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SÍNDROME SÍNDROME SÍNDROMESÍNDROMESÍNDROMESÍNDROMESÍNDROMESÍNDROMEde prader willi SÍNDROME SÍNDROME 1 CONCEITO da síndrome de prader willi 2 O QUE É A SÍNDROME DE PRADER-WILLI?O QUE É A SÍNDROME DE PRADER-WILLI? 3 É uma síndrome causada por alterações genéticas no cromossomo 15, que levam a disfunções principalmente no hipotálamo, resultando em alterações de fome, crescimento, metabolismo e função hormonal. Funções do Cromossomo 15Funções do Cromossomo 15 Desenvolvimento do sistema nervoso Controle de fome e sede Regulação hormonal Função sináptica Imprinting genômico A Síndrome de Prader-Willi foi inicialmente descrita em 1956 por três médicos suíços, a partir da observação de crianças que apresentavam um conjunto muito característico de sinais clínicos DESCOBERTA INICIALDESCOBERTA INICIALDESCOBERTA INICIAL 4 OS MÉDICOS POR TRÁS DA DESCOBERTAOS MÉDICOS POR TRÁS DA DESCOBERTA 5 A descrição da síndrome só foi possível porque houve uma integração de diferentes áreas - pediatria, clínica e endocrinologia - permitindo uma visão mais completa do quadro Fome insaciável Obesidade Atraso no desenvolvimento Infertilidade Baixa estatura Dificuldade na aprendizagem MANIFESTAÇÕES CLÍNICASMANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 6 INDICADOR VALOR OBSERVAÇÃO Incidência ao nascimento 1 : 26.676 nascidos vivos Período: 1993–2001 Prevalência mínima 1 : 76.574 habitantes Em 31/12/2001 Distribuição por idade Menor em idades mais avançadas Possível subdiagnóstico e mortalidade Mortalidade infantil Morte súbita, infecção respiratória, febre alta Mais comum na infância Mortalidade em adultos Causas respiratórias e circulatórias Associada à progressão da doença A SÍNDROME NO MUNDOA SÍNDROME NO MUNDO 7 Fonte: VOGELS, Annick et al. Minimum prevalence, birth incidence and cause of death for Prader– Willi syndrome in Flanders. European Journal of Human Genetics, v. 12, n. 3, p. 238–240, 2004. FENÔMENOdo Imprinting 8 Um fenômeno epigenético onde genes específicos são marcados bioquimicamente, resultando na expressão de apenas uma das cópias (materna ou paterna), enquanto a outra é silenciada. IMPRINTING GENÔMICOIMPRINTING GENÔMICO IMPRINTING GENÔMICO 9 REGIÃO 15q11.2-q13REGIÃO 15q11.2-q13REGIÃO 15q11.2-q13 10 Centro de controle de Imprinting da região 15q11.2-q13 Define qual cópia fica ativa GENE SNRPNGENE SNRPNGENE SNRPN 11 Cromossomo paterno SNRPN não metilado, então a Região é expressa. Cromossomo materno SNRPN metilado, então a Região não é expressa. snoRNAs. São pequenos RNAs, não codificantes com função reguladora. SNORD116. Importante no desenvolvimento cerebral. CLUSTER DE snoRNAsCLUSTER DE snoRNAs CLUSTER DE snoRNAs 12 Ajuda no funcionamento de neurônios ligados a: Respiração Eixo hormonal sexual Comportamento Codifica a proteína necdina Necdin (NDN)Necdin (NDN)Necdin (NDN) 13 MECANISMOS Genéticos da Síndrome de Prader-Willi 14 Parte do cromossomo é perdida de forma espontânea; DELEÇÃODELEÇÃODELEÇÃO 15 Genes SNRPN; Clusters snoRNA; Perda de genes ativos apenas no 15q11-q13 paterno O indivíduo recebe duas cópias do cromossomo 15 da mãe e nenhuma do pai Erro na meiose (não- disjunção) seguido de "resgate trissômico" no zigoto DISSOMIA UNIPARENTAL MATERNADISSOMIA UNIPARENTAL MATERNADISSOMIA UNIPARENTAL MATERNA 16 O Centro de Imprinting (IC) é a região reguladora localizada entre os genes SNURF- SNRPN e UBE3A; Estabelece e mantém as marcas de imprinting durante a gametogênese e o desenvolvimento DEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICODEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICODEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICO 17 Há uma