar o cuidado. Isso significa que ela também assume a 
posição de centro de comunicação da RAS. Justamente, porque na 
condição de coordenação do cuidado, esse nível de atenção precisa 
estar constantemente articulando e trocando informações com os 
demais serviços e pontos de atenção da rede.
Além disso, é preciso que a APS seja a “Porta de Entrada” 
prioritária da RAS.
Mas o que isso 
quer dizer?
69
No entanto, nem todos os casos precisam ser 
encaminhados diretamente para a atenção 
especializada. 
Já existe uma lista de condições sensíveis à 
Atenção Primária à Saúde (APS), que pode 
ser acessada clicando aqui ou escaneando o 
QR Code, ao lado. 
Nela, é possível conhecer situações que 
podem ser manejadas e tratadas 
adequadamente na Unidade Básica de Saúde.
ACESSE O
QR CODE
Outras vezes, a APS só toma ciência de determinados casos, 
quando o usuário está em processo de hospitalização. Exemplos 
comuns são gestantes hospitalizadas com infecção urinária. A 
Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma condição sensível da APS.
SE LIGA!
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das 
principais causas de parto prematuro no Brasil, 
além da possibilidade de evolução para Sepse.
70
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2008/prt0221_17_04_2008.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2008/prt0221_17_04_2008.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2008/prt0221_17_04_2008.html
Até aqui, discutimos sobre a responsabilidade da APS em ordenar a 
rede e coordenar o cuidado. Além disso, falamos sobre o território, 
algumas formas de cuidado, e entendemos por que a APS deve ser 
a “porta de entrada” prioritária da RAS e seu potencial na 
articulação entre os serviços para a produção do cuidado.
No próximo tópico, ampliaremos um pouco mais nosso olhar para as 
responsabilidades da APS, e como essas responsabilidade se 
alinham com os assuntos já apresentados. 
Vamos lá?
71
03
Atributos da APS
Segundo o dicionário Houaiss (2009), ATRIBUTO é definido como 
uma característica inerente ou qualidade própria de alguém ou de 
algo, podendo, também, ser entendido como um sinal distintivo ou 
símbolo. 
Na área da gramática, representa o termo que confere qualidade ao 
sujeito (como predicado ou adjetivo), funcionando como sinônimo de 
qualidade, traço, particularidade ou predicado. Isto é, os atributos da 
APS são as características que a constituem como um nível singular 
de atenção à saúde.
A professora Bárbara Starfield (2002) organiza os atributos da APS 
em dois grandes grupos: atributos essenciais e derivativos. Entre 
os atributos essenciais, temos: acesso de primeiro contato; 
longitudinalidade; integralidade e coordenação. Entre os derivativos 
estão: orientação familiar; orientação comunitária e competência 
cultural.
Vamos continuar os estudos?
Nesta seção discutiremos sobre os 
atributos da APS.
73
Vejamos, agora, cada um deles:
01 Atributos essenciais
1.1 Acesso de primeiro contato: 
implica garantir o acesso à APS para cada 
problema novo ou para cada novo episódio de um 
problema já existente. Como já discutimos, na 
seção anterior, a APS deve ser a “Porta de Entrada” 
prioritária da RAS, identificando as necessidades 
do território e oportunizando o acesso daqueles 
que procuram a Unidade, de forma espontânea ou 
não. 
Em resumo, o primeiro contato ocorre quando tanto 
a população quanto os profissionais reconhecem 
determinado serviço como a primeira opção diante 
de uma necessidade ou problema de saúde. 
74
O acesso de primeiro contato não é apenas uma “porta de 
entrada”, mas um ponto de articulação que garante a efetividade 
dos outros atributos da APS:
Quando o usuário reconhece a Unidade como referência 
inicial, cria-se vínculo contínuo com os profissionais, 
fortalecendo a confiança e a responsabilização mútua. 
Veremos que esse aspecto tem relação com a 
longitudinalidadedo cuidado.
O primeiro contato permite identificar necessidades 
diversas (de promoção, de prevenção e de reabilitação), 
garantindo que o cuidado não seja fragmentado, tendo 
portanto, relação com a integralidade do cuidado.
