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Texto para as próximas aulas (4 e 5)
MASSIMI, M. História dos Saberes Psicológicos. São Paulo: Paulus, 2016.
Parte do Capítulo 6: Eixo estruturante A construção do arcabouço conceitual dos saberes psicológicos no âmbito dos conhecimentos: a mente e o corpo segundo Descartes e as raízes conceituais da Psicologia Moderna (pg. 333 – 342).
SANTI, P. L. R. A Construção do Eu na Modernidade. 6ª ed. Ribeirão Preto/SP: Holos, 2009.
Capítulos 7, 8 e 12.
Linha do Tempo
IDADE MÉDIA
De 476
(Queda do Império Romano)
Até 1453
(Tomada de Constantinopla)
IDADE MODERNA
De 1453
(Tomada de Constantinopla)
Até 1789
(Revolução Francesa)
IDADE CONTEMPORÂNEA
De 1789
(Revolução Francesa)
Até hoje
Renascença (aprox. de 1300 a 1600)
Transição do Feudalismo ao Capitalismo
Revalorização da Antiguidade Clássica (artes, filosofia e ciência)
Retomando a aula passada
O teocentrismo na Idade Média e o nascimento da experiência subjetiva privatizada e individualizada no Renascimento.
A subjetividade no Renascimento: antropocentrismo e diversidade cultural.
Procedimentos de contenção do eu.
A crítica à aparência.
Retomando a aula passada
Retomada de referências para a colocação do humano no mundo: centradas próprio eu; auto-controle.
A nova valorização do ser humano e a imposição de que ele construa sua existência e descubra valores segundo os quais viver, aliada a toda a dispersão e fragmentação do mundo [...] levarão à tentativa de criação de mecanismos para o domínio e formação do eu (SANTI, p.36).
Dispersão e fragmentação do mundo mecanismos de domínio e formação do eu
Tensão: liberdade X submissão
Retomando a aula passada
frente à complexidade da
Permanente tensão da indeterminação realidade
No Renascimento, a questão pode ser equacionada de outra forma: Deus fez o homem livre para que ele possa ser julgado; ele pode escolher um bom caminho e ser recompensado por isso, mas pode ser desviado dele por tentações e dispersões – e o mundo renascentista as oferece em quantidade – e, então, ser responsabilizado e punido por isso. A questão passa a ser: o que eu devo ser? Como devo me formar? Em termos mais psicológicos, como construir uma identidade? (SANTI, p. 37)
Crise frente a dispersão e fragmentação do mundo
Possíveis saídas: Santo Ignácio de Loyola e Maquiavel
Retomando a aula passada: A crítica à aparência
[...] a tendência à glorificação do eu não é absoluta. Alguns pensadores já começam a denunciar como ilusórias suas pretensões cada vez maiores. A Modernidade contém tanto procedimentos para a construção do eu quanto para a sua desconstrução (SANTI, p. 49).
Crítica a pretensão humana de ser tão ideal
Instabilidade e insegurança Ceticismo
Fideísta: razão humano como inferior a fé; humano inferior a Deus
Crença em alguma referência absoluta como insustentável
Retomando a aula passada: A crítica à aparência
Críticas às aparências (costumes sociais)
Desvelamento e desnaturalização de costumes tomados como naturais
Manual de bons costumes: controle do corpo; inibição das funções corporais
Civilização como “[...] um rigoroso sistema de controle social que inibe a expressão das funções corporais e de grande parte dos impulsos” (SANTI, p.53).
Texto da aula de hoje (4 e 5)
MASSIMI, M. História dos Saberes Psicológicos. São Paulo: Paulus, 2016.
Parte do Capítulo 6: Eixo estruturante A construção do arcabouço conceitual dos saberes psicológicos no âmbito dos conhecimentos: a mente e o corpo segundo Descartes e as raízes conceituais da Psicologia Moderna (pg. 333 – 342).
SANTI, P. L. R. A Construção do Eu na Modernidade. 6ª ed. Ribeirão Preto/SP: Holos, 2009.
Capítulos 7, 8 e 12.
Introdução (da introdução)
NOME & RA no Chat
O que é CIÊNCIA?
Pontos centrais
Descartes: como o ‘eu’ chega a seu ponto máximo de afirmação no século XVII.
Apresentar a influência decisiva de Descartes no projeto para produção de um conhecimento objetivo, independente da subjetividade.
Apresentar a influência decisiva de Descartes na formação das ideias psicológicas e da relação mente-corpo.
