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Estética e princípios da História da Arte
A Filosofia da Arte como campo de conhecimento da estética, refletindo sobre a percepção visual e a
experiência estética da arte da Pré-história ao Impressionismo.
Profa. Adriana Sanajotti Nakamuta
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o conceito e a origem do termo “estética” para conhecimento das práticas da História e Teoria
da Arte no processo de seleção, valoração e percepção das artes visuais e da cultura de imagens.
Objetivos
Reconhecer o conceito de estética e sua aplicação.
 
Analisar a produção artística e sua relação com a estética ao longo do tempo.
 
Relacionar a cultura imagética contemporânea das redes sociais à experiência e percepção estéticas.
Introdução
Neste conteúdo, veremos como a palavra “estética” é usada frequentemente em nosso cotidiano e como a
estética — conceito do âmbito da História e Teoria da Arte, particularmente da Filosofia da Arte — foi
constituída e utilizada para a experiência e valoração de obras e objetos de arte.
 
A arte também será apresentada como forma de expressão e cultura de todos os povos, sendo inerente à
própria existência da humanidade as atividades e os fazeres relacionados aos processos plástico-visual como
modos de comunicação e expressão.
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• 
• 
Estrutura da caixa de fósforos.
Lygia Clark.
1. Conceito de estética
Estética: principais correntes e modulações
O que é estética?
Iniciaremos o conteúdo abordando conceitos sobre estética e história no vídeo a seguir. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Nada mais propício para iniciar um estudo sobre estética do
que utilizar uma obra de arte como exemplo e ponto de
partida para os questionamentos que serão feitos adiante.
Para isso, selecionamos a obra Estrutura de caixas de
fósforos, da artista brasileira Lygia Clark, produzida em
1964.
Lygia Pimentel Lins, mais conhecida no mundo artístico
como Lygia Clark (1920-1988), nasceu em Minas Gerais, em
1920, e iniciou seus estudos artísticos e sua produção em
1947.
É responsável por um conjunto significativo de obras —
pinturas e esculturas — contemporâneas e de grande
representatividade da Arte Neoconcreta no Brasil.
Arte Neoconcreta
Como reação ao Concretismo ortodoxo, surge, no Rio de Janeiro, o Neoconcretismo. Os artistas adeptos
desse movimento artístico entendiam a arte como portadora de sensibilidade, expressividade e
subjetividade, além de se posicionarem contra as atitudes cientificistas e positivistas nesse campo.
Visando eliminar a tendência técnico-científica, buscou-se recuperar as possibilidades criadoras do
artista e promover a incorporação efetiva do observador. 
Ao lado de nomes como Amilcar de Castro
(1920-2002), Ferreira Gullar (1930-2016), Lygia
Pape (1927-2004), Lygia Clark participou da I
Exposição de Arte Neoconcreta, em 1959,
quando foi assinado também o Manifesto
Neoconcreto.
 
A obra Estrutura de caixas de fósforos é um
excelente ponto de partida para a pergunta: 
 
Isso é arte? Como utilizar a ideia de belo
(beleza) que construímos/conhecemos para
definir uma obra de arte?
De fato, a palavra estética está intimamente associada à ideia de beleza. Cotidianamente ouvimos a
expressão estética para designar também processos e procedimentos associados à saúde e ao
bem-estar. Neste estudo, porém, nos interessa o conceito que foi constituído dentro da Filosofia,
particularmente com o propósito de compreender os fundamentos da arte no que tange à
percepção/recepção dos objetos e das produções artísticas.
Do grego aisthésis, o termo é definido etimologicamente também como “sensibilidade”, “percepção” e
“sensação”. Substantivo feminino, a estética é a parte da Filosofia que estuda o fenômeno artístico e os
julgamentos formulados por historiadores e teóricos da arte para designar/determinar o valor das obras de
arte.
 
De acordo com o Dicionário Oxford de Arte, trata-se da:
(...) ‘Filosofia ou teoria do gosto, ou da percepção do belo na natureza e na arte’. Foi utilizado pela
primeira vez em meados do século XVIII pelo filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgarten
(1714-1762), que aplicou com referência à teoria das artes liberais ou à ciência da beleza perceptível.
Houve muitas controvérsias acerca da abrangência e da utilidade do termo, e a Enciclopédia de
Arquitetura Gwilt (1842) definiu ainda como ‘termo tolo e pedante’ e com um dos mais ‘inúteis
acréscimos à nomenclatura das artes’ que foram introduzidos pelos alemães. O século XX não conheceu
ainda concórdia acerca do objeto da estética filosófica, mas esta é tida geralmente como mais
abrangente que a teoria das belas-artes, incluindo também uma teoria da beleza natural e da beleza não
perceptível (moral ou intelectual), na medida em que estas são consideradas passíveis de estudo
filosófico ou científico.
(CHILVERS, 2001)
Embora o conceito de estética seja oriundo do século XVIII, em virtude do esforço de Baumgarten em associar
este a um ramo da Filosofia, antes disso já tínhamos esforços significativos de qualificação, valoração e juízos
estéticos das obras da arte. Exemplos disso são os escritos do pintor e arquiteto Giorgio Vasari (1511-1574),
considerado até os dias atuais uma das principais fontes de estudo e referência sobre o “nascimento” da
História da Arte e o método de escrita assentado na tradição de biografias. Além de seus trabalhos artísticos,
sua obra mais conhecida refere-se à biografia de artistas italianos que ele escreveu, sob o título Le vite,
publicada pela primeira vez em 1550, consagrando a ele o “título” de primeiro historiador da arte.
Batistério de Florença 
Vista do teto de mosaico. Um dos edifícios mais antigos da cidade,
construído entre 1509 e 1128. 
Juízo Final
Obra de arte de Michelangelo. Visão da Capela Sistina, no Vaticano. 
Primeira página de Aesthetica, por Alexander Gottlieb
Baumgarten.
O Jardim das Delícias Terrenas
Obra de arte de Hieronymus Bosch.
Nas Vite, em edições em 1550 e 1568, Vasari apresenta um método que reside no entendimento de que os
“desenvolvimentos da arte, como os corpos humanos, têm o nascer, o crescer, o envelhecer e o morrer”
(ARGAN, 1994) que vai do pintor florentino Cimabue (1420-1302) ao pintor, da província de Arezzo,
Michelangelo (1475-1564). Essa tradição de uma literatura “de vidas”, como também vimos na esfera artística,
apesar de importante, não deixará de receber críticas e resultará em novas proposições teóricas e
metodológicas.
Mais tarde, no século XVII, a contribuição de Giovanni Pietro Bellori (1613-1696) traz à tona um novo método,
outra perspectiva de estudo, agora com um programa de dimensão eclética “com uma formulação ideal que
chegará até o neoclássico Winckelmann (1717-1768)”, vigorado com as “lógicas de categorias mentais”
(ARGAN, 1994), em que as biografias apenas corroboram a importância do método, mas não determinam os
rumos da História da Arte.
 
Considerado o pai da História da Arte, Winckelmann saiu com sua análise das disputas entre a técnica e a
razão pura de ingleses e franceses para relacionar a produção artística ao contexto de produção.
Giovanni Pietro Bellori
Foi um biógrafo e teórico da arte italiano, também conhecido como Gian Pietro Bellori ou Giovan Pietro
Bellori. Destaca-se seu trabalho como biógrafo dos artistas barrocos, sendo comparado com o de Vasari
sobre os renascentistas. 
É o método com “discurso” e intensas descrições das obras
que ganha espaço com a proposição de Bellori, prenúncio
das questões que serão enfrentadas no século XVIII no
campo artístico.
A partir do século XVIII, os estudos da arte ganham novas
dimensões, para Argan (1994), com dois caminhos e
paralelos. 
Há o entendimento sobre o nascimento da História da Arte
como disciplina autônoma, cuja compreensão deve-se à sua
constituição neste século e aos estudos empreendidos pelo
historiador da arte e arqueólogo alemão Winckelmann. 
 
Ainda, a ideia de um “valor sugestivo da obra artística” e uma teoria da beleza, que desencadeia o nascimento
da estética, uma ciênciaà memória
e à experiência de seus produtores?
 
Como avaliar, do ponto de vista estético, imagens que são produzidas a partir de um gesto técnico — o
apertar de um botão — de imagens produzidas pela habilidade manual de um artista? 
 
Como atribuir valor a um trabalho que resulte em milhares de reproduções?
Autopintura ou autorretrato: processo de construção identitária
Os desenvolvimentos da técnica digital e a expansão das redes sociais colocaram a produção de imagens
diante de uma situação inteiramente nova. Mais do que recordações pessoais, dívidas entre familiares e
amigos próximos, as imagens compartilhadas passaram a estabelecer canais de comunicação entre pessoas,
gerando contatos, troca de experiências, afinidade de opiniões em uma escala de grandes proporções.
• 
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• 
• 
Jovem mulher como Mona Lisa. Estilo retrô,
comparação do conceito de eras.
Fotografias sobre algo que se está fazendo, consumindo, vivenciando geram comentários, repercussão e
novos compartilhamentos.
Um caso interessante para refletirmos, diante
da proliferação de imagens que nos atinge, é a 
selfie, neologismo com origem no termo inglês 
self-portrait, que significa autorretrato,
consistindo em um autorretrato compartilhado
em uma mídia social. É possível perceber certa
relação de continuidade entre as selfies e os
retratos pintados, em termos da construção de
uma identidade social que seu portador quer
exibir e ressaltar, para assim dizer sobre si
mesmo.
 
Na pintura, o retrato afirma-se como gênero
autônomo no século XIV e passa a ocupar um
lugar de destaque no campo da arte europeia,
atravessando diferentes correntes estéticas.
Sua importância para a projeção da imagem do retratado acompanha os anseios da corte e da burguesia
urbana por distinção e prestígio.
 
O esplendor de ambientes domésticos, o luxo das roupas da corte e a composição dos retratados são
expressos com extrema atenção aos detalhes, cores e texturas. Pintores como Jan van Eyck (1390-1441) —
nos Países Baixos —, Piero della Francesca (1415-1492), Rafael (1483-1520) e Leonado Da Vinci (1452 - 1519)
tornam célebres seus retratados das principais cortes da Europa.
No século XX, artistas como Frida Kahlo (1907-1954), Salvador Dalí (1904-1989) e, no Brasil, Tarsila do Amaral
(1886-1973) notabilizaram-se por seus autorretratos, nos quais exibiam ao público não apenas sua aparência,
mas seus estados de ânimo, suas situações particulares, em telas repletas de referências e significados.
 
Contemporaneamente, a composição da imagem retratada por câmeras digitais, com o objetivo de postá-la
nas redes sociais, não se distancia das necessidades de representação da identidade do sujeito frente aos
outros que o acompanham virtualmente, exprimindo o seu status, seus padrões de gosto e de consumo, suas
atividades sociais e particulares privilegiadas, seus círculos sociais de interação, sua ideologia política, entre
outros aspectos. A seleção do que postar diz muito sobre a personalidade da pessoa, seus hábitos e valores.
 
Para termos uma ideia do quanto as imagens são importantes nesse processo de construção identitária, o
primeiro aspecto que chama a atenção é a “imagem do perfil ou da capa”, que o usuário de redes sociais
escolhe para representar a si mesmo. É a primeira impressão que um visitante da página terá dessa pessoa.
Muitas vezes, a facilidade da conectividade e o envio de fotografias ultrapassam o senso crítico e fazem com
que a pessoa avance os sinais do bom senso ou os limites toleráveis entre o público e o privado.
Autorretrato, Albrecht Dürer, 1498 (à esquerda) e Autorretrato com a orelha
enfaixada, Vincent van Gogh, 1889 (à direita).
Assim, em sentido geral, a selfie pode ser considerada uma releitura dos autorretratos que os pintores faziam
há séculos. Porém, há algumas diferenças a serem destacadas entre os termos, como as mudanças nos usos
e seus significados para as pessoas. Se, no autorretrato, o artista exprimia a maneira como ele se via e o que
gostaria de legar para a posteridade — e os autorretratos de Vincent Van Gogh (1853-1890) são um excelente
exemplo —, a selfie expressa o modo como seu portador gostaria de ser visto pelos outros de maneira
imediata, por meio do compartilhamento instantâneo.
Outra diferença significativa diz respeito ao suporte em que
os autorretratos são realizados. Nas mídias sociais, a selfie
tem como objetivo angariar aprovações e popularidade
entre os usuários e estabelecer relações virtuais em larga
escala. Assim, ao publicarem selfies, os usuários constroem
suas identidades e simultaneamente expressam o seu
pertencimento à determinada comunidade.
No caso dos autorretratos em pintura, o foco da imagem
concentrava-se na representação do retratado e de seu
universo envolvente, sem a preocupação de integrar-se a
grupos mais amplos — o que não deixa de tornar sua
imagem “eternizada” pela sua autopintura ou pelo seu
autorretrato.
 
Saindo do universo da prática artística para o
da instituição museal, vimos nos últimos anos
um crescente público nesses espaços
registrando suas visitas e fazendo selfie com as
obras em exposição. Nessa ideia de
“construção social do indivíduo” por meio das
imagens, registrar visitas a exposições e feiras
que atraem grande público também estimula a
produção de memórias visuais por meio da
fotografia.
Saiba mais
Apesar de exitosas, há registros “dramáticos e catastróficos”, como a quebra de uma escultura de mais
de 300 anos, um São Miguel, em função de uma tentativa de realização de selfie por um visitante. O
ocorrido deu-se em 2016, por um turista brasileiro no Museu de Arte e Antiguidade de Lisboa, em
Portugal. Veja a indicação da matéria, no Explore+, ao final do tema. 
Vamos ver uma estratégia utilizada por um museu do Rio de Janeiro.
Hashtags da arte: comunicação na prática museológica
Ainda na prática museológica, uma iniciativa recente do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro
(MNBA) provocou notícias e até mesmo premiações de grande importância na área de Comunicação para essa
instituição museal. Sob o título hashtags da arte (#daarte), foi realizada uma exposição de informações
oriundas das mídias sociais que vinham, com bastante frequência, sendo utilizadas em reproduções de obras
de arte.
 
A estratégia do museu levou frases impressas, fixadas na parede logo abaixo de cada obra, com a sinalização
do # como uma referência ao universo de informações de onde partiu a iniciativa expográfica.
 
Em uma obra de “natureza-morta”, muito provavelmente do século XIX, informa-se #focanadieta #veggie
#segundasemcarne #comidasana como um claro e divertido conjunto de informações midiáticas que estimula
a visita e ao mesmo tempo renova os debates sobre o papel dos museus na formação do gosto e do juízo
crítico estético.
Saiba mais
Para conhecer melhor a exposição “hashtags da arte”, confira a indicação, no Explore+, ao final do tema. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
FUNCERN (REITORIA/IFRN) 2014. As imagens visuais nos rodeiam e nos confrontam
regularmente por meio da mídia, da cultura popular, do ritual, da tradição e das atividades
culturais. Desse modo, é correto afirmar que:
A
São nas obras de arte que encontramos um complexo total de informação da sociedade. Devemos estar
atentos às manipulações.
B
A leitura de uma imagem é a leitura de um texto, de uma trama, de algo tecido com formas, cores, volumes,
texturas... Em nada relaciona-se com as interpretações que se fizer do cotidiano.
C
As imagens presentes no cotidiano possuem caráter representacional das sociedades; por isso, as relações
entre várias formas de cultura visual são aspectos importantes do conhecimento da arte.
D
Uma simples obra de arte pode estar carregada de informações, capazes de influenciar o olhar das pessoas
para uma única direção.
E
Devemos separar o que são imagens rápidas de arte; arte deve representar o máximo do homem, uma forma
de ressignificar o mundo e todo resto como uma ruptura da estética artística.
A alternativa C está correta.As imagens do cotidiano não só revelam os hábitos sociais como também a arte que é produzida por
determinado grupo — entendendo o conceito de arte como sistema de representação simbólica, portanto
meio de comunicação.
Questão 2
A selfie — neologismo com origem no termo inglês self-portrait, que significa autorretrato —
consiste em um autorretrato compartilhado em uma mídia social. Assinale a alternativa cuja
afirmativa estabelece a relação de continuidade entre as selfies e os retratos pintados:
A
Ambos têm por objetivo legar a imagem de seus produtores para a posteridade.
B
Os retratos pintados visavam angariar aprovações e popularidade, assim como as selfies.
C
Apesar das técnicas de produção serem diferentes, ambos proporcionam resultados instantâneos.
D
A construção de uma identidade social por meio da projeção da autoimagem é um ponto em comum.
E
É necessário romper a relação possível, uma vez que a estética ou a tecnologia não permite diálogo.
A alternativa D está correta.
A propagação de uma autoimagem reflete a maneira como o seu produtor gostaria de ser visto/identificado,
sendo este um ponto em comum entre as selfies e os autorretratos pintados.
4. Conclusão
Considerações finais
Estética é um conceito complexo, que versa desde a relação do homem sobre como funciona, para que
funciona e para quem funciona a arte. Ela relaciona a construção estrutural com o contexto de sua produção e
as dinâmicas de sua forma, relações de poder, dinâmicas políticas, mas principalmente o sentido que pode ser
transformado ao longo do tempo. O senso estético, então, versa dessa complexa relação entre o sujeito que
produz e os sujeitos que “consomem”.
 
Neste tema você pode perceber as variações e a estética ao longo do tempo, de maneira exemplificada, mas
para que você perceba como sua dinâmica ganha recorrentemente novos contornos e novas possibilidades.
 
Por fim, buscamos as provocações dos novos exercícios estéticos, das novas tecnologias e como a estética
ganha um conjunto de possibilidades que seria certamente inimaginável ao longo do tempo. Por meio de
exercícios, buscamos deixar mais claros as propostas e o entendimento sobre estética.
Podcast
Agora, o professor Rodrigo Rainha encerra o tema falando sobre a estética e os princípios da História da
Arte.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Acesse o website do The Metropolitan Museum of Art, de Nova York, para conhecer o acervo de obras de
todos os períodos retratados neste tema.
 
Procure na internet matérias sobre a quebra de uma escultura de mais de 300 anos, um São Miguel, em
função de uma tentativa de realização de selfie por um visitante.
 
Leia a matéria sobre a exposição “hashtags da arte”, disponível no site de notícias da Globo.
Referências
ARGAN, G. C. Guia de História da Arte. São Paulo: Estampa, 1994.
 
BYINGTON, E. O projeto do renascimento. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
 
CHILVERS, I. Dicionário Oxford de arte. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 
 
FAURE, É. Arte Egípcia. São Paulo: Folha de São Paulo, 2017.
 
GARRABÉ, L. O estudo das práticas performativas na perspectiva de uma antropologia da estética. In: Revista
Brasileira de Estudos da Presença, v. 2, n. 1, p. 62-92, 2012.
 
GOMBRICH, E. H. A História da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
 
HUCHET, S. A História da Arte, disciplina luminosa. In: Revista da Universidade Federal de Minas Gerais, v. 21,
n. 1 e 2, 7 abr. 2014.
 
JANSON, H. W. A História Geral da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
 
SANTOS, M. G. V. P. História da Arte. São Paulo: Ática, 2012.
 
