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PARES CRANIANOS - NERVOS
I – Olfatório: olfato (sensitivo), não faz
conexão com o tronco encefálico, mas sim com
o telencéfalo, sua origem aparente é na lâmina
crivosa do osso etmóide, e termina no bulbo
olfatório.
Via Olfatória - É a única via sensorial que não
passa pelo tálamo.
Funções: percepção de odores, memória e
emoção (sistema límbico)
Clínica: anosmia em traumas, infecções ou
doenças neurodegenerativas.
Trajeto:
1. Receptores olfativos → nervos
olfatórios (I)
2. Lâmina cribriforme do etmoide
3. Bulbo olfatório → trato olfatório
4. Córtex olfativo (piriforme), amígdala,
hipocampo
pesquisa possíveis alterações:
A pesquisa do nervo olfatório (I par craniano)
foca exclusivamente na avaliação da capacidade
do paciente de identificar odores, sendo uma
etapa importante do exame neurológico e da
cabeça e pescoço.
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
O exame deve ser realizado seguindo os
seguintes passos:
O paciente deve permanecer com os olhos
fechados para evitar a identificação visual da
substância.
Cada narina deve ser examinada separadamente,
enquanto a outra é ocluída pelo examinador.
Utilizam-se substâncias com odores marcantes e
facilmente reconhecíveis, como café, canela,
fumo, orégano ou sabão em pó.
O examinador aproxima a substância da narina
aberta e solicita que o paciente a reconheça.
Possíveis Alterações (Nomenclatura)
As variações e distúrbios da olfação são
classificados da seguinte forma:
● Anosmia: Perda total da olfação.
● Hiposmia: Diminuição da capacidade
olfatória.
● Hiperosmia: Aumento anormal da
sensibilidade a odores.
● Parosmia: Perversão ou distorção da
olfação, na qual um estímulo ambiental gera
uma percepção errada.
● Cacosmia: Percepção constante de
odores desagradáveis ou fétidos sem causa
externa aparente.
● Fantosmia: Alucinação olfatória, ou
seja, a percepção de um odor sem que haja um
estímulo ambiental.
Etiologias e Relevância Clínica
As alterações podem ter origem em diferentes
níveis:
● Causas Condutivas: Ocorrem quando
o odor não alcança o epitélio olfatório, como nas
rinites , rinossinusites, desvios de septo e
tumores intranasais.
● Causas Neurossensoriais: Lesões no
próprio epitélio ou nos nervos olfatórios,
frequentemente causadas por infecções virais
(incluindo a COVID-19 ), traumatismos
cranioencefálicos (ruptura de fibras na lâmina
crivosa) ou hanseníase.
● Causas Centrais: Relacionadas a
doenças degenerativas ou tumores. A hiposmia
ou anosmia são consideradas sinais precoces de
Doença de Parkinson e Doença de Alzheimer .
No Parkinson, especificamente, os aromas de
cânfora e orégano costumam ser os primeiros a
serem perdidos.
● Outras causas: Podem incluir tumores
do lobo frontal, paralisia geral sifilítica,
esclerose múltipla e causas psíquicas.
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II – Óptico: visão (sensitivo), sua origem
aparente no crânio é no canal óptico, e no
encéfalo o quiasma óptico.
Via Óptica
Trajeto:
1. Retina → nervo óptico (II)
2. Quiasma óptico (fibras nasais cruzam)
3. Trato óptico
4. Corpo geniculado lateral (tálamo)
5. Radiações ópticas → córtex visual
primário (área 17 – lobo occipital) sulco
calcarino
*hemianopsia heterônima: lesão no quiasma
óptico que pode ser causada por tumor na
hipófise.
sua origem aparente no crânio é no canal
óptico, e no encéfalo o quiasma óptico.
pesquisa possíveis alterações:
avaliação da acuidade visual: É o meio de
avaliar a função da mácula. É feito em cada olho
separadamente, com diferentes escalas de letras
de tamanhos diferentes. O paciente deve ser
posicionado a 6 m das escalas graduadas e, com
um olho coberto, deve ler a menor linha possível
com o outro. A acuidade visual é expressa em
uma fração, por exemplo 20/30, onde 20 é a
distância na qual o paciente identifica as letras
na escala e 30 é a distância na qual o olho
normal as vê.
campos visuais: É um método de avaliação da
visão periférica. Quando houver suspeita de
alteração do campo visual, será solicitada
campimetria. De forma rápida, ao lado do leito
do paciente, o paciente e o médico ficarão
sentados frente a frente, com os olhos na mesma
altura e com uma separação de 55 cm. O
paciente é solicitado a cobrir o olho direito com
a mão direita, enquanto o médico cobre o olho
esquerdo com a mão esquerda. O dedo indicador
direito do examinador é colocado em locais
diferentes no campo visual. Cada vez que o
médico vê, também deve ser visto pelo paciente
reatividade pupilar: observar as características
da pupila. Para realizar esse teste, observa-se a
pupila em que se incide uma luz (contração) e
também a contração da outra pupila. As pupilas
podem estar mióticas ou midriáticas, reagir
normalmente, reagir pouco ou não reagir a luz
Reflexo Fotomotor Direto: Observa-se a
contração da pupila (miose) ao incidir luz
diretamente nela.
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Reflexo Fotomotor Indireto (Consensual):
Observa-se a contração da pupila contralateral
ao estímulo luminoso.
Reflexo de Acomodação-Convergência:
Observa-se miose e convergência dos olhos ao
focar em um objeto próximo.
Teste da Luz Alternante (Swinging
Flashlight): Utilizado para pesquisar a pupila
de Marcus Gunn , alternando o foco de luz
rapidamente entre os olhos
fundoscopia - exame do fundo de olho:
auxílio de um oftalmoscópio, em um ambiente
escuro. Busca-se o fundo vermelho então o
disco e os reflexos, que devem ser vistos
claramente, alterações podem indicar
complicações intracranianas
anatomicamente, a papila óptica (ou disco
óptico), que representa a cabeça do nervo
óptico, está localizada no lado nasal em relação
ao polo posterior do bulbo ocular.
Essa localização é um dado fundamental para a
orientação do examinador durante a fundoscopia
e para a compreensão da fisiologia visual:
● Ponto de Emergência: As fibras que
formam o nervo óptico convergem e
emergem do globo ocular pelo lado
nasal.
● Relação com a Mácula: A mácula
(área de visão central) situa-se no lado
temporal em relação à papila, a uma
distância de aproximadamente dois
diâmetros de disco óptico.
● Aspecto Clínico: No exame de fundo
de olho, observa-se que as bordas da
papila devem ser nítidas, embora a
borda nasal seja, rotineiramente, um
pouco mais borrada que a borda
temporal.
● Escotoma Fisiológico: A localização
da papila corresponde ao "ponto cego"
fisiológico, situado a 15° para fora (no
campo visual temporal) do ponto de
fixação central.
Fisiopatologia
Via Óptica: Os impulsos visuais captados pelos
cones e bastonetes da retina seguem pelo nervo
óptico até o quiasma óptico , onde as fibras das
retinas nasais se cruzam. A partir daí, seguem
pelo trato óptico até o corpo geniculado lateral
no tálamo, e depois pelas radiações ópticas até o
córtex visual no lobo occipital.
Arco Reflexo Pupilar: A luz estimula a retina e
o sinal viaja pelo nervo óptico até a área
pré-tectal no mesencéfalo. Esta área faz
sinapses bilaterais com os núcleos de
Edinger-Westphal , que enviam estímulos pelo
nervo oculomotor (III par) paracontrair o
músculo esfíncter da pupila. Como as conexões
são bilaterais, a estimulação de um olho causa
contração em ambos.
