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1 FINANÇAS APLICADAS A COMPRAS Unidade II Prof. Mario Dias DIAS, Mario Finanças Aplicadas a Compras (livro-texto II) / Mario Dias. São Paulo: Pós-Graduação Lato Sensu UNIP, 2019. 31 p. : il. 1. Finanças aplicadas a compras. 2. Compras. 3. Assunto. Pós-Graduação Lato Sensu UNIP. III. Título. 3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4 1. MATEMÁTICA FINANCEIRA – CONCEITOS ................................................. 5 1.1. Conceitos na matemática financeira ............................................................. 5 2. MATEMÁTICA FINANCEIRA – SÍMBOLOS MAIS COMUNS E CALCULADORAS FINANCEIRAS ............................................................................. 8 2.1. Capital ou valor presente ............................................................................... 8 2.2. Montante ou valor futuro ................................................................................ 8 2.3. Período ............................................................................................................ 8 2.4. Taxa de juros ................................................................................................... 8 2.5. Pagamentos Periódicos ................................................................................. 9 2.6. Recomendações relevantes ........................................................................... 9 2.7. Calculadora financeira – uso e recursos ...................................................... 9 3. MATEMÁTICA FINANCEIRA – FÓRMULAS E APLICAÇÕES NA HP 12C . 11 3.1. Aplicações em compras ............................................................................... 11 3.2. Análise de propostas com datas de pagamento diferentes ...................... 11 3.3. Análise de propostas com parcelamento no pagamento .......................... 12 3.4. Cálculo de valor de parcelas quando incide juros .................................... 13 4. MATEMÁTICA FINANCEIRA – PLANILHA EXCEL ...................................... 14 4.1. Resolvendo problemas com a planilha Excel ............................................ 16 4.2. Análise de propostas com datas de pagamento diferentes: .................... 16 4.3. Propostas com parcelamento no pagamento ............................................ 17 4.4. Cálculo de valor de parcelas com incidência de juros .............................. 19 5. TEORIA DA OFERTA E DEMANDA .............................................................. 21 6. MACROECONOMIA....................................................................................... 24 6.1. Macroeconomia – Inflação ........................................................................... 24 6.2. Tipos de inflação .......................................................................................... 25 6.2.1. Inflação de Demanda .................................................................................... 25 6.2.2. Inflação de Custos ........................................................................................ 26 6.2.3. Inflação Inercial ............................................................................................. 26 6.3. Macroeconomia – Nível de emprego ........................................................... 27 6.4. Macroeconomia – Taxa de câmbio .............................................................. 28 6.5. Macroeconomia – Taxa de juros ................................................................. 29 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 31 4 INTRODUÇÃO Profissionais acostumam-se a realizar as atividades aplicando conceitos aprendidos ao longo da vida acadêmica e profissional. Estendendo esse raciocínio, é possível haver um condicionamento a reagirem às situações. Trata-se de visão predominante nos cursos de mestrado, usualmente rotulados de MBA (Master in Business Administration). Essencialmente, tais cursos apresentam múltiplos casos compreendendo empresas em diversas conjunturas. Normalmente, envolvem situações verídicas ocorridas em empresas e demonstram as estratégias por elas adotadas. Em funções desses estudos de casos, os profissionais são condicionados a agir rapidamente de maneira particular. Na consecução de cálculos financeiros esse envolvimento também é possível. Detalharemos conceitos importantes para a execução de cálculos financeiros no cotidiano de compras. 5 1. MATEMÁTICA FINANCEIRA – CONCEITOS A matemática financeira é uma ferramenta bastante útil em situações de análise de alternativas envolvendo o desembolso de dinheiro em datas variadas. Conforme já mencionado anteriormente, o valor do dinheiro é diferente para momentos distintos. O dinheiro é uma mercadoria como qualquer outra. Com determinada liberdade de pensamento pode-se equiparar um banco a uma empresa comercial cujo propósito é transacionar dinheiro de múltiplas formas. Colegas da área financeira podem refutar essa afirmação por julgá-la simplista, enumerando uma série de produtos sofisticados oferecidos pelos bancos. Entretanto, em sua forma mais simples, todos estão ligados à necessidade de fazer o dinheiro circular na economia. Analisado sob esse ângulo é possível concluir haver associado ao dinheiro um preço. Quem toma dinheiro emprestado deverá devolver ao banco a importância recebida acrescida de quantia extra. O acréscimo pode ser interpretado como um “aluguel” pago pela cessão temporária do dinheiro. Tal “aluguel”, na prática, constitui o preço do dinheiro e é denominado juros! Já o investidor em alguma modalidade bancária receberá, no final da aplicação, o valor aplicado acrescido do rendimento auferido no período. Esse adicional é os juros resultante da cessão do dinheiro ao banco pelo tempo contratado. Compradores avaliam propostas com valores e prazos diferentes e precisam identificar a melhor para a empresa. Ele não tem como, a priori, definir entre essas várias ofertas com valores e datas de pagamento diferentes qual a melhor do ponto de vista de menor custo. Ele precisará de conhecimentos matemáticos para recalcular tais valores alocados em momentos diferentes transportando-os para uma data única e só então poder concluir sobre qual das propostas deve ser a selecionada. Por isso conhecer conceitos como juros, entre outros, se faz necessário. 