STRICKLAND, C. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014.
	Estética e princípios da História da Arte
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceito de estética
	Estética: principais correntes e modulações
	O que é estética?
	Conteúdo interativo
	Batistério de Florença
	Juízo Final
	O Jardim das Delícias Terrenas
	Corrente histórica
	Corrente teórica
	Atenção
	Estética como natureza do belo e expressão da arte
	Antiguidade Oriental
	Antiguidade Clássica
	Saiba mais
	Arte como parte inerente à cultura de todos os povos
	O que é a História da Arte?
	O que a caracteriza e a define como área de conhecimento?
	Qual a relação da arte com a cultura?
	Atenção
	Natureza-morta com frutas
	Natureza-morta com vaso de Gengibre I
	Violão e jornal
	Verificando o aprendizado
	A partir dos conhecimentos adquiridos sobre o conceito de estética, julgue cada afirmativa a seguir como verdadeira (V) ou falsa (F):
	CESPE (SEDUC/AL) 2018 – Adaptado. A partir dos conhecimentos adquiridos sobre o conceito de estética como a natureza do belo e expressão da arte, julgue cada afirmativa a seguir como verdadeira (V) ou falsa (F):
	2. Arte e estética
	Estética e criação artística
	Formação da arte: Pré-história e Antiguidade
	Pinturas de Lascaux e a produção de arte do homem pré-histórico
	Antiguidade: arte para a eternidade
	Atenção
	Formação da arte: Antiguidade Ocidental
	Arcaico (650 a.C.-450 a.C.)
	Clássico (450 a.C.-323 a.C.)
	Helenístico (323 a.C.-31 a.C.)
	Saiba mais
	Estética do Renascimento e Barroco
	Renascimento
	Individualismo
	Humanismo
	Retrato de Luca Pacioli e um aluno (atrás)
	Planisfério de Cantino
	Madonna com pescoço longo
	Estética do Neoclassicismo ao Impressionismo
	Neoclassicismo
	Comentário
	Romantismo
	Realismo e Naturalismo
	Simbolismo
	Saiba mais
	Impressionismo
	Atividade de reflexão discursiva
	As três imagens a seguir são representativas do período estudado.
	O Massacre de Chios
	Viajante sobre o mar de névoa
	Angelus
	Arrisque-se, descreva-as em uma construção pessoal de leitura dessas imagens!
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Considere o texto a seguir para responder à questão:
	FAPERP (SEE/PB) 2011 – Adaptada. Em relação às principais características da arte barroca, considere os itens a seguir:
	3. Estética no mundo contemporâneo
	Experiência estética
	Conteúdo interativo
	Arte e percepção estética: obras artísticas e juízos estéticos
	Primeiro ponto
	Segundo ponto
	Arte pré-histórica
	Atenção
	Composição das pinturas da “grande sala” ou “sala dos policromos”
	Bisonte ou bisões e Cervo
	Saiba mais
	Arte moderna
	Touro (parte I)
	Touro (parte XI)
	Touros (estudo)
	Principais correntes voltadas para a questão estética da imagem
	Exemplo
	Método formalista
	Método sociológico
	Método iconológico
	Método estruturalista
	Dimensão atual da imagem no design: os perfis nas redes sociais
	Progresso científico na produção de imagens
	Maior produção, circulação e consumo de imagens
	Compartilhamento de conteúdos e imagens diversas
	Autopintura ou autorretrato: processo de construção identitária
	Saiba mais
	Hashtags da arte: comunicação na prática museológica
	Saiba mais
	Verificando o aprendizado
	FUNCERN (REITORIA/IFRN) 2014. As imagens visuais nos rodeiam e nos confrontam regularmente por meio da mídia, da cultura popular, do ritual, da tradição e das atividades culturais. Desse modo, é correto afirmar que:
	A selfie — neologismo com origem no termo inglês self-portrait, que significa autorretrato — consiste em um autorretrato compartilhado em uma mídia social. Assinale a alternativa cuja afirmativa estabelece a relação de continuidade entre as selfies e os retratos pintados:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasnova liberada por Baumgarten, com a obra Aesthetica, de 1750-1758, e situa o
“desenvolvimento da arte como território do belo e da forma” (ARGAN, 1994).
É o início do movimento científico relativo à área da estética e Ciências da Arte, que teve início na Alemanha,
em meados do século XVIII, determinado pela estética e pela História da Arte, a partir de duas correntes:
Corrente histórica
Representada principalmente pelas
contribuições do historiador da arte e
arqueólogo alemão Winckelmann.
Corrente teórica
Conduzida pelo filósofo e crítico de arte alemão
Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). Lessing
não só reaproxima sua discussão dos
iluministas e de suas visões, como também
aproxima o pensamento da História da Arte do
racionalismo predominante entre esses autores.
Considerando, portanto, esses apontamentos históricos constituintes da História e Teoria da Arte, voltamos
aos propósitos específicos empreendidos por Baumgarten em sua obra e sobre o conceito de estética que
nos interessa.
 
Sem a contribuição feita por Kant isso não seria possível, mas a obra de Baumgarten, particularmente seu
esforço para construir esse novo campo de conhecimento sobre as artes, considera a beleza como uma das
características possíveis da manifestação sensível dos objetos.
A beleza era, assim, uma das formas da verdade, sendo percebida como o modo mais marcante do
conhecimento sensível, ao passo que a estética era, então, uma teoria do belo.
Voltando para a obra Estrutura da caixa de fósforos, de Lygia Clark, vemos que a ausência de uma forma ou de
imagens figurativas que possam nos remeter a lembranças, locais ou temas familiares, provoca inquietações
relacionadas à compreensão do que é arte. Mais que isso: como um objeto utilitário e do cotidiano pode ser
transformado em arte?
 
Por tratar-se de uma obra contemporânea, não é nesse tipo de produção artística que Baumgarten funda suas
teorias, mas certamente as transformações ocorridas na área artística — da produção, da exposição, da
apreciação e da experiência estética — provocaram muitos debates sobre a teoria do belo e o entendimento
de arte/obra de arte, particularmente com o advento da arte moderna.
Bicho, obra de 1960, é outra importante referência da escultura produzida pela artista, que trabalha
extraordinariamente com a maleabilidade dos materiais, como chapas de aço, cobre, entre outros.
Bicho, Lygia Clark, 1960.
Atenção
Foi o trabalho do filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) que proporcionou a base da formação do
campo da estética, centrado nas questões concernentes aos juízos de valores da arte e, sobretudo,
centrado na recepção/contemplação, que embasará muitos estudos posteriores acerca da teoria da arte
e da beleza. 
Estética como natureza do belo e expressão da arte
A ideia de belo está intimamente ligada à expressão “arte”. Esse entendimento está na base do nascimento da
estética e desde o século XVIII tornou-se um dos ramos possíveis e necessários de investigação da produção
artística. Uma pergunta que certamente se pode fazer é: 
 
O que levou ou justificou a necessidade de criação de uma disciplina que sustente a explicação e a vinculação
do belo na arte e da arte no belo?
 
Para isso, vamos compreender como a produção artística, sustentada por “juízos estéticos” de cada época e
pela ideia de beleza, contribuiu para a constituição da narrativa histórica e artística que chegou aos dias
atuais. Vamos tomar como exemplo a Antiguidade — arte egípcia, arte grega e romana — e como algumas
premissas canônicas tornaram-se, posteriormente, relevantes no âmbito de investigação da estética.
Antiguidade Oriental
Máscara funerária de Tutancâmon.
Afrodite Braschi, uma das várias cópias conhecidas da
Afrodite de Cnido, de Praxiteles, 345 a.C., que criou um
cânone de beleza feminina.
Comecemos pela arte egípcia, sinônimo de uma
“arte para a eternidade”, termo usado pelo
historiador da arte vianense Ernst Gombrich
(1909-2001). 
 
De fato, esse termo é bastante apropriado, pois
a “a arte existia para garantir a continuidade da
vida” (GOMBRICH, 2012). 
 
Em diferentes suportes — pedras, terra, ferro
etc. — era uma arte “memorial”, “religiosa” e
“ritualística”, ligada às convicções sagradas. 
 
Na arte egípcia, os objetos artísticos tinham a função de estabelecer a manutenção da força vital, uma vez
que os egípcios acreditavam que além do corpo visível existia uma força vital.
Antiguidade Clássica
As civilizações gregas e romanas desempenharam papel de
destaque. A arte grega seria mais flexível na construção
plástica da obra, mas manteria os mesmos repertórios
(temas/motivos). Veremos, em todos os períodos,
divindades como Atenas, Zeus etc. 
Na arte grega, a busca pela mutabilidade estava na forma,
não no tema, ou seja, “uma mutabilidade dentro de um
quadro de permanência”. 
A preocupação dos artistas não estava apenas na
representação do corpo humano em determinado espaço,
mas na busca pela representação do corpo dentro de um
ideal de beleza, com movimento livre do corpo humano no
espaço, em que a “mimese” não era apenas da particularidade ou individualidade do homem, mas do
funcionamento do seu corpo humano. 
 
Mímesis ou mimésis é um termo grego, usado no âmbito da Filosofia e da História da Arte, para designar a
“ideia” de imitação, representação/assemelhar, entre outros.
 
A arte romana, com a ascensão do Império Romano, assumiu um aspecto mais popular, “colocando os ideais
clássicos de lado”. 
 
Ainda assim, será uma produção de grande relevância e extraordinariamente realista.
Esses dois momentos tornaram-se cruciais para a História e a Teoria da Arte, pois a cultura greco-romana foi
responsável, na arte da civilização ocidental, pelo grande paradigma do mundo clássico, que perdurou por
muitos anos. Somente no final do século XIX — com os questionamentos do Neoclassicismo — e no século XX
— com os movimentos de vanguarda dos “ismos”: Surrealismo, Dadaísmo, Expressionismo, Futurismo, entre
outros — que se buscará romper e se opor a esse paradigma.
 
Confira, a seguir, um comparativo entre uma obra neoclássica e outra surrealista:
Ao lado da autonomia da arte — com a constituição da História da Arte no século XVIII —, a estética fundará
sua teoria baseada na ideia de beleza. Por isso, o paradigma do mundo clássico será um importante ponto de
partida.
E o que é ser um paradigma? É tornar-se referência, exemplo, modelo, inspiração. A cultura greco-
romana — isso porque aprendemos sobre os gregos por meio das cópias feitas pelos romanos —
tornou-se o ponto principal da investigação sobre as intenções artísticas e as soluções formais para
a fundamentação das teorias da arte.
Para exemplificar melhor, vejamos a escultura grega Laocoonte e seus filhos.
Laocoonte e seus filhos.
O Juramento dos Horácios 
Obra de arte neoclássica de Jacques-Louis
David, 1784.
The Rainbow 
Obra de arte surrealista de Salvador
Dalí, 1972.
Laocoonte e seus filhos (detalhe).
O grupo escultórico Laocoonte foi descoberto em 1506 e representa uma terrível cena. 
[...] o sacerdote troiano Laocoonte advertiu seus compatriotas para não aceitarem o cavalo de madeira
onde se escondiam os soldados gregos. Os deuses, vendo contrariados os seus planos de destruição de
Troia, enviaram duas gigantescas serpentes-do-mar que envolveram o sacerdote e seus dois infelizes
filhos em seus anéis e os estrangularam.
(GOMBRICH, 2012)
A habilidade clara do escultor está presente na maneira de “narrar visualmente essa tragédia”, ou seja, nas
expressões impressas nos rostos, no contorno dos corpos e na musculatura — em um instante de luta — ao
mesmo tempo em que “capta” a cena da tragédia. Observe que a escultura tem capacidade de tensionar
também nosso corpo, como se pudéssemos “sentir” a força da luta e do estrangulamento. Essa foi
evidentemente uma marca “clássica” e também helenística da arte grega — dado o período em que foi criada,
175-150 a.C. —, em que o corpo ganha movimento, o instante da cena é capturado, as diversas influências,o
trabalho da musculatura, os panejamentos e as expressões, entre outros.
 
A escultura é poética, narra uma tragédia e marca a História da Arte com um enorme salto na produção
artística. A concepção plástica da forma dá vida ao movimento, a consciência corporal e espacial prende a
atenção do espectador. A busca pela definição desse lugar da arte, do propósito, da intenção plástica de
quem produz e o sentimento que ela causa, foi o ponto crucial da busca pela definição da estética como
disciplina e da necessidade da constituição do campo da História e Teoria da Arte e da autonomia da arte. A
arte não é mais um simples ofício, ela é capaz de provocar sensações e reações.
Saiba mais
A razão pela qual a arte grega da Antiguidade ficou conhecida como a “busca pela idealização da forma
humana” foi tornar “o homem a medida de todas as coisas” (STRICKLAND, 2014), cujos preceitos
sobreviveram por muitos anos. Não à toa, para os movimentos de vanguarda da arte do século XX, o
fundamental seria romper com o “clássico”. 
“Os mestres gregos foram à escola com os egípcios, e todos nós somos discípulos dos gregos. Assim, a arte
do Egito reveste-se de tremenda importância para nós” (GOMBRICH, 2012), pois os egípcios entendiam como
ninguém do corpo humano, fato disso é a cultura dos sarcófagos para preservação do corpo (ou a alma/Ka)
depois da morte.
O pensador, de Rodin.
Ka
Denominado pelos egípcios como uma espécie de duplo, de alma, que existia nos homens e nos deuses
e que, por isso, era preciso manter uma “residência” para ele, como, por exemplo, conservar os corpos,
reproduzir imagens em esculturas ou afrescos.
Arte como parte inerente à cultura de todos os povos
A arte pode ser considerada uma linguagem universal, independentemente das diferentes formas de
compreensão por cada um de nós. Ela nos desperta sensações, questionamentos, assimilações e percepções.
Assim, por exemplo, quando tratamos de educação e de como ela dialoga com o sujeito, a educação tem o
papel de perceber o homem neste princípio.
 