Defeitos de Campo: Lesões pré-quiasmáticas
causam cegueira total de um olho ( amaurose );
lesões no quiasma causam hemianopsia
bitemporal (perda da visão lateral); e lesões
pós-quiasmáticas causam hemianopsias
homônimas ou quadrantopsias.
Etiologias e Alterações Clínicas
As principais patologias e achados associados ao
II par incluem:
Neurite Óptica (Papilite): Inflamação do nervo
que causa dor ocular e perda visual precoce.
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Pode estar associada à Esclerose Múltipla ou
infecções virais. No fundo de olho, observa-se
borramento da papila.
Papiledema: Edema bilateral do disco óptico
decorrente de hipertensão intracraniana (ex:
tumores, hidrocefalia). Diferente da neurite, a
perda visual costuma ser tardia.
Pupila de Marcus Gunn (Defeito Pupilar
Aferente): Ocorre em lesões unilaterais do
nervo óptico. Ao incidir a luz no olho doente, a
resposta é fraca; ao alternar do olho são para o
doente, a pupila deste parece dilatar-se
paradoxalmente, pois o estímulo captado é
insuficiente para manter a miose.
Compressões: Tumores hipofisários (como
macroadenomas) frequentemente comprimem o
quiasma óptico, resultando em visão "em túnel"
(hemianopsia bitemporal).
Atrofia Óptica: Caracteriza-se pela palidez da
papila e pode resultar de compressões crônicas,
isquemia ou processos degenerativos.
Causas Sistêmicas e Tóxicas: O uso abusivo de
álcool e tabaco, ou medicamentos como
isoniazida e etambutol, podem causar neuropatia
óptica. Doenças como diabetes e hipertensão
também provocam alterações microvasculares
detectáveis na fundoscopia.
Hemianopsias e Quadrantopsias
Essas alterações são defeitos do campo visual
identificados durante a campimetria por
confrontação . Elas indicam interrupções em
diferentes pontos da via óptica, desde o quiasma
até o córtex occipital.
● Hemianopsia: É a perda de metade do
campo visual de cada olho.
○ Heterônima Bitemporal:
Perda dos campos temporais
(visão lateral) de ambos os
olhos. É causada por lesão
direta no quiasma óptico ,
frequentemente por
compressão de um
macroadenoma de hipófise . O
paciente pode descrever como
uma "visão em túnel".
○ Homônima: Perda do campo
nasal de um olho e temporal do
outro. Ocorre em lesões
pós-quiasmáticas (trato
óptico, radiação óptica ou
córtex occipital). Por exemplo,
uma lesão no trato óptico
esquerdo causa hemianopsia
homônima direita.
● Quadrantopsia (ou
Quadrantonopsia): É a perda de
apenas um quarto (um quadrante) do
campo visual de cada olho.
○ Decorre de lesões parciais nas
radiações ópticas .
○ Lesões no lobo temporal
costumam causar
quadrantopsias homônimas
superiores , enquanto lesões no
lobo parietal causam
quadrantopsias homônimas
inferiores
● III – Oculomotor: movimento ocular,
elevação da pálpebra e controle da pupila
(motor), é visível no crânio na fissura orbital
superior, e no encéfalo no sulco medial do
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pedúnculo cerebral (mesencéfalo)
pesquisa possíveis alterações:
O exame do III par é realizado em conjunto com
os nervos troclear (IV) e abducente (VI) e foca
em três pilares principais:
Mobilidade Extrínseca: Solicita-se que o
paciente acompanhe o movimento do dedo do
examinador com o olhar, mantendo a cabeça
imóvel. O dedo deve executar uma trajetória em
formato de "H" ou de um asterisco , retornando
sempre à linha média entre os movimentos.
Avalia-se a função dos músculos: reto medial,
reto superior, reto inferior e oblíquo inferior .
Avaliação da Pálpebra: Inspeciona-se a
simetria das fendas palpebrais em busca de
ptose (queda da pálpebra superior), já que o III
par inerva o músculo elevador da pálpebra
superior.
Mobilidade Intrínseca (Pupilas):
Pesquisam-se os reflexos que dependem da via
eferente do III par (fibras parassimpáticas):
Reflexo Fotomotor Direto e Indireto
(Consensual): Observa-se a contração pupilar
(miose) em resposta à luz.
Reflexo de Acomodação-Convergência:
Observa-se a miose e a convergência dos olhos
quando o paciente foca em um objeto que se
aproxima do rosto.
Fisiopatologia
A fisiopatologia do nervo oculomotor (III par
craniano) é dividida em dois componentes
principais: o eferente somático , responsável
pela motricidade de quase todos os músculos
extrínsecos do olho, e o eferente visceral
(parassimpático) , que controla as funções
intrínsecas da pupila e do cristalino.
Abaixo, detalho os músculos inervados e suas
respectivas funções:
1. Músculos Extrínsecos (Componente
Somático)
O III par inerva quatro dos seis músculos
extraoculares e o músculo que levanta a
pálpebra. Suas funções são essenciais para o
direcionamento do olhar:
Músculo Elevador da Pálpebra Superior: Sua
única função é a elevação da pálpebra
superior , permitindo a abertura ocular. Sua
paralisia resulta em ptose palpebral .
Músculo Reto Superior: Promove a elevação
(olhar para cima), auxiliando também na adução
e na intorção (rotação interna) do globo ocular.
Músculo Reto Inferior: Responsável pelo
abaixamento (olhar para baixo), além de
contribuir para a adução e a extorção (rotação
externa).
Músculo Reto Medial: Realiza a adução pura
do olho, ou seja, movimenta o globo ocular em
direção à linha média (nariz).
Músculo Oblíquo Inferior: Atua na elevação ,
abdução e extorção do olho.
2. Músculos Intrínsecos (Componente
Parassimpático)
As fibras viscerais originam-se no núcleo de
Edinger-Westphal e são responsáveis por
funções automáticas e reflexas:
Músculo Esfíncter da Pupila: Localizado na
íris, promove a miose (constrição pupilar) em
resposta à luz ou para ajuste do foco. A lesão
dessas fibras resulta em midríase (pupila
dilatada).
Músculo Ciliar: Atua na acomodação visual ,
alterando o formato do cristalino para permitir o
foco de objetos próximos.
Mecanismos Fisiopatológicos Importantes
A organização anatômica das fibras dentro do
nervo explica diferentes quadros clínicos:
Compressão Externa: As fibras
parassimpáticas (pupilares) situam-se na
periferia do nervo. Por isso, em casos de
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compressão externa, como por um aneurisma
da artéria comunicante posterior ou
herniação de úncus , a pupila é afetada
precocemente, apresentando midríase antes
mesmo de ocorrer a paralisia motora completa.
Lesão Isquêmica (Diabetes): Em casos de
neuropatia diabética, o dano costuma ocorrer
nos vasos internos do nervo ( vasa nervorum ),
afetando a parte motora central, mas
frequentemente poupando a pupila , cujas fibras
periféricas continuam recebendo irrigação por
difusão.
Oftalmoplegia Completa vs. Incompleta:
Quando a lesão atinge tanto a musculatura
extrínseca quanto a intrínseca (pupilar), é
chamada de oftalmoplegia completa ; se atingir
apenas uma delas, é classificada como
incompleta .
1. Oftalmoplegia Completa
Ocorre quando a lesão do III par craniano afeta
simultaneamente os dois componentes do nervo:
● Musculatura Extrínseca (Somática):
Responsável pela movimentação do
globo ocular para cima, baixoe para
dentro, além da elevação da pálpebra,.
● Musculatura Intrínseca
(Visceral/Parassimpática):
Responsável pela constrição da pupila
(miose) e acomodação do cristalino,.
Sinais Clínicos: O paciente apresenta ptose
palpebral (queda da pálpebra), midríase
(pupila dilatada e fixa), estrabismo divergente
(o olho "foge" para fora) e impossibilidade de
mover o olho para cima, para baixo ou
medialmente,.
