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Avaliação Laboratorial do Sistema
Urinário
Fundamentos básicos da formação, coleta e principais alterações laboratoriais observadas em exames de
urina.
Prof.ª Elen de Oliveira
Mobile User
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o conceito da formação da urina, bem como os métodos empregados para sua coleta e
avaliação na rotina laboratorial, é importante para capacitar o profissional de laboratório a interpretar
resultados que se relacionem com alterações clinicamente importantes no sistema urinário.
Preparação
Tenham em mãos um dicionário médico.
Objetivos
Descrever o processo de formação da urina e sua importância enquanto exame laboratorial.
Identificar os principais aspectos da coleta, armazenamento e transporte da urina.
Descrever os diferentes tipos de exames de urina e suas aplicações no diagnóstico diferencial.
Introdução
Você sabia que o marco histórico reconhecido como sendo o início da Medicina Laboratorial se deu a partir da
análise da urina? Isso mesmo! Podemos encontrar ao longo dos últimos 6 mil anos da história referências ao
estudo da urina tanto em desenhos de homens das cavernas quanto em hieróglifos egípcios.
A urina nada mais é do que o ultrafiltrado de plasma formado continuamente pelos rins. Sua avaliação é parte
fundamental da rotina de acompanhamento de um paciente, pois é de fácil coleta, baixo custo e contém
informações relevantes sobre muitas das principais funções metabólicas do organismo. A análise da urina
funciona como um espelho, que nos permite acompanhar o estado de saúde de um indivíduo, a partir da
avaliação de diversos parâmetros laboratoriais.
Qualquer tipo de alteração na sua formação e/ou composição pode estar associada a algum evento
patológico. Esse comprometimento pode se refletir na avaliação macroscópica ou microscópica do material e
ser identificado em laboratório. Vamos a partir de agora estudar com mais detalhes todo esse processo.
Orientação sobre unidade de medida
Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de tecnologia
e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a unidade (ex.: 25
km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o padrão internacional de
separação dos números e das unidades.
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1. Introdução ao estudo da formação da urina
Anatomia do Trato Urinário 
Por definição, as vias urinárias são constituídas por dois rins, dois ureteres, pela bexiga e pela uretra. Os rins
são órgãos retroperitoneais, em formato de feijão, com tamanho aproximado de um punho fechado, que se
localizam um de cada lado da coluna vertebral. São cobertos por uma cápsula fibrosa, responsável por
conferir proteção e auxiliar na sua fixação. Possuem uma superfície externa (convexa e arredondada) e outra
interna (côncava, denominada hilo). Perpassam por cada hilo vasos sanguíneos, nervos e um ureter. 
Sistema urinário.
A porção do ureter que se encontra dentro do rim é formada por várias estruturas chamadas de cálices,
compostas por uma reunião de cálices de menor tamanho, os quais se encaixam sobre o tecido renal
formando uma estrutura que conhecemos como pirâmide. O ápice de cada pirâmide é denominado papila e se
projeta para um cálice menor. As pirâmides constituem a região da medula do rim, e ao redor do tecido
medular encontramos a região do córtex renal. Essas regiões diferem entre si tanto em relação às suas
características estruturais quanto funcionais.
Estrutura do rim.
Cada rim possui aproximadamente 1,2 milhão de néfrons, que são conhecidos como a unidade morfofuncional
do seu funcionamento. De forma simplificada, a urina formada nos néfrons segue pelos ureteres até a bexiga,
onde pode ser armazenada até ser excretada pela uretra. Cada néfron é formado por estruturas esféricas de
filtração chamadas de corpúsculo renal ou cápsula de Bowman (presentes apenas na região do córtex renal),
por túbulos renais e ductos coletores. Esses ductos coletores se reúnem na papila renal formando o ureter,
que irá transportar a urina até a bexiga. Cada rim contém dois tipos de néfrons:
Corticais
Compreendem cerca de 85% dos néfrons e são responsáveis principalmente pela remoção de
resíduos e reabsorção de nutrientes.
Justamedulares
Sua função primordial é concentrar a urina.
A capacidade dos rins de depurarem metabólitos do sangue mantendo simultaneamente o equilíbrio de água e
eletrólitos é controlada pelos néfrons, por meio do fluxo sanguíneo renal, da filtração glomerular e da
reabsorção e secreção tubulares. 
Estrutura do néfron.
A cápsula de Bowman, situada no córtex renal, é a região onde encontramos uma rede de alças capilares que
se organiza como uma espécie de “novelo de lã”, conhecido como glomérulo. Essas alças são formadas pelas
ramificações de duas arteríolas que penetram na cápsula de Bowman: 
A principal função do glomérulo é funcionar como uma primeira barreira de filtração, possibilitando que
grandes volumes de líquidos dos capilares sejam filtrados impedindo a passagem de proteínas plasmáticas
grandes, como, por exemplo, a albumina.
Os túbulos renais começam e se estendem a partir da cápsula de Bowman e são envolvidos por uma rede de
capilares peritubulares, por onde circulam os solutos reabsorvidos e secretados pelo néfron. São subdivididos
em uma sequência de segmentos que partem do córtex, descem pela medula e retornam ao córtex renal,
passando por entre as arteríolas da cápsula de Bowman. São eles:
Túbulo contorcido proximal
Ramo descendente da alça de Henle
Ramo ascendente da alça de Henle
Túbulo contorcido distal
Túbulo conector
Os túbulos conectores de vários néfrons se unem para formar os ductos coletores, os quais se fundem para
formar ductos maiores que, chegando à porção final, passam a ser chamados de ductos coletores papilares.
Esses ductos drenam cada um para um cálice renal que são contínuos com o ureter. Após a entrada no cálice,
o líquido tubular, que passa a ser denominado de urina, não é mais alterado até sua excreção. 
Arteríola aferente 
Responsável por levar o sangue para os
capilares do glomérulo.
Arteríola eferente 
Responsável por drenar o sangue.
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O néfron e seus componentes.
Fisiologia renal
De todo o volume de plasma que passa pelos rins, a cada minuto, cerca de 20% são filtrados para os túbulos
renais, que retêm as proteínas plasmáticas de maior peso molecular. Ao longo do processo, os rins
seletivamente reabsorvem frações das substâncias filtradas de volta para o sangue, sendo excretada a porção
não reabsorvida. Substâncias também podem ser acrescentadas ao conteúdo que será excretado por
secreção ou síntese.
Pensando de forma lúdica, os túbulos renais funcionariam como um centro de linha de montagem, aceitando o
líquido que chega, realizando alterações em seu conteúdo e o encaminhando para o próximo segmento que
dará continuidade a esse processo até a formação do produto final: a urina.
A partir dos processos de filtração, reabsorção e secreção, os rins exercem funções variadas: excreção de
produtos do metabolismo (ureia, ácido úrico e creatinina) e de outras substâncias estranhas; manutenção do
equilíbrio hídrico, eletrolítico e acidobásico; regulação do volume de líquido extracelular; da osmolaridade
plasmática; da produção de hemácias; da resistência vascular; da produção de vitamina D; gliconeogênese; e
a formação da urina.
Elementos fundamentais da função renal: filtração glomerular, secreção tubular e
reabsorção tubular.
Filtração Glomerular
A produção da urina começa com a filtração glomerular, processo pelo qual a água e os solutos do sangue
deixam o sistema vascular pelos glomérulos (barreira de filtração). O filtrado glomerular (líquido que está
dentro da cápsula de Bowman) é similar ao plasma sanguíneo, mas possui uma quantidade muito pequena de
proteínas totais, visto que as grandes proteínas plasmáticas e os lipídeos ficam retidos na barreira de filtração
por conta de seus tamanhos.
O filtrado(SBPC/ML):
Coleta e Preparo da Amostra Biológica, publicado pela SBPC, que traz recomendações para a coleta e preparo
de diversas amostras, incluindo a urina.
Referências
BARCELOS, L. F.; AQUINO, J. L. Tratado de análises clínicas. 1. ed. Rio de Janeiro: Ateneu, 2018.
 
EATON, D. C.; POOLER, J. P. Fisiologia Renal de Vander. Porto Alegre: AMGH, 2016.
 
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em Hematologia. Porto Alegre: Editora Artmed, 2013.
 
MCPHERSON, R. A.; PINCUS, M. R. Henry’s clinical diagnosis and management by laboratory methods.
Missouri: Elsevier, 2017.
 
OLIVEIRA LIMA, A. et al. Métodos de laboratório aplicados à clínica: técnica e interpretação. 8. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
 
STRASINGER, S. K.; DI LORENZO, M. S. Urianalysis and Body Fluids. 6. ed. Philadelphia: Davis Company, 2014.