1.1. Conceitos na matemática financeira Para ser possível efetuar as análises matemáticas envolvendo valores e prazos são necessárias algumas noções básicas. Aqui estão aquelas necessárias para a avaliação de um comprador acerca das diversas propostas existentes. 1.1.1. Capital ou Valor Presente Conforme já mencionado, a posse do dinheiro permite emprestá-lo mediante o pagamento de rendimentos financeiros. O valor disponível para ser cedido é denominado Capital. No dicionário, capital significa riqueza ou valores disponíveis, fundo de dinheiro ou patrimônio de uma empresa. 6 No âmbito financeiro o termo capital refere-se a um significado particular, adequado à realização de cálculos matemáticos, mas conservando relação com as denominações acima. Podemos, por conseguinte, explanar: Capital é o dinheiro disponível para ser emprestado a quem dele necessite (ponto de vista do investidor) ou o dinheiro que se precisa e não se dispõe sendo necessário obtê-lo mediante empréstimo (ponto de vista do “tomador”). 1.1.2. Juros Retomando o conceito acima, juros estão associados ao rendimento resultante de uma aplicação ou encargos devidos por um empréstimo. Em ambos os casos se trata de adicional produzido pela cessão temporáriade quem possui dinheiro para aquele que dele precisa. Logo, a conclusão imediata é: Juros é o valor cobrado pelo detentor do capital para cedê-lo àqueles que dele necessitem! 1.1.3. Período Os conceitos estão organizados na sequência mais apropriada, favorecendo o entendimento mais rápido do aluno. Ao dispor de capital e pela incidência dos juros, é possível concluir: o total dos juros será função do tempo de permanência do valor na aplicação ou no empréstimo! É aceitável deduzir serem juros e tempo diretamente proporcionais, ou seja, quanto mais tempo o capital for cedido mais juros serão produzidos. O fator tempo é identificado pelo termo período: Período é o intervalo de tempo durante o qual o capital estará disponível para aplicação ou empréstimo, determinando, portanto, o resultado financeiro da operação! 1.1.4. Montante ou Valor Futuro Em uma operação de empréstimo há uma dúvida recorrente: qual o valor devido no final do período? A decisão em realizar a operação frequentemente está vinculada ao resultado no processo. Em momentos de taxas de juros elevadas o valor final subirá bastante, quando comparado ao capital obtido. Em outras situações, se a taxa de juros for reduzida, o resultado será menos discrepante ao ser cotejado com o valor inicial. O valor resultante da operação recebe a denominação de “montante”, sendo possível estabelecer a seguinte definição: 7 Montante é o valor resultante do empréstimo ou da aplicação financeira no final do período! 1.1.5. Pagamentos periódicos Situação frequente em transações pessoais ou profissionais é o parcelamento do valor em algumas vezes. A condição mais comum é o de parcelamento em valores iguais, com ou sem a incidência de juros. O conceito de pagamentos periódicos no âmbito financeiro depende do valor das parcelas e do tempo entre elas. Para ser válido o termo “pagamentos periódicos” e ser possível utilizar as fórmulas a ele associadas precisamos observar: Pagamento periódico em finanças está relacionado a uma série de desembolsos nos quais os valores são iguais e os intervalos entre as parcelas é constante e fixo. 1.1.6. Relações entra as variáveis Para os conceitos vistos é possível estipular associações entre os fatores capital, juros, montante e tempo. Basicamente a composição abaixo expõe a relação mais usual entre elas: MONTANTE = CAPITAL + JUROS Trata-se de fórmula intuitiva pela própria definição de cada varável. Em consequência dela podemos elaborar outras duas: CAPITAL = MONTANTE – JUROS e JUROS = MONTANTE – CAPITAL 8 2. MATEMÁTICA FINANCEIRA – SÍMBOLOS MAIS COMUNS E CALCULADORAS FINANCEIRAS Os conceitos vistos aparecem em equações de cálculo de valores financeiros. É preciso simbologia capaz de identificá-los prontamente, simplificando o uso. Esses símbolos foram indicados por profissionais financeiros e aqui estão os mais usuais. 2.1. Capital ou valor presente O capital, com definição já vista, pode ser designado como valor presente, indicando que a importância está estabelecida em moeda atual, ou seja, desta data. O capital, valor principal ou valor presente é representado pelas letras PV, as iniciais de Present Value, expressão em inglês significando Valor Presente e constante na maioria das calculadoras financeiras (em alguns livros em português e algumas máquinas poderá ser usado VP). 2.2. Montante ou valor futuro Aqui também é usual a adoção da representação internacional FV, Future Value. À semelhança do anterior, a sigla VF também está presente em muitas situações. 2.3. Período Ponto essencial na utilização da matemática financeira em compras está no período. Quando ele sofre alterações há variações no valor de compra da moeda. A compreensão desse aspecto resulta da importância do tempo em qualquer análise envolvendo finanças. De fato, em questões do tipo haverá valores associados a prazos. Falamos em pagamentos à vista, contra a entrega, em 28 dias, 30 dias etc. O símbolo empregado para representar o período é a letra n minúscula. 2.4. Taxa de juros Todos os assuntos relativos à matemática financeira obrigatoriamente incluem a taxa de juros. Sem ela não se consegue determinar uma solução para qualquer problema na área. A notação comum para a taxa de juros é a letra i minúscula. Ponto de destaque é o fato de a taxa de juros ser um percentual associado a uma unidade de tempo. Por exemplo: 10,00% ao ano 9 0,50% ao mês 0,02% ao dia 2.5. Pagamentos Periódicos Denominamos uma condição de desembolso de pagamentos periódicos quando atende a dois requisitos: Todas as parcelas são no mesmo valor; O intervalo de tempo entre as parcelas é constante. A notação utilizada na representação de pagamentos periódicos consiste em três letras maiúsculas, PMT, originadas do inglês e associadas à expressão Periodic Payments. 