falha na desmetilação do IC durante a gametogênese paterna; O espermatozoide é formado com o IC mantido em estado metilado (padrão materno); O cromossomo 15 paterno chega à fecundação com a marca de silenciamento DEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICODEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICODEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICO 18 Falha na Desmetilação da Linhagem Germinativa PaternaFalha na Desmetilação da Linhagem Germinativa PaternaFalha na Desmetilação da Linhagem Germinativa Paterna O espermatozoide entregou um cromossomo paterno corretamente desmetilado (marca ativa); Porém, durante as primeiras divisões celulares do embrião, há uma falha na manutenção dessa marca; O IC paterno sofre metilação errônea (ganho de metilação) DEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICODEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICODEFEITOS DE IMPRINTING GENÔMICO 19 Ganho de Metilação Após Ovogênese e FecundaçãoGanho de Metilação Após Ovogênese e FecundaçãoGanho de Metilação Após Ovogênese e Fecundação SINTOMASSINTOMASSINTOMASSINTOMAS da sindrome Os sintomas mais comuns da síndrome de Prader- Willi são problemas de comportamento, deficiência intelectual e baixa estatura. Os sintomas hormonais incluem puberdade atrasada e fome constante, levando à obesidade. 20 HISTÓRIA NATURAL E CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E ENDÓCRINAS 21 A disfunção hipotalâmica na Síndrome de Prader-Willi (SPW) é o eixo central que conecta a falha genética molecular às diversas manifestações clínicas observadas. O hipotálamo é o "centro de comando" do sistema endócrino e do sistema nervoso autônomo, responsável por regular processos vitais como balanço energético, metabolismo, temperatura, crescimento e puberdade. Na SPW, a ausência de genes expressos pelo cromossomo paterno (especialmente na região 15q11- q13) compromete o desenvolvimento e a função neuronal hipotalâmica. DISFUNÇÃO HIPOTALÁMICADISFUNÇÃO HIPOTALÁMICADISFUNÇÃO HIPOTALÁMICA 22 FASE PRÉ-NATAL E NEONATALFASE PRÉ-NATAL E NEONATALFASE PRÉ-NATAL E NEONATAL 23 DIMINUIÇÃO DO MOVIMENTO FETAL HIPOTONIA GRAVE CHORO FRACO E LETARGIA DIFICULDADE DE SUCÇÃO E BAIXO GANHO DE PESO Mecanismo da Hiperfagia (Fome Insaciável)Mecanismo da Hiperfagia (Fome Insaciável)Mecanismo da Hiperfagia (Fome Insaciável) O hipotálamo possui núcleos especializados (como o núcleo arqueado e o núcleo ventromedial) que integram sinais de saciedade (ex: leptina) e fome (ex: grelina). A Disfunção: Em pacientes com SPW, há uma falha na sinalização de saciedade e uma desregulação do peptídeo grelina (frequentemente encontrado em níveis elevados). O hipotálamo perde a capacidade de processar corretamente quando o corpo está alimentado. Consequência: O paciente vive em um estado constante de "fome fisiológica" insaciável. Esse defeito biológico no mecanismo de controle do apetite leva à busca compulsiva por comida, obesidade mórbida e suas comorbidades (diabetes tipo 2, apneia do sono, síndrome metabólica). 24 O hipotálamo libera hormônios que estimulam a hipófise a produzir hormônios essenciais para o desenvolvimento. Deficiência de Hormônio de Crescimento (GH): A disfunção hipotalâmica reduz a secreção de GHRH (hormônio liberador de GH), resultando em baixa estatura, redução da massa muscular e aumento da massa gorda. O tratamento com GH recombinante é crucial para mitigar esses efeitos. Hipogonadismo Hipogonadotrófico: A falha do hipotálamo em liberar GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) impede a maturação sexual adequada. Isso causa atraso ou ausência de puberdade, genitália hipoplásica (pequena) e infertilidade Eixo Hipotálamo-Hipofisário: Crescimento e PuberdadeEixo Hipotálamo-Hipofisário: Crescimento e PuberdadeEixo Hipotálamo-Hipofisário: Crescimento e Puberdade 25 ÁREA TEGMENTAR VENTRAL DOPAMINA NÚCLEO ACCUMBENS CÓRTEX PRÉ - FRONTAL 26 CIRCUITO DE RECOMPENSACIRCUITO DE RECOMPENSACIRCUITO DE RECOMPENSA Via dopaminergica mesolímbica e mesocortical Crises de birra intensa + Teimosia + rigidez cognitiva Comportamento obsessivo- compulsivo ( Rotina rígida) Comportamento de vigília, roubo ou estocagem de comida Automutilação Piora com o limiar alto de dor Transtornos psiquiátricos associadosTOC TEA PSICOSE TDAH ALTERAÇÕESALTERAÇÕES COMPORTAMENTAISCOMPORTAMENTAIS ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS 27 Marcos do desenvolvimento com o dobro da idade comum Distúrbio de aprendizagem Habilidade de comunicação prejudicada Dificuldade em: Raciocínio abstrato Resolução de problemas Planejamento e autocontrole Déficit cognitivo: QI médio 65-70 ( deficiência intelectual leve) Prejuízo: Funções executivas e controle inibitório ALTERAÇÕES COGNITIVASALTERAÇÕES COGNITIVAS E DESENVOLVIMENTOE DESENVOLVIMENTO ALTERAÇÕES COGNITIVAS E DESENVOLVIMENTO 28 Hipopigmentação da pele e cabelos OUTRAS MANIFESTAÇÕESOUTRAS MANIFESTAÇÕES OUTRAS MANIFESTAÇÕES Olhos amendoados Comissura labial voltada para baixo Lábio superior fino Têmporas afundadas 29 Face estreita e alongada DISMORFIRMOS Baixa estatura Geno valgo Pés pequenos Mãos pequenas Estrabismo Queixo pequeno OUTRAS MANIFESTAÇÕESOUTRAS MANIFESTAÇÕES OUTRAS MANIFESTAÇÕES 30 OUTRAS MANIFESTAÇÕESOUTRAS MANIFESTAÇÕES OUTRAS MANIFESTAÇÕES 31 Distúrbio do Sono - sonolência diurna excessiva Apneia do sono Escoliose Problemas dentários Diminuição da salivação Dificuldade em controlar a temperatura corporal Miopia DIAGNÓSTICODIAGNÓSTICODIAGNÓSTICODIAGNÓSTICO 32 PROCESSOPROCESSOPROCESSOPROCESSO diagnóstico Inicia pela suspeita clínica → PERÍODO NEONATAL: hipotonia grave e hiporreflexia → INFÂNCIA: hiperfagia progressiva e disfunção do controle hipotalâmico da saciedade. Pode levar a obesidade central 33 Diagnóstico definitivo: teste genético molecular Impriting genômico ANÁLISE GENÉTICAANÁLISE GENÉTICA ANÁLISE GENÉTICA 34 Exame padrão-ouro: análise de metilação do DNA ( cromossomo 15q11.2-q13. ) Padrão normal de expressão: Alelo paterno → não metilado → ativo Alelo materno → metilado → silenciado ➪ ➪ ➪ molecular Deleção paterna da região 15q11.2-q13 Dissomia uniparental materna (UPD) Defeitos de imprinting MECANISMOSMECANISMOSMECANISMOS 35 genéticos EXAMES COMPLEMENTARES FISH (hibridização in situ por fluorescência) Cariótipo MLPA e análise de microssatélites ➪ ➪ ➪ Atraso neuropsicomotor grave , ausência ou severa limitação da fala , crises epilépticas DIAGNÓSTICODIAGNÓSTICODIAGNÓSTICO 36 diferencial SÍNDROMES IRMÃS Síndrome de Angelman: Mesma região: 15q11.2-q13 Diferença: Angelman → perda da expressão materna. Prader Willi → perda da expressão paterna ➪ Deficiência intelectual , alterações comportamentais (como traços do espectro autista) e, em alguns casos, hiperfagia e obesidade DIAGNÓSTICODIAGNÓSTICODIAGNÓSTICO 37 diferencial SÍNDROMES IRMÃS Síndrome do X- Frágil CGG no gene FMR1 ➪ TRATAMENTOTRATAMENTOTRATAMENTOTRATAMENTO da síndrome TRATAMENTO 38 Uso de bicos ou sondas especiais para dificuldades de alimentação Dificuldade de sucção em recém nascidos. 39 Supervisão rigorosa da ingestão alimentar diária. Terapia com Hormônio do Crescimento (GH). Tratamento de problemas oculares por um oftalmologista pediátrico. Tratamento da curvatura da coluna vertebral por um ortopedista TRATAMENTOTRATAMENTO Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). 