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Capítulo ��: Teoria Geral do Crédito
Público
�. Doutrina: Conceitos Fundamentais
O Crédito Público é a capacidade que o Estado tem de captar recursos de terceiros
(empréstimos) com a promessa de devolução futura, acrescida de juros. É uma receita
de capital.
Dívida Pública
A utilização do crédito público gera a dívida pública, que se divide em:
�. Dívida Flutuante: Contraída para atender a momentâneas insuficiências de
caixa (curto prazo). Ex: Restos a Pagar, serviços da dívida a pagar, depósitos,
emissão de ARO (Antecipação de Receita Orçamentária).
�. Dívida Fundada (Consolidada): Compromissos de exigibilidade superior a doze
meses, contraídos para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financiamento
de obras e serviços públicos.
Regra de Ouro (Art. ���, III, CF)
É vedada a realização de operações de crédito que excedam o montante das despesas
de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais
com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta.
Objetivo: Impedir que o Estado se endivide para pagar despesas correntes (como
salários), transferindo o ônus para as gerações futuras sem deixar um patrimônio
correspondente.
�. Legislação Aplicável (Texto Completo)
Constituição Federal de ����
Art. ���. São vedados: (�) III - a realização de operações de crédito que excedam o
montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos
suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder
Legislativo por maioria absoluta;
Lei Complementar nº ���⁄���� (LRF)
Art. ��. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes
definições: I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem
duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em
virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de
crédito, para amortização em prazo superior a doze meses; III - operação de crédito:
compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito,
emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado
de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento
mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos
financeiros;
Art. ��. A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender
insuficiência de caixa durante o exercício financeiro e cumprirá as exigências
mencionadas no art. �� e mais as seguintes: I - realizar-se-á somente a partir do
décimo dia do início do exercício; II - deverá ser liquidada, com juros e outros
encargos incidentes, até o dia dez de dezembro de cada ano; III - não será
autorizada se forem cobrados outros encargos que não a taxa de juros da operação,
obrigatoriamente prefixada ou indexada à taxa básica financeira, ou à que vier a
esta substituir; IV - estará proibida: a) enquanto existir operação anterior da mesma
natureza não integralmente resgatada; b) no último ano de mandato do Presidente,
Governador ou Prefeito Municipal.
�. Jurisprudência Relevante
Supremo Tribunal Federal (STF)
Tema: Limites da Dívida Pública e Resoluções do Senado
Ementa: MS ��.��� / DF MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO FINANCEIRO.
OPERAÇÃO DE CRÉDITO. ESTADO-MEMBRO. LIMITES FIXADOS PELO SENADO
FEDERAL. O Senado Federal, no exercício da competência prevista no art. ��, VII, da
CF, atua como órgão de controle do endividamento dos entes subnacionais. A
recusa da União em conceder garantia a operação de crédito de Estado-membro
que não atende aos limites e condições fixados em Resolução do Senado é ato
vinculado e legítimo, não configurando ofensa à autonomia estadual. (STF - MS
�����, Relator: Min. Roberto Barroso, Julgamento: ��/��/����)
Análise: O STF reafirma o papel do Senado Federal como “guardião” do
endividamento público nacional. Os Estados não têm autonomia absoluta para se
endividar; devem respeitar os limites globais fixados pelo Senado para evitar o
colapso macroeconômico do país.

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