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Antibióticos
Este conteúdo foca as características farmacodinâmicas das drogas antimicrobianas e os princípios gerais
de sua utilização. Aborda os mecanismos moleculares subjacentes aos efeitos antimicrobianos, as
aplicações clínicas dessas drogas e os riscos associados, com o objetivo de entender os fatores que
norteiam a escolha dos tratamentos antimicrobianos, considerando tanto suas aplicações clínicas quanto
seus efeitos adversos.
Profa. Anna Claudia Silva e Prof. Hugo Caire de Castro Faria Neto
1. Itens iniciais
Objetivos
Reconhecer o histórico da antibioticoterapia e como os antibióticos podem ser classificados.
 
Descrever o uso clínico e mecanismo de ação das penicilinas, cefalosporinas, vancomicina e
bacitracina.
 
Descrever o uso clínico e mecanismo de ação dos fármacos que inibem a síntese de proteínas, de
ácidos nucleicos, e dos agentes que danificam a membrana.
 
Reconhecer como ocorre e o impacto da resistência antimicrobiana e os diferentes regimes
antibioticoterápicos.
Introdução
Todos os organismos vivos são suscetíveis a processos infecciosos causados por vírus, bactérias, fungos,
protozoários e helmintos. No caso dos humanos, o tratamento de infecções com agentes farmacológicos
específicos teve início com Ehrlich e com o uso de arsenicais seletivamente tóxicos para o tratamento da sífilis
no princípio do século XX. Esse avanço relacionou-se, obviamente, à descoberta dos micróbios como
causadores de doença na segunda metade de século XIX por Louis Pasteur e Robert Koch.
Entretanto, a verdadeira revolução dos antibióticos (também chamada de “época de ouro” da
antibioticoterapia) teve início com a descoberta da penicilina por Fleming, em 1929, a partir da cultura de
fungos do tipo Penicillium e, posteriormente, com sua síntese e utilização clínica por Chain e Florey em 1941.
Sem dúvida, o desenvolvimento dos agentes antimicrobianos pode ser considerado um dos avanços mais
importantes na história da medicina.
Existem várias formas de classificar antibióticos. Podemos classificar essas drogas em função de: sua
estrutura química (por exemplo β-lactâmicos); seu mecanismo de ação (por exemplo, inibidores de síntese
proteica); seu espectro de atividade (amplo ou baixo espectro); tipo de efeito (bacteriostático, que inibe a
replicação das bactérias, ou bactericida, que mata as bactérias); fontes de origem (por exemplo, derivados de
fungos).
Nenhuma dessas classificações será obrigatoriamente seguida neste tema, e utilizaremos diversas delas de
acordo com o uso mais frequente para descrever determinado grupo.
O sucesso dos antibióticos na prática clínica se deve, basicamente, às diferenças em alvos moleculares e vias
metabólicas bioquímicas entre o hospedeiro (no caso, seres humanos) e o organismo infectante. Neste tema,
exploraremos os princípios que regem a utilização racional de antibióticos visando diminuir a velocidade de
aparecimento de resistência a esses agentes e os mecanismos de ação e aplicações clínicas dos principais
membros dessa classe de fármacos.
 
Direcionaremos nossas atenções para o caso específico do tratamento das infecções causadas por bactérias,
microrganismos procariotas (sem núcleo) que são responsáveis por grande parte das doenças infecciosas que
acometem os seres humanos.
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1. Introdução à quimioterapia antimicrobiana
Histórico da quimioterapia antimicrobiana
Acompanhe neste vídeo o início da quimioterapia antimicrobiana moderna, com uma análise dos marcos
históricos, como a criação do Salvarsan, o desenvolvimento do Prontosil e a descoberta da penicilina.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A quimioterapia antimicrobiana, como é conhecida atualmente, teve origem nos anos 1900. Entretanto,
culturas antigas utilizavam empiricamente substâncias antimicrobianas, baseadas em tradições, observações
e experiências passadas de geração em geração. O entendimento de como essas substâncias funcionavam
era limitado ou inexistente e os tratamentos eram aplicados com base em resultados observáveis, sem um
entendimento claro dos mecanismos biológicos subjacentes.
Comentário
Muitas descobertas de tratamentos empíricos foram feitas por acaso ou por meio da experimentação
direta com recursos naturais. Plantas, minerais e outras substâncias eram frequentemente testados em
um princípio de tentativa e erro. Os tratamentos baseavam-se na eficácia percebida sem um
entendimento claro dos possíveis efeitos colaterais ou toxicidade. A segurança era uma consideração
secundária e os conhecimentos sobre dosagem eram rudimentares. 
Algumas culturas notáveis que utilizaram plantas medicinais incluem:
 
Egito Antigo: Os egípcios são conhecidos por terem usado plantas como o alho e a cebola por suas
propriedades antimicrobianas e de saúde geral, além de uma variedade de ervas e especiarias para fins
de embalsamamento e cura. Papiros, como o Papiro de Ebers (cerca 1550 AEC), contêm centenas de
receitas à base de plantas para tratar diversas condições.
AEC
 O uso das siglas AEC (antes da Era Comum) e EC (Era Comum) tem como objetivo uma escrita inclusiva,
sem distinção de crença ou cultura. São equivalentes aos termos antes de Cristo (a.C.) e depois de
Cristo (d.C.).
• 
Página do papiro de Ebers.
China Antiga: A medicina tradicional chinesa (MTC) possui um vasto repertório de uso de plantas
medicinais, registradas desde as primeiras dinastias. A MTC usa um sistema complexo de diagnóstico
para criar receitas personalizadas de ervas que visam restaurar o equilíbrio do corpo. Uma das plantas
mais famosas é a artemísia (Artemisia annua), usada no tratamento da malária.
Índia Antiga: A Ayurveda, um sistema de medicina tradicional que se originou na Índia há mais de 3.000
anos, utiliza uma variedade de produtos botânicos para tratar e prevenir doenças. Plantas como a
cúrcuma (Curcuma longa) e o gengibre (Zingiber officinale) são amplamente utilizadas por suas
propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas.
Grécia e Roma Antigas: Hipócrates, frequentemente chamado de pai da medicina, recomendava uma
série de plantas medicinais em seus tratamentos. Da mesma forma, os romanos fizeram extenso uso de
ervas, muitas das quais foram documentadas por Plínio, o Velho, em sua obra História natural.
Américas Pré-Colombianas: Culturas nativas das Américas, como maias, astecas e os povos indígenas
da América do Norte, tinham um conhecimento profundo das plantas da sua região. Eles usavam esse
conhecimento para tratar doenças e manter a saúde, utilizando uma grande variedade de plantas
locais.
 
O início empírico da medicina, baseado em tentativa e erro, observação e tradição, pavimentou o caminho
para a quimioterapia antimicrobiana moderna, uma ciência que agora emprega um entendimento molecular
detalhado para tratar infecções de maneira precisa e eficaz. Nas culturas antigas, a seleção de remédios
baseava-se principalmente na observação direta dos efeitos das substâncias naturais na saúde humana. Esse
conhecimento, embora limitado pela compreensão científica da época, representou os primeiros passos da
humanidade na luta contra as doenças infecciosas. Com o avanço do tempo e o advento do método científico,
começou-se a entender melhor como as substâncias poderiam combater as doenças.
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Paul Ehrlich.
O desenvolvimento da quimioterapia
antimicrobiana moderna começou no início dos
anos 1900 com Paul Ehrlich (1854-1915). A
contribuição mais notável de Ehrlich para a
quimioterapia foi o desenvolvimento do
Salvarsan em 1910, o primeiro medicamento
eficaz contra a sífilis, uma doença devastadora
na época. Após extensas pesquisas e
experimentação com centenas de compostos,
Ehrlich e sua equipe sintetizaram essa
substância, introduzindo o conceito de bala
mágica — um composto capaz de destruir
agentes patogênicos sem danificar o tecido
hospedeiro.
 
O Salvarsan representou um marco na quimioterapia antimicrobiana, embora seu uso fosse limitado devido à
sua toxicidade. Esse conceito revolucionou a abordagem paraGram-negativas, enquanto as gerações mais recentes foram
desenvolvidas para expandir sua eficácia contra bactérias Gram-positivas e até mesmo algumas formas
atípicas de bactérias.
As quatro gerações de quinolonas.
Efeitos adversos
O uso de quinolonas pode levar a distúrbios cardíacos, hipersensibilidade, sintomas gastrointestinais,
necrose e insuficiência hepáticas, tendinite e ruptura de tendão, convulsões, reações psiquiátricas –
como depressão e reações psicóticas –, neuropatia periférica e disglicemia. Pode exacerbar os
sintomas de pacientes com miastenia grave.
Para que serve
As quinolonas são usadas para tratar uma variedade de infecções bacterianas. Elas são
particularmente úteis para tratar infecções do trato urinário, incluindo cistite e pielonefrite; infecções
respiratórias, como bronquite bacteriana e pneumonia; além de infecções do trato gastrointestinal;
infecções de pele, ossos, ouvidos e olhos.
Rifamicinas
São uma classe de antibióticos potentes, amplamente reconhecidos por sua eficácia no tratamento de
infecções bacterianas, especialmente a tuberculose e a hanseníase. Descobertas na década de 1950, a partir
de uma cepa do solo do gênero Streptomyces, esses antibióticos revolucionaram o tratamento de doenças
infecciosas graves. O exemplo de rifamicina mais conhecido é a rifampicina.
Estrutura química da rifampicina.
Mecanismo de ação
O mecanismo de ação das rifamicinas envolve a inibição da RNA polimerase dependente de DNA, uma
enzima fundamental para a síntese do RNA mensageiro (mRNA) bacteriano. Ao se ligarem a essa
enzima, as rifamicinas bloqueiam a transcrição inicial do RNA, impedindo, assim, a síntese de
proteínas essenciais para a sobrevivência e replicação das bactérias.
Espectro de ação
Além de sua importância no combate à tuberculose e à hanseníase, as rifamicinas também são
usadas para tratar uma variedade de infecções causadas por bactérias Gram-positivas e algumas
bactérias Gram-negativas.
Efeitos adversos
Os efeitos colaterais mais comuns incluem alterações gastrointestinais, como náuseas e diarreia, e
reações alérgicas leves. Um efeito colateral característico das rifamicinas é a secreção de fluidos
corporais coloridos, como urina, lágrimas, suor e saliva, que podem se tornar laranja-avermelhado, um
fenômeno geralmente inofensivo, mas que pode ser surpreendente para os pacientes.
Hepatotoxicidade (dano ao fígado) também é uma preocupação, especialmente em tratamentos de
longo prazo ou em combinação com outros medicamentos.
Para que serve
As rifamicinas são essenciais no tratamento de doenças infecciosas como a tuberculose e a
hanseníase, devido à sua capacidade de combater eficazmente os microrganismos causadores
dessas doenças. Além dessas aplicações, as rifamicinas são usadas para tratar infecções por
estafilococos e outras infecções bacterianas resistentes a múltiplos antibióticos. Em alguns casos,
elas também são empregadas para prevenir a infecção em pacientes com certos tipos de feridas
cirúrgicas ou em terapia profilática para evitar a recorrência de infecções.
Atividade conceitual
Os antagonistas do folato inibem indiretamente a síntese de ácidos nucleicos por interferirem na produção de
folato. Já as quinolonas afetam as enzimas DNA girase e topoisomerase. Outro grupo de inibidores da síntese
de ácidos nucleicos é o das rifamicinas. Qual mecanismo é característico dessa classe de fármacos
antibacterianos?
A Inibição da sintese de peptidoglicano.
B Inibição da ligação do tRNA ao ribossomo.
C Bloqueio da síntese proteica pela interação com a subunidade 50S do ribossomo.
D Inibição da RNA polimerase bacteriana.
E Desestabilização da membrana celular bacteriana.
A alternativa D está correta.
As rifamicinas inibem a RNA polimerase, enzima responsável pela síntese de RNA a partir de DNA. A
inibição da síntese de peptideoglicano é o mecanismo de ação de betalactâmicos. Aminoglicosídeos atuam
inibindo a ligação do RNA transportador ao ribossomo. Macrolídeos interagem com a subunidade 50S
ribossomal. Fármacos que atuam sobre a membrana celular não têm relação com a inibição da síntese de
ácidos nucleicos.
Promotores de dano à membrana
Acompanhe neste vídeo o estudo das polimixinas e da daptomicina, explicando seu espectro de ação e os
potenciais efeitos adversos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Polimixinas
São uma classe de antibióticos peptídicos cíclicos com uma potente atividade antibacteriana, especialmente
contra bactérias Gram-negativas. Descobertas na década de 1940, as polimixinas foram inicialmente
utilizadas de forma ampla, mas seu uso diminuiu devido à toxicidade, sobretudo nefrotoxicidade e
neurotoxicidade. Contudo, com o aumento da resistência bacteriana a muitos antibióticos convencionais, as
polimixinas ressurgiram como uma opção valiosa no tratamento de infecções multirresistentes. Os principais
exemplos são a polimixina B e a colistina.
Estrutura química da colistina.
Vejamos como a polimixinas agem, seus efeitos e aplicação!
Mecanismo de ação
O mecanismo de ação das polimixinas baseia-se na sua interação com a membrana externa das
bactérias Gram-negativas. Esses antibióticos se ligam aos lipopolissacarídeos (LPS) e à
fosfatidiletanolamina na membrana, deslocando íons cálcio e magnésio que estabilizam a membrana.
Isso aumenta a permeabilidade da membrana, levando à ruptura dela, à perda de conteúdos celulares
e, eventualmente, à morte bacteriana.
Espectro de ação
As polimixinas têm um espectro de ação estreito, sendo eficazes principalmente contra bactérias
Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e Klebsiella
pneumoniae, que são frequentemente responsáveis por infecções hospitalares e notórias pela sua
resistência a múltiplos fármacos.
Efeitos adversos
Os principais efeitos adversos associados ao uso das polimixinas incluem nefrotoxicidade, que pode
se manifestar como insuficiência renal aguda, e neurotoxicidade, que pode incluir parestesias, fala
arrastada e tontura. Podem ocorrer efeitos gastrointestinais, febre, coceira, angústia respiratória e
apneia.
Para que serve
As polimixinas são reservadas para tratar infecções graves causadas por bactérias Gram-negativas
multirresistentes. Isso inclui infecções do trato urinário, infecções da corrente sanguínea, pneumonia
associada à ventilação mecânica e infecções de feridas. Devido ao seu perfil de toxicidade, as
polimixinas são geralmente consideradas agentes de último recurso, utilizadas quando outras opções
de tratamento falharam ou são ineficazes. Devem ser utilizadas em conjunto com outro
antimicrobiano, e não em monoterapia.
Daptomicina
É um antibiótico lipopeptídico cíclico, aprovado pela primeira vez em 2003, para o tratamento de infecções por
bactérias Gram-positivas. É única tanto na sua estrutura química quanto no seu mecanismo de ação, o que a
torna eficaz contra cepas resistentes a múltiplos fármacos, incluindo Staphylococcus aureus resistente à
meticilina (MRSA) e Enterococcus resistente à vancomicina (VRE).
Estrutura química da daptomicina.
Vejamos como a daptomicina age, seus efeitos e aplicação!
Mecanismo de ação
A daptomicina exerce seu efeito bactericida por meio da inserção de sua porção lipofílica na
membrana celular bacteriana em presença de íons cálcio. Isso leva à rápida despolarização da
membrana, à perda do potencial de membrana e à inibição da síntese de DNA, RNA e proteínas. Esse
processo resulta na morte celular sem a lise da célula; um mecanismo de ação distinto de outros
antibióticos.
Espectro de ação
O espectro de ação da daptomicina é limitado a bactérias Gram-positivas. Ela é eficaz contra uma
variedade de patógenos Gram-positivos, incluindo cepas resistentes, como MRSA, VRE, e cepas
susceptíveis de Streptococcus pneumoniae.
Efeitos adversos
Incluem dor de cabeça, náusea, vômito, diarreia e, ocasionalmente, rash cutâneo. Mais seriamente, a
daptomicina pode causar miopatia e elevação dos níveis de creatina fosfoquinase (CPK), o que requer
monitoramentosemanal. Em casos raros, pode ocorrer rabdomiólise, uma condição grave que envolve
a degradação do tecido muscular. Por isso, recomenda-se precaução no uso concomitante da
daptomicina com outros medicamentos que possam aumentar o risco de toxicidade muscular.
Para que serve
É usada para tratar infecções complicadas da pele e estruturas da pele causadas por bactérias Gram-
positivas, bacteremia causada por Staphylococcus aureus (incluindo aquelas que são resistentes à
meticilina) e endocardite direita causada por Staphylococcus aureus ou Streptococcus spp. Devido ao
seu mecanismo de ação único e espectro de atividade, a daptomicina é uma opção valiosa para o
tratamento de infecções graves por bactérias Gram-positivas, especialmente aquelas resistentes a
outros antibióticos.
Atividade conceitual
A membrana plasmática de bactérias é afetada principalmente por polimixinas e daptomicina. Qual das
seguintes opções contém informações verdadeiras sobre os fármacos que causam danos à membrana celular
de bactérias?
A Polimixina e daptomicina são eficazes contra bactérias Gram-negativas, mas apenas a daptomicina é
usada para tratar infecções por MRSA.
B A polimixina atua interrompendo a síntese de proteínas bacterianas, enquanto a daptomicina interfere
na síntese de ácidos nucleicos.
C A polimixina é usada principalmente contra bactérias Gram-negativas resistentes, enquanto a
daptomicina é eficaz contra bactérias Gram-positivas, incluindo MRSA.
D
A daptomicina é eficaz contra um amplo espectro de bactérias, incluindo Gram-positivas e Gram-
negativas, enquanto a polimixina é limitada a bactérias Gram-positivas.
E A polimixina é conhecida por sua baixa toxicidade e é considerada uma opção segura para uso
prolongado em pacientes de todas as idades.
A alternativa C está correta.
As polimixinas são antibióticos que atacam principalmente bactérias Gram-negativas resistentes, causando
danos à membrana celular, enquanto a daptomicina é eficaz contra bactérias Gram-positivas, incluindo
cepas resistentes, como MRSA, por meio de um mecanismo similar de dano à membrana. As outras opções
contêm afirmações imprecisas ou incorretas sobre esses fármacos.
Caso clínico
Neste vídeo, analisamos o caso clínico e damos uma explicação detalhada sobre sua aplicação prática e os
conceitos abordados.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Em um hospital de médio porte, a equipe médica deparou com um caso desafiador envolvendo Marcos, um
paciente de 58 anos. Marcos, um engenheiro civil aposentado com um histórico de diabetes tipo 2 e
hipertensão, foi admitido no hospital apresentando febre alta persistente, dor intensa na região abdominal e
sinais claros de desidratação.
Paciente e sua esposa ouvindo o diagnóstico do médico.
Após uma bateria de exames, incluindo culturas de sangue e urina, além de imagens de ressonância
magnética (RM) do abdômen, foi identificada a presença de Escherichia coli resistente a múltiplos antibióticos.
Essa cepa é notória por causar infecções complicadas não apenas no trato urinário, mas também em outros
órgãos. O diagnóstico foi particularmente preocupante devido ao histórico de saúde de Marcos, pois
condições como diabetes e hipertensão podem complicar significativamente o tratamento de infecções
graves.
 