	Avaliação Laboratorial do Sistema Urinário
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	Orientação sobre unidade de medida
	1. Introdução ao estudo da formação da urina
	Anatomia do Trato Urinário
	Corticais
	Justamedulares
	Fisiologia renal
	Filtração Glomerular
	Curiosidade
	Reabsorção e secreção tubulares
	Atenção
	Excreção
	Composição e formação da urina
	Saiba mais
	Ureia
	Creatinina
	Ácido úrico
	Cloreto
	Sódio
	Potássio
	Fosfato
	Amônia
	Cálcio
	Curiosidade
	Importância e fase pré-analítica do exame de urina
	Importância do exame de urina
	Fase pré-analítica do exame de urina
	Recipientes
	Recomendação
	Frasco transparente de 100mL
	Saco coletor de urina pediátrica
	Frasco para coleta de urina de 24 horas
	Rotulagem
	Requisição médica
	Integridade do material
	Fase pré-analítica do exame de urina
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Anatomia do trato urinário
	Conteúdo interativo
	Fisiologia renal
	Conteúdo interativo
	Composição e formação da urina
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Coleta, armazenamento e transporte da urina
	Tipos de coleta de urina
	Atenção
	Amostra aleatória ou randômica
	Primeira amostra da manhã
	Urina de 24 horas (ou com tempo marcado)
	Saiba mais
	Tipos de coleta especiais de urina
	Urina colhida via cateter ou sonda
	Materiais para coleta de urina via cateter urinário
	Paciente com a urina sendo coletada via cateter
	Punção suprapúbica
	Esquema ilustrando a coleta de urina via punção suprapúbica
	Coleta sendo realizada em um paciente
	Coleta pediátrica
	Monitorização do uso de drogas
	Atenção
	Preparação do paciente para a coleta de amostra
	Atenção
	1º Dia (9h da manhã)
	2º Dia (9h da manhã)
	Armazenamento e transporte
	Dica
	Principais conservantes
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Tipos de coleta de urina
	Conteúdo interativo
	Tipos especiais de coleta de urina
	Conteúdo interativo
	Preparação do paciente para a coleta de amostra
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Exame de urina
	Introdução ao exame de urina
	Principais tipos de exames de urina e seus componentes
	Análise física e macroscópica
	Análise química
	Análise microscópica
	Análise física e macroscópica
	Cor
	Aspecto
	Odor
	Densidade
	Saiba mais
	Saiba mais
	Análise Química: exame qualitativo e pH
	Exame qualitativo
	pH
	Saiba mais
	Análise química: proteína
	Proteína
	Pré-renal
	Renal
	Pós-renal
	Proteinúria pré-renal – proteína de Bence Jones
	Proteinúria renal – Microalbuminúria
	Proteinúria pós-renal – Proteínas oriundas do fluido intersticial em infecções
	Análise química: glicose, corpos cetônicos e sangue
	Glicose
	Associada à hiperglicemia
	Não associada à hiperglicemia
	Corpos cetônicos
	Sangue (Hemoglobina)
	Demais análises qualitativas
	Bilirrubina
	Conjugada
	Não conjugada
	Urobilinogênio
	Nitrito
	Dica
	Leucócitos
	Análise química da urina: dosagens quantitativas
	Exame químico quantitativo
	Ureia
	Creatinina
	Volume urinário (mL/min)
	Concentração de creatinina urinária (mg/dL)
	Concentração de creatinina plasmática (mg/dL)
	Ácido úrico
	Fósforo
	Cloreto
	Pesquisa de ácido vanilmandélico (VMA)
	Outros testes e dosagens realizados a partir da urina
	Conteúdo interativo
	Sedimentoscopia, qualidade e automação
	Exame microscópico
	Controle de qualidade em uroanálise
	Dica
	Automação em uroanálise
	Vem que eu te explico!
	Exame de urina: Análise física
	Conteúdo interativo
	Análise química da urina: pH, proteína e glicose
	Conteúdo interativo
	Análise química da urina: cetonas, sangue, urobinogênio, bilirrubina, nitrito e esterase leucocitária
	Conteúdo interativo
	Exame químico quantitativo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciascontém principalmente íons inorgânicos (sódio, potássio, cloreto, bicarbonato) e solutos orgânicos
de baixo peso molecular: sem carga elétrica (glicose e ureia); aminoácidos e peptídeos (insulina e hormônio
antidiurético). O volume de filtrado formado por unidade de tempo é chamado de taxa de filtração glomerular
(TFG).
Curiosidade
Você acredita que, em um adulto jovem e saudável, a TGF é de cerca de 180L/dia? Temos em média, em
nosso organismo, cerca de 3L de volume de plasma total, o qual é filtrado pelos rins cerca de 60 vezes
por dia! Impressionante, não é mesmo? É a capacidade de filtrar grandes volumes de plasma que
possibilita aos rins excretar grandes quantidades produtos de degradação, bem como participar de
maneira fundamental e efetiva na regulação dos constituintes do meio interno. 
Reabsorção e secreção tubulares
A reabsorção é o processo de movimento de substâncias por meio da camada epitelial para o interstício
circundante. Quase todo o volume filtrado precisa ser reabsorvido, caso contrário, com uma taxa de filtração
de 180L por dia, faríamos tanto xixi que teríamos sérios problemas de desidratação. À medida que o filtrado
flui da cápsula de Bowman pelas porções tubulares, sua composição vai se modificando, principalmente pela
reabsorção tubular, mas também pelo acréscimo de substâncias – secreção tubular. A secreção é o processo
de transporte de substâncias do citosol das células que formam as paredes do néfron para a luz tubular.
Como vimos anteriormente, os túbulos estão envoltos em uma rede de vascularização, que possibilita a rápida
troca de substâncias entre o plasma e a luz do túbulo, através do espaço intersticial.
Atenção
É importante termos em mente que, para cada substância presente no plasma, existe uma forma de
filtração, reabsorção e secreção, e que essas substâncias estão sujeitas ao controle fisiológico. Dizendo
de outro modo, mudanças na taxa de filtração, reabsorção e secreção regulam a excreção de
substâncias quando estas estão acima ou abaixo do normal, com o intuito de manter o organismo em
equilíbrio. São as relações entre esses processos que irão determinar a quantidade que será excretada. 
Concentração Renal: mecanismos de reabsorção e secreção.
Excreção
A excreção é o processo pelo qual ocorre a eliminação de substâncias do organismo através da urina,
produzida como o produto final da filtração dos rins. É sua composição e formação que vamos estudar com
mais detalhes a seguir.
Composição e formação da urina
Como sabemos, o sangue proveniente das arteríolas aferentes é filtrado nos rins pelos glomérulos, onde se
produz o ultrafiltrado de plasma. A reabsorção de água e de substâncias essenciais para função orgânica
transforma cerca de 180 litros de ultrafiltrado de plasma em uma produção diária média de 1,2 litros de urina. 
A urina é formada por substâncias orgânicas e inorgânicas dissolvidas em água, sendo composta
basicamente por 95% de água e 5% de solutos. 
É importante lembrar que variações nas concentrações dos solutos podem ocorrer em virtude de influência de
alguns fatores externos, como, por exemplo, alimentação, atividade física, metabolismo e funções endócrinas.
A ureia, principal produto metabólico do fígado, é formada a partir da quebra de proteínas e aminoácidos,
representando quase metade da quantidade de soluto presente na urina. A creatinina e o ácido úrico também
são exemplos de substâncias orgânicas comumente encontradas.
Saiba mais
Para avaliar se um fluido desconhecido se trata de urina, podemos identificar a presença de ureia e
creatinina, uma vez que essas substâncias estão presentes em concentrações muito maiores na urina do
que em qualquer outro fluido corporal. 
Dentro do cenário das substâncias inorgânicas, o cloreto é o principal íon encontrado, seguido do sódio e do
potássio. Pode-se observar ainda a presença de hormônios, vitaminas e medicamentos. Outros elementos
como células, cristais, muco e bactérias também podem ser visualizados e, apesar de não fazerem parte do
ultrafiltrado de plasma, alterações nas quantidades desses elementos geralmente são indicativos de doença.
A seguir, os principais componentes encontrados na urina normal.
Ureia
Componente orgânico mais prevalente. Produto do metabolismo de proteínas e aminoácidos.
Creatinina
Produto do metabolismo da creatina muscular.
Ácido úrico
Produto da degradação dos ácidos nucleicos.
Cloreto
Íon inorgânico mais prevalente.
Sódio
Proveniente principalmente do sal, variando de acordo com a ingestão desse elemento.
Potássio
Associa-se com cloreto e outros ânions.
Fosfato
Associa-se com o sódio para tamponar o sangue.
Amônia
Regulação da acidez tecidual e sanguínea.
Cálcio
Associa-se com cloreto, sulfato e fosfato.
O volume de urina produzido diariamente depende diretamente da quantidade de água excretada pelos rins.
Uma vez que a água é o principal componente das células e representa mais da metade do peso total do
corpo de um adulto, a quantidade excretada é normalmente determinada pelo estado de hidratação do
indivíduo. Dentre os fatores que influenciam o volume final de urina, vale a pena destacar:
Ingestão de líquidos.
Perda de líquidos por outra razão que não seja renal (queimaduras por exemplo).
Variações na secreção hormonal (hormônio antidiurético).
Aumento da necessidade de excreção de solutos como a glicose ou sais.
Curiosidade
Um adulto médio produz entre 600mL e 2L de urina por dia (cerca de 0,5mL/kg/hora), enquanto durante
a noite esse volume dificilmente ultrapassa 400mL. Crianças pequenas podem excretar cerca de três a
quatro vezes mais urina por kg de peso. 
Importância e fase pré-analítica do exame de urina
Importância do exame de urina
O exame de urina proporciona ao clínico informações precisas sobre doenças relacionadas aos rins e ao trato
urinário, bem como sobre algumas doenças extrarrenais. Por ser simples, barato e ser de fácil obtenção é um
dos principais exames de rotina solicitados para contextualizar o estado de saúde de um paciente, em
associação com outros exames clínico-laboratoriais, uma vez que os rins participam de várias funções
regulatórias do organismo.