2.6. Recomendações relevantes Uma taxa de juros está obrigatoriamente associada a uma unidade de tempo a qual deve ser a mesma do período para ser possível o emprego de calculadoras financeiras ou de planilhas Excel na solução de problemas. Em casos nos quais houver a necessidade de equalizar a unidade de tempo, alterar o período é mais fácil. Já modificar a taxa de juros de uma unidade de tempo para outra requer cálculos financeiros mais elaborados, é operação mais complexa. A título de exemplo, se em determinada análise o período n corresponde a 48 dias enquanto a taxa de juros i está formulada em 2,5% ao mês, transformar o período é fácil: n = 48 ÷ 30 (número de dias do mês padrão) = 1,6 meses 2.7. Calculadora financeira – uso e recursos No passado era comum se adquirir máquinas financeiras. Atualmente, com a existência de aplicativos para smartphones de todas as naturezas, a comercialização de calculadoras caiu bastante. Um aplicativo frequente emula um modelo de calculadora dos mais conhecidos, a HP 12C. Esse tipo de aplicativo está disponível para sistemas IOS e Android, predominantes na maioria dos aparelhos de smartphones. Na tela do aparelho a imagem a ser vista é a da figura 1. 10 Figura 1 – Modelo HP 12C versão App para smartphone Em seu funcionamento, para elaborar o cálculo o sistema operacional da máquina constrói um fluxo de caixa virtual e pesquisa o resultado capaz de tornar o saldo final zero! Na prática esse fluxo teórico considera PV, PMT, FV como entradas ou saídas. Para essa formulação funcionar um deles, mandatoriamente, será negativo. Para exemplificar, em um problema o valor presente, o período e a taxa de juros são conhecidos e se pretende determinar o valor futuro. Se, ao inserir os dados, não for considerado quaisquer sinal positivo ou negativo, o aplicativo admitirá serem todos positivos. Assim, o valor presente será interpretado como uma entrada de caixa. Pelo conceito de anular o saldo final de caixa resulta a obrigatoriedade de o valor futuro ser uma saída e, por isso, o resultado no visor terá o sinal negativo. Conhecer essa dinâmica é importante, pois alguém desavisado poderia imaginar que o resultado está incorreto por ser negativo. Da mesma forma, se for necessário inserir valor presente, valor futuro e pagamentos periódicos em uma mesma operação, um ou dois deles devem ser digitados com o sinal de menos, pelo mesmo fundamento de zerar o fluxo de caixa virtual. Caso nenhum deles seja inserido como negativo aparecerá mensagem de erro no visor, demonstrando a impossibilidade de calcular o resultado nessa condição. 11 3. MATEMÁTICA FINANCEIRA – FÓRMULAS E APLICAÇÕES NA HP 12C Embora calculadoras e planilhas eletrônicas dispensem fórmulas para a realização das operações mais comuns, é útil conhecer o conceito por trás delas. Em seguida apresentaremos as mais usuais. Montante: o cálculo do montante segue a equação FV = PV x (1 + i)n. Não se trata de operaçõescomplicadas, mas apenas pelo exame da fórmula percebe-se que o tempo necessário para identificar a solução seria bem maior; Capital: aqui temos uma decorrência da equação anterior, lembrando os conceitos da matemática vistos no ensino médio, o termo multiplicado em um dos lados passa para o outro lado dividindo; PV = FV ÷ (1 + i)n; Período: o cálculo do período destoa dos demais pela complexidade. Em razão da natureza da operação é necessário o uso de logaritmos, um conceito mais sofisticado. A vantagem do emprego de calculadoras e planilhas eletrônicas fica evidente: n = ln (FV/PV) ÷ ln (1 + i); Taxa de juros: também a determinação da taxa de juros demanda mais trabalho, embora não tanto quanto no caso do período. Novamente o uso de recursos eletrônicos avulta: i = (FV ÷ PV)1/n - 1; Pagamentos periódicos: assim como nos casos anteriores, temos uma sequência de operações: PMT = i x (1 + i)n ÷ [(1 +i)n - 1]. 3.1. Aplicações em compras Neste tópico serão apresentadas maneiras de empregar os conceitos vistos para permitir a análise de propostas pelo ponto de vista financeiro. Serão relacionados exemplos e a demonstração da maneira prática de chegar à melhor condição oferecida. 3.2. Análise de propostas com datas de pagamento diferentes Em uma consulta foram recebidas duas propostas, conforme abaixo apresentadas. Qual delas é a melhor financeiramente? Fornecedor 1: preço total R$ 120.000, para entrega em 15 dias e pagamento em 30 dias. Fornecedor 2: R$ 118.000 para entrega em 10 dias e pagamento contra entrega. Taxa de juros da empresa: 1,5% ao mês. Como premissa o pedido será emitido na data de hoje. Da análise das propostas decorre: Fornecedor 1: pagar R$ 120.000 daqui 45 dias (soma do prazo de entrega com o de pagamento); Fornecedor 2: pagar R$ 118.000 daqui 10 dias; 12 Para identificar a melhor proposta é necessário colocar ambas na mesma data. Será mais fácil calcular o valor da oferta do fornecedor 2 para o dia 45, mesmo de vencimento do primeiro proponente. Como será feito o transporte de uma data antiga para outra mais recente, o parâmetro a determinar é o valor futuro, FV. A diferença de prazo entre elas é de 35 dias. Com o emprego de uma HP a sequência será: Inserir na tecla PV o valor 118.000 Inserir na tecla n o número 1,1667 (35 ÷ 30); Inserir na tecla i o número 1,5%. Ao pressionar FV, para obter o resultado, aparecerá no visor -120.068 (negativo é normal, conforme esclarecido anteriormente). Comparando esse valor com o do fornecedor 1, R$ 120.000, percebe-se ser este o detentor da melhor condição e a compra deverá ser realizada com ele! 3.3. Análise de propostas com parcelamento no pagamento Para a aquisição de certa mercadoria foram recebidas duas ofertas: Fornecedor 1: preço total de R$ 120.000, prazo de entrega de 15 dias e pagamento em 30 dias a partir da entrega; Fornecedor 2: total de R$ 123.510, entrega em 15 dias e pagamentos iguais em 30, 60 e 90 dias; Taxa de juros da empresa: 1,5% ao mês. Para determinar a melhor proposta é indispensável calcular ambas para uma data única. Estabelecer o valor de ambas as ofertas para a data da entrega, a ocorrer em 15 dias se o pedido for emitido hoje, parece ser a melhor alternativa. Como nos dois casos será feito o transporte de uma data recente para outra mais antiga, o parâmetro a determinar é o valor presente, PV. As opções são: Fornecedor 1: pagar R$ 120.000 daqui 45 dias. Fornecedor 2: pagar 3 de R$ 41.170 daqui 45, 75 e 105 dias. Para o fornecedor 1 o procedimento na HP 12C será: Inserir na tecla FV o valor 120.000 Inserir na tecla n o número 1; Inserir na tecla i o número 1,5%. Ao pressionar PV, resultará: -118.227 (negativo é normal). Para o fornecedor 2 o procedimento na HP 12C será: Inserir na tecla PMT o valor R$ 41.170 (123510 ÷ 3); Inserir na tecla n o número 3 (quantidade de parcelas); Inserir na tecla i o número 1,5%. Ao pressionar PV, resultará: -119.895 (negativo é normal). Da comparação dos dois resultados obtidos para a mesma data a conclusão é comprar do fornecedor 1, pois seu valor presente na data da entrega é menor! 