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Unidade 2 – Alguns aspectos importantes dos Contratos Administrativos Objetivo de aprendizagem Ao finalizar esta unidade, você deverá ser capaz de reconhecer os aspectos relacionados às alterações, ao equilíbrio econômico-financeiro e à extinção do Contrato Administrativo. 2.1 Alterações no contrato administrativo O contrato administrativo pode ser alterado em conformidade com o que dispõe o art. 65 da Lei nº 8.666/93 e os arts. 124 a 136 da Lei n° 14.133/21, desde que sejam observados os pressupostos legais, quais sejam: necessidade da administração, interesse público e motivação do ato, o qual tem que ser justificado e aprovado pela autoridade competente. Há, também, regras estabelecidas que limitam as alterações contratuais com o objetivo de evitar a fuga do processo licitatório e, ainda, proteger o interesse do particular contratado. Há que se ressaltar que o objeto do contrato não pode ser alterado e que, se descaracterizado, implicará no desrespeito aos princípios da igualdade, da competitividade entre os licitantes e da obrigatoriedade da licitação. Ainda que as alterações contratuais sejam permitidas, elas são sempre limitadas e devem ser vistas como exceção, razão pela qual deve a Administração planejar os seus contratos adequadamente, realizando estudos prévios consistentes para que eles sejam executados nos exatos termos em que as obrigações contratuais foram avençadas inicialmente. A alteração contratual deve pressupor alteração efetiva na demanda de interesse público que se busca atender com o contrato administrativo e não para a correção de falhas substanciais provenientes de projetos básicos ou de termos de referência deficientes e omissos. Desse modo, o planejamento eficiente e adequado das licitações reduz, significativamente, as demandas por alterações contratuais. As hipóteses de alteração do contrato administrativo são basicamente: I – alteração unilateral, determinada pela Administração; e II – alteração por acordo entre as partes. A Administração possui a prerrogativa de alterar o contrato unilateralmente, ou seja, o contratado é obrigado a aceitar a alteração, garantido o equilíbrio econômico- financeiro do contrato. Trata-se da aplicação de cláusula exorbitante, conforme dispõe o art. 58 da Lei nº 8.666, de 1993, e o art. 92 da Lei n° 14.133/21. Alteração unilateral A alteração unilateral permite a modificação contratual, sendo aplicável em duas situações: alteração de natureza qualitativa e alteração de natureza quantitativa. A alteração qualitativa unilateral decorre da necessidade de mudar a característica técnica do projeto e das especificações, porém sem alterar o objeto do contrato. No entanto, devem ser observados requisitos mínimos para se promover a alteração qualitativa do contrato, quais sejam: a) existência de fato superveniente, ou pelo menos de conhecimento superveniente, capaz de ensejá-la; b) justificativa técnica adequada e suficiente; c) não transmutação ou desnaturação do objeto; e d) respeito aos direitos do contratado. A alteração quantitativa unilateral afeta a dimensão do objeto e se caracteriza pela supressão e acréscimo de quantitativo, sem que se modifiquem as especificações do contrato e os critérios definidos nas planilhas que o integram. Alteração por acordo entre partes Art. 65, II, da Lei nº 8.66/93. + Art. 124, II, da Lei n° 14.133/21. II - por acordo entre as partes: + Além das alterações unilaterais, determinadas pela Administração, o contrato pode ser solapado por fatos imprevistos ou imprevisíveis que alterem substancialmente as condições do ajuste. Nessa situação, é importante ressaltar que, uma vez verificado o rompimento do equilíbrio econômico-financeiro, o contratado deverá provocar a Administração para a adoção do reequilíbrio contratual, não existindo discricionariedade em seu deferimento. A Administração somente poderá recusar o restabelecimento da equação se ausentes os seguintes pressupostos necessários: a) ausência de elevação dos encargos do particular; b) ocorrência de evento antes da formulação das propostas; c) ausência de vínculo de causalidade entre o evento ocorrido e a majoração dos encargos do contratado; d) culpa do contratado pela majoração dos seus encargos (o que inclui a previsibilidade da ocorrência do evento). Quais