A partir da filtração glomerular e da secreção tubular, inúmeros resíduos (produtos nitrogenados do
catabolismo de proteínas, ácidos e bases inorgânicos) são eliminados do corpo. Além disso, os rins participam
ativamente da regulação hormonal, como a produção de eritropoietina e renina, além da ativação da vitamina
• 
• 
• 
• 
D. Qualquer perturbação nessas funções por alguma falha renal ou sistêmica pode se refletir em alterações na
composição urinária.
Fase pré-analítica do exame de urina
Antes da realização de qualquer exame, a amostra de urina precisa ser avaliada quanto à sua aceitabilidade.
As considerações incluem, principalmente, o uso de recipientes e rotulagem adequada, presença de
requisição médica, avaliação da integridade do material e verificação da ocorrência de atrasos no transporte.
Cada laboratório de rotina deve ter por escrito suas diretrizes aplicadas para a aceitação ou rejeição de uma
amostra. Vamos agora abordar mais detalhadamente alguns desses aspectos pré-analíticos importantes:
Recipientes
As amostras devem ser coletadas em recipientes limpos, secos e à prova de vazamentos. O uso de recipientes
descartáveis é o indicado, uma vez que eliminam a chance de contaminação por lavagem inadequada. Esses
recipientes podem ser encontrados em uma variedade de tamanho e formas – podem ser do tipo sacolas com
adesivo para coleta pediátrica ou até mesmo grandes recipientes para coleta de urina de 24 horas. 
Recomendação
É recomendado que os recipientes tenham uma boca ampla para facilitar a coleta de urina de pacientes
do sexo feminino e fundo plano para evitar que o frasco vire. Devem ser transparentes para que se possa
fazer a avaliação macroscópica do material (avaliação da cor e aspecto). Para estudos microbiológicos
na urina, é mandatório que os frascos sejam estéreis, tenham a capacidade de armazenar entre 50 –
100mLde urina e que tenham abertura de no mínimo 5cm de diâmetro, facilitando a coleta tanto para
pacientes do sexo feminino como do sexo masculino. 
Frasco transparente de 100mL Saco coletor de urina pediátrica
Frasco para coleta de urina de 24 horas
Rotulagem
Uma amostra devidamente rotulada deve apresentar o nome completo do paciente, o número de
identificação, a data e o tempo de coleta, que são considerados como requisitos mínimos. Informações
adicionais podem ser incluídas de acordo com o protocolo de cada laboratório. 
Exemplos correto e errado de rotulagem de uma amostra de urina.
Requisição médica
Deve acompanhar o material entregue no laboratório, e as informações contidas na requisição precisam
corresponder àquelas informadas no rótulo do material para que a amostra seja aceita. Informações adicionais
podem estar presentes, como, por exemplo, dados clínicos do paciente.
Integridade do material
Logo após a coleta, a amostra deve ser encaminhada ao laboratório dentro de um prazo de 2 horas. Quando
esse prazo não puder ser respeitado, é necessário que a urina seja armazenada sob refrigeração ou que seja
coletada em um recipiente com conservante químico específico para preservar sua viabilidade. A tabela a
seguir relaciona as principais alterações que podem ocorrer em um material de urina não preservado após 2
horas da coleta. Observe que boa parte das alterações de integridade envolve a proliferação bacteriana. 
 
Analito Mudança - Razão
Cor Escurecida – oxidação / redução de metabólitos
Limpidez Diminui – crescimento bacteriano
Odor Aumenta – crescimento bacteriano
pH Aumenta – quebra da ureia em amônia por enzimas bacterianas
Glicose Diminui – consumo bacteriano
Cetonas Diminui – consumo no metabolismo bacteriano
Bilirrubina Diminui – convertida a biliverdina
Urobilinogênio Diminui – se oxida em urobilina
Nitrito Aumenta – multiplicação bacteriana
Hemácias e Leucócitos Diminui – destruição em pH alcalino
Bactérias Aumenta – multiplicação
Trichomonas Diminui – perda de mobilidade e morte
Tabela: Alterações observadas em uma urina não preservada. 
Strasinger; Di Lorenzo (2014), pg 31.
Como podemos observar até aqui, para que o exame de urina seja um reflexo das variações das condições do
trato urinário, é necessário que as amostras de urina sejam corretamente colhidas e processadas. 
Fase pré-analítica do exame de urina
Neste vídeo, a especialista apresenta a importância do exame de urina e mostra os critérios necessários para
sua realização.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Anatomia do trato urinário
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Fisiologia renal
Conteúdo interativo
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Composição e formação da urina
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Aprendemos que a urina tem em sua composição diferentes substâncias. Qual o principal componente
inorgânico presente na urina?
A
Sódio
B
Cálcio
C
Fosfato
D
Cloreto
E
Ureia
A alternativa D está correta.
O principal íon inorgânico na urina é o cloreto, seguido do sódio e do potássio. A ureia representa a principal
substância orgânica, formada a partir da quebra de proteínas e aminoácidos no fígado, e representa quase
metade da quantidade de soluto presente na urina.
Questão 2
A principal causa de resultados não confiáveis em uma amostra de urina não preservada adequadamente e
testada 8 horas após a coleta é
A
crescimento bacteriano.
B
diminuição de pH.
C
aumento na contagem de hemácias e leucócitos.
D
aumento de bilirrubina.
E
diminuição de nitrito.
A alternativa A está correta.
O tempo de envio da amostra ao laboratório deve acontecer dentro de um prazo de 2 horas. Quando esse
prazo não puder ser respeitado, o material estará sujeito tanto à decomposição biológica quanto a
modificações químicas. A maioria das alterações de integridade envolvem a proliferação bacteriana.
2. Coleta, armazenamento e transporte da urina
Tipos de coleta de urina
Para se obter uma amostra para testes analíticos, que seja, de fato, um retrato do metabolismo de um
paciente, é importante estar atento a certas particularidades e necessidades especiais de coleta do material.
Na grande maioria das vezes, essas particularidades incluem o conhecimento, por parte do laboratório, de
quais medicamentos o paciente faz uso, instruções quanto à necessidade de uma dieta específica, ao método
de coleta mais apropriado, dentre outras. 
Atenção
É fundamental orientar o paciente e, caso ele necessite seguir um procedimento de coleta especial, é
preciso se certificar de que as informações sejam compreendidas claramente. Essa é uma condição pré-
analítica que impacta diretamente na interpretação e na validade do resultado. 
Em linhas gerais, os exames laboratoriais de urina se enquadram em três categorias: exames químicos,
bacteriológicos e microscópicos. Vários tipos de coleta de urina podem ser indicados, a depender do tipo de
análise laboratorial que precisa ser realizado: amostra aleatória, primeira amostra da manhã, urina de 24 horas
(ou com tempo marcado), urina colhida via cateter ou sonda, punção suprapúbica, coleta pediátrica e
monitorização do uso de drogas. 
Representação esquemática de um rim e seu produto final: a urina.
Vamos agora abordar mais detalhadamente cada um deles.
Amostra aleatória ou randômica
A amostra aleatória de urina, também conhecida como randômica, é o tipo de material mais frequente na
rotina do laboratório de análises clínicas, devido à sua praticidade. Pode ser coletada a qualquer momento, de
preferência a jato médio, após assepsia e respeitando-se o intervalo de pelo menos 2 horas entre a última
micção e a coleta da amostra. É útil para testes de triagem de rotina para detectar alterações evidentes em
situações de emergência, urgência e em casos de pacientes internados em unidade de tratamento intensivo.
Se por um lado a praticidade de coleta a qualquer momento representa uma grande vantagem, por outro, a
falta de condições controladas pode se mostrar como uma desvantagem quando a interpretação de
resultados não for conclusiva. Nesses casos, será solicitada ao paciente uma coleta adicional sob condições
melhor determinadas.
Primeira amostra da manhã
Tipo de exame considerado padrão ou mais adequado para se fazer a maioria das investigações em urina. É
indicado também em casos de suspeita de gravidez (por minimizar a chance de falso-negativo) e para avaliar
proteinúria ortostática – condição benigna resultante do aumento de proteína na urina, principalmente quando
o paciente está de pé. Ela deve ser colhida:
Pela manhã, ao acordar após 8 horas de repouso e, pelo menos, 4 horas após a última micção.
Com o paciente em jejum. 
Antes de se realizar qualquer atividade.
Por estar mais concentrada, essa amostra é a melhor alternativa para detecção de componentes químicos e
análise de sedimento que podem não estar presentes em uma amostra randômica diluída. Além disso, esse
tipo amostra possui pH mais baixo em decorrência da diminuição da respiração durante o sono, sendo mais
fácil a identificação de crescimento de bactérias, refletindo melhor a situação clínica do paciente. 
Urina de 24 horas (ou com tempo marcado)
A urina de 24 horas é o exame indicado quando é necessário medir a quantidade exata de um componente
químico na urina ao invés de apenas relatar sua presença ou ausência. Quando solutos possuem
concentrações que variam ao longo do dia e de acordo com as atividades diárias, a coleta de urina de 24
horas é indicada. É muito importante nesse caso a cooperação do paciente, que deve ser instruído de forma
precisa e clara quanto ao início e término da contagem do período de coleta, uma vez que a coleta incompleta
é o problema mais frequente associado a esse tipo de material biológico.A concentração da substância a ser
avaliada deve ser calculada a partir do volume de urina produzido durante esse período. Ao ser entregue ao
laboratório, a amostra deve ser bem homogeneizada e o volume medido com precisão. Toda a amostra deve
ser mantida sob refrigeração durante todo o período da coleta. 