Inicialmente, a equipe médica optou por tratar Marcos com daptomicina. No entanto, o tratamento com esse
fármaco não produziu os resultados esperados, o que levou a equipe a reconsiderar a estratégia de
tratamento. Diante disso, a equipe médica decidiu trocar a daptomicina por ciprofloxacino, devido à sua
conhecida eficácia contra cepas resistentes e à sua capacidade de penetrar eficientemente nos tecidos;
propriedade essencial para combater a infecção nos diversos órgãos afetados.
Resumindo
A equipe médica adotou uma abordagem multidisciplinar, envolvendo especialistas em infectologia,
nefrologia e endocrinologia, para gerenciar de forma integrada a infecção bacteriana e as condições
crônicas do paciente. O tratamento foi cuidadosamente monitorado, com ajustes na dosagem do
antibiótico sendo realizados com base na resposta do paciente e na evolução da infecção. A equipe
também estava atenta aos possíveis efeitos adversos do ciprofloxacino, especialmente considerando a
condição de saúde preexistente de Marcos e o uso concomitante de outros medicamentos para tratar
sua diabetes e sua hipertensão. 
Durante o tratamento, surgiram complicações adicionais, incluindo uma leve insuficiência renal, o que exigiu
ajustes na medicação e estratégias de hidratação mais agressivas para apoiar a função renal de Marcos e
facilitar a eliminação da infecção. Apesar desses desafios, a resposta ao tratamento foi positivamente
observada após algumas semanas, com a resolução dos sintomas mais graves e uma melhora significativa nos
exames de seguimento.
 
Pondere sobre o caso e responda às seguintes questões:
Questão 1
A escolha inicial por tratar Marcos com daptomicina foi prudente?
Chave de resposta
A daptomicina é um antibiótico lipopeptídico potente, geralmente reservado para o tratamento de
infecções graves causadas por bactérias Gram-positivas. Ela não é eficaz contra bactérias Gram-
negativas, como Escherichia coli. Logo, a utilização desse fármaco não foi prudente.
Questão 2
Considerando a resistência da cepa de Escherichia coli identificada no caso de Marcos, por que o
ciprofloxacino foi considerado uma opção de tratamento interessante após a falha da daptomicina?
Chave de resposta
O ciprofloxacino é um antibiótico de amplo espectro, eficaz contra uma variedade de bactérias Gram-
positivas e Gram-negativas, incluindo cepas resistentes de E. coli.
Questão 3
No caso apresentado, foram administrados ao paciente dois agentes antibacterianos: a daptomicina e o
ciprofloxacino. Descreva o mecanismo de ação desses fármacos.
Chave de resposta
A daptomicina interage com a membrana celular das bactérias Gram-positivas. Ela se liga ao cálcio
presente na membrana, formando um complexo que causa a rápida despolarização da membrana. O
ciprofloxacino, por outro lado, é um antibiótico da classe das quinolonas que age inibindo duas enzimas
bacterianas críticas: a DNA girase e a topoisomerase IV. Ambas são essenciais para a replicação e reparo
do DNA bacteriano.
4. Desafios e estratégias em antibioticoterapia
Resistência antimicrobiana
Neste vídeo, entenderemos o uso racional dos agentes antimicrobianos e os mecanismos de resistência, além
de estratégias para minimizar o surgimento dessa resistência.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O tratamento farmacológico de doenças infecciosas é único. Na farmacoterapia da maioria das doenças,
administramos medicamentos que têm ação farmacológica em algum receptor ou proteína no paciente. Ao
tratar infecções, damos antibióticos para que exerçam um efeito farmacológico desejado no organismo que
está causando infecção no paciente, de modo que efeitos diretos dos antibióticos nos pacientes não são
desejados e são considerados adversos.
Uso racional de antibióticos e mecanismos de resistência
Embora os antibióticos sejam, sem dúvida, uma das descobertas mais benéficas da ciência, seu uso traz
riscos e, portanto, precisa ser feito de maneira racional, respeitando alguns princípios básicos. Os antibióticos
podem afetar adversamente os pacientes, provocando reações alérgicas, causando toxicidade direta ou
alterando a flora bacteriana, levando a superinfecções com outros organismos.
Reflexão
O uso de antibióticos é a principal força motriz no desenvolvimento da resistência a esses mesmos
antibióticos, que pode afetar não apenas os pacientes tratados, mas outros pacientes por meio da
transmissão de organismos resistentes. É importante ter em mente todas essas potencialidades para
consequências adversas ao usar antibióticos. 
O aparecimento de resistência aos antibióticos é, talvez, um dos problemas que mais assombram
infectologistas de todo o mundo. Hoje, já foram identificadas bactériasresistentes a todos os antibióticos
conhecidos e para as quais não há tratamento eficaz disponível.
 
Os múltiplos mecanismos pelos quais a resistência ocorre, apesar de complexos, podem ser
simplificados em quatro tipos básicos principais:
Permeabilidade reduzida da membrana bacteriana 
A membrana bacteriana pode ser menos permeável ao antibiótico, dificultando sua penetração e
reduzindo sua concentração intracelular. Isso pode ocorrer devido a alterações na composição da
parede celular, perda ou modificação de canais de porinas, ou à formação de biofilmes.
Modificações enzimáticas que degradam o antibiótico
Algumas bactérias produzem enzimas, como as betalactamases, que destroem o antibiótico antes
que ele atue, neutralizando sua eficácia.
Alterações no alvo molecular do antibiótico
Mudanças nos alvos moleculares, como modificações ribossomais, podem impedir que o antibiótico
se ligue ao seu local de ação, reduzindo sua eficácia.
Efluxo ativo dos fármacos
O efluxo ativo bombeando antibióticos de dentro para fora da bactéria também pode ocorrer,
diminuindo as concentrações intracelulares da droga. O exemplo de bombeamento de tetraciclina
para fora da bactéria em patógenos resistentes a esse antibiótico é bastante
Vejamos o resumo dos itens tratados acima na imagem a seguir.
Mecanismo de resistência antimicrobiana.
O primeiro princípio básico para uso de antibióticos é o de administrar esses medicamentos quando o
paciente realmente apresenta uma infecção (nesse momento, focamos apenas as infecções bacterianas).
Uma porcentagem substancial de todo o uso de antibióticos é direcionada a pacientes que não são
verdadeiramente infectados, mas em quem os organismos são isolados a partir de um procedimento
de cultura.
O isolamento de Staphylococcus epidermidis de uma única hemocultura ou de espécies de cândida de uma
cultura urinária em um paciente cateterizado é uma situação comum na qual o paciente deve ser examinado
para determinar se há realmente uma infecção.
Recomendação
O diagnóstico de certeza de uma infecção deve ser buscado a todo custo para justificar o uso de
antibióticos. Muitas das vezes, um teste simples ou um exame cuidadoso poderia distinguir um resfriado
comum de uma infecção bacteriana, evitando o uso de antibióticos em milhões de pessoas e, com isso,
diminuindo a incidência de resistência microbiana e efeitos adversos. 
Um segundo princípio básico é a utilização de drogas de espectro estreito sempre que possível. Agentes de
espectro mais amplo multiplicam o número de bactérias afetadas pela droga, aumentando as chances de
desenvolvimento de resistência e superinfecção (uma infecção que aparece durante o tratamento de uma
primeira infecção em função do efeito do antibiótico selecionando uma bactéria resistente).
 
Mais amplo e mais novo não são sinônimos de melhor. Por exemplo, a boa e velha penicilina mata organismos
suscetíveis mais rapidamente do que quase qualquer droga no mercado.
 
Um outro princípio básico é a utilização de doses adequadas do antibiótico. As bactérias expostas a baixas
concentrações de antibióticos são mais passíveis de desenvolver resistência do que aquelas expostas a doses
efetivas. Afinal, bactérias mortas não sofrem mutação ou outros processos que levem à resistência. Assim, a
observação rigorosa da farmacodinâmica e da farmacocinética do antibiótico em uso leva a uma menor
probabilidade de que a resistência se desenvolva.
 
Por fim, é importante mencionar que, sempre que antibióticos são utilizados, devemos buscar a menor
duração possível de tratamento que seja capaz de controlar definitivamente a infecção. Infelizmente, a
duração da terapia é uma das áreas menos estudadas das doenças infecciosas. As durações são geralmente
de 5, 7, 10 ou 14 dias, mais alinhadas ao nosso sistema decimal e aos dias em uma semana do que a qualquer
outra coisa estudada com precisão.
Como acontece a resistência a antibióticos.
Novos estudos estão mostrando que durações mais curtas da terapia geralmente são tão eficazes quanto
cursos prolongados e possivelmente menos propensas a selecionar resistência. À medida que os estudos
progridem e determinam fatores adicionais que indicam quando as infecções são suficientemente tratadas,
deve ser possível definir com mais precisão a duração da terapia paciente a paciente. A figura anterior ilustra
como ocorre a resistência bacteriana a antibióticos.
 
Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre as Superbactérias e a Resistência a antibióticos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade conceitual
Um aspecto crítico para o desenvolvimento de terapias antimicrobianas efetivas é o entendimento dos
mecanismos de resistência aos fármacos utilizados. Um desses mecanismos está relacionado a enzimas
produzidas por bactérias. Qual das seguintes afirmações descreve corretamente o papel das enzimas na
resistência bacteriana a antimicrobianos?
A As enzimas alteram a estrutura molecular da água, aumentando a solubilidade dos antimicrobianos.
B As enzimas só atuam sobre antimicrobianos naturais, não afetando os sintéticos.
C As enzimas, como as betalactamases, podem degradar o fármaco antimicrobiano, tornando-o
ineficaz.
D As enzimas são produzidas exclusivamente por bactérias Gram-positivas como mecanismo de defesa.
E Todas as enzimas que contribuem para a resistência bacteriana são de origem exógena.
A alternativa C está correta.
As betalactamases são um exemplo primordial de como as bactérias desenvolvem resistência a uma classe
específica de antibióticos: os betalactâmicos, que incluem penicilinas e cefalosporinas. Essas enzimas
atuam quebrando o anel betalactâmico desses antibióticos, que é fundamental em sua atividade
antimicrobiana.
Regimes antibioticoterápicos
Existem três categorias principais de regimes antibioticoterápicos. São elas:
Terapia profilática
O tratamento é dado para prevenir uma infecção que ainda não se desenvolveu. O uso de terapia
profilática deve ser limitado a pacientes com alto risco de desenvolver infecção, como aqueles em
terapia imunossupressora, aqueles com câncer ou pacientes que passam por alguns tipos de cirurgia.
A probabilidade de infecção por alguns tipos de organismos nesses pacientes é alta e as
consequências da infecção são muito graves; assim, os benefícios superam os riscos e a profilaxia
com antibióticos é indicada.
A chave para entender a profilaxia com antimicrobianos é lembrar que os pacientes que a recebem
não têm uma infecção, mas estão em risco de desenvolvê-la. Um exemplo prático seria a utilização de
trimetoprim/sulfametoxazol para prevenir pneumonia por Pneumocystis jirovecii em pacientes em uso
de ciclosporina e prednisona após transplante hepático.
Terapia empírica
Diferentemente da terapia profilática, a terapia empírica é administrada a pacientes que têm uma
infecção comprovada ou fortemente suspeitada, mas o organismo responsável ainda não foi
identificado. É o tipo de terapia mais comum no dia a dia da prática médica.
Após o médico clínico avaliar a probabilidade de uma infecção baseada em exame físico, resultados
laboratoriais e outros sinais e sintomas, ele geralmente deve coletar amostras para cultura e
coloração Gram. Os resultados para coloração Gram podem ser obtidos de maneira rápida;
entretanto, os resultados da cultura para identificar o microrganismo e o antibiograma, que testa a
suscetibilidade dele a vários antibióticos, podem demorar vários dias. Dessa forma, a terapia empírica
é geralmente iniciada antes que o clínico saiba a identidade exata e as suscetibilidades do organismo
causador (por isso, é chamada empírica). A terapia empírica é o nosso melhor palpite sobre qual
antimicrobiano deve ser mais ativo contra a provável causa de infecção. Às vezes, estamos certos, e,
às vezes, estamos errados.
Lembre-se de que a terapia empírica não deve ser direcionada contra todos os microrganismos na
natureza — apenas àqueles com maior probabilidade de causar a infecção em questão. Um exemplo
comum seriaa utilização de levofloxacina para um paciente com pneumonia comunitária presumida.
Tratamento definitivo
Depois que os resultados de cultura e antibiograma são conhecidos, a fase definitiva do tratamento
pode começar. Ao contrário da terapia empírica, com a terapia definitiva sabemos em qual organismo
basear nosso tratamento e qual medicamento deve funcionar.
Nessa fase, é prudente escolher agentes antimicrobianos que sejam seguros, eficazes, com espectro
estreito e econômico. Isso ajuda a evitar toxicidade desnecessária, falhas no tratamento e possível
surgimento de resistência antimicrobiana, além de ajudar a gerenciar custos. Em geral, depois da
troca da terapia empírica para a definitiva, ocorre uma diminuição da cobertura porque não
precisamos atingir organismos que não causam infecção no paciente em questão.
O médico que está tratando um paciente infectado deve sempre se esforçar para realizar a transição
para a terapia definitiva. Embora pareça óbvio, isso nem sempre ocorre. Se o paciente melhora com o
tratamento empírico, os médicos muitas vezes ficam relutantes em fazer a transição para uma terapia
de espectro mais estreito. É bem verdade que muitos médicos, agindo em nível ambulatorial,
frequentemente pulam a etapa de coleta da cultura iniciando a terapia empírica e aguardando seu
desfecho. Isso ocorre devido a pressões no tempo ou ao custo e ao inconveniente de se obter
culturas em pacientes com infecções de baixa gravidade. O uso frequente de antibióticos de amplo
espectro empiricamente é um fator importante e, em grande parte, responsável pela crise de aumento
de resistência aos antimicrobianos. Como exemplo, podemos citar a transição de piperacilina/
tazobactam para ampicilina em um paciente com infecção de ferida causada por Enterococcus
faecalis, suscetível a ambas as drogas.
Vamos pensar juntos?
 
Em um hospital, uma equipe de saúde está diante de um caso de infecção bacteriana grave em um paciente. A
suspeita é de que a infecção seja causada por uma cepa bacteriana resistente. A equipe discute a melhor
abordagem para iniciar o tratamento, sabendo que os resultados dos testes de cultura e sensibilidade
demorarão algum tempo para ficar prontos. Diante dessa situação, qual abordagem você pretende adotar para
lidar com essa questão?
Iniciar imediatamente a terapia empírica com antibióticos de amplo espectro: considerando a
gravidade da situação, a equipe decide iniciar o tratamento com um antibiótico de amplo espectro,
planejando ajustar a terapia assim que os resultados dos testes de cultura e sensibilidade estiverem
disponíveis.
Correto. Iniciar a terapia empírica com antibióticos de amplo espectro é uma prática comum e
necessária em casos de infecções graves, em que o atraso no tratamento pode ser prejudicial ao
paciente. É importante ajustar o tratamento assim que os resultados dos testes de cultura e
sensibilidade estiverem disponíveis, para evitar o uso desnecessário de antibióticos e combater a
resistência antimicrobiana.
Aguardar os resultados dos exames de cultura e sensibilidade: a equipe considera administrar apenas
suporte clínico ao paciente enquanto aguarda os resultados dos exames para iniciar um tratamento
direcionado, evitando o uso precoce de antibióticos.
Incorreto. Embora seja importante usar antibióticos de forma criteriosa, aguardar os resultados dos
exames de cultura e sensibilidade em casos de infecções graves pode atrasar o tratamento
necessário, colocando o paciente em risco.
Realizar uma avaliação clínica detalhada para escolher um antibiótico mais específico: antes de tomar
qualquer decisão, a equipe decide realizar uma avaliação clínica detalhada do paciente, incluindo
histórico médico e sinais clínicos, para tentar identificar o agente infeccioso mais provável e escolher
um antibiótico que seja eficaz contra ele, mesmo antes dos resultados dos testes.
Incorreto. Realizar uma avaliação clínica detalhada é uma prática recomendável para escolher o
antibiótico mais apropriado. No entanto, em casos de infecções graves, a terapia empírica não deve
ser atrasada. A decisão deve ser baseada no conhecimento clínico e epidemiológico local, ajustando-
se conforme necessário quando os resultados dos testes estiverem disponíveis.
Acompanhe neste vídeo, uma análise dos regimes antibioticoterápicos, com explicações sobre as terapias
profilática, empírica e definitiva, e a escolha apropriada de cada uma delas conforme a situação clínica.
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Atividade conceitual
A terapia antimicrobiana empírica é uma abordagem utilizada no tratamento de infecções antes que os
resultados específicos dos testes de sensibilidade aos antimicrobianos estejam disponíveis. Qual é a principal
vantagem da terapia antimicrobiana empírica no tratamento de infecções graves?
A
Permite o uso de uma gama mais ampla de antibióticos, aumentando as chances de resistência
bacteriana.
B Atrasa o início do tratamento até que o patógeno exato e seu perfil de sensibilidade aos antibióticos
sejam identificados.
C Evita a necessidade de realizar testes diagnósticos, reduzindo o custo geral do tratamento.
D Inicia o tratamento rapidamente, potencialmente reduzindo a morbidade e a mortalidade associadas à
infecção.
E Garante que apenas antibióticos de amplo espectro sejam utilizados, simplificando o regime de
tratamento.
A alternativa D está correta.
A principal vantagem da terapia antimicrobiana empírica é sua capacidade de iniciar o tratamento
rapidamente, sobretudo em casos de infecções graves ou potencialmente fatais. Essa abordagem é
baseada na escolha de um ou mais antibióticos que têm uma alta probabilidade de serem eficazes contra
os patógenos mais prováveis, dada a condição clínica e os padrões locais de resistência, antes que os
resultados dos testes de laboratório estejam disponíveis. O objetivo é reduzir o risco de complicações
graves ou morte, oferecendo tratamento imediato que pode ser ajustado mais tarde conforme os
resultados dos testes e a resposta do paciente.
Caso clínico
No município de Nova Esperança, o cenário na área da saúde estava cada vez mais preocupante,
especialmente no Hospital Geral, onde a enfermeira-chefe, Maria, notou um aumento significativo de
pacientes com infecções resistentes aos antibióticos tradicionais. Esse fenômeno era particularmente
alarmante na ala de neonatologia, onde recém-nascidos, devido a seus sistemas imunológicos imaturos,
estavam em grande risco.
João, bebê prematuro, recebendo atendimento.
João, um bebê prematuro, tornou-se um caso emblemático dessa crise. Logo após seu nascimento, ele
desenvolveu uma infecção bacteriana severa. Após múltiplas tentativas de tratamento falharem, testes
laboratoriais revelaram que a causa era uma cepa bacteriana altamente resistente a vários antibióticos. A
situação obrigou a equipe médica a recorrer a medicamentos de última geração, mais caros e com potenciais
efeitos colaterais adversos, incluindo risco de toxicidade renal e desbalanço da microbiota intestinal; fatores
particularmente preocupantes para um recém-nascido.
 
A gravidade da situação de João levou a uma reflexão profunda sobre as práticas de prescrição e o uso de
antibióticos no hospital. Uma revisão interna identificou que o uso indiscriminado desses medicamentos, não
apenas no ambiente hospitalar, mas também na comunidade, contribuía significativamente para o problema da
resistência antimicrobiana. Com frequência, antibióticos eram prescritos para condições virais, para as quais
são ineficazes, ou usados por períodos inadequados; ambos fatores que favorecem o desenvolvimento de
resistência.
 
Diante desse cenário, Maria liderou a implementação de um programa de gestão de antibióticos no hospital,
com o objetivo de educar a equipe de saúde sobre a prescrição responsável e a importância de seguir
estritamente os protocolos de tratamento baseados em evidências. O programa incluiu a criação de um comitê
de supervisão para revisar todas as prescrições de antibióticose monitorar o uso desses medicamentos, além
de desenvolver diretrizes mais rígidas para seu uso.
 
Paralelamente, foram iniciadas campanhas de conscientização na comunidade para informar sobre os riscos
do uso inadequado de antibióticos, incluindo a automedicação e a solicitação de antibióticos para tratamento
de doenças virais. Essas ações visavam reduzir a pressão sobre os profissionais de saúde para prescrever
antibióticos sem necessidade e encorajar a população a adotar práticas mais responsáveis no uso desses
medicamentos.
 