13 3.4. Cálculo de valor de parcelas quando incide juros A Ferro Doce Ltda. pretende adquirir um equipamento cujo preço à vista é R$ 2.540.000. Ela negociou com o fornecedor parcelamento em 4 anos, pagamentos mensais iguais e taxa de juros de 1% ao mês. Qual o valor de cada parcela? Há um valor fixado para a data atual e o objetivo é parcelar este valor incidindo juros. A organização do problema consiste em inserir nas teclas da calculadora: PV = 2.540.000 (por ser um valor atual); n = 48 meses (quantidade de parcelas mensais); i = 1,0% ao mês, taxa de juros fixada; Ao pressionar PMT, surgirá na tela -66.887,94 (negativo é normal). Logo, cada parcela será R$ 66.887,94 14 4. MATEMÁTICA FINANCEIRA – PLANILHA EXCEL A planilha eletrônica Excel contém várias fórmulas financeiras para realizar análises, favorecendo o trabalho de um profissional de compras nas suas tarefas de seleção de propostas pelo ponto de vista financeiro. Neste capítulo será abordado o elenco de parâmetros e a maneira de utilizar cada um. Para a análise das propostas os indicadores vistos são, em geral, suficientes e estão localizados no submenu “Fórmulas”. Como recomendação, é válido elaborar um arquivo com várias planilhas determinando os múltiplos parâmetros financeiros para serem utilizados individualmente. A princípio cabe alertar haver parâmetros com identificação diferente daquelas anteriormente vistas: Período: o símbolo n é substituído pelo termo NPER; Pagamento Periódico: o termo PMT é substituído pelo PAGTO; Taxa de juros: o símbolo i é substituído pelo termo TAXA. Outra consideração relevante refere-se à existência do parâmetro “Tipo” nos argumentos de cada função. Ele serve para indicar se os pagamentos ocorrerão no início ou no final do período em análise. Até aqui foi admitido sempre o pagamento acontecendo no final do período, porém a possiblidade de ele ocorrer no início existe e ocorre com frequência. Para o “TIPO” a forma de definição é relativamente simples: No campo correspondente digitar “1” para pagamentos sendo no início do período; No campo correspondente digitar “0” ou deixar em branco se o desembolso for no final. Na figura 2 há modelo de alocação de fórmula para determinar o valor presente. Examinando a figura, no menu é possível perceber como a opção fórmulas está sublinhada na cor verde, indicando ser aquela em operação. No submenu a alternativa “Financeira” está realçada pelo preenchimento cinza claro, apontando-a como estando em utilização. Descendo mais um nível percebe-se o parâmetro VP está tarjado em cinza claro, demonstrando ser esta fórmula em desenvolvimento. O quadro associado ao VP detalha as demais informações necessárias: Taxa; PER; PAGTO; VF; Tipo. O próximo passo é clicar com o mouse em VP e assim abrir a caixa de diálogo na qual serão localizadas, na planilha, as células contendo cada parâmetro. 15 Figura 2 – Fórmula para cálculo do VP A figura 3 mostra a imagem da planilha já com a identificação de cada variável na respectiva célula. Destaque para o campo Tipo estar em branco. Como a premissa é de pagamento ao final de cada período seu preenchimento é desnecessário, pois o sistema operacional do Excel interpretará como sendo valor zero. Nessa figura estão destacados alguns pontos mais marcantes mediante a utilização de setas coloridas. A seta vermelha mostra a fórmula em implantação na barra de identificação. 16 Figura 3 – Fórmula para VP contendo parâmetros A seta azul assinala os demais argumentos alocados nas células selecionadas. A seta verde enfatiza a caixa de diálogo preenchida. A seta cinza-escuro destaca o fato de antesmesmo de se concluir a fórmula já é possível conhecer o resultado. 4.1. Resolvendo problemas com a planilha Excel Para os mesmos exercícios solucionados com a HP 12C será usada a Excel. 4.2. Análise de propostas com datas de pagamento diferentes: Em uma consulta foram recebidas duas propostas, conforme abaixo apresentadas. Qual delas é a melhor financeiramente? Fornecedor 1: preço total R$ 120.000, para entrega em 15 dias e pagamento em 30 dias. Fornecedor 2: R$ 118.000 para entrega em 10 dias e pagamento contra entrega. Taxa de juros da empresa: 1,5% ao mês. 17 Premissa: pedido será emitido hoje. Da análise das propostas decorre: Fornecedor 1: pagar R$ 120.000 daqui 45 dias (soma do prazo de entrega com o de pagamento); Fornecedor 2: pagar R$ 118.000 daqui 10 dias; Para identificar a melhor proposta é necessário colocar ambas na mesma data. Calcular o valor da oferta do fornecedor 2 para o dia 45, mesmo vencimento do primeiro proponente, é mais simples. Como será feito o transporte de uma data antiga para outra mais recente, o parâmetro a determinar é o valor futuro, FV. A diferença de prazo entre elas é de 35 dias. Com o emprego da planilha Excel: Como já mencionado anteriormente, ao finalizar a inserção dos parâmetros e antes mesmo da conclusão da fórmula, com o clique em “OK”, aparece o resultado no canto inferior esquerdo: -120.068 (negativo pelo conceito de zerar o fluxo de caixa hipotético). Comparando o valor com o fornecedor 1, R$ 120.000, percebe-se ser este o detentor da melhor condição e a compra deverá ser realizada com ele! 4.3. Propostas com parcelamento no pagamento Para a aquisição de certa mercadoria foram recebidas duas ofertas: Fornecedor 1: preço total R$ 120.000, entrega em 15 dias e pagamento em 30 dias a partir da entrega; Fornecedor 2: total R$ 123.510, entrega em 15 dias e pagamentos iguais em 30, 60 e 90 dias; Taxa de juros da empresa: 1,5% ao mês. 18 Na escolha da melhor proposta é forçoso