Saiba mais
Uma maneira de se certificar se a amostra foi realmente colhida por 24 horas é fazendo a divisão do
valor de creatinina urinária pelo peso do paciente. Se uma mulher de 60kg elimina 1050mg de creatinina
em 24 horas, isso corresponde a 17,5mg/kg. Valores fora do padrão de referência indicam a possibilidade
de a amostra não ter sido coletada de forma apropriada. Valores de Referência: Mulheres 10-20mg/
kgHomens 15-25mg/kg 
Tipos de coleta especiais de urina
Urina colhida via cateter ou sonda
É um procedimento de coleta realizado pelos profissionais de enfermagem, com solicitação médica. Essa
amostra é obtida em condições estéreis, passando-se o cateter através da uretra até a bexiga. Geralmente, é
indicada para exames de cultura bacteriana.
Por ser um procedimento invasivo, pode, em alguns casos, representar uma porta de entrada para infecções
oportunistas. Entretanto, faz-se necessário esse tipo de coleta em determinadas situações, especialmente
entre os pacientes que são incapazes de controlar a micção.
1. 
2. 
3. 
Materiais para coleta de urina via cateter
urinário
Paciente com a urina sendo coletada via
cateter
Punção suprapúbica
É um procedimento médico no qual a assepsia é indispensável para a obtenção de uma amostra válida. No
momento da coleta, a bexiga deve estar cheia e a punção deve ser realizada 1cm acima do osso pubiano,
introduzindo externamente uma agulha do abdômen até a bexiga. Quando bem executada, a amostra coletada
é estéril, apresentando-se como grande vantagem a confiabilidade do resultado que indique a presença de
infecções do trato urinário em culturas bacterianas. A amostra de punção suprapúbica também pode ser
utilizada para análises citológicas. 
Esquema ilustrando a coleta de urina via
punção suprapúbica
Coleta sendo realizada em um paciente
Coleta pediátrica
Amostras de urina pediátrica, na maioria das vezes, se transformam em uma missão difícil, seja pela idade da
criança seja pelas condições nas quais se encontram. Na grande maioria das vezes, a coleta em crianças que
ainda não apresentam controle urinário ocorre por meio de saco coletores transparentes, com adesivos
hipoalergênicos. 
Saco coletor de urina pediátrico.
É necessário que se faça a higiene prévia dos órgãos genitais da criança antes de sua aplicação, assim como
é importante verificar com frequência se a criança já urinou. Isso porque o risco de contaminação com células
epiteliais é alto, mesmo seguindo todos os processos recomendados. Sendo assim, é indicado que a cada
uma hora o saco coletor seja trocado para minimizar os índices de contaminação que podem interferir na
confiabilidade do resultado.
Uma alternativa, também para crianças que não possuem controle urinário, é a coleta de urina por inserção de
cateter ou aspiração suprapúbica, para os casos de necessidade de coleta em condições estéreis. Entretanto,
sua indicação precisa ser muito bem avaliada uma vez que se trata de um procedimento mais invasivo.
Monitorização do uso de drogas
É possível realizar a monitorização do uso de drogas coletando amostras de urina. Entretanto, essa etapa é a
parte mais vulnerável de um programa de teste de drogas. Para garantir que não houve troca de resultados
entre indivíduos, é necessário que se sigam estritamente os procedimentos de coleta e de envio da
documentação, que deve acompanhar o material por todas as etapas, desde a coleta até a revisão médica
final do laudo.
Para que se resguarde que o material não sofreu adulteração, a amostra passa por um rigoroso sistema de
controle, no qual só podem ter acesso ao material pessoas autorizadas.
Atenção
A temperatura da urina é um dos parâmetros de avaliação de aceitabilidade, devendo ser medida até 4
minutos após a coleta. Urinas fora da faixa de temperatura de 32,5°C – 37,7°C podem indicar
adulteração ou contaminação da amostra. Alterações na cor da urina imediatamente após a coleta
também podem indicar a presença de contaminantes. 
Material de urina sob investigação de uso de drogas.
Preparação do paciente para a coleta de amostra
Um dos mais frequentes erros pré-analíticos ocorre na primeira fase do exame: a realização não apropriada da
coleta da amostra, em especial quando se depende ativamente do próprio paciente para que esse processo
seja bem-sucedido. Por conta disso, em se tratando da solicitação de um exame de urina, é importante que o
paciente:
Seja informado da necessidade da coleta de uma amostra de urina para a realização do exame
solicitado.
Seja orientado oralmente e por escrito sobre como proceder para a coleta da amostra de urina, de
preferência com material ilustrativo para facilitar a compreensão. O paciente também deve ser
orientado a informar se está fazendo uso de medicação.
Parece simples, não é mesmo?
Mas, na prática laboratorial, não se mostra tão simples assim. A frequência de amostras impróprias por sinais
de contaminação costuma ser elevada devido à coleta inadequada.
É importante lembrar que a lavagem cuidadosa das mãos é o ponto de partida inicial para uma boa coleta
tanto entre os pacientes do sexo feminino quanto do masculino.
Técnica para a lavagem de mãos.
Certas particularidades que envolvem a anatomia feminina e a masculina precisam ser consideradas para o
sucesso da coleta. A tabela, a seguir, resume as principais diferenças entre pacientes do sexo feminino e
• 
• 
masculino no que diz respeito às recomendações de coleta de urina para amostra aleatória (randômica) e
primeira amostra da manhã.
 
 Mulheres Homens 
PASSO
1 Lavar cuidadosamente as mãos.
PASSO
2 Afastar os lábios vaginais. Retrair o prepúcio.
PASSO
3
Assepsia dos órgãos genitais
externos em torno da uretra com
água.
Assepsia da glande peniana com água.
PASSO
4 Secar com lenços de higiene.
PASSO
5
Manter os lábios vaginais
afastados durante e até a
micção.
Fazer a coleta de urina sem permitir que o
prepúcio volte a cobrir a glande peniana
durante a micção.
PASSO
6 Desprezar o primeiro jato de urina.
PASSO
7 Colher aproximadamente 50mL.
PASSO
8 Desprezar o restante.
Tabela: Orientações para a coleta de amostra de urina. 
Elen de Oliveira.
Atenção
Pacientes que apresentam distúrbios do trato urinário podem emitir pequenos volumes diários de urina,
devendo-se, então, proceder às análises com qualquer que seja o volume de amostra obtido. 
Quando pensamos na coleta de urina de 24 horas, além de todas as recomendações indicadas na tabela
anterior, é muito importante que o paciente inicie o período de coleta com a bexiga vazia e finalize o tempo
determinado também com a bexiga vazia (nesse caso após 24 horas). Todo o volume de micções que
ocorrerem a partir do horário de início em que se esvaziou a bexiga deve ser considerado.
Para compreendermos melhor, vamos acompanhar juntos um exemplo. Vamos considerar que um paciente
precisa fazer a coleta de urina de 24 horas e começa a contagem do período a partir das 9 horas da manhã,
logo:
1º Dia (9h da manhã)
O paciente urina e descarta a amostra. A partir
de então, o paciente colhe todas as próximas
micções pelas próximas 24 horas.
2º Dia (9h da manhã)
O paciente urina e inclui essa amostra às
demais micções colhidas.
Com exemplos fica mais fácil de entender, não é mesmo?
Agora imagine que o paciente, no momento da coleta, se confundiu e descartou tanto a urina do primeiro
horário quanto do último horário – sendo que esta última deveria estar incluída no volume total de urina de 24
horas, segundo as recomendações. Essa coleta então será considerada como inadequada e a necessidade de
nova coleta deverá ser sinalizada. Isso porque, muito provavelmente, os resultados podem se apresentar
falsamente diminuídos devido à diminuição de volume, interferindona interpretação final e na confiabilidade
do resultado laboratorial.
Armazenamento e transporte
A preservação da urina enquanto material biológico é essencial para a manutenção da sua integridade. O
material que não é preservado adequadamente está sujeito tanto à decomposição biológica quanto a
modificações químicas que interferem na confiabilidade dos resultados laboratoriais. Para evitar a proliferação
bacteriana, o método rotineiramente mais utilizado para preservação é a refrigeração entre 2°C a 8°C. Se a
amostra for colhida para cultura, ela deverá ser refrigerada durante o transporte e mantida assim até ser posta
em cultura por um prazo máximo de 24 horas.
Dica
Antes de se realizar as avaliações químicas com as tiras reagentes, o material de urina precisa ser
retirado da refrigeração e estar à temperatura ambiente uma vez que as reações enzimáticas funcionam
melhor nessa condição de temperatura. 
Em linhas gerais, as amostras de urina devem ser transportadas:
Em caixas com tampa.
Protegidas contra derramamento.
Com temperatura controlada, principalmente quando forem percorridas grandes distâncias.
Quando a amostra precisa ser transportada por longas distâncias e a manutenção da refrigeração não for
possível, conservantes químicos podem ser adicionados. Já existem no mercado tubos de transportes
preparados comercialmente e identificados com uma advertência a respeito da presença de conservantes
químicos. Essa identificação é muito importante, uma vez que o paciente precisa ter ciência do risco de
exposição, bem como receber instruções quanto ao manuseio correto de um frasco contendo um reagente
potencialmente perigoso.
O conservante deve ser bactericida, inibir a urease, preservar os elementos figurados no sedimento urinário e
não interferir nas avaliações bioquímicas do material. O conservante ideal não existe. Sempre deve se levar
em consideração a escolha daquele que melhor atenda às necessidades da análise que precisa ser realizada
no material.
• 
• 
• 
urease
Enzima que transforma a ureia em amônia e bicarbonato – elevando o pH do meio e favorecendo a
proliferação bacteriana.
Principais conservantes
Neste vídeo, serão apresentadas as principais normas de armazenamento e transporte da amostra de urina e
os principais conservantes utilizados, bem como suas vantagens e desvantagens. Vamos lá?
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Tipos de coleta de urina
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Tipos especiais de coleta de urina
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Preparação do paciente para a coleta de amostra
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Aprendemos que existem diferentes formas de coleta da urina para o exame laboratorial. A vantagem em dar
preferência à primeira urina da manhã comparada a uma amostra de urina aleatória é:
A
Estar menos contaminada.
B
Ser mais concentrada.
C
Ser menos concentrada.
D
Ter um volume maior.
E
Possuir mais células epiteliais.
A alternativa B está correta.
Por ser concentrada, a primeira urina da manhã é a melhor alternativa para detecção de componentes
químicos e análise de elementos anormais e sedimentos, que podem não estar presentes em uma amostra
aleatória diluída.
Questão 2
Se um paciente não descartar a primeira amostra de urina quando estiver fazendo a coleta de urina de 24
horas, o que deve acontecer?
A
A amostra deve ser recoletada porque os resultados estarão falsamente elevados.
B
A amostra não precisa ser recoletada e os resultados não serão afetados.
C
A amostra deve ser recoletada apesar dos resultados não serem afetados.
D
A amostra deve ser recoletada porque os resultados estarão falsamente diminuídos.
E
A amostra não precisa ser recoletada e os resultados estarão falsamente diminuídos.
A alternativa A está correta.
No momento da coleta, se o paciente não descartar a urina do primeiro horário, essa deverá ser
considerada como coleta inadequada, sendo necessária uma nova coleta. Isso porque, muito
provavelmente, os resultados podem se apresentar falsamente elevados, devido ao aumento de volume da
urina.
3. Exame de urina
Introdução ao exame de urina
Principais tipos de exames de urina e seus componentes
A rotina de uroanálise pode ser dividida essencialmente em três grandes blocos: 
Análise física e macroscópica Análise química
Análise microscópica
As análises física, química e microscópica constituem os testes de rotina de uroanálise mais solicitados para
investigar o estado fisiológico de um paciente. O exame que engloba a avaliação desses parâmetros é
comumente conhecido como exame de urina tipo I ou exame de elementos anormais e sedimentos (EAS).
Vamos a partir de agora abordar mais detalhadamente cada um deles.
Análise física e macroscópica
O exame físico é constituído basicamente pela observação de características que são determinadas a olho nu
– cor e aspecto da urina, bem como por determinações físicas – densidade. A reunião dessas informações
fornece evidências preliminares de distúrbios, tais como: sangramento glomerular, doença hepática, erros de
metabolismo, infecção do trato urinário e alterações na função tubular renal. Além disso, os resultados da
análise física e macroscópica da urina auxiliam na confirmação ou explicação de achados observados na
análise química e microscópica do sedimento urinário.
Cor
A cor da urina, em condições normais, pode apresentar variados tons de amarelo, dependendo da quantidade
de água ingerida pelo indivíduo e da prática de exercícios físicos. O urocromo é o pigmento presente na urina
responsável pela sua coloração. 
Variações de coloração na urina de acordo com o estado de hidratação do indivíduo.
Algumas situações que envolvam alterações na alimentação, nas funções metabólicas, presença de
metabólitos de drogas e até mesmo condições patológicas, podem provocar alterações na cor da urina, que
pode variar de incolor a preta.
Geralmente, o paciente procura o atendimento médico devido à alteração na coloração da urina. A partir
desse momento, cabe ao laboratório determinar se essa mudança é normal ou patológica.
 
Cor Causa Provável
De citrina a âmbar Urocromo - urina normal
Alaranjada Urina concentrada
Amarelo-intensa Cenoura, beterraba, Riboflavina-nitrofurantoína (medicamento)
Laranja-brilhante Pyridium (medicamento)
Esverdeada Bilirrubina-biliverdina, acriflavina (antisséptico tópico)
nitrofuronas (antibiótico)
Vinho ou castanho-
avermelhada Hemoglobina ou uroporfirinas, mioglobina, beterraba
De castanha a negra Melanina, ácido homogentísico, metildopa, envenenamento
pelo fenol, melanoma, porfirina
Quase incolor Urina muito diluída
Vermelha Fenolftaleína (urina alcalina), sangue, rifocina (antibiótico)
Verde ou azul Azul de metileno, infecção por Pseudomonas sp.
Fluorescência amarelo-
esverdeada Flavonas de algumas preparações vitamínicas (complexo B)
Leitosa Quilúria (presença de linfa na urina)
Leitosa opalescente Lipidúria, piúria
Castanho-escura Altas doses de Levodopa (medicamento utilizado no
tratamento de Parkinson)
Tabela: Cor que a urina pode assumir em diferentes condições. 
OLIVEIRA, 2013, pg. 4-2.
Aspecto
Em geral, a urina recém-emitida é límpida ou discretamente opalescente. Se for deixada em repouso por
algum tempo, pode haver formação de pequeno depósito, que são as substâncias que frequentemente
alteram o aspecto da urina – leucócitos, células epiteliais, filamentos de muco, hemácias, bactérias, leveduras,
cristais – especialmente em urinas de pacientes do sexo feminino.
Talco, cremes vaginais e contrastes radiográficos também funcionam como contaminantes e interferem no
aspecto da urina.
Aspecto límpido de uma urina normal.
Odor
Apesar de raramente ter significância clínica e não fazer parte do exame de rotinade urina, o odor é uma
propriedade física perceptível. A urina recém-emitida tem um leve odor aromático sui generis, atribuído a
ácidos orgânicos voláteis contidos nela. Com o passar do tempo, o odor de amônia passa a predominar em
função da degradação da ureia. As principais causas de odores incomuns incluem: presença de bactérias,
defeitos metabólicos, ingestão de certos alimentos (cebola, alho, aspargos). Sugere-se que seu relato seja
feito apenas em situações de doenças metabólicas genéticas, que causam odores característicos. O odor
também pode ser modificado pelo uso de determinados medicamentos.
 
Odor Causa Provável
Aromático Normal
Mal odor,
semelhante à
amônia 
Decomposição bacteriana, infecção do trato urinário
Frutado, doce Cetonas (diabetes mellitus , fome, vômitos)
Xarope de Bordo 
Doença de urina do Xarope de Bordo – distúrbio metabólico
identificado pelo acúmulo nos líquidos corporais dos aminoácidos
valina, isoleucina e leucina
Rato ou mofo Fenilcetonúria
Repolho cozido Tirosinemia – distúrbio causado pela falta da enzima necessária para
metabolizar o aminoácido tirosina
Pés suados Acidemia isovalérica – distúrbio causado pela deficiência de uma
enzima que afeta o metabolismo da leucina
Aipo seco ou Casa
abandonada Má absorção de metionina
Água Sanitária Contaminação
Tabela: Possíveis causas de odor na urina. 
STRASINGER; DI LORENZO. 2014, página 67.
Densidade
A urina é basicamente uma solução aquosa onde se encontram dissolvidos ureia, creatinina, cloreto de sódio,
uratos e outras substâncias que definem a sua concentração. A determinação da densidade reflete o estado
de hidratação de um indivíduo e a capacidade renal de concentração de urina. Além disso, é útil para
determinar se a concentração da amostra é adequada para garantir a precisão dos testes químicos. 
Saiba mais
A densidade do filtrado de plasma que entra no glomérulo é de 1,010. Geralmente, os valores de
densidade em urinas randômicas variam entre 1,015 e 1,030. Quando uma urina apresenta densidade
abaixo de 1,010, é chamada de hipostenúrica. Amostras acima de 1,010 são hiperestenúricas. O termo
isostenúrico é usado para descrever urina com densidade de 1,010. Amostras com menos de 1,002 de
densidade provavelmente não são urina. 
Os métodos que podem ser utilizados para a medição da densidade são o refratômetro – que reflete a
concentração de todas as partículas dissolvidas na amostra; a tira de reagente químicos – que mede a
densidade a partir da determinação da concentração iônica da urina; e a osmolaridade – que mede as
propriedades coligativas dos solutos dissolvidos no solvente, comparando esse valor com aquele obtido no
solvente puro. As propriedades coligativas são aquelas que dependem do número de partículas dispersas na
solução, independentemente da natureza do soluto. 
Saiba mais
Alguns fármacos podem alterar a densidade da urina, por exemplo, os diuréticos aumentam o volume
urinário por intensificar a excreção de água pelos rins, aumentando a função renal e, como
consequência, diminuindo a densidade da urina e sua coloração. 
Análise Química: exame qualitativo e pH
Exame qualitativo
O exame químico qualitativo da urina é feito com tiras reagentes, que consistem em almofadas absorventes
presas a uma tira, impregnadas com produtos químicos que sofrem uma reação química capaz de alterar a cor
das almofadas absorventes quando entram em contato com a urina.