Ao ser a primeira referência, a APS organiza fluxos e 
encaminhamentos, evitando duplicidade de exames e 
garantindo a coordenação do cuidado entre diferentes 
níveis da RAS.
Como a equipe conhece a comunidade, suas demandas e 
vulnerabilidades, é possível levantar hipóteses 
diagnósticas, e ajustar os cuidados e práticas às 
realidades locais. Dessa forma, o primeiro contato se 
inter-relaciona com o cuidado familiar e comunitário.
75
Observaremos que o acesso 
de primeiro contato está 
relacionado com a garantia 
dos demais atributos da APS.
Por fim, reconhece que o acesso é atravessado por 
diferenças culturais, sociais e econômicas, por isso, é 
fundamental que o primeiro contato seja inclusivo e 
efetivo.
Quando esses aspectos não ocorrem, podemos ter falhas 
na condução do cuidado. Tais falhas incluem a solicitação 
de exames e procedimentos desnecessários, e. portanto, 
aumento do custo; além de intervenções desarticuladas 
com o modo de vida das pessoas e dificuldades em 
relacionar determinantes sociais com as queixas da 
população, por conta da ausência de vínculo e 
apropriação do território.
76
Apesar de serem usados como sinônimos, 
"acesso" e "acessibilidade" têm diferenças: 
Acessibilidade se refere às condições 
oferecidas, que permitem às pessoas 
chegarem até os serviços, enquanto acesso 
está relacionado à maneira como essas 
condições são percebidas pela população. 
O acesso não significa apenas permitir a 
entrada nos serviços de saúde; já a 
acessibilidade envolve a capacidade dos 
serviços em atender, produzir e responder às 
demandas de saúde de um grupo específico.
Mas acesso e 
acessibilidade 
são a mesma 
coisa?
77
SA
IB
A
 M
A
IS
O Brasil é marcado por uma pluralidade cultural, que 
influencia diretamente o modo como diferentes grupos 
percebem e acessam os serviços de saúde. Incorporar 
essa diversidade na APS significa:
Respeitar práticas tradicionais: povos 
indígenas, comunidades quilombolas e 
populações ribeirinhas possuem saberes 
próprios de cuidado. O acesso de primeiro 
contato precisa considerar esses saberes, 
evitando imposições culturais.
Reconhecer barreiras linguísticas e 
simbólicas: em regiões com línguas 
indígenas ou forte presença de imigrantes, o 
acesso não se dá apenas de forma física, 
mas, também, por meio da comunicação.
Considerar desigualdades sociais e raciais: algumas 
populações enfrentam barreiras históricas de acesso. A 
APS, a partir de sua competência cultural, deve se adaptar 
para reduzir essas desigualdades.
78
Respeitar crenças e práticas religiosas e espirituais: 
muitas pessoas associam práticas e crenças espirituais 
junto com o cuidado em saúde. A APS deve acolher essas 
dimensões sem preconceito.
Considerar as diversidades de gênero e sexualidade: 
garantir que pessoas LGBTQIA+ encontrem na APS um 
espaço seguro e livre de discriminação é parte da 
acessibilidade cultural.
79
1.2 Longitudinalidade:
trata da continuidade de atenção ao longo do 
tempo. Implica na criação de vínculo entre a 
população e o estabelecimento de saúde. Em 
outras palavras, é responsabilizar-se pelo cuidado 
dos usuários adscritos em seu território em todo o 
seu ciclo de vida. 
A relação entre a população e sua fonte de atenção 
deve se refletir em uma relação interpessoal 
intensa que expresse a confiança mútua entre os 
usuários e os profissionais de saúde. 
80
A presença do atributo de longitudinalidade tende a produzir 
diagnósticos e tratamentos mais precisos, que reduzem os 
encaminhamentos desnecessários para especialistas e a realização 
de procedimentos de maior complexidade. Por exemplo, o 
acompanhamento de pacientes com condições, agravos ou doenças 
crônicas pode ser considerado um cuidado longitudinal, como o 
acompanhamento de pessoas com Hipertensão e Diabetes. 