recalcular ambas para a mesma data. A data da entrega dos dois fornecedores ocorrerá em 15 dias, caso o pedido seja emitido na data atual, logo, essa parece ser a melhor alternativa. Nos dois casos será feito o transporte de uma data recente para outra mais antiga, assim é preciso recalcular o valor presente, PV. As opções são: Fornecedor 1: pagar R$ 120.000 daqui 45 dias. Fornecedor 2: pagar 3 de R$ 41.170 daqui 45, 75 e 105 dias. Para o fornecedor 1 a planilha será: O período será 1, pois entre a entrega e o pagamento decorrem 30 dias ou 1 mês. Como é possível identificar no canto inferior esquerdo da imagem o resultado será -118.227 (negativo é normal). Para o fornecedor 2 o modelo de planilha será visto a seguir. Cumpre observar o fato de o período referir-se ao número de parcelas a serem pagas, 3, e não quantidade de dias. Tal distinção é relevante, pois em se tratando de pagamentos periódicos a relevância reside na quantidade de parcelas e a obrigatoriedade de serem todas de mesmo valor assim como o intervalo de tempo entre cada uma ser idêntico. No canto inferior esquerdo é possível verificar ser o resultado para o valor presente -$119.895, valendo mais uma vez a ressalva sobre o fato de o sinal negativo ser irrelevante na análise. 19 Da comparação dos resultados obtidos para a data prevista para a entrega sobressai a conclusão sobre comprar do fornecedor 1, por ser menor o custo! 4.4. Cálculo de valor de parcelas com incidência de juros A Ferro Doce Ltda. deseja comprar um equipamento com preço à vista R$ 2.540.000. O fornecedor oferece parcelamento em 4 anos, pagamentos mensais iguais e taxa de juros de 1% ao mês. Qual será o valor de cada parcela? Há um valor associado à data atual e o objetivo é parcelá-lo com juros, isto é calcular um valor de PMT, ou no caso da Excel PAGTO, sendo conhecidos o PV = 2.540.000 (por ser um valor atual), n = 48 meses (quantidade de parcelas mensais) e i = 1,0% ao mês, taxa de juros informada; Na imagem a seguir está o delineamento da solução: 20 A observação do extrato da planilha mostra as células nas quais cada parâmetro foi alocado e no canto inferior esquerdo surge o resultado: -66.887,94 (negativo é normal). Dessa forma, cada parcela será $66.887,94. 21 5. TEORIA DA OFERTA E DEMANDA A teoria da oferta e da demanda tem por objetivo caracterizar o comportamento dos preços em função da relação entre a quantidade oferecida pelo mercado e a procura por parte dos consumidores. Ela visa explicar como os consumidores se comportam no processo de decisão para a aquisição de produtos ou serviços. Conforme o senso comum constata, nas ocasiões de oferta abundante de determinado produto, superando a demanda do mercado, a tendência é a redução nos preços praticados. Por outro lado, se a oferta for pequena e houver grande número de consumidores desejando o bem a resposta do mercado é a elevação dos preços. Isso tudo posto, a conclusão imediata é que se houver desequilíbrio entre oferta e demanda o preço oscilará junto. Por decorrência, havendo igualdade nessa relação a expectativa é de existir estabilidade no preço. Entendo um pouco melhor cada um dos termos cabe o detalhamento a seguir: Oferta é a quantidade de um produto oferecida pelos fabricantes e comerciantes ao mercado em determinada época e lugar. Sua determinação resulta intimamente do preço, sendo lógico e esperado que quando esse for atraente haja mais interessados em vender e com isso elevando-a; Procura é o desejo dos consumidores em possuir esse mesmo produto em época e lugar semelhantes. É afetada pela vontade do consumidor final pela sua posse se houver a percepção de serem favoráveis aspectos como preço, qualidade e acesso. Deve ainda ser compreendido que a demanda indica um volume máximo desejado pelos consumidores, conforme preço e renda enquanto a oferta remete à quantidade disponível de bens e serviços para aquisição. Logo, demanda não representa a compra efetiva, mas a vontade de comprar enquanto a oferta não é igual à venda, mas indicativo da vontade de vender. Vários fatores interferem na relação oferta x procura. Os mais atuantes são: Capacidade do mercado de disponibilizar mercadorias em conformidade com o desejo dos consumidores; Existência de concorrência entre vários participantes de modo a influir na oferta e automaticamente no equilíbrio do mercado; Haver mercadorias capazes de substituir aquelas pouco ofertadas e satisfazer, mesmo parcialmente, a necessidade dos interessados; O poder de compra dos clientes, afinal não basta desejar algo, mas ser capaz de conseguir ter a posse dele, e isso significa conseguir pagar o preço solicitado. Do ponto de vista do mercado, a demanda, isto é, a procura dos consumidores pelo produto é indicador do volume passível de ser vendido naquela condição de preço. Aspecto importante reside no fato de a teoria da demanda considerar os compradores individuais como seres racionais capazes de ponderar o processo de decisão das aquisições em função de avaliação objetiva vinculando a quantidade aos preços e preferências. 22 Outra conclusão universalmente aceita expõe como a relação entre o preço e a quantidade demandada no mercado são inversamente relacionados, ou seja, quando o preço de um produto sobe, diminui o número de pessoas dispostas ou capazes de adquiri-lo. A conclusão imediata é: Elevação no preço de um bem reduz o poder de compra da população (essa situação é denominada de efeito renda) empurrando os consumidores a buscarem mercadoria mais baratas (ação aqui identificada como efeito substituição). Mas não é apenas a movimentação do preço que provoca efeitos na relação entre a oferta e a demanda. Quando existe aumento na renda da população o efeito imediato é o crescimento na quantidade de pessoas com capacidade financeirade aquisição de mercadorias e serviços, elevando automaticamente a demanda. Em termos práticos se a oferta não conseguir acompanhar essa condição a tendência dos preços será elevarem-se, promovendo a chamada inflação de demanda. A teoria da oferta e demanda é empregada para detalhar o comportamento dos mercados em termos de modelos de concorrência. Nela o fator preço influi substancialmente no equilíbrio entre as quantidades produzidas e