A crescente valorização dos aspectos racionais do homem à custa de uma sombra projetada e o consequente surgimento da loucura como desrazão.
Algumas críticas e desenvolvimentos posteriores
Introdução
Frente à “desordem” ordenamento racional
Em mais uma das caricaturas que temos feito nesse percurso, poderíamos dizer que o século XVII tentou organizar racionalmente a desordem do século anterior (SANTI, p. 58).
Nesse sentido, os pensadores da época buscavam:
[...] criar um método para a compreensão do mundo em sua totalidade. Para isso, o mundo será dividido, analisado, hierarquizado metodicamente (SANTI, p. 58).
Razão como referência confiável
Dada a insegurança do ceticismo, é necessário encontrar algum ponto de referência confiável sobre o qual edificar a existência. A razão humana buscará encontrar a ordem das coisas para dominá-las e, sobretudo, dominar a si mesma (SANTI, p. 58- 59).
René Descartes (1596-1650)
Discurso do Método (1637).
Filósofo, físico e matemático francês.
Inaugura a Modernidade (com sua filosofia).
[...] trata-se da primeira tentativa bem-sucedida de pensar a realidade a partir dos novos pressupostos que caracterizam a posição cultural da época (MASSIMI, 2016, p. 332).
Contexto histórico de crise dos tradicionais sistemas de saber.
Retrato de René Descartes, por Frans Hals
René Descartes (1596-1650)
Preocupação: distinguir a verdade da mentira e assim poder orientar a própria ação.
Propõe um novo método para orientar a razão na busca da verdade
Método de Descartes Cogito
Esse método, chamado de dúvida metódica, consiste na análise de todas as ideias, eliminando aquelas que se apresentam como dúbias, e retendo apenas as ideias que não suscitam qualquer tipo de dúvida. Descartes aplica a si mesmo esse método isolando-se num quarto aquecido ao longo de vários dias, onde empreende suas reflexões. (MASSIMI, 2016, P. 334).
René Descartes (1596-1650)
No procedimento de Descartes, uma a uma, as coisas iam se mostrando enganadoras. Ele procedeu seu exame de dentro para fora e, assim, em primeiro lugar, percebeu que as opiniões das pessoas comuns e de "especialistas" eram duvidosas; depois percebeu a variabilidade das leis e regras morais. Já não podendo contar com certezas externas, passa a interrogar a si mesmo (reencontra-se aqui o movimento que identificamos na passagem da Idade Média ao Renascimento). Em primeiro lugar, averiguou se seus órgãos do sentido lhe proporcionavam informações seguras, e chegou à conclusão de que não. Interrogou, então, seus sentimentos e viu que o que eles lhe transmitiam não era nada objetivo. E então se perguntou se a sua sensação de ter certeza sobre algo garantia a verdade correspondente e, ainda uma vez, concluiu que não. [...] Depois de duvidar de todas as coisas [...] tudo o que tomou como objeto de seu pensamento era incerto, mas que algo lhe parecia indubitável: enquanto duvidava, seguramente existia ao menos a atividade de duvidar e se havia esta ação, ela deveria ter um sujeito, um "eu pensante" (SANTI, P. 60).
René Descartes (1596-1650)
Ao colocar assim em dúvida todos os conhecimentos possuídos, ele chega ao resultado de que existe uma única verdade totalmente livre de dúvida: o fato de que ele está pensando. Deduz então disso que, se pensa, existe ("Penso, logo existo"). Para Descartes, então o próprio pensamento é a verdade absolutamente firme, certa e segura, que constitui o princípio básico de toda a filosofia (MASSIMI, 2016, P. 334).
"Je pense, donc je suis" - Cogito Ergo Sum
René Descartes (1596-1650)
Grande influência conhecimento matemático como forma de conhecer o mundo
Ordem e medida
As Regras de busca da verdade, que Descartes propõe como parte de um novo método de uso da razão, são baseadas no conhecimento matemático, por ser esse saber mais rigoroso e garantia da certeza (MASSIMI, 2016, P. 334).
Novo conceito de mentee corpo
Dualismo de Descarte: corpo (res extensa) e mente (res cogitans)
Dualismo de Descartes
Corpo como máquina; regido por uma lógica mecânica.
O mecanicismo implica que o corpo seja submetido ao mesmo tipo de determinismo, ou seja, de relação causa-efeito, que ordena o mundo da matéria em movimento [...] Descartes propõe o modelo da máquina (mecanicismo) como recurso para conhecer o corpo humano e o mundo material e biológico. O mundo é uma máquina cujos componentes são matéria e movimento (mecanicismo). Inclusive a vida se explica em termos de mecanismo (MASSIMI, 2016, p. 334-337).
