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RESUMO DIDÁTICO Saúde Coletiva — Tudo que cai na prova
1. POLÍTICAS PÚBLICAS
O que são políticas públicas?
Política pública é a resposta do governo a um problema público — uma situação inadequada que afeta uma
coletividade, não um indivíduo isolado. Usa-se o termo inglês policy (decisões e ações de governo) para
diferenciar de politics (disputa pelo poder). O Estado é a instituição permanente; o governo é quem o administra
por período determinado.
■ Problema público ≠ problema privado. O buraco na sua rua é seu. A enchente que destrói o bairro é pública.
Estado × Governo — distinção essencial!
• Estado: instituição permanente do país (leis, instituições, povo).
• Governo: quem administra o Estado por um período (4 anos no Brasil, com reeleição apenas uma vez).
O governo tem interesses próprios que podem ou não coincidir com os do Estado. Por isso, a política pública
deve responder aos interesses de toda a sociedade, e não apenas a quem governa.
Tipologia de Lowi — os 4 tipos de políticas
Tipo O que faz Exemplo
Regulatória
Cria normas e padrões de comportamento para o bem
comum
Código de trânsito, regras do
mercado financeiro
Distributiva Beneficia grupos específicos da sociedade
Gratuidade no transporte para idosos,
incentivos fiscais
Redistributiva
Reduz desigualdades — gera conflito pois uns ganham e
outros 'perdem'
Cotas raciais, Bolsa Família, reforma
agrária
Constitutiva
Define as regras de como as outras políticas são feitas.
Está acima de todas.
Regras do sistema eleitoral,
participação da sociedade civil
Participação Social (CF 1988)
A Constituição de 1988 foi o marco que garantiu à sociedade o direito de participar da construção das políticas
públicas. Os canais criados para isso são:
• Conferências: debates em etapas (bairro → município → estado → nacional). Elegem delegados e
definem diretrizes.
• Conselhos: participação permanente e deliberativa, nos níveis municipal, estadual e federal.
• Ouvidorias: canal direto de comunicação cidadão–Estado.
Exemplos de políticas surgidas desses canais: ProUni, Programa Minha Casa Minha Vida, expansão das
universidades públicas.
2. SAÚDE COMO DIREITO
Os 3 tipos de direitos — T. H. Marshall
Tipo O que garante Quando surgiu
Civis Liberdade de expressão, culto, igualdade perante a lei
Séc. XVII–XVIII (Rev. Inglesa,
Americana, Francesa)
Políticos Direito ao voto, de ser candidato, participar politicamente Séc. XIX (mulheres só no séc. XX)
Sociais Saúde, educação, moradia, trabalho, previdência Séc. XX — no Brasil: Art. 6° CF/1988
Regimes de Proteção Social
Regime Como funciona Países
Liberal
Serviços públicos só para os mais pobres; maioria é
privado
EUA, Austrália, Grã-Bretanha
Conservador (Seguro
Social)
Acesso vinculado à contribuição por categoria
profissional
Alemanha, França, Argentina
Social-democrata Saúde como direito universal, gratuita para todos
Suécia, Noruega, Cuba,
Dinamarca
Marcos legais internacionais e nacionais
• OMS (1948): 'A saúde gozada no seu grau máximo é um dos direitos fundamentais de todo ser humano.'
• Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), Art. XXV: todo ser humano tem direito à saúde e
bem-estar.
• CF/1988, Art. 196: 'A saúde é direito de todos e dever do Estado.'
■ Direito à saúde vai além do hospital! Inclui saneamento, educação, segurança — e depende também do
compromisso individual com hábitos saudáveis. Cidadania plena = votar E participar das políticas de saúde.
3. SISTEMAS DE SAÚDE NO MUNDO
Os 4 pilares / objetivos de qualquer sistema de saúde
• Promoção — informação à população, saneamento básico (mais abrangente)
• Prevenção — ações antes do problema aparecer (vacinas, campanhas)
• Assistência — atendimento imediato e emergencial
• Recuperação — acompanhamento até o desfecho final
Os 3 tipos de sistemas de saúde
Sistema Financiamento Acesso Exemplos
Público Universal Impostos (todos pagam) Todos os cidadãos
Brasil, Canadá, Espanha,
Suécia
Seguro Social Contribuição trabalhista
Trabalhadores e
dependentes
Alemanha, França, Japão,
Argentina
Privado Pagamento individual / plano Quem paga EUA, Suíça
■ A maioria dos países tem sistemas MISTOS. O Brasil tem o SUS (público) e o setor privado coexistindo.
Quando se diz que um país 'adota' um sistema, fala-se do que PREDOMINA.
4. SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)
Como e por que surgiu?
Antes do SUS, só tinha acesso à saúde pública quem tinha carteira assinada. Os demais dependiam de
serviços privados ou filantrópicos (Santas Casas). O sistema era excludente, curativo e desarticulado.
