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Capítulo ��: Créditos Adicionais �. Doutrina: Conceitos Fundamentais Os Créditos Adicionais são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento. Eles representam uma exceção ao princípio da exclusividade e uma flexibilização do princípio da anualidade, permitindo que o orçamento se adapte a situações imprevistas durante sua execução. Espécies de Créditos Adicionais (Art. ��, Lei �.���⁄��) �. Suplementares: Destinados a reforço de dotação orçamentária já existente. A LOA pode conter autorização prévia para sua abertura até determinado limite percentual. �. Especiais: Destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica. Exigem lei específica autorizadora. �. Extraordinários: Destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. Abertos por Medida Provisória (União) ou Decreto (Estados/Municípios, se não houver previsão de MP). Fontes de Recursos (Art. ��, Lei �.���⁄��) Para a abertura de créditos suplementares e especiais, é obrigatória a indicação da fonte de recursos (para os extraordinários, não é obrigatório, dada a urgência). As fontes são: Superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior. Excesso de arrecadação. Anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais. Operações de crédito autorizadas. Reserva de contingência (adicionada pela LRF). �. Legislação Aplicável (Texto Completo) Lei nº �.���⁄���� Art. ��. São créditos adicionais, as autorizações de despesa não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento. Art. ��. Os créditos adicionais classificam-se em: I - suplementares, os destinados a refôrço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. Art. ��. Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos por decreto executivo. Art. ��. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa. § �º Consideram-se recursos para o fim deste artigo, desde que não comprometidos: I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior; II - os provenientes de excesso de arrecadação; III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em Lei; IV - o produto de operações de credito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao poder executivo realiza-las. Constituição Federal de ���� Art. ���. São vedados: (�) V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes; § �º Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente. �. Jurisprudência Relevante Supremo Tribunal Federal (STF) Tema: Requisitos para Abertura de Crédito Extraordinário via MP Ementa: ADI �.��� / DF MEDIDA PROVISÓRIA. ABERTURA DE CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO. REQUISITOS CONSTITUCIONAIS. IMPREVISIBILIDADE E URGÊNCIA. A edição de medida provisória para abertura de crédito extraordinário (art. ���, § �º, c/c art. �� da CF) exige a demonstração objetiva da imprevisibilidade e urgência da despesa. A utilização deste instrumento para despesas ordinárias e previsíveis configura inconstitucionalidade formal e material, caracterizando burla ao processo legislativo orçamentário regular. (STF - ADI ����, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julgamento: ��/��/����) Análise: O STF estabeleceu que a “urgência e imprevisibilidade” não são conceitos vazios que o Presidente pode usar a seu bel-prazer. Se a despesa era previsível (ex: pagamento de salários, manutenção de estradas), o governo deve usar créditos suplementares ou especiais, submetendo-se ao crivo prévio do Congresso, e não créditos extraordinários via MP.