Por serem doenças crônicas, caracterizadas por longa duração e 
lenta progressão, a atenção a esses pacientes deve ser contínua e 
integrada, evitando abordagens episódicas e fragmentadas. 
O cuidado, nesses casos, precisa ser longitudinal e articulado entre 
os diferentes níveis de assistência e serviços intra e 
intersetorialmente.
81
1.3 Integralidade: 
a Atenção Primária deve organizar-se para que o 
cidadão tenha todos os serviços de saúde 
necessários, proporcionando serviços preventivos, 
diagnósticos, tratamento e reabilitação.
Observe que a integralidade não 
é apenas um princípio doutrinário 
do SUS, mas, também, um 
atributo essencial para a APS.
A integralidade do cuidado, no âmbito da APS, é um dos atributos 
mais valorosos para o processo de trabalho desse nível de atenção. 
Pressupõe, portanto, a existência de uma rede de serviços em 
distintos níveis de complexidade e de competências, em que a 
integração entre as ações nos diversos níveis deve satisfazer o 
conjunto de cuidados demandados por um indivíduo.
Entretanto, como já mencionamos, garantir o cuidado integral, 
inicia-se com a compreensão das reais necessidades dos usuários 
para que esses dados forneçam informações, que auxiliem na 
articulação com a rede para o adequado atendimento. 
82
O acolhimento e a escuta atenta das necessidades da população, 
além de constituir como exemplo de atenção humanizada no SUS, 
também, auxiliam os profissionais na apropriação de necessidades 
individuais e coletivas do espaço territorial.
Mapear ofertas insuficientes, vazios assistenciais e ofertas 
superiores à necessidade da população, são características que 
envolvem a garantia do cuidado.
Insuficiência dos serviços de saúde existentes 
Quando há serviços disponíveis, verifica-se capacidade instalada 
insuficiente para atendimento da real demanda. Nos casos em que a 
oferta dos serviços é insuficiente para atender as necessidades em 
saúde da população, forma-se o que chamamos de “demanda 
reprimida”, que se constitui de usuários desassistidos, em algum 
momento, por determinado serviço de saúde.
Vamos entender melhor?
83
Obviamente, a Integralidade do 
cuidado tem relação direta com a 
coordenação do cuidado pela 
APS. Como veremos, no próximo 
item.
Vazios assistenciais 
Quando determinada oferta não está disponível aos usuários por 
motivos diversos, como por ausência de força de trabalho, 
densidade tecnológica e custos.
Oferta de serviços superior às necessidades 
Quando a quantidade dos serviços como procedimentos, consultas 
e/ou atendimentos disponíveis em determinado território 
apresenta-se superior a necessidade apresentada. Ex.: hospitais 
atendendo com baixa taxa de ocupação, aparelhos de apoio 
diagnóstico (como ultrassom) trabalhando com ociosidade, dentre 
outros problemas.
84
1.4 Coordenação: 
o serviço de APS deve ser capaz de integrar todo o 
cuidado que o cidadão recebe nos diferentes níveis 
do sistema de saúde. A coordenação é 
especialmente importante porque, sem ela, o 
primeiro contato seria apenas um procedimento 
administrativo, a continuidade do cuidado perderia 
grande parte de sua eficiência e a integralidade 
ficaria prejudicada.
Coordenação versus 
Integralidade
O compartilhamento do cuidado 
entre os diferentes níveis de 
atenção é um dos grandes 
desafios do SUS na atualidade. 
Para que a APS desempenhe seu 
papel de coordenadora do 
cuidado é necessária a garantia 
da integralidade da atenção.
85
Vejamos, agora, os atributos derivativos da APS:
02 Atributos derivativos
2.1 Orientação familiar: 
o cuidado na APS tem como foco as pessoas e as 
famílias, dessa forma, considera a família e a 
comunidade como elementos centrais do cuidado, 
adaptando o serviço às suas características e 
necessidades específicas.
2.2 Orientação comunitária: 
se baseia na compreensãode que a APS é um 
serviço que tem como base a sua comunidade, ou 
seja, o planejamento das ações e serviços deve ser 
realizado perante às necessidades e do contato 
direto com a comunidade.