adquiridas. Redução do preço eleva o poder de compra dos consumidores e faz subir a demanda, se as demais variáveis forem mantidas. Um conceito interessante nessa equação é o da elasticidade, a qual objetiva medir a intensidade da variação da quantidade demandada em função de alterações no preço. Por exemplo, se um produto detém a elasticidade-preço intensamente rígida, a conclusão será de que o preço não sofrerá alterações expressivas em razão de oscilação na quantidade buscada do produto. Já em produtos de outra natureza, como os considerados essenciais, a ação é contrária, traduzindo-se, na prática, no fato de o preço poder variar intensamente sem produzir efeitos sensíveis sobre quantidade demandada. Claro está que com redução no preço, um produto será mais atrativo se comparado aos dos concorrentes, incentivando sua compra. A consequência será o estímulo à concorrência induzindo os demais players do mercado a agirem na mesma direção. Afinal, cabe lembrar o efeito de um preço menor do produto sobre o consumidor, o qual é instigar o desejo de comprá-lo. Por essa razão, as principais formas de concorrência se fundamentam no preço, entretanto, temos que lembrar que os aspectos como qualidade estarão também influindo no cenário. É importante destacar como as reações do mercado podem ser diferentes daquelas usualmente esperadas. Podemos perceber a oferta aumentar ou diminuir de preço conforme aumenta a quantidade, precisando ser analisada em conjunto com a demanda para um entendimento apropriado. Observando pelo interesse dos compradores algumas colocações precisam ser feitas: Monopólio ou oligopólio significa a existência de poucos ou apenas um fornecedor. O reflexo imediato é haver oferta escassa. Nesse ambiente, o vendedor tem total poder para definir o preço do mercado enquanto os clientes quase não 23 influem. Aqui está o fenômeno designado de concorrência imperfeita. Em casos assim procurar negociar em geral é infrutífero, pois o desequilíbrio de poder é muito elevado; O desenvolvimento de novos fornecedores promove a elevação da oferta e, conforme foi visto, a tendência em condições normais é de queda nos preços. Identificar produtos alternativos ou substitutos para aqueles pouco ofertados produz efeito semelhante. Logo, é mais produtivo pesquisar novas possibilidades de fornecimento em comparação a tentar negociar; Fixar volumes acompanhando a dinâmica do mercado. Em geral a expectativa em períodos longos, como anual, é de haver movimentações nos preços oferecidos. Permanecendo atento o comprador pode agir em momento favorável, subindo a quantidade a adquirir. Da mesma maneira, quando os preços estão no seu ápice o ideal é não comprar ou então adquirir o mínimo necessário para sobreviver até a próxima baixa. 24 6. MACROECONOMIA Macroeconomia é o ramo da economia com o objetivo de analisar fenômenos econômicos como a inflação, por exemplo, e sua ação, procurando estabelecer relações entre variáveis como o nível de preços, a taxa de juros, a cotação cambial, a renda da população, os investimentos entre outros É sabido serem todos interligados, isto é, quando um sofre alguma alteração acaba por afetar o comportamento dos demais. É comum as pessoas terem dúvidas sobre os objetos de estudo da microeconomia em comparação com a macroeconomia. A primeira tem foco na apreciação do processo de tomada de decisão das pessoas e das empresas, como por exemplo a teoria da oferta e demanda, presente no capítulo anterior. A macroeconomia se ocupa em avaliar o comportamento de uma economia nos seus aspectos mais amplos, com efeitos em todo o conjunto da sociedade. Naturalmente trata-se de assunto bastante técnico, mas acompanhar os principais indicadores macroeconômicos é importante para propiciar ao profissional a capacidade de interpretar os movimentos do mercado, perceber antes o momento de agir e adotar as soluções apropriadas. As principais variáveis macroeconômicas são: o nível de preços (inflação); o nível de emprego; a taxa de câmbio; a taxa de juros. Analisaremos cada um deles individualmente. 6.1. Macroeconomia – Inflação Para os brasileiros a inflação é fenômeno econômico muito vivido. Afinal, o país atravessou por longas décadas elevações de preços absurdas, esfarelando o poder de compra da maioria das pessoas. Nesses períodos os trabalhadores pegavam seus salários e corriam aos supermercados, pois se esperasse um ou dois dias a quantidade de bens a que conseguiriam adquirir se reduziria intensamente. Mas, o que de fato é a inflação? Inflação é o aumento continuado e generalizado dos preços de bens e serviços em uma economia produzindo a diminuição do poder de compra da moeda. A inflação desestimula o investimento e reduz o crescimento econômico. Os preços relativos na economia são distorcidos e as pessoas perdem noção para avaliar se algo está barato ou não. Em condições normais é desejável uma certa estabilidade nos preços gerais do mercado. Na verdade, em economias maduras o que se persegue é a existência de taxas de inflação reduzidas, mais favorável ao crescimento econômico. 25 Engano comum consiste nas pessoas entenderem a possibilidade de queda nos preços como algo positivo, fenômeno oposto ao da inflação e conhecido como deflação. O equívoco está nas causas do fenômeno. Quando ele ocorre, normalmente indica uma economia fraca, elevação no desemprego, queda no consumo, todos fatores negativos para a saúde financeira de um país. Fato curioso é como as pessoas demonstram dificuldades em compreender o fenômeno da inflação corretamente. Muitas vezes, em momentos de inflação em queda, quando os noticiários informam tal situação as pessoas discordam: fui ao mercado e os preços continuam subindo. É fato que os preços permanecem aumentando, inflação significa exatamente isso e, quando se manifesta ter ela caído, significa apenas que a elevação nos preços está ocorrendo com menos intensidade. 6.2. Tipos de inflação Diferentemente do que se pensa, as origens do fenômeno inflacionário são de múltiplas naturezas. É comum a percepção de que os preços sobem apenas pela ganância dos agentes econômicos induzindo o aumento exacerbado das margens de lucros. As causas são várias e influem na existência da inflação e nas ações para procurar controlá-la. Seguem os tipos: De demanda; De custos; Inercial. Examinaremos cada uma e as razões para sua ocorrência. 