são os limites legais para as alterações contratuais? Os dispositivos legais que indicam os limites permitidos para as alterações contratuais são: o art. 58, I, c/c art. 65, I, e §1° e §2° da Lei n° 8.666/93, e arts. 125 a 136 da Lei nº 14.133/21. Por esses dispositivos, os contratos poderão ser alterados, entretanto a Administração deverá ter cautela e prudência, lembrando sempre a necessidade de processo licitatório e observando os princípios constitucionais, entre eles o da igualdade, da impessoalidade e o da razoabilidade. Dessa forma, em análise dos dispositivos citados, verifica-se que os contratos podem ser alterados tanto qualitativamente quanto quantitativamente. Em consonância ao prescrito, pode-se extrair duas hipóteses: alteração quantitativa dentro do limite de 25% do valor inicial atualizado do contrato para o caso de acréscimos ou de supressões em obras, serviços ou compras. Alteração quantitativa dentro do limite de 50% para o caso de acréscimos, na hipótese de reforma de edifício ou de equipamento. As alterações relativas às supressões possuem tratamento diferenciado, ou seja, podem exceder os limites estabelecidos, devendo, no entanto, ser obrigatoriamente acatadas pelo contratado e mantidas as condições da avença. Nesse caso, configura-se alteração quantitativa consensual As alterações unilaterais não poderão transfigurar o objeto da contratação. E para a alteração qualitativa, existe limite de acréscimo e de supressão? O Tribunal de Contas da União, na Decisão nº 215/99 – Plenário, firmou entendimento de que tanto as alterações contratuais quantitativas quanto as alterações unilaterais qualitativas estão condicionadas aos percentuais especificados nos §§ 1º e 2º do art. 65 da Lei nº 8.666/93. É entendimento, também do TCU, que nas alterações contratuais consensuais, qualitativas e excepcionalíssimas de contratos de obras e serviços é facultado à Administração ultrapassar os limites determinados no art. 65 da Lei nº 8.666/93. No entanto, o TCU estabeleceu alguns pressupostos que são obrigatórios e que devem ser respeitados. Saiba mais + Decisão 215-99 – Plenário.pdf 43.2 KB https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/p4DImDIOOaDMFqGk_MdfCXkWUmxfdYi5X-Decis%C3%A3o%20215-99%20%E2%80%93%20Plen%C3%A1rio.pdf https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/p4DImDIOOaDMFqGk_MdfCXkWUmxfdYi5X-Decis%C3%A3o%20215-99%20%E2%80%93%20Plen%C3%A1rio.pdf https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/p4DImDIOOaDMFqGk_MdfCXkWUmxfdYi5X-Decis%C3%A3o%20215-99%20%E2%80%93%20Plen%C3%A1rio.pdf https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/p4DImDIOOaDMFqGk_MdfCXkWUmxfdYi5X-Decis%C3%A3o%20215-99%20%E2%80%93%20Plen%C3%A1rio.pdf De acordo com o entendimento do relator Ministro Valmir Campelo, 30/01/2013, proferido no Acórdão TCU nº 89/2013–Plenário, para fins de enquadramento na hipótese de excepcionalidade prevista na Decisão nº 215/1999– Plenário, as alterações qualitativas havidas não podem decorrer de culpa do contratante nem do contratado. Como apurar o valor dos limites percentuais indicados (25% e 50%)? Os limites percentuais estabelecidos no §1º do art. 65 da Lei n° 8.666/93 e arts. 125 a 127 para as alterações contratuais realizadas pelaAdministração Pública devem ser calculados com base no valor inicial atualizado do contrato. Desta forma, a base de cálculo será sempre o valor inicial atualizado do contratado, sendo que esse valor somente sofrerá alteração por força de reajuste ou revisão. Ressalta-se que os acréscimos e supressões quantitativas não alteram a base de cálculo para novas alterações quantitativas. O entendimento do Tribunal de Contas da União e da Advocacia-Geral da União é no sentido de aplicar o cálculo de forma isolada para cada conjunto de acréscimos e para cada conjunto de reduções e sem nenhum tipo de compensação entre eles. Desta forma, o limite de percentual é aplicado individualmente a respeito do valor original do contrato. De acordo com a jurisprudência do TCU, não é permitido utilizar-se compensação entre as alterações (acréscimo/supressão), ou seja, realizar um acréscimo de 60% do valor do contrato e, em contrapartida, compensar realizando a supressão 40%, salvo nas hipóteses disciplinadas no Acórdão nº 1799-29/15- P reproduzido a seguir: É permitida, apenas para contratos de