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T
Demonstrações Contábeis
ratamento das demonstrações contábeis
Determinações legais
No art. 176 da Lei no 6.404/1976, modificado pela Lei no
11.638/2007, diz: “Ao fim de cada exercício social, a Diretoria fará
elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes
demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação
patrimonial da companhia e as mutações ocorridas no exercício”. São
consideradas como demonstrações contábeis obrigatórias, as seguintes:
I – Balanço Patrimonial (BP);
II – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados ou da Mutação do
PL (DMPL);
III – Demonstração do Resultado do Exercício DRE);
IV – Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC);
V – Se companhia aberta, Demonstração do Valor Adicionado (DVA):
Por força do CPC 26, Apresentação das Demonstrações Contábeis, devem
ser apresentadas Notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis
significativas e outras informações elucidativas; (Alterada pela Revisão CPC
08) e as informações comparativas com o período anterior. As
demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição
patrimonial e financeira e do desempenho da entidade. O objetivo é
proporcionar informação acerca da posição patrimonial e financeira, do
desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande
número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas.
O pronunciamento 26 apresenta o conjunto completo das demonstrações
mais amplo que o da Lei, pois acrescenta a Demonstração do Resultado
Abrangente (DRA).
Integram os conceitos de determinações legais, com influência direta na
organização das demonstrações contábeis, as orientações previstas na
Estrutura Conceitual Básica, emanada pelos CPCs. Esta determina que
devem ser incluídas as características qualitativas para as demonstrações
contábeis como:
• Compreensibilidade
• Relevância
• Confiabilidade, e
• Comparabilidade
Observe-se que as características qualitativas, conforme a Estrutura
Conceitual Básica, são subdivididas em Fundamentais e “de melhoria”. As
fundamentais: Relevância e Representação Fidedigna. As de melhoria:
comparabilidade, capacidade de verificação, tempestividade e
compreensibilidade.
Para as sociedades de grande porte, assim entendidas aquelas que tenham
ativo total superior a R$ 240 milhões e receita bruta superior a R$ 300
milhões (art. 3o da Lei no 11.638/2007), tornou-se obrigatória a manutenção
da escrituração e elaboração das demonstrações financeiras com
observância aos dispositivos da legislação societária. As demonstrações
contábeis são uma representação estruturada da posição patrimonial e
financeira e do desempenho da entidade. O objetivo das demonstrações
contábeis é o de proporcionar informação acerca da posição patrimonial e
financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a
um grande número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões
econômicas.
Destaca-se entre os aspectos legais:
§ 3o As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão,
ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão
obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela
registrados.
§ 5o As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se
refere o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os
padrões internacionais de contabilidade adotadas nos principais mercados
de valores mobiliários. 
Balanço Patrimonial e DRE
Com base nas determinações do CPC 26 e nas demais definições legais, a
estrutura básica do Balanço Patrimonial, deverá ser:
O Balanço Patrimonial, se destina a evidenciar, de forma qualitativa e
quantitativa, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da
Entidade, apresentando, de forma sintética e ordenada, as contas
patrimoniais agrupadas de acordo com a natureza dos elementos que
representam. Desta forma, os elementos que integram o balanço deverão
ter, resumidamente, o seguinte conteúdo:
Classificação no Ativo Circulante (CPC 26)
Pelo menos um dos critérios a seguir deve ser satisfeito:
• Espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou
consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
• Está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
• É caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para
liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze
meses a contar da data do balanço.
Classificação no Ativo Não Circulante
• Realizável a Longo Prazo: referem-se aos direitos realizáveis após o
término do exercício seguinte;
• Investimentos: são as participações permanentes em outras empresas e
os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante;
• Imobilizado: representam os direitos que tenham por objeto bens
corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia; e
• Intangível: são os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos
destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa
finalidade.
Classificação no Passivo Circulante
O item 69 do CPC 26 estabelece que a obrigação deve ser classificada no
passivo circulante quando satisfizer um dos seguintes critérios:
• liquidação durante o ciclo operacional normal;
• mantido essencialmente para ser negociado;
• liquidação até doze meses após a data do balanço
Classificação no Passivo Não Circulante
As obrigações de longo prazo são caracterizadas por terem seus
vencimentos após o término do exercício seguinte, isto é, num prazo
superior a um ano. Anteriormente às mudanças contábeis introduzidas pela
Lei no 11.638/07 e pela Lei no 11.941/09, o passivo não circulante era
denominado de exigível a longo prazo.