Sabemos que os seres humanos criaram objetos e registros visuais relativos e necessários ao seu cotidiano,
como também utilizaram essa linguagem para demonstrar seus sentimentos. Por isso, construir uma
“autobiografia, não por ações e palavras, mas pela arte” (RUSKIN apud SANTOS, 2012) da humanidade, é o
objetivo central da História da Arte.
Se você está se perguntando como diferenciar
uma coisa da outra — por exemplo, um objeto
comum de um registro visual, uma arquitetura
civil de uma militar, e quais as razões/
motivações que justificaram suas produções e a
importância atribuída a elas ao longo da história
—, você está no caminho correto para
compreender a constituição da História da Arte
como um campo de práticas e saberes. Logo,
uma área dentro do pensamento humanístico
destinada especialmente a “desvendar” esse
fazer arte dentro das necessidades e dos
desejos exclusivamente humanos.
 
Agora, se você está se perguntando por que
uma obra é considerada arte e por que algumas, por vezes “estranhas”, ganham grande notoriedade e
rentabilidade no mundo da arte, você caminha para entender a prática artística em diferentes épocas e o
sistema da arte.
Pensando nisso, vamos considerar primeiro as seguintes perguntas:
 
 
O que é a História da Arte?
 
O que a caracteriza e a define como área de
conhecimento?
 
Qual a relação da arte com a cultura?
De maneira objetiva, podemos responder a esses questionamentos afirmando que a História da Arte é uma:
“fórmula que remete tanto às obras e imagens que se sucederam na história da humanidade quanto à
disciplina que elabora um conhecimento baseado na análise descritiva e interpretativa delas”.
(HUCHET, 2014, grifo nosso)
Logo, a produção de objetos estéticos e de uso no cotidiano está presente em todas as civilizações, por
tratar-se de uma atividade exclusivamente humana. É importante ainda destacar que não conhecemos a arte
apenas pelo estudo formal das obras, isto é, descrição de sua composição, dos itens que a conformam em
determinados espaços, ou mesmo suas soluções técnicas e materiais. O conhecimento da arte, por meio de
sua história, exige, sobretudo, um “estudo aprofundado das ideias artísticas”.
 
Isso significa reflexão crítica própria de cada época, isto é, dos conceitos, do posicionamento das pessoas
envolvidas na vida artística, na difusão, na circulação, na recepção e nos diversos juízos proferidos acerca de
determinada obra ou imagem. Isso gerou o que foi chamado de “literatura artística” (HUCHET, 2014).
Literatura artística
Estudos históricos e críticos que utilizamos para compreender os objetos artísticos e as construções
promovidas pelo homem desde a Pré-história. 
Atenção
Desvendar a “gramática” de um objeto artístico é imaginar como seria viver na época de sua concepção/
construção: quais mãos o fizeram, por que são feitos de maneiras distintas na mesma época ou
semelhantes em época diferentes, de onde veio o que, quais materiais e técnicas, quais eram as
referências e motivações para sua elaboração, são parte dos questionamentos e desafios dos
historiadores e estudiosos da arte. 
A arte representa uma parcela significativa da cultura dos povos, pois exprime suas memórias, suas
identidades, seus fazeres e saberes, suas narrativas sociopolíticas e ainda se tornam, por vezes, instrumentos
importantes de referência cultural e afirmação identitária.
A arte (o produto, o processo, o criador) é o objeto de estudo central da História e Teoria da Arte,
onde se inclui a estética com as investigações dos juízos críticos e a recepção/apreciação.
Gombrich destaca que, em arte, o que existe são artistas. E que desde a utilização da terra em cavernas à
pintura de tapumes, as imagens produzidas ganham significado importante para a compreensão do homem e
da humanidade. Ele nos alerta ainda que gosto e beleza variam muito. Quando a arte (as obras) de diferentes
períodos é interpretada à luz de conceitos como beleza e gosto, vemos que as soluções dadas (as expressões
apresentadas) em muitas obras nos causam diferentes percepções, ainda que elas reservem proximidades.
 
Veja o exemplo de uma pintura de temática “natureza-morta”. Por definição, esse tipo de pintura caracteriza-
se por objetos e coisas inanimados. Desde a Idade Média, em geral como fundo de pinturas religiosas de
cunho realista, se vê a representação de animais, flores e frutas. 
Natureza-morta com frutas
Natureza-morta com vaso de Gengibre I 
Violão e jornal
As pinturas guardam a similaridade do tema — natureza-morta —, mas, do ponto de vista da expressão, da
solução da composição, são completamente distintas. Representativas de seus movimentos artísticos —
Caravaggio (1571-1610), no Barroco, com uso intenso da cor para o efeito claro-escuro e Mondrian
(1872-1944) e Jean Gris (1829 - 1872), no Cubismo, com o abstracionismo e as formas geométricas —, essas
obras nos provocam reflexões sobre a motivação do tema, a forma da composição e o papel das coisas e dos
objetos inanimados para a compreensão do real ou do imaginário.
 
A comparação pela temática aponta as especificidades de cada obra, com soluções plástico-visuais inerentes
à arte e aos artistas de seu tempo. Uma dentro de uma tradição do clássico e outra moderna, em que a
expressão de cada período está posta na solução da composição que cada artista apresenta. Uma com clara
definição dos objetos e uso do claro-escuro como marca do Barroco, e outra com a abstração geométrica que
nos faz reconhecer alguns elementos, mas também provoca uma mistura de sensações visuais pela definição/
indefinição dos objetos, com síntese das informações, marca da arte moderna.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A partir dos conhecimentos adquiridos sobre o conceito de estética, julgue cada afirmativa a
seguir como verdadeira (V) ou falsa (F):
 
I. Do grego aisthésis, a palavra “estética” é definida etimologicamente também como “sensibilidade”,
“percepção” e “sensação”.
 
II. Foi utilizado pela primeira vez emmeados do século XVIII pelo filósofo alemão Alexander Gottlieb
Baumgarten (1714-1762).
 
III. É parte da Filosofia que estuda o fenômeno artístico e os julgamentos formulados para designar/determinar
o valor das obras de arte.
 
IV. No estudo das artes, restringe-se aos aspectos materiais e perceptíveis das obras a partir da harmonia das
formas, e o equilíbrio da paleta de cores.
 
Assinale a alternativa correta:
A
V-V-V-F
B
V-V-F-V
C
F-V-F-V
D
V-F-F-V
E
F-V-F-F
A alternativa A está correta.
Conforme Chilvers (2001), o objeto da estética é mais abrangente, contemplando a beleza “não
perceptível”, entendida em seu trabalho como a beleza moral e intelectual. Por conseguinte, no estudo das
artes, a estética considera não só as questões formais das obras, como também os contextos
socioculturais.
Questão 2
CESPE (SEDUC/AL) 2018 – Adaptado. A partir dos conhecimentos adquiridos sobre o conceito
de estética como a natureza do belo e expressão da arte, julgue cada afirmativa a seguir
como verdadeira (V) ou falsa (F):
 
I. A educação estética compreende os modos de expressão artística que possuam características
harmoniosas e de equilíbrio.
 
II. Estética refere-se à percepção sensorial, na qual a consciência, a inteligência e o julgamento das pessoas
estão baseados.
 
III. Filosofia do belo na arte compreende o estudo das obras de arte e o conhecimento dos aspectos da
realidade sensorial classificável em termos de belo ou feio, bom ou ruim.
 
IV. A um objeto ou fenômeno que instiga a sensação de prazer damos os nomes de belo, bonito e beleza.
 
Assinale a alternativa correta:
A
F-V-V-F
B
V-V-F-V
C
F-V-V-V
D
F-F-F-V
E
F-F-V-F
A alternativa C está correta.
A educação estética compreende todos os modos de expressão artística e constitui uma abordagem
integral da realidade, em que coexistem diferentes manifestações culturais.
2. Arte e estética
Estética e criação artística
O entendimento da construção teórico-conceitual e metodológica da estética no âmbito das artes visuais
passa também pela compreensão da formação da arte desde a Pré-história até o Romantismo.
 
Neste tópico, veremos pequenas sínteses históricas e artísticas sobre a produção de imagens, esculturas,
pinturas e desenhos, como instrumentos importantes para a consolidação do campo de estudo da estética,
especialmente por tratar-se de objetos de estudo inerentes a essa área.
É importante notar que é um exercício de visualidade estética e não efetivamente o local para o
conhecimento dessas manifestações artísticas. Então, temos um trinômio pelo qual precisamos que
você navegue: Identidade – Poder – Valor. Esteja sempre atento a esse trinômio!
Formação da arte: Pré-história e Antiguidade
A arte da Pré-história insere-se em um longo período — o mais longo e extraordinário período da história da
humanidade —, cujos vestígios materiais e artísticos que hoje estudamos resistiram ao tempo, por milhares de
anos, e se encontram em sítios arqueológicos ou estão expostos em museus para apreciação e estudo. Esses
registros e vestígios são fundamentais para que possamos compreender a cultura, a arte e a organização
“social/espacial” desse período denominado de Pré-história (entre 30.000 a.C. a 4.000 a.C.), que antecede a
escrita, ocorrida por volta de 4.000 a.C.
 
Em algumas regiões do mundo, às margens de rios como o Nilo (Egito), o Tigre, o Eufrates, por volta de 4.000
a.C., que não tinham ligação entre si, apareceu a escrita, dando início ao chamado período Histórico
(civilização histórica).
Período Histórico
Mesmo sendo o mais longo período da história da humanidade, pouco sabemos como a produção
dessas imagens começou, bem como as motivações que levaram os homens a registrar figuras e
grafismos, especialmente em grutas e cavernas onde habitavam. O que temos são datações —
relativamente seguras — a partir de restos materiais e pictóricos (arte rupestre, ossos, madeiras,
pigmentos) realizados por meio do uso de radiocarbono.
Pinturas de Lascaux e a produção de arte do homem pré-histórico
Um exemplo significativo para compreendermos a produção de arte do homem pré-histórico são as pinturas
de Lascaux, no Périgord, departamento francês da Dordonha. Trata-se de um complexo de cavernas onde
encontram-se bois, cavalos, cervos, felinos, entre outros animais representados nas paredes e nos tetos em
torno de 17.000 a.C., também comprovados por meio do Carbono 14.
 
