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Filariose brancoftiana (elefantíase) Resumo
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Parasitologia Universidade Federal FluminenseUniversidade Federal Fluminense

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## Resumo sobre Filariose Linfática (Elefantíase)A filariose linfática, também conhecida como elefantíase, é uma doença infecciosa causada pelo nematelminto *Wuchereria bancrofti*, transmitida ao ser humano pela picada do mosquito *Culex quinquefasciatus* infectado. Essa enfermidade está fortemente associada a condições socioeconômicas precárias e é endêmica em regiões como Pernambuco, Brasil. O parasita adulto habita os vasos linfáticos e linfonodos humanos, causando uma série de manifestações clínicas que vão desde fases assintomáticas até quadros crônicos graves, caracterizados por linfedema e elefantíase.### Etiologia e Ciclo BiológicoO agente etiológico, *Wuchereria bancrofti*, é um verme longo, cilíndrico e branco-leitoso, com a fêmea maior que o macho. O ciclo biológico envolve dois hospedeiros: o mosquito *Culex quinquefasciatus* como hospedeiro intermediário e o ser humano como hospedeiro definitivo. A transmissão ocorre quando o mosquito infectado pica o humano, inoculando larvas (microfilárias) que se desenvolvem até a forma adulta nos vasos linfáticos e linfonodos. Os vermes adultos produzem microfilárias que circulam no sangue periférico, especialmente à noite, facilitando a infecção de novos mosquitos. No mosquito, as larvas passam por três estágios (L1, L2, L3), sendo o L3 a forma infectante que migra para o aparelho bucal do inseto, completando o ciclo.### Manifestações Clínicas e PatogeniaA doença apresenta diferentes fases clínicas: a pré-patente, em que o verme está no corpo sem microfilaremia ou sintomas; a patente assintomática, com microfilaremia mas sem sintomas; a fase aguda, com sintomas inflamatórios; e a fase crônica, marcada por sequelas permanentes. A patogenia está relacionada à presença do parasita no sistema linfático, que provoca inflamação, obstrução dos vasos linfáticos e linfedema. A obstrução linfática gera estase e extravasamento de linfa, levando ao inchaço característico da elefantíase, que é o estágio mais avançado do linfedema crônico. Nessa fase, a pele torna-se espessa, ressecada, hiperqueratósica, com perda da elasticidade e propensa a infecções bacterianas secundárias, podendo apresentar odor fétido.A filariose inflamatória aguda manifesta-se por febre, inflamação dos vasos linfáticos e linfonodos, e pode durar de 4 a 7 dias, com episódios recorrentes. Complicações incluem adenolinfangite, hidrocele transitória, epididimite e abscessos. Na fase crônica, o linfedema pode evoluir para elefantíase, com deformidades severas, perda de mobilidade e formação de verrugas e vesículas de linfa. Além disso, podem ocorrer sinais extralinfáticos relacionados à microfilaremia, como hematúria microscópica, proteinúria, poliartrite leve e eosinofilia pulmonar tropical, esta última uma reação de hipersensibilidade que pode causar broncoespasmo, infiltrados pulmonares transitórios e fibrose.### DiagnósticoO diagnóstico baseia-se na suspeita clínica associada à epidemiologia da região endêmica. Exames de imagem, como ultrassonografia, podem detectar vermes adultos em movimento, fenômeno conhecido como "dança das filárias". A coleta de sangue para pesquisa de microfilárias deve ser realizada preferencialmente à noite (entre 23h e 4h), pois as microfilárias apresentam comportamento noturno, migrando para a circulação periférica nesse período. Métodos laboratoriais incluem a gota espessa, esfregaço com coloração de Giemsa, concentração de Kott (sedimentação quantitativa), e a técnica padrão-ouro, que é a filtração em membrana de policarbonato, altamente sensível mesmo para cargas parasitárias baixas. Métodos antigênicos, como ELISA para detecção de antígenos de *W. bancrofti*, são úteis, enquanto sorologias não são indicadas. O diagnóstico diferencial deve considerar outras causas de linfedema, como elefantíase nostra (erisipela de repetição), neoplasias, linfedemas iatrogênicos, primários e tuberculose.### TratamentoO tratamento farmacológico padrão é a dietilcarbamazina, administrada na dose de 6 mg/kg/dia por 12 dias, com a negativação da microfilaremia como parâmetro de cura. Em casos de falha, o tratamento pode ser reiniciado e associado a ivermectina e albendazol. É importante destacar que pacientes coinfectados com oncocercose ou loíase devem evitar dietilcarbamazina devido ao risco de reações adversas graves, sendo preferível o uso de ivermectina e albendazol nesses casos. Durante o tratamento, a morte dos parasitas pode desencadear reações sistêmicas, como febre, hematúria, cefaleia, mialgia e linfadenite, que são manejadas sintomaticamente, suspendendo o tratamento apenas em casos graves. Os efeitos colaterais comuns dos medicamentos incluem sonolência, náuseas e desconforto gástrico.Além do tratamento medicamentoso, medidas não farmacológicas são essenciais, como fisioterapia e cuidados com os membros inferiores para prevenir infecções secundárias e controlar o linfedema.### ProfilaxiaA prevenção da filariose linfática envolve o tratamento dos indivíduos parasitados para reduzir a carga parasitária na população e o controle dos mosquitos vetores, principalmente o *Culex quinquefasciatus*. Medidas de saneamento básico, uso de mosquiteiros e inseticidas são estratégias importantes para diminuir a transmissão da doença.---### Destaques- A filariose linfática é causada pelo nematelminto *Wuchereria bancrofti* e transmitida pelo mosquito *Culex quinquefasciatus*.- O ciclo biológico envolve desenvolvimento das larvas no mosquito e maturação dos vermes adultos nos vasos linfáticos humanos.- A doença apresenta fases assintomáticas, agudas e crônicas, com linfedema e elefantíase como principais sequelas.- O diagnóstico é feito por exame clínico, epidemiológico, exames de sangue noturnos e ultrassonografia, com técnicas laboratoriais específicas.- O tratamento baseia-se em dietilcarbamazina, com associação de ivermectina e albendazol em casos especiais, além de cuidados fisioterápicos e controle vetorial para prevenção.

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