As reações são interpretadas comparando as cores reveladas no exame com uma tabela fornecida pelo
fabricante e podem oferecer informações sobre a função hepática, função renal, metabolismo de carboidratos,
infecções do trato urinário e equilíbrio acidobásico. Essas informações podem sinalizar a necessidade de
exames complementares para uma avaliação mais precisa do paciente. Dessa maneira, a tira reagente é um
meio simples e rápido para avaliar parâmetros químicos clinicamente relevantes.
Tira reagente de análise química de urina.
pH
O pH de uma solução é o resultado da quantificação de seus íons de hidrogênio. Trabalhando em conjunto
com os pulmões, os rins são os principais reguladores do equilíbrio acidobásico do organismo. Para manter o
pH do sangue em torno de 7,4 (7,35 - 7,45), os rins atuam, em sua grande parte, pela secreção de hidrogênio
na forma de ácidos orgânicos fracos, íons amônio e íons fosfato de hidrogênio e pela reabsorção de
bicarbonato do ultrafiltrado nos túbulos renais.
O pH da urina de indivíduos saudáveis é ligeiramente ácido, com variações entre 5,0 e 6,0, podendo variar fora
dessa faixa dependendo de fatores como dieta, horário de coleta ou presença de alguma patologia. A urina
recém-emitida apresenta pH alcalino após refeições, ingestão de medicamentos alcalinos, ingestão de
determinadas frutas (laranja, limão, pêssego), vômitos repetidos, em quadros específicos de anemia, na cistite
crônica, na alcalose respiratória e na metabólica. Já na acidose respiratória e metabólica, como o próprio
nome já diz, o pH é ácido graças à eliminação de íons hidrogênio na forma de NH4
+ pela urina.
Escala de pH.
Saiba mais
Acidose e alcalose são situações anormais de desequilíbrio por excesso de ácidos ou bases. Esse
quadro pode ter origem metabólica ou respiratória. 
Análise química: proteína
Proteína
Em condições normais, a estrutura da membrana glomerular impede a passagem da maioria das proteínas
para a urina. Aquelas que eventualmente passam pelo glomérulo são reabsorvidas pelos túbulos renais e não
se encontram normalmente presentes na urina. Seguindo essa linha de raciocínio, a presença de proteína na
urina é um dos principais indicadores de doença renal.
Uma amostra de urina normalmente contém pouquíssima proteína: cerca de 10mg/dL ou 100mg por 24 horas e
consiste basicamente em proteínas séricas de baixo peso molecular, filtradas pelo glomérulo (principalmente a
albumina), proteínas produzidas no aparelho geniturinário (proteína Tamm-Horsfall – produzida pelas células
epiteliais tubulares) e proteínas produzidas em secreções da próstata, vesícula seminal e vagina.
Proteinúria é como chamamos a presença de quantidades elevadas de proteína na urina. Essa condição pode
acontecer como resultado de:
Escape de proteínas plasmáticas normais, por defeitos da membrana glomerular;
Menor reabsorção tubular renal;
Concentração anormalmente alta de proteínas normais do plasma;
Presença de proteínas anormais no plasma;
Perdas normais de proteínas pelas células tubulares ou drenagem anormal de linfa no rim ou trato
urinário (quilúria).
A proteinúria pode ser classificada como funcional ou orgânica e nem sempre significa uma condição
patológica. Consideram-se como proteinúria valores superiores a 30mg/dL. Dentre as causas de proteinúria
funcional, podemos citar aquelas por esforço muscular exagerado, as decorrentes do frio e a ortostática. Já a
proteinúria orgânica pode ser dividida em três categorias:
Pré-renal
Proteína de Bence Jones.
Renal
Microalbuminúria.
Pós-renal
Proteínas oriundas do fluido intersticial em
infecções.
Proteinúria pré-renal – proteína de Bence Jones
A proteína de Bence Jones representa o resultado do acúmulo sérico de imunoglobulina clonal, culminando
com sua excreção na urina de pacientes com mieloma múltiplo, que é uma doença clonal caracterizada por um
distúrbio na proliferação dos plasmócitos – células produtoras de imunoglobulina.
1. 
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3. 
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5. 
Representação ilustrativa de uma medula óssea normal e de um paciente com
mieloma múltiplo.
Com a disseminação da doença, o soro dos pacientes começa a apresentar altos níveis de proteínas
monoclonais de cadeias leves de imunoglobulinas, conhecidas como proteínas de Bence Jones. Por ter um
baixo peso molecular, são filtradas em quantidades superiores à capacidade de reabsorção renal e acabam
por ser excretadas na urina. O teste de triagem para a proteína Bence Jones não é feito de rotina e sua
indicação normalmente é específica para pacientes que cumprem critérios clínicos para a investigação da
doença. Sua investigaçãodeve ser realizada em casos suspeitos, utilizando-se como metodologia a
eletroforese sérica e a imunoeletroforese.
Proteinúria renal – Microalbuminúria
A microalbuminúria em uma urina de 24 horas corresponde à presença de quantidades de albumina levemente
elevadas na urina, condição que normalmente é uma indicação precoce de insuficiência renal. É muito comum
a identificação do início de complicações renais em pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2, a partir da
detecção da microalbuminúria. Na maior parte das pessoas saudáveis, a glicose filtrada pelos rins é
completamente reabsorvida para o sangue. O organismo só elimina glicose pela urina quando seus níveis no
sangue estão muito elevados, condição que pode causar desenvolvimento da nefropatia diabética, que
culmina com a redução da filtração glomerular, podendo levar inclusive à insuficiência renal. Com a diminuição
da filtração por lesão ou doença renal, a albumina passa a ser excretada na urina. Em pacientes diabéticos, a
microalbuminúria está associada a um aumento de 4 a 6 vezes do risco de doenças cardiovasculares. Ela
também é mais prevalente em pacientes com hipertensão arterial.
Proteinúria pós-renal – Proteínas oriundas do fluido intersticial em
infecções
Proteínas podem ser incorporadas em uma amostra de urina na medida em que passam pelas estruturas do
trato urinário inferior. Inflamações e infecções – bacterianas e fúngicas – produzem exsudatos contendo
proteínas oriundas do fluido intersticial. No caso particular das mulheres, a contaminação da amostra de urina
com fluxo menstrual contribui muito para o aumento de proteínas no material. Em se tratando dos homens, a
contaminação da urina com grandes quantidades de espermatozoides e líquido prostático altera de forma
considerável os valores de proteína do material.
Análise química: glicose, corpos cetônicos e sangue
Glicose
A presença de glicose na urina é chamada de glicosúria. Essa condição ocorre quando a quantidade de
glicose no sangue supera a capacidade renal de reabsorção e denuncia uma condição patológica.
A glicosúria pode se apresentar sob duas formas:
Associada à hiperglicemia
Ocorre em pacientes com diabetes mellitus e
outras condições patológicas.
Não associada à hiperglicemia
Vista em pacientes com lesões ou disfunções
tubulares ou em situações em que existe
diminuição do limiar de absorção da glicose
(gestantes, crianças e idosos).
Na tabela a seguir, conseguimos ver um resumo das condições patológicas que levam à presença de glicose
na urina.
 
Associada à hiperglicemia Não associadas à hiperglicemia
Diabetes mellitus Síndrome de Fanconi
Pancreatite Doença renal avançada
Câncer de Pâncreas Osteomalácia
Acromegalia Gravidez
Síndrome de Cushing 
Hipertireoidismo 
Lesão no Sistema Nervoso Central 
Stress 
Diabetes gestacional 
Tabela: Significado clínico da glicose na urina. 
STRASINGER; DI LORENZO, 2014 pg 80.
A pesquisa de glicose com o uso de tira reagente se baseia na reação específica catalisada pela glicose-
oxidase e pela peroxidase. O resultado é expresso como negativo, traços, positivo +, positivo ++, positivo +++
e positivo ++++. Vale a pena lembrar que, nos casos das tiras reagentes, a triagem é específica para a
presença de glicose, não sendo possível identificar outros açúcares. Resultados falso-positivos podem ocorrer
na presença de níveis elevados de cetonas e de ácido ascórbico.
Corpos cetônicos
Sempre que acontece um defeito na absorção ou no metabolismo de carboidratos ou quando até mesmo uma
quantidade insuficiente de carboidratos está presente na dieta, nosso organismo compensa metabolizando
grandes quantidades de ácidos graxos, que são moléculas derivadas do metabolismo das gorduras. 
Fontes de energia do organismo.
Quando a disponibilidade de carboidrato (fonte de glicose)
na dieta fica bastante comprometida, os corpos cetônicos
(produtos intermediários do metabolismo incompleto da
gordura: acetona, ácido acético e β-hidroxibutirato)
começam a aparecer no sangue como tentativa de fornecer
energia para o corpo e, consequentemente, são excretados
na urina.
Amostras de indivíduos saudáveis não apresentam, em
condições normais, corpos cetônicos na urina.
A presença de corpos cetônicos na urina é denominada de 
cetonúria. As possíveis razões clínicas que indicam o
aumento do metabolismo da gordura podem ser:
Incapacidade de metabolizar carboidratos ou deficiência de glicogênio – como ocorre em pacientes
com diabetes mellitus, jejum prolongado etc.
Aumento da perda de carboidratos – vômitos.
Ingestão inadequada de carboidratos, associada à fome e má absorção ou por excesso de gordura na
dieta.
