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Disciplina: Legislação Biomédica Docente: Isis Helena de Araujo Vergne Aluna: Kauane Oliveira Conceição História e legislação da biomedicina: resolução do questionário baseado no livro DNA de luta. 1. O principal marco legal que culminou na regulamentação definitiva da Biomedicina e na criação de seu conselho próprio foi a Lei nº 7.017, de 30 de agosto de 1982. Essa lei determinou o desmembramento do antigo conselho conjunto que a categoria dividia com os biólogos, nascendo oficialmente o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Outro marco fundamental citado é o Decreto nº 88.439, de 28 de junho de 1983, assinado pelo presidente João Baptista Figueiredo, que regulamentou especificamente o exercício da profissão de biomédico. 2. De acordo com a obra, a mobilização política foi marcada por um forte sentimento de incerteza e pela necessidade de estruturação da categoria. Criação de Associações: O autor relata que a década de 1970 foi preenchida por grandes mobilizações e estruturação da profissão. Diversas associações foram criadas, como a Associação do Biomédico de Ribeirão Preto (Abirp), a Associação Nacional dos Biomédicos (ANB), a Associação de Biomédicos de São Paulo, a Associação dos Biomédicos do Estado de Goiás e a Sociedade dos Biomédicos de Pernambuco (Sobipe). Financiamento e Logística: Como os estudantes e recém-formados eram simples universitários sem recursos, as próprias faculdades (como a Barão de Mauá e a faculdade de Mogi) atuavam como braço financeiro. Elas bancavam despesas de viagem, hospedagem e suporte operacional para que os pioneiros pudessem inaugurar o front de luta na Capital Federal. Trabalho de Formiguinha: Os pioneiros realizavam abordagens diretas a políticos, técnicos e assessores nos corredores de Brasília. O autor descreve que las lideranças precisavam fazer "todo um trabalho quase que educacional no esclarecimento", explicando pacientemente a autoridades e até mesmo a médicos o que era o campo da Biomedicina. 3. A expansão das faculdades funcionou como um motor de via dupla para a categoria: Interesse Mútuo: O livro ressalta que "os maiores interessados nessa expansão das Ciências Biomédicas eram as próprias faculdades, pois quanto mais forte e abrangente fosse a atuação profissional, mais interessante se tornaria o curso, o que significava mais alunos". Fortalecimento da Luta: Conforme novos cursos surgiam em estados como Rio de Janeiro, Pará, Goiás e Pernambuco, o movimento ganhou consistência e "virou uma questão nacional". Pessoas de fora do interior paulista integraram-se à causa, organizando caravanas de ônibus, bingos, rifas e pedágios nas ruas para custear a pressão política em Brasília. Risco de Extinção: Por outro lado, a demora crônica na regulamentação gerou um efeito colateral severo. Com medo de que os formados só pudessem dar aulas, algumas instituições diminuíram vagas ou fecharam as portas (como a UnB e a Unimep), o que gerou um "baixo astral" e quase fez a profissão morrer, forçando os pioneiros a acelerar a batalha. 4. No momento de consolidação e fixação das diretrizes da profissão, as primeiras habilitações e áreas de atuação que ganharam destaque e foram normatizadas no texto dos projetos e pareceres (como o Parecer nº 107/70 e o próprio PL 1660/75) incluíram: ● Análises clínicas / Análises clínico-laboratoriais; ● Docência / Magistério (Ensino Superior, Médio e de Ciências); ● Pesquisa científica; ● Bromatologia; ● Controle de medicamentos; ● Análises físico-químicas e microbiológicas de interesse para o saneamento do meio ambiente; ● Serviços de radiografia / Radiodiagnóstico; ● Hemoterapia / Banco de sangue; ● Bioquímica e fisiologia médica; ● Unidades de Anatomia Patológica. 5. Segundo a narrativa de Iúri Godinho, os biomédicos enfrentaram um verdadeiro cenário de "Davi contra 10 Golias": Oposição de Profissões Seculares: O principal desafio institucional foi a "poderosa oposição de profissões seculares, como a Medicina e a Farmácia". Os representantes dessas classes alegavam que a Biomedicina causaria uma "invasão de atribuições profissionais" e tentavam barrar os projetos nas comissões do Congresso. Burocracia e Jogo de Interesses: O projeto enfrentava longos períodos de estagnação nas gavetas das comissões (como a Comissão de Trabalho e Legislação Social) devido ao jogo de interesses dos deputados e à resistência burocrática. O Rigor do Regime Militar: Toda a articulação ocorreu em pleno regime de exceção (AI-5). Qualquer reunião com mais de três pessoas era vista com desconfiança pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), tornando manifestações e pressões civis um ato "impensável e temeroso" para a época. A "Lei do Mal" (Lei nº 6.686/79): O maior golpe político superado foi a aprovação desta lei restritiva, articulada por opositores e pelo deputado Nelson Marchezan. Ela impunha um "prazo de validade" para a profissão, determinando que apenas os formados ou ingressos até julho de 1983 Screen assistissem e pudessem assinar laudos. Relatórios da época chegaram a sugerir que o Ministério da Educação extinguisse o curso de Biomedicina de uma vez por todas. Esse freio político só foi definitivamente superado em 20 de novembro de 1985, quando os biomédicos venceram a disputa jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou a restrição inconstitucional.