86
FIQUE
ATENTO!
2.3 Competência cultural: 
é a capacidade do profissional de saúde de 
compreender as características culturais da 
comunidade atendida, como tradições, hábitos, 
costumes, e formas de se comunicar. No contexto 
brasileiro, essa competência ganha ainda mais 
relevância diante da enorme diversidade que 
compõe o país, como, por exemplo, povos 
indígenas de diferentes etnias; comunidades 
quilombolas; populações ribeirinhas, sertanejas e 
caiçaras; comunidades migrantes e imigrantes; 
além da pluralidade religiosa, racial e de orientação 
sexual presentes em todos os territórios.
Notem que os atributos essenciais dependem, fundamentalmente, 
dos atributos derivativos para serem alcançados, especialmente, a 
integralidade e a coordenação do cuidado. 
Notem, ainda, que esses atributos são essenciais para a construção 
e o engajamento do usuário no seu plano de cuidado.
87
Isto é, não há como avançar na 
integralidade e/ou na coordenação 
do cuidado, por exemplo, se a 
equipe não possui uma prática 
profissional voltada para a família e 
para comunidade, bem como a 
capacidade de compreender suas 
características culturais.
A PNAB traz consigo diversos atributos da APS, além de outros 
conceitos, que já trabalhamos, até aqui, na condição de diretrizes da 
Atenção Básica:
Você já consultou a Política Nacional 
da Atenção Básica – PNAB?
a) Regionalização e 
Hierarquização.
b) Territorialização.
c) População Adscrita. 
d) Cuidado centrado na pessoa.
e) Resolutividade.
f) Longitudinalidade do cuidado. 
g) Coordenação do cuidado.
h) Ordenação da rede. 
i) Participação da comunidade.
88
04
Integralidade, Equidade 
e Universalidade: 
conceitos e desafios na 
prática
Como vimos no início deste e-book, os princípios doutrinários do 
SUS: Integralidade, Equidade e Universalidade devem ser a base 
para a organização das ações, programas e políticas de saúde, 
inclusive na APS.
EQUIDADE
"Tratar desigualmente os desiguais" de modo a se 
alcançar a igualdade de oportunidades, de 
desenvolvimento pessoal e social entre os membros 
da sociedade.
UNIVERSALIDADE
É a garantia de atenção à 
saúde para todo e qualquer 
cidadão.
INTEGRALIDADE
Contempla o conjunto de 
ações de promoção, 
prevenção, assistência e 
recuperação da saúde.
Princípios Doutrinários
90
Vamos entendê-los melhor:
01 Universalidade
O conceito de universalidade está relacionado à garantia de atenção 
à saúde para todo e qualquer cidadão, independente de raça, 
gênero, etnia, religião, orientação sexual e classe social. Nessa 
perspectiva, o acesso à saúde é um direito de todas as pessoas que 
vivem ou estão em território nacional.
O Brasil adotou um Sistema 
Universal de Saúde, e isso 
pressupõe atingir a garantia de 
atendimento público a todas as 
pessoas. Outros países 
trabalham com a concepção de 
Cobertura Universal. 
91
ACESSE O
QR CODE
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, 
para entender melhor o sistema universal 
de saúde e a cobertura universal.
De maneira geral, enquanto os sistemas universais de saúde 
trabalham com a concepção de acesso público à saúde, 
compreendendo a saúde como direito básico de vida e cidadania, e 
socialmente determinada por múltiplos fatores, a cobertura 
universal de saúde foca na cobertura de serviços básicos à 
população, ou cobertura por seguros saúde (privados ou 
subsidiados com coparticipação do governo). 
Enquanto o discurso da cobertura universal pode conviver com 
sistemas desiguais, no SUS buscamos o sistema universal.
Mas e você? Você sabe a diferença entre 
sistema universal e cobertura universal?
