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Júlia Pacheco-Medicina LEPTOSPIROSE A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira TRANSMISSÃO: Contato com água, lama, solo ou urina contaminados por animais infectados. No Brasil, possui enorme relevância epidemiológica devido às enchentes, deficiência de saneamento básico e infestação por roedores. ETIOLOGIA AGENTE ETIOLÓGICO A doença é causada por bactérias do gênero Leptospira, espiroquetas aeróbias obrigatórias. Essas bactérias podem ser divididas em espécies patogênicas, intermediárias e saprófitas. Espécies patogênicas: São aquelas capazes de causar doença em humanos e animais, sendo responsáveis pelas manifestações clínicas da leptospirose ★ O principal grupo patogênico é Leptospira interrogans. Espécies intermediárias: Possuem menor capacidade de causar doença, geralmente estando associadas a quadros mais leves ou subclínicos Espécies saprófitas: Não causam doença e vivem livremente no ambiente, principalmente na água e no solo úmido Dentro do gênero Leptospira existem mais de 300 sorovares identificados. Os sorovares representam diferentes subtipos da bactéria, definidos principalmente pelas características antigênicas de sua superfície. Alguns sorovares possuem maior capacidade de causar doença grave. SOROVARES MAIS IMPORTANTES No Brasil, os mais associados às formas graves: ➔ Icterohaemorrhagiae ➔ Copenhageni Ambos frequentemente relacionados aos ratos urbanos e às manifestações clássicas da síndrome de Weil, como icterícia, insuficiência renal e hemorragias. SIMPLIFICANDO: Leptospira=gênero da bactéria Leptospira interrogans = uma das espécies patogênicas Dentro dessa espécie existem vários sorovares (subtipos). RESERVATÓRIOS Os principais reservatórios urbanos são: Rattus norvegicus (ratazana) Rattus rattus Mus musculus A leptospira coloniza os túbulos renais dos animais e é eliminada continuamente pela urina. O ser humano é hospedeiro acidental e terminal. EPIDEMIOLOGIA ❖ Condição endêmica no Brasil; ❖ Aumenta em períodos chuvosos; ❖ Possui elevada taxa de internação; ❖ Acomete principalmente adultos jovens economicamente ativos. FATORES AMBIENTAIS ASSOCIADOS ➢ Enchentes; ➢ Alagamentos; ➢ Saneamento precário; ➢ Lixo acumulado; ➢ Presença de roedores; ➢ Ocupação irregular urbana. GRUPOS DE RISCO OCUPACIONAL ➢ Garis; ➢ Trabalhadores de esgoto; ➢ Agricultores; ➢ Veterinários; ➢ Militares; ➢ Bombeiros; ➢ Pescadores; ➢ Tratadores de animais. TRANSMISSÃO ➔ Contato direto com urina contaminada; ➔ Contato indireto com água/lama contaminadas; ➔ Penetração através de pele lesada, mucosas ou pele íntegra imersa por longo período. Transmissão interpessoal é rara. INCUBAÇÃO Tempo entre o contato com a bactéria e o aparecimento dos primeiros sintomas. Varia: ❖ 1 a 30 dias; ❖ média: 5–14 dias. FISIOPATOLOGIA I. Invasão hematogênica; II. Lesão endotelial difusa; III. Vasculite sistêmica; IV. Resposta inflamatória exacerbada; V. Dano multissistêmico. 1. Penetração A leptospira entra: ➢ pela pele; ➢ mucosas; ➢ pele íntegra imersa em água contaminada. Após penetrar: → alcança circulação sanguínea. 