O movimento da Reforma Sanitária — formado por profissionais, pesquisadores e movimentos sociais —
pressionou por mudanças. O resultado foi a VIII Conferência Nacional de Saúde (1986), o maior marco
histórico do SUS, cujas resoluções foram incorporadas pela Constituição Federal de 1988.
Leis Orgânicas da Saúde
Lei O que trata
Lei 8080/90
Objetivos, atribuições, princípios, funcionamento, competências das 3 esferas, financiamento. (O
presidente Collor vetou os pontos de participação social — daí surgiu a Lei 8142)
Lei 8142/90
Participação social (conselhos e conferências), transferência de recursos fundo a fundo,
mecanismos de controle social — justamente o que Collor vetou na 8080.
PRINCÍPIOS DO SUS
■ Princípios Éticos/Doutrinários (o QUÊ o SUS quer ser)
Princípio O que significa Exemplo prático
Universalidade
Todo cidadão brasileiro tem direito ao SUS, sem
qualquer discriminação. É um princípio finalístico — um
ideal a ser alcançado progressivamente.
Distribuição gratuita de
medicamentos, Política Nacional de
DST/AIDS
Equidade
'Tratar desigualmente os desiguais.' Não basta dar igual
a todos; quem mais precisa deve receber mais.
Reconhece desigualdades e busca superá-las.
Classificação de risco no
atendimento; políticas para indígenas,
LGBTQ+, população negra
Integralidade
A pessoa é um todo indivisível. O sistema deve oferecer
desde promoção até reabilitação, olhando o indivíduo no
seu contexto social.
UBS que faz prevenção, trata
doenças E acompanha o retorno
pós-hospital
■ Princípios Organizacionais/Operativos (o COMO o SUS funciona)
Princípio O que significa
Descentralização
Redistribui responsabilidades entre União (Min. da Saúde), estados (Secretarias
Estaduais) e municípios (Secretarias Municipais). Quanto mais perto da comunidade, mais
chance de acertar. Municípios têm a maior responsabilidade executiva.
Regionalização e
Hierarquização
Organiza o SUS em territórios e 3 níveis de complexidade: Primário (UBS — resolve
~80%), Secundário (ambulatórios especializados — ~15%) e Terciário (hospitais alta
complexidade — ~5%). O usuário começa sempre pelo primário. Sistema de Referência e
Contrarreferência garante o retorno à UBS de origem.
Participação Social
A população participa da formulação, controle e execução das políticas via conselhos e
conferências de saúde, nos três níveis de governo.
Participação Complementar
da Iniciativa Privada
Se o serviço público for insuficiente, o SUS pode contratar serviços privados, com
preferência para entidades sem fins lucrativos, respeitando todas as normas do SUS.
Resolubilidade
Cada unidade deve resolver os problemas dentro da sua capacidade e complexidade. Se
não resolver, encaminha para o nível adequado.
5. SISTEMA PRIVADO DE SAÚDE NO BRASIL
Linha do tempo do setor privado
• Séc. XVI até anos 1920: Santas Casas de Misericórdia (filantrópicas) eram os únicos hospitais. A 1ª foi
em Santos (1543).
• Anos 1920–1950: Hospitais privados prestavam serviços às CAPs e IAPs (saúde dos trabalhadores
formais).
• Anos 1960: Regime militar priorizou contratos com hospitais privados pelo INPS. Em 3 anos, hospitais
privados cresceram 50%.
• 1967: Surgimento da UNIMED em Santos — primeira cooperativa médica do Brasil.
• Anos 1980: Expansão dos planos individuais/familiares.
• Anos 1990: Código de Defesa do Consumidor (1990) + crescimento das reclamações → Lei 9656/1998
(regulação dos planos).
• 2000: Criação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) para fiscalizaro setor.
Tipos de operadoras de saúde
Tipo Característica principal
Medicina de grupo Empresas que administram planos em molde empresarial (Abramge)
Cooperativas médicas Médicos reunidos sem fins de lucro — superávit dividido igualmente (UNIMED)
Autogestão
Empresas/sindicatos que gerenciam planos para seus próprios funcionários (ex: CASSI do
Banco do Brasil)
Seguro saúde Opera por reembolso, como outros seguros. Pode oferecer rede referenciada.
Filantrópicas
Sem fins lucrativos, com certificado de filantropia. Devem destinar 60% dos atendimentos
ao SUS.
Administradoras Administram planos financiados por operadoras; precisam de registro na ANS.
6. FINANCIAMENTO DO SUS
Quem paga e quanto?
Esfera Responsabilidade
União Valor empenhado no ano anterior + variação nominal do PIB
Estados e DF Mínimo de 12% da receita
Municípios Mínimo de 15% da receita
Marcos do financiamento
• Fundo Nacional de Saúde (FNS): 'conta especial' federal onde ficam os recursos do SUS.
• EC 29 (2000): emenda que elevou a participação de estados e municípios no financiamento.