6.2.1. Inflação de Demanda A inflação de demanda aparece quando a demanda na economia suplanta a oferta. Normalmente está associada ao aumento da capacidade de compra das pessoas, produzida pela ampliação da renda. Assim, a inflação segue subindo em sintonia com o produto interno bruto real, também em elevação. Uma consequência desse aumento no PIB é a redução no desemprego, alocando mais pessoas do lado da demanda enquanto a oferta não cresce na mesma proporção. De fato, o aumento na demanda estimula as empresas a investir em novas contratações para aumentar a capacidade produtiva. Em princípio o desemprego se reduzirá produzindo aumento na demanda. Com mais pessoas desejando comprar e, mesmo com contratações, a oferta não acompanhando o ritmo haverá elevação nos preços. 26 Esse aumento no preço é chamado inflação. A inflação originada na demanda explica como a inflação dos preços tem início e expõe razões pelas quais a inflação, uma vez principiada, mostra-se resistente àsações de controle. De fato, a inflação ocorre como forma não planejada para regular a demanda, pois com sua ação o poder de compra das pessoas cai. Entre as causas passíveis de promover a inflação de demanda destacam-se: Aumento súbito nas exportações, capaz de acarretar a desvalorização da moeda; Excesso de gastos do governo; Crescimento da população; Desenvolvimento monetário excessivo, com muito dinheiro no sistema para poucos produtos; Rápido aumento no consumo com empresas investindo em contratações. 6.2.2. Inflação de Custos A inflação de custos manifesta-se mesmo com a demanda permanecendo inalterada, mas em razão de os custos de insumos essenciais subirem e serem repassados aos preços. É típica em momentos de demanda estável, mas com custos de produção em ascensão, podendo ser motivada por elevação dos salários, incremento nos preços dos insumos etc. Na cartilha empresarial a elevação nos custos afeta os lucros e desestimula a continuidade da fabricação da mercadoria sujeita a esse efeito, principalmente se houver resistência do consumidor em aceitar o repasse desse aumento nos custos. Essa modalidade de inflação é a antítese da inflação de demanda. Esse tipo de inflação de custos pode ser induzido se resultar de crescimento na demanda ou autônoma quanto sua origem está em oligopólios ou monopólios. 6.2.3. Inflação Inercial A inflação inercial é reflexo da manutenção por longos períodos de inflação de demanda ou custos elevados. Elas trabalham como indutoras dos produtores em persistirem em subir preços como mecanismo de proteção de seus negócios, evitando eventuais perdas por descompasso entre os preços de venda e os custos. A inflação inercial, por força desse processo de autoproteção das empresas, acaba por forçar o repasse da inflação passada acrescida da expectativa da inflação futura. Ela se sustenta ao longo do tempo, pois do lado da oferta há o seguimento dos preços do mercado, as empresas acabam por elevar seus preços para acompanhar outros que já o fizeram, criando um círculo vicioso. Sua ocorrência está associada a situações nas quais os preços apresentam resistência às ações de controle para debelar as causas da inflação. 27 A inflação inercial é fortemente correlacionada aos mecanismos de indexação existentes, como índices de correções de aluguéis e salários indexados tipo (IGPM ou IPCA). 6.3. Macroeconomia – Nível de emprego No mercado de trabalho o grau de qualificação, escolaridade e experiência dos profissionais são determinantes na fixação dos salários e do nível de emprego. Entretanto, apenas essas condições não são suficientes para garantir a existência de nível de emprego elevado. A taxa de ocupação das pessoas pertencentes à chamada população economicamente ativa (PEA), isto é, todos aqueles com idade e condições físicas para trabalharem, depende também das demais variáveis macroeconômicas. No Brasil é feita a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), um levantamento domiciliar contínuo realizado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A PED é uma investigação do mercado de trabalho, com o objetivo de caracterizar a participação das pessoas na estrutura produtiva de uma região, medindo a relação entre os ocupados e os desempregados. O nível de emprego mede a quantidade pessoas efetivamente empregadas dentro do universo abrangido pela PEA. Como o consumo das famílias é resultante do nível de emprego e, por conseguinte da renda, fica evidente a importância desse parâmetro no ambiente macroeconômico. Se o desemprego está elevado a consequência imediata será menos pessoas com poder aquisitivo para consumir. Logo haverá a redução na cesta de itens a serem adquiridos, com preferência para os itens de subsistência. A queda no consumo induzirá as empresas a reverem seus investimentos, segurarem as contratações e, por outro lado, com menos mercado para atenderem, iniciarem programas de redução das folhas salarias pelo mecanismo clássico, a demissão. A consequência será a redução no crescimento econômico com reflexos no PIB e mais desemprego. Merece destaque a importância em se apurar cuidadosamente o número de pessoas efetivamente empregadas assim como o número total de empregos. Embora muitos considerem ambas serem representativas da mesma situação, na realidade, trata-se de informações diferentes. Enquanto uma pessoa pode possuir mais de um emprego muitas vagas de emprego oferecidas não são preenchidas. Aqui reside a discrepância entre as duas possibilidades. De qualquer modo, se houver crescimento no total de empregos, a consequência imediata será um aumento no nível de emprego, logo esse deve ser o esforço promovido pelos governos. 