Composição do Patrimônio Líquido
Valor residual dos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus
passivos, (conforme conceituado no Pronunciamento CPC - Estrutura
Conceitual Básica).
Segundo o art. 178, § 2º, III da lei 6.404/76, o Patrimônio Líquido é composto
por:
I – Capital social
II – Reservas de capital
III – Ajustes de avaliação patrimonial
IV – Reservas de lucros
V – Ações em tesouraria
VI – Prejuízos acumulados
O detalhamento de cada item que forma os elementos das demonstrações
contábeis, deverá ser acompanhada pelas eventuais alterações previstas
no CPC 26.
Demonstração do Resultado do Exercício - DRE
Demonstra a formação do lucro ou prejuízo aferido no período e a sua
composição. A Demonstração do Resultado do Exercício é elaborada ao
mesmo tempo em que se define o balanço patrimonial e que não é possível
conceber este relatório dissociado do balanço patrimonial do mesmo
período.
O modelo básico (em formato gerencial, apenas para fins de análise) da
estrutura de uma Demonstração do Resultado do Exercício, será a seguinte:
Demonstração do Resultado do Exercício - DRE
Receita Bruta
(-) Deduções e abatimentos
(=) Receita Líquida
(-) CPV ou CMV ou CSP
(=) Lucro Bruto
(-) Despesas com Vendas
(-) Despesas Administrativas
(-) Despesas Financeiras
(=) Resultado Antes IRPJ CSLL
(-) Provisões IRPJ E CSLL
(=) Resultado Líquido
DRA, DMPL, DFC e DVA
As demais demonstrações contábeis obrigatórias, possuem um papel
secundário na tarefa de análise, porém, devem ser consideradas e
analisadas em conjunto com o Balanço e a DRE. O conteúdo e a estrutura
destas demonstrações, deverá cumprir a organização a seguir:
Demonstração dos Resultados Abrangentes (DRA)
Compreende todos os componentes da “Demonstração do Resultado” e da
“Demonstração dos outros resultados abrangentes”. Além do resultado do
período deve apresentar:
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)
 elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)
é facultativa e, de acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da Lei das S/A, a
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) poderá ser
incluída nesta demonstração. A DMPL é uma demonstração mais completa
e abrangente, já que evidencia a movimentação de todas as contas do
Patrimônio Líquido durante o exercício social, inclusivea formação e
utilização das reservas não derivadas do lucro.
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)
Obrigatória no Brasil, a partir da Lei n° 11.638/07, para todas as sociedades
anônimas e demais empresas consideradas de grande porte. Segundo o
CPC 03, em seu item 11 “a demonstração dos fluxos de caixa deve
apresentar os fluxos de caixa por período classificados por atividades
operacionais, de investimento e de financiamento”. A DFC, possibilita aos
usuários, quando utilizadas em conjunto com as demais demonstrações,
avaliem principalmente:
Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tem como objetivo informar
sobre a capacidade de geração de valor e à forma de distribuição das
riquezas de cada empresa. A seguir, um modelo com dados para
exemplificar o seu conteúdo:
Modelo de DVA (R$ Mil) 
• O total de outros resultados abrangentes;
• O resultado abrangente do período, sendo o total do resultado e de
outros resultados abrangentes;
• Resultado abrangente é a mutação que ocorre no patrimônio líquido
durante um período que resulta de transações e outros eventos que não
sejam derivados de transações com os sócios na sua qualidade de
proprietários;
• A capacidade de a empresa gerar futuros fluxos líquidos positivos de
caixa;
• A capacidade de a empresa honrar seus compromissos, pagar
dividendos e retornar empréstimos obtidos;
• A liquidez, solvência e flexibilidade financeira da empresa;
• A taxa de conversão de lucro em caixa;
• A performance operacional de diferentes empresas, por eliminar os
efeitos de distintos tratamentos contábeis para as mesmas transações,
etc.