A descoberta dessas cavernas ocorreu somente em 1940, porém em um momento em que essas pinturas
passaram a ser de interesse de grande parte dos arqueólogos e pesquisadores da Pré-história pelo mundo
todo. O local foi encontrado pelos jovens Marcel Ravidat, Jacques Marsal, Georges Agnel e Simon Coencas,
sendo mais tarde visitado pelo arqueólogo francês Henri Breuil, juntamente com outros especialistas.
Vista interna de Lascaux IV.
A caverna possui aproximadamente 250 metros de comprimento e está “dividida/classificada” com nomes
atribuídos à semelhança de uma arquitetura religiosa, feita por Breuil. Logo após a entrada e as três primeiras
salas — onde de fato viviam os povos pré-históricos, em função da entrada de luz e ar —, encontra-se a “Sala
dos touros” ou “Rotunda”, com 17 metros de comprimento por 7 metros de altura e 6 metros de largura,
composta por pinturas com mais de 3 metros. 
 
Passando por essa sala, vemos, à esquerda, a galeria Divertículo axial e, à direita, a Passagem, que é um
corredor com aproximadamente 10 metros, seguido da Nave”, outro corredor, porém com 20 metros, não
decorado por ser bastante estreito, mas que leva ao Divertículo dos Felinos, um corredor também de 20
metros. 
 
No que tange às representações, vemos a presença de touros, cavalos, cervos, cabritos, entre outros animais,
com tamanhos superiores a 4 metros — tamanho surpreendente em relação às pinturas de Altamira, que não
passam dos 2 metros, com o uso de pigmentos naturais em tonalidades de vermelho, ocre e preto.
Touro da “Sala dos Touros”.
Cavalo chinês.
Outro exemplo desse período é a primeira estatueta, um artefato pré-histórico que foi achado na Gruta de
Pape, em Brassempouy, no sul da França, em 1984. Trata-se de uma miniatura de busto feminino, esculpida
em marfim de mamute, embora seja classificada museologicamente como uma miniestátua de Vênus.
Atualmente pertence ao acervo do Museu de Antiguidades Nacionais da França.
Vênus de Brassempouy. Acervo do Museu de Antiguidades Nacionais da França.
Antiguidade: arte para a eternidade
Sobre a Antiguidade, que pode ser entendida pela arte oriental — arte egípcia — e clássica — grega e romana,
se lhe fosse perguntado como você poderia definir a arte desse período, uma boa definição seria: “a arte
existia para garantir a continuidade da vida.” Isso justifica a expressão “arte para a eternidade” utilizada por
Gombrich, já destacada.
 
Podemos dizer que esses suportes materiais, tais como pedras, terra, ferro etc. eram utilizados na produção
de arte egípcia como uma forma de continuidade da vida, especialmente após a morte. Trata-se, portanto, de
uma arte bastante “memorial”, “religiosa” e “ritualística”, ligada às convicções sagradas daquelas sociedades e
basicamente divididas em três períodos históricos: o Antigo Império, o Médio Império e o Novo Império. “Uma
civilização que se estendeu por três milênios, liderada por trinta dinastias de faraós” (FAURE, 2017).
 
Se anteriormente, na arte pré-histórica, vimos propósitos — ainda que em termos de conjectura, uma vez que
sabemos pouco sobre as motivações das criações artísticas das sociedades pré-históricas — de transmitir
uma ideia, capturar a aparência “real” de um cotidiano — como a representação e modelação de quadrúpedes
em grandes dimensões —, na arte egípcia veremos que a função dos objetos artísticos estava ligada à
manutenção da força vital.
Escultura representando o Ka do faraó Hórus.
Atenção
Não confundir com o termo Realismo, que foi um movimento artístico e literário do século XIX, utilizado
pela História da Arte para“classificar” a produção pictórica desse período, especialmente aquela
dedicada a retratar a vida, o cotidiano dos interiores, as críticas sociais, entre outros temas que haviam
sido pouco ou quase nada utilizados em modelos do passado. 
Os egípcios acreditavam que, além do corpo visível, existia uma força vital — uma espécie de duplo, de alma,
que eles chamavam de Ka — que existia nos homens e nos deuses e que, por isso, era preciso manter uma
“residência” para ele, como conservar corpos, reproduzir imagens em esculturas ou afrescos.
Aqui, vemos a representação de duas mãos fixadas em cima
da cabeça do faraó Hórus, que é o símbolo da
representação do Ka. Os braços, com as mãos elevadas
para o alto, um ao lado do outro, é a maneira como o Ka é
representado no hieróglifo egípcio e que vemos em muitas
esculturas, gravuras e pinturas.
Esse e tantos outros enigmas foram considerados mais
tarde, pelos gregos, o grande conhecimento, ou seja, na
Grécia tinha-se a crença de que quem decifrasse o enigma
do Egito teria o conhecimento universal. Foi em regiões em
torno da bacia do mar Mediterrâneo que as atividades
comerciais se iniciaram, assim como as políticas de
conquista impulsionaram o diálogo entre essas civilizações,
como dos egípcios com os gregos.
 
Podemos dizer que, se o rio Nilo não existisse, possivelmente não teríamos o Egito. Ainda nessas regiões e em
tantas outras, às margens de rios como o Tigre e o Eufrates, vimos o surgimento da escrita, por volta de 4.000
a.C., dado o desenvolvimento da economia e da sociedade que ocorria no Oriente Médio. Deve-se, portanto,
aos sumérios, na Mesopotâmia, o desenvolvimento da escrita silábica para representar a língua falada
daqueles povos.
Paralelamente temos também o surgimento da escrita por hieróglifo no Egito Antigo, como o caso do símbolo
do Ka e sua relação com a vida “artística e espiritual” egípcia. Sabe-se que grande parte da história do Egito é
conhecida (ou ficou amplamente conhecida) pelas construções de pirâmides. A maior e mais conhecida é a
pirâmide de Quéops, ou Grande Pirâmide de Gizé.
Pirâmide de Quéops, ou Grande Pirâmide de Gizé.
A pirâmide de Quéops, até o século XIX, era considerada o maior e mais alto monumento construído pelo
homem, isso porque perdeu seu posto com a construção da Torre Eiffel, em Paris, entre 1887 e 1889.
Escultura de um escriba sentado.
Na escultura do escriba sentado — pessoa que
tinha conhecimento da escrita em hieróglifo e
hierático —, outro exemplo egípcio, vemos o
uso da lei da frontalidade e do complemento —
embora este último seja um preceito mais
usado na pintura de afrescos.
 
A maneira como a saia do escriba está
esculpida nos informa sobre a totalidade da
peça, ou seja, não é preciso circulá-la para
entendê-la.
 
A proporcionalidade também se faz presente,
uma vez que, embora apresente por completo
cabeça e tronco, o ângulo das pernas “conduz nossa visão” a uma leitura proporcional do conjunto. É como se
fosse possível “saber” o tamanho dele, mesmo com as pernas cruzadas, com apenas a parte de um dos pés. 
 
As cores também correspondem aos preceitos canônicos da arte egípcia, como o uso de branco para vestes
de sacerdotes, a pele em tom de vermelho/ocre mais escuro, o preto nos olhos e no cabelo.
Formação da arte: Antiguidade Ocidental
Tratando agora das artes grega e romana, a base da relação ocidental, vale destacar que também são uma
arte canônica, com preceitos que iriam elevá-las ao posto de “paradigma da cultura clássica” no século XVIII.
 
A arte grega conta com preceitos que justificam/orientam a sua produção, dependendo do período e das
condições sociopolíticas. Contudo, ao contrário da arte egípcia, era mais flexível na construção plástica da
obra, mas mantinha os mesmos repertórios (temas/motivos), como veremos em todos os períodos: divindades
como Atenas, Zeus etc.
 
A busca pela mutabilidade estava na forma, não no tema, ou seja, “uma mutabilidade dentro de um quadro de
permanência”. A produção artística da Antiguidade Grega, portanto, pode ser dividida em três períodos:
Arcaico (650 a.C.-450 a.C.)
Apresenta uma arte muito próxima à produção dos egípcios. Nesse período
veremos uma produção de escultura mais monumental, isso em termos de
escala (dimensão), grande parte feita em calcário para ornar os templos,
construídos em pedras. Serão usuais as esculturas votivas — oferendas
religiosas — femininas, conhecidas por kore (jovens vestidas, quando a
“regra” é a túnica), e as masculinas, chamadas de kouros (jovens desnudos,
quando a “regra” é a nudez).
Cleobis e Bitão.
Clássico (450 a.C.-323 a.C.)
Conhecido também como “síntese grega”. Uma data importante para
definição desse período na arte será a morte de Alexandre Magno e a
incorporação pelo Império Romano. 
Veremos uma arte em um “alto estágio de mimese”, com estudo maior da
musculatura, atenção especial aos mantos e panejamentos, perda definitiva
do cânone da frontalidade, com movimentos e acabamentos por toda parte
da escultura, para que a obra pudesse ser apreciada de todos os ângulos.
Também será o início de uma arte mais retratista ou “realista”.
A frontalidade prioriza a representação de diferentes partes do corpo e,
também, de objetos, desde pontos de vista diferentes no conjunto, comum
na arte egípcia. Cada elemento é representado a partir do ângulo que melhor
o representa. Assim, o rosto se representará de perfil, mas o olho de frente,
pois, em uma perspectiva linear, o nariz ficaria menos destacado, e o olho
passaria desapercebido, optando por representar cada um da maneira que
melhor se entende e aprecia.
Helenístico (323 a.C.-31 a.C.)
Relativo ao domínio do Império Romano e à anexação da Macedônia à Grécia.
Em virtude da “perda de autonomia” dos gregos, veremos uma arte mais
monumental em todos os aspectos, com multiplicidade de influências e
ausência de um “único” centro difusor, visto que os artistas terão contato
com muitas culturas, como a da Índia, dadas as conquistas de Alexandre
Magno, no século IV a.C. Veremos uma arte com características do
Classicismo, mas com uso de outros recursos e estudos, como a
transparência nos vestuários, os jogos de luzes e uma maior expressividade
nos rostos, com representações pouco exploradas até então, como sono,
velhice, sofrimento, infância e morte.
As esculturas Cleobis e Bitão, em grego Kléobi kai Bítona,
dois Kouroi votivos, jovens gêmeos que se sacrificaram pela
deusa Hera, encontram-se atualmente no Museu
Arqueológico de Delfos, região onde foram encontradas
durante as escavações arqueológicas de 1893 e 1894. 
Possuem identificação na base que remetem à escola
arcaica, contudo é possível claramente associá-las a esse
período, dado o uso da regra de composição da
frontalidade, dos braços alinhados ao corpo e dos pés —
“um de apoio e outro de descanso” — como será recorrente
na produção escultórica desse período.
A arte romana, por sua vez, é herdeira da arte grega, embora ambas guardem concepções diferentes,
especialmente na representação do corpo humano — que, para os gregos, deve ser espaço dos ideais de
beleza, e, para os romanos, aquilo que nos identifica com o realismo. Trata-se de arte centrada em uma
“realidade retratista”, como a concepção dos deuses Lares, das obras de engenharias e militares, além da
constituição das primeiras coleções de arte grega pelos romanos.
Arco de Constantino.
Cosme de Médici, um dos mais importantes mecenas
do Renascimento.
Outro exemplo importante que guarda as
“marcas dos empreendimentos romanos” é o
Arco de Constantino e todos os outros arcos
feitos nesse período. 
 