2. Oftalmoplegia Incompleta
É caracterizada pelo comprometimento de
apenas um dos componentes do nervo,:
● Acometimento apenas da pupila: A
pupila apresenta midríase, mas os
movimentos oculares externos estão
preservados (comum em fases iniciais
de compressão).
● Acometimento apenas da
musculatura extrínseca (Pupila
Poupada): Há paralisia motora, mas a
pupila reage normalmente à luz,.
3. Importância da Diferenciação Clínica e
Causas
A organização anatômica do nervo oculomotor
explica por que certas doenças poupam ou
afetam a pupila:
● Fibras Parassimpáticas (Pupilares):
Localizam-se na periferia (parte mais
externa) do nervo,.
● Fibras Motoras: Localizam-se na parte
interna do nervo.
Cenários Clínicos Típicos:
● Lesões Compressivas (ex:
Aneurismas ou Herniação de Úncus):
Como a compressão vem de fora, as
fibras parassimpáticas periféricas são
atingidas primeiro, causando midríase
precoce antes da paralisia motora
total,,.
● Lesões Isquêmicas (ex: Diabetes
Mellitus): O dano ocorre nos vasos
internos do nervo ( vasa nervorum ).
Nesses casos, a lesão afeta a parte
motora central, mas a pupila costuma
ser poupada , resultando em uma
oftalmoplegia incompleta,.
● Miastenia Gravis: Pode causar ptose e
diplopia (oftalmoplegia externa),
mimetizando uma lesão do nervo, mas
tipicamente não afeta a pupila ,,.
4. Outras Formas de Oftalmoplegia
As fontes também citam condições específicas
de coordenação:
● Oftalmoplegia Internuclear:
Decorrente de lesão no fascículo
longitudinal medial (FLM) . O
paciente não consegue aduzir o olho
(olhar para dentro) durante o olhar
horizontal conjugado, mas a adução é
preservada durante a convergência ,
demonstrando que o nervo oculomotor
está íntegro,,,.
● Oftalmoplegia Externa Progressiva
Crônica: Uma miopatia mitocondrial
que causa blefaroptose bilateral e
paralisia ocular total progressiva,
geralmente sem diplopia por ser um
processo simétrico.
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Etiologias e Alterações Clínicas Associadas
A diferenciação clínica ajuda a localizar a causa
da lesão do III par:
Lesões Compressivas: Como as fibras
parassimpáticas (pupilares) situam-se na
periferia do nervo, compressões externas
costumam afetar a pupila precocemente.
Aneurismas: Especialmente da artéria
comunicante posterior .
Herniação de Úncus: Decorrente de
hipertensão intracraniana grave, comprimindo o
nervo contra o tentório.
Tumores: Gliomas, meningiomas ou metástases
no trajeto do nervo ou seio cavernoso.
Lesões Isquêmicas (Oftalmoplegia Diabética):
Em doenças como o diabetes mellitus e a
hipertensão, a lesão ocorre por infarto
microvascular interno ( vasa nervorum ). Nesses
casos, a pupila costuma ser poupada , ocorrendo
apenas a paralisia motora extrínseca.
Lesões de Tronco Encefálico: AVCs ou
tumores no mesencéfalo podem causar paralisias
fasciculares associadas a outros déficits.
Exemplo: Síndrome de Weber (paralisia do III
par ipsilateral e hemiplegia contralateral).
Causas Neuromusculares: A miastenia gravis
frequentemente causa ptose palpebral e diplopia
por fadiga muscular, mimetizando uma lesão do
nervo, mas sem afetar a pupila.
Outras causas: Traumatismos
cranioencefálicos, meningites (incluindo a
sifilítica), neuroinfecções (HIV) e apoplexia
hipofisária.
alterações pupilares
As alterações pupilares são sinais clínicos
valiosos que refletem o equilíbrio entre o
sistema nervoso simpático e parassimpático,
além da integridade dos nervos óptico (II) e
oculomotor (III). A pupila normal é circular, de
contorno regular e possui diâmetro entre 3 a 5
mm em ambientes iluminados.
1. Variações de Tamanho e Simetria
● Miose ( 5-7 mm): É a dilatação
pupilar. Ocorre pela estimulação do
sistema simpático ou paralisia do
parassimpático (lesão do III par).
Mecanismos patológicos incluem
traumatismos oculares, doenças
cerebrais graves, morte cerebral ou uso
de substâncias como atropina, cocaína,
anfetaminas e LSD.
● Anisocoria: Diferença de tamanho
entre as pupilas. Embora presente em
cerca de 25% da população normal sem
significado patológico, pode indicar
lesões unilaterais graves no nervo
oculomotor (via eferente) ou na via
simpática.
2. Pupilas Patológicas e Síndromes
Específicas
● Pupila de Marcus Gunn (Defeito
Pupilar Aferente): Decorre de uma
lesão unilateral do nervo óptico . No
teste da luz alternante, quando a
lanterna passa do olho são para o olho
doente, a pupila deste se dilata
paradoxalmente . Isso ocorre porque o
estímulo captado pelo nervo lesionado é
insuficiente para manter a miose gerada
anteriormente pelo olho saudável. O
mecanismo da pupila de Marcus
Gunn , tecnicamente chamado de
defeito pupilar aferente , decorre de
uma lesão unilateral ou
significativamente assimétrica no nervo
óptico (II par craniano) ,. Em
indivíduos saudáveis, a luz captada por
uma das retinas viaja pelo nervo óptico
até o mesencéfalo, estimulando
bilateralmente os núcleos de
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Edinger-Westphal, o que resulta na
contração pupilar (miose) simultânea de
ambos os olhos.
Quando há uma neuropatia óptica, a transmissão
do estímulo luminoso pela via aferente
está prejudicada no lado afetado,. Para
identificar essa alteração, o examinador
utiliza o teste da luz alternante
( swinging flashlight test ), movendo o
foco de luz rapidamente entre os olhos,.
O fenômeno ocorre da seguinte forma:
● Estímulo no olho saudável: Como a
via aferente está íntegra, ambas as
pupilas reagem com miose normal.
● Alternância para o olho doente: Ao
deslocar a lanterna rapidamente para o
olho com lesão no nervo óptico, a
pupila deste dilata-se paradoxalmente
em vez de se contrair,.
Essa dilatação paradoxal acontece porque o
cérebro percebe uma redução relativa
na intensidade da luz ao passar do
olho são para o lesado. Como o
estímulo captado pelo nervo óptico
doente é insuficiente para manter o grau
de miose gerado anteriormente pelo
estímulo do olho saudável, as pupilas
sofrem uma redilatação,.
Clinicamente, a pupila de Marcus Gunn é de
extrema importância por ser o único
sinal objetivo de doença do nervo
óptico detectável durante o exame
físico. Vale ressaltar que o reflexo
fotomotor indireto (consensual) do olho
doente permanece normal quando o
olho saudável é iluminado, pois a via
eferente(nervo oculomotor) e o nervo
óptico contralateral estão preservados.
● Pupila de Argyll-Robertson: Sinal
clássico da neurossífilis . As pupilas são
pequenas, irregulares e apresentam
dissociação luz-perto : não reagem à
luz (reflexo fotomotor ausente), mas
contraem-se normalmente na
acomodação e convergência. O
mecanismo envolve lesão nos neurônios
intermediários do mesencéfalo dorsal.
● Síndrome de Claude
Bernard-Horner: Causada pela
interrupção da via simpática cervical.
Caracteriza-se pela tríade de miose,
ptose palpebral discreta e
pseudoenoftalmia , frequentemente
acompanhada de anidrose (ausência de
suor) na face ipsilateral.
● Pupila de Adie (Pupila Tônica):
Geralmente unilateral, apresenta-se em
midríase e com ausência de resposta à
luz. O mecanismo clínico é uma
constrição muito lenta para objetos
próximos e uma redilatação igualmente
demorada. Frequentemente está
associada à diminuição de reflexos
tendinosos profundos.
● Síndrome de Parinaud: Observada em
lesões do mesencéfalo dorsal.
Apresenta midríase bilateral com perda
dos reflexos fotomotores, mas
preservação da reação à convergência
(outra forma de dissociação luz-perto).
3. Mecanismos de Reflexo e Localização de
Lesões
● Reflexo Fotomotor (Direto e
Consensual): A luz estimula a retina
(via aferente - II par), o impulso viaja
até a área pré-tectal no mesencéfalo e
estimula bilateralmente os núcleos de
Edinger-Westphal . Estes enviam fibras
pelo nervo oculomotor (via eferente -
III par) para contrair o músculo
esfíncter da pupila.
● Reflexo de
Acomodação-Convergência: Ao focar
um objeto próximo, ocorre uma
resposta sincrônica de miose,
convergência dos globos oculares e
aumento da curvatura do cristalino.
● Diferenciação Clínica no III Par:
Como as fibras parassimpáticas
(pupilares) situam-se na periferia do
nervo oculomotor, lesões compressivas
(como aneurismas ou herniação de
úncus) afetam a pupila precocemente,
causando midríase. Já lesões
isquêmicas, como na neuropatia
diabética , costumam poupar a pupila,
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pois o dano ocorre nos vasos internos
do nervo.
defeitos de acomodação e convergência
O reflexo de acomodação-convergência é uma
resposta fisiológica essencial para a visão de
objetos próximos, sendo avaliado no exame
neurológico para testar a integridade dos nervos
óptico (II), oculomotor (III) e troclear (IV) .
Abaixo, detalho os mecanismos, a técnica de
pesquisa e os defeitos associados a essa função,
conforme as fontes:
1. Fisiologia e Pesquisa Semiológica
● Mecanismo: Ao focar em um objeto
próximo, ocorrem três fenômenos
simultâneos: a convergência dos
globos oculares, a contração pupilar
(miose) e a acomodação do cristalino
(que se torna mais esférico para
aumentar seu poder refrativo).
● Técnica de Exame: Pede-se ao
paciente para fixar o olhar em um ponto
distante (como uma parede). Em
seguida, o examinador aproxima um
objeto (dedo ou caneta) em direção ao
rosto do paciente, solicitando que ele
acompanhe a aproximação. Observa-se
a convergência simétrica dos olhos e a
redução do diâmetro das pupilas.
2. Principais Alterações e Defeitos
Dissociação Luz-Perto
Ocorre quando a pupila não reage à luz (reflexo
fotomotor), mas mantém a reação de
acomodação-convergência.
● Pupila de Argyll-Robertson: É o sinal
clássico da neurossífilis . Caracteriza-se
por pupilas pequenas (miose),
irregulares, que não respondem à luz,
mas que se contraem normalmente na
acomodação e convergência.
● Síndrome de Parinaud: Decorrente de
lesões no mesencéfalo dorsal .
Apresenta midríase bilateral com perda
dos reflexos fotomotores, mas com
preservação da resposta à
acomodação-convergência.
Presbiopia (Vista Cansada)
● É a perda gradual da capacidade de
acomodação devido à perda de
elasticidade da cápsula do cristalino ,
que não consegue mais alterar sua
curvatura.
● Surge geralmente por volta dos 40
anos . O paciente tende a afastar objetos
para conseguir ler.
Lesão do Fascículo Longitudinal Medial
(FLM)
● Na oftalmoplegia internuclear , o
paciente tem paralisia ou lentidão do
músculo reto medial durante o olhar
horizontal conjugado.
● Entretanto, como o nervo oculomotor
(III) está íntegro, a convergência é
preservada , permitindo que o reto
medial seja ativado através deste
reflexo, o que ajuda na localização da
lesão na ponte.
Outras Causas de Defeito
● Senescência: Em idosos saudáveis, o
tempo necessário para a acomodação e
o relaxamento pupilar pode ser um
pouco maior, embora a reação à luz
costume ser preservada.
● Avitaminose A (Xeroftalmia): Pode
causar dificuldade de acomodação em
ambientes pouco iluminados, além de
sequidão ocular.
● Disfunções do Nervo Oculomotor:
Lesões tronculares do III par podem
causar perda tanto da convergência
quanto da miose reflexa (oftalmoplegia
completa)
● IV – Troclear: músculo oblíquo
superior (motor), é visível no crânio na fissura
orbital superior, e no encéfalo no véu medular
superior (mesencéfalo)
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pesquisa possíveis alterações:
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
A avaliação do IV par é realizada durante o teste
da mobilidade extrínseca do globo ocular ,
geralmente em conjunto com os nervos III
(oculomotor) e VI (abducente).
Procedimento: O examinador solicita que o
paciente mantenha a cabeça imóvel e
acompanhe com o olhar o movimento de seu
dedo indicador.
Trajetória: O dedo deve executar uma trajetória
em formato de um grande "H" ou de um
asterisco , retornando sempre à linha média
antes de cada novo movimento.
Foco Específico: O nervo troclear é testado
especificamente quando se solicita ao paciente
que realize a rotação interna do olho para
baixo (olhar medial para baixo).
Fisiopatologia
O nervo troclear possui características
anatômicas únicas que influenciam sua clínica:
Origem e Trajeto: Seu núcleo situa-se no
mesencéfalo , ao nível do colículo inferior. É o
único nervo craniano que emerge da região
dorsal do tronco encefálico e é o nervo com o
trajeto intracraniano mais longo.
Inervação: Ele inerva o músculo oblíquo
superior . Algumas fontes descrevem que ele
supre o músculo contralateral devido à
decussação de suas fibras antes da saída do
tronco encefálico.
Função Muscular: O músculo oblíquo superior
é responsável pela mirada para baixo e para
dentro (depressão e adução). Fisiologicamente,
suas ações principais são a intorção (rotação
interna), o abaixamento (depressão) e a abdução
do globo ocular.
Possíveis Alterações e Etiologias
A lesão do IV par craniano resulta em déficits
motores específicos e sinais compensatórios:
Diplopia Vertical: É a queixa principal, sendo a
percepção de visão dupla que piora ao olhar para
baixo.
Dificuldades Práticas: O paciente apresenta
limitação para realizar atividades que exigem o
olhar para baixo e para dentro, como descer
escadas ou ler livros .
Atitude Compensatória (Torcicolo Ocular):
Para evitar a diplopia, o paciente costuma adotar
uma inclinação da cabeça para o lado oposto
ao da lesão.
Estrabismo:Pode ser observado um desvio do
olho para cima (hipertropia) no lado afetado
quando o paciente tenta olhar para o lado
oposto.
Etiologias Comuns: As paralisias do nervo
troclear podem ser causadas por traumatismo
cranioencefálico (devido ao seu longo trajeto),
diabetes mellitus (isquemia microvascular),
tumores no tronco encefálico ou na cisterna do
líquido cerebrospinal e processos inflamatórios.
estrabismo
Estrabismo Divergente e Convergente
O estrabismo expressa o desalinhamento
ocular , podendo ser classificado pela direção do
desvio ou pela sua natureza (concomitante ou
paralítico).
● Estrabismo Divergente (Exotropia):
○ Ocorre quando o olho se desvia
para fora .
○ É um sinal clássico de lesão no
nervo oculomotor (III par) .
Como o III par inerva o
músculo reto medial (que puxa
o olho para dentro), sua
paralisia deixa a ação do
músculo reto lateral (VI par)
sem oposição, deslocando o
olho para fora.
11
○ Na diplopia resultante, a
imagem é projetada no lado
nasal.
● Estrabismo Convergente (Esotropia):
○ Ocorre quando o olho se desvia
para dentro (em direção ao
nariz).
○ É indicativo de lesão no nervo
abducente (VI par) . A
paralisia do músculo reto
lateral impede a abdução,
permitindo que o reto medial
(inervado pelo III par) puxe o
olho para a linha média.
○ Pode ocorrer na hipertensão
intracraniana devido à
compressão do VI par no
tentório, sendo considerado um
"falso sinal de localização".
● Diferenciação Clínica:
○ Estrabismo Paralítico: Tem
início rápido, apresenta
diplopia e limitação acentuada
dos movimentos oculares.
○ Estrabismo Concomitante:
Tem início lento, geralmente
não apresenta diplopia e o
ângulo de desvio é constante
em todas as direções do olhar.
● V – Trigêmeo: sensibilidade facial e
mastigação (misto), se divide em 3 ramos após o
gânglio trigeminal:
○ V1: OFTÁLMICO, visível no crânio
pela fissura orbital superior
○ V2: MAXILAR, visível no crânio pelo
forame redondo
○ VII: MANDIBULAR, visível no crânio
pelo forame oval
pesquisa possíveis alterações:
A pesquisa semiológica, a fisiopatologia e as
etiologias associadas ao nervo trigêmeo (V par
craniano) envolvem a avaliação de suas
complexas funções motoras e sensitivas. O
trigêmeo é um nervo misto que se origina na
ponte e se divide em três ramos principais:
oftálmico (V1) , maxilar (V2) e mandibular
(V3) .
1. Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
A avaliação do trigêmeo é dividida em três
frentes:
Exame Sensitivo:
Técnica: Com o paciente de olhos fechados ,
testa-se a sensibilidade tátil e dolorosa simétrica
e comparativamente nas áreas de inervação dos
três ramos.
Áreas: Fronte (V1), região malar (V2) e
mandíbula (V3). A sensibilidade termina
exatamente na linha média da face.
Mucosas e Língua: Deve-se avaliar também a
sensibilidade da mucosa jugal, das gengivas e a
sensibilidade geral dos 2/3 anteriores da
língua .
Exame Motor:
Músculos da Mastigação: Avalia-se a força e o
trofismo dos músculos temporal e masseter
pedindo ao paciente para morder com força
enquanto o médico palpa as massas musculares.
Lateralidade: Testa-se a função dos músculos
pterigóideos solicitando que o paciente realize
movimentos laterais com a mandíbula contra a
resistência da mão do examinador.
Pesquisa de Reflexos:
Reflexo Corneopalpebral: Utiliza-se um
chumaço de algodão para tocar levemente o
limbo da córnea. A resposta normal é o piscar
bilateral imediato. Este teste avalia a via
12
aferente pelo ramo oftálmico (V1) e a eferente
pelo nervo facial (VII).
2. Fisiopatologia
O trigêmeo possui quatro núcleos (um
mesencefálico, dois na ponte e um no bulbo)
que coordenam suas funções:
Via Sensitiva: Os estímulos captados na face
viajam pelos ramos periféricos até o gânglio
trigeminal (de Gasser) , de onde seguem para
os núcleos sensoriais no tronco encefálico.
Via Motora: O núcleo motor na ponte envia
fibras exclusivamente pelo ramo mandibular
(V3) para controlar os músculos masseter,
temporal, pterigóideos lateral e medial, além do
músculo tensor do tímpano.
Arco Reflexo: No reflexo corneopalpebral, a
estimulação da córnea (V1) ativa o núcleo
sensorial, que se comunica com o núcleo do
nervo facial, disparando a contração do músculo
orbicular das pálpebras.
Sensibilização: Em patologias como a neuralgia
do trigêmeo, pode ocorrer sensibilização
central , onde o limiar de dor é reduzido a ponto
de um simples toque na face disparar crises
excruciantes.
3. Etiologias e Alterações Clínicas Associadas
As lesões do V par podem se manifestar de
diversas formas:
Neuralgia do Trigêmeo: Dor paroxística
intensa, muitas vezes descrita como "choque",
que pode ser desencadeada por gatilhos como
lavar o rosto, barbear-se ou escovar os dentes.
Neuropatias: O diabetes mellitus e o
alcoolismo podem causar neuropatia trigeminal.
A hanseníase é uma causa importante de
alteração da sensibilidade facial no Brasil.
Processos Infecciosos: O Herpes-zóster pode
acometer o ramo oftálmico (V1), causando dor
intensa e vesículas cutâneas.
Disfunções Temporomandibulares (DTM):
Alterações na articulação e nos músculos
mastigatórios (masseter e temporal) causam dor
facial e limitação da abertura bucal.
Compressões e Tumores: Aneurismas ou
tumores no tronco encefálico e seio cavernoso
podem comprometer o nervo, gerando
hipoestesia, desvio da mandíbula para o lado da
lesão e perda do reflexo corneopalpebral.
Causas Conversivas: Em pacientes com
hipoestesia conversiva ("histeria"), o padrão de
perda sensorial frequentemente não respeita a
anatomia, apresentando sensibilidade normal
dentro da boca apesar da anestesia externa.
Síndrome Trigeminal (Nervo Trigêmeo - V
Par)
O nervo trigêmeo é um nervo misto, possuindo
três ramos sensitivos (oftálmico - V1, maxilar -
V2 e mandibular - V3) e um ramo motor
(mandibular - V3).
● Manifestações de Déficit (Lesão do
Nervo): Quando ocorre uma lesão
funcional, observa-se hipoestesia facial
(diminuição da sensibilidade) nas áreas
correspondentes aos ramos afetados,
terminando exatamente na linha média
da face. A função motora é prejudicada,
resultando em fraqueza na mastigação
e desvio da mandíbula para o lado da
lesão ao abrir a boca. Além disso, há
perda da via aferente do reflexo
corneopalpebral , impedindo o piscar
bilateral ao tocar a córnea.
● Neuralgia do Trigêmeo: Caracteriza se
por dor intensa e paroxística,
frequentemente descrita como "choque"
ou "facada". Esta dor pode ser
desencadeada por estímulos inócuos em
pontos-gatilho , como lavar o rosto,
escovar os dentes ou mastigar, o que
reflete um processo de sensibilização
central
● Contexto Sindrômico: A dor no
território do trigêmeo pode aparecer
associada a outras paralisias, como na
Síndrome de Gradenigo , que envolve
a paralisia do nervo abducente (VI par)
por lesão no ápice da parte petrosa do
osso temporal
13
● VI – Abducente: músculo reto lateral
do olho (motor), visível no crânio na fissura
orbital superior, e no encéfalono sulco
bulbo-pontino.
*fossa hipofisária:
pesquisa possíveis alterações:
O nervo abducente (VI par craniano) é um
nervo motor puro, responsável exclusivamente
pela movimentação lateral do globo ocular.
1. Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
A avaliação do VI par é realizada durante o teste
da mobilidade extrínseca do globo ocular , de
forma conjunta com os nervos oculomotor (III)
e troclear (IV).
● Procedimento: Solicita-se que o
paciente mantenha a cabeça imóvel e
acompanhe com o olhar o movimento do dedo
do examinador ou de um objeto (como uma
lanterna ou caneta).
● Trajetória: O examinador movimenta o
dedo em seis direções fundamentais,
correspondentes ao campo de ação de cada
músculo, utilizando a técnica do "H" ou do
asterisco .
● Foco no Abducente: Pesquisa-se
especificamente a capacidade de realizar a
abdução (olhar para fora), testando a
integridade do músculo reto lateral.
● Observação Importante: É
fundamental que, em qualquer método
empregado, o olhar retorne sempre à linha
média antes de iniciar o próximo movimento.
2. Fisiopatologia
● Origem e Núcleo: O núcleo do nervo
abducente está localizado na ponte , na rafe
mediana, e é considerado o centro da
lateralidade do olhar .
● Inervação Muscular: O nervo
abducente inerva um único músculo: o reto
lateral , cuja função é realizar a abdução do olho
(movimento para o lado temporal).
● Coordenação do Olhar Horizontal: O
controle do olhar horizontal é complexo e
envolve o campo ocular frontal (área 8 de
Brodmann). Os estímulos descem e fazem
sinapse na formação reticular paramediana
pontina (FRPP), que se comunica diretamente
com o núcleo do VI par. Este, por sua vez, envia
estímulos para o músculo reto lateral ipsilateral
e, através do fascículo longitudinal medial
(FLM) , para o núcleo do III par contralateral,
garantindo que ambos os olhos se movam de
forma conjugada para o mesmo lado.
3. Etiologias e Alterações Clínicas Associadas
As lesões do nervo abducente resultam em
sinais e sintomas característicos:
● Manifestações Clínicas: O paciente
apresenta diplopia horizontal (visão dupla) que
piora ao tentar olhar para o lado da lesão e
estrabismo convergente (esotropia), no qual o
olho afetado fica desviado em direção ao nariz
por ação predominante do músculo reto medial
(inervado pelo III par).
● Localização da Lesão:
○ Lesão do Núcleo: Causa paralisia do
olhar conjugado horizontal para o lado da lesão
(nenhum dos olhos consegue olhar para aquele
lado).
○ Lesão do Nervo (Troncular): Resulta
apenas na paralisia da abdução do olho
ipsilateral.
● Hipertensão Intracraniana: O VI par
pode sofrer compressão no tentório devido ao
seu longo trajeto intracraniano, sendo
considerado um falso sinal de localização
neurológica em casos de hipertensão
intracraniana.
● Síndrome de Gradenigo:
Caracteriza-se pela paralisia do abducente
14
associada a dor no território do nervo trigêmeo e
paralisia facial, ocorrendo em lesões no ápice da
parte petrosa do osso temporal.
● Etiologias Comuns: As paralisias
podem ser causadas por traumatismo
cranioencefálico , diabetes mellitus (por infarto
microvascular), acidentes vasculares encefálicos
(AVEs), tumores (como gliomas ou
meningiomas), sífilis neurológica e encefalites.
Além disso, processos na hipófise, como
adenomas volumosos ou apoplexia hipofisária,
podem comprimir o nervo.
● VII – Facial: mímica facial, gustação,
lacrimejamento e salivação (misto), é visível no
crânio pelo meato acústico interno, forame
estilomastóideo e no encéfalo no sulco
bulbo-pontino. intermédio é uma raiz sensitiva e
visceral do nervo facial que emerge do sulco
bulbo-pontino junto a raiz motora (gandulas e
gustação).
paralisia central (paralisia do quadrante inferior
do lado oposto da lesão): o nervo facial se
comunica com os núcleos na altura da ponte,
suas fibras se cruzam inervando as porções
superior de ambos os lados e inferior do lado
oposto. Por conta disso, no caso de lesão
supranuclear apenas a porção inferior é afetada.
pesquisa possíveis alterações:
A semiologia facial é um dos pilares mais ricos
do exame clínico, permitindo diagnósticos
através da inspeção da expressão e morfologia
( fácies ) e da avaliação funcional do nervo facial
(VII par craniano) .
Abaixo, detalho as informações extraídas das
fontes sobre esses dois aspectos:
1. O Nervo Facial (VII par craniano)
O nervo facial é predominantemente motor,
responsável pela mímica facial, mas também
possui funções sensoriais e vegetativas.
Funções:
Motora: Inerva os músculos da mímica
facial, o músculo estapédio (ouvido
médio) e o músculo platisma.
Sensorial: Responsável pela
sensibilidade gustativa dos 2/3
anteriores da língua .
Vegetativa: Inerva as glândulas
lacrimais e as glândulas salivares
submandibulares e sublinguais.
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica): O
examinador avalia a simetria da face em repouso
e solicita movimentos específicos:
Franzir a testa (olhar para cima).
Fechar os olhos com força.
Sorrir e mostrar os dentes.
Assobiar ou inflar as bochechas.
Contrair o músculo platisma (esticar a
pele do pescoço).
15
Alterações (Paralisia Facial): É fundamental
diferenciar os dois tipos de paralisia:
Periférica (Paralisia de Bell):
Acomete toda a hemiface ipsilateral à
lesão. Apresenta o Sinal de Bell , que é
a elevação do globo ocular (expondo a
esclera) ao tentar fechar o olho, e a
lagoftalmia (impossibilidade de fechar
a pálpebra).
Central: Acomete apenas o quadrante
inferior da face contralateral à lesão. O
paciente consegue franzir a testa
normalmente, pois a parte superior do
núcleo do facial recebe inervação
motora bilateral do córtex.
Outras Alterações Faciais
Edema Facial: Pode ser generalizado
( anasarca ) ou localizado, como o
edema em esclavina , que atinge face e
pescoço devido à compressão da veia
cava superior por tumores no
mediastino.
Discinesias Orofaciais: Movimentos
rítmicos bizarros e involuntários de
boca, mandíbula e língua, muitas vezes
causados pelo uso de medicamentos
neurolépticos.
Assimetrias: Além das causas
neurológicas, podem decorrer da
ausência de dentes ou de tumorações
nos maxilares e glândulas parótidas.
● VIII – Vestibulococlear: audição e
equilíbrio (sensitivo), visível no crânio através
do meato acústico interno e no encéfalo no sulco
bulbo-pontino. possui uma porção vestibular
(equilíbrio - vestíbulo) e uma coclear (audição -
cóclea).
pesquisa possíveis alterações:
O nervo vestibulococlear (VIII par craniano)
possui funções exclusivamente sensoriais, sendo
composto por dois ramos distintos: o coclear ,
responsável pela audição, e o vestibular ,
relacionado ao equilíbrio, à estática e à
orientação espacial.
Pesquisa da Porção Coclear (Audição)
O objetivo é identificar déficits auditivos
(hipoacusia ou anacusia) e diferenciar causas
condutivas de neurossensoriais.
Teste do roçar/esfregar dos dedos: É o método
mais sensível para triagem à beira do leito. O
examinador esfrega os dedos a cerca de 70 cm
(extensãode um braço) do ouvido do paciente
em uma sala silenciosa. Se o paciente não ouvir,
a distância é reduzida progressivamente (35 cm,
20 cm, 10 cm) até o contato direto com a orelha
para quantificar a perda.
Teste de Weber: Utiliza um diapasão (128 a
1.024 Hz) vibrando na linha média do crânio
(testa, vértex ou dentes incisivos).
Normal: Som ouvido igualmente nos
dois ouvidos.
Perda Condutiva: O som lateraliza
para o ouvido doente (lado com a
lesão).
Perda Neurossensorial: O som
lateraliza para o ouvido são .
Teste de Rinne: Compara a condução óssea
com a aérea. Coloca-se o cabo do diapasão na
mastoide até o paciente parar de ouvir;
imediatamente, posiciona-se o garfo vibrante
próximo ao conduto auditivo.
Rinne Positivo (Normal): A condução
aérea é melhor que a óssea (o paciente
continua ouvindo o som pelo ar).
Rinne Negativo (Condutivo): A
condução óssea é melhor que a aérea (o
som para de ser ouvido pelo ar antes da
vibração na mastoide cessar).
Teste do Sussurro: Realizado principalmente
em idosos, consiste em pronunciar palavras a 60
cm de cada ouvido.
Pesquisa da Porção Vestibular (Equilíbrio)
Esta etapa avalia o sistema responsável pela
orientação espacial e controle postural.
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Sinal de Romberg: O paciente fica em pé, com
pés unidos e braços ao longo do corpo, primeiro
de olhos abertos e depois fechados por cerca de
1 minuto. O examinador deve estar próximo
para evitar quedas.