28 6.4. Macroeconomia – Taxa de câmbio Taxa de câmbio consiste no preço de determinada moeda estrangeira quando medida em unidades da moeda nacional. Além disso a taxa de câmbio afeta e demonstra as relações de troca entre países. Há duas maneiras de expressar essa relação: Direta: indica o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional, isto é, a quantidade de moeda nacional necessária para adquirir uma unidade de moeda estrangeira; Indireta: trata-se do oposto da situação anterior. Demonstra o preço de uma unidade de moeda nacional em unidades de moeda estrangeira, isto é, a quantidade de moeda estrangeira correspondente a uma unidade de moeda nacional. Ela expressa a relação entre moedas de dois países. Por isso ações no sentido de aumentar ou diminuir essa relação afeta o comércio entre os envolvidos e até outros países. Uma possibilidade de mudança na relação cambial é a desvalorização da moeda. Essa ação eleva a taxa de câmbio obrigando o país a consumir mais moeda nacional nas importações. O efeito imediato será o encarecimento delas com a subsequente redução. Esse tipo de ato encarece os custos de produção e, como vimos anteriormente, tende a produzir inflação de custos. Por outro lado, a desvalorização da moeda estimulará outras nações a elevarem suas compras de produtos do país, pois eles estarão mais baratos nas suas moedas, implicando um estímulo às exportações. Em contrapartida, uma ação no sentido de valorizar a moeda nacional produzirá efeitos contrários. A valorização da moeda barateia as importações, pois será necessário menor volume de moeda para pagamento. Com isso as importações sobem. Por outro lado, as exportações serão menores, pois os produtos nacionais ficarão mais caros em outras moedas, desestimulando outras nações a comprarem. Como qualquer ação produz variações nas relações entre moedas com consequências importante, é necessário estabelecer uma política cambial, um conjunto de medidas do governo para organizar o mercado de câmbio e, por decorrência a taxa de câmbio. Uma maneira de atuar é pelo estabelecimento de regimes cambiais. É possível destacar dois regimes básicos: Câmbio fixo: nesse modelo a taxa de câmbio é definida pelas autoridades monetárias do governo nacional; Câmbio flutuante: a taxa de câmbio é formada no mercado cambial, em função dos movimentos de oferta e demanda realizados pelos participantes na busca por moeda estrangeira. Um conceito importante na questão cambial é o de balança comercial, a qual retrata a relação das importações em comparação com as exportações entre países. Ela registra as importações e as exportações de bens e serviços entre nações. 29 Se pode expressar o saldo da balança comercial como segue: saldo da balança comercial = exportações - importações Da equação fica claro que quando as exportações são maiores em comparação com as importações haverá superávit na balança. Já a situação contrária, importações superiores às exportações, produzirá déficit. 6.5. Macroeconomia – Taxa de juros Em macroeconomia, quando se analisa a taxa de juros de um país procura se avaliarcomo a fixação desse parâmetro interfere nas demais variáveis. No caso brasileiro, a Selic é a taxa básica da economia e corresponde à remuneração oferecida pelo tesouro nacional aos credores e serve como referência para o mercado financeiro como um todo. A Selic é calculada pela média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) em negócios com títulos federais. Como funciona como ferramenta de política monetária, o governo brasileiro administra essa taxa de juros por intermédio do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central detentor do papel de definir a meta da taxa Selic. Cabe ressaltar que a taxa de juros básica da economia é o principal instrumento com potencial para conservar a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A Selic é o principal recurso de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. O nome Selic vem da sigla do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, constituinte de uma infraestrutura do mercado financeiro administrada pelo BC. A administração da taxa Selic é fator primordial no estímulo da atividade econômica. Em função do movimento de alta ou de baixa os reflexos se estendem por todo o mercado brasileiro, não apenas o monetário. Quando há a redução na taxa básica de juros da economia, o efeito imediato e mais poderoso é induzir as empresas a investir seus recursos na produção, aumento de quadro de pessoal etc., pois o retorno desses investimentos será superior àquele pago pelo governo assim como beneficia os custos para obtenção de empréstimos, os quais serão mais baratos. Como a Taxa Selic interfere no crédito para as pessoas, uma queda acentuada nos juros proporcionará à população aumento nas ofertas de crédito. Essa ação fará as pessoas consumirem mais e a consequência será a ocorrência de pressão sobre a demanda, produzindo inflação. De outro lado, juros mais elevados funcionam como um freio para o consumo e os investimentos, e a consequência objetiva será a redução da inflação. Dessa maneira fica evidenciada uma das principais razões para a taxa de juros do mercado ser tão importante na condução da política econômica. 30 Quando uma meta para a Selic é fixada o Banco Central intervém no mercado financeiro comprando e vendendo títulos públicos para conduzir a taxa média das operações à meta fixada pelo Copom. Em ambientes de recessão e inflação em queda o BC reduz os juros para aumentar o consumo e automaticamente o nível de emprego! Uma explanação importante é como a fixação da taxa de juros básica da economia considera não apenas o índice da inflação pretendido como também o nível da taxa de juros real da economia. O conceito é simples sendo o resultado da equação: juros - inflação. Na verdade, um investidor busca sempre o maior juros real possível, pois além de se proteger da inflação ele almeja o aumento do capital investido, daí a importância do dimensionamento dos juros reais na fixação da taxa básica de juros. 31 REFERÊNCIAS DIAS, Mario. Conhecimentos financeiros indispensáveis a um executivo: inclusive para profissionais não financeiros. Amazona, 2015 CERBASI, Gustavo; PASCHOARELLI, Rafael. Finanças para Empreendedores e Profissionais Não Financeiros. Saraiva, 2007. FARO, Clóvis Jose Daudt Lyra Darrigue. Matemática financeira: Uma introdução à análise. Saraiva, 2014. GOMES, José Maria; MATHIAS, Washington Franco. Matemática Financeira. Atlas, 2008. GRIFFIN, Michael. Contabilidade e Finanças. Saraiva, 2012. KATO, Jerry. Curso De Finanças Empresariais. Fundamentos De Gestão Financeira Em Empresas. MBOOKS, 2011.