40 Estudos e tratamento do sono. Fisioterapia. Terapia comportamental. Medicamentos. Tratamentos com hormônios sexuais. TRATAMENTOTRATAMENTO 41 Intervenções precoces/Programas para necessidades especiais. TRATAMENTOTRATAMENTO Acolhimento em lares coletivos na idade adulta. Transtornos de aprendizagem. Terapia de fala. Treinamento de habilidades sociais. 42 TRATAMENTOTRATAMENTO Burman P, Ritzén EM, Lindgren AC. Endocrine dysfunction in Prader-Willi syndrome: a review with special reference to GH. Endocr Rev. 2001 Dec;22(6):787-99. doi: 10.1210/edrv.22.6.0447. PMID: 11739333. Carrel AL, Myers SE, Whitman BY, Allen DB. Benefits of long- term GH therapy in Prader-Willi syndrome: a 4-year study. J Clin Endocrinol Metab. 2002 Apr;87(4):1581-5. doi: 10.1210/jcem.87.4.8414. PMID: 11932286. CASO CLÍNICO 43 L.M.S., 6 anos, sexo masculino, é levado pela mãe à consulta por ganho excessivo de peso e fome intensa. Segundo a mãe, nos primeiros meses de vida ele era “muito molinho”, tinha dificuldade para sugar e mamar, chorava pouco e apresentava baixo ganho de peso. A partir dos 2 a 3 anos, passou a demonstrar interesse exagerado por comida, procurando alimentos o tempo todo e ficando irritado quando era contrariado. Evoluiu com obesidade progressiva, atraso na fala, dificuldade de aprendizagem e alterações de comportamento. Ao exame físico, apresenta obesidade, hipotonia leve, baixa estatura, mãos e pés pequenos e genitália com testículos pequenos para a idade. Esse conjunto é bastante típico da síndrome de Prader-Willi, que costuma cursar com hipotonia e dificuldade alimentar no início da vida, seguidas por hiperfagia, obesidade, atraso do desenvolvimento e hipogonadismo. CASOCASOCASO 44 clínico 1. Qual achado da história neonatal é mais sugestivo desse diagnóstico? A) Macroglossia ao nascimento B) Hipertonia muscular C) Hipotonia com dificuldade de sucção D) Cianose aos esforços CASOCASOCASO 45 clínico 1. Qual achado da história neonatal é mais sugestivo desse diagnóstico? A) Macroglossia ao nascimento B) Hipertonia muscular C) Hipotonia com dificuldade de sucção D) Cianose aos esforços CASOCASOCASO 46 clínico 2. Qual alteração genética está associada à síndrome de Prader-Willi? A) Trissomia do cromossomo 21 B) Mutação mitocondrial herdada da mãe C) Perda da expressão dos genes paternos da região 15q11-q13 D) Deleção do cromossomo X CASOCASOCASO 47 clínico 2. Qual alteração genética está associada à síndrome de Prader-Willi? A) Trissomia do cromossomo 21 B) Mutação mitocondrial herdada da mãe C) Perda da expressão dos genes paternos da região 15q11-q13 D) Deleção do cromossomo X CASOCASOCASO 48 clínico 3. Qual achado do exame físico reforça ainda mais essa hipótese diagnóstica? A) Hepatoesplenomegalia B) Mãos e pés pequenos C) Sopros cardíacos intensos D) Hirsutismo CASOCASOCASO 49 clínico 3. Qual achado do exame físico reforça ainda mais essa hipótese diagnóstica? A) Hepatoesplenomegalia B) Mãos e pés pequenos C) Sopros cardíacos intensos D) Hirsutismo CASOCASOCASO 50 clínico 51 REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ESTADOS UNIDOS. National Institute of Child Health and Human Development. Prader-Willi Syndrome: Treatments and Therapies. [S. l.], [20--?]. Disponível em: https://www.nichd.nih.gov/health/topics/prader-willi/conditioninfo/treatments. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Síndrome de Prader-Willi: o que você precisa saber. Rio de Janeiro: IFF/Fiocruz, 31 maio 2021. Disponível em: https://www.iff.fiocruz.br/index.php/pt/? view=article&id=1002:sindrome-prader-willi-o-que-voce-precisa-saber NUSSBAUM, Robert L.; MCINNES, Roderick R.; WILLARD, Huntington F. Thompson & Thompson genética médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.