A detecção de corpos cetônicos pela tira reagente se dá pela reação do nitroprussiato de sódio com o ácido
acético. Resultados positivos em pacientes diabéticos são de suma importância, uma vez que sua presença
revela quadro de acidose metabólica. Esse desequilíbrio aponta um desajuste no tratamento que precisa ser
corrigido, uma vez que a cetoacidose não tratada pode levar o paciente à morte.
Sangue (Hemoglobina)
Em situações patológicas, o sangue pode ser identificado na urina tanto como hemácias íntegras (hematúria)
quanto como hemoglobina livre, proveniente de hemólise no trato urinário (hemoglobinúria). Qualquer
quantidade de sangue superior a 5 células por microlitro de urina já é considerada clinicamente relevante.
Dessa maneira, o exame macroscópico da urina não é uma alternativa sensível o bastante.
Além disso, a avaliação microscópica da análise do sedimento urinário pode mostrar as hemácias intactas no
material, mas falha quanto à avaliação da presença de hemoglobina livre, derivada de distúrbios hemolíticos
ou da lise de hemácias. Assim, a avaliação da presença de hemoglobina por tira reagente se mostra como a
metodologia mais precisa para determinar a presença de sangue na urina. Uma vez detectado, a avaliação
morfológica pode auxiliar na distinção entre hematúria e hemoglobinúria.
O teste se baseia na atividade da peroxidase da porção heme da hemoglobina, que decompõe o
peróxido de hidrogênio. O oxigênio liberado oxida a ortoluidina (dimetilbenzidina) presente na tira,
produzindo a cor azul-esverdeada, proporcional à quantidade de hemoglobina ou mioglobina
presente na amostra.
Na tabela a seguir, vemos um resumo do significado clínico da presença de sangue na urina. 
 
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Hematúria Hemoglobinúria Mioglobinúria *
Cálculo Renal Reação transfusional Trauma muscular
Glomerulonefrite Anemia hemolítica Coma prolongado
Pielonefrite Queimaduras graves Convulsões
Tumores Infecções/malária Doenças de desgaste
muscular
Trauma Exercício extenuante/
trauma hemácias Alcoolismo/overdose
Exposição a
produtos tóxicos
Mordida de Aranha
Marrom Drogas
Anticoagulante Esforço exaustivo
Exercício
extenuante 
Uso de estatina
(medicamento para controle
dos níveis de colesterol)
* Liberação de mioglobina pela urina.
Tabela: Significado clínico da presença de sangue na urina. 
STRASINGER; DI LORENZO, 2014 pg 84.
Demais análises qualitativas
Bilirrubina
Ao longo de sua meia vida, as hemácias vão perdendo elasticidade e deixam de conseguir passar por vasos
de menor calibre no baço, onde acabam por serem fagocitadas por macrófagos. No interior dos macrófagos, a
hemoglobina é catabolizada, liberando o ferro do grupamento heme e a globina, formando-se a bilirrubina, que
após ser liberada pelo macrófago passa a circular no plasma.
Encontramos no sangue dois tipos principais de bilirrubina:
Conjugada
É ligada ao ácido glicurônico nos hepatócitos do
fígado, solúvel em água e que, após algumas
reações, se transforma em estercobilina.
Não conjugada
É insolúvel em água, transportada no sangue
ligada à albumina, não sendo, portanto, filtrada
através dos glomérulos.
Metabolismo da hemoglobina e formação de bilirrubina.
Em condições normais, não se observa bilirrubina na urina. Sua presença é denominada bilirrubinúria e ocorre
às custas da bilirrubina conjugada, quando seu ciclo de degradação normal é interrompidopor doenças
hepáticas – cirrose, hepatite, obstrução do ducto biliar etc. A detecção de bilirrubina se baseia em seu
acoplamento, em meio ácido, com o sal diazônio, produzindo uma reação de cor que varia entre rosado e
vermelho, a depender da quantidade de bilirrubina presente no material. 
Urobilinogênio
O urobilinogênio é formado no intestino pela ação redutora de bactérias sobre a bilirrubina. É reabsorvido na
circulação porta e novamente excretado pelo fígado, sendo possível encontrar pequenos traços na urina.
Níveis elevados de urobilinogênio na urina estão relacionados com o aumento de produção de bilirrubina, que
pode ocorrer por: aumento da destruição de células vermelhas, redução da sua absorção em lesões hepáticas
e em casos de febre e desidratação.
A pesquisa de urobilinogênio por tiras reagentes tem como base sua reação com o sal diazônio
dimetoxibenzeno, em meio ácido, com formação de pigmento de cor variando entre rosa e vermelho, a
depender da quantidade do analito presente na amostra. Além disso, pode ser realizada via reagente de
Ehrlich (p-dimetilaminobenzaldeído), na qual o urobilinogênio reage com o reagente para formar uma
coloração variando de rosa-claro a rosa-escuro.
Nitrito
Muitas bactérias que infectam o trato urinário são capazes de reduzir nitrato (presente na urina) em nitrito.
Sua avaliação é valiosa, especialmente para detecção precoce de cistite, diminuindo as chances de o paciente
evoluir para quadros mais graves de infecção e inflamação. O teste de nitrito também pode ser usado para: 
Avaliar a resposta à antibioticoterapia.
Triagem periódica de pessoas com infecções recorrentes.
Pacientes portadores de diabetes.
Gestantes.
O teste se baseia em uma reação na qual o nitrito, em meio ácido, reage com uma amina aromática (ácido p-
arsalínico ou sulfalinamida) para formar um composto de diazônio que, em sequência, reage com compostos
de tetrahidrobenzoquilinona, culminando com a mudança de coloração da reação, para tons de rosa.
Dica
Embora diferentes tons de rosa sejam produzidos no teste de nitrito, qualquer tom de rosa é
considerado como representante de quantidade clinicamente relevante de bactérias, sendo abordado
como um exame qualitativo. 
Leucócitos
A presença de leucócitos na urina é um importante marcador de infecção do trato urinário. Sua investigação é
feita a partir da pesquisa de esterase leucocitária, enzima presente na granulação dos granulócitos.
A reação consiste na ação da esterase, que catalisa a hidrólise de um ácido esterificado, presente na tira
reagente, para produzir um composto aromático e um ácido. O composto aromático, por sua vez, se combina
com um sal de diazônio presente na fita reagente. Essa reação é responsável pela produção de coloração
violeta, de intensidade variando conforme a quantidade de enzima presente na amostra.
Análise química da urina: dosagens quantitativas
Exame químico quantitativo
Conforme aprendemos, quando é importante medir a quantidade exata de um componente químico na urina,
ao invés de apenas relatar sua presença ou ausência, faz-se necessária a coleta da urina de 24 horas.
Nesse material, é possível dosar hormônios e alguns elementos fisiológicos, patológicos e metabólicos.
Ureia
É subproduto do metabolismo das proteínas provenientes da alimentação. Ao circular pelo sangue, a ureia é
filtrada pelos rins e eliminada pela urina em uma taxa que varia entre 10 e 20 gramas em 24 horas. Sua
excreção apresenta-se aumentada em dietas hiperproteicas, em estados febris pelo aumento do catabolismo
das proteínas, nas neoplasias e no hipertireoidismo, ao passo que sua eliminação pode estar reduzida em:
dietas pobres em proteínas, na insuficiência renal com isostenúria e na insuficiência renal grave. Sua dosagem
é baseada na reação com o diacetil, na presença de íons férricos, produzindo um composto de coloração
rósea-avermelhada.
Creatinina
A creatinina é o produto residual do metabolismo muscular, produzido a partir da creatina. Sua liberação na
circulação é feita a uma taxa relativamente constante e seus níveis permanecem estáveis no sangue. A
creatinina é filtrada livremente pelo glomérulo, não é reabsorvida nem metabolizada pelo rim. Sua excreção
não é influenciada pelo esforço físico, tampouco pela dieta. Portanto, sua dosagem se mostra de grande
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importância para a avaliação da taxa de filtração glomerular de um paciente. Sua diminuição é observada em
desordens associadas à atrofia muscular; e seu aumento, em estados febris. A dosagem sérica, feita de forma
isolada, apresenta limitações importantes. Desse modo, para monitorar a progressão de doença renal, o
clearance de creatinina é um teste amplamente utilizado.
Para calcular o clearance de creatina (capacidade dos rins de depurar solutos a partir do plasma) de um
paciente, precisamos obter as seguintes informações:
Volume urinário (mL/min)
Calculado dividindo-se o volume em mL da amostra pelo número de minutos usados na coleta do
material.
Concentração de creatinina urinária (mg/dL)
Determinada por teste químico. Valores normais: 1 a 1,5g em 24 horas.
Concentração de creatinina plasmática (mg/dL)
Determinado por teste químico.
De posse dessas informações, o clearance de creatinina é calculado pela fórmula: 
Ácido úrico
O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas, dos ácidos nucleicos e das nucleoproteínas
oriundas da dieta (origem exógena) ou do próprio metabolismo (origem endógena).
Estrutura molecular do ácido úrico.
A dosagem de ácido úrico na urina tem limitado valor clínico, uma vez que é muito difícil controlar a
quantidade de purinas da alimentação. Sua eliminação está aumentada nos seguintes casos: processos
consumptivos (condição de perda involuntária de peso maior que 10% no período de 6-12 meses), anemia
hemolítica, infiltrados inflamatórios, gota (acúmulo e depósito de cristais de ácido úrico nas articulações), em
estados febris agudos, durante a radioterapia, dentre outras circunstâncias.