2. Fase leptospirêmica (fase precoce) ➢ Bacteremia; ➢ Disseminação sistêmica; ➢ Invasão tecidual. A bactéria alcança: ❖ fígado; ❖ rins; ❖ pulmões; ❖ SNC; ❖ músculos; ❖ endotélio vascular. CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS DESSA FASE ★ Febre: Relacionada à resp. inflamatória ★ Mialgia intensa: Relaciona-se à inflamação muscular; necrose focal muscular e elevação de CPK. ★ Cefaleia: Associada à resposta inflamatória sistêmica e possível irritação meníngea inicial. ★ Sufusão conjuntival: Achado clássico. Ocorre devido à vasodilatação e congestão vascular conjuntival. 3. Lesão endotelial e vasculite A leptospira lesa: ➢ endotélio capilar; ➢ junções intercelulares; ➢ microcirculação. Isso gera: ➢ aumento da permeabilidade vascular; ➢ extravasamento; ➢ hemorragias; ➢ hipotensão; ➢ choque. 4. Fase imune (fase tardia) ➔ Ocorre após cerca de 1 semana. ● produção de anticorpos; ● inflamação intensa; ● disfunção orgânica. É nessa fase que surgem: ❖ insuficiência renal; ❖ hemorragia pulmonar; ❖ icterícia; ❖ miocardite; ❖ meningite asséptica. 4. Formas mais graves ★ SÍNDROME DE WEIL. ★ Tríade: ● icterícia; ● insuficiência renal; ● hemorragias. PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES ICTERÍCIA A leptospira provoca: ➔ disfunção hepatocelular; ➔ colestase intra-hepática; ➔ lesão canalicular. Mas sem necrose hepática maciça como nas hepatites virais. CARACTERÍSTICA: icterícia rubínica intensa (alaranjada). Laboratório típico: ❖ bilirrubina muito elevada; ❖ transaminases discretamente aumentadas. INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA ● Invade túbulos renais; ● Causa nefrite túbulo-intersticial; ● Inibe reabsorção tubular de sódio. Isso leva inicialmente a: ● IRA não oligúrica; ● hipocalemia. Com progressão: ● hipovolemia; ● necrose tubular aguda; ● oligúria; ● hipercalemia. HEMORRAGIA PULMONAR ➔ É a complicação mais letal. Fisiopatologia I. vasculite pulmonar; II. dano alveolocapilar; III. extravasamento sanguíneo alveolar. Manifestação: hemoptise; dispneia; SARA. Letalidade: 50%. MIOCARDITE A inflamação miocárdica pode causar: ● arritmias; ● choque; ● instabilidade hemodinâmica. ALTERAÇÃO NO SNC ➔ meningite asséptica; ➔ encefalite; ➔ delirium; ➔ Guillain-Barré. RESUMO DA FISIOPATOLOGIA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS SINTOMAS PRINCIPAIS ➢ febre alta; ➢ cefaleia; ➢ mialgia intensa; ➢ náuseas; ➢ vômitos; ➢ calafrios; ➢ anorexia; ➢ dor lombar. FASE TARDIA Sinais de gravidade ❖ icterícia; ❖ oligúria; ❖ dispneia; ❖ hemoptise; ❖ hipotensão; ❖ sangramentos; ❖ alteração do nível de consciência. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS DIAGNÓSTICO DIAGNÓSTICO CLÍNICO EPIDEMIOLÓGICO Suspeitar em: ➔ febre aguda; ➔ mialgia; ➔ sufusão conjuntival; ➔ exposição à enchente/lama/roedores. EXAMES LABORATORIAIS ★ 1. ELISA-IgM: Método mais usado na rotina. ★ 2. MAT (Microaglutinação): Padrão-ouro sorológico. ★ Detecta: anticorpos contra sorovares. ★ 3. PCR: Detecta DNA bacteriano. OUTROS EXAMES HEMOGRAMA GASOMETRIA FUNÇÃO RENAL CPK FUNÇÃO HEPÁTICA URINA EXAMES DE IMAGEM RADIOGRAFIA DE TÓRAX Pode mostrar: ➔ infiltrado alveolar; ➔ hemorragia pulmonar; ➔ SARA. MANEJO TERAPÊUTICO O tratamento deve ser iniciado precocemente, mesmo antes da confirmação laboratorial. ANTIBIÓTICOTERAPIA CASOS LEVES CASOS GRAVES (OPÇÕES INTRAVENOSAS) DOXICICLINA PENICILINA CRISTALINA AMOXICILINA CEFTRIAXONA AMPICILINA CEFOTAXINA SUPORTE CLÍNICO ❖ Hidratação ❖ Monitorização ❖ Oxigenoterapia ❖ Ventilação mecânica ❖ Hemodiálise CRITÉRIOS DE INTERNAÇÃO DISPNEIA HEMORRAGIA OLIGÚRIA ALTERAÇÃO NEUROLÓGICA HIPOTENSÃO INSUFICIÊNCIA RENAL ICTERÍCIA PLAQUETOPENIA PROGNÓSTICO FATORES DE PIOR PROGNÓSTICO ➔ hemorragia pulmonar; ➔ insuficiência renal; ➔ choque; ➔ oligúria; ➔ hipercalemia; ➔ alteração do sensório. LETALIDADE ★ geral: 10%; ★ hemorragia pulmonar: >50%. PROFILAXIA MEDIDAS INDIVIDUAIS ➢ evitar contato com enchentes; ➢ uso de botas e luvas; ➢ higiene adequada; ➢ armazenamento correto de alimentos. CONTROLE AMBIENTAL ➢ saneamento básico; ➢ controle de roedores; ➢ drenagem urbana; ➢ coleta de lixo. QUIMIOPROFILAXIA DOXICICLINA Pode ser usada: ● Em exposições de alto risco; ● Enchentes; ● Operaçõesmilitares; ● Trabalhadores expostos. ETIOLOGIA AGENTE ETIOLÓGICO SOROVARES MAIS IMPORTANTES SIMPLIFICANDO: Leptospira=gênero da bactéria Leptospira interrogans = uma das espécies patogênicas Dentro dessa espécie existem vários sorovares (subtipos). RESERVATÓRIOS EPIDEMIOLOGIA FATORES AMBIENTAIS ASSOCIADOS GRUPOS DE RISCO OCUPACIONAL TRANSMISSÃO INCUBAÇÃO FISIOPATOLOGIA 1. Penetração 2. Fase leptospirêmica (fase precoce) CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS DESSA FASE ★Febre: Relacionada à resp. inflamatória ★Mialgia intensa: Relaciona-se à inflamação muscular; necrose focal muscular e elevação de CPK. ★Cefaleia: Associada à resposta inflamatória sistêmica e possível irritação meníngea inicial. ★Sufusão conjuntival: Achado clássico. Ocorre devido à vasodilatação e congestão vascular conjuntival. 3. Lesão endotelial e vasculite 4. Fase imune (fase tardia) 4. Formas mais graves ★SÍNDROME DE WEIL. ★Tríade: PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES ICTERÍCIA INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA HEMORRAGIA PULMONAR Fisiopatologia MIOCARDITE ALTERAÇÃO NO SNC MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS SINTOMAS PRINCIPAIS FASE TARDIA Sinais de gravidade DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS DIAGNÓSTICO DIAGNÓSTICO CLÍNICO EPIDEMIOLÓGICO EXAMES LABORATORIAIS ★1. ELISA-IgM: Método mais usado na rotina. ★2. MAT (Microaglutinação): Padrão-ouro sorológico. ★3. PCR: Detecta DNA bacteriano. EXAMES DE IMAGEM RADIOGRAFIA DE TÓRAX MANEJO TERAPÊUTICO ANTIBIÓTICOTERAPIA SUPORTE CLÍNICO ❖Hidratação ❖Monitorização ❖Oxigenoterapia ❖Ventilação mecânica ❖Hemodiálise CRITÉRIOS DE INTERNAÇÃO PROGNÓSTICO FATORES DE PIOR PROGNÓSTICO LETALIDADE PROFILAXIA MEDIDAS INDIVIDUAIS CONTROLE AMBIENTAL QUIMIOPROFILAXIA DOXICICLINA Pode ser usada: