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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS FACULDADE DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS ROTEIRO SOBRE O SEMINÁRIO DE ESCLEROSE MÚLTIPLA Docente: Profª.Drª. Carine Discentes: Daniela Elias Balducci João Vitor de Souza Nascimento Cândido Leticia Argento Maria Fernanda Romboli Durante Yasmim de Castro Freire 1. INTRODUÇÃO 1.1 Conceito da patologia A Esclerose Múltipla é uma patologia autoimune que causa a desmielinização da bainha de mielina dos neurônios. 1.2 Etiologia e classificação A etiologia da Esclerose Múltipla ainda é desconhecida, porém acredita-se que a reação autoimune é modulada por fatores genéticos e infecções virais adquiridas na infância, como por exemplo o vírus Epstein-Barr. O grau de parentesco com indivíduos afetados pela EM, também aumenta as chances de desenvolver a doença, os parentes de primeiro grau aumentam a taxa em 10 a 20 vezes. Já nos casos de gêmeos homozigotos a concordância da doença é de 25 a 30%, nos dizigóticos apenas de 2 a 5%. A EM se classifica como doenças desmielinizantes, sendo esta classe caracterizada por alterações primárias na bainha de mielina normalmente formada, ou nos oligodendrócitos, que são os responsáveis pela síntese e manutenção da mielina no Sistema Nervoso Central. 2. PATOGÊNESE Os genes associados à EM, estão ligados ao complexo de histocompatibilidade, sendo os alelos a seguir associados à doença, tais quais são: HLA-DR2+, HLA-DQ6, DQA 0102, DQB1 0602, HLA-DRB1, DR15, DRB1*1501 e DRB1*1503. Enquanto os alelos,HLA-C554, HLA‐DQA1*01:01 e HLA-DRB1*11 têm efeito protetor. Alguns fatores estão associados a agravantes para adquirir a EM, como polimorfismos em genes reguladores da resposta imunitária inata e adaptativa. Polimorfismos de nucleotídeo único (SNP) estão relacionados com a evolução clínica da doença e também com os padrões de lesões neuropatológicas. Ainda não se sabe como esses genes atuam na regulação da resposta imunitária e também como interagem com fatores ambientais. A exposição à luz solar é um dos principais fatores ambientais, pelo fato desta ser a responsável pela síntese de vitaminas D na pele. Sendo que, uma menor síntese de vitamina resulta num maior risco de adquirir a EM. Pode-se citar também a elevação do risco de adquirir a doença, mediada pelo tabagismo, obesidade na infância e a microbiota intestinal, sendo esta última possivelmente por alterações na produção de citocinas pró-inflamatórias por linfócitos Th17. 2.1 RESPOSTA IMUNITÁRIA A resposta imunitária é do tipo Th1/Th17, com linfócitos T CD4+, TCD8+, macrófagos e microglia ativados, células dendríticas, astrócitos, moléculas MHC II, ligantes do Fas, perforina e citocinas. Os linfócitos T ativados regressam ao SNC e aderem ao endotélio por meio de α4-integrinas (LFA-1, VLA-4) e seus receptores (ICAM-1, VCAM-1), além das selectinas e seus ligantes. Tal migração através da barreira hematoencefálica é propiciada pela liberação de metaloproteinases (MMP-2 e MMP-9), que clivam um receptor transmembranar, que participam ligando os pés vasculares dos astrócitos à membrana basal. Linfócitos TCD4 + são reativados após a interação de seus receptores com os antígenos da mielina apresentados pelas moléculas MHC II. Os linfócitos TCD8 +, macrófagos e a micróglia são as células efetoras da resposta imunitária do tipo Th1 e estão presentes nos sintomas iniciais da EM, bem como, há evidências de que a resposta imunitária humoral também atua nas lesões. A proliferação clonal de linfócitos B possibilita a síntese de anticorpos contra os componentes de mielina e de frações do complemento. Podem ser identificadas diferentes frações de IgG denominadas "bandas oligoclonais” no líquor de pacientes com esclerose múltipla. Porém, assim como na imunidade celular, não é possível dizer se a destruição da mielina é mediada por anticorpos contra determinantes antigênicos da mesma, ou somente contra a mielina já lesada a qual se expõe a tais determinantes. O mecanismo de destruição da mielina envolve resposta imunitária do tipo Th1/Th17, com participação de linfócitos T CD4+ e CD8+ e de macrófagos ativados, além da imunidade humoral, com envolvimento de anticorpos anti mielina que ativam o complemento e promovem fagocitose via opsonização. 3. CONSEQUÊNCIAS O curso da doença varia bastante. Há quatro formas: (1) remitente-recorrente (EM-RR), a mais comum (85% dos casos), caracterizada por surtos (episódios agudos), seguidos de recuperação completa ou quase completa, espontaneamente ou após o tratamento; (2) primariamente progressiva (EM-PP), com evolução gradualmente progressiva, sem períodos de recuperação e sem a ocorrência de surtos; (3) primariamente progressiva, com surto (EM-PP com surto), mais agressiva, com surtos sobrepostos na doença de evolução progressiva desde o início; (4) secundariamente progressiva (EM-SP), com progressão contínua de déficits, com ou sem surtos sobrepostos. A forma EM-SP é evolução natural da forma EM-RR em 50% dos casos após 10 anos do diagnóstico. As formas EM-PP e EM-PP com surto correspondem a 10 a 15% dos casos. Como as placas podem ocorrer em qualquer parte do SNC, as manifestações clínicas variam bastante. As principais manifestações são perda parcial da visão (por comprometimento do nervo óptico), ataxia (lesão do cerebelo), diplopia, disartria e disfagia (por envolvimento do tronco encefálico e interrupção das fibras do fascículo longitudinal medial), fraqueza muscular e parestesias dos membros, espasticidade, impotência e distúrbios esfincterianos (por comprometimento da medula espinhal). Distúrbio cognitivo surge em 40% dos casos por desmielinização da substância cinzenta cortical. . 4. CARACTERÍSTICAS DA LESÃO 4.1 Características macroscópicas Macroscopicamente, a lesão básica encontrada é a placa de desmielinização, ela é quase sempre múltipla, e pode variar de poucos milímetros a vários centímetros, rósea ou cinza, com limites nítidos ou irregulares. A placa é encontrada principalmente perto dos ventrículos, próximo ao ângulo súpero lateral dos ventrículos laterais, e na região subpial. O nervo e o quiasma óptico, os núcleos da base, o tálamo, o tronco encefálico e a medula espinhal também são comumente atingidos. As placas de desmielinização são identificadas com precisão por ressonância magnética. As placas antigas são altamente demarcadas, enquanto as mais novas apresentam limites imprecisos. Em casos de lesões crônicas há a perda axonal e redução dos oligodendrócitos, que usualmente se apresentam com poucas células e perda brusca de mielina, principalmente no meio da placa. Em casos de longa duração, observa-se a atrofia cerebral com alargamento dos ventrículos laterais. 4.2 Características microscópicas Em resumo, microscópicamente, as lesões da esclerose múltipla são caracterizadas por desmielinização, infiltração de células inflamatórias, atrofia neuronal e formação de cicatrizes gliais. Todos esses aspectos contribuem para a interrupção da transmissão dos impulsos nervosos e a progressão da doença. · Desmielinização: é o aspecto mais distintivo da esclerose múltipla e caracteriza-se pela perda da camada de mielina que reveste os axônios nervosos. A bainha de mielina é uma camada fina de gordura que envolve os axônios nervosos e ajuda na transmissão rápida e eficiente dos impulsos nervosos. Quando a bainha de mielina é danificada ou perdida, a transmissão dos impulsos nervosos fica comprometida, o que pode resultar em sintomas neurológicos, como fraqueza muscular, dificuldade para andar, fala arrastada e problemas de visão. · Infiltração de células inflamatórias: Ocorre o aumento da presença de linfócitos e células macrofágicas na área da lesão, que produzem moléculas inflamatórias que podem danificar ainda mais a bainha de mielina e os neurônios. · Atrofia neuronal: Caracteriza-se pela perda de massa celular nos neurônios na área da lesão e diminuição do tamanho das células nervosas. Essa característica pode ser observada a partir da identificação da ausência de dendritos e axônios e na reduçãoda quantidade de tecido nervoso no local. · Formação de cicatrizes gliais: É um processo de reparo que proporciona a formação de tecido cicatricial que substitui a matéria branca danificada. A glia é um tipo de célula nervosa que desempenha um papel importante na manutenção da integridade do sistema nervoso e na defesa contra danos. Na esclerose múltipla, as células glia respondem aos processos já citados e a hipertrofia e hiperplasia celular. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS · Prineas, J. W. (2004). Pathology of multiple sclerosis. Brain Pathology, 14(1), 1-6. · Lassmann, H., & Bruck, W. (2010). Pathological mechanisms in multiple sclerosis. Nature Reviews Neurology, 6(6), 327-336. · BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Bogliolo Patologia. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E-book. (1 recurso online). ISBN 9788527738378. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788527738378. Acesso em: 6 fev. 2023. · Oliveira, E. M. L. de, & Souza, N. A. de. (1998). Esclerose Múltipla. Revista Neurociências, 6(3), 114–118. https://doi.org/10.34024/rnc.1998.v6.10324 ALFENAS/MG Fevereiro/2023 image1.png