obras de infraestrutura, celebrados antes de 25/11/11 (data do trânsito em julgado do Acórdão 749/2010-TCU-Plenário) por órgãos e entidades vinculados ao Ministério dos Transportes, a compensação entre o conjunto de supressões e acréscimos realizados por aditivos contratuais, para fins de observância dos limites impostos no art. 65 da Lei n. 8.666/93. Nas contratações ocorridas a partir dessa data, as reduções ou supressões devem ser consideradas de forma isolada, calculadas sobre o valor original do contrato, aplicando-se a cada um destes conjuntos, individualmente e sem nenhum tipo de compensação entre eles, os limites estabelecidos na legislação. AC-1799-29/15-P - Vital do Rêgo. Qual é o procedimento adequado para a formalização das alterações contratuais? Toda e qualquer alteração contratual ou prorrogação de prazos deverá ser formalizada por meio de celebração de Termo Aditivo ao contrato. Além de outras modificações admitidas em lei que possam ser caracterizadas como alterações do contrato, a exemplo: alteração do nome ou denominação empresarial da contratada; alteração do endereço da contratada; retificação de cláusula contratual e retificação de dados (CNPJ) da empresa contratada (quando, por equívoco, ocorrer falha no registro desses dados). Convém ressaltar que a lavratura do Termo Aditivo não é exigida para todos os eventos que ocorrem durante a execução do contrato. Há casos que não caracterizam alteração contratual, podendo ser formalizados por Apostila e, consequentemente, dispensada a celebração de Termo Aditivo, por exemplo: variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento. Pode-se definir Apostila como um registro que poderá ser realizado no próprio contrato original ou em outro documento oficial, enquanto o Aditivo é um instrumento realizado separadamente e segue toda a formalidade, inclusive a obrigatoriedade de publicação na Imprensa Oficial, do contrato. A formalização do Termo Aditivo deve, necessariamente e obrigatoriamente, seguir o seguinte fluxo: Formalização de Termo Aditivo. O posicionamento do TCU é firme quanto à obrigatoriedade da formalização de Termo Aditivo para as alterações contratuais, sendo que a ausência desse instrumento é considerada irregularidade grave, passível, inclusive, da aplicação de multa aos gestores. 2.2 Equilíbrio econômico-financeiro Os contratos administrativos, na esteira da regra aplicável aos contratos regidos pelo direito privado, permitem alteração de cunho econômico durante sua vigência, seja em virtude do advento de fatos imprevisíveis e inevitáveis não imputados ao contratado ou à própria Administração Pública, ou mesmo com o objetivo de recompor o equilíbrio econômico-financeiro do contrato desgastado pelo mero transcurso do tempo. Seguindo essa diretriz lógico-jurídica, o princípio do equilíbrio econômico- financeiro dos contratos administrativos encontra-se positivado em nível constitucional, à luz do art. 37, XXI, da Constituição Federal. Portanto, o direito à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro é garantia constitucional conferida a todos aqueles que contratam com a Administração Pública. Com o intuito de corroborar essas afirmações iniciais, será apresentado um trecho da obra de Celso Antônio Bandeira de Melo: Enquanto o particular procura o lucro, o Poder Público busca a satisfação de uma utilidade coletiva. Calha, pois, à Administração atuar em seus contratos com absoluta lisura e integral respeito aos interesses econômicos legítimos de seu contratante, pois não lhe assiste minimizá-los em ordem a colher benefícios econômicos suplementares ao previsto e hauridos em detrimento da outra parte. Para tanto, o que importa, obviamente, não é a ‘aparência’ de um respeito ao valor contido na equação econômico-financeira, mas o real acatamento dele. De nada vale homenagear a forma quando se agrava o conteúdo. O que as partes colimam em um ajuste não é a satisfação de fórmulas ou de fantasias, mas um resultado real, uma realidade efetiva que se determina pelo espírito da avença; vale dizer, pelo conteúdo verdadeiro do convencionado (MELO, 2003, p. 564). Mais à frente em sua obra, Melo (2003), evoca as situações que podem alterar a equação econômica do contrato: 1. Agravos econômicos oriundos das sobrecargas decididas pelo contratante no uso de seu poder de alteração unilateral do contrato; 2. Agravos econômicos resultantes de medidas tomadas sob titulação jurídica diversa da contratual (fato do príncipe); 3. Agravos econômicos sofridos em razão de fatos imprevisíveis produzidos por forças alheias às pessoas contratantes e que convulsionam gravemente a economia do contrato; 4. Agravos econômicos provenientes das chamadas “sujeições imprevistas”; e 5. Agravos econômicos resultantes da inadimplência da Administração contratante, isto é, de uma violação contratual. Contudo, é importante que seja afirmado desde já que a alteração da equação econômico-financeira do contrato não está adstrita ao acontecimento de um evento extraordinário que impacte sobremaneira o contrato, pois a Lei de Licitações e Contratos Administrativos prevê a possibilidade de readequar a equação econômico- financeira tanto nas hipóteses de álea ordinária quanto extraordinária. Saiba mais + Acordão nº 1.563 de 2004.pdf 187.4 KB Além das hipóteses anteriormente referidas, todas vinculadas ao surgimento de um evento expressivo e superveniente, existem os casos de alteração da equação econômico-financeira do contrato em razão da necessidade de reajuste do valor inicialmente apresentado, desgastado em seu poder de compra diante da inflação experimentada no período. 2.3 Extinção do contrato administrativo O fim esperado do contrato é a sua extinção pela conclusão ou execução do seu objeto, que ocorre quando as partes contratantes cumprem perfeitamente as cláusulas do contrato. É importante esclarecer, conforme disposto na ON/AGU nº 51, que, caso a Administração identifique um vício após a extinção do contrato, é possível responsabilizar o contrato pelo que foi executado. https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/Lg7nvJwJ0NhTWZqx_eIwgOryCQMnV7nPY-Acord%C3%A3o%20n%C2%BA%201.563%20de%202004.pdf https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/Lg7nvJwJ0NhTWZqx_eIwgOryCQMnV7nPY-Acord%C3%A3o%20n%C2%BA%201.563%20de%202004.pdfhttps://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/Lg7nvJwJ0NhTWZqx_eIwgOryCQMnV7nPY-Acord%C3%A3o%20n%C2%BA%201.563%20de%202004.pdf https://cdn.evg.gov.br/cursos/939_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/Lg7nvJwJ0NhTWZqx_eIwgOryCQMnV7nPY-Acord%C3%A3o%20n%C2%BA%201.563%20de%202004.pdf Extinção do Contrato Administrativo. Na hipótese de encerramento do contrato em razão da execução do objeto ou do escoamento do prazo contratual, cabe aos fiscais do contrato a execução das atividades de transição contratual regulamentadas nos arts. 69 e 70 da IN nº 05, de 2017: Art. 69. Os fiscais do contrato deverão promover as atividades de transição contratual observando, no que couber: I - a adequação dos recursos materiais e humanos necessários à continuidade do serviço por parte da Administração; II - a transferência final de conhecimentos sobre a execução e a manutenção do serviço; III - a devolução ao órgão ou entidade dos equipamentos, espaço físico, crachás, dentre outros; e IV - outras providências que se apliquem. Art. 70. Os fiscais deverão elaborar relatório final acerca das ocorrências da fase de execução do contrato, após a conclusão da prestação do serviço, para ser utilizado como fonte de informações para as futuras contratações. A extinção do contrato administrativo, nas palavras dos professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, “é o término do vínculo obrigacional existente entre a administração e o particular”. Esse termo pode se dar em virtude: a) Da conclusão do objeto, que é a via normal. Exemplo: término da construção de uma obra pública; b) Do advento do termo contratual (preclusão temporal); c) Da rescisão contratual: a) rescisão administrativa (por ato da administração pública, independentemente de prévia apreciação judicial); b) rescisão judicial (intervenção do Poder Judiciário); c) rescisão amigável ou consensual (comum acordo entre as partes, ressaltando-se que esse tipo de rescisão tem carácter subsidiário); d) No caso de anulação: ocorre quando existe ilegalidade no contrato ou mesmo no procedimento licitatório que o antecedeu. A anulação exerce efeitos ex tunc, isto é, efeitos retroativos, devendo, no entanto, serem ressarcidos prejuízos comprovados pelo contratado, contanto que não tenha dado causa ao vício que maculou o contrato. Salienta-se que a anulação pode ser realizada pelo próprio órgão público, ex officio, ou por provocação, ou pelo Poder Judiciário, desde que demandado judicialmente. A Lei n° 8.666/93 trata da anulação dos contratos administrativos no art. 59, in verbis: Art. 59. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria produzir, além de desconstituir os já produzidos. Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado até a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente comprovados, contanto que não lhe seja imputável, promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa. Por outro lado, a nova lei de licitações (Lei n° 14133/2021), no artigo 147, previu um capítulo específico para tratar sobre as nulidades. A princípio, não teve maiores alterações, contudo houve pormenorização do procedimento, conforme legislação a seguir: Art. 147. Constatada irregularidade no procedimento licitatório ou na execução contratual, caso não seja possível o saneamento, a decisão sobre a suspensão da execução ou sobre a declaração de nulidade do contrato somente será adotada na hipótese em que se revelar medida de interesse público, com avaliação, entre outros, dos seguintes aspectos: I - impactos econômicos e financeiros decorrentes do atraso na fruição dos benefícios do objeto do contrato; II - riscos sociais, ambientais e à segurança da população local decorrentes do atraso na fruição dos benefícios do objeto do contrato; III - motivação social e ambiental do contrato; IV - custo da deterioração ou da perda das parcelas executadas; V - despesa necessária à preservação das instalações e dos serviços já executados; VI - despesa inerente à desmobilização e ao posterior retorno às atividades; VII - medidas efetivamente adotadas pelo titular do órgão ou entidade para o saneamento dos indícios de irregularidades apontados; VIII - custo total e estágio de execução física e financeira dos contratos, dos convênios, das obras ou das parcelas envolvidas; IX - fechamento de postos de trabalho diretos e indiretos em razão da paralisação; X - custo para realização de nova licitação ou celebração de novo contrato; XI - custo de oportunidade do capital durante o período de paralisação. Parágrafo único. Caso a paralisação ou anulação não se revele medida de interesse público, o poder público deverá optar pela continuidade do contrato e pela solução da irregularidade por meio de indenização por perdas e danos, sem prejuízo da apuração de responsabilidade e da aplicação de penalidades cabíveis. Art. 148. A declaração de nulidade do contrato administrativo requererá análise prévia do interesse público envolvido, na forma do art. 147 desta Lei, e operará retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que o contrato deveria produzir ordinariamente e desconstituindo os já produzidos. § 1º Caso não seja possível o retorno à situação fática anterior, a nulidade será resolvida pela indenização por perdas e danos, sem prejuízo da apuração de responsabilidade e aplicação das penalidades cabíveis. § 2º Ao declarar a nulidade do contrato, a autoridade, com vistas à continuidade da atividade administrativa, poderá decidir que ela só tenha eficácia em momento futuro, suficiente para efetuar nova contratação, por prazo de até 6 (seis) meses, prorrogável uma única vez. Art. 149. A nulidade não exonerará a Administração do dever de indenizar o contratado pelo que houver executado até a data em que for declarada ou tornada eficaz, bem como por outros prejuízos regularmente comprovados, desde que não lhe seja imputável, e será promovida a responsabilização de quem lhe tenha dado causa. Art. 150. Nenhuma contratação será feita sem a caracterização adequada de seu objeto e sem a indicação dos créditos orçamentários para pagamento das parcelas contratuais vincendas no exercício em que for realizada a contratação, sob pena de nulidade do ato e de responsabilização de quem lhe tiver dado causa. O gestor ou fiscal do contrato no caso de nulidade deve dimensionar os serviços que foram prestados até o momento da declaração de nulidade e solicitar ao setor responsável o pagamento por esses serviços, salvo comprovada má-fé por parte da empresa contratada. Nesse sentido, é a jurisprudência exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do AgRg no REsp nº 1.394.161-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 