Notas Explicativas e Relatório da Auditoria
As Notas Explicativas de acordo com as orientações e recomendações dos
CPCs 26, Apresentação das Demonstrações Contábeis e CPC 03,
Demonstração dos Fluxos de Caixa, Correlação às Normas Internacionais
de Contabilidade – IAS 7 (IASB – BV2010), orientam que:
• Devem apresentar informação acerca da base para a elaboração das
demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas
• Divulgar a informação requerida pelos CPCs que não tenha sido
apresentada nas demonstrações contábeis; e
• Prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas
demonstrações contábeis, relevantes
• Apresentadas de forma sistemática, a entidade deve considerar os
efeitos sobre a compreensibilidade e comparabilidade das suas
demonstrações contábeis. Cada item das demonstrações contábeis
deve ter referência cruzada com a respectiva informação apresentada
nas notas explicativas.
São exemplos de redação a serem apresentadas em Notas Explicativas:
NOTA 1 – CONTEXTO OPERACIONAL
A Chucrutes Administração, Intermediação e Participação S/A é uma
sociedade anônima de capital fechado constituída em 01/03/1924,
inicialmente como uma sociedade empresária de capital limitado sendo a
seguir finalmente, transformada em sociedade anônima de capital fechado
em 15/07/2XX8.
NOTA 2 – DAS PRÁTICAS CONTÁBEIS
2.1. Declaração de conformidade
As demonstrações financeiras individuais e consolidadas preparadas de
acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e compreendem
aquelas incluídas na legislação societária brasileira e os Pronunciamentos,
as Orientações e as Interpretações emitidas pelo Comitê de
Pronunciamentos Contábeis – CPC.
Relatórios de Auditoria (NBC-TA-700-CFC)
De acordo com as orientações previstas pelo CFC, através da NBC-TA-
700-CFC, Formação da Opinião e Emissão do Relatório do Auditor
Independente Sobre as Demonstrações Contábeis, o auditor deve formar
sua opinião sobre se as demonstrações contábeis são elaboradas, em
todos os aspectos relevantes, de acordo com a estrutura de relatório
financeiro aplicável.
Orientam ainda que o auditor deve emitir sua opinião sobre as DCs de
acordo com a NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual
para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro, emitida pelo
CFC e, por conseguinte, em consonância com as normas contábeis
internacionais”.
Essa conclusão deve levar em consideração:
(a) a conclusão do auditor, de acordo com o item 26 da NBC TA 330, se foi
obtida evidência de auditoria apropriada e suficiente;
(b) a conclusão do auditor, de acordo com o item 11 da NBC TA 450, se as
distorções não corrigidas são relevantes, individualmente ou em conjunto; e
© as avaliações exigidas pelos itens 12 a 15.
O auditor deverá expressar claramente a sua opinião sobre:
• Se as demonstrações contábeis divulgam apropriadamente as principais
políticas contábeis selecionadas e aplicadas;
• Se as políticas contábeis selecionadas e aplicadas são consistentes com
a estrutura de relatório financeiro aplicável e se são apropriadas;
• Se as terminologias adotadas nas DCs são apropriadas;
• Se as estimativas contábeis feitas pela administração são razoáveis
• Se as informações apresentadas nas demonstrações contábeis são
relevantes, confiáveis, comparáveis e compreensíveis
• Se as demonstrações contábeis fornecem divulgações adequadas para
que os usuários entendam o efeito de transações e eventos relevantes.
Atividade extra
Nome da atividade: Filme – Demonstrações Contábeis
Link para assistir a atividade: https://www.youtube.com/watch?v=hioXAEJulPo
Referência Bibliográfica
 SILVA, J. P. Análise Financeira das Empresas. 13ª ed. rev. e ampl. São Paulo.
Cengage Learnig. 2017, ISBN 9788522125784
PADOVEZE, C. L.; BENEDICTO, G. C. Análise das Demonstrações
Financeiras. 3ª ed. rev. ampl. São Paulo. Cengage Learnig. 2017, ISBN
9788522114689
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 26 (R1) - Apresentação das
Demonstrações Contábeis
MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis, 8ª Ed., São
Paulo. ATLAS. 2019 ISBN 9788597021134 
Ir para exercício
https://www.youtube.com/watch?v=hioXAEJulPo

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