Esquema mostrando o acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações e o pé de
um paciente com gota.
Sua dosagem baseia-se na sua oxidação em alantoína e peróxido de hidrogênio. Este último, na presença da
peroxidase, reage com outros compostos químicos que, no final, produzem uma reação cromogênica
avermelhada. A intensidade da cor é proporcional à quantidade de ácido úrico na amostra. 
Fósforo
A excreção de fósforo na urina se dá a uma taxa de cerca de g em 24 horas. Do total eliminado pelo
organismo, pouco menos da metade ocorre pelas fezes. Os níveis de fosfato encontram-se aumentados nas
seguintes situações: em dietas ricas em fósforo; na avitaminose D; em alguns casos de envenenamento por
metais pesados; na acidose, dentre outras condições. Sua excreção encontra-se diminuída na osteomalácia,
em dietas pobres em fósforo, dentre outros casos.
Sua dosagem baseia-se na reação com o molibdênio, em meio ácido, formando um complexo amarelo, que é
reduzido a azul-molibdênio, composto medido colorimetricamente.
Cloreto
Um adulto normal excreta entre 8 e 15g de cloreto em 24 horas e sua eliminação diária é equivalente à
quantidade ingerida. Estima-se que 1000g de cloreto sejam filtrados pelos glomérulos em 24 horas, dos quais
a maior parte é reabsorvida. A excreção de cloreto está aumentada: em dietas ricas em sal; em certas
nefropatias; e na necrose tubular aguda. Seus valores encontram-se diminuídos: nas perdas extrarrenais –
vômito, diarreia, sudorese –; em dietas com pouca oferta de sal; na síndrome de Cushing; em tratamentos
intensivos com corticoides; dentre outras situações.
O princípio de sua dosagem se baseia na reação dos íons cloreto com tiocianato de mercúrio. Dessa reação,
formam-se o cloreto mercúrico e íons tiocianato. Quando há uma combinação de íons tiocianato com íons
férrico, é formado um composto cromogênico amarelo, cuja intensidade depende diretamente da
concentração de cloreto na amostra.
Pesquisa de ácido vanilmandélico (VMA)
O ácido vanilmandélico é um metabólito das catecolaminasadrenalina e noradrenalina. Um adulto saudável
elimina quantidade inferiores a 7mg/24h de VMA. Sua excreção urinária está aumentada em situações em que
ocorrem elevada produção de catecolaminas, principalmente no feocromocitoma e em tumores não
hematopoiéticos – dentre eles o ganglioneuroma e neuroblastoma.
Sua dosagem é feita por uma técnica conhecida como CLAE – Cromatografia líquida de alta eficiência, que
consiste em um método de separação de componentes químicos em solução para identificar e quantificar
componentes de uma mistura.
Outros testes e dosagens realizados a partir da urina
Neste vídeo, a especialista apresenta a outros testes e dosagens realizados a partir da urina.
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Sedimentoscopia, qualidade e automação
Exame microscópico
O objetivo do exame microscópico é detectar e identificar estruturas insolúveis presentes na urina. Sua análise
em conjunto com avaliação macroscópica e química da urina auxilia na detecção de doenças renais e do trato
urinário.
Tanto o sangue quanto os rins, o trato urinário inferior e contaminantes externos contribuem para a presença
desses elementos que podem ser celulares ou não celulares, os quais não são determinados pela análise
química.
A presença de parte desses componentes não possui significado clínico, outros são considerados anormais
quando presentes, enquanto uma parcela constitui normalmente a urina, a menos que se apresentem em
quantidades muito aumentadas.
Portanto, o exame do sedimento urinário (sedimentoscopia) inclui a identificação, a quantificação dos
elementos presentes e a confirmação de certos componentes. Os principais elementos encontrados no
sedimento urinário são: cristais, cilindros, células epiteliais, hemácias, piócitos, muco, bactérias,
espermatozoides, estruturas diversas (por contaminação) e Trichomonas vaginalis.
Controle de qualidade em uroanálise
O controle de qualidade refere-se a todo processo de garantia de qualidade no atendimento ao paciente,
incluindo políticas, processos, procedimentos e recursos que assegurem a qualidade dos testes.
Em um laboratório de rotina, isso inclui não apenas os controles de qualidade dos testes, mas também a
avaliação das variáveis pré-analíticas, analíticas e pós-analíticas.
O controle de qualidade é o monitoramento contínuo de todo o processo do exame, passando por
seu pedido, coleta, avaliação e interpretação dos resultados. 
Dentro do laboratório de uroanálise, assim como em qualquer laboratório, o controle de qualidade representa
uma integração de muitos fatores, onde as políticas e as ações documentadas são necessárias tanto para o
paciente quanto para o laboratório e o profissional de saúde.
Observe com atenção a seguir um fluxograma do controle de qualidade.
Fluxograma de controle de qualidade.
Dica
Ter por escrito ações corretivas que determinam as condutas a serem tomadas quando houver falha em
qualquer parte do sistema é fundamental para um programa de controle de qualidade. 
Automação em uroanálise
A principal variável nos testes de uroanálise é a subjetividade da experiência do profissional de laboratório nas
interpretações dos resultados. Para minimizar essas variações interlaboratoriais, a automação tem como
fundamento melhorar a reprodutibilidade e a discriminação colorimétrica, ao mesmo tempo em que aumenta a
produtividade e a padronização.
Hoje, a discriminação visual entre as cores foi substituída por leitores automatizados de tiras reagente que
fazem a leitura por espectrofotometria de reflexão da luz – a reflexão da luz diminui proporcionalmente à
intensidade de cor produzida pela substância.
Em se tratando da análise microscópica, são três as principais opções de metodologia automatizada para
análise dos elementos figurados:
citometria de fluxo;
análise de imagens digitalizadas com autorreconhecimento das partículas;
microscopia automatizada com imagem digitalizada.
Vários são os instrumentos automatizados que processam a amostra, analisam as tiras reagentes e realizam a
análise do sedimento urinário, para que se produzam resultados com qualidade consistente e em menor
tempo. São fáceis de usar e incluem avisos visuais e sonoros durante a operação. 
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Imagem de um iRICELL3000 – sistema de uroanálise totalmente automatizado, que
combina análise química e microscópica.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Exame de urina: Análise física
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Análise química da urina: pH, proteína e glicose
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Análise química da urina: cetonas, sangue, urobinogênio, bilirrubina, nitrito e
esterase leucocitária
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Exame químico quantitativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Vimos que o exame de urina pode ser feito com análise física, química e microbiológica. Durante a análise
química, os testes de triagem para infecção urinária combinam o teste de esterase de leucócitos com o teste
de
A
pH
B
bilirrubina
C
proteína
D
nitrito
E
sangue
A alternativa D está correta.
Algumas bactérias que fazem infecção no trato urinário são capazes de reduzir nitrato em nitrito. Portanto,
esse é o teste de indicado em associação com a esterase leucocitária para detecção de infecção urinária.
Questão 2
Vimos que uma das análises físicas da urina é a sua coloração. A cor amarelada da urina normal é produzida
por qual substância?
A
Bilirrubina
B
Hemoglobina
C
Urobilinogênio
D
Urocromo
E
Uratos amorfos
A alternativa D está correta.
A coloração da urina pode variar entre tons de amarelo. O estado de hidratação do paciente promove uma
diluição maior ou menor do urocromo, que é o pigmento responsável pela sua coloração.
4. Conclusão
Considerações finais
Vimos, ao longo de nosso estudo, que a formação da urina envolve uma rede complexa de etapas de filtração,
reabsorção e secreção tubulares pelos néfrons. A partir desses processos, os rins participam da excreção e
manutenção do equilíbrio hídrico, eletrolítico e acidobásico, além de acumularem outras funções que são
importantes para a manutenção da homeostasia.
Aprendemos também que a coleta de urina é um processo pré-analítico muito importante para a obtenção de
um resultado laboratorial confiável, que reflete verdadeiramente as condições clínicas do paciente. Além
disso, com a uroanálise realizada tanto por métodos manuais quanto automatizados, podemos avaliar diversos
parâmetros químicos que, associados à presença de alterações morfológicas na análise do sedimento urinário,
auxiliam o diagnóstico de várias patologias renais e extrarrenais. Por fim, estudamos a importância do controle
de qualidade como garantia e monitoramento contínuo de políticas, processos e recursos que assegurem a
confiabilidade do atendimento ao paciente em todas as instâncias.
Agora você está pronto para continuar dando os próximos passos no conhecimento da uroanálise, uma área
apaixonante e que continua sendo até hoje uma disciplina imprescindível para diversas áreas das ciências
biológicas.
Podcast
Neste podcast, a especialista irá abordar as vantagens e desvantagens da automação dos exames de
urina.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para se aprofundar mais em automação na uroanálise, leia o artigo Sistemas Automatizados em Urinálise:
Aplicação na Rotina Laboratorial das Novas Tecnologias, de Julia Midori Endo Nakasato, Gislene Kussen e
Aline Borsato Hauser.
 
Para saber mais sobre infecção urinária na gestação, leia o artigo Infecção Urinária na Gravidez, de Geraldo
Duarte, Alessandra Cristina Marcolin, Silvana Maria Quintana e Ricardo Carvalho Cavalli.
 
Leia o livro Recomendações da sociedade brasileira de patologia clínica/medicina laboratorial

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