08/10/2013. DIREITO ADMINISTRATIVO. INDENIZAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NO CASO DE CONTRATO ADMINISTRATIVO NULO. Reconhecida a nulidade de contrato administrativo por ausência de prévia licitação, a Administração Pública não tem o dever de indenizar os serviços prestados pelo contratado na hipótese em que este tenha agido de má-fé ou concorrido para a nulidade do contrato. Realmente, o fato de um contrato administrativo ter sido considerado nulo por ausência de prévia licitação não exime, em princípio, a Administração do dever de indenizar o contratado pelos serviços por ele prestados. Todavia, em consideração ao disposto no art. 59 da Lei 8.666/1993, devem ser ressalvadas as hipóteses de má-fé ou de ter o contratado concorrido para a nulidade do contrato. As causas que permitem a rescisão do contrato administrativo estão dispostas no artigo 78 da Lei n° 8.666/93, cuja transcrição é oportuna: Art.78. Constituem motivo para rescisão do contrato: I - o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos ou prazos; II - o cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos; III - a lentidão do seu cumprimento, levando a Administração a comprovar a impossibilidade da conclusão da obra, do serviço ou do fornecimento, nos prazos estipulados; IV - o atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento; V- a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento, sem justa causa e prévia comunicação à Administração; VI- a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas no edital e no contrato; VII - o desatendimento das determinações regulares da autoridade designada para acompanhar e fiscalizar a sua execução, assim como as de seus superiores; VIII - o cometimento reiterado de faltas na sua execução, anotadas na forma do § 1° do art. 67 desta Lei; IX - a decretação de falência ou a instauração de insolvência civil; X - a dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado; XI - a alteração social ou a modificação da finalidade ou da estrutura da empresa, que prejudique a execução do contrato; XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento, justificadas e determinadas pela máxima autoridade da esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas no processo administrativo a que se refere o contrato; XIII - a supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras, acarretando modificação do valor inicial do contrato além do limite permitido no §1° do art. 65 desta Lei; XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento obrigatório de indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o direito de optar pela suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até que seja normalizada a situação; XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação; XVI - a não liberação, por parte da Administração, de área, local ou objeto para execução de obra, serviço ou fornecimento, nos prazos contratuais, bem como das fontes de materiais naturais especificadas no projeto; XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente comprovada, impeditiva da execução do contrato. XVIII – descumprimento do disposto no inciso V do art. 27, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. Parágrafo único. Os casos de rescisão contratual serão formalmente motivados nos autos do processo, assegurado o contraditório e a ampla defesa. Já a recente lei de licitações elenca as causas de rescisão contratual no artigo 137, ipsis litteris: Art. 137. Constituirão motivos para extinção do contrato, a qual deverá ser formalmente motivada nos autos do processo, assegurados o contraditório e a ampla defesa, as seguintes situações: I - não cumprimento ou cumprimento irregular de normas editalícias ou de cláusulas contratuais, de especificações, de projetos ou de prazos; II - desatendimento das determinações regulares emitidas pela autoridade designada para acompanhar e fiscalizar sua execução ou por autoridade superior; III - alteração social ou modificação da finalidade ou da estrutura da empresa que restrinja sua capacidade de concluir o contrato; IV - decretação de falência ou de insolvência civil, dissolução da sociedade ou falecimento do contratado; V - caso fortuito ou força maior, regularmente comprovados, impeditivos da execução do contrato; V§ 1º Regulamento poderá especificar procedimentos e critérios para verificação da ocorrência dos motivos previstos no caput deste artigo. § 2º O contratado terá direito à extinção do contrato nas seguintes hipóteses: I - supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras que acarrete modificação do valor inicial do contrato além do limite permitido no art. 125 desta Lei; II - suspensão de execução do contrato, por ordem escrita da Administração, por prazo superior a 3 (três) meses; III - repetidas suspensões que totalizem 90 (noventa) dias úteis, independentemente do pagamento obrigatório de indenização pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e mobilizações e outras previstas; IV - atraso superior a 2 (dois) meses, contado da emissão da nota fiscal, dos pagamentos ou de parcelas de pagamentos devidos pela Administração por despesas de obras, serviços ou fornecimentos; V - não liberação pela Administração, nos prazos contratuais, de área, local ou objeto, para execução de obra, serviço ou fornecimento, e de fontes de materiais naturais especificadas no projeto, inclusive devido a atraso ou descumprimento das obrigações atribuídas pelo contrato à Administração relacionada a desapropriação, a desocupação de áreas públicas ou a licenciamento ambiental. § 3º As hipóteses de extinção a que se referem os incisos II, III e IV do § 2º deste artigo observarão as seguintes disposições: I - não serão admitidas em caso de calamidade pública, de grave perturbação da ordem interna ou de guerra, bem como quando decorrerem de ato ou fato que o contratado tenha praticado, do qual tenha participado ou para o qual tenha contribuído; II - assegurarão ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até a normalização da situação, admitido o restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, na forma da alínea “d” do inciso II do caput do art. 124 desta Lei. § 4º Os emitentes das garantias previstas no art. 96 desta Lei deverão ser notificados pelo contratante quanto ao início de processo administrativo para apuração de descumprimento de cláusulas contratuais. I - atraso na obtenção da licença ambiental, ou impossibilidade de obtê-la, ou alteração substancial do anteprojeto que dela resultar, ainda que obtida no prazo previsto; VII - atraso na liberação das áreas sujeitas a desapropriação, a desocupação ou a servidão administrativa, ou impossibilidade de liberação dessas áreas; VIII - razões de interesse público, justificadas pela autoridade máxima do órgão ou da entidade contratante; IX - não cumprimento das obrigações relativas à reserva de cargos prevista em lei, bem como em outras normas específicas, para pessoa com deficiência, para reabilitado da Previdência Social ou para aprendiz. Em suma, os casos de rescisão administrativa unilateral são: a) por culpa do contratado – inadimplemento ou inexecução do contrato; b) por interesse público; c) pela ocorrência de caso fortuito ou força maior. Ressalta-se que o particular não pode rescindir o contrato com a administração sem a intervenção do Poder Judiciário. Isto porque a extinção unilateral é uma prerrogativa do Poder Público, consistente em cláusula exorbitante prevista em lei, não podendo ser estendida ao particular. Atenta-se que o procedimento de rescisão contratual deve ser devidamente fundamentado pelo órgão ou entidade, garantindo-se à contratada o direito ao contraditório e ampla defesa. Sabe-se, também, que a rescisão do contrato pode acontecer por arbitragem,que é um meio de solução consensual de conflitos previsto em muitos contratos administrativos. Fiscalização em relação ao término do contrato e suas especificidades. Afinal, quais os deveres do fiscal com o término do contrato? A resposta depende do objeto que está sendo fiscalizado, entretanto, segue exemplo de alguns desses deveres: Deveres do fiscal. 1. Exigir ao término da vigência do contrato continuado com dedicação exclusiva de mão de obra os comprovantes de quitação das verbas rescisórias trabalhistas ou comprovação de sua realocação em outra atividade, sem que ocorra a interrupção do contrato de trabalho (art. 64 da IN n° 05/2017); 2. Atestar, quando for o caso, para fins de restituição da garantia, que a contratada cumpriu integralmente todas as obrigações contratuais, inclusive as trabalhistas e previdenciárias; 3. Devolução dos materiais/ EPI/ equipamentos; 4. Solicitar o encerramento da conta vinculada; 5. Solicitar anulação do saldo de empenho (caso não tenha mais notas fiscais/faturas a pagar); 6. Emitir relatório registrando as ocorrências sobre a prestação dos serviços referentes ao período de sua atuação (art. 41, §3°, c/c art. 70 da IN n° 05/2017); 7. Finalizar o processo administrativo de fiscalização; 8. Atestar os pagamentos devidos pela execução do contrato até a data da extinção; 9. Atestar os valores que deverão ser ressarcidos à contratada pelos prejuízos regularmente comprovados; 10. Atestar os valores relativos ao pagamento do custo da desmobilização; 11. Solicitar à empresa contratada, nos casos de contratos continuados com cessão de mão de obra, entrega de cópia da documentação relacionada a seguir: a) Termos de rescisão dos contratos de trabalho dos empregados prestadores de serviço, devidamente homologados, quando exigível pelo sindicato da categoria. b) Guias de recolhimento da contribuição previdenciária e do FGTS, referentes às rescisões contratuais. c) Extratos dos depósitos efetuados nas contas vinculadas individuais do FGTS de cada empregado dispensado. d) Exames médicos demissionais dos empregados demitidos. e) Comprovação de pagamento do aviso prévio. f) Comprovação de baixa da CTPS. É primordial a leitura atenta dos arts. 64 a 66 da IN n° 05/20117: Art. 64. Quando da rescisão dos contratos de serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, o fiscal administrativo deve verificar o pagamento pela contratada das verbas rescisórias ou dos documentos que comprovem que os empregados serão realocados em outra atividade de prestação de serviços, sem que ocorra a interrupção do contrato de trabalho. Art. 65. Até que a contratada comprove o disposto no artigo anterior, o órgão ou entidade contratante deverá reter: I - a garantia contratual, conforme art. 56 da Lei nº 8.666, de 1993, prestada com cobertura para os casos de descumprimento das obrigações de natureza trabalhista e previdenciária pela contratada, que será executada para reembolso dos prejuízos sofridos pela Administração, nos termos da legislação que rege a matéria; e II - os valores das Notas fiscais ou Faturas correspondentes em valor proporcional ao inadimplemento, até que a situação seja regularizada. Parágrafo único. Na hipótese prevista no inciso II do caput, não havendo quitação das obrigações por parte da contratada no prazo de quinze dias, a contratante poderá efetuar o pagamento das obrigações diretamente aos empregados da contratada que tenham participado da execução dos serviços objeto do contrato. Art. 66. O órgão ou entidade poderá ainda: I - Nos casos de obrigação de pagamento de multa pela contratada, reter a garantia prestada a ser executada conforme legislação que rege a matéria; e II - Nos casos em que houver necessidade de ressarcimento de prejuízos causados à Administração, nos termos do inciso IV do art. 80 da Lei n.º 8.666, de 1993, reter os eventuais créditos existentes em favor da contratada decorrentes do contrato. Parágrafo único. Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta, responderá a contratada pela sua diferença, a qual será descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente. Como reforço ao afirmado nos artigos supracitados, nota-se que se o contrato chegou ao fim, mas os funcionários terceirizados não foram dispensados pela empresa, e, sim, realocados em outra atividade da contratada, só será necessário o fiscal averiguar os documentos que comprovem a realocação. Cabe observar que, enquanto a empresa não enviar os documentos imprescindíveis, é possível reter a garantia contratual, assim como as notas fiscais devidas à contratada. Ademais, o fiscal ou gestor do contrato deve se atentar para o fato de que podem solicitar quaisquer documentos que sejam imprescindíveis para a conclusão da fiscalização. Lembre-se: conceda prazo à empresa para o envio da documentação. Caso o gestor ou fiscal encontre dificuldades para analisar os documentos relativos à rescisão, pode solicitar auxílio ao órgão de assessoramento jurídico e de controle interno, nos termos do art. 117, §3°, da Lei n° 14.133/2021. No vídeo, a seguir, serão abordados 2 (dois) aspectos importantes na gestão contratual que não podem passar despercebidos por você, portanto não deixe de assisti- lo.