Mente como a capacidade reflexiva; alma racional
Para Descartes, o pensamento é a consciência, e a consciência compreende a vontade, o intelecto, a imaginação, os sentidos (MASSIMI, 2016, P. 336).
O “eu” como central
Com Descartes: o ‘eu’ chega a seu ponto máximo de afirmação no século XVII
Humano como centro do mundo; razão como centro do humano.
O homem já era reconhecido como centro do mundo; agora, ele mesmo tem um centro, sua razão, sua autoconsciência (SANTI, 2012, p.61).
Desde Descartes, só será considerado verdadeiro aquilo que passar pelo crivo (observação ou experimentação) da razão humana. O lugar da verdade é o eu e não mais textos ou representantes do sagrado (SANTI, 2012, p.61).
O “eu” como central
EU Projeto científico
A evidência do eu como única referência estável dará origem a todo o projeto científico. O homem passa a ter segurança quanto à sua possibilidade de alcançar um conhecimento objetivo do mundo. A verdade já não será procurada nas escrituras sagradas ou em iluminações místicas. Só poderá ser considerado verdadeiro algo que tenha passado pelo crivo da observação e racionalidade humanas (SANTI, p. 66).
Ao eu será atribuída uma posição transcendente ao mundo material; com isto, nascerá o projeto da produção de um conhecimento objetivo, neutro, independente da subjetividade: a ciência (SANTI, p. 58).
Razão e desrazão
Loucura como ameaça a ordem do mundo
Razão e desrazão
Loucura como ameaça a ordem do mundo
De forma muito simplificada, poderíamos dizer que foi apenas no século XVII que surgiu nossa forma atual de relação com a loucura; num certo sentido, a loucura surgiu nesse século. Isso não quer dizer que, antes disso, não houvessem pessoas que alucinavam ou que fossem descontroladamente violentas, etc. A questão é que antes do século XVII ou em culturas não ocidentais, a forma de se compreender o que se passava com essas pessoas era diferente. Não havia o medo que temos hoje do louco, a ideia de que isso fosse uma doença e, sobretudo, não existia a ideia de que ele devesse ser afastado do convívio social e isolado num hospício. Em determinadas culturas, o louco pode ter sido tomado como um visionário: como aquele que transcende a experiência imediata, entra em contato com outra dimensão da verdade que, ao regressar, a comunica aos demais. Ele pode ainda ter sido tomado como um possesso pelo demônio ou simplesmente como um bobo. O principal é observar que, até o século XVII, a perda da razão por um homem não produzia o efeito de medo que passou então a gerar. Por que surgiu o medo da loucura? (SANTI, 2012, p.68, grifo do prof.).
Razão e Desrazão
A estabilidade do mundo passa a estar profundamente ligada à
identidade do “eu”
[...] a única garantia e ponto de referência do homem é a sua crença em um eu pensante" objetivo e consciente. A partir desse momento, qualquer coisa que pudesse pôr em questão a lucidez e a estabilidade do eu, seria tomada como altamente ameaçadora. Agora é toda a estabilidade do mundo que está em jogo na identidade do eu. E preciso criar mecanismos para afirmá-lo e defendê-lo [...] O
nascimento de nossa representação moderna da loucura é contemporâneo e correlato ao momento de maior afirmação do eu, enquanto sujeito consciente e livre para conhecer a verdade (SANTI, 2012, p. 69).
A loucura como o oposição do “eu” (racional)
O louco será tratado como um animal, como alguém que perdeu a alma, pois esta identifica-se com o eu e sua racionalidade. Não se pode pensar em um eu louco; se há loucura, o eu submergiu (SANTI, 2012, p. 69).
Crítica às ideias de Descartes
Descartes é reconhecido como o filósofo mais expressivo desse movimento e um dos fundadores da Modernidade: seu pensamento associa-se à origem do Iluminismo e, posteriormente, da ciência. Por outro lado, não faltam aqueles que o tomam como o criador de um racionalismo exagerado, distante da experiência. Ele seria o maior representante, juntamente com Platão, da filosofia da representação, que exclui o corpo e seus impulsos, pretendendo que o mundo seja totalmente racionalizável, submetido a séries de causa e efeito (SANTI, 2012, p.59).
Crítica ao reducionismo de toda experiência humana à lógica matemática
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