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Capítulo ��: Ciclo Orçamentário �. Doutrina: Conceitos Fundamentais O Ciclo Orçamentário é o processo contínuo, dinâmico e flexível através do qual se elabora, aprova, executa, controla e avalia o orçamento público. Fases do Ciclo Orçamentário �. Elaboração (Planejamento): Competência privativa do Poder Executivo. Envolve a consolidação das propostas dos diversos órgãos. �. Aprovação (Discussão e Votação): Competência do Poder Legislativo. Os parlamentares analisam, propõem emendas e aprovam as leis orçamentárias. �. Execução: Realização das receitas e despesas ao longo do exercício financeiro (�º de janeiro a �� de dezembro). �. Controle e Avaliação: Realizado pelo Controle Interno (do próprio Executivo) e pelo Controle Externo (Legislativo com auxílio do Tribunal de Contas). Instrumentos de Planejamento (Art. ���, CF) O modelo brasileiro baseia-se em três leis de iniciativa do Executivo: �. Plano Plurianual (PPA): Planejamento de médio prazo (� anos). Estabelece diretrizes, objetivos e metas para despesas de capital e programas de duração continuada. Vigora do �º ano do mandato até o �º ano do mandato seguinte. �. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): Elo entre o PPA e a LOA. Compreende as metas e prioridades para o ano seguinte, orienta a elaboração da LOA e dispõe sobre alterações na legislação tributária. �. Lei Orçamentária Anual (LOA): Orçamento propriamente dito. Estima receitas e fixa despesas para um ano. �. Legislação Aplicável (Texto Completo) Constituição Federal de ���� Art. ���. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais. § �º A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. § �º A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, estabelecerá as diretrizes de política fiscal e respectivas metas, em consonância com trajetória sustentável da dívida pública, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. Art. ���. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum. § �º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso: I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre: a) dotações para pessoal e seus encargos; b) serviço da dívida; c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou III - sejam relacionadas: a) com a correção de erros ou omissões; ou b) com os dispositivos do texto do projeto de lei. �. Jurisprudência Relevante Supremo Tribunal Federal (STF) Tema: Iniciativa Privativa do Executivo e Emendas Parlamentares Ementa: ADI �.��� / AP AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI ORÇAMENTÁRIA. EMENDAS PARLAMENTARES. LIMITES. A iniciativa das leis orçamentárias (PPA, LDO, LOA) é privativa do Chefe do Poder Executivo. O Poder Legislativo pode apresentar emendas, desde que respeitados os limites do art. ���, § �º, da CF (compatibilidade com PPA/LDO e indicação de recursos via anulação de outras despesas). É inconstitucional emenda parlamentar que cria despesa nova sem indicar a fonte de custeio ou que anula dotações intocáveis (pessoal, dívida). (STF - ADI ����, Relator: Min. Carlos Britto, Julgamento: ��/��/����) Análise: O STF garante o equilíbrio do ciclo orçamentário. O Legislativo tem o poder de alterar o orçamento proposto pelo Executivo, mas não pode fazê-lo de forma irresponsável (criando despesas sem fonte) ou desorganizando o funcionamento do Estado (cortando verbas de salários para financiar obras paroquiais). Tema: Orçamento Impositivo e Emendas de Relator (Orçamento Secreto) Ementa: ADPF ��� / DF ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA. EMENDAS DO RELATOR-GERAL (RP �). “ORÇAMENTO SECRETO”. PRINCÍPIOS DA TRANSPARÊNCIA, PUBLICIDADE E IMPESSOALIDADE. A execução das emendas do relator-geral do orçamento (RP �) sem a devida identificação dos parlamentares solicitantes e dos critérios objetivos de distribuição viola os princípios republicanos da transparência, publicidade e impessoalidade. O STF determinou a ampla publicidade dos ofícios de solicitação e a adoção de critérios objetivos para a distribuição dos recursos. (STF - ADPF ���, Relatora: Min. Rosa Weber, Julgamento: ��/��/����) Análise: Decisão recentíssima e fundamental sobre a fase de execução do ciclo orçamentário. O STF interveio para garantir que a execução do orçamento (mesmo das emendas parlamentares) seja transparente e rastreável, proibindo práticas opacas na alocação de recursos públicos.