Pondere sobre o caso e responda às seguintes questões:
Questão 1
Considerando o caso de João e a situação geral do Hospital Geral de Nova Esperança, discuta as possíveis
causas para o aumento da resistência antimicrobiana observada.
Chave de resposta
A resistência antimicrobiana observada no Hospital Geral de Nova Esperança pode ser atribuída à
prescrição excessiva e ao uso inadequado de antibióticos, como tratamento para doenças virais ou uso
sem completar o ciclo prescrito. Isso seleciona cepas bacterianas resistentes, que se multiplicam e se
espalham.
Questão 2
No caso apresentado, foram feitas várias tentativas empíricas de tratamento antes de identificar a cepa
bacteriana resistente. Discuta os benefícios e os riscos associados à aplicação da terapia empírica em
ambientes hospitalares.
Chave de resposta
A terapia empírica, usada no caso de João para tratamento imediato baseado em sintomas antes da
identificação do patógeno, é essencial em situações urgentes, especialmente na neonatologia. No entanto,
ela pode contribuir para a resistência antimicrobiana ao utilizar antibióticos sem direcionamento específico.
Para minimizar esses riscos, é importante aprimorar os diagnósticos rápidos, seguir diretrizes clínicas para
a escolha de antibióticos e ajustar a terapia com base em resultados laboratoriais.
Questão 3
De acordo com o caso, João, desenvolveu uma infecção por uma cepa bacteriana resistente. Discuta os
possíveis mecanismos de resistência que as bactérias podem desenvolver contra os antibióticos. Explique
como o conhecimento desses mecanismos pode influenciar as estratégias de tratamento em um ambiente
hospitalar.
Chave de resposta
Os mecanismos de resistência bacteriana envolvem alterações que reduzem a eficácia dos antibióticos,
como modificação do sítio-alvo, degradação do antibiótico, alteração da permeabilidade da membrana e
expulsão ativa do antibiótico. No caso de João, uma infecção resistente indica a presença desses
mecanismos, dificultando o tratamento. A compreensão desses mecanismos é vital para escolher
tratamentos eficazes, especialmente em unidades de neonatologia, pois orienta a seleção de antibióticos
menos suscetíveis à resistência.
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5. Conclusão
Considerações finais
O que você aprendeu neste conteúdo?
Descobertas nas três primeiras décadas do século XX moldaram a terapia antimicrobiana moderna.
 
Os antimicrobianos podem ser classificados de diversas formas, e esse entendimento é essencial na
prática clínica para orientar o uso desses fármacos.
 
Fármacos antimicrobianos atuam sobre diferentes alvos celulares e moleculares (membrana
plasmática, parede celular, ácidos nucleicos, síntese de proteínas) para combater infecções.
 
Os diversos fármacos antibacterianos atualmente utilizados apresentam vantagens e desvantagens
que precisam ser avaliadas antes que sejam administrados no paciente.
 
Apesar de existirem diversos fármacos antibacterianos, o desenvolvimento de resistência impõe
desafios significativos ao tratamento de infecções.
 
Regimes antibioticoterápicos devem ser cuidadosamente selecionados para otimizar os resultados do
tratamento e minimizar riscos.
Explore+
Leia o texto Uso racional de antimicrobianos, de Letícia Mota e outros autores. Pesquise por esse texto
no site da revista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.
Referências
HARDMAN J. G. et al. Goodman and Gilman’s pharmacological basis of therapeutics. 10. ed. USA: McGraw-Hill,
2001. cap. 26, 27 e 60.
 
RANG, H. P. et al. Rang & Dale farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. cap. 26 e 33.
 
SILVA, P. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. cap. 42, 57 e 82.
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	Antibióticos
	1. Itens iniciais
	Objetivos
	Introdução
	1. Introdução à quimioterapia antimicrobiana
	Histórico da quimioterapia antimicrobiana
	Conteúdo interativo
	Comentário
	Atividade conceitual
	Classificação de antimicrobianos
	Conteúdo interativo
	Antibacterianos
	Antivirais
	Antifúngicos
	Antiparasitários
	Prescrever imediatamente um antibiótico de amplo espectro, supondo que a causa seja bacteriana, sem realizar testes específicos para confirmar a natureza da infecção.
	Recomendar remédios caseiros, como chás e gargarejos com água salgada, insistindo que isso é suficiente para tratar os sintomas do paciente, independentemente da causa subjacente.
	Solicitar exames específicos para identificar se a causa da tosse e da dor de garganta é viral ou bacteriana, antes de tomar uma decisão sobre o tratamento, considerando o uso de tratamento sintomático para aliviar os sintomas no ínterim.
	Exemplo
	Atividade conceitual
	Alvos celulares e moleculares para ação dos antimicrobianos
	Conteúdo interativo
	Conheça mais alguns pontos entre as diferenças bioquímicas, a seguir:
	Membrana plasmática
	Síntese de folato
	Síntese de peptideoglicanos
	Síntese proteica
	Síntese de ácidos nucleicos
	Atividade conceitual
	Caso clínico
	Conteúdo interativo
	2. Fármacos que inibem a síntese de parede celular
	Penicilinas
	Conteúdo interativo
	Entretanto, para tornar as coisas menos complexas, todos os beta-lactâmicos têm algumas coisas em comum:
	Conheça agora os efeitos adversos que todos os beta-lactâmicos têm em comum:
	Primeiro efeito adverso
	Segundo efeito adverso
	Terceiro efeito adverso
	Mecanismo de ação
	Penicilinas naturais
	Penicilina G, penicilina V
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Penicilinas antiestafilocócicas
	Nafcilina, oxacilina, dicloxacilina, meticilina, cloxacilina
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Aminopenicilinas
	Amoxicilina, ampicilina
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Penicilinas antipseudomonais
	Piperacilina, ticarcilina
	Espectro
	Efeitos adversos
	Combinações de penicilina/inibidor de beta-lactamase
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Atividade conceitual
	Cefalosporinas
	Conteúdo interativo
	Relação entre espectro de ação e gerações das cefalosporinas
	Cefalosporinas de primeira geração
	Cefazolina, cefalexina, cefadroxil, cefalotina
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Cefalosporinas de segunda geração
	Cefuroxima, cefoxitina, cefotetan, cefprozil, cefmetazol, cefonicid, cefamandol, cefaclor
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Cefalosporinas de terceira geração
	Ceftriaxona, cefotaxima, ceftazidima, cefdinir, cefpodoxime, cefixime, ceftibuten
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Cefalosporinas de quarta geração
	Cefepime, cefpiroma
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Cefalosporinas anti-MRSA
	Ceftarolina
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Atividade conceitual
	Vancomicina e Bacitracina
	Conteúdo interativo
	Vancomicina
	Mecanismo de ação
	Espectro de ação
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Bacitracina
	Mecanismo de ação
	Espectro de ação
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Administrar um antibiótico de amplo espectro não específico para inibição da síntese da parede celular, esperando abranger a bactéria causadora da infecção juntamente com uma gama de outros patógenos, apesar de não ser o mais direcionado para esse caso.
	Utilizar um antibiótico glicopeptídeo específico para a bactéria identificada, que atua diretamente na inibição da síntese da parede celular, com base na sensibilidade demonstrada pelos testes, adequando-se perfeitamente ao perfil da infecção.Optar por tratamento sintomático, focando aliviar os sintomas do paciente enquanto se aguarda uma resposta imunológica natural, sem administrar antibióticos direcionados à síntese da parede celular.
	Atividade conceitual
	Caso clínico
	Conteúdo interativo
	3. Outros fármacos antimicrobianos
	Inibidores da síntese de proteínas
	Conteúdo interativo
	Macrolídeos
	Claritromicina, azitromicina e eritromicina
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que servem?
	Cloranfenicol
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Tetraciclinas
	Doxiciclina, minociclina e tetraciclina
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Aminoglicosídeos
	Gentamicina, tobramicina, amicacina, estreptomicina, espectinomicina
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Atividade conceitual
	Inibidores da síntese de ácidos nucleicos
	Conteúdo interativo
	Antagonistas do folato
	Trimetoprim, sulfametoxazol, dapsona, pirimetamina, sulfadiazina, sulfadoxina
	Comentário
	Mecanismo de ação
	Espectro
	Efeitos adversos
	Para que serve?
	Quinolonas
	Mecanismo de ação
	Espectro de ação
	Efeitos adversos
	Para que serve
	Rifamicinas
	Mecanismo de ação
	Espectro de ação
	Efeitos adversos
	Para que serve
	Atividade conceitual
	Promotores de dano à membrana
	Conteúdo interativo
	Polimixinas
	Mecanismo de ação
	Espectro de ação
	Efeitos adversos
	Para que serve
	Daptomicina
	Mecanismo de ação
	Espectro de ação
	Efeitos adversos
	Para que serve
	Atividade conceitual
	Caso clínico
	Conteúdo interativo
	Resumindo
	4. Desafios e estratégias em antibioticoterapia
	Resistência antimicrobiana
	Conteúdo interativo
	Uso racional de antibióticos e mecanismos de resistência
	Reflexão
	Os múltiplos mecanismos pelos quais a resistência ocorre, apesar de complexos, podem ser simplificados em quatro tipos básicos principais:
	Permeabilidade reduzida da membrana bacteriana
	Modificações enzimáticas que degradam o antibiótico
	Alterações no alvo molecular do antibiótico
	Efluxo ativo dos fármacos
	Recomendação
	Conteúdo interativo
	Atividade conceitual
	Regimes antibioticoterápicos
	Terapia profilática
	Terapia empírica
	Tratamento definitivo
	Iniciar imediatamente a terapia empírica com antibióticos de amplo espectro: considerando a gravidade da situação, a equipe decide iniciar o tratamento com um antibiótico de amplo espectro, planejando ajustar a terapia assim que os resultados dos testes de cultura e sensibilidade estiverem disponíveis.
	Aguardar os resultados dos exames de cultura e sensibilidade: a equipe considera administrar apenas suporte clínico ao paciente enquanto aguarda os resultados dos exames para iniciar um tratamento direcionado, evitando o uso precoce de antibióticos.
	Realizar uma avaliação clínica detalhada para escolher um antibiótico mais específico: antes de tomar qualquer decisão, a equipe decide realizar uma avaliação clínica detalhada do paciente, incluindo histórico médico e sinais clínicos, para tentar identificar o agente infeccioso mais provável e escolher um antibiótico que seja eficaz contra ele, mesmo antes dos resultados dos testes.
	Conteúdo interativo
	Atividade conceitual
	Caso clínico
	Conteúdo interativo
	5. Conclusão
	Considerações finais
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	Referênciaso tratamento de doenças infecciosas e
estabeleceu a base para a descoberta e o desenvolvimento de novos medicamentos antimicrobianos.
 
A síntese de fármacos antimicrobianos teve outro marco histórico importante: o desenvolvimento do Prontosil
na década de 1930. Descoberto por Gerhard Domagk (1895-1964), o Prontosil foi o primeiro antibiótico
sulfonamida a ser utilizado com sucesso contra uma variedade de infecções bacterianas. O Prontosil
demonstrou ser eficaz tanto in vitro quanto in vivo, marcando o início da era dos antibióticos sulfonamídicos. A
descoberta de Domagk rendeu-lhe o Prêmio Nobel de Medicina em 1939, embora ele tenha sido impedido de
recebê-lo na época devido às políticas do regime nazista na Alemanha.
Caixa contendo cinco ampolas de Prontosil.
Apesar de Paul Ehrlich e, 20 anos depois, Gerhard Domagk, impulsionarem a síntese de substâncias
antimicrobianas, um dos maiores acontecimentos da história da medicina foi a descoberta da penicilina por
Alexander Fleming em 1928. Fleming observou que uma cultura de bactérias Staphylococcus foi contaminada
por um fungo do gênero Penicillium, que secretava uma substância capaz de matar as bactérias circundantes.
Esse composto, que Fleming chamou de penicilina, tornou-se o primeiro antimicrobiano natural a ser
amplamente utilizado.
Alexander Fleming.
A penicilina revolucionou o tratamento de infecções
bacterianas, salvando inúmeras vidas durante a Segunda
Guerra Mundial e nas décadas seguintes. O
desenvolvimento e a produção em massa da penicilina
envolveram esforços significativos de cientistas como
Howard Florey e Ernst Boris Chain, que, junto com Fleming,
foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina em
1945.
A síntese de substâncias antimicrobianas e a descoberta de
que microrganismos também são capazes de produzir esses
fármacos estabeleceram a base para a moderna
quimioterapia antimicrobiana, transformando radicalmente o
tratamento de doenças infecciosas e impactando
profundamente a saúde pública global. Atualmente, são comercializados no Brasil aproximadamente 40
classes de fármacos antimicrobianos, que permitem o tratamento das mais diversas doenças infecciosas,
sejam elas bacterianas, virais, fúngicas, sejam parasitárias.
Atividade conceitual
Paul Ehrlich foi um cientista alemão que teve um papel essencial no desenvolvimento da quimioterapia
antimicrobiana. Suas pesquisas e descobertas abriram caminho para o tratamento de diversas doenças
infecciosas, sendo ele amplamente reconhecido por sua abordagem inovadora no uso de compostos químicos
para combater infecções. Qual dessas inovações é creditada a ele?
A Descoberta da estreptomicina
B Criação do primeiro antibiótico sintético.
C Desenvolvimento do Salvarsan para tratamento da sifilis.
D Descoberta da penicilina.
E Invenção da vacina contra tuberculose.
A alternativa C está correta.
Paul Ehrlich teve um interesse profundo na idea de que poderia ser possível criar compostos quimicos que
seletivamente matassem patógenos sem causar danos ao hospedeiro. Sua pesquisa levou ao
desenvolvimento do Salvarsan, o primeiro medicamento eficaz no tratamento da sifilis, uma doença
sexualmente transmissivel causada pela bactéria.
Classificação de antimicrobianos
Neste vídeo, conheceremos as diferentes classificações dos fármacos antimicrobianos, explicadas de acordo
com fatores como o microrganismo-alvo, a natureza da ação, a origem, o espectro de ação, a estrutura
química e o mecanismo de ação.
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A classificação de antimicrobianos é um aspecto fundamental na microbiologia e na medicina, pois ajuda a
orientar o tratamento eficaz de infecções causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas. Os
antimicrobianos são agentes que atuam para inibir o crescimento ou para destruir microrganismos
patogênicos, e sua classificação é baseada em diversos critérios, incluindo o tipo de microrganismo contra o
qual são eficazes, seu mecanismo de ação, sua origem e sua estrutura química.
 