Positivo: Perda de equilíbrio, passos
laterais ou queda ao fechar os olhos. Se
a queda for lateral, sugere lesão
vestibular; se for para frente/trás, sugere
lesão central.
Teste de Fukuda: O paciente marcha sem sair
do lugar (60 passos) com braços estendidos e
olhos fechados. Desvios laterais maiores que
30° ou deslocamento anterior superior a 1 metro
indicam anormalidade, geralmente com desvio
para o lado do vestíbulo lesionado.
Head Thrust Test (HTT) / Reflexo
Oculovestibular: O paciente foca no nariz do
médico, que movimenta a cabeça do paciente de
forma rápida e curta (10 a 20°) para os lados.
Normal (Vertigem Central): Os olhos
permanecem fixos no alvo.
Alterado (Vertigem Periférica): Os
olhos perdem o alvo e fazem um
movimento de correção rápido (sácade)
para retomar a fixação.
Manobra de Dix-Hallpike: Específica para
diagnosticar a Vertigem Postural Paroxística
Benigna (VPPB). O paciente é levado
rapidamente da posição sentada para decúbito
dorsal com a cabeça pendente e virada a 45°. O
teste busca o surgimento de nistagmo
posicional (movimentos oculares involuntários),
que deve ser analisado quanto à direção e
duração.
Exame da Marcha (Tandem Gait): Pede-se
para caminhar encostando o calcanhar na ponta
do outro pé em linha reta. Pacientes com ataxia
vestibular apresentam dificuldades acentuadas
ou lateropulsão (desvio constante para um lado).
Fisiopatologia e Função
Núcleos: Os núcleos cocleares (dois)
localizam-se na ponte, enquanto os núcleos
vestibulares (quatro) distribuem-se entre a ponte
e o bulbo.
Mecanismo Auditivo: A cóclea converte
energia mecânica do som em impulsos elétricos
(transdução mecanoelétrica). Pela tonotopia
coclear , sons agudos excitam a base da cóclea e
sons graves excitam o ápice.
Mecanismo do Equilíbrio: Os canais
semicirculares detectam acelerações angulares
(rotações), enquanto o sáculo e o utrículo
(órgãos otolíticos) reconhecem acelerações
lineares e inclinações da cabeça.
Possíveis Alterações e Diagnóstico Diferencial
Hipoacusia e Anacusia: Podem ser condutivas
(problema no ouvido médio/externo, onde o
Weber lateraliza para o lado doente e o Rinne é
negativo) ou neurossensoriais (lesão no nervo
ou orelha interna, com Weber para o lado são e
Rinne positivo).
Vertigem: Sensação ilusória de rotação. A
Doença de Ménière apresenta uma tétrade
característica: vertigem episódica, perda
auditiva flutuante, zumbido e plenitude aural.
Nistagmo Periférico vs. Central: O nistagmo
de causa periférica é geralmente inibido pela
fixação ocular, enquanto o de causa central não
é suprimido e pode mudar de direção conforme
o movimento dos olhos.
Zumbido: Percepção sonora sem estímulo
externo, podendo ser a primeira manifestação de
perda auditiva ou estar associado ao uso de
fármacos ototóxicos, como aminoglicosídeos e
aspirina.
Schwannoma Vestibular: Tumor do nervo que
frequentemente causa perda auditiva
neurossensorial assimétrica e zumbido
unilateral.
17
● IX – Glossofaríngeo: gustação no 1/3
posterior da língua, deglutição (misto), visível
no crânio pelo forame jugular e no encéfalo no
sulco lateral do bulbo
*nervos que inervam a lingua:
pesquisa possíveis alterações:
A pesquisa semiológica, a fisiopatologia e as
alterações do nervo glossofaríngeo (IX par
craniano) são geralmente avaliadas em
conjunto com as do nervo vago (X par), devido
à sobreposição de suas funções motoras e
sensitivas na faringe e no palato.
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
A avaliação clínica foca na integridade motora e
sensorial do nervo:
Mobilidade do Palato e Úvula: Solicita-se que
o paciente abra a boca e pronuncie sons vogais
longos, como "Ah!" ou "Eh!" . O examinador
observa se a elevação do palato mole é simétrica
e se a úvula permanece centralizada.
Dinâmica da Deglutição: Avalia-se a
capacidade do paciente de engolir sem
dificuldades ou engasgos.
Reflexo Faríngeo (Nauseoso): Estimula-se a
mucosa da parede posterior da faringe ou das
tonsilas para provocar a contração reflexa
(náusea).
Sensibilidade e Gustação: Pesquisa-se a
sensibilidade geral e o paladar no terço
posterior da língua .
Voz e Fala: Observa-se a articulação das
palavras e o timbre da voz em busca de disartria
ou disfonia.
Fisiopatologia
O nervo glossofaríngeo possui núcleos
localizados no bulbo e desempenha funções
complexas:
Função Motora: É responsável pela
motricidade do palato mole, da úvula e dos
músculos da deglutição, atuando de forma
integrada com o centro da deglutição no bulbo.
Os impulsos eferentes coordenam as contrações
musculares necessárias para a fase faríngea da
deglutição.
Função Sensorial e Gustativa: Transporta a
sensibilidade tátil e a percepção de sabores
(gustação) da parte posterior da língua.
Função Vegetativa: Participa da inervação de
glândulas e contém fibras parassimpáticas que
auxiliam na regulação de funções viscerais.
Possíveis Alterações
As lesões do IX par manifestam-se através de
sinais motores e sensitivos específicos:
Sinal da Cortina (de Vernet): Em caso de
paralisia unilateral, o lado afetado do palato
permanece imóvel e hipotônico, enquanto o lado
saudável se eleva normalmente, provocando o
desvio da úvula para o lado são ao falar.
Disfagia: Dificuldade de deglutição, que pode
resultar em engasgos ou regurgitação.
18
Disartria e Disfonia: Dificuldade na articulação
da fala e alterações na fonação (voz rouca ou
anasalada).
Perda do Reflexo Nauseoso: Ausência de
resposta ao estímulo da faringe.
Ageusia Posterior: Perda do paladar no terço
posterior da língua.
Neuralgia do Glossofaríngeo:Condição
caracterizada por dor intensa e paroxística na
garganta que pode ser referida (irradiada) para a
região periauricular .
Etiologias Comuns: As lesões podem ser
causadas por tumores, acidentes vasculares
encefálicos (AVEs), infecções ou traumas, além
de complicações em cirurgias de cabeça e
pescoço.
● X – Vago: controle autônomo de
vísceras torácicas e abdominais (misto), visto no
crânio no forame jugular e no encéfalo no sulco
lateral posterior do bulbo
pesquisa possíveis alterações:
O nervo vago (X par craniano) é um nervo
misto com funções motoras, sensoriais e
vegetativas (parassimpáticas) extensas, sendo
fundamental para o controle de órgãos torácicos
e abdominais.
Abaixo, detalho sua pesquisa clínica,
fisiopatologia e alterações associadas:
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
O exame do vago é realizado quase sempre em
conjunto com o nervo glossofaríngeo (IX par)
devido à sobreposição de funções:
Mobilidade do Palato Mole e Úvula:
Solicita-se que o paciente abra a boca e
pronuncie sons vogais longos como "Ah!" ou
"Eh!" . O examinador observa se a elevação do
palato é simétrica e se a úvula permanece
centralizada.
Reflexo Faríngeo (Nauseoso): Estimula-se a
mucosa da parede posterior da faringe para
observar a contração reflexa; a via eferente deste
reflexo é coordenada pelo nervo vago.
Avaliação da Fonação e Articulação:
Pesquisa-se a presença de disfonia (alteração no
timbre da voz) ou disartria (dificuldade na
articulação das palavras), que podem indicar
lesão das cordas vocais ou da musculatura
faríngea.
Dinâmica da Deglutição: Observa-se se o
paciente apresenta dificuldades para engolir
(disfagia) ou episódios de engasgos e tosse
durante a alimentação.
Fisiopatologia
O nervo vago possui núcleos localizados no
bulbo e desempenha papéis complexos em
diversos sistemas:
Componente Motor: Responsável pela
motricidade do palato mole, da faringe e da
laringe (através do nervo laríngeo recorrente ,
que inerva as cordas vocais).
Componente Vegetativo (Parassimpático): É o
principal nervo do sistema parassimpático. No
coração , atua inibindo o sistema de comando, o
que diminui a frequência cardíaca e a
contratilidade miocárdica. No aparelho
digestório , coordena o peristaltismo esofágico e
estimula secreções glandulares, como a fase
cefálica da secreção pancreática.
19
Componente Sensorial: Conduz a sensibilidade
das vísceras torácicas e abdominais, além de
participar da sensibilidade da faringe e laringe.
Possíveis Alterações e Etiologias
As lesões ou disfunções do X par manifestam-se
de forma variada:
Sinal da Cortina (de Vernet): Ocorre em
paralisias unilaterais. O lado lesado do palato
permanece imóvel e hipotônico, enquanto o lado
contralateral (normal) se eleva, provocando o
desvio da úvula .
Disfonia e Rouquidão: Decorrem
frequentemente de lesão do nervo laríngeo
recorrente. Isso pode ocorrer em cirurgias de
cabeça e pescoço (como a tireoidectomia) ou
por compressão de massas no mediastino, como
tumores ou aneurismas de aorta.
Disfagia e Tosse: A paralisia vago-faríngea
causa dificuldade de deglutição, podendo levar à
aspiração de alimentos para a traqueia,
resultando em tosse e risco de
broncopneumonia.
Alterações Cardiovasculares:
Bradicardia Sinusal: Pode resultar de
uma exacerbação do tônus vagal.
Síncope Vasovagal: Caracteriza-se por
uma perda súbita de consciência devido
ao aumento relativo da atividade vagal,
que provoca queda da resistência
periférica e bradicardia.
Síndrome de Claude Bernard-Horner:
Embora primariamente simpática, pode estar
associada a lesões que também comprimem o
trajeto do vago no pescoço ou mediastino
● XI – Acessório: músculos do pescoço
(motor), possui uma raiz craniana e uma
medular, é vista no crânio pelo forame jugular, e
no encéfalo no sulco lateral posterior do bulbo
pesquisa possíveis alterações:
O nervo acessório (XI par craniano) é um
nervo estritamente motor, cujos núcleos estão
localizados no bulbo. Ele é responsável pela
inervação de dois importantes grupamentos
musculares: o músculo esternocleidomastóideo
(ECM) e o músculo trapézio .
Abaixo, detalho as etapas de sua pesquisa
clínica, fisiopatologia e possíveis alterações:
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
A avaliação foca na inspeção da musculatura e
no teste de força contra a resistência do
examinador.
Inspeção: O examinador observa o contorno da
musculatura do pescoço e da região dorsal
superior em busca de assimetrias, atrofias ou
desvios de posição.
Avaliação do Músculo Trapézio: Solicita-se
que o paciente eleve (encolha) os ombros
simultaneamente enquanto o examinador exerce
pressão para baixo. Avalia-se a simetria e a força
da contração.
Avaliação do Músculo
Esternocleidomastóideo (ECM): Solicita-se
que o paciente vire a cabeça para um lado
contra a resistência da mão do examinador
(posicionada na mandíbula do paciente).
Nota importante: Ao virar a cabeça
para a esquerda , está sendo testada a
integridade do músculo ECM direito , e
vice-versa.
Fisiopatologia e Funções
As fibras do XI par coordenam movimentos
essenciais de posicionamento da cabeça e
elevação dos ombros:
Trapézio: Responsável pela elevação dos
ombros e estabilização da escápula.
ECM: Atua na flexão do pescoço (contração
bilateral) e na rotação da cabeça para o lado
oposto (contração unilateral).
Possíveis Alterações e Relevância Clínica
As lesões do nervo acessório resultam em
déficits motores específicos:
Fraqueza ou Paralisia: O paciente apresenta
dificuldade em elevar o ombro do lado afetado e
incapacidade ou fraqueza para virar a cabeça
para o lado oposto à lesão .
Atrofia: Em lesões crônicas (como nas
síndromes do segundo neurônio motor),
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observa-se a perda de massa muscular do
trapézio (deixando o ombro "caído") e do ECM
(achatamento do contorno lateral do pescoço).
Espasmos e Torcicolo: Espasmos tônicos e
dolorosos desses músculos podem causar o
torcicolo , resultando em posições viciosas da
cabeça.
Causas Comuns: As lesões podem decorrer de
traumas cervicais, cirurgias de pescoço, tumores
no forame jugular ou processos inflamatórios.
No registro do exame físico normal, descreve-se
que a força, o trofismo e o tônus dos músculos
esternocleidomastóideo e trapézio estão
preservados bilateralmente
● XII – Hipoglosso: músculos da língua
(motor), visível no crânio pelo canal do
hipoglosso, no encéfalo pelo sulco lateral
anterior do bulbo
pesquisa possíveis alterações:
O nervo hipoglosso (XII par craniano) é um
nervo estritamente motor , responsável pela
inervação dos músculos que controlam a
movimentação da língua. Seu núcleo está
localizado no bulbo .
Abaixo, detalho a pesquisa clínica, a
fisiopatologia e as possíveis alterações
encontradas no exame físico:
Pesquisa Semiológica (Semiotécnica)
A avaliação do XII par deve ser feita de forma
sistemática seguindo estes passos:
Inspeção em repouso: Observa-se a língua
inicialmente dentro da boca, em repouso sobre o
assoalho bucal, pesquisando a presença de
atrofias(perda de massa muscular) ou
fasciculações (contrações finas e rápidas de
feixes musculares).
Mobilidade (Protrusão): Solicita-se que o
paciente coloque a língua para fora da boca e a
movimente rapidamente de um lado para o
outro. O examinador deve observar se a língua
sai de forma centralizada ou se há desvios.
Teste de Força: O examinador pede ao paciente
que empurre a bochecha com a língua enquanto
o médico aplica resistência externamente com os
dedos. Essa manobra deve ser feita
bilateralmente para comparação.
Fisiopatologia e Mecanismos de Desvio
A direção do desvio da língua em casos de lesão
é um dado semiológico crucial:
Na protrusão (língua para fora): Em caso de
paralisia unilateral, a língua desvia-se para o
lado lesado . Isso ocorre porque o músculo
genioglosso do lado sadio, que tem a função de
projetar a língua para fora, "empurra" a massa
muscular para o lado enfraquecido (lesionado).
Na retração (língua para dentro): O desvio
ocorre para o lado contralateral (lado são).
Representação Cerebral: É importante notar
que o nervo hipoglosso (em parte da população)
e o nervo facial (quadrante inferior) possuem
representação em apenas um hemisfério
cerebral, o contralateral.
Possíveis Alterações e Relevância Clínica
As lesões do hipoglosso podem resultar em:
Atrofia e Fasciculações: São sinais
característicos de lesão do segundo neurônio
motor (como na Esclerose Lateral Amiotrófica).
Disartria: A dificuldade na articulação das
palavras frequentemente acompanha lesões do
XII par, já que a língua é essencial para a
fonação.
Disfagia: A dificuldade de deglutição pode
ocorrer, pois a língua participa ativamente da
fase oral da alimentação, moldando e guiando o
bolo alimentar.
No registro de um exame normal , descreve-se a
língua com papilas e mobilidade conservadas,
ausência de miofasciculações, úvula centrada e
motricidade extrínseca preservada.
NERVOS NO TRONCO ENCEFÁLICO