92
https://www.scielo.br/j/csc/a/7BM4FYp7dWJzyb7wzktwhJH/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/7BM4FYp7dWJzyb7wzktwhJH/?lang=pt
Na APS o conceito de universalidade se manifesta em inúmeras 
ações realizadas pelos profissionais, como, por exemplo, em ações 
de promoção e prevenção - na vacinação, nas ações da assistência 
farmacêutica e de vigilância em saúde -, bem como em ações 
assistenciais, como nos atendimentos a imigrantes e população de 
fronteira. 
A ANS estima que cerca de 75% da população não possui plano de 
saúde, ou seja, utiliza, exclusivamente, o SUS. E mesmo aquelas que 
possuem planos privados, também, utilizam o sistema de diversas 
formas, mesmo sem saber. Cabe ressaltar, que existem diferenças 
expressivas na oferta de serviços entre planos de saúde, muitos 
deles com um escopo reduzido.
93
V
O
C
Ê 
SA
B
IA
?
Em 2025, o MS inclui no PNI (Programa Nacional 
de Imunização) a vacina contra o VSR (Vírus 
Sincicial Respiratório), causador da Bronquiolite. 
Clique aqui ou escaneie o QR 
Code, ao lado, para acessar o site 
do Programa Nacional de 
Imunizações (PNI).
O Brasil registrou, até novembro de 2025, 43,2 mil casos de 
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), causados pelo VSR. 
A princípio a vacina será destinada para TODAS as gestantes, a 
partir da 28º semana de gestação, com o intuito de proteção dos 
bebês, nos primeiros meses de vida.
(Fonte: Agência Brasil, 2025).
94
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/pni
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/pni
02 Equidade
Embora o SUS seja universal, suas ações, políticas e programas 
devem estar voltados a superar as iniquidades presentes no 
território nacional. 
Observe que, conforme apresentado, 
a vacinação está vinculada a todas as 
gestantes e não apenas aquelas 
acompanhadas, exclusivamente, pela 
rede pública, isso é um exemplo de 
Universalidade. 
Nesse sentido, o acesso aos serviços 
de saúde é direito de todos e não está 
vinculado à condicionalidades sociais.
95
Fonte: World Bank Group,2025 (Adaptado).
Figura 1 ─ Diferença entre Igualdade, Equidade e Realidade
A equidade no SUS consiste em adequar ações e serviços de saúde 
às necessidades dos indivíduos e coletividades de acordo com suas 
diferenças, priorizando a justiça social. Esse princípio visa oferecer 
atenção diferenciada, conforme a necessidade (familiar, comunitária 
e/ou cultural), superando barreiras sociais, econômicas e culturais, 
respeitando as diversidades e as demandas específicas de cada 
grupo populacional, para garantir a universalidade no acesso às 
ações e serviços.
A equidade é o princípio que trata de enfrentar iniquidades 
(diferenças injustas e evitáveis), para que as desigualdades 
(diferenças) não se tornem barreiras de acesso.
96
De forma geral, o conceito de Equidade está vinculado:
ao reconhecimento das iniquidades, ou seja, na 
compreensão que os condicionantes e determinantes 
sociais afetam diretamente a saúde da população; 
ao acesso e/ou distribuição de recursos e materiais, 
por meio de um conjunto de ações, que direciona 
atenção e recursos aos que mais necessitam;
à justiça social, que busca, entre outras, reduzir as 
injustiças, ou seja as iniquidades, de modo a enfrentar as 
desigualdades presentes na sociedade.
O princípio da equidade está relacionado à garantia de justiça social 
no cuidado às pessoas. Isso implica reconhecer que as 
desigualdades não surgem de forma natural ou individual, mas são 
produzidas por determinações sociais, como condições de trabalho, 
renda, moradia, acesso a direitos e pela própria organização do 
modelo de sociedade. 
Assim, o sistema de saúde deve olhar para os desiguais 
considerando as estruturas que geram iniquidades e atuar para 
reduzi-las. Mais do que promover igualdade formal, a equidade 
exige enfrentar as causas sociais das desigualdades e garantir 
condições reais para que todas as pessoas alcancem resultados de 
saúde mais justos.
97
Dessa forma, a APS deve 
reconhecer que diferentes grupos 
partem de condições desiguais, e, 
portanto, necessitam de respostas

Mais conteúdos dessa disciplina