De acordo com o microrganismo-alvo, os antimicrobianos podem ser classificados em:
Antibacterianos
Específicos contra bactérias.
Antivirais
Destinados ao tratamento de infecções virais.
Antifúngicos
Usados para tratar infecções fúngicas.
Antiparasitários
Direcionados a infecções causadas por parasitas.
Além da classificação relacionada ao alvo de ação, os antimicrobianos podem ser classificados de acordo com
a natureza da sua ação. Uma substância pode matar os microrganismos ou impedir a sua multiplicação sem
matá-los. No primeiro caso, o tratamento será classificado como microbicida (o sufixo -cida vem do latim e
está relacionado à morte). No segundo caso, o tratamento será classificado como microbiostático (a palavra 
estático tem origem no grego e significa parado). Podemos usar essas terminologias associadas ao tipo de
microrganismo que está sendo tratado. Assim, uma substância pode ser bactericida ou bacteriostática caso
afete bactérias. Se o alvo de ação for um fungo, a substância pode ser fungicida ou fungistática.
Microbicida x Microbiostático.
Na figura anterior, podemos observar um gráfico em que o eixo X representa o tempo, e o eixo Y representa o
número de microrganismos. A linha verde indica o crescimento microbiano ao longo do tempo. Sem
tratamento nenhum, o número de microrganismos aumenta à medida que o tempo passa. A linha azul indica o
tratamento com um agente microbiostático.
 
O tratamento em determinado momento (indicado pela seta preta) faz com que o número de microrganismos
não mude ao longo do tempo. Se esses microrganismos forem transferidos para um meio de cultura sem o
agente antimicrobiano, o crescimento ocorrerá normalmente. A linha marrom indica o tratamento com um
agente microbicida. O tratamento (indicado pela seta preta) faz com que o número de microrganismos caia ao
longo do tempo, pois a substância está os matando.
 
Entretanto, por que utilizaríamos uma substância que não mata o microrganismo? Desenvolver agentes
antimicrobianos não é fácil; então, não podemos nos limitar apenas às substâncias que de fato matam os
microrganismos. Os agentes microbiostáticos inibem sua multiplicação, apresentando dois efeitos:
 
Impedem o agravamento da infecção.
Permitem que o sistema imune monte uma resposta eficaz.
 
Assim, constituem ferramenta valiosa no manejo de doenças infecciosas.
 
Em uma unidade de saúde, você é responsável por avaliar um paciente que apresenta sintomas de tosse
persistente e dor de garganta. Após uma avaliação preliminar, sua equipe considera várias opções para
1. 
2. 
manejar os sintomas e tratar a causa subjacente. Qual das opções a seguir você acha que seria a melhor para
lidar com a situação?
 
Escolher entre as opções:
Prescrever imediatamente um antibiótico de amplo espectro, supondo que a causa seja bacteriana,
sem realizar testes específicos para confirmar a natureza da infecção.
Incorreto. O uso de antibióticos sem confirmação da infecção bacteriana pode contribuir para a
resistência aos antibióticos e tem efeitos colaterais desnecessários. Muitas infecções da garganta e
tosse são de origem viral, contra as quais os antibióticos são ineficazes.
Recomendar remédios caseiros, como chás e gargarejos com água salgada, insistindo que isso é
suficiente para tratar os sintomas do paciente, independentemente da causa subjacente.
Incorreto. Enquanto remédios caseiros podem oferecer algum alívio sintomático, eles não tratam a
causa subjacente da tosse e da dor de garganta. É importante determinar a etiologia da doença para
um tratamento eficaz, especialmente se os sintomas persistirem ou se agravarem.
Solicitar exames específicos para identificar se a causa da tosse e da dor de garganta é viral ou
bacteriana, antes de tomar uma decisão sobre o tratamento, considerando o uso de tratamento
sintomático para aliviar os sintomas no ínterim.
Correto. Solicitar exames específicos é essencial para determinar a causa exata dos sintomas e
permitir um tratamento direcionado.Isso evita o uso desnecessário de antibióticos em casos virais e
garante que o paciente receba o tratamento adequado, seja ele medicamentoso para infecções
bacterianas, seja de suporte para infecções virais.
Os agentes antimicrobianos podem também ser classificados de acordo com sua origem. Alguns
antimicrobianos são naturais, obtidos de microrganismos. A esses fármacos, damos o nome de antibiótico.
Outros fármacos são semissintéticos (modificados a partir de compostos naturais) ou sintéticos
(desenvolvidos inteiramente em laboratório). Alexander Fleming, por exemplo, descobriu que um fungo
(Penicillium) produzia a penicilina. Logo, a penicilina é um antibiótico. Já o agente antifúgico fluconazol foi
totalmente desenvolvido em laboratório. Portanto, ele não é um antibiótico. Corriqueiramente, entretanto, é
comum nos referirmos a qualquer fármaco antimicrobiano como antibiótico, principalmente os agentes
antibacterianos. Como é um termo já enraizado na cultura brasileira, naturalmente na vida profissional falamos
para um paciente que ele deverá fazer uso de um antibiótico para tratar determinada doença,
independentemente se o fármaco tiver origem natural ou não. Essa tecnicalidade do nome antibiótico existe
porque essa palavra vem de antibiose, que é uma interação biológica entre dois microrganismos desvantajosa
para um deles. 
Exemplo
Imagine o solo. Diversos microrganismos vivem ali, em um ambiente com nutrientes limitados. Para
sobreviver, um microrganismo pode produzir uma substância que afete negativamente outros
microrganismos, configurando o processo de antibiose – e a substância, consequentemente, será um
antibiótico. 
Outra classificação de agentes antimicrobianos, geralmente utilizada para fármacos antibacterianos, baseia-
se na gama de microrganismos contra os quais o antimicrobiano é eficaz, ou seja, no seu espectro de ação.
Polimixinas, por exemplo, afetam apenas bactérias Gram-negativas, sendo classificadas como antibacterianos
de espectro limitado. Algumas penicilinas atuam em bactérias Gram-positivas e em algumas bactérias Gram-
negativas, sendo classificadas como antibacterianos de espectro restrito. Já o grupo dos fármacos
antibacterianos de espectro amplo compreende as substâncias que possuem ação contra uma grande
variedade de bactérias, como as Gram-positivas, Gram-negativas e até mesmo intracelulares, como 
Chlamydia sp.
 
Os antimicrobianos podem ser classificados com base em sua estrutura química, o que muitas vezes se
correlaciona com seu mecanismo de ação e espectro de atividade antimicrobiana. Penicilinas e cefalosporinas,
por exemplo, possuem um anel betalactâmico em sua estrutura, sendo agrupadas no grupo dos fármacos
betalactâmicos. Os antifúngicos nistatina e anfotericina B possuem diversas ligações duplas, sendo, portanto,
classificados como agentes poliênicos (poli se refere a muitos e o infixo en indica ligações duplas). Há outras
classes também, como os aminoglicosídeos, que possuem grupamentos amina e açúcares, as tetraciclinas,
que são compostas por quatro anéis cíclicos, e as quinolonas, que possuem um núcleo quinolônico. 
 
Por fim, os fármacos antimicrobianos podem ser classificados conforme o processo biológico que eles inibem,
e é essa a divisão mais utilizada nos livros-texto. As substâncias antibacterianas e antifúngicas atualmente
aprovadas para uso possuem um dos mecanismos de ação a seguir:
 
Inibição da síntese da parede celular.
 
Inibição da síntese proteica.
 
Inibição da síntese de ácidos nucleicos.
 
Alteração da permeabilidade da membrana celular.
 
Todos esses mecanismos de ação envolvem estruturas ou processos essenciais aos microrganismos e, por
isso, são eficazes, na teoria, em combater as doenças infecciosas. Diversos estudos estão em andamento
para verificar se outros alvos moleculares poderiam ser explorados pela indústria farmacêutica para a criação
de novos fármacos antimicrobianos. Entretanto, é necessário garantir que os alvos selecionados sejam
exclusivos dos microrganismos a fim de minimizar efeitos tóxicos em células humanas.
 
Atividade conceitual
Os agentes antimicrobianos podem ser classificados de diversas maneiras. Os fármacos antibacterianos são
muitas vezes agrupados de acordo com seu espectro de ação. Eles são capazes de
A tratar exclusivamente infeccões or bactérias Gram-positivas.
B tratar exclusivamente infecções por bactérias Gram-negativas.
C atuar somente contra virus.
• 
• 
• 
• 
D atuar contra uma variedade de bactérias, incluindo Gram-positivas e Gram-negativas.
E atuar exclusivamente contra fungos.
A alternativa D está correta.
Antibacterianos de espectro amplo são desenhados para serem eficazes contra uma variedade de
bactérias, tanto Gram-positivas quanto Gram-negativas. Essa propriedade os torna particularmente úteis
em situações em que o agente causador da infecção não é conhecido, permitindo um tratamento
abrangente.
Alvos celulares e moleculares para ação dos
antimicrobianos
Acompanhe neste vídeo uma explicação detalhada dos mecanismos celulares e moleculares que são alvos
dos agentes antimicrobianos, incluindo como esses fármacos atuam em processos como a síntese de
proteínas e ácidos nucleicos.
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Praticamente todos os seres vivos apresentam a mesma estrutura conformacional básica (ácidos nucleicos —
DNA e RNA —, proteínas, glicídios e lipídios). Para encontrarmos agentes terapêuticos que afetem os
patógenos, mas não as células humanas, é necessário encontrar diferenças bioquímicas relevantes entre eles.
 
Entre essas diferenças está a parede celular, uma estrutura que contém peptideogliganos, que circunda a
membrana plasmática e não está presente nas células humanas. Devemos lembrar que a parede celular das
bactérias Gram-positivas é diferente daquela encontrada em bactérias Gram-negativas. No primeiro grupo de
bactérias, o componente principal da parede celular é o peptideoglicano. Já a parede celular das bactérias
Gram-negativas possui pouco peptideoglicano e contém uma camada mais externa composta principalmente
por fosfolipídios e lipopolissacarídeo. A síntese do peptideoglicano é um alvo para ação de diversos
antibióticos da classe dos betalactâmicos, como a penicilina, e de glicopeptídeos, como a vancomicina —
muito útil no tratamento de infecções por MRSA e responsável por levar à liberação de histamina após infusão
rápida, causando a famosa síndrome do homem vermelho.
 
Conheça mais alguns pontos entre as diferenças bioquímicas, a seguir:
1Membrana plasmática
A membrana plasmática das bactérias é bastante semelhante à das células humanas, porém pode
ser mais facilmente alterada em algumas bactérias por antibióticos, como a polimixina, que agem
como detergentes destruindo as bactérias. No caso de fungos, a presença de grandes quantidades
de ergosterol na membrana os torna alvos para drogas antifúngicas, como a nistatina e a
anfotericina.
2
Síntese de folato
Algumas reações e vias sintéticas metabólicas são também alvos diferenciáveis entre bactérias e
células humanas. Por exemplo, a via sintética dos folatos é encontrada em bactérias, mas não nos
humanos. Os humanos obtêm o folato, necessário para síntese de DNA, a partir da dieta, enquanto as
bactérias precisam sintetizá-lo. Alguns antibióticos agem exatamente nesse ponto, impedindo a
síntese do folato por meio da inibição de algumas enzimas desta via, como a di-
hidropteroatosintetase (exemplo das sulfamidas) e a di-hidrofolato redutase (exemplo do
trimetoprim).
3
Síntese de peptideoglicanos
Uma outra via sintética frequentemente alvo da ação de antibióticos, já mencionada anteriormente,
é a via de síntese do peptideoglicano, alvo dos antibióticos betalactâmicos.
4
Síntese proteica
A síntese proteica é também um alvo comum para ação de antibióticos. Podemos citar como
exemplos os aminoglicosídeos (gentamicina), as tetraciclinas e os macrolídeos (eritromicina). A
diferença estrutural básica acontece nos ribossomos, estruturas absolutamentefundamentais para
leitura da fita de RNA e síntese das proteínas. Enquanto os ribossomos eucariotos têm duas
subunidades, uma 60S e a outra 40S, as bactérias apresentam ribossomos com subunidades 50S e
30S; portanto, diferentes.
5
Síntese de ácidos nucleicos
Alguns antibióticos inibem também a síntese dos ácidos nucleicos. É possível interferir na síntese de
ácidos nucleicos de diversas maneiras, como por meio da inibição da síntese de nucleotídeos, da
inibição das polimerases de DNA ou RNA, alterando as propriedades de pareamento das bases ou
inibindo a DNA girase ou topoisomerase. Nesse grupo, podemos incluir a rifamicina, a rifampicina e
as fluoroquinolonas (como norfloxacino e ciprofloxacino).
Observe a próxima figura, que ilustra os principais alvos moleculares dos antibióticos mais utilizados,
resumindo o exposto antes. Uma descrição mais detalhada do mecanismo de ação de cada uma dessas
drogas, juntamente com suas aplicações e efeitos adversos, será fornecida a seguir.
Principais alvos moleculares dos antibióticos mais utilizados no tratamento de
infecções bacterianas.
Vejamos a relação dos antimicrobianos divididos por ação:
INIBEM A
SÍNTESE DE
PAREDE
CELULAR
INIBEM A
SÍNTESE
PROTEICA
INIBEM A
REPLICAÇÃO
DO DNA
 
BLOQUEIA A
TRANSCRIÇĀO
DO RNA
 
INIBEM
METABOLISMO
DO ÁCIDO
FÓLICO
 
INIBEM A
FUNÇĀO DA
MEMBRANA
CELULAR
- Penicilinas
- Cefalosporinas
-
Carbopenêmicos
-
Monobactâmicos
- Vancomicina
- Tetraciclinas
(30S)
-
Aminoglicosídeos
(30S)
- Macrolídeos
(50S)
- Cloranfenicol
(50S)
- Clindamicina
(505)
- Linezolida
(50S)
 
- Quinolonas
(DNA girase)
- Rifampicina
(RNA
polimerase)
 
- Sulfonamidas
- Trimetoprima
 
-
Daptomicina
- Polimixina
 
Atividade conceitual
A ação dos fármacos antibacterianos está relacionada à capacidade dessas substâncias em afetar estruturas
ou processos essenciais as microrganismos, levando à sua morte ou impedindo sua multiplicação. Qual
alternativa a seguir contém um dos principais mecanismos de ação de fármacos antibacterianos?
A Indução da produção de toxinas bacterianas para acelerar a morte celular.
Dra. Lívia analisando os exames.
B Competição com nutrientes essenciais para limitar o crescimento bacteriano.
C Inibição de enzimas essenciais para a replicação do DNA bacteriano.
D Promoção da simbiose entre bactérias patogênicas e não patogênicas para diminuir a virulência.
E Estimulação da liberação de enzimas digestivas pelo hospedeiro para degradar a matriz extracelular
bacteriana.
A alternativa C está correta.
Certos fármacos antibacterianos interrompem a replicação do DNA bacteriano por meio da inibição de
enzimas específicas envolvidas nesse processo, como DNA girase. Isso resulta na incapacidade da bactéria
de se reproduzir.
Caso clínico
Em uma pequena cidade de interior, a Dra. Lívia,
médica generalista, atende Pedro, um paciente
de 35 anos que chega ao consultório
apresentando febre alta, tosse produtiva e
cansaço extremo há vários dias. Após um
exame físico detalhado e uma revisão dos
sintomas, a Dra. Lívia suspeita de uma infecção
respiratória, mas está em dúvida entre uma
infecção bacteriana e aspergilose, uma
infecção fúngica, dada a natureza dos sintomas
e o histórico de saúde de Pedro.
 