Deve-se a eles a incorporação desse
monumento no contexto das cidades, como em
Roma, onde existem cinco: Druso, Tito,
Septímio Severo, Galiano e Constantino. Eles
foram construídos para representar os triunfos
das batalhas e para homenagear o exército
romano diante das conquistas territoriais.
 
Ao contrário dos gregos, com a ampla presença
de “arquitetos”, os empreendimentos construtivos em Roma foram de responsabilidade dos engenheirosmilitares e construtores, dedicados à arte de edificar para conquistar territórios, melhorar a vida e adornar os
espaços.
Saiba mais
Elementos centrais para a compreensão da arquitetura romana são o arco de semicircunferência ou
“arco de volta perfeita”, que os romanos aprenderam com os etruscos, e o cimento romano — um
composto de areia (seixos dos rios), cal e água —, um agregado que possibilitou a colocação de pedras
de mármore para resistir às construções, assim como a implantação de abóbodas para o fechamento
das construções, que antes eram feitas de madeira e duravam pouco. 
Estética do Renascimento e Barroco 
A arte do período que compreende
aproximadamente 13 séculos, entre o I ao XIII
d.C., considerando suas especificidades e
funcionalidades que marcaram, sobretudo, a
Igreja Católica e seu papel de “mecenas” nesse
contexto — uma vez que a partir de 380 d.C. o
Cristianismo tornou-se a religião oficial do
Império —, chama-se Idade Média. 
 
As produções em que “o centro de gravidade
da civilização europeia desviara-se para o que
havia sido os limites do norte do mundo
romano” (JANSON, 2001).
 
Não que a estética deste período não seja
importante, mas a construção de pensamento da estética ocidental passará pela necessária recuperação dos
elementos estéticos da Grécia e de Roma.
Renascimento
No Renascimento, ao contrário do que vimos até aqui, dois componentes foram determinantes para os rumos
das artes a partir de agora, a saber:
Individualismo
Atua como uma nova autoconsciência e
autoconfiança.
Humanismo
Crê na importância e na busca do aprendizado
em línguas e letras, como história e filosofia, ou
seja, uma “era dos eruditos, dos líderes
intelectuais”.
Por definição, entende-se que:
[...] o termo Renascimento se refere ao retorno ideal às formas da Antiguidade Clássica como verdadeira
fonte da beleza e do saber. O período histórico que se acreditou merecedor de tal nome cultivava a
leitura dos clássicos gregos latinos em busca de uma linguagem que fosse universal, recuperando os
modelos e as regras da arte antiga.
(BYINGTON, 2009)
Não por acaso, os humanistas foram os responsáveis por essa importante transformação na área cultural, que
ficou conhecida como Renascimento.
 
Importa destacar que "apesar da ideia de retorno ao passado, o movimento conhecido por esse nome nada
possuía de nostálgico. Era, na verdade, portador de um acentuado sentimento de superioridade em relação
aos séculos precedentes, acompanhado de atitude de substancial otimismo diante do presente do futuro
(BYINGTON, 2009).
 
Ou seja, um passado não para ser copiado/imitado, mas para servir de fonte de inspiração para a busca por
novas formas, especialmente na compreensão e no estudo de como “buscá-las”.
Retrato de Luca Pacioli e um aluno (atrás)
O retrato de Luca Pacioli – um frade matemático —, feito por Jacopo de
Barbari — pintor italiano, que ganhou notoriedade na Alemanha, por volta
de 1500 —, ilustra bem os esclarecimentos feitos por Byington,
especialmente nos destaques que diz sobre a mudança cultural ocorrida
nesse momento, com a promoção social das artes, especialmente dos
artistas, e a “busca pelo conhecimento”, que não será apenas retratada/
demonstrada amplamente na pintura, como também colocada em prática.
A Morte de Marat, Jacques-Louis David, 1793.
Planisfério de Cantino
A imagem será instrumento importante dessa nova conquista social,
especialmente territorial e de demonstração de um novo momento. Como
veremos, a partir do Renascimento, surge a apresentação de cartas
náuticas — vide a realização de grandes expedições, como o mapa do
mundo feito por Cantino, em 1502.
Madonna com pescoço longo
Do ponto de vista de duração desse movimento histórico e cultural,
podemos utilizar como referência o final do século XIV — com o gótico
tardio internacional — até meados do século XVI — início do Maneirismo,
que culminaria no Barroco —, período relativamente pequeno — isso se
compararmos a outros. Porém, extremamente rico em termos de
soluções visuais, especialmente no campo da pintura e da escultura, e de
inovações técnicas e tecnológicas.
Estética do Neoclassicismo ao Impressionismo
Neoclassicismo
É um movimento originado na Itália, no século XVIII, e destinado a combater o “mau gosto” barroco. Visava
substituir o rebuscamento e a exuberância da produção artística seiscentista pela simplicidade estilística e
pela imitação da natureza.
Em larga medida, o Neoclassicismo
corresponde à difusão do racionalismo e da
valorização de uma concepção científica do
mundo, ocorrida nesse período por intermédio
da difusão das ideias professadas pelo
Iluminismo — corrente de pensamento marcada
pela crítica aos alicerces do Antigo Regime.
 
Assim, a produção artística do período buscava
a objetividade, o que implicava, primeiro, a
neutralização da individualidade do artista, que
passa a recorrer a situações e emoções
genéricas nas quais sua emoção se dissolva. 
 
Segundo, o equilíbrio e a simetria da obra, cuja inspiração passa a ser a própria natureza, concebida como
cosmos, ou seja, como a relação harmônica de todos os elementos, modelo de equilíbrio que a arte deve
reproduzir.
O soneto, William Mulready, 1839.
Comentário
O recurso privilegiado para se atingir a objetividade pretendida repousava na evocação mitológica
através de nomes, situações e sentimentos que, pertencendo à herança artística clássica, adquirem, nas
obras, um significado genérico. 
A originalidade, tão apreciada e valorizada para os artistas românticos, não tem valor para os neoclássicos,
para os quais a conformidade com o modelo antigo constitui motivo de avaliação de mérito e juízo de valor.
Portanto, a Antiguidade fornece aos neoclássicos a solução para o problema da forma.
 
A recepção é assegurada pelo uso de temas clássicos, mitos e histórias antigas que constituíam, na época,
uma linguagem universal, com ressonância assegurada por parte de um público leitor versado em educação
humanística constituída por elementos da cultura greco-latina.
 
A tônica da obra neoclássica a ser atingida é a ordem, a clareza e a lógica. São características:
 
predomínio da razão;
 
busca de objetividade;
 
culto à natureza;
 
equilíbrio e sobriedade clássicos;
 
presença da mitologia greco-latina.
Romantismo
Com o Romantismo, por sua vez, na segunda metade do
século XVIII, ocorreu uma extraordinária transformação na
vida sociocultural do Ocidente, com o surgimento da
burguesia moderna e, com ela, a defesa do individualismo e
da valorização da originalidade. 
A repercussão do Romantismo só pode ser compreendida
considerando que, nesse momento, surge, um público leitor
e um mercado artístico mais amplo. Além disso, a educação
da mulher como leitora só se iniciaria no século XVIII. Por
essa razão, o Romantismo conta com um público novo para
uma arte nova, produzida por uma classe em ascensão que
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A escada de Jacó, William Blake, 1806.
se assume como sentimental e exaltada, em oposição a uma aristocracia reservada e contida.
 
A ascensão da burguesia é acompanhada de um padrão estético próprio, por meio do qual ela se opõe aos
padrões da arte neoclássica e afirma sua própria linguagem artística. À razão e ao decoro, contrapõem-se a
emoção e o sentimento; à submissão rigorosa das regras artísticas, opõe-se a insubordinação do gênio
criador. O surgimento da burguesia como classe ascendente e a manifestação do espírito romântico
constituem fenômenos inseparáveis.
As características marcantes do início do
Romantismo são:
 
o primado da liberdade criativa e da
expressão dos sentimentos sobre as
convenções artísticas;
 
a rejeição ao gosto clássico e a defesa
do individualismo;
 
o abandono das formas estéticas fixas e
a retomada de autores relegados e
gêneros em desuso;
 
a ênfase na imaginação, no sonho e na evasão, no tempo e no espaço;
 
a devoção à religiosidade cristã e a emergência de uma consciência histórica.
 
Acrescentam-se, ainda, a propensão à melancolia e ao pessimismo.O homem romântico sofreu a discrepância
entre o sonho e a realidade, vítima do conflito entre as ilusões e a trivialidade da vida burguesa.
Os artistas românticos buscavam analogias na história e inspiração em fatos e personagens de
outras épocas. Os românticos voltam-se ao passado, não em busca de modelos, mas por sedução
pelo remoto, tentativa de fuga do presente. O passado atrai pelo exótico, por estar distante.
É pela mesma razão — pelo desejo de escapar ao circunstancial —, que se manifestam no Romantismo o
sonho, a loucura, a utopia, as reminiscências de infância. São características:
 
individualismo;
 
valorização dos sentimentos;
 
recusa aos modelos clássicos;
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Bonjour, Monsieur Courbet, Gustave Courbet, 1854.
 
melancolia;
 
escapismo espacial e temporal;
 
valorização da imaginação;
 
culto à natureza;
 
nacionalismo.
Realismo e Naturalismo
Na segunda metade do século XIX, com o Realismo, a
burguesia consolidava plenamente seu poder político. O
triunfo do progressivo domínio do homem sobre a técnica
conduziu a um avanço científico inigualável. 
A expansão da industrialização na Europa promove o
surgimento da classe operária, o proletariado, que passa a
reivindicar seus próprios interesses.
Sendo a Ciência considerada o único meio legítimo de
conhecimento, não há, nesse momento da História da Arte,
lugar para a metafísica. A realidade, segundo a mesma
concepção, subordina-se às leis orgânicas válidas para
todos os seres viventes. A produção artística realista prima por objetividade e exatidão, rejeitando quaisquer
resquícios de subjetividade, imaginação ou evasão.
Seus adeptos, à maneira dos cientistas, deveriam manter-se distantes dos resultados alcançados por suas
obras, tornando-as artefatos impessoais. O que caracteriza o período é a vitória da concepção de mundo
própria das Ciências Naturais e do pensamento racionalista e tecnológico sobre o idealismo e a tradição
romântica. Busca-se retratar a estrutura da sociedade contemporânea e os tipos sociais que a povoam em
todas as suas peculiaridades.
As obras realistas descrevem a vida contemporânea das grandes cidades da Europa, o cotidiano da
família burguesa, a faina dos trabalhadores do campo e da cidade, juntamente com os problemas
sociais das transformações decorrentes da intensa urbanização e industrialização das principais
potências europeias.
Como extensão ou desdobramento da proposta estética realista, surge no mesmo período o Naturalismo, que
intensifica certos atributos daquela e tende à apresentação patológica do homem. É frequente, no entanto,
que os termos “Realismo” e “Naturalismo” se confundam, sendo que alguns autores fazem referência ao
“Realismo-Naturalismo” como o estilo da segunda metade do século XIX. São características:
 
busca de objetividade;
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Recompensa de São Sebastião, Eliseu Visconti, 1898.
 
fé na razão;
 
preocupação com o social;
 
concepção naturalista do mundo.
Simbolismo
Floresceu, na Europa, nos anos 80 e 90 do século XIX. Seus adeptos, nas variadas expressões artísticas,
rejeitavam as maneiras naturalistas e realistas de retratar o mundo, contrapondo a elas o gosto pelo mistério,
o interesse pelo incompreensível e o timbre espiritualista.
 