• Lei Complementar 141/2012: regulamentou definitivamente a EC 29, definindo os percentuais acima.
• Fiscalização: feita pelos Conselhos de Saúde em cada esfera (municipal, estadual, federal).
Pacto pela Saúde (2006) — 5 blocos de financiamento
• 1. Atenção de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar
• 2. Atenção Básica
• 3. Vigilância em Saúde
• 4. Assistência Farmacêutica
• 5. Gestão do SUS
7. ATENÇÃO BÁSICA — PACS e ESF
PACS — Programa de Agentes Comunitários de Saúde (1991)
Criou a categoria dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) — pessoas que vivem na comunidade onde
trabalham, aproximando a UBS da população. Cada ACS é responsável por ~150 famílias / 750 pessoas em
sua microárea.
Principais atribuições do ACS:
• Cadastrar e acompanhar todas as famílias da microárea
• Visita domiciliar (média: 1 visita/família/mês, mais frequente para famílias de risco)
• Atividades de promoção da saúde e prevenção de doenças
• Orientar sobre serviços de saúde disponíveis
• Acompanhar condicionalidades do Bolsa Família
• Notificar situações de risco à equipe
ESF — Estratégia de Saúde da Família
Surgiu como PSF (1994) e tornou-se Estratégia a partir de 1997, sendo hoje a principal porta de entrada do
SUS. Foca na unidade familiar e na promoção da saúde no território.
Composição da equipe mínima da ESF:
• 1 médico
• 1 enfermeiro
• 1 técnico de enfermagem
• 6 agentes comunitários de saúde
• + opcionalmente: Equipe de Saúde Bucal (1 cirurgião-dentista + ACD; ou + THD)
Limites por equipe:
• Máximo de 750 pessoas por ACS
• Máximo de 12 ACS por equipe
• Máximo de 4.000 habitantes por equipe (média recomendada: 3.000)
• Cada profissional vinculado a apenas 1 ESF (exceto médicos: até 2, respeitando 40h semanais)
4 elementos essenciais da ESF:
• Longitudinalidade: vínculo contínuo com a população ao longo do ciclo de vida
• Acessibilidade: unidade próxima, com horários acessíveis e acolhimento adequado
• Integralidade: promoção, prevenção, cura e reabilitação — visão do indivíduo como todo
• Coordenação do cuidado: organiza o fluxo para serviços de maior complexidade
NASF — Núcleos de Apoio à Saúde da Família (desde 2008)
Equipe complementar à ESF, com profissionais como psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, assistente social
etc. Amplia a resolutividade da atenção básica. Há duas modalidades: NASF 1 (mínimo 200h semanais) e
NASF 2 (mínimo 120h semanais).
8. VIGILÂNCIA EM SAÚDE
A vigilância em saúde é o conjunto articulado de ações de observação contínua sobre determinantes, riscos e
danos à saúde das populações, visando o controle e a prevenção. O sistema nacional de vigilância é composto
por 3 eixos:
1. Vigilância Epidemiológica
Coleta, processa, analisa e interpreta dados sobre doenças para guiar ações de controle. Divide-se em:
• Doenças Transmissíveis: dengue, tuberculose, AIDS, COVID-19, influenza etc. Requer articulação entre
as 3 esferas de governo.
• Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT): doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, doenças
respiratórias — agravadas por sedentarismo, obesidade, tabagismo, álcool.
• Acidentes e Violências: violência doméstica, no trânsito, homicídios — detecta fatores associados para
embasar políticas públicas.
2. Vigilância Ambiental
Relaciona ambiente e saúde das populações. Áreas prioritárias: qualidade da água (Vigiagua), contaminantes
químicos (Vigipeq), fatores físicos como radiação (Vigifis) e desastres naturais (Vigidesastres).
■ Saneamento básico é central na saúde ambiental. Dado importante: apenas 53% dos brasileiros têm acesso à
coleta de esgoto.
3. Vigilância Sanitária (VISA)
Conjunto de ações para eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde relacionados a produtos e serviços. No
nível federal, é exercida pela ANVISA (criada pela Lei 9782/1999), que regula:
• Medicamentos, alimentos, cosméticos, saneantes
• Equipamentos médicos, sangue, órgãos para transplante
• Serviços de saúde (hospitais, clínicas, academias, creches)
• Portos, aeroportos e fronteiras
Sistemas de Informação em Saúde (SIS)
Sistema O que registra
SIM (desde 1975) Mortalidade — Declaração de Óbito (DO), preenchida por médicos, obrigatória
SINASC Nascidos vivos — Declaração de Nascido Vivo (DN)
SINAN Agravos de notificação compulsória (dengue, tuberculose, AIDS, COVID etc.)
SI-PNI Cobertura vacinal — avalia riscos de surtos e epidemias por região/faixa etária
Resumo elaborado para fins de estudo. CF/1988 | Lei 8080/90 | Lei 8142/90 | Lei 9656/98 | EC 29/2000

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