Para esclarecer o diagnóstico, a Dra. Lívia
solicita uma série de exames laboratoriais,
incluindo uma cultura de escarro e testes
específicos para patógenos fúngicos. Os resultados dos exames revelam a presença de uma bactéria
patogênica, confirmando uma infecção bacteriana, sem evidências de infecção fúngica.
 
Com base nesses resultados, a Dra. Lívia decide prescrever um tratamento com um fármaco antibacteriano,
escolhendo um medicamento específico com base no tipo de bactéria identificada e na sua suscetibilidade.
Ela explica a Pedro que os antibióticos são eficazes contra bactérias, mas seriam ineficazes contra infecções
fúngicas ou virais.
A Dra. Lívia também enfatiza a importância de Pedro completar o curso completo do medicamento prescrito,
mesmo que ele comece a se sentir melhor, para garantir a eliminação completa da infecção e prevenir o
desenvolvimento de resistência bacteriana. Adicionalmente, ela recomenda medidas para fortalecer o sistema
imunológico e prevenir futuras infecções, incluindo repouso adequado, hidratação e uma dieta balanceada.
 
Por fim, a Dra. Lívia fornece a Pedro informações detalhadas sobre sinais de alerta que ele deve monitorar,
como o aumento da dificuldade respiratória, febre persistente ou retorno dos sintomas após a melhora inicial,
que poderiam indicar a necessidade de ajustes no tratamento ou a investigação de outras causas para seus
sintomas.
Questão 1
Explique a importância da distinção entre fármacos antibacterianos e antifúngicos no contexto do caso
apresentado.
Chave de resposta
A eficácia do tratamento depende da correta identificação do agente patogênico causador da infecção,
pois um medicamento projetado para atacar um tipo de patógeno geralmente não é eficaz contra outro. No
caso de Pedro, a identificação de uma infecção bacteriana significa que um antibiótico é o tratamento
correto, enquanto um antifúngico seria ineficaz. Os processos e as estruturas afetados por fármacos
antibacterianos são diferentes daqueles afetados por fármacos antifúngicos.
Questão 2
Considerando que Pedro será tratado com um medicamento antibacteriano, discuta os possíveis mecanismos
de ação desse medicamento.
Chave de resposta
Antimicrobianos que combatem infecções bacterianas agem por meio de mecanismos como inibição da
síntese da parede celular; interferência na produção de proteínas; bloqueio da síntese de DNA e RNA;
alteração da membrana celular e inibição de processos metabólicos vitais, como a síntese do ácido fólico.
Questão 3
Refletindo sobre o caso de Pedro, em que a Dra. Lívia teve de escolher um tratamento antibacteriano
adequado após confirmar a natureza bacteriana da infecção, discuta a importância da classificação dos
antimicrobianos baseada em espectro de atividade e mecanismo de ação na prática clínica.
Chave de resposta
A escolha do antimicrobiano, considerando o espectro de atividade e o mecanismo de ação, assegura que
o tratamento seja direcionado e seguro, reduzindo impactos na microbiota normal do paciente e evitando o
uso indevido de antimicrobianos, o que é fundamental para prevenir a emergência de cepas resistentes e
promover melhores desfechos de saúde.
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2. Fármacos que inibem a síntese de parede celular
Penicilinas
Neste vídeo, conheceremos o estudo dos fármacos beta-lactâmicos, com foco nas penicilinas, suas diferentes
classes, o espectro de ação e possíveis efeitos adversos.
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Os antibióticos beta-lactâmicos incluem uma grande variedade de medicamentos que, por muitas vezes,
causam dúvidas e confusão em estudantes e profissionais de saúde de todas as áreas. Penicilinas,
cefalosporinas e carbapenêmicos são todos beta-lactâmicos.
 
Os monobactâmicos (aztreonam) são estruturalmente semelhantes (têm o anel beta-lactâmico), mas não
apresentam um dos dois anéis que outros beta-lactâmicos têm e apresentam pouca ou nenhuma
alergenicidade cruzada.
Estrutura química dos beta-lactâmicos.
Entretanto, para tornar as coisas menos complexas, todos os beta-lactâmicos têm algumas
coisas em comum:
 
Todos os beta-lactâmicos compartilham um mesmo mecanismo de ação — a inibição de
transpeptidases (isto é, proteínas de ligação à penicilina — PBP) na parede celular bacteriana. Assim,
administrar dois beta-lactâmicos em combinação para a mesma infecção geralmente não é útil.
 
Nenhum beta-lactâmico tem atividade contra organismos atípicos, como Mycoplasma pneumoniae e 
Chlamydophila pneumoniae. Portanto, em terapia empírica, é preciso adicionar outro medicamento ao
seu regime se você estiver preocupado com esses patógenos, como às vezes acontece nos casos de
pneumonia adquirida na comunidade.
 
Praticamentenenhum beta-lactâmico disponível atualmente tem atividade contra as cepas de 
Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). No caso de suspeita, deve ser adicionado à
vancomicina ou à linezolida.
 
1. 
2. 
3. 
Penicilina, estrutura química.
Conheça agora os efeitos adversos que todos os beta-lactâmicos têm em comum:
Primeiro efeito adverso
Todos os beta-lactâmicos podem causar reações de hipersensibilidade (devido à presença do anel
betalactâmico), variando de erupções cutâneas a febre e de nefrite intersticial aguda (NIA) a
anafilaxia.
Segundo efeito adverso
Existe alguma sensibilidade cruzada entre as classes, mas não há como prever exatamente com que
frequência isso ocorrerá.
Terceiro efeito adverso
As convulsões ou outras manifestações neurológicas podem resultar de doses muito altas de
qualquer beta-lactâmico e pode ocorrer acumulação a níveis tóxicos quando a dose de um
betalactâmico não é ajustada adequadamente para o paciente com função renal comprometida, uma
vez que esses antibióticos são excretados principalmente por via urinária.
As penicilinas são uma das maiores e mais
antigas classes de agentes antimicrobianos.
Desde o desenvolvimento das penicilinas
naturais, na década de 1930, novas penicilinas
têm sido desenvolvidas para contrapor o
aumento de resistência antimicrobiana.
 
As penicilinas têm várias coisas em comum:
elas têm meias-vidas muito curtas (bacteriana ao se ligarem às proteínas ligadoras de
penicilina (PBPs), impedindo a tapa de transpeptidação a formação do peptideoglicano. Esse processo é
essencial para manter a integridade estrutural das bactérias. Sem uma parede celular adequadamente
formada, as bactérias tornam-se incapazes de resistir às pressões osmóticas, levando à sua lise e à morte.
Cefalosporinas
Acompanhe neste vídeo as cefalosporinas, com uma análise das diferenças entre as suas gerações, espectro
de ação e efeitos adversos.
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São provavelmente o grupo mais confuso de antibióticos. As cefalosporinas são agrupadas em gerações, que
se baseiam no espectro de ação, com algumas exceções. Aqui, vamos aprender as características de cada
geração e mencionar brevemente as peculiaridades dos agentes individuais. A imagem que segue mostra as
gerações de cefalosporinas e seus espectros antimicrobianos de ação.
Relação entre espectro de ação e gerações das cefalosporinas.
Relação entre espectro de ação e gerações das cefalosporinas
Acredita-se que todas tenham alguma alergenicidade cruzada com penicilinas, embora existam diferenças
entre gerações. Estimativas sobre a probabilidade de reatividade cruzada giram entre 5% e 10%, mas números
mais baixos são apontados para representantes de última geração.
 
As cefalosporinas são geralmente mais resistentes a betalactamases do que as penicilinas. Betalactamases
que inativam especificamente cefalosporinas (cefalosporinases) também existem e estão aumentando em
prevalência.
Cefalosporinas de primeira geração
Cefazolina, cefalexina, cefadroxil, cefalotina
As cefalosporinas de primeira geração são a classe de antibióticos mais utilizada no hospital, pois são muito
empregadas para prevenir infecções em cirurgia. Seu espectro de atividade, baixo custo e baixa incidência de
efeitos adversos as tornam ideais para esse fim. Pelas mesmas razões, são úteis no tratamento de infecções
da pele e tecidos moles. As cefalosporinas de primeira geração são boas alternativas para penicilinas
antiestafilocócicas.
Mecanismo de ação
Todas as cefalosporinas inibem a etapa sintética na qual ocorre a ligação cruzada do peptidoglicano
na parede celular, levando à autólise e à morte celular. Tal ação é mediada pela ligação da droga às
transpeptidases ou proteínas ligadoras de penicilinas (PBP). Ou seja, o mecanismo é igual aos
descritos para as penicilinas.
Espectro
Boa ação: MSSA, estreptococos.
Ação moderada: alguns bastonetes Gram-negativos entéricos.
Ação fraca: enterococos, anaeróbios, MRSA, Pseudomonas.
Efeitos adversos
Semelhantes aos de outros betalactâmicos.
Para que servem?
Infecções da pele e tecidos moles, profilaxia cirúrgica, infecções estafilocócicas da corrente
sanguínea, osteomielite e endocardite (MSSA).
Cefalosporinas de segunda geração
Cefuroxima, cefoxitina, cefotetan, cefprozil, cefmetazol, cefonicid,
cefamandol, cefaclor
Em comparação com as cefalosporinas de primeira geração, as drogas de segunda geração têm melhor
atividade Gram-negativa (exemplos: Escherichia, Helicobacter, Haemophilus, Neisseria, Klebsiella, 
Enterobacter, Chlamydia, Pseudomonas, Salmonella, Shigella) e, um pouco mais fraca, Gram-positiva
(Nocardia, Clostridium, Propionibacterium, Actinomyces, Enterococcus, Corynebacterium, Listeria,
Lactobacillus, Gardnerella, Mycoplasma, Staphylococcus, Streptomyces, Streptococcus). Elas são mais
estáveis contra betalactamases e são particularmente ativas contra Haemophilus influenzae e Neisseria
gonorrhoeae.
Espectro
Boa ação: alguns bastonetes Gram-negativos entéricos, Haemophilus, Neisseria.
Ação moderada: estreptococos, estafilococos, anaeróbios (apenas cefotetan, cefoxitina, cefmetazol).
Ação fraca: enterococos, MRSA, Pseudomonas.
Efeitos adversos
Cefamandol, cefmetazol e cefotetan – podem inibir a produção de vitamina K e prolongar o
sangramento. Também podem causar uma reação do tipo dissulfiram (desconforto abdominal, rubor,
vômitos e cefaleia) quando coadministrados com etanol.
Para que servem?
Infecções do trato respiratório superior, pneumonia adquirida na comunidade, gonorreia, profilaxia
cirúrgica (cefotetan, cefoxitina, cefuroxima).
Cefalosporinas de terceira geração
Ceftriaxona, cefotaxima, ceftazidima, cefdinir, cefpodoxime,
cefixime, ceftibuten
As cefalosporinas de terceira geração têm maior atividade Gram-negativa do que medicamentos de primeira e
de segunda geração. A maioria delas também tem boa atividade estreptocócica e apresenta menos efeito
contra estafilococo do que as gerações anteriores. Estes são antibióticos de amplo espectro. Ceftriaxona,
cefotaxima e ceftazidima atravessam a barreira hematoencefálica efetivamente e são úteis para o tratamento
de infecções do SNC.
Espectro
Boa ação: estreptococos (exceto ceftazidima, que é ruim), bastonetes Gram-negativos entéricos, 
Pseudomonas (apenas ceftazidima).
Ação Moderada: MSSA (exceto ceftazidima, que é ruim).
Ação fraca: enterococos, Pseudomonas (exceto ceftazidima), anaeróbios, MRSA.
Efeitos adversos
As cefalosporinas de terceira geração são uma das classes de antibióticos com a mais forte
associação à diarreia associada ao Clostridium difficile. Cefpodoxime pode inibir a produção de
vitamina K.
Para que servem?
Infecções do trato respiratório inferior, pielonefrite, infecções nosocomiais (ceftazidima), doença de
Lyme (ceftriaxona), meningite, gonorreia, infecções de pele.
Cefalosporinas de quarta geração
Cefepime, cefpiroma
São as cefalosporinas de espectro mais amplo, com atividade contra Gram-negativos, incluindo Pseudomonas
e organismos Gram-positivos. São uma boa escolha empírica para muitas infecções hospitalares, mas um
exagero para a maioria das infecções, uma vez que devemos buscar o uso de antibióticos de espectro estreito
para infecções comunitárias e pouco graves para diminuir a probabilidade de selecionar resistência
bacteriana.
Espectro
Boa ação: MSSA, estreptococos, Pseudomonas, Gram-negativos entéricos.
Ação moderada: Acinetobacter.
Ação fraca: enterococos, anaeróbios, MRSA.
Efeitos adversos
A cefepime pode ser associada à neurotoxicidade mais do que outros agentes.
Para que servem?
Neutropenia febril, pneumonia nosocomial, meningite pós-neurocirurgia, outras infecções
hospitalares.
Cefalosporinas anti-MRSA
Ceftarolina
É uma cefalosporina que tem características únicas, sendo designada cefalosporina anti-MRSA. Foi projetada
para se ligar à PBP2a do MRSA, que apresenta baixa afinidade com outros betalactâmicos.
Mecanismo de ação
Ao contrário de outros betalactâmicos, a ceftarolina pode se ligar a PBP2a, um tipo que é expresso
pelo MRSA. Essa característica é responsável por sua atividade anti-MRSA.
Espectro
Boa ação: MSSA, MRSA, estreptococos, bastonetes Gram-negativos entéricos.
Ação moderada: E. faecalis.
Ação fraca: P. aeruginosa, E. faecium, Acinetobacter, anaeróbios.
Efeitos adversos
Semelhantes aos de outros betalactâmicos.
Para que serve?
A ceftarolina é aprovada para tratamento de infecções de pele complicadas e pneumonia adquirida na
comunidade.
Atividade conceitual
As cefalosporinas são fármacos betalactâmicos estruturalmente diferentes das penicilinas. Outra diferença
entre esses dois grupos é a divisão das cefalosporinas em gerações. Qual das seguintes afirmações melhor
descreve o espectro de ação das cefalosporinas de terceira geração em comparação com as cefalosporinas
de primeira geração?
A As cefalosporinas de terceira geração têm um espectro de ação mais estreito, sendo eficazes
principalmente contra bactérias Gram-positivas.
B As cefalosporinas de primeira geração têm um espectro de ação mais amplo, sendo eficazes contra uma
variedade maior de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.
CAs cefalosporinas de terceira geração possuem melhor atividade contra bactérias Gram-negativas,
incluindo algumas cepas resistentes, e mantêm uma atividade moderada contra Gram-positivas.
D Não há diferença significativa no espectro de ação entre as cefalosporinasde terceira e de primeira
geração; a principal diferença está na sua farmacocinética.
E As cefalosporinas de terceira geração são eficazes apenas contra bactérias anaeróbias, ao contrário das
de primeira geração, que agem contra aeróbios e anaeróbios.
A alternativa C está correta.
As cefalosporinas de terceira geração foram desenvolvidas para ampliar significativamente a eficácia
contra bactérias Gram-negativas, incluindo algumas cepas resistentes, ao mesmo tempo que mantêm uma
atividade razoável contra bactérias Gram-positivas. Isso contrasta com as cefalosporinas de primeira
geração, que são mais eficazes contra Gram-positivas e possuem uma capacidade limitada contra Gram-
negativas.
Vancomicina e Bacitracina
Neste vídeo, faremos uma explanação sobre a vancomicina e a bacitracina, abordando seu espectro de ação e
os efeitos adversos associados a esses medicamentos.
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Vancomicina
É um antibiótico glicopeptídico de grande importância no tratamento de infecções causadas por bactérias
Gram-positivas, especialmente aquelas resistentes a outros antibióticos, como penicilinas e cefalosporinas.
Estrutura química da vancomicina.
Vejamos como a vancomicina age, seus efeitos e aplicação! 
Mecanismo de ação
O mecanismo de ação da vancomicina é distinto dos antibióticos betalactâmicos. Enquanto os
betalactâmicos interferem na síntese da parede celular bacteriana ao nível da transpeptidação, a
vancomicina age de forma diferente. Ela se liga firmemente às extremidades D-alanil-D-alanina dos
peptídeos de Peptideoglicano em formação, impedindo, assim, a incorporação dessas unidades na
parede celular em crescimento. Isso interfere diretamente na síntese do peptidoglicano, resultando
em uma parede celular bacteriana enfraquecida, levando à lise e à morte bacteriana.
Espectro de ação
A vancomicina é principalmente eficaz contra bactérias Gram-positivas, incluindo Staphylococcus
aureus resistente à meticilina (MRSA), Staphylococcus epidermidis, Streptococcus spp., Enterococcus
spp., e cepas de Clostridium difficile. Sua eficácia é limitada a organismos Gram-positivos devido ao
seu tamanho molecular, que não permite a penetração na membrana externa da parede celular das
bactérias Gram-negativas.
Efeitos adversos
Embora a vancomicina seja um antibiótico potente, seu uso pode estar associado a vários efeitos
adversos. Os mais comuns incluem nefrotoxicidade, ototoxicidade e uma reação conhecida como 
síndrome do homem vermelho, que é uma reação de hipersensibilidade caracterizada por rash,
hipotensão e, ocasionalmente, taquicardia. Esses efeitos são mais prováveis de ocorrer com infusões
rápidas do medicamento.
Para que serve?
Devido ao seu espectro de ação, a vancomicina é usada no tratamento de várias infecções graves
causadas por bactérias Gram-positivas. Isso inclui infecções de pele e tecidos moles, pneumonia,
meningite, septicemia e endocardite causadas por MRSA. Além disso, é utilizada no tratamento de
colite pseudomembranosa associada a Clostridium difficile, especialmente em casos de falha ou
contraindicação ao tratamento com metronidazol.
Bacitracina
É um antibiótico polipeptídico descoberto a partir de uma cepa de Bacillus e utilizado primariamente no
tratamento tópico de infecções da pele.
Estrutura química da bacitracina.
Vejamos como a bacitracina age, seus efeitos e aplicação!
Mecanismo de ação
Diferentemente de muitos antibióticos que interferem na síntese da parede celular ou na síntese de
proteínas, a bacitracina bloqueia a síntese da parede celular de uma maneira única. Ela impede a
regeneração de um transportador de lipídios (bactoprenol) que é essencial para o transporte dos
precursores da parede celular por meio da membrana celular interna para o local de síntese da
parede. Isso resulta na acumulação de precursores, inibindo a síntese da parede celular e levando à
morte bacteriana.
Espectro de ação
O espectro de ação da bacitracina é predominantemente contra bactérias Gram-positivas, incluindo
patógenos comuns como Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes e Streptococcus
pneumoniae. Embora tenha alguma atividade contra poucas bactérias Gram-negativas, a eficácia
contra esses organismos é geralmente considerada limitada. A sua eficácia contra Gram-positivas faz
dela uma escolha frequente para o tratamento tópico de infecções cutâneas.
Efeitos adversos
Os efeitos adversos da bacitracina são relativamente raros quando usada topicamente, consistindo
principalmente em reações alérgicas locais, como vermelhidão, coceira ou formação de erupções
cutâneas. Devido à sua potencial nefrotoxicidade, o uso sistêmico da bacitracina é limitado e
geralmente evitado, reservando-se a aplicação para uso tópico, em que é bem tolerada.
Para que serve?
É amplamente utilizada no tratamento de infecções bacterianas superficiais da pele, como impetigo,
feridas infectadas, cortes e queimaduras leves. Ela é frequentemente encontrada em pomadas e
cremes antibióticos de uso tópico, muitas vezes combinada com outros agentes antibióticos para
ampliar o espectro de atividade e eficácia.
Agora que sabemos como esses antibióticos se comportam, vejamos como você trataria um caso de infecção
grave. Vamos pensar juntos!
Paciente com infecção bacteriana grave.
Em um ambiente de saúde, é identificada uma infecção bacteriana grave em um paciente. Testes laboratoriais
confirmam que a bactéria é sensível a antibióticos que interrompem a síntese da parede celular. Com base
nessa informação, qual das três abordagens de tratamento a seguir você acha que seria a mais prudente?
 
Escolher entre as opções:
Administrar um antibiótico de amplo espectro não específico para inibição da síntese da parede
celular, esperando abranger a bactéria causadora da infecção juntamente com uma gama de outros
patógenos, apesar de não ser o mais direcionado para esse caso.
Incorreto. A escolha de um antibiótico de amplo espectro não específico pode não ser a mais eficaz
para tratar infecções causadas por bactérias sensíveis a fármacos específicos que inibem a síntese
da parede celular. Além disso, essa abordagem pode contribuir para o desenvolvimento de resistência
bacteriana.
Utilizar um antibiótico glicopeptídeo específico para a bactéria identificada, que atua diretamente na
inibição da síntese da parede celular, com base na sensibilidade demonstrada pelos testes,
adequando-se perfeitamente ao perfil da infecção.
Correto. A utilização de um antibiótico glicopeptídeo, que é específico para a inibição da síntese da
parede celular em bactérias sensíveis, representa a abordagem mais direcionada e eficaz. Essa
escolha assegura a aplicação de um tratamento adequado ao perfil de sensibilidade da bactéria,
maximizando a eficácia do tratamento e minimizando os riscos de resistência.
Optar por tratamento sintomático, focando aliviar os sintomas do paciente enquanto se aguarda uma
resposta imunológica natural, sem administrar antibióticos direcionados à síntese da parede celular.
Incorreto. Embora o tratamento sintomático possa aliviar temporariamente os sintomas, ele não
aborda a causa subjacente da infecção bacteriana. A falta de tratamento específico contra a bactéria
pode levar a complicações graves e prolongar o curso da doença.
Atividade conceitual
Vancomicina e bacitracina são fármacos que inibem a síntese da parede celular bacteriana, porém são
estruturalmente diferentes dos betalactâmicos. Vancomicina é utilizada sistemicamente, porém a bacitracina,
não. Qual é o motivo principal pelo qual a bacitracina é utilizada apenas por via tópica?
A A bacitracina é eficaz contra uma gama muito limitada de microrganismos, tornando-a inadequada
para uso sistêmico.
B A administração sistêmica da bacitracina não alcança concentrações terapêuticas eficazes nos
tecidos-alvo.
C A bacitracina é bastante metabolizada no figado, o que reduz significativamente sua eficácia quando
administrada por via não tópica.
D A bacitracina pode causar efeitos colateraisgraves, como nefrotoxicidade, quando administrada por
vias que não sejam a tópica.
E A bacitracina possui uma alta taxa de absorção cutânea, o que potencializa seu efeito apenas quando
aplicada diretamente na pele.
A alternativa D está correta.
A bacitracina se acumula nos rins e, por isso, não pode ser utilizada por via sistêmica. Esse risco de
toxicidade renal limita seu so ao tratamento tópico, no qual pode ser aplicada diretamente em infecções da
pele sem absorção sistêmica significativa que levaria a tais efeitos colaterais.
Caso clínico
Em uma clínica de atendimento primário na cidade, a Dra. Helena depara com um paciente jovem, João, um
entusiasta de bricolagem, de 30 anos, que chegou à clínica com uma infecção preocupante no polegar direito.
João explicou que se feriu com um prego enferrujado enquanto construía uma estante de livros em casa.
Inicialmente, ele não deu muita atenção ao ferimento, mas, nos dias seguintes, notou que o dedo começou a
inchar, a ficar muito vermelho e doloroso, acompanhado de febre baixa.
 
A Dra. Helena, após uma cuidadosa avaliação, diagnosticou João com uma infecção bacteriana profunda. Ela
considerou essencial iniciar um tratamento antibiótico eficaz que abordasse uma variedade de patógenos,
incluindo possíveis cepas resistentes. Durante a discussão do plano de tratamento de João, um estagiário da
clínica sugeriu a utilização de bacitracina ou vancomicina como opções para o tratamento da infecção. No
entanto, a Dra. Helena explicou as razões para não seguir essas sugestões e prescreveu uma associação de
amoxicilina com ácido clavulânico. Essa combinação, conhecida por sua capacidade de tratar infecções
causadas por bactérias resistentes, foi considerada ideal para o caso de João.
 
Adicionalmente, a Dra. Helena orientou João sobre a importância de manter o dedo limpo e elevado para
reduzir o inchaço. Ela também enfatizou a necessidade de monitorar qualquer sinal de piora ou de reações
adversas ao medicamento e reportar imediatamente à clínica.
 
João recebeu instruções claras para completar o ciclo completo do antibiótico, mesmo que os sintomas
melhorassem antes do término previsto, para evitar o desenvolvimento de resistência bacteriana. A Dra.
Helena agendou um retorno em uma semana para avaliar o progresso do tratamento e realizar ajustes se
necessário.
Questão 1
Explique por que a associação de penicilina com ácido clavulânico foi escolhida como a melhor opção de
tratamento para João, levando em consideração o mecanismo de ação dessa combinação de medicamentos e
os potenciais patógenos envolvidos na infecção.
Chave de resposta
O ácido clavulânico atua como um inibidor de betalactamase, uma enzima produzida por algumas bactérias
resistentes, que degrada a penicilina e outros antibióticos betalactâmicos, tornando-os ineficazes. Essa
combinação permite que a penicilina permaneça ativa e eficaz contra as bactérias-alvo, tratando
efetivamente a infecção de João, mesmo na presença de organismos produtores de betalactamase.
Questão 2
Explique os possíveis motivos que fizeram a médica não prescrever bacitracina ou vancomicina, como
sugerido pelo estagiário.
Chave de resposta
A bacitracina, geralmente usada para infecções de pele mais superficiais, não seria adequada para tratar
uma infecção bacteriana profunda como a de João. Quanto à vancomicina, embora seja eficaz contra
bactérias resistentes, como MRSA, seu uso é normalmente reservado para infecções graves e hospitalares
devido ao risco de resistência bacteriana e toxicidade, especialmente renal.
Questão 3
Caso o tratamento com a associação amoxicilina + ácido clavulânico não funcione, a médica poderia substituir
esses medicamentos por uma cefalosporina de última geração?
Chave de resposta
Caso o tratamento com amoxicilina e ácido clavulânico não seja eficaz, a Drª. Helena pode considerar uma
cefalosporina de última geração como alternativa. As cefalosporinas de última geração foram
desenvolvidas para abordar um espectro ainda mais amplo de bactérias, incluindo muitas cepas resistentes
a antibióticos. Elas são eficazes contra uma variedade de patógenos Gram-positivos e Gram-negativos.
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3. Outros fármacos antimicrobianos
Inibidores da síntese de proteínas
Acompanhe neste vídeo uma explicação sobre os diferentes grupos de fármacos que inibem a síntese
proteica, detalhando seu espectro de ação e os efeitos adversos associados a esses medicamentos.
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Macrolídeos
Claritromicina, azitromicina e eritromicina
Os macrolídeos estão entre os antibióticos mais utilizados no ambulatório devido à sua ampla cobertura de
patógenos respiratórios. Apesar de sua cobertura ser ampla, há aumento da resistência a esses agentes
(especialmente no Streptococcus pneumoniae). Embora a eritromicina seja o representante mais conhecido da
classe, hoje em dia é pouco utilizada por causa de seus efeitos adversos, interações medicamentosas e doses
frequentes. Os macrolídeos são drogas bacteriostáticas e não são apropriados para infecções como meningite
e endocardite.
Mecanismo de ação
Os macrolídeos são inibidores da síntese de proteínas. Ligam-se à subunidade 50S dos ribossomos
bacterianos, impedindo que os ribossomos deslizem sobre a fita de RNA, promovendo a leitura dos
códons e adicionando um novo aminoácido à cadeia proteica em formação.
Espectro
Boa ação: Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, Helicobacter pylori, Mycobacterium avium.
Ação moderada: S. pneumoniae, Streptococcus pyogenes.
Ação fraca: estafilococos, bastonetes Gram-negativos entéricos, anaeróbios, enterococos.
Efeitos adversos
Efeitos adversos no trato gastrointestinal significativos (náusea, vômito, diarreia). Também foram
observados eventos hepáticos adversos raros, mas graves, com os macrolídeos. O prolongamento do
intervalo QT (no eletrocardiograma) foi observado com a azitromicina e a eritromicina. Essa classe de
medicamentos (com exceção da azitromicina) é inibidora potente das enzimas do citocromo P450,
que metabolizam medicamentos.
Para que servem?
Infecções do trato respiratório superior e inferior, clamídia, infecções por micobactérias e diarreia do
viajante (azitromicina). A claritromicina é um componente-chave no tratamento da infecção
gastrointestinal induzida por H. pylori.
Cloranfenicol
O cloranfenicol foi originalmente isolado de culturas de Streptomyces encontradas na Venezuela e mostrou
ser um antibiótico potente, inibidor da síntese de proteínas.
 
Pode ser administrado por via oral ou parenteral. É bacteriostático para a maioria das bactérias.
Mecanismo de ação
O cloranfenicol inibe a síntese de proteínas ligando-se reversivelmente à subunidade 50S do
ribossomo bacteriano e impedindo a formação da ligação peptídica na cadeia de aminoácidos.
Espectro
Boa ação: tem amplo espectro. Haemophilus influenzae, Gram-positivos e Gram-negativos
Efeitos adversos
Depressão da medula óssea, gerando pancitopenia grave. Contudo, esse efeito é raro. Tem de ser
utilizado com muito cuidado em recém-nascidos porque não é bem excretado e causa síndrome do
bebê cinzento (40% de mortalidade).
Para que serve?
Febre tifoide, meningite bacteriana, rickettsiose e brucelose.
Tetraciclinas 
Doxiciclina, minociclina e tetraciclina
Uma vez consideradas antibióticos de amplo espectro, o avanço da resistência bacteriana reduziu o uso de
tetraciclinas para indicações específicas. A doxiciclina é a preferida na maioria das situações em relação à
tetraciclina e à minociclina. O uso concomitante de suplementos minerais (como cálcio e ferro – ou leite) pode
interferir na absorção dessas drogas.
Mecanismo de ação
As tetraciclinas se ligam à subunidade 30S do ribossomo bacteriano, impedindo o encaixe do RNA de
transferência que transporta novos aminoácidos para adição à cadeia peptídica, como descrito na figura que
se segue. Esses antibióticos se ligam à subunidade 30S e causam um erro naleitura do RNA.
Mecanismo de ação dos aminoglicosídeos.
Espectro
Boa ação: rickettsias, espiroquetas (por exemplo, Borrelia burgdorferi, Helicobacter pylori), espécies
de Plasmodium (malária).
Ação moderada: estafilococos (incluindo MRSA), Streptococcus pneumoniae.
Ação fraca: a maioria dos bastonetes Gram-negativos, anaeróbios, enterococos.
Efeitos adversos
Gastrointestinal: as tetraciclinas podem causar irritação esofágica e os pacientes devem tomar o
medicamento com água.
Dermatológico: a fotossensibilidade é frequentemente vista. Os pacientes devem evitar de tomar sol
ou usar protetor solar enquanto estiverem tomando tetraciclinas.
Sensorial: a minociclina pode causar tonturas e vertigens.
Desenvolvimento: todas as tetraciclinas podem causar descoloração dos dentes e são
contraindicadas para mulheres grávidas e crianças menores de oito anos de idade.
Para que serve?
Infecções não complicadas do trato respiratório, sinusite e pneumonia adquirida na comunidade. São
drogas de escolha para muitas doenças transmitidas por carrapatos. Também são ativas contra
antraz, peste e tularemia.
Aminoglicosídeos
Gentamicina, tobramicina, amicacina, estreptomicina,
espectinomicina
Os aminoglicosídeos têm uma janela terapêutica estreita e a dosagem inadequada leva ao risco de toxicidade
significativa (principalmente nefro-ototoxicidade) nos pacientes. Por esse motivo, houve uma redução no uso
dessa classe como terapia primária para a maioria das infecções.
 
Dito isso, eles apresentam boa atividade contra muitos patógenos problemáticos (como Pseudomonas e 
Acinetobacter) que desenvolveram resistência aos medicamentos mais benignos. Também são excelentes em
sinergia com os β-lactâmicos, melhorando a eficiência do tratamento.
 
Gentamicina e tobramicina são os medicamentos mais utilizados. Geralmente a amicacina é reservada a
patógenos resistentes aos dois primeiros, e a estreptomicina tem usos limitados (enterococos, tuberculose e
peste).
Mecanismo de ação
Os aminoglicosídeos se ligam ao ribossomo bacteriano (a subunidade 30S), causando leitura incorreta do
código genético, levando à formação de proteínas incorretas e também à interrupção na síntese.
Mecanismo de ação dos aminoglicosídeos. Esses antibióticos se ligam à subunidade
30S e causam um erro na leitura do RNA.
Espectro
Boa ação: Gram-negativos (Escherichia coli, Klebsiella, Pseudomonas, Acinetobacter, a maioria dos
outros).
Ação moderada: em combinação com um β-lactâmico ou glicopeptídeo: estafilococos (incluindo
MRSA), Streptococcus viridans, enterococos.
Ação fraca: anaeróbios, organismos Gram-positivos (em monoterapia).
Efeitos adversos
Nefrotoxicidade: insuficiência renal aguda é relacionada à dose de aminoglicosídeos.
Ototoxicidade: os aminoglicosídeos causam toxicidade coclear e vestibular relacionada à dose que
não é reversível e pode afetar significativamente a qualidade de vida.
Neurológico: pode ocorrer bloqueio neuromuscular quando os aminoglicosídeos são administrados a
pacientes que recebem bloqueio neuromuscular.
Para que serve?
Em combinação com um agente beta-lactâmico, são utilizados para o tratamento de infecções graves
com patógenos Gram-negativos documentados incluindo sepse, osteomielite, exacerbações de
fibrose cística e pneumonia associada à ventilação mecânica.
Atividade conceitual
Os fármacos antibacterianos inibem a síntese de proteínas de diferentes maneiras. Qual dos seguintes
antimicrobianos funciona como inibidor da síntese proteica a se ligar irreversivelmente à subunidade 50S do
ribossomo bacteriano?
A Azitromicina
B Doxiciclina
C Gentamicina
D Minociclina
E Tobramicina
A alternativa A está correta.
Doxiciclina e minociclina fazem parte da classe das tetraciclinas, que atuam sobre a subunidade 30S
ribossomal. Gentamicina e tobramicina são aminoglicosídeos, que também atuam sobre a subunidade 30S
ribossomal. A azitromicina faz parte da classe dos macrolídeos, que inibem a síntese proteica por meio da
ligação à subunidade 50S ribossomal.
Inibidores da síntese de ácidos nucleicos
Acompanhe neste vídeo a explicação sobre os fármacos que inibem a síntese de ácidos nucleicos, detalhando
o espectro de ação e efeitos adversos desses medicamentos.
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Antagonistas do folato
Trimetoprim, sulfametoxazol, dapsona, pirimetamina, sulfadiazina,
sulfadoxina
A combinação sulfametoxazol/trimetoprim é, na verdade, o exemplo mais utilizado nessa classe. Tal
associação já foi, uma vez, considerada um medicamento antibacteriano de amplo espectro.
Comentário
Durante anos, a associação sulfametoxazol/trimetoprim foi a terapia de primeira linha para o tratamento
de cistite não complicada aguda em mulheres. Entretanto, esse status caiu, vítima da marcha implacável
da resistência a antibióticos. 
A combinação sulfametoxazol/trimetoprim, ainda é um medicamento de escolha para várias indicações, uma
vez que o perfil de resistência varia consideravelmente de acordo com a região geográfica. Daí a importância
de sempre obter o antibiograma para confirmar a terapia empírica com sulfametoxazol/trimetoprim. Os outros
agentes são usados contra infecções parasitárias/fúngicas.
Mecanismo de ação
Esses fármacos inibem etapas da via da biossíntese do folato, esgotando o conjunto de nucleosídeos
e, finalmente, levando à inibição da síntese de DNA em organismos suscetíveis. Enquanto o
sulfametoxazol inibe a diidropteroato sintetase, impedindo a formação do ácido diidropteroico
(primeira etapa da via sintética do folato), o trimetoprim inibe a diidrofolato redutase, impedindo a
formação do ácido tetrahidrofólico (última etapa da via).
Espectro
Boa ação: Staphylococcus aureus (incluindo muitas cepas de MRSA), Haemophilus influenzae,
Stenotrophomonas maltophilia, Listeria, Pneumocystis jirovecii, Toxoplasma gondii (pirimetamina e
sulfadiazina).
Ação moderada: bastonetes Gram-negativos entéricos, Streptococcus pneumoniae, Salmonella, 
Shigella, Nocardia, Streptococcus pyogenes.
Ação fraca: Pseudomonas, enterococos, anaeróbios.
Efeitos adversos
Dermatológico: a associação sulfametoxazol/trimetoprim, frequentemente, causa erupção cutânea,
em geral por causa do componente sulfametoxazol. Embora essas erupções cutâneas geralmente não
sejam graves, as doenças como necrólise epidérmica tóxica e síndrome de Stevens-Johnson também
ocorrem.
Hematológico: uma supressão da medula óssea dependente da dose pode também ocorrer com a
associação sulfametoxazol/trimetoprim.
Renal: pode causar um aumento da creatinina sérica e hipercalemia.
Alergias: pacientes alérgicos à associação sulfametoxazol/trimetoprim podem ter reações cruzadas
com outros medicamentos que contenham porções sulfonamida, como furosemida, sulfadiazina,
acetazolamida, hidroclorotiazida e glipizida.
Para que serve?
Tratamento de infecções urinárias inferiores sem complicações (empiricamente em áreas com baixa
resistência, definitivamente sempre que suscetível), tratamento da meningite por Listeria, tratamento
e profilaxia para pneumonia por P. jirovecii em pacientes imunossuprimidos e tratamento da encefalite
por toxoplasma. A sulfadiazina é usada no tratamento de toxoplasmose.
Quinolonas
São uma classe de antibióticos de amplo espectro, conhecidos por sua eficácia contra uma variedade de
bactérias. Desenvolvidas inicialmente na década de 1960, as quinolonas passaram por várias gerações de
aprimoramento para aumentar sua eficácia e reduzir os efeitos colaterais. A partir da classe das quinolonas,
foram criadas as fluoroquinolonas, que apresentam flúor em sua estrutura. Seus principais exemplos são
ciprofloxacino, norfloxacino, levofloxacino.
Estrutura química do levofloxacino.
Mecanismo de ação
As quinolonas agem inibindo duas enzimas bacterianas essenciais para a replicação do DNA: a DNA girase e a
topoisomerase IV.
Espectro de ação
O espectro de ação das quinolonas varia de acordo com a geração do antibiótico. As primeiras gerações eram
principalmente eficazes contra bactérias

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