Na poesia, os escritores simbolistas renunciavam à forma fixa do objeto em favor do ritmo, da fugacidade do
momento. Em lugar de uma estrutura ordenada e lógica, com a opção do simbolista pelo indefinido e pelo
misterioso, o poema liberta-se da ordem e volta-se para a sugestão, o ritmo musical e o poder encantatório
das palavras. Na pintura, igualmente, o foco recai sobre o poder evocativo das imagens.
A estética simbolista caracteriza-se:
 
pela concepção mística do mundo; 
 
pelo interesse no particular e no
individual, em lugar do geral que
interessava aos realistas e parnasianos; 
 
pelo escapismo em que se aliena da
sociedade contemporânea; 
 
pelo conhecimento ilógico e intuitivo; 
 
pela valorização da arte pela arte; 
 
pela utilização da via associativa como instrumento de realização artística.
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Saiba mais
O Simbolismo representa uma reação ao cientificismo que emergiu com a sociedade industrial da
segunda metade do século XIX. A busca desse indefinível toma a expressão indireta e nebulosa. Uma
vez que a expressão direta é considerada inadequada à captação da essência das coisas, proliferam as
sugestões verbais, os símbolos, a metáfora, a associação de ideias, o que permite a evocação de outra
realidade. Nessa via associativa fundem-se literatura, música e pintura. 
Ao voltar-se para a beleza ideal e ao êxtase contemplativo, o artista encerra-se dentro de uma “torre de
marfim”, isolando-se da sociedade para fugir às sensações vulgares. Então, é preciso cultivar o belo. Os
simbolistas ficaram caracterizados pela excentricidade, muitas vezes afetada, para acentuar sua distinção do
vulgo, voltado ao que é material e imediato. Ao artista estavam reservados o espiritual, o místico e o não
consciente. São características:
 
concepção mística do mundo;
 
interesse pelo indefinido e pelo mistério;
 
interesse pelo particular;
 
alienação do social;
 
flexibilidade formal;
 
conhecimento ilógico e intuitivo;
 
arte pela arte.
Impressionismo
É um movimento pictórico que surgiu na França, entre as décadas de 1860 e 1880. Embora tenha se espraiado
para outros gêneros artísticos, foi na pintura que encontrou seus maiores representantes e resultados.
 
O novo sentimento de velocidade e mudança, trazido pelo desenvolvimento da técnica, introduz na vida um
dinamismo sem precedentes. O pintor impressionista registra a experiência contemporânea a partir da
observação do mundo exterior, feita de impressões pessoais e sensações visuais imediatas.
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Impressão, nascer do sol, Claude Monet, 1872.
Nas telas, as paisagens e figuras humanas são retratadas
sem contornos nítidos em benefício de pinceladas
fragmentadas e justapostas. Além disso, a luminosidade
natural é bastante valorizada, favorecida pela pintura ao ar
livre. O pintor impressionista buscava captar as sutilezas da
mudança de atmosfera; o escritor propunha-se apreender a
variedade dos estados mentais com a maior fidelidade
possível. 
No âmbito da literatura, o texto torna-se evocatório,
fragmentário e hipersensível. Nasce o romance psicológico
na acepção moderna, de estrutura não linear e com
narrador impessoal e onisciente.
A percepção do tempo ganha proeminência, como se observa na obra que marcou o surgimento desse estilo
na ficção: Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (1871-1922). Os escritores realistas fazem o
inventário do mundo exterior; os impressionistas concentram-se na apreensão das sutilezas das impressões
subjetivas das personagens. O simultâneo, o fragmentário, o instável e o subjetivo assumem a maior
importância. São características:
 
valorização da subjetividade;
 
apreensão do momentâneo e do fragmentário;
 
estetização do real.
Atividade de reflexão discursiva
As três imagens a seguir são representativas do período
estudado.
O Massacre de Chios
Obra de arte de Eugène Delacroix, 1824.
Viajante sobre o mar de névoa
Obra de arte de Caspar David Friedrich, 1818.
Angelus
Obra de arte de Jean-François Millet, 1859.
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Arrisque-se, descreva-as em uma construção pessoal de
leitura dessas imagens!
Chave de resposta
Após realizar sua construção pessoal de leitura das imagens propostas, confira o feedback abaixo:
Representante do Romantismo, O Massacre de Chios(1824), de Eugène Delacroix, elenca alguns temas
que, tipicamente, são utilizados na corrente e unido ao orientalismo, como: a valorização dos sentimentos,
a melancolia e o nacionalismo na construção do “Turco” por meio da alteridade.
Representante do Romantismo, Viajante sobre o mar de névoa (1818), de Caspar David Friedrich, possui
algumas características comuns à corrente, como: o individualismo, o escapismo espacial etemporal e o
culto à natureza.
Representante do Realismo, a obra Angelus (1859), de Jean-François Millet, contém aspectos
característicos, como: a preocupação com o social e a concepção naturalista do mundo.
E é o fim? No vídeo a seguir, responderemos a essa pergunta relacionando o que foi visto até aqui com a
continuidade do papel da estética.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Considere o texto a seguir para responder à questão:
 
“[...] Os pintores pegarão no Estado e nos caracteres dos homens, como se fosse uma tábua de pintura [...]
torná-la-ão limpa, coisa que não é muito fácil [...] aperfeiçoando seu trabalho, olharão frequentemente para a
essência da justiça, da beleza, da temperança e das virtudes congêneres, e para a representação que delas
estão a fazer nos seres humanos, compondo e misturando as cores, segundo as profissões, para obter uma
forma humana divina, baseando-se naquilo que Homero, quando o encontrou nos homens, apelidou de divino
e semelhante aos deuses” (PLATÃO, A República. trad. e notas de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa:
Calouste Gulbenkian, 1996).
 
Acerca da arte clássica, é possível afirmar que:
A
Platão e Aristóteles defendiam uma estética de confluência entre o belo e a moralidade.
B
Restringia-se à “imitação” das virtudes.
C
Aos artistas cabia o dever educacional de criar a imagem da virtude e dos vícios.
D
Restringia-se às obras de arte que suscitavam a sensação de beleza.
E
Sua estética não era definida, uma vez que esse conceito foi fundado posteriormente.
A alternativa B está correta.
O conceito de estética não era uma disciplina autônoma na Antiguidade Clássica. No pensamento
platônico, o próprio conceito de belo (como percepção sensorial) não se associava aos objetos de apelo
artístico, pois o belo associava-se à bondade e à lógica; já a arte, por sua vez, era entendida como um
mero caminho para imitação das virtudes, como instrumentos de ilusão.
Questão 2
FAPERP (SEE/PB) 2011 – Adaptada. Em relação às principais características da arte barroca,
considere os itens a seguir:
 
I. A figura humana é representada tal como nas artes clássicas, ressaltando a beleza e a perfeição como ideal
e fugindo da representação real e natural.
 
II. Enfatiza a profundidade e não o plano.
 
III. As perspectivas não centrais sugerem uma continuidade no espaço e no tempo.
 
IV. Utilização constante do contraste de luz e sombra.
 
Assinale a alternativa que contempla somente itens corretos.
A
II, IV.
B
II, somente.
C
II, III, IV.
D
IV, somente.
E
I e II somente.
A alternativa C está correta.
A partir do destaque à profundidade e não ao plano; do uso das perspectivas para conferir a sensação de
continuidade no espaço e no tempo; e por meio da utilização constante do contraste de luz e sombra, o
Barroco caracterizou-se como linguagem artística de aproximação do divino com o lado humano, do cosmo
com o mundano.
3. Estética no mundo contemporâneo
Experiência estética
No vídeo a seguir, falaremos sobre a experiência estética no mundo contemporâneo, na tecnologia e afins.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Desde a Pré-história — com a produção de registros (inscrições, desenhos) do cotidiano das populações que
ali existiam à produção contemporânea da arte —, extrapolam-se todos os limites materiais e conceituais para
apresentar aos espectadores soluções plástico-visuais com questionamentos sobre a sociedade, e as obras
artísticas foram sendo contornadas pela formulação de juízos estéticos.
 
Esse processo de valoração vai, em diferentes períodos, moldar a nossa compreensão e o nosso
entendimento de arte, assim como vai estimular a circulação, a exposição e a apropriação de imagens
“consagradas”.
 
Veremos agora a formulação dessa valoração em obras de diferentes períodos e como aparece, na prática, em
museus, instituições culturais e mídias sociais na atualidade.
Arte e percepção estética: obras artísticas e juízos estéticos
Vamos concentrar nosso olhar em dois pontos da estética da arte que serão vitais para a nossa compreensão:
Primeiro ponto
A utilidade da arte, ou seja, por trás de toda
produção artística há uma intenção, uma
intencionalidade.
Segundo ponto
Passa pelo entendimento da recepção/
relevância que muitas obras passaram a
adquirir.
Com isso, é importante ter em mente que: estudamos a arte que se encontra conservada até os dias atuais,
seja a que está em seu próprio local de origem, ou as que foram incorporadas a coleções museológicas e/ou
as que se encontram em centros urbanos.
 
Para melhor compreensão deste tema, vamos analisar dois casos práticos: um da arte pré-histórica e outro da
arte moderna.
Arte pré-histórica
O primeiro caso de que vamos tratar, a Caverna de Altamira, também conhecida como “Capela Sistina” da Arte
Rupestre, foi considerada a primeira caverna do mundo identificada com a presença de arte rupestre do
paleolítico superior.
 
A cavidade foi descoberta, em 1868, por Modesto Cubillas, um morador local, quando ele tentava libertar seu
cachorro que havia ficado preso nas fendas de uma das rochas.
 
Em 1875, Marcelino Sanz de Sautuola (1831-1888), arqueólogo espanhol que possuía grande conhecimento
em Ciências Naturais e História, visitou pela primeira vez o lugar. Ele é considerado o descobridor da Caverna
de Altamira, por iniciar os estudos sobre o local. 
 
Posteriormente a caverna também foi estudada por arqueólogos e historiadores de diversas nacionalidades,
tais como os espanhóis Hermilio Alcalde del Río (1866-1947) e Francisco Jordá Cerdá (1914-2004), os
franceses Henri Breuil (1877-1961) e André Leroi-Gourhan (1911-1986), e o alemão Hugo Obermaier
(1877-1946).
As imagens descobertas “revolucionaram” o modo de estudar a arte pré-histórica — até então ligada
apenas aos vestígios materiais como objetos e fragmentos dos achados arqueológicos —, por
tratar-se de uma extensa produção de pintura parietal (pintura na parede).
A seguir, podemos observar que “salas pictóricas” compõem essa grande produção do período paleolítico, na
Espanha. Além disso, é importante destacar que a chamada “grande sala”, onde se encontra o maior número
de representações, é a mais emblemática em termos artísticos, pela composição e pela representação/
dimensão do que foi pintado.
Parte da vista interna e medidas preventivas de conservação realizadas entre 1997
e 2001, em Altamira.
Essa “composição” merece destaque quanto aos animais representados e às técnicas utilizadas. Sabemos que
muitas gerações viveram nessas cavernas. “A explicação mais provável para essas pinturas rupestres ainda é
a de que se trata das mais antigas relíquias da crença universal no poder produzido pelas imagens”
(GOMBRICH, 2012).
Atenção
Não se trata apenas de representações, mas sim da coisa representada — a caça, a captação do espírito
e símbolo do animal —, pelas sociedades que ali viveram. Em Altamira temos bisões, cavalos e cervos
que foram representados em tamanho natural — grande parte deles agrupada no centro da caverna —,
ricos em pigmentos minerais em tons de ocre e vermelho (do óxido de ferro), delimitado pelo preto (do
manganês). 
Composição das pinturas da “grande sala” ou “sala dos
policromos”
Bisonte ou bisões e Cervo
Essas representações, muitas gravadas por meio da abertura de sulco nessas pedras calcárias, com o
depósito do pigmento preto e preenchido com pigmentos em tonalidades avermelhadas, foram pintadas por
“sociedades” de coletores e caçadores, o que nos ajuda a interpretá-las.
Saiba mais
O paradigma de Leroi-Gourhan é uma proposta analítica que entende que a maneira pela qual o homem
se projeta/expressa se dá por meio de um fenômeno técnico ou de uma tecnologia, um fato social total,
e por isso carrega uma historicidade. Neste sentido, Leroi-Gourhan conta que a produção humana parte
de uma noção de “biologia da técnica” para “o lugar epistemológico”. As análises que seguem essaperspectiva investem em uma dupla intenção: ressituar o fenômeno técnico numa dinâmica vital,
determinando o sentido e as modalidades dela; e tomar em conta as formas sociais de existência nas
quais essa dinâmica realiza-se necessariamente (KARSENTI, 1998 apud GARRABÉ, 2012). 
Grande parte de historiadores e teóricos da arte considera que essas imagens foram produzidas não apenas
como modo de representação do cotidiano, mas como um rito de captação, como se a projeção da imagem
nessas paredes pudesse perpetuar a ação — a da caça — ou do espírito desses animais —, a magia da arte
de reconciliar “corpo e alma” nesses espaços, a partir das ações e vivências cotidianas desses povos.
 
No desenho da primeira representação anterior (composição das pinturas da “grande sala” ou “sala dos
policromos”), vimos quatro grupos circulados de animais, onde o bisão está no centro da “fertilidade”. Não por
acaso esse teto pintado em Altamira está praticamente no centro da caverna. Alguns estudiosos atribuem a
forma dessas representações à “provável tradição de ritos de fertilidade”, quer a dos animais ou a da terra.
Não por acaso, também, o historiador da arte americano Horst Waldemar Janson (1913-1982) atribui a essas
obras, em seu livro História Geral da Arte (2001), o título de “a magia e o rito da arte do homem pré-histórico”.
Arte moderna
O segundo caso prático para entendermos a arte e percepção estética são as obras de Pablo Picasso
(1881-1973), pintor espanhol, produzidas nas décadas de 1940 e 1950. Nelas — Touro I, Touro XI, Touros
(estudos) e Françoise Gilot com Paloma e Claude — temos importantes exemplares para compreensão do que
vimos anteriormente sobre os esforços promovidos pelos artistas modernos, consequentemente com a arte
moderna e a necessidade de romper/revisitar os ditos paradigmas da cultura greco-romana na arte.
Pablo Picasso
Considerado um dos artistas mais versáteis e prolíficos do século XX. Em suas obras, vemos
composições e temas com a apropriação do Cubismo (do Abstracionismo e Expressionismo), dos
estudos sobre a arte primitiva, como as máscaras africanas, e as pinturas rupestres da arte pré-
histórica.
Touro (parte I)
Françoise Gilot com Paloma e Claude, Picasso, 1951.
Touro (parte XI)
Touros (estudo)
Nas obras escolhidas, que vão de um primeiro estudo sobre o touro ao desenho final, na versão XI, vemos que
o artista não parte da abstração, mas sim do desenho e da figura — ainda com ricos detalhes e clara
compreensão do tema —, para a síntese/abstração da “coisa” apresentada.
 
Essa busca pelo rompimento dos paradigmas do clássico, que chegaram tão fortes até o século XIX, levou
muitos artistas a estudarem outras matrizes de referências, como a cultura africana e os povos primitivos com
sua arte rupestre.
O caso exemplar das obras de Picasso torna-se
aqui objeto importante para a compreensão da
formulação de juízos de valor, quer pela teoria
ou pela prática artística, e para o entendimento
das soluções plástico-visual adotadas em
diferentes épocas, entre seus propósitos e a
cultura de cada época.
 
A obra Françoise Gilot com Paloma e Claude é
posterior aos desenhos dos touros e nela
vemos incorporados não apenas os esforços de
síntese das figuras feitas por Picasso, como
também a composição e o uso de cores.
Principais correntes voltadas para a questão estética da
imagem
No campo da História e Teoria da Arte temos diversas correntes de estudos dedicadas à compreensão das
imagens. Afinal, embora estejamos falando de pinturas, esculturas, desenhos — processos e técnicas —, é a
imagem apresentada que gera diversos debates e variadas percepções.
 
Vamos pensar em uma situação simples para entender a importância e o peso simbólico de uma imagem.
Exemplo
Imagine-se rasgando uma fotografia que retrata uma pessoa ou um lugar importante para você. Essa
ação nos provoca diversas sensações e nos faz pensar sobre a função daquela imagem em nossa vida/
memória, inclusive sobre sua importância. 
As principais correntes que tratam da questão estética da imagem são:
Método formalista
Parte da teoria da “pura visibilidade,” que procura explicar a obra a partir da compreensão de um
conjunto de representações formais que caracteriza a peculiaridade da composição de um artista,
bem como a ocorrência de temas em diferentes épocas, mas com soluções formais distintas. Heinrich
Wölfflin (1864-1945) e Konrad Fiedler (1841-1895) são os dois representantes de peso dessa teoria.
Método sociológico
Neste método, a obra é produzida em constante contato com a sociedade em que está inserida,
assim como seu artista. Por isso, esse método parte do princípio de que o artista é parte ativa dessa
sociedade e que o resultado de sua produção, a arte, é produto desse contato, sendo avaliada e
utilizada. Taine (1828-1893), Hauser (1892-1978) e Antal (1887-1954) são representantes desse
método e justificam uma História da Arte como uma história da sociedade.
Método iconológico
“[...] se o método formalista estuda a formação da obra de arte na consciência do artista, e o método
sociológico sua gênese e a sua experiência na realidade social” (ARGAN, 1994), o iconológico
considera que a atividade artística tem ligações profundas com o inconsciente individual e coletivo.
Busca-se compreender os mistérios da imagem na imaginação, os motivos dos usos e da reaparição
na memória. Não se trata de um método para compreender as prescrições iconográficas
estabelecidas, mas para compreender a cultura das imagens, ou seja, dos significados e sentidos.
Método estruturalista
Neste método, levam-se em consideração o lugar, o tempo e a cultura em que se produziu a obra/
imagem. É um método que se dedica aos significantes, ao estudo do sinal (Semiologia). Subtrai o
estudo da arte e das imagens das metodologias históricas, situando o problema da arte na questão
da comunicação.
Esses métodos iluminam a possibilidade de estudos e pesquisas em Arte e História da Arte que vão da Pré-
história à contemporaneidade. Se saíssemos do terreno da produção artística — do entendimento mais
tradicional e processual — para compreendermos o papel e os efeitos da produção de imagens e informações
visuais nas redes e mídias sociais, o que perceberíamos?
Dimensão atual da imagem no design: os perfis nas redes
sociais
Os efeitos do desenvolvimento tecnológico na produção de imagens, com a criação de aparelhos específicos
para o seu registro, sua reprodução e disseminação, vêm provocando, desde o século XIX, profundas
alterações em nossa maneira de nos relacionar com estampas, gravuras, fotografias, retratos, ilustrações etc.
Progresso científico na produção de imagens
Desde a invenção do daguerreótipo — aparelho fotográfico inventado em
1839 pelo físico e pintor francês Louis Daguerre (1787-1851) —, o
progresso científico influenciou diretamente a produção de imagens. 
Ao longo dos séculos XIX e XX, o crescente aperfeiçoamento de câmeras
fotográficas, assim como sua comercialização em larga escala, tornou a
produção de imagens mais difusa e acessível.
Maior produção, circulação e consumo de imagens
O desenvolvimento de câmeras digitais e o compartilhamento de posts
nas redes sociais ampliaram, de maneira jamais imaginada, as
possibilidades de produção, circulação e consumo de imagens dos mais
variados tipos.
Compartilhamento de conteúdos e imagens diversas
A disseminação de câmeras embutidas em celulares e a forte
popularização e apelo da internet permitiram que uma grande camada da
população pudesse compartilhar conteúdo diversos, com especial
destaque para as fotografias. 
São milhões de postagens diárias, contendo todo tipo de imagem: selfies,
paisagens, eventos particulares e sociais, flagrantes da vida privada,
situações públicas etc.
Tal situação provoca uma série de indagações: 
 
Como armazenar esse volume de imagens, uma vez que, com as câmeras digitais e por meio das redes
sociais, fotos são enviadas ou apagadas? 
 
Como separar os domínios da exposição pública das imagens de acervos pessoais, ligados

Mais conteúdos dessa disciplina